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Coordenação:
Profa Dra Débora Alves Feitosa
Doutora em Educação, Universidade do Estado da Bahia-UNEB, Departamento de Educação Campus XII.

Profa Dra Neusa Maria B. Ribeiro
Doutora em Comunicação, Centro Universitário Feevale, Campus II, Novo Hamburgo, RS.

Profa Dra Simone Valdete dos Santos
Doutora em Educação, Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS.

Ações para a geração de renda por mulheres trabalhadoras em grupos formais e informais, não são recentes, tais ações ganharam visibilidade a partir da década de 1970, impulsionadas pelas lutas pela redemocratização do Brasil, a organização e a participação das mulheres pela emancipação e conquista de direitos. Transformações culturais e econômicas levaram a mulher ao mercado de trabalho estrutural e recentemente sua participação se configura em altas taxas de ocupação no mercado informal e/ou precarizado. A sobrevivência econômica, a resistência ao crescente desemprego e organização das trabalhadoras, têm proporcionado expe-riências de produção autogestionária e solidária, em diferentes setores.  A sustentabilidade é outra característica presente em grupos que se organizam com vistas a retirar da natureza sua subsistência sem degradar o seu entorno, caso dos grupos de produção extrativista de vários produtos no interior do país. Esses grupos são constituídos por homens e mulheres da classe popular e estas experiências de organização produtiva de certo provocam outras descobertas, outras aprendizagens como a iniciativa e criatividade para gerir o próprio negócio. O outro lado desta moeda mostra que o trabalho feminino tem sido utilizado para o barateamento dos custos da produção através da contratação temporária, do trabalho part-time, da terceirização, atividades precarizadas e informais, prolongação da jornada, flexibilização das obrigações dos empregadores resultando em perda de direitos trabalhistas. Pretendemos refletir neste Simpósio Temático através de estudos e relatos de experiências, as positividades e os problemas das ações de geração de emprego e renda em grupos populares, observando quais as relações que se estabelecem entre as pessoas e como essas relações marcam a compreensão e a vivência da relação de gênero; quais as implicações do trabalho precarizado e como tem sido tratado; as políticas públicas de geração de emprego e renda se preocupam com a questão de gênero e as condições de trabalho?

As mulheres trabalhadoras da justiça do trabalho em Curitiba: passado que não passou.
Altair Bonini (FAFIPA)

Por meio de documentos da Justiça Trabalhistas da cidade de Curitiba, procuramos descortinar as relações de gênero e as especificidades das histórias de mulheres que recorreram contra seus ex-patrões, aquelas que atuavam nos setores secundário e terciário, no recorte temporal compreendido entre 1960 e 1975, denunciando a exploração por meio de artimanhas do capital para desqualificar seu trabalho e seus direitos. Nosso foco se centrou em atores sociais e políticos, em suas confrontações e identificações com outros atores, como possibilidade de constituir um saber histórico das lutas, ativando saberes locais contra os efeitos de poder centralizador ligados à instituição de um único discurso. As práticas sociais cotidianas nos revelam as fissuras desses discursos, as numerosas insubmissões, inversões, improvisações e conflitos por eles omitidos. A análise das ações trabalhistas revela tentativas de enquadramento destas mulheres em um modelo de trabalhadoras dóceis e disciplinadas, punições e alegações para a demissão por justa causa, bem como, estratégias de confronto por elas legitimadas.
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Na Linha do Metrô: um estudo dos sentidos do trabalho para as mulheres que atuam como ambulantes nas estações do Metrô do Recife
Ana Cláudia Alexandre da Silva (UFPE)

Esta pesquisa teve como objetivo central compreender e analisar os sentidos que as mulheres atribuem as atividades remuneradas que realizam como ambulantes. Para isso, procurou-se compreender os motivos que as levaram a ser ambulantes no Metrô; conhecer a importância que elas dão ao dinheiro que recebem como ambulantes e o valor deste para suas famílias; entender se cada uma delas considera as atividades que realizam na estação como seu trabalho; compreender o que elas vão fazer se chegarem a ser expulsas do Metrô; e identificar as suas expectativas profissionais futuras. Como resultado percebeu-se que apesar dessas ambulantes saberem da precariedade do trabalho que realizam, sem as garantias que um vínculo com carteira assinada oferece, elas lutam por seu espaço no Metrô, resistindo às dificuldades, como a concorrência, a falta de dinheiro para repor as mercadorias e a ameaça de serem expulsas da estação. Observou-se, também, mulheres que, mesmo considerando o que fazem como trabalho, sonham em ter um emprego “bonzinho, de carteira assinada”, outras que gostariam de ter um negócio próprio e muitas que nem sonham mais, apenas vão levando a vida e, portanto, não querem sair da estação, fazendo da atividade que desenvolve como ambulante no Metrô seu único meio de sobrevivência, seu único trabalho.
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As trabalhadoras juvenis do McDonald’s: geração, trabalho e gênero (Florianópolis, 2000-2006)
Antero Maximiliano Dias dos Reis (UDESC)

