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1 - A questão racial no Brasil e as relações de gênero

Coordenação:
Pedro Geraldo Tosi
Doutor em Ciências Econômicas (Unicamp 1998) Faculdade de História, Direito e Serviço Social da Universidade Estadual Paulista (UNESP)

Benjamin Xavier de Paula
Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri – NEAB/UFVJM

Elizangela Lelis da Cunha
Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista – FCLar/UNESP

O Simpósio que é uma reedição da proposta organizada no Fazendo Gênero 7, trata-se da organização de um espaço de formulação e debates acadêmicos que articula dois temas que tem adquirido centralidade nos debates na área de Ciências Humanas e Sociais: raça e gênero, nesta perspectiva, busca congregar trabalhos de pesquisas e experiências fruto de projetos acadêmicos que versem sobre a temática, propiciando debates de alto nível sobre tema. Nesta 8ª edição do Fazendo Gênero que tem como enfoque o tema – “Corpo, Violência e Poder” – compreendemos que a interface raça e gênero sejam a representação de duas esferas importantes para o debate da temática central do evento, que neste momento, ganham novas dimensões a partir da maior preocupação com os estudos e pesquisas voltados para a interface por nós, na nossa proposta. Assim, neste Simpósio Temático buscamos debater entre outros temas as relações entre juventude, raça e gênero; os padrões e representações da mulher na sociedade e no mercado de trabalho; as relações sociais envolvendo as relações de gênero e raça que se desenvolvem nas esferas da sociedade, particularmente no mundo da produção e na família; os processos de discriminação em função da opção sexual e da cor da pelo dos indivíduos no mercado de trabalho; e os estereótipos depreciativos atribuídos aos negros, as mulheres, aos homossexuais outras “minorias” presentes nas estruturas sociais.

A Mulher Negra no Quilombo do Paraná: Refazendo sua História
Adriana Custódia Moreira, Sigelinda Maria Zanoni Andrade, Ilma Siqueira Machado, Simone Aparecida da Silva, Maria de Fátima Silva Costa, Silvana Aparecida de Oliveira (Colégio Estadual Barbosa Ferraz)

Esta comunicação visa apresentar os resultados das ações realizadas através do Projeto Comunidades Remanescentes de Quilombo do Paraná, especificamente, na localidade de Campina dos Morenos/ Turvo. O Projeto foi desenvolvido com os alunos do Ensino Médio e do Curso de Formação de Docentes, do Colégio Estadual Barbosa Ferraz, do município de Ivaiporã, durante o ano de 2001. O intuito do projeto era de mostrar o papel da escola e da educação na inclusão do negro no processo sócio-político-cultural. Propiciar estudos e discussões que ampliem as competências de comunicação oral, escrita e visual dos alunos, tornando-os agentes transformadores na recuperação da identidade do negro, principalmente, da mulher negra como agente ativa a partir de suas reconstituições históricas quando entrevistadas e como colaboradoras na inserção da Educação Formal em sua comunidade. Os temas abordados foram trabalhados através de dinâmicas, debates, pesquisa bibliográfica e de campo, atividades artísticas e da história oral da Comunidade de Campina dos Morenos/ Turvo. A pesquisa de campo, juntamente com a fundamentação teórica serviu de instrumento para a realização das atividades desenvolvidas pelos alunos: mural, teatro, pesquisas, entrevistas envolvendo segmentos da sociedade de Ivaiporã e de Turvo, dança afro, projeção de filmes, estudos geográficos para confecção de mapas, cartazes, painéis de fotos, excursões, filmagem e documentário. A historia oral desta comunidade rural de negros proporcionou o resgate da importância do papel da mulher negra na história de sua comunidade como expressão de luta
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Práticas profissionais-educativas e mulheres negras: lugares de emancipação
Aline Lemos da Cunha, Edla Eggert (Universidade do Vale do Rio dos Sinos)

