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Coordenação:
Júlio Assis Simões
Doutor em Ciências Sociais, Professor do Departamento de Antropologia/USP

Regina Facchini
Doutoranda em Ciências Sociais, IFCH/UNICAMP

Anna Paula Vencato
Doutoranda em Antropologia, IFCS/UFRJ

A preocupação com a relação entre gênero, sexualidade, raça e classe é recorrente na trajetória dos estudos sobre mulheres e de gênero. Nos últimos anos, os estudos de gênero têm se detido sobre as intersecções entre gênero, sexualidade, raça, classe e geração e sua importância na produção de sujeitos e diferenças. A fim de evitar o reducionismo, tais estudos tomam gênero, sexualidade, raça, classe e geração como marcadores sociais de diferença que atuam de modo articulado na produção das desigualdades e que não são redutíveis uns aos outros. Assim, não se trata de operar com uma soma de sujeições, mas de perceber como tais marcadores se entrelaçam em convenções, normas e práticas sociais e como se materializam em corpos. Este Seminário Temático propõe pensar, através da perspectiva das interseccionalidades, como se dão e quais as implicações das articulações de marcadores sociais como gênero, sexualidade, classe, raça e geração na produção de sujeitos, corpos e identidades coletivas em contextos específicos. Para tanto, propomos os seguintes eixos de debate: 1) direitos humanos, políticas públicas e cidadania, incluindo a criação de leis e políticas que procuram garantir direitos a grupos específicos e a produção de sujeitos políticos; 2) produção de saberes no campo científico; 3) corporalidades e processos de produção de sujeitos; 4) contextos de sociabilidade, estilos e mercado erótico; 5) desafios teóricos e políticos na perspectiva das interseccionalidades.

Celas imagéticas
Aglair Bernardo (UFSC)

A comunicação aborda a proliferação das câmeras de vigilância em Florianópolis em um contexto social onde predominam os discursos sobre violência urbana, entendendo as imagens como celas imagéticas e aprisionamentos ao ar livre. Ao caracterizar como olhar vigilante o narrador das imagens produzidas pelas câmeras de vigilância, observo que ele segue uma longa trajetória de produção de olhares sobre a cidade, resultando na produção de um conjunto de códigos que são acionados no processo de produção das imagens e suas interpretações. Observando as bordas desse olhar, é possível identificar que ele é resultado de operações complexas inscritas em universos mais amplos de significação do social e por onde são exercitados conteúdos de classe, raça, gênero, étnico e geracional, reforçando estereótipos e sedimentando imagens sobre determinados sujeitos sociais. A comunicação, ao problematizar as imagens produzidas pelas câmeras de vigilância, chama atenção para o fato de que alguns sujeitos são considerados mais suspeitos do que outros, do mesmo modo que alguns espaços são considerados mais privados do que outros, remetendo a contextos mais vastos de representação da cidade.
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O Desafio da Intersetorialidade na implementação do Programa Bolsa Família em Manguinhos - Rio de Janeiro
Angela Virginia Coelho, Rosana Magalhães, Milena Nogueira Ferreira (ENSP); (FIOCRUZ)

Este trabalho pretende contribuir para a reflexão sobre as possibilidades de convergência e fortalecimento da intersetorialidade nas ações e estratégias públicas que envolvem a implementação local do Programa Bolsa Família (PBF). Criado em outubro de 2003, direcionado para famílias com renda per capta entre R$ 60,00 e R$ 120,00, o PBF tem como eixos principais: redução da pobreza e ampliação do capital humano. Apesar de sua vinculação federal, o desenho operacional tende assumir diferentes contornos nos contextos locais. Assim, o foco do estudo foi a região de Manguinhos – localizada na zona norte da cidade do Rio de Janeiro – composta por 14 comunidades de baixa renda com problemas comuns tais como: habitacionais; ambientais; de saúde; de infra-estrutura; de educação para jovens e adultos; e altos níveis de violência. Consideramos que no enfrentamento de iniqüidades sociais, a intersetorialidade de modo geral está relacionada com a ampliação da participação social e a troca de experiências, para a construção de uma rede de interação e cooperação social entre os diferentes atores envolvidos. Avaliando que as condições gerais e específicas do contexto são pertinentes à própria análise, este estudo – que integra a pesquisa mais ampla “Estudo da implementação do PBF em Manguinhos-RJ” – foi desenvolvido através de entrevistas semi-estruturadas dos gestores locais e profissionais, além de grupos focais com os usuários.Em linhas gerais podemos identificar que a construção da intersetorialidade entre as políticas públicas e o PBF enfrenta desafios e dificuldades, apresentando avanços possíveis neste contexto local.
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O que faz uma mulher, mulher?: sexualidade, classe e geração e a produção do corpo e do gênero em homens que praticam crossdressing
Anna Paula Vencato (UFRJ)

