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Coordenação:
Profa Dra Ana Lúcia Goulart de Faria
Docente da FE-Unicamp. Coordenadora do grupo de estudo e pesquisa em educação infantil filiado ao GEPEDISC (Grupo de estudos e pesquisas em educação e diferenciação  sócio cultural)  

Profa Dra Márcia Aparecida Gobbi
Professora doutora da Universidade Bandeirante de São Paulo nas disciplinas de fundamentos da educação infantil e projetos e gestão da Educ. Infantil

Peterson Rigato da Silva
Pedagogo, integrante do Grupo de Educação Infantil do GEPEDISC (Grupo de estudos e pesquisa em educação e diferenciação sócio cultural) da FE-Unicamp. Docente na Educação Infantil no Município de Piracicaba –SP

A Educação Infantil, primeira etapa da Educação Básica, marca a  primeira experiência discente, quando as crianças terão oportunidade  para conviver num grupo social mais amplo, numa instituição com  características diferentes das do meio familiar e da escola  obrigatória. As relações entre as crianças na Educação Infantil  apresentam-se como uma das formas de introdução de meninos e meninas na vida social, considerando que estarão em contato com crianças oriundas de classes sociais, religiões, etnias, valores,  comportamentos diversos interagindo e participando nas construções  sociais, para além das formas de pensamentos binários.
Este Simpósio pretende proporcionar um espaço de reflexão sobre as  questões de gênero e educação infantil, relativas às pesquisas em creches e pré-escolas, sobre temáticas cotidianas  oriundas da especificidade da educação das crianças pequenas, de 0 a 6  anos, na esfera pública fora da esfera privada da família numa  perspectiva não escolarizante. Contribuindo para a discussão dos  resultados das pesquisas que permitam enxergar a criança como produtora de cultura, portadora de história, capaz de múltiplas  relações, sujeito de direitos.
Pretende-se organizar o debate em torno dos eixos: Relações  de gênero na formação docente da pequena infância; Relações de gênero  e produção das culturas infantis em creches e pré-escolas; Gênero nas práticas educativas,  relações e interações entre adultos, entre adultos e crianças e entre as crianças; e Arte, relações de gênero e diferentes linguagens na educação da primeira infância.
Aprofundando os conhecimentos sobre a Pedagogia da  Educação Infantil a partir das relações de gênero, este simpósio é um  convite para refletir sobre a construção de uma “pedagogia da escuta”,  uma “pedagogia das relações”, uma “pedagogia da diferença”, para  garantir a ausência de modelos rígidos preparatórios para a fase seguinte e, avançar para além do cognitivismo característico das  pedagogias, para a construção de todas as dimensões humanas e de uma outra sociedade.

Questões de gênero na pequena infância institucionalizada: um estudo em práticas de Educação Física
Ana Cristina Richter, Carmen Lucia Nunes Vieira, Gisele Carreirão Gonçalves e Patrícia Luiza Brener Boaventura (UFSC)

O trabalho apresenta parte dos resultados de uma pesquisa cujo objetivo foi o registro e a análise de práticas pedagógicas de Educação Física na educação da pequena infância. A investigação aconteceu em três instituições públicas de um município do sul do Brasil, contando com extenso conjunto de observações, análise de relatórios organizados pelas professoras de Educação Física, entrevistas com estas e outros atores institucionais. Considerou também as diretrizes do município e os PPPs institucionais. As aulas de Educação Física encontram nos espaços pesquisados contornos que intentam romper com modelos escolarizantes na Educação Infantil. Procura-se, entre outros aspectos, privilegiar uma crítica às engessadas relações de gênero, mas não se incorpora, no entanto, aportes metodológicos que problematizem mais vigorosamente a fluidez das relações entre meninos e meninas. Na prática pedagógica cotidiana se mantém o modelo patriarcal em pelo menos em três registros: 1) Na ambigüidade das ações das professoras que procuram incentivar o livre uso de artefatos socialmente destinados a meninas ou meninos, ao mesmo tempo em que reforçam distinções nas atividades, na organização dos espaços, nas exigências e diferenciações relacionadas aos cuidados destinados aos pequenos; 2) nos brinquedos, brincadeiras, cores e outros utensílios materiais e simbólicos eleitos por meninos e meninas ao longo das rotinas; 3) nas falas das crianças, frequentemente entremeadas por reforços dos preconceitos e na reafirmação dos lugares sociais “claros” e “distintos” de meninos e meninas, ao mimetizarem assertivas de pais, mães e ou outras figuras adultas, mas, também e não raro, de veículos da indústria cultural.
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O Eu, o Outro/a Outra e o Mundo - As versões do feminino e do masculino através da Arte
Andréa Senra Coutinho e Nelson Vieira da Fonseca Faria (UFJF)

