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Coordenação:
Dra. Iraildes Caldas Torres
Coordenadora do PPG em Sociedade e Cultura na Amazônia da UFAM/AM

Msc. Fabiane Vinente dos Santos
Fundação Oswaldo Cruz/AM, Doutoranda do PPG em Antropologia Social da UNICAMP/SP

Flávia Melo da Cunha
Universidade Estadual de Campinas, Mestranda do PPG em Antropologia Social da UNICAMP/SP

A notoriedade da região amazônica do ponto de vista de seus recursos naturais tem eclipsado a importância da história e das interações de seus grupos sociais, inclusive nos meios de divulgação científica, a despeito da variedade de estudos até hoje realizados sobre e na Amazônia. A sociodiversidade da região – caracterizada pela presença de indígenas, afrodescendentes, ribeirinhos, migrantes, refugiados, operários, trabalhadores rurais e outros grupos humanos – demanda investimento conceitual e analítico que dê conta das práticas e representações sócio-culturais desses grupos, assim como das profundas transformações que a Amazônia tem experimentado. Os estudos de gênero são promissores para a compreensão de tais mudanças, uma vez que fenômenos tais como a globalização, a industrialização, a urbanização e os conflitos políticos intra e internacionais – para citar alguns – têm contribuído para diferentes configurações das relações entre os gêneros e dos papéis sexuais. A proposta deste simpósio é inédita dentre os até hoje realizados no Seminário Internacional Fazendo Gênero e não pretende circunscrever-se às pesquisas realizadas na região amazônica do ponto de vista geográfico, mas de fortalecer a idéia de que a Amazônia constitui-se um lócus de experiências sociais e culturais específicas que requerem que se leve em conta tais especificidades, especialmente no que diz respeito aos estudos de gênero. Por isso, este simpósio propõe-se a ser um espaço interdisciplinar de interlocução entre pesquisador@s que trabalham nos países da Amazônia com o viés gênero em diferentes perspectivas: populações culturalmente diferenciadas; corporalidades, sexualidade, saúde e direitos reprodutivos; violência, legislação e políticas públicas; formação e pensamento social na Amazônia; migrações e conflitos políticos intra e internacionais.

Mulheres Indígenas em Manaus: Identidade Étnica e Organização como Forma de Construir Comunidade
Claudina Azevedo Maximiano (UFAM)

A partir da experiência de contato e interlocução vivida junto a algumas mulheres indígenas da região do Alto Rio Negro em Manaus, construímos uma análise tendo como referência o processo de re-apropriação da identidade étnica que, no caso desses agentes sociais, acontece no contexto da passagem de uma existência atomizada para uma existência coletiva, que ocorre quando da efetivação da participação das mesmas na Associação Pooterîka’ra Numiâ. A partir da trajetória de vida narrada por essas mulheres indígenas verificamos o processo inserção vivido no novo contexto social, através da rede de relações que estabeleceram com outras mulheres, sobretudo, indígenas que já residiam em Manaus. A participação na associação torna possível o surgimento do coletivo que provoca a emergência da identidade étnica e efetiva a possibilidade da relação comunitária. Em suas falas trazem presentes esse elemento, a associação como o lugar do comunitário, para além da questão étnica, enquanto pertencimento específico, pois o pertencimento a associação não está ligado a uma etnia específica ou a uma determinada região, inaugurando assim um processo de territorialização específica que emerge como uma nova forma de apropriação do processo de organização dos indígenas que vivem na cidade.
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Protagonismo Feminino o Amazonas
Denison Silvan (UFAM)