Esse texto apresenta o recorte de uma pesquisa de Doutorado que possui um viés direcionado para uma retomada das práticas profissionais de mulheres negras ao longo do período de escravidão e uma incursão empírica para observar a atualidade. Nesse movimento é possível perceber a luta por direitos empreendida por elas tanto no tempo do Brasil escravocrata, quanto nos dias de hoje. Práticas profissionais denominadas subalternas por seu caráter pouco especializado ou por serem consideradas "naturais" às mulheres, podem ser compreendidas como lócus destas lutas por emancipação, além de serem espaços educativos de produção de conhecimento. Sendo assim, queremos, neste momento, apresentar algumas considerações que têm sido realizadas sobre este tema, a partir da escrita de uma tese no campo da Educação, com foco nos processos de exclusão social. Consideramos fundamental, nesta luta protagonizada pelas mulheres, um olhar atento sobre as formas de sistematização do seu conhecimento, através do ato de reconhecer o que sabem, e das formas de ensinar e aprender que têm (re)criado. A pesquisa empírica realizada, consiste em encontrar sistematicamente com mulheres que partilham conhecimento em um grupo constituído por domésticas, babás e trançadeiras, desempregadas, que hoje reúnem-se para aprender a tramar em crochê de grampo. Além dos diálogos com estas mulheres, são estudados escritos de autoras/es no campo da educação (FREIRE, 2007; BRANDÃO, 2006), da pedagogia (CAMBI, 1999; GHIRALDELLI JR., 2004), dos feminismos (GEBARA, 2006; DE LOS RÍOS, 2005) e dos estudos sobre as mulheres negras (GOMES, 2006; BENTO, 2005; SCHUMAHER & BRASIL, 2006).
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Pertencimento Racial: A Identidade posta em questão
Ana Luiza dos Santos Julio (PUCRS), Marlene Neves Strey (PUCRS)

Estudo-piloto de doutorado em psicologia intitulado: “Negros e negras bolsistas no ensino superior privado: o acompanhamento da trajetória em busca de permanência e sucesso acadêmico”. Objetiva averiguar, quais caminhos estabelecem a permanência e o sucesso acadêmico, mantendo-se aluno não repetente, média 7,0 como critério para mantenimento da bolsa CECUNE (Centro Ecumênico de Cultura Negra – Universidade Livre – Programa de Cidadania e Reconstrução da Identidade Étnico- Racial) e pela conclusão da formação universitária e ainda construção identitária / pertencimento racial,
Desde 2004, 280 alunos negros / negras, foram contemplados por esta bolsa. Destes, 30 evadiram no primeiro semestre de 2006 e, até janeiro de 2008, 30 concluíram sua formação universitária. Aos alunos que ingressaram no Programa de Bolsas foi oferecido acesso a oficinas de construção identitária realizadas entre 2004 e 2007.
Em 2006 foi realizada uma oficina de História de Vida, colhida no universo das famílias destes alunos, para construção de um painel de perfis de personagens reais composto por esses sujeitos sociais, objetivando um exercício de iniciação científica, com recursos oferecidos pela História Oral / de Vida, e possibilitando estudos de memória e identidade junto às famílias envolvidas neste curso, além de retraçar caminhos de vivências pessoais que se explicam na comunidade negra tornando possível a construção de meios de visibilidade dos destinos comuns e da identidade do grupo.
Este trabalho caracteriza-se pela análise e validação do material, como um possível indicativo do chamado sucesso acadêmico e sua vinculação com o pertencimento racial.
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A discriminação e o preconceito presentes na vida das mulheres catadoras de Santa Maria
Ana Nelcinda Garcia Vieira, Vera Lúcia Pires (UFSM)

Este trabalho pretende refletir sobre as desigualdades existentes nas relações sociais de gênero, levando em consideração principalmente a assimetria entre o sexo feminino e o masculino. E considerando o lugar menos expressivo ocupado pelas mulheres em relação aos homens, na sociedade ocidental, e os papeis normalmente desempenhados por elas de mães, esposas, donas de casa e trabalhadoras. Nesse sentido, deve ser acrescentado um novo papel o de provedora da família, que tem sido cada vez mais freqüente segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Cabe enfatizar que em função das poucas condições oferecidas às mulheres pobres ocorre o aumento do fenômeno caracterizado como a feminização da pobreza, fator que contribui para o aumento das desigualdades sociais. Para essa reflexão faremos um recorte nas entrevistas realizadas com mulheres negras, que trabalham na coleta de materiais recicláveis, na cidade de Santa Maria, RS. Dessa forma, enfatizaremos os depoimentos que tratam do preconceito sofrido por essas mulheres, no seu cotidiano. O aporte teórico será baseado principalmente nas Teorias Culturais de Gênero e nos estudos sobre o Discurso Racista.
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Entre o discurso pedagógico e ideológico na escola: estereótipos de classe, raça e gênero
Andreza Marques de Castro Leão, Fabiana Cristina de Souza (UNESP)

