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Coordenação:
Érica Renata de Souza,
Doutora em Ciências Sociais (Unicamp), Professora da  PUC-Campinas (Campinas-SP) 

Maria Bellini
Doutora em Educação (Michigan State University), Professora da UNIPAC (Barbacena-MG)

Marko Synésio Alves Monteiro
Pós-Doutorando em Antropologia (University of Texas at Austin), Professor da University of Texas at Austin (Austin, TX-USA)

A educação no mundo contemporâneo vivencia e suscita questões e anseios que precisam de um estudo mais aprofundado dos processos educacionais, visando à valorização das diferenças, dos corpos e das subjetividades como uma das condições básicas para a conquista da cidadania plena em detrimento da violência. Buscamos aqui estabelecer um diálogo interdisciplinar entre pesquisadores de campos do saber relacionados à educação (pedagogia, ciências sociais, história, educação física etc.) cujos objetos de estudo se voltam às relações de poder e violência (física e/ou simbólica) entrecortadas pelo gênero, o corpo e a educação. A intenção é propiciar a discussão entre trabalhos que contemplam a questão de gênero, no contexto educacional escolar e não-escolar, articulada aos marcadores sociais da diferença (classe, raça, etnia, sexualidade, idade, religião etc.). Questões como a homofobia na escola, a violência física e simbólica contra o “diferente”, a reprodução das desigualdades nos materiais didáticos e nas práticas de ensino e as dinâmicas da violência, entre outras, são questões que nos preocupam nesse seminário temático. Será privilegiada a diversidade de campos de estudo (escolas, ONGs, movimentos sociais, associações, sindicatos etc.) a fim de se pensar o processo formativo do cidadão no contexto mais amplo da nova realidade do fenômeno educacional brasileiro, marcado por diferentes matizes da violência. Busca-se uma perspectiva interdisciplinar que propicie o diálogo enriquecedor de estudos que partam de perspectivas educacionais, etnográficas, históricas e sociológicas e que fundamentem um debate sobre corpo e violência na sua relação com o gênero e a educação.

Um projeto para a mulher na segunda década do século vinte: educação para o trabalho e a autonomia
Alice Mitika Koshiyama (ECA-USP)

Este trabalho avalia as propostas apresentadas no livro Virgindade anti-higiênica de Ercilia Nogueira Cobra, publicado em l924, sobre a educação, o trabalho e a autonomia para a vida das mulheres. Ela cita leituras de textos de autores consagrados na literatura como Anatole France e usa o referencial da psiquiatria da época sobre problemas mentais mas destaca a importância das causas sociais nos problemas da saúde mental. A autora mostra que a desigualdade na educação das mulheres em relação aos homens não as preparava para ocupar um espaço no mundo do trabalho e as sujeitava a aceitar a dupla moral sexual e a segregação da mulher ao espaço da casa. A escritora mostrava que o homem era senhor da vida, do corpo e da reputação da mulher, um ser destituído de direitos. Reconhecemos no texto de Nogueira Cobra um projeto de vida para as mulheres de sua época, pautado pela igualdade de direitos em relação aos homens, incluídos os direitos sexuais e reprodutivos. Nossa análise se apoia nos conceitos de longa duração (Fernand Braudel), lugar social (Michel de Certeau), feminismo (Carmen da Silva), história e valores (Agnes Heller), cidadania e direitos (Norberto Bobbio); e nos estudos sobre E.N. Cobra feitos por Rubens Corrêa Cobra e Maria Lúcia de Barros Mott. Em Ercília Nogueira Cobra vemos o debate da questão de gênero como direitos humanos e sociais, que ainda continua na atualidade
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Negritud y argentinidad: el lugar de las identidades negras en los actos escolares del 25 de mayo
Anny Ocoró Loango (FLACSO)