A Amazônia deve seu nome ao protagonismo feminino das icamiabas, tidas como as lendárias amazonas, ainda no século XVI. A guerra travada por aquelas mulheres contra os invasores espanhóis legou ao mundo pelos séculos seguintes a imagem de guerreiras indômitas, dispostas à ação para fazer prevalecer sua soberania e liberdade. Parte desta mística centenária está sendo incorporada por mulheres amazonenses num reavivamento do protagonismo feminino liderado por executivas de instituições públicas e privadas que assumem, em igualdade de condições, a responsabilidade pelos destinos do Amazonas. Este estudo buscou examinar a inserção das mulheres em cargos hierárquicos de elevada relevância nestas instituições, fenômeno inserido no novo feminismo. No Amazonas, o novo feminismo sinaliza para a necessidade de se compreender as iniciativas emergentes e pouco conhecidas do ponto de vista quantitativo e qualitativo. Considerando-se que, a partir da década de 1990, houve um aumento do número de mulheres engajadas em posição de liderança nas organizações públicas e privadas, buscou-se saber o que esta elevação numérica representa em termos reais e proporcionais. A pesquisa, que seguiu as orientações das abordagens quantitativas e qualitativas, constatou que os papéis sociais femininos e presença de mulheres no poder assumem uma perspectiva de afirmação da cidadania feminina numa reconstrução da sua identidade. Concluiu-se que o protagonismo feminino vem avançando para o estágio de igualdade de direitos entre os gêneros, num ambiente de competição saudável e democrática.
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Gênero, Políticas Públicas e Sustentabilidade Social na Várzea do Alto Solimões, AM.
Edna Ferreira Alencar (UFPA)

Na região de várzea do Alto Solimões as políticas públicas voltadas para a promoção da sustentabilidade social dos moradores se caracterizam pela precariedade da oferta de serviços sociais, e pela falta de mecanismos de mediação entre a população e os poderes constituídos. Além de serem falhas e ineficientes, também apresentam distorções históricas no que se refere a maneira como são tratadas as questões de gênero, a começar pelas políticas na área da saúde, da educação, e da produção econômica que afetam particularmente as mulheres que respondem por uma parte significativa da renda familiar através da venda de diversos produtos de suas roças e dos seus quintais. No entanto, não se observa uma preocupação, quer por parte do poder público ou de entidades sociais como sindicatos e associações, com a promoção de políticas que atendam as demandas da população e em particular das mulheres. Ao contrário, observa-se que ao invés da promoção de políticas voltadas para apoiar a pequena produção familiar, o Estado tem promovido políticas assistencialistas como o Salário Maternidade e a Bolsa Escola que reforçam sua condição de reprodutora, e não valorizam seu papel como trabalhadora, como produtora de bens e serviços que são importantes para a economia local e regional. Nesse sentido, este trabalho pretende discutir o impacto dessas políticas sociais sobre as populações da várzea do Alto Solimões, em particularmente sobre as mulheres.
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Militarismo e Masculinidade entre Povos Indígenas na Amazônia: Primeiras Notas de Pesquisa
Fabiane Vinente dos Santos (UNICAMP)

Via de regra, a relação entre militares e povos indígenas no Brasil e em outros países americanos tem se desdobrado numa questão problemática: a tensão entre uma estrutura formal, o Exército, fruto da concepção unívoca sobre o Estado – um só território, uma só língua - e nações indígenas plurais em sua territorialidade e traços identitários como língua e estruturas de parentesco. Esta relação, permeada por conflitos ao longo da história, tem gerado, contudo, outros desdobramentos, como a convivência cotidiana entre índios e militares em áreas indígenas próximas a pelotões ou mesmo a incorporação de indígenas nos quadros das Forças Armadas. Considerando a dimensão simbólica das FFAA, em especial o Exército e sua vinculação no imaginário da sociedade ocidental com os atributos considerados masculinos como coragem, força, destreza e habilidade física, busco abordar neste paper, a partir de referências disponíveis sobre o assunto, como tem se dado a apropriação simbólica do Exército pelos indígenas e que elementos têm sido utilizados na representação do militarismo entre estes, especialmente em áreas de fronteira, onde a presença das FFAA provoca uma convivência profunda entre os dois segmentos. O objetivo é ir além da idéia de embate entre Estado e nações indígenas e comparar as concepções de masculinidade de brancos e índios abordando aspectos relacionados às relações sociais e à cosmologia, tomando como foco o alto rio Negro, no noroeste da Amazônia brasileira, considerada área de segurança nacional e que conta com grande contingente de militares de outras regiões do Brasil e indígenas.
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Narrativas, Violência e Gênero - Etnografia de uma Delegacia de Mulheres em Manaus/AM
Flávia Melo da Cunha
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Formação Social da Amazônia sob o Corte de Gênero
Iraildes Caldas Torres (UFAM)

