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Coordenação:
Wivian Weller
Doutora em Sociologia pela Universidade Livre de Berlim, Alemanha, 2002, Professora da Universidade de Brasília, UnB, Faculdade de Educação – FE, Programa de Pós-Graduação em Educação, Campus Universitário Darcy Ribeiro, 70.904-970 Brasília, DF

Mônica Prates Conrado
Doutora em Sociologia pela USP, 2001, Professora da  Universidade Federal do Pará, UFPA, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Departamento de Antropologia

A explosão discursiva de estudos sobre juventudes em diversos campos de investigação e de análise carrega a imperiosa necessidade de articulação entre as questões derivadas das demandas originárias da temática do gênero, das diversas faixas etárias, dos diferentes grupos étnico-raciais e das diversificadas classes sociais.
O Simpósio Temático Juventudes, Gênero e Violência visa a articular estudos desenvolvidos por pesquisadoras e pesquisadores que trabalham de forma isolada em diversas universidades e centros de pesquisa contribuindo assim para a desconstrução de algumas concepções vigentes sobre juventudes - que fogem das variáveis histórico-culturais como referências explicativas – ao reinscrever a cor/ raça ou etnia, gênero e classe social como componentes simbólicos instituintes de sujeitos sociais.
Nesta perspectiva, a relevância da entrada da violência a esse campo de análise e de interpretação se insere ao universo rico e complexo que aciona chaves para a compreensão de matizes e formas sutis das discriminações raciais, de gênero e de classe em contextos específicos. A violência em suas expressões dá-se de várias maneiras, e em suas manifestações contra os sujeitos dialogam, por exemplo, com as percepções culturais do corpo, masculino e feminino, em uma determinada sociedade. O que significa dizer que a violência cometida contra jovens pode ganhar um significado específico e particular, influenciando diretamente em suas experiências individuais, coletivas.
A constante retomada da Temática Proposta pode trazer resultados importantes para as ações estratégicas da vida social nas diversas realidades brasileiras e internacionais em debate. 
O Seminário será organizado em torno dos seguintes eixos:
Juventudes, gênero e trajetórias educacionais
Sexualidades e juventudes: trajetórias afetivo-sexuais e modos de socialização
Juventudes, relações de gênero étnico-raciais e de geração
Masculinidades, violências e juventudes
Violência doméstica e políticas públicas

Configuração da violência psicológica intrafamiliar em Belém do Pará
Adelma Pimentel (UFPA)

A região Amazônica no que diz respeito à identidade feminina e masculina, por exemplo, através da atividade trabalhista, uma das suas dimensões, na grande Belém, abrange inserções na área urbana e na área rural, e em ambos os espaços se impõem à presença do rio, mediando ora como fornecedor de alimento, ora como limitador, por exemplo, do acesso aos recursos de saúde. No Pará os homens e as mulheres de reduzida instrução trabalham na pesca, agricultura, ou nas casas de famílias. Neste cenário, a violência intrafamiliar adquire uma extensão impar, permeada, também, pela reprodução de estereótipos sobre papéis de gênero. Este resumo trata da pesquisa qualitativa Subjetividade Masculina, Feminina e Violência Intrafamiliar,realizada pelo Núcleo de pesquisas fenomenologicas. O enfoque teórico-metodologico é baseado na gestalt-terapia. Os informantes são homens paraenses, de 20 a 30 anos, presos na DEAM de Belém, do Pará. Objetiva verificar de que modo às idéias acerca da feminilidade e masculinidade interferem na instauração da violência psicológica conjugal, que é uma maneira de estabelecer a relação, cuja base é negar e desconsiderar o outro, tratando-o como objeto. Tais procedimentos visam a manutenção do poder, o controle e submissão. Resultados: os entrevistados têm reduzida consciência da atualização dos papeis de gênero; a violência psicológica praticada é considerada naturalizada pelo casal; o preso inclui em seu discurso o reconhecimento do ato violento, porém não se responsabiliza pelo mesmo.
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O Recado das Minas: um olhar sobre a participação de jovens mulheres no movimento hip-hop de Belo Horizonte
Camila do Carmo Said (UFMG)