As práticas e condutas em sala de aula regidas por uma série de equívocos e distorções referentes ao gênero, vêm legitimando e naturalizando a hegemonia do discurso masculino. Desta forma, torna-se necessário pensar em intervenções que desestabilizem os padrões que privilegiam o ponto de vista masculino em detrimento ao feminino. O Projeto supracitado, em andamento nos 6ºs anos do Colégio de Aplicação João XXIII, da Universidade Federal de Juiz de Fora - Minas Gerais, pretende oferecer ao alunado discussões no campo das linguagens artísticas, com especial atenção às questões de gênero. Discutir estereótipos e clichês de masculinidade e feminilidade nas Artes Cênicas, analisar representações do feminino nas Artes Plásticas, assim como o lugar ocupado por artistas mulheres no campo das artes e no social são algumas estratégias utilizadas para despertar alunos e alunas para as diferenças, igualdades e diversidades entre homens e mulheres.
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Centro de Desenvolvimento Infantil - CDI: um olhar sob essa experiência, da década de 70, na periferia de Florianópolis
Clarice Bianchezzi (UFSC)

No ano de 1975 é vivenciado na capital do estado de Santa Catarina, um modelo de educação infantil na periferia da cidade, protagonizada por um grupo de mulheres religiosas (freiras) ligadas a Igreja católica. Ao estudarmos essa experiência, através de várias narrativas, estamos tendo contato com uma prática social-religiosa dentro das características do chamado movimento/linha da Igreja progressista, marcadamente presente na América Latina e no Brasil após os anos 60. Buscamos identificar como foi elaborado esse primeiro projeto e sua efetiva aplicação no Morro da Caieira do Saco dos Limões, além de alguns dos principais impedimentos a esse trabalho: algumas lideranças da linha não-progressista da Igreja católica que questionaram e eram contrárias a essa prática; ao desenvolver um projeto de atendimento a crianças pobres – populações pobres – despertou-se desconfiança e questionamentos sobre as reais intenções políticas dessa experiência. Desconfianças que perpassavam parte da sociedade civil e política da capital catarinense, por essas freiras serem oriundas da Congregação religiosa proprietária de um dos principais Colégios, de renome na cidade, por educar as filhas e filhos da elite da capital, no período. Esse estudo aponta elementos para uma discussão sobre disciplina, relações de poder e resistência presente na instituição católica, através dos apontamentos teóricos de Michel Foucault. Bem como, da organização social que se forma, no torno dessa creche, na comunidade de periferia estudada.
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Gênero no trabalho pedagógico da educação infantil
Cláudia Denis Alves da Paz (UnB)

Este artigo apresenta de um estudo realizado com o objetivo de analisar as relações de gênero no trabalho pedagógico na escola de Educação Infantil. Para atingir o objetivo e colhermos os dados, utilizamos abordagem de investigação qualitativa, na perspectiva etnográfica, o que possibilitou-nos a interação com os sujeitos em seu cotidiano de forma natural, sem que nossa presença interferisse em suas rotinas. Os dados foram levantados por meio de observação participante, notas de campo e grupo de discussão. A discussão teórica ocorreu perspassada de cenas cotidianas que possibilitaram reflexão e análise à luz da categoria gênero. O estudo focou o trabalho pedagógico com dois significados: o trabalho realizado por toda a escola e a interação da professora com as crianças. O trabalho pedagógico na escola apresentou elementos explícitos e implícitos sobre a maneira como as professoras e pessoal da direção vivenciam práticas de gênero que, na maioria das vezes, reproduziram identidades fixas, bem como as interações entre professoras e crianças nos diferentes espaços da escola. Esse estudo nos revelou que as profissionais da educação desconsideram a influência de suas práticas na construção das identidades de gênero das crianças; que as crianças, na escola, são expostas a modelos de identidades fixas de masculinidade e feminilidade; que meninas e meninos recebem tratamento diferenciado por parte das professoras, baseado em comportamento adequado para cada sexo. A articulação entre gênero, a educação infantil e o trabalho pedagógico ainda representam um desafio a ser superado.
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As manifestações de gênero na história da infância
Cláudia Moraes e Silva Pereira (UFPR)

