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Coordenação:
Maria Brígida de Miranda
Doutora em teatro pela Universidade de La Trobe, Austrália, Professora do Departamento de Artes Cênicas, Centro de Artes a Universidade do Estado de Santa Catarina. (CEART/UDESC)

Ciane Fernandes,
Doutora Artes & Humanidades pela New York University, USA, Professora da Escola de Teatro e do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia. (PPGAC/UFBA)

Lúcia Regina Viera Romano
Doutoranda em Teatro pela Escola de Comunicação e Artes da USP (ECA/USP) e Mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP)

O simpósio que propomos busca reunir pesquisadores, doutores ou pós-graduandos, que trabalhem com as relações entre gênero e teatro, particularmente nas áreas de prática teatral, teatro feminista e performance. Este simpósio propõe-se a olhar e questionar aspectos da prática teatral que permitem a criação de representações de mulheres vítimas ou perpetuadoras de violência. Busca discutir os processos de diretoras e atrizes/performers na construção do personagem/persona que sofrem ou causam abusos e violência. Pretende-se criar um espaço para analisar como estas representações resistem e/ou reforçam esteriótipos e preconceitos contra a mulher. Além de recorrer ainda a questões colocadas por Denis Diderot no Paradoxo do Ator no que diz respeito ao ator e a emoção sentida ou forjada para abarcar como o teatro físico e a performance exploram os limites da representação, quando a violência contra o corpo da personagem/persona consuma-se em violência de fato contra o corpo da atriz/performer.

Erotismo e discurso feminino na leitura do conto Cobertor engomado, de Branca Maria de Paula.
Ana Cristina Brandini Silveira (UFMS)

O objetivo deste estudo é verificar a performance do discurso erótico feminino no conto Cobertor Engomado, de Branca Maria de Paula. Cobertor Engomado é um dos contos reunidos em Intimidades, obra que reúne dez contos eróticos de autoras portuguesas e brasileiras, organizada por Luisa Coelho. Entendemos que a abordagem do discurso literário de dito conto pode contemplar questões de grande relevância relacionadas ao conceito de gênero, erotismo e subversão feminina.
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Agressão Declarada, Disfarçada ou Denunciada? Abordagens à Corporeidade Feminina na Cena Contemporânea.
Ciane Fernandes (UFBA)

A comunicação analisa comparativamente alguns exemplos de performances contemporâneas, do ponto de vista da corporeidade feminina. Associando a Análise Laban de Movimento e a psicanálise pós-lacaniana de Elizabeth Grosz, avalia-se até que ponto a cena reproduz, produz ou transforma padrões corporais de gênero, com ênfase nos processos desta última modalidade. A análise inclui obras de Pina Bausch (Alemanha), Aida Redza (Malásia/Dinamarca), Alice Stefânia (Brasil), Coco Fusco (Cuba/USA), e a autora.
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Mulher a vida inteira
Daniele Ricieri e Maysa Lepique
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Experiência em movimento – a construção fílmica do corpo torturado em Que bom te ver viva.
Danielle Tega (UNESP)

Nesse trabalho, busco fazer um estudo do filme Que bom te ver viva (1988), de Lúcia Murat, que trata das diferentes histórias de torturas pelas quais passaram mulheres presas no período da ditadura militar no Brasil. Procuro discutir a relação entre cinema e sociedade levando em consideração a perspectiva de gênero, principalmente as contribuições de Teresa de Lauretis e os apontamentos de Joan W. Scott. A intenção é fazer um exame a partir da própria obra, tentando verificar a organização e a integração dos diversos elementos que a compõem. Nesse sentido, o esforço para aprofundar a relação do filme com as referências externas demanda uma investigação não apenas daquilo que é temático (conteúdo manifesto), mas também das posições influentes e aparentemente impalpáveis (conteúdos latentes) no filme. Ou seja: além de dar importância às histórias contadas em Que bom te ver viva, observo os recursos cinematográficos (montagem, som, objetos, personagens, entre outros) como importantes instrumentos de análise. Desse modo, penso evitar o risco de reduzir o filme a uma simples descrição da realidade, e problematizar o corpo torturado em suas dimensões política e cultural, verificando-o a partir dos significados a ele atribuídos. Acredito que, assim, é possível ir além da “visibilidade da experiência” dessas mulheres, para questionar, a partir de uma reflexão histórico-social, a forma pela qual a subjetividade é construída.
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Corpo, corpus e corpa: da violência de Goody, de Vinegar Tom
Fátima Costa de Lima (UDESC)