O presente texto tem como objetivo apresentar os pressupostos e os referenciais teóricos de uma pesquisa de mestrado, de caráter qualitativo, desenvolvida no campo temático das relações entre juventude e educação. Tendo como referencial teórico a fortuna crítica dos debates contemporâneos sobre a identidade e sobre as culturas juvenis, o trabalho se propôs a compreender o(s) significado (s) que os grupos de rap assumem para jovens mulheres e quais seriam suas possíveis implicações na construção das identidades femininas dessas jovens. Partindo da constatação de que as jovens, mesmo em número limitado, estavam presentes nas culturas juvenis, principalmente nos grupos de estilo essencialmente juvenis, e que essa presença era pouco explorada nos estudos sobre juventude, procura-se apreender o significado social, cultural e educativo que as práticas culturais juvenis assumem para a construção das identidades dessas jovens. Para compreender essas questões, toma-se como foco jovens mulheres integrantes de dois grupos de rap da cidade de Belo Horizonte, sendo um composto somente por mulheres e o outro com uma composição mista. Nesse caminho investigativo, busca-se compreender como as jovens elaboravam suas vivências em torno do estilo, os significados da participação feminina nesses grupos de rap e no movimento hip-hop e as possíveis contribuições ou modificações que essa participação produz em um estilo musical caracterizado pela presença masculina. Finalmente, procura-se indícios para entender em que medida os grupos de rap e o movimento hip-hop interferem na elaboração das identidades femininas dessas jovens
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Escola, Projetos de futuro e Cotidiano - o que dizem as jovens rurais de um município baiano
Catarina Malheiros da Silva (UnB)

O presente texto apresenta resultados parciais da pesquisa “Escola, saberes e cotidiano no meio rural: um estudo sobre os/as jovens do sertão da Bahia, que desenvolvo no âmbito do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade de Brasília. Este estudo, em execução desde março de 2007, visa compreender e analisar o significado das experiências escolares e das vivências cotidianas para a formação de jovens que vivem no sertão da Bahia. Para responder às questões e objetivos propostos realizou-se a I etapa do trabalho de campo, no período de janeiro a março de 2008, na qual a observação participante e a realização de grupos de discussão constituíram os principais instrumentos de coleta de dados. Foram formados 10 grupos de jovens do sexo masculino e feminino – a partir do critério da amizade – estudantes dos dois últimos anos do ensino fundamental numa escola pública, localizada em área rural de um município do Estado da Bahia. A análise está sendo feita a partir do método documentário de interpretação desenvolvido por Karl Mannheim e adaptado para a pesquisa social empírica por Ralf Bohnsack. Como resultado do trabalho desenvolvido até o momento a escola é apontada como instituição relevante para a concretização dos projetos de futuro - especialmente para as jovens rurais – além de possibilitar o redimensionamento dos papéis atribuídos socialmente a homens e mulheres. O reconhecimento das vivências das jovens rurais no Sertão da Bahia é importante para pensar a proposição de políticas públicas para a mulher rural.
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Privacidade compartilhada: Gênero e diferença nas páginas do KZUKA
Cíntia Bueno Marques (UFRGS); Elisabete Maria Garbin

As indústrias culturais, que incluem rádio, televisão, revistas, jornais, peças publicitárias e tantos outros artefatos da assim chamada cultura popular, têm demonstrado um enorme poder de formação de opinião, tendências e modos de vida. A análise destes artefatos aponta para a natureza social e culturalmente construída da subjetividade e dos valores acerca do que é "ser jovem", "ser homem" ou "ser mulher". Nesta perspectiva, cabe questionar que identidades de gênero são produzidas e representadas na mídia dirigida ao público jovem? Qual a relação estabelecida com o outro masculino ou feminino a partir destas representações? Estas são algumas das reflexões que trago nesta comunicação, que consiste num recorte de dissertação de mestrado, ancorada no campo dos Estudos Culturais, acerca das identidades juvenis representadas na mídia impressa dirigida ao público jovem de alto poder aquisitivo e das marcações da diferença evidenciadas neste veículo. Examinei doze edições de 2005 do jornal Kzuka, distribuído nas tradicionais Escolas Particulares de Porto Alegre a partir dos Grêmios Estudantis. Trata-se de um jornal mensal, iniciado em setembro de 2000 que, a partir de algumas parcerias com televisão, jornal e site na internet, ganhou visibilidade na mídia em geral e em diversos eventos voltados ao público jovem. Tomando como referência os conceitos de identidade, diferença e representação, inscritos no campo dos Estudos Culturais em Educação, analiso como o Kzuka, a partir do discursos dos jovens, que compartilham neste espaço um pouco de sua privacidade, produz e coloca em circulação determinadas representações de juventude marcando a diferença de gênero.
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Abuso de Menores, Vergonha Explícita.
Eduardo Freitas Murta, Ana Paula Martins do Amaral (UFMS)

