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Coordenação:
Rosineide de L. Meira Cordeiro
Doutora em psicologia social, profº  do Departamento de Serviço Social e dos Programas de Pós-graduação  em Serviço Social e Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco. –UFPE, integrante de FAGES, Núcleo de Família, Gênero e Sexualidade/UFPE e do Grupo de Estudos sobre Poder, Cultura e Práticas Coletivas – GEPCOL /UFPE.

Vanda Aparecida da Silva
Doutora em Ciências Sociais, investigadora bolsista Pós-doc da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), no Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa (UL); colaboradora e editora-adjunta da RURIS -  Revista do Centro de Estudos Rurais do Institituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (CERES-IFCH-UNICAMP)

Joana D´árc do Valle Bahia
Doutora em antropologia social, professora adjunta do Departamento de Ciências Humanas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e pesquisadora associada do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Migratórios (Niem) e do Centro de Estudos de Migrações Internacionais (CEMI).

Este simpósio pretende reunir pesquisadoras (es) que  estudam os contextos rurais sob o prisma das relações de gênero.  Por entender que o rural mostra-se cada vez mais heterogêneo e marcado por eixos de diferenciação social como classe, gênero, raça, etnia e geração, pretendemos discutir experiências, estudos e pesquisas que ampliam o debate sobre o rural a partir da inclusão de outras vozes, práticas e temáticas. Ao priorizar gênero, poder e corpo queremos discutir as abordagens teóricas utilizadas, as dimenções políticas e subjetivas desse eixo para a compreensão do rural e das relações de gênero. Desse modo, a nossa proposta é reunir trabalhos que enfoquem políticas públicas, movimentos sociais e temáticas como violência, sexualidade, trabalho, direitos sexuais e reprodutivos, saúde, e direitos humanos. Nestes termos, ao articularmos  rural e gênero queremos também refletir sobre as dinâmicas e transformações sociais de maneira mais abrangente, porém,  considerando diferentes relações, práticas e experiências que estão presentes nas vidas de homens, mulheres, jovens, velhos e crianças de campos, sertões, florestas,  cerrados, oceanos, rios, montanhas e fronteiras.

Corpo, velhice e ruralidade: subjetividades em foco
Adriana de Oliveira Alcântara (UNICAMP)

O presente artigo faz parte de um recorte da pesquisa de doutorado (Antropologia Social) intitulada Família e velhice: revisitando mitos e certezas, cujo objetivo é analisar como as transferências intergeracionais de apoio familiar vêm se configurando em unidades domésticas compostas de pelo menos três gerações no meio rural e urbano. É importante ressaltar que o Brasil por ser um País diverso em termos regionais, bem como socioeconômico e cultural, urge a necessidade de se fomentar pesquisas voltadas a entender a inserção do idoso no meio rural brasileiro, uma vez que percebemos uma certa carência de estudos pontuais acerca do envelhecimento humano no contexto rural. Uma das questões da investigação é compreender como o corpo envelhecido é percebido pelo idoso. A cultura de consumo voltada a estilos de vida e práticas de controle do corpo propaga um saber sobre a idade, conforme argumenta Atias-Donfut (2004) e, através da mídia, reforça uma dicotomia entre beleza e velhice. Como este segmento vem lidando com o cuidado do corpo num contexto em que a juventude se transforma num valor? Com base no trabalho etnográfico realizado num município do interior do Estado do Ceará, o artigo analisa as falas dos idosos, tomando como foco os resultados recém-obtidos da pesquisa de campo ora citada que integra o Projeto Temático Gênero, Corporalidades desenvolvido no PAGU – Núcleo de Estudos de Gênero da Universidade Estadual de Campinas.
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Reconocimiento y uso de categorías de género en una etnografia
Andrea Mastrangelo (CONICET)

