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Coordenação:
Izabel Magalhães
PH.D em Lingüística, Lancaster University, Reino Unido, 1985; Professora da UnB

Maria Cecília de Lima
Doutora em Lingüística, UnB, 2007; Professora da Faculdade Católica de Uberlândia e Faculdade Politécnica de Uberlândia

A discussão sobre gênero ganhou destaque com o movimento feminista que, principalmente após a década de 1960, chamou atenção para a figura feminina. A pluralidade de identidades de gênero, não apenas masculina e feminina, resultou em atos, relações sociais e mudanças discursivas manifestadas em textos orais, escritos e visuais (por exemplo, na imprensa escrita, na televisão e na Internet) que tornaram visível a questão do gênero. Todavia, como aponta Deborah Cameron: "Gênero é um problema, não uma solução" (1995, p. 42). A análise do discurso propõe debater e questionar problemas na perspectiva da linguagem e da semiose: no caso das identidades de gênero, a elucidação das diferenças e o impacto social causado por textos e atos, como os Parâmetros Curriculares Nacionais, os temas transversais e o discurso de inclusão no ensino; e a Lei Maria da Penha, agressões físicas e simbólicas na violência doméstica. A figura feminina ganha destaque, pois, por meio de questionamentos a respeito do discurso da diferença, juntamente com outros movimentos que buscam eqüidade social e cidadania. Esse debate, com a perspectiva de igualdade de direitos e deveres, trouxe mudanças; mas ainda existem, e em muitos casos são naturalizados, atos, atitudes, valores e crenças que contribuem para uma visão da figura feminina submissa e que a impedem de obter acesso social e político, como na referência genérica (´não-marcada´).

Problematizando Fronteiras de Gender/Genre: Três Penélopes
Cristina M. T. Stevens (UnB)

A partir das contribuições dos estudos feministas e de gênero e do conceito de metaficção historiográfica, o presente trabalho objetiva desenvolver uma breve análise da personagem "Penélope" (A Odisséia, de Homero), enfatizando sua reconstrução na personagem feminina Molly Bloom (Ulysses, de James Joyce) e comparando-as com a recriação mais recente dessa intrigante/instigante personagem feminina, no romance The Penelopiad (2005), de Margaret Atwood. Nossa análise enfatiza não apenas a experimentação radical com a tradição da épica e do romance, desenvolvidos por Joyce e Atwood; enfatizaremos também a engenhosa transformação dessa personagem - a qual, por milênios, simbolizou o ideal da esposa fiel e devotada construído por Homero – na personagem despudoradamente, naturalmente, corajosamente, liricamente, infiel Molly. Identificamos vestígios de Molly na reconstituição de Atwood da odisséia homérica sob a perspectiva da mítica Penélope, como se Molly fosse um 'missing link' entre a tradição clássica misógina e sua recriação feminista contemporânea. A prodigiosa transformação de Joyce de formas narrativas tradicionais – mais especificamente, do romance, também é habilmente desenvolvida por Atwood, que problematiza as fronteiras do genre/gender. Como Joyce, Atwood nos estimula a repensar não apenas as convenções tradicionais do romance, mas principalmente, imagens idealizadas sobre a mulher.
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Educação especial e gênero na escola
Denise Tamaê Borges Sato

A atual evolução da política educacional promovida a partir dos anos 90 resultou em mudanças significativas na oferta dos serviços públicos na Educação. A escola, um local marcado pela presença da figura feminina tem sido alvo de constantes debates em que se buscam qualidade e eqüidade, em substituição à oferta e democratização. Os temas vinculados às estratégias educacionais, principalmente, com a questão da inclusão da pessoa com necessidades educacionais especiais, no contexto do Ensino Regular, traz à tona perspectivas de gênero que remontam aos discursos patriarcais, bem como reposicionam o/a professor/a ao definir novas atribuições e papeis. A pesquisa sobre
Educação Especial desenvolveu-se no contexto de Brasília, nos exercícios de 2007 e 2008. Utilizando das ferramentas teórico-analíticas da Analise de Discurso Crítica e da Teoria Social do Letramento, buscamos descobrir as construções identitárias docentes, dentro da prática de letramento inclusivo, vislumbrando os discursos que concorreram para a construção da atual prática escolar. Obtivemos como resultados a visão dos eventos, discursos e estruturas, concorrendo para a manutenção da identidade de gênero no contexto escolar, e de mecanismos de controle educacional promovidos pela
política adotada no cenário nacional.
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Devote della Vergine: Histórias de mulheres em Nova Trento
Elis Facchini (UNIVALI)