Exploração sexual comercial è a prática de sexo com criança e adolescente mediante o comércio dos seus corpos através de meios coercitivos ou persuasivos. É uma atividade sistêmica, triangular e criminosa. No que concerne à pornografia de crianças e adolescentes os conceitos de criança e pornografia diferem de país para país e se referenciam a convicções morais, culturais, sexuais, sociais e religiosas, que nem sempre se traduzem nas respectivas legislações. O número de crianças e adolescentes vítimas de abuso e exploração sexual. As fortes crises econômicas, políticas e sociais sofridas pela sociedade brasileira vêm provocando seu empobrecimento, com maior exclusão social e privação dos direitos fundamentais. Nesse contexto, o comércio e o tráfico sexuais, comuns em países em desenvolvimento, subsistem e crescem explorando a miséria de famílias famintas. a maior parte das meninas e adolescentes prostituídas no Brasil são levadas pela necessidade de sobrevivência. As crianças utilizadas na produção pornográfica passam a associar o ato sexual à violência, à força e à exploração e distorcem seu comportamento diante das questões sexuais, tornando-se adultos incapazes de se relacionar afetiva e sexualmente. O presente trabalho resulta da ação do Observatório de Direitos Humanos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul no trato a exploração sexual de crianças e adolescentes demonstrando a necessidade de incorporação da dimensão de gênero a todas as políticas e programas sobre exploração sexual infantil expondo e sugerindo providências para mudar a representação de estereotipo da criança como produto.
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Masculinidade, juventude e gênero num contexto de violência
Elaine Ferreira do Nascimento (FIOCRUZ); Romeu Gomes; Lúcia Emília Figueiredo de Souza Rebello
(Instituto Fernandes Figueira/Fiocruz)

A violência, em diversos espaços tanto acadêmicos como do senso comum, tem sido vista como uma pertença da masculinidade, nesse sentido a construção do ser homem pode implicar em situações de maior exposição e vulnerabilidades a situações de violência acirrando-as principalmente quando articulada a juventude. Essa situação é colocada a partir do momento que numa perspectiva de gênero a masculinidade se constrói na relação/oposição a feminilidade. O estudo é parte de uma pesquisa maior sobre “sexualidade e marcas identitárias masculinas no repertório de homens: subsídios para a saúde pública”. O recorte aqui adotado procurou problematizar a tríade: ser homem, juventude e violência, ancorada no modelo hegemônico de masculinidade. A investigação pautou-se numa abordagem de pesquisa qualitativa, os dados foram coletados a partir de entrevistas semi-estruturadas e o método de análise empregado foi o de interpretação de sentidos baseado na hermenêutica-dialética. Os entrevistados foram 19 rapazes com idades entre 15 e 17 anos, matriculados em um curso de qualificação para o mercado de trabalho na área automobilística, localizada na cidade do Rio de Janeiro. O estudo conclui que há uma certa naturalização entre violência e masculinidade e essa naturalização pode ser acirrada quando se somada à juventude e a determinados cenários sócio-estruturais, podendo potencializar ainda mais a vulnerabilidade à violência. Nessa perspectiva, problematiza-se a existência de uma dimensão sócio-cultural em que os nexos entre masculinidade e violência se estabelecem, mas que, no entanto, o segmento masculino pode figurar ora como autor ora como vítima, papéis que se excluem ou se superpõem.
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Juventude e Noite: Espaços Diferenciados.
Eliane Nogueira Pires (UFBA)

