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ST58 - Questões de gênero e educação

Coordenadoras:     Vânia Beatriz Monteiro da Silva – UFSC
                              

Resumo


Trabalhos

Alexsandro do Nascimento Santos - UNIARARAS
“Aí, eu virei professora...” Formação de professoras da educação infantil na rede municipal de São Paulo: de “tias” à “professoras”
Tendo acompanhado, como formador da Secretaria de Educação e como supervisor pedagógico do programa de certificação de nível superior, a transição das creches em Centros de Educação Infantil, saindo da gestão da Secretaria de Assistência Social e passando para a gestão da Secretaria de Educação, bem como implementação da Política Pública de Certificação das educadoras (em grande maioria negra/afro-descendente) que atuavam nesses espaços - inicialmente através do programa ADI-MAGISTÉRIO e, atualmente através formação pedagógica que certificará essas professoras em nível superior - interessou-me investigar e lançar luzes sobre o cruzamento das variáveis de gênero e etnia nesse processo de transição de “tia-educadora” para “professora” e seu impacto na identidade e auto-imagem dessas mulheres.
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Amelia Cristina Abreu Artes
Estatísticas educacionais: dados desagregados por sexo
Organismos internacionais como UNESCO e UNICEF têm produzido estudos quantitativos que trazem a público as diferenças nos indicadores educacionais de mulheres e homens. Também no Brasil, o material já disponível permite inferir uma situação educacional diferenciada entre os sexos. Para melhor compreendê-la, trabalhamos com informações quantitativas por meio do Índice de Paridade de Gênero (IPG), uma ferramenta nova na análise das diferenças entre os sexos e ainda pouco explorada no Brasil, em especial no campo educacional, e que permite a imediata verificação da razão entre índices. Análises iniciais indicam que a variável sexo é importante para compreender a situação educacional brasileira, uma vez que os meninos e jovens apresentam maior dificuldade em percorrer os diferentes níveis escolares.
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Benedito Gonçalves Eugenio - UESB
Longevidade escolar: aluno (a)s negro(a)s de camadas populares no ensino superior
Baseado em estudos que estamos realizando junto a aluno(a)s negro(a)s das camadas populares da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, o texto discute, a partir da problemática das desigualdades educacionais brasileiras, a presença de estudantes de origem popular no ensino superior, levando em consideração as questões relacionadas a gênero e raça/etnia. O eixo central de análise é o conceito de longevidade escolar e, com base nele, centramos nosso olhar na temática proposta. Os resultados apresentados apóiam-se em duas fontes de informação:1) as estatísticas da presença de negro(a)s no ensino superior brasileiro e em especial na universidade pesquisada e 2)dados mais aprofundados obtidos em entrevistas com estudantes que preenchem o perfil da pesquisa.
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Carla da Silva - UNICAMP
Formação profissional, estágio e gênero: aspectos da questão
Atuação profissional se reporta à intervenção no meio social, o que aumenta a responsabilidade de profissionais e estudantes em propor políticas de atendimento que contemplem demandas sociais. A Pesquisa foi aplicada com discentes de Serviço Social, participantes do ENESS 2005. 67% dos estudantes apontam que tem a discussão de gênero nas suas universidades, porém em forma de seminários, oficinas, debates, ou disciplinas complementares. Esta maioria apontou que esta discussão deveria ocorrer dentro das salas de aulas, como disciplina, pois a discussão em forma de seminários e oficinas não aprofunda o debate. A pesquisa demonstrou que precisamos avançar nas discussões e na produção de pesquisas e teorias que auxiliem na discussão e no trabalho com a questão de gênero, preparando os alunos para enfrentar todos os obstáculos postos pela sociedade.