No livro-reportagem “Devote della Vergine (Devotas da Virgem): histórias de mulheres em Nova Trento” apresento o perfil de mulheres da sociedade neotrentina, tanto no que diz respeito ao contexto religioso quanto ao dia-a-dia de cada uma delas. Para tanto, retrato as particularidades do município de Nova Trento: a imigração, as influências religiosas, as instituições comandadas pela Igreja Católica e, ainda, o papel das mulheres nas relações de trabalho. Concretizo este trabalho por meio de histórias orais da comunidade, principalmente por pessoas idosas ligadas ou não a organizações que “disciplinaram” mulheres. A principal foi a Pia União das Filhas de Maria, que se manteve ativa do início do século XX até meados da década de 1960 e mudou o cenário das futuras gerações. Outras como a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição e o Apostolado da Oração permanecem atuantes no município e também são esboçadas. As donas-de-casa não são esquecidas neste contexto, pois foram elas que educaram os filhos, trabalharam para ajudar a família, cumpriram com afazeres domésticos e religiosos. Assim, venceram o crivo de uma sociedade machista que pouco deu importância às suas atividades. Quanto ao estilo do impresso, trago uma linguagem mais leve e de fácil entendimento a todos, no qual valorizo a descrição de ambientes e pessoas. Também retrato o contraponto com as instituições religiosas masculinas, bem como as histórias de vida de seis gerações de algumas famílias neotrentinas. Ao unir estes elementos, transpareço as sutilezas dessas mulheres para mostrar uma nova perspectiva da cidade de Nova Trento.
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Profissão Docente: uma questão de gênero?
Elizabeth Ângela dos Santos (UNESP)

Para a compreensão do trabalho docente nas séries iniciais do Ensino Fundamental, é de extrema relevância perceber como a profissão, ao longo do tempo, tornou-se um trabalho feminino. Para isto, tem-se que lançar o olhar no passado, buscando na história da educação brasileira pistas e vestígios que possibilitarão entender este fenômeno. Para tanto, é fundamental fazer uma incursão na história da educação brasileira para ingressar posteriormente nas reflexões sobre a feminização da profissão, que é vista como um dos fatores de desvalorização profissional da carreira docente. Para entender tal processo concorda-se com as colocações de Almeida (1998), que afirma que a atribuição do desprestígio da profissão ao “sexo” do sujeito, se constitui num discurso que contribui para a desvalorização da profissão docente. Tal conotação apresenta uma forma contraditória, pois no início a docência era uma função realizada sumariamente por homens. Então podemos inferir que sua desvalorização antecede a feminização. Sendo assim, procuramos identificar quais representações sociais as alunas egressas do curso de Pedagogia da Faculdade de Ciências e Tecnologia/UNESP, campus de Presidente Prudente - SP, constroem sobre as relações de gênero na profissão docente. Para tanto articulamos a História Oral com as representações sociais que surgem em função das práticas, comunicações e vivências. Nesse sentido, acreditamos que trabalhar com alunas egressas pode apontar novas perspectivas para os cursos de formação docente, pois, a História Oral permite captar nas entrelinhas da história individual do sujeito analisado, vestígios que levam a uma melhor compreensão e interpretação da sociedade.
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Civilizar os costumes. Mulheres paraguaias no pós-Guerra do Paraguai. (1869-1904).
Fernando Lóris Ortolan (UFPR)

O presente artigo analisa como a imprensa paraguaia do pós-Guerra do Paraguai (1869-1904) representou as novas mudanças no comportamento feminino, segundo a nova ordem liberal instalada no país. Após a Guerra, a filantropia, a educação, a vestimenta e a vida social, por exemplo, modificaram esse novo universo das mulheres da elite paraguaia. Na imprensa predominaram discursos normativos de acordo com padrões morais e com o novo modelo do que significava ser mulher. Ao mesmo tempo, essas transformações significaram determinadas flexibilidades entre o espaço público e o espaço privado.
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Afueras y adentros: el espacio del barrio entre lo público y lo privado. Mar del Plata, 1950-1980
Inés Pérez (Universidad Nacional de Mar del Plata )