As reflexões que orientam este trabalho, entendido como um fazer etnográfico, têm a preocupação de compreender os jovens de Vitória da Conquista, cidade localizada no Sudoeste da Bahia, no seu lazer noturno e as novas formas de sociabilidade vivenciadas na noite. O meu objetivo é conhecer esta juventude, os interstícios do seu cotidiano noturno, seus espaços e territorialidade, suas redes de sociabilidades. Para contextualizar o trabalho, proponho estudar o cotidiano de um grupo de jovens de classe média, de 19 a 24 anos. Não considero, portanto o lado da transgressão e dos excessos da juventude. Procuro identificar uma nova forma de sociabilidade, de encontros, amores, aventuras, medos, violência, contradições e outras experiências relevantes vivenciadas pelos jovens. Este trabalho teve como base as narrativas ouvidas entre os anos de 2000 a 2004. A metodologia foi pensada para dar conta de apreender a dinâmica do lazer desse grupo de jovens citadinos que saem à noite em busca de liberdade. Para ir por este caminho, busquei uma perspectiva de analise qualitativa. Porém, nessas redes de sociabilidade, encontrei a existência de preconceitos, discriminações raciais de gênero e de classe e hierarquias se impondo nesses espaços vistos como de liberdade. Evidenciei também que os jovens lançam mão desses espaços privilegiados de práticas culturais, como a principal e mais visível forma de comunicação e de resistência expressa nos comportamentos e atitudes pelas quais se posicionam diante de si mesmo e da sociedade.
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"Tem que ser folgada pra ser respeitada": honra e brigas entre meninas
Elias Barreiros (UFSC)

Neste trabalho, discuto casos de brigas entre meninas (15 a 17 anos) pertencentes a grupos populares urbanos da cidade de Londrina/PR. Ao adotarem o uso da força física como estratégia de resolução de conflitos, de defesa da honra e respeitro, elas se aproximam de um universo tradicionamelte tido como masculino, no entanto, a maioria dos motivos que acarretam brigas entre elas sugere a continuidade das hierarquias de gênero, como nos casos de xingamentos com conotação sexual (quando a mãe é chamada de puta, quando a menina é chamada de biscate). Se a essas é possível exercer postura semelhante à dos meninos no que toca às brigas, não sofrendo nenhum tipo de desvalorização em relação a sujeitos que compartilham dessas práticas, continua impossibilitado, para elas, o exercício mais autônomo da sexualidade, sendo desvalorizadas aquelas que mantêm relações com vários parceiros. Por mais que a maioria dos motivos das brigas reforcem características atribuídas tradicionalmente à mulher, essas relações apontam para um distanciamento daelas em relação à posição de sujeitos passivos ou de pertença ao universo doméstico, ou seja, do “mundo privado”. É no espaço da rua, ou do “universo público”, e da agressividade, que adquirem representatividade e status; e se constituem enquanto um certo sujeito moral. As sociabilidades que se estabelecem entre esses sujeitos sugerem uma complexa relação entre valores igualitários e hierárquicos, entre “moderno” e “tradicional”, que somado à carecterísticas locais, como a presença de gangues, acaba legitimando o uso da força como valor.
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Pra não levar essa fama... - Negociação sexual e violência em narrativas de jovens brasileiros.
Fabíola Cordeiro Matheus dos Santos (UERJ)

O artigo analisa narrativas de homens heterossexuais, entre 18 e 24 anos, residentes em três capitais brasileiras (Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador), acerca de experiências envolvendo sexo por constrangimento ou forçado. Os dados examinados correspondem a uma sub-amostra de 24 entrevistas com jovens pertencentes a camadas médias e populares, selecionadas do conjunto de 123 entrevistas (com homens e mulheres) que integraram a etapa qualitativa da pesquisa GRAVAD (Gravidez na Adolescência: Estudo Multicêntrico sobre Jovens, Sexualidade e Reprodução no Brasil). No estudo, a adolescência/juventude é concebida como processo não linear que se dá de formas diferenciadas, segundo as trajetórias sociais dos sujeitos, tendo o gênero um papel fundamental na configuração dos distintos percursos individuais. A análise do material adota a perspectiva da sexualidade como construção social e processo contínuo de aprendizagem sociocultural pautado pela forma como são concebidas e organizadas as relações de gênero em diferentes contextos. Assim, considera-se que os eventos relatados pelos entrevistados somente adquirem sentido à luz dos valores e representações que orientam suas condutas, as quais se constituem nas experiências vivenciadas ao longo de suas carreiras sexuais e afetivas. As narrativas revelam que, nos contextos específicos de interação, um conjunto de elementos concorre para que a realização de práticas sexuais indesejadas e a utilização de estratégias de coerção sexual sejam consideradas ou não aceitáveis, bem como para a percepção de tais condutas como consensuais e legítimas.
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A violência nas relações entre casais de namorados
Fernanda S. Nascimento, Rosineide de L. M. Cordeiro (UFPE)