Reflexões de uma atriz sobre a personagem Goody, uma caçadora de bruxas da montagem teatral de Vinegar Tom, encenada pelos formandos da UDESC sob a direção de Maria Brígida de Miranda. Goody tortura mulheres sob os auspícios da Inquisição inglesa do século XVII. Os corpos submetidos à violência de Goody são aqui interrogados sob a evidência da auto-violência de uma caçadora de bruxas profissional que desempenha com competência seu trabalho. Na performance da atriz, a firmeza, frieza, opacidade e segurança da personagem flutuam e tocam o temor à velhice e à clausura, à sua(s) própria(s) solidão e loucura. Corpo de algoz, corpos de vítimas: corpos femininos nos mesmos e muitos espaços: uma praça e um porão de tortura, barrocos; um palco e uma sala de ensaios, neobarrocos. Corpos num território possível de convivência em que fantasmas ganham corpo entre demônios invasores de corpos que não se percebem invadidos a não ser quando nomeados por Goody. Em sua fala e voz, a linguagem oferece ao corpo nuances e variações que marcam frases, palavras, sílabas, letras nos corpos de atriz e personagem, mulheres.
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Feminilidades em construção no teatro sul-americano (1975-1984)
Gabriel Felipe Jacomel (UFSC)

O presente trabalho se insere no âmbito de uma pesquisa cujo objetivo é, nos moldes de uma história comparativa, tecer uma discussão acerca das influências dos feminismos e dos movimentos de mulheres na produção teatral dos países sul-americanos pertencentes ao chamado Cone Sul (no caso, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai). Para tanto, o recorte temporal abordado na problemática do texto compreende o que ficou conhecido como Década da Mulher, que se estende desde o Ano Internacional da Mulher (proposto pelas Nações Unidas em 1975) até a metade da década de 80, década esta em que as noções em torno da feminilidade se tornaram o cerne de calorosos embates nos meios-de-comunicação - verdadeira batalha discursiva visando moldar das relações de gênero. Compartilhando não apenas de apropriações em torno das teorias feministas mundialmente em voga, tais países também perpassaram à época diferentes experiências referentes às ditaduras militares que transformaram radicalmente as sociabilidades de então. O teatro, enxergado como uma alternativa diferenciada de militância, pôs em questão a discussão acerca das liberdades individuais, se apropriando de discussões postuladas no âmbito dos feminismos para questionar outras opressões e mecanismos de legitimação das violências.
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Historia noturna de Nossa Senhora do Risca-Faca
John C. Dawsey (USP)

No Jardim das Flores, sobre as cinzas do antigo bairro do Risca-Faca, vivem as filhas – ou netas e bisnetas – de escravas e “índias laçadas no mato”. Muitas delas também se consideram filhas de Nossa Senhora. A justaposição das linhagens maternas pode suscitar um efeito de montagem. Nas inervações corporais de Nossas Senhoras não lampejam, também, os gestos de índias e escravas? Nos subterrâneos dos símbolos se encontram indícios de “histórias noturnas” de Nossa Senhora. Sobre esse terreno, o estudo de processos de povoamento em Piracicaba, no interior paulista, requer uma espécie de arqueologia: um duplo deslocamento, de um bandeirante povoador a Nossa Senhora, e de Nossa Senhora às índias e escravas “laçadas no mato”. Nesses fundos, o gesto de uma mulher “bóia-fria” que “fez picadinho de um homem” agita as sombras de uma nação. Creio que o teatro de Antonin Artaud e psicanálise de Julia Kristeva nos ajudam a entender os processos de construção dessas personagens no palco do Risca-Faca.
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As faces interditas: a mulher miscigenada em cena
Josiane Costa Valeriano (UFSC)