O presente estudo tem por objetivo discutir as relações entre o discurso pedagógico e ideológico na escola, centralizando o tema em torno do trinômio de raça, classe e gênero, uma vez que estes têm gerado polêmica na atual onjuntura da sociedade brasileira, marcada não somente pela exploração sócio-econômica, mas também pelo sexismo e pelo racismo. Nota-se que há processo de exclusão, o qual invade a escola, a qual acaba por reproduzir a ideologia dominante, uma vez que os estereótipos de classe, raça e gênero agem na instituição escolar. Destarte, como a função da escola é de formar e socializar cidadãos, é importante perceber as relações que interligam o discurso pedagógico com o ideológico. Assim sendo, é preciso destacar que a escola mesmo presa numa armadilha ideológica que procura camuflar a situação concreta, é um instrumento importante no processo de construção do conhecimento e da cidadania. Desse modo, pode-se concluir que é preciso romper com a discriminação e com os estereótipos presentes no contexto escolar. Todavia, para isso é preciso investir numa escola que contemple e valorize as diferenças sem hierarquizá-las, que valorize e atue com competência rumo à construção de uma educação multicultural. Além disso, que a escola promova um espaço de discussão sobre estas questões polêmicas, no qual haja a participação dos docentes e alunos.
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História e cultura afro-brasileira e a contribuição das populações de matrizes africanas no Brasil
Benjamin Xavier de Paula (UFVJM)

Nos países e populações de matrizes africanas (na África e na América), desde o processo de colonização até os nossos dias, várias foram às teorias e práticas sociais disseminadas no interior dessas sociedades a partir de uma referência branca/eurocentrista que buscava, e ainda busca, a negação do negro enquanto sujeito capaz de construir uma identidade própria. Assim, a sua identidade e alteridade vêm sendo constantemente negadas, e, em substituição, criados os mitos sobre essas populações, visando substituir a identidade pelo mito, a alteridade pela anexação subalterna, criando-se mecanismos ideológicos fundadores de fetiches que nada contribuem para a construção da identidade, do respeito e da dignidade do negro. Num primeiro momento, o processo de escravização dos negros africanos se deu em meio ao desenvolvimento do mercantilismo enquanto regime econômico e social que dinamizou as relações entre as potencias européias tendo em vista a superação da crise vivida na transição do antigo regime feudal para uma nova ordem capitalista. No Brasil, a abolição da escravidão não significou um reconhecimento da contribuição cultural, social e histórico das populações de origem africana, mas sim, a perpetuação de um sistema de segregação racial que sustentado na pratica da imigração européia e no campo teórico nas teorias eugênicas de Silvio Romero (1937) e Nina Rodrigues (1905) não permitiram ao negro a integração do negro a sociedade brasileira e o reconhecimento da sua contribuição histórico-cultural para a formação do nosso pais. Nesta perspectiva, surge nos dias atuais uma releitura do papel do negro na historiografia brasileira. E nesta direção, se assenta este trabalho.
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A condição negra feminina e a fé religiosa: histórias de resistência, violência e poder
Cristiana de Azevedo Tramonte (UFSC)

Analisa-se a relação entre condição feminina nas religiões afro-brasileiras pelo viés da trilogia fé, violência e resistência. Enfoca-se a constituição do quadro antidemocrático e violento do cotidiano que se afigurava aos praticantes das religiões afro-brasileiras a primeira metade do século XX em Florianópolis. Apesar do ideário nacionalista ter fixado bases sobre a mestiçagem como viés fundamental da identidade brasileira, na realidade cotidiana, os praticantes das religiões afro-brasileiras continuavam sendo alvo da violência física e simbólica que havia alicerçado suas bases sobre a população negra em situação de escravidão no século XIX e que adentrava o século XX, tangenciando a propalada modernidade e estigmatizando a cultura daqueles que, apesar de libertos, permaneciam à margem da sociedade. Os centros religiosos abertos sofrerão violenta repressão, para os quais os religiosos traçarão estratégias diferenciadas de enfrentamento. O trabalho analisa a resistência de mulheres líderes religiosas do "povo-de-santo" enfocando as estratégias não-violentas adotadas a fim de lograr vitórias sociais e políticas e expansão do campo religioso. As estratégias defensivas alinham-se com a não-violência ativa, a barganha, utilizada pelo modelo da política tradicional populista e apropriada pelas lideranças e a cooptação, inserida no estereótipo da “cordialidade” do brasileiro. As estratégias diferenciadas e vitoriosas foram decisivas para descontinuar a sistemática da relação entre violência e poder praticada contra as religiões afro-brasileiras pelas instituições à época.
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Racismo e Injúria: Erosão e persistências no ideário da Democracia Racial
Elaine de Melo Lopes dos Santos (UFSCAR)