En este documento presentaré algunos de los avances de mi investigación sobre las representaciones de las identidades de hombres y mujeres negros/as afroargentinos en los actos escolares del 25 de mayo. Planteamos la discusión sobre la necesidad de interrogar estos espacios de reproducción cultural que no sólo dan cuenta del pasado, sino que también construyen un presente al constituirse en escenarios en los que se difunden ideas, concepciones e imaginarios sobre los afroargentinos.
Los actos escolares del 25 de mayo, son uno de los pocos espacios en los que esta presente en la memoria Argentina la presencia negra. Uno de los propósitos de esta investigación es identificar y analizar esas representaciones, en la idea de develar sus aportes en la visibilización o el silenciamiento de la comunidad afroargentina, las imágenes sobre las identidades de hombres y mujeres que se difunden y la manera como desde la escuela se agencian dispositivos de violencia simbólica.
Creemos que la escuela como un espacio de transmisión de conocimientos y reproducción de la cultura, puede también contribuir a deconstruir los estereotipos de género racializados y las ideas y representaciones que invisibilizan y subalternizan a determinados grupos sociales. Los actos escolares son un espacio de gran relevancia dentro del currículo escolar que pueden ser utilizados para apuntalar transformaciones que contribuyan a proponer caminos de resignificación del papel de esta comunidad afro en la historia nacional Argentina y a promover una visibilización de su presencia no racializada en los actos escolares
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A feminização do Magistério: poder e violência simbólica
Claricia Otto (UFSC)

O processo de feminização do magistério no Brasil foi constituindo-se ao longo do século XIX, ou seja, o ensino primário visto como profissão feminina é uma construção social. Mas como as mulheres foram substituindo os homens na tarefa de educar? Neste artigo, objetiva-se apresentar o resultado de uma pesquisa que investigou as relações de poder e violência simbólica na formação de um grupo de jovens professoras no Estado de Santa Catarina, a partir de 1913. Além disso, no projeto dos fundadores do referido grupo, as jovens professoras assumiriam o estilo de vida celibatário. O discurso incorporado pelas jovens professoras associava magistério a vocação, abnegação e doação. Elas foram encerradas numa rede de práticas e proibições, formadas para a renúncia de si e abdicação dos desejos. A disciplina, a imposição de determinada tarefa e comportamento envolvia os aspectos temporais, espirituais e corporais. Nesse sentido, se toma como base teórica os estudos de Foucault (2000) e Bourdieu (2002). Para Bourdieu (2002:50), a “força simbólica é uma forma de poder que se exerce sobre os corpos, diretamente, e como que por magia, sem qualquer coação física”. Dessa forma, o artigo propicia uma discussão em torno de trabalhos que contemplam a questão do gênero, do corpo e da educação; além de sinalizar a intensificação do processo de feminização do magistério no Estado catarinense
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Diversidade sexual na escola e a homofobia: a capacitação de professores como estratégia de intervenção
Claudiene Santos, Maria Eveline Cascardo Ramos, Flávia Bascuñan Timm, Daniela Gontijo Cabral e Tainah Dourado de Miranda Lobo (Universidade Católica de Brasília)

A violência contra homossexuais, constantemente denunciada pelos movimentos LGBTT, é uma realidade silenciada nos contextos em que ocorre. Na escola, a homofobia é expressa por meio de agressões verbais e/ou físicas, isolamento e exclusão, cujas conseqüências podem ser a evasão escolar e o sofrimento. Castro, Abramovay, Silva (2004) discutem o preconceito nas escolas, a omissão e a conivência dos professores frente à homofobia. Nesta pesquisa, em uma escala de ações violentas, "bater em homossexuais" foi considerado menos grave que usar drogas e roubar, por exemplo. Esse cenário alerta para o papel da Educação em ações afinadas com o Plano Nacional de Direitos Humanos e Combate à Homofobia, criando valores e perspectivas de não-discriminação, promoção dos Direitos Humanos e combate à violência. O projeto "Ser (Poder Ser): promovendo a diversidade na escola", apoiado pelo MEC, visou capacitar 80 professores da rede pública do DF na implementação das ações do Programa "Brasil sem Homofobia". Foram realizados 10 encontros com a finalidade de re-significar atitudes sexistas e homofóbicas, refletir sobre a heteronormatividade, desestigmatizar estereótipos dos modelos não hegemônicos, reconhecimento, inclusão e promoção das diversidades sexuais no âmbito escolar e papel do educador em ações não discriminatórias. Os temas discutidos foram: Enfrentamento ao Sexismo; Alteridade e Relações de Poder; Produção das Diferenças e Desigualdades; Diversidade Sexual e Direitos Humanos. A experiência revelou a possibilidade de construção de redes de proteção e que existem professores dispostos a enfrentar o preconceito social e contribuir com ações de valorização da diversidade humana, embora resistências ainda persistam
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A violência entre mulheres-professoras do campo e do espaço urbano maranhense
Diomar das Graças Motta e Elisângela Santos de Amorim (UFMA)