As mulheres, em diferentes momentos da história, foram consideradas subordinadas ao homem, sendo valorizadas pelo modelo de feminilidade. O homem acaba apropriando-se de seu status superior e a oprime principalmente no âmbito familiar, a qual é responsável pelo cuidado do lar e dar condições básicas para o chefe da família trabalhar. Nesse contexto, surgiu-nos a possibilidade de relacionar a discussão de gênero com a história da infância e buscar nesta manifestações de separação entre os gêneros. Além disso, levantar e questionar diferenças existentes, por exemplo, quando um menino que joga futebol e impede a menina jogar porque futebol é brincadeira de menino. Ou quando para a menina, de presentes de natal, são entregues bonecas, panelinhas, dentre outros brinquedos que são identificados como brinquedos femininos pela sociedade. Para isso, buscamos na história da infância manifestações da formação sexista, pois acreditamos que pelo desenvolvimento histórico, podemos responder a algumas questões que nos instigam e nos preocupam nos dias atuais. Utilizamos a pesquisa qualitativa, baseada em Minayo (2004). A pesquisa aponta para a formação da criança determinada pelos valores construídos pelos adultos, e estes são impostos à criança sendo, historicamente, considerada “adulto em miniatura”, e hoje, “meros aprendizes”. Nesse sentido, o que o estudo nos deixa claro é que a construção pelos adultos dos valores sociais sexistas, historicamente, interferiram e interferem diretamente na formação das crianças, pois só serão consideradas sujeitos sociais que podem opinar, sugerir e criticar, quando puderem cumprir os papéis pré-destinados pelos pais, professores, e demais adultos da sociedade.
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Socialização de gênero na educação infantil
Daniela Finco (USP)

Este trabalho discute as interações sociais que as crianças estabelecem com outras crianças e com os adultos e a (re) significação das suas experiências sociais de gênero no ambiente coletivo da pré-escola. Analisa as práticas educativas frente àquelas/es meninas/os que contrariam as expectativas dos adultos e fogem dos padrões considerados “adequados para cada sexo”. Busca compreender a instituição de Educação Infantil no seu fazer cotidiano, onde meninas e meninas não são apenas agentes passivos diante do processo educativo. Ao contrário, trata-se de uma complexa relação de trocas, conflitos e negociações. Destaca a capacidade das crianças estabelecerem relações sociais múltiplas e diversas, no confronto e na construção de diferentes experiências com todos os atores sociais presentes no contexto educativo. Os procedimentos metodológicos baseiam-se numa pesquisa etnográfica no ambiente coletivo de esfera pública de uma pré-escola no município de São Paulo e em entrevistas com as professoras e a equipe gestora. Apresenta como referência o campo de estudos da Sociologia da Infância, que deseja romper com as abordagens clássicas da socialização e centram suas pesquisas sobre as crianças como atores sociais. Seu objetivo é estudar as crianças não como objetos da socialização dos adultos, mas como sujeitos do processo de socialização. O presente trabalho visa contribuir trazendo reflexões sobre como esse espaço coletivo de convívio entre meninas e meninos, e entre adultos e crianças podem dar origem a uma pedagogia das diferenças, uma pedagogia das relações na qual a criança é a protagonista.
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O livro na produção cultural voltada à criança
Danusia Apparecida Silva (UNIPLAC)

da modernidade, e a menor tentativa de crítica assume postura de heresia ou atentado aos novos paradigmas impostos pelo consumismo que vem tendo a acolhida dos pais, da escola e da sociedade. À infância que também é uma invenção moderna como bem mostra Philippe Ariès em seu livro História social da família e da criança (LCT), é concedida uma idéia de felicidade calcada quase exclusivamente na posse de bens materiais, ordem estabelecida pelo mercado do lucro. O consumo globalizado impõe-lhe o papel de protagonista de glamourosos anúncios de produtos descompromissados com a emancipação da criança como sujeito. Nessa ótica a ordem social aponta outros rumos para ser feliz: roupas de adultos, fantasias de artistas da TV, uso precoce de cosméticos, liberdade elástica nos costumes e ações. Tal comportamento decorre, sobretudo, da participação igualitária da mulher-mãe nos ofícios que constituem os valores sociais hodiernos. Todavia não se ignora que a incorporação da mulher à massa industrial faz-se imperativa para garantir a sobrevivência, bem como a participação na renda familiar. A par desses aspectos há que atender aos apelos comerciais que incessantemente configuram a felicidade no tênis e na botinha último lançamento ou no celular cada dia mais completo. Assim os artefatos pós-modernos oferecem uma realidade fugaz e os valores tradicionais são repudiados com a chancela de anacrônicos e inúteis. Esse olhar remete à reflexão necessária sobre produtos culturais endereçados à infância desde brinquedos eletrônicos, programação televisiva e literatura.
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As produções científicas sobre Educação Infantil no Brasil: um universo predominantemente feminino mesclado de algumas produções masculinas críticas e sensibilizadoras
Franciele Clara Peloso e Ercília Maria Angeli Teixeira de Paula (UEPG)