A proposta deste estudo emerge a partir de uma lei interna que havia na empresa de fast food McDonald’s, segundo a qual se proibia a contratação de atendentes mulheres, esta norma vigorou até o final dos anos de 1960, coincidindo seu término com a explosão do movimento feminista de segunda onda. Atualmente no Brasil a empresa apresenta-se como a maior contratadora de mão-de-obra jovem e feminina, sendo que esta ultrapassa os 50% das contratações. Procuramos transversalizar geração, trabalho e gênero, a partir da inserção das trabalhadoras juvenis como atendentes nos restaurantes de comidas rápidas na cidade de Florianópolis no período de 2000 a 2006, tendo em vista, que estes são conceitos fundamentais para uma leitura do Tempo Presente. Buscamos ainda identificar através de fontes orais como os modelos produtivos idealizados no século XX, que norteiam a cadeia de produção no sistema operacional McDonald’s, impactam sobre o cotidiano laboral destas trabalhadoras.
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As vozes das mulheres marceneiras da madeirarte: gênero e trabalho na perspectiva da Economia Solidária
Carolina Orquiza Cherfem, Ainda Victória G. Montrone (UFSCar)

A presente investigação corresponde à experiência das mulheres marceneiras do grupo Madeirarte, uma marcenaria coletiva autogestionária formada por mulheres do Assentamento Pirituba II. O grupo desenvolve suas atividades na perspectiva da economia solidária, que voltada ao ser humano em detrimento da mercadoria, busca a construção de laços de solidariedade por meio de mudanças nas relações de produção, tendo como centro o ser-humano, seu trabalho, seu saber socialmente acumulado e sua criatividade. O objetivo da investigação é analisar a leitura que fazem as marceneiras sobre o trabalho coletivo realizado, bem como as dificuldades e conquistas no desempenho de uma atividade historicamente desenvolvida por homens. Para tal, será utilizada a metodologia comunicativa crítica, pautada no diálogo com as participantes na construção de uma análise que contempla diferentes interpretações, partindo das elaborações de Habermas sobre a ação comunicativa e do conceito de dialogicidade de Freire, uma vez que supõem que os sujeitos são capazes de entendimento e atuantes no contexto social. As análises de gênero realizadas se fundamentam no feminismo dialógico, visto que representa à ação coordenada de todas as mulheres, sem descriminação de nível de estudo ou posição social, buscando transformações nas relações de gênero com os homens, mas também na luta por direitos sociais e atendimento de necessidades específicas da vida feminina nos diferentes grupos, gerações e culturas. Dessa forma, apresentam-se como resultados primeiros desta investigação a conquista de autonomia, autoconfiança, solidariedade, além da possibilidade de geração de renda, conquistados através do trabalho coletivo realizado por mulheres em uma marcenaria.
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Gênero e Produção de Sentido no trabalho artesanal
Daiana P. M. Baroni, Maria Chalfin, Laíla Graf, Mariana G. C. de Souza (UFSC)

O presente trabalho é um estudo exploratório que objetivou investigar o processo de construção dos sentidos do trabalho artesanal e sua relação com a categorização de gênero, a partir do relato das vivências de artesãos que atuam numa feira de artesanato em Florianópolis. Utilizamos como principal referencial teórico a Psicologia Sócio-Histórica, levando em consideração as questões de gênero na atribuição dos sentidos do trabalho. Entendemos o conceito de trabalho como um construtor de sentidos já que é por meio dele que se torna possível articular uma compreensão de sujeito diante do mundo. O método desta pesquisa foi o estudo da literatura e a entrevista com três artesãos que trabalham numa feira de produtos artesanais, no município de Florianópolis, tendo os participantes o artesanato como a única fonte de renda. Os aspectos mais importantes a serem destacados das entrevistas são: a centralidade do trabalho na vida desses artesãos, a grande influência das diferentes trajetórias de vida resultando em distintos modos de significar sua ocupação e a identidade como artesãos. Os resultados apontaram uma grande importância atribuída ao reconhecimento do trabalho artesanal, bem como sua exclusividade e possibilidade de maior autonomia e decisão. Questões de gênero apareceram de forma periférica nesta pesquisa, contudo, na visão dos entrevistados, o trabalho doméstico é mantido como atribuição feminina e o trabalho produtivo como predominantemente masculino.
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Estratégias de sobrevivência das mulheres proprietárias de escravos em Desterro
Daniela Fernanda Sbravati (UFSC)