No Brasil, embora a violência não aconteça exclusivamente nas relações conjugais, observa-se que os estudos deste fenômeno têm se voltado, predominantemente, para esta população, deixando os casais de namorados fora do foco das pesquisas e sem contar com um espaço de discussão no meio acadêmico. Este trabalho objetiva compreender a violência entre namorados, a partir das falas de quatro jovens (duas mulheres e dois homens) entrevistados, de classe média / média – alta, residentes em bairro nobre da cidade de Recife – PE. Para a análise deste fenômeno relacional a postura adotada, que toma como referência os estudos de Filomena Gregori, é a de que a mulher não é unicamente vítima da violência, mas, co-autora. Entendemos que a violência deve ser compreendida na relação, a qual tem sua autoria dividida pelo casal, e que possui sua singularidade. O presente trabalho insere-se no campo da Psicologia Social, filia-se ao referencial das práticas discursivas e produção de sentidos. Na fala dos (as) dos jovens alguns aspectos se destacam: 1) Apenas um dos interlocutores declarou nunca ter experimentado violência num namoro, os demais vivenciaram violências múltiplas (verbal, psicológica, física, etc.); 2) Três interlocutores declararam não existir violência no atual namoro, embora dois deles apresentem em seus relatos situações de controle e cerceamento não reconhecidas como violência por eles; 3) Dois interlocutores (um homem e uma mulher) reconhecem terem sido autores de violência. Estes dados parecem apontar que homens e mulheres jovens de classes médias experimentam violência nas relações de namoro, embora nem sempre a reconheçam.
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Relatando Experiências com Garotas de um Bairro Popular do Recife: revisitando conceitos e propondo diálogos.
Giselle Maria Nanes Correia dos Santos (UFPE); Raíssa Barbosa Araújo; Evandro Alves; Luanne Alves
Oliveira; Rosineide de Lourdes Meira Cordeiro (UFPe)

Contemporaneamente tem havido uma alargamento das discussões sobre a violência e seus aspectos de “delinqüência”, assunto, sobretudo, evidenciado como inerente ao mundo de adolescentes e jovens do sexo masculino de classes populares. No entanto, este trabalho tematiza sobre práticas de violência como forma de aceitação e permanência nas relações entre pares de adolescentes do sexo feminino que, necessariamente, não apresentam um caráter transgressor. No segundo semestre de 2007 foi desenvolvido por estudantes de psicologia e serviço social, sob a orientação de uma professora, um projeto de extensão universitária que buscou promover um espaço de reflexão e trabalho com garotas de camadas populares, visando o empoderamento das mesmas no universo dos direitos sociais e sexuais. Durante as oficinas, as 10 adolescentes (majoritariamente afro-descendentes, com faixa etária entre 12 e 14 anos e que vivem na linha da pobreza, num bairro de periferia da Cidade do Recife) trouxeram relatos sobre usos de violência, os quais eram praticados como meio de adquirir ou manter o status de Menina de Moral. Politizar estas questões significa sugerir uma ampliação do olhar sobre as adolescentes do sexo feminino de classes populares. Pois, em sua grande parte, a literatura dirigida este público aborda temas que reafirmam a posição assimétrica de gêneros, priorizando para elas assuntos sobre o controle da sexualidade e cuidados com a reprodução. Propõem-se dessa forma, que as ações e intervenções que buscam promover Educação Social com essas garotas,
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Entre amigos: experiências de violência e sociabilidades entre jovens homossexuais na universidade
João Bosco Hora Góis e Thiago Barcelos Soliva (UFF)