As produções científicas na área da Educação Infantil têm se caracterizado predominantemente por reflexões provenientes das mulheres. Ao longo da história brasileira, alguns pesquisadores se destacaram com trabalhos voltados para as questões da infância como: Florestan Fernandes, Mário de Andrade, Moysés Kuhlmann Jr, Gabriel Junqueira, Marcos Freitas, dentre outros. Este trabalho analisou artigos sobre Educação Infantil, produzidos a partir da década de 90 até o presente momento. O que se verificou é que a maioria das produções científicas é realizada por mulheres, porém já é possível afirmar que essa realidade começa a mudar e que pesquisadores do gênero masculino estão começando a se inserir nesta modalidade de pesquisa. Assim, o objetivo desse trabalho é discutir as produções científicas sobre a Educação Infantil em aspectos relacionados à aproximação e/ou divergências de interesses e concepções decorrentes do gênero feminino e masculino. A metodologia utilizada baseia-se numa pesquisa bibliográfica de cunho quantiqualitativo. A coleta de dados desenvolveu-se através de revisão de literatura. A partir da análise de artigos publicados, em eventos e periódicos nacionais, conclui-se que as formações dos pesquisadores da infância do gênero masculino estão relacionadas a diferentes áreas como: Filosofia, Sociologia, História, Antropologia e Pedagogia. A psicologia está presente, mas em menor número. Também foi possível observar aproximações relacionadas às concepções de infância e de criança entre os gêneros, todavia, algumas características da escrita dos pesquisadores possuem especificidades quanto às descrições do universo da infância, as expressões críticas e sensibilizadoras utilizadas.
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Infância e poder: marcas das relações de gênero na escola
Gabriela Silveira Meireles (UFJF)

Considerando os avanços relativos aos estudos da infância na contemporaneidade e o surgimento de novos campos teóricos, procuro analisar neste trabalho os mecanismos de poder em jogo na construção das relações de gênero pelas crianças. Para isto, foi realizada uma pesquisa de mestrado em uma escola pública na cidade de Juiz de Fora/MG, em uma turma de Educação Infantil, com crianças de 4 e 5 anos de idade. O principal objetivo foi compreender o que as relações de poder entre as crianças poderiam nos revelar a respeito das configurações que a infância pode assumir a partir das práticas discursivas e não discursivas produzidas no contexto escolar. Percebendo que as relações de gênero são fundamentais nos processos de subjetivação infantis, pretendo mostrar como vão sendo construídas as noções do que é ser menino e menina na escola. Proponho-me a fazer uma análise do discurso à moda foucaultiana, a partir da leitura de obras de Michel Foucault e de outros autores que adotam esta perspectiva. Para tanto, elaboro as seguintes questões: Que infâncias estão sendo produzidas atualmente na escola? Que saberes foram construídos sobre elas e que relações de poder as estão constituindo? Quando e por meio de quais mecanismos estas subjetividades estão sendo instauradas? Que “verdades” têm sido produzidas sobre as crianças, seus corpos e gêneros? Foram problematizações como estas que me conduziram neste estudo e permitiram-me perceber as infâncias e as relações de gênero como sendo produzidas nas relações entre os sujeitos.
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Gênero e lúdico: um estudo com crianças na educação infantil
Gisele Maria Costa Souza (UFRRJ)

Neste trabalho utilizou-se dados coletados na pesquisa de SOUZA (2006) com o instrumento Percepção do Gênero em Atividades Externas e Internas no contexto escolar – PGAEI. Tanto o ambiente interno como o espaço de recreio das escolas diferem muito uns dos outros não só no arranjo dos espaços, como também no tipo de material. As atividades têm relação direta com o desenvolvimento global da criança, pois favorecem: os processos de socialização, a formação de grupos de amizade, desenvolvem o estado emocional, estimulam a desempenhar determinadas tarefas, a conviver com as diferenças e a aceitar desafios. Além dessa questão, encontram-se metodologias da escola tradicional que não aparecem em estado puro. No entanto, professores e professoras criam fusões, com elementos extraídos de diversos métodos, ou da própria experiência. O recolhimento de dados foi realizado na própria escola, em local onde permaneciam apenas a autora e a criança, no total foram entrevistadas 185 crianças entre 5 a 7 anos. A partir de 5 anos de idade, as crianças são capazes de apontar o (a) melhor amigo (a) e, ainda, justificar o motivo como jogos preferidos e atividades comuns. Nesse contexto, observou-se que já nos primeiros anos de vida, a criança desenvolve características associadas ao gênero e ao envolvimento de crianças do mesmo sexo, sendo esse envolvimento progressivo dos níveis intrapessoal para o interpessoal, entre duplas e alguns grupos.
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Percepções de professoras de ciências sobre gênero e sexualidade e suas implicações no ensino de ciências e nas práticas de educação sexual
Izaura Santiago da Cruz (UFBA)