A trajetória de mulheres-professoras, que exercem suas práticas, no campo e no espaço urbano, tem sido pontuada por violências, omitidas pela literatura acadêmica, sobre a questão. Pois, a violência está presente no interior das sociedades, emergindo em condições históricas especificas. Ao se perpetuar é porque essas condições, também, se perpetuaram, ainda que se modifiquem as suas maneiras de aparecer. Com isso as condições institucionais e sociais, inerentes à prática pedagógica, contemplam, principalmente, a “violência simbólica”, que segundo Bourdieu (1975) é também, uma forma de violência social, decorrente da necessidade de “moralização” da história, através do progresso técnico e do crescimento econômico. No espaço educacional maranhense urbano e do campo, no que concerne a mulher-professora, (vítima, também, da violência doméstica e familiar) a violência simbólica tem se revelado sobre múltiplas especificidades. Constatou-se que essas especificidades têm a ver com as forças históricas de cada espaço, em que as relações presente na ação pedagógica das pessoas-mulheres, mais das vezes constrangem-nas, obrigando-as a ocultarem acontecimentos, impedindo que esta violência seja explicitada. Daí objetivamos debater as espécies de violência manifestas, compreendendo seus mecanismos e buscando soluções mais justas e de combate a essas ações. Nosso estudo se insere na pesquisa: Mulheres-professoras saberes e táticas, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação da UFMA, com a participação de docentes dos assentamentos de Reforma Agrária da região Tocantina – MA e de algumas escolas públicas municipais e privadas do espaço urbano de São Luís – MA
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A identidade no banheiro: travestis, relações de gênero e diferenças no cotidiano da escola
Elizabete Franco Cruz (USP)

Em qual banheiro uma travesti deve “fazer xixi” na escola? No banheiro dos meninos? No banheiro das meninas? Esta questão, presente no cotidiano das escolas e relatada em aulas do curso de especialização em gestão educacional por diretores(as) da rede estadual de ensino de São Paulo é o fio que puxa as problematizações deste artigo.
Entrelaçando os relatos dos diretores e diretoras, pistas do filme Transamérica, textos sobre relações de gênero e algumas idéias do filósofo francês Michel Foucault desenho um mosaico de reflexões que convidam ‘a desconstrução de uma perspectiva binária e fundamentacionalista que hegemonicamente domina fazeres e saberes sobre as identidades de gênero no cotidiano e à (re) invenção de novos modos de tessitura dos sujeitos e das relações no interior da escola
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Políticas de combate à homofobia na educação na França e no Brasil: racialização e desigualdade como componentes do dispositivo da sexualidade
Henrique Caetano Nardi (UFRGS)