Este artículo consiste en una serie de reflexiones sobre géneros que realicé como parte de mis investigaciones sobre el aprovechamiento de recursos naturales (minería y forestación) en dos provincias argentinas: Catamarca y Misiones. Si bien mis investigaciones no han tenido como tema central los estudios de género, mi relación con las teorías de los géneros han ido en paralelo con mi propia biografía y con problemas teóricos y metodológicos que me propuse resolver a partir de tensiones, contradicciones y dilemas que me presentan los registros de trabajo de campo. Así las cosas, elaboré este ejercicio de reflexividad sobre el género en mi pequeña trayectoria como investigadora. Aquí, la reflexividad es usada para determinar cómo los “descubrimientos etnográficos” sobre género que realizo dialogan con la tradición de la disciplina en estudios sobre clase obrera, campesinado, minería y género en el área andina.
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As dimensões do trabalho feminino na fronteira: as mulheres do assentamento Conquista do Jaguarão
Carla Gabriela Bontempo, Débora C. de Paula (CETAP)

Esta comunicação pretende abordar a concepção de trabalho realizado por mulheres em diferentes propriedades de um assentamento rural em Aceguá, na fronteira do Rio Grande do Sul com a República Oriental do Uruguai. Esse assentamento, existente desde 1997, conta com 113 famílias provenientes da Campanha gaúcha e de diversas regiões do estado. Por meio de ferramentas do Diagnóstico Rápido Participativo é possível reconhecer como as mulheres assentadas trabalham em seus lotes de terra e como percebem a atuação da família na distribuição das atividades domésticas e produtivas, bem como na realização de atividades em prol da comunidade. Assim, torna-se interessante analisar, a partir das relações de gênero, condição social e faixa etária a divisão do trabalho levando em conta também as vocações das propriedades rurais.
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Uma análise crítica de empoderamento das mulheres rurais: o caso do Pronaf-Mulher em dois municípios do R.G. do Sul
Carmem Osório Hernández, Analisa Zorzi (UFRGS)

Nos anos recentes, os programas de crédito rural têm adquirido maior importância como estratégia do desenvolvimento, principalmente no que tange às mulheres rurais. Estes programas têm sido visados como uma proposta para a provisão de serviços financeiros com a expectativa de mudanças nas relações de gênero, com base na dimensão de empoderamento das mulheres; porém, existem diversos aspectos que condicionam e limitam o processo de empoderamento. Portanto, o objetivo desta proposta é fazer uma análise crítica sobre este processo, considerando a experiência das mulheres, a partir de seu acesso às políticas públicas de crédito para Agricultura Familiar, especificamente o Pronaf-Mulher em dois municípios de Rio Grande do Sul (Ijuí e Rodeio Bonito). Esta linha de crédito foi criada como um instrumento capaz de transformar as desigualdades gênero, através do acesso ao crédito agrícola voltado para a agricultura familiar, promovendo a autonomia econômica e social das mulheres no meio rural. Nesse sentido, a análise está centrada basicamente nas discussões sobre a situação das mulheres na agricultura familiar juntamente com a noção de empoderamento e suas diferentes dimensões: a econômica, social e política. Salienta-se os impactos do Pronaf-Mulher na vida das agricultoras familiares; as condições para o acesso ao crédito, as potencialidades para sua aplicação e arranjos na vida pessoal das mulheres, questionando o desenvolvimento da autonomia e, portanto, possíveis mudanças nas relações de gênero.
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Mulheres Jovens Rurais: modos de experimentar, sentir e viver práticas individuais e coletivas
Celecina de Maria Veras Sales (UFCE)