Há algum tempo a comunidade escolar vem delegando às professoras e professores de Ciências a responsabilidade pelas práticas de Educação Sexual na escola. Embora os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998) deixem claro que a essas atividades podem ser desenvolvidas como um tema transversal por professores de quaisquer disciplinas, ainda se atribui aos professores/as de Ciências a tarefa de discutir e muitas vezes “resolver” quaisquer situações envolvendo as diversas manifestações da sexualidade na escola; as professoras de outras disciplinas podem até realizar algum trabalho nessa área, se assim o quiserem, mas os professores/as de Ciências normalmente são colocados como responsáveis diretos por estes trabalhos. Pensando sobre estas questões, resolvemos investigar as percepções de docente de Ciências sobre estes temas (gênero, sexualidade e ensino de ciências) buscando estabelecer possíveis diálogos entre essas visões ou percepções e as práticas de Educação Sexual desenvolvidas no ambiente escolar. Para pensar as questões pertinentes à sexualidade, escolhemos trabalhar com dois autores que servirão como referência epistemológica principal: Michel Foucault, com contribuições acerca da construção histórica e social da sexualidade; Sigmund Freud, por trazer os aspectos ligados a sexualidade e comportamento a partir da análise do aparelho psíquico, e também por ter uma forte influência nas concepções atuais de sexualidade, principalmente entre as/os educadores. A perspectiva de análise, tanto desses autores como dos dados, será a partir de um recorte de gênero, tendo como suporte teórico especialmente os trabalhos que discutem a naturalização das diferenças entre os sexos e a subordinação feminina nas relações de gênero.
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Relação de gênero nas escolas: um estudo sobre as intervenções nas aulas de educação física no centro de ensino fundamental da vila planalto – DF
Jaciara Oliveira Leite e Juliana Oliveira Freire (UnB)

A escola é um dos primeiros lugares em que a criança se depara com as diferenças, inclusive as de gênero. Meninos e meninas disputam/dividem espaços, reproduzem/superam valores, entram em conflitos. Isso é facilmente percebido nas aulas de educação física na educação infantil, sobretudo nos jogos e brincadeiras, onde os corpos expressam suas preferências e valores culturais. Por conta disso, pode haver uma separação de gênero e, neste sentido, o professor tem papel fundamental na mediação dos conflitos procurando estabelecer relações de respeito e não-discriminatórias. Esta pesquisa analisou a relação de gênero nas aulas de educação física de alunos e alunas do segundo e terceiro jardim do Centro de Ensino Fundamental da Vila Planalto – DF. A pesquisa fez parte das atividades do Projeto de Extensão “Cultura Corporal e Educação Ambiental nas Escolas Públicas do DF” (Rede Cedes/FEF/UnB) e do PIBIC/UnB - CNPq, teve abordagem qualitativa através de observação participante dos alunos em sala de aula; aulas de educação física; relatórios de intervenção; conversa com as professoras das turmas. O estudo apontou que as atitudes diversas de acordo com o gênero tinham relação com a cultura da comunidade em que está inserida à escola, condição sócio-econômica dos estudantes, comportamento das professoras e, a influência da mídia. Foi percebido também que, no terceiro jardim, meninos e meninas se separam mais, e divergem mais de interesse quanto às atividades, isto pode demonstrar que a partir desta faixa etária os valores culturais e midiáticos de determinadas práticas consideradas “femininas” ou “masculinas” tenham maior influência.
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Canções infantis: lazer e pedagogia heteronormativa na Educação Infantil
Joice Oliveira Pacheco (UNISINOS)

O presente trabalho propôs-se a analisar de que maneira algumas canções infantis utilizadas pelas(os) professoras(es) da Educação Infantil interferem no processo de construção das identidades sexuais e de gênero das crianças que freqüentam esta modalidade de ensino. Partimos da proposição de que algumas canções cantadas nas turmas de educação infantil possuem conteúdo heteronormativo, e através delas (e de outros tantos dispositivos) a escola, mediada pela(o) professora(or), condiciona as identidades de gênero e sexuais possibilitando a produção da alteridade e mesmo, da homofobia no ambiente escolar. A pesquisa foi realizada a partir da observação de três turmas de Educação Infantil (com crianças de 4 a 6 anos) do município de Taquari/RS, de entrevista semi-estruturada com as professoras dessas turmas e da análise das letras de algumas canções infantis utilizadas nas aulas. O estudo, que é resultado de um trabalho de conclusão de disciplina, considera a canção na perspectiva dos Estudos Culturais, ou seja, enquanto um artefato cultural, e as identidades sexuais e de gênero na perspectiva dos Estudos Feministas.
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Identidade de sexo e gênero: a construção das assimetrias na educação infantil
Josenildo Soares Bezerra (UFPB)

