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Os pôsters deverão ter o formato 1.00m X 1,20m e ficarão expostos conforme divulgado aqui. Ao final do evento haverá premiação do melhor pôster, selecionado por comissão julgadora instituída pela organização do evento.

Pôster premiado do dia 26 de agosto:

O exercício da parentalidade em casais homoafetivos que adotaram crianças
Alana Batistuta Manzi de Oliveira
Manoel Antônio dos Santos
FFCLRP/USP

Pôster premiado do dia 27 de agosto:

Qualificação profissional e o atendimento às mulheres em situação de violência social
Tatiana Leite Soares, Ludmila Fontenelle Cavalcanti, Viviane do Nascimento Aquino, Rejane Santos Farias, Priscila Cavalcante da Silva, Roberta Matassoli Duran Flach, Vivian de Almeida Matos
UFRJ

Pôster premiado do dia 28 de agosto:

Literatura feminina? Relações de gênero na crítica literária aos romances de Rachel de Queiroz (1930-1940)
Natália de Santanna Guerellus
UFPR

 

Pôsters aprovados para o apresentação no Fazendo Gênero 8

Corpo feminino: práticas e concepções referentes à sexualidade e à reprodução
Ana Carolina Nascimento Silva (UFU)

Neste trabalho o processo de construção de representações do corpo feminino é analisado através de uma investigação antropológica acerca de concepções e práticas referentes à sexualidade e à reprodução. A idéia deste trabalho é a abordagem das representações femininas acerca dos temas da sexualidade, reprodução e contracepção na intenção de entender o corpo como suporte de signos, ou seja, como objeto cognitivo. A pesquisa etnográfica se deu na intenção de descobrir como os sistemas de significados sexuais afetam a auto-representação de um grupo de mulheres de um bairro popular de Uberlândia – Minas Gerais, o Bairro Guarani.

Construindo pontes: uma análise da demanda encaminhada ao site http://www.iesc.ufrj.br/assediomoral
Ana Carolina Xavier, Beni Wajnberg, Ingrid Rosa Nathalia Lima, Priscila Gandarela Chamarelli (UFRJ)

O projeto Violência e Assédio Moral no Trabalho dos trabalhadores de saúde articula atividades de ensino, pesquisa e extensão enfocando o tema da violência no trabalho. A base do programa é o portal www.iesc.ufrj.br/assediomoral, lançado no dia 6 de outubro de 2006, no qual a população pode encontrar informações sobre o que é Assédio Moral, legislação relacionada, depoimentos de vítimas e entrevistas. O grupo disponibiliza o endereço eletrônico assediomoral@iesc.ufrj.br para que o público possa entrar em contato com a equipe do projeto ou possa nos enviar depoimentos e comentários, que, observada nossa política de privacidade, poderão ser publicados na página.
Objetivo: Analisar as correspondências eletrônicas recebidas pelo Site www.iesc.ufrj.br/assediomoral/ .
Método: Análise quantitativa e qualitativa das correspondências eletrônicas, verificando a natureza da demanda e características dos usuários; no período de outubro/2006 a abril/2008.
Resultados: Foram recebidas por meio do assediomoral@iesc.ufrj.br 146 correspondências: Mulheres 56,17% (82) homens 26,03% (38) sem identificação do sexo 17,80(26); Depoimentos 44,52% (65); Contatos para obter informações 45,89% (67); Pesquisadores 22,60% (33); Convites para eventos 10,27% (15). Foram recebidas pelo fale assedio 42 correspondências: Mulheres 52,4% (22) homens 45,2% (19) sem identificação do sexo 2,4% (1); Depoimentos 64,3% (27); Contatos para obter informações 64,3% (27); Pesquisadores 16,7% (7); Convites para eventos 2,4% (1).
Conclusão: A finalidade do portal foi alcançada. Há interesse da comunidade, de várias partes do Brasil na discussão do tema e o próprio assédio moral (dada a distribuição dos pedidos de ajuda) pode ser considerado um fenômeno de distribuição por todo o Brasil.

A perspectiva de gênero como auxiliar para a gestão de políticas públicas direcionadas a infância
André Viana Custódio, Geovana Porfírio Gambalonga e Luciana Rocha Leme (UNESC)

A sociedade brasileira marcada por fortes traços da cultura patriarcalista reflete discriminações múltiplas, sendo que a discriminação de gênero representa umas das perversas formas de violência e exclusão social. Entretanto, o ordenamento jurídico crivado de princípios direcionados à democracia e igualdade aponta a consolidação de direitos às crianças. A incorporação do principio da diversidade como elemento interpretativo basilar do novo sistema impulsiona a determinação de políticas públicas que considerem na sua execução as perspectivas de gênero, raça e orientação sexual. Nessa perspectiva o recorte de gênero utilizado como instrumento de estudo revela as omissões acerca da reflexão sobre as causas das exclusões, enquanto que a visualização da criança como objeto sociológico auxilia no desvelamento da dinâmica das estruturas de poder. Possibilitando a analise e identificação das estratégias de poder criadas sobre a infância a partir de uma lógica de identidade. A visualização da construção da engrenagem social de preconceitos pelo prisma de gênero, com os instrumentos fornecidos pela Sociologia da infância, instrui o objetivo geral desse estudo que foca-se na compreensão do processo de proposição de políticas públicas para a infância nas Conferências de Direitos da Criança e do Adolescente. Assim, a interdisciplinariedade proposta pelo presente estudo demonstra ser muito eficaz diante dos desafios enfrentados na gestão de políticas públicas, pois o Brasil apresenta diversas formas de discriminação associadas ao fenômeno da exclusão social e da pobreza. Comprovando que a aliança do Direito com outros ramos da ciência torna-se imprescindível para a meta de consolidação da igualdade material.

Discriminação contra minorias e o papel do direito no ordenamento jurídico brasileiro
Caroline Leite de Camargo (UFMS)

“[...] A partir do momento em que se aperceberam ser útil a um só possuir provisões para dois, a igualdade desapareceu, a propriedade introduziu-se, o trabalho tornou-se necessário, e as vastas florestas transformaram-se em campos vicejantes que foi preciso regar com o suor dos homens, e nos quais logo se viu a escravidão e a miséria germinarem e crescerem com as colheitas”. (Rousseau)
Brasil, país com mais de 8 milhões de quilômetros quadrados esconde uma vasta diversidade de culturas, crenças e claro, uma imensidão de preconceitos, ou seja, opinião preconcebida e arbitrária, causando submissão de um individuo ou um grupo de indivíduos a outro, causando desconforto físico, psicológico e psíquico a grupos como idosos, portadores de deficiência, homossexuais, mulheres, dentre outros.
Legisladores brasileiros procuram amenizar o problema, estando presente nos ordenamentos vigentes igualdade entre os cidadãos e a dignidade humana; uma prova disso foi a Constituição Federal de 1988, onde em seu artigo 3º, parágrafo IV diz ser um dos objetivos fundamentais do Brasil “Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.
Segundo Muniz Sodré é necessário “existência de uma única espécie humana à espera de uma integração mais solidária entre os povos”.
Cabe ao Direito proporcionar a todos os indivíduos meios para que sejam tratados de forma igual, respeitando as diferenças.
Analisando o problema de forma local e global, com estudos teóricos, conscientizando populações, que foi implantado na UFMS/CPTL um Núcleo de Estudos em Direitos Humanos.

Mulheres em quadra: o futsal feminino fora do armário
Caroline Silva de Oliveira; Marcelo Victor da Rosa (UFMS)

A Educação Física é rica para discussões de gênero, porém são poucos estudos que abordam especificamente relações de gênero, homossexualidade e preconceito nos esportes. Situações de preconceito, estereotipia, discriminação e desigualdade são evidentes ao comparar a prática masculina e feminina do futebol. Diante da relevância do conhecimento das diversidades presentes em práticas corporais e esportivas e inclusão da mulher nesse universo, esta pesquisa teve por objetivos: investigar percepções de preconceito e homossexualidade em jogadoras de futsal; verificar representações de gênero com as quais se identificam e como lidam com preconceitos e estereótipos; discutir preconceito relacionado à homossexualidade nesse esporte. As informações foram obtidas por questionário estruturado com 18 questões distribuído a atletas de alto rendimento, ex-atletas e mulheres que praticam futsal por lazer em Campo Grande/MS e São José dos Campos/SP. A dimensão da homossexualidade na modalidade foi surpreendente quando todas responderam conhecer lésbicas que praticam o esporte. O comportamento homofóbico de algumas foi chocante, entretanto prevaleceu a compreensão da maioria sobre a orientação sexual da lésbicas. As jogadoras têm consciência das relações de poder do futebol que as colocam como subversoras duma ordem natural e coadjuvantes da história da modalidade. O feminismo lutou anos pelo direito de falar da mulher, porém não conquistaram plenamente a igualdade e valor merecido. Esse mesmo movimento talvez devesse lutar hoje pela participação feminina ativa nos ambientes sociais, entre eles o esporte. No Brasil, onde futebol é identidade nacional, mulheres buscam ainda espaço maior, que acarretaria o respeito e amenizaria o preconceito.

Representação social do futebol feminino no âmbito escolar
Cássia Cristina Furlan; Júlia Bellini Capelari, Patricia Lessa (UEM)

A sociedade brasileira construiu uma tradição de relações sociais e políticas que vem permeando ao longo dos anos reproduzindo altos níveis de desigualdade, exclusão e injustiças. Discussões acerca das questões de gênero em relação à opressão sofrida pelas mulheres podem ser observadas durante diversos momentos da historia. A educação física escolar fabrica sujeitos, produz identidades étnicas, de gênero, de classe, identidades essas produzidas através de relações de desigualdades. A questão de gênero é indissociável ao futebol feminino, as dificuldades por ele encontradas estão diretamente ligadas as diferenças de gênero, pois o corpo feminino acaba sendo culturalmente inadequado a prática futebolística. Na presente pesquisa pretende-se investigar através de uma pesquisa de campo no Colégio Nobel em Maringá a representação do futebol feminino nas escolas e o preconceito sofrido por essa prática esportiva.

Mina de fé? Sobre o discurso das mulheres no rap
Cinthia Marques Santos (UFG)

Este trabalho tem como objetivo analisar e compreender os discursos das letras das músicas das rappers Dina Dee e Nega Gizza, levando-se em consideração o local de fala de cada uma. Sendo a primeira uma mulher branca e a outra negra é relevante destacar de onde falam essas mulheres da periferia de dois grandes centros São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente. O termo RAP (rythm and poetry, um dos principais componentes do hip-hop) nascido nos bairros pobres de Nova Iorque no final da década de 70, surgiu como grito de denúncia onde jovens da periferia podiam relatar sua angústias, medos e desejos. No Brasil o rap surgiu inicialmente em São Paulo na década de 80, daí expandindo-se por todo o país, desde seu surgimento há uma predominância masculina que se reflete nas letras. Estas marcadas por denúncias de um cotidiano árduo, violento, o que cabe ressaltar é a figura feminina abordada em várias letras. Havendo então uma divisão entre as mulheres, desse modo existe duas figuras femininas a mãe, guerreira e santa, e a “vadia”, todas as outras mulheres. Nessa perspectiva surgem então mulheres cantando e compondo rap que falam de sua condição enquanto mulher da periferia, enquanto sujeito e não mera espectadora que hora se vê como “vadia” ou “mãe”. Cabendo avaliar as perspectivas, os locais de fala dessas mulheres, lembrando que ser mulher não é universal como inicialmente o feminismo acreditou. Ou seja, as mulheres não sofrem discriminações, opressões somente pelo gênero, mas também pela raça, classe, sexualidade.

Vinegar tom no Brasil
Claudia Mussi Viegas (UDESC)

O pôster pretende mostrar os resultados obtidos a partir do grupo de estudos Teatro e Gênero do Departamento de Teatro do Centro de Artes da UDESC, o projeto busca encontrar as relações entre as teorias do feminismo e a prática teatral na contemporaneidade, analisando as formas de representação de personagens femininas e as práticas teatrais conduzidas por mulheres. Paralelamente, foi montada a peça Vinegar Tom da dramaturga feminista inglesa, Caryl Churchill. O espetáculo foi apresentado na UDESC e no Floripa Teatro – Festival Isnard Azevedo. Neste pôster, exploram-se as linhas de pesquisa das bolsistas, que participaram de Vinegar Tom enquanto refletiam teoricamente sobre o espetáculo. Juntas, prática e teoria resultaram em novas descobertas para os estudos de teatro e feminismo.

Sexualidade na escola: discutindo com alunos o ensino de Biologia
Clélma Furquim Rocha; Ana de Medeiros Arnt (UNEMAT)

Neste trabalho, discutimos como a sexualidade é trabalhada no Ensino Médio de uma escola de Tangará da Serra/MT, a partir da fala dos estudantes, e como estes lidam esse tema no cotidiano escolar, quais suas principais dúvidas e o quê e como gostariam que fosse trabalhado nesse espaço. Para isso, entrevistou-se um grupo de alunas em dois momentos distintos. Primeiramente, fizemos uma roda de discussão, onde eram feitas as perguntas, deixando-as a vontade para que falassem o que quisessem. Após esse momento, aprofundamos a discussão, com dois grupos menores, visando propiciar que as adolescentes mais tímidas tivessem mais oportunidade de fala e que novas idéias pudessem emergir a partir do que foi dito no primeiro dia.
Nas suas falas, a escola não é o lugar para se debater e aprender sobre sexualidade, mas sim na família, com amigos e outros espaços (revistas, internet), e está muito ligada a terminologias científicas e formalidades. Quando um aluno pergunta é porque tem “mente poluída”, ou não tem idade para pensar ou fazer aquilo ainda, e se um professor fala, os alunos o desautorizam, pois o adulto tem que ser formal e científico. A disciplina de Biologia só discute-a a partir dos conceitos de reprodução e doença.
Assim, as estudantes sentem falta de falar sobre a sua sexualidade, mas quando isto é possibilitado, não aproveitam e sentem-se constrangidas. Nesse sentido, discutimos o quanto esse tema apresenta interdições e controle, ligados às práticas culturais, tanto por parte da escola (e professores) como também pelos alunos.

O empoderamento de mulheres através das gerações na Bahia: as interconexões entre oportunidades educacionais, inserção no mercado de trabalho e participação política
Daniela de Santana Oliveira, Débora da Silva Oliveira, Liv Costa Lobo e Raquel Oliveira Silva (UFBA)

Somos parte de uma equipe de 11 mulheres que está trabalhando no Projeto “Tempos de Mudança, Vidas em Mutação: O empoderamento de mulheres na Bahia através das gerações”, que, por sua vez, integra o Programa de Pesquisas do Projeto TEMPO – Trilhas do Empoderamento de Mulheres. Neste pôster propomos apresentar e analisar alguns resultados da pesquisa, cujo objetivo principal é precisamente identificar e analisar processos de empoderamento feminino na Bahia através das gerações. Para tanto, estamos entrevistando 400 mulheres residentes no Subúrbio de Plataforma, em Salvador, com vistas a produzir, também, um documentário. Partimos do princípio de que empoderamento não é um estado que se possa alcançar de uma vez por todas. Contudo, as intervenções em prol do desenvolvimento voltam-se para as vidas das mulheres como se elas fossem vividas em compartimentos, com portas de comunicação entre eles, de sorte que mudanças em um deles necessariamente abra as portas para os outros. Sabemos que não é bem assim; é preciso, porém, investigar as possíveis conexões entre as dimensões pessoais e psicológicas do empoderamento e aquelas ditas sociais, econômicas e políticas. Neste pôster, procuramos delinear as possíveis interconexões entre oportunidades educacionais, inserção no mercado de trabalho e participação política no que diz respeito aos processos de empoderamento nas vidas das mulheres que estamos entrevistando.

Meninas de e para consumo: a representação de adolescentes em propagandas de revistas para o público pré-adolescente
Éder Rafael de Araújo (UNESP)

Amparadas na fragmentação das estruturas identitárias associada ao crescente interesse por parte do mercado em encontrar novos públicos consumidores, entram em cena revistas que se dizem voltadas ao público feminino pré-adolescente, lidas por meninas de 07 a 15 anos, carregadas de propagandas que veiculam, ao mesmo tempo em que dizem refletir um fenômeno social, Representações Sociais de gênero, de consumo e de sexualidade. Nesse trabalho buscamos compreender essa produção publicitária enxergando-a como representante de uma cultura de consumo, bem como a relação que estabelece com seu público-alvo. Para tanto visualizamos o fenômeno, antes de tudo, como um processo comunicacional que envolve a produção das peças publicitárias (emissão), a análise da mensagem transmitida (emissão) e as possibilidades de interação desta com o universo dos sujeitos a que se destina. Seguimos, para isso, pelas vias da análise semiótica dos anúncios, tendo por base a teoria semiótica de Charles Sanders Peirce e da análise das Representações Sociais presentes nas mensagens analisadas, segundo a teoria proposta por Moscovici. Também viu-se necessário o amparo dos estudos sociais e considerações da lingüística e da psicologia do desenvolvimento.
Observando a complexa teia de significados objetivos e subjetivos contidos nas peças e considerando o material publicitário como forma linguagem e expressão de uma cultura voltada para o consumo, podemos notar a imagem de uma criança erotizada, onde divertir-se se confunde com uma sedução não tão velada e onde a as Representações que redefinem a “pré-adolescente” buscam produzir meninas para consumir e serem consumidas.

Trabalho, juventude e masculinidade (Florianópolis, 1980-2005)
Eduardo Maricato Riciardi e Larissa Alves Ripardo (UDESC)

A partir da década de 1980, o comércio de entorpecentes, considerado ilegal, transforma-se em uma importante fonte de renda para uma parcela das camadas populares de centros urbanos brasileiros. Uma grande quantidade de jovens do sexo masculino ingressa nessa atividade laboral que, para além das implicações criminais, passa a ser percebida pelos representantes do Estado como uma questão social. Nessa investigação, através da História Oral, procuramos conhecer o cotidiano de trabalhadores infanto-juvenis masculinos que atuaram no comércio de entorpecentes no município de Florianópolis entre 1980 e 2005. Observamos que o exercício dessa “profissão” pelos menores é pautado em um determinado discurso de masculinidade que associa a utilização de armas, bem como a possibilidade do consumo de bens a virilidade.

O Empoderamento de Mulheres Através das Gerações na Bahia: permanências e descontinuidades nas relações familiares e exercício da sexualidade
Fabiana Sousa de Almeida, Fabiana dos Santos Rocha, Mariana Cruz Fonseca e Sheila Lima Rodriguez (UFBA)

O pôster proposto irá delinear os primeiros resultados de pesquisa em curso da qual participamos na qualidade de bolsistas, vinculado ao Programa de Pesquisas do Projeto TEMPO – Trilhas do Empoderamento de Mulheres. O propósito da nossa pesquisa é identificar e analisar processos de empoderamento feminino na Bahia através das gerações, a partir de um estudo no Subúrbio de Plataforma, em Salvador, onde estamos entrevistando cerca de 400 mulheres. Esse material servirá de base, também, para a produção de um documentário, razão pela qual trabalhamos com registros de imagens. Entendemos “empoderamento feminino” como o processo de conquista da autonomia e, assim, da possibilidade de fazer escolhas estratégicas por parte das mulheres. Neste pôster, nos voltaremos para os efeitos desse processo no que diz respeito às relações familiares (incluindo-se aí, o enfrentamento à violência doméstica) e ao exercício da sexualidade. Trabalhamos com um recorte geracional, o que nos possibilitará refletirmos sobre as permanências e descontinuidades (avanços?) nessas dimensões da vida das mulheres na Bahia.

Espelho, espelho meu: O Desenho da Figura Humana em Pessoas em Situação de Violência
Fátima Oliveira de Oliveira, Graziela Cuchiareli Werba, Dione de Souza, Gilvana Martins, Simone Nunes (ULBRA)

Este trabalho consiste em um estudo sobre o desenho da Figura Humana de pessoas em situação de violência com o objetivo de identificar as características comuns entre estes. Partindo dessa identificação, pretendemos construir um instrumento específico para pesquisa e intervenção em situações de violência. A investigação está fundamentada em uma abordagem qualitativa, fundamentada nos estudos de gênero, violência e na técnica de interpretação do desenho da figura humana.
Os resultados parciais revelam um olhar vazio com a ausência das pupilas significando vergonha e culpa. Ao serem indagadas sobre a idade da figura desenhada, parte das participantes da pesquisa indicou uma faixa etária inferior as suas próprias, podendo este dado ser interpretado como reação a traumas e/ou vontade de se fixar em uma época anterior mais feliz. Em relação ao tamanho e localização, constatamos que setenta e cinco por cento dos desenhos coletados são de figuras pequenas e colocadas na metade inferior da folha, o que significa sentimento de inferioridade com dificuldade de se colocar no meio, repressão da agressividade, comportamento emocionalmente dependente e humor mais deprimido.
Embora estes resultados revelem a existência de traços comuns nos desenhos realizados, somente ao final da pesquisa poderemos apresentar dados e conclusões mais consistentes sobre esta investigação.

A Formação do Conceito de Diferença de Gênero nos Desenhos Infantis
Dione Souza, Gilvana Martins, Simone Nunes, Graziela Werba e Fátima Oliveira (ULBRA)

A maneira sutil como a mídia, através dos desenhos animados, faz circular a pedagogia de gênero, ensinando às crianças o que é ser homem, ser mulher, ser criança, ser branco, ser bom ou mau, pode ser uma forma de entender como as diferenças são construídas na subjetividade das crianças. De que maneira os desenhos animados propagados pela mídia, podem construir relações de gênero na infância? Sabendo-se que não só a escola proporciona conhecimento, mas também a mídia, esta aparece na construção cultural como fator altamente relevante na formação da subjetividade das crianças. E as questões de gênero perpassam as questões da comunicação especialmente no que tange às formas simbólicas que os desenhos animados trazem nas suas entrelinhas, visto que a televisão impõe maciçamente suas ideologias rumo à construção de um universo cultural permeado por relações de dominação, a partir das quais estas relações de gênero se darão. O intuito deste projeto de pesquisa é discutir criticamente os mecanismos da construção desta pedagogia de gênero na infância.

A construção do gênero nas instituições de educação formal: reprodução do poder assimétrico e dominação
Fernando Henrique Morais da Rocha; Hellen Olympia da Rocha Tavares; Eliane Schmaltz Ferreira (UFU)

Este trabalho teve como objetivo estabelecer a relação entre a socialização realizada nas escolas de educação formal brasileiras e a violência simbólica de gênero. Para tanto, foi utilizado o método de pesquisa bibliográfica, constituída principalmente da análise de textos que tratavam dos conceitos de gênero, construção dos sujeitos e violência simbólica.
A escola é a instituição formal que tem a função de educar, inculcar e, principalmente, disciplinar os indivíduos através das práticas pedagógicas e, desta forma, torná-los seres sociais através da formação e educação que recebem.
O gênero é uma construção histórico-social dos sexos, também sendo formadas dentro da escola, através da inculcação de condutas e valores associados ao que cada grupo considera como feminino e masculino.
Por fazer parte de uma sociedade onde o poder é distribuído de modo desigual entre os sexos, a instituição escolar seria um dos espaços onde as representações sociais de masculino e feminino se formariam, reproduzindo relações de gênero desiguais.
Desta maneira, a relação de poder que se dá entre os gêneros é cercada por uma esfera de naturalidade, fundamental para sua legitimação. Tanto dominados quanto dominantes envolvem-se, consentindo a dominação, que acontece por meio de uma violência camuflada, ou seja, simbólica.
Portanto, a relação de subserviência da mulher em relação ao homem é constituída dentro de um sistema de violência simbólica de gênero, sendo este é um processo de reprodução e reafirmação, perpetuando as formas de feminilidade e de masculinidade, inclusive dentro das escolas.

Relações de gênero e loucura: o poder do discurso psiquiátrico
Fernando José Ciello (UNIOESTE)

A natureza nos faz machos e fêmeas, mas é na sociedade que nos tornamos homens e mulheres, decorre disto que os papéis desempenhados por homens e mulheres se relacionem necessariamente com a forma com a qual se concebe em cada grupo o individuo homem e o individuo mulher. A questão dos padrões de gênero tem implicações diversas no ordenamento social e na vida dos indivíduos, como na formulação de discursos, sejam eles para justificar ou mesmo para fomentar um determinado estado de coisas. Em nossa sociedade, especificamente, os padrões de comportamento e sociabilidade construídos para os sujeitos assumem um aspecto de classificação bastante evidente quando se analisa o discurso psiquiátrico do fim do século XIX e início do século XX. A psiquiatria deste período, e a medicina como um todo, estiveram ligadas às discussões que pudessem repercutir positivamente nos ideais de progresso manifestados na sociedade da época: reorganizar e higienizar o espaço vivido, modernizar a sociedade e as instituições, fortalecer o conhecimento científico, etc. Nessa perspectiva observou-se que o discurso médico-pedagógico da psiquiatria acabou por contribuir num processo de psiquiatrização da diferença que evidentemente acompanha nossa sociedade até os dias de hoje. Revisitar o conhecimento produzido sobre este saber psiquiátrico e sua contribuição na definição de papéis de gênero – através de leitura e analise da bibliografia de referência – é objetivo de trabalho de iniciação cientifica ainda em desenvolvimento cujo andamento até o presente momento pretende-se ilustrar aqui na apresentação do pôster.

Sobre a abjeção das travestis de Florianópolis: da extrema marginalização à construção da cidadania
Fernando Luiz Salgado da Silva (UFSC)

A partir de uma experiência profissional no Centro de Referência de Combate a Violências GLBTTT da Grande Florianópolis na ONG Adeh Nostro Mundo / Associação dos Direitos Homossexuais da Grande Florianópolis e Associação das Travestis da Grande Florianópolis, intento traçar algumas reflexões sobre esta organização não-governamental como importante espaço para a construção da cidadania de travestis na promoção de defesa de direitos humanos. Num exercício de articulação entre as vivências na ONG, enquanto militante; e os estudos de gênero, enquanto pesquisador. Enfatizando, então, a importância de uma relação mais recíproca e sólida entre comunidade e universidade. Tanto as discussões de gênero, na academia, podem contribuir, e muito, para prática da militância; como também esta última nos ajuda a refletir sobre nossas teorias e práticas sociais.

A teoria do reconhecimento e o novo desenho institucional brasileiro – uma leitura sob a perspectiva da questão de gênero
Flávia Mello Magrini (UFSCar)

Com as mudanças institucionais do Estado, final de 1980, questões como a dos Direitos Humanos, incluindo os direitos sociais e coletivos, passaram a ser peça fundamental desse novo desenho institucional.
No debate político e na prática política brasileira, surgiu, então, uma série de inovações que absorvem uma teoria sobre a identidade cultural, principalmente nas políticas publicas e na criação de organismos políticos.
Parte dessas transformações envolve uma mudança conceitual profunda no campo da teoria democrática que tem como expoentes a discussão sobre a democracia deliberativa e a luta por reconhecimento, cujos autores relevantes são Jurgen Habermas, Axel Honneth e Nancy Fraser.
Honneth vê a noção do reconhecimento como uma relação intersubjetiva, em diferentes esferas – emotiva, estima social e jurídico-moral -, indispensável à formação da identidade dos indivíduos. Para Fraser, o conceito de reconhecimento estaria vinculado à categoria weberiana de status legal.
Partindo desse panorama, tem-se por objetivo analisar a constituição e a ação da “Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres” no quadro da estrutura política brasileira, tentando compreender nesses dois movimentos o eco da discussão sobre a luta pelo reconhecimento no Brasil.
Procurar-se-á nesta Secretaria seus discursos e suas ações tentando detectar o que a mesma considera como sendo “direitos fundamentais” desse grupo social. Direitos esses, que passam pelos serviços de Estado – Delegacias da Mulher -, proteção legislativa e capacidade de visibilidade pública como identidade singular – “Lei Maria da Penha” -, até ações que visam a inserção das mulheres no mundo do trabalho e o fortalecimento de sua autonomia.

Cinema e homossexualidade
Flávio St Jayme e Gisele Thiel Della Cruz (ISE)

Michel Vovelle e Marc Ferro são os primeiros historiadores a verem o filme como uma fonte importante, um documento histórico. Neste sentido, o filme apresentaria valores, identidades e ideologias de uma sociedade, de uma época histórica. Em suas diferentes expressões cinematográficas, o filme se torna um instrumento multifacetado de representações históricas, na medida em que é contextualizado num momento histórico e social quando de sua produção. O filme não é um retrato fiel dos acontecimentos, mas um processo de construção de uma realidade (seja ela ficcional ou não), de uma articulação entre imagens, palavras, sons e movimentos.
Na literatura, desde a Antigüidade, a homossexualidade é objeto de estudo e de opinião. Em menor ou maior grau, ao longo do tempo, continuou sendo representada, mesmo sob inúmeras perseguições. No cinema, inventado no final do século XIX, a prática homossexual é excluída da tela até a década de 1950. Despudorada ou ameaçadora, a cena homossexual é banida totalmente até chegar ao caricato. Nas décadas de 1970-1980, com inúmeros finais infelizes, tragédias e “curas”, os homoeróticos saíram dos armários e descobriram a “moral da história”. O presente trabalho pretende apresentar uma trajetória da visão cinematográfica da homossexualidade entre as décadas de 1950 e 2000, do preconceito arquitetado passando pelo cômico preconceito até chegar à simpatia do público e à aceitação da grande platéia e das premiações internacionais, procurando revelar, a partir dessas imagens, uma visão dos cineastas, os discursos que estão por trás das imagens e as ideologias e comportamentos sociais.

A contribuição dos direitos humanos na caminhada para superação da violência contra a mulher
Franciele Kogler Bartz (Faculdades EST)

A violência contra a mulher é um dos crimes mais praticados no mundo, ao mesmo tempo, o mais encoberto. É dentro de casa que acontece o maior índice de violência, e geralmente as famílias mantêm sigilo. A maioria das mulheres já sofreu algum tipo de violência. A prática da violência contra as mulheres e crianças configura-se como se fosse um direito masculino. Dentro desse contexto torna-se relevante perguntar pela busca dos direitos humanos das mulheres. A violência de gênero, sexista ou contra mulheres não é assunto novo. Diversas convenções de direitos e iniciativas da sociedade civil e da gestão pública já respondem para ações de superação e apoio às mulheres e crianças em situação de violência.

Sexualidade e infração juvenil feminina: uma representação do aprendizado da sexualidade em adolescentes em privação de liberdade
Janaína Henrique dos Santos (UFRN)

O presente trabalho está sendo desenvolvido em um projeto de pesquisa monográfico a ser apresentado na conclusão do curso de Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN.
A pesquisa tem como objetivo compreender como se dá o exercício da sexualidade em meio à privação de liberdade em adolescentes que cumprem pena por ato infracional, como conduta descrita como crime ou contravenção penal, cuja qual consiste em executar penalidades aos adolescentes através de medidas sócio-educativas no Centro Educacional Padre João Maria (CEDUC) na cidade do Natal-RN.
A necessidade de compreensão da significação da sexualidade dentro de limite definido no âmbito da liberdade física se torna quase imprescindível. Uma vez que, possibilita a percepção de como a Instituição percebe o exercício da sexualidade num publico particular, condizendo com a percepção das adolescentes acerca do trabalho da Instituição a elas vinculadas. A pesquisa se desenvolve a partir de uma análise qualitativa de dados colhidos em caráter participante.

Imagens na rede: o corpo da mulher no google
Janaina Moreira Figueira e Ana Paula Saccol (UFSC)

Este trabalho é uma análise exploratória das representações visuais do corpo da mulher na página http://images.google.com.br/. Na procura nesta página de imagens relacionadas à palavra-chave “mulher” se constatou que na maioria dos resultados da busca havia a presença de corpos “ideais”, como figuras/desenhos de mulheres, e/ou fotos de modelos sozinhas. Em menor quantidade apresentavam-se as imagens de mulheres com corpos “normais”, sendo que estas apareciam geralmente em grupos, e poucas mulheres pertenciam a “minorias”, como a terceira idade, raça negra, etc. Já ao procurarmos por imagens de homens não se constatou um desenho idealizado ou mesmo um padrão corporal, existindo uma maior pluralidade de figuras e formas. Percebe-se que o corpo da mulher é representado na internet de uma forma muito ideal, e o recurso a desenhos, por exemplo, se deve ao fato de poderem materializar uma idéia não realista de corpo. Essa construção de corpos ideais pode refletir uma cobrança maior às mulheres em relação ao seu corpo, a sua aparência, pois nos encontramos em um contexto no qual o embelezamento feminino perpassa várias áreas de nossa vida: médica, do esporte, higiene, moda, etc. Assim, constatamos uma reprodução de representações de corpos idealizados que se contrapõem aos corpos de fato – aqueles com os quais as mulheres interagem e se reconhecem cotidianamente. As figuras encontradas durante a pesquisa expressam e acentuam os imperativos de um padrão de beleza e boa forma, que condena os excessos, o flácido, cultua o rígido e o controlado/definido.

Estupro e Atentado Violento ao Pudor na Comarca de Toledo/PR: análise da construção dos desfechos processuais (1954 - 2000)
Janefer L. Braun (UNIOESTE)

A problemática central do trabalho (pôster) consiste na compreensão dos padrões de ocorrência e julgamento pelo Sistema de Justiça Criminal brasileiro, de crimes que configuram ‘violências de gênero’, especialmente os chamados crimes sexuais, como o estupro e o atentado violento ao pudor, registrados na região abrangida pela Comarca de Toledo/PR, entre os anos 1954 e 2000 e justifica-se pelo interesse em verificar se os padrões de ocorrência e julgamento dos crimes referidos modificaram-se no decorrer do tempo, paralelamente as transformações sócio-econômicas e culturais da região, aos avanços conquistados pelas mulheres quanto à igualdade de direitos e ao aprimoramento do Sistema de Justiça Criminal Brasileiro. Algumas das conquistas alcançadas pelas mulheres no âmbito do Sistema de Justiça Criminal brasileiro nas últimas duas décadas do século XX, dizem respeito às mudanças introduzidas no Código Penal através de legislação complementar e permitem entender a conduta institucional. Nesse sentido as sentenças dos processos foram analisadas, procurando perceber se houveram mudanças nestes e a relação entre a ordem burocrática definida pela legislação e os chamados móveis extralegais – motivações de caráter subjetivo, como os estereótipos de gênero – na construção dos desfechos processuais.

O corpo em três confessionários jesuíticos coloniais: uma história das suas modificações
Jaqueline Ferreira da Mota (Museu Goeldi)

Sexualidade é um tabu em várias épocas da história da humanidade. A religião cristã, na figura de padres confessores jesuítas, é uma das cerceadoras do discurso sexual, materializada nos manuscritos de doutrina desde sua criação até a contemporaneidade. O pôster tomará como fontes de análise perguntas de três confessionários tupi coloniais: o Confessionário de José de Anchieta (século XVI), o Confessionário de Antônio de Araújo (1618/ 1686) e o Confessionário Anônimo de 1751. A comparação entre eles permite concluir a mudança do discurso do confessor, no decorrer do tempo, com relação a falar sobre as partes do corpo, principalmente os órgãos sexuais. No século XVI, com Anchieta, têm-se uma fala liberal, em que os órgãos genitais são mencionados: o confessor pergunta claramente se o penitente tocou em seu pênis (taconha) ou se avermelhou a vagina (rapopé) durante a masturbação. No século XVII, a primeira edição da obra de Araújo (1618) segue a mesma linha, nomeando as partes íntimas.
A segunda edição de Araújo (1686), porém, demonstra menos fôlego ao instaurar um discurso velado: o confessor, com o intuito de evitar falar de pênis ou vagina, pergunta ao índio se ele tocou em seu corpo (teté). Na mesma corrente, o confessionário de 1751 não menciona os órgãos genitais, referindo-se a eles como coisa (mbaé).
No pôster, apresentar- se- ão os diferentes estilos das três obras, bem como as ocorrências de outras partes do corpo, tais como boca (iuru), coração (pyá), olho (teça) e suas relações com os pecados referentes ä sexualidade.

Palavra de Mulher: Uma análise da relação do movimento feminista com a mídia
Joana Brauer Gonçalves ( Faculdade Estácio de Sá de Belo Horizonte)

Esse trabalho tem por objetivo analisar a relação do movimento feminista brasileiro contemporâneo com a mídia e verificar qual o grau de visibilidade midiática do movimento. O tema do aborto é fundamental para o movimento, portanto foi escolhido como objeto de pesquisa. Através do monitoramento da imprensa, de material colhido de um período de 10 meses (de janeiro de 2005 a outubro de 2005), foram selecionados os jornais e revistas que publicaram matérias sobre o aborto no Brasil. Os dados dessas matérias foram levantados e analisados para uma compreensão maior sobre a relação do movimento feminista com a mídia. Após as análises feitas, chegou-se às seguintes conclusões: o movimento feminista e suas questões estão presentes na mídia e possuem um grau significativo de visibilidade. Porém, essa visibilidade precisa ser constante, com uma presença maior do movimento nas questões que fazem parte da pauta de sua luta. Apesar disso, o movimento feminista brasileiro contemporâneo existe sim, uma vez que existir é sinônimo de estar na mídia.

A representação das personagens femininas na obra Amália
Jocieli Sinigaglia (UFSC)

O surgimento de personagens femininas na literatura argentina deu-se somente no século XIX com a obra Amalia de José Marmol, causando grande estranhamento entre os leitores acostumados, até então, à predominância masculina tanto no campo literário como nos campos político, social e religioso. Este trabalho procura fazer uma análise do papel das personagens femininas na obra Amalia, tentando mostrar qual é a importância delas na construção da literatura nacional e até que ponto o papel que elas representavam nas obras refletia as condições reais de vida na sociedade argentina da época. Com a análise feita da obra pode-se perceber que as personagens são caracterizadas segundo a posição política que ocupam, o que nos remete a uma prática comum neste período na vida social deste país que estava dividido em dois grandes grupos políticos: os unitários e os federalistas. Também torna-se evidente uma busca pelo europeu, ou seja, as mulheres tinham como modelo de beleza e intelectualidade as mulheres da Europa, sobretudo da Alemanha e da França e adotavam este modelo, que lhes dava prestígio entre a elite argentina. Ainda nesta época, surge uma preocupação com a educação da mulher, já que ela passou a ser responsável pela instrução dos filhos. Esta possibilidade de adquirir novos conhecimentos foi o que permitiu a elas o ingresso na vida social, participando ativamente de reuniões políticas onde se decidia o futuro do país.

Constituindo Identidades Nas Famílias Contemporâneas
Joice Amanda Schwab,Patricia Portela Pizzi, Keila de Moraes (Faculdade Assis Gurgacz)

O adolescente encontra-se numa fase delicada em que busca reformular seu conceito sobre a sociedade, sobre suas idéias e principalmente sobre ele mesmo. Esta constituição de identidade dá-se consubstancialmente dentro da família, onde mesmo se distanciando dela para testar sua independência o adolescente necessita desta como ponto de referência para constituição de sua identidade. Esta condição vê-se nos dias de hoje fragilizada pelas famílias que agora, como também os adolescentes, estão perdendo suas identidades, não apresentando mais uma constituição fechada e abrindo-se a novas formas de organização. Como observamos em famílias de casais separados onde ou só o pai ou só a mãe, ainda corrobora para o desenvolvimento psicoafetivo dos filhos. As famílias, com a ruptura do sistema dito patriarcal decorrido pela entrada das mulheres no mercado de trabalho, pelos avanços tecnológicos e mudança de valores morais, tornaram-se liberais e abertas a negociações. Como já apresentam-se famílias onde o casal é homossexual, constituindo novas formas de conjugalidade, mas não deixando de nomear-se ‘família’. Outro item que tem-se feito mostrar com muita força é o número crescente de divórcios em contraposição com o de casamentos. As pessoas buscam satisfação plena numa familia e o casamento deixou de ser uma relação para a vida toda, mas vai até onde houver tolerância de um conjuge para com o outro. Enfatizaremos principalmente a mudança nas formas de organização das familias que comportam adolescentes, pois os efeitos destas mudanças vemos refletido na sociedade que vivemos hoje. Este trabalho faz parte de uma apresentação na disciplina de Psicologia Social da Faculdade Assis Gurgacz e pretendeu compreender as novas formas de conjugalidade e constituição de famílias.

“Violência Homofóbica e Movimento Homossexual Brasileiro:- Uma análise dos discursos em torno do caso Edson Néris em São Paulo (2000)”
Jorge Roberto Chastinet de Souza (UNEB)

A analise do caso se torna importante na medida de se tentar conhecer os diferentes atores sociais e respectivos discursos produzidos em torno do crime do Edson Néris.O intuito do projeto é analisar como esse caso de violência foi apropriado pelos grupos de homossexuais organizados e seus desdobramento no sistema judiciário.
O caráter metodológico dá-se através da análise do conteúdo/ discurso (FOUCAULT, 1970), apresentada nas reportagens e dos processos judiciais em torno deste caso.
O caso do Edson Néris – o adestrador de cães, como ficou conhecido, apresenta relevância para a história do presente. Sendo ainda importante observar a importância do tema, violência, como componente estruturante do movimento social homossexual.
A problemática de investigação perpassa pela questão de como o movimento homossexual paulista se apropriou desse caso para lutar pelos seus direitos e reivindicações.
O tema ainda aborda a questão dos conflitos sociais na metrópole com a formação de grupos que praticam a violência como os skinhead

Corpo: moeda de troca, um fetiche que se vende e se constrói
José Carlos Chaves, Edward MacRae (UFBA)

Pensar em corpo, juventude e sexualidade sem levar em conta os padrões de beleza impostos e vendidos pela mídia, são impossíveis, pois o corpo por si só, hoje, representa uma grande mercadoria que deve ser apreciada e utilizada como um componente de prazer. A adoração à masculinidade, as aparências hipermásculas, corpos esculpidos e malhados, são vistos como objeto de desejo sexual. Nesse sentido, o prazer passa a depender muito mais “do que se vê, do que se quer”. Esta representação de virilidade ostentada pelo músculo se constitui num valor de troca bastante valorizado no universo homossexual. Com isso, a profissionalização dos corpos, surge como algo de fundamental importância para a qualificação do que é fabricado. Desse modo, os locais homoeróticos de diversão como saunas, praias, boates etc., onde os corpos são expostos, surgem como espaços de negociação mercadológica. Discorro, neste estudo, a respeito da relação do corpo contemporâneo pré-fabricado com o processo da profissionalização da prostituição masculina homoerótica. Os dados etnográficos, aqui expostos, foram tomados numa sauna no centro de Salvador, utilizando-se a técnica antropológica da “observação participante”. A pesquisa identificou que os adeptos da prática da prostituição profissional ostentam sua musculatura como formas de uma maior rentabilidade e na busca do corpo perfeito, passam um bom tempo nas academias, chegando a utilizar anabolizantes, para ficarem prontos para o mercado prostitucional.

O ocultamento da mulher diante da violência doméstica
Josiane Moraes (UFSC)

Saffiot (2004), as mulheres são perseguidas no trabalho, no lazer, na rua, em qualquer lugar, mas é dentro de casa que ocorre o maior número de ocultamento da violência.
O foco do trabalho é apresentar porque tantas mulheres consentem diante da violência de seus maridos, reafirmando o dito popular “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Os principais autores que fundamentaram este artigo, e apontaram resposta à indagação posta, foram: Heleieth Saffioti, Maria Filomena Gregori, Rozeli Porto, Guita Debert, Henrique Vicente de Bitencourt, Pierre Bordieu, entre outros.
Verificou-se que os principais motivos, pelos quais “obrigam” as mulheres consentirem a violência de seus maridos são: dependência financeira diante da figura do homem, como o único provedor da família; pressão, muitas vezes por parte dos familiares, amigos, Igreja, para a preservação da família; e, medo das ameaças violentas do marido.

As Jovens Rurais e a Reprodução Social das Hierarquias no Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais.
Joyce Gomes de Carvalho (UFRRJ)

A participação das jovens nos espaços de decisão e atuação política do Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais vem crescendo, principalmente nos espaços de liderança. Esse resultado pode ser lido como uma mudança estrutural na organização do movimento sindical, o que tem garantido a atuação das jovens no processo de participação e organização em espaços de massas. Contudo, as jovens entrevistadas apresentaram as dificuldades e resistências encontradas na família e nos próprios sindicatos para participarem, principalmente as mais novas. Percebe-se também, outras mudanças significativas, como a sindicalização das jovens, o que é refletido na participação sindical cada vez mais cedo e a atuação nos sindicatos locais. Na construção histórica do sindicalismo rural a predominância de seus atores sempre foi dada por homens, principalmente nos espaços de liderança. No entanto, a pesquisa vem mostrando novas formas de organização do movimento sindical, destacando-se os espaços organizados pela juventude, aonde se consegue romper pelo menos em espaço de direção nacional com a divisão sexual tradicional na forma das mulheres participarem da organização do movimento sindical, visto que há mais mulheres do que homens nas coordenações de juventude da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), aonde a principal liderança nacional do movimento sindical é mulher. Este trabalho tem como objetivo desenvolver uma análise de gênero, nas diferentes realidades sociais presentes no sindicalismo rural, e entender como essas relações se refletem na participação e atuação das jovens sindicalizadas, destacando os espaços de organização da juventude e espaços de discussão e decisão política.

Violência Doméstica contra a mulher
Júlia Ale Rumi; Kátia Lopes Xisto (UFMS)

A Violência contra a Mulher é uma realidade experimentada em várias partes do planeta, em países desenvolvidos ou subdesenvolvidos, no meio urbano e rural, em grandes e pequenas cidades e nas mais variadas classes ou grupos sociais. Como os fatores culturais são aqueles que mais fortemente definem a possibilidade de que a violência seja usada contra a mulher como meio legítimo e socialmente aceito para a resolução de conflitos de interesses ou outros objetivos, é nas regiões, onde uma cultura e uma sociedade aceita esse tipo de problema que a Violência contra a mulher será mais visível.
Os excessivos casos de violência doméstica contra as mulheres e os obstáculos que essas mulheres encontram em denunciar o agressor,seja por fatores econômicos, sociais e psicológicos apresentado em suas variadas formas e causando até o risco de danos irreversíveis à vida torna essa pesquisa avançada e a elaboração de uma política pública e social para detectar e formular uma análise específica do caso , buscando a formulação de um projeto de ajuda em razão da causa .

Dona Helena a dama da viola: construindo o feminino na figura de Helena Meirelles
Julian Simões Cruz de Oliveira (UNESP)

Os estudos antropológicos possibilitam uma melhor compreensão das construções histórico-culturais de uma dada sociedade. Por esses estudos percebemos que homens e mulheres agem diferentemente não por causa de hormônios ou outras características biológicas, e sim em função de uma educação (formal e não formal) diferenciada, que desde cedo, enfatiza assimetrias marcantes no tocante aos papéis femininos e masculinos. Essas constatações aliadas à categoria analítica “gênero” dão sustentação às lutas contra opressão e desigualdade em nossa sociedade. Para tal análise estudarei Helena Meirelles, uma violeira nascida no estado do Mato-Grosso do Sul que se tornou (inter)nacionalmente conhecida em 1993, quando ganhou o prêmio spot light da revista estadunidense Guitar Player. Ao longo de sua vida transitou por diversos ambientes desde as “casas de família” à “bordéis”, desafiando assim costumes e crenças de sua época. Tendo em vista sua história de vida e o ambiente da qual ela participava, a proposta é reconhecer, através de uma análise antropológica de gênero, quais os padrões sócio-culturais agiram ou agem sobre o indivíduo além de tentar compreender como foi se construindo o feminino na figura dessa mulher, que para alguns(as) não passa de uma “muié macho” que transgride a “moral” e os “bons costumes” e para outros(as) é uma mulher “emancipada” mesmo sem saber o que de fato é isso.

Por que há tantas mulheres em "busca de Deus"?
Juliana Brocca Presa; Alfredo Ricardo Silva Lopes (UFSC)

Esta pesquisa é fruto do acúmulo de discussões na disciplina do Tópico Especial de História, Gênero, Religião e Teologia Feminista sob a orientação da Prof. Drª.Claudete Beise Ulrich.
Analisa as relações de gênero dentro do grupo religioso Católico, na comunidade de Sapiranga, distrito do município de Meleiro-SC. Onde um grupo de leigos realiza a liturgia quando o padre está ausente, visto que são 23 comunidade para um pároco.
O objetivo desta pesquisa é ressaltar que o grupo de leigos é majoritariamente feminino, isto ocorre no âmbito de uma religião em que a mulher hierarquicamente é submissa ao poder sacerdotal, este masculino. Então, como explicar o forte apelo que o âmbito religioso provoca nas mulheres?
A metodologia utilizada para a análise das entrevistas foi a História Oral, em um recorte temporal de 15 anos. Pautadas em questões teóricas de sobre relações de gênero, como a visão crítica da Teologia Feminista.

Sexualidade, escola e mídia: como pensam (e falam) alunos da 8ª série do Ensino Fundamental?
Juliana Corrêa; Ana de Medeiros Arnt (UNEMAT)

Nesta pesquisa, tomamos a sexualidade como uma construção cultural, produzida através dos discursos de inúmeras instâncias sociais como família, religião, escola, mídia, aprendendo valores, regras, comportamentos culturalmente tomados como “certos” e/ou “errados” para determinado gênero.
O objetivo deste trabalho foi analisar como os alunos de uma escola estadual de Tangará da Serra/MT pensam a sexualidade presente em diferentes instâncias culturais (mídia, escola, grupos sociais). Para tanto, realizamos oficinas com alunos da 8ª série do Ensino Fundamental, com atividades diversas, tais como: confecção de cartazes e desenhos; jogos com perguntas e respostas; construção de um personagem, sua história de vida e convivência na sociedade, além de discussões da escola como espaço apropriado para discutir e aprender sobre sexualidade e a mídia como constituidora de valores e modos de se viver a sexualidade na sociedade hoje.
A partir desses encontros, pôde-se perceber o quanto os alunos debatem sobre sexualidade entre si e aceitam diferentes modos de vivê-la. Além disso, vimos o quanto a mídia constitui esses jovens, formando suas opiniões, dúvidas sobre o “certo” e o “errado” acerca da sexualidade. A escola também emergiu como instância importante para os estudantes, mas com a discussão circulando em como o que é trabalhado sobre o tema não diz respeito à vida deles, ou seja, há uma grande falta de vínculo entre o que é trabalhado em sala de aula e suas dúvidas, e temas que gostariam de saber e estudar, além da falta de liberdade para tratar do tema com os professores.

Príncipe Cinderelo? Discutindo um conto de fadas pós-moderno
Juliana Lapa Rizza e Paula Regina Costa Ribeiro (FURG)

Nesse trabalho relato uma oficina pedagógica – desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa Sexualidade e Escola, da FURG em uma escola da rede estadual da cidade de Rio Grande (RS) – a mesma tinha o objetivo de discutir as questões de corpos, gêneros e sexualidades a partir de uma história infantil. A atividade foi realizada com crianças da 4ª série do Ensino Fundamental e teve início a partir da leitura do livro “Príncipe Cinderelo”, autoria de Babette Cole. Neste, é contata a história de um príncipe que vive situações semelhantes as do conto de fadas da Cinderela, entretanto há uma inversão de atitudes apresentadas tradicionalmente nos contos de fadas, é a princesa que vai a busca de seu Príncipe Cinderelo. Ao longo da leitura da história, as crianças emitiram inúmeras opiniões sobre o que estava sendo dito e mostrado. No entanto, as narrativas que mais se repetiam faziam referência à aparência física dos personagens e a forma como os mesmos são apresentados no conto, bem como as questões de gênero quanto aos relacionamentos entre homens e mulheres. A partir das discussões realizadas com as crianças foi possível problematizar os estereótipos do que é ter um corpo bonito, ou seja, magro, sem marcas, cabelo liso, entre outros, e algumas questões de gênero, quando destacam que cabe ao homem ter a iniciativa de conhecer a mulher e convidá-la para sair. Atributos esses construídos sócio-culturalmente nos múltiplos espaços em que as crianças circulam, os quais ensinam modos de ser e estar na sociedade.

Revanche de Pandora: Da queda de Lulu ao triunfo de Valentina
Juliana Pino (FURG)

Clássico do cinema mudo, "A caixa de pandora" - 1928, das peças "Edgeist" e "Die Büsh der Pandora" do dramaturgo F. Wedenking, o filme foi dirigido por G. W. Pabst, protagonizado por Louise Brooks, e ilustra o baixo-mundo da "vamp" Lulu. Assim como sua antecessora mitológica, Lulu é dotada de beleza e magnetismo. Na trama possui força destruidora, capaz de combater os homens, porém o desfecho a desfavorece, nele encontra Jack, o estripador. A corporificarão de Lulu na atuação de Louise Brooks seduz além da ficção, refletindo a conduta de muitas mulheres de sua época. Décadas depois o desenhista Guido Crepax cria Valentina, feita a imagem e semelhança de Louise Brooks, herdeira da força e amoralidade de Lulu, e contemporânea da era pós-revolução sexual. A princípio a fotógrafa Valentina aparece como coadjuvante, na revista Linus, em histórias protagonizadas por Neutron, de quem é ajudante e namorada. Rouba a cena, recebendo demasiada atenção do público. Crepax passa então a fazer de seus traços em nanquim um caminho que percorre o universo interior da personagem, extraindo cenários, personalidades e situações que compõe as histórias. Triunfante, Valentina é um ícone dos quadrinhos eróticos de ação. A mistura explosiva de formas, força e intelectualidade aguçada é fonte de inspiração para leitores e quadrinistas. Expoente da emancipação feminina, da mulher que despreza o papel de amante-objeto, e protagoniza o seu corpo, fazendo sua própria história.

Espaço, dissolução conjugal e a instituição das famílias monoparentais femininas de baixa renda em Ponta Grossa – PR.
Juliana Przybysz ( UEPG)

Este trabalho investiga a dimensão espacial da instituição das famílias monoparentais femininas de baixa renda nos processos de dissolução conjugal em Ponta Grossa–PR. Os processos da Segunda Vara de Família de Ponta Grossa nos anos de 2003-2007 são as fontes principais da pesquisa, dados do IBGE e entrevistas qualitativas com as mulheres chefes de família. De um total de 6 mil processos constatou-se que a maior incidência, cerca de 4 mil processos das dissoluções conjugais e pedidos de alimentos para os menores frutos do matrimônio, é procedente de pessoas moradoras das periferias de baixa renda sendo que 70% dos casos analisados ocorre um abandono paterno com a omissão de auxílios financeiros e afetivos por parte dos ex-cônjuges. As mulheres passam a suprir o sustento material e afetivo em situações sociais de trabalho e renda, igual ou pior do que aquela vivida anteriormente. A forma com que as famílias da periferia estão organizadas, baseia-se no papel feminino dedicado à maternagem e aos cuidados da casa, dificultando à mulher, alçar novos papéis após a dissolução conjugal. Este legado do papel feminino tem sido um fator importante no processo de reprodução da pobreza urbana, assim como, os órgãos judiciários conseguem, cada vez menos, responsabilizar a parte masculina do casal no sustento dos filhos frente a crescente informalidade do trabalho e a mobilidade residencial. Assim, cabe também à Geografia estudar esse fenômeno a fim de subsidiar a formulação de políticas públicas para mulheres chefes de famílias e seus filhos.

Expressões do preconceito e implicações com questões de gênero no processo de recrutamento e seleção de estagiários
Juliana Ried (UFSC)

Nos processos de recrutamento e seleção de pessoas são diversos os aspectos a serem verificados e avaliados pelo gestor de pessoas. De modo, que a direção e efetividade dos processos está implicado tanto com quem realiza, quanto com quem solicita. Tendo o respaldo da psicologia organizacional em comunicação com a perspectiva de gênero, se propõe esplanar a questão do preconceito nestes processos, que em muitos dos casos tende a ficar velado. Através de observação participante e aplicação de questionário aberto foram investigadas as percepções de oito estagiárias de psicologia, que realizam triagem de estudantes para vagas de estágio de empresas clientes do Instituto Euvaldo Lodi de Santa Catarina. Tal investigação evidenciou a percepção unânime de ocorrências de situações de preconceito nos processos de seleção em geral, explicitando a necessidade de uma intervenção cuidadosa das partes envolvidas, em prol da equidade nos processos de seleção de pessoas.

Câncer de mama: um percurso em busca de atendimento na Rede Pública
Juliana Rocha Rufino (ULBRA)

O câncer de mama é provavelmente, o mais temido pelas mulheres, em virtude de sua alta freqüência e, principalmente, pelos seus efeitos psicológicos, que afetam a percepção da sexualidade e a própria imagem pessoal. No Brasil, o câncer de mama é o que mais causa morte entre as mulheres, sendo que o Rio Grande do Sul é o terceiro estado do país com o maior número de incidência de câncer de mama. De acordo com a Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil para 2008, no Rio Grande do Sul, serão esperados 85,50 novos casos, para cada 100.000 mulheres, ou seja, um total de 4.880 casos de câncer de mama. Com o aumento de novos casos, o câncer de mama tornou-se um desafio para a saúde pública, sendo importante investigar a complexa relação entre o conhecimento, crenças, atitudes e comportamentos de saúde, no que se refere ao tratamento da doença. Desta forma, o presente trabalho, realizado NA PERSPECTIVA DE GÊNERO, trata-se de um projeto de pesquisa, sob orientação da professora Dra. Graziela C. Werba, do curso de Psicologia da ULBRA–Torres, no qual visa levantar dados sobre o atendimento dispensado às mulheres acometidas pelo câncer de mama, especificamente no município de Osório, desde o momento do diagnóstico, monitoramento do caminho percorrido na busca por atendimento, bem como verificar os mecanismos disponíveis na rede para acolhê-las, encaminhá-las e acompanhá-las durante o tratamento.

Olhares sobre docência, gênero e sexualidade na Educação Infantil
Juliana Torres das Chagas; Helena Altmann (UNICAMP)

Este trabalho traz resultados de uma monografia de final de curso de licenciatura em Educação Física. A metodologia adotada compreendeu na observação de duas escolas municipais de educação infantil, observações de palestras sobre Gênero na Educação Infantil oferecidas a professoras e orientadoras pedagógicas da Rede Municipal de Ensino de Campinas e a realização de entrevistas com seis professoras de educação infantil.
As observações nas escolas ocorreram no segundo semestre de 2006, durante o estágio supervisionado.Observei como as professoras reforçavam as diferenças construídas socialmente entre os gêneros.
No primeiro semestre de 2007, após assistir palestras sobre Gênero e Educação Infantil, notei como as falas das professoras eram um importante elemento de compreensão da configuração das relações de gênero dentro da escola de educação infantil. Tal compreensão foi aprofundada através das entrevistas. No processo de coleta dos dados, observamos que as professoras atrelavam o conceito de sexualidade ao de gênero, de modo que análises sobre sexualidade foram incorporadas à pesquisa.
O trabalho foi dividido em dois momentos: o primeiro compreendia o momento das atividades dirigidas pelas professoras. O segundo foi caracterizado por instantes onde as crianças permaneciam sem direcionamento. Assim, foi possível: discutir como a sexualidade se articula ao gênero na Educação Infantil, bem como, algumas dificuldades das professoras em lidar com essa temática, ainda pouco trabalhada com as crianças e analisar como os elementos inseridos nos espaços escolares reforçavam as “diferenças” entre os gêneros. Em contrapartida, há professoras que propõem trabalhos interessantes e problematizadores que envolvem o gênero e sexualidade.

Representações da Mulher na Música Brasileira: Um Enfoque Sobre a Violência
Lana Wolff, Fernanda Fontoura e Tânia Mara Campos de Almeida (UCB)

Ao partirmos do pressuposto de que a música é uma forma de expressão cultural que explicita representações sociais e, portanto, orienta sentimentos, pensamentos e práticas individuais e coletivas, investigamos o tema da mulher na música brasileira veiculado nas rádios pela perspectiva da psicossociologia. Priorizamos uma análise sobre as letras de músicas que continham expressões de violência contra a mulher, de natureza sexual, preconceituosa ou simbólica. Escolhemos, como período de análise, os últimos 8 anos, por entender que as representações possuem caráter dinâmico e sofrem modificações ao longo do tempo e que os anos 2000 têm características do momento recente na radiodifusão. As músicas analisadas foram escolhidas a partir de um site indexado e especializado em levantamento estatístico anual das 100 músicas, nacionais e internacionais, mais tocadas nas ondas AM e FM no território nacional. Desse universo de 800 canções, foram selecionadas 72 brasileiras, que se referiam à mulher com termos, frases ou expressões que denotavam alguma forma de violência. Analisamos o conteúdo dessas composições e empreendemos uma discussão acerca de como a mulher é representada por esse meio de expressão, ou seja, percebemos que ela, na maioria das vezes, é concebida enquanto objeto sexual, tratada com violência de diversas ordens, comparada com animais e repetindo modelos patriarcais onde o feminino é sinônimo de submissão. Os estilos musicais que apresentaram essas representações de modo acentuado foram o funk e o sertanejo. Consideramos que, em pesquisas futuras, é importante se dedicar à compreensão acerca das vivências das mulheres frente a essas letras.