O trabalho tem como objetivo analisar a representação da mulher miscigenada e seus ascendentes escravos na sociedade escravocrata, enfocando o teatro brasileiro da segunda metade do século XIX até inícios do século XX. Pretende-se mostrar que os personagens que ajuadavam a construir as tramas, por meio de suas vozes denunciavam em cena as interfaces discriminatáorias do contexto social. Na tessitura de vozes dos diálogos, muitos autores, em especial Paulo Eiró, enfatizavam que a escravidão que a escravidão permanecia como um cancro gerador de diferenças sociais. Em suma, por meio de uma face identitária degenerada, da dor pelas injustiças e preconceito, a personagem Luísa da peça Sangue Limpo escancara as máculas da escravidão, principalmente da mulher mestiça, frente às condições sociais em que viviam aqueles que tinham ascendentes escravos- o sangue miscigenado como símbolo da nódoa escravidão.
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O Silêncio e a (des)honra de Lavínia
Leon de Paula; Maria Cecília de M. N. Coelho (UDESC)

O objetivo desta comunicação é o de analisar algumas representações de duas cenas da peça "Titus Andronicus" (1584-90) de W. Shakespeare: o estupro de Lavínia, por Quirão e Demétrius, e sua morte pelo próprio pai, Titus. Buscaremos fazer esta análise a partir do texto de Shakespeare e da versão cinematográfica da peça, o filme "Titus", dirigido pela renomada Julie Taymor, que transitando entre teatro e cinema, intercala as diferentes linguagens de modo perspicaz e inovador. Destacaremos, também, por meio de um domumentário sobre a música no cinema, o cuidado de Taymor com a construção da cena do estupro, de tal maneira que o público não sentisse nenhuma sensação de deleite no ato. É interessante, ainda, destacar o fato de, em um meio predominantemente masculino, ter sido esta peça considerada tão violenta, escrita por um homem (durante o reinado de uma mulher) e dirigida por uma mulher.
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"Movendo territórios: Vitimização e re-volução femininas na performance contemporânea."
Lúcia Regina Vieira Romano (USP)

O trabalho pretende levantar questões sobre dois aspectos da relação entre gênero e violência na cena teatral: o trabalho em teatro com mulheres vitimizadas e a manipulação do corpo feminino na performance contemporânea. A discussão sobre violência contra a mulher é um dos temas que tem caracterizado o debate sobre gênero, também no teatro. Em grupos de mulheres em situação de risco, o teatro atua como ferramenta para conscientização e superação da violência; dando voz às personagens envolvidas no conflito; permitindo a representação encarnada das tensões e relações entre os atuantes e viabilizando a reflexão, por parte dos espectadores, sobre o problema retratado. A vivência coletiva, no processo de criação, viabiliza ainda a experimentação de novas relações, pautadas pelos vínculos de igualdade, aceitação e cuidado mútuo. Na performance contemporânea, o corpo feminino é, muitas vezes, conscientemente exposto à violência, como recurso para a criação de uma corporalidade radical; instituindo uma relação diferenciada com o espectador. Nesse novo “território”, temas tais como a vitimização feminina e as relações entre os gêneros são transgredidas e questionadas. De que maneira esses dois fenômenos poderiam ser relacionados? A violência na performance pediria uma abordagem que coloca a corporeidade na cena em lugar diferenciado, em relação ao corpo feminino no mundo?
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Histórias sobre homens, mulheres e trabalho: análises sobre as representações de Executivo e de Executiva veiculadas no Reality Show O Aprendiz
Luciana Sauer Fontana (ULBRA)