A violência perpetrada contra homossexuais tem estado presente na agenda do movimento gay há muitos anos. Esse mesmo interesse, contudo, não vem se reproduzindo no âmbito das pesquisas acadêmicas, uma vez que poucos são os estudos que se debruçam sobre as especificidades dessa violência, sobretudo a partir de um recorte etário. Na tentativa de superar essa lacuna, desenvolvemos uma investigação junto a 30 jovens estudantes do sexo masculino, alunos da Universidade Federal Fluminense (UFF), que se auto-identificam como homossexuais. Partindo das narrativas de vida desses jovens estudantes homossexuais, obtidas em entrevistas individuais realizadas com os mesmos, privilegiamos conhecer as nuanças dessa violência. Considerando as experiências de violência como um lugar-comum no curso de vida desses jovens, objetivamos nesse estudo trabalhar com dois objetivos específicos: 1) examinar uma das possíveis formas de resistência encontradas por eles em função do contexto hostil em que se encontram submetidos. Para tanto, a investigação das redes sociais construídas pelos mesmos no tocante as suas trajetórias de vida, nos ajudará a compreender como esse grupo social constrói respostas alternativas ao modelo sexual hegemônico; 2) privilegiamos, ainda, a indagação sobre o papel dessas redes de solidariedade construídas pelos mesmos no processo de resistência à violência, assim como, buscamos entender o papel que elas exercem na constituição de uma identidade de gênero positiva entre esses jovens.
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Memória de uma violência: a trajetória de jovens exploradas sexualmente no espaço urbano de Vitória da Conquista - BA.
João Diógenes F. dos Santos (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia)

O presente artigo tem por objetivo de apresentar os resultados de pesquisa sobre as trajetórias de jovens que migraram para Vitória da Conquista - BA, quando crianças para trabalharem como domésticas. E por diferenças circunstâncias foram lançadas no mundo da exploração sexual infanto-juvenil. Essa realidade de exploração e violência é entendida por meio das reflexões de José de Souza Martins, Hannah Arendt, Giorgio Agamben, Francisco de Oliveira, entre outros. As trabalhadoras precoces foram inseridas em um mundo do trabalho violento e explorador, por causa da conjugação da desigualdade econômica, acentuada nos últimos anos pelo neoliberalismo, com uma cultura política, erigida ao longo da formação histórica do país, que delineia um processo de negação quase permanente dos direitos dessa população. Nessas circunstâncias, o trabalho doméstico, inicialmente, e a exploração sexual, posteriormente, apresentaram-se como uma alternativa de sobrevivência em condições precárias e subumanas para essas jovens.
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Juventude, Cidadania, Gênero e Gerações
Jussara Reis Prá e Léa Epping (UFRGS)

O presente estudo visa identificar comportamentos e orientações sociais, culturais e políticas de jovens dos sexos masculino e feminino em relação aos contextos público e privado na sociedade brasileira. Para tal, examina-se a influência de matrizes culturais orientadas pelas construções sociais de gênero na socialização política das e dos jovens, tendo em vista os limites à expansão de sua cidadania. O recorte de gênero visa buscar elementos diferenciados da realidade juvenil, referenciando a idade dos 16 aos 29 anos (geração jovem), tendo como contraponto gerações intermediárias (30 a 49 anos) e maduras (mais de 50 anos). Além da perspectiva geracional, adota-se um enfoque étnico-racial e de classe. No âmbito metodológico, utiliza-se o método comparativo centrado em abordagem quantitativa. O material empírico contempla dados primários e secundários, privilegiando informações obtidas em inquéritos de opinião realizados no Brasil nas últimas duas décadas. Especificamente, o estudo visa identificar as redes de relações políticas e socioculturais estabelecidas por e entre os gêneros e construir indicadores empíricos para medir e avaliar os conceitos de empoderamento, cidadania e socialização política entre a população juvenil. Com essa análise pretende-se contribuir com subsídios teórico-práticos para a elaboração de estudos comparativos, referenciando diferentes contextos brasileiros. Resultados preliminares demonstram o desinteresse da juventude pela política e sua desconfiança nas instituições públicas, o que justifica o empenho de identificar as nuanças dessa realidade e de encontrar estratégias para confrontá-la.
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Representações sobre os enfrentamentos à homofobia na escola por jovens de Mato Grosso e São Paulo
Leonardo Lemos de Souza (UFMT)