Práticas racistas no Brasil têm sido evidenciadas nas relações sociais. Pesquisas que demonstram a discriminação racial apontam que há no país uma discriminação indireta, de difícil caracterização para a qual os instrumentos legislativos e judiciários não estão preparados. O mito da democracia racial ou a ideologia de um país sem racistas parece permanecer nas relações sociais brasileiras e parece influenciar nas decisões judiciais no que diz respeito à caracterização e andamento dos processos por crime de racismo, que por muitas vezes são desclassificados para crime de injúria e por vezes desconfigurados de sua conotação racial.
Essas desclassificações dos crimes de racismo para crime de injúria apontam para um impasse presente nos trâmites judiciais brasileiros. Há, portanto, a necessidade averiguação dos processos e das decisões relacionadas aos crimes de racismo para identificar quais as dificuldades e as demandas analíticas e conceituais da sociedade brasileira perante esta problemática configurada na esfera judicial.
Este trabalho analisa o comportamento do Tribunal de Justiça do Estado de SP primordialmente no que se refere aos crimes de racismo, discriminação e preconceito racial desde de 1988, à partir da CF até o ano de 2008, com o objetivo de determinar a caracterização do crime de racismo e a desclassificação para o crime de injúria; bem como analisa a legislação anti-racista existente e os projetos de lei sobre o tema em tramitação nas câmaras legislativas federais buscando averiguar os valores da sociedade brasileira refletidos nas decisões dos tribunais relacionando-os com os atual debate e contexto racial no país.
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A busca da diversidade no setor financeiro
Eliana Maria dos Santos (UFPR)

As mudanças no mundo do trabalho ocorridas nas últimas décadas alteraram significativamente as relações entre trabalhadores e empregadores, somados com a política neoliberal e também com certa estabilização na economia o movimento sindical investiu na adoção da pauta social. A manutenção do emprego, melhoria nas condições de trabalho, prevenções de LER/DORT, assédio moral passaram a ser prioridades na mesa de negociação. Neste contexto a busca pela igualdade de oportunidades de gênero, raça e orientação sexual ganhou destaque. O setor financeiro é um exemplo disto, este ano a Federação dos Bancos juntamente com a Confederação dos Bancários lançaram o Programa Mapa da Diversidade nos Bancos, trata-se de um censo que têm como objetivo fazer um perfil da categoria bancária em relação a gênero e raça. Este trabalho se propõe a analisar a trajetória da discussão sobre a “Diversidade” na categoria bancária focalizando o trabalho da Comissão de Gênero, Raça e Orientação Sexual – CGROS da Confederação Nacional dos Bancários, comissão que existe desde 1997.
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Mulher, Professora, Negra: as representações de professoras negras no exercício do magistério na cidade de Franca/SP
Elizangela Lélis da Cunha (UNESP), Ângela Viana Fernandes Machado (UNESP)

O presente trabalho, fruto da pesquisa de doutorado desenvolvida junto a Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da UNESP - Campus de Araraquara - FCLAr/UNESP versa sobre a construção da identidade profissional das professoras negras na cidade de Franca/SP, em meio ao processo de precarização das relações de trabalho no magistério público no Estado de São Paulo. A pesquisa busca identificar quais são as representações simbólicas sobre sí (pessoa), e sobre sua atuação profissional (professora) que estas mulheres, professoras, e cidadãs da cor e da raça negra, constroem ao longo do seu percurso de vida e profissional.
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A “competência” da mulher negra professora
Eva Aparecida da Silva (UFVJM)

Na escola, a presença da mulher negra professora provoca questionamentos quanto à legitimidade de sua competência profissional e de sua capacidade intelectual, como demonstram as trajetórias profissionais de três professoras negras araraquarenses.
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Além das Aparências: um estudo sobre homossexualidade, virtualidade e nipo-descendentes
Fábio Ricardo Ribeira, Igor José de Renó Machado (UFSCar)

A vivência da homossexualidade muitas vezes implica em mudanças nas formas de relacionamento, envolve desejos muitas vezes contraditórios de estabelecer novos vínculos não legitimados socialmente e de preservar estruturas de relacionamentos herdadas.
Este artigo propõe um movimento reflexivo para investigar as implicações entre homossexualidade e identidade cultural, adotando o universo dos descendentes de japoneses no Brasil, freqüentemente chamados de “nipo-brasileiros”, e que sofrem intenso processo de exotização e estereotipização na sociedade brasileira..
O estudo é realizado através da observação de um grupo de nipo-brasileiros homossexuais que relacionam-se na Internet através de um fórum de discussões com o propósito de articularem questões ligadas à vivência da homossexualidade e também promoverem encontros “reais”, ou seja, fora do ambiente virtual, com os integrantes do grupo.
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A transversalidade de classe, gênero e raça em sua relação com os processos de saúde-doença no cotidiano do trabalho escolar
Fátima Machado Chaves (Professora da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro)

