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2 - A tática da "profissa" e a prática do sexo rentável

Coordenação:
Acácia Batista Dias
Doutora em Ciências Sociais – UERJ, Professora Adjunto da Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS (Bahia)

Paulo César Souza García
Doutor em Literatura – UFSC, Professor Assistente da Universidade Estadual da Bahia – UNEB

Mostrar como o poder e o corpo revelam formas de expressividade é uma questão reflexiva. A experiência que se faz com o corpo é também uma amostra com vistas ao comércio, ou seja, o sexo é negócio e lugar de ganho, de over night. Através do e pelo corpo, tem-se o lugar de dinâmica mercadológica cujo espaço de circulação do desejo revela o perfil de sujeitos marcados pela clandestinidade e rumores de vidas anônimas sempre pairando no jogo do poder. O mercado aberto da prostituição produz histórias de vida, criando fluxos intensos dessa manifestação subjetiva e reúne em torno dele uma guerra de “derivas”. Assim, as relações outsiders, como sugere Norbert Elias, oferecem visibilidades para o outro que é (de)marcado e, concebendo-lhe o direito à fala, o discurso do abjeto, do gauche emerge. O que se destaca com tais referências é que a posição sexual e o ilustrador financeiro, que permeiam a zona corporal, ainda, hoje, são identificados como infames, por atribuir ao indivíduo nomeações outrora determinantes e exclusivas da sociedade. Neste simpósio, busca-se repensar como a prostituição, seja ela feminina e/ou masculina, heterossexual e/ou homossexual, convida saber da festividade sexual não somente para descortinar o poder do falo, e sim, sobretudo, como domínio de fala. Seja pelos dotes de interesses físicos, afetivos e comerciais, a enunciação desses anônimos são aludidos diante de gestos e posições que tão somente desencadeiam práticas de si em virtude das ligações eróticas e sexuais que os tornam históricos em suas parcerias e experiências. Frente às proposições deste simpósio, apostamos, no viés interdisciplinar do seminário, mas pretendemos reunir, preferencialmente, os discursos das áreas de sociologia, literatura e antropologia de modo a articular em torno da temática sentidos que girem em torno dos relacionamentos de gênero e de estudos que questionam o corpo como viés rentável.

Percepções sobre o mercado sexual soteropolitano no contexto dos deslocamentos transnacionais.
Cassina P. Gabrielli (UFBA)

A proposta aqui apresentada visa a refletir sobre a complexidade das relações sociais de gênero no contexto dos deslocamentos transnacionais. Tendo como viés entrevistas realizadas com prostitutas na cidade de Salvador/BA, pretendo apresentar algumas análises preliminares dessa pesquisa, que objetiva identificar se há preferência por estrangeiros por parte das mulheres e, qual a motivação para essa possível preferência no mercado global de sexo. Atentando ao discurso empregado pelas entrevistadas pode-se inferir que se faz presente certo imaginário sobre a cultura estrangeira, refletindo diretamente na imagem criada sobre os "gringos" e, conseqüentemente, nas relações estabelecidas entre os gêneros em tal contexto intercultural. Vale ressaltar que na contemporaneidade, o turismo apresenta-se como um interessante objeto de análise social pois, confronta atores de diferentes culturas em espaços geográficos determinados. Deste modo, visibiliza características culturais particulares e globais, como por exemplo, a percepção de como algumas consquistas sociais das mulheres em determinados países, no mundo globalizado, refletem-se no mercado sexual de outros.
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Como alunos e alunas do turno noturno perceberam as prostitutas ou garotas de programa na escola.
Claudete Martins Santos, Mônica Ismerim Barreto (SEMED)

