fazendo genero 8
 
 
 
 
autores cronograma cultura
inscricoes posters hospedagem
programacao simposio tematico transporte
mini cursos lancamentos contato
 
 
     
 
header apresentacao

Coordenação:
Lígia Albuquerque de Melo
Doutora em Sociologia, Fundação Joaquim Nabuco

Marcos Fábio Freire Montysuma
Doutor em História, Universidade Federal de Santa Catarina

Temis Gomes Parente
Doutora em História; Universidade Federal do Tocantins

Este Simpósio se propõe a articular discussões em Gênero e Ambiente. É espaço de discussões e disseminações de pesquisas que abordam a temática de gênero nas questões ambientais em diferentes disciplinas e perspectivas de abordagem. Os estudos de gênero têm contribuído significativamente para a introdução de novas abordagens da realidade em todas áreas do conheci-mento. Nas questões ambientais essa temática vem ocupando lugar de destaque, particularmente a partir dos movimentos sócio-ambientais, sindicais e populares.  Neste simpósio serão privilegiados estudos que contemplem Gênero e Ambiente perpassando nas temáticas: equidade social; poder; trabalhador rural; conservação do ambiente; geração de renda; fome; reforma agrária; pobreza; agricultura familiar; segurança alimentar; desenvolvimento sustentável; sócio-ambientalismo; etnoconhecimento; inclusão/exclusão social e políticas de estado.

"Atingidas por barragens": Uma história de vida e luta enquanto Mulheres e Militantes de um Movimento Social
Alexandra Martins Silva (UC)

Este artigo objetiva apresentar a história de luta das comunidades atingidas por barragens no Brasil, sendo esta caracterizada como uma narrativa de conflitos cotidianos e de resistência, marcada por impasses e vitórias. Estes embates sociais que tiveram emergência nestes últimos anos, não podem ser considerados, sem que façamos menção à diversidade de atores que participaram deste processo. Essas lutas tiveram como protagonistas homens, mas também mulheres. A resistência contra a construção destes grandes empreendimentos consolidou-se em muitos países do Sul, com a participação conjunta destes dois atores. O papel destacado da mulher neste contexto representa uma reflexão crucial, pois corrobora a constatação de que sua luta não correspondeu apenas à reconquista dos bens materiais e imateriais, mas também engendrou o processo de formação da “identidade de atingida” por parte destas mulheres, as quais, ao romperem com as mais diversas formas de opressão, se transformaram em personagens principais no conflito contra a construção destes empreendimentos. Em termos gerais, o interesse por esta temática surge a partir das referências de Shiva, Mies, McCully, entre outros autores, os quais colocam em evidência a relação entre os impactos resultantes da construção de barragens e as conseqüências dos mesmos para a vida cotidiana das mulheres.
PDF

As contribuições das marisqueiras para uma gestão sócio-ambiental em reservas extrativistas
Amanda Braga de Melo Fadigas, Loreley Gomes Garcia, Malva Isabel Medina Hernandez

Nas reservas extrativistas marinhas o exercício cotidiano das atividades das marisqueiras revela seu importante papel como gestoras locais, por observarem e atuarem no ambiente com dinâmicas de manejo diferenciadas que corroboram para o equilíbrio do ecossistema estuarino. Essas mulheres demonstram um vasto conhecimento sobre o ambiente local e as principais dificuldades enfrentadas para manter suas tradições ao longo das gerações. O debate da perspectiva de gênero nas unidades de conservação de uso sustentável, como no caso das reservas extrativistas, propõe abordar o papel dessas mulheres na gestão sócio-ambiental. Portanto este trabalho pretende enfocar as contribuições das marisqueiras para os processos decisórios em reservas extrativistas. A pesquisa quanti-qualitativa foi realizada no período de 2007 a 2008 com marisqueiras de duas comunidades que constituem a Reserva Extrativista Acaú-Goiana, mediante a observação dirigida, a aplicação de questionários semi-estruturados e a análise estatística. Os dados revelaram o rol de reivindicações pautado pelas marisqueiras nas tomadas de decisão que envolve a reserva, processo este reforçado pela presença gradual das mulheres na coleta dos recursos. A pesquisa identificou ainda as atividades econômicas elencadas por afetar o ambiente local e promover a conseqüente escassez dos recursos naturais. Por fim, destacou a opinião dessas mulheres em relação à importância e eficácia das campanhas ambientais para as comunidades extrativistas, pois quando se trata de grupos que dependem diretamente dos recursos naturais há que se repensar as políticas conservacionistas para equilibrar os interesses sócio-ambientais dos diversos atores envolvidos na gestão sócio-ambiental.
PDF