Discutirei a implantação de políticas públicas e ações de combate à homofobia nas escolas do Brasil e da França. A análise utilizou da ferramenta da comparação, pensada como efeito de distorção da imagem no espelho e colocação em suspenso de formas pré-construídas de compreensão do vivido. Mesmo que a França possa ser considerada como mais aberta culturalmente à diversidade sexual, pelo menos no que tange à visibilidade pública e ao reconhecimento legal de uniões homossexuais; a escola ainda se mantém como um lugar onde o debate em torno da diversidade sexual está praticamente ausente. O contexto brasileiro é distinto, várias análises identificam nossa cultura como homofóbica, o que estimulou a implantação recente de políticas públicas direcionadas à reversão deste quadro. Explorando uma primeira explicação com relação à suposta “incipiência” das políticas públicas francesas na educação, encontrei uma divisão interna racializada na sociedade francesa, a qual se protege sob o manto do universalismo. Esta divisão produziu uma cisão de um “nós” e um “eles” que demarca os limites da democracia sexual francesa. Fazendo uso do exercício de comparação perguntei-me como esta divisão se apresentaria no Brasil. A pesquisa de campo aponta para uma tensão produzida pela introdução da temática da diversidade sexual na escola, revelando uma divisão social que se ancora em uma “patologização” da pobreza, a qual também é marcada por uma racialização das relações, mas que não se concentra neste “marcador” social
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Ensinar para respeitar a diversidade sexual - um desafio na escola de ensino básico
Joice Farias Daniel

No mundo de hoje se fala muito em educação para a diversidade, contudo, encontrar nas escolas o respeito à diversidade de orientação sexual tão reivindicadas pelos movimentos sociais, ainda é uma realidade que se faz muito distante dos ambientes educacionais, principalmente se pensarmos nas posturas adotadas por educadores e educadoras.
Neste sentido se pretende discutir nesta comunicação algumas situações vividas numa escola pública estadual de Santa Catarina.
Incomodada ao ver os estudantes se xingando de “viado” e “boiola”constantemente, a professora decidiu intervir chamando os educand@s para um debate sobre homossexualidade, as idéias deste debate é a primeira situação a ser apresentada. A segunda trata de conversas sobre a homossexualidade na sala de professor@s, embalados pelo trio que faz sucesso novela global “Duas Caras” como uma família bem sucedida, @s professor@s emitiram suas opiniões sobre homossexualidade e família, conceitos que merecem ser discutidos. A terceira experiência trata da observação sobre um aluno de apenas dez anos de idade e sua luta para provar que não é gay.
As situações vividas merecem ser debatidas uma vez que revelam posturas conservadoras e que ao contrário de contribuírem para uma formação de respeito as diferenças, caminham mais para uma formação reacionária e excludentes daquel@s que não se enquadram num modelo idealizado de sociedade e família.
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Mulheres vítimas de violência de gênero: um estudo sobre emancipação
Luciane Maria Quintanilha Falcão (UFRJ)

O trabalho discute um dos aspectos das práticas educativas não formais e informais, desenvolvidas pelo projeto de extensão do Centro de Referência de Mulheres da Maré -Carminha Rosa, vinculado a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Para tanto, identifica a presença e o significado da emancipação como questão central do processo educativo, numa perspectiva de educação popular contribuindo para a construção de sujeitos responsáveis e autônomos. Considera, em seguida, como prioridade a articulação entre educação, gênero, violência de gênero e direitos humanos que se constitui como movimento fundante da própria formação continuada.Destaca as limitações encontradas frente aos desafios de novas demandas e, conclui o estudo indicando para o potencial emancipatório, tanto para a formação das usuárias, como para as/os bolsistas.
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Feminilidades homossexuais no ambiente escolar: ocultamentos, violências e discriminações vividas por garotas
Maria Cristina Cavaleiro (USP)