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Carolina Faria Alvarenga - USP
Relações de gênero e trabalho docente: jornadas e ritmos no cotidiano de professoras e professores
Este trabalho discute as representações de gênero na definição das jornadas e ritmos do trabalho de professores e professoras. Ancorada nos estudos da Sociologia do Trabalho e do caráter flexível, precário e informal do trabalho, questiono-me sobre o trabalho docente. Diferentemente das mulheres de outras categorias profissionais, as professoras inserem-se em uma atividade nem sempre tão marcada pela precarização e flexibilização. Contudo, essas características já estão presentes no trabalho docente, marcado pelos serviços escolares realizados em casa e pelo trabalho doméstico e cuidado com os/as filhos/as. Trata-se, portanto, de refletir sobre as jornadas e os ritmos de trabalho de professoras/es, na escola e fora dela, e sobre as estratégias utilizadas por elas/es para modificarem e darem outros significados a sua experiência do tempo.
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Deise Maria Santos de Aguiar - UNESP
Crianças pobres na escola pública: práticas docentes e produção de identidades de classe e gênero
Crianças pobres na escola pública: concepções e práticas docentes sob o enfoque de classe e gênero Esse projeto de pesquisa de mestrado parte da compreensão de que os processos de educação escolar se constituem enquanto importantes espaços sociais em que, através de práticas de regulação e poder, são produzidas as identidades de classe e gênero dos sujeitos envolvidos. Tomam-se os trabalhos de Fúlvia Rosemberg e Marilia Pinto de Carvalho, como importantes referências de estudo nesta área de investigação, que relaciona os temas da infância, pobreza, gênero e rendimento escolar. Reconhecendo a importância de tal temática e a abrangência das questões e análises daí decorrentes, é que esta pesquisa tem como preocupação central investigar, em uma escola pública, de Presidente Prudente, quais são os tipos de juízos e avaliações em que se
pautam as relações entre as crianças pobres e suas professoras. Que saberes e representações as professoras têm acerca das identidades e diferenças de gênero entre seus aluno(a)s e quais são as suas articulações com as formas de inserção social e econômica dessas crianças entre os setores mais pobres da população? Nas conversas informais nas escolas, é recorrente ouvir o(a)s professore(a)s fazerem referências preconceituosas contra alunos(a)s dos setores populares em situação de pobreza sócio-econômica, bem como quanto às questões que envolvem gênero. Através de observações diretas, em salas de aula, e da realização de entrevistas com as professoras, serão analisadas as suas compreensões acerca das dificuldades no trabalho de educação escolar, com estas crianças, relacionando-as aos modos como avaliam as diferenças entre o rendimento escolar e os comportamentos de meninos e meninas. Especialmente, a partir do trabalho de observação, de caráter etnográfico, que será realizado em duas salas de aula, das séries iniciais do ensino fundamental, poderão ser analisadas as relações entre professoras e aluno(a)s e as atitudes, juízos, formas de intervenção e classificação presentes no trabalho cotidiano de sala de aula. Pretende-se, portanto, analisar e interpretar em que práticas de diferenciação são baseadas e promovidas as formas de inclusão e/ou exclusão social, na e pela escola.
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Denise Conceição das Graças Ziviani - USP
A inclusão e a diferença: estudo dos processos de exclusão e inclusão de crianças e adolescentes negros através da alfabetização no contexto da escola plural
Pesquisa-ação em andamento, que visa investigar as razões do fracasso escolar em alfabetização, de adolescentes das "turmas-projeto" das escolas do Município de Belo Horizonte, a Escola Plural, considerando as relações étnico-raciais e de gênero. Propôs partir da história de vida desses sujeitos e investigar os processos de exclusão sofrido por eles.Teve como eixo uma intervenção preocupada em investir numa ação pedagógica em que a aprendizagem fosse possível. É uma continuidade do estudo realizado no mestrado em Psicologia Social, quando os sujeitos da pesquisa foram professoras alfabetizadoras, investigando dessa vez, os alunos, maioria meninos homens negros, vindos da " turma-projeto" de sua escola de origem, no seu processo de alfabetização. A pesquisa-ação pretendeu intervir no processo de alfabetização de um grupo de adolescentes que frequenta o Projeto Rede do Terceiro Ciclo, projeto que vem
tornando-se política de educação do Munícipio de Belo Horizonte.