Este trabalho busca analisar como se dá a produção do corpo e do gênero de homens que praticam crossdressing, procurando entender como sexualidade, geração, classe e gênero se articulam na escolha de estilos e na produção da mulher que estes homens "montam" e "encenam". A análise aborda também administração de segredo implícita a esta prática, que continua a ser alvo de diversos preconceitos, o que faz com que para além da dimensão do desejo e dos prazeres que se relacionam a ela, seus/suas praticantes precisem lidar com várias dificuldades, como por exemplo tratar tanto desejo quanto prática como algo que deve/precisa permanecer apenas no privado e no âmbito do não-dito. A idéia deste trabalho é discutir como essas pessoas pensam suas experiências de vestir-se com roupas de "outro sexo", quais as possibilidades de efetivação deste desejo que relatam e como isto é negociado em diversas instâncias de suas vidas. Para tanto, serão utilizados dados etnográficos coletados em redes de sociabilidades virtual, em eventos e festas promovidas por membros do "Brazilian Crossdresser Club" e via entrevistas.
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Nômades da Norma": corpo, gênero e sexualidade em travestis de diferentes gerações
Bruno Cesar Barbosa (USP)

Este trabalho surgiu em meu estágio no Centro de Referência em Direitos Humanos GLBTTT de Londrina-PR, em 2007, no qual foi realizado campo nos pontos de prostituição travesti na cidade. Nestas incursões, surgiu uma demanda assistencial de algumas travestis em torno de 45 anos pelos serviços desta instituição, devido sua condição sócio-econômica, soropositividade, não possuírem moradia fixa e a problemas relacionados ao uso de silicone industrial e hormônios. Nas entrevistas com elas, uma questão colocada seriam as mudanças nas “tradições” travestis, sendo apontado que muitas travestis atualmente não se prostituem. Estas mudanças e os problemas relacionados ao envelhecimento provocariam um afastamento entre as gerações e uma estigmatização das mais velhas. A relação geracional permite evidenciar a diversidade de concepções acerca do que é “ser travesti”. Acredito também, que no encontro geracional é reiterada uma visão ocidental dominante acerca do envelhecimento, em que a velhice é encarada como um período de degeneração física, social e psicológica. Assim, se por um lado, as travestis são “nômades da norma” e deste modo, questionadoras em relação a uma série de normas consideradas “naturais” em nossa sociedade, como a heterossexualidade reprodutiva, além de polaridades como corpo/tecnologia, natureza/cultura, em um outro sentido, parece haver uma captura do mercado pelo consumo de um corpo jovem. A pesquisa encontra-se em andamento e propõe-se a partir de uma etnografia nos pontos de sociabilidade travesti em Londrina e em São Paulo, compreender as suas concepções acerca de corpo, gênero, sexualidade, idade e as intersecções destes marcadores na constituição das diferenças.
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Relações de gênero e segurança pública o processo de inserção da mulher como profissional de segurança pública na polícia militar de Minas Gerais
Camila Similhana Oliveira de Sousa (PUC-MG)

Pretende-se abordar a inclusão da mulher como agente de segurança pública na Polícia Militar de Minas Gerais, a partir da análise das permanências do caráter misógino em meio à cultura institucional, a despeito do suposto avanço representado por tal inserção. A demarcação temporal se refere à primeira fase atinente a tal processo, compreendida entre 1981 e 1990. Os objetivos foram definidos com base no conflito entre construção identitária da policial militar feminina e os estereótipos femininos perpetuados pela sociedade civil. Pretendeu-se articular, assim, a discussão entre a suposta humanização do contingente policial através da inclusão das policiais militares e a persistente cultura institucional marcada pela misoginia.
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Na pele, no corpo e na capa: Análise de flyers e revistas de distribuição gratuita em bares e boates GLS segundo um recorte de raça, corporalidade, geração, gênero e classe social
Carlos Eduardo Henning (UFSC)

Em minha pesquisa etnográfica para a dissertação de mestrado foi possível constatar um intenso processo de florescimento da mídia voltada ao público GLS que se materializava em uma profusão de meios como flyers (panfletos), revistas pagas e de distribuição gratuita, sites, jornais, etc. Este trabalho se detém à análise imagética das figuras humanas representadas em flyers e revistas de distribuição gratuita, partindo da compreensão de que estas representações refletem o universo de corporalidades desejáveis (expressas imageticamente) e indesejáveis (geralmente não representadas) neste contexto. Procuro interpretar os mecanismos valorativos que influenciam estas visibilidades e invisibilidades através da intersecção de marcadores sociais como raça, corporalidade, geração, gênero e classe social. Mecanismos estes que acabam por localizar os indivíduos em posicionalidades hierárquicas no contexto da cena GLS da cidade de Florianópolis, Santa Catarina.
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Afetividades, consumo e redes: um estudo de grupos anônimos de ajuda mútua
Carolina Branco de Castro Ferreira (UNICAMP)