A Amazônia é formada por uma sociedade mestiça que comporta localmente mais valores indígenas do que valores das sociedades ocidentais. Mas possui também certas nuanças da ocidentalidade e do multiculturalismo bem delineadas. O período conhecido como formação social da Amazônia assume uma perspectiva de gênero bem demarcada. Os olhares e a escrita de missionários, cronistas e naturalistas que estiveram na região, por ocasião da conquista, continham sinais de alerta em relação às mulheres exacerbando às assimetrias de gênero. Este estudo busca identificar algumas construções analíticas de cunho preconceituoso e errôneo sobre as mulheres indígenas, que emolduram até os dias atuais a imagem destas mulheres no espelho do branco. A pesquisa foi realizada através do cotejamento e exame do Directório Pombalino (1759 – 1798), documento que estabeleceu o marco regulatório do povoamento da Amazônia. Dentre os múltiplos aspectos revelados, constatou-se que essa política de governo se encarregou de forjar uma imagem para as índias associada ao erotismo sexual que lembra a construção anti-feminina do judaísmo, islamismo e do cristianismo antigo, em torno do mito de Eva. Conclui-se, portanto, que a imagem turva das mulheres amazônidas assenta-se em simulações de dados, situações e acontecimentos que lhes atribuem vícios e desvios de conduta
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A Trajetória de Professores ao Parlamento no Amazonas: Uma Análise do Discurso segundo a Perspectiva do Gênero
Juçara Lobato da Silva

Ao pesquisar os movimentos de professores no Amazonas nas décadas de 80 e 90 observamos a emergência de lideranças políticas que articularam candidaturas e obtiveram êxito em ingressar no parlamento municipal. O contexto ao qual nos reportamos foi o da reabertura democrática em que os partidos de esquerda, nas suas variadas vertentes, converteram-se em expressão das mudanças ensejadas pelos movimentos populares. É assim que surgem novos atores no cenário político amazonense oriundo da militância nos partido, sindicato e movimentos sociais. Deste contexto, Vanessa Grazziotin, destaca-se pela atuação na educação, sindicato e parlamento numa trajetória sui generis da qual podemos observar sob a perspectiva de gênero cruzando sua experiência na docência, militância e parlamento.
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Feminilização e Vulnerabilidades da Mobilidade Humana na Tríplice Fronteira Brasil, Peru e Colômbia
Márcia Maria de Oliveira (UFAM)

A mobilidade humana na tríplice fronteira Peru – Brasil e Colômbia é uma temática pertinente nos estudos migratórios em nível nacional e internacional. Entretanto, no Amazonas, poucos pesquisadores vêm aprofundando esse estudo de forma mais específica e sistematizada, considerando sua relevância no cenário nacional. Esta pesquisa também possibilita a realização de uma leitura crítica sobre a problemática da migração internacional a partir da realidade abordada neste pequeno recorte da tríplice fronteira Peru - Brasil e Colômbia. Desta forma, ao mesmo tempo em que detalhamos um pequeno agrupamento, estamos relacionando causas e conseqüências de uma realidade que apresenta características de um fenômeno de cunho globalizado, denominado de “fenômeno da mobilidade humana”. Analisando as características mais atualizadas desse fenômeno na Amazônia, percebe-se um significativo aumento da migração feminina, independente da migração por grupos familiares. Entretanto, o estudo revela que a mulher sempre se encontra em situação de vulnerabilidade, tanto frente aos fatores provocadores da migração compulsória, quanto nas estratégias de adaptação. Isso ocorre porque as duas principais categorias da feminilização da migração na Amazônia se referem à situação irregular (indocumentadas) e em situação de refúgio (que é o caso das colombianas). Esta nova configuração da migração internacional na região amazônica aponta para novas rupturas na relação de gênero e desafia os novos paradigmas de análise dos estudos migratórios.
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Elizabeth Agassiz – um olhar feminino sobre a Amazônia
Márcia Regina Calderipe Farias Rufino, Dilton Mota Rufino