Ondas e marés de "outros" em Jaraguá do Sul (SC): "tem que ser paranaense".
Ancelmo Schörner (UNICENTRO)

Em nossa tese de doutoramento em História (UFSC, 2006), intitulada A PEDRA, O MIGRANTE E O MORRO: feridas narcísicas no coração de Jaraguá do Sul/SC - 1980/2000, discutimos o que chamamos de “discurso Jaraguá do Sul” e qual o espaço reservado para os “outros” nele. Observamos como esse discurso foi sendo construído ao longo do tempo com o objetivo de fundar e consolidar uma determinada História de Jaraguá do Sul. Assim, os debates sobre Jaraguá do Sul freqüentemente a discutem enquanto espaço marcado pela harmonia, noções e valores ideológicos como trabalho, disciplina, civilização, progresso e desenvolvimento. Contudo, Jaraguá do Sul, ao mesmo tempo que está envolta em discursos que a torna rica “de mercadorias e de lucros”, nem percebe, ou não quer perceber, a “nuvem de gordura e fuligem” que marca efetivamente o cotidiano da maioria de seus moradores, notadamente os da periferia, dos morros, os pobres, os migrantes; este é o caso de uma cidade onde os conflitos são escamoteados pelos poderes constituídos, dando a idéia de harmonia e legitimando as relações de classe e poder. “Forasteiro” e “estrangeiro”, o migrante transita nessa linha tênue a que chamamos “fronteira”. Sua presença é motivo de confronto e tensão, entre outras razões, porque explicita a fragilidade dos “sólidos valores culturais” que, supostamente, sustentam a comunidade e a constituem como tal. Em outros termos, a migração provoca uma ruptura numa identidade que, fixa no tempo, oferece certo grau de estabilidade e coesão para uma história que deveria desenrola-se com naturalidade.
PDF

Ser agricolino - também é coisa de mulher
Andréa Knabem

O termo “agricolinos” designa os estudantes do curso técnico em agropecuária em muitas regiões do Brasil, principalmente no sul do país. Desde o surgimento as escolas agrícolas foram caracterizadas como espaços de formação dos filhos dos agricultores e possuem especificidades na organização e funcionamento para atender a demanda desses alunos. A partir da realidade de uma escola técnica agrícola, vinculada à rede federal de ensino, fundada em 1954, que inicia seu funcionamento em maio de 1959 e que encontramos registro da presença de alunas a partir de 1978, a presente proposta procura identificar e levantar dados para caracterizar o espaço feminino ao longo desses anos. Demonstra o crescente aumento da demanda feminina para o curso, bem como apresenta as origens rurais dessas alunas. Para dados quantitativos foram utilizados os registros da secretaria escolar da quantidade de alunas ingressantes por ano e formandas. Num recorte específico procurou identificar junto às alunas ingressantes do ano de 2007 e 2008 os motivos de escolha do curso bem como as dificuldades enfrentadas para a realização do curso e as vivências ao longo do curso. Procurou comparar as demandas das alunas do concomitante em agropecuária, que realizam o curso juntamente com o ensino médio, com as que realizam o curso na modalidade pós-médio
PDF

Narrativas de mulheres sobre o carnaval em Joinville
Arselle de Andrade da Fontoura, Janine Gomes da Silva (Universidade da Região de Joinville)

Este trabalho é um desdobramento do projeto de pesquisa ?Memórias da Cidade... Diferentes olhares para o patrimônio cultural de Joinville?, financiado pelo FAP/UNIVILLE, que tem como objetivo analisar a partir de memórias femininas, múltiplos aspectos relacionados ao patrimônio cultural de Joinville. Nesta comunicação busca-se dar visibilidade, a partir do aporte da metodologia da história oral, a diferentes memórias de mulheres sobre o carnaval na cidade. Por intermédio destas narrativas é possível problematizar a cidade, sua cartografia, seus espaços de sociabilidades, diferenças étnicas, “resistências” de determinados grupos sociais, bem como, o patrimônio material e imaterial que compõe o cenário de Joinville.
PDF