Esta pesquisa tem como objetivo analisar a socialidade estabelecida em grupos anônimos de ajuda mútua que pautam suas identidades sociais em discursos de dependência afetiva/sexual. A metodologia proposta é a observação participante e entrevistas em profundidade com os participantes dos grupos anônimos Dependentes de Amor e Sexo Anônimos (DASA), Co-dependentes anônimos (CODA) e Mulheres que Amam Demais Anônimas (MADA). Os dados etnográficos sugerem que estes campos de pesquisa devem ser compreendidos a partir do estabelecimento de redes de socialidade que operam com noções de dádiva e reciprocidade. Compreender as redes e como elas se estabelecem também é perguntar por quem são estes sujeitos e como circulam nelas. Nesse sentido, o mapeamento destas redes de socialidade tem me levado a frequentar os Devedores Anônimos (DA). Um número significativo de pessoas que freqüentam o MADA, o DASA e o CODA dizem freqüentar o DA por conta de gastos exagerados com o mercado sexual (prostituição, revistas e vídeos) ou pelo descontrole emocional. Esse dado tem me levado a refletir como estas redes de socialidade operam como redes de consumo que criam identidades e estabelecem relações. O material etnográfico até agora coletado mostra como há um recorte de gênero, classe, raça/etnia e idade/geração. As (os) freqüentadores (as) dos grupos parecem ser provenientes de camadas das classes médias urbanas, há presença significativa de negros (as) e estrangeiros, bem como nos grupos parece haver uma distribuição, classificação e generificação das esferas amorosas e eróticas.
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"Mas você é gay também?" - algumas reflexões sobre nossas subjetividades e corpos em campo
Carolina Parreiras e Camilo Albuquerque de Braz (UNICAMP)

Algumas teorias recentes em estudos de gênero e sexualidade têm apontado a necessidade de se olhar, investigar, refletir e escrever sobre a produção de subjetividades e a materialização de corpos a partir de um viés interseccional. A proposta de tais perpectivas é que gênero, raça, sexualidade, idade, classe/status não sejam tomados em separado e nem hierarquizados, na medida em que operam de maneira articulada e contextual em tais processos. Trazemos aqui dados de duas pesquisas antropológicas que trabalham nessa perspectiva – a primeira é de uma antropóloga buscando interpretar o cotidiano de uma comunidade virtual para homens gays; a segunda de um antropólogo buscando interpretar o cotidiano de clubes de sexo para homens. O desafio, quando se trabalha a partir das interseccionalidades, parece ser o de entender sob quais parâmetros matrizes de inteligibilidade diversas estão atuando e de que modo as convenções que produzem estão interrelacionadas nos cotidianos estudados. Nossa proposta aqui é refletir sobre esse ponto a partir do outro lado dessa moeda. Se entendermos de antemão que marcadores sociais de diferença operam contextual e relacionalmente na produção dos sujeitos que estudamos e na materialização de seus corpos, o mesmo deve valer para nós mesmas/os enquanto pesquisadoras/es, em campo. Nesse sentido, cabe-nos levantar algumas reflexões sobre nossa inserção e no modo como fomos percebidos e nos percebemos nos cotidianos estudados, acreditando que isso nos ajudou a construir nossas interpretações antropológicas deles.
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Projeto Trabalho Doméstico Cidadão - a formação social e profissional de trabalhadoras domésticas
Emanuela Patrícia de Oliveira (UNICAMP)

O projeto “Trabalho Doméstico Cidadão” é ressaltado como a primeira iniciativa de governo voltada às trabalhadoras domésticas no Brasil e, por outro lado, é colocado como resultado da própria organização de tais trabalhadoras, responsáveis pela gestão política e pedagógica do mesmo. Lançado no ano de 2005 e aplicado nacionalmente ao longo de 2006, o projeto surgiu da articulação entre a Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas e de alguns sindicatos a ela filiados, bem como do Ministério do Trabalho e do Emprego, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, do Ministério da Previdência Social, do Ministério da Educação e da Organização Internacional do Trabalho. Em um cenário crescente de oferecimento de cursos às trabalhadoras domésticas, o projeto se fundamentou no oferecimento de qualificação social e profissional às trabalhadoras, abrangendo o que considera como questões cruciais para o exercício da cidadania, como a elevação da escolaridade, o fortalecimento da auto-organização das trabalhadoras e o desenvolvimento de projetos para intervenção em políticas públicas. Mais do que capacitar a partir das exigências do mercado, o projeto apresentou como proposta que a formação teórica e técnica relativa aos conhecimentos gerais e profissionais fossem integrados a uma formação geral e política das trabalhadoras. Para tanto, por meio de discussões em torno de pontos como Identidade e Cultura, Trabalho Decente, Qualidade de Vida e Participação e Empoderamento, as trabalhadoras domésticas passam por uma modelagem que implica construções em torno de conceitos como pessoa, corpo, gênero e etnia.
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Qué ontología en la corporalidad del sujeto de derecho sexual? Arte bioenergético por una deconstrucción plástica del discurso corp-oral sobre masturbación femenina y masculina.
Esmeralda Mancilla Valdez (Universidad Paris 1, Panthéon-Sorbonne)