As identidades de sexo e gênero na infância é algo pouco discutido e pensado por acreditar estarem ausentes no cotidiano da educação infantil, portanto desnecessária nas práticas docentes, e que na infância isto é uma análise indiscutível. Sabemos que a escola é a segunda instituição onde a criança passa mais tempo e que a sociedade dá muita credibilidade. É na escola onde parte da educação e instruções intelectuais se configuram como campo do saber, e é lá também que as construções, a naturalização e fixação de papéis de gênero e do sexismo aparecem com grande intensidade sem serem percebidas como nocivas. A comunidade docente crer que silenciando as discussões e os interesses acerca da sexualidade, sexo e gênero, estes não serão vistos, percebidos e ficarão fora do âmbito escolar. È diante deste silêncio que tais questões fervilham e afloram. Pensar um escola assexuada, é pensá-la sem indivíduos, sem vida. Trabalhar os temas da sexualidade e do gênero é uma emergência. Desestabilizar as certezas outrora fixadas é nosso dever se quisermos formar cidadãos conscientes de seu papel na sociedade, é uma forma de diminuirmos as assimetrias e reconstruir novos paradigmas para futuros adolescentes mais conscientes de seu corpo, de sua sexualidade, do conhecimento do outro. Corporificar tais conhecimentos requer aprofundamentos teóricos e práticos, estudos, leituras para transformar o teórico em teórico-prático. Questionar os papéis de gênero, é agora, uma questão de ordem. Tais estudos são supra importantes para termos uma instituição educativa mais aberta e menos seletiva no que se refere às diversidades de pensamentos.
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Dispositivo de gênero no discurso de professoras(es) do ensino fundamental
Juliana Helena Faria, Eliana Nunes Chiaradia, Fátima Alves de Araújo Mendes da Rocha e Wilian Siqueira Peres (UNESP-ASSIS)

O presente trabalho se propõe a problematizar os processos de construção das desigualdades nas relações sociais, na perspectiva de ser homem e de ser mulher, na contemporaneidade a partir dos discursos de professoras/es do Ensino Fundamental da rede municipal de uma cidade da região centro-oeste do interior do Estado de São Paulo. Procuramos obter dos sujeitos da pesquisa enunciados sobre suas perspectivas de gêneros, indagando-os sobre “o que é ser homem e ser mulher”; “o que é masculinidade e feminilidade”; “o que pode o homem e o que pode a mulher” na contemporaneidade; “se existem diferenças de tratamento para homem e para mulher na família”; “se existem espaços específicos para circulação de homem e mulher”; e “se percebe tratamento diferenciado para meninos e meninas na escola”. Nosso objetivo foi analisar os enunciados e identificar os dispositivos de gêneros característicos desse lugar que atravessam a “verdade” que permeiam os discursos dessas/es professoras/es e que fazem parte da construção de suas subjetividades. A relevância deste estudo se pauta na importância de se manter em discussão os dispositivos de construção do conceito de gêneros no processo de ensino/aprendizagem tendo em vista que o ambiente escolar contribui significativamente na reprodução de estereótipos de gêneros. Foi possível perceber a partir de nossas analises que as/os professoras/es, realmente apresentam dificuldades em informar/denunciar as desigualdades e iniqüidades existentes entre homens e mulheres, assim como de esclarecer estas diferenças aos educandos de modo que se estabeleçam relações mais justas.
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Entre ‘petecas’ e ‘elástico’: o quotidiano de meninos e meninas de uma escola na Amazônia
Lilian Silva de Sales (UFPA)

A escola é uma das diversas instituições sociais, existentes na nossa sociedade, em que um dos papéis mais importantes é o de transmitir os valores aprovados pelo grupo. Entre os valores correntes, está aquele relacionado aos comportamentos, gestos, atitudes consideradas “naturais” ou que identificam cada um dos gêneros, tendo o corpo, muitas vezes, como locus de expressão. Através deste estudo, busquei localizar e analisar como crianças, entre seis e nove anos, matriculadas em uma escola pública, de orientação religiosa, situada no Bairro do Guamá, em Belém/Pa, constróem suas identificações de gênero, a partir da experiências que lá vivenciam. Trata-se de uma pesquisa onde os interlocutores são crianças no início de seu processo de escolarização e que, portanto, ainda não dominam adequadamente a escrita; por esse motivo, utilizei como técnicas de coleta de dados: 1) a observação do cotidiano dessas crianças na escola com registro fotográfico e no diário de campo, 2) a realização de oficinas com a utilização de técnicas de desenho, pintura e modelagem e 3) conversas informais com as crianças sobre fatos do seu cotidiano relacionados (ou não) com a temática estudada. Os dados coletados demonstram que, mesmo sendo uma instituição que admite o ingresso de crianças de ambos os gêneros, ou seja, de orientação mista, a referida escola incentiva, com diversas ações diferenciadoras, a separação entre meninos e meninas, demarcando, fortemente, dois mundos distintos e esta postura tem influência direta na forma como as crianças percebem/referem o feminino e o masculino.
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Corpo, gênero e sexualidade: para além de educar meninas e meninos
Luciene Neves Santos e Ana Márcia Silva (UNEMAT)