O presente trabalho versa sobre a figura da prostituta, sua história e sua relação com a escolaridade e com a escola. Tem por objetivo identificar possíveis fatores que possam interferir no processo de escolaridade das prostitutas, analisando como é que alunos e alunas, do curso noturno de uma escola municipal de Aracaju, percebem a prostituta ou garota de programa na escola e fora dela. Para tanto foi aplicado um questionário com 7 perguntas, a 57 alunos e alunas, e obtidos os seguintes resultados: 41 alunos e alunas acham que não existe diferença entre prostituta e garota de programa; 44 não ouviram falar se existem prostitutas ou garotas de programa na escola; 42 disseram que não existem motivos que impeçam as alunas que se prostituem de freqüentar a escola; 51 disseram que não têm vergonha de conversar com alunas que se acredita serem prostitutas ou garotas de programa; 34 disseram que se descobrissem que uma amiga sua é prostituta ou garota de programa continuariam com a amizade do mesmo jeito e, se fosse uma parente sua, 34 disseram que continuariam com a amizade do mesmo jeito. A análise dos dados nos permite perceber que, apesar do estigma da prostituta, a maioria dos alun@s não demonstra preconceito para com a presença das prostitutas ou garotas de programa na escola. Sendo assim, é necessário continuar a investigação do por que da ausência da prostituta na escola, o porquê da baixa escolaridade, segundo pesquisadores, encontrada na maioria delas
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Corpos à venda, corpos do desejo, corpos discursivos: as relações de poder inscritas nos corpos de michês nas saunas de São Paulo.
Elcio Nogueira dos Santos (PUC-SP)

Este texto discute as relações de poder inscritas nos corpos de michês e seus clientes em espaços fechados, mais especificamente, nas chamadas saunas de michês em São Paulo. Tomando o corpo como um texto, em que se lêem as regras do mercado do sexo, do ganho monetário através do e pelo corpo, analisa-se discursos de corpos tidos como “abjetos”, como corpos das “margens” (Butler, 2002, 2003), os corpos dos michês, que são objetos de desejo de outros corpos, considerados não menos “abjetos”, os corpos de seus clientes. A circulação destes corpos em territórios “fechados”, com seus códigos de aproximação e distanciamento, marcados fortemente pelas relações tradicionais de gênero e pela heterossexualidade compulsória (Butler, 2002). A localização destes corpos nestes espaços e seus marcadores de diferença como dotes físicos: o tamanho do pênis, a cor da pele, geração ou mesmo a marca das roupas íntimas, criam outras margens e outros corpos “abjetos”; tornam “diferentes” outros “deferentes” (Brah, 1996, 2006) e constituem discursos de poder. É através dos discursos destes corpos que apreendemos suas subjetividades, seus prazeres e desejos por outros corpos, corpos que relatam o prazer com o gozo do outro, revelado a cada encontro
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Rodando a bolsinha: dinheiro e relações de prostituição.
Gláucia Helena Araújo Russo (UERN)

Neste trabalho realiza-se uma discussão sobre a relação entre dinheiro e prostituição, percebendo-os como fenômenos sociais, culturais e históricos. Busca-se revelar suas formas e conteúdos procurando entendê-los para além da racionalidade, calculabilidade e elementos matemáticos neles presentes; para além do aparente, tomando-os em sua complexidade. A discussão contempla elementos teóricos, pautados especialmente nas análises teóricas de Georg Simmel, aliados a um quadro empírico específico, que toma a vivência das mulheres da Praia do Meio, pedaço da cidade de Natal-RN no qual foi realizada a produção de dados. Fundamentalmente, a prostituição é percebida como uma troca, que não se esgota nos elementos econômicos, mas, ao contrário, parte deles e os supera em diversos aspectos. Trata-se de uma relação entre seres humanos mediada pelo dinheiro que possui em si várias dimensões, exigindo um olhar atento e perspicaz para sua compreensão. A prostituição em sua relação com o dinheiro nos ajuda a compreender a sociedade em que vivemos à medida que é também um símbolo e nos faz deparar com a essência da nossa época: a transformação do homem em mercadoria, em objeto comercializável. Na sociedade do dinheiro é possível perceber o fenômeno da dupla prostituição: a mercantilização do ser humano, através do trabalho, e a mercantilização do sexo, sendo este último fortemente estigmatizado e o primeiro intensamente incentivado. Isto pode estar demonstrando que o sexo pago é, na sociedade do dinheiro, um limite de comercialização, sendo largamente aceito, desde que camuflado e rodeado de uma aura de sensualidade e legitimidade.
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Vínculos familiares em questão: representações e práticas sociais de gêneros e suas implicações.
Liana Reis dos Santos (ESAP)