A sociedade contemporânea e suas organizações passam por transformações marcantes e carecem de um novo olhar investigativo. Considera-se ainda necessário ter como referência a noção de movimento social, pois as organizações continuam sendo espaço de sociabilidade e poder. A questão de gênero nos movimentos sociais tem sido colocada concretamente através de discussões sobre a temática e da criação de coletivos de gênero em sua estrutura. Pesquisar as jovens que participam dos movimentos sociais tem o sentido de entender o que mobiliza essas mulheres jovens a desenvolver práticas coletivas, qual o significado político e social dessas práticas e como isso interfere nos seus projetos pessoais. Ao buscar conhecer as práticas coletivas das jovens rurais depara-se com um grupo que representa o mais desenquadrado do modelo institucionalizado de cidadania: mulheres, jovens, rurais e pobres. Prioriza-se o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST, por ter em seus quadros um número representativo de mulheres jovens, e por fazer parte do sistema de interação criado internacionalmente pelos movimentos sociais. A forma de atuação do MST mexe com o imaginário, com valores, formas de vida e com a própria cidadania das participantes. Será que as ações e as discussões de gênero no interior do Movimento têm incentivado as mulheres jovens a buscar nas suas práticas coletivas e individuais, diferentes modos de experimentar, viver, sentir e inventar formas de vida? A descobrir novas relações com o corpo que possa se contrapor aos modelos fechados que lhes impõem um destino e lhes atribui um lugar social?
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Relações de poder na agricultura familiar
Dayse Reis Rodrigues da Silva (Projeto Dom Helder Câmara)

Esta proposta tem como objetivo, discutir estratégias de superação da violência contra a mulher em todas as suas múltiplas faces na perspectiva da agricultura familiar. Como referência, será exposta a experiência do Projeto Dom Helder Câmara, fruto de acordo de cooperação bilateral entre o ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), e a Federação Internacional da Agricultura Familiar (FIDA) com a parceria das ONG’s. Como este projeto atua em seis estados no semi-árido do Nordeste, para garantir a transversalidade de gênero em todas as suas ações foi desenvolvido um plano com princípios norteadores referentes ao empoderamento das mulheres nas áreas de produção e comercialização, acesso ao crédito, processos organizativos, saúde reprodutiva e sexual, educação, segurança hídrica e alimentar, controle social de políticas públicas, e no combate à violência de doméstica. As metas alcançadas, constatadas pelas atuais pesquisas de avaliação dos dados encontrados nos diagnósticos de gênero aplicados há quatro anos atrás, mostraram avanços significativos no empoderamento econômico e social, aumento na aquisição de documentação, e melhoria em vários aspectos da saúde reprodutiva das mulheres. Nos processos de organização social e política, verificou-se ampliação do nível de participação das mulheres nas instâncias de decisões das associações, sindicatos e comitês políticos. Muitas dificuldades também foram apontadas como indicativo da ineficácia da estratégia inviabilizando outras conquistas necessárias, estas serão reavaliadas. Portanto, neste Seminário, espaço de diálogos e trocas diversas, queremos discutir esta experiência como possibilidade viável para avançar no combate a todas as formas de exclusão e violência contra as mulheres no campo
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Tradição e vanguarda em Lavoura Arcaica
Fernanda Müller (UFSC)

Simbolizada pelo binômio campo-cidade, a tensão mais evidente no romance Lavoura arcaica é o conflito entre tradição e vanguarda. Embora tal problemática seja recorrente na literatura, ela é abordada de modo singular por Raduan Nassar que evoca a experiência do desajuste por meio de diversos pares: liberdade e tradição, deriva e confinamento, retidão e loucura, repressão e luxúria. Mais interessante do que uma classificação em categorias diametralmente opostas, no entanto, é verificar o modo como esses pólos se tocam. Afinal, a lavoura das parábolas bíblicas, do recato, do ensino e da comunidade patriarcal não corresponde ao inverso da cidade, da verborragia, da devassidão, da arte e do cosmopolitismo do filho. Os valores do campo contrastam-se com os da cidade, mas nem um nem outro são categorias estanques. Signos relacionais, é o modo como se combinam e mesmo se alternam o que tenciona o discurso, lançando luz sobre temas como a doença mental, o desejo, a sexualidade reprimida e o êxodo rural. Assim sendo, o objetivo desse trabalho é, a partir de uma perspectiva de gênero, propor uma leitura dos papéis atribuídos e efetivamente desempenhados no romance de Nassar por uma família rural marcada pela impossibilidade de coexistência e de aceitação mútua.
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A(o)s posseira(os) e a luta pela terra na região do Bico do Papagaio 1964/1984: memória e identidade
Gerson Alves de Oliveira (UNESP)