O estudo trata-se de uma investigação em andamento, sobre garotas que consideram a si mesmas lésbicas, homossexuais, bissexuais, ou que, inclusive, não chegam a autodefinir-se de maneira nenhuma na escola, mas que revelam seu desejo, sua atração por outras jovens numa escola pública de ensino médio. Um balanço da produção acadêmica sobre as temáticas da juventude, gênero e sexualidade e de pesquisas de opinião públicas realizadas por institutos variados no espaço escolar, permite perceber ocultamentos, violências e discriminações que se entrelaçam na vivência daqueles e daquelas que são sexualmente atraídos (as) pelo mesmo sexo. O estudo também tem por base observações e entrevistas em uma escola pública da cidade de São Paulo. O processo de entrevistas individuais e em grupos, possibilitou colher narrativas de participantes em determinadas situações, pensadas a partir do foco central do tema da pesquisa. Há múltiplas opressões que envolvem as vivências de garotas que são sexualmente atraídas pelo mesmo sexo. Diversas narrativas reiteram apelos à discrição para que possam expressar seus desejos, o que demonstra um processo ambíguo, contraditório, por vezes dissimulado, mas não menos arriscado, de estigmatização. Algumas indagações sintetizam a realidade em observação: quais os sentidos da insistente demanda imposta pela escola para que estas garotas sejam "discretas"? Para não serem percebidas como desviantes - "not quiet human" - devem necessariamente seguir regras que definem comportamentos considerados apropriados? Tais indagações perpassam a trajetória da vida dessas garotas e os objetivos dessa pesquisa
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Desacomodando os discursos presentes na escola bilíngue: A governamentalidade e a produção de subjetividades docentes
Patricia Marcondes Amaral da Cunha (UFSC)

Os discursos acerca da escolarização de portadores de deficiência nos permitem identificar, dentre vários enunciados, aqueles relacionados à construção de subjetividades docentes. Este trabalho, portanto, busca discutir como “modelos de subjetividade” suscitados por esses discursos se (re-)produzem nas falas e nas práticas de três professoras de deficientes múltiplos de uma escola bilíngüe (escolas para surdos onde a língua de instrução é a Língua de Sinais). A partir de entrevistas que fizeram parte de uma dissertação de mestrado e do conceito foucaultiano de governamentalidade, podemos pensar sobre esses discursos e seus efeitos: primeiramente, a culpabilização do professor pelo fracasso das propostas inclusivas e a oferta de formação continuada para sanar essas dificuldades; segundo, no contexto mais específico da escola bilíngüe, os dispositivos que ajudam a “cercar” os espaços destinados aos professores surdos e aqueles destinados aos professores ouvintes; finalmente, como os elos entre docência-afetividade-maternidade são reforçados dentro dos espaços de escolarização de deficientes.
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Gênero e Violência na escola: algumas conclusões a partir de agressões praticadas por jovens garotas
Paulo Rogério da C. Neves (FEUSP)

Este trabalho é parte de minha dissertação de mestrado que investigou a violência praticada por garotas – de ensino fundamental II – em uma escola pública da rede estadual de São Paulo. Para tal investigação empírica foram utilizados diversos instrumentos de coleta de dados: observações em campo, questionários, reuniões com grupos de alunos/as e entrevistas semi-estruturadas. Para a análise dos dados coletados foram utilizadas, como aporte teórico, as contribuições de Hannah Arendt no que se refere à educação e violência; a discussão acerca da violência na escola desenvolvida no Brasil desde os anos de 1980 e o conceito de gênero elaborado por Joan Scott. Constatou-se que mais determinante do que o bairro ser ou não violento, é no ambiente doméstico e escolar que as jovens percebem o uso da violência como forma de restauração da ordem, do respeito, da tranqüilidade e da individualidade e, também, de rompimento da invisibilidade de gênero, da qual são vítimas principalmente no ambiente escolar, contradizendo o discurso que identificava serem os rapazes os vértices das brigas. Em resumo, as agressões físicas praticadas pelas jovens revelavam a) desafio à tarefa histórica da escola – educar os/as mais novos/as para a vida em sociedade –, b) resistência aos estereótipos de gênero – responsáveis por defini-las como “frágeis” e “indefesas”, além de mais “pacíficas” que os rapazes – e, ao mesmo tempo, c) reprodução de parte dos estereótipos que compõem a hegemonia masculina: aquela que divulga ser a violência a melhor forma de solução de conflito.
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As concepções dos/as professores as acerca das orientações sexuais e suas implicações nas práticas pedagógicas
Ramirez Espindola