Señalar que la Modernidad supuso la división de la vida en dos esferas, una pública y masculina y la otra privada y femenina, es un lugar común en el mundo académico de nuestros días. En términos generales, lo público se identifica con el mundo de la política y del trabajo productivo, y lo privado se define por oposición. Esta distinción también se ha construido a partir de un criterio espacial, donde la vivienda es identificada con el mundo privado y la ciudad con el público. Sin embargo, sostenemos aquí que las representaciones de los sujetos de estos espacios son mucho más complejas. ¿Qué utilidad tienen entonces aquellas conceptualizaciones? A partir de un conjunto de entrevistas, proponemos observar cómo las entrevistadas construyen discursivamente el espacio del barrio, un espacio “intermedio” entre el de la ciudad y el de la vivienda. Utilizaremos algunas herramientas propias del Análisis Crítico del Discurso para observar cómo los entrevistados denominan el espacio del barrio, a partir de qué estrategias de referencia, qué procesos se le adjudican al “afuera” y al “adentro”, etc. Por otra parte, analizaremos las distintas maneras de construir el enunciador a lo largo de un mismo relato, que pueden ser pensadas como una vía de comprensión de la hibridez de las identidades de las entrevistadas y su valor relacional. ¿Qué relación puede establecerse entre las identidades que se construyen en los distintos momentos de los relatos y las representaciones del “afuera” y el “adentro”?
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Mulheres em serie VI: A representação da mulher emancipada em séries de televisão.
Ivia Alves (UFBA)

Uma visão tradicional de família cada vez mais atravessa as séries atuais que tentam representar a mulher independente. Ora é a mulher independente, solteira em busca de relações afetivas, ora em busca de conciliação da dupla jornada. Há sempre um descompasso a mostrar. Que mensagens tais seriados estão querendo passar ás telespectadoras? As séries tomadas como exemplo são Sexy and the city(1999), Cashmere mafia, Lipstick jungle, essas últimas iniciadas em 2007. Através de procedimentos da análise do discurso crítica observaremos como está havendo um retrocesso.
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Identidades femininas: a referência genérica
Izabel Magalhães (UnB)

A perspectiva de igualdade de direitos e deveres entre os gêneros nos leva a questionar a referência genérica existente na língua portuguesa, por exemplo, quando professoras, ao falarem de si mesmas, referem-se à profissão de professor. Isso significa, no mínimo, um distanciamento entre si e a atividade profissional. Com base na perspectiva dos estudos de discurso e gênero (CALDAS-COULTHARD, 2007; LAZAR, 2005; SUNDERLAND, 2004, WALSH, 2001), esta comunicação propõe debater as identidades femininas constituídas por discursos de gênero, que podem ser inovadores, conservadores ou mesclados. Adotando a metodologia etnográfico-discursiva, este estudo apresenta o seguinte resultado: a referência genérica em uso na língua portuguesa é um obstáculo à igualdade entre os gêneros, pois traz um pressuposto de naturalização da hegemonia masculina heterossexual. Essa forma de poder é mantida pela ideologia na linguagem verbal e não-verbal, que naturaliza a submissão feminina, injustificável nos dias de hoje.
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O papel da mulher na novela das oito: uma análise acerca das personagens femininas em Duas Caras e das construções identitárias que as perpassam
Leandro Haerter, Rita Perez Germano e Maria de Fátima Santos da Silva (CEFET-RS); (FURG)

Este trabalho tem como questão central analisar as personagens femininas que compõem a trama da novela exibida às vinte e uma horas pela Rede Globo de Televisão, intitulada “Duas Caras”. O interesse pelo tema é oriundo de sabermos o quanto a mídia televisiva influencia e forja papéis e identidades na sociedade contemporânea. Muitas pesquisas acerca desse tema já foram desenvolvidas, apontando para a mudança no próprio cotidiano das famílias em função das horas passadas em frente à televisão. Em maior ou menor grau, todos somos influenciados por ela e por meio de suas imagens projetadas construímos formas de ver e ser no mundo e, conseqüentemente, representações acerca do que é ser homem e do que é ser mulher. É esse último que nos interessa aqui. A novela em questão apresenta uma gama de personagens femininas que dão conta de apresentar os diferentes padrões que são esperados do comportamento das mulheres e seu contrário. Perpassam a trama mulheres tidas como boas e más, engajadas em causas sociais e protótipos de “peruas”, “ingênuas” e “maliciosas”, “feias” e “bonitas”, dedicadas donas de casa e mulheres “da vida”. Elas não estão ali apenas para nos entreter, mas para nos transmitir mensagens e ensinamentos acerca de um “padrão de gênero”, uma construção ideal que deveríamos seguir. Moldam formas de estar no mundo e condicionam muitas posturas que assumimos, pois, ainda que nem sempre tenhamos clareza disso, estão presentes nas roupas adotadas, nos cortes de cabelo e na forma como cotidianamente é conduzida a vida.
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Fique linda: padrões de beleza e racismo fenotípico nas páginas de revistas para adolescentes brasileiras.
Luciane Cristina Eneas Lira (UnB)