Gênero e Meio Ambiente: O Ecofeminismo em Oryx e Crake, de Margaret Atwood
Cláudia Kamel (FIOCRUZ), Lucia de La Rocque

A preocupação com o meio ambiente e principalmente a sua preservação, tem aumentado no decorrer dos anos. Já não é mais possível pensar a relação ser humano/ambiente como apartada de conseqüências não somente de curto, mas principalmente de longo prazo. Os desdobramentos oriundos da qualidade dessa relação deflagraram uma crise ambiental de âmbito mundial, comprometendo a sobrevivência das espécies no planeta para as gerações atuais e futuras. Enfim, mais que nunca se torna necessário ao ser humano pensar seu lugar no mundo. As artes em geral, e a literatura em particular, principalmente a literatura de ficção científica (FC), têm certamente contribuído, desde tempos imemoriais para deflagração desse pensar. É neste contexto que se encaixa a proposta do presente trabalho, que procura fazer uma análise do papel da personagem Oryx; do romance de FC da escritora canadense Margaret Atwood, Oryx e Crake, no sentido de situá-lo nas três principais correntes do ecofeminismo; a saber, o ecofeminismo clássico, o ecofeminismo espiritualista do Terceiro Mundo e ecofeminismo construtivista. Buscaremos assim, avançar no conceito primordial de que às mulheres foi designado o papel de “cuidar”, por ser este um sentimento inato delas; mas também como forma inteligente de garantir sua sobrevivência em um mundo essencialmente patriarcal, reforçando a idéia, defendida por grande parte das feministas que se opõe à aceitação de uma “essência feminina”, de que o gênero é culturalmente construído.
PDF

O discurso ecológico e "a missão do MINC": O feminino e a natureza em movimento
Cristina Zanella Rodrigues (UFP)

As mudanças significativas nas relações envolvendo seres humanos e meio ambiente têm abalado o mundo e feito a sociedade refletir acerca da maneira como vem interagindo com a natureza. A partir da década de 70, diversos movimentos sociais surgiram e passaram a debater e denunciar que é preciso repensar a forma está sendo construída nossa relação com o meio ambiente. Na contemporaneidade, um dos principais movimentos sociais que participa desse debate é o Movimento das Mulheres da Via Campesina. Tomando por referencial teórico a Análise do Discurso proposta por Michel Pêcheux, e tendo como corpus o texto intitulado "Missão do MMC", pretendo analisar como o interdiscurso acerca das questões ecológicas irrompe no discurso fundador desse movimento, e observar como se constituem os efeitos de sentido a partir da relação do feminino com o ecológico.
PDF

Gênero, ambiente e desenvolvimento: representações sobre a relação homem natureza
Eliseu Riscarolli (UFTO)

O meio ambiente vem ocupando um espaço de discussão nos últimos 20 ou 30 anos. Recentemente, a região do Bico do Papagaio e sul do Maranhão tem sido o espaço da mais nova luta dos ribeirinhos, indígenas, ecologistas, trabalhadores rurais e quebradeiras de coco com o início da construção da barragem de Estreito no rio Tocantins. Este rio tem sido palco para construção de inúmeras barragens, dentre elas podemos citar a de Peixe, de Canabrava, de Lageado, de Tucuruí, com previsão de mais quatro (Serra Quebrada, Tocantins, Novo Acordo e Tupiratins). No imaginário popular a esperança de um emprego toma conta das mentes mais humildes mas, contraditoriamente, também se aflora o desejo de preservar seu roçado, o túmulo de um familiar, os sítios arqueológicos, os espaços de lazer, a reserva indígena e a própria natureza do rio como espaço identitário de gentes que se construíram às suas margens ao longo de 30, 40 ou 50 anos. Este texto pretende coletar as representações que a população tem acerca do meio ambiente e sua relação com o chamado “desenvolvimento”, de como as mulheres se vêem/manifestam suas inquietações diante de um projeto que afetará sua vida de trabalhadora, seja ela urbana, rural ou indígena e que lições elas podem oferecer a comunidade enquanto sujeitos que dependem direta ou indiretamente do rio/meio para sobrevivência e manutenção de um modus operandi em que camponeses, ribeirinhos, indígenas, quebradeiras estabeleceram com o espaço e que se constitui no elemento fundamental para se identificarem como grupo social.
PDF