La legislación internacional sobre derechos sexuales ha sido considerada en las discusiones internacionales. Fue en un congreso Internacional de Sexología clínica donde se argumenta por primera vez sobre el placer sexual como derecho; nueve anos después que en Beijing (1990) se expusieran las diversas problemáticas de las mujeres para poner en coherencia las experiencias íntimas y el placer sexual dentro de la dinámica de las sociedades democráticas contemporáneas. Pero, que posibilidades ontológicas tienen los individuos de cada sociedad para introyectar los derechos sexuales corporalmente. El objetivo principal de esta investigación ha sido responder a la pregunta sobre la capacidad ontológica corporal del sujeto en una sociedad de magma inductivista (México) en comparación con aquel de una sociedad deductivista (Francia). Arguyo que la legislación en materia de sexualidad se ve afectada por el tipo de ontología socializada por el magma social, lo que origina que los derechos sexuales se introyecten en los individuos en niveles diferentes de corporalidad. Metodológicamente se considero al arte bioenergético como medio eficaz en la recuperación de información y a la vez de legitimación de derechos sexuales. El arte bioenergético es una propuesta de deconstrución corporal del magma social sobre el placer
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O nosso afeto que se encerra: conjugalidade, racismo e violência nos casos do Disque Racismo-RJ (2000-2004)
Fabiano Dias Monteiro (UFRJ)

Historicamente, o tema das relações conjugais inter-raciais brasileiras tem sido tratado como item pertencente ao processo de ascensão social dos negros, em sentido amplo, sendo a formação de pares amorosos heterocrômicos, via de regra, compreendida em termos de estratégia de prestígio, perspectiva esta que termina por desaguar na, já bastante contestada, teoria do branqueamento. Contudo, o surgimento de novas políticas públicas voltadas para a defesa dos direitos das minorias étnicas e sexuais revela que novas perspectivas a respeito deste tema impõem sua pertinência. Os números do Disque Racismo–RJ, instituição governamental de nível estadual voltada para o combate à discriminação racial, demonstram, entre os anos de 2000 e 2004, um crescimento progressivo das denúncias de racismo (acompanhado ou não de agressão física) envolvendo cônjuges ou amantes pertencentes a grupos raciais distintos. O padrão típico destes relatos aponta na direção do par amoroso do tipo “homem branco + mulher negra” como o de maior suscetibilidade ao conflito, apesar desta formação ocupar lugar central no imaginário brasileiro como núcleo de produção da miscigenação brasileira. Tão importante quanto o enfoque sobre os integrantes dos pares amorosos envolvidos em querelas discriminatórias é a compreensão da dinâmica destas situações de conflito. Neste sentido, observa-se que o ritual de discriminação racial entre casais heterocrômicos inicia-se em situações de busca de maior simetria por parte das parceiras, não raro, alinhadas a um discurso de igualitarismo e individualismo. Assim, o racismo parece emergir onde o sexismo demonstra ter fracassado na produção de hierarquias e desigualdades.
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O paradigma da Année Sociologique e as questões de gênero
Fernando Giobellina Brumana (Universidade de Càdiz)

Na sua discussão sobre a preeminência da mão direita, Robert Hertz elaborou com grande fineza e originalidade a noção de ‘dualismo hierárquico’. Esquecido pela antropologia francesa posterior, este texto –como vários outros da época- foi resgatado nos anos ’60 pelos antropólogos britânico como Evans-Pritchard, Turner e Needham. Foi Rodney Needham e alunos seus -Beidelman tal vez o mais significativo- que deram passo a uma tarefa tal, com o registro de material de campo que mostravam as cadeias metafóricas de ‘direita/esquerda’ em diversos níveis; a oposição ‘homem/mulher’ aparece neste contexto como um (e só um) desse níveis. A idéia que eu tenciono colocar nesta apresentação é que temos logo aqui um instrumento conceitual chave para uma compreensão de ‘homem/mulher’ que pode ser inserida em uma teoria sociológica global. E tem mais. No seu texto sobre direita/ esquerda entre os kaguru, Beidelman faz uma colocação sobre o emprego de uma e outra mão nos relações sexuais; Lévi-Strauss, na Pensée sauvage mal interpretou o dito pelo antropólogo americano e fez uma interpretação que tem em conta outro tipo de dualismo, não hierárquico. Mas este tipo de dualismo diferencia em verdade não homem/ mulher, mas dois tipos de homens: os doadores e os receptores de mulheres. Meu intuito é discutir a relação entre um e outro tipo de dualismo.
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Identidades e diferenças, práticas e moralidades transnacionais: reflexões sobre a esgrima japonesa no Brasil
Gil Vicente Lourenção, Igor José Reno Machado (UFSCar)