A família é o agente socializador por excelência. Os pais, segundo Lasch, embuídos do amor e poder, transmitem aos filhos os valores e obrigações pelos quais a sociedade trata de organizar a experiência de cada pessoa. Mediante as falas de duas gerações de mulheres (material de minha pesquisa etnográfica), a fala das mulheres pobres, rurais e a de suas filhas prostitutas, procurarei demonstrar que uma vivência familiar marcada pela violência explícita em todos os sentidos pode se estender para outras gerações. A primeira geração de mulheres, as mães, casaram-se ainda meninas com homens mais velhos, alcoólatras, violentos e incestuosos, no entanto jamais os abandonaram. A segunda geração de mulheres - as filhas prostitutas - igualmente casaram-se muito cedo com homens de perfil semelhante ao dos seus pais incestuosos, separam-se dos parceiros quando deram um basta na relação. A prostituição para este grupo de mulheres foi uma escolha que representou algo além do fator econômico. Foi a possibilidade de sanar uma socialização de desafeto por uma relação de prazer e, quem sabe, romance.
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Dar o corpo e ganhar a vida: uma transa(cão) mercadológica?
Maria Juracy Aires (UTFPR)

A família é o agente socializador por excelência. Os pais, segundo Lasch, embuídos do amor e poder, transmitem aos filhos os valores e obrigações pelos quais a sociedade trata de organizar a experiência de cada pessoa. Mediante as falas de duas gerações de mulheres (material de minha pesquisa etnográfica), a fala das mulheres pobres, rurais e a de suas filhas prostitutas, procurarei demonstrar que uma vivência familiar marcada pela violência explícita em todos os sentidos pode se estender para outras gerações. A primeira geração de mulheres, as mães, casaram-se ainda meninas com homens mais velhos, alcoólatras, violentos e incestuosos, no entanto jamais os abandonaram. A segunda geração de mulheres - as filhas prostitutas - igualmente casaram-se muito cedo com homens de perfil semelhante ao dos seus pais incestuosos, separam-se dos parceiros quando deram um basta na relação. A prostituição para este grupo de mulheres foi uma escolha que representou algo além do fator econômico. Foi a possibilidade de sanar uma socialização de desafeto por uma relação de prazer e, quem sabe, romance.
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Outras trocas afetivas na parceria de amizades masculinas na ficção de João Gilberto Noll.
Paulo César Souza García (UNEB)

O erotismo solicita depurar o lugar em que se exercita o sujeito diante de suas práticas sexuais. Como os olhares transversais marcam o mundo da prostituição masculina, que se estendem para as experiências interditas, bem como a forma como esses olhares se constroem fazem, também, girar para a celebração amorosa homossexual. Ela ocorre em proporções similares aos demais outsiders, sujeitos anônimos e errantes no fluxo da massa da metrópole em busca do prazer. Busco, com esse recorte, acenar para a ficção literária de João Gilberto Noll na qual o mercado do sexo homoerótico se manifesta frente aos interesses afetivos e que o autor permite visualizar.
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Identidades em contexto: um estudo da prostituição em Goiânia.
Rogério Araújo da Silva (Universidade Católica de Goiás)

O presente trabalho é fruto de uma pesquisa de campo desenvolvida no mestrado de Sociologia da Universidade Federal de Goiás, em que pude observar, ouvir e entrevistar as diversas categorias de profissionais do sexo (mulheres, michês e travestis) que se dedicam à prostituição na cidade de Goiânia, cuja dissertação resultou na publicação do livro: Prostituição – artes e manhas do ofício/ Editora Cânone, 2006. No trabalho é discutida a prostituição do tipo trottoir, na qual são abordos aspectos como a ocupação dos espaços pelas diferentes categorias para a prática da prostituição, relações estabelecidas entre os atores do universo, usos e representações do corpo, violência, uso de drogas e, principalmente, a compreensão do processo de construção das identidades desses profissionais. Embora a pesquisa tenha sido realizada numa cidade específica, os resultados obtidos, num certo sentido, reve¬lam-se claramente universais: a prostitui¬ção, mesmo com as profundas mudanças sociais mais recentes, mantém-se viva, ganhando novas roupagens e mudanças significativas nas relações entre o/a profissional com os clientes num plano material e simbólico. Além disso, tento demonstrar que o ofício da prostituição, mesmo com suas singularidades, se constitui como qualquer outro, permeado de situações de cumplicidade e também de rivalidade. E assim como em outras ocupações, as “artes” e as “manhas” do ofício são aprendidas cotidianamente por cada profissional, num esforço que inclui enfrentar embates e superar obstáculos, sempre com o objetivo de tornar suportáveis, ou em alguns aspectos até prazerosas, as situações vivenciadas no dia-a-dia.
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