A constante presença de mulheres solteiras, viúvas ou abandonadas é uma característica das camadas mais pobres da população. Essa situação é resultado da construção social e cultural das diferenças sexuais, daí a dimensão do gênero na estratificação social. Entre os papéis definidos para homens e mulheres, não era convencional que estas últimas chefiassem domicílios ou não estivessem submetidas ao mando de um marido. Entretanto situações que contrariavam o convencional (e o ideal) eram recorrentes na sociedade brasileira, já que a construção das diferenças sexuais não são naturais, foram determinadas histórica e culturalmente. Nas décadas de 1980 e 90 intensificam-se as pesquisas com o objetivo de compreender o lugar ocupado pelas mulheres na sociedade brasileira, a partir da documentação da época. Além de outros documentos, inventários e testamentos são utilizados por historiadores comprovando que as mulheres chefiavam domicílios e construíam fortunas, ou ainda, sem outra alternativa, lutavam pela sua sobrevivência dia após dia. É o caso das mulheres de Desterro, capital da província de Santa Catarina, na segunda metade do século XIX. Muitas dessas mulheres eram proprietárias de escravos e o trabalho em questão mostra parte de seu cotidiano, bem como as estratégias que utilizavam para sobrevier numa sociedade que estava em constante transformação.
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Agentes comunitários de saúde, saber empírico e suas relações de gênero: uma proposta de rediscussão de cultura por meio de oficinas teatrais
Denise Figueira Oliveira, Tânia C. de Araújo-Jorge, Rosane M. S de Meirelles, Lucia R. de la Rocque (Fundação Oswaldo Cruz)

Este estudo pretende refletir sobre o tecido social no qual estão assentadas as práticas de cuidado em saúde tomando, sob a perspectiva de gênero, o exemplo da atuação de agentes comunitárias de saúde. Visando acionar códigos associados a universos simbólicos reveladores do modo como sujeitos sociais se relacionam com o processo saúde-doença, bem como, estudos anteriores demonstraram, uma tradicional multiplicação social da maternidade, realizamos oficinas de jogos teatrais. De fato, com essa estratégia ficou evidente nas encenações dos participantes, um papel destacado das mulheres no cuidado com a saúde desde o espaço privado ao espaço público. Em uma espécie de “conversação com a cultura” nos interessa reaquecer o debate sobre o saber empírico dessas educadoras orgânicas e sua atuação nos serviços oficiais de saúde. Entendemos que essa experiência nos concede a chance diferenciada de re-visitar as relações entre instituições, poder, identidades profissionais e relações em família. Acreditamos ainda, que esse tipo de reflexão possa oferecer subsídios e dar vitalidade às discussões de gênero e ações da mulher na área da saúde como um todo.
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Economia Solidária: experiência de geração de renda para mulheres em Itubariê/RJ
Elizete Alvarenga Pereira (UNIGRANRIO)

O artigo tem como objetivo analisar o impacto das práticas de economia solidária na vida das mulheres que formam o grupo Oficina do Pão. Nosso interesse foi verificar se a economia solidária contribui de forma significativa ou não para composição da renda familiar e para alterações no papel de gênero. Assim, este trabalho apresenta a experiência de organização de um grupo de mulheres moradoras de Imbariê na cidade de Duque de Caxias/RJ que decide atuar na área de geração de trabalho e renda. A partir dessa experiência, passaram a ter contato e adotar os princípios da economia solidária em suas práticas. As principais questões abordadas referem-se à preparação do solo para o surgimento da economia solidária; o desenvolvimento da economia solidária no Brasil; a importância dos movimentos de mulheres na desconstrução de papéis socialmente construídos e na luta por direitos; a atuação do movimento de economia solidária através de fóruns, e redes para incidir na elaboração de políticas públicas que contemplem os empreendimentos econômicos solidários e a análise das falas dessas mulheres. A história oral foi a metodologia utilizada para a realização das entrevistas e de grupo focal.
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(In)seguro de acidente do trabalho: alteração na Norma Técnica da LER penaliza as trabalhadoras brasileiras
Euda K. G. Teixeira da Rocha (UFPE)

A intenção deste trabalho é discutir uma temática que pouco tem sido debatida nos fóruns sobre gênero, especificamente sobre as mudanças na legislação do trabalho que atingem diretamente as mulheres. É fato que as mulheres têm sido mão de obra preferencial para o trabalho parcial, precarizado e desprotegido socialmente, porém, pouco é divulgado sobre o número de mulheres que adoecem no trabalho. Esse número tem sido a maioria – em torno de 75% – se comparado com os homens. Também têm se apresentado em grande parcela nos trabalhos informais ou terceirizados. Diante disto, pretendo levantar o tema das alterações nas leis do trabalho, assim como na Norma Técnica 98 (NT/98) que tem impedido um número enorme de pessoas – em sua maioria, mulheres – de terem acesso aos benefícios que antes lhes eram garantidos por lei. Tal norma diz respeito à cobertura às Lesões por Esforço Repetitivo, que perfazem 80% das doenças que atingem a classe trabalhadora. Esse quadro diz respeito não à fragilidade das mulheres, mas aos postos que as mesmas ocupam e as condições em que o trabalho é desenvolvido. A mudança na NT/98, que antes garantia o afastamento ou o tratamento da doença, agora dificulta o acesso, concedendo, na maior parte das vezes, o benefício apenas diante de invalidez. Situação gravíssima que atinge uma massa de mulheres trabalhadoras, que, sem cobertura social, penam com uma afecção que as leva à invalidez, impendindo-as de ter uma vida normal seja no trabalho, no âmbito pessoal, no lazer ou na vida familiar e doméstica.
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Cidadania, mulheres e rendas- desafios e conquistas no processo de construção da associação pró-cooperativa “Carpe” em Ribeirão Preto
Fabiana Cristina Severi (USP)