Mulheres e Meio Ambiente: Representações Sociais na Crítica Ambiental das Agricultoras de Esperança e Santa Cruz no município de Içara (2004-2007)
Elton Laurindo da Costa (UFSC)

Este trabalho tem como objetivo apresentar considerações referentes às memórias relativas à participação de agricultoras que vivenciaram um conflito ambiental contra a instalação de uma mineradora de carvão, na região sul do Estado de Santa Catarina, entre os anos de 2004 a 2007. A área de abrangência do estudo situa-se, geograficamente, na planície litorânea que pertence à Bacia do Rio Urussanga, no município de Içara. Através das narrativas buscamos entrever as percepções das mulheres envolvidas na disputa por usos do espaço, mapeando suas experiências, projetos e ideários em que as agricultoras mostram pequenos e grandes gestos feitos para além do controle e dos discursos dos homens que lideram o conflito. Logo a visão dessas mulheres se torna importante na análise das identidades das forças envolvidas no conflito. Desta maneira procuramos elaborar uma abordagem do movimento em que elas são inseridas em suas peculiaridades, singularidades, dinamicidades e complexidades possibilitando compreensões quanto ao processo da participação das mulheres em conflitos ambientais.
PDF

A educação ambiental e gênero como instrumentos do desenvolvimento rural nos municípios de Júlio de Castilhos e Pinhal/RS
Estela Maris Pisoni, Fábio de Lima Beck (UFRGS)

Em atividades de educação ambiental realizadas com agricultoras/es familiares nos municípios de Júlio de Castilhos e Pinhal/RS constatou-se, de 2001 a 2005, comportamentos diferenciados; verificando-se maior número de agricultoras do que agricultores nas mesmas. Compreendendo-se a importância da presença equilibrada, de agricultoras/res, em atividades de Educação Ambiental, buscou-se analisar o motivo da disparidade da presença dos mesmos nestes processos educativos, trazendo para a análise as relações/questões de gênero. As constatações iniciais da pesquisa apontam que as diferenças dos papéis/atividades realizadas por agricultores e agricultoras no espaço rural em que vivem podem influenciar a participação diferenciada dos mesmos em atividades de educação ambiental. Neste sentido a pesquisa objetiva atentar sobre a importância das discussões de gênero em atividades de educação ambiental. A análise de como se estabelecem as relações de gênero entre agricultoras/res pode trazer respostas eficazes para compreender comportamentos diferenciados dos mesmos em atividades de Educação Ambiental e através desta compreensão seria possível melhorar a eficiência dos processos de Educação Ambiental. Acredita-se também que a participação equilibrada de agricultoras/res em atividades de Educação Ambiental pode contribuir para a melhoria da qualidade de vida destes, pois a educação ambiental é uma práxis educativa que tem por finalidade a construção de valores e atitudes que possibilitem o entendimento da realidade da vida e a atuação responsável das pessoas no ambiente A hipótese levantada é que sem formação em Educação Ambiental o agricultor/ra familiar possui maior dificuldade de sair de uma posição de domínio para uma de equilíbrio, reflexão/ação crítica sobre suas práticas.
PDF

Da questão agrária à questão de gênero: mulheres no/em movimento
Gleys Ially Ramos dos Santos (UFT)

Os apontamentos que apresentamos aqui são resultados parciais da pesquisa sobre relações de gênero na territorialização da luta pela terra em de Porto Nacional, TO. Tendo como foco apresentar funções e papéis de gênero em assentamentos originários de mobilizações organizadas pelo MST, pretendemos com isso, caracterizar os papéis sociais desempenhados por trabalhadores e trabalhadoras camponeses/as em alguns momentos/espaços do processo/movimento da luta pela terra, tomando como crivo os assentamentos e a participação dos gêneros no desenvolvimento social dos mesmos. Esta análise é ponto de partida para termos uma maior compreensão das mudanças protagonizadas pelas mulheres trabalhadoras no contexto do rural brasileiro. Analisaremos o acesso das mulheres à propriedade da terra e suas implicações no cotidiano do ambiente onde estão inseridas. É prioridade neste trabalho contextualizar na metamorfose da realidade contemporânea o contingente humano que forma o que hoje no Brasil e no mundo se conhece como os trabalhadores e trabalhadoras sem terras que ingressam nas fileiras de um de seus mais representativos movimentos – o MST. Escolhemos analisar as relações sociais e espaciais de gênero por entender que essas podem nos dar dimensões de como as relações com a terra dentro desse movimento social se configuram.
PDF