A presente pesquisa tem como objetivo analisar a (o)s posseira (o)s e o conflito agrário na região do Bico do Papagaio, extremo norte do Estado do Tocantins, numa área desapropriada em 1984, localizada na Vila do Centro dos Borges, município de Riachinho. Pretendemos fazer uma releitura histórica/antropológica da luta pela terra paralelamente ao processo de modernização agrícola que ocorreu durante o Regime Militar. Buscaremos entender o conflito agrário de forma processual, ou seja, compreender a dinâmica interna deste grupo, sua visão de mundo revelada no interior de uma realidade – tensa e conflituosa – caracterizada tanto no âmbito político, econômico e cultural. A hipótese é identificar e compreender uma identidade por meio da tradição oral, na qual passado, presente e futuro são integrados e reorganizados através de uma trajetória histórica de freqüentes mudanças.
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Memórias de parteira: um estudo histórico antropológico das práticas de nascimento no Oeste de Sta. Catarina
Heloisa Regina Souza, Mariana Sefrin (UNOESC)

Nesta comunicação pretendemos apresentar o andamento de uma pesquisa que tem como objetivo dar visibilidade e historicidade às práticas culturais das antigas parteiras do oeste catarinense, entre os anos de 1950 e 1970, problematizando as tensões, conflitos e negociações que se deram entre os saberes oficiais (médicos e institucionais) e não-oficiais (das mulheres e das parteiras), durante o processo de transição da parturição dos domicílios para o hospital. Em termos metodológicos, o estudo se desenvolve a partir de entrevistas com parteiras e com mulheres que vivenciaram partos domiciliares com a ajuda destas, buscando identificar e descrever as práticas femininas relativas à gravidez, parto, puerpério e corpo, bem como as táticas que essas mulheres desenvolveram para lidar com as normatizações da maternidade que se impuseram a partir da ascensão da medicina científica na região. O estudo articula, então, as dimensões de gênero, corpo e poder, de forma que as práticas que buscamos reconstruir não compreendem apenas “antigas” técnicas de parir e partejar, mas referem-se, principalmente, às formas através das quais mulheres e parteiras (re)inventavam, (re)formulavam e valorizavam práticas femininas de cuidar, negociando, resistindo, burlando normas e discursos que as desqualificavam e inferiorizavam. Utilizando uma denominação de Michel de Certeau (1996), busca-se compreender as “artes de fazer” destas mulheres e as táticas através das quais elas enfrentavam os saberes e poderes oficiais. Por fim, buscar-se-á estabelecer continuidades e descontinuidades com outros estudos sobre parturição em Santa Catarina e no Brasil, bem como mostrar especificidades e singularidades que caracterizaram as práticas e os saberes das antigas parteiras oestinas.
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Violência praticada contra agricultoras rurais da região do Xingo
Izaura Rufino Fischer (FJN)