Analisamos como as problemáticas de gênero, na transversalidade de classe e raça, contribuem para o “lugar” da mulher negra e pobre bem como para o processo saúde/doença de funcionárias administrativas, responsáveis pela limpeza e pela merenda em escolas municipais da cidade do Rio de Janeiro. Encontramos papéis femininos/negros, fortemente marcados, segundo modelos sociais tradicionais, discriminatórios, que determinam as escolhas profissionais e a aceitação ou não de determinadas condições de trabalho. Nos setores de alimentação e serviços gerais escolares, predominam uma população de mulheres negras e pobres, sendo, em geral, ex-empregadas domésticas, vivenciando condições de trabalho extremamente precarizadas. Sem qualificação formal para suas tarefas escolares, contam com as competências “femininas”, socialmente “desqualificadas” porque adquiridas informalmente no universo do lar, com mães e patroas. A dupla e até a tripla jornada de trabalho interferem em suas vidas, potencializando adoecimentos, devido às responsabilidades com o lar, à ausência de descanso ou lazer pela falta de dinheiro e/ou diferença entre o uso do tempo livre entre mulheres e homens, como também, à monotonia da repetição, nas escolas, de suas atividades “domésticas” – limpar, cozinhar, servir, cuidar. As funcionárias sofrem o “racismo brasileiro” de forma circunstancial e interacional, nunca institucionalizado, enfrentando-o com estratégias comuns ao povo negro brasileiro: negar, ignorar, fingir e, na atualidade, valorizar a cultura negra. Em relação ao gênero, vivem-no “naturalmente”, admitindo espaços e serviços generificados. Essas táticas são criativas na medida em que possibilitam potencialidades positivadas no enfrentamento às "infidelidades do meio”, em seus processos saúde-doença.
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A questão racial no Brasil e as relações de gênero: um estudo do reflexo das desigualdades sociais, políticas e econômicas no cotidiano da mulher negra
Fernanda da Silva Lima(UFSC); Louvani de Fátima Sebastião da Silva (UNESC)

O Brasil foi o último país a abolir legalmente a escravidão em 1888 e os reflexos desse período percorrem a sociedade atual, que comporta inúmeras desigualdades sociais, inclusive, desigualdades fundadas em discriminação racial. A partir da década de 1970 os movimentos negros ganharam força e contribuíram para desmistificar o “mito” da democracia racial. A Constituição Federal de 1988 assegura os direitos e garantias individuais e igualitárias a todas as pessoas sem distinção de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Assim, para se compreender as desigualdades raciais e de gênero, necessita-se primeiramente compreender a origem destas. Ressalta-se que as desigualdades sociais, políticas e econômicas existentes entre homens e mulheres não se devem ao fator biológico, mas a uma construção sócio-cultural preservada pelo exercício do poder e dominação de um gênero sobre o outro. Considerando que na escala social da desigualdade a mulher constantemente encontra-se na escala desfavorável à ascensão econômica, referente à remuneração e acesso a cargos públicos, políticos e econômicos e que, essas desigualdades se manifestam de maneira mais fortemente quando a mulher é negra, a pesquisa tem como objetivos observar algumas das manifestações e influências das questões de gênero na vida social da mulher negra. Para isso é necessário estudar o contexto sócio-histórico da mulher negra no Brasil, a definição social do termo gênero e as implicações das questões de gênero observadas a partir do enfoque racial. A pesquisa utiliza o método dedutivo em análise interdisciplinar crítica e reflexiva envolvendo pesquisa bibliográfica e documental.
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Taxa de mortalidade infantil e materna como indicador de desigualdade social: uma abordagem de dois estados brasileiros
Ione Jayce Ceola Schneider (UFSC), Luzilena de Sousa Prudêncio Rohde (UFSC), Eleonora D’Orsi (UFSC), Marta Verdi (UFSC)

Analisar as desigualdades sociais dos Estados do Amapá e Santa Catarina através das taxas de mortalidade infantil por raça nestes dois Estados no período de 2000 a 2004. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo com amostra construída por dados de mortalidade no AP e SC, de 2000 a 2004, registrados no DATASUS e SINASC. Foram calculas as médias das taxas de mortalidade infantil, estratificadas por raça (branca, preta, amarela, parda e indígena). Resultados: Em SC, as taxas situaram-se entre 13,6 e 15,7 óbitos/1.000 nascidos vivos, enquanto, no AP, entre 20,7 e 24,6 óbitos/1000 nascidos vivos, sendo aproximadamente 50% superiores no período. Estratificando as taxas de mortalidade por raça, para cada Estado, percebe-se que somente para os pardos a taxa é maior em SC, sendo as demais taxas maiores no AP. Outro fator que chama atenção, é que entre os brancos há a maior taxa de mortalidade infantil de todas as raças do AP, superando 50 óbitos por 1.000 nascidos vivos, seguidos dos indígenas, negros e pardos. Entre os amarelos não houve óbitos no período. Em SC, a maior taxa de mortalidade infantil encontra-se entre os pardos (mais de 20 óbitos/1.000 nascidos vivos), seguidos dos indígenas, brancos, negros e amarelos. Conclusão: Necessário se faz a implementação de políticas públicas no sentido de diminuir as desigualdades sociais entre as regiões brasileiras ampliando o acesso aos serviços de saúde e fortalecendo os princípios de equidade preconizados pelo Sistema Único de Saúde no Brasil.
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Gestão e implementação de políticas públicas para a população negra e afro-descendente na cidade de Teófilo Otoni/MG
Ivana Carneiro Almeida, Chams Maria Kumaira, Luciana Nunes Rosa, Benjamin Xavier de Paula (UFVJM)