O presente trabalho trata das atividades, dificuldades e conquistas advindas do processo de constituição de uma cooperativa de mulheres de dois bairros da região norte de Ribeirão Preto. Surgido inicialmente como resultado de uma investigação da situação sócioecônomica dos moradores do bairro Parque Industrial Avelino, no início do ano de 2005, o grupo de mulheres desenvolveu-se e conquistou uma identidade que vem se consolidando com o trabalho coletivo voltado ao artesanato e com a busca, por meio da cooperação, autogestão e solidariedade, não só da garantia de renda como também do desenvolvimento pessoal. De modo geral, o grupo de mulheres enfrenta, no mercado formal, uma situação bastante adversa, decorrente, por exemplo, da baixa escolaridade, da falta de estímulo à inovação, do não acesso a crédito e das dificuldades na formalização e legalização das atividades. Observa-se também que as desigualdades de gênero são fortes definidoras das conquistas e das dificuldades em se organizar para o trabalho autogestionário. Percebe-se que a vivencia do trabalho cooperativo tem trazido mudanças significativas no âmbito das relações domésticas, especialmente entre seus companheiros. A criação de uma “loja de economia solidária” no segundo semestre de 2007 por meio de parcerias com entidades civis e universidades locais, tem se constituído também em um caminho rico para a superação de algumas das dificuldades apontadas.
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Relações de Gênero no mercado de trabalho informal: um estudo de mulheres beneficiadas por microcréditos em Recife
Géssika Cecília C. da Silva (UFPE)

Dentre as mudanças observadas no mercado de trabalho do Brasil, a participação feminina é um fenômeno crescente e tema de muitos estudos, pois as mulheres enfrentam, ainda, dificuldades para sua inserção, permanência e ascensão no mundo do trabalho. Partindo de afirmações do Ministério do Trabalho que apontam a mulher como maior tomador de empréstimos entre pequenos empreendedores e a informalidade como característica das micro e pequenas empresas chefiadas por mulheres no Brasil, este trabalho discute a emancipação feminina nas relações de trabalho; averiguando se os programas de microcrédito e financiamento (da Agência do Crédito, Banco do Povo e Centro de Apoio ao Microempreendedor, em Recife) têm beneficiado as mulheres nos critérios de geração de emprego e renda, formalização do trabalho, incentivo à auto-suficiência financeira e elevação da auto-estima. A análise das entrevistas com as beneficiárias do microcrédito aponta que este favorece as mulheres não somente na geração de renda e no estímulo à capacidade empreendedora, mas também alcança a subjetividade dos atores sociais envolvidos nesta trama, no caso as mulheres, despertando sentimentos de autonomia, satisfação, independência e auto-suficiência. Fica evidente que tais mulheres encontram no microcrédito uma chave para a lucratividade nos âmbitos econômico, social, cultural e psicológico. Quanto ao econômico, na geração de renda e estabilidade financeira. No social, como um meio de emancipação e de ruptura das situações de discriminação. No aspecto cultural / político, na tentativa de romper com a ideologia de dominância masculina. Por fim, psicologicamente, através da elevação da auto-estima e do sentir-se produtiva.
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Gênero e economia solidária, um encontro solidário? Interfaces entre o movimento feminista e a economia solidária na Paraíba
Jussara Carneiro Costa, Jaira Alana Claro Pereira, Albertina Félix da Cruz (UEPA)

A contribuição das mulheres possui importância fundamental à conformação do campo da Economia Solidária, uma vez que muitas das estratégias desenvolvidas no âmbito desta fundamentam-se em saberes e práticas desenvolvidas pelas mulheres buscando superar as interdições vividas no mundo do trabalho, oriundas da divisão sexual do trabalho. Este trabalho faz parte de uma pesquisa de Iniciação Científica desenvolvida no âmbito do Programa de Iniciação Científica da Universidade Estadual da Paraíba (PROINCI/UEPB), cujo objetivo foi identificar e analisar as interfaces existentes entre a Economia Solidária e as relações de gênero no âmbito das organizações sociais que atuam na promoção da Economia Solidária e aquelas que representam o movimento feminista no estado, mediante a consulta a fontes secundárias - documentos relativos à definição de diretrizes tanto para a Economia Solidária quanto para o movimento feminista no estado, relatórios de encontros, reuniões, seminários – e a aplicação de entrevistas semi-estruturadas com representantes do movimento feminista e do movimento pela economia solidária no estado. As primeiras análises dos dados coletados indicam um desencontro entre as expectativas mantidas pelo movimento feminista quanto a incorporação das “questões de gênero” e “questões das mulheres” por parte das organizações que compões o campo da Economia Solidária e apontam para a construção de um conflito, em curso que vem enriquecido os dois campos, ao apontar, por um lado, para a construção de caminhos para o desocultamento do trabalho feminino e, por outro, para a incorporação do gênero como dimensão indispensável, porquanto estruturante, de relações econômicas mais solidárias.
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Atividade Mercosul da marcha mundial das mulheres- uma prática social da educação popular
Líria Ângela Andrioli (UNIJUI)