A inserção das mulheres em uma cooperativa de produtos orgânicos
Lara Bauermann (UFSC)

O principal objetivo desse trabalho é analisar a participação das mulheres rurais nas atividades de uma cooperativa de produtores rurais do município de Tapejara/RS: a CooperVita (Cooperativa de Produtos Agrícolas Terra e Vida). A CooperVita surge em 1990, por iniciativa de um grupo de agricultores familiares, como forma de buscar alternativas de permanência no campo e de ocupação de mão-de-obra, e sua produção é baseada em princípios da agricultura orgânica.
Pretende-se verificar quais foram as mudanças para as mulheres em relação ao acesso à renda, proporcionada pela produção de produtos ecológicos, bem como, se houve alguma mudança nos papéis sociais de gênero a partir da implementação dessa atividade. Além disso, procura-se analisar se existe uma sobrecarga no trabalho feminino a partir da inserção das famílias nessa atividade.
A metodologia utilizada na pesquisa será a observação de atividades realizadas na cooperativa, como assembléias, trabalhos de formação, festas, confraternizações, etc., além de entrevistas e aplicação de questionários. Também será feita uma revisão bibliográfica abordando como pontos principais as questões de gênero, a agricultura orgânica e o cooperativismo.
Assim, a pesquisa visa verificar de que maneira as mulheres estão se inserindo nessa nova forma de produção. Tendo em vista que a maioria dos estudos sobre agricultura ecológica leva em conta os benefícios e problemas dessa prática de uma forma geral, o enfoque desse trabalho é analisar de que forma esses benefícios são usufruídos pelos diversos membros da família, tendo como foco a questão do gênero.

Gênero e Escolhas na Esterilização Masculina e Feminina
Lara Roberta Rodrigues Facioli e Katrini Alves da Silva (UNESP)

O presente trabalho é um dos resultados da pesquisa Relações de Gênero nas práticas de esterilização e reprodução assistida, coordenada pela Profª Drª Lucila Scavone (UNESP/CNPq), cujos objetivos é investigar as relações de gênero nas práticas da esterilização e reprodução assistida. Neste trabalho fazemos uma reflexão sobre as relações de gênero na prática da esterilização com base em entrevistas realizadas na cidade Araraquara – SP, com homens e mulheres esterilizados pelo SUS. Nosso propósito é refletir sobre os significados da esterilização neste universo, pressupondo que esta prática evidencia posições e escolhas diferenciadas entre homens e mulheres relacionadas às questões de gênero.
Dos 95 homens vasectomizados e das 345 mulheres laqueadas sorteamos 20 mulheres e 10 homens para a realização das entrevistas. Os homens deixam evidente a preocupação com a situação financeira e só se submetem à cirurgia depois de um longo planejamento pessoal, levando em conta desde o número desejado de filhos, até a resolução de tabus, como por exemplo, a perda da virilidade. Já as motivações das mulheres que buscam a laqueadura são muito mais complexas, como falhas/problemas com outros métodos contraceptivos, despreparo psicológico para cuidar de crianças e o elevado número de filhos. Quando a mulher decide se esterilizar pouco se preocupa com a própria saúde, as questões fundamentais são a sua responsabilidade pela contracepção e as dificuldades para cuidar dos filhos. É neste sentido que os depoimentos deixam entrever posições de gênero bem definidas na busca pela esterilização, refletindo relações de gênero em prejuízo das mulheres.

Representação e violência: técnica e dor no processo de remontagem do espetáculo teatral Women’s White Shirts
Lara Tatiane de Matos (UDESC)

Em 2007, iniciei os ensaios da remontagem do espetáculo Women’s White Shirts a partir do texto do dramaturgo argentino Daniel Veronese, dirigido por André Carreira, estreado em setembro deste mesmo ano no Teatro Ademir Rosa em Florianópolis. No espetáculo, uma mulher “dialoga com seus fantasmas” enquanto limpa o corpo de outra mulher em um necrotério, faço a personagem morta, estou nua e passiva em uma sucessão de acontecimentos agressivos ao meu corpo. As grandes diferenças entre este espetáculo e outros trabalhos que encenei são a relação com a nudez, as agressões sofridas por mim em cena e os olhos fechados. As agressões sofridas por meu corpo são interpretadas por mim com menos intensidade que na platéia, de uma perspectiva técnica passível de análise, onde um tapa não é um tapa e sim uma sensação na coxa esquerda que precisa ser controlada. Nessa comunicação discuto como atuar no espetáculo criou outra perspectiva para a violência em cena e uma percepção diferente das minhas capacidades físicas e de controle do meu próprio corpo e como encontrar mecanismos para o controle físico e as percepções completamente específicas da minha “visão” do espetáculo. Em cena estou completamente tomada pela atenção do meu corpo, cada centímetro de pele esta completamente exposto, alerta e sob controle.

Trabalho, juventude e masculinidade (Florianópolis, 1980-2005)
Larissa Alves Ripardo e Eduardo Maricato Riciardi (UDESC)

A partir da década de 1980, o comércio de entorpecentes, considerado ilegal, transforma-se em uma importante fonte de renda para uma parcela das camadas populares de centros urbanos brasileiros. Uma grande quantidade de jovens do sexo masculino ingressa nessa atividade laboral que, para além das implicações criminais, passa a ser percebida pelos representantes do Estado como uma questão social. Nessa investigação, através da História Oral, procuramos conhecer o cotidiano de trabalhadores infanto-juvenis masculinos que atuaram no comércio de entorpecentes no município de Florianópolis entre 1980 e 2005. Observamos que o exercício dessa “profissão” pelos menores é pautado em um determinado discurso de masculinidade que associa a utilização de armas, bem como a possibilidade do consumo de bens a virilidade.

Lugar de viver, lugar de comer: onde/como a alimentação acontece
Larissa Maria de Almeida Guimarães (UFPA)

O presente painel apresenta uma análise acerca da alimentação entre judeus em espaço urbano, residentes em Belém do Pará, tendo como espaço principal da dinâmica alimentar o lar judaico. Entre judeus, o que se pode comer corresponde ao respeito às leis milenares bíblicas, desígnios de Deus quanto ao que pode ou não pode ser ingerido pelo seu "povo escolhido". Em Belém do Pará, a alimentação entre judeus é vivenciada de diferentes maneiras, dado os contextos particulares em que os mesmos estão inseridos. O processo de preparação do alimento para consumo exige cuidados, de forma a tornar o alimento pio, apropriado para o consumo (casher). O espaço da casa, e mais particularmente a cozinha, é um espaço marcadamente feminino, onde a privacidade da vida em família acontece sob os olhos atentos da mãe/esposa judia. Analisando o dia de Shabat, mais particularmente a preparação do jantar de Shabat, podemos perceber como o alimento é revestido de significações, permeando o espaço em que circula, assim como aqueles que o consomem.

Mulheres na Marinha do Brasil: um estudo sobre a inserção feminina na caserna
Lauciana Rodrigues dos Santos (UNESP)

As Forças Armadas, tidas como um espaço tipicamente masculino, teve a inserção feminina no Brasil tardiamente na década de 80. A Marinha do Brasil, dentre as três Forças, foi à primeira em aceitar mulheres em seu Corpo, inicialmente com a finalidade de ocupar cargos auxiliares e secundários, fato este, presenciado atualmente dentro da instituição brasileira, visto que a armada não admite mulheres em seus Corpos de Formação de maior prestígio como os oficiais que recebem formação específica militar na Escola Naval os quais apresentam treinamento exclusivo voltado para a guerra e desenvolvem a atividade básica da Força, a navegação. Nesse contexto, a presente pesquisa - que se encontra em andamento - tem como objetivo estudar a representatividade das mulheres na Marinha do Brasil, sua inserção, dificuldades e avanços, procurando analisar as rupturas e continuidades de paradigmas socialmente construídos quanto aos papéis do homem e da mulher, os quais podem contribuir na manutenção das relações de poder existentes dentro da Força em questão. A fim de estudar a referida instituição militar procuramos fazer as análises por meio das lentes do feminismo, a partir da categoria analítica de Gênero. Diante dessa perspectiva utilizamos-nos de levantamento bibliográfico e de dados. De acordo com essa proposta, discutir-se-á a inserção feminina na Marinha do Brasil tendo em vista que, a partir da década de 70, parte dos exércitos ocidentais passou a admitir mulheres em suas fileiras uma vez que o Estado Democrático e de Direito prima pela relação de igualdade entre homens e mulheres.

Prováveis estereótipos associados à "raça"/cor e ao gênero feminino em relacionamentos lésbicos e bissexuais femininos inter-raciais
Layla Vitorio Peçanha (UERJ)

Este trabalho busca analisar como certos estereótipos associados à raça/cor e ao gênero feminino aparecem nos discursos de mulheres lésbicas e bissexuais acerca de suas relações afetivo-sexuais.Os dados aqui apresentados advém da pesquisa Relations among "race", sexualitity and gender in different local and national contexts, através do trabalho de campo realizado com jovens de 18 a 24 anos na Lapa/Rio de Janeiro, e de entrevistas realizadas para o projeto, assim como, outras feitas posteriormente com militantes e não militantes, da observação participante em dois eventos da militância LBT (um voltado para mulheres de orientação homossexual ou bissexual em geral,e outro voltado para afro-descendentes).A partir desse material, é possível analisar que nem todas as mulheres lésbicas ou bissexuais pesquisadas se viam afetadas pela discriminção da mesma maneira ou de um mesmo grau. A identidade dessas mulheres e suas percepções acerca de seus privilégios ou desvantagens sociais variavam dependendo da intersecção ou combinação de uma série complexa de fatores, como cor/raça, gênero, classe social, status familiar, etnia e religião.

Brincadeira de índio: a ludicidade das crianças Tentehar-Guajajara
Leide Silva Oliveira, Emilene Leite de Sousa (UFMA)

Este trabalho visou analisar a cultura lúdica das crianças indígenas Tentehar-Guajajara no Maranhão. Entre os aspectos que definem a infância, a ludicidade sempre se destacou. A importância da ludicidade para as crianças de qualquer cultura se dá pelo fato de que a infância é o momento em que se inaugura o processo de socialização na vida do indivíduo, e esta socialização infantil se utiliza especialmente do ludismo para garantir a sua efetivação. Apesar da importância da ludicidade para as crianças ser algo inegável, poucos estudos sobre a infância se dedicam a investigar a cultura lúdica entre crianças. No que se refere à infância indígena, estes estudos geralmente isolam a ludicidade dos demais aspectos culturais do universo em que estão inseridas as crianças. Na literatura acadêmico-científica maranhense não encontramos registros da cultura lúdica da criança indígena, apesar da rica presença de indígenas no Estado e da riqueza do artefato material destes índios que conforma seus brinquedos. Uma análise da cultura lúdica das crianças indígenas maranhenses nos ajudou a compreender mais sobre a infância destes povos, sua cultura lúdica geral e as formas de socialização que sua cultura encontra para garantir a inserção das crianças no seio da comunidade.

Homens e saúde: uma análise da relação entre adolescentes do sexo masculino e a saúde reprodutiva
Liana Dias Martins da Rocha; José Leonídio Pereira; Jaqueline Pinheiro Candeias; Regina Celi Ribeiro Pereira; Cláudia Márcia Trindade Fanelli; Silvia Rios Pereira; Paula Kropf dos Santos (UFRJ)

Impulsionada pela ânsia de tentar compreender de que forma os conceitos das sociedades patriarcal e moderna, que acabaram por gerar um conceito hegemônico de masculinidade, influenciam o adolescente do mundo contemporâneo na maneira pelo qual ele experimenta a relação homem-saúde. Pretende-se através deste trabalho analisar de que forma os adolescentes vivenciam alguns aspectos da saúde, principalmente em relação à saúde reprodutiva. Ou seja, averiguar como estes adolescentes percebem a sexualidade, mais especificamente, no que diz respeito à prevenção e a promoção da saúde reprodutiva. Para buscar estas respostas procurou-se trabalhar com o público adolescente (de 10 a 19 anos) que participou do 10° Festival do UFRJ mar que aconteceu em maio de 2008 na Cidade de Cabo Frio-RJ. Esta pesquisa está vinculada ao Programa “Papo Cabeça” da Maternidade Escola da UFRJ. Utilizou-se como metodologia a pesquisa quantitativa e qualitativa. Foram realizadas entrevistas por meio de questionários semi-estruturados. Os seguintes passos metodológicos foram: levantamento bibliográfico, estudo detalhado do tema, organização e análise dos dados obtidos e a teorização e produção do texto. É importante ressaltar que este trabalho encontra-se em fase de andamento. Porém, há uma tendência observada por outros estudiosos do assunto, que comprovam que os conceitos de masculinidade presentes na sociedade contemporânea estão vivendo um tempo de resigfnificação, permeado por elementos e valores de sociedades tradicionias e ao mesmo tempo, experimentando novos valores. Seria interessante visualizar de que forma este fenômeno vem acontcendo entre os adolescentes do sexo masculino no que diz respeito a sexualidade e prevenção.

Educação e Religião das Mulheres no Brasil do Século XIX: Conformação e Resistência
Lílian Sarat de Oliveira (Faculdade Teológica Batista)

Este trabalho tem como objetivo analisar a tensão entre conformação e resistência existente nas relações sociais das mulheres educadoras e missionárias estrangeiras, que vieram ao Brasil no século XIX para abrir escolas para moças.
Na perspectiva de longa duração, a educação atrelada à religião desempenham papel importante na compreensão desta tensão à medida que, tais instituições abre espaço para a educação da mulher, inserindo-a no espaço público ainda que, como “mãe civilizadora”, tendo no magistério a extensão do espaço privado, onde o seu papel conforma-se com a lógica patriarcal do cuidado maternal. Por outro lado, expressa a resistência, pois a escola passa a ser a possibilidade real de transitar no espaço público, onde idéias passam a circular e mover relações de poder fundamentadas na lógica patriarcal.
Neste sentido, Martha Watts missionária e educadora metodista é um fio na teia de relações sociais, individuo em interdependência, movendo a história, através do discurso religioso e protestante, onde a educação é um meio não só de ascensão social, mas também de questionamento da ordem estabelecida. Ainda que não seja possível encontrar nas suas cartas, fonte histórica desta pesquisa, discurso de uma militante feminista, suas palavras apontam para o que poderíamos arriscar chamar de “germe” do que viria ser a emancipação da mulher brasileira, quando esta através do magistério poderia ocupar um espaço social e o mercado de trabalho.
Deste modo, mulheres como Martha Watts pode ser um exemplo de sujeito histórico que vive a tensão social ora de conformidade, ora de resistência, demonstrando que as relações sociais se definem e se transforma à medida que indivíduos em sociedade mudam tais relações.

A emancipação feminina
Liz Helena Pigatto (FAMES)

O presente estudo apresenta como tema a evolução das mulheres ao longo dos tempos, numa perspectiva histórica. A pesquisa resgata de forma descritiva as suas conquistas desde a sua suposta criação no paraíso até os dias atuais. No seu desenvolvimento investiga o problema da pesquisa: - Como as mulheres emanciparam-se? Frente ao novo paradigma que se instala no mundo, a questão das mulheres é a grande causa da humanidade. Entraram no mundo do trabalho, passaram a votar e participam das mediações políticas. Fatos esses que não se completam de forma plena, pois ainda hoje existe a desvalorização do trabalho em algumas profissões. Na esfera doméstica há violência e ainda prevalecem os baixos salários em relação aos homens. Diante da imposição do paradigma, este ainda não aprendeu a conviver com a emancipação feminina. . A diversidade leva a perceber e a compreender as diferenças. A entender os estereótipos a que foram atribuídas às mulheres. Procuram ansiosas pela liberdade, mas infelizmente muitos homens não conhecem o caminho e não aprenderam a dar sentido aos novos preceitos e olhares femininos. A buscar o equilíbrio entre os gêneros masculino e feminino, de modo que possa voar para um mundo sem fronteiras. Numa perspectiva inclusiva busca-se unir a diversidade de idéias com acessibilidade no intuito de humanizar e emancipar. De modo que possam tornar-se autônomas e conscientes da sua importância no mundo para ajudar a desenvolver uma cultura de paz.

Vasectomia: sob uma perspectiva sócio-médico-antropológica
Lorena Lima de Moraes (UFPA)

É de domínio público no Brasil que a esterilização feminina se destaca entre os métodos contraceptivos mais comuns e em detrimento a esterilização masculina que pouco aparece entre os percentuais dos métodos mais utilizados pelos casais da Região Norte e Nordeste do Brasil. Além disso, pode-se perceber que na literatura da Antropologia da Saúde existem poucas pesquisas brasileiras que contemplam este método masculino. Para este trabalho, pretendo discutir a partir da lógica discursiva dos profissionais da saúde, tanto da Urologia como da Ginecologia (como também de outras especialidades afins) o método contraceptivo de aderência masculina analisando como este vem sendo representado por estes segmentos que atuam tanto em consultórios particulares como na rede pública na cidade de Belém-Pará. Minha preocupação é pensar a construção discursiva destes profissionais frente à multiplicidade de percepções sobre a esterilização masculina, particularmente, a religiosa, que vai de encontro às políticas públicas e investigar como o Programa de Planejamento Familiar do Estado do Pará está implementando a cirurgia da vasectomia para o atendimento dos usuários do SUS nas Unidades de Referência da cidade de Belém. A discussão será feita tomando por referência autores que trabalham com a Antropologia do Corpo e da Saúde em uma perspectiva de gênero.

A influência da mídia nos educadores e na constituição da sociabilidade da criança
Luciana Ramirez da Cruz (UNICAMP)

Essa pesquisa teve como objetivo estudar a influência da mídia no educador e nas crianças, entre 4 e 6 anos, na Escola Municipal de Ensino Infantil Maria Célia Pereira. O foco principal foi o olhar sobre o educador e o material pedagógico por ele utilizado, particularmente os provenientes das variadas mídias, no sentido de perceber como as influências midiáticas junto aos educadores e às crianças reafirmam ou realocam modelos de masculinidades e feminilidades.
Como metodologia a bolsista realizou um levantamento bibliográfico sobre educação infantil, gênero e mídia, assim como observações no campo de pesquisa, mapeamento do material pedagógico centrado na biblioteca e entrevistas semi-estruturadas com as educadoras.
A pesquisa proporcionou a reflexão a cerca de que as relações entre os sexos são pautadas por desigualdades e essas desigualdades se reproduzem na escola como locus de formação dos sujeitos sociais, assim como a reflexão sobre as variadas mídias que reinventam ou reafirmam feminilidades e masculinidades que, de alguma forma, também conformam, ou se confrontam com, noções apreendidas pela criança na família e na escola.

Escola-preconceito-aprendizagem: o homossexual em cena
Luciano Vitor Dias Liberato (UEPG)

O presente trabalho tem por objetivo analisar as formas de preconceito encontradas pelo aluno homossexual dentro do espaço escolar, bem como apresentar em que aspecto esse preconceito pode comprometer o seu processo de aprendizagem.

A utilização do corpo feminino e a violência simbólica nas propagandas de cerveja
Lucila Gavioli Santi (UFSM)

O trabalho parte da idéia de que a propaganda tem uma função muito especial: demonstrar modelos a serem seguidos, isto é, apresentação de padrões físicos, estéticos, sensuais, comportamentais, aos quais as pessoas geralmente se moldam. As representações presentes nas propagandas circulam por meio de elementos lingüísticos. Dessa maneira é que a linguagem publicitária expõe elementos significativos que apresentam padrões, principalmente, o que é “ser mulher” nos dias de hoje. Nas propagandas de cerveja, esses elementos, muitas vezes, constroem a imagem das mulheres com violência simbólica. Diante disto, tem-se o objetivo de analisar e refletir os usos da imagem feminina veiculada nas propagandas de cervejas que circulam por meio da mídia nacional. Essa reflexão será baseada nas perspectivas da Análise de Discurso Crítica (ADC).

Revelando novas faces da violência contra a mulher
Luciléia da Silva Macedo Campos (Fundação Natureza)

O pôster "Revelando novas faces da violência contra a mulher" visa comprovar estatisticamente que a violência contra a mulher não está inserida predominantemente nas mulheres com menor escolaridade e que exercem profissões domésticas, entre outros diferenciais, conforme apresentam a maioria das estatísticas de estudos da academia e organizações não governamentais. Os dados desta pesquisa advêm do serviço eletrônico “Tecle Mulher” que tem com objetivo geral transformar a tecnologia da comunicação virtual em um espaço para a construção da cidadania das mulheres. Esta proposta inovadora e ainda inédita no mundo pretende oportunizar a todos e todas profissionais e, principalmente, às mulheres que têm acesso à internet, a serem esclarecidas sobre questões de direitos e violência contra a mulher com a praticidade e a rapidez do mundo tecnológico. Pesquisas informam que são 39 milhões de brasileiros que acessam a internet onde a presença feminina chega atualmente a 48,2% deste total, sendo este o público alvo do ”Tecle Mulher”, que é um serviço de informação, orientação e apoio às mulheres vítimas de violência para um segmento da sociedade ainda não abrangido pelas pesquisas e dados dos antigos e atuais serviços especializados nesse tipo de atendimento. Segundo os dados já computados pelo serviço, 46% dos atendimentos são de mulheres que estão cursando ou já concluíram o ensino superior, são solteiras e ocupam diversos setores do trabalho formal. A pesquisa apresenta também a especificidade da escrita advinda das próprias mulheres vitimadas pela violência o que torna os relatos totalmente fiéis aos fatos e sentimentos apresentados.

A indisciplina e a violência escolar e suas representações sociais construídas por educadores
Luiz Bosco Sardinha Machado Júnior; José Luiz Guimarães (UNESP)

Este trabalho aborda as representações sociais construídas por educadores a respeito da indisciplina e da violência escolar. Constatando-se a crescente preocupação com o tema, espera-se com esta investigação aproximar-se da relação dos educadores com o fenômeno, visto serem um dos principais elementos envolvidos. Conhecer sua representação sobre a indisciplina e a violência escolar pode trazer importante contribuição no debate e busca de soluções para o assunto. Tendo como entrevistados professores de uma escola pública de Ensino Fundamental e Médio do município de Tarumã-SP, procura-se conhecer e problematizar as relações, sentidos, atitudes etc. que estes educadores possuem diante do tema. Diante das mudanças que o ensino, as práticas pedagógicas e a instituição escolar têm passado nas últimas décadas, os educadores apontam um “mal-estar” diante do fenômeno da violência escolar por se verem sem ferramentas para lidar com ela, não querendo recorrer às práticas disciplinares da “escola tradicional” mas vendo-se sem ação por não se sentirem seguros em lançar mão de sanções. A pesquisa utilizou entrevistas semi-dirigidas individuais e em grupo focal.

O homo-heroísmo na prosa de Caio Fernando Abreu
Luiza Possebon Ribas (UFSC)

Levantamento analítico do conteúdo homo-heróico das crônicas de Caio Fernando Abreu extraídas do livro Pedras de Calcutá, através da perspectiva das escritas confessionais das dores do eu.

Ofício de indiozinho: o trabalho das crianças Tentehar-Guajajara no Maranhão
Mab Favero Nathasje; Emilene Leite de Sousa (UFMA)

Esta pesquisa verificou a realização do trabalho pelas crianças Tentehar-Guajajara no Maranhão. Esta noção de trabalho se refere às tarefas das crianças realizadas no âmbito da casa ou em seus arredores. Ao longo do tempo a infância tem sido compreendida como a fase da vivência do lúdico. Esta concepção de infância tem seu cerne na oposição histórica construída entre trabalho e ludicidade. Assim, a realização de qualquer tipo de trabalho infantil negaria a vivência desta fase. Esse conceito de infância foi generalizado, sendo a fase definida sem considerar outras possibilidades e as várias formas que o trabalho infantil assume - como a socialização - sendo esta forma a que caracteriza a infância das crianças indígenas. Investigamos qual a função social da criança indígena e sua contribuição para a comunidade no que se refere à realização das tarefas destinadas às crianças. Esta reflexão sobre o trabalho das crianças nas aldeias nos permitiu compreender as diferenças entre o trabalho realizado pelas crianças em situações de exploração e os trabalhos que visam à socialização no seio da comunidade e a aprendizagem. Ajudou-nos ainda a relativizar o trabalho infantil, orientando-nos numa digressão da generalização de que todo trabalho infantil explora as crianças que o realiza e usurpa sua infância.

Os Direitos da Mãe Menininha
Maira Rita Begalli Nunes; Myris Maria da Silva (USP)

A proposta multimídia relata a história de Danielle, uma jovem que foi privada do direito à vida, por inúmeros tipos de violência. Viúva, engravida de seu cunhado, e tenta abortar por amor ao seu bebê, pois não deseja que ele passe situações como a suas. Mas, ao invés de apoio é desamparada e apontada pela sociedade e pelo Estado. Toda a história pode ser vista em http://osdireitosdamaemenininha.blogspot.com.

O Pronaf para a trabalhadora rural nordestina
Maíra Rufino Fischer e Lígia Albuquerque de Melo (UFPE)

O crédito do Pronaf - Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – apresenta grande potencial para promover o empoderamento da trabalhadora rural e, em conseqüência, a conservação ambiental. O presente estudo tem como objetivos analisar se o crédito do Pronaf está sendo utilizado, pelas trabalhadoras rurais, na região Nordeste, de maneira que degrade o meio ambiente e como essa forma de microcrédito influencia na preparação da mulher agricultora para assumir oficialmente direitos e deveres no espaço público. Para tanto, o estudo se apoiou em dados bibliográficos e secundários. Ao se observar os dados a respeito dos benefícios concedidos pelo Pronaf, em especial para as mulheres, e o comportamento dos principais bens dos mercados agropecuário de insumos químicos e de maquinaria pesada, foi possível notar que o capital proveniente dessa modalidade de microcrédito não foi utilizado de forma representativa nesses mercados. Isso indica que os benefícios do Pronaf concedidos às mulheres não foram responsáveis por uma alteração na postura dessas trabalhadoras com relação à conservação do meio ambiente, mas pelo contrário, deram condições às mesmas de manterem suas práticas conservacionistas devido à aceleração do processo de empoderamento feminino na zona rural.

Gêneros e Violências: Uma experiência de Pronto Atendimento na Delegacia de Defesa da Mulher
Maony Ferreira dos Reis, Marisa Silva, Renata de Souza Carvalhaes, Wiliam Siqueira Peres (UNESP)

Este trabalho tem por finalidade problematizar experiências de Pronto Atendimento Psicossocial junto às mulheres vítimas das violências atendidas pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), na cidade de Assis/SP. Tal proposta busca juntamente com a instituição problematizar as violências de gêneros que ali são relatadas oferecendo a essas pessoas espaço de problematização. Nesta direção buscamos dar um suporte aos usuários daquele espaço, de modo à cartografar as violências de gêneros e suas interfaces com outras violências, assim como, os lugares que ocupam e quais relações se estabelecem de forma a fixá-las como vítimas. Pensamos com as pessoas atendidas um novo campo de possíveis, tanto da situação de violência vivida com as cristalizações em torno da vitimização, como oferecer outras referencias voltadas para a produção da diferença e ampliação de seus universos de existencialização. Nos encontros de Pronto Atendimento Psicossocial nos orientamos por questões sobre as condições da Mulher, Gêneros e Violências e suas relações com as pessoas, com o mundo e consigo mesma. Após quase três décadas de funcionamento dessas instituições, encontramos dificuldades de diálogos entre as práticas de atendimentos e as reflexões sobre estas questões, marcadas por resistências da própria equipe da DDM de atualizações teóricas e metodológicas possíveis. Neste sentido, os funcionários acabam por reificar as violências, através de discursos moralistas e de concepções conservadoras pessoais. Apesar das resistências, nossa atuação tenta ir além do atendimento individual, procurando dialogar com a instituição sobre cursos de capacitação aos funcionários para que aquele espaço não continue reificando as violências.

Docentes e Questões de Gênero: Dicotomias Escolares como Barreira às Diferenças
Marcela F. do Nascimento; Rosane Meirelles; Lucia de La Rocque (UFRJ)

Desde seu início, a instituição escolar tem sido um loco de diferenças, distinções e desigualdades, apropriando-se de diversos mecanismos de classificação, ordenamento, hierarquização, para promover separações internas, “fabricando” indivíduos com dificuldade de enxergarem e/ou aceitarem as diferenças presentes no meio social. Nesta mesma escola reforçam-se, de uma forma sutil, estereótipos, o sexismo e a homofobia através dos discursos e práticas dos docentes e do corpo de funcionários da instituição. O presente estudo, já em andamento, visa contribuir para o conhecimento do perfil do docente do ensino fundamental presente na escola atual, no que tange às suas opiniões sobre conceitos ligados a questões de gênero, possibilitando assim uma reflexão de suas práticas, de tal forma que se possa colaborar para que seu poder de educador seja efetivo na construção de sujeitos abertos a diferenças. A análise das entrevistas, até então obtidas, demonstrou a necessidade de um melhor preparo dos professores e da quebra das dicotomias separatistas existentes no âmbito escolar, que geram preconceitos que ficam enraizados nos indivíduos que ali convivem, desta forma auxiliando na erradicação dos atos de desrespeito e violência contra os que possuem uma identidade de gênero distinta da “normalidade social”. Falar de sexo, gênero e sexualidade não deveria ser um tabu entre os educadores, eles próprios precisam desconstruir (pré)conceitos e, assim, contribuírem para a formação de uma sociedade mais igualitária. Apenas quando forem capazes de se desfazerem de seus tabus que “o outro” ganhará voz e sairá do silêncio a que foi submetido.

Aparências para o feminino: uma análise da obra Malleus Maleficarum
Marcela Peregrino Bastos de Nazaré (UEM)

Este trabalho tem por objeto de estudo o tratado teológico Malleus Maleficarum, obra escrita pelos professores de teologia e inquisidores Kramer e Sprenger, em 1486. O objetivo deste é traçar o perfil da figura feminina retratado neste documento que serviu para legitimar o genocídio de mulheres (a caça às bruxas), nos séculos XV e XVI. A fim de perceber a construção da aparência feminina embutida nas representações da igreja e a repressão dada a ela, sem deixar de considerar aspectos históricos e políticos do período. Vale ressaltar que este apresenta resultados parciais da pesquisa de iniciação científica (PIC), trabalho a ser concluído em agosto de 2008.

Identidade de gênero na dança de salão
Marcela Zequinão; Fernando L. Cardoso; Rozana A. Silveira (LAGESC)

Desde a antigüidade, a humanidade já tinha na expressão corporal, através da dança, uma forma de se comunicar. Encontramos influências culturais dos países onde são dançados e de onde são originários os ritmos. O Renascimento cultural dos séculos XV/XVI trouxe diversas mudanças no campo das artes, cultura, política, dentre outras. Dentro deste contexto, a dança também sofreu profundas alterações que já vinham se arrastando através dos anos. Nesta época a dança começou a ter um sentido social, isto é, agora era dançada em festas pela nobreza apenas como entretenimento e como recreação. Desde então a dança social foi se transformando e aos poucos se tornou acessível às camadas menos privilegiadas da sociedade que já desenvolviam outro tipo de dança: as danças populares; que, inevitavelmente, com estas alterações de comportamento foram se unindo às danças sociais, dando origem assim a uma nova vertente da música, dançada por casais, que mais tarde seria denominada Danças de Salão.Objetivo: Definir as diferenças de identidade de gênero nos praticantes de dança de salão. Metodologia: participaram deste estudo 26 profissionais da dança de salão, selecionados através de amostra intencional, de diferentes estados brasileiros. O instrumento utilizado foi um questionário de sexualidade humana (QSH), para conhecer a sexualidade de diferentes culturas e identidades de gênero.Resultados: Através da visão de profissionais da área de dança de salão, podemos perceber a visão do homem e da mulher de hoje que praticam este estilo de dança. O cavalheiro possui uma visão mais global, constante planejamento aos movimentos que vai executar e precisa preparar a dama, transmitindo esses movimentos para que ela possa executar. A dama, com uma visão mais detalhista, precisa aprender a ser conduzida, esperando o momento certo para, com graciosidade e leveza, executar de forma harmoniosa o movimento da dança. Na visão desses profissionais, existem homens com orientação homossexual que praticam a dança de salão, procurando na parceira a sua auto-afirmação da identidade de gênero masculino independentemente da sua orientação sexual. Ele faz seu papel biológico e social, mas não sua preferência, é como uma identificação de gênero. Conclusão: Percebemos, através do contato com esses profissionais, que os casais acabam harmonizando seus relacionamentos pessoais, através da dança de salão, pois um depende do outro na hora de dançar, um precisa esperar pelo outro. Ambos necessitam se olhar e o conduzir são quase um convite ao passeio, estabelecendo melhora no convívio social e na troca de sentimento mútuo. A pessoa que pratica dança de salão melhora sua postura, perde a timidez, melhora o relacionamento social e o próprio relacionamento, na troca de sentimentos.

Danças tradicionais e papéis de gênero: quando a dominação é encenada
Marcele Lagreca Pedroso (UFRGS)

A proposta deste painel é a de levantar algumas questões sobre a permanência de papéis de gênero tradicionais demarcados nas danças gaúchas. O campo de observação que aqui remeto é o de ensaios de um grupo de danças de um Centro de Tradições Gaúchas que se prepara para um festival de folclore, o Encontro de Artes e Tradição Gaúchas – ENART. O trabalho de campo é feito com base na observação participante, com entrevistas abertas e eventualmente gravações de ensaios e apresentações em vídeo. As considerações sobre o festival foram feitas em outro lugar, cabendo apenas ressaltar seu caráter de competição que mobiliza milhares de jovens todos os anos, sendo a categoria de danças tradicionais a mais concorrida. Os critérios de avaliação das performances variam entre a fidelidade ao que um manual de danças prescreve e concepções variadas sobre interpretação artística e interpretação de papéis de gênero que se assumem como tradicionais. A descrição do que os sorrisos, as piscadelas e os olhares simbolizam não é baseada apenas no que se observa no palco, mas é atribuída à performance, de acordo com a cartilha que fornece o padrão da avaliação. Pelos enunciados do próprio manual, existem comportamentos esperados às prendas e aos peões, onde as técnicas corporais empregadas na dança devem corresponder às assimetrias de gênero dos papéis tradicionais.

A Homossexualidade vista por dentro: Um estudo sobre o preconceito e família na cidade de Uberlândia, em Minas Gerais
Marcelly Olívia Fernandes Amorim; Marcelo Rodrigues Lemos (UFU)

O presente trabalho tem como objeto à construção social do preconceito em relação aos homossexuais a partir dos discursos de familiares sobre o que é o homossexualismo, como afeta as relações no interior da família, como lidam com o preconceito.
A pesquisa busca possibilitar uma reflexão que articula valores diversos e temáticas sobre identidade, cidadania, estigmatização e marginalização, a partir da percepção da construção social do preconceito.
O estudo visa mostrar a maneira pela qual o preconceito em relação à identidade sexual é construído, abordado e explicitado a partir de um grupo de famílias Uberlandenses selecionadas para esta pesquisa.
Este trabalho apresentará a parte inicial da nossa pesquisa de monografia a partir da análise de entrevistas com famílias, sem pretensão quantitativa, fazendo uma abordagem a partir do estudo de trajetórias, histórias de vidas e através da observação participante no cotidiano das referidas famílias.
Nesse sentido, destacaremos como a homossexualidade é vista, bem como quais os fatores sociais e morais apresentados para se falar do preconceito e refletir sobre a construção de identidades sociais e processos de estigmatização de determinados indivíduos/grupos em nossa sociedade.

Violência doméstica contra a mulher: desafios da fonoaudiologia
Márcia Cristina Freitas (UFPR)

A violência doméstica contra a mulher é uma problemática bastante discutida na atenção primária em saúde, pois é comum a mulher que sofre violência doméstica buscar os serviços da unidade básica de saúde devido às seqüelas. Nesta busca a mulher demonstra ansiedade e depressão como forma de pedir socorro. A Fonoaudiologia ainda tem dificuldades no atendimento à mulher que sofre violência doméstica, devido ao perfil clínico-particular, não obtendo apoio institucional para o enfrentamento do problema. Porém, por outro lado, o profissional desta área esta apto a identificar os episódios de violência doméstica, bem como observar algumas marcas corporais e os sintomas fonoaudiológicos (disfonia psicogênica, distúrbios de linguagem, alterações orofaciais). Mas o atendimento fonoaudiológico não deve se limitar à identificação dos sinais de violência. A falta de preparo do profissional para identificar e lidar com os casos de violência, o medo do profissional em notificar e sofrer retaliações por parte do agressor, a tradição de uma prática que se restringe às patologias, e a visão de que se trata de um “problema de família” leva ao profissional não notificar os casos e não garantir um direito da mulher. Assim sendo, a atenção fonoaudiológica à mulher vítima, não deve estar embasada somente no atendimento das alterações fonoaudiológicas em si, mas também num trabalho em que o fonoaudiólogo participe da notificação e acompanhamento dos casos, estreitando as suas relações com os devidos órgãos responsáveis pelo acompanhamento dos casos de violência doméstica contra a mulher, construindo uma parceria.

A socialização do corpo e as exigências da “boa forma”
Márcia Grisotti; Ana Paula Saccol; Erasmo Benício Santos de Moraes Trindade (UFSC)

A nossa socialização inicia-se pelo corpo, pelo toque, pelos estímulos recebidos do mundo externo e captados e interpretados como experiências individuais, essa existência perpassa pela educação recebida e pelas identificações do ator em resposta ao comportamento do seu círculo social. No corpo encontramos indissociadas as dimensões orgânica e social do homem, domínios respectivos da natureza e da cultura. Hoje em dia, a exigência da boa forma é uma das principais responsáveis pelo aumento de pessoas que sofrem de transtornos alimentares (anorexia nervosa, bulimia nervosa, vigorexia, ortorexia, comer compulsivo e obesidade). Este modismo tem movimentado uma grande indústria, a indústria do belo, que vai desde o corte de cabelo, ginásticas, dietas, cirurgias plásticas, roupas adequadas, maquiagem, massagens, farmacologia etc, tendo como promessa a melhora da imagem corporal e a completa satisfação pessoal onde o sofrimento acontece de forma “distraída”. A constante avalanche de informações sobre alimentação, exercícios físicos, uso de medicamentos e vida saudável que obtemos através dos meios de comunicação de massa poucas pessoas procuram profissionais capacitados no intuito de esclarecer e compreender de maneira adequada os riscos de uma dieta ou a prática excessiva de exercícios físicos. O corpo se tornou um objeto imponente que deve ser reproduzido, embeleza e exibido em formas perfeitas. Ainda que tendem a se generalizar, essas práticas repartem-se desigualmente segundo os grupos sociais, as idades ou os sexos. Tais práticas se destinam a demonstrar uma integração às normas corporais em vigor, a fornecer um testemunho de comunhão com a cultura moderna do corpo perfeito.

Divórcio: as mulheres suas memórias
Marcia Ten Caten; Ivonete Pereira (UNIOESTE)

Nossa proposta é refletir sobre os novos núcleos familiares, mais precisamente o de monoparentalidade, originados por processos de divórcio. Nossa reflexão é feita sobre a realidade de mulheres que vivenciaram esta experiência, a nós relatadas através de suas memórias, na cidade de Marechal Cândido Rondon/ Paraná, entre o período de 1987 a 2007. Nossa análise busca compreender as relações sociais, as pessoais [mulher/homem] durante o desenrolar do Processo de Divórcio e todas os impasses que o geraram [violência, negligência, infidelidade, indiferença, intolerância, entre outros], bem como após a consolidação dele. Também faz parte de nosso estudo a reestruturação familiar, basicamente a de responsabilidade das mulheres na qualidade de chefe de família. A lei nº 6.515/77, também conhecida como Lei do Divórcio, que regulamentou o divórcio no Brasil, sofreu resistência. E além de mudar um dispositivo constitucional, trouxe mudanças para o discurso de gênero contido nos discursos jurídicos. A cidade estudada não foge esta regra. Por se considerar, “germânica” e com “tradicionais valores morais”, a aceitação dos primeiros processos só ocorreu em 1987. O que já pudemos constatar através da pesquisa, é que por esses motivos, os envolvidos em processos, especialmente mulheres, sofrem preconceito e se deparam com grandes dificuldades após o divórcio.

Análise de conteúdo: matérias sobre assassinatos homofóbicos em jornais impressos no Brasil
Márcio Antônio Santana (UNEB)

O objetivo da pesquisa é conhecer as representações dos homossexuais veiculadas por jornais catalogados, assim como a dinâmica das relações sociais que culminaram em um crime letal. Conhecer a narrativa dos casos de violência envolvendo homossexuais de ambos os sexos e estudar a forma de linguagem narrativa veiculada nos jornais, especificamente ao se trata de uma figura estigmatizada como o homossexual também são objetos de apreciação da pesquisa referida. Para tanto, será realizada uma análise de conteúdo em reportagens, de jornais impressos entre 2005 e 2007, acerca da construção da imagem de homossexuais vítimas letais da violência homofóbica, nas diferentes regiões do Brasil. Os homossexuais compõem um grupo estigmatizado, socialmente marginalizado e exposto a diversos tipos de violência, que vão desde os insultos às agressões físicas, até aquelas que se dão no campo simbólico, isso os tornam merecedores de apreciação de estudos de comunicação, no que se refere à produção de imagens a respeito desse grupo social minorizado, ainda mais por ser a mídia uma detentora de poder ideológico sobre a sociedade de massa. Levanta-se a hipótese de que se as matérias lidam com um personagem minoritário e discriminado como os homossexuais, então a representação do mesmo é caricata, preconceituosa, reforça a marginalidade no imaginário da sociedade. Laurence Bardin, Marshall MacLuhan, Michel Foucault e Roland Barthes são autores indispensáveis na elaboração da pesquisa, que mesclará áreas temáticas como sexualidade e comunicação.

Corpos, psicologia não-moderna e textos
Maria Carolina Gomes Barbalho (UERJ)

"Concepções imaginárias (todas são) produzem efeitos reais (todos são)” Disse-nos Viveiros de Castro em A Inconstância da Alma Selvagem. Este trabalho visa, em última instância, permitir que a psicologia nos interrogue com suas velhas-novas questões. Da 'velha psicologia moderna' à crítica não-moderna e de volta às 'psicologias vivas', procuramos formular questões pertinentes à sua construção (eterna). O que está em jogo é a mobilização social do corpo frente às
práticas discursivas, base da psicologia enquanto ciência humana. O que nos afeta? O que falamos do corpo? Repensar a modernidade equivale a repensar a história deste corpo e do discurso fora da dicotomia natural-construído alocados cada um em um pólo do humano. Seguindo à risca o pragmatismo de James, caberia perguntar – com nossos corpos mais do que mentes – como ou para quê erigimos grandes templos do saber. Parto da idéia (em nada original) de práticas discursivas/epistêmicas como mediadoras, efetuando traduções, desvios; um discurso sobre as ciências (assim como elas) também produz mundos, não só os representa. Que novas articulações podemos fazer entre nossos corpos e discursos que fujam à dicotomia corpo natural e discurso construído, partindo da noção de corpo como interface – aprendizagem de ser afetado, colocado em movimento por entidades humanas e não-humanas e discursivas em circulação no mundo? Devolver o corpo à cena de discussão político-epistemológica é uma estratégia para fazer atentar ao fato que razão (dos textos) e emoção (dos corpos) não se distinguem fora de uma moderna concepção de mundo.

Divisão sexual do trabalho: complementaridade ou relações sociais antagônicas entre os sexos? O trabalho da mulher na pesca artesanal
Maria da Conceição dos Santos Moura (UFPE)

Este trabalho faz parte de um projeto de pesquisa desenvolvido em parceria pelos Programas de Pós-Graduação em Extensão Rural e Desenvolvimento Local da UFRPE e o programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFPE, com apoio do CNPq. É resultante de um levantamento bibliográfico que tem como objetivo analisar a divisão sexual do trabalho na pesca artesanal, e ainda identificar os principais desafios postos pela atual conjuntura em relação aos homens e mulheres no mundo do trabalho. A presença da mulher na pesca é marcante, porém, como em outras categorias não obtém os mesmos valores atribuídos aos homens. A sociedade em que vivemos se organiza a partir de uma divisão sexual do trabalho que separa e hierarquiza o trabalho realizado por homens e mulheres, atribuindo maior valor às atividades masculinas. Podemos dizer que a participação da força de trabalho feminina tem sido diferente e desigual à masculina, tanto no que diz respeito às profissões que, quanto em termos de cargos e salários, as mulheres recebem remuneração menor do que o homem. Portanto, a divisão do trabalho se reproduz nas formas reestruturadas do mundo da produção e do trabalho assalariado. Diante dessas transformações da crise do capital, homens e mulheres são atingidos a cada dia pela redução dos salários e pela flexibilização do trabalho. E esse processo atinge principalmente as mulheres através de diversas formas de terceirização, de subcontratação, de formas flexibilizadas de trabalho.

O programa bolsa família e a afirmação da autoridade feminina no espaço familiar
Maria das Graças Miranda Ferreira da Silva; Meiryjane Lopes da Silva (UFPB)

O presente estudo de natureza analítico crítica visa com base na realidade empírica (analisada numa perspectiva qualitativa e quantitativa) identificar a influência do Programa Bolsa Família no processo de afirmação da autoridade feminina no espaço familiar, sob a ótica dos níveis de empoderamento da mulher como sujeito social capaz de tomar decisões tanto no âmbito familiar, concernentes as questões de cunho privado, como no campo público, no qual exerce seu papel de cidadã. A considerar que o referido Programa balizado nas diretrizes nacionais instituídas na Política Nacional de Assistência Social, preconiza o núcleo familiar como lócus privilegiado de ação e em especial a mulher, visto o caráter protetivo do seu papel social na família. Desse modo, a mulher passa de coadjuvante a protagonista das políticas sociais de assistência social o que gradativamente provoca mudanças nas relações familiares, bem como no imaginário feminino, dado que, assim como em outros programas de transferência de renda , o Bolsa Família confere a mulher a prioridade na administração do beneficio, a possibilidade de acesso a documentação e a espaços públicos fatores que contribuem para o aumento da autoridade desse segmento, bem como da sua auto-estima, todavia, é preciso compreender que estas mudanças ainda atingem muito superficialmente a realidade feminina sendo necessária maior participação e pressão da coletividade feminina junto ao Estado, para que sejam alterados os perfis das políticas sociais de assistência social brasileira de modo a derruir as bases fundantes da desigualdade social entre os sexos.

Agentes comunitários de saúde: visitando o gênero masculino
Maria Francinete de Oliveira, Ana Dulce Batista dos Santos

Esta pesquisa teve como objetivos investigar a visão de Agentes Comunitários de Saúde sobre suas funções políticas e sociais relacionadas ao universo masculino; apreender suas representações sobre os papéis sociais de homens e mulheres; suas dificuldades em lidar com a violência doméstica e com a falta de participação dos homens no cuidado com a saúde.. Tendo como parâmetros os mapas de violência doméstica da delegacia de mulheres e do Centro de Referência da mulher cidadã – Natal/RN, selecionamos 30 agentes (oito homens e vinte e duas mulheres). Os dados coletados através de entrevista individual e grupal foram categorizados de acordo com os objetivos propostos. Para o grupo investigado suas funções estão limitadas aos problemas de saúde –“são tarefas determinadas”, mas reconhece as funções políticas e sociais dos seus trabalhos. Através da evocação livre de palavra percebe-se a predominância da visão patriarcal dos papeis de homens e mulheres. Algumas pessoas (30%) reconhecem que têm mulheres que gostam de apanhar, já outras (40%) divulgam a Lei Maria da Penha.. A dificuldade de lidar com a violência doméstica esta na percepção de que não deve se meter (50) e não pode perder a confiança (40%). Reconhecem que terminam aceitando a idéia de que os homens não cuidam da saúde, assim como, que os serviços de saúde não têm atendimento especializado para eles, exceto o programa HIPERDIA. Os resultados mostram a necessidade de capacitar agentes e serviços para atender os homens de forma integral e específica, desconstruindo modelos culturalmente determinados.

Mulheres em movimento: a luta das mulheres pescadoras pelo direito de pescar
Maria Magaly Colares de M. Alencar, Vitória Régia Fernandes Gehlen (UFPE)

O presente trabalho faz parte da pesquisa desenvolvida em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Extensão Rural e Desenvolvimento Local (POSMEX) da UFRPE e o Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFPE, com o apoio do CNPq. A participação das mulheres nos movimentos sociais é um espaço no qual se ocorre a contestação dos dispositivos de poder em torno das atividades produtivas que são majoritariamente desenvolvidas por homens. No envolvimento com movimentos sociais as mulheres sentem-se mais fortalecidas e começam a criar seus meios de reagir à submissão, reconhecendo que possuem capital suficiente para construir grupos de produção, conseguindo gerar uma renda própria. Nos anos de 1970, em Pernambuco, as mulheres pescadoras - contando com o apoio da Comissão Pastoral dos Pescadores - deram início à sua luta por direitos trabalhistas e previdenciários. Essas mulheres buscaram autodefinir-se como pescadoras (e trabalhadoras), pressionando as Colônias - órgão de representação de classe - para que permitam sua filiação. O presente trabalho propõe-se a investigar como se dá a organização das Mulheres Pescadoras da Comunidade da Ilha de Deus.

Combate à violência contra as mulheres no litoral do Paraná
Mariana Cardoso Alves; Laidines A. Rodrigues; Arielle Viana; Edson Gervásio Júnior; Priscila Yumi Yamada; Vânia Agner (UFPR)

O projeto intitulado ´Mapeamento e Estabelecimento de Redes de Conscientização e Defesa dos Direitos das Mulheres no Combate a Violência Doméstica no Litoral do Paraná´, do qual somos bolsistas, esta sendo desenvolvido na UFPR - Setor Litoral, em parceria com a Secretaria do Estado de Ciência e Tecnologia do Paraná (SETI). Nosso projeto, iniciado em 2007, se estenderá por dois anos, mapeando o estado da arte do combate à violência doméstica contra a mulher no litoral paranaense (Antonina, Guaraqueçaba, Guaratuba, Matinhos, Morretes, Paranaguá e Pontal do Paraná), buscando parcerias com entidades públicas, privadas, do terceiro setor e comunidades, a fim de estabelecer redes de conscientização e defesa dos direitos das mulheres no combate à violência contra a mulher na região. A falta de conhecimentos sobre órgãos e instituições que embasem a defesa da população feminina no litoral paranaense, as discussões sobre as assimetrias de gênero que tornam as mulheres mais vulneráveis à violência doméstica, além de dados de pesquisas quanti/qualitativas reveladas pelo estudo, despertaram nosso interesse por essa pesquisa-ação. Dessa forma, pretendemos ilustrar as atividades que estamos desenvolvendo desde novembro de 2007, na busca de sensibilização, reflexão e discussão em relação ao tema.

Perfil da Sexualidade da comunidade universitária da Universidade do Extremo Sul Catarinense
Mariana Cristina Magalhães Soares; Sandra Aparecida Manenti; Bárbara Pivatto Lunelli, Priscyla Waleska Targino de Azevedo Simões; Fernanda Cardoso; Merisandra Côrtes de Mattos; Kristian Madeira; Cristian Cehinel (UNESC)

A sexualidade humana abrange uma gama de aspectos não só elencados aos relacionamentos humanos e a vivência da sexualidade, mas também as suas conseqüências como as DSTs , na vida de cada pessoa e na economia do país. Objetivo: Traçar o perfil de sexualidade na comunidade universitária da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC). Metodologia: Estudo transversal e descritivo, realizado na UNESC. A amostragem de estudo foi não probabilística, por conveniência, devido a não preocupação por um tipo específico de amostra, tendo sido aplicado 276 questionários auto-responsivos e confidenciais. Resultados: A maior parte da população é incluída na faixa etária de 16 á 24 anos. Média etária de início de atividade sexual foi de 15 á 19 anos, desses, 63,3% referem parceiro fixo. A maioria costuma utilizar métodos anticoncepcionais, destacando-se o hormonal oral ou injetável com 132 registros (47,8%) e camisinha com 124 (44,9%). 99 dos entrevistados referiram uso de condom nas últimas 5 relações sexuais (35,9%). Quanto à prática sexual, sexo vaginal (87%) e anal (17,4%) foram os mais destacados. Dos entrevistados que não utilizam métodos anticoncepcionais, 8,3% indicam não achar necessário e 0,7% por influência da religião. 14,1% já tiveram DST, sendo HPV (2,5%) a mais prevalente. 82,6% acham impossível ou pouco possível contrair o vírus do HIV, porém 67% referiram nunca terem feito exame anti-HIV. Conclusões: Implementar ações educativas e preventivas multidisciplinares relacionadas à educação sexual e ao incentivo ao uso racional dos métodos anticoncepcionais utilizando o Ambulatório Médico e os meios de comunicação da UNESC.

Direitos Reprodutivos & Estado: uma abordagem das novas tecnologias reprodutivas conceptivas
Marieta Reis (UFRGS)

Este trabalho, realizado para a obtenção do grau de bacharel em Ciências Sociais, trata das novas tecnologias reprodutivas conceptivas no âmbito dos direitos reprodutivos no Brasil. Tem como objetivo geral identificar as possíveis forças atuantes no desenvolvimento de políticas públicas de gênero na área da reprodução assistida, buscando sua origem, seus objetivos e suas convergências. Pretendemos contribuir para a reflexão acerca das novas tecnologias reprodutivas conceptivas em si, das práticas realizadas tanto nas clínicas particulares como nos hospitais públicos, das conseqüências que a regulamentação ou não carregam consigo e da importância das novas tecnologias reprodutivas enquanto um direito reprodutivo. A abordagem metodológica realizada baseia-se na análise de documentos legais, de dados bibliográficos e eletrônicos. As entrevistas analisadas foram realizadas por revistas e outras publicações relacionadas ao tema, disponíveis na internet. A partir de estudos bioéticos e do conceito de tecnociência buscamos visualizar como as novas tecnologias podem configurar-se em um projeto econômico colocando em risco seu potencial positivo de expansão e consolidação dos direitos reprodutivos.

A intermediação do Emprego: as Imagens de Gênero nos Processos de Seleção na cidade do Rio de Janeiro
Marina Cortez Paulino (UFRJ)

O processo de reestruturação das empresas, que teve início nos anos 1980, se intensificou, modificando profundamente não só as formas de organização do processo produtivo, mas também atingiu alguns setores internos da administração e da gestão. A horizontalização de empresas significa também um crescente movimento de externalização de serviços, inclusive aqueles ligados ao gerenciamento da mão-de-obra. O objetivo da pesquisa é investigar os serviços de recrutamento e seleção de trabalhadores realizados por empresas que vêm substituindo os setores de Recursos Humanos das firmas. Esta intermediação do emprego se faz freqüente a partir principalmente de meados dos anos 1990. A renovação das formas de divulgação das vagas, as estratégias para recrutar mão-de-obra com nível universitário, bem como os métodos de seleção são os pontos de partida para compreender a produção e reprodução de mecanismos de geração de oportunidades na inserção de homens e mulheres no mercado de trabalho.

O Tecer das Barricadas - Um Estudo sobre o Fluxo de Greves das Operárias Têxteis Nova-Iorquinas entre 1909 e 1912
Marina Costin Fuser ( PUC/SP)

Pretendo elucidar a inserção do trabalho feminino à luz da revolução industrial num segmento essencialmente feminino: o setor têxtil. Entre 1820 e 1860, a cidade de Nova Iorque converteu-se no principal pólo manufatureiro das Américas, importando da metrópole inglesa o emprego da maquinaria e adequando o novo mundo a esse novo modo de produção. O setor têxtil constituiu uma das principais vias de inserção do trabalho feminino da grande indústria, e o seu surgimento tem por mérito alterar as bases da família nuclear patriarcal, no compasso de uma nova divisão sexual do trabalho. Essa divisão entre as funções essencialmente masculinas e as funções essencialmente femininas não sofrem uma alteração significativa, mas sua transferência para a fábrica assinala modificações profundas no processo de organização societária, nas esferas produtiva e reprodutiva.
O século XX resplandece com um movimento grevístico forte, no qual as trabalhadoras do setor têxtil dos Estados Unidos cumprem um papel protagonista. Em 1909, Nova Iorque é palco de uma cena “inquisicionista” em que mulheres são queimadas vivas no ambiente fabril, resultando numa greve de 30.000 operárias têxteis, com amplo apoio da comunidade. No mesmo ano, é deflagrada outra greve com a participação de 40.000 trabalhadoras. De 1000 operárias, o sindicato de setor têxtil passa para 19.000 filiadas. Em Massachussets, 1912, as trabalhadoras do setor têxtil fazem eclodir a greve que dá nome ao livro de D’Atri – Pão e Rosas, pelas suas consignas: “queremos pão, mas também as rosas”.

Sexualidade e Espaço Religioso: Um estudo sobre a homossexualidade masculina e a transexualidade num terreiro de candomblé
Mario Felipe de Lima Carvalho (USP)

Buscamos nesse trabalho uma análise da vivência da sexualidade dentro de um terreiro de candomblé, mais especificamente da homossexualidade masculina e da transexualidade. Para isso realizamos uma série de observações no cotidiano do terreiro assim como colhemos entrevistas de relato de história de vida com pessoas de idade “de santo” variada. Em nossa revisão bibliográfica relacionamos as diferentes teses acerca dos conflitos de gênero, sexualidade e dogmas religiosos no candomblé levando em consideração o sistema cultural iorubá e sua relação com a cultura brasileira, principalmente no que tange a possessão e a hierarquia ritual. Neste contexto estudamos dois casos específicos no terreiro, primeiramente da matriarca, que é transexual, e de um casal homossexual de babalorixás; tendo como referencia a diferenciação entre identidade de gênero e orientação sexual. Com base nisso pudemos pensar na relação entre a religião e a cultural gay a partir da utilização do vocabulário do povo de santo como ferramenta de resistência no gueto. Por fim, da mesma maneira que elementos do terreiro são levados a outros espaços nos quais perdem a conexão com sua origem, a lógica patriarcal e homofóbica de nossa sociedade também influencia as relações sociais dentro do terreiro. Porém como estas se confundem facilmente com as atribuições rituais é necessário o poder do mito como mediador de uma religião que no conflito, na contradição, e na conciliação constrói sua magia a cada momento em que o Orun se faz presente no Ayê.

Vicissitudes da política de HIV/Aids: o acolhimento católico
Mayara Annanda Samarine Nunes da Silva; Fernando Seffener; Roberto Lorea (UFRGS)

A questão da laicidade do estado defronta-se diariamente com a influência do pensamento religioso nas decisões mais ordinárias da justiça. A gama de temas em que este enfrentamento se dá é bastante variada, indo desde questões que envolvem a presença de símbolos religiosos nos espaços públicos, até os grandes embates em torno de temas como o aborto ou o reconhecimento da união civil homossexual.
Este pôster apresenta alguns achados de pesquisa em andamento em que estamos constituindo um banco de dados a partir dos julgamentos feitos pelos tribunais de cada um dos estados brasileiros quando as questões em jogo envolvem o tema da laicidade do Estado. Objetivando uma análise da relação entre Estado e Religião no Brasil, faz-se necessária a observação do tratamento dessa questão dada pelo poder judiciário, uma vez que é ele o responsável pela aplicação do Direito, e o representante das concepções do país. O objetivo maior da pesquisa é mapear a efetividade do princípio do Estado Laico, buscado nos enfrentamentos ordinários da justiça.
O material de que já dispomos permite apresentar alguns dados num recorte de gênero, analisando a distribuição da presença feminina e masculina nas ações; as questões em demanda que se relacionam com temas históricos do movimento feminista e do movimento homossexual; bem como as idéias religiosas mais frequentemente citadas na argumentação de sentenças, em especial nos casos em que estão em discussão questões ligadas à família e casamento, institutos civis de forte influência católica.

Alzira e suas performances capturando garotinhas no espaço escolar
Mayara Fernanda Bessa Corrêa e Silvia Rocha Pereira (ULBRA)

Este trabalho se inscreve em um projeto de pesquisa que analisa as repercussões da cultura do espetáculo, da mídia e do consumo na escola. A metodologia inclui visitas a escolas, observações e conversas informais com crianças e professoras, buscando registrar, discutir e compreender o que essa cultura está produzindo no interior da escola. Neste recorte, procuramos mostrar as repercussões de um ícone atual da cultura midiática televisiva - a personagem Alzira, da novela Duas Caras, exibida no horário nobre da Rede Globo. Alzira, para sustentar a família, apresenta-se com roupas ousadas em uma uisqueria, dançando sensualmente agarrada a um poste. Observamos que meninas muito pequenas, alunas das escolas públicas da região metropolitana de Porto Alegre, imitam a personagem, movimentando seus corpos eroticamente, tal como assistem na TV. A repercussão desta personagem é muito forte entre as crianças, indicando o fascínio exercido pela televisão sobre elas, enredando-as e apresentando lugares de sujeito. Alzira reproduz e consagra um modelo erotizado de mulher, caracterizado pelo corpo magro, ágil, bonito, sensual, ensinando às crianças padrões de imagem e de conduta feminina que são valorizados. Autoras como Guacira Louro, Dagmar Meyer, Ruth Sabat e Marisa Costa fornecem suporte teórico para problematizar e refletir sobre as questões de gênero implicadas nessa forma como a mídia televisiva dissemina imagens de mulher, e como o espaço escolar constitui um dos lugares em que meninas pequenas exercitam-se na modelagem de si mesmas inspiradas nas personagens televisivas.