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Gizelly Rodrigues
Educação escolar e família: um olhar diferente para a reprovação de filhos e filhas
O trabalho em tela é uma discussão que tem sua base na dissertação de mestrado intitulada: “A reprovação escolar e suas repercussões no cotidiano de famílias das camadas médias”. Tendo entrevistado vinte famílias, sendo dez com filhos(as) matriculados(as) em escolas públicas e dez em escolas particulares, esta pesquisa revelou que há desigualdades de gênero presentes no âmbito familiar, quando se trata do olhar da família para a reprovação de filhos e filhas. Os dados estatísticos colhidos apontam que é especialmente no primeiro ano de escolarização, que a reprovação mais acontece, isto tanto nas escolas particulares, quanto nas públicas. O peso desse acontecimento é sempre doloroso para a família que vê frustradas, já no primeiro momento, suas mais elevadas expectativas em relação ao desempenho escolar e ao futuro dos filhos(as). A preocupação de que os meninos devem futuramente sustentar suas famílias, faz com que se torne ainda mais doloroso e preocupante o fato de eles reprovarem. As famílias tornam-se assim mais tolerantes em relação à reprovação feminina, visto que estas podem ainda realizar “um bom casamento”, e este é um dos projetos de futuro das mães para as suas filhas reprovadas. A compreensão dessa diferente forma de como a reprovação de meninos e meninas repercute na família, foi buscada através de uma abordagem sócio-histórica. Com este olhar, evidenciou-se que as famílias sustentam parâmetros ideais aos quais os filhos(as) devem corresponder, parâmetros estes cujas bases estão no sistema capitalista e em seus valores. Esta base capitalista, por sua vez, possibilita compreender a razão de tanto sofrimento diante da situação de reprovação. De uma outra perspectiva, vê-se ainda os parâmetros historicamente construídos a partir dos papéis de gênero, sendo reforçados e igualmente apontando porque é, para as famílias pesquisadas, mais sofrido ver um filho reprovar, do que ver uma filha.
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Jucélia Santos Bispo Ribeiro - UEFS
Redescobrindo a sexualidade: uma experiência de capacitação em gênero, sexualidade e saúde reprodutiva com docentes do ensino fundamental das séries iniciais
Este trabalho traz os resultados de uma experiência com docentes das séries iniciais, através de oficinas realizadas ao longo de um projeto de capacitação em gênero, sexualidade e saúde reprodutiva. O propósito principal do curso foi capacitá-las com alguns temas transversais e fornecer instrumentos teórico-metodológicos para a aplicação, em sala de aula, de projetos e ações pedagógicas voltados para as questões da sexualidade e de gênero. O desenvolvimento das atividades em forma de oficinas trouxe à tona a dimensão subjetiva das relações que envolvem essas educadoras enquanto mulheres, negras e sujeitos de direitos e decisões. Toda a capacitação foi acompanhada com registros numa perspectiva etnográfica e todo o trabalho foi orientado pela equipe do programa GRAL da Fundação Carlos Chagas/SP e do SOS Corpo/Recife-PE.
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Kathia Regina Pinto - UFPI
Afrodescendentes na sala de aula: intenções e realidades
Neste trabalho buscamos conhecer a ação do movimento feminista negro no que se refere a contribuições para a construção de uma prática educativa nas escolas regulares que contemple justiça social e diversidade cultural. Locus da pesquisa: escolas do município de Mirinzal no Estado do Maranhão. Faremos uma abordagem de cunho qualitativo, sendo sujeitos: docentes, discentes, pais, responsáveis, participantes do movimento feminista negro e comunidade em geral. A coleta de dados é baseada em entrevistas, interação com os sujeitos, levantamento de fontes iconográficas e escritas que serão analisadas através do método de análise do discurso. Atualmente nos encontramos em fase de estudo da literatura sobre a temática, a qual envolve as categorias: negro, mulher, escola e movimentos sociais.