O foco da pesquisa é a negociação de ‘identidades’ para japoneses e descendentes de japoneses residentes no Brasil tendo por veículo uma prática esportiva designada por Kendo [literalmente: ken= espada/ do=caminho; reconhecida como esgrima japonesa]. Nesta prática esportiva e moral observamos uma disciplinarização do corpo e das atitudes que delimita consciente e inconscientemente uma negociação de ‘identidade e diferença’ demonstrada e operada nas relações sociais localizadas nos salões de treinamento – e fora deles – entre japoneses, descendentes e brasileiros sem ascendência nipônica. Essa prática marcial tangencialmente passa por questões de gênero, demarcação e significação de religiosidades e um postulado de corporalidade. Vemos que categorias como identidade, etnicidade e Estado-Nação não dão conta de explicar as razões de demarcação de semelhanças e diferenças enquanto argumentações que escapam dos limites territoriais e que trazem através de sua operação formas diversas das apontadas na bibliografia especializada. Remeto-me aos estudos recentes sobre transnacionalismo no objetivo de observar e perimetrar a negociação de uma identidade-diferença nipo-brasileira inserida na socialidade brasileira.
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Produção da diferença nas Repúblicas de Idosos de Santos, SP
Glaucia da Silva Destro de Oliveira (USP)

O universo de pesquisa desenhado por este trabalho consiste em uma política pública pensada para segmentações de idade, de classe e de gênero específicos. A idéia é promover moradia para os considerados velhos, cuja renda mensal varia de um a três salários mínimos e apresentá-los como autônomos, o que inclui a realização de tarefas domésticas e divisão de gastos pelos moradores. As Repúblicas de Idosos de Santos, SP, são compostas por quatro casas nas quais convivem homens e mulheres de mais de sessenta anos. Neste espaço, relações de gênero e diferentes concepções ao seu respeito são postas em evidência, assim como diversas experiências de classe e de raça – pois, apesar de apresentarem-se como homogêneos pela política, tais moradores advêm de múltipas situações e condições sociais - articulam a experiência coletiva de negociar o cotidiano da casa e a vivência da velhice. Neste sentido, embates, confrontos e discriminação são evidenciados no interior das casas-repúblicas na produção de sujeitos e diferenças. A proposta da política, para além de moradia, refere-se a um modo de gerir a velhice. Neste sentido, a concepção das repúblicas está ancorada no modelo de "velhice bem-sucedida", em que uma noção específica de juventude encontra-se presente no processo de envelhecimento como valor moral (Debert, 1999).
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"O quê eu vou ser quando crescer?" Corporalidade em construção ou a luta pela auto-definição
Hortensia Caro Sánchez (Universidade de Càdiz)

El título no es una casualidad, proviene literalmente de una entrevista a una mujer que nació hombre. Mi intervención se centrará en esta persona que, desde pequeña, se hizo varias veces esa pregunta. En sus primeros años no sabía si nombrarse a sí mismo (¿misma?) como hombre o bicho, aunque siempre supo que era mujer. La conocí en una casa de candomblé donde podía ser quien quisiera, y era mujer bonita: melena larga, facciones femeninas, pecho en alza, ropa tal cual vestiría una persona nacida mujer. La construcción de su corporalidad tuvo una tortuosa trayectoria marcada por la repulsión hacia su anatomía y la angustia por la indefinición “¿Seré un monstruo?” –se preguntaba con doce años. Quería ser mujer con toda la iconografía y las convenciones sociales que se suponen femeninas. Su deseo en nada trasgredía la moral, tan sólo se trataba de una intervención quirúrgica, una cuestión técnica. Las crisis emocionales que sufrió fueron interpretadas como la entrada en la posesión de pomba gira. Maria Padilla, la española que fuera reina después de muerta, visita su cuerpo haciendo de ella la poderosa mujer que apaga los cigarros con el pie: el “teatro y su doble” estaba servido; la entidad espiritual le otorga la feminidad que su cuerpo necesita.
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"Um homem normal": homossexualidade, consumo e constituição de subjetividades
Isadora Lins França (UNICAMP)