Homofobia na Escola
Maytê Gouvêa Coleto; Fernando Silva Teixeira Filho; Nádia Maria Pacheco (UNESP)

Este trabalho tem como objetivo conhecer os níveis de homofobia, no espaço escolar. Para tanto, criamos um questionário que avaliou as reações de 52 professores (50 mulheres e 2 homens) frente às expressões das sexualidades, contendo 7 questões com 8 subitens cada cujo conteúdo é baseado nos trabalhos de Dorothy Riddle e as mesmas foram formatadas numa escala Likert de concordância. Tais professores participavam de um curso de capacitação que visava a diminuição da homofobia e incentivava o respeito às diversidades sexuais e igualdade dos gêneros (Projeto Calidoscópio – realizado pela ONG NEPS e financiado pelo MEC e SECAD). Para a análise dos dados foram elaboradas relações entre as questões e entre os seus subitens. Em âmbito geral, os respondentes tendem a aceitar a homossexualidade desde que essa não tenha visibilidade. Mais especificamente, a repulsa à homossexualidade, embora pequena, apareceu fundamentada pelo discurso religioso. Encontramos também resistências quanto ao fato de um professor homossexual vir a servir de referência e modelo para seus alunos. Para 32% dos respondentes, a travestilidade e/ou transexualidade é pecado e/ou uma fase do desenvolvimento. Com relação à questão da orientação que os professores poderiam dar aos pais para lidarem com a homossexualidade de seus/suas filhos(as), a heteronormatividade influenciou fortemente as respostas. Entendemos que os professores, ainda que inconscientemente, reproduzem e perpetuam: preconceitos, mitos e tabus em relação àS homossexualidadeS. Diante disso, cremos que a permanência e continuidade dos trabalhos desenvolvidos de combate a homofobia, afirmação da cidadania e dos direitos humanos nas escolas se fará por muito tempo necessária.

Gênero e Meio Ambiente: relação de sustentabilidade em Xapuri (1867 – 2006)
Michele Zuchinalli (UFSC)

O atual estado do Acre, localizado na região Norte do país, teve seu processo de ocupação em meados do século XIX, e tendo como sua mola propulsora a extração da borracha. A formação deste Estado foi totalmente influenciado pelos ciclos da borracha, foram às instabilidades na exploração da borracha que diversificaram as relações de gênero estabelecidas em meio a sociedade seringueira. Desde o início da formação do Estado, estas populações estabeleceram uma relação de dependência e sustentabilidade com a Floresta Amazônica. Assim, a relação que se estabeleceu entre esta população e a natureza é caracterizada por uma dependência extrema, um conhecimento profundo e detalhado das potencialidades da floresta e por uma forma de utilização dos recursos que permite a reprodução sem a destruição dos mesmos. Este trabalho procura mostrar como se deram as de gênero e suas “trocas” com o meio ambiente desenvolvidas ao longo dos anos, durante todo o processo de constituição dos seringais e da sociedade ali organizada.

Estupros no Rio Grande do Sul: entre o abuso e a violência – mapeamento do crime sexual
Milena do Carmo Cunha dos Santos (UFRGS)

O pôster apresentará uma análise sobre os casos de estupro acontecidos no Estado do Rio Grande do Sul, entre os anos de 2002 e 2006, através de dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado, disponíveis no Estudo Técnico Nº 46 – Violência Contra a Mulher, efetuado pela Divisão de Estatística Criminal, e do Estudo sobre a Violência Sexual contra Criança e Adolescente em Porto Alegre, desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa Violência e Cidadania, do CNPq/UFRGS. A partir da análise desses dados, possibilitará fazer o mapeamento do fenômeno e identificar as conseqüências comportamentais dos atos de violência sexual nas vítimas, caracterizadas por estarem em idade infantil, adolescente ou adulta. Além disso, será possível traçar o perfil tanto das vítimas como dos/as agressores/as, a espacialização de ocorrência dos crimes e as políticas - públicas em curso no Estado e no Município de Porto Alegre para a prevenção e erradicação da violência contra a mulher.

Diário Vermelho. Entre fotografias e uma quase direção...
Sarah Pusch Nogueira (UDESC)

O presente trabalho tratará de uma reflexão pós-processo de encenação, pois será relatada aqui uma análise teórica a cerca do processo de criação da peça: Vermelho – vermelho. Uma proposta de teatro (em) Movimento, na qual atuei como diretora e que apesar disso trata-se de uma criação coletiva. Desta forma, tratarei de lembrar aqui sobre os temas centrais da peça, que são: Homossexualidade, Feminismo, erotismo e violência – temas estes que no decorrer dos ensaios foram colocados pelos participantes do processo a partir de pesquisas e exposições de suas vivências pessoais à cerca dos temas. Ao mesmo tempo, as notícias que recebíamos de violência contra homossexuais e mulheres, durante o ano de 2007, reafirmavam a atualidade e a necessidade da abordagem deste tema na peça. Desta forma, tratarei de apontar as formas de criação utilizadas pelos atores para “representar a violência” em cena e quais as impressões que tive como diretora de um grupo grande composto por homens e mulheres e cujo objetivo sempre foi o de antes de tudo romper com as barreiras existentes entre os corpos, exercendo um diálogo com a nudez, com os contatos e com improvisações, tudo em prol de antes de qualquer coisa nos modificarmos até onde for possível. Além do mais, visto que o processo Vermelho – vermelho tem dado continuidade, também pretendo relatar neste trabalho o atual envolvimento do grupo com pesquisas de campo e trabalhos com fotografias e filmagens que revelem também estes temas citados a cima, que ainda socialmente pertencem às margens.

Direitos reprodutivos: representações de docente da Universidade Comunitária Regional de Chapecó (Unochapecó) sobre o aborto
Silvana Wincler, Myriam Aldana Vargas Santin, Carmem Hoffman Mortari, Noeli Gemelli Reali, Débora Diana da Rosa, Márcio Lucas Canalle (UNOCHAPECÓ)

Enquanto prática social constata-se em nossa região, uma cultura impregnada de valores religiosos e conservadores do ponto de vista da moralidade, que impedem os debates abertos acerca do aborto, convertendo-o em um tabu. É a partir do conhecimento das representações sócias que perpassam o grupo social (regional) no qual estamos inseridos, que pretende-se uma análise nos diferentes contextos da ação acadêmica a partir do olhar de profissionais que promovem e reproduzem conhecimentos e representações (professores do direito, psicologia, enfermagem e medicina) da UNOCHAPECÓ, e que lidam com a questão do aborto, entrecruzando as relações cotidianas e universitárias, na perspectiva da construção de cidadania para homens e mulheres do município. A pesquisa orienta-se por um estudo de caráter exploratório-descritivo, com abordagem qualitativa, no intuito de elaborar, a partir da técnica da análise do discurso do sujeito coletivo, um quadro descritivo das representações sobre o aborto e suas imbricações com os direitos reprodutivos. Até o presente momento aprofundou-se o referencial teórico-metodológico (teorias sobre representações sociais, o aborto no Brasil, Aborto Legal, A pesquisa Social e os seus significados, A pesquisa de caráter qualitativo e as técnicas adequadas a este tipo de estudo, A Construção dos Direitos Reprodutivos no Brasil, O Aborto no contexto da Vida reprodutiva, Maternidade, Gravidez desejada, qualidade de vida); definiu-se as categorias de análise (vida reprodutiva, direitos reprodutivos, representações); contatou-se os sujeitos da pesquisa; elaborou-se os instrumentos da pesquisa, com posterior coleta de dados e verificação do instrumento

Masculinidade e homofobia: atribuições de papéis sexuais numa nova configuração social
Sônia Alice Séjour Araújo, Marcelo Rodrigues Lemos (UFU)

Este trabalho visa a mostrar a construção dos papéis masculino e feminino socialmente atribuídos, a distribuição desigual e hierárquica de poder entre eles, baseada na formação masculina como idéia de não feminilidade e a fobia à homossexualidade, como resultado dessa construção. Busca-se mostrar que as atribuições dadas a homens e mulheres não são naturais e que, por isso, os papéis por eles seguidos não são necessários e imutáveis. Identifica como os padrões de comportamento construíram-se ao longo do tempo e a forma como eram socialmente abordados.Mostra-se ainda, que as pessoas são classificadas ou julgadas segundo papéis sexuais rígidos, ativo e passivo(a), ainda que não os adotem. Utiliza-se de anállise teórica de autores que trabalham as construções de gênero, comprando e discutindo concepções de Daniel Welzer-Lang, Teresa de Lauretis, Nalu Faria, Miriam Nobre e Edmar Henrique Dairell Davi.

Quando as mulheres invadem as salas de musculação: aspectos biosociais da musculação e da nutrição para mulheres
Tais Akemi Dellai Oshita, Cristina Lessa dos Santos, Henrique de Oliveira Arrieira, Patricia Lessa (Universidade Estadual de Maringá)

A crença na vulnerabilidade biológica e na fragilidade inata deixou as mulheres de fora de muitos esportes. Fragilidade, vulnerabilidade e passividade são características totalmente desfavoráveis às exigências da performance atlética. A musculação, hoje conhecida como exercício resistido, foi, por algum tempo, considerada um esporte contra-indicado para as mulheres. Hoje sabemos que essa atividade aliada à dieta adaptada ao gasto calórico é muito importante para o enrijecimento dos músculos e, além disso, diminuição da gordura corporal e aceleração do metabolismo. Porém, ainda existem mitos em relação à musculação feminina, que são o reflexo daquelas contra-indicações, como a idéia de que as mulheres praticantes ficam masculinizadas. Na presente pesquisa, investigamos quais os conhecimentos e/ou mitos que rotineiramente estão envolvidos no treinamento e na alimentação das praticantes de musculação. Para isso utilizamos as técnicas da entrevista semi-estruturada e do formulário alimentar para a coleta dos dados, após fizemos a análise de conteúdos para avaliar os resultados encontrados entre a população de mulheres praticantes de musculação voltada para força e hipertrofia nas academias na cidade de Maringá-PR, com o objetivo de verificar os mitos e os conhecimentos envolvidos na rotina de treinamento e na dieta das praticantes

Percepções da Prática Educativa em Relação a Homossexualidade no Meio Escolar
Taisa de Sousa Ferreira (UEFS)

Essa pesquisa busca investigar a compreensão e a prática pedagógica de professores de uma escola pública em Feira de Santana em relação à homossexualidade, tem como objetivos específicos discutir a formação docente acerca das questões que envolvem a diversidade sexual; verificar como a temática da diversidade sexual é trabalhada numa escola pública de Feira de Santana; verificar se (e de que forma) os professores contribuem para a perpetuação do preconceito ou para o respeito às diferenças relativas à sexualidade. Em geral, quando se trata da homossexualidade na sociedade ocidental, a discussão é desconfortável ou até mesmo desnecessária e assim as experiências e a identidade dos indivíduos homossexuais são freqüentemente negadas. Discutindo a importância da discussão acerca da homossexualidade no meio escolar, o papel do educador mediante tal temática, ressaltando a importância do repensar de posturas no espaço educacional, são apresentadas discussões sobre a diversidade cultural, sexualidade na escola e as construções do gênero e da sexualidade enquanto questões sociais e uma abordagem sobre as bases legais que fundamentam o trabalho com a diversidade sexual. A pesquisa realizada demonstrou que apesar de se caracterizar como algo importante, a discussão acerca da homossexualidade nas escolas, ainda hoje é quase inexistente. O papel que a escola tem assumido frente a tais situações, tem sido do ocultamento, o da omissão ou negação perante a homossexualidade e as situações que a envolvem. De pronto, é preciso afirmar que tal pesquisa pretende contribuir para o aprofundamento e ampliação da discussão acerca da homossexualidade no meio escolar.

Imprensa, Representações Femininas e Relações de poder: o perigo e a ordem no Brasil republicano
Thabada Cristine da Luz (UNESP)

O presente projeto faz parte do projeto intitulado “Gênero e Cotidiano: recuperando as experiências femininas – uma releitura das cidades paulistas: sociedade e cultura”, desenvolvido com bolsa CNPq/PIBIC. Tem como foco a cidade de Bauru, situada no oeste paulista, no início do século XX, período no qual a cidade se destacou por um intenso processo de modernização/modernidade e por possuir um importante entroncamento ferroviário. Dando ênfase ao cotidiano, às práticas sociais e as relações de gênero em formação, procura-se perceber de que modo se deu a inserção feminina no espaço público. Através da análise da imprensa local e do período, procuramos apontar os conflitos e tensões resultantes da inserção feminina, permeada por relações de poder e vista muitas vezes como um perigo ao ideal republicano de manutenção da ordem. Dessa forma visamos romper com a invisibilidade das mulheres, configurando-as como sujeitos históricos, e também acrescentar reflexões ao debate sobre as recentes formas de inserção da mulher no mundo público.

A Participação Política de Mulheres Vereadoras em Almeirim/PA
Thaize Bianca Figueiredo de Souza; Denise Machado Cardoso (UFPA)

Na contemporaneidade as mulheres não pleiteiam mais o direito de voto e sim mais representatividade política, a fim de minimizar as discrepâncias históricas existentes em relação aos homens como apontam os estudos de (ÁLVARES). Desse modo, o presente estudo se mostra de grande importância, pois ele busca contextualizar a participação política das vereadoras do município de Almeirim/PA, visando elucidar questões referentes ao processo de participação política dessas vereadoras, suas contribuições e repercussões na esfera que envolve a Câmara de vereadores e a população local. Para tal, partiu-se da revisão bibliográfica selecionada pela orientadora, além de entrevistas realizadas junto as vereadoras de Almeirim/PA. O que nos permitiu inferir que a participação política dessas mulheres demonstra que quanto maior nível de escolaridade maior será o interesse pela participação política (CARDOSO, 2006). E, consequentemente maior será a capacidade organizativa e a consciência de sua importância social, como afirma M. HIGGENS. Desse modo, a partir desse estudo, podemos dizer que a participação política dessas vereadoras em Almeirim se constitui em um meio para que elas tornem suas visões conhecidas e mostrem sua capacidade de tomar decisões e refletir a cerca das políticas aplicadas em prol do desenvolvimento de sua região.

A imigração japonesa do passado e a imigração inversa: questão de gênero e gerações na economia do brasil e do japão
Verônica Braga Birello, Patricia Lessa (UEM)

O artigo tem por fim estudar as relações imigratórias japonesas. Os motivos históricos que levaram a ela no passado. Também o fenômeno da imigração inversa que por sua vez atingiu a população de japoneses nascidos no Brasil. Levando em consideração as comemorações do centenário de imigração japonesa e a lacuna ainda existente nessa área da historia, economia e cultura o objetivo maior do projeto será avaliar a condição da mulher nesse processo de inclusão econômica e cultural que teve inicio em 1908 e na década de 1980 foi retomado. A imigração japonesa vista por diferentes mulheres japonesas de três gerações foram entrevistadas e estudadas pela analise conteúdo, tendo como fundamento teórico os Estudos de Gênero.

Estudo sócio-diagnóstico sobre gênero em programas de esporte e lazer na cidade de Porto Alegre
Vicente Cabrera Calheiros (UFRGS)

Considerando que o esporte e as atividades de lazer são práticas que produzem distinções de gênero, esta pesquisa objetiva realizar em sócio-diagnóstico em dois projetos sociais desenvolvidos pelo Ministério do Esporte, a saber: “projeto Segundo Tempo” e “Projeto Esporte e Lazer na Cidade”. Justifica-se pela constatação de que é desigual a inserção e permanência de homens e mulheres, meninos e meninas em atividades esportivas e de lazer. Desigualdade esta que, muitas vezes, é provocada pela própria dinâmica dos projetos visto que ressaltam atributos mais vinculados ao masculino e ao feminino, em especial no âmbito do esporte. Fundamentada no aporte teórico dos estudos de gênero a pesquisa apresenta um recorte qualitativo envolvendo a elaboração de instrumentos específicos de captação de dados tais como questionários e entrevistas a serem realizadas entre os profissionais que atuam na condução das atividades realizadas nos projetos. A análise dos dados se realizará mediante a técnica da triangulação: as informações obtidas nas diferentes fontes serão confrontadas com o referencial teórico sobre acesso e acessibilidade às organizações sociais que fundamenta a pesquisa tendo como destaque a categoria analítica de gênero.

A higienização dos Corpos: O Prazer Purificado e a Subversão da Assepsia
Vinicios Kabral Ribeiro (UFG)

A pratica sexual envolve diálogos, negociações e tentativas de derrubar interdições impostas pelo modelo cultural vigente. O foco é o sexo anal como terreno de intenso diálogo, contradição e subversão. Retratar, percorrer e dialogar. Procurar em silêncios dúbios o delírio pela materialização do discurso, e poetizar práticas corpóreas negligenciadas pela cômoda busca da normalidade. Pretendo aferir de que forma os indivíduos lidam com questões de seus corpos, com seus cuidados no pré-coito, e de que maneira estabelecem o silenciamento dessas práticas e qual o impacto da higienização (ou não) na busca pel@ “outr@”, @ elegível parceir@.
A narrativa é costurada por relatos de mulheres e homens, perpassando pelas diversas orientações de desejos e prazeres. Embasada pela democracia do ânus, já evidenciado por Beatriz Preciado, e com a convicção dessas práticas como reordenadoras das duras estruturas de práticas sexuais contemporâneas.
Higienização dos Corpos é colocar em debate a necessidade de se enxergar práticas tidas como dissidentes, de desvalorização moral e prejudicial à sanidade humana. Deslocar essas práticas da marginalização para a legitimação. E também, incentivar a fala, o diálogo e as diversas interações possíveis. Perseguindo o ideal de Foucault: deslocar o desejo para o prazer.

Prevenção e assistência às mulheres em situação de violência: redes de serviços de assistência, parece ser o melhor caminho
Virgínia Falcão de Seixas (UFBA)

Experiências, nos meios acadêmicos, nos serviços e em organizações não governamentais, têm demonstrado o limite dos serviços na resolução de casos de violência. A partir dos anos 90, a violência passa a ser reconhecida como uma questão a ser tratada de forma interdisciplinar e intersetorial. A partir daí, percebe-se que a formação de redes de serviços de assistência, parece ser, o melhor caminho para o enfrentamento da violência, e da garantia da integralidade da assistência. No campo das políticas sociais, as “redes” tem sido vistas, como uma possível solução para a administração de políticas e projetos sociais, frente à escassez de recursos, complexidade dos problemas, multiplicidade e diversidade de atores envolvidos, e uma crescente demanda por uma participação cidadã.As redes de atenção se materializam em atividades, que, visam articular os diversos serviços existentes em determinado local, contribuindo para um melhor funcionamento e resultados em cada um deles, e, no seu conjunto. Em outras palavras, esta linha de atuação, possibilita o desenho e implantação de políticas de atenção articuladas que venham a garantir a integralidade da assistência nas políticas sociais. A articulação em rede representa um desafio que tem como objetivo preservar a estrutura pré-estabelecida por uma determinada sociedade, promovendo-lhe maior flexibilidade, integração e interdependência. Pensando-se na violência contra a mulher, entende-se que, tanto a ocorrência da violência como a sua abordagem se configura em rede – de fatores, de atores envolvidos, de serviços para o atendimento, de setores para a atenção, prevenção e promoção dentre outros. Ela impõe uma mudança de cultura e desafios administrativos e humanos fundamentais como os processos coletivos de negociação e decisão, a distribuição de tarefas e recursos, o estabelecimento de prioridades, o que implica em um novo olhar sobre os processos de planejamento, avaliação e decisão das ações, que requerem uma nova abordagem. Este trabalho se propõe a demonstrar o esforço que as feministas do Estado da Bahia vem fazendo no sentido de viabilizar a construção da rede de serviços para as mulheres em situação de violência.

Visibilidade do corpo político das lésbicas na contemporaneidade
Zora Yonara Torres Costa (UNB)

Enfocar a sinuosidade dos signos que compõe a política no Brasil é um desafio, pois exige um recorte caracterizado pela diversidade social. A inquietação sobre a complexidade que envolve os aspectos da política voltada para as populações excluídas, muito pouco debatido no Brasil possibilitou inserir uma reflexão a cerca do significado sobre visibilidade do corpo político das lésbicas.
Importa destacar que se o corpo político das lésbicas é fator para a convergência transparente do sujeito lésbica, ficando a questão: O que faz estas mergulham na invisibilidade social?
No Brasil não há previsões legais expressas que assegurem direitos aos homossexuais. Mas, se não há direitos sociais para as lésbicas, o corpo político desta se torna invisível? A conjectura feita em meio às discussões suscitadas socialmente a cerca destas, possui um discurso e uma linguagem imperativa, entendendo a estrutura dos diferentes processos discursivos frente à construção da visibilidade e da invisibilidade, expande-se um campo de possibilidades estabelecendo um debate sobre a condição corpórea política das lésbicas como:
1) naturalização do corpo;
2) isolamento;
3).docilidade, manipulação e normalização;
4) relações binárias.
A evidência inicial da desnaturalização dos corpos, cria uma reflexão critica sobre a naturalização que impõe limites atribuídos à vida dos sujeitos. Pensar os corpos diferentemente é parte da ação conceitual e filosófica que o feminismo abrange, e isto poderá estar relacionado também a questões de sobrevivência.

Violência contra a mulher: uma análise comparativa antes a após a Lei Maria da Penha na região central do Paraná
Andressa Bareta, Dafne Breda, Joyce Reis Ferreira, Maria Lúcia Raimondo, Sandra Lourenço (UNICENTRO)

A violência sofrida pelas mulheres brasileiras, caracteriza-se como um caso de saúde pública em nosso país. Com o intuito de criar mecanismos para coibir à violência doméstica e familiar no Brasil, em 07 de agosto de 2006, foi promulgada a Lei nº. 11.340, denominada Lei Maria da Penha. Com o objetivo de analisar a aplicação da referida lei na região central do Paraná, desenvolveu-se uma pesquisa documental e quantitativa, traçando um paralelo dos registros de violência antes e após sua implantação. Os dados retrospectivos à lei foram extraídos de um trabalho desenvolvido em 2002, já os dados após a implantação, foram extraídos dos Boletins de Ocorrência registrados na Delegacia da Mulher no ano de 2007. Os resultados revelaram que no ano de 2002, foram registrados 760 casos de violência doméstica contra as mulheres. Em 2007, um ano após a implantação da lei, levantou-se o registro de 875 denúncias de violência contra as mulheres na região do estudo, evidenciando uma pequena elevação nos índices de violência registrados. Em apenas 28 casos registrados em 2007, aplicou-se a lei específica de violência contra a mulher. Evidenciou-se que a violência contra as mulheres foi maior após a lei, levando-nos a indagar se foi maior ou se foi mais registrada. Outra evidência, é a pouca aplicação da lei que ocorreu em apenas alguns casos. Conclui-se que não basta uma lei existir, é necessário que as mulheres sejam conhecedoras da lei, exigindo sua aplicação pela justiça.

As várias faces da violência à luz da Lei Maria da Penha
Ádlia Chaves Tavares; Leticia Garcia; Marília Daniella Machado Araújo Cavalcante; Maria Lúcia Raimondo; Liliane Freitag (UNICENTRO)

Estatísticas da Organização das Nações Unidas em 2005, revelam que cerca de 2 milhões de brasileiras sofrem violência a cada ano. Por muito tempo, entendeu-se que a violência contra a mulher resumia-se a agressões físicas que provocassem marcas visíveis e diagnosticáveis. De acordo com a lei 11.340/06 – Lei Maria da Penha, tal violência pode apresentar-se de diferentes formas incluindo a física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial. Com a intenção de atuar em prol da redução de tais estatísticas, desenvolveu-se um estudo do tipo análise sistemática, tecendo reflexões acerca das formas de violência a luz da lei. Os resultados revelaram que a violência doméstica não é apenas a que deixa hematomas, mas se subdivide em cinco formas: violência moral, baseada em ofensa moral ou calúnia; violência patrimonial, que consiste em retenção, subtração, destruição total ou parcial de objetos, bens, valores e direitos ou recursos econômicos; violência sexual, consiste na limitação ou anulação do exercício dos direitos sexuais ou reprodutivos da mulher; violência psicológica, conduta que causa prejuízo à saúde psicológica ou a autodeterminação e violência física, conduta que ofenda a integridade ou saúde corporal da mulher. Conclui-se que a lei brasileira efetivada em 2006, caracteriza a violência de forma abrangente e clara, apresentando as condições necessárias para a preservação da integridade feminina, porém, as estatísticas apontam números cada vez mais elevados de registros de violência, denotando que milhares de mulheres ainda sofrem com situações de agressão, sem sequer saber dos direitos legais que lhe assistem.

Gênero e Meio Ambiente: papéis masculinos e femininos na produção pesqueira no Cabo de Santo Agostinho – PE
Adriana das Neves Guedes de Souza, Vitória Régia Fernandes Gehlen (UFPE)

O artigo é produto de uma pesquisa em desenvolvimento pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Gênero, Raça, Meio Ambiente e Planejamento de Políticas Públicas (GRAPP/UFPE) e tem como tema de estudo as relações de gênero no cotidiano da população que busca na pesca os recursos necessários para a sobrevivência, este estudo vem se processando no município do Cabo de Santo Agostinho no litoral pernambucano. Tem por objetivo a análise da relação entre gênero e meio ambiente a partir da análise de como se manifestam as relações entre homens e mulheres no contexto da produção pesqueira, os papéis que desempenham quando inseridos na divisão de trabalho, levando em consideração o impacto ambiental produzido pela extração dos recursos naturais advindos da atividade pesqueira. O desenvolvimento da metodologia se dá através da percepção ambiental, que compreende as inter-relações de homens/mulheres e o espaço degradado. Assim, percebe-se que homens e mulheres se relacionam de diferentes formas com o meio ambiente e, portanto, contribuem de maneiras diversas para promover o desenvolvimento sustentável.

O trabalho feminino e o empoderamento das mulheres
Adriana Paz Lameirão (UFRGS)

As últimas três décadas do século XX registraram o aumento da inserção feminina no mercado de trabalho, porém, num contexto fundado sobre diferenças percebidas entre os sexos e em relações de poder desiguais entre homens e mulheres. A divisão sexual do trabalho leva a mão-de-obra da mulher a ser mais utilizada em setores “femininos” da economia que exigem aptidões como delicadeza, sensibilidade e ordem. Já o trabalho intelectual e de execução, tidos como competências masculinas, levam à exclusão das mulheres dos processos decisórios, daí os cargos de chefia serem majoritariamente ocupados por homens. O empenho feminista em demonstrar que as mulheres não são passivas nem submissas, gera o questionamento de normas sociais constituídas e reproduzidas ao longo do tempo, afetando as relações de gênero e desencadeando o processo de empoderamento das mulheres. Disso deriva o entendimento de que o poder deve ser compartilhado entre indivíduos com a mesma capacidade para exercê-lo. Sob esse aspecto, não há capacidades naturais específicas para cada sexo, mas ambos podem desempenhar profissões e cargos iguais. Desse modo, responsabilidade, competência técnica, poder e autoridade também devem ser vistos como características do trabalho feminino. Sabendo-se da influência das relações de gênero na forma de recrutamento das mulheres e no exercício do trabalho produtivo, esta investigação busca examinar a relação entre a participação no mercado de trabalho e o empoderamento das mulheres. Estima-se, assim, trazer subsídios que permitam atuar sobre as desigualdades de gênero, na busca de uma eqüidade que beneficiará a todas e a todos.

O exercício da parentalidade em casais homoafetivos que adotaram crianças
Alana Batistuta Manzi de Oliveira, Manoel Antonio dos Santos (FFCLRP-USP)

A adoção por casais homoafetivos tem surgido como uma das novas práticas relacionadas à família no Brasil e no mundo. A parentalidade diz respeito aos cuidados dispensados pelos pais, sejam eles homens ou mulheres, heterossexuais ou homossexuais, aos seus filhos (biológicos ou sociais). Neste sentido, a adoção por casais homoafetivos configura-se como uma das formas recentes de exercício da parentalidade. O presente estudo tem como objetivo investigar a parentalidade em casais homoafetivos masculinos que adotaram crianças. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com dois casais homoafetivos. As entrevistas foram analisadas buscando aspectos relacionados ao exercício da parentalidade, incluindo as motivações envolvidas, a atividade parental e os significados atribuídos a parentalidade. Foi feita uma aproximação dos dados das entrevistas com estudos realizados anteriormente no Brasil e no exterior relacionados à temática da parentalidade. Os resultados mostram que as motivações para a parentalidade incluem o desejo de continuidade e busca por felicidade e “completude” da família. Foram observadas especificidades em relação ao exercício da parentalidade homossexual, como uma maior tolerância em relação às peculiaridades das crianças referentes à idade, etnia e condição de saúde, além de uma sensibilidade aguçada quanto à presença de sentimentos de “cobrança” (exigências) e suspeição por parte da sociedade em relação à condição desses pais para o exercício da função parental e à qualidade dos cuidados. (FAPESP)

Implicações do Body-Modification nos corpos femininos
Alessandra Amaral, Fernanda Barbieri, Méri Rosane Santos da Silva (FURG)

Vivemos em uma época de culto ao corpo. Este que possui uma história é constituído culturalmente, dotado de linguagem e exprime suas vontades de forma significativa. Ultimamente, os jovens vêm adequando seus corpos à moda ou à satisfação pessoal e, para atingir seus ideais, não medem esforços. Uma das práticas recorrentes é aquela associada ao Body Modification, termo usado para definir cirurgias voluntárias que marcam o corpo. Nesta pesquisa buscamos enfatizar a relação da constituição do corpo feminino, através das transformações presentes no Body-Modification. Essa forma de pensar o corpo, marcando-o, intensifica-se na adolescência, pois é nesse momento que as mudanças corporais estão em evidência. Além disso, surge a necessidade de se enquadrar e de ser aceito pela “turma”, tornando os corpos – ilusoriamente - iguais perante a sociedade e diferentes entre si. A questão do gênero é bastante significativa nesta fase. Percebemos isso nas diferentes remodelagens corporais realizadas pelas meninas, em que é comum o uso de tatuagens e escarificações, que buscam desenhos delicados, como, por exemplo, flores, anjos, golfinhos, entres outros, tendo com isso a ilusão da leveza; o piercing, principalmente o colocado no umbigo e ainda o pocketing que utiliza a fita de seda para “adornar” o corpo. Normalmente, essas práticas são realizadas em áreas “ditas sensuais” de seus corpos, ou seja, pescoço, costas e pés, tendo assim o intuito de ressaltar ainda mais seu novo contorno corporal e destacando os atributos tidos como femininos.

A Família Brasileira do Vinil ao DVD
Alessandra Aniceto Ferreira de Figueiredo, Kadigina Alves de Oliveira, Érica Tailane S. Dourado, Jorge Dellane

A pesquisa em apreciação teve como fundamento analisar os caminhos percorridos pela família brasileira desde o século XVI, seguindo sua evolução histórica e social, procurando estabelecer uma reflexão que transita entre valores, normas e mitos, através das letras de músicas populares nacionais: Como nossos pais (Belchior), Pais e filhos (Legião Urbana), Já foi uma família (Fundo de Quintal), Família (Titãs), A grande família (Dudu Nobre), Oração pela família (Padre Zezinho), Pai (Fábio Júnior). Valendo-se do método quantitativo de pesquisa, foi adotado um número variado de teóricos para realizar as comparações entre as letras de música e a literatura acadêmica, a fim de que o referencial abarcasse conceitos diversos e comuns a diferentes modelos de família. Pôde-se averiguar que as relações de gênero, existentes na instituição familiar, contribuíram à efetivação de um sistema complexo em que as ações e as atitudes de cada membro afetavam os demais. Foi constatado, ainda, que alguns princípios (valores, normas e mitos) continuam estáveis, como verificado na letra de uma das músicas: “filha de família se não casa, papai, mamãe, não dá nem um tustão”; e outros estão em constante reformulação, observado no trecho: “a mãe virou feminista, virou anarquista, só pensa em guerrilha e a vovó arrumou um garoto que é uma maravilha”. Assim sendo, pontua-se que a família brasileira, contada/cantada nas músicas populares citadas e analisada segundo a literatura adotada, não se constituiu por meio de um caminho linear, havendo variações de gêneros e condicionantes que interferiram/interferem em seu processo de caracterização e construção.

Corpo e dança como possibilidade de construção da cidadania
Alessandra de Souza Pinheiro e Flávia de Santana Alves (UFRJ)

Este estudo pretende refletir sobre o ensino da dança como atividade desenvolvida com mulheres vítimas de violência de gênero numa perspectiva de construção de cidadania. Nesse sentido, o estudo registra as observações, inquietações e desafios do trabalho que desenvolvemos como bolsistas no projeto de extensão do Centro de Referência de Mulheres da Maré Carminha Rosa, no bairro Maré, na cidade do Rio de Janeiro. O projeto visa desenvolver, sob forma de oficinas, atividades - de teatro, leitura, educação artística e corpo e dança - com mulheres em situação de violência de gênero, em sua expressão doméstica. Destaca-se que no funcionamento das oficinas são desenvolvidos temas de direitos humanos, violência de gênero tendo por base situações do cotidiano relatadas pelas mulheres. A função pedagógica da dança possibilita desenvolver um trabalho de conhecimento, de cuidado, de aprendizagem de movimentos e de possibilidades de vivências. Nesse sentido corpo e dança estão articulados a uma concepção de educação que possibilita as mulheres construírem e expressarem suas historias de vida. A proposta diz respeito ao ensino de dança crítico no sentido de tornar possível relacionar corpo, gênero, arte e sociedade.

As Cidades Paulistas Estudo do cotidiano na Comarca de Bauru: as relações de gênero no processo de modernização/modernidade
Alessandra Magyori (UNESP/Marília)

O trabalho busca perceber os discursos encontrados em Inquéritos Policiais, documentação localizada e arquivada no Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica de Bauru, instituto coordenado e mantido pela Universidade do Sagrado Coração, das décadas de 1920 a 1950 observando nestes a presença da figura da mulher, de sua representação e como está era construída por meio dos testemunhos, declarações, laudos médicos e conclusões dos delegados envolvidos no processo. Perceber como se dava a historicização e construção do papel da mulher neste período, entender como estes papéis irão ser apropriados enquanto representações e estabelecidos nos dias de hoje se faz importante quando queremos analisar as diferentes formas que a sociedade percebe os discursos que os inquéritos vêm mostrar e fazem refletir como se estabelecem enquanto um documento de legitimização do fato. A pesquisa visa romper com a invisibilidade feminina através da apreensão direta do objeto, da análise das práticas sociais do período, das formas de representação e resistências, criticando os saberes e os discursos disciplinadores e excludentes da imagem da mulher dentro da documentação histórica. As revisões historiográficas e os vários movimentos dos atores sociais, em tempos e espaços diferentes, propõe uma radical releitura da história das cidades do oeste paulista vivenciados no complexo processo de modernização/modernidade

A influência da gestão organizacional na qualidade de vida do trabalho feminino em uma Indústria de Estofados
Alessandra Oliveira de Carvalho Silva, Renato Macedo Filho (UFBA)

O objetivo desta pesquisa foi discutir a influência da gestão organizacional na qualidade de vida do trabalho feminino na Meron Estofados, indústria que possui como mão–de-obra principal, mulheres jovens e casadas. Num mercado de trabalho competitivo e globalizado em que prevalecem os objetivos organizacionais, visando a lucratividade acima do bem estar das trabalhadoras e trabalhadores, onde as decisões são pautadas apenas na questão produtiva, torna-se fundamental as discussões acerca da qualidade de vida do trabalho feminino, tal como as condições em que este trabalho é exercido, no sentido de perceber a (in)satisfação, as expectativas e/ou frustração das mulheres. Neste sentido, um olhar crítico sobre o cenário onde ocorrem as relações de trabalho e a gestão que coordena esse ambiente leva-nos a perceber que as condições objetivas e subjetivas de trabalho das mulheres é de precarização e desvalorização, envolvendo a subordinação em relação ao trabalho masculino, tendo em vista fatores como desigualdade salarial e más condições para realização das atividade. Assim, pode-se inferir que, embora as mulheres tenham conquistados maior inserção no mercado de trabalho, em diversos setores, ainda assim a posição que ocupam encontra-se desvalorizada, em condições precárias e de exploração.

Colégio de Senhoritas": Música original de Francisca Gonzaga
Alexandre da Silva Schneider, Maria Ignez Cruz Mello, Acácio Tadeu de Camargo Piedade (UDESC)

Em meio às grandes transformações ocorridas no Rio de Janeiro no fim do século XIX e início do século XX, uma mulher surge desafiando os padrões da época. A "pianeira", compositora e maestrina Chiquinha Gonzaga conquistou grande sucesso com seus tangos, polcas, maxixes e, principalmente, com o teatro musicado. Colégio de Senhoritas, opereta de Frederico Cardoso de Menezes com música de Chiquinha Gonzaga, estreou em 1912, um pouco antes do maior sucesso da compositora, a burleta Forrobodó. Pretende-se aqui não apenas resgatar esta obra, há muito tempo arquivada e esquecida, mas também realizar uma análise acurada abordando o contexto em que ela foi composta, discutindo aspectos musicais e questões de relações de gênero nela presentes, e destacando o importante papel da compositora para o desenvolvimento da música brasileira.

Entre silêncios: a análise de registros dos casos de violência sexual contra mulheres no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia
Alexwell Rodrigues Campos, Aline Reis, Bruno Ferreira Gonçalves, Gabriella Costa e Silva, Heitor Paes Rezende, João Paulo Martins Campos, Karla Carlos Freitas Barbosa e Marcelo Bernardes da Silveira (UFU)

Este trabalho é resultante da pesquisa realizada nos prontuários das usuárias atendidas no Hospital de Clínicas de Uberlândia no período de novembro de 2003 a novembro de 2007, obedecendo ao critério da implantação da notificação compulsória para violência através da Lei No 10.778, de 24 de novembro de 2003 que estabeleceu a notificação compulsória, no território nacional, dos atendimentos de violência contra a mulher realizados em serviços de saúde públicos ou privados. Teve como objetivo observar o cumprimento da Norma Técnica de Prevenção de Tratamento dos Agravos resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes, explorando a tensão entre os discursos normativos, os discursos técnicos – que informam sobre a atuação profissional – e as respostas oferecidas para o enfrentamento desta problemática no contexto da emergência/urgência. Nessa pesquisa analisamos um universo composto por 89 prontuários nos quais os dados mostram que o pronto socorro é a principal porta de entrada, e nos casos de violência sexual, os encaminhamentos são para o serviço de ginecologia. Diferentemente dos “silêncios” verificados nos prontuários, os procedimentos específicos desta área – ginecológicos – foram realizados e registrados em consonância com o que está estabelecido pela Norma Técnica. Compreendemos que na maioria dos casos, a violência sexual não foi considerada como uma questão de saúde, o problema identificado foi reduzido à queixa ginecológica e assim tratado. Essa preocupação centrada na assistência pode ser compreendida como reflexo de uma formação baseada na especialização do conhecimento e a fragmentação do sujeito, e principalmente no silenciamento da violência contra a mulher.

Memória da escola: disciplinas e disciplina
Aline Cassol Daga (UFSC)

Historicamente, o magistério é uma profissão majoritariamente exercida por mulheres. Desde o século XIX vinha se delineando como um campo de trabalho predominantemente feminino, especialmente quando se trata da Educação Infantil e das séries iniciais do Ensino Fundamental. Quando o ensino passa a ser disciplinar (a ambigüidade da palavra é fundamental) a docência passa a ser exercida por um perfil diversificado de professores. Nossa pesquisa se deteve na realidade do Curso de Letras e das aprovações nos cursos de licenciaturas da UFSC no vestibular de 2008. A futura docência de disciplinas curriculares, por estes alunos, em 2013, por exemplo, ainda vai ser em oposição: Letras – Português e Letras – Inglês, por exemplo, com a maioria de professoras em sala de aula; enquanto que Matemática, Química e Física, com um predomínio significativo de professores. Esta constatação numérica quer, porém, fugir da lógica sexista, mas quer mostrar como certas disciplinas trazem uma herança patriarcal, uma imagem da autoridade, onde a questão disciplinar e do poder parece ser mesmo a norteadora. A teoria do gênero é bastante importante para se pensar esta questão, pois na pesquisa que fizemos com exercícios de memórias da escola de estudantes no contexto da UFSC - memórias de leituras - não foram raras afirmações como “Eu não gostava muito de Matemática. Tive uma professora, na quinta série. Ela não falava, gritava, não repetia o que explicava porque se tivesse que fazer isso fazia bufando, ela era horrível, traumatizante”; “Adorava Português porque a professora era criativa e dedicada”.

Personagens da contística de Rubem Fonseca
Aline de Almeida Costa Ribeiro; Regina Dalcastagnè (UNB)

Rubem Fonseca ficou conhecido como sendo precursor de uma nova corrente na literatura brasileira contemporânea, reconhecida como brutalista, trabalhando com temáticas comuns à sociedade brasileira, dado o grande contexto de violência e erotismo em que os cidadãos estão inseridos. Além das duas temáticas citadas, Rubem Fonseca trabalha com a solidão, característica praticamente inerente aos moradores dos grandes centros urbanos, por sinal, local onde acontecem as narrativas.
O fato de ter atuado como comissário da polícia, ter sido advogado e aprendido medicina legal pode ter sido a motivação para Rubem Fonseca, já que seus contos giram em torno da temática policial, sendo suas principais personagens policiais, detetives, inspetores, criminosos e escritores.
Embora trabalhe com tal temática, o autor costuma ser criticado por suas visões dos marginais ser estereotipada e preconceituosa. A partir desse ponto surgiu a idéia de mapear as personagens de seus contos observando alguns critérios de gênero, como: orientação sexual, classe, raça/cor e outros, de maneira a compará-las com as personagens da pesquisa realizada entre os anos de 2004 e 2007 na Universidade de Brasília sobre "A Personagem do Romance Brasileiro Contemporâneo - 1965/1979 e 1990/2004."
O trabalho tem como objetivo comparar e entender um pouco sobre as obras de Rubem Fonseca, que, ao mesmo tempo em que descrevem as pessoas que estão às margens da sociedade, descrevem quem está no núcleo, de forma tão crítica, questionando o que realmente é normal, porém, tão preconceituosa, principalmente quando lida com o erotismo e a figura feminina.

Mapeando as diferenças de gênero no futebol
Aline Edwiges dos S. Viana (UNICAMP)

Não é uma tarefa fácil discutir sobre futebol em uma sociedade predominantemente androcêntrica, exige-se de nós, estudantes e pesquisadores desta área uma reflexão ancorada na sociologia e na antropologia para compreender o processo de discriminação que dificulta o engajamento feminino na pátria das chuteiras. Se por um lado, o Brasil é reconhecido mundialmente como o país do futebol, das gingas, dos títulos mundiais e dos craques fenomenais, por outro lado o amadorismo, os preconceitos e a falta de incentivo das políticas públicas permeiam o universo feminino. O principal objetivo deste trabalho foi discutir a situação da mulher no futebol, pois de maneira hegemônica e histórica esta modalidade tornou-se símbolo da masculinidade brasileira. Todavia, pretende-se elucidar o conceito gênero, fazendo uma reflexão atualizada da situação feminina neste esporte. Assim, pensar no futebol como um fenômeno midiatico, social e cultural que não faz parte da realidade feminina na sociedade é investigar as relações de gênero e poder, pois esta prática esportiva tornou-se desde então um produto cultural construído para os homens em todos os contextos.

Análise de assédio moral no trabalho com recorte de gênero
Aline Lima, Sheila Dias e Thaís Barbosa (UFRJ)

Atualmente homens e mulheres disputam espaço dentro de uma organização de trabalho de longa data desfavorável à elas. Contudo, as mulheres vêm aumentando consideravelmente sua participação em cargos de direção dentro de empresas contrariando as condições impostas pela sociedade para o sexo feminino. Nesse contexto, alguns homens sentem-se inseguros com essas mudanças e desenvolvem comportamento agressivo contra aqueles que consideram um inimigo em potencial. Sendo assim, em alguns casos o medo de perder espaço induz a condutas de dominação e submissão. Analisando casos de assédio moral em ambientes de trabalho tanto através de trabalhos publicados quanto a partir dos e-mail que chegaram ao nosso correio eletrônico assediomoral@iesc.ufrj.br observamos que as mulheres são as maiores vítimas desse tipo de violência. Entendemos que o assédio moral no trabalho consiste no fato de atacar o outro por meio de palavras e/ou atitudes, submetendo o outro a situações humilhantes, freqüentes e repetitivas que perdurem por um certo período de tempo no cotidiano laboral. Nesse trabalho defendemos a importância de correlacionarmos a ocorrência desse tipo de violência à questão de gênero. Esta se refere a uma categoria teórica e possibilita distinguir sexo da compreensão socialmente construída do que seja homem e mulher, ou seja, permite distinguirmos o biológico do social. Vale ressaltar que a situação do assédio moral, dependendo do tempo em que a vítima é exposta pode acarretar seqüelas psíquicas e físicas ao assediado, constituindo, portanto, um problema de saúde pública.

“Menina Brinca de Bola, Menino Brinca de Boneca?”: discutindo gênero e sexualidade no espaço escolar
Aline Magalhães Fernandes, Flávia Orechio (Centro Universitário UNA)

Este trabalho tem por finalidade apresentar a oficina "Gênero, Educação e Sexualidade: a arte das identidades", participante do Programa Escola Integrada - parceria entre o Centro Universitário UNA e a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte / MG. Esta, desenvolvida no campo da educação escolar, tem por objetivo problematizar as questões de gênero e sexualidade. Empregando conceitos próprios do campo teórico dos estudos culturais tais como; identidade, diferença e representação. Proporcionando atividades artísticas e valendo-se de recursos didático-pedagógicos voltados para uma ação lúdica e prazerosa, o trabalho visa propiciar aos/às alunos/as o questionamento das representações sociais estereotipadas e preconceituosas, bem como das diferentes opções sexuais, envolvendo as questões de autoconhecimento, da alteridade, e do diálogo familiar e comunitário. Ao focalizar o (re) pensar das relações de gênero e de sexualidade no contexto escolar de forma cultural e política, a oficina supera referências de caráter apenas biológicos, da reprodução, da prevenção, e das Doenças Sexualmente Transmissíveis – DSTs. Considerando a escola como um loccus privilegiado de reflexão e de contestação, a oficina polemiza sobre os papéis socialmente definidos para homens e para mulheres, no que se refere ao comportamento e ao modo de pensar.

"A licença-maternidade e o trabalho feminino na economia globalizada e neoliberal"
Allan Müller Schroeder (UNIVALI)

Pretende-se discutir o mundo do trabalho, e as relações deste, a partir da crescente feminização do mercado de trabalho. Diante das transformações na divisão sexual do trabalho relativas à inserção profissional da mulher, cabe transcorrer sobre este processo como um avanço na busca das mulheres por seu espaço ou como uma incorporação do trabalho feminino por parte do sistema capitalista com vistas a mais acumulação e ainda mais exploração do trabalho humano como fonte de valor, resultando em conseqüências pesadas sobre as mulheres trabalhadoras. Como instrumento de pressão da economia globalizada e do pensamento dominante neoliberal, vale ressaltar a progressiva precarização das condições de trabalho, que incidem duplamente sobre as trabalhadoras, além do constante ataque aos direitos trabalhistas como um todo, por exemplo, nas tentativas de flexibilização do acesso das mulheres à licença-maternidade. A licença-maternidade pode ser analisado sob a perspectiva das relações de gênero no mundo do trabalho. Como direito constitucional assegurado à mulher, a licença-maternidade está inserida em debates acerca de sua flexibilização ou de sua ampliação, como propõe a discussão de projeto de lei que tramita pelo Congresso Federal com vistas ao aumento do tempo de licença para 180 dias. Assim busca-se a utilização do gênero como categoria de análise acerca do trabalho feminino e de relações provenientes deste como as relações de trabalho, em especial, a licença-maternidade no Brasil.

Práticas Invisíveis: Mulheres e Sindicalismo no Brasil
Amanda André de Mendonça, Camilla Silva Barroso, Luanda de Oliveira Lima, Sheila Oliveira de Castro (UFRJ)

Históricamente as mulheres enfrentam a exclusão em diversas esferas da sociedade e só com muitas mobilizações conquistaram seus direitos.
Grande parte do proletariado brasileiro, desde o início da industrialização, no final do século XIX, era constituído de mulheres trabalhadoras que, de um modo geral, sempre foram alocadas em atividades menos valorizadas e mais mal remuneradas do que os homens, como registra a história do trabalho até os nossos dias. Foram estas
mulheres que em diversos momentos históricos como na greve geral de 1917 onde estiveram presentes como protagonistas, dando o pontapé inicial nas greves nas fábricas do setor têxtil; e nas greves do ABC em fins dos anos 1970. Contudo, elas não aparecem nos noticiários ou são citadas nos documentários e mesmo nos movimentos de esquerda e nos sindicatos lhes são destinados os cargos intermediários.
Embora as mudanças que permitissem que mulher não estivesse restrita apenas a "esfera privada" fossem muito dificeis e custosas, o papel que lhe foi atribuido foi questionado e vem sendo derrubado. Isso se deve, entre outras coisas, à acelerada modernização socioeconômica, desde 1970, no Brasil, que levou milhares de mulheres ao mercado de trabalho, e ao feminismo emergente que passou a pressionar incisivamente por uma redefinição de lugar e do papel da mulher na sociedade.

Pedagogia do Vestir: O guarda-roupa da primeira-dama Darcy Vargas durante a Segunda Guerra Mundial (1942-1945)
Amanda Codolo Andrade e Robson Rocha do Nascimento (UEM)

Neste pôster apresentamos o resultado da pesquisa realizada em nível de Iniciação Científica, a qual teve o objetivo de abordar a trajetória da primeira-dama Darcy Vargas na presidência da Legião Brasileira de Assistência (LBA), sob a perspectiva da moda. Mostramos que o percurso da personagem foi marcado pela criação de um guarda-roupa composto por diversos estilos e formas de uso que informavam a moda e os costumes vigentes no cenário nacional durante a Segunda Guerra Mundial. Além da bibliografia e estudo histórico, nossa fonte de pesquisa é imagética. O guarda-roupa possível de ser obtido por intermédio da análise da indumentária revelada nas fotografias indicou que, no compasso da moda internacional, o tailleur foi presença marcante no look da personagem, bem como em outros trajes e acessórios com que ela comparecia no cotidiano e nos eventos mais ilustres da instituição. A composição do vestuário da personagem era um binômio de simplicidade e elegância, seguindo suas características, com looks preferencialmente de cores únicas e com detalhes em viés e debruns, por exemplo. Assim como seu vestuário, era sempre adornada com acessórios sem exageros, apenas relógio, brincos e aliança, esporadicamente acompanhados de algum outro apetrecho, como um colar ou broches, além de sapatos que não acarretavam qualquer resquício de luxúria.

Sexo em discursos
Amanda Frazão da Silva, Karla Manvailer Enacles, Vanessa Coelho Reis, Luciana Patrícia Zucco (UFRJ)

Este trabalho apresenta os discursos sobre o sexo nas revistas femininas e masculinas. A hipótese norteadora é de que há discursos diferenciados nos magazines, devido ao recorte de gênero. O corpus da pesquisa é composto pelos periódicos ‘Nova’ e ‘Men’s Health’, segundo indicações da análise crítica de discurso (Fairclough, 2001). Foram analisadas 13 capas de cada periódico, de janeiro de 2007 a janeiro de 2008. Um expressivo número de edições possuía nas chamadas principais o descritor ‘sexo’, afirmando-o como indispensável para a vida d@s leitor@s. Percebeu-se uma maior incidência deste descritor na revista ‘Men’s Health’. Atribui-se a isso o fato do magazine dirigir-se a homens direta e objetivamente, visto que sexo é culturalmente considerado ‘coisa de homem’. Os discursos de ‘Men’s Health’ sugerem, ainda, que o leitor deve assegurar o prazer à mulher, para que sua virilidade seja reafirmada e seu prazer maximizado. Os discursos de ‘Nova’, no entanto, tratam o ‘sexo’ através da intertextualidade e interdiscursividade como estratégias para atenuar os efeitos da mensagem. A autonomia sexual é difundida como regra para suas leitoras e o orgasmo se torna uma obrigação a ser ‘sentida’ pelas mulheres, para atingirem o padrão de ‘normalidade sexual’. Se por um lado, ‘Nova’ tenta distanciar se da visão da mulher como ‘gênero oprimido sexualmente’, por outro, reproduz antigos discursos em uma ‘nova roupagem’. Cabe destacar que ambos os magazines apresentam a lógica do sex machine (Catonné, 2001), contudo diferenças existem e situam se entre: ter prazer para conquistar e dar prazer para multiplicá-lo.

Um olhar sobre as minorias de sexualidade: representações da juventude de Florianópolis
Amanda Maurício Pereira Leite (UNEMAT)

Avenida Beira Mar Norte repleta de fantasias, plumas, bandeiras, faixas e trios elétricos que são seguidos por uma multidão de pessoas de diversas faixas etárias e classes sociais, contemplando a gigantesca festa da diversidade de sexualidade. Esse é o cenário onde anualmente ocorre a Parada da Diversidade em Florianópolis, trata-se de uma manifestação de rua que tem como finalidade promover o diálogo entre o Movimento LGBTTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transssexuais e Transgêneros) e a sociedade sobre as questões que envolvem as minorias de sexualidade, visando desconstruir as relações produtoras e reprodutoras de desigualdades socioculturais e violências. Pesquisas realizadas pela Unesco apontam que nas escolas existe alto índice de rejeição a homossexuais por parte de jovens, por outro lado muitos/as deles/as comparecem às Paradas, mas que significado tem esse gesto? Diante disso, compreendemos que investigações sobre o movimento LGBTTT e suas repercussões na Educação são fundamentais para a atualidade, já que o alcance de manifestações como Parada é bastante amplo, dado o número de pessoas participantes como também todo o destaque que vem recebendo da mídia. Portanto, apontamos como questões iniciais para a pesquisa: qual é a representação social do movimento LGBTTT por parte de jovens estudantes que participam da Parada da Diversidade de Florianópolis? Que implicações manifestações como Parada tem na educação da juventude que se faz presente nesse tipo de atividade?

O Desenvolvimento Local da Pesca Artesanal no Nordeste e as Relações Sociais e de Gênero que as Compõem
Amanda Roberta Souza da Silva, Vitória Régia Fernandes Gehlen (UFPE)

Este trabalho faz parte de um projeto de pesquisa desenvolvido em parceria pelos Programas de Pós-Graduação em Extensão Rural e Desenvolvimento Local da UFRPE e o Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFPE, com apoio do CNPq. A relação entre a categoria de gênero e o trabalho da pesca artesanal é perpassada por algumas questões pertinentes que merecem ser destacadas. Cerca de 22% da população brasileira se concentra no espaço litorâneo, e a pesca é uma atividade importante do ponto de vista econômico, social e cultural. O trabalho das mulheres refere-se, principalmente, a captura de mariscos, beneficiamento de produtos e na confecção e reparo de apetrechos de pesca, as mulheres, aos poucos, estão se impondo num setor que é perpassado por uma cultura de preconceitos em relação a elas. Transpor as barreiras do preconceito e da discriminação não é tarefa fácil. Estudos mostram a subordinação e a subvalorização do trabalho das pescadoras nas atividades produtivas e reprodutivas. As atividades das pescadoras envolvem o espaço doméstico, espaço de reprodução, como cuidar dos filhos, da casa, do marido, além de contribuir na atividade de produção, como pescar e plantar para o consumo e sustento da família. Embora as mulheres estejam presentes em todos os níveis e em todas as áreas, o seu papel no setor pesqueiro ainda passa despercebido. Entendemos que a promoção de políticas de pesca sensíveis à igualdade de gênero é um passo essencial para a manutenção da cultura e do modo de vida das comunidades pesqueiras.

DiversidadeS das Comunidades Negras Rurais e das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Estado de Mato Grosso/Brasil
Ana Claudia Martins, Kele Cristina dos Reis, Antônio Eustáquio de Moura (UNEMAT)

No painel que pretendemos apresentar sobre a sociodiversidade existente na região Amazônica, iremos enfocar as Comunidades Negras Rurais existentes no Estado de Mato Grosso, o qual é incluído com os Estados da região Norte na “Amazônia Legal”, Brasil, que é uma área objeto de políticas publicas especificas para a integração econômica, politica e social ao restante do pais. Utilizando como fonte os resultados e materiais (principalmente fotografias) obtidos pelo projeto de pesquisa “História e Memória: Comunidades Negras Rurais do município de Poconé/MT coordenado pelo professor pesquisador Antônio Eustáquio de Moura /Universidade do Estado de Mato Grosso, campus de Cáceres e em outras pesquisas e visitas realizadas pelo mesmo em outros agrupamentos negros rurais em Mato Grosso, pretendemos apresentar a diversidade social, cultural, econômica , política e ambiental existentes nas Comunidades Negras Rurais Matogrossenses e nas comunidades que se autodefiniram como Remanescentes de Quilombos, contrapondo à concepção romantizada e idealizada de homogeneidade dentro de cada um desses grupos de comunidades (dentro delas e entre elas), que é resultante da “invisibilidade” das mesmas, advindas das poucas pesquisas e visitas realizadas nas 94 (noventa e quatro) comunidades matogrossenses, indicadas como sendo negras rurais (MOURA, 2007).

Mulheres X cotas de participação: o feminismo cresceu?
Ana Elisa Ribeiro de Souza Schlickmann, Dalva Marisa Ribas Brum (UNIVALI)

O trabalho desenvolvido consta de uma avaliação da política de cotas em Santa Catarina recuperando a trajetória da luta pelos direitos da mulher travada no parlamento catarinense nos últimos 10 anos, no que se refere ao uso da imagem feminina na campanha e a incorporação da agenda feminista em seus projetos como parlamentares.
Para tanto, realizou-se pesquisa bibliográfica sobre o tema, que trouxe para o debate a história da participação política das mulheres no Brasil, o sufrágio feminino, o movimento de mulheres X temática de gênero e fechando o foco da lente nas mulheres e a política de cotas.
A pesquisa apontou para questões como a importância da participação da mulher na vida pública, a relevância da atenção ás falas no combate a linguagem sexista, o caráter e o teor dos projetos dessas mulheres candidatas e parlamentares e a regulamentação dos direitos das mulheres.
No entanto, notou-se que pouco se avançou no que se refere á superação das dificuldades enfrentadas pelas mulheres na ocupação de espaços políticos.

Cifra oculta da realidade: investigação do perfil sócio-econômico das vítimas que denunciam a violência de gênero na comarca de Criciúma/SC, sob o enfoque da Criminologia Feminista
Ana Paula Camargo Pereira e Jennifer da Silva Rodrigues (UNESC)

As mulheres constituem um grupo vulnerável à violência de gênero, que ocorre, principalmente, nas relações interpessoais e independem da cultura, da etnia, da classe social ou da idade. No entanto, nem todos os casos de violência contra as mulheres chegam ao conhecimento do Poder Judiciário. Muitas mulheres, por fatores como vergonha, medo de se expor ou por ainda temerem a impunidade do agressor, silenciam-se frente às situações de violência. Diante deste cenário, esta pesquisa objetiva identificar o perfil sócio-econômico das vítimas que denunciam a violência de gênero cometida contra a mulher nas relações afetivo/sexuais, por meio da análise dos dados processuais na Comarca de Criciúma/SC, no interregno 2006-2008. Dessa forma, será possível revelar a seletividade do Sistema Penal na investigação deste tipo de criminalização. Para a elaboração deste estudo, foi realizada pesquisa quantitativa em todos os processo judiciais que tramitaram no período relacionado na 1ª Vara Criminal de Criciúma, com catalogação de dados referentes ao perfil sócio-econômico da vítima, como renda, escolaridade e profissão. Posteriormente, estes dados foram lançados em gráficos estatísticos e examinados qualitativamente, a partir do referencial da Criminologia Feminista. Os resultados alcançados apontam que as vítimas que denunciam a violência doméstica/familiar são, em sua maioria, hipossuficiente economicamente, possuindo índices de baixa escolaridade e renda. Verificou-se ainda que um número significativo de mulheres é financeiramente dependente do agressor, exercendo atividades restritas ao espaço doméstico.

Desafios Contemporâneos: o senso comum frente à família homoafetiva
Ana Paula Gonçalves Avante e Maria Ivone Marchi Costa (USC)

No que diz respeito ao âmbito social e civil, a constituição familiar vem sofrendo algumas transformações, o que tem gerado novas estruturas, como, por exemplo, a família homoafetiva. Diante dessa realidade, surge o presente estudo, que objetiva conhecer como o senso comum compreende essa configuração familiar. Foram pesquisadas 13 pessoas do senso comum, que não se autodefinem como homossexuais. A pesquisa, de caráter qualitativo, utilizou-se de entrevista semidirigida e instrumentalizou-se pela questão: “O que você pensa sobre a família homossexual?” O estudo ainda está em andamento, porém resultados preliminares evidenciaram que 38,4% dos entrevistados não concebem a família homoafetiva como família, por terem como referência a união heterossexual. Dentre esses, dois atribuíram a não-aceitação também à lealdade a princípios religiosos. Por outro lado, a grande maioria (61,6%) considera que a família homoafetiva deve ser legitimada, pois o que importa são os laços afetivos e não a configuração familiar. Dessa parcela, um entrevistado justificou tal aceitação com base num olhar religioso ressignificado para a contemporaneidade, já que acredita na necessidade de revisão dos princípios bíblicos cristãos que abominam a união homoafetiva, alegando que a bíblia foi escrita num outro contexto social, político e cultural. Considera que há muita mistura entre o que é vontade de Deus e o que é construção humana. Segundo ele, para haver aceitação da união afetiva é necessário que as instituições se transformem, principalmente as religiosas, que vivem envoltas em dogmas. A pesquisa mostrou que, embora ainda haja resistências, a família homoafetiva, gradativamente, vem ganhando visibilidade e aceitação no ambiente social.