As reflexões e as problematizações que apresento neste texto tratam das concepções dos/as professores/as acerca das orientações sexuais. Foram entrevistados/as 118 professores/as. Buscou-se fundamentação nos/as autores/as do campo dos Estudos Culturais em suas vertentes pós-estruturalistas, como: Guacira Lopes Louro (2004), com suas discussões sobre sexualidade, gênero e educação; Tomaz Tadeu da Silva (2001), que tece reflexões numa perspectiva dos Estudos Culturais, dentre outro. O objetivo foi pesquisar as concepções dos/as professores/as acerca das orientações sexuais e suas implicações sobre como essas concepções permeiam nas práticas pedagógicas.
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Relações de gênero, violência e linguagem no cotidiano escolar
Sheila Daniela Medeiros dos Santos (UNICAMP)

Na sociedade brasileira atual, a mídia impressa e falada noticia diariamente matérias a respeito de atos violentos, reforçando a idéia de que há pouco a fazer, dadas as medidas paliativas e ineficazes empreendidas pelas políticas públicas do país. Esse alarmismo jornalístico e político, dificulta a compreensão da violência enquanto fenômeno que suscita, não apenas as formas físicas que chamam a atenção pela sua dramaticidade, mas principalmente as formas simbólicas que aparecem como ameaça real ou imaginária à própria existência humana. Como na escola ressoam as expressões de violência que ocorrem em diferentes cenários sociais, essa pesquisa procurou analisar o impacto da experiência de violência nas relações que se instauram entre adulto/criança e criança/criança, na instituição escolar, entretecidas pela questão do gênero, da diferença e da exclusão social. Para efetivar esse estudo, foram realizadas observações em uma escola pública de ensino fundamental situada no município de Campinas. A análise do material empírico, a partir dos pressupostos teórico-metodológicos de Vigotski e de Bakhtin, evidenciou fundamentalmente dois aspectos: um deles refere-se ao fato de que a tríade relações de gênero, violência e linguagem, no cotidiano escolar, revela a experiência dramática das crianças de fazerem uso de diferentes modos de linguagem (gestos, desenhos, a linguagem oral/escrita e o silêncio) para sinalizarem a violência física/simbólica que vivenciam no meio social/familiar. O outro aspecto refere-se ao fato de que a violência, por ser um fenômeno que pertence à ordem da cultura, deixa marcas na linguagem, podendo fazer parte do processo de constituição da (inter)subjetividade humana
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Gênero e relações de poder no trote universitário: implicações para a cidadania
Vera Helena Ferraz de Siqueira (UFRJ), Glória Walkyria de Fátima Rocha ( NUTES/UFRJ)

O presente trabalho volta-se ao entendimento da construção identitária de estudantes por ocasião do trote universitário, com foco em questões de gênero e de sexualidade. As relações de poder que marcam esse evento tradicional de “iniciação” são analisadas a partir de referenciais pós-estruturalistas, onde sexualidade e gênero são entendidos como constructos histórico-culturais e assume-se a natureza constitutiva dos discursos. Podemos entender esses rituais como “tecnologias do eu” no sentido foucaultiano, na medida em que envolvem práticas e representações em que os individuos expressam uma certa “verdade” sobre si e sua sexualidade, de modo a se tornarem homens e mulheres de um dado tipo. A análise do corpus de dados obtido através de observações e entrevistas realizadas no decorrer de 2007 e 2008 com alunos e alunas de diferentes cursos de uma universidade pública no município do Rio de Janeiro evidenciou que a incidência de violência recai particularmente sobre o corpo das mulheres e tem um efeito performativo – alunos e alunas constroem suas próprias identidades ao participarem dessas práticas e ao falar sobre elas – e repercutem nas representações que elas/es tem sobre a futura atuação profissional e o exercício da cidadania. Os resultados sinalizam para a importância de se integrar ao currículo formal a problematização do estatuto dos “outros” na instituição universitária – mulheres e alunos/as negros/as dentre outras minorias – facilitando a expressão de seus interesses e demandas e assim favorecendo uma maior igualdade de gênero, etnia e classe social.
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