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Kelly Bedin França, Kátia Maheirie - UFSC
O projeto de ser Valentina: a mediação das relações de gênero na história de vida de uma educadora
Este trabalho consiste num recorte que enfatiza a discussão de gênero, a partir das reflexões produzidas em uma pesquisa de mestrado . Visando investigar como atividades criadoras e relações estéticas apareciam no projeto de ser da educadora Valentina, veio à tona a mediação fundamental das relações de gênero para sua constituição como sujeito singular, a partir dos/nos intercâmbios sociais. Valentina apropriou-se de forma contraditória de modelos de feminilidade e maternidade, relacionados a uma determinada concepção de fazer docente, que marcam as relações de ensinar e aprender por ela vivenciadas. Finalmente, compreendeu-se que as relações estéticas e processos de criação de Valentina são atravessados por sentidos diversos acerca do que é ser mulher, produzidos num contexto social e histórico específico.
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Ligia Luís de Freitas
Gênero, questões étnicos raciais e escolarização na infância: caminhos para a igualdade
A partir de meados dos anos de 1990 venho me dedicando aos estudos de gênero tendo como foco, principalmente, a prática pedagógica e, nela, o discurso do professorado, e as relações que se estabelecem entre eles e o alunado. Neste caminho tenho percebido que o processo de escolarização, em seus diferentes níveis e modalidades, vem contribuindo para a reprodução e perpetuação de modelos de ser homem e de ser mulher que reafirmam o machismo, o racismo e o capitalismo, bases de nossa sociedade. Neste trabalho focalizo as ações de formação com foco nas questões de gênero, étnico/raciais, para cerca de 400 pessoas que atuam na educação infantil e como estas ações vem apontando a importância de articulação de variáveis que nos ajudem a compreender como as desigualdades são construídas e perpetuadas desde a primeira infância.
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Manuela de Sousa Magalhães - UFMG
Potencial emancipatório e espaços de socialização política na formação de jovens e monitores/as de uma escola família agrícola (EFA)
Neste trabalho, pretendemos apresentar e discutir a proposta de pesquisa e intervenção que vem sendo realizada junto a uma Escola Família Agrícola (EFA) do Vale do Jequitinhonha através do Programa GRAL (Gênero, Reprodução, Ação e Liderança). Partimos do entendimento da EFA como alternativa educacional e profissional para jovens do meio rural, mas também como reprodutora, no cotidiano escolar, de diversas formas de opressão – gênero, raça, geração. O projeto tem abordado essas temáticas buscando politizar o debate sobre os direitos sexuais reprodutivos, as relações de gênero, geração e raça nas quais os/as jovens estão engendrados/as e possíveis espaços de socialização política. A partir das questões e demandas que jovens e monitores/as da escola têm apresentado ao projeto aliadas a configuração sócio-política das EFAs, nossos estudos indicam o potencial emancipatório desse espaço e os diálogos possíveis de serem estabelecidos acerca da formação tanto dos/as jovens quanto dos/as monitores/as
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Manuela de Sousa Magalhães, Marco Aurélio Máximo Prado
Relações de gênero, reinvenção do político e identidade coletiva no movimento de mulheres trabalhadoras rurais no estado de Minas Gerais
Pretendemos apresentar e discutir os resultados de pesquisa que vem sendo desenvolvida junto a um grupo de lideranças do movimento de mulheres trabalhadoras rurais no Estado de Minas Gerais através do Núcleo de Psicologia Política (UFMG). Partimos da pergunta sobre as implicações das relações de poder e da construção da identidade coletiva na constituição das bandeiras de luta desse movimento, nas estratégias de enfrentamento das formas de opressão nas quais estão engendradas e as repercussões no mundo público dessas reivindicações. A análise da dinâmica interna do movimento, sobretudo no paradoxo da consolidação do movimento em espaços sindicais mistos e na sua produção atual como movimento autônomo, é um dos focos do trabalho. A constante reconstrução do campo do político ao longo da história desse movimento é determinante na maneira como suas reivindicações emergem na cena pública, na inserção dessas mulheres em espaços políticos institucionais e na garantia de suas bandeiras de luta junto ao Estado.