Direito ou dever: um estudo sobre as dimensões da maternidade
Ana Paula Leão Batista Vinhas, Leandro Castro Oltramari (UNISUL)

O presente trabalho refere-se à representação social da maternidade para mulheres que não ficaram com a guarda dos filhos após a separação. Utilizou-se o enfoque da Psicologia Social para compreender as funções de gênero, representações sociais da maternidade e paternidade e entendimento sobre construção e modificações da família contemporânea. Para que estes objetivos fossem alcançados, foram entrevistadas quatro mulheres que durante o processo de separação passaram pelo serviço de Mediação no Fórum da grande Florianópolis entre os anos de 2005, 2006 e 2007. O trabalho foi classificado como pesquisa exploratória de natureza qualitativa e se utilizou a entrevista semi-estruturada para a coleta de dados. Utilizou-se como delineamento desta pesquisa o estudo de caso, visando um aprofundamento do fenômeno a ser pesquisado. Os dados coletados foram analisados a partir de categorias e procurou-se fazer uma relação com o referencial teórico presente. Ao fim desta pesquisa constatou-se que a maternidade para a maioria destas mulheres esteve associada ao ato de alimentar, vestir, educar, ou seja, ao ato de cuidar. Pôde-se constatar também que o julgamento social a que elas estão submetidas por não terem ficado com a guarda dos filhos e por terem sido elas a tomarem a iniciativa da separação e de terem saído de casa, gera sofrimento para as mesmas. Não ter ficado coma guarda dos filhos, representou para estas mulheres uma constatação de que a sociedade as condena e que elas na sua maioria sofrem por terem tomado esta decisão e não podem contar com o apoio familiar.

Mulheres com Deficiência, Feminismo e Políticas de Gênero
Anahí Guedes de Mello; Iara Camargo de Souza Ferreira (UFSC)

O objetivo deste trabalho é discutir a questão das mulheres com deficiência nas pautas dos movimentos feministas e das políticas de gênero (WENDELL, 1996; ASCH, 2001; DINIZ, 2003; ADRIÃO, 2008). O impacto causado pelos estudos culturais e pelas teorias feministas e de gênero também se refletiu nos estudos sobre deficiência, especialmente em relação às discussões teóricas sobre os modelos da deficiência (DINIZ, 2007), e à deficiência como uma condição de vulnerabilidade para a violência de gênero (WILLIAMS, 2003). As mulheres com deficiência têm sido historicamente ignoradas tanto pelos movimentos feministas quanto pelos de direitos humanos das pessoas com deficiência. Embora tanto homens quanto mulheres com deficiência estejam sujeitos a violências e outras formas de exclusão social por motivos derivados de deficiência, estas últimas estão em dupla desvantagem devido a uma complexa combinação de discriminação baseada em gênero e deficiência e, conseqüentemente, enfrentam uma situação peculiar de dupla vulnerabilidade, que acresce de um fator a mais quando atravessamo-la para as perspectivas de raça, etnia, classe, orientação sexual, geração, nação e religião. A metodologia é exploratória e inclui levantamento de dados secundários, pesquisa bibliográfica, análise documental de tratados de direitos humanos e políticas governamentais para a promoção da eqüidade de gênero e entrevistas com mulheres com deficiência integrantes do Coletivo Nacional de Mulheres com Deficiência. Os resultados iniciais apontam a inexistência da perspectiva da deficiência nas políticas de gênero, o que nos convida a novas reflexões político-teóricas do feminismo, propondo a incorporação de demandas da área da deficiência.

Sexualidade e sexualização infantil: uma análise de discurso do filme Mistérios da Carne
Anderson de Carvalho Fujikawa (UEM)

Este trabalho tem por objetivo apresentar algumas reflexões acerca do tema da sexualização infantil, por intermédio da análise do filme Mistérios da Carne (Mysterious Skin, Estados Unidos / Holanda, 2004.). Apoiados nos conceitos de Foucault e Giddens, propomos uma interpretação no sentido de identificar as relações de poder, saber e prazer estabelecidas entre os adultos e as crianças no filme, em torno do sexo e da sexualidade infantil. Com este procedimento metodológico, pretendemos mostrar os discursos produzidos pela sociedade ocidental contemporânea a respeito da construção da sexualidade humana desde a infância, indagando como as situações de abuso são trabalhadas no íntimo do indivíduo. O filme tem direção, montagem e roteiro de Gregg Araki, baseado em livro de Scott Heim.

Características dos agressores denunciados por violência contra a mulher na comarca de Concórdia (SC)
Andessa Gritti e Cláudia Cristine Moro (UnC)

O presente estudo teve por objetivo analisar o perfil dos agressores denunciados por violência contra as mulheres na Delegacia de Concórdia (SC) no período de julho de 2005 a julho de 2007. Trata-se de um estudo quantitativo, com análise documental de trezentos e vinte e seis registros de Termo Circunstanciado e Inquérito Policial. As análises apontam que a grande maioria dos agressores denunciados foram os companheiros ou maridos somando 88% dos casos. O grau de instrução predominante dos agressores denunciados foi ensino fundamental incompleto (52%). Quanto aos horários em que as agressões ocorreram na maioria dos casos (89%) foram entre as 18h00minh às 23h59min. As agressões ocorreram na maioria dos casos no interior da residência da vítima (81% no TC e 72% no IP). As profissões foram categorizadas e mostraram que há um predomínio de agressores que trabalham em atividade autônoma perfazendo 65% dos agressores. De acordo com Ballone (2003) é possível citar como um agravante na violência contra a mulher o uso de álcool. Contribuindo para a ocorrência e perpetuação de alguns comportamentos agressivos do homem dentro da família estão a conivência e, de certa forma, o estímulo por parte da sociedade à exibição de força e agressividade masculinas. O fato de essa agressão ser dirigida à companheira revela, ainda, a discriminação social em relação à mulher, principalmente quando ela está no papel de esposa. (CORTEZ, 2005).

Mulheres em Busca de Assistência no Trabalho de Parto: Opinião de Profissionais de Saúde
Andréa Lorena Santos Silva; Michelle Araújo Moreira; Isa Maria Nunes (UFBA)

A ausência de vagas, carência de profissionais, equipamentos adequados nas instituições, e as dúvidas quanto ao verdadeiro trabalho de parto, tem levado as gestantes a procurarem instituições ao final da gestação. Tal fato pode implicar na peregrinação de mulheres na hora do parto, por várias instituições em busca de assistência. Objetiva-se conhecer a opinião dos profissionais de saúde de maternidades públicas de Salvador sobre a peregrinação das mulheres no momento do parto; descrever a opinião destes sobre os sentimentos expressos pelas mulheres em relação à peregrinação; e levantar estratégias para modificar essa realidade. A pesquisa é qualitativa, exploratória, foram sujeitos os profissionais de saúde que atuam no setor de triagem/admissão das maternidades. Os dados foram coletados através de 30 entrevistas, com auxílio de um gravador e para isso foi utilizado um formulário semi-estruturado. Foi realizada a leitura do material coletado, estes estão sendo organizados para posteriormente serem analisados. Resultados preliminares sugerem que os profissionais de saúde têm um conhecimento superficial a cerca desta problemática, e atribuem à falta de vaga como o principal motivo que levam ao não internamento nos serviços de saúde. É um estudo relevante, uma vez que os resultados obtidos permitirão dar visibilidade ao fenômeno da peregrinação das mulheres e, contribuirá para a adoção de medidas capazes de melhorar a qualidade da assistência obstétrica nesta cidade.

Os usos das imagens de Che: uma análise de gênero dos discursos dos grupos de esquerda armada
Andrei Martin San Pablo Kotchergenko (UFSC)

A intenção do presente pôster é demonstrar em um primeiro exercício de análise os usos que as esquerdas armadas do Cone-Sul fizeram da imagem de Ernesto Che Guevara sob o ponto de vista das relações de gênero, ou seja, ressaltando os valores e discursos de masculinidades que essas imagens traziam consigo. As imagens foram analisadas juntamente com outros discursos de conteúdo de gênero produzidos pelas organizações de esquerda armada, especialmente no que se trata à conduta que se esperava dos guerrilheiros e guerrilheiras. A análise foi realizada através de uma série de comparações entre os conteúdos contidos em periódicos e folhetos de três organizações que atuaram no Cone-Sul: o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), no Brasil, o Ejército Revolucionario del Pueblo (ERP), na Argentina e o MLN - Tupamaros, no Uruguai. Com tais comparações constatei que a imagem de Che era carregada de conteúdos e significados masculinos e masculinizantes, que valorizavam determinados tipos de conduta e ao mesmo tempo rechaçando outros. Nota-se que as imagens de Che Guevara aparecem como um mecanismo de legitimação, tanto para as conjunturas dos acontecimentos tratados, quanto para validação de uma determinada idéia, expressadas nos jornais ou movimentos. Ao mesmo tempo em que acabou influenciando as pessoas para que aceitassem e se mobilizassem com o movimento, como uma espécie de chamado ao povo. Da mesma forma aconteceu com suas frases, que de tanto uso e importância para a reflexão e efeito das idéias dos movimentos, se tornaram uma forma de legitimação e impacto social.

Representação feminina no brasil colonial: uma leitura de os rios turvos, de Luzilá Gonçalves Ferreira
Andrieli Basniak Lopes dos Santos (UNICENTRO)

Neste artigo apresento um estudo sobre o romance, “Os Rios Turvos” (1993), de Luzilá Gonçalves Ferreira, a autora aborda a temática feminina, na tentativa de reescrever a trajetória da escrita feminina, que vem possibilitando (re) discutir temas como a sexualidade. Ferreira segue o modelo do novo romance histórico, o qual foi proposto por Menton, onde uma nova leitura do passado oficial é apresentada. Diante do desejo de negar a historiografia oficial, reinventa-la e modifica-la, procura-se apresentar uma nova visão daquela história oficial que nos foi apresentada, desta vez com a participação da mulher na história da formação do Brasil. Podemos enfatizar que o romance histórico está acenando para um novo enfoque da literatura escrita por mulheres, pois, nestas obras pode-se perceber o abandono do ponto de vista meramente intimista, que mantinha o olhar totalmente voltado para o particular, uma vez uma vez que a ficção histórica produzida por mulheres aponta um novo viés literário, que direciona o olhar para o mundo exterior e político.

Crianças, violência e relações de gênero: a infância nas páginas policiais do jornal Diário Catarinense (Santa Catarina, 1980)
Anelise Rodrigues Machado de Araújo (UDESC)

O discurso jornalístico tem sido constantemente utilizado na escrita da História. O jornal Diário Catarinense, lançado em maio de 1986, tornou-se o periódico de maior circulação do estado de Santa Catarina no decorrer da década seguinte. Já em suas primeiras edições, nota-se a presença de um significativo número de notícias sobre crianças de grupos sociais distintos. A crescente atenção delegada à infância por parte da mídia impressa está associada a dois fatores: ao declínio da representação social das mulheres como seres frágeis no contexto de consolidação dos discursos do Movimento Feminista no Brasil e a difusão da noção de infância burguesa. Este estudo busca analisar o discurso presente nas páginas policiais do jornal Diário Catarinense, no final da década de 1980, acerca do universo infanto-juvenil. Este discurso, paulatinamente, rompe com uma visão dualista acerca da infância, centrando seu foco na vitimização, sobretudo, das meninas.

Mulheres na Câmara Alta: uma análise do perfil socioocupacional das senadoras na Nova República (1987-2007)
Angel Miríade de Souza, María Alejandra Nicolás (UFPR)

O presente trabalho tem como objetivo traçar o perfil das mulheres que ocuparam o Senado Federal do Brasil na Nova República. Para tanto, foi construída uma base de dados abrangendo aspectos socioocupacionais – tais como: estado civil, ocupação dos pais, escolaridade, atividades profissionais, trajetória política, filiação partidária, participação em instituições sociais e culturais, idade ao entrar no Senado, participação em comissões, dentre outros – das senadoras que ocuparam o cargo entre 1987-2007. O recorte temporal se deve ao fato de que na 48º legislatura (iniciada em 1987) ocorreu a Assembléia Nacional Constituinte visando a elaboração da nova carta constitucional, a qual sela o fim de um período ditatorial e o início de um novo cenário político democrático. Escolhemos estudar a participação feminina na Câmara Alta Brasileira, por esta ser a instituição legislativa mais exclusiva, primeiro pelo número de membros (três para cada unidade federativa); depois pela idade mínima exigida para entrada na instituição (pareada com aquela exigida para concorrer ao cargo de Presidente da República, de 35 anos), remetendo, dessa maneira, a um tempo maior de experiência profissional prévia. Somada a estas barreiras concernentes a todos os candidatos a essa casa legislativa, acreditamos que as mulheres possuem um perfil diferenciado daquele apresentado pelos homens, pois elas têm de superar um segundo obstáculo, qual seja: aquele concernente ao próprio ambiente político brasileiro tradicionalmente masculino. Nossas fontes são os dados biográficos divulgados pelo Senado Federal (e por quaisquer outras instituições públicas ocupadas) e o Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro da Fundação Getúlio Vargas.

O “caso Negão”: reconfigurações pentecostais no espaço público
Angélica Ferrarez de Almeida (UERJ)

Provetá esta situada na Ilha Grande, Rio de Janeiro. E tem no isolamento uma das estratégias que lhe permite ser reconhecidamente uma comunidade evangélica. Ali, o Estado se faz presente através do filtro da igreja, cria uma rede de privilégios para seus membros, deixando de fora da sua irmandade muitos dos “afastados”. Considerando como “afastados” aqueles indivíduos, na sua maioria homens, que não tem passagem pela igreja, me deterei em um personagem específico, Negão.
Estigmatizado na comunidade por ser negro, não evangélico, de “fora”, expressão referente a quem não nasceu no local, e com hábitos considerados mundanos. Negão tem em seu histórico o lixão de Gramacho, Duque de Caxias, Rio de janeiro, uma passagem pela FUNABEM e a fuga para Provetá, onde vive há pelo menos 35 anos em constante negociação com os evangélicos.
Estando a margem da rede de proteção da igreja, as autoridades religiosas locais, sem provas, o acusaram de um delito. Preso, interrogado e inocentado, Negão volta pra vila e pra vida normal. Ele sabe que sua permanência ali é negociada diariamente e as elites religiosas sabem em quem vão por a culpa dos delitos. A presente comunicação, através de um estudo de caso, a prisão do Negão, busca analisar a influência da ação pentecostal nas relações no espaço público de Provetá, privilegiando uma perspectiva que tange a exclusão social e o racismo.

Adolescentes-Mães da MDV - Maternidade Darcy Vargas – Joinville/SC : situações de exclusão e vulnerabilidade social
Ania Tamilis da Silva (UFSC)

Este trabalho objetiva repensar o descaso e morosidade na efetivação de políticas públicas voltadas para o atendimento Pré e Peri-natal de adolescentes gestantes e adolescentes-mães. Trago para reflexão quatro casos diferentes de adolescentes-mães que estiveram internadas na MDV, e que demandaram ao Serviço Social da instituição ações resolutivas e encaminhamentos para outros órgãos, com a finalidade de garantir acompanhamento e proteção a estas adolescentes e seus bebês. O repasse de informações é feito numa ótica de trabalho multiprofissional, e os órgãos da rede são: Conselho Tutelar, Fórum (Serviço Social Forense), Postos de Saúde, Secretaria de Bem-Estar Social, e outros, sempre demandando práticas que preservem a integridade física, psicológica e social. Enquanto estagiária deste setor, pude observar as diferentes percepções sobre a maternidade na adolescência, entendida como fenômeno socialmente constituído, especialmente para aquelas adolescentes em situação de risco social e pessoal. Foram observados casos de dependência química, desamparo da família, descaso da rede de apoio social, violência sexual, depressão, imaturidade, falta de documentos, pobreza, abandono dos estudos, dentre outros fatores. A idéia é enfatizar que o apoio social e familiar contribui para uma experiência mais positiva da maternidade e, em especial para as mães adolescentes, em função das particularidades desta fase de desenvolvimento. Porém, deve-se trabalhar a prevenção da gravidez precoce, o retorno aos estudos, a exclusão e vulnerabilidade social, enfim, objetivar a elaboração de políticas públicas efetivas direcionadas a essa população.

Mulher e Futebol: essa relação dá jogo?
Anna Barbara Cardoso da Silva e Martha Regina Freitas (UFPA)

Os estudos sobre a ótica de gênero pautam-se nas relações sociais entre homens e mulheres, e não um ou outro isoladamente. É através da perspectiva de abordar o futebol como categoria para se estudar as relações e diferenciações sociais de gênero que este estudo se pautou. A presença das mulheres no meio futebolístico ganhou visibilidade e dimensões diferentes, nas últimas décadas. Diante disso, o trabalho pautou-se em estudar a presença das mulheres no mundo futebolístico, que é tradicionalmente considerado como um esporte de afirmação da masculinidade, embora não seja exclusivamente masculina. Tendo como objetivos: a) verificar como se dá, em Belém, a participação das mulheres nos estádios de futebol; b) investigar as razões apresentadas pelas mulheres para sua ida aos estádios; verificar se as mulheres ainda sofrem algum tipo de preconceito por quem freqüenta os estádios, e a forma como este se apresenta ou se atualiza. O procedimento metodológico consistiu em pesquisa bibliográfica obre gênero, espaço público e Privado, lazer e futebol, contou ainda com trabalho de campo. Através dos resultados, verificou-se que não há uma separação determinante que indique que nos estádio de futebol há ambientes de homens e de mulheres; pelo contrário, nesses espaços ambos se “misturam”, seja nas arquibancadas, como torcedoras, ou como profissionais da área. De forma profissional ou não, elas demonstram interesse e entendimento em relação ao esporte. O futebol para elas é mais do que um passatempo, e sim uma realização pessoal, dessa forma verificou-se que mulher e futebol “dá jogo”, sim.

A ascensão do discurso “psi” na Revista Pais e Filhos NAS décadas de 1960 e 1970
Anna Paula Zanine Koslinski (UFPR)

A produção do saber médico especializado em criança fez-se acompanhar de uma literatura de aconselhamento às mães desde o final do século XIX, nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, enquanto que na América Latina essas publicações surgiram nas décadas de 1920 e 1930. Nesse primeiro momento, a ênfase era a saúde física da criança e o combate à mortalidade infantil. Nos Estados Unidos a psicologia só passou a interessar os especialistas nos anos 1920, quando o Departamento da Criança norte-americano realizou um trabalho de revisão das publicações de psicologia até então produzidas. Quem brilhou nesta nova fase da história dos manuais de puericultura foi o Dr. Benjamin Spock, médico pediatra mundialmente famoso. No Brasil, este fenômeno ocorreu, posteriormente, uma vez que a institucionalização dos saberes “psi” foi notavelmente tardia se comparada com os países europeus e os Estados Unidos. O manual brasileiro de aconselhamento mais conhecido que faz menção aos conhecimentos da psicologia é “A vida do bebê”, do pediatra Rinaldo de Lamare. Nas décadas posteriores, particularmente as décadas de 1960 e 1970, as publicações e revistas especializadas, como é o caso da Revista Pais e Filhos, deram cada vez mais dar importância à psicologia em cuidados com crianças. Desse modo, o objetivo principal de nossa pesquisa é analisar o discurso “psi” presente no contexto da Revista Pais e Filhos durante as décadas de 1960 e 1970.

O grupo de dança-fro Euwá-Dandaras: uma possibilidade de resgate da auto-estima e da identidade da mulher negra
Ariane Paz, Marta íris Camargo Messias, Paulo Roberto Cardoso da Silveira (UFSM)

Este trabalho relata a minha experiência como integrante do grupo de dança-afro Euwà-Dandaras , grupo este com uma trajetória de dez anos de trabalho que visam resgatar através da dança, a cultura afro-brasileira. Atualmente o grupo apresenta composição heterogênea, faixa etária de 12 a 36 anos, tri-campeão de dança-afro do RS, campeão da 13ª edição do Santa Maria em dança 2007 nas categorias étnica e folclórica e que realiza suas atividades no MCTM . Meu interesse em aprender dança-afro estava relacionada, no primeiro momento, a ampliar minhas experiências corporais como acadêmica de Educação Física a também por admirar o trabalho que vinha sendo desenvolvido por estes jovens negros no município. Tenho apenas um ano como bailarina e neste tempo consegui perceber, como mulher e negra, que estas atividades nos proporcionam muito mais do que uma vivência corporal prazerosa, ela nos proporciona conhecermos a verdadeira história de nossos ancestrais, nos fazem viajar no tempo e descobrimos os valores injustos e desiguais que assolam a sociedade brasileira e que submetem os negros à invisibilidade social. A dança-afro tem me proporcionado a cada dia uma nova descoberta sobre quem eu sou e qual minha verdadeira identidade. E acima de tudo qual o meu papel enquanto futura profissional de educação física para com esta sociedade, que na escola nos ensina que não somos bonitos, que nosso cabelo é ruim, diminuindo nossa auto-estima, pois nossa cultura não é valorizada e, portanto, temos que negar nossas origens e buscar enquadrar-se nos padrões estéticos dominantes.

Corpo, violência e poder – tensões da poesia erótica de Bocage
Artur de Vargas Giorgi (UFSC)

Georges Bataille, em A santidade, o erotismo e a solidão (2004), ao apresentar uma teorização acerca do lugar do erotismo, oferece, também, uma tensão para leitura da poesia erótica de Bocage. Nesse sentido, os poemas eróticos desse poeta português da segunda metade do século XVIII articulam-se não como manifestação de mera libertinagem e descaramento, nem configuram um triste retrato da vida “desregrada” do autor, mas se armam como potência transgressora, como busca pela liberdade individual e pelo fim da hipocrisia dos costumes, a partir do que é comum a homens e mulheres, em todos os tempos, mas que, paradoxalmente, só pode ser vivido em solidão e silêncio – o erotismo como pulsão de vida. A violência das leis absolutistas e da dura moral cristã (violência que obsedava a sociedade portuguesa, a despeito das idéias iluministas que afloravam na Europa, sobretudo na França) choca-se contra o poder transgressor do discurso do interdito (o chulo, o descarado, o escatológico). Na poesia, os corpos – do homem, da mulher, do próprio poema – são, portanto, tocados em sua intimidade, e as relações sexuais, trazidas a público, deixam de significar apenas o tabu, o intransigente, o que deveria ser peremptoriamente censurado; tornam-se dotadas de um caráter destrutivo (benjaminiano), próprias a um período de grandes transformações. A poesia erótica de Bocage a ser lida, enfim, pelo que ela tem de moderna: a denúncia da inadaptação do poeta frente às contradições de um mundo desconcertado

Dicotomias entre participação e representação política de gênero
Attiliana De Bona Casagrande (UNIOESTE)

Este trabalho apresenta-se como recorte de um projeto de iniciação científica sobre os Conselhos Municipais das cidades de Toledo, Cascavel e São José das Palmeiras/PR, desenvolvida e vinculada ao Grupo de Pesquisa em democracia e Desenvolvimento da UNIOESTE. Verificando os dados obtidos nessa pesquisa – em um banco de dados próprio – observou-se que existem mais mulheres do que homens ocupando o cargo de conselheiro. A partir deste dado coletado, indaga-se sobre o porquê da ampla participação das mulheres em esferas públicas extraparlamentares, e ao mesmo tempo, uma enorme defasagem de sua presença no parlamento, ou seja, em processos políticos formais? Uma questão paradoxal sobre participação/representação e desigualdade sexual. Para instigar a reflexão sobre a acentuada participação de mulheres nesses conselhos analisados, usamos como aspectos para formulação das hipóteses, os níveis de escolaridade, as áreas de atuação dos conselhos relacionadas às funções – ou profissões – executadas por homens e, mulheres e ainda sobre a inserção das mulheres no mercado de trabalho. Já na reflexão sobre representação parlamentar feminina, recorremos à história de gênero, sendo os aspectos mais relevantes, a construção da identidade desses atores sociais, os papéis sociais instituídos historicamente para cada um dos grupos (homens e mulheres), bem como, a configuração e ainda, a reconfiguração das relações estabelecidas nos espaços públicos e privadas. Nesse sentido, o objetivo do presente trabalho é fazer as correlações necessárias para a reflexão da dicotomia referente à relação participação/representação feminina que será aqui apresentado sob forma de pôster.

Entre silêncios: a análise de registros dos casos ce violência sexual contra mulheres no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia
Flávia do Bonsucesso Teixeira, Alexwell Rodrigues Campos, Aline Reis, Bruno Ferreira Gonçalves, Gabriella Costa e Silva, Heitor Paes Rezende, João Paulo Martins Campos, Karla Carlos Freitas Barbosa e Marcelo Bernardes da Silveira (UFU/UNICAMP)

Este trabalho é resultante da pesquisa realizada nos prontuários das usuárias atendidas no HC/UFU no período de novembro de 2003 a novembro de 2007. O recorte temporal obedeceu ao critério da implantação da notificação compulsória para violência através da Lei No 10.778, de 24 de novembro de 2003 que estabeleceu a notificação compulsória, no território nacional, dos atendimentos de violência contra a mulher realizados em serviços de saúde públicos ou privados. Teve como objetivo observar o cumprimento da Norma Técnica de Prevenção de Tratamento dos Agravos resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes, perscrutando a tensão entre os discursos normativos, os discursos técnicos -que informam sobre a atuação profissional- e as respostas oferecidas para o enfrentamento desta problemática no contexto da emergência/urgência. Nessa pesquisa trabalhamos com um universo composto por 89 prontuários. As análises dos dados mostram que o pronto socorro é a principal porta de entrada e nos casos de violência sexual, os encaminhamentos são para o serviço de ginecologia. Diferentemente dos “silêncios” identificados nos prontuários, os procedimentos compreendidos como específicos desta área foram realizados e registrados em consonância com o que está estabelecido pela Norma Técnica. Compreendemos que na maioria dos casos, a violência sexual não foi considerada como uma questão de saúde, o problema identificado foi reduzido à queixa ginecológica e assim tratado. Essa preocupação centrada na assistência pode ser compreendida como reflexo de uma formação baseada na especialização do conhecimento e a pulverização do sujeito, e principalmente no silenciamento da violência contra mulher.

Investigando os discursos de gênero a partir de análises em portfolios reflexivos
Benícia Oliveira da Silva (FURG)

Este trabalho visa investigar os discursos de gênero presentes nos portfolios reflexivos dos/as profissionais da educação participantes do Projeto Corpos, Gêneros e Sexualidades: questões possíveis para o currículo escolar. Neste projeto o portfolio foi proposto como uma ferramenta de registros, no qual, os/as profissionais apontaram experiências relacionadas às temáticas propostas através de relatos, desenhos e outros artefatos. As questões de gênero aqui discutidas são consideradas representações culturalmente e sócio-históricamente construídas, a partir das quais as identidades de gênero são produzidas/estabelecidas. Analisando os portfolios percebemos que os registros – atividades, desenhos, reflexões – estavam centrados nas temáticas de gênero, talvez, porque esses/as profissionais tenham mais facilidade em trabalhar essas temáticas do que as que envolvem a sexualidade. Nos desenhos e nas redações das crianças pode-se perceber a efetivação da supremacia masculina e dos esteriótipos de gênero, visto que, os pais gostam de filmes de ação, possuem uma profissão podendo apenas brincar aos fins de semana com os/as filhos/as. As mães são donas de casa, levam e buscam na escola e adoram filmes românticos. Os meninos podem jogar bola, brincar de carrinho, vestir azul e as meninas podem brincar de bonecas, usar pulseira e vestir rosa. Essas demarcações ocorrem desde o nascimento, as crianças são ensinadas a serem meninas e meninos. A partir destas análises fica evidente a necessidade de problematizarmos as representações de gênero, buscando diminuir a distância entre os gêneros femininos e masculinos, nesse sentido, a escola passa a ter um importante papel, uma vez que participa ativamente da produção das identidades.

O feminino nas letras de música infanto-juvenil
Bianca de Azevedo Lima, Luciana Patrícia Zucco (UFRJ)

Este trabalho aborda os discursos de gênero encontrados em letras de música infanto-juvenil. A mídia é um dos principais instrumentos de produção de subjetividade a serviço de interesses dominantes segundo Guatarri. Esta exerce poder capilarmente e encontra o nível dos indivíduos; atinge seus corpos, seus discursos e sua vida cotidiana, contribuindo para a produção de subjetividade em crianças e adolescentes. O estudo tem como abordagem a pesquisa qualitativa na modalidade de análise do discurso. Foram escolhidas duas letras de música do grupo Paquitas, devido à nitidez com que apresentam as relações de gênero. Os resultados indicam que o ‘ficar’ classifica o feminino em ‘sem valor’ e ‘com valor’. No primeiro caso, as adolescentes apresentariam vários parceiros, o que sugeriria a ausência de sentimentos. No segundo, as meninas se relacionariam com os adolescentes pelo afeto. Esta é uma das várias dicotomias encontradas nas letras, que dificultam aos ouvintes perceber o mundo de outras formas. O ficar se refere a uma prática comum entre adolescentes, que inclui beijos e carícia, remetendo a uma questão corporal. A experiência corporal faz parte dos processos sócio-históricos de construção de significados e, no caso destas músicas, o ´ficar´ em demasia diminuiria o valor das meninas. O corpo não é apenas um texto da cultura, é também, como sustentam Bourdieu e Foucault, um lugar prático direto de controle social. A problematização das operações binárias possibilita desconstruir a lógica dos sistemas tradicionais de pensamento, que se faz necessário para superação do caráter fixo de discursos ancorados na diferença sexual.

O submundo dos profissionais do sexo
Bianca Maria Eleutério de Moraes, Nayara Correa de Andrade (UFMS)

O profundo estudo da Exploração Sexual associada ao turismo sexual constitui tarefa diretamente associada a um vasto ramo de fatores que se interpõem como desafios a serem superados. Há de se analisar a diversidade das condições sócio-econômicas e culturais, as modalidades variadas no exercício da profissão, a dimensão continental do País, bem como as cidades associadas, seu nível populacional, recepção turística e desenvolvimento econômico-social.
Geralmente o fator econômico é o maior responsável pelo ingresso na prostituição, sendo seguido pelo fim das relações conjugais e pelo abandono familiar associados à dificuldade de entrada no mercado de trabalho e o difícil sustento da família. A maior parte das mulheres que ingressam na prostituição acreditam que seja uma atividade de curta duração. Fazemos menção inclusive ao popular turismo sexual e ao tráfico de mulheres, sendo o Brasil um dos maiores exportadores de mulheres pra o mundo todo.
Há também o fator da baixa escolaridade associada à visão deslumbrada dos benefícios financeiros possivelmente proporcionados pela exploração do corpo de maneira violenta desregrada, e de certa forma amoral. Outro fator interferente é o crescimento econômico e social rápido e mal planejado das cidades que proporciona maior facilidade do aumento da exploração sexual.
A violência física também é presença constante e marcante na vida dos profissionais do sexo, ela fica explicita nas relações com clientes, cafetões e policiais.
Portanto o estudo deve-se basear nos fatores de inclusão assim como as oportunidades oferecidas e a visão social, econômica e cultural desse tipo de profissão no país.

Xingamentos femininos na adolescência: entre a sexualidade, o corpo e a "alma feminina"
Bruna Bukowitz, Elisa Coelho, Valeska Zanello (IESB)

Trabalho realizado com adolescentes de diferentes classes sociais no Distrito Federal, objetivando levantar os xingamentos atribuídos às mulheres, pelas mulheres. Foram aplicados questionários em estudantes do 3º ano do Ensino Médio: 57 alunas de escola privada e 42 de escola pública. Os xingamentos passaram por uma análise de conteúdo. Encontrou-se como resultado: na escola pública, primeiramente xingamentos relacionados ao comportamento sexual (81%), seguidos de traços de caráter (6,33%) e de atributos físicos (5,4%); na escola particular, também em primeiro, os relacionados ao comportamento sexual (62,7%), seguidos de atributos físicos (17,77%) e depois de traços de caráter (11,41%). Em ambas as escolas, os xingamentos relacionados a atributos intelectuais apresentaram a menor expressividade (2,42% na pública e 4,24% na particular), evidenciando que, apesar das mudanças sociais, da emancipação das mulheres, esse traço ainda é pouco valorizado, ainda que essas estudantes estejam em pleno processo de preparação para a entrada no mercado de trabalho. Considerando-se os resultados, pode-se perceber que o uso de xingamentos aponta para aspectos prescritos na nossa cultura para o comportamento da mulher (em ambos os grupos, o comportamento sexual passivo) e que há uma diferença, nos outros aspectos, quanto à imbricação entre aquilo que é considerado como mais ofensivo e os valores sociais (ainda patriarcais e com marcas das relações de gênero) de diferentes classes sociais.

O Brinquedo artesanal e os valores do trabalho produtivo na educação física escolar: o preconceito velado nas relações de gênero
Bruna Tatiana Takaki Corrêa (UEM)

O interesse em investigar as relações de gênero, surgiu da necessidade de ampliar a compreensão acerca da determinação dos valores capitalistas na realidade escolar, voltada à prática pedagógica da educação física. Trabalhar com o tema, discriminação de gênero, tendo como meio o brinquedo artesanal é possível suscitar muitas reflexões e questionamentos, e assim tentar desmistificar idéias preconceituosas, impostas historicamente pelos valores produtivos do capitalismo que divide os papéis sociais em feminino (inferior, pois produz menos valor) e masculinos (superior, pois produz mais valores), apresentando uma lógica que nenhum outro brinquedo industrial pretende mostrar, entendendo que os industriais não oferecem o desenvolvimento da criticidade da criança. O brinquedo artesanal, caracterizado por ser “improdutivo” (termo trás relação indireta com o trabalho produtivo e improdutivo – Capitulo VI inédito de Karl Marx), é construído a partir de uma perspectiva crítica com o propósito de negar a lógica mercadológica da individualidade, velocidade e competição, estimulando reflexões sobre a realidade social vivida. Através do seu caráter improdutivo, este propõe trabalhar nas aulas de educação física a problemática da discriminação de gênero e da sexualidade desmistificando valores historicamente construídos, por meio de reflexões, questionar as relações de gênero, podendo desta forma entender e responder as inquietações já existentes. Por fim, o interesse em utilizar o brinquedo como experiência de intervenção pedagógica, seria possibilitar por meio deste, reflexões sobre os valores de gênero e a lógica do sistema em que estamos inseridos, buscando com isso transformações da realidade vivida.

Representações de gênero na Revista Nova/Cosmopolitan – a sociedade brasileira nos anos de 2004 a 2006
Caio Augusto Carvalho Alves – UNESP/Campus Marília (UNESP)

A revista Nova, da Rede Cosmopolitan que faz parte da Editora Abril, tem seu início em setembro do ano de 1973. Ao contexto de sua criação podemos incluir a transformação no cotidiano que a revolução sexual trouxe, atrelada à necessidade de dar luz a temas como as relações de gêneros. O objetivo desta análise focaliza a concepção dos indivíduos e grupos a cerca da relação entre os gêneros. Desta forma, analisaremos as representações de gênero divulgadas nestas revistas publicadas durante o período entre os anos de 2004 a 2006. Para tanto, se faz necessária a observação do discurso contido nos textos, nas imagens e nos recortes presentes no periódico. Esta investigação nos possibilita, além das muitas possíveis, a reflexão sobre o papel das revistas femininas na sociedade contemporânea, já que hoje, esta compõe o grupo dos periódicos mais vendidos no Brasil. Atingindo um grande público, tanto feminino quanto masculino, a revista Nova forma opiniões e contribui de certa forma para a criação de normas de condutas e, por tratar principalmente do tema mulher, influencia diretamente nas relações entre os distintos gêneros e na formação das representações destes por parte de sua recepção. Podemos analisar também as transformações da estrutura e do discurso da revista, pois com a análise de diferentes edições (contidas no período de três anos) transformações culturais ficam mais evidentes, sendo que estas são refletidas diretamente pelas representações presentes na revista, que deve, de um modo geral, se adequar aos interesses de seus consumidores.

Entre silêncios e denúncias: o caso da prostituição feminina infanto-juvenil (Florianópolis, 1980-2005)
Camila Serafim Daminelli e Giovana Moraes Suzin (UDESC)

Entre as atividades laborais consideradas ilegais e ilegítimas desempenhadas por menores do sexo feminino no Brasil, nas últimas três décadas do século XX, destaca-se a prostituição. Nessa pesquisa, tendo em vista a História Oral, procuramos traçar um perfil sócio-cultural de meninas e jovens que trabalharam na prostituição no município de Florianópolis. Buscamos compreender, sobretudo, por que estas pessoas ingressaram nesse ramo de trabalho, o dia-a-dia da “profissão” e as questões que envolvem a escolarização. As condições de pobreza da família, assim como a violência doméstica e/ou sexual a que foram submetidas levou grande parte dessa população a desempenhar tal labor. Para as mesmas, a exposição de seu corpo infanto-juvenil possibilitou a aquisição dos bens de consumo necessários para a sobrevivência e de recursos financeiros. O atribulado cotidiano do trabalho e a gravidez na adolescência impossibilitaram que estas freqüentassem os bancos escolares. Esta realidade foi, em parte, modificada a partir do ingresso nos programas sociais.

A percepção das travestis que (re)inventaram o corpo acerca do envelhecimento
Carlos Alberto Porcino (Faculdade Dom Pedro II)

O presente trabalho apresenta uma análise qualitativa sobre como as travestis que (re)inventaram o corpo na cidade de Salvador percebem e refletem o processo de envelhecimento. Com intuito de maior entendimento acerca da temática buscou-se junto às travestis significações atribuídos aos fenômenos vivenciados por estes atores sociais, a partir do referencial teórico de alguns atores como Papaléo Neto, Benedetti e Carvalho Filho. Como método utilizado para aprofundamento destas informações buscou-se a análise de conteúdo com o intuito de analisar, sobretudo, as formas de comunicação verbal, escritas e não escritas, que se desenvolveram entre as travestis entrevistadas. Foram entrevistadas 05 travestis, as quais foi aplicada uma entrevista semi-estruturada, além da observação participante. Diante da análise dos dados, verificou-se omissão por parte de algumas travestis em falarem sobre o processo de envelhecimento, e outras que mencionaram que o envelhecimento somente é visto percebido em amigas e/ou conhecidas. Foi percebido também os cuidados utilizados voltados para a manutenção do corpo (re)inventado e não com a prevenção quanto ao processo de envelhecimento. As conclusões apontam que o processo de envelhecimento vivido pelas travestis é caracterizado de forma diferente, pois isso depende de pessoa para pessoa.

Etnografia de uma maternidade: diferenças culturais e experiências de parto
Carmen Susana Tornquist, Carolina Shimomura Spinelli, Cristian Pedro Rubini Dutra (UDESC)

A hospitalização do parto e a medicalização da vida e da saúde estão relacionados ao que Michel Foucault chamou de bio-poder, e envolve diretamente a questão da sexualidade e da reprodução. Este autor também chama atenção para a organização da clínica médica, bastante hierárquica e marcada por relações de poder, nas quais os usuários/as são reduzidos ao seu aspecto orgânico e bio-fisico, apesar de iniciativas que visam modificar a assistência. O Hospital Regional Dr. Homero de Miranda Gomes (São José/SC), universo de nossa pesquisa, mantém uma Maternidade que é considerada referência para muitos municípios da Grande Florianópolis, motivo pelo qual muitas mulheres, de diferentes grupos sociais, buscam seus serviços, tanto no momento do parto quanto em função da gestação e complicações dela decorrentes. Esta pesquisa realizada de agosto de 2006 a junho de 2007, de cunho qualitativo, procurou caracterizar quem são estas usuárias, como vivenciam sua estada no Hospital e quem escolhem para acompanhá-las no processo do parto. A metodologia utilizada foi a observação participante, realizada nos setores de Triagem, Centro Obstétrico, Alojamento Conjunto, UTI Neonatal, Internação Obstétrica-Ginecológica. Pudemos perceber que a possibilidade de levar acompanhante para a maternidade encontra clara receptividade entre as usuárias, mesmo entre aquelas que preferem dar à luz sozinhas. De outro lado, a valorização da infância e a antecipação na noção de Pessoa para o bebê que nasce são observadas também neste contexto, marcado pela forte presença de classes populares

Questões de gênero na atenção à aids em Pelotas
Carolina Peres Terra; Fernando Seffner (UFRGS)

Questões de gênero na atenção à aids em Pelotas
Resumo: Realizando um estudo de campo no município de Pelotas/RS, dentro do Projeto Respostas Religiosas ao HIV/Aids no Brasil, coordenada pela ABIA - Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids, pudemos levantar algumas questões a respeito das relações de gênero na luta contra a epidemia. No município, é visível a predominância de mulheres nas ações voltadas à aids, como promotoras e como usuárias dos serviços; disso segue-se que há uma baixa freqüência de homens, principalmente heterossexuais, envolvidos nessas ações. Entrevistamos agentes das quatro ONGs aids existentes na cidade (três das quais são dirigidas por mulheres) e do Programa Municipal de DST/aids (que, em dez anos, foi coordenado por um homem apenas uma vez). Dentre os usuários dos serviços oferecidos - como grupo de adesão, oficinas, projetos -, as mulheres constituem a maioria. Grande parte das ações promovidas tem um desenho que termina por voltar-se à população feminina, como oficinas de artesanato, e projetos de empoderamento da mulher, mesmo que, em tratamento com antiretroviral, existam mais homens do que mulheres na cidade. A partir da tradição de cuidado (de si e do outro) como campo feminino e do descompasso entre os números da epidemia e a representatividade dos setores nas ações promovidas em Pelotas/RS, o presente trabalho propõe-se a analisar essa predominância de mulheres envolvidas no combate à aids; quais suas conseqüências; como o campo de ações voltadas para epidemia se constrói como um universo feminino, no qual há algumas inserções masculinas, em sua maioria, homossexuais.

As distinções de gênero em um programa de promoção de saúde na gestão do lazer em Porto Alegre
Caroline Canabarro de Oliveira (UFRGS)

O presente estudo objetiva verificar o impacto social, para homens e mulheres, das políticas de promoção da saúde na gestão do lazer na cidade de Porto Alegre. Para tanto analisa o “Programa Lazer e Saúde”, promovido pela Secretaria Municipal de Esportes, Recreação e Lazer desde 1991. Consistindo, basicamente, na orientação de caminhadas, corridas e ciclismo, contemplando também o controle de pressão arterial e freqüência cardíaca em 12 parques e praças públicas. Optamos por trabalhar com o recorte de gênero para analisarmos tanto a constituição do público-alvo das políticas de saúde na gestão do lazer, bem como o modo como esse mesmo público-alvo adere (ou recusa) a tais políticas em seu cotidiano. Tal escolha justifica-se porque na literatura específica de programas de promoção da atividade física tem sido destacado que o índice de sedentarismo tem sido muito mais alto entre as mulheres, o que demandaria estratégias de intervenção voltadas para o público feminino. De acordo com dados levantados no Brasil em 1998 pelo CELAFISCS, entidade responsável pela coordenação de um dos programas de promoção da saúde mais destacados do país, o Agita São Paulo, “70% dos sedentários de todo o país são mulheres, tendência esta que tem levado a considerar internacionalmente a mulher como um grupo de risco”. Tal número acaba posicionando as mulheres em uma condição de vulnerabilidade o que, sem dúvida merece ser investigado na medida em que a posiciona de forma bastante distinta, se relacionada aos homens em programas direcionados para a promoção de saúde.

Gênero e geração: construindo um debate sobre representações do feminino entre mulheres assentadas
Caroline de Deus Silva, Monica Aparecida Del Rio Benevenuto (UFRRJ)

Este artigo analisa dados da pesquisa “Mulher e terra: repensando o lugar social da mulher rural sob a ótica das relações de gênero e intergeracional” no Assentamento Vitória da União - Paracambi/RJ, cuja proposta foi conhecer o lugar social da mulher no contexto da agricultura familiar em assentamentos rurais e como as mesmas se percebem enquanto mulher, nos espaços da casa, do trabalho, do assentamento e da sociedade. Vivendo a realidade do assentamento estas mulheres constituem-se em importantes colaboradoras para pensar a definição de papéis na agricultura familiar, palco de significativa atuação feminina, contribuindo para a reflexão sobre as relações de gênero no meio rural. Foram entrevistadas 34 mulheres de faixa etária entre 14 e 80 anos que deram seus depoimentos sobre si, a família e a comunidade. Os discursos das informantes apontaram para uma realidade onde se percebe traços de mudança nos sentidos e significados que ocorrem no cotidiano das relações de gênero e de geração por elas vivido. Partindo da premissa de que as representações são continuamente construídas, desconstruídas e reconstruídas, verificou-se que a condição feminina pensada sob o prisma da relação intergeracional entre essas mulheres está sendo sempre refeita revelando novos olhares e comportamentos das gerações, num movimento dialético que, contudo, convive com permanências que dificultam a visibilidade e a valorização da ocupação feminina em lugares de destaque nesses espaços sociais.

"Machos imperfeitos": o papel da ginecologia em Salvador (1872 - 1916)
Caroline Santos Silva, Márcia Maria da Silva Barreiros Leite (UEFS)

Os paradigmas femininos consolidados pela ginecologia pautaram-se em uma série de ideologias e representações constituídas ao longo do tempo. Através de diversos dispositivos de disciplinarização da sexualidade feminina, esses modelos ideais simbolizaram o poder da medicina sobre os corpos femininos, bem como o processo de assimilação e resistência destas identidades fixas determinadas pelo saber médico. Neste contexto, a pretensão deste trabalho é analisar a constituição das subjetividades de mulheres baianas, tendo em vista o papel da ginecologia, enquanto uma ciência que ambicionava mediar a relação destas mulheres com os seus corpos. Para tanto, toma-se como periodização, o fim do século XIX e inicio do XX, momento marcante da remodelação urbana da cidade de Salvador, que sob o governo de J. J. Seabra (1912-1916), passou por diversas reformas urbanas, entre elas, o alargamento das ruas, demolição de prédios antigos, obras de saneamento dos bairros e abertura de avenidas. Entre as principais fontes utilizadas nesta pesquisa estão as teses médicas produzidas na antiga Faculdade de Medicina da Bahia, entre os anos de 1872 a 1916, os exemplares da Gazeta Médica da Bahia e outros jornais da época a exemplo do Diário de Notícias e do Diário da Bahia. A sociedade republicana tenta impor às mulheres uma identidade biológica que lhes acarreta uma série de atribuições, entre elas, a maternidade, daí a necessidade de um maior controle sobre os corpos femininos. Para o processo de aprisionamento da "sexualidade" feminina os doutores utilizaram-se de ciências específicas recém-criadas como, a ginecologia e a obstetrícia.

Homoafetividade: uma visão psicojurídica
Caroline Schmidt, Leandro de Castro Oltramari (UNISUL)

A pesquisa a seguir refere-se às concepções que mediadores familiares possuem a respeito da homossexualidade, classificando-se como exploratória e qualitativa, usa como técnica de coleta de dados a entrevista semi-estruturada. Tem como objetivos a identificação das representações sociais a respeito da homossexualidade que mediadores familiares formados em Psicologia e mediadores familiares formados em Direito possuem, bem como a comparação das mesmas. Foram entrevistados um total de seis mediadores familiares, sendo três da área jurídica e três da área psicológica. Coletados os dados, eles foram analisados com base no referencial teórico utilizado, tendo como resultado representações sociais de homossexualidade atreladas a valores positivos, apesar disso, se faz essencial destacar que os valores relatados ainda se remeterem à concepção de família tradicional.

As interfaces entre as questões de gênero e poder nas relações conjugais: vozes de uma Delegacia da Mulher
Cíntia de Sousa Carvalho, Graciela Haydèe Barbero, Sérgio Henrique Fabiano Zanon (UFMT)

As questões de gênero que atravessam as relações conjugais extrapolam as designações sexuais e de papéis e se instauram nas construções simbólicas desses sujeitos. Interessou-nos apurar quais os novos sentidos que são atribuídos pelas mulheres à situação de violência sofrida, agora legalmente alicerçada, e tangencialmente, perceber quais as relações de poder que transitam numa relação conjugal de agressão e suas implicações na construção identitária da mulher contemporânea. Refere-se às atividades desenvolvidas por estudantes de Psicologia no Estágio Básico realizado na Delegacia de Defesa da Mulher, em Rondonópolis/MT/Brasil. A metodologia baseou-se no atendimento individual por meio de entrevistas-abertas. Constatou-se que as mulheres estão sob risco de violência, principalmente desencadeadas por seus companheiros. As relações de poder se estabelecem a partir de nova ótica, pois a maioria delas não depende financeiramente daqueles. Dessa forma, a relação de violência e sustentada pela crença de que o comportamento agressivo e inerentemente masculino. Por trás desse discurso generificado, percebemos que há uma dependência psicológico-afetiva, que as faz manter seus relacionamentos. As mesmas expressam desejo ambivalente que gera angustia, ao passo que denunciam seus parceiros - exigindo que sejam punidos pelos atos torpes - entretanto, também sentem por não tê-los no lar. Portanto, havia a angústia advinda da violência sofrida e também da decisão, em estado de extrema vulnerabilidade, pela denúncia e consequentemente, a interrupção de seu relacionamento. Nesse momento de impasse, a escuta psicológica possibilitou a clarificação de questões, o que diminuiu suas ansiedades e as sustentou para uma melhor decisão, com menor auto-culpabilização.

Os homens vivem, as mulheres esperam: as relações de gênero na obra Presença de Anita
Cíntia Lima Crescêncio (FURG)

Este trabalho tem como objetivo analisar a obra literária Presença de Anita (1948) de autoria de Mario Donato a partir de uma perspectiva histórica, primando pela identificação de elementos que permitam que este escrito seja utilizado como fonte histórica, ou seja, pretendemos trabalhar com a interdisciplinaridade entre história e literatura. Para isso faremos uso da exploração das relações de gênero na citada obra como forma de entender um livro, supostamente, de “ficção”, como perpetuador de valores e de um discurso que reserva lugares específicos e distintos para mulheres e homens. Dentro de uma lógica contextual, o livro de Mario Donato, será articulado com a década de 40, período que pode ser determinado como transitório, já que se vivia uma “onda de liberdade”, fundamentada por uma renovação política e econômica que, teoricamente, inauguraria uma nova era na história do país. Considerando que este livro traz uma idéia bastante clara do que é ser homem e do que é ser mulher, entendemos ser relevante analisar de que forma essas noções articulam-se e emergem como representações da “verdade”, dada como natural e não historicamente construída. Através da análise do discurso do autor, por meio da elaboração de características de personagens, do desenrolar dos acontecimentos, objetivamos entender de que forma estruturou-se uma obra considerada inovadora no sentido temático, mas conservadora em uma perspectiva de representação das relações de gênero.

Oficinas com jovens GLBT como estratégia de empoderamento
Cláudia Pereira de Souza (UFF)

Neste pôster apresento uma parte do projeto de extensão e pesquisa “Juventude e Homossexualidade: Direitos Sexuais são Direitos Humanos”, desenvolvido no departamento de Educação Física da Universidade Federal Fluminense coordenado pelo professor Sérgio Aboud. O trabalho é desenvolvido em parceria com o Grupo Diversidade Niterói, desde 2006, com oficinas quinzenais. O público é composto por jovens GLBT, garotos e garotas de 16 a 24 anos. Nas reuniões trabalhamos com jogos, corporais e intelectuais, palestras, filmes e leitura de textos, literários e acadêmicos. Este ano começamos a filmar entrevistas com a idéia de montar um vídeo que dê visibilidade ao grupo e que possa servir como referência para futuros estudos deste segmento específico que tem crescido em todos os grupos GLBT do Brasil. Dentre os objetivos traçados, procuramos analisar a influência dos espaços freqüentados, principalmente o escolar e universitário. O cotidiano das relações de gênero; verificar a reprodução dos papéis sócio-sexuais construídos; desenvolver a auto-estima; dar instrumentos na luta contra a homofobia e toda forma de violência relativa as questões de gênero; disponibilizar informações sobre formas de prevenção às DST e à AIDS e refletir sobre as formas de sociabilidade. A Leitura de teóricos, como Bourdieu, Foucault, Freire Costa, Fry e Louro.

Quanto vale? as prostitutas do ponto de vista de seus “clientes”
Cleiton Euzébio de Lima (UNB)

Este trabalho busca analisar as representações sociais de prostitutas a partir da ótica de seus “clientes” no ciberespaço. A pesquisa analisou os discursos presentes em um fórum de discussões na internet, que objetiva a “troca de informações, dicas e opiniões sobre os serviços de acompanhantes de Brasília”. O fórum em questão comemorava no momento da pesquisa dois anos de existência e possuía mais de 7000(sete mil) membros filiados. No site as prostitutas “testadas”, denominadas de“ratas” ou “baratas”, são avaliadas e recebem notas a partir de critérios como “raça da rata”(cor), “qualidade da fuça”(rosto), “tamanho das tetas”(seios), uso ou não da camisinha (importante ressaltar que o não uso, em especial na realização do sexo oral, é visto como fator bastante positivo), etc. Verifica-se uma completa desumanização das prostitutas, que serve como suporte para diversas formas de violência, como violência discursiva, incitação à violência física etc. Ainda constatamos que se agregam à misoginia presente em todo o site, discriminações de caráter racial e de orientação sexual.

Os olhares sobre a Lei Maria da Penha: a dialética dos ouvintes e dos palestrantes
Clóvis Cézar Pedrini Júnior, Lucimara Fabiana Fornari, Maély Terezinha Mendes, Maria Lúcia Raimondo, José Ronaldo Mendoça Fasshenber (UNICENTRO)

Muitas vítimas de violência doméstica desconhecem a Lei Maria da Penha ou sentem-se envergonhadas em denunciar. Por isso os números de violência contra a mulher não representam a realidade segundo a Anistia Internacional. A integração entre Sociedade e Universidade faz-se necessário para que essa realidade mude. Tendo como instrumento o Projeto de Extensão Universitária “Entre João e Maria: conversando com a Lei Maria da Penha”, foram proferidas palestras que tinham o intuito de promover, divulgar e efetivar a Lei 11.340/06- Maria da Penha na Região Centro-Sul do Paraná. A partir dos encontros foi desenvolvida uma pesquisa qualitativa. Coletou-se depoimentos de ouvintes em relação a essa categoria de violência que atinge 23% das mulheres brasileiras, fazendo do Brasil o país que mais sofre com ela. Também foram extraídas as concepções dos estudantes que ministraram as atividades. Como resultados obtidos podemos destacar a participação oral dos ouvintes nos questionamentos que majoritariamente abordavam a aplicabilidade da Lei. Para os palestrantes evidenciou-se o distanciamento da população para questões relacionadas ao conteúdo da Lei 11.340/06. Diante desse cenário verifica-se a real importância da aproximação entre Universidade e Comunidade.

Quais são os prazeres e as dificuldades vivenciadas por lésbicas no processo da maternidade?
Cristiane Pereira Barros, Adriana Sassaron Fornazieiro, Aline Aparecida Fernandes, Malu Yumi Costa Iizuka, Milena Mitiko Fujishita, Roselane Gonçalves (USP)

A pesquisa teve como tema central: Prazer e Diversidade, dentro do qual abordou-se o prazer vivenciado por lésbicas durante o processo de maternidade. Trata-se de pesquisa de abordagem qualitativa, do tipo Historia Oral de Vida. Foram obtidos cinco discursos que foram analisados, categorizados e discutidos à luz de estudos que tratam sobre as questões da homossexualidade / lesbianidade em seus diversos aspectos, enfocando as dificuldades e avanços vividos por esses indivíduos durante o processo de maternidade, sejam eles de natureza biológica, de aceitação social ou dos aspectos jurídicos envolvidos. Os resultados permitiram a reflexão sobre a vontade de ser mãe, inerente a maioria das mulheres, sejam elas hetero ou homossexuais, e a necessária evolução legislativa que tratará dos direitos da união e parentalidade homoafetiva.

Salas de bate-papo: espaço de emancipação? - análise atráves das relações de gênero
Cristiane Santos Barbosa (UNESP)

Questões de sexualidade e gênero têm sido discutidas nas várias vertentes das Ciências Humanas. A sexualidade não diz respeito somente a assuntos relacionados ao sexo, mas também a questões relacionadas à construção social de homens e mulheres marcada por preconceitos, estereótipos, atitudes, comportamentos e valores.
A Internet é um meio de comunicação com grande liberdade de expressão, pois, _“teoricamente” _ todas as pessoas podem publicar aquilo que desejam. Além do caráter informativo, esta também é utilizada para o entretenimento e comunicação, entre tantas outras utilidades.
Nela podemos entrar em salas de bate papo e conversar simultaneamente com pessoas de qualquer parte do mundo. Nestas “salas”, conhecidas também como chats, podemos encontrar grupos especificados por tipos de discussões, como idade, cidades, temas, entre outros. Uma que pode ser destacada é a sala que possui conteúdo sobre sexo, devida a grande diversidade dos freqüentadores desta e como não ocorre a identificação daqueles que a utilizam, mulheres casadas podem se passar por solteiras, homens podem dizer que são mulheres, etc.
Pretendemos analisar a emancipação feminina através da observação dos diálogos e dos apelidos dos usuários deste chat e comparar a relação entre a sexualidade e as relações de gênero, que para Joan Scott (1990, p.14), é "[...] um elemento constitutivo de relações sociais fundadas sobre as diferenças percebidas entre os sexos, e o gênero é um primeiro modo de dar significado às relações de poder".

Características da dança flamenca
Cristiani Joaquim, Fernando L. Cardoso e Rozana A. Silveira (UDESC)
Introdução: O Flamenco é uma arte popular - com um modo particular de dançar, cantar e tocar - proveniente da região de Andaluzia, no sul da Espanha. Tem suas raízes calcadas no sedimento artístico de judeus, ciganos e mouros que foram obrigados a refugiar-se em locais desabitados durante a inquisição. Com a fusão das diferentes tradições surge, então, uma nova forma de expressão cultural: a arte flamenca. Nela, o canto é marcado pela melancolia, pelo fatalismo e pelo sentimento trágico da vida. O sapatear representa a força de um povo diante de uma injustiça exigindo os seus direitos. O bater de palmas é para saudar as alegrias da vida e invocar os espíritos dos antepassados contra o preconceito e o desprezo. Objetivo: Estudar as características da dança flamenca. Metodologia: O instrumento utilizado foi uma entrevista semi-estruturada, realizada com profissionais da área de dança flamenca para conhecer sua cultura e identidades de gênero. Resultados: Constatou-se que 90% das pessoas que procuram esta dança são adultos com mais de 30 anos. Com papéis de gênero bem definidos, os homens são responsáveis pela música e as mulheres pela dança. Conclusão: Percebeu-se que o Flamenco é uma dança com uma carga espiritual muito grande, por ser uma mistura de danças sagradas indianas, danças místicas árabes e danças tradicionais da Europa. Estudiosos sustentam ainda que o termo flamenco refere-se à "flamância", de origem alemã, que significa fogosidade ou presunção, e que era aplicada aos ciganos por seu temperamento.

Tiros, machados e vassouras: o modelo de mulher e suas transgressoras (jornal “A Gazeta”, Florianópolis, 1940)
Daisy Bueno Fernandes Roesler, Jéssica Camargo Geraldo (UDESC)

Em recente pesquisa nos jornais do Acervo da Biblioteca Pública do Estado de Santa Catarina surpreendeu-nos a constatação de que, no ano de 1940, o periódico “A Gazeta” havia noticiado inúmeros casos de violência conjugal cometidas pela mulher. Inúmeros questionamentos surgiram, como: qual o significado do assassinato de um marido por sua esposa naquele contexto? Teriam sido aquelas notícias publicadas ocasionalmente? Porque a ausência de notícias semelhantes em períodos anteriores e posteriores?
No mesmo jornal, encontramos também uma longa crônica cuja temática é um assassinato conjugal cometido pela mulher. O fim trágico da personagem parece dar um tom pedagógico, mostrando o destino daquelas que subvertem o modelo da mulher exemplar: mãe, circunscrita à esfera do privado, alicerçando a figura pública do marido.
Procurando um panorama mais abrangente desse modelo, analisamos nesses jornais outros fragmentos de natureza diversa como colunas sociais, matérias de temas gerais, etc. Bem como analisamos canções de sucesso do período e filmes que estavam sendo exibidos em Florianópolis, cujas sinopses eram publicadas na Gazeta.