Com o objetivo de analisar a violência praticada contra a mulher rural, este texto ampara-se em dados qualitativos referentes à região do Xingo em áreas de Alagoas e Sergipe. Observou-se, nas localidades visitadas, que a violência chega ao campo e que quadrilhas atuam livres da perseguição do Estado. Como tendência, a violência se alastra naquelas áreas rurais, atingindo a paz vivenciada pela família nordestina há décadas. Seguindo a lógica da fragilidade feminina, as quadrilhas escolhem as agricultoras, presas fáceis para transformá-las em reféns, deixando o masculino, marido, filho, irmão, companheiro, solto para liberar dinheiro ou bens patrimoniais. Essa é mais uma forma de violência praticada contra as mulheres agricultoras, decorrente da relação patriarcal que se soma a outras manifestações de violência como a agressão moral, os incômodos provocados pelos maridos praticantes do alcoolismo, a desmoralização das mulheres junto à comunidade, o abandono temporário dos maridos, a agressão física aos filhos que geralmente respinga nas mulheres, o uso da força física para tirar-lhes algum dinheiro que economizaram, dentre outros. Embora marcadas por esses tipos de violência, observa-se que, a violência externa ameaçadora da vida das agricultoras e de sua família contribui para colocar em segundo plano a violência cotidiana intra-familiar pela qual passam aquelas mulheres, até porque essa violência tende a ser naturalizada pelo fato de as agricultoras vinvenciá-las desde seus ancestrais. Nesse sentido, a violência com prática semelhante aquela testemunhada pelas famílias da época do chamado cangaço que passou pela região do Xingó nos anos de 1920/30 reaparece com nova roupagem ampliando espaços para a prática de outros tipos de violência contra a mulher.
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O ‘Eito’ do homem e a Casa da Mulher? A(s) identidade(s) das mulheres na comunidade do Estreito em Campina Grande- PB
Jussara N. Moreira Bélens (UEPA)

Esta comunicação busca desvelar a imagem historicamente elaborada e cristalizada em torno do feminino como sendo um ser passivo, dependente e frágil, em contraposição ao masculino forte, corajoso e independente, identidades totalizantes e indeléveis. Assim, discute-se acerca das identidades como gestadas e transformadas no seio das Representações Sociais, por isso, passíveis de mudanças. A pesquisa de campo realizou-se utilizando a metodologia da história oral e se fez junto a mulheres chefes de família da comunidade rural do Estreito, Campina Grande-PB. Procura, então, perceber através dos relatos, o processo que leva a diferenciações e isolamento, tanto pelos outros com pelas próprias mulheres que vivem esta situação. Assim, mesmo que haja um modelo de identidade socialmente construído em torno de mulheres que vivem numa mesma comunidade, este mesmo modelo pode excluir, como é o caso aqui discutido. As reflexões também se dirigem à tentativa de compreender por que mulheres chefes de família são vistas pelos demais da comunidade como mulheres que “trabalham feito homem”, imagem que vem demonstrar a fissura das identificações construídas e universalizadas em torno de uma essência feminina.
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As marcas da violência de gênero no cotidiano das mulheres rurais
Laura Susana Duque-Arrazola, Maria Zênia Tavares da Silva (UFRPE)

A violência de gênero é um tipo específico de violência que historicamente tem marcado a existências de grande parte das mulheres. Compartilhamos com Heleieth Saffioti e Suely de Almeida, que a violência de gênero objetiva a preservação da ordem patriarcal de gênero fundada na hierarquia e desigualdade dos lugares sociais sexuados que subalternizam a mulher e o feminino. Nesse sentido a violência de gênero materializa-se de diferentes formas no cotidiano das mulheres urbanas e rurais atingindo as mulheres das diferentes classes sociais, raças, etnias, religiões, escolaridade e formação profissional. Dentre as diferentes formas em que se materializa estão a violência doméstica e conjugal, a violência física, psicológica e simbólica. Nosso objetivo nesta exposição é debater a violência de gênero das mulheres rurais nordestinas, tendo como referência as diferentes formas de violência de gênero que marcam o seu cotidiano.
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Relações de gênero e geração em um assentamento rural de reforma agrária: sociabilidade, poder e...
Maíra Martins (UFRRJ)