Reflexões sobre o caráter normativo-comportamental das revistas femininas não constituem um recente tópico de discussão. Muitos são os estudos que corroboram o caráter persuasivo desse tipo de mídia. Dicas de beleza, moda, comportamento, dentre outros, são elementos que compõem o universo de temas de esfera privada que caracterizam a imprensa feminina. Para Van Dijk (1997), os meios de comunicação constituem poderosos instrumentos de disseminação ideológica, constituindo papel relevante para consolidação de valores e crenças de uma ideologia de uma classe dominante. Assim, a mídia é uma significativa ferramenta para estabelecimento e consolidação de poder, apresentando caráter normativo ou prescritivo de tendências que determinam os comportamentos sociais. Fundamentando-se na Análise de Discurso Crítica, especialmente nos estudos de Fairclough (trad. 2001) e Fairclough (2003), e a partir das considerações de Carvalho (2008) sobre racismo fenotípico e padrões de valor e beleza, este trabalho se interessa pela analise do discurso em revistas destinadas a adolescentes brasileiras, considerando que tais revistas estão localizadas na interface de uma mídia jovem e de uma mídia feminina possuindo traços de ambas simultaneamente. O corpus de análise é formado por quatro diferentes revistas destinadas a adolescentes brasileiras, publicadas no ano de 2007 (ATREVIDA - maio de 2007; CAPRICHO – maio de 2007; SMACK - junho de 2007 e TODATEEN - junho de 2007). Pretende-se observar como o tema da beleza, tão recorrente em revistas femininas, é tratado naquelas revistas e de que forma, tal tratamento corrobora para a disseminação de padrões, concebidos socialmente.
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As representações das Feminilidades e das masculinidades veiculadas pela mídia, nos cartuns intitulados Curvas Perigosas, da revista Cláudia.
Márcia Maria Severo Ferraz e Prof. ª Drª. Vera Lúcia Pires (UFSM)

Nesta pesquisa em que se analisam as representações sociais na linguagem, considerando-se as visões femininas e masculinas, bem como as diferenças de gênero subordinadas aos processos sociais, considera-se que os paradigmas culturais de gênero são referenciais que estruturam toda a vida dos indivíduos, determinando seus discursos e suas condutas. Assim, objetiva-se detectar, especialmente, no gênero discursivo cartum, as ocorrências dos processos de desenvolvimento das estratégias de leitura, referentes aos gêneros feminino e masculino, verificar as suas motivações em relação as suas estratégias discursivas utilizadas, bem como relacionar as produções desses gêneros, relacionando-os aos processos de compreensão dos significados. Contudo, essas desigualdades devem ser banidas da sociedade e buscam-se estabelecer focos de resistência que promovam as diferenças centradas nas identidades de mulheres e homens. Os pressupostos teóricos utilizados associam as teorias culturais de gênero à multimodalidade e à teoria da enunciação de Kerbrat- Orecchioni. Dessa forma, utiliza-se o método de comparação qualitativa dos elementos discursivos, enunciativos e imagéticos a fim de verificar como as representações sobre as feminilidades e as masculinidades são veiculadas pela mídia, nos cartuns intitulados Curvas Perigosas, veiculados na revista Cláudia.
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Fazendo gênero na escola
Maria Cecília de Lima (Faculdade Católica de Uberlândia )

Analisar relações e identidades de gênero no contexto da escola: eis o objetivo de pesquisa por nós realizada. Para alcançarmos esse objetivo, nos valemos da Análise de Discurso Crítica (ADC) na análise de textos empregados em aulas de Língua Portuguesa para desvelarmos ideologias acerca das identidades de gênero, o que pode contribuir para a emancipação dos agentes do contexto escolar. Para a pesquisa, empregamos, além do arcabouço teórico da Análise de Discurso Crítica (Fairclough, 1992, 2003) – teoria e método –, da Lingüística Sistêmico-Funcional (Eggins, 2004), de estudos sobre identidades de gênero (Lazar, 2005; Magalhães, 2003;Walsh, 2001). Nossa pesquisa apresenta como resultados que relações e identidades de gênero, embora contempladas nos PCNs (Brasil, 1987), não são trabalhadas sistematicamente no contexto escolar, o que contribui para a reprodução de relações e identidades, em sua maioria, ainda tradicionais. Esperamos, com esse trabalho, fornecer subsídios para que no ensino haja maior questionamento das relações e das identidades de gênero no contexto da escola.
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Mulheres e a construção da leitura em um evento de letramento: intertextualidade e identidade social
Maria de Lourdes Pinheiro dos Santos (UFRJ)