Pretendi destacar com este estudo, que as representações de executiva/o veiculadas na terceira edição de O Aprendiz, (re)produziram certos modelos de masculinidade e feminilidade que assemelham-se as representações historicamente dominantes acerca dos papéis atribuídos aos homens e às mulheres (Meyer,2001). Trata-se, ainda, de indicar como este Programa opera na produção de discursos que associam o exercício de uma função executiva a masculinidade, ao colocar em evidência situações em que são (re)produzidas “lições” acerca do que é ser um executivo homem competente, a partir das posturas assumidas por Roberto Justus, condutor e personagem principal das tramas desenroladas no Programa. As análises aqui conduzidas referem-se à terceira edição de O Aprendiz, e mais particularmente a alguns momentos do episódio 1, exibido em agosto/2006. Destaco que não escolhi tal episódio de forma aleatória ou ao acaso, mas, ao contrário, tal escolha decorreu de compreensões alcançadas a partir da realização de um exercício de leitura e releitura dos discursos veiculados ao longo dos dezesseis episódios que compuseram esse Programa. Pretendi marcar, também, com este estudo, que trata-se de um desdobramento da dissertação de mestrado intitulada O Reality Show O Aprendiz Ensinando-nos a ser Executivas/os de Sucesso, defendida no PPGEDU/ULBRA (2007), o quanto este reality show - embora sendo uma produção televisiva bastante recente - pareceu atualizar certos discursos, tantas vezes vistos como hegemônicos. Entre esses estavam os que envolviam antigos preceitos sobre a ocorrência “natural” de rivalidade entre homens e mulheres, privilegiados exaustivamente pelos recursos de edição utilizados pelos produtores de O Aprendiz.
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Desmistificando Medéias: um olhar crítico sobre a representação feminina em obras dramatúrgicas
Luiz Gustavo Marques Ribeiro (UDESC)

Neste trabalho, são analisadas as representações da mulher e do feminino na peça Medéia de Eurípedes, e nas transposições realizadas a partir da mesma, Gota D’Água, de Chico Buarque e Paulo Pontes, e Des-Medéia, de Denise Stoklos. A análise se dá a partir das personagens centrais das tramas, Medéia em Eurípedes e Stoklos, e Joana, em Buarque e Pontes. Observando a trajetória das personagens, bem como as concepções sobre as quais se assentam suas construções, é possível observar que as obras dramatúrgicas em questão traduzem a condição de opressão e aviltamento imposta às mulheres/personagens, evidenciando a necessidade de desconstrução do discurso ideológico que as permeia e compõe. O objetivo de cotejar essas peças é refletir sobre a personagem Medéia e algumas de suas transformações ao longo da história da dramaturgia, averiguando seus desdobramentos e conseqüências para o gênero feminino, bem como a fixação de conceitos equivocados e pré-estabelecidos sobre a mulher e a feminilidade. A partir do conceito de arquétipo e suas extensões, demonstra-se como se articula o drama de Medéia e suas nefastas conseqüências para a figura feminina e, necessariamente, para a história da mulher. A análise crítica e minuciosa dos arquétipos atribuídos à Medéia demonstra as construções ideológicas forjadas e formatadas a partir de uma visão apriorística e estereotipada do feminino e das mulheres.
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Poética de uma Aerialista de Tecido: Manutenção e Subversão do Feminino
Manoela Galdeano Rangel

O presente artigo nasce como um desdobramento do meu Trabalho de Conclusão de Curso em Artes Cênicas pela UDESC.
Pretendo falar da minha experiência como acrobata aérea de tecido, a construção deste corpo e sua recepção, tanto em cena quanto fora dela. Trata-se de um corpo-transição, em insistente submissão a um treinamento rigoroso que vai deformando a constituição culturalmente tida como feminina. Treinamento este que é condição para que a acrobata sinta-se segura diante do risco que envolve estar no aparelho aéreo. Tal preparação envolve um expressivo grau de agressividade com seu corpo, uma espécie de violência consentida.
Essa violência efetiva prepara a estrutura física e emocional da aerialista para impactos truculentos, moldando um corpo que resista às agressões próprias às manobras no tecido, ao mesmo passo que escamoteia a dor através de uma atitude de controle e suavidade emblemática da performance feminina (BUTLER). Encontra-se um paradoxo entre a manutenção do esteriótipo feminino no gestual delicado da aerialista, ao exemplo da bailarina clássica, e uma subversão na dimensão física. Seu corpo adquire músculos, lidos culturalmente como parte do universo masculino.
Me apoiarei na teórica Peta Tait, que se dedica a observar a aerialista sob um olhar que privilegia as questões de gênero. Darei foco a atividade pré e expressiva sob o ponto de vista da acrobata, em seu esforço de resistência física e emocional para performar justamente o oposto: leveza, facilidade e doçura. Não seria esse, numa leitura mais ampla, o esforço da mulher na estrutura social contemporânea?
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La Mamma: confissão de liberdade, silêncio de prisão
Márcia Chiamulera; Luciana Hartmann (UFSM); Paulo Márcio da Silva Pereira (UFSM)