O universo feminino: violência doméstica e familiar em Araguari (UNIPAC)
Damaris Naim Márquez, Raquel Marra de Oliveira, Mariana Cristina Pereira da Silva, Glenda Mara de Melo e Sousa

Este trabalho, com base nas estatísticas e pedidos de providência na Delegacia das Mulheres de Araguari, cidade localizada no interir de Minas Gerais, analisa as queixas das mulheres araguarinas relacionadas à violência doméstica e familiar no período de 2001 a 2005, quando solidifica a instalação e funcionamento de um espaço em que as mulheres possam se dirigir ao serem maltratadas pelos companheiros, maridos ou mesmo familiares. Propõe-se analisar a violência cometida contra as mulheres, onde buscamos identificar os pesrsonagens envolvidos. Procuramos relacionar a postura das vítimas com as normas morais e legais do Código Penal vigente na época pesquisada. Por fim, analisamos como se deu o desenrolar dos pedidos de providências e quais foram às medidas tomadas, para com isso, tentar esboçar as normas estabelecidas pela sociedade burguesa, patriarcal na qual vivemos e o que leva mulheres espancadas, desrespeitadas, ameaçadas insistirem em manter uma situação, cujo limite, muitas vezes é o espancamento e a morte. Procuramos desenvolver essa pesquisa abordando a desigualdade entre os sexos como violação dos Direitos Humanos, contribuindo assim para despertar o silêncio muitas vezes ainda reinante na sociedade araguarina em se tratatando dos direitos das mulheres.

Oficinas sócio-educativas de sexualidade com adolescentes: encontros com o "eu" e com o "outro"
Daniel Kerry dos Santos (UNESP)

As oficinas sócio-educativas sobre Sexualidade com adolescentes foram desenvolvidas por graduandos do curso de Psicologia da Unesp-Assis, no projeto Legião Mirim, do Rotary Clube Assis do Vale.
Pretendemos com as oficinas buscar novas formas de trocas de experiências, entendendo esse tipo de dispositivo como uma alternativa educativa reflexiva que busca promover um entendimento crítico das sociabilidades dos adolescentes. Através da emergência das principais linhas com as quais trabalhamos – Sexualidades e Gêneros, procuramos integrar essa temática tão presente na vida das pessoas às mais diversas possibilidades, expandindo as barreiras do sexo biológico, restritas aos genitais interno e externo e à biomedicina, para discussões sobre gêneros, afetos, diversidades, preconceitos, sexismo, homofobia, direitos humanos, mídia, identidades, cuidado de si e cidadania crítica, não deixando de lado temas como prevenção DST´s/AIDS, gravidez e corpo humano.

Interfaces da qualidade de vida das mulheres universitárias do curso de administração da Unesc
Daniela Cardoso Pereira, Rosemari de Oliveira Duarte (UNESC)

Aprofundando o conhecimento sobre a trajetória da estudante universitária, o presente estudo teve como objetivo investigar a qualidade de vida das mulheres universitárias do Curso de Administração da UNESC, por meio do instrumento: WHOQOL- bref criado pelo WHOQOL Group (OMS). Buscou ainda, identificar as características sócio-demográficas das participantes. A questão sobre qualidade de vida (QDV) vem assumindo importância, sob vários aspectos, nos últimos anos, particularmente no que diz respeito a sua avaliação ou mensuração, quer individualmente quer coletivamente. Foi desenvolvido estudo quantitativo, descritivo, observacional, caracterizando a QDV das mulheres. Com base nos acontecimentos e nas descobertas de seus ideais a mulher está conseguindo sair do anonimato para conquistar seu espaço, deixando de viver a sombra do homem e se tornando personagem de sua própria história. O instrumento WHOQOL-bref, consta de 26 (vinte e seis) questões, sendo duas questões gerais sobre qualidade de vida (não aplicadas ao grupo em estudo) e as demais 24 (vinte e quatro) representam cada uma das vinte e quatro facetas que compõem o instrumento original, representando 04 domínios da vida cotidiana. O domínio físico engloba aspectos como dor, energia para o trabalho, dependência de medicações; o domínio psicológico, aborda a auto-estima, sentimentos negativos como mau humor, ansiedade, espiritualidade. No domínio relações sociais está incluído a atividade sexual e o apoio social. No domínio Ambiente, aborda recursos financeiros, segurança no lar, e a participação em oportunidades de lazer. Tais resultados incitam à discussão sobre a qualidade de vida das mulheres.

Ser masculino ou ser feminino: concepções de homens e de mulheres
Daniela da Silva Vera, Grazieli Franco Pereira, Lucas Gerzson Linck , Marlene Neves Strey (PUCRS)

O presente estudo está inserido no Grupo de Pesquisa Relações de Gênero da PUCRS, coordenado pela Profa. Dra. Marlene Neves Strey, e faz parte do Projeto Guarda-Chuva “Gênero, Gerações e Subjetividade” (CNPq). Objetivou-se investigar o que é considerado ser masculino ou feminino pelas pessoas além de compreender se existem ou não diferenças de conceituação da masculinidade e da feminilidade ao longo das faixas etárias, sexo, nível de escolaridade e tipo de atividade exercida. Este estudo seguiu um delineamento quantitativo-qualitativo. Os participantes do estudo preencheram um questionário com perguntas abertas e dados demográficos sobre a feminilidade e masculinidade. O número considerado foi de cinqüenta mulheres e cinqüenta homens distribuídos nas faixas etárias dos 20, 30, 40, 50 e 60 anos ou mais. Encontramos como resultados que as mulheres e os homens avaliam a feminilidade principalmente através do comportamento, características psicológicas e dos papéis desempenhados, variando apenas nos percentuais de cada característica. Com relação à masculinidade há uma variação maior, visto que as mulheres avaliam por meio das características psicológicas, comportamento e de papéis desempenhados enquanto os homens avaliam principalmente através do comportamento, características psicológicas e ser homem. Por fim as maiores diferenças entre homens e mulheres, considerando feminilidade e masculinidade são as descrições encontradas dentro de cada categoria.

Mobilização social para composição de grupos reflexivos em gênero: desafios e possibilidades de questionamento dos padrões hegemônicos e das relações de poder que embasam a violência de gênero
Daniela Dias Gomes, Regina Helena Marques Pessoa, Gisele Lucid Domingos Pereira, Cláudia Natividade, Rebeca Rohlfs Barbosa Gaetani, Fátima Pessali, André Ribeiro Diniz, Shody Nelson Yukawa, Leandro Leroy, Dalcira Ferrão, Luciene Melo Ferreira, Luci Diniz, Flávia Gotelip Corrêa Veloso (ALBAM)

O objetivo deste trabalho é mostrar os desafios de se convocar vontades para discutir as relações de gênero dentro de comunidades. A proposta apresentada refere-se à experiência de mobilização social do Programa Convivendo Melhor, do Instituto Albam, em parceria com o Programa Mediação de Conflitos, ambos vinculados às políticas públicas de prevenção à criminalidade da Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais. Realizado em oito comunidades de Belo Horizonte e região metropolitana, a intervenção organiza-se em grupos abertos, de caráter voluntário, periodicidade semanal e que atende homens e mulheres adultos, com enfoque na atenção primária objetivando a diminuição da violência de gênero. A diversidade de assuntos trabalhados se dá mediante as demandas de cada comunidade e as discussões são pautadas pela transversalidade em gênero. Um dos maiores desafios é mobilizar as pessoas para grupos não assistencialistas, fato que demanda constantes adaptações e criações de novas estratégias. Apesar das dificuldades de articulação comunitária nota-se que, uma vez mobilizados, os participantes se apropriam do espaço, compartilham e questionam suas vivências. Os resultados indicam a possibilidade de congregar propósitos comuns, fortalecer a identidade pessoal e comunitária bem como as redes de cooperação entre eles buscando uma cultura da paz. Os participantes se mostram multiplicadores dos conteúdos discutidos nos grupos ao refletirem sobre as relações de poder cotidianas, seus impactos e as formas de violência nos âmbito público e privado

Pensando sexualidades a partir do filme “Todas as cores do amor”
Daniela Romcy (UFSM)

Este trabalho surgiu a partir da participação como debatedora do filme “Todas as Cores do Amor”, em 11 de setembro de 2007, no ciclo de cinema sobre gênero e sexualidade realizado pelo GEPACS (Grupo de Estudos e Pesquisas em Antropologia do Corpo e da Saúde), na Universidade Federal de Santa Maria.
Produzido em 2003 na Irlanda, por Elisabeth Gill, o filme trata do tema amor de uma forma liberta e objetiva, sem cair em estereótipos e categorizações, com temas que problematizam a homossexualidade, a homoparentalidade e da descoberta de outras sexualidades possíveis.
A escolha deste filme, no debate antropológico, pode ser pensado sobre o prisma dos múltiplos discursos sobre a sexualidade (Foucault, 2003), por ser um retrato das relações contemporâneas, refletindo novos laços possíveis, sexualidades flutuantes e famílias não tradicionais. Repensando os discursos produzidos sobre a temática do sexo, propõe-se pensar o filme a partir das teorias pós-identitárias, mais especificamente pelo viés da teoria Queer. As transformações trazidas por estes campos de saber ultrapassam o terreno do gênero e da sexualidade e podem nos levar a pensar de um modo renovado a cultura, as instituições, o poder e as formas de ser e estar no mundo.

Aborto: crime ou direito num mundo “secular”
Daniele de Jesus Oliveira (UNESP)

O aborto considerado crime no Brasil suscita uma questão emblemática no Estado Democrático de Direito, na medida que as discussões em trâmite na Câmara dos Deputados são eivadas de paradigmas morais-religiosos, tendo em vista que a elaboração de anti-projeto à legalização do aborto é fruto de uma ação da Frente Parlamentar evangélica que atrelada a entidades da sociedade civil de cunho religiosos, bem como a CNBB que toma o aborto como crime, pois considera a vida do nascituro desde da sua fecundação, porém a discussão de legalização pede um debate apurado que envolva outras esferas, sobretudo acadêmica e científica, visto que a sociedade brasileira sofre de desajustes sociais e econômicos que muitas vezes condicionam mulheres a recorrer a medidas abortivas clandestinas colocando suas vidas em risco; Nesse ínterim nota-se que o Estado uma vez considerado laico, ao retomar para o debate uma postura de clivagem religiosa retrocede a condição de subordinação das políticas públicas ao viés religioso, de modo que a secularização tomada como pedra de toque do estado moderno possa ser questionada, pois vemos cada vez mais a influência da Igreja no campo político e no caso do aborto essa propalada dicotomia mostra-se inexistente, uma vez que como já dissemos o discurso religioso perpassa toda a discussão e engessa a legalização de um direito da mulher que vem a ser o aborto seguro na sociedade brasileira.

Reconstrutores de Corpos: corpo e gênero na representação de belo dos profissionais de saúde e beleza
Danielle Miranda Lopes; Vera Lúcia Pereira Brauner (PUCRS)

Este estudo é tem como objetivo compreender a representação de belo dos profissionais de saúde e beleza e, especificamente, analisar essa representação na relação com as questões de gênero e a categoria profissional. Trabalhamos com profissionais das áreas de educação física, estética, medicina estética e cirurgia plástica atuantes na cidade de Porto Alegre. Foram exploradas as narrativas obtidas em entrevistas semi-estruturadas. Estudos de gênero, antropologia, sociologia, estudos culturais e literatura médica serviram de suporte teórico para as análises. Ao fim do processo de pesquisa podemos identificar que professores de ginástica, esteticistas, cirurgiões plásticos e médicos estetas têm tratado o belo dentro dos padrões normativos legitimados socialmente. Na relação com as questões de gênero, descobrimos que o discurso biológico aparece como legitimador das diferenças de gênero. O padrão de estético social surge como uma referência de normalidade para os sujeitos e como marcador de práticas corporais e que há uma cartografia do belo, indissociável na análise relacionada à categoria profissional. Vimos também que o “sentir-se bem” está presente nas falas dos profissionais como um dispositivo ideológico que mascara o sentido imperativo que aparece nos discursos que acabam tendo indicadores de mudanças corporais na busca pelo belo, como arquétipo de felicidade, entretanto, o gerenciamento da “beleza” fica inevitavelmente regulado pelos profissionais.

Festa no Mar: Religião, Etnia e relações de gênero na vila de pescadores
Dayvison Leandro dos Santos, Vitória Régia Fernandes Gehlen (UFPE)

A relação dos povos africanos com as forças da natureza ocorre de forma íntegra, simbiótica, expressa em rituais festivos caracterizados pela devoção aos elementos geradores da vida. A religiosidade negra atribui ao elemento água, o sentido de purificação do corpo e da alma, associada aos orixás femininos em suas variantes (mar, chuva, rio, lagos, orvalho).O pensamento cristão, em consonância com este princípio, compreende o espaço marítimo como ambiente de purificação, local propício para a realização do batismo no Novo Testamento. O “sincretismo” religioso, propiciado pelo processo de colonização brasileira alicerçada na mão-de-obra escrava, possibilitou a elaboração e consolidação de diversas festividades promovidas pelas comunidades de pescadores. Nestes espaços, as mulheres exercem a função de preparar o “banquete da festa”, ornamentar os vilarejos e os andores das sagradas imagens, sendo muitas vezes, uma extensão de suas tarefas domésticas. Esta concepção fortalece a idéia de que caberia ao trabalhador do mar a possibilidade de extrair deste ambiente o seu sustento, restando à mulher a responsabilidade e o cuidado da casa, para que a mesma esteja limpa e conservada até o regresso do provedor. Concluindo, os preparativos das festividades religiosas nas vilas de pescadores, construída através do espaço lúdico, configuram-se enquanto mecanismo de representação da ordem vigente. As relações sociais ingressam nesta pauta por meio de atribuições determinadas por gênero nestes espaços, possibilitando uma apreensão da realidade no qual tais manifestações encontram-se inseridas.

Gênero, Poder e Anarquia: O masculino e o feminino em Bakunin
Dayvison Luiz Santos Fingolo (UENF)

O presente trabalho propõe a analisar a questão de gênero na obra de Mikhail Aleksandrovitch Bakunin – autor anarquista do século XIX, escolhido por seu papel importante na constituição do modelo clássico do anarquismo, ou seja, do anarquismo como teoria e ação, tendo este no período de 1840 a 1876 participado de alguma forma de todas as lutas populares da Europa. Assim, utilizando algumas obras basilares do pensamento deste autor, procuraremos analisar o ideal de liberdade que norteia o pensamento anarquista, buscando entender de que forma Bakunin percebe as relações de gênero desenvolvidas em sua época e de que forma essa relação de poder, pode ser organizada em uma sociedade anarquista.

Alice no País das Bruxarias: atriz e personagem, a contradição acerca da representação da violência
Denise Belmira Pereira Krieger (UDESC)

Esta comunicação discute a representação da violência contra a mulher por meio da analise de Alice personagem da peça Vinegar Tom de Caryl Churchill. Trata-se de um texto de teatro feminista escrito em 1976, que aborda a Caça às Bruxas na Inglaterra no século XVII para discutir questões emergentes com a segunda onda do movimento feminista: sexualidade feminina, aborto, maternidade, marginalidade e violência. A violência de gênero permeia toda a narrativa, analisando as relações do poder patriarcal em face das questões de gênero e de classes sociais. Alice é mulher, pobre, filha de viúva, mãe e solteira. Objeto de desejo e repúdio das personagens masculinas, predisposta aos julgamentos por sua situação marginal, ela é constantemente condenada pela sociedade em que vive. Sempre inconformada com a realidade, é tanto receptora como produtora de violência. Nessa comunicação pretendo fazer essa análise como atriz que representou o papel de Alice na primeira montagem dessa peça feita no Brasil, realizada em 2007. A representação dessa personagem prescinde cenas de violência, em que o método das ações físicas e outras técnicas de teatro físico são utilizados para melhor atingir o objetivo da cena. Nessa peça de teatro feminista a atriz de fato sofre os atos de violência perpetuados pelos atores com quem contracena? Até que ponto a técnica simula e anula a violência, e até que ponto se trata de uma aceitação e resistência da atriz para a representação da personagem?

Corpos-adolescentes-grávidos: duplas perdas
Denise Raquel Rohr; Maria Simone Vione Schwengber (UNIJUÍ)

Desafia-nos a análise neste trabalho sobre o recorte do tema a politização dos corpos grávidos adolescentes porque a taxa de natalidade tem aumentado, no Brasil, sobretudo nas camadas menos favorecidas (HEILBORN, 2002). Esta pesquisa analisa a ocorrência da gravidez de adolescentes do Município de Ijuí-RS, triadas a partir de dados do CAAMI - Centro de Atendimento aos adolescentes do Município de Ijuí_RS - direcionado às famílias de baixa renda, vulnerabilizadas pela pobreza e em situação de considerável risco social Tomamos como centralidade a busca pela compreensão do fenômeno gravidez e adolescência a partir de algumas trajetórias biográficas - afetivo-sexuais, familiares, educacionais, lazer -, no sentido de compreender não só as causas que determinam esse fenômeno, como também as razões das quais ele vem acompanhado. Nossos resultados, neste momento, apontam uma série de fatores como responsáveis pela gravidez. Ao chegar à adolescência perde-se o corpo infantil; as adolescentes ao engravidar têm uma perda dupla, pois além de perda do corpo infantil, a gravidez subtrai-lhe a condição da vivência do adolescer, depara-se com as profundas transformações peculiares à gravidez, condição essa que também provoca profundas transformações nos corpos e na vida (na alma). É durante a adolescência que, de um modo geral, ampliamos os contatos sociais como os culturais, de lazer e esporte. Mas, para algumas das adolescentes entrevistas, esses contatos são abreviados, pois o bebê que chora no berço avisa que elas deixaram de ser meninas e agora precisam agir como mulheres mães.

A Formação do Conceito de Diferença de Gênero nos Desenhos Infantis
Dione Souza, Gilvana Martins, Simone Nunes, Graziela Werba e Fátima Oliveira (ULBRA)

A maneira sutil como a mídia, através dos desenhos animados, faz circular a pedagogia de gênero, ensinando às crianças o que é ser homem, ser mulher, ser criança, ser branco, ser bom ou mau, pode ser uma forma de entender como as diferenças são construídas na subjetividade das crianças. De que maneira os desenhos animados propagados pela mídia, podem construir relações de gênero na infância? Sabendo-se que não só a escola proporciona conhecimento, mas também a mídia, esta aparece na construção cultural como fator altamente relevante na formação da subjetividade das crianças. E as questões de gênero perpassam as questões da comunicação especialmente no que tange às formas simbólicas que os desenhos animados trazem nas suas entrelinhas, visto que a televisão impõe maciçamente suas ideologias rumo à construção de um universo cultural permeado por relações de dominação, a partir das quais estas relações de gênero se darão. O intuito deste projeto de pesquisa é discutir criticamente os mecanismos da construção desta pedagogia de gênero na infância.

Relações de Gênero na Dança
Driely Gomes; Liliana Rolfsen Petrilli Segnini (UNICAMP)

O presente estudo tem por objetivo analisar as relações de trabalho e as relações sociais de gênero dentro da área de Artes e Espetáculos, limitando a investigação aos profissionais da dança. Para tanto, enfoca o trabalho dos bailarinos (balé clássico ou contemporâneo) da companhia de dança do Theatro Municipal de São Paulo. Os instrumentos de pesquisa, utilizados no estudo são entrevistas já realizadas com o corpo de bailarinos, observação de ensaios e espetáculos, dados estatísticos e outros dados que possam contribuir para a compreensão deste grupo específico de profissionais.
A partir do estudo da micro- sociedade (o Balé da Cidade de São Paulo), este trabalho visa estudar a relação entre este campo e a sociedade que o cerca, ou seja tentar compreender sociedade a partir deste campo de estudo.
O presente estudo busca analisar o significado e as representações expressas nas entrevistas sobre: dança e masculinidade e dança e feminilidade. Analisar conflitos, diferenças, competitividade, vaidade, companheirismo e laços afetivos. Analisar as possibilidades de formação e construção de hierarquias no exercício profissional, relacionando gênero e classe social. Pesquisar o processo de organização do trabalho no grupo de dança, considerando a divisão sexual do trabalho. Estudar a valorização do colega de trabalho, crescimento na carreira e o valor de cada sexo na profissão.

Relações de Gênero e Agricultura Familiar: Um estudo de caso no município de Lagoa Seca-Pb
Ediene Maria Pereira da Silva; Auri Donato da Costa (UEPB)

O resumo ora apresentado é fruto de um trabalho de Iniciação Científica, que está sendo desenvolvido no âmbito do curso de Serviço Social da Universidade Estadual da Paraíba, UEPB. A modernização da agricultura brasileira, nas últimas três décadas tem sido tema de estudo de vários autores. Estes estudos ressaltam, sobretudo, as mudanças ocorridas na organização da produção agrícola, apoiada pelo Estado, através de políticas agrárias e agrícolas, que visavam, entre outros interesses, a elevação tecnológica do setor ligado ao complexo agroindustrial, beneficiando de maneira diferenciada, grandes, pequenos e médios proprietários, como também produtos e regiões a denominada “modernização desigual”. Verifica-se que a modernização da base técnica da agricultura no Brasil vem acontecendo de maneira heterogênea. Alguns setores voltados principalmente à exportação têm vivenciado grandes transformações na sua estrutura produtiva, enquanto outros setores ainda estão condicionados a padrões tecnológicos tradicionais. Nesse Sentido nosso trabalho tem como objetivo geral Averiguar os espaços ocupados por homens e mulheres, na casa, na agricultura familiar que usa novas tecnologias e produz para o mercado e no processo de comercialização dos produtos agrícolas, bem como averiguar se as relações familiares se caracterizam pelo modelo de dominação masculina e subordinação feminina ou de equidade entre homens e mulheres no interior do grupo doméstico no município de Lagoa Seca-PB. No tocante aos procedimentos metodológicos, utilizaremos ao longo de nossa pesquisa a coleta de dados através de fontes primárias e secundárias, assim como uma pesquisa de campo para fazermos uma análise comparativa entre os dados existentes a realidade detectada.

Gênero, políticas públicas e sustentabilidade social na várzea do Alto Solimões, AM
Edna Ferreira Alencar (UFPA)

Na região de várzea do Alto Solimões as políticas públicas voltadas para a promoção da sustentabilidade social dos moradores se caracterizam pela precariedade da oferta de serviços sociais, e pela falta de mecanismos de mediação entre a população e os poderes constituídos. Além de serem falhas e ineficientes, também apresentam distorções históricas no que se refere a maneira como são tratadas as questões de gênero, a começar pelas políticas na área da saúde, da educação, e da produção econômica que afetam particularmente as mulheres que respondem por uma parte significativa da renda familiar através da venda de diversos produtos de suas roças e dos seus quintais. No entanto, não se observa uma preocupação, quer por parte do poder público ou de entidades sociais como sindicatos e associações, com a promoção de políticas que atendam as demandas da população e em particular das mulheres. Ao contrário, observa-se que ao invés da promoção de políticas voltadas para apoiar a pequena produção familiar, o Estado tem promovido políticas assistencialistas como o Salário Maternidade e a Bolsa Escola que reforçam sua condição de reprodutora, e não valorizam seu papel como trabalhadora, como produtora de bens e serviços que são importantes para a economia local e regional. Nesse sentido, este trabalho pretende discutir o impacto dessas políticas sociais sobre as populações da várzea do Alto Solimões, em particularmente sobre as mulheres.

De Black Rio às Frenética: soul, funk e relações de gênero na música popular brasileira
Eloá Gabriele Gonçalves (UNICAMP)

Tendo como cenário a “explosão” do que foi definido por Lena Frias como o “Fenômeno Black Rio” – ocorrido na periferia do Rio de Janeiro, em meados dos anos 70 – este trabalho visa discutir o advento do soul e do funk no repertório de grupos nacionais, em particular a Banda Black Rio, que, mais tarde contribuiria para o surgimento de “fase das discotecas”, cuja produção musical nacional pode ser representada por um grupo feminino inicialmente idealizado por Nelson Motta, conhecido como As Frenéticas.
Assim, a comunicação proposta visa realizar um estudo sobre questões referentes à música popular brasileira e as relações de gênero, tais como: a reorganização da indústia fonográfica brasileira nos anos 70; a problemática racial relacionada ao nacional versus estrangeiro; bem como a habilitação; bem como a banalização sofrida pela figura feminina (que tem demonstrado traços cada vez mais fortes desde a década de 70 e 80, até os dias atuais). Para isso, será realizado um estudo a partir da Banda Black Rio e de As Frenéticas como um ponto de partida para a discussão de tais questões.

As aparências e os gêneros: uma análise da indumentária das Drag queens
Emerson Roberto de Araujo Pessoa (UEM)

Este poster tem por objetivo examinar a indumentária das drag queens com vistas a
entender as articulações entre as produções de aparências pelos sujeitos e as construções de
gênero. Pretendo mostrar por meio da análise de materiais visuais e de entrevistas, que as
roupas usadas pelas drag são vetores de comunicação acerca das transformações operadas
pelos indivíduos sobre os corpos, as quais são produtoras de aparências e construtoras de
performances de gênero.

O mercado de trabalho feminino: o caso da Biblioteconomia
Emilia Sandrinelli (UNIRIO/RJ)

Durante o século XIX ocorreu uma feminização em grande escala na área da biblioteconomia (MARTUCCI, 1996), a partir de então o número sempre majoritário de mulheres na área ajudaram na construção de estereótipos de gênero, que influenciam os empregadores e consequentemente ajudam a manter uma reserva de trabalho feminina na biblioteconomia (WALTER; BAPTISTA, 2007). Alguns estudos têm sido realizados sobre o mercado de trabalho e verificam que cerca de 80 à 90% dos formandos e atuantes no campo são mulheres (MUELLER; BAPTISTA, 1997; WALTER; BAPTISTA, 2007; BAPTISTA; MUELLER, 2005). Este trabalho tem por objetivo identificar a visão de um informante de elite acerca da reserva de mercado sob a perspectiva de gênero na biblioteconomia, para isso foi usado uma metodologia descritiva de abordagem quantitativa e como instrumento utilizou-se uma entrevista de elite, a informante é referência em catalogação, professora universitária. A interpretação dos dados seguiu a análise de discurso, referenciada em Orlandi (1999). Os resultados preliminares do estudo apontam que a informante avalia uma fraca expansão no mercado de trabalho e está gradativamente, tendo um incremento de homens formando-se em biblioteconomia. A produção científica na área ao longo dos anos retrata este fato, pois os artigos de Mueller e Baptista (2005) e Souza e Nastri (1996) realizados em fases distintas levantam resultados semelhantes quanto a participação feminina, associando os dados da entrevista aos do artigo, verifica-se um desenvolvimento semelhante, pode-se inferir que esse campo ainda é considerado um trabalho feminino.

Homofobia e violência contra travestis em Salvador
Eneas Santos Andrade (UNEB)

O objetivo do trabalho é analisar os tipos de violência mais comum, principalmente a letal, praticada contra travestis e sua distribuição espacial e regional em Salvador e Região Metropolitana. Identificar os locais, diferentes situações e conhecer a dinâmica da violência contra travestis, segundo a perspectiva de gênero, cor/etnia e classe social. Conhecer o perfil das vítimas e dos autores da violência homofóbica contra travestis em Salvador e Região Metropolitana.
Serão analisados dados coletados através de jornais, revistas, internet e de informações remetidas ao Grupo Gay da Bahia e arquivadas em sua hemeroteca, alem banco de dados e clipagens do Núcleo de Estudos de Gênero e Sexualidade da Universidade do Estado da Bahia. A descrição e a análise desta documentação serão realizadas comparando os tipos de crimes contra este segmento e as tendências da homofobia no Brasil a partir do confronto entre os dados regionais com o restante do país.
Os métodos empregados são abordagens qualitativas e quantitativas, que possibilitam conhecer os tipos de crimes, a distribuição espacial, as regularidades assim como o perfil sócio-demográfico das vítimas e dos agressores, nos permitindo construir um mapa da violência contra homossexuais no país e suas diversas formas de manifestação: letal, verbal, física, insultos, chantagem, golpes, discriminações na mídia e/ou institucional - família, escola, religião, locais públicos. Procuraremos comparar casos de homofobia e correlacionar com o número de casos de AIDS por categoria sócio-sexual e região e, na medida do possível, comparando com estatísticas oficiais acerca de outros crimes contra a população em geral.

Gueto gay? Mapeamento de territórios e circuitos homossexuais em Salvador
Érico Silva do Nascimento (UNEB)

Apresento o resultado da pesquisa “Mapeamento dos territórios, manchas e circuitos homossexuais em Salvador”. O trabalho observou como, desde a década de sessenta até a atualidade, emergiu em Salvador uma subcultura urbana associada ao modo de vida homossexual (Barbosa da Silva), relacionada a áreas de prostituição, espaços de lazeres e entretenimento, constituindo uma “região moral” (Park), um “mercado sexual” (Macrae) de serviços especializados. Partindo dos conceitos de gueto (Wirth), territórios, (Perlongher) e circuitos (Magnani), foi realizado um mapeamento dos locais e estabelecimentos que compõem a “cena gay de Salvador” (Mott). Nosso objetivo era observar a aplicabilidade do conceito “gueto gay” (Levine) à cidade. Os objetivos específicos foram observar e discutir a relação entre identidade “sócio-sexual” e usos do espaço urbano, a partir da perspectiva de gênero, curso da vida, raça e classe. Conhecer circuitos de diferentes estilos de vida (Simmel; Wirth), buscando apreender usos do espaço e trajetos dessa população também foi objetivo do trabalho. A hipótese inicial era que as mulheres estariam mais propensas a utilizar espaços fechados (guetos) visando à segurança do que os homens, que estariam ocupando maior número de espaços abertos. O uso dos territórios e circuitos parecia variar segundo a discriminação, combinando orientação sexual com perspectiva de gênero, classe social e curso da vida.A metodologia reuniu técnicas qualitativas do campo da Antropologia e Sociologia Urbana. Utilizamos observação etnográfica, entrevistas abertas roteirizadas e gravadas, usos de imagens (mapas). Realizamos análise de conteúdo dessas entrevistas a partir da perspectiva de gênero e curso da vida.

Juventude, turismo e paradas glbtt: espaços de lazer, afirmação e emancipação de identidades
Fábio Ortolano, Viviane Melo de Mendonça (UFSCAR)

O presente trabalho aborda o turismo para juventude, mais especificamente para a juventude GLBTT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais). Pretende discorrer sobre a importância de espaços de lazer destinados aos jovens GLBTT como modo de emanciapação e contrução/afirmação de suas identidades. Conforme estudos e estatísticas, para os jovens em geral já é difícil encontrar locais em que possam praticar atividades lúdicas e recreativas, bem como participar de atividades esportivas e culturais, tal como previsto no Estatuto da Criança e Adolescentes, e mais ainda são escassos e visíveis aqueles destinados ao lazer de juventudes marginalizadas - excluídas pelos padrões de normatividade. Portanto, partimos da premissa de que todos esses jovens têm o direito de espaços nos quais tenham liberdade, sociabilidade e livre acesso. O presente trabalho buscou apontar como as paradas GLBTT potencializam a atividade turística e de lazer para a juventude, movimentam o capital de uma cidade e interferem tanto nas questões de identidade como também de emancipação deste grupo social. Para tal estudo foram entrevistados/as jovens participantes de paradas GLBTT no estado de São Paulo. Concluímos que as paradas GLBTT surgem como espaços de sociabilidade criados pelos próprios membros que o desfrutam, movimentando uma atividade econômica, o turismo, que por sua vez é estimulado pelo capital. E, em contrapartida, o turismo para juventude realizado nestes espaços na busca pelo lazer, contribui para a consolidação da militância a favor dos direitos em uma sociedade que ética e esteticamente deve respeitar a diversidade

O corpo inacabado: identidade e gênero de travestis no município de Dourados-MS
Fábio Rodrigues Borges (UFGD)

A infância constitui a primeira etapa da vida humana, é onde a criança começa a decodificar o mundo, e a aprender as suas regras. Esse é o período onde se dão início às pedagogias do corpo, que vão ser determinantes na formação das identidades de gênero e de aprendizado dos papéis sociais, quando a criança começa a identificar e a reproduzir o papel social reservado ao seu sexo biológico. Estes papéis, de homem ou mulher, são construídos culturalmente e se transformam conforme a sociedade e o tempo. Eles começam a ser construídos desde a gestação, gerando expectativas e seguindo padrões já estabelecidos. Neste sentido, o objetivo deste trabalho é apresentar uma investigação, produzida a partir da História Oral, com travestis residentes no município de Dourados, com histórias e relatos de um grupo que vive à margem dos principais espaços sociais, por não reproduzirem os papéis de gênero determinados pelo sexo designado no nascimento, deixando de atender as expectativas sociais predominantes, definidas por uma perspectiva biológica. O enfoque será dado, prioritariamente, em suas experiências e memórias pessoais, levando em conta sua configuração familiar, redes sociais e figuras de identificação, utilizando como principais referenciais teóricos o pensamento de Michel Foucault, especialmente com relação à construção histórica e discursiva de conceitos como sexualidade, identidade, diferença e normalidade, e ainda as discussões trazidas pela Teoria Queer que utiliza o marginal para analisar a construção cultural do centro: a normatividade heterossexual.

Construções de gênero e sofrimento nas experiências de maternidade/paternidade
Fabíola Langaro, Zuleica Pretto (UNIVALI)

Durante o trabalho realizado em um grupo de reflexão através de um Projeto de Extensão de Saúde Mental percebeu-se que o relato de sofrimento das mulheres participantes estava relacionado principalmente às suas experiências de maternidade e paternidade. A partir disso, objetivou-se compreender de que forma as experiências de maternidade/paternidade estavam se constituindo como fatores geradores de sofrimento para essas mulheres. Para tanto, realizaram-se entrevistas individuais e um grupo focal. Os resultados apontaram que o sofrimento experienciado pelas mulheres estava relacionado principalmente a construções tradicionais de gênero, em que a elas cabia o cuidado do espaço privado e de seus constituintes e, ao homem, do espaço público. Ainda, a maternidade era vivenciada por elas como algo natural, por compreenderem a mulher como sendo aquela que gera e que, por isso, possui o “dom natural”, o “destino” de cuidar de sua prole e do espaço doméstico. Ao mesmo tempo, se buscavam encontrar lugar no espaço público, encontravam dificuldade em assumir, ao mesmo tempo, sua condição de indivíduo autônomo e seu destino feminino posto. Assim, aprisionadas em estereótipos socialmente construídos, abdicaram de seus próprios desejos para dedicarem-se ao outro, experimentando o “ser mulher e ser mãe” como algo completamente distinto e definitivo do “ser homem e ser pai”, vivenciando o aprisionamento e o determinismo que o poder nas relações de gênero constitui, gerando as experiências de sofrimento que as levaram a buscar o auxílio psicológico organizado pelo projeto de extensão referido.

Masculinidades lésbicas: significados, estereótipos, expressão da multiplicidade dos gêneros em Natal (RN)
Fabíola Taíse da Silva Araújo, Carlos Guilherme Octaviano do Valle (UFRN)

O presente projeto de pesquisa consiste em elaboração de monografia para obtenção do título de graduada em Ciências Sociais na UFRN. Iniciamos nossa pesquisa no segundo semestre de 2007, na cidade de Natal-RN. O objetivo do nosso estudo é compreender, a partir de quais referenciais de masculinidade e feminilidade, lésbicas masculinizadas constroem e modelam seus corpos no transcurso de suas construções identitárias. Trataremos de mulheres que desejam e amam outras mulheres, que rompem, portanto, com normas de submissão social, por serem mulher e lésbicas, e por ocuparem posições sociais antes legitimadas apenas como masculinas. Nossa metodologia inclui pesquisa bibliográfica, pesquisa etnográfica, entrevistas semi-estruturadas e registro iconográfico. A pesquisa se encontra em andamento, mas as primeiras investidas em campo revelaram a necessidade de acompanhar os sujeitos da pesquisa por diversos espaços, traçando um circuito gay em Natal, ao invés da fixidez em um único espaço de lazer como se pensou inicialmente. Compreendemos ainda que aspectos como gênero e sexualidade e questões como autonomia e liberdade pessoal, apesar de formadoras dos sujeitos, são temas muitas vezes de potencial desconhecido. Precisam, portanto, estar sempre sendo compreendidos como historicamente construídos, que formam os sujeitos, não se restringindo em modelos mais essencialistas, que definem o que é 'ser' homem ou mulher.

De porta em porta: um estudo sobre as manifestações de Masculinidades em escritos latrinários
Fernanda Bicalho Pereira, Gustavo Alvarenga, Mariana Pôssas Guimarães dos Santos, Maurício Möller de Oliveira, Nicole Corte Lagazzi (UFMG)

Entendendo a masculinidade como um processo socialmente construído, que se constitui a partir de relações desiguais de poder, este estudo teve como objetivo verificar as representações de masculinidades evidenciadas nos grafitos dos banheiros masculinos de uma Unidade Acadêmica da Universidade Federal de Minas Gerais. Por conferir ao freqüentador um anonimato relativamente seguro (livre da censura direta do meio social) em um espaço onde outros terão acesso ao que se escreve, as portas de banheiros públicos podem servir de espaço para a expressão do que é tido como impróprio e politicamente incorreto nos discursos cotidianos. A análise de conteúdo realizada com 109 unidades textuais encontradas nas portas dos banheiros produziu 21 categorias, dentre elas Depreciação de Masculinidades (26 escritos), Futebol (3 escritos), Exposição da Mulher (18 escritos). Embora exista diversidade nos temas analisados (política, trabalho, arte e religião), constatamos que a expressão de opiniões, sentimentos e comportamentos, na forma de escritos latrinários, reafirma representações baseadas na relação desigual de poder entre os gêneros (homens heterossexuais como dominadores, ativos, agressivos e potentes sexualmente; homens homossexuais como não-homens por suas condutas próximas às tidas como femininas e não-viris; e mulheres como passivas, sujeitas a depreciação caso não tenham uma sexualidade controlada por um homem). Mesmo em ambientes tidos como de maior liberalidade sexual, como é indicada, muitas vezes, a universidade, as expressões de sexualidade nos espaços investigados se pautam, em sua maioria, por lógicas consideradas tradicionais, baseadas em uma herança de patriarcalismo norteada por um ideal de masculinidade hegemônica.

A transferência e a contratransferência no atendimento a grupo socioterapêutico de homens encaminhados pela justiça como autores do fato de violência doméstica
Fernanda Fontoura, Victor dos Santos Valadares, Patrícia Lara Brandão, Maria Eveline Cascardo Ramos (UCB)

As considerações que representam a masculinidade frequentemente apontam para homens que penetram através do falo, são dominadores e agressivos, responsáveis pela ordem e pela normatização. Conseqüentemente teríamos mulheres passivamente penetradas, dominadas, frágeis, obedientes, cuidadoras e vítimas. Ser homem e ser mulher passaria, necessariamente, pela sincronização dualista desses papéis e a não sincronização decretaria a anormalidade e a marginalização. Este pôster se refere ao trabalho socioterapêutico realizado com grupo de homens encaminhados pela justiça como autores do fato de violência doméstica. Esse grupo é atendido por duas estagiárias e um estagiário do Laboratório de Psicologia Social e Comunitária do Centro de Formação em Psicologia Aplicada da UCB. Considerando necessária a reflexão, contextualização e flexibilização do masculino pela perspectiva da construção de gênero, este trabalho pretende compreender os aspectos relacionados aos fenômenos da transferência e da contratransferência. Concluímos que esses fenômenos são vivenciados no grupo de diversas formas e podem ser usados como um relevante instrumento de intervenção. Nesse contexto, percebemos a contratransferência, no modo como os psicoterapeutas enxergam os homens, em suas características, masculinidades e subjetividades, tendo importante implicação na intervenção. Já a transferência é um recurso complexo que recria o processo de construção de gênero remontando que o padrão de relacionamento e os papéis nele implicados são feitos a partir de continuidades e rupturas, antiguidades e novidades. Nesse sentido o manejo da transferência e da contratransferência se mostra como uma possibilidade de flexibilização e relativização dos papéis, desconstrução dos rótulos e desenvolvimento de novos modelos relacionais para o grupo.

Grupo de familiares de pessoas com vivência homoafetiva: uma experiência de intervenção
Fernanda Glaucia Monti Pereira, Sophia de Lara Lima Vaz, Manoel Antônio dos Santos (USP)

Este trabalho tem por objetivo relatar a experiência do Grupo de Apoio aos Familiares de Pessoas com Vivência Homoafetiva, uma iniciativa do VideVerso - Grupo de Ação e Pesquisa em Diversidade Sexual, da Universidade de São Paulo, campus de Ribeirão Preto. O ViveVerso reúne professores, graduandos e profissionais que atuam na interface sexualidade e saúde, com o objetivo de desenvolver atividades, tanto acadêmicas como de intervenção psicológica, junto à comunidade, tendo como foco a sexualidade humana em seus múltiplos aspectos. Assume-se uma perspectiva não-estigmatizante e não-preconceituosa, que valoriza os aspectos históricos e culturais que definem nossa maneira de estar no mundo. As pesquisas conduzidas têm como objetivo desenvolver um pensamento capaz de acolher as diferenças e servir como instrumento de transformação e desenvolvimento coletivo. O Grupo de Familiares é realizado quinzenalmente, com duração de 90 minutos. Objetiva oferecer um espaço de acolhimento, conversação e apoio psicológico a familiares que convivem com a homoafetividade de seus entes queridos, proporcionando reflexão compartilhada sobre vivências intra e extra familiares. Focalizam-se as facilidades e dificuldades encontradas no diálogo e no convívio com a diversidade sexual, a fim de favorecer o acolhimento da pessoa com vivência homoafetiva. A experiência tem evidenciado que, a partir da construção desse espaço, é possível potencializar recursos que auxiliam a descoberta de novas formas para o enfrentamento de preconceitos e da homofobia. Conclui-se pela relevância da ampliação da rede social de apoio, incluindo pessoas com experiências semelhantes a fim de se amenizar o sentimento de isolamento.

“Espada, sarado e pagodeiro”: as representações do masculino na música de Zeca Pagodinho
Fernanda Gomes Cordeiro, Jane Gabryelle Badaró de Oliveira, Tayane Rogéria Lino, Rafaela Vasconcelos Freitas e Shody Nelson Yukawa (UFMG)

Considerando a música popular como um veículo cultural que pode refletir/construir, a partir de diferentes inserções sociais de compositores, intérpretes e ouvintes, um conjunto diversificado de representações sobre uma determinada categoria social, foi nosso objetivo identificar as formas do masculino presentes nas canções de um compositor e intérprete nacionalmente conhecido. Com essa intenção, submetemos 159 letras de canções, que se referem direta ou indiretamente à temática das masculinidades, gravadas entre 1986 e 2006 por Zeca Pagodinho, à Análise de Conteúdo. As 16 categorias resultantes foram divididas em três blocos: masculinidade hegemônica (por exemplo, “viril” e “chefe de família”), masculinidade não-hegemônica (por exemplo, “expressa sentimentos” e “vulnerável/sensível”) e uma que consideramos ser resultante da interação das duas: a malandragem (por exemplo, “galanteador”, “vagabundo/não trabalha” e “devedor”). As feminilidades apareceram quase sempre em relação de dependência, contraposição ou complemento, com as masculinidades, fossem elas hegemônicas, não-hegemônicas ou malandras. Em seu conjunto, as referências ao masculino apresentaram um caráter paradoxal, frágil, fluido e diverso, que pôde ser melhor compreendido aludindo-se à idéia da malandragem. O malandro, nas canções analisadas, aparece não como uma pessoa física, mas como diferentes “vozes” masculinas que compartilham símbolos, valores e experiências em comum, como, por exemplo, a boemia, o samba, a relativização do valor do trabalho formal e uma sentimentalidade própria. Essa possibilidade de articulação entre referências masculinas hegemônicas e não-hegemônicas, ou, em alguns casos, transgressoras, deixa transparecer, no corpus analisado, os mecanismos complexos da construção e da manutenção social das chamadas masculinidades no Brasil contemporâneo

Até onde "nosso corpo nos pertence"?: Repensando a maternidade
Fernanda Pagioro da Cunha (UFOP)

Os direitos sexuais e reprodutivos trazem uma inovadora idéia de identidade feminina associada à independência na escolha da maternidade, sendo a autonomia da mulher considerada uma forma de efetivar a igualdade de gênero garantida pela Constituição Federal de 1988. A presente pesquisa deixa clara a emergência no trato de polêmicas como o aborto e eleva o debate a respeito da necessidade de emancipação das mulheres em relação ao outro. Busca uma análise dinâmica do direito de escolha da mulher brasileira à maternidade e visa ampliar o debate sobre os direitos sexuais e reprodutivos afastando-se das perspectivas masculina, familiar, estatal e religiosa, limitadoras dos direitos da mulher. A legislação brasileira a respeito do aborto é a mesma desde a década de 40, precisa ser revista de acordo com a Constituição de 1988 e com o Princípio da Laicidade do Estado. O levantamento feito em 2005 pelo Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFemea), verificou que existem trinta projetos de lei relacionados ao aborto tramitando no Congresso Brasileiro, o que nos forneceu material para uma investigação detalhada da maneira de como está acontecendo o debate a respeito dos direitos sexuais e reprodutivos da mulher. Destaca-se, no contexto brasileiro, que a escolha da maternidade deva ser avaliada como uma questão de saúde pública, não se pode aceitar que estigmas sociais continuem criando barreiras à instrumentalização dos direitos da mulher no trato sexual e reprodutivo.

A homossexualidade e o combate à violência de gênero no Brasil através de políticas públicas afirmativas
Fernanda Prince Sotero Westphal e Alexsandra Pizzetti Benincá (UNESC)

Atualmente, as estatísticas demonstram que a sociedade ainda discrimina, e de forma violenta, o grupo dos Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (GLBT), devido a sua orientação sexual. Estas formas de discriminação são oriundas de preconceitos que remontam séculos passados e, que estão arraigados na história da sociedade. Neste sentido, o que se tem no âmbito social, é na verdade uma grande violência de gênero, no que condiz às práticas homossexuais, pois os indivíduos que “ousam transgredir a ditadura heteressexista” (MOTT; LUIZ, 2007, p. 917), acabam por serem vistos como pessoas anormais, pois optaram por uma orientação sexual diferente dos ditames definidos como corretos pela sociedade. Tendo em vista esse posicionamento discriminatório, o objetivo desta pesquisa é, demonstrar que os homossexuais são merecedores de respeito e devem ter seus direitos garantidos. Para isso, é necessário que haja uma transformação cultural na sociedade, através de mudanças de valores, ressaltando deste modo, o princípio da igualdade material. Assim, é necessária a inserção de políticas públicas afirmativas no combate à discriminação por orientação sexual, através de ações que envolvam a esfera pública, privada, bem como toda a sociedade, na atuação pela defesa dos direitos humanos. Estas medidas devem enfocar especificidades como o direito à segurança, educação, saúde, trabalho, cultura, como também, o combate à violência e a discriminação contra gays, lésbicas, transgêneros e bissexuais. A efetivação de políticas públicas afirmativas é de suma importância, já que, busca lutar contra a homofobia, bem como, conscientizar a sociedade da importância do respeito ao próximo.

DASPU – uma tentativa pela visibilidade
Francieli Manginelli (UFPR)

Muitas são as formas de se transmitir idéias na sociedade contemporânea e a moda têm-se mostrado uma das mais promissoras (contando que já possui um passado bastante considerável). O presente trabalho tem como objetivo analisar se este modo de discurso consegue vender idéias e todos os segmentos, mas principalmente nos marginalizados pelo meio social. Assim entro com a temática da prostituição e da grife de profissionais do sexo criada pela Organização Davida no Rio de Janeiro, a Daspu. Analiso como suas idéias são aceitas pelo meio, se são compradas/ consumidas e em que profundidade. Faço um levantamento da subjetividade de integrantes de comunidades do site de relacionamentos – o orkut – e sua percepção das causas da grife, principalmente nas causas principais de defese: a profissionalização da prostituição e o rompimento com preconceitos e estigmas impostos a elas.

Concepções epistemológicas norteadoras da produção científica sobre o tema sexualidade na adolescência
Francine de Barros, Mariani Cristini Luz, Marivete Gesser (UNIPLAC)

A sexualidade é um fator determinante na constituição do sujeito,especialmente na adolescência, caracterizada por um período de grandestransformações (corporais, biológicas, afetivas, emocionais e sociais).
Entretanto, nem sempre os pais e os professores estão preparados para lidar com esta temática, já que estes, predominantemente, se constituíram sujeitos em um momento histórico no qual ao sexo eram ligados significações de repressão, vergonha e culpa. Assim, muitos jovens, insatisfeitos com os conhecimentos recebidos pelos pais e pela escola, procuram se informar através de outros meios, como amigos, livros, revistas, televisão, internet e outras formas disponíveis na mídia. Diante disso, procurou-se investigar quais as concepções de sexualidade que norteiam a produção do conhecimento científico sobre o tema. Como metodologia, realizou-se uma pesquisa bibliográfica em artigos relacionados ao tema e documentos oficiais - Proposta Curricular de Santa Catarina e Parâmetros Curriculares Nacionais. O referencial teórico norteador da pesquisa baseou-se na Psicologia Sócio-Histórica. Constatou-se, por meio da análise da produção do conhecimento na área, que esta vem propondo
a superação das concepções médico-higienista e moral-religiosa de sexualidade enfatizando esta como uma dimensão humana, presente em todos os momentos do
desenvolvimento. Além disso, há predominância de uma crítica às informações acerca da sexualidade disponíveis para os jovens, haja vista que estas ainda trazem consigo mitos, tabus e preconceitos, além de reproduzirem as relações assimétricas de gênero.

Pole dance e o corpo feminino na televisão
Francine do Nascimento Ghiggi (UCS)

A Pole Dance, dança sensual contemporânea, tem conquistado espaço em diversos programas de televisão. Os magazines femininos televisivos aproveitam o sucesso dessa dança para atrair a atenção do público-alvo. Este trabalho analisa a Pole Dance apresentada em um programa “Mais Você”, da Rede Globo, em 2007, visando discutir como o corpo feminino é explorado. A análise realizada indicia que existe um ideal de beleza e um modelo de corpo “perfeito”, representados através de estratégias verbais e não-verbais, como uma exigência da sociedade, acompanhando as tendências do mercado. Esse conjunto de estratégias reforça a idéia de que a mulher que se enquadra nesse modelo é sensual e contemporânea.

A boa nova... velha! A construção de uma mulher em uma comunidade alternativa
Francisco Souza da Silva (UNESP)

A pesquisa pretende analisar as relações sociais de gênero em uma comunidade alternativa, cujo modo de vida baseia-se na tradição bíblico-cristã e na cultura hebraica. Apesar da proposta de conceber uma nova ordem social e de relação com o outro e a natureza, percebeu-se que ao mesmo tempo em que a comunidade avança na crítica das relações econômicas e sociais, retrocede quando se trata de relações culturais, principalmente nas relacionadas com a questão de gênero. Pensar a condição da mulher que abandona a sociedade moderna, permeada pelas conquistas dos movimentos feministas, desde as lutas que desafiaram as práticas e valores que legitimavam o sistema hierárquico das relações de gênero entre outros, para viver em uma sociedade patriarcal, cujas ações são ritualizadas segundo costumes religiosos, que dividem o espaço, ações e comportamentos para homens e mulheres, que de alternativo ou de novo tem essa vida para essas mulheres? Existe uma divisão racional dos papéis sociais, por exemplo, o trabalho na produção agrária é delegado ao homem, para as mulheres cabe a dedicar-se a educação e as tarefas que consiste em decoração ou ornamentação. Até o momento percebo que a comunidade pensa sobre a autonomia das mulheres, mas limita essa reflexão, porque segundo sua tradição a mulher foi criada para a família e para os cuidados do lar, uma vocação que é benéfica para toda a sociedade. Mas Deus atribui ainda a tarefa de ser mensageira da “Boa Nova”, por este motivo que tem um certo espaço de atuação.

A interferência do carnaval na vida das mulheres negras de Novo Hamburgo
Jenifer Nina das Neves, Luciana Marques Pereira (FEEVALE)

Nesta pesquisa analisamos a relação que as mulheres negras de Novo Hamburgo/RS mantêm com o espaço do carnaval, especialmente através da dança no carnaval de rua e da sua vivência no interior das escolas de samba, onde dão visibilidade a uma forte expressão corporal herdada dos seus ancestrais africanos, fazendo da música e da dança alicerces para a consolidação de sua identidade. Focamos na trajetória de vida dessas mulheres e nas narrativas do seu cotidiano sobre o fazer carnavalesco nos doze meses do ano, na tentativa de compreender suas expectativas, medos, sonhos, privações, bem como os significados que atribuem em torno do ser mulher, negra, trabalhadora, integrante e artista do carnaval no contexto cultural do Vale dos Sinos/RS, uma cidade marcada por narrativas sobre a imigração alemã. Além de analisar as histórias de vida dessas mulheres também buscamos verificar o processo de sua inserção social e racial na sociedade hamburguense, tentando visualizar de que forma o carnaval interfere nesta inserção bem como no desenvolvimento da auto-estima dessas mulheres. Além do recurso da história oral optamos por uma abordagem etnográfica em várias atividades desenvolvidas no interior das escolas de samba.

As (re)dimensões da maternidade: um estudo da (trans)formação social do corpo feminino
Jessie Ortiz Marimon (FURG)

A existência de maternidades múltiplas, com diferentes sentimentos e comportamentos incutidos, apontada por autores como Badinter(1980) e Meyer(2003), nos permitem analisar alguns imperativos sociais que atuam sobre o corpo, em especial o feminino, engendrando e normatizando os gestos, os sentimentos e as identidades femininas. Dentro dessa perspectiva destaca-se o corpo como “objeto” dotado de idiossincrasia social, singular em sua temporalidade e espaço, a qual norteia os comportamentos, saberes e técnicas que produzirão legitimidade às formas e valores das experiências humanas. Chama-se de técnica “um ato tradicional eficaz” visto que “não há técnica e não há transmissão se não houver tradição” (MAUSS, 2003:407). Nesse sentido articulamos essas considerações e conceitos ao estudo da maternidade, percebendo-a, como um construto social tradicional, resultante da reprodução constante de discursos e comportamentos que disputam entre si a legitimidade. Dessa forma, o objetivo deste trabalho é analisar as diferentes produções de maternidades, em diferentes conjuntos sócio-políticos, e suas implicações na construção de corpos femininos e maternos refutando, desta forma, uma “conduta universal e necessária da mãe” (BADINTER, 1980). Como metodologia será utilizado o método cartográfico de pesquisa desenvolvido por G.Deleuze e F. Guattari utilizado para pesquisas de campo referente aos estudos da subjetividade (KASTURP, 2007), compreendido como uma forma de registrar os territórios subjetivos que, cotidianamente, são atravessados por diversos meridianos e paralelos, delimitando espaços subjetivos e construindo cartogramas que permitem o sujeito situar-se em um dado momento no mundo, analisando em especial, as vivências das diversas maternidades e discursos legitimadores que produzem os sujeitos-mães.

Mulheres na World Music: um estudo a partir de dois grupos femininos
Letícia Grala Dias, Maria Ignez Cruz Mello, Acácio Tadeu de Camargo Piedade (UDESC)

Esta investigação tratará da World Music tendo como perspectiva a forte participação feminina neste segmento, apresentando-a, portanto, como objeto de interesse para os estudos de relações de gênero e música. A partir da orientação etnomusicológica, abordaremos esse fenômeno por meio de dois grupos femininos brasileiros: o Mawaca (São Paulo) e o Andara (Florianópolis). Diferentemente de muitos gêneros musicais, como o Samba e o Rock, entre outros, a World Music tem consolidado a participação feminina, constatada hoje pelo grande número de grupos formados exclusivamente por mulheres. Pretende-se com essa investigação lançar um olhar para esse fenômeno buscando entender de que forma a condição de gênero influencia a musicalidade desses grupos, bem como refletir sobre as implicações desse movimento feminino na World Music e na produção musical contemporânea.

Recortes de gênero e classe no ambiente escolar
Liane Nunes de Souza Gadelha, Patrícia da Silva Azevedo, Jaqueline Xavier de Matos Cardozo, Rosely Almeida Souza, Priscila Tainan Camargo, Renata Guerreiro Barbosa, Maria de Fátima Oliveira Mattos (UEMS)

Todos os estudos voltados para a Educação e Orientação Sexual apontam para a grande barreira que existe entre os jovens e suas famílias. Falar de sexo, em muitos lares, é tido como um imenso tabu, um assunto que todos convivem diariamente, mas que quase nunca é dito abertamente, com exceção de algumas famílias. Com as mudanças na estrutura social da família, a escola passa a ser um forte contexto para o desenvolvimento de uma educação sexual, que promova no adolescente um senso de auto-responsabilidade e compromisso para a sua própria sexualidade. Os adolescentes e jovens estão vivendo um período de efervescência, onde muitas informações a que têm acesso, são mediadas pelos livros, programas de TV, filmes, revistas e conteúdos disponíveis na internet. Poucos materiais estão comprometidos realmente com a Educação Sexual, muitos se restringem à propagação do sexo e da erotização. As escolas convivem, diariamente, com o crescimento do número de adolescentes grávidas, que provoca uma série de problemas em seqüência, dentre eles a desestruturação familiar e o abandono dos estudos. A falta de informação sobre os métodos contraceptivos é grande, pois o número de adolescentes grávidas vem aumentando e o número de DST também, principalmente nas meninas que são susceptíveis a infecções por HPV. As diferenças socioeconômicas e culturais da população de nosso país influenciam diretamente no conhecimento e uso de métodos anticoncepcionais, em ambos os sexos.

Mulher, Sexualidade e Envelhecimento
Lige Mara Rauber Bortolotti (UFSM)

Michel Foucault (1988)[2] afirma que a sexualidade é o nome dado a um dispositivo histórico, uma grande rede de superfície em que a estimulação dos corpos e a intensificação dos prazeres, funcionam como incitantes ao discurso. Não é, pois, a sexualidade um dado da natureza que o poder tenta reprimir, mas antes de tudo, o produto do encadeamento da estimulação dos corpos, da intensificação dos prazeres, da incitação ao discurso, da formação de conhecimentos, do reforço dos controles e da manifestação das resistências. Por sexualidade, podemos hoje assinalar o conjunto de condutas e práticas relacionadas ao comportamento sexual que incluem deveres, prazeres, sentimentos, sensações e sonhos. O presente trabalho tem por objetivo investigar as formas de significar e vivenciar a sexualidade exteriorizadas por mulheres com mais de 60 anos participantes de bailes de terceira idade. O deciframento do universo dos bailes de terceira idade será realizado mediante observação direta nos locais de realização dos encontros e de entrevistas com participantes desses eventos. O estudo pretende responder as seguintes questões: Como as mulheres com mais de 60 anos vivenciam e significam a sexualidade? Quais as relações que se estabelecem entre sexualidade, mulher e velhice? Quais os efeitos desses entrelaçamentos? Ratifica-se a importância do estudo em função do aumento da população idosa, pela feminilização dessa população e pelo crescente índice de contaminação com Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS entre os idosos, podendo o referido trabalho contribuir para programas que visem o bem-estar geral dessa parcela da população.

O planejamento familiar como prática de controle a falsa naturalização da atribuição feminina
Liliane Machado Cabreira, Monica Antonio Maria, Jaqueline Nowak Benguella, Regiane Tu Kun Ma, Maria Lúcia da Silva, Maria de Fátima Oliveira Mattos (UEMS)

Este estudo, desenvolvido no Assentamento Lagoa Grande, município de Dourados - MS tem como eixo central identificar as representações das mulheres, no tocante às questões reprodutivas e contraceptivas. Procurou-se conhecer de que forma é feito o planejamento familiar/controle de natalidade entre as famílias que residem no Projeto de Assentamento Lagoa Grande, a partir de uma analise de gênero, para identificar sob qual perspectiva esta responsabilidade é atribuída aos casais, se é uma decisão do casal, atribuição efetivamente feminina ou supostamente atribuída às mulheres. O estudo permitiu conhecer a forma com que dividem essa função, que nos discursos parecem ser mais uma função atribuída às mulheres, mas que a realidade reforça que, assim como em tantas outras questões, é também uma forma de controle, de poder e falsa naturalização do poder decisório das mulheres. Para as mulheres, essa suposta naturalidade das relações entre homens e mulheres é muito complicada, pois se de um lado existe a figura de um marido, onde ela se submete/aceita uma relação de subordinação, é porque sempre conviveu com esse modelo, através das relações de patriarcado. Segundo as mulheres, os maridos deixam a cargo delas, mas reclamam do uso de preservativos e se recusam a fazer vasectomia. A falta de diálogo e a própria imposição das decisões dos maridos reforçam a existência de conflitos dos papéis sociais de homens e mulheres. Sendo assim, percebe-se a submissão feminina, onde o direito das mulheres de decidir sobre seu corpo só é possível a partir de opções eu os maridos lhe oferecem.