Este trabalho tem como base a compreensão de que o letramento corresponde a práticas sociais de leitura e escrita e assim, portanto, não ocorre somente na escola, mas dá-se em uma ampla variedade de contextos (Barton 1994). Logo o saber fazer uso da escrita e da leitura fora do contexto escolar não é algo que se aprende somente na escola, mas nas diversas práticas sociais letradas nas quais os sujeitos se engajam. Isso, então, deveria ser considerado no ensino e aprendizagem da escrita e da leitura no contexto de sala de aula. Entretanto, é consenso entre os especialistas que estudam a questão do letramento que o modelo de letramento da escola marginaliza essas práticas (Soares 2000), porque se preocupa em difundir um modelo logocêntrico de leitura o qual sustenta a aquisição de códigos importantes para a escola. Através da pesquisa introspectiva, este trabalho investiga como a construção do significado ocorre em um evento de leitura ao analisar os protocolos verbais em um grupo de três mulheres residentes na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro e oriundas do modelo logocêntrico de leitura, com interesse particular em observar como elas posicionam-se na leitura de textos, se envolvem em práticas intertextuais, e como as leituras que fazem contribuem na (re-)construção de suas identidades de gênero feminino a partir de uma visão socioconstrucionista do discurso e das identidades sociais (Moita Lopes, 1998).
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A construção da imagem de si: o discurso feminino nas cartas de aconselhamento
Maria do Socorro de Almeida Farias e Vera Lúcia Pires (UFSM)

O campo da Ciência da Linguagem permite a comunicação entre diversos campos de saberes, dentre eles a relação entre gênero cultural e discurso. Trabalhos nessa perspectiva têm ocupado lugar expressivo na Lingüística Aplicada, o que pode ser comprovado com os inúmeros estudos e publicações que versam sobre a construção do feminino e do masculino materializada no discurso. O corpus deste trabalho é constituído por cartas de aconselhamento publicadas na coluna “Consultório Sentimental” da revista Veja.com. Selecionamos somente as cartas escritas por mulheres, pois temos como objetivo identificar as marcas lingüísticas presentes nas cartas que contribuem para a construção da imagem dessas mulheres a partir do seu discurso. Para tanto, temos como aporte teórico os estudos que versam sobre gênero, os estudos de Amossy acerca da construção da imagem de si e os estudos de Catherine Kerbrat-Orecchioni.
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Gênero e trabalho na mídia
Maria Lúcia Vannuchi e Maria Madalena Gracioli (UEG); (UEMG)

Este trabalho focaliza aspectos simbólicos da realidade objetiva das relações de gênero no mundo do trabalho a partir de representações sociais e imagens midiáticas. Tais figurações e práticas discursivas têm materialidade, uma vez que imbuídas de sentidos e significações, moldam comportamentos e orientam ações. Como corpus deste estudo, foram selecionadas matérias veiculadas pela Folha de São Paulo que fixam estereótipos geradores de preconceitos e discriminação, produzindo e reproduzindo valores e hábitos consoante formações ideológicas sexistas. Nos textos selecionados a identidade social prioritária do homem aparece enraizada na atuação profissional, ao contrário da mulher que, não raro, aparece qual arrivista social, vivenciando-a, não como atividade criadora e auto-realizadora, mas como um trampolim para ganhar visibilidade como símbolo erótico ou ideal de cônjuge, vinculando, desta forma, sua identidade social prioritária ao espaço doméstico-familiar ou ao universo hedônico do prazer sexual - neste caso, mais como objeto desejado do que como sujeito desejoso. O presente estudo ancora-se nas teorias de gênero - sobretudo nas reflexões de Joan Scott e Daniele Kergoat acerca do processo histórico-social e cultural de construção das identidades de gênero a partir de corpos sexuados, bem como nas elaborações de Bourdieu acerca dos processos de construção das subjetividades de mulheres e de homens no bojo de um sistema androcêntrico.
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A violência na coisificação do corpo
Marly Krüger de Pesce, Márcia Gomes de Oliveira e Lucinda Clarita Boehm (Universidade da Região de Joinville)