A presente pesquisa teve como objetivo mapear as representações sobre os modos de enfrentamentos à homofobia na escola de jovens de dois estados brasileiros. O levantamento de informações fora realizado com 400 jovens de escolas públicas e particulares (200 de cada estado – Mato Grosso e São Paulo, e 100 de cada sexo). Nela foi utilizada como instrumento de coleta de dados uma situação de conflito hipotética que envolvia a homofobia na relação entre alunos e entre alunas. A partir da leitura da história solicitava-se aos participantes que respondessem a questões sobre os pensamentos, os sentimentos e as ações de quem presencia a situação de discriminação e de quem sofre a discriminação. Elegemos como núcleo teórico o paradigma da complexidade e suas inter-relações com estudos em psicologia que buscam investigar os fatores envolvidos na construção das identidades pessoais e coletivas do sujeito, articuladas com os modelos culturais e sexuais predominantes nos sentimentos e comportamentos homofóbicos. Tivemos como resultados nos grupos estudados modos diferentes de enfrentamento da situação de discriminação por homofobia para com a personagem que a presencia, os quais são configurados em torno significados atribuídos a elementos presentes e ausentes na situação: fidelidade nas relações de amizade, direitos e deveres, preservação de auto-imagem pessoal e pública, decepção e vergonha. Todos eles foram reagrupados em categorias para análise com as demais variáveis (sexo, estado e tipo de escola), levando-se em consideração as referências à coletividade e à individualidade (direitos pessoais e coletivos), trazendo para a discussão a dimensão ética ou não das formas de enfrentamento.
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Juventude rural e recepção televisiva: uma abordagem de gênero
Lírian Sifuentes (UFSM)

Este estudo tem como objetivo central investigar as representações construídas por jovens camponesas acerca da mulher do meio rural. Entende-se que essas representações possuem duas origens: uma delas forma-se a partir do que as jovens vivenciam e experimentam em seu cotidiano, seja na família, escola ou com amigos; a segunda provém da televisão, que leva ao público uma imagem de quem é a mulher rural e urbana. Neste estudo, o público é composto por jovens do sexo feminino de 15 a 18 anos, residentes na zona rural de Santa Maria-RS. Os estudos culturais são adotados como modelo teórico-metodológico por entender-se que a pesquisa dos fenômenos de comunicação ocorre através das mediações, ou seja, do entorno cultural do receptor.
Entre as jovens camponesas, identifica-se a negação da vida camponesa: elas objetivam estudar para posteriormente trabalharem na cidade, não há interesse em continuar na lavoura. A valorização da cidade pode ser relacionada ao que se assiste na televisão, onde há predomínio das temáticas relacionadas à vida na cidade, propondo representações positivas da cidade e negativas do campo. As jovens deixam claro que seus principais objetivos de vida são profissionais e procuram manter-se distante da imagem de moças que pretendem casar e ter filhos cedo, associada a elas. O grau de estudo crescente entre as garotas e o maior contato com a cidade, presencialmente ou através da mídia, colabora para essa mudança substancial de práticas sociais e aspirações individuais estabelecidas por gerações anteriores, havendo uma nítida aproximação com a típica juventude urbana.
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"Fala K é nois": etnografía de um projeto de inclusão digital entre jovens das classes populares em Porto Alegre.
Lucia Mury Scalco (UFRGS)