Esta apresentação refere-se à pesquisa e o espetáculo , realizados durante a graduação em Artes Cênicas junto à Universidade Federal de Santa Maria, requisitos para formação em Interpretação Teatral. Como revelar sobre o palco a comédia de opressões vivida por uma mulher? Foi o desafio de transpor para o palco o texto La Mamma Frichettona de autoria dos italianos Dario Fo e Franca Rame. A construção deste espetáculo calcou-se no trabalho do ator, na sua desconstrução e re-significação para construção da personagem, através de treinamentos e técnicas como qualidades de movimento, artes marciais e treinamento xamânico. A concepção do espetáculo tentou, por analogia ao texto, trabalhar com a linguagem de quadrinhos transposta para a cena, utilizando para tal, imagens e figuras sacras. Este aparato foi buscado para “dar conta” da temática do texto: a condição feminina, ou seja, o papel da mulher representado socialmente. À personagem são delegadas as funções de esposa e mãe, adjetivada como modelo de virtude e associada a imagens religiosas. A situação da personagem foi adaptada ao contexto histórico brasileiro, as décadas de 60 e 70, período de ditadura. Cenicamente apresentamos uma mulher disfarça de porra-louca que, numa trajetória de sofrimento, encontra sua liberdade. Liberdade finalizada rapidamente, alvo de repressões militar e moral. A moral diz respeito a imposição de padrões de “comportamento correto” e a militar, refere-se aos abusos sexuais e autoritários retratados pela personagem por ocorrência de suas prisões. Esta situação “cenicamente apresentada” talvez contenha elementos da realidade de muitas mulheres ainda hoje.
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Espetáculo "a": artigo feminino do palco à sala de aula.
Maria Amélia Gimmler Netto, Luciana Maschoski Holanda (UFRGS); (UDESC)

O processo criativo do espetáculo teatral “a” do N.A.T (Núcleo Ação Teatral) debruçou-se, sobre duas bases: a pesquisa temática e a pesquisa estética. Mostrar uma visão do papel da mulher na sociedade atual foi a intenção que guiou a montagem e guia as outras ações que associamos à este trabalho artístico. “a” surgiu a partir da pergunta: “o que é ser mulher para você?” Assim aprofundamos a pesquisa temática através da coleta de depoimentos e estudo de textos dramáticos e de reportagens atuais. Também, a criação da estética baseou-se no trabalho das três atrizes que teve como estímulos principais a dança, a música o texto dramático. Devido à pertinência do tema e o resultado estético simples e claro conquistado no espetáculo percebemos a necessidade de ampliar as fronteiras da montagem e levar à discussão, provocada pela encenação, do palco para a sala de aula. Em oficina oferecida para arte-educadores, procuramos estimular tanto a reflexão sobre o papel da mulher na sociedade atual, gerada pela fruição da peça teatral como pela demonstração dos procedimentos que a geraram. Baseada no que chamamos de “desmontagem do espetáculo”, ou seja, na apresentação do processo de criação da peça aos alunos - homens e mulheres de diversas idades – procuramos, a partir do desnudamento do processo de pesquisa estética e temática de “a”, criar novas possibilidades de abordagens da temática de relação de gênero em sala de aula. Estimulando assim, o debate e a criação de novas abordagens de trabalho em teatro-educação.
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(2 vezes) Uma Mulher Só: Encenações da Peça de Franca Rame e Dario Fo em Santa Catarina
Maria Brígida de Miranda (UDESC)