Este trabalho focaliza aspectos simbólicos da realidade objetiva das relações de gênero no mundo do trabalho a partir de representações sociais e imagens midiáticas. Tais figurações e práticas discursivas têm materialidade, uma vez que imbuídas de sentidos e significações, moldam comportamentos e orientam ações. Como corpus deste estudo, foram selecionadas matérias veiculadas pela Folha de São Paulo que fixam estereótipos geradores de preconceitos e discriminação, produzindo e reproduzindo valores e hábitos consoante formações ideológicas sexistas. Nos textos selecionados a identidade social prioritária do homem aparece enraizada na atuação profissional, ao contrário da mulher que, não raro, aparece qual arrivista social, vivenciando-a, não como atividade criadora e auto-realizadora, mas como um trampolim para ganhar visibilidade como símbolo erótico ou ideal de cônjuge, vinculando, desta forma, sua identidade social prioritária ao espaço doméstico-familiar ou ao universo hedônico do prazer sexual - neste caso, mais como objeto desejado do que como sujeito desejoso. O presente estudo ancora-se nas teorias de gênero - sobretudo nas reflexões de Joan Scott e Daniele Kergoat acerca do processo histórico-social e cultural de construção das identidades de gênero a partir de corpos sexuados, bem como nas elaborações de Bourdieu acerca dos processos de construção das subjetividades de mulheres e de homens no bojo de um sistema androcêntrico.
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Mujer, tortura y genocidio: tramas de inteligibilidad que sustentan los discursos sobre la participación femenina en actos de violencia extrema.
Pablo Costantini (Universidad Nacional de Luján)

El discurso hegemónico ha construido tradicionalmente la figura de la mujer vinculándola a la debilidad y la indefensión; en situaciones de violencia está destinada al papel de víctima, del que solo la protección masculina puede rescatarla. La mujer que perpetra ilegítimamente actos violentos comete, entonces, una doble transgresión: viola las normas morales que prohíben el ejercicio injustificado de la violencia y, al mismo tiempo, atenta contra el rol que la ideología dominante le asigna. Ahora bien, ¿a qué operaciones discursivas apelan las narraciones de tales actos para preservar las imágenes estereotipadas de “lo femenino” que contribuyen a configurar un universo pretendidamente normal?
En el presente trabajo abordaremos tres casos: el de las auxiliares femeninas de la SS que sirvieron en campos de concentración y exterminio nazis, el de las mujeres ruandesas que participaron en el genocidio de 1994 y el de las policías militares norteamericanas que en 2003 torturaron detenidos en la prisión iraquí de Abu Ghraib. Procuraremos mostrar que distintos discursos construyen el retrato de estas mujeres utilizando alternativa o simultáneamente dos procedimientos: representarlas como personas extraordinariamente perversas,  más malvadas aún que sus pares masculinos, y asociarlas a conductas sexuales desenfrenadas y/o “desviadas”.
Pulsiones homicidas y pulsiones sexuales incontenibles dibujan figuras monstruosas, decididamente ajenas a la humanidad normal, pero a la vez proponen un retorno, en versión aberrante,  al viejo estereotipo de mujer irracional, incapaz de dominar sus impulsos y emociones.
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Por uma figura institucional feminina contemporânea a partir da análise histórica de Michelle Perrot.
Paulo Milhomens (UFRN)

O presente artigo visa colaborar com o debate para uma melhor representatividade do gênero feminino nos espaços de poder jurídico-institucional, cultural e político no campo discursivo do ocidente, utilizando como realidade e escopo maior, a realidade brasileira. Para tanto, na composição sociológica do referido texto, temos por base a análise teórica da historiadora francesa Michelle Perrot, uma das percussoras da História das Mulheres nas ciências contemporâneas.
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Representações femininas na Publicidade do Dia Internacional da Mulher em 2008
Sérgio Luiz Gadini (UEPG)