Esta é uma pesquisa qualitativa do tipo descritivo-exploratória, na qual tematizamos a homofobia e a formação humana. As questões de partida: Profissionais de Educação Física com experiência na prática pedagógica compreendem a homofobia enquanto uma problemática significativa a ser enfrentada no âmbito de suas atuações pedagógicas desde a universidade e, sobretudo, para além dela na Educação Básica? Quais os elementos teórico-práticos apontados como saída ou enfrentamento da homofobia na escola, durante o processo de intervenção pedagógica em Educação Física? O objetivo: investigar como, na perspectiva d@s egress@s, a formação inicial ofertada no Curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade Federal de Santa Catarina contemplou elementos para que el@s pudessem tratar pedagogicamente as questões relacionadas à sexualidade, gênero e homofobia em sua prática pedagógica junto à Educação Básica, compreendendo-as como fundamentais à formação humana. Fizemos entrevistas semi-estruturadas com dois grupos compostos por egress@s da UFSC, o primeiro com egress@s que cursaram a disciplina denominada "Gênero e Co-educação na Educação Física" e o segundo por contemporâne@s que não a cursaram. O critério comum adotado para estes grupos: terem atuado ou estarem atuando na Educação Básica. Em uma análise preliminar, os dados indicam que, em alguma medida, os professores estão sensíveis a estas questões, as consideram relevantes para a formação humana, e desenvolvem intervenções nesta direção em sua prática pedagógica dos sujeitos, independente de terem cursado uma disciplina específica, além de avaliarem que o currículo da formação inicial, como um todo, pouco prepara para o enfrentamento destas problemáticas, em especial, da homofobia.
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Memórias de infância e identidade de gênero na formação das profissionais na Educação Infantil
Magda Sarat e Míria Izabel Campos (UFGD)

Este trabalho integra um projeto de pesquisa em andamento, envolvendo profissionais da Educação Infantil e enfocando prioritariamente suas experiências e memórias de infância com relação às questões de identidade de gênero. O objetivo é entender como se (con)formam os papéis sociais de meninos e meninas, e de que maneira as relações estabelecidas na infância podem corroborar as práticas pedagógicas destas profissionais com as crianças nas instituições de Educação Infantil. Partimos da compreensão de que a infância é uma referência construída histórica, cultural e socialmente, sendo considerada um período marcante na formação do indivíduo, que poderá definir as relações que este estabelecerá posteriormente na vida adulta. A metodologia parte da pesquisa bibliográfica, tendo como base autores que discutem a Educação Infantil como um espaço do trabalho feminino, além das temáticas de identidade de gênero e sexualidade. Na produção de documentos a partir da História Oral, estamos recolhendo relatos da infância de mulheres que atuam junto às crianças de 0 a 5 anos, nos Centros de Educação Infantil do município de Dourados/MS. Entre os aspectos discutidos estão a organização dos espaços para meninos e meninas e seus brinquedos, a relação estabelecida entre crianças e adultos, as práticas pedagógicas cotidianas, os modos de comportamento impostos e esperados para adultos e crianças, etc. Tais aspectos poderão dar pistas para a compreensão de como são educadas, nas instituições de atendimento, as crianças que farão parte da geração posterior, considerando a diversidade cultural e sexual da nossa sociedade.
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Creches e Pré-Escolas: instituição educacional ou equipamento social? – Um olhar sob a perspectiva das mães da Creche Cenáculo – Jardim São Marcos
Mariana Pires Galletta (PUC-CAMPINAS); Mirian Faury (PUC-Campinas)