Dentre os naturalistas que passaram pela Amazônia no século XIX, o trabalho produzido por Elizabeth e Louis Agassiz, no seu livro “Viagem ao Brasil: 1865-1866” apresenta uma diferença importante em relação às produções daquela época – a presença de uma mulher que, por meio de seus registros diários sobre os locais visitados e as características das populações encontradas, acrescenta às descrições da configuração física das regiões (montanhas, rios, animais e plantas) a descrição do que Louis denomina como as “aventuras” do grupo, assim como a culinária, o artesanato e os costumes da sociedade da época. Embora Louis observe na introdução que “nossas contribuições mútuas para o ‘Diário’ tanto se confundiram que nos foi mais ou menos impossível separar a parte de cada qual”, facilmente se percebe os diferentes discursos e a importância das descrições produzidas por Elizabeth que apresentam as características sociais da população amazônica, dentre outras. Podemos considerar a produção sobre a região amazônica, no referido período, como androcêntrica, então o que significa a contribuição de Elizabeth nesse contexto? Qual o peso de seu discurso para a compreensão do modo de vida na região? Essas são questões que nos propomos a discutir neste texto, enfatizando a presença feminina na formação do pensamento social na Amazônia.
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A Mulher Seringueira em Varadouro - Um Jornal das Selvas.
Michelle da Costa Portela (UFAM)

A discussão sobre a presença de mulheres nos seringais é escassa, quando não restrita a frases ou parágrafos, além de etnologia, historiografia e iconografia. O trabalho pretende contribuir à pesquisa científica sobre as mulheres na Amazônia abordando a construção da mulher no Varadouro – um jornal das selvas, um jornal do movimento seringueiro acreano publicado no Acre dos anos 70. Outras pesquisas já evidenciaram a idéia de que a extração da borracha era um trabalho masculino por ser muito pesado e perigoso, ideologia desconstruída pelos membros do corpo editorial do jornal, formado, inclusive por mulheres. A representação das mulheres seringueiras no Varadouro nos traz evidências do papel delas não apenas nos seringais, desempenhando várias funções na escala de produção extrativista, mas principalmente na organização do movimento liderado pelos seringueiros no Acre daquele período, envolvendo trabalhadores rurais extrativistas, em defesa da vida frente à expansão agropecuária, mais tarde reconhecido como ‘resistência’.
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O Processo Auto-Civilizatório dos Yaminahua: Uma Perspectiva Amazônica do Progresso
Miguel Alfredo Carid Naveira (UFPR)

Em se tratando de populações indígenas amazônicas, conceitos como ‘civilização’, ‘desenvolvimento’ ou ‘progresso’ ganham uma dimensão controversa.
Durante muito tempo, as populações indígenas, associadas à tradição e ao passado, foram rotuladas de sociedades sem história ou, no melhor dos casos, percebidas como sociedades cuja ambição principal seria permanecerem iguais a si mesmas. Aculturação era a palavra de ordem que descrevia a transformação como perda (cultural) e augurava um futuro fatídico para os povos indígenas, profeticamente condenados à desaparição. No entanto, os povos amazônicos vêm demonstrando uma capacidade insuspeitada de adaptação aos novos contextos de globalização, talvez porque a
inovação e a transformação nunca foram fenômenos estranhos aos seus modos de reprodução social. Os Yaminahua (Pano), habitantes do Baixo Urubamba (Amazônia peruana), possuem suas próprias idéias do que é ser civilizado, ligadas, em grande medida, à sua teoria da concepção e da sociedade. O conceito nativo de civilização e
mistura influi, por exemplo, nas relações de inter-casamento que os Yaminahua estabelecem com madeireiros que trabalham nas proximidades de sua aldeia.
Trabalhadores eventuais na exploração madeireira, com relações cada vez mais fluidas com a sociedade envolvente, os Yaminahua enfrentam novos desafios como sujeitos de
sua própria transformação. O presente trabalho tem por objetivo abordar esses contextos de transformação privilegiando o ponto de vista yaminahua. Para entendê-lo, nos parece fundamental
compreender a relação que os Yaminahua estabelecem entre alguns conceitos fundamentais: civilização/mistura, parentesco/sociedade e identidade/alteração.
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Viaje de La Mujer Negra en la Poesía
Mirta Fernández Martinez

El poema "Mujer negra" de Senghor estremeció la poesía occidental al romper con paradigmas de belleza establecidos al cantar a la mujer africana; sin embargo, al indagar en la poesía del Caribe y en la francesa, hallamos poemas anteriores donde la sensualidad  y la belleza de las africanas o de sus descendientes en América se ponen de relieve subvirtiendo los cánones establecidos. Estos poemas han contribuido a conformar una imagen diferente y además a introducir recursos estilísticos novedosos.
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Gênero e Saberes da Amazônia: Reflexões sobre Saúde e Conhecimentos Tradicionais
Priscila Freire Rodrigues e Hiroshi Noda (UFAM)