Este artigo tem como pretensão refletir acerca da experiência educativa construída pelos movimentos sociais da Região Fronteira Noroeste do RS, por ocasião da passagem da Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade, sendo esta uma das ações da Marcha Mundial das Mulheres, realizada no município de Porto Xavier – RS, em março de 2005. A experiência construída e vivenciada pelos movimentos sociais da Região Fronteira Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul em 2005, desencadeou um importante espaço de educação popular que possibilitou a reflexão sobre o papel da mulher como gestora de empreendimentos de economia popular e solidária, permitindo trocas de experiências, na perspectiva de melhorias na vida das mulheres, contribuindo desta forma para a igualdade de gênero nas estruturas sociais, econômicas e culturais. Esta atividade, organizada a partir de oficinas sobre temáticas diversas, atividades culturais, feira permanente de economia popular e solidária (com representatividade de vários grupos formais e informais de geração de trabalho e renda), gerou um ato político que reforçou a luta em prol de uma nova sociedade com princípios mais justos e igualitários. Mulheres e homens, identificados com a causa feminista e integrantes dos mais variados movimentos sociais participaram desta atividade, oriundos de diversos municípios da região e dos países vizinhos da Argentina, Paraguai e Uruguai.
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Pensando o trabalho feminino nas cooperativas populares
Márcia Alves da Silva (UNISINOS)

O trabalho cooperativo e solidário apresenta o potencial de oferecer uma alternativa ao trabalho regido pelo capital. As cooperativas populares têm se desenvolvido como uma forma de organização e produção econômica que pode contribuir para a geração de renda, além de realizar um enfrentamento à lógica do capital promovendo, através de relações solidárias, a humanização de grandes parcelas da população que tem sido historicamente excluídas dos bens materiais, culturais e sociais que a sociedade produz. É nessa perspectiva que se encontram as incubadoras universitárias (conhecidas como ITCP's - Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares), que possuem como objetivo central disponibilizar o conhecimento acadêmico às cooperativas populares, contribuindo para a formação e consolidação de iniciativas econômicas autogestionárias, viáveis economicamente e geridas solidariamente. Assim, ambientada num novo modo de produção, as mulheres trabalhadoras cooperadas podem constituir uma visão crítica da sociedade que a condicionou à situação de miséria e exploração, ou seja, visualizando as contradições que o capitalismo carrega consigo para, com isso, manifestar sua indignação, repudiando as práticas adotadas pelo mesmo. Para a academia, torna-se central a apreensão dos saberes das mulheres, sejam nas situações de produção ou em outras diversas situações de vida. Dessa forma, a concepção educativa que defendo é de uma educação que coloque a realidade das mulheres cooperadas como conteúdo problematizador, que se dá em torno da relação delas com o mundo. É problematizando o mundo do trabalho, da produção, dos produtos, das idéias, enfim, o mundo da cultura e da história, que se formam os seres humanos.
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As lógicas do mercado de trabalho
Maria Ester Vaz da Silva (Universidade Aberta de Portugal)

A gestão da velhice e do mercado de trabalho é um fenómeno da modernidade. A idade é um valor económico variável que mantém ou retira as pessoas do mercado de trabalho. Esta gestão é mediada entre o Estado e a sociedade civil, pelas autarquias locais e pelas instituições públicas e particulares sem fins lucrativos que perseguem fins de acção social. Este olhar para a velhice ultrapassa a perspectiva assistencial do século XIX e centra-se na produção de serviços orientados para a garantia de uma velhice saudável. Neste modelo de gestão negligencia-se a idade e o género com valor económico indirecto (valor social) cujas consequências são maioritariamente nefastas para o erário público. Uma das consequências é a não valorização dos conhecimentos acumulados pelas pessoas ao longo da sua vida. Essa mais valia, associada ao racionalismo instrumental da sociedade moderna, é o contributo para o desenvolvimento de uma cidadania no processo de envelhecimento com a inclusão dos modos de vida particulares. O envelhecimento demográfico afirma-se no mercado de trabalho por uma necessidade de nele se manter os indivíduos mais velhos. As políticas de emprego associadas às de apoio à velhice e à juventude manifestam uma contradição. O desemprego aumenta, os indivíduos mais velhos querem ser reconhecidos pelo seu valor e os indivíduos jovens querem aceder a um trabalho remunerado duradouro. Neste cenário não podem ser separadas nem confundidas a afirmação da vontade do indivíduo e as categorias ideológicas fortalecidas pelos discursos dominantes (Alain Touraine, 1984), num movimento entre a inovação cultural e os poderes políticos. O objectivo do nosso estudo é compreender de que forma os indivíduos com mais de 50 anos de idade vivenciam a sua relação com o mercado de trabalho.
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Três experiências do trabalho doméstico na América Latina:repensando a divisão sexual do trabalho de reprodução
Maria Lúcia da Silveira (SOF)