Quais as representações que a publicidade brasileira apresentou da mulher no Dia 8 de Março – data que simboliza as lutas feministas em todo o mundo, instituída pela ONU em 1975 – em 2008? Em meio às comemorações e debates em torno da defesa da condição de igualdade humana e dos direitos sociais, bem como das lutas e reivindicações das mulheres em campos como o mercado de trabalho, os direitos sexuais e reprodutivos, a violência contra as mulheres, a participação política, entre diversos outros, a indústria e o comércio farmacêutico também apresentaram, ao consumo, imagens da mulher associadas aos produtos, serviços e ações ofertadas por ocasião do dia 8 de março. O presente estudo apresenta, a partir de peças publicitárias veiculadas por algumas redes de farmácia dos estados do Paraná e de Santa Catarina, os apelos de consumo vinculados às representações femininas veiculados em homenagem ao Dia Internacional da Mulher em 2008. Informação, serviço, promessa de beleza e obtenção de um padrão estético visual, satisfação humana e, enfim, as mais diversas formas de consumo que poderiam melhor atender supostas demandas da mulher contemporânea, produzem nos anúncios a representação de uma mulher ‘ideal’. Esta é a lógica, predominante, que pode ser identificada nas produções publicitárias veiculadas por diversas farmácias comerciais, que marcaram a referida data. A presente análise considera as estratégias de apelo da produção (representação) midiática, bem como algumas características próprias do discurso publicitário.
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Enfrentamento à Violência Doméstica: um trabalho em Construção
Simone Francisca de Oliveira (UFMG)

Pretendo neste trabalho relatar a experiência realizada por mim de atendimento em grupo no setor de psicologia do Espaço Bem-Me-Quero que tem como objetivo oferecer atendimento a mulheres em situação de violência doméstica da cidade de Contagem. Este trabalho é o pano de fundo para minha pesquisa de mestrado intitulada Demanda social e o fim do ciclo de violência de Gênero: um estudo de caso no Espaço Bem-Me-Quero, orientada pelos professores Adriano Nascimento e Sandra Azeredo da Universidade Federal de Minas Gerais.
Em meus atendimentos grupais constatei como corrente no discurso das mulheres um tom de queixa com o lugar de vítima sendo constantemente adotado em contraposição a um posicionamento de agente.Percebi também que as mulheres ao conhecerem a Lei Maria da Penha reconhecerem as violências sofridas com o descrito e começaram a se apropriar deste arsenal jurídico em seu benefício colocando-se como agentes.
A alternativa de atendimento em grupos operativos foi escolhida por possibilitar às mulheres partilhar suas experiências, criando condições de terem uma visão do contexto global da violência de gênero, alargando assim sua consciência e possibilitando a formulação de uma demanda social e a apropriação do instrumental do arsenal jurídico e institucional na luta contra a violência de gênero.
Buscarei demonstrar em meu trabalho de mestrado como o atendiemtno em grupo possibilita aa mulheres construírem soluções viáveis para o ciclo de violência de gênero em suas vidas e o impacto da apropriação da Lei Maria da Penha no discurso destas mulheres.
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Gênero e identidade docente no Ensino Especial.
Sinara Bertholdo de Andrade (UnB), Maria Izabel Magalhães

O trabalho tem como objetivo investigar as identidades de gênero nas práticas de letramento e nos discursos docentes do Ensino Especial. A pesquisa encontra-se em andamento, mas será finalizada no mês de junho. Os locais observados foram escolas públicas e filantrópicas do Distrito Federal. Para geração dos dados, foram realizadas entrevistadas e registros de observações em notas de campo. O corpus é formado pelas transcrições das entrevistas realizadas com 4 (quatro) professoras/es. A abordagem teórico-metodológica utilizada é Análise de Discurso Crítica, principalmente, na abordagem de Fairclough (1992, 2003), combinada aos estudos da Teoria Social do Letramento e Gênero Social. Como resultados, foram identificadas as identidades de gênero tradicional, de mudança, de liberação, sendo que ainda não é o resultado final. De modo geral há pouca reflexão sobre a identidade de gênero de docentes pelas/os docentes.
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Representações visuais de gênero no jornal impresso
Susana Bornéo Funck (Universidade Católica de Pelotas)

Em trabalho anterior, que analisava a representação da mulher no Jornal de Domingo, pude perceber uma certa recorrência estrutural na representação visual de homens e mulheres que apareciam juntos, em fotografias ilustrativas de notícias de interesse geral. Na presente investigação, buscarei verificar se há realmente um padrão implícito na representação de pares (ou grupos mistos) no que concerne às relações dos indivíduos representados entre si e à relação entre as fotografias e o/a leitor/a. Embora eu não trabalhe de maneira formal com a Gramática Sistêmico Funcional, procurarei utilizar algumas das categorias propostas por Kress & van Leeuwen (1996). Meu corpus será retirado da seção “Geral” de um conjunto de exemplares do Diário Catarinense (RBS Florianópolis) coletados durante o ano de 2007.
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El árbol del moral en el discurso femenino del diario La capital, durante los años 40 en Mar del Plata.
Susana Graciela Delgado (Universidad Nacional de Mar del Plata)