Este artigo analisa dois espetáculos distintos, realizados por grupos teatrais de Santa Catarina a partir da peça teatral Una Donna Sola, um dos monólogos que compõe Tutta casa, letto e chiesa (1977) de Franca Rame e Dario Fo. O texto de Rame e Fo pode ser visto como um representante do teatro político, mais especificamente do teatro feminista nos anos 1970. Ao abordar assuntos como violência doméstica e a falta de poder e agência das mulheres italianas o texto reflete não apenas as tendências da segunda onda do movimento feminista mas também luta de Rama e Fo para darem visibilidade a violência de uma sociedade patriarcal e um governo conservador.
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"De Malas Prontas – Uma viagem sobre a Atriz Cômica em busca de uma Teatralidade Transgressora"
Paula Bittencourt de Farias (UDESC)

Esta pesquisa busca investigar o processo de composição da cena cômica teatral identificando os elementos geradores de uma comicidade transgressora. Para que esta pesquisa tenha recortes precisos e evitando qualquer desvio para compreensão da problemática da comédia, utilizo como unidade de análise o espetáculo de Malas Prontas do grupo Pé de Vento Teatro de Florianópolis. Tendo este espetáculo como objeto e tendo como objetivo a busca de uma comicidade transgressora, a investigação se encaminha naturalmente para uma discussão de gênero. Sendo o espetáculo encenado por duas atrizes, o universo feminino fica claramente exposto em tal montagem e consequentemente em tal pesquisa. Procurando desvendar os mecanismos propiciadores de riso e os artifícios cômicos utilizados pelas atrizes, acredito poder lançar novos olhares ou ainda novos ângulos sobre gênero.
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Fevvers e Walser: a representação da dualidade feminino – masculino no romance carteriano Noites no circo.
Renata Kuhn Yatsu (UNESP)

O propósito deste trabalho é realizar uma comparação entre os personagens centrais do romance Noites no circo, da escritora inglesa Angela Carter (1940 – 1992). No romance em questão, temos um tratado para a representação da mulher na literatura: a narrativa é conduzida por uma preocupação feminista de mudar a representação da mulher no universo literário. Como contraponto à personagem principal, Fevvers, temos o jornalista Walser, uma vez que, como na maior parte dos trabalhos carterianos, a personagem feminina é construída em oposição ao masculino. Assim, o foco principal no romance é o modo como a representação literária da mulher conduz o desejo masculino e a percepção que este tem do universo feminino. O leitor é instigado a uma reflexão sobre as ligações literárias entre a masculinidade e a feminilidade. Dessa forma, a narrativa discute, num clima gótico, subversivo, a oposição entre esses dois personagens representantes dos dois universos, o masculino e o feminino.
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O corpo no palco das artes plásticas
Rosana Tagliari Bortolin (UDESC)

Esta comunicação tem por meta abordar a pesquisa poética Habitar Ninhos, da artista plástica Rosana Bortolin onde utiliza imagens do seu corpo e imagens análogas à vagina nos trabalhos de artes plásticas desenvolvidos nos últimos anos, apresentados ao público em formas de exposições e intervenções urbanas na cidade de Florianópolis em Santa Catarina, entendendo assim a cidade como palco aberto no universo das artes plásticas. Será relatada a experiência vivenciada pela artista diante dos comentários realizados pelo público a respeito das análises de suas obras. Análises estas que permeiam o universo da educação, da publicidade, da estética corporal e da vulgaridade, abordados nas questões do gênero.
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“a”RTIGO FEMININO – Uma representação teatral
Rosi Meire da Silva e Marina Almeida Monteiro (UDESC)