A pesquisa realizada pela SOF intitulada A contribuição das Mulheres por uma Integração regional geradora de igualdade de gênero procurou analisar algumas experiências significativas de grupos de mulheres relativas à socialização do trabalho doméstico na América Latina a fim de buscar elementos a partir das ações das mulheres para a reflexão sobre a alteração da divisão do trabalho reprodutivo e pensar elementos para desenhar políticas públicas necessárias à uma redefinição da articulação entre trabalho produtivo e reprodutivo menos prejudicial às mulheres.
Assim, pensando a América Latina como cenário para uma integração a partir dos povos buscou-se se comparar três experiências de trabalho onde a participação e organização das mulheres têm sido decisivas para a garantia da reprodução de suas famílias em contextos de crise e escassez de recursos.
Selecionamos três experiências de socialização do trabalho doméstico na área da alimentação: os comedores populares e o programa “Vasos de Leche” no Peru; os comedores populares na Argentina e o refeitório popular de um assentamento do MST no Paraná, Brasil. Foram realizadas entrevistas em profundidade com suas lideranças femininas e levantados estudos referentes às experiências.
O marco analítico da pesquisa ancora-se na perspectiva da economia feminista especialmente, referente ao conceito de sustentabilidade da vida humana como um paradigma alternativo ao do mercado(Carrasco, 1999) e na discussão sobre a divisão sexual do trabalho doméstico e de cuidados estimulando a reflexão sobre a reconfiguração do espaço público e privado, com especial atenção para o papel do Estado, inspirado no protagonismo das mulheres.
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A Participação feminina em uma experiência de autogestão de uma Cooperativa de Economia Solidária
Maria Luiza Domingues, Nanci Stancki Silva (UFTPR)

Este artigo apresenta resultados parciais de uma pesquisa em andamento cujo tema é a “Experiência de Autogestão em uma Cooperativa de Economia Solidária” e o problema norteador é a seguinte questão: o que caracteriza a experiência de autogestão dessa Cooperativa? Nessa perspectiva, este trabalho analisará a participação feminina nessa experiência, verificando se essa participação está ocorrendo com eqüidade de gênero. A resposta para problemática exposta foi buscada por meio de análise documental, contatos, observações e entrevistas. A fundamentação teórica aborda as transformações que vem acontecendo no mundo do trabalho, cujas conseqüências para os trabalhadores são o desemprego e o trabalho informal que atinge principalmente as mulheres. A Cooperativa na qual se realizou a investigação é um empreendimento localizada em Curitiba-PR, que se originou da falência de uma empresa nos moldes capitalista e que foi assumido pelos (as) trabalhadores (as). Os trabalhadores e trabalhadoras em número de 54 cooperados (as) têm mantido o empreendimento em funcionamento, gerando emprego e renda não só para eles (as), mas também para outros (as) 50 trabalhadores (as) contratados pela cooperativa, isso além de enfrentarem na justiça a luta pela posse da fábrica.
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Mulheres Negras e mercado de trabalho: A “Feira do rolo” em Salvador
Nilo Rosa dos Santos (UEFES)

Este trabalho visa a discutir e investigar alguns modos de inserção da mulher negra no mercado de trabalho chamado informal a partir da análise de pesquisa realizada sobre as trabalhadoras negras em uma feira popular de Salvador denominada feira do Rolo. Nesta feira, considerada marginal por setores da sociedade baiana, os vendedores negros e as vendedoras negras que comercializam todo tipo de objeto novo ou usado são considerados delinqüentes e sofrem intensa discriminação; no entanto, através de pesquisa realizada no local,pôde-se perceber que as mulheres negras sofriam/sofrem a discriminação duplamente: por parte das pessoas de modo geral e também por parte dos trabalhadores negros que comercializam no mesmo espaço. A partir de análise da situação em foco, discutiremos noções como discriminação de gênero e mercado informal .
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Gênero, Trabalho e Geração de Renda em Assentamentos de Reforma Agrária no Rio Grande do Sul
Patrícia Binkowski, Janaína Stronzake (UFRGS); (UFPA)

Este trabalho apresenta e discute a experiência de mulheres camponesas de assentamentos de reforma agrária no estado do Rio Grande do Sul que estão buscando alternativas de trabalho e geração de renda sustentáveis. O que se tem percebido na dinâmica dos assentamentos rurais é que aparentemente a mulher exerce mais funções de cunho doméstico do que os trabalhos da atividade agrícola ou agropecuária na propriedade rural. Outro ponto analisado comumente é que a renda familiar, geralmente, é gerada pelo homem. De fato, observa-se que a mulher tem sido o esteio do sustento familiar, com sua atuação “no quintal” da casa, cuidando da horta, dos pequenos animais, de outras atividades não ligadas diretamente à agricultura, como o artesanato. Nesse sentido, mulheres camponesas de assentamentos rurais vêm conquistando espaços e ultrapassando barreiras construídas socialmente no meio rural, onde a figura do homem é que exerce o poder sobre a família. Em assentamentos rurais do RS, existem grupos formais e informais de mulheres camponesas que praticam a economia solidária, e que realizam atividades produtivas de panifícios (pães, bolachas e massas), produtos fitoterápicos (cremes, tinturas, pomadas, xaropes, entre outros) e artesanatos (decoração para casa, brincos, bonecas, pulseiras, colares e brinquedos). Dentro dessa construção de gênero no meio rural as mulheres camponesas já obtiveram algumas conquistas como o aumento da renda familiar, empoderamento e protagonismo da mulher no campo, além da qualificação técnica e organização de novos outros grupos.
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A Inserção da mulher nos programas de microcrédito em Pernanbuco (2002-2006):autonomia econômica ou subordinação reconfigurada?
Raquel Oliveira Lindôso (UFPE)