A mulher entre o anjo e o demônio: Os discursos e as representações sobre as mulheres nos Almanaques, Publicações da Igreja Positivista do Brasil e livros didáticos (1889-1930)
Linara Bessega Segalin (UCS)

Tendo em vista a longa atuação da sociedade patriarcal e o poder disciplinar do discurso, a nossa problemática visa refletir quais os discursos e representações sobre as mulheres são veiculadas durante a Primeira República Brasileira por essas três fontes (Almanaques, Livros didáticos, e Publicações da Igreja Positivista do Brasil) , e que tipo de recursos são utilizados para repassarem suas ideologias. A pesquisa apresenta através análise das fontes discursavas as relações de poder entre homens e mulheres do período. Neste período, as mulheres estavam no centro de um discurso excessivo, que ora as elevavam ao pedestal como excelentes guardiãs da moral e ora as rotulavam como destruidoras da paz e da vida dos homens. Essa “ordem natural masculina” precisava ser constantemente reforçada, já que a idéia de uma inversão de papéis assustava o mundo masculino. Assim, nos três tipos fontes analisadas, mesmo contendo em suas páginas matrizes ideológicas distintas e serem destinados a públicos igualmente diferentes, verificamos que os discursos e as representações reforçam a dicotomia entre os sexos, inferiorizam a inteligência e racionalidade das mulheres, contribuindo para aprisioná-las na esfera privada do lar e privando-as de exercerem seus direitos cidadãos. Os discursos, e as representações se utilizam de poemas, anedotas, lições, textos, imagens, de maneira direta, ou indireta para veicularem sua moral disciplinar sobre as mulheres. No entanto também percebemos nos discursos que as mulheres resistiam às imposições morais, transgredindo as regras que lhes eram impostas, tanto na esfera privada do lar quanto na esfera pública.

Prendas que ‘usam bombacha’ e ‘gineteam’: da constituição de identidades juvenis tradicionalistas gaúchas no site Orkut
Lisandra Veiga dos Santos, Elisabete Maria Garbin (UFRGS)

A internet com seus ciberespaços tem aberto muitas possibilidades de escrita de si como marca identitária. O site de relacionamento Orkut, por ser mais disseminado entre os jovens atualmente, abarca justamente esse caráter constitutivo de identidades, legitimação de discursos e espaços onde o poder de repúdio e/ou aceitação transita livremente entre os usuários. Esse ciberespaço promove movimentos culturais de todas as ordens, dentre eles, o tradicionalismo gaúcho têm se destacado pelo acentuado número de comunidades (fóruns para debate entre os membros e com títulos que muitas vezes descrevem modos de ser) e de jovens que se descrevem adeptos a tal cultura. Esta comunicação – parte de estudo sobre identidades juvenis em territórios culturais contemporâneos – traz recorte de pesquisa que focaliza os modos como as jovens que “escapam” à regra da indumentária gaúcha, ocupam um território considerado masculino chamado gineteadas, se narram e como são percebidas [ou não] pelos membros partidários dessa cultura gaúcha no Orkut. Os primeiros achados indicam que tais narrativas são constituintes de um processo de identificação (s) juvenil(s), bem como de gênero na sua cultura e por tal, as jovens se descrevem como tradicionalistas. Porém, os membros do site adeptos a essa cultura as criticam, execram e excluem, dados os dispositivos de poder exercidos por uma cultura eminentemente masculina e a ‘fuga’ dos modos de ser gaúcha tradicionalista e, em especial, de ser prenda, das garotas que ‘usam bombachas’ e ‘gineteam’, descrevendo-se naquele ciberespaço.

“Zig zig zaa”: um estudo sobre moda pedagógica e educação dos gêneros
Lívia Marsari, Michele Santos Tentor (Universidade Estadual de Maringá)

Este pôster apresenta alguns resultados da pesquisa que é desenvolvida em nível de Iniciação Científica, a qual tem por objetivo analisar as roupas como artefato pedagógico de educação dos gêneros. Através da coleção Zig Zig Zaa, da Malwee, lançada no mercado de moda infantil em 2007, para crianças de um a seis anos, pretendemos desvelar e conhecer a relação entre moda e educação. Nosso encaminhamento é no sentido de detectar nas peças que a compõem, as idéias, as imagens e as representações que são criadas para o que é ser menino e menina e as noções de feminilidade e de masculinidade que veiculam. Por meio desses procedimentos, almejamos identificar a contribuição das roupas na construção das aparências e na formação dos gêneros. Para esta apresentação, selecionamos alguns modelos de roupas, procurando identificar as representações que elas produzem para o masculino e feminino, analisando-se as cores usadas e como o lúdico e o brincar são empregados para estimular a imaginação e a criatividade das crianças. Portanto, trataremos de mostrar os conceitos pedagógicos que guiaram a produção de moda infantil.

Atravessamentos da Diversidade Sexual e Gênero nas Práticas Educativas
Luan Carpes Barros Cassal, Luciana Patrícia Zucco (UFRJ)

O presente trabalho analisa os relatos de professores de unidades de ensino da cidade do Rio de Janeiro sobre gênero e diversidade sexual na escola. Estes professores participaram das atividades do Projeto Diversidade Sexual na Escola - UFRJ, financiado pela SECAD. Justifica-se pela grande incidência de casos de violência e discriminação sofridas pel@s lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT). Cabe destacar, que as teorias sobre identidade contemplam a desconstrução da lógica binária do masculino-feminino para limites muito mais fluidos e permeáveis (Hita, 2002), refletindo tal movimento nas discussões de gênero. A abordagem é qualitativa e o método utilizado contempla a pesquisa participante. Foram coletados relatos ao longo das oficinas e do curso de professores do ensino fundamental e médio. Destes, foram trabalhados aqueles que apresentavam questões relacionadas à diversidade sexual. A análise aponta que os conflitos no ambiente escolar eram decorrentes da condição de gênero ‘desviante’, sendo esta condição inadequada às normas. Esta que passa a ser associada a uma orientação sexual também ‘desviante’, formando um rol de excluídos. Algumas vezes, esse processo se dá de forma institucionalizada, onde a escola se coloca como normatizador. As reações dos grupos sociais onde os sujeitos estão inseridos são bastante diversas e variando da aceitação até à agressão, por questões relativas principalmente às relações de poder. Os dados indicam, ainda, a necessidade da inserção do conteúdo referente à sexualidade, gênero e diversidade sexual na formação dos professores, além de uma capacitação continuada.

Vicissitudes da política de HIV/aids: o acolhimento católico
Luana Rosado Emil; Fernando Seffner (UFRGS)

A presença religiosa no trabalho de prevenção e contenção da (pan)epidemia causada pelo HIV/aids vem sendo apontada como fundamental e estimulada por organizações internacionais, como a UNAIDS. No âmbito nacional, já temos um histórico de ações e seminários sobre a importância do engajamento das religiões na luta contra a aids. A necessidade de "apoio espiritual" as pessoas, após o recebimento do diagnostico, é apontada como umas das principais razões para essa aproximação, bem como a valorização das igrejas em sua tradicional missão de apoio aos necessitados. A partir de entrevistas e observação participante, estamos acompanhando o cotidiano de trabalho - oficinas, celebrações, acolhimento, assistência – de uma organização católica de assistência a portadores de HIV/aids em Porto Alegre. Essa organização se mantém a partir de recursos financeiros originários tanto do Programa Nacional de DST/HIV/aids, como da Igreja Católica e de doações. Neste contexto, podemos observar como se dá execução da política pública por uma entidade religiosa - em um Estado constitucionalmente laico. Assim, buscamos entender e problematizar as vicissitudes da relação Estado – Igreja na construção e execução desta política pública específica. Isto implica discutir como ela é interpretada e "recebida" no contexto local, em particular pelos usuários soropositivos da instituição, mas também implica perceber como as tradicionais diretrizes católicas, em contato com a estrutura conceitual da aids como política pública, experimentam modificações e re-interpretações.
Palavras-chave: política pública, laicidade, aids

As imagens de violência representadas pelas roqueiras de Aquela Banda da Montagem
Luana Tavano Garcia (UDESC)

Neste artigo analiso a questão performática atribuída ao gênero musical Rock´n Roll como símbolo histórico de uma cultura masculina e de violência. Relaciono as características comuns da performance de roqueiros com a atuação das atrizes de Aquela Banda da Montagem, uma banda de Rock que integra a peça teatral Vinegar Tom (1976), de Caryl Churchill e dirigida pela Profª. Drª. Maria Brígida de Miranda. Na performance da banda foram utilizadas referências que remetem à imagem da femme fatale, como mulher sensual, sem medo e que representa poder e perigo. Como participante desta banda, apresento uma pesquisa que serve como fonte de estudo sobre a recepção de Aquela Banda da Montagem. Reflito sobre as possibilidades de imagens de violência formadas pela representação destas mulheres em contraste com a peça. E procuro apontar quais as diferenças entre a percepção do homem e da mulher na recepção desta performance que contém nas letras das músicas um caráter contemporâneo e de agressividade e que utiliza a linguagem e atitude específicas do Rock´n Roll para transmitir uma mensagem feminista.

Manuscritos Culinários de 1900-1950: das relações sociais e dos laços de família
Luanna Vaz Amaro (UFPB)

Pretende-se desvendar toda a história, ambições, memória, tradição, emoção de mulheres em sua vida cotidiana que se resume a uma vida cheia de afazeres e cuidados domésticos nos primeiros cinqüenta anos do século XX (1900-1950) a partir do corpus da pesquisa Manuscritos Culinários de 1900-1950: Trajeto dos laços de família e da vida privada. Esses manuscritos acabam por se tornarem verdadeiros símbolos de uma vida destinada ao lar, e contam seus trajetos cotidianos através de textos reveladores de suas memórias como forma de reconstrução de sua história. Os manuscritos culinários por constituírem a fixação da voz são verdadeiras escrituras, que evocam a memória das mulheres relatando experiências, religiosidade, relações sociais e familiares, fatos históricos ocorridos na época, tendências de moda e beleza. O espaço simbólico contido nos manuscritos é o da cozinha, espécie de teatro em que o enredo é a magia das receitas. É pelo espaço da oralidade que se pode captar a performance revelada de várias maneiras: pelo uso da escrita formal, pela maneira como são fixadas e organizadas as receitas, pelas modalidades e efeitos da escritura que provocam associações de um turbilhão de sensações apontando para a presença corporal do emissor do texto. Trazendo a compreensão da trajetória da memória individual das mulheres habitantes em João Pessoa como construtora da memória coletiva da cidade de João Pessoa.

Autonomia e Projetos Profissionais dos Jovens na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul
Lucas Coradini (UFRGS)

Estudos recentes realizados na região sul do País apontam diferenciações de gênero como determinantes para a evasão dos jovens do trabalho agrícola familiar, cabendo às mulheres maior vulto nesta tendência. O objetivo desta pesquisa é examinar em que medida os diferentes níveis de autonomia dos jovens agricultores relacionam-se com seus projetos profissionais. Os indicadores de autonomia considerados são a responsabilidade sobre o trabalho desenvolvido e o acesso direto a recursos materiais inerentes à prática agrícola (terra, renda e crédito). Contando com dados de uma pesquisa recente sobre os jovens na agricultura familiar no Rio grande do Sul, esta pesquisa adota como componente metodológico uma investigação de caráter quantitativo a partir de 483 questionários padronizados aplicados a jovens agricultores solteiros. Como resultado parcial, constitui-se um cenário formado por jovens que são subordinados aos seus pais na administração da propriedade e que pouco acessam aos recursos materiais provenientes desta atividade, o que é mais observado entre as mulheres. O baixo grau de autonomia manifesta-se também na predominância da figura paterna na obtenção de crédito para a atividade agrícola em detrimento dos jovens, com maior subordinação das mulheres em relação aos homens. No que concerne aos projetos profissionais, as jovens agricultoras investem mais em estudo e formação para o mercado de trabalho não agrícola enquanto entre os homens predominam disposições de investimento no trabalho agrícola. Por outro lado, todos os jovens com um grau de autonomia superior à média pretendem assumir a profissão do pai, sendo a associação entre autonomia e projeto profissional mais significativa para as mulheres que para os homens.

O Estereótipo Feminino na Construção de Mulheres: Um Estudo Exploratório
Lucas Gerzson Linck, Daniela da Silva Vera, Grazieli Franco Pereira, Marlene Neves Strey (PUCRS)

Masculino, Feminino e Ciclo Vital faz parte do projeto guarda-chuva Gênero Gerações e Subjetividade, do Grupo de Pesquisa Relações de Gênero no Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Psicologia da PUCRS. Este estudo busca explicar o que as mulheres entendem sobre feminilidade. Para tal, utiliza questionário composto por dados demográficos (sexo, idade, estado civil, nível educacional, atividade exercida) e duas perguntas abertas: “o que é ser feminina”? E “o que é ser masculino?” A análise foi realizada por meio de percentuais e médias (quantitativa) e análise de conteúdo (qualitativa). Tais concepções justificam a constituição de opressões e estereótipos sociais que estabelecem o que é ser masculino ou feminino e as atribuições dirigidas aos homens e mulheres. Estas limitações, barreiras, prejuízos, preconceitos sociais circulam, criando senso comum e transmitindo por gerações, discriminações e padronizações instituídas como verdades que precisam ser desconstruídas criticamente. Ser masculino pode ser visto como ser agressivo e violento na solução dos problemas, enquanto ser feminina pode ser considerado como ser sensível, cordata e submissa aos desejos dos demais. Pode levar um homem a participar ativamente de comportamentos brutais dentro de casa e à mulher a aceitar esses comportamentos como sendo naturais na natureza masculina.

Decisões judiciais e narrativas sobre boa maternidade: o amor materno como um elemento na/em disputa
Luciana Pêss, Claudia Lee Williams Fonseca (UFRGS)

O presente trabalho é parte de uma pesquisa mais abrangente realizada pelo Núcleo de Antropologia e Cidadania da UFRGS (NACi/UFRGS) sobre adoção, dinâmicas familiares, lei e políticas de intervenção. O recorte aqui privilegiado tem como objetivo observar as narrativas sobre boa maternidade e paternidade, construídas em decisões judiciais de segunda instância no âmbito do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ/RS). Tratam-se de casos de adoção, nos quais os genitores, que entregaram filh@s a terceiros e arrependeram-se, requerem a reintegração da criança à família de origem. Este trabalho visa discutir a forma como se fundamentam as decisões judiciais nestas situações de disputa entre família biológica e adotiva, observando a maneira como a idéia de maternidade/paternidade responsável se relaciona a variáveis como gênero, classe, e adequação às normas sociais. A metodologia utilizada consiste em revisão bibliográfica e análise documental da Jurisprudência produzida, especialmente pela Sétima e Oitava Câmara Cível do TJ/RS, no período de novembro de 2001 a dezembro de 2007. Este material foi coletado no site do Tribunal de Justiça, a partir de buscas pelos termos “adoção”, “guarda”, “destituição de pátrio poder” e “destituição do poder familiar”, acompanhados do termo “arrependimento”. Pôde-se observar, preliminarmente, que a fundamentação da decisão judicial, embora seja sempre baseada no principio do melhor interesse da criança – que por si só, já justificaria juridicamente a decisão – constitui-se majoritariamente de um discurso permeado por uma noção naturalizada de maternidade, que avalia a conduta dos genitores, em especial da mãe biológica, em relação à criança.

O poder colocado em xeque: representações literárias desconstruindo a violência entre os gêneros
Luciana Vieira Souto Maior (UFPB)

Conforme Teresa de Lauretis em seu artigo “Tecnologia de gênero”, o sistema de gênero determina lugares para o feminino e o masculino, sendo que as opções sociais atreladas ao feminino tendem a ser menos convidativas dentro de sociedades dominadas pela lógica patriarcal, já que nessa esfera o sujeito masculino goza de privilégios. Nesse sentido, pretendemos discutir como se estabelecem as relações de poder entre os gêneros em grupos sociais marcados pelo patriarcalismo e a resistência desses grupos em relação àquelas mulheres que fogem do padrão de comportamento esperado. Nossa proposta é utilizar conteúdos do campo dos estudos de gênero (Lauretis, Scott, Butler, etc.), principalmente voltando o nosso olhar para questões que tratam do corpo da mulher e como ele se torna um território onde a violência é exercida, mas também onde alguma resistência pode ser ensaiada. Com base nas leituras desenvolvidas no projeto “‘Cultura’ e ‘gênero’ na literatura de grupos não-hegemônicos” do qual fazemos parte, utilizaremos alguns exemplos identificados na literatura produzida por escritoras brasileiras, centrando o foco sobre aquelas que discorrem sobre essas questões de forma inovadora.

Produção e educação e do corpo feminino – cuidados e dispositivos de adequação no Caderno Donna DC
Luiza Souza de Souto (UFSC)

Os cuidados com o corpo na sociedade contemporânea têm tomado proporções cada vez maiores. Até mesmo a saúde ocupa um lugar social secundário diante de tanta preocupação em se ter formas consideradas ideais. As publicações para o corpo feminino são várias e se configuram como cartilhas evangelizadoras da corpolatria. Dentre elas, coloca-se o Donna DC, encarte feminino dominical do jornal Diário Catarinense, tablóide de circulação estadual, mas com presença também em outros estados brasileiros e no exterior. Tratamos aqui de resultados de uma pesquisa que teve como objetivo analisar as técnicas e cuidados com o corpo presentes nesse encarte, entre os meses de junho de 2007 e maio de 2008. As fontes foram analisadas qualitativamente, com ênfase no movimento de repressão e incitamento à conformação do corpo feminino, o que configura uma pedagogia materializada nos editoriais, matérias, propagandas etc. Os resultados sugerem: (1) que o corpo feminino é tratado como matéria a ser corrigida em sua “insuficiência”, em especial no que se refere ao envelhecimento; que o olhar masculino é visto como critério de força e avaliação do corpo feminino; que a família patriarcal é reafirmada como modelo; que as recomendações para o corpo atendem ao curso do calendário, acompanhando as partes anatômicas mais ou menos expostas, conforme a estação do ano.

Hegemonia, e identidade na literatura chicana: locais de enunciação e representação literária
Lygia Silveira Fontes (UFPB)

O presente trabalho pretende discutir a importância da produção literária das mulheres chicanas para os estudos de gênero na área. O foco será a literatura reunida nas obras This Bridge Called My Back e Making Faces, Making Soul – Haciendo Caras, ambas organizadas por Glória Anzaldúa. Analisaremos a representação que a literatura oferece do local de enunciação de suas autoras, que, na condição de chicanas, sofrem opressões relacionadas a gênero, etnia, nacionalidade e (algumas, em particular) sexualidade (como é o foco de muitas autoras nas coletâneas escolhidas). Com categorias interdisciplinares como hegemonia e identidade, pensaremos na proposta de construção identitária contra-hegemônica das autoras. Para a análise da complexidade desse novo local de locução literária, se faz necessária também a utilização de alguns conceitos e propostas particulares do discurso chicano, contidos em ensaios dos livros supracitados, que misturam, intencionalmente, gêneros textuais literários e analíticos. Algumas dessas questões foram estudadas através da pesquisa PIBIC intitulada “Hegemonia e identidades culturais na literatura contemporânea”, sob a orientação da Profa. Dra. Liane Schneider, em seu projeto “Literatura de grupos não-hegemônicos: representações culturais e de gênero”.

Desigualdades de gênero e o novo código civil
Maisa Santos Alves (UESB)

Este trabalho apresenta os estudos iniciais de uma pesquisa que tem como objetivo comparar e analisar as mudanças ocorridas no texto do Código Civil de 2002 e identificar o seu reflexo no cotidiano feminino. Os preconceitos e as discriminações contra a mulher estão presentes ao longo de toda a história e perdura até os dias de hoje, pois essa cultura machista está enraizada em toda a sociedade. Os papéis sexuais foram definidos: para a mulher foi estabelecido a submissão e o cuidado com o lar, enquanto que para os homens espera-se uma postura de coragem e sustento da família. Em 2003, entrou em vigor o novo Código Civil que promoveu alterações no ordenamento jurídico e trouxe inúmeros progressos no que se refere ao direito das mulheres. Conquistas estas, já proclamadas pela Constituição de 1988 e que foram reforçadas por esse nosso dispositivo legal.

O que convém à mulher de Deus
Marcello Múscari, Fernando Seffner (UFRGS/ILEA)

O Projeto Respostas Religiosas ao HIV/Aids no Brasil busca documentar os vários modos pelos quais as religiões têm respondido ao HIV/aids no país. Visa também mapear as maneiras como as respostas de cada tradição religiosa têm interagido com a comunidade local, a sociedade civil, e com grupos populacionais específicos (como as mulheres, por exemplo). O material selecionado para o presente pôster faz parte do estudo de caso que acompanha as atividades da IURD – Igreja Universal do Reino de Deus, a partir de observação participante na catedral de Porto Alegre.O trabalho de campo permitiu perceber uma produtiva tensão, entre os modos como se efetua a conciliação entre as propostas doutrinárias mais gerais e a aceitação a que se propõe a IURD das pessoas "como elas são", abordando em particular as representações de mulher ali circulantes. Assim, na Catedral podem-se ouvir relatos de fiéis dizendo que ingressaram na doutrina, pois nela não teriam que mudar seus modos de se vestir e se portar: "aqui posso continuar usando calças, brincos e maquiagem". Por meio de entrevistas, análise de cunho etnográfico de materiais impressos e observação participante nos seus ambientes de socialização, busco compreender como esta denominação religiosa concilia propostas estéticas e sociais de uma esfera extra-religiosa com as idéias do que é ser "mulher de Deus". Que ideal de mulher está em jogo, e que valores são prezados? Como isto se relaciona com esta não-negação do "mundo comum" nos discursos e práticas dos membros da IURD?

A disparidade de gênero no mercado de trabalho brasileiro
Marcelo Rodrigues Lemos, Sônia Alice Séjour Araújo (UFU)

O presente artigo tem por objetivo analisar o mercado de trabalho brasileiro perante suas desigualdades de gênero. Estudar a nova configuração do mercado de trabalho no Brasil acarretada pela reestruturação produtiva sob o enfoque de gênero justifica-se, pois as relações de gênero, pensadas de maneira relacional, “entram em qualquer aspecto da experiência humana sendo elementos constitutivos dela” (JANE FLAX), edificando relações sociais. Como metodologia utilizo dados estatísticos de teor quantitativo provenientes de pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de buscar o conceito central de gênero em Jane Flax, utilizando assim, a idéia de relações sociais relacionais de gênero. Os resultados obtidos por este estudo foram a presença de grupos profissionais específicos pré-estabelecidos como pertencentes a homens ou mulheres, bem como a discrepância salarial entre os sexos.

O impacto social da presença masculina na creche
Maria Aparecida Fernandes Costa (UFSC)

No âmbito das instituições de Educação Infantil, percebemos a incidência maior de cargos ocupados por mulheres, como é o caso das creches. Desse modo, este trabalho baseado em meu trabalho de conclusão de curso de Pedagogia, discute as dimensões relacionais ao trabalho docente, no que diz respeito ao impacto social quanto à atuação do educador masculino junto a crianças de 0 a 3 anos, em uma creche pública da rede municipal de Nova Odessa – SP. Enfatiza a relação entre os adultos: professores/as, educadoras/es, funcionárias/os, mães, pais, familiares e pessoas da sociedade local e busca analisar o que pensam sobre a atuação do homem como professor de crianças pequeninhas. A partir dos dados coletados em observações e entrevistas realizadas na instituição pesquisada, o presente trabalho discute a questão do trabalho docente masculino na creche e sua relação com o universo da família patriarcal, com a divisão sexual de papéis e a associação da identidade da mulher à maternidade. A discussão tem como principal referencial teórico estudos de gênero que ajudam a problematizar o cuidado/educação na Educação Infantil (Saffiotti, 1979; Rosemberg, 1995; Louro, 1995; Cerisara, 1996; Saparolli, 1997; Bruschini, 1998; Carvalho, 2002; Finco 2004; Oliveira, 2004 e Sayão, 2005). A discussão busca contribuir para o rompimento do ciclo de reprodução dos estereótipos na Educação Infantil e para refletir sobre a necessidade da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres em relação aos cuidados com as crianças pequenas.

Corpo feminino e expressão corporal - no debate com meninas em situação de risco
Maria Carolina Lourenço, Maristela Vicente de Paula (UFG)

Este texto trata de um relato de experiências vivenciada no Projeto de Extensão e Cultura “Oficinas Corporais na Morada da Criança”, com um grupo de meninas e adolescentes em situação de risco na faixa etária de onze a dezesseis anos. A Morada da Criança é uma instituição pública municipal, responsável pelo atendimento de crianças e adolescentes encaminhados pelo conselho tutelar e pelo ambulatório de crianças e adolescentes em situação de risco. A oficina teve como objetivo principal desenvolver a consciência corporal, a partir de discussões sobre o corpo e o corpo feminino no contexto social, bem com estabelecer vínculo das mesmas com a instituição, na perspectiva de acrescentar elementos para sua formação pessoal e fortalecer a rede de apoio social que as cerca, quais sejam a família, a escola e outras instituições. Utilizamos como metodologia de intervenção, práticas corporais envolvendo a dança, os jogos, as ginásticas e atividades de dramatização todas vinculadas a temática geral da oficina. As atividades desenvolvidas no projeto receberam suporte teórico a partir de reflexões e estudos realizados pelo Grupo de Estudos Crianças e Jovens em situação de risco, que abordou temáticas relativas a infância, como concepção, políticas públicas, propostas de intervenção e outras. Como resultados desse projeto de intervenção, consideramos o fortalecimento das relações do grupo com a Morada da Criança, participação significativa nas atividades propostas, sejam no campo corporal ou das discussões levantadas.

A Percepção de Homens da Comunidade do Alto Aririú/SC Sobre Seus Cuidados em Saúde
Mariani Santos Baasch, Zuleica Pretto (UNISUL)

Incluir a participação dos homens nas ações de saúde tem sido um desafio para os profissionais da saúde e para o Estado. Afirma-se que o imaginário de ser homem acaba por aprisionar o masculino em amarras culturais dificultando adoção de práticas de autocuidado por parte dos homens. Para problematizar esta questão, este estudo objetivou investigar a compreensão de homens a respeito de seus cuidados em saúde. Foram entrevistados cinco homens moradores de uma comunidade na Grande Florianópolis que estavam aguardando algum tipo de atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) da mesma. Este trabalho foi classificado como uma pesquisa qualitativa do tipo exploratória, que utilizou como recurso de coleta de dados a entrevista semi-estruturada. A análise foi realizada através da elaboração de categorias construídas mediante a relação das falas dos sujeitos entrevistados, as considerações teóricas e as inferências da pesquisadora. Foram encontradas três categorias de análise denominadas: Ações cotidianas referentes aos cuidados em saúde, Utilização dos serviços disponíveis em UBS e Significado/sentido de saúde. Como resultado deste processo, verificou-se que a dificuldade que os homens encontram na relação com seus cuidados em saúde, pode estar perpassada pela questão do gênero. E que, a procura pela UBS ocorre sempre frente a situações em que a doença já está instalada, negando, desta forma, o caráter preventivo e educativo que as UBS deveriam promover. Associado a este dado, concluiu-se que os sujeitos entrevistados atrelaram à sua compreensão de saúde apenas a aspectos orgânicos, ligados ao corpo, excluindo aspectos sociais e psicológicos.

Mito e realidade feminina na Lapa carioca
Marina Silva Alves (UFF)

Como pensar a Lapa sem suas mulheres? Mulheres que majoritariamente em meados da década de 20 e 30 faziam parte de todo um sistema de exploração e prazer lucrativo e que hoje compartilham de forma social equivalente o universo simbólico e as formas de lazer que aquele espaço oferece. Para delinearmos de forma mais clara e agradável esta proposta de estudo, utilizaremos como base de pesquisa a análise literária e poética de autores que a consideravam, por exemplo, um mostruário do mundo com seus amores, vitrina de atrações, de ligações efêmeras, de ciúmes e de juras de balcão de chope e promessas irrealizáveis, em cinco minutos de cama.(IRAJÁ,H.1867) Um mundo que se transformava em mito para as mulheres que não freqüentavam aquele espaço e em estigma para aquelas que ali viviam e dali retiravam seu sustento. Consideraremos nesta tarefa o recorte de dois períodos distintos do universo feminino lapiano que poderemos nomear como: Velha Lapa e Nova Lapa. Assim,convido o leitor a realizar conosco uma viagem que se inicia a partir de um contato mais profundo com o bairro através de uma reflexão sociológica sobre o tema Lapa, corpo, poder e violência sob a abordagem de relações de gênero e literatura.

Marília de Dirceu ou de Safo?: as delimitações territorias da cidade, as relações socias e afetivo/sexuais na construção da subjetividade lésbica
Marleide Maria de Jesus (UNESP)

Durante a construção da história ocidental as mulheres estiveram na condição de invisibilidade sendo relegadas à não ter participação no âmbito econômico, político, social sendo muito recente sua aceitação enquanto sujeito histórico. A necessidade de se insurgir contra essa estrutura tomou forma com a luta do movimento feminista e os resultados foram à ascensão dos vários sujeitos que passaram a exigir reconhecimento. Nessa perspectiva vemos o impasse pelo reconhecimento das lésbicas na história ocidental apesar dos avanços através de movimentos e dos esforços de iniciativas coletivas e individuais de ativistas famosas ou anônimas, ainda sujeitas, em muitas partes do mundo, ao escárnio público, desigualdade e reprovação por parte de alguns setores sociais. A proposta é resgatar a história das lésbicas e fazer um balanço da situação atual das suas vivências em uma cidade média do interior paulista, utilizando a abordagem fenomenológica com ênfase na multiplicidade de subjetividades em relação aos seus movimentos em torno dos chamados “territórios marginais” abarcando nessa interpretação aspectos do mundo objetivado/subjetivado que norteiam suas relações e representações, construção de identidades, produção de subjetividades, fluxos das redes espaciais que fornecem as múltiplas faces dos sujeitos fragmentados em suas experiências e vivências visando compreender a complexidade de ser lésbica em uma cidade do interior paulista. As resistências perante as formas de relações predominantes existem entre as lésbicas, mas as redes sócio-espaciais se restringem a certas áreas da cidade havendo formas alternativas de relação; sendo aspectos de ordem política, econômica, social, moral refletido sobre diferentes formas em suas subjetividades.

"O gênero da Cinderela: construindo boas moças"
Michele Escoura Bueno (UNESP)

Foi em 1950 que Cinderela calçou seu sapatinho de cristal nas telas do cinema: a personagem do conto popular de Charles Perrault foi incorporada à indústria cultural pela animação cinematográfica de Walt Disney, firmando-se como um dos ícones femininos do universo infantil. Partindo da compreensão do cinema como uma tecnologia do gênero, segundo Teresa de Lauretis, visa-se compreender a atuação da versão cinematográfica de Cinderela na construção simbólica do gênero. Gênero é aqui entendido como um complexo marcador cultural que permeia as relações entre os indivíduos, classificando e posicionando-os entre grupos de oposições previamente estabelecidos: um mecanismo que localiza os indivíduos relacionalmente entre si e dentro de um sistema sócio-cultural, que conecta o sexo biológico a textos sociais, lidos e reescritos a partir de códigos culturais e simbólicos preexistentes ao próprio indivíduo. Desse modo, busca-se compreender, por meio das interfaces entre a antropologia e as questões de gênero, como Cinderela reproduz esses valores e comportamentos socialmente estabelecidos e reitera um padrão cultural de feminilidade entre (e para) as crianças. Ao demonstrar Cinderela como a boa moça por excelência o filme entra no imaginário infantil e, mesclando entretenimento e orientação, revela às crianças as regras que estão postas na sociedade: demonstra a rígida posição de valores e comportamentos esperados para o gênero feminino e ainda as conseqüências do não-enquadramento nesses padrões, ensina às meninas como se tornarem boas moças.

Maternidade, uma experiência de poder da mulher
Talita Martinelli (UFSC)

Este trabalho tem como objetivo, apresentar as ações desenvolvidas pela Maternidade do HU em parceria com a Pastoral da Criança no Grupo de Promoção da Saúde das mulheres Gestantes e Puérperas, na comunidade da Trindade. Esse espaço vem se efetivando com ações de forma intersetorial e interdisciplinar, envolvendo vários profissionais da maternidade do HU, possibilitando a execução de ações mais concretas que visam à promoção das mulheres no âmbito da saúde sexual e reprodutiva. O grupo desenvolve diferentes ações sócio educativas por meio dessa parceria, abordando-as na perspectiva da auto-estima e de seu empoderamento em todos os níveis, tendo em vista que a gestação é permeada por sentimentos profundos e complexos e pode ser vivida com plenitude, por momentos de ambivalência e angustiantes. Sendo a gestação, a maternidade e a paternidade, orientadas por mitos e símbolos culturais que norteiam o comportamento em relação aos papéis sociais e de gênero, cabe uma abordagem respeitosa e integral neste momento, compreendendo a consciência do seu ritmo próprio, a apropriação de recursos diante de limites que ainda não haviam sido sondados, a elaboração silenciosa e tranqüila de uma relação afetiva pelo reconhecimento pai-mãe-filho. Toda gestação é um momento único que envolve o contexto emocional e social do grupo familiar. A proposta desse trabalho é enfatizar através da experiência vivida junto ao grupo, o empoderamento da mulher durante a gestação e o parto, eventos marcantes que determinam modificações biológicas, afetivas e sociais, e na sua vida e de sua família.

O Movimento de Lésbicas no Brasil na década de 70-80: encontros e desencontros entre os Movimentos de Lésbicas, Feminista e Homossexual
Tânia Pinafi (UNESP)

Esse trabalho faz parte de uma pesquisa de Iniciação Científica que analisa a formação e desenvolvimento do Movimento de Lésbicas no Brasil a partir de três períodos distintos, a saber: 1979-1989; 1990-1999; 2000-2006. É amplamente conhecida a divulgação hoje alcançada pela questão homossexual com as diversas siglas que a compõem. Entretanto, pouco se versou sobre as especificidades, que aqui serão apresentadas, do Movimento de Lésbicas e suas relações com os demais grupos homossexuais e feministas do Brasil. A primeira articulação de lésbicas para a militância adveio de sua aglutinação no grupo masculino SOMOS. Em um primeiro momento, a convivência entre lésbicas e gays possibilitou o contato entre mulheres que gostariam de romper politicamente com a guetificação e reivindicar direitos iguais. Posteriormente as assimetrias de poder calcadas no sexismo passaram a causar disputas no relacionamento interpessoal entre gays e lésbicas, ainda que entre eles houvesse em comum a luta contra a opressão resultante de uma sociedade heteronormativa. Tampouco a convivências entre as mulheres homossexuais e heterossexuais feministas escaparam de impasses. Em sua relação mulher/mulher, as lésbicas interrogaram a sexualidade e os papéis sexuais colocando em xeque os valores socialmente estabelecidos e codificados das feministas heterossexuais. Pressionadas, as feministas desqualificaram os questionamentos lésbicos na dicotomia: luta maior/luta menor, prioritário/não prioritário, reproduzindo uma hierarquia de poderes entre seres assujeitados. O presente estudo baseia-se na combinação entre pesquisa bibliográfica e documental, a qual está sendo realizada com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

O corpo como espetáculo: a prática do futebol por mulheres
Tatiana Brandão de Araújo (FURG)

O presente texto tem por objetivo tratar as relações de gênero ligadas ao esporte. Partindo do filme inglês “Driblando o Destino” (Bend It Like Beckham), lançado em 2002 e dirigido por Gurinder Chadha, pretendo discutir os preconceitos ainda existentes em nossa sociedade referentes à prática do futebol por mulheres, problematizando os argumentos utilizados pela sociedade em geral para afirmar que este não é um espaço “feminino”. Juntamente com essas questões, trago para o debate a noção de “espetacularização dos corpos”, defendida por Silvana Goellner, enfatizando que o destaque dado à beleza feminina prejudica o respeito dos torcedores pela prática.

Qualificação profissional e o atendimento às mulheres em situação de violência sexual
Tatiani Leite Soares, Ludmila Fontenele Cavalcanti, Viviane do Nascimento Aquino, Rejane Santos Farias, Priscila Cavalcante da Silva, Roberta Matassoli Duran Flach, Vivian de Almeida Mattos (UFRJ)

Esse estudo integra a pesquisa “Avaliação dos núcleos de atenção às mulheres em situação de violência sexual nas maternidades municipais do Rio de Janeiro”, apoiada pelo CNPq, FAPERJ e UFRJ. Objetivo. Avaliar a percepção dos profissionais e gestores quanto à qualificação profissional para o atendimento às mulheres em situação de violência sexual. Metodologia. Foram realizadas entrevistas do tipo semi-estruturada com 95 profissionais e 15 gestores. Adotou-se a abordagem qualitativa e a técnica de análise de conteúdo. Resultados. As unidades de saúde responsáveis pelos dois primeiros núcleos no Município do Rio de Janeiro apresentaram o maior número de profissionais de referência para o atendimento, 26 e 21 respectivamente. Tanto profissionais quanto gestores relataram a ausência de abordagem sobre a temática da violência sexual na graduação das profissões da saúde. Os profissionais que receberam algum preparo o fizeram através de estudos sobre os aspectos psicológicas da mulher. A maioria dos profissionais e gestores participou de cursos e/ou capacitações oferecidas pelos órgãos gestores e por organizações não governamentais ou através de cursos de pós-graduação. Os profissionais mencionam o desconhecimento sobre a assistência adequada enquanto os gestores salientam a necessidade de qualificação para atuar na gestão dos núcleos. Considerações finais. A formação profissional, a trajetória profissional e a inserção institucional não são suficientes para garantir a qualidade do atendimento às mulheres em situação de violência sexual. Nesse sentido, a eficácia das respostas dos serviços requer um esforço estratégico e permanente de capacitação e treinamento de profissionais e gestores.

Androginia, Moda e Identidade Visual: um retrato da complexidade urbana
Thaís G. Mota e Caio Vinicius Gamin (Universidade Estácio de Sá/ Instituto Zuzu Angel)

Este estudo propõe uma reflexão sobre a influência da estética andrógina da moda na construção de identidades visuais das tribos urbanas. Trata-se de um experimento que busca incorporar algumas das regras que presidem a prática etnográfica, ajustando-as ao tema e a especificidade do campo da moda. Neste sentido a pesquisa utiliza a observação e a fotografia como instrumentos buscando dar uma visão ampla do cotidiano de jovens pertencentes a diferentes tribos urbanas. A escolha do uso da fotografia está ligada às inúmeras possibilidades de observação e leitura que ela permite. Tanto a observação participante quanto as fotos tiveram como cenário as cidades de Petrópolis e Rio de Janeiro, onde o a Universidade Estácio de Sá desenvolve o Curso de Design de Moda. A fundamentação teórica está pautada em autores como Roland Barthes, Clifford Geertz, Stuart Hall, Giles Liposvetsk, Michell Mafesoli, Erving Goffman e José Gulherme Magnani. Constatou-se que, ainda que a estética andrógina venha tornando-se um referencial entre jovens de diferentes tribos, a diferenciação entre masculino e feminino se mantém presentes tanto em relação as roupas quanto em relação a utilização do corpo como objeto de arte (body-art).

A rua e o medo: algumas considerações sobre a violência contra jovens homossexuais em espaços públicos
Thiago Barcelos Soliva (UFF)

Esta comunicação tem por objetivo discutir alguns aspectos relevantes da violência perpetrada contra jovens homossexuais em espaços públicos. Partindo das narrativas de vida de 30 jovens estudantes da Universidade Federal Fluminense, obtidas em entrevistas individuais realizadas com os mesmos, privilegiamos conhecer as nuanças dessa violência. A rua é um espaço onde freqüentemente os jovens entrevistados são alvo de distintas formas de violência, geralmente perpetradas por outros jovens supostamente heterossexuais. A violência que ali ocorre é em geral desencadeada em face a: 1) demonstrações públicas de afeto entre pares homossexuais; 2) situações na quais estão presentes uma ou mais pessoas que destoam das expectativas de gênero associadas ao seu sexo biológico. Além de remarcar a existência de traços extremamente violentos dos espaços públicos, os dados da pesquisa mostram que os entrevistados sofrem uma forte limitação dos seus direitos civis, uma vez que as experiências de constrangimento vividas nas ruas terminam por desencadear em alguns deles um recorrente medo de transitar para além dos domínios domésticos. Isso, portanto, nos coloca de frente com complexas questões em diferentes níveis analíticos e operacionais: o do exercício da cidadania, o da necessidade de aperfeiçoamento das políticas públicas (em particular as de segurança) e o da violação dos direitos humanos das pessoas homossexuais no que tange a igualdade entre os mesmos e os seus pares heterossexuais.

Relações afetuais nas relações perigosas: estudo sobre garotas de programa de Salvador
Tiara Alessandra dos Santos Oliveira (UFBA)

Este artigo tem por objetivo estudar as relações afetivas que se estabelecem entre garotas de programa de Salvador e seus clientes, bem como suas relações diversas com outros parceiros. Através de entrevistas com jovens, buscou-se apreender as percepções destas mulheres sobre si, sua atividade ocupacional, sua relação com os clientes e os limites de sua atividade. Neste estudo, o tema central em discussão são os possíveis conflitos que derivam de uma prática profissional (satisfação da necessidade/ desejo sexual – carência alheia) com as necessidades individuais de qualquer pessoa: de amar, ser amado e estabelecer relações diversas, buscando compreender os limites que separam a vida pública e a privada dessas mulheres no jogo das suas representações cotidianas.

Atividades por sexo determinadas culturalmente ou dificuldades de desenvolver aulas mistas?
Vagner Penha; Roberto Henriques, Alexandre França, Ronny Silveira, Giannina do Espírito-Santo (UCL/RJ)

Scott (1995) argumenta que o conceito de gênero foi criado para opor-se a um determinismo biológico nas relações entre os sexos, dando-lhes um caráter fundamentalmente social. Japiassú et al. (1996) argumentam que a escola no seu cotidiano produz e reproduz ações que separam e demarcam o que é considerado socialmente como pertencente ao mundo feminino e ao mundo masculino. A presença do preconceito de gênero no ambiente escolar afeta meninos e meninas, teria base no sistema educacional que reproduz, em alguns momentos, as estruturas de poder, de privilégio de um sexo sobre o outro em nossa sociedade. Há relativo consenso em que, quanto ao trabalho com turmas mistas, é importante que os profissionais estejam preparados, sob pena do insucesso (OLIVEIRA, 1996; VERBENA, 2001). Este estudo tem como objetivo verificar como os professores de Educação Física trabalham as questões relacionadas a gênero nas suas aulas. Trata-se de um estudo descritivo com abordagem qualitativa. Fazem parte da pesquisa seis professores (cinco mulheres e dois homens) de Educação Física do Ensino Médio que atuam em escolas públicas do Grande Méier. Os dados preliminares apontam que apenas uma informante declara preferir aulas separadas por sexo, entretanto quando analisas as respostas, apresentam atividades mais apropriadas para meninos e meninas diferentemente e ressaltam a maior habilidade dos meninos para velocidade, força, futebol, entre outras. Argumentam dizendo que as atividades são culturalmente determinadas. Sendo assim, pode-se concluir que os entrevistados, em sua maioria, ainda apóiam-se no determinismo biológico para justificar as dificuldades encontradas nas aulas mistas.

Rap no desterro: identidade na cultura hip hop
Valdir Olivo Júnior (UFSC)

O objetivo desta pesquisa é traçar um histórico do rap desde o seu surgimento até a sua entrada no Brasil, apontando alguns aspectos do seu processo de hibridação no decorrer de sua expansão; sem deixar de refletir sobre oralidade e performance que são conceitos a partir dos quais esta pesquisa se insere no campo da literatura propriamente dita. A análise de sua propagação no universo florianopolitano, busca apontar algumas características identitárias, valendo-se para tanto, da leitura de letras e análise de alguns aspectos musicais, no caso o sampler; foram selecionados dois grupos locais e um rapper, pertencentes à região denominada "Grande Florianópolis", são eles os selecionados: o grupo Família Consciente; o rapper Mexicano Loko e o grupo Retaliação.

Mulher de ‘nova’: um referencial de beleza e juventude
Vanessa Coelho Reis, Amanda Frazão da Silva, Karla Manvailer Enacles, Luciana Patrícia Zucco (UFRJ)

O presente trabalho, vinculado à pesquisa "Sexualidade em Discursos: um estudo sobre revistas femininas e masculinas", analisa os discursos sobre a estética feminina na revista 'NOVA Cosmopolitan'. A abordagem da pesquisa foi qualitativa e a construção dos dados teve como referência a análise de discurso proposta por Orlandi (2001). O acervo compreende seis exemplares da revista 'NOVA Cosmopolitan', sendo utilizadas as edições referentes ao primeiro semestre do ano de 2007. Foram privilegiadas as chamadas sobre corpo e beleza contidas na capa do periódico. Além disso, focalizamos treze anúncios de marcas consolidadas no mercado referentes à boa forma e beleza inseridos na revista. As modelos presentes na capa do periódico são mulheres famosas que estão sob o olhar da mídia. Tais modelos são o referencial de mulher transmitido pelo magazine, por estarem em destaque e, conseqüentemente, à vista da leitora. Mulheres de pele clara e cabelos lisos, belas e jovens são marcantes nas propagandas. A busca por novas tecnologias que garantam a beleza feminina é uma meta das empresas de cosméticos. Elas visam a agradar o público feminino através de produtos sofisticados e eficazes. Ao magazine 'NOVA' atribuí-se, então, uma marca identitária, que veicula beleza, juventude, atualidade, corpo perfeito, saúde, sensualidade, dentre outros adjetivos que estão relacionados à idéia de perfeição. Nas campanhas publicitárias, tal ideário é reafirmado, sofrendo algumas alterações devido à diversidade do público feminino que se deseja atingir. Contudo, todas as táticas publicitárias utilizadas convergem para o mesmo ponto: a beleza como ideal feminino.

Dos cadernos à mesa: usos e costumes da cidade de João Pessoa através de cadernos de receitas
Verônica Pereira de Mendonça (UFPB)

Com os estudos de pequenos cadernos de receitas de mulheres residentes na cidade de João Pessoa no período de 1950 – 2000, realizado pelo projeto de pesquisa “Manuscritos Culinários: percurso da memória urbana através dos cadernos de receitas” realizado pela Universidade Federal da Paraíba, este trabalho pretende mostrar as receitas culinárias fixadas por essas mulheres nos seus cadernos como memória da vida privada urbana dessas famílias. Revelar os rastros de uma época, sutilmente registrados naqueles cadernos, as ligações entre as mulheres e a sociedade, que encontra na comida um elo entre os hábitos familiares e os costumes de uma sociedade. Por meio de inventários de receitas, ingredientes, utensílios, metodologias utilizadas nas receitas e também por meio dos demais conteúdos encontrados nos cadernos, podemos chegar a classificações das receitas de acordo com a classe social, com as festas – sagradas e profanas – e as tradições. Dentro desses Manuscritos, fontes de memórias pessoais e coletivas evidencia-se o cotidiano das mulheres e paralelamente o cotidiano da cidade.

Prevenção e assistência às mulheres em situação de violência: redes de serviços de assistência, parece ser o melhor caminho
Virgínia Falcão de Seixas (UFBA)

Experiências, nos meios acadêmicos, nos serviços e em organizações não governamentais, têm demonstrado o limite dos serviços na resolução de casos de violência. A partir dos anos 90, a violência passa a ser reconhecida como uma questão a ser tratada de forma interdisciplinar e intersetorial. A partir daí, percebe-se que a formação de redes de serviços de assistência, parece ser, o melhor caminho para o enfrentamento da violência, e da garantia da integralidade da assistência. No campo das políticas sociais, as “redes” tem sido vistas, como uma possível solução para a administração de políticas e projetos sociais, frente à escassez de recursos, complexidade dos problemas, multiplicidade e diversidade de atores envolvidos, e uma crescente demanda por uma participação cidadã.As redes de atenção se materializam em atividades, que, visam articular os diversos serviços existentes em determinado local, contribuindo para um melhor funcionamento e resultados em cada um deles, e, no seu conjunto. Em outras palavras, esta linha de atuação, possibilita o desenho e implantação de políticas de atenção articuladas que venham a garantir a integralidade da assistência nas políticas sociais. A articulação em rede representa um desafio que tem como objetivo preservar a estrutura pré-estabelecida por uma determinada sociedade, promovendo-lhe maior flexibilidade, integração e interdependência. Pensando-se na violência contra a mulher, entende-se que, tanto a ocorrência da violência como a sua abordagem se configura em rede – de fatores, de atores envolvidos, de serviços para o atendimento, de setores para a atenção, prevenção e promoção dentre outros. Ela impõe uma mudança de cultura e desafios administrativos e humanos fundamentais como os processos coletivos de negociação e decisão, a distribuição de tarefas e recursos, o estabelecimento de prioridades, o que implica em um novo olhar sobre os processos de planejamento, avaliação e decisão das ações, que requerem uma nova abordagem. Este trabalho se propõe a demonstrar o esforço que as feministas do Estado da Bahia vem fazendo no sentido de viabilizar a construção da rede de serviços para as mulheres em situação de violência.

Avaliando a incorporação do tema da violência sexual em cinco núcleos das maternidades municipais do Rio de Janeiro
Viviane do Nascimento Aquino, Ludmila Fontenele Cavalcanti, Rejane Santos Farias, Priscila Cavalcante da Silva, Roberta Matassoli Duran Flach, Vivian de Almeida Mattos, Tatiani Leite Soares (UFRJ)

Esse estudo integra a pesquisa “Avaliação dos núcleos de atenção às mulheres em situação de violência sexual nas maternidades municipais do Rio de Janeiro”. Objetivo. Avaliar a incorporação do tema da violência sexual em cinco núcleos de atendimento às mulheres vítimas de violência sexual no município do Rio de Janeiro. Metodologia. Foram realizadas entrevistas, do tipo semi-estruturada, baseada em roteiro, com consentimento livre e esclarecido, com 95 profissionais de saúde e 15 gestores desses núcleos de atendimento Adotou-se a abordagem qualitativa e a técnica de análise de conteúdo (Minayo, 1994). Resultados. A incorporação gradativa do tema da violência sexual pode estar relacionada com a capacitação continuada das equipes, através de cursos, seminários e treinamentos e com o desempenho sistemático do fluxograma e do protocolo da SMS/RJ. A realização de seminários pelas próprias unidades, a qualidade da informação prestada, a realização de referências adequadas e o uso visível de material educativo (cartazes e folders) confirmam esse processo. Todavia, a reprodução de esteriótipos na avaliação de riscos, a não realização da interrupção da gravidez em 4 das 5 unidades e a insuficiência dos registros apontam para a necessidade de acompanhamento das equipes envolvidas. Considerações finais. Os resultados parciais apontam para níveis diferenciados de desenvolvimento dos núcleos de atendimento decorrentes das trajetórias de consolidação e da inserção diversificada dos profissionais.

Cotas raciais: representações sociais via perspectiva enunciativa
Gabriela Barboza, Vera Lúcia Pires (UFSM)

Tendo em vista a criação- a partir da implantação das cotas raciais nas universidades públicas- de mais um espaço de conflitos ideológicos, propomo-nos a desenvolver um estudo acerca das representações criadas a partir dessa ação afirmativa via enunciação. Para isso, teremos como alicerce fundamental a teoria enunciativa de Benveniste, principalmente em seus postulados sobre os indicadores de subjetividade. Procuraremos identificar como a marcação da subjetividade na estrutura da língua se manifesta em duas crônicas selecionadas de Juremir Machado da Silva , bem como verificar de que a presença dessa categoria é diretamente responsável no discurso.
Primeiramente, faremos algumas considerações a respeito da teoria benvenistiana, depois passaremos a explicitar alguns pontos das Teorias das Representações Sociais pertinentes ao estudo. Logo após, partiremos para a descrição e análise do corpus selecionado, com base nas duas teorias acima escolhidas. Este trabalho faz parte do projeto A enunciação da subjetividade: dêixis e interação, o qual integra a linha de pesquisa Linguagem como Prática Social da UFSM/RS.

Espaço e vulnerabilidade ao ato infracional dos adolescentes em conflito com a lei segundo a perspectiva de gênero em Ponta Grossa - PR
Giovana Budny, Karina Eugenia Fioravante (UEPG)

O objetivo geral deste trabalho é compreender as relações entre espaço e vulnerabilidade ao ato infracional dos adolescentes em conflito com a lei, que cumprem medidas sócio educativas em Ponta Grossa, Paraná, utilizando o gênero como categoria explicativa. Tem-se verificado um aumento expressivo do número de adolescentes em conflito com a lei que cumprem medidas sócioeducativas, fenômeno que ganhou visibilidade na imprensa brasileira, chocando especialistas que propõem a redução da menoridade penal. A desigualdade social gera também a violência urbana, prática que envolve muitos adolescentes no círculo vicioso da criminalidade. Como objetivos específicos realiza-se a identificação dos diferentes perfis dos adolescentes em conflito com a lei, localizados no espaço urbano de Ponta Grossa buscando relacionar suas práticas às construções de gênero. Pretendemos analisar o espaço das práticas cotidianas destes adolescentes, nas quais as relações de gênero são fundamentais à constituição dos sujeitos e o envolvimento conflituoso com a lei. O tema da violência e gênero têm sido negligenciado pela geografia, bem como os sujeitos que a praticam. Esse tema aparece timidamente nas obras de pesquisadores. No Brasil a figura do adolescente das periferias está fortemente associada ao aumento da violência. Tal associação não aponta soluções às demandas dos grupos que estão em situação de vulnerabilidade ao ato infracional. A relação entre espaço cotidiano, vulnerabilidade e gênero contribuem à compreensão do problema e sua complexificação junto aos processos institucionais de "proteção" aos adolescentes, além de facilitar a gestão da inclusão sócio espacial dos mesmos atendendo as especificidades de gênero.

Mulher e Trabalho numa Perspectiva Comparativa entre Brasil e Argentina (Década de 1970)
Gisele Maria da Silva (UFSC)

As últimas décadas do século XX na América Latina foram marcadas pela ação intransigente dos governos militares mediante a sociedade civil. Censura, repressão e perseguição a movimentos sociais foram características emblemáticas destes governos. Em resposta a esta tentativa de anulação da sociedade emergem diversos movimentos e organizações que buscam garantir a ampliação dos direitos humanos, denunciar a situação de injustiça e discriminação que vive grande parcela da sociedade. Entre estes movimentos sociais, destaco as organizações feministas e de mulheres que editaram na década de 70 os periódicos Brasil Mulher e Nós Mulheres no Brasil, e Persona e El Descamisado na Argentina, verificando de que maneira em seus discursos articularam aproximações com as mulheres operárias, colaborando com a politização desta camada da sociedade.

O lugar da Orientação Sexual enquanto tema transversal nas escolas públicas do Município de Salvador
Graciela Nieves Pellegrino Fernandez (UNEB)

A inclusão da temática da sexualidade no currículo das escolas de primeiro e segundo grau tem se intensificado a partir da década de 70 e há registros de que desde a década de 20 trabalhos e discussões com diferentes enfoques e ênfases eram realizados. Na década de 80 a demanda por trabalhos relacionados ao assunto aumentou consideravelmente, ao mesmo tempo em que movimentos sociais propunham repensar o papel da escola e dos conteúdos por ela trabalhados. Nas últimas três décadas, a sociedade sofreu mudanças contundentes com relação ao estilo de vida e aos valores ligados à sexualidade, o que obrigou a escola a repensar seu papel na vida de crianças e jovens. A escola, dentro desse contexto, por possuir uma estrutura adequada, ser um lugar freqüentado por crianças e jovens, por várias horas por dia e por um longo período de suas vidas, desempenha papel relevante na formação global do indivíduo, incluindo as manifestações de sexualidade que afloram em todas as faixas etárias, onde questionamentos precisam ter resposta. Emerge daí a necessidade da Orientação Sexual, já contemplada nos Parâmetros Curriculares Nacionais como tema transversal, ser trabalhada na escola, dirimindo dúvidas, desconstruindo preconceitos e dando suporte para uma sexualidade vista como parte integrante do desenvolvimento global do indivíduo. Este trabalho tem a proposta de analisar de que forma as escolas públicas do município de Salvador trabalham Orientação Sexual na transversalidade, qual seu conteúdo, e a metodologia usada. Para isso usaremos técnicas de pesquisa como, observação, entrevistas com professores e alunos e questionários.

Socialização das jovens mulheres no trabalho agrícola familiar e as possibilidades de permanência na agricultura
Graziela Castro Pandolfo (UFRGS)

Nas últimas duas décadas, as condições para a permanência das novas gerações no trabalho familiar agrícola no Brasil estão se tornando mais adversas, provocando a intensificação do abandono do campo pelos jovens, principalmente pelas mulheres. A sucessão profissional na agricultura familiar geralmente é endógena, pois dificilmente homens e mulheres não socializados através do trabalho agrícola tornam-se agricultores. Isto traz conseqüências sociais importantes, de um lado, porque muitos dos estabelecimentos familiares de hoje não terão sucessores; de outro, porque a agricultura familiar necessita de um casal para que seja iniciada a família. O objetivo desta pesquisa é verificar como a socialização dos jovens filhos de agricultores familiares na região oeste do estado de Santa Catarina está relacionada com seu desejo de permanência ou não na agricultura, dando destaque às diferenças entre rapazes e moças. Entende-se por socialização no trabalho o aprendizado de tudo o que envolve a produção agrícola, tal como o planejamento e execução das atividades, o domínio da tecnologia e do ‘saber fazer’, a participação na tomada de decisões, o que se faz na prática. A hipótese principal prevê uma associação positiva entre socialização e decisão de permanência na atividade agrícola, diferenciada entre rapazes e moças. Os dados utilizados na pesquisa foram coletados através de um questionário padronizado, preenchido pelos próprios jovens, com idade entre 15 e 26 anos, contendo 55 questões abertas e fechadas; e analisados com auxílio do SPSS, graças à elaboração de tabelas envolvendo o cruzamento entre sexo e as demais variáveis. Os resultados preliminares possibilitam a confirmação da hipótese, verificando-se que os rapazes têm maior autonomia que as moças na realização das tarefas agrícolas, sendo a participação das moças maior nas tarefas desenvolvidas em conjunto com toda a família ou sob orientação das mães nos afazeres domésticos. A maioria das moças tende a valorizar os estudos em nível superior e, mesmo que pretendam permanecer no meio rural, seus projetos não incluem a agricultura.

Vida de Mulher: um estudo com entrevista biográfica
Grazieli Franco Pereira, Daniela da Silva Vera, Lucas Gerzson Linck, Profª Drª Marlene Neves Strey (PUC/RS)

O presente projeto está inserido no Grupo de Pesquisa Relações de Gênero da PUCRS, coordenado pela profa. Dra. Marlene Neves Strey e faz parte do Projeto Guarda-Chuva “Gênero, Gerações e Subjetividade”. Pretende-se investigar os processos que estão na base da construção da subjetividade de mulheres de meia idade e idosas, utilizando os pressupostos teóricos da Teoria de Desenvolvimento de Levinson (1996) e a entrevista biográfica proposta por Gersick & Kram (2002), baseada em Levinson, e a Teoria do Espaço Consciente de Burlae (2004), para estudo das violências e cativeiros não detectados durante o ciclo vital das mulheres. Este estudo será desenvolvido desde um enfoque qualitativo, que buscará descrever os processos de individuação, segundo a teoria de Levinson (1996), e o estabelecimento de cativeiros, invasões ou motivação para a libertação e empoderamento de mulheres de meia idade ou idosas, segundo a teoria do espaço consciente de Burlae (2002). As participantes serão mulheres com mais de 40 anos de idade contatadas por meio de informações obtidas em nossa rede de relações profissionais e pessoais. São previstos três encontros com cada participante, onde serão tratados temas relativos à vida das mesmas, no sentido do passado, presente e futuro. Os dados obtidos nas entrevistas serão analisados à luz da análise do discurso, segundo o preconizado por Rosalind Gill (2002). Para contraponto, serão utilizadas as teorias de gênero feministas e as duas teorias utilizadas no estudo, com um enfoque crítico e reflexivo.

Amor e Casamento: Um estudo comparativo na Roma Imperial
Guaíra Melo (UFCG)

Na sociedade ocidental, valores relacionados à instituição do casamento vêm sendo questionados, provocando crises que parecem ser sem precedentes. O presente ensaio aborda o sentido moral atribuído ao amor na Roma Imperial e suas implicações com respeito à instituição histórica do casamento. Neste sentido, foi realizada uma leitura de Carcopino, Grimal e Veyne, especialistas em História Romana, com o objetivo de comparar o enfoque dado ao tema “amor” na sociedade romana e analisar as mudanças do conceito de casamento ocorridas desde os primeiros anos do Império. Como os autores enfocam exemplos de diferentes mulheres que se destacaram na citada sociedade, faz-se possível perceber não só a posição ocupada por elas, bem como as mudanças de valores e conceitos contidos tanto no amor como no casamento. O estudo mostra que, já no século I a.C., o conceito de casamento sofreu modificações, às vezes atribuindo novos valores ao papel da mulher que se libertava de ser apenas procriadora sem direito a divórcio e outras atitudes como sujeito ativo nas relações sociais. Sendo assim, pode-se concluir que o casamento na sociedade Imperial Romana produziu momentos históricos de avanços no comportamento feminino.