O texto que aqui apresento parte da minha pesquisa de doutorado, cujo objetivo mais geral é pensar a produção de sujeitos, categorias identitárias e estilos relacionados à homossexualidade num contexto de segmentação de mercado, a partir de um conjunto de espaços de sociabilidade e consumo freqüentados por homens que se relacionam afetivo-sexualmente com outros homens na cidade de São Paulo. A reflexão proposta por este trabalho parte da realização de observação etnográfica e de entrevistas em profundidade realizadas com freqüentadores de um samba GLS e com freqüentadores uma festa destinada a ursos – ou seja, homens que se relacionam com outros homens e que são mais gordos e peludos. Pretende-se, a partir desse material, elaborar uma reflexão sobre como marcadores de diferença - como gênero, sexualidade, classe, idade e cor/raça – articulam-se nas trajetórias de freqüentadores desses espaços de consumo e causam impacto na constituição de subjetividades, compondo narrativas que falam de posições de sujeito sempre em negociação. Atenção especial será dada a como esses homens se localizam frente aos estilos relacionados à homossexualidade e marcados pelo consumo de bens e lugares específicos e frente aos estilos relacionados à masculinidade de maneira mais geral.
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O lugar da Europa no imaginário sexual dos 'brancos' brasileiros
James Turner (UFSC)

Apenas comecei meu trabalho de campo em Florianópolis (SC, Brasil), interessado nas construções da sexualidade dos ‘brancos’ brasileiros. Estou particularmente interessado nos discursos de ‘branquitude’ e ‘europeidade’ que podem estar presentes neste lugar. E também em estudar como esses discursos podem afetar as construções das subjetividades e discursos sexuais entre aqueles brasileiros que sentem que a sua ‘branquitude’ os exclui das visões externas normalizadas acerca da sexualidade brasileira. Visões essas que tendem a focar na desumanização e exotização da sexualidade brasileira na forma, por exemplo, da imagem da mulata rainha do Carnaval ou do homem negro hipermasculinazado (Parker, 1991; Beattie, 1997; Sheriff, 2001). Pouco tem sido pesquisado sobre a construção de branquitude no Brasil e, até onde eu sei, nenhuma pesquisa etnografica foi realizada com respeito a como essa se encontra com as sexualidades. Gostaria de propor um diálogo com o que tem sido escrito por Galen Joseph (2000) sobre a Argentina. Este autor propõe que ‘branquitude’ e ‘europeidade’ eram consideradas sinônimos por muitos argentinos de classe média descentes de europeus a fim de se distanciar da visão negativa ‘latino-americanizada’ que europeus e norte-americanos têm sobre aquele país. Em parte, quero descobrir se uma auto-europeização é praticada por alguns brancos brasileiros na tentativa de se distanciar da africanização das sexualidades brasileiras, ao procurar um outro lugar dentro de uma subjetividade conectada a uma ‘branquitude transnacional’. Portanto, gostaria de discutir esses assuntos em maior detalhe antes de apresentar algumas conclusões preliminares dos meus primeiros quarto meses (dos 14 do total) de campo.
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Jovens feministas: um estudo sobre a participação juvenil no feminismo do Rio de Janeiro
Julia Paiva Zanetti (UFF)

O feminismo é considerado o movimento social que mais conquistas teve ao longo do século XX, no entanto, assim como na maioria dos movimentos, é possível observar um certo retraimento dele nos anos 1990. Uma das marcas deste período foi a pouca participação de jovens durante alguns anos. Aparentemente não houve interesse das jovens em se aproximarem do movimento, talvez por acreditarem no senso comum de que a igualdade entre homens e mulheres já estava conquistada; também parece não ter havido uma preocupação das feministas, pelo menos que se revertesse em algum tipo de ação, de conquistar novas gerações. Apesar disto, no final da mesma década é possível perceber a aproximação de algumas jovens ao movimento. No mesmo período, as questões referentes à condição juvenil começam a adquirir relevância, os/as jovens passam a ser reconhecidos/as como sujeitos de direitos, com necessidades, potencialidades e demandas singulares. Os debates sobre juventudes ganham visibilidade, envolvendo diversos atores, em diferentes arenas públicas, principalmente relativas a políticas públicas. Nos movimentos sociais não foi diferente, inclusive no feminismo. Mesmo tendo contado ao longo de suas histórias com a participação de sucessivas gerações de juventude, só nos anos 2000 as feministas jovens passaram a reivindicar reconhecimento, espaços e discussões específicas de juventude dentro do movimento. Neste contexto, este trabalho analisa que processos têm levado à constituição da identidade de jovens feministas e as diferentes formas das jovens se aproximarem e permanecerem no movimento feminista da região metropolitana do Rio de Janeiro nos dias de hoje.
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Sexualidade, gênero, cor/raça e idade em lugares de sociabilidade homoerótica em São Paulo
Júlio Assis Simões (USP)