A saída dos jovens do meio rural e, especialmente das jovens, têm chamado muito atenção dos pesquisadores por revelar o caráter seletivo dos processos migratórios e apontam a necessidade de compreender quais os fatores que influenciam esse fenômeno. Nesse sentido, o recorte de gênero e geração tem sido importantes dimensões para analisar os contextos rurais e perceber como o espaço social esta recortado por essas divisões, identificando as relações de hierarquia e poder em jogo. Assim, o objetivo desse trabalho é analisar o lugar das jovens em um assentamento rural de reforma agrária no estado do Rio de Janeiro, apresentando como as divisões de gênero e geração recortam esse contexto e as esferas de sociabilidade e, ainda, ao enfocar a perspectiva das jovens, trazer a sua visão sobre o processo de reforma agrária que têm vivenciado.
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Dimensões de gênero: trajetória de mulheres na experiência educativa em alternância no município de Cametá-Pará
Márcia Cristina Lopes e Silva (UFPA)

O presente artigo pretende apresentar a trajetória de mulheres que são ou foram alunas da Casa Familiar Rural de Cametá – Pará (CFRC). A discussão de gênero insere-se no contexto de uma experiência educativa em alternância, onde os alunos uma semana a cada mês estão envolvidos em regime de internato nas dependências da escola e nas outras semanas desenvolvem atividades relacionadas a agricultura nos seus respectivos estabelecimentos familiares. Ressalta-se que para a obtenção dos resultados foi utilizado o estudo de caso e a opção dos atores sociais envolvidos na pesquisa foram às mulheres, isto devido percebê-las como um universo particular de ações, dificuldades e perspectivas para além da escola através das relações de gênero que são estabelecidas na CFRC e na família. Outra motivação para direcionar a pesquisa focada nas alunas se deu por representarem um número mínimo no universo de alunos homens matriculados. Assim, optei por privilegiar a fala das mulheres, pois acredito que, ao ouvi-las, terei algumas perspectivas interpretativas de seu cotidiano relacional com os homens, considerando que parto do princípio de que as relações de gênero dizem respeito à construção social das relações entre homens e mulheres (SOBRAL: 1997). As mulheres ao realizarem a trajetória da casa da família à casa da escola constroem significados de mulher, profissional, lazer e casamento e nesse percurso estão às percepções e atuações tanto na escola quanto a família. Entretanto mesmo diante da divisão sexual do trabalho identificado no estabelecimento familiar e repercutido na escola, as mulheres têm um importante papel nos espaços da unidade de produção e na CFRC.
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Políticas públicas entre pescadoras artesanais: invisibilidade do trabalho produtivo e reprodutivo
Maria de Fátima Massena de Melo (UFRPE)

Neste estudo pretendemos discutir o que também consideramos expressão da violência contra as mulheres. A que ocorre de forma implícita via políticas públicas direcionadas para as mulheres, especificamente as que objetivam a inclusão social das pescadoras artesanais através do PRONAF/PESCA, na área da Colônia Z-10, Itapissuma-PE. Dados do IBAMA mostram que no Brasil, 60% de toda a pesca extrativa vem da pesca artesanal. No Nordeste, a produção desta atividade corresponde a 75% das capturas regionais. Nela, as mulheres representam 24,35 % do registro geral da pesca e mais de 25% desta atividade produtiva é desenvolvida por mulheres (FRISTCH, 2004). A pesca artesanal contribui para a produção pesqueira e garante o consumo e a renda familiar. No entanto, o trabalho produtivo e reprodutivo realizado pelas pescadoras sofre esquecimento quando da elaboração de políticas públicas para este setor, pois as exigências para o acesso as políticas não consideram suas especificidades. As mulheres vivenciam a violência quando não são vistas como pescadoras em seu ambiente de trabalho e moradia, vivenciam precárias condições de trabalho e quando enfrentam dificuldade para tornarem-se sócias das colônias, associações e cooperativas de pescadores e obter a carteira de pescadora; critério exigido para o acesso aos programas e projetos de apoio à pesca artesanal. Uma forma de violência contra as pescadoras aparece quando as políticas reproduzem o que historicamente ocorre com as políticas do Estado e de governos para as mulheres; não reconhece suas especificidades tornando invisíveis as relações estabelecidas entre o trabalho produtivo e reprodutivo.
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Fazendo gênero no espaço rural do assentamento Antonio Conselheiro/MT
Marinês da Rosa (UNEMAT)