Construção de papéis sócio-sexuais e relações de gênero na Educação Infantil
Gustavo Bento Ribeiro de Araújo (UFF)

Este pôster se propõe a apresentar o resultado parcial do projeto de extensão e pesquisa “Sexualidade e Relações de Gênero na Educação Básica” desenvolvido no departamento de Educação Física da Universidade Federal Fluminense e coordenado pelo professor Sérgio Aboud. O espaço de estudo é uma Unidade Municipal de Educação Infantil do município de Niterói. A investigação em andamento se propõe a refletir sobre o papel da Educação Infantil e suas práticas e ações no cotidiano escolar sobre as questões dos papéis sexuais sócio-culturalmente construídos e as relações de gênero, com crianças de três a cinco anos. Metodologicamente as questões levadas em consideração são as formas de abordagem por parte das professoras, nas situações propostas pelas mesmas e nas situações que surgem durante o processo educativo, como lidam e trabalham com elas, a parcialidade, a reprodução ou julgamento de valores. Mensalmente as situações são debatidas em oficinas com as professoras. Dentre os objetivos traçados, procuramos analisar a influência do espaço escolar no desenvolvimento das relações de gênero em crianças de três a cinco anos; verificar a reprodução dos papéis sócio-sexuais construídos; estimular jogos de simulação e troca de ações pré-determinadas socialmente nas definições de papéis ditos masculinos e femininos. Teoricamente temos trabalhado com textos de Bourdieu, Butler, Foucault, Louro e Nolasco. Concluindo são essas experiências realizadas durante o ano de 2007 e 2008 que proponho neste pôster.

As campanhas publicitárias governamentais brasileiras e a construção da AIDS através da estigmatização dos indivíduos
Gustavo de Carvalho (UFSCar)

O primeiro caso de Aids foi diagnosticado em 1981. A partir de então, a medicina construiu a síndrome como uma doença sexualmente transmissível gerando um verdadeiro pânico sexual. Homens gays foram responsabilizados pela disseminação do vírus, iniciando um processo de estigmatização. Cotidianamente, acreditava-se que a Aids era um “castigo divino” aos “anormais”, que por serem não condizentes com uma maioria heteronormativa seriam eliminados através de um tipo de “seleção natural”.
Foi em meados de 1970, que a homossexualidade foi desconsiderada doença psiquiátrica, contudo a epidemia de AIDS permitiu remedicalizá-la. Inicialmente foi, intitulada “peste” ou “câncer” gay, mas a descoberta do vírus e a ênfase na transmissão sexual permitiu construir culturalmente a AIDS como DST e, pior, resultado de “comportamentos de risco”. Ser portador do vírus HIV era ser considerado promíscuo e irresponsável. Estas classificações-condenações eram direcionadas a gays, usuários de drogas injetáveis e profissionais do sexo, livrando outros da responsabilidade e da necessidade de proteção.
Este artigo propõe discutir por meio das campanhas públicas de prevenção, a formação do pânico sexual gerado entre a descoberta do primeiro caso e a invenção do coquetel em 1996. Estas campanhas já tinham seu público alvo definido e exprimiam o processo de remedicalização da homossexualidade por meio da epidemiologia.
Dentro deste período, serão explorados os termos em que a epidemia foi construída, em especial as representações que as campanhas públicas disseminaram de forma a participar da estigmatização de pessoas soropositivas e supostos componentes de “grupos de risco”, em especial homens gays.

Xingamentos atribuídos ao sexo masculino: uma comparação entre meninos e meninas da quinta série
Gustavo Souza, Nina Puttini, Marina Medeiros, Valeska Zanello (IESB/Instituto de Educação Superior de Brasília)

O presente trabalho teve como objetivo comparar os xingamentos atribuídos ao sexo masculino, por meninos e meninas da quinta série do Ensino Fundamental de uma escola particular do Distrito Federal. Foram aplicados 31 questionários, 19 em meninas, 12 em meninos. Foram obtidos 112 xingamentos nas respostas femininas e 90 nas masculinas. Encontraram-se diferenças entre os grupos: nas respostas masculinas, o xingamento mais freqüente tem caráter sexual passivo (35,56%), tal como “viado”. Em segundo lugar, traços de caráter (24,11%), tal como “filho da puta”; seguidos pelos atributos físicos (20,54%), tal como “gordo”; e, em quarto lugar, xingamentos relacionados à família, (7,78%), tal como “comi sua mãe”. Nas respostas femininas, os xingamentos mais freqüentes apontam para atributos intelectuais (31,25%), tal como “débil”. Em segundo, traços de caráter (24,11%), tal como “filho da puta”; seguidos por atributos físicos (20,54%), tal como “feio”; e, por último, xingamentos relacionados ao comportamento sexual (17,86%), tais como “gay” e “mulherzinha”. Não apareceram, nos questionários femininos, xingamentos relacionados à família do xingado. Além disso, alguns xingamentos foram escritos de maneira incompleta. Os dados sugerem a hipótese de haver uma maior repressão não apenas no comportamento sexual feminino, mas na própria fala acerca de qualquer palavra que sugira a sexualidade. Essa hipótese pode ser corroborada pela ausência de xingamentos referentes à família do xingado. Nos xingamentos masculinos onde isso se deu, grande parte das respostas fazia referência a atos sexuais. A partir da hipótese levantada, construiu-se um projeto de pesquisa, em plena execução no momento.

Programa Pró-Eqüidade de Gênero: oportunidades iguais para todas e todos? Estudo de práticas efetivas na 1ª edição
Hairam Machado (UNB)

Pretende-se o esclarecimento, a partir de informações constantes de Relatório disponibilizado no sítio da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, de transformações nos eixos de incidência Cultura Organizacional e Gestão de Pessoas conseqüentes da execução de ações específicas no universo das onze empresas certificadas com o Selo Pró-Eqüidade de Gênero em 2006. O painel relacionará, também, subsídios produzidos seja por especialistas integrantes do Comitê Pró-Eqüidade de Gênero, por meio da produção de artigos científicos, seja pelas coordenações locais em cada empresa participante do Programa por meio de relatórios, informes publicitários etc. Trabalhar-se-á fundamentalmente com conceito de habitus, em Bourdieu, a fim de compreender as ações executadas, no âmbito do Programa, em sua consistência e capacidade de modificação da percepção das representações sociais resultantes da percepção das relações de gênero e/ou assegurar a permanência das conquistas advindas com a certificação das empresas com o Selo Pró-Eqüidade de Gênero bem como a possibilidade de ampliação dessas conquistas apontadas pelos indicadores elencados na metodologia de monitoramento do Programa (número de cargos gerenciais ocupados, faixas de remuneração etc). O pôster apresentará o Programa Pró-Eqüidade de Gênero, nessa primeira edição, como política pública empreendida pelo governo federal em parceria com organismos internacionais - UNIFEM e OIT - dirigida, às mulheres, mas que esforça-se por encontrar soluções para o desenvolvimento de condições e oportunidades de trabalho efetivamente eqüânimes para mulheres e homens, contemplando a perspectiva de gênero e abarcando a diversidade como valor na elaboração de suas ações.

Mães da resistência: história das mães/mulheres do movimento sem teto da Bahia
Helaine Pereira de Souza (Faculdades Jorge Amado)

Enquanto Movimento instituído, o Movimento dos Sem Tetos de Salvador (MSTS), que mais tarde adotará o nome de Movimento Sem Teto da Bahia (MSTB), surge em junho do ano de 2003, após ocupação no bairro de Mussurunga na capital baiana, em assembléia que deliberou a fundação do Movimento. Aponta-se como uma forma de resistência no espaço urbano, que busca não apenas um “teto” particular, mas sim a constituição de “comunidades de bem viver”. O MSTB nasce como resposta à violação do direito de moradia. O Movimento Sem Teto da Bahia é composto majoritariamente por afro-descendentes, dentre estes as mulheres são expressiva maioria. Essa composição do Movimento nos remete a analise da sociedade atual e suas transformações. Cada vez mais a mulher tem se desvinculado do lar, e partido para os espaços públicos. Sendo assim, não é mais possível entender classe e gênero como questões incompatíveis, e nesse contexto a mulher assume papel de extrema relevância, pois é ela quem detém o poder na esfera domiciliar. Mulheres estas, que desde os primeiros passos do movimento se afirmavam uma presença maciça. Discutir as relações de gênero e o papel da mulher nesse espaço são as principais pretensões desse trabalho. Quem são estas mulheres; como se comporta, age e interage nesse ambiente. Como assume o papel de mãe, educadora, mulher.

A violência contra as mulheres e as relações de poder entre os sexos
Hellen Olympia da Rocha Tavares, Fernando Henrique Morais da Rocha, Eliane Schmaltz Ferreira (UFU)

O objetivo deste trabalho foi estabelecer; através de pesquisas bibliográficas referentes às considerações de gênero, poder e dominação; a conexão entre a violência de gênero contra as mulheres, cometidas pelos homens, e as relações de poder assimétricas que se estabeleceram entre os sexos nas sociedades patriarcalistas.
A violência de gênero contra a mulher tem sido considerada, cada vez mais, como uma questão de Saúde Pública, devido ao impacto que gera no bem estar da coletividade. Esta violência é aquela que se refere ao sofrimento imposto nomeadamente às mulheres, por homens, devido às relações assimétricas que se mantém entre os sexos. Esta assimetria nas relações é a justificativa das agressões contra mulheres, já que o feminino não se enquadra no padrão considerado socialmente como superior.
As relações de gênero são construções sociais e históricas, formadoras de um sistema simbólico que valora e cria hierarquias, relacionando sexo e os conteúdos culturais de acordo com o período histórico, determinando, assim, a configuração de papéis sociais adequados a homens e mulheres.
É a aceitação da posição de subalternidade da mulher como natural, pela sociedade e por si mesma, que fundamentará o consentimento da violência. Os símbolos criados pela socialização é que vão alicerçar a aplicação real da ideologia dominante que, no caso das relações de gênero, é o masculino.
Assim, a dominação dos homens sobre as mulheres é conseqüência de uma relação de poder desigual, estabelecida entre os sexos historicamente, que determina o homem como maior autoridade e “os outros” como subordinados a ele.

Sobre Festas Gays: Ritual e Individualidade
Igor Mello Diniz, Louise Cazelgrandi Ramos (UFRJ)

O presente trabalho se propõe a discutir como se constroem simbolicamente e na prática a individualidade de jovens homossexuais através da perspectiva teórica dos rituais, como indicados por Victor Turner e Roberto DaMatta. Entendendo-se por individualidade a esfera concernente ao mundo privado do indivíduo e de suas práticas mais próximas daquilo que compõe a própria essência humana, distinta, porém não desconectada da esfera do mundo público, no qual é necessário estruturar e classificar as mesmas e; por fim, à luz desse prisma, atribuindo às situações rituais das festas gays o caráter de dramatização, é que pretendemos esboçar uma compreensão antropológica dos princípios que fundam o processo de socialização e de construção da individualidade a partir da análise dos seus símbolos, dos comportamentos e dos discursos que constituem tais festas.

Gênero e Sexualidade: processos de significação e suas relações com a sociedade
Ingrid Farias de Liz, Marivete Gesser (UNIPLAC)

A partir da perspectiva da Psicologia Histórico-Cultural de Vygotsky, o sujeito constitui-se pelas relações sociais que mediam o processo de aprendizagem, inclusive da significação de sexualidade e das questões de gênero. Portanto, pode-se dizer que a apropriação do que é ser homem ou mulher tem influência em cada época histórica e nos valores passados aos sujeitos na sociedade. O objetivo do trabalho foi o de problematizar a emergência de concepções patologizantes da sexualidade e legitimadoras das desigualdades de gênero. Quanto à metodologia, foi realizado um estudo bibliográfico a partir dos autores contemporâneos das áreas de gênero e de sexualidade. Os resultados indicam que as concepções que norteiam a significação da sexualidade na sociedade são influenciadas por várias instituições. A medicina e a psiquiatria buscaram o estabelecimento de um padrão “ótimo” de sexualidade, patologizando todos os desvios. Já a Igreja Católica, além de reduzir a sexualidade ao coito vaginal, caracterizava o sexo como algo que somente pessoas casadas, em idade reprodutiva e que desejavam ter filhos poderiam fazer, sendo necessária a confissão de todos os comportamentos que fugiam deste padrão normativo. A bibliografia analisada também mostra que as desigualdades de gênero estão ligadas aos significados atribuídos às diferenças sexuais. A partir da pesquisa realizada, pode-se afirmar que seria ingênuo acreditar que as desigualdades de gênero e a repressão sexual estão superadas, sendo necessário novas problematizações sobre esses temas.

“Masculinização” das mulheres: Resistência às Ditaduras Militares no Cone Sul
Isabel Cristina Hentz, Larissa Viegas de Mello Freitas, Priscila Carboneri de Sena (UFSC)

Durante as ditaduras militares no Cone Sul, muitos movimentos de resistência se formaram e neles a participação de mulheres, apesar de sua importância, era minoritária. Nesses grupos, o ideal de guerrilheiro era relacionado a características socialmente vinculadas ao masculino, como por exemplo, coragem, austeridade, liderança, etc. Dessa maneira, muitas mulheres, para serem aceitas como companheiras de luta, se masculinizavam, abandonando características consideradas femininas, o que é, muitas vezes, lembrado nos relatos atuais dessas mulheres com ressentimento. Ao ocuparem cargos de comando, a necessidade de masculinização aumentava, uma vez que das lideranças era esperado mais capacidade e responsabilidade, características também consideradas tipicamente “masculinas”. O presente trabalho pretende analisar a pretensa “masculinização” guerrilheiras durante as ditaduras no Cone Sul, a partir dos relatos de algumas delas. Insere-se em um estudo comparativo que está sendo realizado no Laboratório de Estudos de Gênero e História da Universidade Federal de Santa Catarina, que envolve os feminismos e os movimentos sociais de resistência às ditaduras militares no Cone Sul entre os anos 1960 – 1980.

A preparação do casal grávido para mudanças familiares decorrentes do nascimento do bebê, segunda a percepção da mulher grávida
Isabela Zipser Granzotto, Zuleica Pretto (UNISUL)

O nascimento de um filho representa uma mudança significativa na vida do casal, sendo significada de diversas maneiras. A preparação para o nascimento do bebê dá indícios dessa significação e reflete a forma como se organizam. A significação da gravidez e dos papéis sociais orientará a autorização, ou não, para algumas atitudes e condutas do casal diante dos acontecimentos do ciclo de vida familiar, bem como o lugar que esse filho ocupará na família. Esta pesquisa objetivou analisar como alguns casais grávidos se preparavam para possíveis mudanças familiares decorrentes do nascimento do bebê, segundo a percepção das mulheres grávidas. Buscou-se conhecer as relações de gênero implicadas na organização familiar e na forma como as informantes se relacionavam nos papéis de mulher e mãe, bem como suas percepções sobre como seus companheiros desempenhavam os papéis sociais de homem e pai. Foram realizadas cinco entrevistas semi-estruturadas com mulheres grávidas, entre 19 e 40 anos, na Grande Florianópolis. Foi percebido que elas vivenciavam o paradigma da mulher cuidadora e do homem provedor. Os cuidados com bebê referentes à afetividade, à alimentação, a educação seriam responsabilidade do feminino, enquanto a tarefa do masculino seria prover recursos financeiros. Quanto ao planejamento familiar, a maioria delas reduz o planejamento familiar à programação da gravidez. Essas reflexões possibilitaram as seguintes categorias analíticas: Vou te contar a nossa história de amor, Filho para quê?, Coisa de homem e coisa de mulher, e da subcategoria Mãe é aquela que cuida, né?! Pai não pode, pai tem que trabalhar.

O conceito de natureza feminina nos livros didáticos de 1ª a 4 ª série em escolas de Maringá
Iuska Volski Mota, Natália Reis Gomes, Patricia Lessa (UEM)

‘A Mulher’ no singular é um mito construído nos discursos científicos e respaldado pelas instancias sociais, a este mito soma-se o ideário de que as mulheres estão mais próximas da natureza, em função de sua capacidade reprodutiva, enquanto os homens são detentores do campo cultural. A opressão contra as mulheres consiste na argumentação de que elas já nascem prontas, sua capacidade de procriar as define. A definição é, portanto, presa à categoria de sexo, sua divisão em homens e em mulheres reporta à explicação biológica. Por isso, temos como objetivos nesta pesquisa: verificar quais são as bases do conhecimento científico sobre as mulheres utilizados nos livros didáticos no Ensino de Ciências; estudar a relação natureza/cultura nas definições de feminino nos livros didáticos; observar como se da a construção do conhecimento científico e acadêmico e suas hierarquias nas definições de gênero. Pretende-se com esta pesquisa inserir as discussões em eventos nacionais e internacionais relacionando os estudos de gênero e o Ensino de Ciências para crianças.

As Garotas nas Aulas de Educação Física: suas atitudes e preferências
Ivy Caroline Oliveira Abreu Neves (UNESP/Presidente Prudente)

Trata-se de uma pesquisa qualitativa que visa analisar as preferências, gostos e rejeições de garotas da oitava série do ensino fundamental, em uma escola pública do interior do estado de São Paulo, pelas atividades físicas / esportivas nas aulas de Educação Física. Centrando-se em abordagens teóricas dos estudos de gênero a investigação discute como os processos sócio-culturais escolares estão implicados na construção das identidades e hierarquias de gênero. A pesquisa é realizada através de questionários, entrevistas semi-estruturadas e de observações diretas das alunas no ambiente escolar. Nas observações e análises empreendidas em uma primeira etapa da pesquisa, destacaram-se: 1) as opiniões sobre seus próprios desempenhos, capacidades e modos de se portar nas atividades esportivas propostas nas aulas de educação física; 2) suas compreensões, posturas e opiniões acerca dos tipos de envolvimento e habilidades dos meninos, em práticas esportivas; 3) suas observações e compreensões acerca das diferentes posturas do(a) professor(a) com alunos e alunas. Constatou-se que, em geral, as garotas não entendem e pouco problematizam a realidade discriminatória presente na escola e nas aulas de Educação Física e que reagem de diferentes maneiras diante dos obstáculos que enfrentam nesta área, dependendo do modo como desenvolveram em suas trajetórias de vida, o gosto ou rejeição pela prática de atividades esportivas, na escola e fora dela.

Educação e Questão Étnico-Racial no Pós-Redemocratização: Uma análise das Associações ANPED e ANPOCS
Karina Almeida de Sousa (UFSCar)

A pesquisa visa à confecção de um balanço teórico referente à temática Étnico-Racial e a educação. Utilizam-se os conceitos sexo, gênero e estrato social, somados ao Étnico-Racial, na analise da inserção da temática no campo educacional, assim como, nos impactos e desdobramentos nos modelos de construção teórico-acadêmicos que influenciam o sistema de ensino brasileiro, e nas políticas públicas educacionais. São foco duas associações acadêmicas, Associação Nacional de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Associação Nacional de Pós-Graduação em Educação, a partir dos artigos apresentados em seus respectivos Grupos de Trabalhos, durante os anos de 1988 a 2003. O balanço tem como norteador a apreensão da construção dos referidos conceitos, como estes se relacionam com a questão Étnico-Racial e a Educação, como são incorporados no Plano Nacional de Educação, nos Parâmetros Curriculares Nacionais e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nas práticas escolares, e nas reivindicações dos movimentos sociais após a Constituição Federal de 1988. As discussões referentes à justiça-social e racial, a mobilidade social, a demanda por reconhecimento e afirmação da diversidade surge como resposta à suposta homogeneização da sociedade brasileira. Considera-se, uma possível cisão no campo de estudos das ciências sociais e da educação, relacionada à análise da imagem projetada de uma “democracia racial”, em função das diferenças dos indicadores educacionais de brancos e negros. As distintas perspectivas refletiriam as diferentes percepções enfrentadas pelos negros na luta pela integração na sociedade brasileira, a partir da construção da identidade afro-brasileira entrecruzada por relações de sexo, gênero e estrato social.

Espaço e Re-Socialização das mulheres egressas do sistema penitenciário na cidade de Ponta Grossa, Paraná
Karina Eugenia Fioravante, Giovana Budny (UEPG)

Este trabalho tem como objetivo central compreender o espaço e sua influência no processo de re-socialização das mulheres egressas do sistema penitenciário na cidade de Ponta Grossa, Paraná. O estado do Paraná possuiu 9,6% de mulheres em situação de prisão em relação a um universo de 18.157 pessoas. A representação feminina no sistema carcerário no Paraná é quase o dobro da taxa nacional, mas ainda, é pouco significativa quando comparada à representação da população masculina. A pequena visibilidade feminina no total da população prisional desloca a atenção do Estado e também da sociedade civil para o universo masculino, uma vez que este é bem mais numeroso. De um total de 1.051 estabelecimentos do sistema penitenciário do país, 21 estão no Paraná, oferecendo 8.426 vagas. O aumento do número de mulheres no cárcere traz um grande impacto social, uma vez que muitas dessas mulheres são chefes de famílias. A dificuldade ao exercício da maternagem é um dos problemas mais sérios como argumentam Frinhani e Souza (2005). Segundo Corrêa (1995), o espaço é resultado de lutas e tensões constantes entre grupos sociais. Esse jogo de forças resulta na estrutura sócio-espacial, inclusive no sistema penitenciário que reproduz a dominação masculina. A dimensão social das relações de gênero tem sido objeto de vários geógrafos brasileiros, portanto, é pertinente e contribui para o desenvolvimento da geografia cultural.

A questão inter-racial e de gênero na adoção
Karina Teodoro Dias da Silva, Fernando Silva Teixeira-Filho, Aline Almussa Ana Paula Faria Ruas, Guilherme Elias da Silva, Kátia Hatsue Endo, Mariana Pereto dos Santos, Marina Silvestre Tosoni, Priscila dos Santos Marques (UNESP-Assis)

A adoção é uma possibilidade legítima de constituição familiar. Entretanto, há carência de informações, que se reflete em dúvidas, preconceitos e mitos em torno desta prática. Desse modo enfocaremos o contexto das crianças negras, pardas, do sexo masculino, maiores de dois anos que se encontram em instituições asilares comprovando a discriminação e estigmatização da adoção inter-racial e de gênero. Objetivos: O Projeto Laços de Amor: adoção, gênero, cidadania e direitos, é um grupo de estágio, pesquisa e extensão ligado ao Departamento de Psicologia Clínica da UNESP-Assis que, oferece atendimento psicológico a pessoas cujo sofrimento esteja associado à adoção; re-significa a adoção como prática social e subjetiva estruturante da família; desnaturaliza mitos, crenças e preconceitos ligados à adoção; orienta famílias adotivas fundamentando-se no Estatuto da Criança e do Adolescente (1990); contribui para a promoção da cidadania e direitos humanos das pessoas adotadas (ou em vias de adoção) e seus familiares, possibilitando uma nova cultura da adoção. Metodologia: Elaboração de cine-debates abertos à comunidade; distribuição de materiais informativos com reflexões sobre a adoção; produção de textos para jornais, trabalhos acadêmicos e apresentação em eventos que abordam tal temática; produção de uma web page com informações relevantes sobre o tema. Resultados: Os espaços de discussão e informação contribuem para desmistificar e fortalecer uma cultura pró-adoção. Conclusão: Necessita-se dar continuidade à divulgação e criação de novos espaços para problematizar questões pertinentes à adoção, como conceitos de família, infância, adolescência, gênero, sexualidade e direitos humanos objetivando a desconstrução dos tabus inerentes a tal prática.

O ‘Super Men’s Health’
Karla Manvailer Enacles, Vanessa Coelho Reis, Amanda Frazão da Silva, Luciana Patrícia Zucco (UFRJ)

O presente trabalho aborda a visão de beleza no magazine ‘Men’s Health’, a partir de resultados obtidos através das análises das capas, de janeiro de 2007 a janeiro de 2008. Este é oriundo da pesquisa “Sexualidade em discursos: um estudo sobre revistas femininas e masculinas”. A abordagem é qualitativa (Minayo, 2006) e a corpora é formada pela revista ‘Men’s Health’, escolhida através da orientação da análise crítica de discurso (Fairclough, 2001). Há, nas capas de ‘Men’s Health’, uma promoção social da beleza masculina, retomando um marco que surge na década de 60 (Lipovetsky, 2000). Para a revista beleza e estética são sinônimos de homens jovens, altos, sensuais, de aparência magra, com músculos definidos, de cor branca, de cabelo liso e escuro e com dentes claros e alinhados. Tal modelo de beleza atende a uma concepção de saúde e bem estar físico, que reproduz esteriótipos pautados em um padrão de aparência masculina. Este ideal também significa um imaginário de juventude que alimenta a indústria da jovialidade e do rejuvenescimento, movimento identificado como sendo do ‘universo feminino’ (Lipovetsky, 2000; Morin, 1997). É transmitido ao leitor que a capacidade de atingir tal padrão é possível através das informações difundidas pelo periódico. Contudo, a diversidade estética, de gênero, econômica e de raça e etnia, não é contemplada, tampouco a orientação de vida saudável e de estética oferecida pela Revista condiz com o perfil de seu leitor - urbano, trabalhador e com tempo reduzido para cuidar de si.

Análise da consolidação dos direitos reprodutivos no PSF/Campina Grande-PB
Kássia Regina Alves dos Santos, Idalina Maria Freitas Lima Santiago (UEPB)

O resumo ora apresentado é fruto de um trabalho de Iniciação Científica, que está sendo desenvolvido no âmbito do curso de Serviço Social da Universidade Estadual da Paraíba, UEPB. A sociedade brasileira após 16 anos de regime ditatorial passa em 1980 a vivenciar um processo de democratização política. Diante das transformações evidenciadas nesse período, a questão da saúde das mulheres também foi problematizada, posto que até então a política governamental direcionada para as mulheres era pautada apenas numa perspectiva de controle da natalidade, impossibilitando que as mulheres exercessem a autonomia sexual e reprodutiva Em decorrência das mobilizações, especialmente, do Feminismo, que incorporou na sua agenda política a luta em defesa da liberdade sexual e da autonomia na vida reprodutiva, o Estado foi pressionado a adotar políticas de saúde que englobassem os direitos sexuais e reprodutivos. Portanto, em respostas as reivindicações das mulheres, o Ministério da Saúde elabora, e pública em 1984, o Programa Integral de Saúde da Mulher (PAISM) em reconhecimento da cidadania e dos direitos da população Feminina. Para a realização da referida pesquisa, o local escolhido é o município de Campina Grande que tem se destacado, em nível nacional, pelo seu pioneirismo na implantação do Programa da Saúde da Família (1994) e pela excelência de suas ações. Neste sentido o trabalho tem como principal objetivo analisar a consolidação dos direitos reprodutivos no PSF/Campina Grande-PB. A investigação esta sendo processada através de pesquisa descritiva-analítica, quanti-qualitativa, coletando dados empíricos para análise das ações efetivadas no PSF relacionadas aos Direitos Reprodutivos.

Crianças e adolescentes ,alvos da violência
Kátia Lopes Xisto, Júlia Ale Rumi (UFMS)

A realidade da sociedade brasileira tem revelado que dentre as situações mais graves de exclusão e risco social, em que estão envolvidos crianças e adolescentes, encontram-se as situações de violência, assentadas nas situações de vulnerabilidade social, provocada seja pela pobreza, por questões de gênero, de raça, etnia, pelos princípios, valores, pelo autoritarismo que se traduz também nas relações adulto/criança, ou pelas diversas formas de violência de relações sociais.
Enfrentar o problema da violência requer enfocá-lo como um brutal desrespeito aos direitos humanos, além de refletir sobre as ações no plano de produção material da sociedade e sobre as mudanças no modo de pensar e agir dessa sociedade.
A escola é um espaço privilegiado para formar novas mentalidades.
A exploração sexual comercial de crianças e adolescentes é uma forma de violência sexual que se caracteriza pela obtenção de vantagem ou proveito, por pessoas ou redes, a partir do uso (abuso) do corpo dessas crianças/ adolescentes, com base numa relação mercantilizada e de poder.
Ela desconstrói e destrói as relações de proteção, de direito e aprendizagem da autonomia, pela intermediação do corpo e mercantilização da infância. O corpo da criança e do adolescente se transforma em valor de uso e em valor de troca em âmbito nacional ou internacional.
O presente trabalho enfoca a discussão a respeito dos valores na esteira de um pacto de ética e dignidade.

Maricultura e resistência: o papel das mulheres
Kelem Ghellere Rosso (UFSC)

Santa Catarina oferece um campo privilegiado de estudos na área de cultivos marinhos, pois nesse estado a extração de moluscos tornou-se uma das principais atividades dos seus moradores, na maioria ex-pescadores artesanais, que por perderem a sua produção para a pesca industrial, procuram alternativa de sustento na maricultura.
Nesse contexto é importante analisar o papel das mulheres na produção da maricultura e na formação de um núcleo de resistência à maricultura industrializada. A maricultura artesanal, responsável pela maior parte da produção de moluscos em Santa Catarina, está estruturada por unidades familiares de produção, onde a mulher forma parte importante da força-de-trabalho dessa atividade.
Inicialmente a pauta de reivindicação das mulheres dizia respeito à questão da regulamentação da sua profissão. Para tanto, passaram a se organizar em cooperativas e associações específicas de mulheres, pois enfrentavam (e enfrentam) preconceito por trabalharem num espaço tão fortemente marcado pelo masculino como é o mar.
Atualmente observa-se em Santa Catarina uma aproximação por parte dos movimentos de mulheres camponesas e trabalhadoras urbanas com as organizações das mulheres maricultoras.
Com referência nessa relação entre organizações de mulheres de diferentes categorias, em especial as camponesas e maricultoras, essa pesquisa busca identificar algumas de suas concepções sobre a relação entre cultivo no mar e na terra. Além disso, visa identificar se houveram mudanças que a organização política das mulheres maricultoras da Grande Florianópolis proporcionou ao trabalho delas em específico e para maricultura como um todo, e quais foram essas mudanças.

Analisando um artefato cultural: filme Shrek
Kellen Daiane da Silva Silva, Paula Regina Costa Ribeiro (FURG/Fundação Universidade Federal do Rio Grande)

Este trabalho busca analisar uma atividade desenvolvida no projeto “Corpos, Gêneros e Sexualidades: questões possíveis para o currículo escolar” (projeto que conta com o apoio do MEC) que tem como propósito contribuir para a superação do preconceito, da violência, da homofobia e o respeito e a valorização das diversidades sexuais, de gêneros e da orientação afetivo-sexual, com profissionais da educação (professores/as, orientadores/as, supervisores/as, diretores/as). Nossos estudos estão baseados nos Estudos Culturais numa perspectiva pós-estruturalista. Os Estudos Culturais têm buscado, em suas análises, caracterizar os objetos de estudo – vídeos, livros, revistas, gibis, panfletos, internet, jogos, músicas, etc - como artefatos culturais, isto é, como resultados de processos de construção social. Nesse sentido, entendemos que as questões das masculinidades e feminilidades, da diversidade sexual, da erotização dos corpos estão presentes nas mídias e têm funcionado como pedagogias culturais que ensinam modos de ser e estar na sociedade. A fim de discutirmos essas temáticas, assistimos, analisamos e dramatizamos com ao/as profissionais da educação um artefato cultural utilizado no espaço da escola o filme Shrek. Buscamos problematizar o filme como produtor de significados, através dos quais legitimam-se determinadas representações de corpos, homens e mulheres, padrões de beleza, aparência corporal, metrossexual, tipos de amor, identidades de gênero entre outras.

Perfil corporal do bailarino de axé
Kríscia Germano Fávero, Fernando Luiz Cardoso, Rozana Aparecida Silveira, Roges Dias (LAGESC)

A primeira abordagem antropológica a respeito do uso do corpo foi realizada por Mauss (1974) que sistematizou as maneiras como os homens e a sociedade sabem servir-se de seus corpos. A dança é uma linguagem viva que fala do homem. O seu instrumento de expressão é o corpo humano, cujo movimento natural enfoca as suas emoções e necessidades de comunicação. É uma das maneiras utilizadas como instrumento para aquisição e desenvolvimento de formas de expressão corporal e transmissão de conhecimentos, através de uma atividade física com poucos riscos a saúde. Este estilo de dança é a adaptação do “swing baiano” para as aulas em academias. Faz parte da cultura espontânea que tem uma forte herança africana e é praticada por pessoas de todas as idades. Objetivo: Conhecer o perfil do bailarino de Axé. Método: Participaram deste estudo 48 bailarinos de Axé da grande Florianópolis – SC, selecionados através de focus groups. Os instrumentos utilizados foram um questionário de sexualidade humana (QSH), elaborado pelo laboratório de pesquisa de gênero, sexualidade e corporeidade humana, para conhecer a sexualidade de diferentes culturas e identidades de gênero, e entrevista semi-estruturada. Resultados: Os bailarinos de Axé possuem estilo próprio de se vestir, pois utiliza o seu corpo no palco como instrumento de trabalho e precisam estar em forma física para mostrar os movimentos e deixar transparecer a sensualidade da dança em si. Sua vestimenta é roupa colada no corpo, deixando aparecer o máximo das nuances possíveis. Homens e mulheres dançam coreografias estilizadas, fáceis de aprender com sensualidade aparente e volúpia demonstração de saúde e bem estar. Considerações finais: Nesse estudo pode-se perceber que os bailarinos de Axé conhecem seu corpo por inteiro, gostam de mostrá-lo, se olham no espelho com assiduidade, sentem prazer no que fazem e no que vêem. O trabalho corporal, em especial a dança, constitui-se de grande auxílio para esse conhecimento, proporcionando assim, benefícios aos indivíduos no relacionamento individual e social.

Ameaça e sedução – notas acerca da produção artística de Nazareth Pacheco
Nadia de Matos Barros (USP)

O presente trabalho pretende discutir a produção de Nazareth Pacheco (1961, -), artista plástica brasileira, cujos trabalhos, sobretudo instalações e esculturas, têm como foco a dor.
Desde 1993, quando exibiu no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo, ready-mades e objetos aprisionados que recordavam arquivos de cirurgias plásticas que sofreu, a artista tem trabalhado com o corpo feminino como um dos elementos centrais de sua criação.
As notas apresentadas procurarão examinar as idéias de "feminino" que possivelmente podem ser extraídas de algumas de suas obras. A relação que ela procura estabelecer entre corpos e normas sociais será pensada sob a luz de conceitos de Foucault (1975; 1976) e Butler (1990; 2003). Em um segundo momento, sua proposta será comparada à de Orlan (1947, -), artista plástica francesa que trabalha uma temática similar, usando, entretanto, seu próprio corpo como suporte, ao submeter-se a cirurgias que são filmadas e elaboradas como espetáculo.

Cartilha de gênero, cidadania e Direitos Humanos
Nadiene de Nicoló Ávila (UNIVALI)

A cartilha é fruto do Projeto de pesquisa, pela FAPESC(Fundação de apoio à Pesquisa Científica e Tecnológiga do Estado de Santa Catarina). Foi desenvolvida com a justificativa da necessidade de material didático e pedagógico que introduzam numa linguagem acessível a discussão de gênero e direitos das mulheres, às universitárias do curso de pedagogia emergencial da Univali. Na perspectiva das relações de gênero em sala de aula, contemplando um projeto de sociedade no qual a educação e a produção de um conhecimento não excludente seja prioridade. Assim, contribuímos para a construção de novos juízos valorativos(novas representações simbólicas) redefinindo e qualificando sua autoridade e legitimidade, no âmbito de suas práticas sociais. Abrimos o presente trabalho com uma retrospectiva histórica das conquistas das mulheres desde o período do Brasil colônia até os dias atuais. Recorte analítico das relações familiares, movimentos sociais, a mulher na política(poder) e conquistas legais. Nesse sentido, abordamos as áreas da saúde, trabalho, educação e violência,esta com foco na Lei 11.340/06. Utilizamos a corrente de pensamento das marxistas e a teoria pós-estruturalista de Joan Scott. Resignificando, a história do feminismo e das relações de gênero.

As diferenças de gênero construídas na sala de aula
Nadja Soares de Lima Silva (UFRPE)

Este trabalho visa analisar as diferenças de gênero que são construídas dentro da escola, na sala de aula e fomentadas muitas vezes pelos educadores, que contribuem para as relações sócias existentes, hoje, entre homens e mulheres. Os seres humanos são (re)conhecidos muitas vezes pelo gênero, classe ou raça e a partir disto formam-se as redes de poder. A forma como a escola e a família agem na formação de meninos e meninas são fundamentais na constituição da identidade de gênero. Portanto através de pesquisas bibliográfica e de campo procuraremos verificar como a diferença de gênero encontra-se oculta nas práticas pedagógicas e se afirma na relação entre meninos e meninas. Não que se busque a igualdade entre homens e mulheres, mas, que a diferença fique só no sexo e não nas oportunidades.

Mulheres e suas atitudes frente à dor e ao preconceito
Naiara Paula Eugenio (UERJ)

Jack Kerouac, o mais lido escritor da geração beat junto com Allen Ginsberg, de escrita espontânea e de pura fluência de vida, se relacionou com Mardou Fox; mulher, negra, sozinha, extremamente pobre e com um histórico de loucura. Compartilhou a dor de ser mulher negra num Estados Unidos preconceituoso, com o célebre escritor que registrou tudo em seu livro “Os Subterrâneos”, assim como fez com Esperança no seu livro “Tristessa”, uma prostituta mexicana, dependente química, também muito pobre que por causa de sua vida dolorida recebeu o nome de Tristessa.
A idéia do trabalho é mostrar como essas mulheres comuns misturadas a grande massa junto a tantas outras mulheres que passam por inúmeros preconceitos e dores reagiram a tudo isso dentro de um conceito nietzschiano da utilização do corpo e da vida.

Educação em saúde para gestantes de alto risco e familiares - empoderamento para busca de uma assistência qualificada no pré-natal de um Hospital Universitário
Nastassia Araújo do Espírito Santo, Ana Paula Arakaki Coary de.I.Gomes, Neuma Zamariano Fanaia Teixiera, Wilza Rocha Pereira ( UFMT)

Este relato de experiência foi realizado a partir de um projeto de extensão denominado Educação em Saúde para Gestantes de Risco e seus Familiares, de forma que, ao mesmo tempo em que se desenvolvia a educação em saúde às gestantes de alto risco e seus familiares, eram colhidos dados para elaborar uma pesquisa, articulando no curso de Graduação em Enfermagem da UFMT, extensão, ensino e pesquisa e atendendo assim um dos princípios maiores da instituição. A criação do projeto se deu pelo fato das professoras sentirem a necessidade de esclarecer gestantes e familiares acerca dos principais agravos enfrentados por estas, para que buscassem um atendimento qualificado no pré-natal de alto risco, através do entendimento dos problemas decorrentes da gravidez e dos esclarecimento necessários acerca dos exames solicitados e do tratamento recomendado, diminuindo desta forma as sucessivas hospitalizações . As atividades em grupo possibilitaram trocas de experiências entre gestantes e familiares, culminando com um maior crédito no sucesso reprodutivo, bem como a possibilidade de um atendimento clínico condizente com suas necessidades. Os resultados do estudo demonstraram que a condução de práticas educativas adequadas no período pré-natal, feitas a partir da integração dos profissionais, alunos e docentes de enfermagem com esta clientela, mostrou-se como uma estratégia eficaz de ampliação de conhecimentos, empoderando-os para o enfrentamento mais tranqüilo deste delicado momento de vida, bem como promovendo controle sobre a qualidade da assistência prestada neste ambulatório. Constatou-se também ser esta estratégia uma forma eficiente de exercício de cidadania, através do conhecimento adquirido sobre o curso de uma gravidez de risco, cuidados necessários para minimização de problemas para mãe e feto/recém-nascido.

Literatura Feminina? – Relações de Gênero na Crítica Literária aos Romances de Rachel de Queiroz (1930-1940)
Natália de Santanna Guerellus (UFPR)

A importância dos estudos de gênero para os debates históricos e literários no contexto brasileiro do século XIX e XX, envolvendo questões como a escrita de mulheres e a inserção feminina na esfera pública, são fundamentais para resgatar a memória do Brasil republicano, procurando incorporar novas abordagens, e ressaltar o papel ativo das mulheres na elaboração da modernidade brasileira. De fato, a literatura e o jornalismo foram espaços que paulatinamente se abriram a elas desde o final do século XIX. Portanto, a produção de textos e a reprodução de si mesma através deles, possibilitaram o questionamento das posições e funções da mulher na sociedade em formação. Uma destas escritoras foi Rachel de Queiroz, considerada fenômeno literário no Centro-Sul do Brasil nos anos de 1930. A autora é um exemplo da redefinição do que até então era chamado literatura feminina. Por não se encaixar no estereótipo da escrita de mulheres criado pela crítica literária até então, os romances da autora tiveram de encontrar seu próprio lugar no cânone e abriram espaço para uma nova interpretação da escrita das mulheres. Distante da chamada literatura “água-com-açúcar” e também dos discursos políticos e feministas, Rachel de Queiroz pôde falar da mulher em seus romances sem ser pejorativamente julgada por seus colegas intelectuais. A década de 1930 possibilitou a consolidação de seu nome no ambiente literário brasileiro, ao mesmo tempo em que a autora aperfeiçoava seus personagens femininos, cada vez mais complexos e questionadores da posição da mulher na sociedade.

Aspectos Constitucionais no Direito da Seguridade Social
Nayara Correa de Andrade, Bianca Maria Eleutério de Moraes (UFMS)

O conceito de Seguridade encontra-se na Constituição, sendo ali definido como um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Porém, apesar de assegurado constitucionalmente, podemos observar que nem todos os cidadãos brasileiros têm acesso à esse direito.
Temos como objetivo identificar através de um estudo analítico a eficácia e o alcance da norma constitucional previdenciária. O fundamento dos direitos sociais está na constatação de que o ser humano não poderá ter uma vida digna, em sua plenitude, se não lhe forem satisfeitas as necessidades básicas. O parágrafo V desse artigo é o coroamento da Constituição de l988, chamada de “Cidadã”, garantindo um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de subsistência.
Ora exposto, apesar de assegurado pela nossa Carta Magna, infelizmente, contrasta com a realidade encontrada no nosso país. Aliás, quase que certamente é o contrário que podemos enxergar na vida da população brasileira dependente do nosso sistema de Seguridade Social. Nada de drástico. O que se espera dessa instituição é que honre seus compromissos com o povo brasileiro. Nos termos da Lei Maior.

Devoção e hostilidade no trabalho de cuidar
Nídia Oliveira Quirino, Kátia Cristina Tarouquella Rodrigues Brasil, Fernanda Cunha Fontoura Roque, Tânia Mara Campos de Almeida (UCB)

Este trabalho tem por objetivo investigar a experiência subjetiva do feminino na situação de submissão e em relação à ambivalência do trabalho de cuidar “care”. Partimos da suposição de que o trabalho de cuidar do outro aliado à situação de submissão, não gera apenas sentimentos de amor e de compaixão, mobiliza também sentimentos de hostilidade nem sempre conscientes. O campo empírico é a clínica psicanalítica, o procedimento de investigação é a escuta dos conflitos inconscientes e o material de análise é o conteúdo das sessões psicoterápicas de uma paciente de 46 anos, casada e mãe de cinco filhos. A paciente foi encaminhada ao atendimento psicoterápico pelo clínico geral, tendo em vista, a não adesão ao tratamento de uma diabetes associada à sintomas depressivos. As sessões evidenciaram semelhanças entre a paciente e sua mãe, tanto na organização psíquica quanto ao modo de adoecimento somático. Ambas apresentaram diabetes e tiveram suas vidas atravessadas por histórias de violência e de servidão. Destacamos que o cuidado em relação ao outro se efetiva de modo resignado, contudo, entendemos que esta resignação se constitui como uma defesa para conjurar o ódio e a violência e para lidar com as dimensões ambíguas e ambivalentes da relação de cuidado. Finalizamos nossas reflexões apontando para o modo como o feminino é carregado de uma ambivalência entre a devoção e a hostilidade em relação à submissão e ao trabalho de cuidar- “care”, assim, deparamo-nos com um sujeito, que enfraquecido na defesa contra sua violência se fragiliza em uma descompensação somática.

Chapeuzinho Amarelo e o menino que tinha medo de tudo: breve reflexão sobre o medo pela perspectiva do gênero
Nizael Flôres de Almeida (UFMS)

Este trabalho pretende observar os livros Chapeuzinho Amarelo (1979) de Chico Buarque e O menino que tinha medo de tudo (1988), escrito por Tônio Carvalho, a partir da análise do tema do medo vivido pelas personagens e levando em consideração o “gênero”. De um lado a menina e do outro lado o menino. Cada qual, à sua maneira, consegue enfrentar este sentimento. Entendemos “gênero” tal como foi definido por Scott (Apud Monnerat, 1989) como a forma de significação das relações de poder dentro da sociedade, as quais correspondem a símbolos culturalmente disponíveis que evocam representações, muitas vezes contraditórias, quanto ao conceito normativo que tomam, comumente, numa posição binária entre masculino e feminino e com a qual a pesquisa histórica vem tentando romper ao tentar entender a origem da repressão que mantém essas posições. O estudo destas obras, submetido à perspectiva do gênero é justificável, pois as personagens, de sexos diferentes, têm medos semelhantes, mas também distintos. Analisam-se ainda as ilustrações das obras, levando-se em consideração as semelhanças, provocadas pelos ilustradores para representar o medo das personagens. Essas obras literárias infantis possuem um delicado trabalho estético, quebram estereótipos pré-estabelecidos pela sociedade, nas superações dos medos das personagens e provocam em seus leitores a reflexão.

No final do arco-íris: leprechauns e potes de ouro A Parada GLBT de São Paulo: a visibilidade e a contrapartida para uma igualdade de gênero
Osmar Arruda Garcia, Célia Regina Rossi (UNESP/Rio Claro)

Ao observar de perto a Parada Gay e tendo como fio condutor um conto de criança, este estudo apresenta um breve histórico do movimento gay, discutindo para tal a Parada GLBT de São Paulo como movimento em busca de uma igualdade de gênero. O objetivo deste estudo é problematizar o interesse do mercado neoliberal em relação ao evento, usando autores que falam sobre gênero e sexualidades, para que se possa refletir como a parada gay é usada de forma a prestigiar o modelo que deveria resistir.

Corpos, gêneros e sexualidades no cotidiano escolar
Paula Regina Costa Ribeiro, Rosa Miguelina Ferrão Rockenbach ( Fundação Universidade Federal do Rio Grande)

A História das Relações de Gênero na Educação
Paula Tatiane de Azevedo (UNILASALLE)

O trabalho busca relacionar gênero e educação tendo como objetivo principal trazer à tona a falta de igualdade entre mulheres e homens na escola. O método utilizado no trabalho é o levantamento bibliográfico, tanto de gênero como também, de educação. A análise dessas relações entre o feminino e o masculino mostram que trabalhar tais relações implica trazer a tona os diversos discursos construídos pelo masculino no decorrer da história. É somente a partir da categoria gênero que podemos dar inicio a uma análise das desigualdades existentes nas relações de gênero. Tais desigualdades perpassam pela construção das representações e dos signos do feminino, onde a própria mulher se vê a partir do olhar do outro, ou seja, as mulheres não possuem uma visão própria, mas uma visão turvada pelo discurso construído através do tempo que definem o papel da mulher e do homem na sociedade.

Casa da mulher catarina - prevenção de dsts no presídio feminino de florianópolis
Paula Thais Ávila do Nascimento, Jane Philippi, Lilly Ana Aichinger, Simone Heineck (UFSC)

A Casa da Mulher Catarina é um projeto de extensão do Departamento de Saúde Pública da UFSC desde 1989 e o mais antigo grupo feminista de Santa Catarina, dedicando-se a saúde da mulher, participação política, direitos sexuais e reprodutivos, e raça/etnia. É reconhecida internacionalmente como defensora dos direitos das mulheres. Em 2007 realizou prevenção de doenças sexualmente transmissíveis - DSTs no Presídio Feminino de Florianópolis, que abriga 130 detentas. As DSTs, causadas por vários agentes, são transmitidas principalmente por contato sexual e compartilhamento no uso de drogas injetáveis. São os principais fatores facilitadores da transmissão sexual do vírus da Aids. Cerca de 340 milhões de casos de DSTs ocorrem por ano no mundo segundo a Organização Mundial de Saúde, 80% nos países em desenvolvimento, e o uso de preservativos é o método mais eficaz para a redução do risco de transmissão. As mulheres presas, no Brasil, correspondem a 5% do total dos presos. A maioria tem ensino fundamental incompleto, cor branca e entre 18 e 24 anos. Ao contrário dos homens, a maioria delas cumpre pena primária de até 4 anos e por tráfico de entorpecentes. O projeto atingiu seus objetivos pela constatação da necessidade do grupo em obter informações sobre DSTs. São mulheres vulneráveis, esquecidas pelas autoridades da área da saúde, cujo atendimento em saúde se dá de forma precária.

Força, Saúde e Vigor: Masculinidades em Construção (Florianópolis, 1920-1930)
Peter Augusto Dessbesell (UDESC)

O objetivo desta pesquisa é investigar, nas décadas de 1920 e 1930, a produção de discursos de cunho civilizatório referentes à construção da idéia de masculinidade em Florianópolis. Nessa investigação, utiliza-se como fontes os discursos veiculados na imprensa periódica da cidade acerca dos considerados bons modelos de conduta para o gênero masculino. A partir da análise desses dispositivos textuais, problematiza-se o objeto masculinidade considerando a medicina como um saber cientificamente instituído que investiu, a partir das primeiras décadas do século XX, na concepção de normatização do corpo e da vida, interferindo efetivamente nas relações sociais em prol da construção de uma realidade onde os papéis de gênero devem estar muito bem definidos. O estudo da morfologia do corpo e dos comportamentos sexuais ligou-se às estratégias implementadas pelos médicos eugenistas articulados a um projeto nacional de definição da raça que visava levar o Brasil à moderna civilização burguesa.
Os aportes teórico-metodológicos vinculam-se aos pressupostos da História Cultural que considera a realidade como uma construção social, bem como uma história dos impressos como construtor de imaginários, modelador de condutas e divulgador de normas de civilidade, nos diferentes lugares onde atuam. A categoria gênero é compreendida como relacional e historicamente construída, bem como a idéia de civilidade é entendida na perspectiva de Norbert Elias como um processo de abrandamento das pulsões visando a internalização de um conjunto de regras consideradas civilizadas para a formação de lares honrados para a grandeza da pátria.

Acolhimento às mulheres em situação de violência sexual nos cinco núcleos de atendimento do município do Rio de Janeiro
Priscila Cavalcante da Silva, Ludmila Fontenele Cavalcanti, Roberta Matassoli Duran Flach, Vivian de Almeida Mattos, Tatiani Leite Soares, Viviane do Nascimento Aquino, Rejane Santos Farias (UFRJ)

Esse estudo integra a pesquisa “Avaliação dos núcleos de atenção às mulheres em situação de violência sexual nas maternidades municipais do Rio de Janeiro”. Objetivo. Avaliar o acolhimento prestado às mulheres em situação de violência sexual atendidas nos cinco núcleos localizados nas maternidades municipais do Rio de Janeiro. Metodologia. Foram realizadas entrevistas, do tipo semi-estruturada, com 95 profissionais, 15 gestores e 10 usuárias. Adotou-se a abordagem qualitativa e a técnica de análise de conteúdo. Resultados. Os profissionais associam o acolhimento ao atendimento multidisciplinar, marcado pela prioridade, sigilo, escuta humanizada, atendimento à família, utilização de referências adequadas, sem discriminação e capaz de promover o empoderamento da mulher. Os gestores enfatizam a importância do acolhimento realizado pelos profissionais de saúde na admissão e no seguimento, apesar de reconhecerem o relativo despreparo das equipes de saúde e o desconhecimento do fluxo de atendimento. As usuárias valorizam os seguintes aspectos do acolhimento: lugar reservado, pouco tempo de espera, medicação, bom acompanhamento ginecológico, psicológico e social. Considerações finais. Apesar das representações sobre o acolhimento se aproximarem da perspectiva preconizada pela Norma Técnica (Ministério da Saúde, 2005), as dificuldades relacionas ao serviço e aos profissionais apontam para um maior investimento no treinamento das equipes, no suporte sistemático da equipe e na sua auto-avaliação.

Técnincas corporais e gênero: um estudo sobre a construção das identidades travesti no centro de Belem – PA
Priscila Leão Wanzeller (UFPA)

O presente trabalho possui como tema o gênero e a sexualidade das travestis do centro de Belém do Pará. Possui como objetivo identificar e analisar as técnicas corporais que identificam e caracterizam o corpo travesti. Para identificar as técnicas, foi utilizado o método de observação participante com o grupo de estudo. A construção de uma identidade travesti se forma com base no modelo de gênero socialmente construído, o corpo travesti possuiu ao mesmo tempo um feminino e um masculino. Um feminino, todo particular, pensado e construído a sua maneira e ao mesmo tempo um masculino, inscrito no seu corpo biológico. Essa construção de um corpo travesti, entende-se como técnica corporal, pois, é no corpo e através dele que elas são identificadas como travestis.

Perfil corporal da cultura hip hop
Priscilla G Wittkopf, Fernando L Cardoso, Rozana A Silveira, Tiago P. Costa (UDESC-CEFID)

Um dos elementos do Hip Hop é a dança de rua, que foi criada em 1968 pelo DJ Afrika Bambaataa nos Estados Unidos. No Brasil, a dança de rua deu seus primeiros passos nos anos 80. Atualmente sua prática é uma realidade não só para as classes sociais menos favorecidas, mas também para todos os níveis sócio-econômicos. Objetivo: Conhecer a relação do bailarino de Hip Hop com o próprio corpo. Método: Integraram este estudo 36 bailarinos participantes do Meeting Internacional de Hip Hop – SP, 2007. Utilizou-se o questionário de sexualidade humana (QSH), elaborado pelo laboratório de pesquisa em gênero, sexualidade e corporeidade humana, para conhecer identidades de gênero e a sexualidade de diferentes culturas. Analisou-se os dados da estatística descritiva (média, desvio padrão, freqüência e percentual) e foi utilizado o teste estatístico não paramétrico (teste correlacional de Spearmann). Resultados: Os bailarinos conhecem bem a própria parte genital, conseguem reconhecer o próprio cheiro, se olham no espelho, mas não se tocam muito. Apenas 1,18% responderam que se masturbam; 1,81% tocam seu corpo de forma geral e 1,23% se automassageiam. Considerações finais: Através desse estudo pode-se perceber que os bailarinos não possuem muito contato com a própria genitália. Eles conhecem bem o próprio corpo, mas sem se tocar intimamente. O grupo é homogêneo, entretanto a média geral encontrada foi maior em relação ao conhecimento de sua genitália, cheiro corporal, cheiro genital e toque corpóreo de forma geral. Este estudo explica a preferência pela cultura social à valorização corporal.

A Visão De Transexuais Femininos Sobre a Relação Médico/Paciente: Campos Em Mutação
Rafael Alves Galli, Manoel Antônio dos Santos (USP)

O transexual é descrito pelo discurso científico como um indivíduo que tem o seu sexo biológico em desacordo com seu sexo psicológico e a identidade de gênero oposta ao seu sexo biológico. Atualmente a transexualidade têm conquistado maior visibilidade em diversos setores da sociedade, levantando questões relevantes, especialmente no campo da saúde. A literatura indica que os profissionais de saúde sentem-se despreparados para lidar com tal demanda e que esse despreparo é percebido pelos transexuais que acorrem aos serviços. O objetivo desse estudo é investigar a visão que transexuais femininos têm configurada acerca da relação médico/paciente, a partir de suas experiências de vida. A pesquisa tem um enfoque metodológico qualitativo e a teoria queer como referencial teórico. Os dados foram colhidos mediante a aplicação individual de entrevistas abertas, realizadas em situação face-a-face e audiogravadas com três transexuais. Os dados foram submetidos à análise de conteúdo. As entrevistadas apontam inúmeras dificuldades na busca por atendimento na área da saúde, como a exposição a preconceitos e atitudes discriminatórias vivenciadas em situações de atendimento ou no ambiente de trabalho, assim como a falta de conhecimento e preparo dos profissionais de saúde para enfrentar questões gerais ou mais especificas da transexualidade. Tais resultados indicam a necessidade de uma maior atenção na formação dos profissionais de saúde em questões referentes à diversidade sexual, além de mais aportes de pesquisas voltadas para a diversidade, em especial para a questão da transexualidade. (FAPESP).
Palavras-chave: transexualidade, profissionais de saúde, relação profissional-paciente.

Xingamentos masculinos: a falência da virilidade e da produtividade
Rafaela Carvalho, Tatiana Gomes, Valeska Zanello (IESB)

O presente trabalho teve como escopo fazer o levantamento dos piores xingamentos atribuídos aos homens, buscando elucidar, nesses xingamentos, o que seria considerado como papel “inadequado” para os mesmos. Foram aplicados 204 questionários, 39 em homens e 165 em mulheres, alunos de uma faculdade particular de Brasília. Foram obtidos 554 xingamentos: 108 dos questionários masculinos e 446 dos femininos. As respostas passaram por uma análise de conteúdo. Encontrou-se que o xingamento mais freqüentemente atribuído pelas mulheres tem caráter sexual passivo, tais como “viadinho”, “broxa”, “boiola”, etc. (56,73%) e, em segundo lugar, apontam para traços de caráter (de diferenciação e de autoinvestimento), tais como “vagabundo”, “fracassado”, etc. (33,4%). Já nos questionários masculinos, os piores xingamentos apontam para traços de caráter (43,4%), seguidos por aqueles de caráter sexual passivo (41,67%). Concluímos que a utilização de tais termos, tomados como xingamento, aponta, ainda que o falante não esteja consciente no ato de xingar, para uma passividade do homem, no comportamento sexual, que seria considerada (justamente por ser xingamento) como inadequada e mal vista . Por outro lado, aponta traços de caráter valorizados, na nossa sociedade, no sexo masculino, tais como: produzir, ser trabalhador, forte, etc. Os xingamentos apontariam para o oposto daquilo que é prescrito como ideal ou “natural” em relação ao dito “caráter másculo”. Neste sentido, os xingamentos não apenas mostram, pelo reverso, o sistema patriarcal do qual se alimentam, mas o xingar seria ato mesmo que, no proferir, independente da intencionalidade do falante, reproduziria e reforçaria esse mesmo sistema.

Um gênero de Movimento – Movimento d@s Trabalhador@s Desempregad@s em Brasília
Rafaella Tamm (UNB)

As ações políticas da luta pela terra, que completaram 20 anos com a criação do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, inaugurando formas específicas de protesto social que afetaram ou criaram espaços para novas organizações sociais. Através do trabalho de campo etnográfico, busco questionar e compreender a participação e atuação feminina dentro do Movimento d@s Trabalhador@s Desempregad@s, de que forma algumas mulheres ultrapassam barreiras no exercício do poder, e analisando através do cotidiano, momentos e personagens extraordinários. Neste trabalho, me proponho a analisar a trajetória de vida e atuação de uma militante do MTD na cidade de Brasília, que dentro desse espaço de estabelecimento e (re)configurações de identidades, preconceito e violência, reavalia sua inserção e atuação no Movimento após o descobrimento de sua gravidez. Ela é negra, militante, jovem de 29 anos, solteira, não possui trabalho fixo e em breve tornar-se-ia chefe de família; a sua situação de exceção não é compatível com nenhum outro membro do MTD, sendo a única mulher que trabalha como militante e agrupa tais características. Abordo as dificuldades de deixar para trás uma história construída para abraçar um movimento social, fazendo dele o ponto central de sua vida e, apesar disso, lidar com o reconhecimento da totalidade de seu trabalho.

Corpo, Relações de Cuidado e Deficiência
Raquel Guimarães, Regiane Rodrigues (UNB)

A presente pesquisa é resultado de um estudo realizado na Promotoria de Justiça da Pessoa Idosa e da Pessoa com Deficiência (PRODIDE), órgão do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). A pesquisa teve como objetivo central analisar de que forma as relações de cuidado se expressam no ambiente da deficiência, tendo como referencial teórico os estudos de gênero. A metodologia utilizada dividiu-se em duas etapas: pesquisa documental e etnográfica. Na fase documental foram analisados 48 processos que corresponderam à totalidade dos processos arquivados entre janeiro de 2006 a abril de 2007. A pesquisa etnográfica consistiu em um acompanhamento das sessões de atendimentos do Núcleo Regional de Informação sobre Deficiência (NURIN) que compõe a PRODIDE. Durante 1 ano foram acompanhados 50 atendimentos. Os resultados mostraram que as mulheres são as principais figuras que exercem o papel do cuidado de pessoas deficientes e que a ausência ou inexistência da figura feminina como cuidadora do deficiente na família, gera, em muitos casos de vulnerabilidade social, a responsabilidade do Estado em cuidar, não a masculina. Os resultados indicaram ainda que a maioria dos casos envolvendo mulheres deficientes na PRODIDE diz respeito a deficientes mentais, enquanto os homens em questão são, em sua maioria, deficientes físicos. Os dados apontam a necessidade de se considerar a desigualdade de gênero na elaboração de políticas sociais no âmbito da deficiência e de se incluir mulheres não deficientes, mas cuidadoras de algum deficiente, como sujeitos passíveis de ter acesso a direitos sociais básicos.