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Marilia Gomes de Carvalho, Lindamir Salete Casagrande - UFTPR
O que se aprende sobre a educação nos livros didáticos de matemática?
Este artigo tem o objetivo de analisar a representação de gênero em momentos de aprendizagem nos livros didáticos de Matemática buscando identificar o que se aprende sobre a educação em tais livros. O artigo foi extraído da dissertação de mestrado da autora que foi orientada pela co-autora. A opção por livros de Matemática deu-se pela formação da autora e pela escassez de estudos sobre tais livros. Analisou-se a mensagem subliminar de enunciados e ilustrações a luz da teoria de gênero. Observou-se que a representação ocorre predominantemente em situações de avaliação. Os enunciados representam meninas e meninos em situações semelhantes, porém o número de enunciados com nomes masculinos é superior ao com nomes femininos. Nas ilustrações realizadas por meio de desenho as meninas são mais distraídas e aparecem como menos ativas no desenvolvimento das tarefas escolares. Já nas ilustrações feitas por fotos, meninas e meninos demonstram a mesma atitude em relação à atividade que está sendo desenvolvida. Assim, pode-se concluir que a noção de educação transmitida pelos livros didáticos de Matemática está presa à avaliação, mais exatamente, a prova. Transmite-se também a idéia de que os meninos são mais interessados do que as meninas pelo estudo, principalmente para a Matemática.
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R. F Bressan, P. Z. dos Santos, N. G Reali - UNOCHAPECÓ
As representações de gênero no livro didático de ciências da 7ª série do ensino fundamental
O debate acerca das questões de gênero e a construção de desigualdades no âmbito escolar vem ganhando legitimidade no debate educacional mundial. Este estudo procurou analisar as relações de poder entre os gêneros nos livros didáticos do Colégio Bom Pastor e do Colégio Exponencial, de Chapecó – Santa Catarina. Para tal comparamos o número, os locais de circulação, os corpos, as etnias, as gerações e as profissões e/ou ocupações representados através de imagens masculinas e femininas presentes em ambos os livros didáticos analisados. Este estudo foi resultado de pesquisa bibliográfica e análise documental. O mapeamento dos dados resultou nas seguintes categorias: a) aspectos étnicos/raciais; b) grupos geracionais; c) localização; d) estética corporal e, por fim, e) representações profissionais e/ou atividades exercidas. Os resultados demonstraram que os livros, apesar dos grandes investimentos já realizados na crítica deste modelo, continuam fortemente androcêntricos, racialistas, adultocêntricos e clacissistas. As mulheres ainda são representadas nos velhos padrões patriarcais de dependência e inferioridade, negando as prerrogativas políticas de eqüidade entre os gêneros defendidas por amplos grupos sociais e pelas grandes diretrizes educacionais do país.
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Raquel de Almeida Silva - UERJ/SME/RJ
A mulher na EJA – uma análise da ‘diferença’ na educação de jovens e adultos do município do Rio de Janeiro
Ao analisar a mulher na EJA como integrante de um grupo de acesso tardio à escolarização em uma sociedade letrada e ainda pertencente ao universo feminino, sua condição de excluída socialmente adquire um caráter duplo de preconceitos e estereótipos. Detenho-me, aqui, na crescente presença feminina nas classes de EJA, tendo como foco a Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro, atentando para as questões relativas e singulares de um grupo marginalizado que se encontra inserido em outro igualmente periférico. Coloco que, além desse diferencial, outras relações, além das de gênero, permeiam o universo destes/as educandos/as. É nesse sentido que busco situar a problemática das diferenças (raciais, de gênero, culturais) no contexto da Educação de Jovens e Adultos.