O trabalho apresenta resultados preliminares de observação etnográfica e entrevistas conduzidas em lugares marcados pela ocorrência de interação e sociabilidade homoerótica envolvendo adultos jovens na cidade de São Paulo. Duas regiões da cidade serão destacadas: a área da Vieira de Carvalho, situada no Centro Histórico, caracterizado por um constante fluxo de pessoas de diferentes localidades da cidade, incluindo jovens mais pobres moradores de periferia; e a Vila Madalena, bairro que nos últimos anos passou a abrigar uma grande concentração de espaços de lazer noturno juvenil, atraindo um público de classe média. Procura-se oferecer uma descrição geral de como se dão as interações nos diferentes lugares, bem como desenvolver uma primeira elaboração sobre o modo como categorias de cor/raça, gênero e idade operam para classificar os freqüentadores, ordenar padrões de interação e sociabilidade e indicar preferências de parcerias afetivo-sexuais. A pesquisa faz parte de uma investigação maior, “Relações entre ‘raça’, gênero e sexualidade em diferentes contextos locais e nacionais”.
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A "pegada": interações (e tensões) nas baladas de São Paulo
Katucha Rodrigues Bento (FESPSP)

Algumas questões levantadas neste estudo são inspiradas a partir da reflexão desenvolvida no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da graduação, cujo propósito foi pesquisar conflitos raciais em festas de samba na cidade de São Paulo através de uma análise comparativa entre “baladas” com a maioria de freqüentadores brancos e outra com a maioria de freqüentadores negros. Naquela ocasião, o trabalho de campo informou como a cor da pele adquire importância e reconhecimento dos indivíduos em determinadas situações, orientando relações sociais e relações de poder dentro do ambiente da “balada”. A “balada”, termo criado para designar festas em São Paulo, traz um aspecto bastante peculiar, pois se trata de um cenário informal e extra-cotidiano de uma pesquisa que trava uma discussão aprofundada sobre embates sociais como discriminação por classe e racismo. Estereótipos que, neste âmbito festivo, são reproduzidos de maneira que demarcam e reiteram um “lugar” erótico, diferenciado pela cor da pele, orientação sexual, gênero, classe social, permitindo que se gere uma classificação pautada pelo desejo que define quem tem a “pegada” e quem não tem, bem como o ideal de beleza e suas “preferências raciais” para a escolha de um parceiro para ficar, namorar, casar e se reproduzir. Esta problematização traz à tona uma discussão acerca das relações entre negros e brancos, homens e mulheres, classe e sexualidade que permeia interações pessoais e promove as interfaces na construção de si.
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Interseccionalidades ou hierarquia de preconceitos: gênero, sexualidade e raça/etnia entre educadores
Maria Mostafa, Sergio Carrara (UERJ)

Este trabalho analisa uma experiência inovadora de formação à distância de profissionais de educação nas temáticas de gênero, sexualidade, orientação sexual e relações étnico-raciais no Brasil, resultado de uma articulação entre diversos ministérios do Governo Federal Brasileiro (Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e o Ministério da Educação), British Council e Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos (CLAM/IMS/UERJ). O curso ocorrido entre maio e setembro de 2006 teve como público alvo prioritário 1200 professores/as do Ensino Fundamental em seis municípios da rede pública e seu objetivo primordial foi ampliar a compreensão sobre a dinâmica dos processos de discriminação presentes na sociedade brasileira, especificamente no que se refere ao gênero, à orientação sexual e à raça/etnia. Um dos grandes desafios enfrentados no curso diz respeito à proposição da interseccionalidade dos temas, aqui analisada especificamente a partir dos posicionamentos dos professores nos fóruns de discussão. O que parece prevalecer é uma certa hierarquia dos preconceitos, apontando muito mais para a eleição de um aspecto chave de discriminação, ao invés do reconhecimento da complexa interação entre esses marcadores sociais da diferença.
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Dykes numa cena de riot grrrls: uma reflexão sobre estilos, diferenças, sujeitos e normatividades a partir da cidade de São Paulo
Regina Facchini (UNICAMP)

O trabalho proposto é fruto de pesquisa de doutorado sobre mulheres que se relacionam afetivo e/ou sexualmente com mulheres, realizada a partir da cidade de São Paulo, na qual o foco analítico recaiu sobre as relações que se estabelecem entre práticas eróticas, identidades, corporalidades e convenções sociais acerca de gênero e sexualidade, enfatizando a intersecção entre diversos marcadores sociais de diferença. Esta proposta concentra-se sobre material etnográfico produzido a partir de uma das redes estudadas na referida pesquisa: aquela formada por jovens integrantes de cena "riot grrrl" local. Ao retomar as perspectivas sobre estilo nos trabalhos de Helena Wendel Abramo e de Dick Hebdige, a análise procura refletir sobre a possibilidade de pensar estilos como operadores de diferenças, buscando tanto escapar ao risco de substantivar relações sociais quanto manter coerência em relação à perspectiva das interseccionalidades que norteia este trabalho. O caráter "espetacular" do estilo como forma de "dar-se a ver" e comunicar-se é levado em conta, assim como as múltiplas relações de poder nas quais se inscreve o que é comunicado. Uma reflexão sobre a relação entre estilos e produção de sujeitos é realizada, levando em conta que os estilos não são produzidos por sujeitos pré-dados, que agem de forma inteiramente consciente em relação aos efeitos das mensagens comunicadas por dada composição de aparência, atitude e música. Considero que os sujeitos são constituídos no processo de citar
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"Beber, Cair e Levantar": Performance e Gestão do Anonimato em Festas de Forró Eletrônico
Roberto Marques