Meninos e meninas rompentes: a escola como reprodutora da discriminação
Raquel Sanches Abrão,Verônica Regina Muller, Patricia Lessa (UEM)

O estudo tem como objetivo trazer um debate maior sobre a questão do gênero na infância e a reprodução da discriminação e dos estereótipos de gênero dentro da escola. A investigação se desenvolveu através de uma pesquisa qualitativa, através de entrevistas com os acadêmicos do Curso de Educação Física, da Universidade Estadual de Maringá. A entrevista procurou levantar informações sobre a infância dos entrevistados, bem como as discriminações sofridas por eles serem considerados uma criança ‘rompente’. Pôde-se verificar através das entrevistas, que a escola perpetua e reforça os comportamentos considerados adequados para meninos e meninas, oriundos da educação familiar, fato que contribui para que as crianças sejam desencorajadas a praticar as atividades corporais consideradas não adequadas ao seu sexo. Desta forma o espaço escolar acaba fortalecendo padrões e estereótipos de gênero, produzindo sujeitos masculinos e femininos. Este tipo de conduta fortalece a formação de sujeitos adequados a uma sociedade competitiva e preconceituosa.

As questões de gênero na programação do programa evolução hip hop na rádio pública da Bahia
Rebeca Sobral Freire (NEIM/UFBA)

Este trabalho é resultado do projeto de pesquisa “A contribuição do Hip Hop no combate ao Racismo e Sexismo: Uma Comparação Brasil/Estados Unidos”, vinculada ao Programa de Intercâmbio “Raça, Desigualdades e Desenvolvimento”, desenvolvido através do Programa A Cor da Bahia/ FFCH/UFBA com o apoio CAPES/FIPSE. Esta pesquisa busca analisar como se dá a inserção do debate das questões de gênero na programação do programa Evolução Hip Hop no Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia – Irdeb, estando no ar aos sábados de 17horas às 18horas no canal 105,7. O Hip Hop considerado como um movimento sócio-político-cultural através de novos modelos de engajamento da juventude apresenta-se particularmente através dos seus ‘elementos artísticos’, tais como: o Break, a dança; Rap, a música; Grafiti, as artes plásticas e DJ, o mestre de cerimônia responsável pelo Beat. Observa-se que estes elementos não atuam apenas ao âmbito estético e musical, mas também são produzidos discursos políticos que têm influenciado a cultura política juvenil contemporânea global, seu entendimento do mundo e do modo de ser sujeito político na história. Tomando como objeto de estudo política pública cultural para juventude na Bahia 2007-2008, militantes do Movimento Hip Hop apresentam-se sua atuação em dialógo com a sociedade e o Estado ao publicizar demandas sociais assumidas como princípios do movimento ao enfocar questões de gênero, raça e classe. A pesquisa tem por base o Plano Pluri-anual de Cultura do governo baiano 2008, a demanda da comunidade Hip Hop baiana, e a revisão crítica da literatura da teoria política e feminista.

Os assentamentos rurais; espaço de construção da mulher rural
Regina Helena Pacheco Soares (UFF)

O presente trabalho visa analisar a dinâmica na qual surgem as lutas sociais desencadeadas nas últimas décadas. Enfrentando uma nova realidade de expulsão das terras e exclusão social, os desenraizados buscam criar novos espaços sociais onde seja possível vivenciar uma nova configuração de relações sociais, construída por homens e mulheres organizados na luta pela terra. Estes militantes carregam um passado comum, o qual acaba construimdo uma identidade social dentro desse espaço – os assentamentos rurais. É neste contexto, que busco relatar a importância participativa feminina na luta pela terra nos assentamentos e apontar como esse envolvimento crescente revela uma alteração significativa nas atitudes de homens e mulheres frente a vários preconceitos sexistas. Assim sendo a mulher redefine seu espaço e destaca seu papel na recriação social do espaço conquistado. Tornando-se um agente histórico fundamental, quer seja pelo enfrentamento da situação dada pela ocupação, quer seja pelas relações que reconstrói com sua presença ativa na luta, assumindo tarefas privadas e públicas. Dessa forma, a mulher aprende, a partir da vivência em outros espaços, a pensar e viver questões para além do cotidiano e do doméstico, remodelando seu estar no mundo, sua presença como mulher na história, reaprendendo-se enquanto mulher Sem Terra que busca lutar pelo direito a terra, à moradia, à participação, ao seu reconhecimento como trabalhadora da terra e da dignidade de seu gênero, como também reelaborando o papel de mulheres e homens na sociedade

A prática docente e a perpetuação de estereótipos entre meninos e meninas: Uma leitura a partir das teorias de gênero
Regis Glauciane Santos de Souza, Priscila de Lutiane de Jesus Aguiar, Eliseu Riscarolli (UFT)

Com o presente estudo, busca-se compreender como a escola se constitui num espaço de transformação ou perpetuação de relações de identidade e alteridade. Diante do diagnóstico preliminar realizado na Escola Paroquial Cristo Rei – Ensino Fundamental, observamos que a turma em estudo, manifestava tendências preconceituosas, estereótipos, e que não havia nenhuma discussão referente a essa temática. Simultaneamente, percebemos que parte das professoras têm dificuldades para distinguir os conceitos de sexo, gênero e sexualidade, e que a educação familiar repressora por elas vivenciadas pode dificultar o processo de abordagem de temas que envolve a sexualidade, questões de gênero e etnicidade. Nesse sentido, a pesquisa, originou-se a partir da proposta de construção de um projeto de ação pela disciplina Projetos da Prática Pedagógica I (PPPI), na UFT – Universidade Federal do Tocantins. De acordo com os diálogos e consulta ao Projeto Político Pedagógico da escola e da vivência que tivemos, chegamos a hipótese de que a falta de reflexão ocorre devido a ausência de proposta de trabalho no currículo da escola, que se aproxime da temática por nos colocada, enfatizando não apenas as questões relacionadas a reprodução humana, mas também as discussões sobre os papéis sociais construídos/definidos para homens e mulheres. Assim, as atividades relacionadas a esta temática, podem ser incluídas no currículo da escola pelo viés do currículo oculto, muito embora fosse melhor fazer parte dos conteúdos desenvolvidos pela escola e na formação dos professores.

Acessibilidade aos núcleos de atenção às mulheres em situação de violência sexual no município do Rio de Janeiro
Rejane Santos Farias, Ludmila Fontenele Cavalcanti, Priscila Cavalcante da Silva,Roberta Matassoli Duran Flach,Vivian de Almeida Mattos, Tatiani Leite Soares,Viviane do Nascimento Aquino (ESS/UFRJ)

Esse estudo integra a pesquisa “Avaliação dos núcleos de atenção às mulheres em situação de violência sexual nas maternidades municipais do Rio de Janeiro”. Objetivo. Avaliar a acessibilidade das mulheres em situação de violência sexual aos cinco núcleos localizados nas maternidades municipais do Rio de Janeiro. Metodologia. Foram realizadas entrevistas do tipo semi-estruturada, baseada em roteiro, com 95 profissionais, 15 gestores e 10 usuárias. Adotou-se a abordagem qualitativa e a técnica de análise de conteúdo (Minayo, 1994). Resultados. Os profissionais de saúde dos diferentes núcleos associam acessibilidade à demanda espontânea que chegam à admissão da própria maternidade e aos encaminhamentos externos (emergências, delegacias, IML e postos de saúde). Os gestores associam acessibilidade à noção de porta de entrada da unidade, além das delegacias, emergências, outros hospitais, conselho tutelar e ONGs. As usuárias fazem referência a outras emergências, ao IML e ao atendimento do Serviço Social da unidade. Considerações finais. Por um lado, observa-se uma redução na noção de acessibilidade ao acesso físico à unidade, por outro, a atuação das unidades atende ao previsto na Norma Técnica (Ministério da Saúde, 2005), que prevê a inclusão de medidas de emergência e tratamentos dos impactos da violência sexual sobre a saúde física e mental da mulher, bem como a existência de mecanismo bem definidos de detecção e encaminhamentos das mulheres atingidas pela violência sexual.

A televisão através dos olhos de mulheres responsáveis pelo sustento do lar
Renata Córdova da Silva (UFSM)

Cresce em nossa sociedade o número de famílias em que a mulher é a base do sustento financeiro. No Brasil, esse fenômeno atinge cerca de 27,5% dos lares (IBGE, 2000). Diferentemente de outros séculos, em que a tradicional família brasileira estabelecia uma clara divisão de papéis (o homem geralmente se envolvia com o trabalho remunerado e a mulher dedicava-se aos afazeres domésticos), hoje cada vez mais a mulher contribui com a renda da família.
A maternidade passou a dividir espaço com a continuidade da vida acadêmica e a construção de uma carreira profissional. Isso acaba acarretando em uma mudança nos padrões de funcionamento familiar, dinamizando os papéis de cada membro desta estrutura social e repercutindo nas questões conjugais e na educação dos filhos. Mas será que a mídia acompanha esse processo de transformação do papel da mulher dentro das famílias brasileiras ou ainda segue insistindo em modelos tradicionais? Assim, a problemática deste estudo visa refletir sobre a seguinte questão: Será que essas mulheres “chefes de família” se sentem representadas na televisão?
Nos baseamos nos estudos culturais latino-americanos para compreender o cotidiano de mulheres responsáveis pelo sustento da família de diferentes classes sociais e sua relação com os programas da televisão. A metodologia utilizada combina o estudo de caso com a técnica da observação participante.

Distúrbios alimentares das adolescentes do ensino médio e o papel do professor de Educação Física
Renata Francisco, Raquel Acre, Michael Lima, Marcela Vasconcellos, Giannina do Espírito-Santo, Renata Vasconcelos (UCL/RJ)

Durante séculos, a obesidade foi vista como sinônimo de beleza. Hoje podemos considerá-la uma nova epidemia do final do século XX e início do XXI. Mulheres lindas e magras são ditas “normais”. As gordinhas podem até ser bonitas, mas não entram para a lista das mais belas, pois seus corpos imperfeitos não se encaixam no padrão da moda (Castillho, 2000). Os casos de anorexia e bulimia aparecem cada vez mais cedo, especialmente entre as mulheres. De acordo com o Segundo Levantamento Domiciliar sobre Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil, passou de 1,5% para 3,2% o percentual da população brasileira de 12 a 65 anos que diz já ter consumido redutores de apetite pelo menos uma vez, entre 2001 e 2005 (SEGATTO et al., 2006). O presente estudo teve como objetivo verificar os significados atribuídos pelos professores de Educação Física escolar aos distúrbios alimentares e seu papel nesse contexto. Trata-se de um estudo qualitativo, de nível descritivo. Foram entrevistados 11 professores de Educação Física que atuam no Ensino Médio em escolas particulares do Grande Méier. Os resultados preliminares do estudo apontam para os principais significados atribuídos aos distúrbios alimentares: alimentação inadequada e doenças. Quanto ao papel do professor de Educação Física, os discursos ficaram centrados nas orientações em relação à alimentação. É interessante ressaltar, que a atividade física apareceu apenas na fala de um único informantes.

Sexualidades dissidentes da ousadia de falar do amor em nome próprio
Renato Cezar Silério Júnior,Wiliam Siqueira Peres (UNESP-Campus Assis)

O objetivo dessa pesquisa é conhecer algumas das práticas homoeróticas que podem ocorrer em ambientes pressupostamente mais vigilantes e rígidos, como os de uma pequena cidade no interior paulista Sabe-se (TREVISAN 2000, PARKER 2002) que as grandes metrópoles brasileiras sempre tiveram um grande comércio cultural, inclusive sexual, com outras partes do mundo, chegando a abrigar práticas nem sempre condizentes com sua moral. Tais relações estão imersas em determinados momentos históricos, inseridas em uma rede de troca global com o mundo, permitindo ao desejo expressar-se desta ou daquela maneira e despertando nos indivíduos a necessidade de sempre movimentar em si novas formas de existir. Entender essas realidades dentro de um contexto específico, em interação com o global, é indispensável para uma compreensão mais completa de como se articulam as sexualidades no mundo pós-moderno. Pretende-se cartografar as experiências dos sujeitos levando em conta seus desejos, suas possibilidades e aspirações em contato com o social, bem como as influências globais e locais sobre esse sujeito e esse social, entendendo as trocas e as influências estabelecidas dentro das praticas homoeróticas em sua dimensão ética, estética e política. A pesquisa será desenvolvida em uma cidade de pequeno porte do interior paulista, com aproximadamente 34 mil habitantes e 150 anos, através de entrevistas. Os entrevistados serão dez sujeitos do sexo masculino, com a idade entre 30 e 60 anos, que possuem laços homoafetivos socialmente demonstrados. A escolha da faixa etária deu-se por conta da possibilidade de comparar épocas e relacioná-las com possíveis manifestações históricas, da ordem política, cultural e social brasileira. Além de proporcionar uma visão da evolução dessas práticas no contexto estudado, já que os referidos sujeitos nasceram e cresceram naquele local.

Avaliando as orientações fornecidas às mulheres em situação de violência sexual em cinco núcleos de atendimento
Roberta Matassoli Duran Flach, Ludmila Fontenele Cavalcanti; Vivian de Almeida Mattos; Tatiani Leite Soares; Viviane do Nascimento Aquino; Rejane Santos Farias; Priscila Cavalcante da Silva (ESS/UFRJ)

Esse estudo integra a pesquisa “Avaliação dos núcleos de atenção às mulheres em situação de violência sexual nas maternidades municipais do Rio de Janeiro”. Objetivo. Avaliar as orientações fornecidas às mulheres em situação de violência sexual que buscam o atendimento nos cinco núcleos avaliados. Metodologia. Foram realizadas entrevistas, do tipo semi-estruturada, com 95 profissionais, 15 gestores e 10 usuárias. Adotou-se a abordagem qualitativa e a técnica de análise de conteúdo (Minayo, 1994). Resultados. As mulheres em situação de violência sexual devem ser informadas, sempre que possível, sobre tudo o que será realizado em cada etapa do atendimento e a importância de cada medida. Sua autonomia deve ser respeitada, acatando-se a eventual recusa de algum procedimento. Deve-se oferecer atendimento psicológico e medidas de fortalecimento da mulher (Ministério da Saúde, 2005). Os profissionais e os gestores, em sua maioria, realizam orientações relativas às profilaxias e aos direitos sexuais e reprodutivos, tanto relacionadas ao primeiro atendimento quanto aos encaminhamentos necessários durante o seguimento. A falta de condições da mulher para receber a orientação e a necessidade de encaminhamento para a psicologia e para o serviço social são justificativas apresentadas pelos profissionais que não orientam no primeiro atendimento. Isso se confirma nos discursos das usuárias, que valorizam também o reforço à auto-estima. Considerações finais. A falta de qualificação na abordagem das mulheres em situação de violência sexual pode contribuir para tanto para a não garantia dos direitos violados, com agravamento das situações vividas, quanto para o comprometimento da saúde física e mental decorrente da não adesão ao acompanhamento necessário.

Violência sexual ou dever conjugal? O véu da (i)legalidade nas relações íntimas
Roberta Matassoli Duran Flach, Ludmila Fontenele Cavalcanti (ESS/UFRJ)

Esse estudo integra a pesquisa “Avaliação dos núcleos de atenção às mulheres em situação de violência sexual nas maternidades municipais do Rio de Janeiro”. Objetivo. Analisar os sentidos atribuídos pelas usuárias da assistência pré-natal do HMAF à violência sexual perpetrada por parceiro íntimo. Metodologia. Foram realizadas 17 entrevistas do tipo semi-estruturada com consentimento livre e esclarecido. Adotou-se a abordagem qualitativa e a técnica de análise de conteúdo (Mianayo, 1994). Resultados. No perfil, observou-se que 8 tinham entre 18 e 24 anos, 11 tinham o ensino médio completo, 10 estavam em união estável, 16 não haviam planejado a gravidez atual, 6 utilizam o preservativo como método contraceptivo, 4 tiveram algum aborto e 9 declararam ausência de participação do parceiro na escolha do método. Foram identificados os seguintes sentidos atribuídos à violência sexual: ato sexual forçado, submissão feminina e violência urbana. As explicações relacionadas ao fenômeno foram: fatores sociais, fatores culturais, fatores psicológicos, dependência química e desinformação. As usuárias mencionaram como repercussões desse tipo de violência os danos psicológicos e físicos. Quanto à avaliação de risco durante a assistência pré-natal (Ministério da Saúde, 2005), constatou-se que nenhuma gestante foi abordada pelos profissionais de saúde se sofria violência sexual pelo parceiro íntimo. Considerações finais. O presente estudo aponta a dificuldade das gestantes se reconhecerem em situação de violência sexual e dos profissionais de saúde em lidarem com a mesma no pré-natal.

A heteronormatividade e a propaganda: a reificação da mulher em campanhas publicitárias de cervejas
Robson Cardoso de Oliveira (UFPA)

Este artigo analisou o papel que as representações heteronormativas de gênero são utilizadas em propagandas de cervejas. Os homens são colocados como os consumidores em potencial e as mulheres representadas como figuração do prazer, mulher-objeto. A análise partiu de observações realizadas por meio de propagandas vinculadas na TV aberta brasileira. Foi adicionada ao trabalho, contribuições de alguns autores que possuem trabalhos na área referida da pesquisa. O trabalho discutiu temas como heteronormatividade, propaganda, o papel da mulher nas campanhas publicitárias, valorização do masculino heterossexual, estabilidade das propagandas de cervejas e as perdas mercadológicas. Como resultado, percebeu-se uma grande reação de movimentos feministas com argumentos contrários a atual posição em que a mulher assume nas propagandas de cervejas, bem como o erro estratégico de marketing que a indústria de cervejaria vem cometendo, pois visa apenas um público: os homens, excluindo-se então mulheres e LGBTTs.

Zumbis! Corra, grite ou se esconda: a representação feminina na quadrilogia dos mortos de George A. Romero
Rodolfo Stancki Silva (Faculdades Integradas do Brasil / UFPR)

O trabalho debate o modo como as representações femininas são apresentadas e inseridas no imaginário popular através dos filmes de horror. A discussão sustenta-se na exploração das representações críticas dos tipos sociais nos filmes do diretor George A. Romero, em sua quadrilogia dos mortos. A partir da idéia de que o americano utiliza da representação feminina na leitura da realidade, procura-se rastrear um padrão nas quatro personagens femininas principais de cada obra e entender o processo de complexidade das mulheres nos filmes.

Relaçôes de Gênero no Fluxo Imigratório Italiano para o Brasil (século XIX e XX)
Rodrigo Fessel Sega ( UNESP - Campus Marília - FFC)

A partir de meados do século XIX e no decorrer do século XX, o movimento imigratório italiano para o Brasil mudou radicalmente nossa cultura Através deste projeto pretendo analisar algumas instituições sociais, como a família, as redes de sociabilidade desses imigrantes, a educação e o trabalho com a finalidade de encontrar padrões sociais entre estes três grupos. Ao trabalhar com estas instituições sociais, foi realizado um recorte teórico com a finalidade de encontrar relações de gênero nessa cultura.
Num primeiro momento, o objetivo é de analisar esta relação entre homens e mulheres imigrantes no seu país de origem e se se mantém quando chegam no Brasil. Num segundo momento será feita a comparação entre os papéis sociais masculino e femininos com as diferentes etnias de imigrantes e o modo como vivem as suas vidas, a fim de mapear e analisar estes padrões de gênero encontrados. Como o projeto ainda está em andamento, não há uma conclusão final, apenas alguns resultados parciais como por exemplo a manutenção aqui no Brasil do patriarcalismo exercido na terra natal, embora a radicalidade do ser imigrante venha questionar estes padrões (principalmente por parte das mulheres); a manutenção de determinados discursos de gênero apenas quando convém a um determinado grupo, como por exemplo a fragilidade da mulher, característica que parece intrínseca, porém é deixado de lado quando falta mão de obra na lavoura, passando esta a trabalhar em igual condição que os homens; a transformação do discurso masculino, tornando-se mais maleável, quando chega na terra prometida.

Oficinas de Relações de Gênero para educadores: Formação Continuada como Forma de Luta
Rosana Pena de Sá (UFF)

Neste pôster apresentaremos o uma parte do projeto de extensão e pesquisa “Sexualidade e Relações de Gênero na Educação Básica”, desenvolvido no departamento de Educação Física da Universidade Federal Fluminense coordenado pelo professor Sérgio Aboud. O nosso trabalho apresenta oficinas de formação continuada feita com professores de redes públicas municipais e estadual nos últimos dois anos. Partindo do PCN de Orientação Sexual, apresentado como tema transversal, onde se apresenta a idéia de sexualidade não apenas com caráter reprodutivo, mas também com o propósito da construção sócio-sexual do sujeito, a diversidade sexual, a orientação e identidade sexual. Um dos cuidados tomados pelo grupo é de trabalhar com os educadores, lembrando que a escola não tem a função de normatizar e nem moralizar o desenvolvimento psico-sexual do educando, mas sim desenvolver a responsabilidade social da sexualidade e o respeito à diversidade e o debate acerca das relações de gênero. Acreditando que a formação do profissional de ensino não se encerra com a formação acadêmica, usamos a metodologia de oficinas mensais onde além dos temas escolhidos de forma dialógica, onde são usados vários recursos, também reservamos uma parte para a discussão de análises das propostas pedagógicas desenvolvidas pelos professores nas suas aulas. Dentre os objetivos traçados, procuramos analisar a influência do espaço escolar no desenvolvimento das relações de gênero; verificar a reprodução dos papéis sócio-sexuais construídos; lutar contra a homofobia e toda forma de violência relativa as questões de gênero. Leitura de teóricos, tais como Bourdieu, Butler, Foucault, Louro e Nolasco.

Subjetividade feminina e masculina: enfrentamento da violência intrafamiliar em Belém do Pará
Rose Nelma da Rosa Valois, Marcello Pacheco de Almeida Seffert,Josiana Martins Pereira,Rafaela da Paixão Gurjão, Adelma Pimentel (UFPA)

Os estudos sobre mulher e relações de gênero, na Universidade Federal do Pará, têm sido realizados pelo: GEPEM (Grupo de Estudos e Pesquisas Eneida de Moraes); Núcleo de Altos Estudos Amazônicos: NAEA; e pelo NUFEN (Núcleo de pesquisas fenomenológicas). Este resumo agrega duas pesquisas qualitativas, desmembramentos do projeto de investigação da Subjetividade Masculina e Feminina e Violência Intrafamiliar. O enfoque teórico-metodologico é baseado na psicologia fenomenologica gestaltica. Os informantes são homens e mulheres paraenses: negros, mulatos e brancos de 20 a 30 anos, atendidos na DEAM de Belém, do Pará. 1. Focaliza a construção da subjetividade masculina. Objetiva identificar a possível relação entre a percepção consciente, não comunicada, do sentimento de inferioridade ante a companheira e o deslocamento do mesmo através da violência física e/ou psicológica, pois, via de regra, o homem pós-moderno, ainda vivencia em casa e na rua a aprendizagem e reprodução do modelo moderno de educação, baseado na limitação da expressão afetiva, agressão, desqualificação, e competição. 2. Problematiza a dependência afetiva, como um dos fatores que institui a permanência da mulher na relação conjugal, em que a violência psicológica e/ou física está presente. A dependência afetiva, é um distúrbio de comportamento que afeta um número imenso de mulheres quee "amam demais", confundem carência com amor. O objetivo é compreender o modo que as informantes vivenciam e percebem a violência psicológica cometida por seus companheiros/maridos, identificando: sentimentos, necessidades atendidas pela relação conjugal e os fatores que contribuem para a manutenção do relacionamento com seus agressores.

O sofrimento psíquico na infidelidade sexual: suas origens e conseqüências
Sallete Satiko Nakayama, Fábio Thá (Faculdade Dom Bosco)

Esta pesquisa visa investigar os efeitos psíquicos de mulheres que contraíram HIV de seus parceiros em um relacionamento estável e de confiança mútua. A infidelidade sexual sem o uso de preservativos entre os casais é um dos comportamentos considerados de risco. A feminização da AIDS é uma das preocupações do Ministério da Saúde, pois as mulheres são anatomicamente mais suscetíveis ao contágio do HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis. Os adultos projetam diante de si, um ideal de eu que é o substituto do narcisismo perdido de sua infância, na qual ele era seu próprio ideal. É importante compreender o processo da perda desse ideal de eu, pois existe uma possibilidade das mulheres desenvolverem transtornos psíquicos. Uma dependência do amor do objeto amoroso, normal e necessário nos relacionamentos pode ser fonte de grande sofrimento psíquico quando a infidelidade é constatada pela perda que acarreta e o processo de luto do eu que implica. Foram entrevistadas mulheres casadas e/ou com relacionamento estável que contraíram o vírus HIV através da infidelidade sexual do parceiro. A pesquisa aponta para uma dificuldade para coletar os dados visto que encontrar os sujeitos, que se disponibilizem para realizar a pesquisa tem sido o maior empecilho desta etapa. Os resultados indicam que o tabu da infidelidade sexual e da Aids não são processos simples para serem desmistificados e na medida em que são tratados como um segredo, a contaminação desta e de outras doenças continuarão ocorrendo entre parceiros estáveis.

Trabalho, Tecnologia e Masculinidades: uma análise do uso de catracas eletrônicas no transporte coletivo urbano
Sandra Aparecida Resende, Laila Priscila Graf, Maria Chalfin Coutinho (UFSC)

O desenvolvimento tecnológico gera uma preocupante substituição do trabalho humano. A dicotomia entre os benefícios e os prejuízos gerados pelas novas tecnologias coloca o sujeito em diferentes posições, atribuindo diferentes sentidos, que perpassam a construção de subjetividades e de gêneros, principalmente quando o uso de novas tecnologias é atribuído à construção social do masculino. Construção histórica que ao longo do tempo foi consolidando um entendimento de que o espaço do homem era o social, e das mulheres o espaço doméstico. Nos estudos de gênero há propostas de compreensão dos masculinos construídos a partir dos discursos, nesta investigação vislumbramos conhecer a relação entre o masculino e a utilização tecnológica. Investigamos os sentidos da implantação da catraca eletrônica para homens do transporte coletivo. Para coleta de informações, por amostra intencional, entrevistamos quatro cobradores de ônibus de Florianópolis. A análise de conteúdo mostrou dois aspectos: a) o uso das tecnologias – o entendimento como uma melhoria nas condições de trabalho; um entrevistado apontou que isto pode nem sempre acontecer; b) as catracas – duas tendências: para os que trabalham com a catraca eletrônica, sua a inserção trouxe benefícios; para os que trabalham sem essa, a implantação da bilhetagem eletrônica se dará apenas em benefício aos empresários, que os cobradores serão descartados. Concluindo, o uso da catraca está atrelado ao histórico dos sujeitos com as tecnologias inseridas em seu cotidiano, ligadas às experiências que tiveram com o objeto em questão, e não relacionadas com ao mito de uma maior capacidade dos homens lidarem com a tecnologia.

Representações de lesbiandade no romance “Pecados safados”, de Betti Brown
Sandra Mariza Pozynek, Jamil Cabral Sierra (UNICENTRO/Paraná)

Este pôster faz parte do meu trabalho de conclusão de curso de graduação em Letras, que está sendo desenvolvido neste ano de 2008, na Universidade Estadual do Centro-Oeste, campus de Irati/Paraná. Nele, eu tento, a partir dos Estudos de Gênero, dos Estudos Queer e dos Estudos Culturais na sua articulação com os Estudos Literários, fazer uma leitura do romance “Pecados Safados” (1995), de Betti Brown, uma obra bem humorada, mas sem deixar de ser dura e implacável com os preconceitos e o moralismo. Em minha análise, tento apontar - especialmente a partir da personagem Isabel (uma aluna de um colégio de freiras) - quais representações de lesbiandade são construídas no/pelo livro. Para isso, inicialmente, tento explorar os caminhos pelos quais é construída no romance a noção de identidades de gênero e sexuais para, logo em seguida, tentar problematizar em que medida o romance “Pecados Safados” contribui (ou não) para a constituição de uma representação heteronormativizada (ou não) da mulher lésbica, bem como investigar através de quais estratégias estético-literário-discursivas o romance constrói representações do amor lésbico.

Os emigrantes e as redes sociais
Sandra Nicoli (UNIVERSIDADE VALE DO RIO DOCE - UNIVALE)

A partir de 1960, o Brasil torna-se um país de emigrantes, devido à nova dinâmica do capitalismo, marcada pela internacionalização do capital. Neste contexto, inicia-se em Governador Valadares e região o fluxo migratório. Para compreender esse processo, é fundamental estudar como as redes sociais se constituíram, quais as suas dinâmicas e estratégias nas sociedades de origem e de destino. O objetivo deste trabalho é elaborar uma revisão bibliográfica sobre as teorias da migração internacional, localizar os primeiros emigrantes valadarenses para os EUA, e indicar a relação entre os primeiros emigrantes e a formação das redes sociais. Para tanto, utilizou-se o método denominado “bola de neve”, localizou-se os emigrantes da década de 60, que retornaram ou estavam a passeio em Governador Valadares. Através de entrevistas não estruturadas levantou-se o perfil, condições de emigração, condições de trabalho e como se constituíram os primeiros pontos da rede. As entrevistas aconteceram no período de março a junho de 2007. Os resultados obtidos através das entrevistas mostraram que, eram pessoas da classe média alta, estudaram o segundo grau completo e emigraram mais pela aventura do que por necessidades econômicas. Tornaram-se ponto de referência para os que desejavam emigrar e a maioria recebeu nos EUA em média trinta pessoas que hospedaram e encaminharam para empregos. A consolidação de um fluxo contínuo para os EUA está diretamente relacionada à construção e a consolidação das redes sociais. Apoio: BIC-UNIVALE.

O Olhar lesbiano da Revista UOO sobre o seriado Xena
Sarah Toso Mendes, Patricia Lessa (UEM/DFE)

A Revista Um Outro Olhar (UOO) surgiu em 1995 substituindo o Boletim Um Outro Olhar, uma publicação de São Paulo vendida em bancas e para assinantes, que vinha sendo publicado para o público lesbiano brasileiro com um discurso voltando principalmente para a política e o cotidiano das lesbianas, para suas práticas sociais e para as atualidades mundiais. A escolha da personagem do seriado Xena: a princesa guerreira para ser capa da edição n.30 (1999) e título de uma sessão da revista nos levou a questionar a representação das guerreiras em sua relação com as lesbianas, sua força, determinação entre outros fatores que a define como heroína são o mote para pensarmos as lutas cotidianas travadas pelo publico leitor da UOO. Fundamentamos-nos nas teorias feministas pensando conceitos como sororidade, heterossexualidade compulsória e corpos cyborgs para estabelecer categorias de análise nos materiais estudados. Realizamos uma compilação dos materiais publicados na revista sobre o tema e posteriormente trabalhamos com a análise de conteúdo entendendo a linguagem com um discurso em ação que reflete as práticas sócias implicadas na revista estudada.

Educação sexual na escola: a percepção do professor da Rede Pública Municipal de Presidente Prudente no processo de desenvolvimento da sexualidade dos alunos
Selma Alves de Freitas Martin, Arilda Inês Miranda Ribeiro (FCT/UNESP)

Trata-se de uma investigação, vinculada ao programa de Mestrado em Educação da FCT/UNESP, cuja problemática se organiza na busca do conhecimento que os docentes possuem, frente ao desenvolvimento da sexualidade dos alunos, quais as concepções de sexualidade e valores que os professores possuem. Objetiva-se compreender os fatores que interferem na construção de conceito de sexualidade. Trabalha-se com a hipótese de que grande parte dos professores ainda não se sente preparados para abordarem questões relativas a sexualidade, devido à forma como se constituíram suas próprias sexualidades e, conseqüentemente, dificultando o trabalho pedagógico. A pesquisa está sendo realizada com professores de 3ªs séries da Rede Municipal de Educação de Presidente Prudente-SP, numa parceria entre UNESP / NUDISE – Núcleo de Diversidade Sexual na Educação e UDESC – Universidade Estadual de Santa Catarina. Está sendo ministrado um curso via on-line, na plataforma Moodle, para 17 professores de 11 Unidades Escolares diferentes, participantes da pesquisa. No decorrer do curso estão sendo levantados dados utilizando-se da abordagem qualitativa. Os instrumentos básicos para coleta de dados são questionários elaborados para momentos presenciais e via on-line na plataforma moodle, entrevistas semi-estruturadas e narrativas. Espera-se ao final da pesquisa o fornecimento de diagnósticos para que a Secretaria Municipal de Educação de Presidente Prudente, através do Setor de Ações Complementares à Educação, possa articular um trabalho de Formação Continuada sobre Educação Sexual nas Escolas de Ensino Fundamental de 1ª à 4ª séries da Rede Pública Municipal.

Representações sobre os enfrentamentos à homofobia na escola por jovens de Mato Grosso e São Paulo
Sérgio Henrique Fabiano Zanon, Leonardo Lemos de Souza (UFMT)

A presente pesquisa teve como objetivo mapear as representações sobre os modos de enfrentamentos à homofobia na escola de jovens de dois estados brasileiros. O levantamento de informações fora realizado com 400 jovens de escolas públicas e particulares (200 de cada estado – Mato Grosso e São Paulo, e 100 de cada sexo). Nela foi utilizada como instrumento de coleta de dados uma situação de conflito hipotética que envolvia a homofobia na relação entre alunos e entre alunas. A partir da leitura da história solicitava-se aos participantes que respondessem a questões sobre os pensamentos, os sentimentos e as ações de quem presencia a situação de discriminação e de quem sofre a discriminação. Elegemos como núcleo teórico o paradigma da complexidade e suas inter-relações com estudos em psicologia que buscam investigar os fatores envolvidos na construção das identidades pessoais e coletivas do sujeito, articuladas com os modelos culturais e sexuais predominantes nos sentimentos e comportamentos homofóbicos. Tivemos como resultados nos grupos estudados modos diferentes de enfrentamento da situação de discriminação por homofobia para com a personagem que a presencia, os quais são configurados em torno significados atribuídos a elementos presentes e ausentes na situação: fidelidade nas relações de amizade, direitos e deveres, preservação de auto-imagem pessoal e pública, decepção e vergonha. Todos eles foram reagrupados em categorias para análise com as demais variáveis (sexo, estado e tipo de escola), levando-se em consideração as referências à coletividade e à individualidade (direitos pessoais e coletivos), trazendo para a discussão a dimensão ética ou não das formas de enfrentamento.

Pernil e Masculinidades Gênero e Alimentação no Estadão Bar & Lanches em São Paulo
Sérgio Roberto Cardoso (UNESP)

As práticas alimentares possuem participação na formação das identidades de gênero, bem como na relação que se estabelece entre eles. Desta maneira, está em desenvolvimento na cidade de São Paulo uma etnografia que toma por objeto de análise o Estadão Bar & Lanches. Localizado no centro antigo e com mais de 30 anos em funcionamento 24h por dia, o estabelecimento é bastante freqüentado, e nele comercializam-se principalmente salgados, refeições completas, doces, sucos, vitaminas e lanches à base de pernil. Seus principais freqüentadores são taxistas, jornalistas, executivos, baladeiros, garotos e garotas de programa. O quadro de funcionários é plenamente composto por homens, os quais cozinham, preparam, servem e cobram os clientes. Embora os atuais donos considerem o estabelecimento democrático, por servirem à todas as “classes, sexos, idades e profissões”, a presença de clientes masculinos é notadamente substancial à qualquer hora. Acredita-se que ela se dá, sobretudo, pela grande consumo dos lanches de pernil que tem sua carne, depois de assada, exposta em peças inteiras sobre o balcão. Semanalmente cerca de 1300 quilos do produto suíno são consumidos, o que faz deste lanche a especialidade da casa, confirmada pelo reconhecimento de famosos, políticos e da imprensa. É este ambiente, pois, que nos tem possibilitado analisar a relação entre gênero e alimentação. Entendendo como o ethos proporcionado pelo consumo deste tipo de comida no ambiente descrito cria e acentua representações de masculinidades e define assim, por oposições de comportamentos alimentares, as percepções de gênero.

Estudo sobre as relações de gênero em um abatedouro de aves e percepções dos trabalhadores sobre o problema da gripe aviaria
Silvia Pereira, Laila Priscila Graf, Luciano Félix Florit (FURB)

O objetivo deste estudo foi analisar as relações de gênero existentes entre trabalhadores e as percepções sobre a gripe aviária, em um abatedouro de aves, na região do Médio Vale do Itajaí. Os objetivos específicos deste trabalho foram conhecer o histórico, o funcionamento e informações organizadas do estabelecimento, tais como: o número de funcionários, os cargos dos trabalhadores, o perfil dos funcionários e as percepções dos trabalhadores em relação à gripe aviária. A pesquisa foi realizada primeiramente com uma revisão bibliográfica e documental, bem como para a coleta de dados foi desenvolvido observações a campo, tomando nota, registrando e conhecendo todas as etapas das atividades na granja. Observou-se com este trabalho que as mulheres contratadas são predominantemente locadas para a área de limpeza, algo relacionado aos trabalhos destinado às mulheres nos serviços domésticos. Na granja, a grande maioria dos funcionários é jovem que não terminou o segundo grau principalmente as mulheres, sendo perfil ideal para um trabalho produtivo, pois necessitam do emprego independente da remuneração oferecida. Constatamos a não preocupação dos atores masculinos e femininos deste abatedouro em relação à gripe aviária, sendo que os funcionários não têm conhecimento em relação a essa problemática e os responsáveis mencionaram deixar o assunto ao encargo do governo. Verificou também que neste local específico a condição feminina das trabalhadoras não propõe qualquer sensibilidade ambiental diferenciada e relacionada às aves, bem como um maior conhecimento sobre a problemática da gripe aviária.

Construção de identidades de gênero pelo discurso da revista Capricho
Sinara Bertholdo de Andrade, Maria Izabel Magalhães (UNB)

A mídia impressa é hoje uma das mais populares. As publicações estão cada vez mais focadas nas particularidades e nos estilos. Em 1976 que surge a revista para jovens interessadas em romance, a revista Capricho que tem seu primeiro formato direcionado a publicação de fotonovela importadas da Itália. Nos anos 80 a revista passa a ter o formato que ela possui hoje, reportagens dedicadas para adolescentes sobre namoro, moda, gente famosa entre outros.
Tendo em vista as informações acima e observando a influencia do Discurso da revista Capricho em suas leitoras surgiu o interesse de analisar os modos de ação e de representação do discurso dessa mídia, tendo como base a Teoria Social do Discurso (Fairclough, 2001; Magalhães, 2004, 2006).
Com essa base que se fez este trabalho de conclusão de curso, com foco nas identidades de gênero construídas no discurso da revista Capricho especial dia dos namorados e especial de moda, ano de 2006.
Percebe-se alguns modos de representação e de como modo são essas representações de discurso na revista Capricho. A principal identidade de gênero construída é a de consumidora, por meio das categorias percebe-se que o discurso da revista é construído para a manutenção de uma prática social de poder.

Atendimento à violência de gênero entre mulheres usuárias dos serviços de saúde da Rede Pública de Ribeirão Preto: necessidades percebidas pelos profissionais de saúde
Sophia de Lara Lima Vaz, Manoel Antônio dos Santos, Elisabeth Meloni Vieira, Ana Maria de Almeida (USP/Ribeirão Preto)

Mulheres expostas à situação de violência freqüentemente buscam serviços de saúde com sintomas e queixas crônicas. No entanto, esse tipo de violência não é identificado ou contabilizado nos diagnósticos realizados, sendo um problema de difícil abordagem e conseqüente invisibilidade. O presente estudo tem como objetivo identificar as percepções dos médicos acerca da questão da violência de gênero praticada contra mulheres por parceiros íntimos, e investigar como se processa o atendimento e as dificuldades em relação ao manejo dos casos, visando contribuir com subsídios para distinguir necessidades de capacitação para o atendimento desses casos. Trata-se de uma investigação conduzida sob enfoque qualitativo, realizada em cinco Unidades Básicas de Saúde, a partir da aplicação de um roteiro de entrevista semi-estruturado a uma amostra de 10 profissionais da rede pública de saúde do município de Ribeirão Preto-SP, envolvidos diretamente na assistência às mulheres. As entrevistas foram audiogravadas e transcritas literalmente. A análise temática foi realizada no sentido de identificar as unidades de significado das falas dos participantes. Para fundamentar a interpretação dos resultados, utilizamos os estudos de gênero como referencial teórico-metodológico, aplicados ao contexto da violência doméstica. Observamos que frente a situações clínicas que se mostram relacionadas à violência os médicos sentem dificuldade de intervir por falta de preparo profissional específico e divergências em relação aos limites de sua atuação.

Corpo, magia e cura: o gênero feminino como irradiador de saberes populares
Suely Rodrigues Alves, Lorena Leite do Coutto (UFPA)

O cientificismo do século XVII aliado à união entre a Igreja Católica e Estado, por meio do Tribunal do Santo Ofício, reprimiram violentamente os donos dos diversos saberes populares de trato com o corpo, sobretudo mulheres, sob acusações de ligação com o Satã ou, simplesmente, por Bruxaria. Contudo, é observada uma sobrevivência consagrada destes saberes, que convergem as dimensões mística, religiosa e médica, vestidos de um forte simbolismo presente nos imaginários, como o amazônico. Assim, este trabalho objetivou identificar: como se processam as relações dos gêneros com tais práticas populares de trato com o corpo? Utilizamos observação participante e registro fotográfico in lócus: o Ver-o-Peso. Um complexo urbano onde transitam cotidianamente um contingente considerável de "tipos humanos": são turistas de diversas origens, pescadores, pequenos produtores rurais, coletores de frutos, indígenas, imigrantes, vendedores de produtos artesanais, enfim, pessoas de diferentes estratos sociais e construções culturais - constituindo em um espaço de diálogo entre diversas realidades. Lá observamos a predominância do envolvimento do gênero feminino por meio de um conjunto de saberes informais, tradicionalmente transmitidos de mãe para filha. Uma conjugação de espíritos, curandeiras e benzedeiras que manipulam raízes, sementes, ervas, escamas e olhos de peixes; fazendo uso de orações, cantos e adivinhações. Práticas que têm como objetivo afastar entidades malévolas, curar doenças (espirituais ou orgânicas), "chamar" dinheiro, "atrair" a sorte ou os amantes, entre outros. Constituindo um repertório de saberes que, apesar de não possuírem o respaldo científico, sobrevivem de modo coeso no imaginário urbano da Amazônia.

Grupo da diversidade sexual: uma experiência de abertura ao diverso
Gabriela Cristina da Silva Ferreira, Jucely Cardoso Santos, Murilo dos Santos Moschetta, Vitor Hugo de Oliveira (USP/Ribeirão Preto)

Este trabalho relata a experiência do Grupo da Diversidade Sexual, realizado em parceria pelo Grupo VIDEVERSO e a ONG Rosa Vermelha, desde 2006. O grupo tem o objetivo de promover a reflexão crítica e troca de experiências acerca da sexualidade não heteronormativa. Trata-se de um grupo aberto de periodicidade quinzenal, baseado no modelo de grupos de apoio. A cada reunião é abordado um tema de interesse dos participantes através de discussões, dinâmicas de grupo e transmissão de informações. A coordenação atua como facilitadora do processo grupal, mantendo-se atenta e sensível às questões emergentes. Foram realizados 42 encontros, com a participação de 105 pessoas em no mínimo uma reunião e uma média de 13 participantes por encontro. A principal fonte de divulgação e adesão ao grupo são os próprios participantes, que trazem seus amigos. Observamos que o grupo se desenvolve em consonância com seu foco temático, na medida em que a diversidade também se expressa em suas atividades e temas, assim como na diversidade das pessoas que o freqüentam. O clima grupal descontraído e acolhedor e a abordagem séria e democrática dos temas promovem o sucesso do grupo.

O processo do nascimento, as relações de poder e violência
Gabriela Zanella Bavaresco; Halana Faria; Clariana Palmieri Brandão Alba (UDESC/UFSC)

O processo de nascimento na atualidade nos leva a refletir sobre relações de poder, o papel do profissional e da mulher neste contexto e as diversas formas de violências que aí podem se estabelecer.
Inicialmente restrito ao ambiente domiciliar e feminino, o parto passou, com o desenvolvimento da obstetrícia, ao hospital, o que trouxe avanços importantes na assistência, mas concomitantemente, intervenções muitas vezes desnecessárias e arriscadas.
Procedimentos rotineiros como: restrição de líquidos e movimentos, raspagem de pêlos, indução do parto, episiotomia e separação precoce mãe-bebê pós-parto; aliados ao ambiente hostil, falta de privacidade e de empatia da equipe assistente, podem ser caracterizados como procedimentos potencialmente violentos, pois além de ferir a autonomia da mulher, podem gerar insatisfação e prejudicar evolução e resultados do parto.
A partir da década de 70, essas práticas começam a ser questionadas por movimentos de mulheres e profissionais, sendo suas reivindicações ratificadas posteriormente pelas recomendações da Organização Mundial Saúde (OMS) para um parto seguro e humanizado.
Esse novo paradigma vincula o parto à sexualidade feminina, ressaltando o bem estar físico e emocional, o uso de técnicas não invasivas para alívio da dor, liberdade de movimento e expressão, possibilitando à mulher assumir um papel ativo no parto.
A implantação desse modelo enfrenta resistências, pois exige mudanças no olhar sobre o nascimento, além de gerar disputas de poder entre diferentes categorias profissionais. Para sua concretização, depende fundamentalmente da sensibilização dos profissionais em sua formação, de políticas públicas que viabilizem suas propostas e da atuação de coletivos organizados.

Merchandising nos magazines televisivos
Aline Broetto (Universidade de Caxias do Sul – UCS)

Tomando como base o fato de o merchandising constituir-se em elemento essencial nos magazines televisivos, mantendo-os no ar, este trabalho analisa este formato nos programas "Mais Você" da Rede Globo e "Bem Família" da Rede Record, visando perceber como o feminino é representado. A análise de um quadro de cada um desses programas, veiculados em 2007, permite constatar a utilização de algumas estratégias discursivas para promover o produto. Os dois quadros acabam reforçando a imagem de mulher "moderna", prática e saudável, que se preocupa com ela e com sua família, ao utilizar produtos que "fazem bem". O saudável está também ligado à ideia de cuidar do corpo, do físico para construir um ideal de beleza na contemporaneidade

Gênero, política e representações da morte na esquerda armada do Cone Sul (1960-1979)
Lílian Back (UFSC)

Esta pesquisa, que está em fase de andamento, faz parte do projeto "Relações de gênero na luta da esquerda armada: uma perspectiva comparativa entre os países do Cone Sul (1960-1979)", coordenado pela Prof.ª Dra. Cristina Scheibe Wolff. Tem como objetivo analisar, de forma comparada, os processos de preparação para a morte pelos quais passavam os militantes homens e mulheres dessas organizações, bem como compreender os porquês da ritualização e da valoração positiva que as mortes em combate e na tortura adquiriram, dando ênfase aos componentes de gênero que carregavam as referências a essas mortes violentas e heróicas. Como principais fontes são utilizados periódicos, manuais, panfletos e outros documentos (de circulação interna e aberta) produzidos pelas organizações, especialmente os obituários contidos neles, e relatos de ex-militantes.

Experiências cotidianas de mulheres trabalhadoras no seringal
Senaide Wolfart (UFSC)

Com base na metodologia da história oral discutir através das narrativas de mulheres da Amazônia, residentes no seringal Cachoeira, como se relacionam com a floresta, em que se percebem potencializando recursos ambientais, solucionando problemas relativos à alimentação e doenças. Perceber como através de suas experiências remetem a compreensões da divisão das tarefas cotidianas compreendidas em categorias de gênero.

Famílias e relações de gênero no Japão contemporâneo
Renato Muchiuti Aranha (UFSC)

Com base na categoria de gênero analisar a sociedade japonesa, realizando estudo comparativo do universo das gueixas e das famílias situado na estrutura que envolve a família composta por pais e filhos (situados no masculino e feminino). O trabalho será realizado com o auxílio bibliográfico de Liza Dalby, Yamamoto Tsunetomo, Jean Chesneaux e Joan Scott. A pretensão é a apreensão das diferentes relações familiares existentes no Japão com relação ao gênero e ao lugar social.

Direitos reprodutivos: aborto uma questão de saúde pública e um desafio para o SUS
Myriam Aldana Vargas Santin, Silvana Wincler, Carmem Hoffman Mortari, Noeli Gemelli Reali, Anderson Luis Schuck, Jandir Dario Santin (UNOCHAPECÓ)

A prática do abortamento inseguro está entre as principais causas de mortalidade materna, fato que denuncia a insuficiência do conhecimento e da implementação de políticas públicas de proteção às mulheres que decidem interromper uma gravidez indesejada. Igualmente, indica a desigualdade e violência de gênero, quando se criminaliza exclusivamente a mulher, negando-lhe o direito de decidir sobre seu próprio corpo e a possibilidade de ser atendida no sistema público de saúde nos casos de abortamento legal. Tendo em vista isso, nosso projeto pretende elaborar um panorama descritivo e analítico do aborto e a mortalidade materna por aborto no município de Chapecó, face ao processo de consolidação dos direitos reprodutivos e a Política Nacional de Atenção à saúde da mulher, 2004/2007. Implantação desse serviço na rede pública de saúde. Esta pesquisa será de tipo exploratório – qualitativo, pretendendo alcançar uma informação ampla que nos permita ter uma descrição a mais aproximada possível da problemática em questão, a fim de elaborar um primeiro panorama da problemática do aborto no município de Chapecó, apoiando-se num amplo debate sobre o aborto inseguro, aborto legal e mortalidade. Até o presente momento concluiu-se a revisão bibliográfica e elaboração de um marco teórico, definindo posteriormente as categorias de análise: vida reprodutiva, direitos reprodutivos, maternidade deseja/indesejada. A entrada a campo ocorreu nas Unidades Básicas de Saúde e Hospital Regional do Oeste, com posterior construção dos instrumentos da pesquisa e constituição das amostras.

Grupos reflexivos como políticas públicas para o enfrentamento da violência de gênero
Flávia Gotelip Corrêa Veloso, Cláudia Natividade, Rebeca Rohlfs Barbosa Gaetani, Fátima Pessali, Alessandro Vinicius de Paula, André Ribeiro Diniz e João Paulo B. Gonçalves (Instituto Mineiro de Saúde Mental e Social – Instituto Albam)

Osproblemas relacionados à violência contra as mulheres se tornaram visíveis nanossa sociedade e tomaram o estatuto de problema social e político,principalmente após a década de 80. Alguns avanços marcam a história do Brasil,tais como a implementação das delegacias especiais de atenção às mulheres, dascasas abrigo e dos centros de referência. Desde 2003 a questão das mulherestoma um “corpo de poder” com a criação da Secretaria Especial de Política paraas Mulheres (SPM) que tem como um dos eixos fundamentais o enfrentamento àviolência contra mulheres. Em Minas Gerais a Rede de Enfrentamento à ViolênciaContra Mulher foi formalizada no ano de 2006 com apoio da SPM e realizado pelaAGENDE - Ações em Gênero, Cidadania e Desenvolvimento. Partindo da premissa quedefine as Políticas públicas como decisões governamentais projetadas paraatacar problemas que atingem a vida em comum, com o presente trabalho propomosuma reflexão a partir da nossa experiência enquanto ONG integrada aos serviçosdesta Rede. O Instituto Albam realiza há três anos grupos reflexivos com homense mulheres envolvidos em situação de violência de gênero compondo as ações de intervençãodas políticas públicas para o enfrentamento dessa realidade. Os resultadosindicam a necessidade de um trabalho realizado em rede e de unificação dasações e discursos relacionados com o atendimento deste público. Além disso,observa-se a necessidade dos programas desta área apresentarem um claro eassumido recorte de gênero com diálogos constantes com este corpo teórico,prático e político.

Samba e Relações de Gênero na Ilha de Santa Catarina
Rodrigo Cantos Savelli Gomes; Maria Ignez Cruz Mello; Acácio Tadeu Camargo Piedade (UDESC)

A partir da perspectiva dos Estudos de Gênero e da Etnomusicologia, esta investigação procura lançar um olhar sobre o samba de Florianópolis de modo a analisar a atuação feminina neste universo musical. Destacamos neste trabalho as diversas estratégias usadas atualmente pelas musicistas locais para se estabelecerem no samba da Ilha de Santa Catarina e de que forma a sua atuação tem possibilitado a contestação e a transformação dos papéis de gênero ali vigentes. Para isso, tomamos como ponto de partida três diferentes segmentos: o samba de raiz, as escolas de samba e o pagode moderno. Ao considerar também a conjuntura histórica, a revisão da literatura indica uma escassez de dados sobre a importância da atuação feminina na construção do samba como símbolo nacional, o que têm servido de prerrogativa para rotular o samba como um universo de expressão dos ideais de masculinidade. Por essa razão, procuramos ressaltar a participação de importantes personagens femininas da história da música brasileira popular como as Tias Baianas, Araci Cortes, Beth Carvalho, Carmem Miranda, Dolores Duran, Leci Brandão, entre muitas outras, as quais desempenharam papéis fundamentais na construção do samba como o concebemos hoje. Desse modo, esta pesquisa aponta que a atuação das mulheres no samba não se deu e não se dá apenas como musas inspiradoras ou meras coadjuvantes, mas sim como protetoras, divulgadoras e transformadoras deste movimento musical.

Religião e Gênero: a homossexualidade no pensamento espírita
Eduardo Pereira Mussi (UNESP)

Considerando-se que na matriz cultural brasileira as religiosidades são fundamentais, é no cerne dos pensamentos religiosos que as construções de gênero se fazema partir das categorias culturais de masculino e feminino, principalmente no que tange ao tema da homossexualidade. Compreendendo que as doutrinas religiosas de algum modo influenciam a constituição das individualidades e, por conseqüência os espaços de sociabilidade dos indivíduos, pretende-se analisar o debate interno ao pensamento Espírita, no que diz respeito às incongruências e contradições encontradas, a partir de um levantamento bibliográfico sobre o tema. Por ser uma Doutrina Filosófica que se coloca como partidária da ciência, entende-se que explicitar tais incongruências e contradições entre seus autores poderá colaborar para se questionaras desigualdades de gênero, de modoque os indivíduos possam exercer plenamente suas individualidades e sociabilidades sem repressões e preconceitos.

Psicologia Clínica e Homoparentalidade: desafios contemporâneos
Simone Cristina Perroni (USC), Maria Ivone Marchi-Costa (UNESP);
Instituição: Universidade do Sagrado Coração – USC;

Após a aprovação da lei do divórcio, o número de famílias monoparentais e reconstituídas se intensificou, emergindo o modelo da família homoafetiva, que gradativamente ganha visibilidade no Brasil e busca o direito à parentalidade. Este estudo investigou como os psicólogos clínicos compreendem o exercício da parentalidade por casais homossexuais. Foram entrevistados 20 psicólogos clínicos, com base na pergunta: “Como você compreende o exercício da parentalidade por casais homossexuais?”. Os resultados foram: 1) mais importante que a orientação sexual são os valores, o caráter, a honestidade, as relações e os modelo positivos que os pais podem oferecer à criança; 2) há necessidade de preparação para serem pais e para as dificuldades que vivenciarão em decorrência do preconceito; 3) os pais devem estar estruturados emocionalmente, pois os desafios e exigências sociais serão maiores do que para os pais heterossexuais. O desejo de serem pais e o enfrentamento de situações para a concretização desse ideal pode denotar maturidade emocional, auto-aceitação e anseio por um projeto de vida compartilhado; 4) a busca de orientação psicológica foi destacada como um passo significativo para o desenvolvimento saudável da criança, em suas várias dimensões existenciais; 5) a falta de modelo masculino e/ou feminino e o que representam para o desenvolvimento psicossexual da criança são aspectos que preocupam os profissionais, que referiram haver poucos estudos disponibilizados e sugeriram pesquisas. Observou-se que a experiência profissional e o conhecimento teórico dos psicólogos clínicos ainda são restritos nesse âmbito, pela pouca demanda de casos clínicos e estudos disponibilizados.

Prevalência e Perfil da Violência Contra a Mulher em Pacientes Atendidas no Ambulatório Clínico da UNESC
Bárbara Pivatto Lunelli, Sandra Aparecida Manenti, Fernanda Cardoso, Mariana Cristina Magalhães Soares, Priscyla Waleska Targino de Azevedo Simões (UNESC)

Violência contra a mulher constitui um dos principais problemas de saúde pública. Determinação dos perfis demográficos das vítimas e agressores, motivos dos agressores e especialmente fatores de risco associados ajudam a romper o ciclo de violência. Objetivos: Conhecer número de mulheres agredidas e perfil da violência nas usuárias do Ambulatório Clínico-UNESC. Materiais e Métodos: Estudo transversal, descritivo, observacional e prospectivo, aplicando questionários auto-responsivos, sigilosos baseados no Abuse Assessment Screen, de abril a agosto de 2006. Resultados: Idade das mulheres variou de 14 a 70 anos, média etária 34.4 anos. Estado civil: 56.4% casadas; renda familiar: 82.9% até 5 salários mínimos e 10.7% acima deste limite. Violência física foi relatada por 68 (32.3%), emocional por 122 (58.0%) e sexual por 23 (10.9%) mulheres, sendo marido, namorado ou parceiro responsável pela agressão na maioria dos casos. Freqüência da violência: 45.0% responderam que sofriam raramente, 30.0% uma única vez, 13.8% uma ou mais vezes durante a semana e 11.3% uma ou mais vezes durante o mês; sendo o ambiente de perpetração da violência mais citado, a própria casa. Situações desencadeadoras de violência: ciúmes, desobediência ao marido e questioná-lo sobre dinheiro e mulheres foram as mais citadas. Em relação à denúncia, 52.7% das mulheres silenciaram por vergonha (74.3%) e pelos filhos (43.5%). Conclusão: Violência contra a mulher teve alta magnitude nesta amostra. Diagnóstico precoce das agressões nos estágios iniciais é fundamental para desenvolvimento de políticas de abordagem do assunto nos serviços de atenção primária à saúde.

A violência percebida por enfermeiras da rede básica de saúde de um município paulista
Daniela Daltoso, Ana Maria de Almeida, Elisabeth Meloni Vieira, Ana Marcia Spanó Nakano, Ana Cyntia Paulin Baraldi (USP)

O objetivo deste estudo foi reconhecer a percepção das enfermeiras acerca da violência contra a mulher perpetrada por parceiro íntimo, entre usuárias dos serviços de saúde de um município paulista. Utilizou-se abordagem qualitativa com entrevistas semi-estruturadas a 11 enfermeiras das cinco Unidades Básicas e Distritais de Saúde do município. Utilizando a análise de conteúdo, os resultados foram sistematizados em cinco categorias: as relações de gênero e a inserção da mulher na sociedade, o fluxo de atendimento nas unidades de saúde, percepção da situação de violência e a necessidade de capacitação para manejo da violência. Os resultados indicam que os enfermeiros reconhecem que a mulher tem assumido diferentes papéis na sociedade com sobrecarga de trabalho e interferência na sua vida familiar. No fluxo de atendimento nas unidades de saúde, a violência velada é freqüente, entretanto os profissionais dão pouca importância à escuta e acolhimento devido à sobrecarga de trabalho. Como conseqüência a violência física é a mais reconhecida no serviço porque ações qualificadas são necessárias em decorrência dos traumas e gravidade das ocorrências. Para alguns enfermeiros há necessidade equipes multiprofissionais e articulação de diferentes setores para o manuseio dos casos, o que poderia ocorrer em conseqüência da capacitação. Os dados sugerem que o enfrentamento da violência contra a mulher nos serviços de saúde deve ser organizado com a capacitação dos profissionais e com a formação de redes para assegurar a qualidade dos serviços.

Corpos, gêneros e sexualidades no cotidiano escolar
Paula Regina Costa Ribeiro, Rosa Miguelina Ferrão Rockenbach (Fundação Universidade Federal do Rio Grande)

Entender a escola como espaço para a discussão de corpos, gêneros e sexualidades de forma interdisciplinar, problematizando a sexualidade não como materialidade biológica, mas sim como construção histórica e cultural, que envolve prazeres, desejos, identidades, é importante para a compreensão desta instituição como ambiente implicado na constituição do sujeito. O questionamento, na escola, sobre como se constituem as masculinidades e as feminilidades, sobre como se percebem os corpos e sobre as formas de sentir e viver os prazeres é urgente, pois essas temáticas estão presentes no cotidiano de cada um e, muitas vezes, ela é o único lugar possível para essa discussão. Nesse sentido, o grupo de pesquisa Sexualidade e Escola está desenvolvendo o projeto Corpos, Gêneros e Sexualidades: questões possíveis para o currículo escolar, em parceria com o MEC, com o objetivo de problematizar essas temáticas com profissionais da educação da região sul do Rio Grande do Sul. Durante o desenvolvimento do projeto foi proposto aos/as professores/as participantes que relatassem as atividades desenvolvidas em suas salas de aula a cerca dessas temáticas. A partir dos relatos desses/as professores/as da rede pública de Ensino Fundamental e Médio, foi possível perceber que essas temáticas: foram tratadas em diferentes espaços, como a sala de aula, a biblioteca, o pátio; provocaram mudanças no cotidiano escolar com o surgimento de vínculos entre professores/as e alunos/as; bem como, permitiram a emergência de outras formas de abordar essas questões, como a discussão sobre a produção das identidades sexuais, de gênero e das configurações familiares.