Nossa pesquisa constitui-se na investigação científica sobre a gestão e implementação das políticas públicas para a população negra e afro-descendente na cidade de Teófilo Otoni/MG. Nesta realizamos um mapeamento da existência destas políticas públicas a fim de buscar possibilidades de leituras sobre a construção da cidadania das populações apontadas, tal como a necessidade de construção de instrumentos públicos que permitam esta construção. Neste trabalho utilizamos como metodologia de investigação a abordagem quantitativa em pesquisa; e a metodologia da História Oral por meio dos seguintes instrumentos metodológicos de coleta de dados e procedimentos de tratamento das informações coletadas: 1) Levantamento dos órgãos e instituições existentes no âmbito da Cidade de Teófilo Otoni/MG – componentes do universo da pesquisa; 2) Definição das informações que compõem o mapeamento realizado pela nossa pesquisa – e o universo da amostra estudada; 3) Mapeamento das experiências de políticas públicas voltadas para a população negra e afro-descendente no universo das instituições selecionadas na amostra por meio de formulários específicos elaborados para tal fim; 4) Organização das informações e análise dos dados pela equipe de pesquisadores; 5) Organização e análise das informações consolidados por meio de relatório de pesquisa. Constatamos que, o estado brasileiro, a partir da emergência da demanda por políticas públicas e de ações afirmativas voltadas para a população negra e afro-brasileira, nos últimos anos, tem trabalhado com o intuito de reforçar a legislação tocante a este tema, tal como, instituindo inúmeros programas e políticas públicas voltadas para a melhor inserção desta população na sociedade. Porém, a implementação destas políticas analisadas a partir da base das instituições públicas das três esferas de governo, encontra inúmeros obstáculos, dentre os quais apontamos: o racismo institucional ainda presente no seio destas instituições; falta de projeto político institucional no universo destas instituições, dando espaço para o projeto individual do dirigente; ausência de capacitação de recursos humanos para a implementação destas políticas, dentre outros.
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Conceitos de gênero, etnia e raça: reflexões sobre a diversidade cultural na educação escolar
Juliana Keller Nogueira, Delton Aparecido Felipe, Teresa Kazuko Teruya (UEM)

Nesta comunicação analisamos as possibilidades de ação pedagógica para tratar da diversidade cultural na educação escolar. Ressaltamos a necessidade de formulação de subsídios teóricos e metodológicos para os professores encaminharem uma prática pedagógica crítica, a fim de lidar com as diversas culturas. Como trabalhar os conceitos de gênero, raça, e etnia na sala de aula, com o propósito de valorizar as múltiplas identidades constituintes no ambiente escolar? Para responder a esta questão, utilizamos autores contemporâneos como Foucault, Hall, entre outros, para discutir estes conceitos na educação escolar. Analisamos depoimentos de adolescentes que freqüentam o ensino fundamental de 5ª a 8ª série para identificar como os conceitos de gênero, raça e etnia são apropriados pelos mesmos. As representações sociais foram construídas historicamente. No final do século XIX e início do século XX, predominavam as idéias de superioridade de uma raça sobre a outra e também do gênero masculino sobre o feminino que determinavam o currículo da educação de mulheres e negros, considerados biologicamente inferiores em nível intelectual. Isso justificava a educação diferenciada para mulheres e para a população negra. Nossas fontes evidenciam que a educação escolar pode contribuir para a confirmação e/ou contestação de estereótipos relacionados aos negros e as mulheres. Defendemos uma educação voltada para a diversidade cultural e mobilizada para combater os estereótipos no interior das escolas.
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Raça e gênero também são assuntos de criança
Liana Lewis, Patrícia Geórgia Barreto de Lima Lara, Erendira Almeida de Andrade (UFPE)