Esse trabalho discute performances e formas de gestão do anonimato em festas de forró eletrônico na região do Cariri (CE).Se o ambiente do forró leva o ouvinte afeito a estereótipos a pensar em espaços fortemente hierarquizados, onde o mercado erótico apontaria a distinção masculino/feminino como atividade/passividade, tais expectativas são apenas parcialmente cumpridas. Paralelamente, percebe-se a construção do prazer e da realização pessoal calcados na noção de indivíduo com valor determinante, noções afeitas a ambientes urbanos. Cores vivas, roupas de malha, lantejolas e fendas, saltos altos, bonés, tatuagens, grossos cordões prateados apontam uma marcação de gênero entremeada por uma estética do excesso. Expressões como "bombar", "fechar" ou "só vai dar eu" consolidam uma gramática do gerenciamento das zonas de sombra presentes nesses espaço “hierarquizados” onde ninguém seria anônimo, pretensamente dirigido pelas relações cotidianas e pela noção de comunidade. Nosso trabalho tenta mostrar como noções de sexualidade e gênero podem refinar estudos anteriores sobre Nordeste e construção da noção de comunidade em regiões de pequeno e médio porte, a partir de performances, marcações de redes de relações fugazes e intricada manejos do anonimato. Assim, ao tempo que se relaciona com marcações de gênero, convenções de raça, classes e identidade regional, nossa pesquisa aponta a potencialidade da recepção de padrões de vida urbanos em ambientes tidos como “tipicamente nordestinos” e as artimanhas dos sujeitos para compor a urbanidade no sertão.
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Subjetividades marginais – uma análise de decisões judiciais brasileiras sobre conjugalidades homoeróticas
Rosa Maria Rodrigues de Oliveira (UFSC)

Partindo de dados encontrados num estudo de caso realizado em quatro Tribunais de Justiça brasileiros, articulo questões teóricas presentes no campo dos estudos de gênero e parentesco a posições jurídicas e políticas sobre casamento e família, identificadas pela leitura de 89 acórdãos judiciais e interlocução em campo com 25 desembargadores acerca do tema das uniões entre pessoas do mesmo sexo. Considerando transversalidades dos discursos jurídicos com convicções morais e políticas de seus/suas autores/as, a análise realizada aponta, entre outras questões, a forte influência destes fatores sobre a tomada de decisões judiciais no campo do acesso a direitos sexuais de gays e lésbicas, protagonistas das decisões judiciais em análise, e possíveis implicações na (re) produção de subjetividades marginais ao acesso a direitos de família.
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As tipologias pélvicas no ensino da obstetrícia: as articulações entre gênero, sexualidade e "raça" na produção de saberes médicos acerca da reprodução da espécie e suas repercussões na formação de uma elite profissional
Sonia Nussenzweig Hotimsky

Este trabalho analisa discursos médicos sobre a pelve da mulher e o papel que desempenha na reprodução da espécie. Essa reflexão é fundamentada em pesquisa etnográfica acerca do ensino da obstetrícia realizada em duas conceituadas faculdades de medicina brasileiras e na análise de livros-texto utilizados nessas instituições assim como de outras referencias bibliográficas acerca do tema em pauta. Procura-se mostrar como tipologias pélvicas e o conceito de “vício pélvico”, adotados no ensino contemporâneo de obstetrícia no Brasil, associam características anatômicas a categorias de gênero, “raça” e “sexualidade”, classificando-as hierarquicamente e apresentando tal ordenação aos alunos como fatos naturais. Marcadores sociais de diferença nesse contexto são enraizados na natureza e materializados nos corpos das mulheres, sendo estes marcadores articulados de modo a reproduzir e sancionar desigualdades sociais no processo de formação de uma elite profissional. A origem das tipologias pélvicas e da pelvimetria, técnica obstétrica de mensuração e avaliação anatomopatológica da bacia, remonta à constituição social e interação entre os campos da antropologia e obstetrícia. Entretanto, as tipologias pélvicas ganham maior proeminência na obstetrícia a partir da década de 1930, quando passam a ser utilizadas como parâmetro de intervenção cirúrgica. O questionamento da fundamentação científica da pelvimetria, e do diagnóstico de “vicio pélvico” realizado a partir desse parâmetro, tem levado à sua condenação como critério de conduta obstétrica em diversos países, cabendo refletir sobre os sentidos da perpetuação de seu ensino no Brasil, onde ainda define prognósticos e justificativas de cirurgias.
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