En este trabajo pretendemos analizar el discurso que propone Sara Lerhmann, redactora de la columna ¨De mujer a mujer¨ en el diario La Capital de Mar del Plata, Argentina, durante la década del 40, en cuyos consejos a la mujer reconocemos prácticas discursivas que reafirman el círculo vicioso que impide romper ¨la danza alrededor del moral, del envenenado árbol de intelectual putiferio¨, al decir de Virginia Wolf en Tres Guineas, de 1938, donde la escritora inglesa analiza la discriminación de la que es víctima la mujer y reivindica su derecho a recibir igual educación que el hombre, y a tener las mismas oportunidades profesionales.
La periodista marplatense reafirma en su columna aspectos ligados al rol de la mujer. ,Sus consejos giran en torno a la necesidad de proteger la moralidad femenina, a través de la virginidad, de la importancia de no abandonar el hogar, de las virtudes de una buena madre, de conseguir un buen esposo y no ir tras imposibles. Entre estas cuestiones, también aborda la referida al voto femenino, donde propone dad al Cesar lo que es del César, en alusión a la incapacidad de muchas argentinas de votar, ya que servirían para intermedios peligrosos de algunos hombres.
Entendemos que esta columna es un claro ejemplo de un tópico que refuerza el círculo del moral, donde la autora reproduce culturalmente la factura de su formación, que le impide correr el velo entre cultura y libertad intelectual.
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Violência de Gênero: Discurso e Identidade
Tatiana Rosa Nogueira Dias (UnB)

A questão do gênero ganhou destaque após os movimentos feministas que apontam para desigualdades referentes a figuras femininas e figuras masculinas. A questão de divisão de gêneros gerou certos comportamentos sociais que foram questionados. A Análise de Discurso busca evidenciar e questionar lingüisticamente problemas sociais. A presente pesquisa aponta relatos de mulheres submetidas à violência doméstica, utilizando como arcabouço para análise a ADC que aponta para uma prática social de violência que ocorre em ambiente doméstico. Buscar por pesquisas que visem este tipo de abordagem pode favorecer uma eqüidade social, pois houve mudanças que atentaram para o fato da diferença, mas ainda existem e, em muitos casos, passam-se despercebidas, ações que contribuem para uma visão da figura feminina submissa impedindo-a de obter acesso social.
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A enunciação das subjetividades de gênero na mídia publicitária
Vera Lúcia Pires (UFSM)

Falar em cultura contemporânea é de certa forma falar na mídia, haja vista sua importância, desde meados do século XX, na produção e circulação de discursos sobre os modos de ser e da subjetividade humana. Devido à sua presença maciça na vida das pessoas, a mídia configura-se como um lugar decisivo na construção de identidades, entre elas, as de gênero. A comunicação publicitária, como objeto simbólico de representação, segue as tendências sociais mais relevantes do momento. Se, por um lado, preserva o que já é bem conhecido, pela força da tradição, por outro, pela força da expansão, sugere aos consumidores a aquisição de novos produtos muito mais modernos. Como conseqüência, a mídia publicitária reflete o pensamento do senso comum, ou seja, os valores associados a mulheres e homens são aqueles tradicionalmente instituídos: emoção, subjetividade, passividade, magia e mistério formatam o feminino; ao masculino é tributada razão, força, objetividade, ciência, entre outros. Ou seja, mais que reproduzir dados do mundo real, a mídia representa-o por meio de interpretações da realidade, sustentando, entre outros aspectos, preconceitos e relações de poder, bem como suas contestações. Para se compreender as relações sociais de gênero nas representações e práticas femininas e masculinas, é necessário comparar como as pessoas enunciam e definem certas práticas sociais. Nesse sentido, objetiva-se, neste trabalho, verificar, através da análise da linguagem, como as representações discursivas e imagéticas sobre as feminilidades e as masculinidades são veiculadas pela mídia publicitária, na qual se verificam as representações sociais nas linguagens (verbal e não-verbal) e consideram-se as diferenças de gênero subordinadas aos processos sociais.
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