A proposta deste trabalho é perceber, a partir do enfoque de gênero, as relações de poder entre as mulheres que constituem a Associação Feminina do Assentamento Antonio Conselheiro. O assentamento, um dos maiores assentamentos do Mato Grosso e da América Latina, localiza-se a 26 km de Tangará da Serra na Rodovia Estadual MT-339 e envolve três municípios: Tangará da Serra, Nova Olímpia e Barra do Bugres, subdividido em 36 núcleos sociais denominados agrovilas, uma comunidade com 12 lotes conhecido por Irrigação e outra composta por 40 lotes denominado Serra dos Palmares. Considerando a importância do rural no processo de elaboração de pesquisas e políticas direcionadas às iniciativas de desenvolvimento rural, entende-se que uma análise, que articule gênero e espaço rural poderá contribuir para com a elaboração de políticas públicas direcionadas para as mulheres do Assentamento Antonio Conselheiro/MT. Assim, compreender como as relações de poder são constituídas na relação entre as mulheres participantes da Associação Feminina, implica na reflexão sobre as dinâmicas e transformações sociais das diferentes gerações.
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‘A vida melhorou agora’ percepções acerca da qualidade de vida de homens e mulheres beneficiários do crédito Pronaf B no município de São Cristóvão/SE
Mônica Cristina Silva Santana (UFS)

A partir de pesquisa realizada no estado de Sergipe, enfocando a qualidade de vida dos tomadores de crédito do Pronaf B, este artigo analisa as narrativas e percepções femininas enfatizando a melhoria na situação geral das famílias pesquisadas e a que atribuem essa mudança. Segundo dados encontrados na pesquisa de campo e nas entrevistas realizadas com o mediadores, pode-se constatar que houve alterações nas condições de vida dos beneficiários do crédito do Pronaf B no estado de Sergipe e isto se reflete na melhoria da auto-estima dos mesmos. Mesmo sendo esse um dado subjetivo para análise, foi possível, levantar alguns indícios socialmente construídos a partir das respostas dadas pelos beneficiários e da visualização das condições de vida dos entrevistados. Vários entrevistados associaram a importância da reforma da casa ao crédito recebido e o "bem" que essa condição significa para a família. Ser proprietário de uma casa e nela poder fazer melhorias, além do significado material expressa simbolicamente, que o acesso ao crédito pode gerar perda da invisibilidade junto ao grupo e exprime a continuidade da atividade produtiva desenvolvida na área.
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A construção de políticas públicas de gênero no desenvolvimento rural na Argentina
Paola Alejandra Morales (UFPE)

Posicionada como integrante de la Red TRAMA, que articula organizaciones y asesoras que trabajamos con mujeres rurales en Argentina, elaboro un ensayo que pretende dar cuenta de los avances, obstáculos y limitaciones con las que nos encontramos en la construcción de políticas públicas de desarrollo rural con perspectiva de género. El mismo da cuenta del escenario, las/os actoras/es e instituciones actualmente involucradas/os en la implementación de estas políticas. Se profundiza en el proceso y la situación actual de las organizaciones de mujeres rurales y asesoras, así como nuestra vinculación con el Estado. Para el análisis se recurre a modelos teóricos que contienen distintas concepciones subyacentes de la categoría “mujer” en la elaboración de políticas y que al mismo tiempo dan cuenta de las relaciones entre Estado-sociedad civil-mujeres, así como de las dificultades en la implementación de las políticas públicas de género en América Latina. Para finalizar se presentan propuestas que fueron puestas a discusión al interior de la red para reorientar la direccionalidad de nuestra organización.
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As lutas das trabalhadoras rurais e as relações de gênero no Sindicato de trabalhadores rurais de Feira de Santana (1989-2002)
Tatiana Farias de Jesus (UFBA)