As mulheres no espaço público do assentamento Novo Horizonte II
Ilena Felipe Barros (UFRN)

O resumo ora apresentado diz respeito a uma parte da dissertação de mestrado que tem como objeto de estudo a inserção das mulheres na luta pela terra e a sua participação no processo de desapropriação e construção do assentamento novo horizonte ii, no município de maxaranguape, estado do rio grande do norte. No processo de construção do assentamento, as mulheres trabalhadoras rurais participaram ativamente das decisões coletivas, porém as desigualdades de gênero e poder conferiram a essas mulheres um lugar subalterno nos espaços públicos da comunidade.
PDF

Sobrevivência e relações de gênero
Jorge Benjamin Martinez Fernández, Lúcia Amaral Hidalgo (UEL); (UEM)

Nos últimos 25 anos o comércio, a agricultura, o turismo e, especialmente a pesca em Porto Rico, PR, sofreram mudanças significativas. Os processos mais intensos de ocupação humana ocorreram na região a partir de 1939. Houve diversos conflitos pela posse da terra até a década de sessenta. As atividades principais, nessa época, foram o cultivo do café e do algodão. Posteriormente a pecuária dominaria o cenário econômico da região enquanto a pesca continuou sendo atividade privilegiada daqueles sem capital. A pesca foi sempre uma atividade importante, às vezes isoladamente, às vezes vinculada à agricultura. Hoje, devido principalmente às barragens, a quantidade de peixes nobres diminuiu significativamente no trecho do Rio Paraná que banha a ribeira do Município, inviabilizando a pesca comercial. Atualmente as atividades econômicas e a população encontram-se em declínio. Entretanto, desponta o turismo como possibilidade de trabalho para uma parcela dos moradores. As principais fontes de emprego e renda estão ligadas à Prefeitura, ao comércio e aos serviços de limpeza doméstica e em bares e restaurantes. Aposentado, do lar e funcionário público representam a maioria da população. A pesquisa visava entender o estilo de vida do trabalhador de baixa renda, analisar o trabalho economicamente viável e ambientalmente sustentável e analisar essas atividades na perspectiva das relações de gênero. As relações de gênero constituíram indicador privilegiado da exeqüibilidade de projeto de viabilidade socioambiental relativo a alternativas de trabalho e renda para os trabalhadores de baixa renda da região.
PDF

Exploração sexual, discriminação de gênero e pobreza: saldos de um desenvolvimento econômico sustentável
Juliana Pinto Corgozinho, Temis Gomes Parente (UFT)

O intervalo entre os anos 50 e 70 representa na história brasileira a disparada pela busca do crescimento econômico, em nome de uma concepção de um país pouco explorado, segundo o poder público. Atividades promissoras ocorreram, sendo talvez um novo “descobrimento do Brasil”, a construção da Capital Federal, sua ligação ao norte do país através da BR 153 (Belém-Brasília) e a exploração mais intensa dos recursos naturais da região amazônica foram seus marcos. Através destes pode-se observar novas distribuições populacionais no território brasileiro. Agricultores familiares nordestinos, nortistas, sertanejos buscaram pelo grande avanço econômico divulgado nas campanhas publicitárias de um poder público sedento em mostrar suas realizações, se instalando às margens da Belém-Brasília. Com isso, cidades foram fundadas e habitadas por pessoas que tinham também como objetivo “crescer” economicamente, ou seja, deixar a seca, a falta de oportunidade, a agricultura de subsistência em busca de melhores condições de vida. Os novos horizontes que se abriram mostraram uma realidade dura, onde além das mazelas que já viviam nos locais de origem ainda estavam sem condições de desenvolver as atividades de outrora, e o desenvolvimento cobrando dos mesmos os pagamentos para seu usufruto. O resultado do encontro desta população com os marcos de um desenvolvimento econômico, e agora sustentável, pode ser observado com o aumento da pobreza, incidência de exploração sexual de meninas, condições de vida precárias, desemprego, dentre outros. Com tal perspectiva pretende-se abrir discussão sobre tais correlações, buscando principalmente, um entendimento a partir de aspectos sócio-econômicos, políticos e culturais.
PDF

A Mulher Agricultora na Trilha dos Recursos Naturais Renováveis: A Água para o Consumo
Lígia Albuquerque de Melo (FJN)