O espetáculo teatral "a", criado pelo NAT (Núcleo Ação Teatral), surge da vontade de colocar em cena, a arte explorando o universo feminino em seus temas relacionados à presença da mulher na sociedade atual. Reunindo dados estatísticos, artigos de jornais e revista referentes à situação atual da mulher, juntamente com textos de Franca Rame e Dario Fo e uma pesquisa realizada pelo grupo com a pergunta "O que é ser mulher?", encontramos dados pertinentes para edificar a criação de um espetáculo, que de forma densa e irônica, traz à cena a amplitude e a diversidade da figura da mulher. A partir de um monólogo faz-se a dramaturgia que vem contar a trajetória de uma mulher apresentando suas fantasias, angústias, desejos e dilemas. Três atrizes assumem diferentes momentos de uma personagem, o que sugere ao público a possibilidade de não tratar-se de uma única mulher, e sim de várias. A proposta do grupo é de um teatro que esteja no víeis da comunicação que gera informação, assim, tratamos de um assunto de interesse público, colocando a encenação numa linguagem acessível para que possa atingir as mais variadas faixas etárias e classes sociais. O presente artigo discorre sobre o processo de criação do trabalho vivenciado pelo grupo, objetivando realizar um registro sobre a produção teatral com foco nas questões de gênero.
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Delicados gestos de violência: o corpo feminino e as Máquinas performáticas da artista coreana Sanghee Song
Silvana Barbosa Macedo (UDESC)

Desde a década de 1970 a teoria feminista vem trazendo grandes contribuições às discussões e práticas artísticas na área das artes visuais. Noções tradicionais de autoria associadas ao discurso patriarcal que pressupõem a expressão de um gênio (invariavelmente homem, europeu e branco), vêm sendo gradualmente desconstruídas há décadas, e a contribuição de artistas e teóricas feministas neste debate é de fundamental importância. Esta comunicação pretende discutir os temas do corpo feminino, violência e poder na série "Machines" da artista contemporânea Sanghee Song. De acordo com Song, esta série de esculturas e fotografias explora o mecanismo de auto-tortura e auto-conforto envolvido nas fantasias coletivas de mulheres da classe média sul-coreanas, nascidas da ideologia da “boa filha” e da “mãe sábia e boa esposa”.
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Os conteúdos dos dramas carregados pela emoção
Vera Regina Martins Collaco (UDESC)

A escrita dramática do melodrama tem sua preferência centrada nos enredos sentimentais, na valorização da ação, destacando, sempre, o embate entre o vício e a virtude, com a conseqüente vitória do bem sobre o mal. A sua estrutura narrativa é imutável: amor, infelicidade causada pelo traidor, triunfo da virtude, castigos e recompensas. Esta escrita repleta de convenções também se apresenta como uma obra bastante aberta, desde que seus fins moralizantes sejam prescritos aos seus leitores ou espectadores. Nesta comunicação discuto aspectos do melodrama, tais como a sua escritura dramática, as estruturas espaço-temporais, seus conteúdos preferenciais, as personagens deste universo e o aprendizado através das lágrimas. Para desenvolver este trabalho parto da análise de textos que foram encenados por uma associação operária de Florianópolis entre 1931 e 1951. Através desta análise levanto questões sobre a intencionalidade didática da União Operária ao levar para seu palco e para seus associados, os e as trabalhadoras da cidade, os melodramas ali apresentados
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Radioteatro romântico: uma construção de mulher moderna no imaginário feminino de Florianópolis.
Vivian de Camargo Coronato (UDESC)

Peças de radioteatro transmitidas nos programas Falando ao Coração e Encantamento entre as décadas de 1950 e 1970 pelas rádios Guarujá e Diário da Manhã de Florianópolis podem ser reveladoras de uma construção de um ideal de mulher moderna no imaginário das ouvintes. Os programas eram dirigidos ao público feminino que, segundo os seus criadores, apreciava um consultório sentimental, música, romance e poesia. Ambos os programas eram indicados como bons veículos para venda de artigos femininos. Uma das patrocinadoras foi a loja A Modelar, situada na rua Trajano, número 9, no centro de Florianópolis. O mesmo casal de atores que vivia a história de amor no radioteatro fazia a publicidade do estabelecimento. A Modelar, segundo publicidade, era o local onde a mulher moderna deveria fazer suas compras, lá estavam os últimos lançamentos da Europa, vindo direto do Rio de Janeiro e São Paulo. Que relações podem ser feitas entre as construções românticas das peças, os tipos de mulher que eram apresentados – todas descritas como belas -, com a mulher da publicidade, a que freqüenta os melhores clubes e festas e compra as novidades na loja A Modelar? Que mulher era esta da publicidade e das histórias de amor e que mulher era a que ouvia as peças?
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