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Sivonei Karpinski Hidalgo - UFTPR
A globalização e a trajetória da mulher na educação nos anos 90
Pretendemos com este texto, discutir a realidade educacional da mulher, no Brasil, e do trabalho no contexto dos anos 90. Em especial, a Educação de Jovens e Adultos, posto que o fenômeno da globalização e conseqüente mundialização da produção associada a revolução microeletrónica, atinge, a nosso ver, o trabalho e portanto o sujeito e sua cultura e isso se reflete na educação. Assim, fazemos um breve relato sócio-histórico da Educação de Jovens e Adultos e dos desdobramentos que as orientações internacionais trazem para a reforma do Estado e da Educação no Brasil. Nesse contexto, apresentamos com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP), a trajetória das mulheres na Educação nos anos 90, na perspectiva de refletir a crescente demanda gerada para a Educação de Jovens e Adultos, em Curitiba tecendo, assim algumas considerações preliminares.
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Sônia Fátima Schwendler - UFPR
As relações de gênero e a educação de jovens e adultos nos assentamentos de reforma agrária
O presente trabalho aborda os resultados da Pesquisa “A questão de gênero na alfabetização de jovens e adultos em assentamentos do MST na Região Sul do Paraná”. Tomando por referência o olhar das mulheres assentadas, busca compreender como as relações de gênero são (re)construídas nas vivências da luta pela terra no MST e como estas interferem no processo de alfabetização de jovens e adultos. A opção por priorizar a fala das Mulheres Sem Terra se deve à importância que elas têm no processo de luta social, no processo educativo, bem como nas transformações das relações de classe e de gênero. Pode-se inferir que a mulher assentada, embora tenha transgredido sua invisibilidade social e política a partir de incursões na esfera publica, ela ainda encontra muitos obstáculos para participar de diferentes espaços, inclusive na alfabetização de jovens e adultos.
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Wanderleya Nara Gonçalves Costa, Kátia Cristina de Menezes Domingues
Preconceito e discriminação no espaço escolar: educação matemática em foco
Em geral o Brasil é considerado uma nação multicultural, sem preconceitos e conflitos, no entanto, esse pensamento “ingênuo” esconde o desrespeito, a desvalorização, os preconceitos e os abusos que sofrem pessoas não pertencentes ao padrão do ser humano considerado padrão para todos os outros ( homem, branco, cristão, culto...). Os povos indigenas e afro-brasileiros, que por muitos anos foram obrigados a silenciar ou negar suas raízes étnicas, ainda hoje têm de conviver com estereótipos que estão impregnados no imaginário social e escolar e se propagam de geração em geração. Neste trabalho abordaremos práticas prconceituosas e discriminatórias que a escola , no contexto da educação matemática, exerce sobre esses grupos de “minorias” e em especial, sobre as mulheres indígenas e negras. Trataremos da prática discriminatória na educação matemática que, freqüentemente, contribui de forma decisiva e velada para o baixo rendimento desses grupos étnicos. Os conhecimentos primeiros dos educandos indígenas e afro-brasileiros, geralmente, não são levados em consideração e os professores não fazem questão de conhecê-los. Entretanto, a herança da discriminação étnica e racial não provém apenas do espaço escolar, mas também de outros âmbitos e instituiçôes, entre os quais está a ciência. Para ilustrar esse fato utilizamos, por um lado, estudos de craniometria e, por outro, a Etnomatemática. A craniometria, não raro, foi utilizada para justificar preconceitos e discrimanações contra indios, negros, asiáticos e mulheres. As mulheres, nestes estudos, sempre ficaram em desvantagem em relação ao homem, sendo consideradas inferiores social e intelectualmente. Por sua vez, a Etnomatemática tem como princípio a valorização da diversidade de conhecimentos como possibilidade de respeito e valorização da diversidade, bem como da problematização de questões de poder entre os diversos grupos sociais e culturais. Neste contexto as práticas do professor de matemática são vistas como portadoras de possibilidades de denúncia a favor das “minorias”.
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