Lidar com os recursos naturais renováveis como a água e a terra, por exemplo, constitui antiga atividade de trabalho desenvolvida pela mulher. Tal realidade remonta ao início do processo de socialização quando do estabelecimento da lei social da divisão sexual do trabalho que determinou como responsabilidade da mulher o espaço privado da casa e ao seu entorno, e ao homem o público. Nesses ambientes a mulher desenvolveria inúmeras atividades concernentes ao trabalho doméstico, dentre elas o abastecimento da água e da lenha para o domicílio, bem como o cultivo agrícola para alimentar a família. A desigualdade dos espaços de trabalho para homens e mulheres persiste no mundo contemporâneo, embora, aconteça de forma mais tênue, com a inserção crescente do feminino no mercado de trabalho. Embora as mulheres trabalhadoras rurais sejam sujeitas ativas na convivência com os recursos naturais renováveis, como a água, está à margem dos processos decisórios das políticas públicas relacionadas a este recurso natural. Isso ocorre mesmo quando a mulher é praticamente a responsável pela água para o consumo da família para fins de beber, do preparo dos alimentos e higiene pessoal. Além disso, desempenham várias atividades que necessitam diretamente do uso da água, como o cultivo agrícola e o cuidado com animais. O objetivo desse trabalho é o de analisar as atribuições da agricultora no que se refere ao consumo de água para a família e a não incorporação de gênero pelos programas governamentais destinados a superar a problemática da água na região semi-árida brasileira.
PDF

Mulheres, mangas e mariquitas: trocas na beira do mar
Maíra Borgonha, José Levi Furtado Sampaio (UFCE)

Apontado entre os locais de maior produção pesqueira artesanal do litoral do Ceará, o distrito de Caponga movimenta uma importante rede social de atores. Nesse contexto, as mulheres da comunidade modificam e mantém sua presença na atividade pesqueira, mesmo que o trabalho feminino seja visto com pouco valor, pois a pesca e funções diretamente ligadas a ela (produção, beneficiamento e venda) são consideradas historicamente masculinas. O trabalho proposto objetiva destacar o papel das mulheres nas relações presentes ao longo da cadeia produtiva pesqueira. A metodologia de pesquisa compreendeu a observação direta das atividades, a etnografia visual, bem como as conversas informais. Em meio aos estudos sobre os saberes etnoecológicos dos pescadores da localidade foi possível verificar um sistema de trocas que envolve as mulheres jovens, as adultas e as idosas: a negociação de frutas, preferencialmente mangas, por peixes como a mariquita (Holocentrus adscensionis), de baixo valor comercial, oriundos da produção local. Assim em uma junção mútua de interesses, os pescadores garantem a diversificação da “quimanga”, ou seja, dos alimentos levados para o mar, e as mulheres obtêm o peixe, principal item na manutenção da segurança alimentar na comunidade.
PDF

Gênero e sustentabilidade na Amazônia
Marcos Fábio Freire Montysuma (UFSC)

Resumo: Com base na metodologia da História Oral discutir como mulheres e homens seringueiros de Xapuri compreendem e defendem modos peculiares de utilidades para os recursos ambientais. A pesquisa de campo possibilitou encontrar modos distintos quanto aos usos dos recursos presentes na floresta Amazônia, em que os homens defendem o chamado corte seletivo de madeiras ao passo que as mulheres se posicionam contra tal formulação. Nisso entendemos ocorrer distinções situadas em visões de gênero.
PDF

Os múltiplos papéis assumidos pela mulher no contexto de agricultura familiar: o caso das trabalhadoras da Quitéria (Rio Grande-RG)
Maria de Fátima Santos da Silva, Leandro Haerter, Rita Perez Germano (FURG)