Pensar a partir de uma visão de gênero questões que antes não consideravam principalmente as mulheres da Amazônia traz a possibilidade de dar visibilidade aos sujeitos sociais ignorados e apresentar novas questões a diferentes contextos. Quanto ao saber dos sujeitos sociais detentores/as dos conhecimentos tradicionais sobre os usos de plantas medicinais da Amazônia é possível perceber uma ampla relação desse contexto para discutir questões em torno de alternativas mais palpáveis para políticas de gênero que visem melhores condições de saúde ao acesso de todas as pessoas. Desse modo, o trabalho atenta para a relação de gênero quanto ao domínio dos conhecimentos tradicionais sobre plantas medicinais e, ainda, a importância desses saberes para uma nova visão de políticas sociais que os considere no âmbito da saúde coletiva.
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Relações de Gênero e Poder na Comunidade Sahu-Apé da Etnia Saterê-Mawé
Solange Pereira do Nascimento e Iraildes Caldas Torres (UFAM)

O Estado do Amazonas abriga a maior comunidade indígena do Brasil, sendo que a literatura regional da conta de cerca de 120 mil pessoas, que pertencem a 66 etnias e falam 29 línguas, o que representa uma diversidade sociocultural inigualável. Entre estas etnias está a saterê-mawé, que tradicionalmente habita os municípios de Barreirinha, Parintins e Maués, sendo que alguns grupos migraram para outros locais do Amazonas, fundando comunidades em que mantêm seus valores ancestrais. O presente estudo discorre sobre o caso da Cacique Bacu, da etnia saterê-mawé da comunidade Sahu-apé, localizada no município de Manacapuru, no Amazonas. Trata-se de nossa pesquisa de mestrado, cujo corte centra-se nas relações de poder envolvendo a figura da mulher índia, fato relevante especialmente quando sabemos que a liderança indígena é tradicionalmente masculina. O estudo, que seguiu as considerações das abordagens qualitativas numa perspectiva etno-histórica oral, verificou que as mulheres indígenas assumem papéis específicos na tribo, que dizem respeito à divisão do trabalho pelo viés de gênero, excetuando o caso da Cacique Bacu, que assumiu a liderança de sua comunidade num cargo considerado eminentemente masculino. Concluiu-se que a Cacique Bacu rompeu com a tradição indígena ao construir relações de poder que resultaram na sua liderança sobre a comunidade desde a década de 1980.
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Entre a Cidade e o Campo: O Lugar das Mulheres e o Lugar dos Homens em uma Área Rural Amazônica
Thais Tartalha do Nascimento
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Trajetória de Vida e de Trabalho de Mulheres Indígenas em Manaus
Wagner dos Reis Marques Araújo e Iraildes Caldas Torres (UFAM)

A implantação do Pólo Industrial de Manaus (PIM) nos marcos da Zona Franca de Manaus (ZFM) desencadeou, fundamentalmente, um fluxo migratório intenso para Manaus, capital do Amazonas. Houve, portanto, grande deslocamento de caboclos, ribeirinhos e indígenas para Manaus. Esses grupos migratórios, constituídos por minorias étnicas heterogêneas, ao se inserirem na sociedade urbano-industrial, viram-se à margem da sociedade, impossibilitados de exercerem sua capacidade produtiva tradicional, necessária à manutenção de uma vida digna. Este estudo buscou examinar a trajetória de vida e de trabalho de mulheres indígenas que se deslocaram de seus lugares de origem em busca de educação formal e acabaram se inserindo no trabalho doméstico. O trabalho de campo assume a perspectiva das abordagens qualitativas, centradas nas relações de gênero enquanto uma categoria construída social e culturalmente. Constatou-se que as indígenas realizam atividades em condições semi-servis, levando-as a situações de baixa auto-estima. Concluiu-se que tal situação é entrelaçada a uma teia de exploração que tem por base as condições de gênero e etnia. O trabalho doméstico é o caminho para a chegada das indígenas a Manaus, mas, contraditoriamente, as excluem da cidadania.
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