Em sua concepção original, os programas de microcrédito dotavam preferencialmente as mulheres empobrecidas das condições para a conquista de sua autonomia econômica. Os chamados “bancos dos pobres” passaram a efetuar operações distintas das dos demais bancos, que tradicionalmente consideravam apenas os homens como tomadores de crédito. No Brasil esses programas, em especial os surgidos a partir da década de 1990, tiveram por objetivos primordiais a geração de renda para ex-trabalhadores e ex-trabalhadoras assalariadas e donas-de-casa, que se engajaram em empreendimentos econômicos solidários. No entanto, a autonomia – em termos de renda – conquistada pelas mulheres tomadoras de microcrédito não autoriza a apontar os programas de financiamento de empreendimentos econômicos solidários como ‘imunes’ a uma divisão sexual do trabalho, que lhes é anterior e que parece se recolocar quando se considera não só o volume de microcrédito demandado pelas mulheres como também as atividades “femininas” por ele beneficiadas. O trabalho proposto terá por objetivo geral investigar com mais profundidade as condições de inserção das mulheres nos programas de microcrédito em Pernambuco entre 2002 e 2006. O que será feito a partir de uma análise de dados de volume de crédito concedido, porte dos empreendimentos e atividades produtivas financiadas (disponíveis na Secretaria de Economia Solidária e no banco do Nordeste, entre outros), bem como de informações socioeconômicas, além da bibliografia pertinente ao tema da divisão sexual do trabalho e da autonomia econômica.
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Feminização do Trabalho e Cooperativismo
Roseli de Fátima Corteletti (UFPB)

Para enfrentar a crise da queda na produtividade e lucratividade provocada pela rigidez do taylorismo/fordismo, pelo poder de organização da classe trabalhadora e sindicatos, a partir dos anos 70 se estabeleceu um período de reestruturação produtiva e de reajustamento social e político. Era necessário flexibilizar os processos de trabalho, para garantir a retomada da acumulação capitalista. Essas mudanças se expressam na terceirização, subcontratação, trabalho temporário e feminização do trabalho tendo em comum à marca da precarização das condições de trabalho, exploração, desemprego e informalidade. Com a sobrevivência ameaçada, muitos trabalhadores são levados a reinventar suas vidas metamorfoseando-se de agricultores, artesãos, desempregados, donas de casa, etc., em “autônomos” ou “empreendedores” com pequenas bancas nas ruas e feiras locais, em oficinas de fundo de quintal, em cooperativas e formas diversas de garantir a sobrevivência diária. As mulheres são quem mais sofrem com essas mudanças, pois mesmo com todos os avanços conquistados através das lutas pela diminuição das desigualdades de gênero, as mulheres continuam enfrentando muitos obstáculos na rotina da dupla jornada de trabalho. Pode-se dizer que ao mesmo tempo em que o capital por um lado possibilita à emancipação das mulheres, por outro as aprisiona, mantendo-as subordinadas aos valores patriarcais necessários à reprodução capitalista. O objetivo principal deste trabalho é analisar como as mulheres trabalhadoras da Cootegal (Cooperativa Têxtil de Galópolis -RS) fazem para conciliar a dupla jornada de trabalho e, além disso, verificar as principais diferenças que percebem entre o trabalho atual na cooperativa e o trabalho assalariado tradicional.
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Gênero, Lixo e Trabalho Informal
Simone Lira da Silva (UFSM)

A proposta de trabalho a ser apresentada neste simpósio versa sobre uma das características de um grupo de trabalhadores com lixo de Santa Maria- RS, pessoas com as quais realizei a pesquisa de graduação. O trabalho, que tinha como objetivo verificar como o significado atribuído ao lixo mudava a partir do momento em que ele passava a ser o sustento destes trabalhadores, permitiu constatar, entre outras coisas, que a maioria dos trabalhadores da Associação de Selecionadores de Materiais Recicláveis (ASMAR) eram mulheres, inclusive sua fundadora. E, dentre seus membros, quem participava dos encontros promovidos por catadores ou para eles eram também as mulheres. Nesse sentido, a proposta do presente trabalho é, a partir da constatação da influência das mulheres na organização do trabalho com o lixo e de sua participação em associações autogeridas de um modo geral, discutir a possível relação que a limpeza, as idéias de solidariedade e necessidade de flexibilidade do horário de serviço, bem como a desvalorização e informalidade desse mercado – que resulta na ausência de direitos trabalhistas – estão ligadas ao papel social atribuído às mulheres.
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Tradição e inovação no trabalho das mulheres ceramistas de Itamatatiua
Valdemira Barros (UFMA)