O objetivo deste trabalho é investigar a participação feminina e as relações de gênero e poder travadas no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Feira de Santana(STRFS)-Bahia, no período de 1989 a 2002. O processo de mobilização das trabalhadoras rurais, observando a dinâmica das lutas bem como a participação destas na direção sindical na defesa dos interesses de sua categoria são elementos imprescindíveis na condução da investigação. Os depoimentos orais e outros documentos escritos localizados no Arquivo da entidade assim como, jornais e outras publicações da época sobre o sindicato servirão como fonte de informação para alcançar nosso objetivo. O recorte cronológico desta pesquisa almeja investigar o processo de conquista da direção sindical pelas mulheres(1989) e as transformações desencadeadas a partir de então, como a criação da Secretária de Mulheres no STRFS, espaço institucionalizado para atender as demandas específicas destas na região. Nesse sentido, pretende-se dialogar com as práticas, estratégias de luta e mobilização das trabalhadoras rurais inseridas na vida sindical e nos movimentos sociais do Campo. Assim, é fundamental a utilização do conceito de “Gênero” como instrumento teórico que permite compreendermos as relações entre homens e mulheres (e entre elas) nas disputas internas por espaços de decisão.
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Corpo, Divertimento e velhice no contexto rural: discutindo aproximações
Terezinha de Jesus Campos de Lima (UNICAMP)

“Corpo, divertimento e velhice no contexto rural: discutindo aproximações” pretende ser uma contribuição a temática “Intersecções entre Gênero e Sociodiversidade na Amazônia” no âmbito do 8º Seminário Internacional Fazendo Gênero, objetivando destacar a discussão que vem sendo construída com base na idéia de como os modos de divertimento do corpo revelam um fértil campo de análise sobre as práticas de sociabilidade de velhos e velhas residentes no meio rural. Trata-se de considerar que a materialidade do corpo humano, enquanto objeto de conhecimento histórico e, portanto, um lugar visível da memória social e coletiva, testemunha uma diversidade de expressões (gestos, hábitos e práticas) que ajudam a contextualizar a heterogeneidade de marcas culturais em diferentes sociedades. Trata-se ainda de sinalizar para a multidimensionalidade e para a(s) subjetividade(s) da velhice no âmbito de uma abordagem de insipiente produção acadêmica (nacional), em um esforço de refletir acerca das experiências de envelhecer, que podem variar no tempo histórico de uma sociedade, dependendo de circunstâncias individuais e ambientais que determinam a situação e a imagem de velhos e velhas na sociedade contemporânea. Tal discussão ambienta-se na pesquisa de doutorado Educação, Lazer e Velhice: tecendo redes de conhecimento em cenários brasileiros iniciada no ano de 2008 no Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
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Corpo, prazer, constrangimento: linguagens cotidianas em contextos rurais
Vanda Aparecida da Silva (ICS)

Apresentarei reflexões que dizem das experiências de distintos sujeitos sociais com a sexualidade. A partir de conteúdos emergidos de uma pesquisa realizada no Vale do Jequitinhonha-MG; outra, ainda em andamento, numa Aldeia no Baixo Alentejo (Portugal), juntamente com inspirações de outros autores, construo um trabalho situado entre leituras de antropologia e contributos para a saúde e diferentes profissionais que atuam com o humano. Com este trabalho pretendo refletir sobre até que ponto, na sexualidade, o direito ao prazer e ao bem estar é prioridade, tanto para os próprios sujeitos sociais como para os profissionais (que trabalham com o humano), principalmente, frente a cultura da prevenção das DST/AIDS, se a linguagem de contextos específicos e as particularidades das experiências sociais não forem consideradas (por ambos), contemplando as inseguranças, o desejo e as emoções.
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