No Brasil, na década de 70, ocorreram importantes transformações nas relações entre Estado e sociedade. Participaram da constituição dessa agenda movimentos sociais, em torno da luta pela democratização, do acesso a serviços públicos e da melhoria da qualidade de vida. Já nesta época, as questões de gênero estavam presentes. Em 1988, foi promulgada a Constituição Federal que regulamentou diversas reivindicações dos movimentos feministas. Pela primeira vez foram referidos direitos específicos das crianças além daqueles circunscritos no Direito de Família. A infância deixou de ser objeto apenas dos cuidados maternos familiares e passou a ser objeto dos deveres públicos do Estado e da sociedade como um todo. O presente trabalho tem como propósito, investigar de que forma a construção histórica do papel social da mulher enquanto educadora nata – expressa pela ideologia burguesa - se manifesta nas relações de gênero no interior de uma instituição de educação infantil. A pesquisa busca verificar as manifestações desta perspectiva ideológica no discurso das mães e educadoras da Creche Cenáculo (Campinas, SP) e os atributos requeridos para a atuação das educadoras infantis. Levanta ainda as expectativas das mães entrevistadas em relação às educadoras e à função da creche enquanto instituição de educação infantil.
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Atividades na educação infantil e relações de gênero
Natália Silva da Silveira e Gisele Maria Costa Souza (UFRRJ)

Este trabalho é baseado na investigação de doutorado (Souza, 2006) sobre Jogo e Diferenças de Gênero realizado em escolas infantis do Rio de Janeiro e Lisboa. Como objetivo principal procurou-se investigar as diferenças e semelhanças de estereótipos de gênero nas atividades lúdicas escolares com crianças do primeiro seguimento do ensino fundamental a começar pelo segundo ano do primeiro ciclo no Centro de Atenção à Criança e ao Adolescente – CAIC – Paulo Darcoso Filho, situado no município de Serópedica no Estado do Rio de Janeiro. Considerando as variáveis sexo e idade, entrevistou-se 250 crianças durante três meses, com o instrumental validado na pesquisa de Souza (2006) no qual 22 figuras de atividades externas e internas são apresentadas à criança com a pergunta sobre a atividade mostrada é só para menina, só para menino, ou para ambos. As atividades como brincar de carrinho foram qualificadas como predominantemente masculina, assim como o brincar de boneca foi qualificado como predominantemente feminina. Atividades como mexer no computador e recortar e colar foram julgadas para ambos os sexos. Nas observações das crianças, durante as entrevistas, pode-se perceber o quanto a sociedade, pais, mães e professoras influem em suas respostas, nesse sentido, compreende-se a importância desse trabalho e do aprofundamento de questões relativas à questão de gênero, com professores, professoras e a coordenação de um contexto escolar.
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Representações visuais de meninos e meninas: relações entre imaginário e gênero
Susana Rangel Vieira da Cunha (UFRGS)

Esta pesquisa buscou refletir, a partir de uma pesquisa participativa e tendo como referência teórica os Estudos da Cultura Visual e do Gênero, como crianças de 04 a 06 anos de uma EMEI na cidade de Porto Alegre / RS, estão constituindo seus imaginários, mediados principalmente, pela cultura visual contemporânea. Tendo como foco as crianças e suas interações com os diferentes artefatos culturais, procuramos entender como a cultura visual vem atuando nos imaginários infantis através de suas Pedagogias da Visualidade. Sobre esta perspectiva teórica, entendemos que a cultura visual formula conhecimentos, visões sobre o mundo, sobre as pessoas, modos de ser e de agir. Deste modo, esta investigação procurou compreender como as crianças constroem as suas representações de gênero sobre si e sobre os outros através das interações com os diferentes artefatos culturais e os objetos visuais, fortemente inseridos dentro e fora do ambiente escolar.
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Gênero, sexualidade e co-educação: uma experiência na escola
Viviane das Chagas Caron (UFPR)

Este estudo teve como finalidade analisar a prática pedagógica de uma professora no que se refere à temática de gênero e co-educação. Tal experiência foi desenvolvida numa escola pública da cidade de Curitiba – PR durante os anos de 2006 e 2007. Entre os objetivos desta pesquisa destaco a reflexão sobre as hierarquias de poder do sexismo, a reflexão sobre o sentido da escola mista e o entendimento da perspectiva co-educativa. Para coletar as informações utilizei a metodologia qualitativa de estudo de caso com o auxílio dos seguintes instrumentos: observação das aulas, intervenção, diário de campo, relatórios das reuniões e entrevista semi-estruturada com a professora e conversas informais com os/as alunos/as. Verifiquei a exacerbação do esporte como conteúdo exclusivo e finalidade educativa deslegitimada, além da relação entre meninos e meninas não atentar à discussão de gênero e ainda estar desvinculada de uma perspectiva co-educativa. Apesar de a professora participar e se envolver nas discussões no grupo de estudos, a prática continuou a mesma de sempre. Concluo, portanto, que não basta estudar sobre gênero, co-educação e sexualidade para que haja mudança, isso só acontece se o/a docente deseja que tal transformação ocorra, pois a co-educação é uma ação intencionada que visa à dupla socialização.
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