Raça e gênero constituem-se enquanto dois marcadores sociais que atravessam o cotidiano dos diversos atores sociais, nomeando-os e posicionando-os em lugares específicos e móveis. No espaço escolar estes marcadores são apropriados pela instituição, que através da dinâmica da sala de aula, bem como do material didático, opera de forma ambígua em relação às crianças. Ao mesmo tempo, estas se utilizam dos marcadores de raça e gênero através de movimentos de aproximação e rejeição em relação aos membros dos grupos de pares. Através de um estudo etnográfico em uma escola pública do ensino fundamental da cidade do Recife, procuramos demonstrar, através de ditos e não ditos, algumas estratégias discursivas da escola e das crianças na manutenção e contestação de hierarquias de raça e gênero.
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Sob o Manto Azul de Nossa Senhora do Rosário: mulheres e identidade de gênero na congada de Catalão/GO
Marise Vicente de Paula, Alex Ratts (UFG)

A invisibilidade da mulher representa na atualidade temática de vários estudiosos de diferentes ramos das ciências sociais. Durante um período histórico extenso somente os grandes feitos masculinos eram notados. A partir da década. de 1960 juntamente com outros excluídos como os camponeses e escravos, as mulheres foram incluídas a condição de objeto e sujeito da história. Foi baseada nesta tendência que a presente pesquisa busca a visibilidade geográfica e histórica a cerca da mulher e da identidade de Gênero na Congada da Festa do Rosário em Catalão-GO, que representa umas das maiores e mais importantes manifestações populares de congado no Brasil. A cidade de Catalão-Go esta localizada no sudeste goiano e representa um dos centros urbanos mais antigos da região. Para o desenvolvimento da pesquisa proposta, será realizada em um primeiro momento uma revisão bibliográfica acerca da mulher em termos de visibilidade, representatividade social, lutas e conquistas históricas e geográficas, buscando em obras científicas que tratem do assunto, assim como documentos, entrevistas de jornais, revistas e na internet. Serão realizados trabalhos de campo junto à congada de Catalão-Go, bem como das pessoas ligadas a esta instituição. O estudo da memória também será utilizado enquanto um importante recurso metodológico visto que este estabelece interpretações sociais que permitem lidar com a dimensão subjetiva do vivido, e com as significações que configuram a vida dos sujeitos envolvidos na pesquisa, será através deste estudo que se pretende traçar a trajetória de mulheres importantes da congada sejam negras, vinculadas às famílias de congos ou não.
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As filhas do vento: afirmação e visibilidade para a identidade brasileira
Sumaya Machado Lima (UFSC)

As filhas do vento de Joel Zito Araújo narra a história de uma família comum com seus naturais desacertos e afetos. Entretanto, num segundo olhar, nota-se algumas singularidades desde seu argumento (de cunho político sobre a cultura e a identidade brasileiras), passando por direção e elenco (maioria de afrodescendentes) até sua produção. Para a autora deste artigo, a narrativa fílmica busca uma mudança de imagem da identidade brasileira ao abordar tradição, modernidade e discriminação racial interseccionada por gênero, família, trabalho e cultura, que serão analisados na perspectiva da teórica feminista Kimberlé Crenshaw. Por convergirem essas temáticas, serão destacadas as histórias das personagens Cida, Ju e Dorinha. O artigo também comenta um pouco sobre o posicionamento político-social implícito na estética do filme, objetivando construir alguns caminhos de leitura sobre as possíveis interseccionalidades nas experiências das personagens.
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A "cota" da mídia: as ações afirmativas retratadas nas páginas das revistas
Thais Santos Moya (UFSCar)

Pesquisas realizadas recentemente evidenciaram uma intensa disparidade social entre brancos e negros e, principalmente, questionam a idéia da vocação peculiar brasileira para a mestiçagem, expressa pela idéia de democracia racial, que teria nos legado um país onde inexistiria discriminação racial. Ao contrário, o que temos observado com a retomada contemporânea do debate sobre relações raciais é um sintoma importante de que os fundamentos raciais da nossa desigualdade entre brancos e negros permanecem inalterados.
Diante desta problemática, o Estado brasileiro permaneceu ausente durante muito tempo e apenas recentemente iniciou uma moderada série de medidas de promoção da igualdade e enfrentamento da discriminação racial, entre elas, as políticas de ação afirmativa; colocando em pauta o debate sobre cotas raciais universitárias. Entendendo que este debate apenas compõe o debate maior sobre o projeto de políticas públicas educacionais a ser adotado pelo Estado brasileiro, fica evidente a relevância das questões ligadas às ações afirmativas educacionais e seus desdobramentos nas atuais pesquisas das ciências sociais para que haja uma melhor e maior compreensão da nossa sociedade.
Este trabalho analisa, por meio de análises de enquadramento (Framings) e de conteúdo, como as principais revistas semanais do Brasil (Veja, Istoé e Época) abordaram o atual debate sobre as relações raciais brasileiras, principalmente no que se refere ao sistema de cotas nos processos seletivos das universidades públicas entre os anos 1995 e 2006, com intuito de compreender sociologicamente o conteúdo discursivo e as pautas estabelecidas pelas revistas analisadas.
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“Como evitar as proles degeneradas”: as idéias eugênicas e o discurso sobre reprodução humana, raça e gênero no Brasil do entre-guerra
Vanderlei Sebastião de Souza (FioCruz)