O presente trabalho tem como objetivo pensar o papel da mulher dentro de um contexto de agricultura convencional familiar em uma localidade do interior da cidade de Rio Grande, de colonização e cultura predominantemente portuguesa, denominada Quitéria. Do ponto de vista metodológico, essa pesquisa partiu do estudo do estado da arte acerca das produções que relacionam mulheres, agricultura e representações sociais acerca de ambos, para investir-se em uma metodologia participante, que por meio de entrevistas, observações e reuniões coletivas desse conta de pensar o papel da figura feminina no espaço rural para além de uma visão simplista de que esta é subalterna ao homem e não assume em nenhum momento o papel de dirigente ou protagonista do processo de produção agrícola. Desse modo, construir espaços para que as mulheres pudessem falar acerca das suas histórias, das suas perspectivas, utopias e angústias também foi objetivo desse trabalho. A agricultura familiar exige para seu sucesso, o trabalho coletivo e a participação de toda. A mulher, pelo conhecimento que desenvolve acerca da lida na lavoura, consegue ganhar o respeito dos homens, inclusive de seus companheiros e muitas gerenciam sozinhas suas terras. Ainda que tenhamos uma estrutura patriarcal e uma diferenciação clara acerca dos papéis sociais assumidos por cada um, a mulher consegue construir formas heterogêneas de lidar com isso e não pode ser vista apenas como a explorada ou a dominada, como é tão comum em produções que ao longo do tempo vêm discutindo gênero e campo.
PDF

A importância da posse da terra para o enfrentamento 'a feminização da pobreza no Assentamento São Manoel
Marlene Ricardi de Souza (Dom Bosco)

Esta pesquisa se refere à experiência das mulheres que participaram das primeiras ocupações de terra no Mato Grosso do Sul iniciadas no primeiro semestre de 1984 do século passado e que conquistaram a titularidade da terra. Os trabalhadores e trabalhadoras estavam ligados aos grupos de estudo e formação das Comunidades Eclesiais de Base, as CEBS, ao Movimento de Mulheres e à Comissão Pastoral da Terra, a CPT. O Assentamento São Manoel, está localizado no município de Anastácio/MS, tendo sido criado em 1993, onde foram assentadas 148 famílias. Para participar dessa pesquisa foram escolhidas aleatoriamente dez mulheres com idade que varia entre 30, 40, 50 e 70 anos, dentre elas, quatro mulheres negras. Todas titulares da terra que participaram das primeiras ocupações em diferentes regiões do nosso Estado. O método que nos apoiamos foi o método dialético, dado às contradições e antagonismos presentes nas lutas sociais, especialmente as lutas dos movimentos sociais Os instrumentos da coleta de dados foram documentos oficiais, um roteiro de questões abertas, onde as mulheres puderam expressar livremente suas experiências, expectativas e contradições. Utilizamos ainda um questionário individual, objetivando coletar informações acerca de idade, filhos, raça, etnia. Essa pesquisa possibilitou perceber como as desigualdades de gênero estão profundamente introjetadas nas relações familiares, sociais e organizativas no Assentamento. Entretanto, em que pese as condições adversas, as mulheres protagonizaram a inédita conquista da titularidade da terra e mais, garantiram a permanência na terra e o enfrentamento a pobreza e a participação efetiva nas políticas públicas prioritárias para a comunidade.
PDF

Mulheres agricultoras: bases consolidadas no Sindicato Rural
Raquel Breitenbach, Neiva M. M. dos S. Baréa (UFSM)

A organização sindical é uma forma de representação de classe e existe em vários setores da sociedade brasileira, o que não é diferente no setor rural. O presente trabalho teve como objetivo analisar historicamente as ações dos sindicalistas rurais, da regional sindical de Ijuí-RS, dando ênfase especial para a participação das mulheres trabalhadoras rurais nesse processo. Essa regional engloba doze municípios e seus respectivos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais. Inicialmente foram realizadas entrevistas com agricultores (as) que acompanharam e participaram da história do sindicalismo na região. Posteriormente coletaram-se materiais tais como folhetos e cartazes que relatassem as pautas de discussões ao longo da história. Com isso, foram eleitas as principais lutas e conquistas da classe sindical organizada. Como resultados, alguns dos pontos que se destacaram foram às várias conquistas das mulheres trabalhadoras rurais e sua constante participação nas ações do movimento sindical rural; a busca pela saúde do agricultor (a); o incentivo a bovinocultura de leite e; a inabalável luta pela reforma agrária e reestruturação de políticas agrícolas. Pode-se constatar que a organização e a agilidade dos sindicalistas é uma característica forte e têm entre as mulheres bases mais consolidadas. Destacam-se suas constantes discussões e ações sérias, buscando defender os objetivos comuns a todos os agricultores (as). Seus atores sociais são as bases mais firmes e sólidas do movimento, especialmente as mulheres.
PDF

De donas -de- casa a empresárias: como são as mulheres empreendedoras do turismo rural em Campos de Cima - RS
Raquel Lunardi, Joaquim Anécio de Jesus Almeida (UFRGS)