O trabalho tem por perspectiva fazer uma análise da produção de cerâmica no quilombo de Itamatatiua, povoado localizado no município de Alcântara, Maranhão. Essa análise visa identificar a importância do grupo de mulheres ceramistas desta localidade como o grupo detentor da tradição de fazer cerâmica, já que por gerações a “cerâmica de Itamatatiua”, sempre foi produzida por mulheres. Também visa perceber as relações dessa produção com as dinâmicas de poder dessa comunidade, já que as principais lideranças da mesma são produtoras de cerâmica. Ao mesmo tempo, o trabalho se volta para a análise da questão da inovação e assimilação de um padrão mais comercializável para os produtos. A partir de entrevistas e trabalho de campo, verificamos de que forma agências como o SEBRAE, prefeituras e mesmo o contato feito com eventuais compradores que chegam até a comunidade tem influenciado na modificação desta produção. Modificações essas que vão do tamanho ao acabamento das peças, já que essa cerâmica, que antes se diferenciava por apresentar um tipo de acabamento mais rudimentar, deixando nas peças marcas dos objetos usados para a finalização do trabalho, agora tem de se apresentar de maneira mais “clean”, recebendo um acabamento “liso”, mais adequado ao gosto dos donos de lojas e pontos de distribuição das mercadorias. Também observamos cada vez mais a incorporação de peças decorativas, assim como a confecção de miniaturas de pombas da festa do divino, pilões, enfim, de objetos que possam fazer referência à cultura local.
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Trabalho e Lazer: os espaços femininos e masculinos nas festas comunitárias
Valdir José Morigi, Simone Semenssatto (UFRGS)

O estudo mostra as diferenças do comportamento social entre os gêneros feminino e masculino e as relações de poder que se estabelecem entre eles, considerando a divisão do trabalho e o processo de internalização dos papéis sociais que se evidencia na vida cotidiana que se reproduzem no espaço de lazer. As festas comunitárias constituem uma fonte de geração de renda para suprir as necessidades e a manutenção da sustentabilidade das comunidades rurais, evidenciam a importante participação do gênero feminino e o seu envolvimento através da participação nas atividades formais e informais realizadas no clube de mães, no coral da Igreja e na organização das festividades da comunidade. Identifica os elementos do comportamento cotidiano das relações entre os gêneros que se manifestam no espaço da festa. A pesquisa de campo foi realizada nas festas de 12 comunidades rurais do Município de Estrela – RS e os dados foram coletados através de entrevistas, registro de imagens e observação participante. Embora se perceba uma forte atuação das mulheres no envolvimento com o trabalho comunitário, a força tradição cultural possui centralidade na dinâmica dos festejos, responsável pela naturalização das práticas culturais e na reprodução das diferenças de comportamento social entre os gêneros. O espaço ocupado e as atividades realizadas pelas mulheres continuam sendo ligados à esfera de domínio privado.
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Divisão etária e sexual do trabalho no contexto da acumulação flexível do Capital:a lógica da eficiência, produtividade e qualidade numa unidade produtiva de calçados em Ipirá-BA
Zilmar Alverita da Silva (UFBA)

A produção de calçados foi uma das primeiras indústrias de transformação a se desenvolver no Brasil. De base técnica tradicional, este ramo produtivo vem experimentando mudanças significativas nas duas últimas décadas, com a adesão dos produtores à reestruturação produtiva. Este movimento, de caráter estrutural, vem alterando a política organizacional das empresas, levando ao recurso da flexibilidade. Neste contexto, a participação de mulheres e jovens, existente desde os primórdios desta produção, vem se ampliando em decorrência da terceirização e da subcontratação (flexibilidade externa) e da ‘polivalência’ da força de trabalho (flexibilidade interna). Dos pólos tradicionais (Região de Franca, SP, e Vale dos Sinos, RGS) aos novos distritos industriais (no Ceará e na Bahia), observa-se uma significativa participação daqueles dois segmentos. Isto parece estar relacionado com o fato dos jovens serem considerados, pelos produtores, como mais ágeis e mais dinâmicos, algo relevante para garantir a eficiência produtiva, quando o aprender a aprender e o fazer certo pela primeira vez se tornaram norma. Para garantir qualidade aos produtos, homens e mulheres realizam atividades distintas, geralmente condizentes com suas supostas habilidades de gênero, tendo em vista produzir da melhor forma e no menor tempo possível. Deste modo, as mulheres, vistas como mais dedicadas e delicadas, ocupam-se das atividades de preparação, acabamento e revisão. Os homens, caracterizados como mais fortes, são destinados ao trabalho braçal, requerente de força física. Este estudo analisa a problemática da divisão etária e sexual do trabalho no contexto da produção flexível numa unidade de calçados do Município de Ipirá, Bahia.
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