O objetivo desta comunicação consiste em apresentar alguns aspectos da pesquisa que venho desenvolvendo sobre as idéias eugênicas no Brasil. Meu interesse é discutir o modo como os eugenistas brasileiros lidaram com o controle da reprodução humana no início do século XX, procurando compreender quais eram as idéias sobre raça e gênero que acompanhavam esse debate. Embora o movimento eugênico brasileiro tenha se caracterizado pela adoção de um modelo de eugenia menos radical, em oposição àquele que se desenvolveu nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, o controle da reprodução humana foi amplamente discutido entre os adeptos da eugenia no Brasil, especialmente por integrantes da comunidade médica. Com os olhos voltados para o aperfeiçoamento da nacionalidade e o futuro da nação, parte dos eugenistas entendia que o meio mais eficiente para “evitar as proles degeneradas” seria através da educação sexual, da aplicação do exame pré-nupcial e da esterilização dos indivíduos considerados como “inaptos”. Devido a importância que as idéias eugênicas vinham assumindo nos fóruns intelectuais do país, nos anos 1920 e 1930 a imprensa carioca chegou a promover inquéritos, entre os intelectuais brasileiros, para discutir o significado do exame médico pré-nupcial e a “esterilização dos indesejáveis” na constituição da “raça nacional”. Desse discurso, as idéias acerca da questão racial, do controle matrimonial e da natalidade, além do próprio papel da mulher no processo de reprodução, emergiam como temas centrais que definiam uma ampla agenda de discussões entre as autoridades políticas e intelectuais.
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Inserção profissional e possibilidades de resistência de mulheres negras no setor financeiro em tempos de crise do sindicalismo
Vanessa Santos do Canto

O presente trabalho faz parte de reflexões e pesquisa em andamento para elaboração de dissertação de mestrado e pretende apresentar alguns apontamentos acerca da inserção da mulher negra no trabalho do setor financeiro. Aborda a precarização da relação salarial, sobretudo, a partir dos avanços tecnológicos e dos processos de terceirização que atingem este setor, buscando refletir a respeito dos impactos sobre as trabalhadoras negras. Articula, ainda, com a atuação do Sindicato dos Trabalhadores Bancários do Município do Rio de Janeiro e as possibilidades de resistência e inclusão social em tempos de crise do sindicalismo. A temática será orientada pela necessidade de diálogo entre o debate sobre a centralidade do trabalho e os novos enfrentamentos que surgem para os movimentos sociais no momento histórico em que a classe trabalhadora se torna cada vez mais complexa e diversificada em tempos de hegemonia do capital financeiro. A reflexão aqui proposta tem por fundamento o fato de que no mesmo momento em que as questões relacionadas a gênero e raça ganham maior visibilidade na sociedade brasileira, sobretudo a partir da promulgação da Constituição da República de 1988, a globalização apoiada pelo discurso neoliberal atinge o país com toda vitalidade. Compreender tais transformações se torna essencial para apreender as novas dinâmicas sociais que se estabelecem, buscando contribuir para a abordagem acerca da questão racial e das relações de gênero que têm sido cada vez mais debatidas e ampliar os estudos específicos sobre a mulher negra no Brasil.
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Ações afirmativas:o enigma da igualdade
Viviane Teixeira Dotto Coitinho

O presente trabalho busca inicialmente efetuar uma reflexão a cerca do vocábulo preconceito, baseado na idéia de discriminação social que vigora desde os primórdios da sociedade brasileira, com precedentes na Suprema Corte dos Estados Unidos, em que brancos são superiores a negros. O atentado a dignidade humana que a escravidão trouxe aos negros é muito profundo, assim não há como repará-lo de forma imediata. Assim sugiram as ações afirmativas para propiciar alguma compensação à tão grave prejuízo, na busca incessante de políticas públicas na tentativa de minimizar os problemas que envolvem a classe afrodescendente, através de alternativas favoráveis que contribuam para o enfrentamento e enfraquecimento da pobreza e da exclusão social, fenômenos destoantes na sociedade contemporânea. Trazendo a discussão quatro fundamentos invocados para justificar as ações afirmativas: justiça compensatória, justiça distributiva, promoção do pluralismo e fortalecimento da identidade e auto-estima do grupo favorecido. Cabendo ressaltar que o principio da igualdade, presente em nossa Magna Carta tem a obrigação de inclusão, sendo dever do Estado atuar de forma ativa nas relações sociais.
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