Este trabalho tem como objetivo estudar o papel da mulher no desenvolvimento da atividade turística no meio rural. Para isso, foram observadas mulheres empreendedoras (administradoras), em oito propriedades que apresentam como principal serviço hospedagem no meio rural, na região de Campos de Cima da Serra, Estado do Rio Grande do Sul. Os municípios estudados foram: Bom Jesus, Cambará do Sul e São José dos Ausentes. Para analisar com maior precisão o trabalho dessas mulheres foram realizadas entrevistas nas quais as questões nortearam os seguintes aspectos: perfil da mulher empreendedora; caracterização da propriedade e da atividade turística; e relações econômicas e de trabalho. Como principais resultados da análise, obtivemos: o turismo como uma fonte inovadora de recursos financeiros, já que deixa de ser uma atividade complementar e passa a ser a principal atividade econômica nas propriedades pesquisadas; a multifuncionalidade da mulher que desempenha, além das atividades empresariais, as tarefas domésticas. O turismo rural, em Campos de Cima da Serra, é tido pelas mulheres empresárias como subsídio para o desenvolvimento econômico, social e cultural do meio rural, onde está inserido. Além de ser considerado como meio para a socialização da mulher rural, ele contribui para a economia tanto familiar quanto da comunidade, e ainda, é considerado como um pressuposto para a melhoria da qualidade de vida de todos os envolvidos.
PDF

Territorialização e gênero: Memórias de Mulheres do Reassentamento Córrego do Prata TO
Temis Gomes Parente (UFT)

O presente trabalho tem como objetivo central entender o processo de territorialização das mulheres do Assentamento Rural Córrego do Prata - município de Porto Nacional - TO, Brasil, reassentadas em conseqüência da construção da Usina Luis Eduardo Magalhães no Rio Tocantins, Estado do Tocantins - TO, Brasil. É a partir desses processos de Reassentamentos que muitas mulheres, terão a oportunidade de adquirir um “pedaço” de terra para si e para suas famílias.
Com a construção da usina em 1999, os povoados e cidades que ficavam às margens do rio desapareceram, fazendo com que comunidades inteiras fossem desapropriadas e levadas para outras localidades. É justamente nesse momento que as pessoas que antes eram “caseiras”, ou seja, tomavam conta de chácaras e fazendas nas margens do Rio Tocantins, antes da formação do lago, agora são proprietárias de terras que plantam, criam animais domésticos e sobrevivem dessas atividades em suas propriedades, o que chamamos de territorialização é a partir desse processo que percebemos um enrijecimento dos papeis de gênero no interior dessas famílias
PDF

Mulheres Rurais no Pará: participação nos Sindicatos de Trabalhadores Rurais
Waldiléia Rendeiro da Silva Amaral

Muito se tem falado sobre a crescente participação das mulheres na vida social. No sindicalismo de trabalhadores rurais o seu perfil tem se modificado com o aumento de mulheres sindicalizadas e na composição de cargos de direção. O presente trabalho que integra parte da dissertação de Mestrado apresentada ao Curso de Mestrado sobre Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável da Universidade Federal do Estado do Pará, reflete a história da construção do sindicalismo de trabalhadores rurais na região enfocando a alteração de seu perfil, ao longo dos anos, com a participação das mulheres. Baseia-se em documentos históricos, formulários de pesquisa e entrevistas com diferentes atores e atrizes que ocupam diferentes posições no movimento sindical. A partir das reflexões sobre o conceito de gênero, fez-se questionamentos aos dados que pudessem esclarecer os debates e opiniões sobre em que medida a atuação feminina na direção do sindicato tem alterado as práticas sindicais. A pesquisa aponta para caminhos de reflexão e a necessidade de novos estudos. A intensificação do debate sobre gênero no movimento sindical e a adoção de instrumentos de estímulo e garantia da participação tem aumentado o número de mulheres na direção das organizações sindicais de trabalhadores rurais. Este esforço não tem sido suficiente para que a presença feminina se iguale à masculina, ocupando as mulheres cargos de menor relevância nestas organizações. Revelam-se as dificuldades vivenciadas por elas e a ocorrência de antigas práticas de discriminação, apresentam-se novos temas e posicionamentos a serem tratados pela organização sindical de trabalhadores e trabalhadoras rurais.
PDF