Estudo etnográfico de um Projeto de inclusão digital realizado entre jovens das classes populares que freqüentam um curso de informática em uma Instituição Religiosa em um conhecido bairro periférico de Porto Alegre. Neste local os alunos recebem seus primeiros contatos com o computador através de um curso patrocinado pela Prefeitura que tem como objetivo a preparação para o mercado de trabalho, além de orientação para a “socialização” e “resgate da cidadania”, já que os jovens são considerados em situação de vulnerabilidade social. Embora a presente pesquisa envolva as novas tecnologias computacionais, o ciberespaço e/ou a realidade virtual, meu objetivo é mostrar como esses jovens usam, interpretam e reinterpretam esses novos saberes em suas práticas cotidianas e no espaço social e geográfico da qual fazem parte, assim como aponto para as tensões e negociações embutidas nesse processo. Abordo questões antropológicas de religião, política, juventude, classe social, consumo, moda e novas tecnologias, contextualizando-as nos processos culturais e sociais. A apropriação dos jovens de classes populares a essas novas práticas aponta para tensões e negociações existentes no processo de apropriação da internet, levando a várias ressigificações operadas por esses alunos. Operando junto com o discurso do caráter democrático da internet estão as barreiras que marcam as fronteiras existentes entre os diferentes grupos sociais. Estas ocorrem na forma de barreira material (falta de computador, conexão, infra-estrutura) e como no exemplo estudado do site de relacionamento Orkut, na forma de barreira simbólica reificando através do habitus, a lógica da separação e da distinção desses grupos.
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"Aqui todo mundo considera": reflexões sobre reconhecimento e consideração a partir de trajetórias de rapazes moradores de uma favela do Recife
Marcia Reis Longhi (UFPE)

A partir da análise de narrativas de trajetórias ‘promissoras’ de rapazes, moradores de uma favela do Recife, o presente trabalho propõe-se refletir sobre a tensão permanente existente entre a busca de reconhecimento local e o sentimento de insulto moral vivido na sociedade macro. O ponto de partida foi a inquietação gerada pela constatação de que o grupo enfocado, homens, jovens e pobres são, predominantemente, olhados pelo prisma da negatividade. Este fato se deve, em grande parte, a junção de alguns fatores, entre eles problemas atrelados à condição juvenil, o alto índice de violência urbana atual e a histórica e generalizada carência atribuída aos integrantes das camadas de baixa renda. Na intenção de quebrar a lógica do não valor, buscou-se, a partir da fala dos comunitários, trajetórias consideradas diferenciadas e bem vistas localmente. Este viés possibilitou que o conceito consideração fosse pensado como sendo o reconhecimento contextualizado, construído ao longo do processo de socialização. As trajetórias dos rapazes pesquisados foram demarcadas pelas categorias educação, trabalho, religião, e relações familiares e analisadas à luz dos estudos sobre juventude. As narrativas possibilitaram a visualização das vias utilizadas para burlar os obstáculos decorrentes do fato de integrarem um grupo destituído de valor na lógica macro-social e simultaneamente evidenciaram as estratégias utilizadas para reafirmar a identidade local. Para compreender analiticamente este duplo movimento de distanciamento e aproximação, foram utilizados os conceitos de reconhecimento e desconsideração.
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Algumas meninas são legais, mas outras, simplesmente, se acham!: Narrativas de um recreio escolar
Marta Campos de Quadros, Rosane Speggiorin Link (UFRGS)

O recreio escolar pode ser um momento preenchido por vozes, gargalhadas, olhares, passos, sons, músicas, cores, pertencimentos, estranhamentos, afinidades, disputas, conquistas, deslocamentos...Assim, esta comunicação foca questões de gênero, partindo de estudos de mestrado e doutorado em Educação que desenvolvemos abordando o momento do recreio de jovens alunos inseridos numa escola de ensino fundamental da Rede Municipal de São Leopoldo, Rio Grande do Sul. Inscritas no campo dos Estudos Culturais e amparando-se na etnografia pós-moderna, estas pesquisas procuram apresentar relações que se estabeleceram durante os recreios entre jovens que cursaram da quinta a oitava série, durante o ano letivo de 2007, trazendo à tona formas por vezes diferenciadas com que alguns alunos narraram determinadas condutas das meninas, estabelecendo uma diferenciação entre as legais e as que se acham. Tais narrativas salientam o entendimento de que as identidades de gênero e sexuais são constantemente produzidas no âmbito das culturas e, neste caso, colocadas em circulação através de atividades tais como a produção da ‘Rádio Gaiola’, conversas, olhares e provocações ocorridas durante este momento da rotina escolar. Através do diário de campo, do registro de algumas conversas realizadas com os sujeitos dos estudos, bem como do recurso fotográfico, o que destacamos, partindo de constatações iniciais, é que o recreio pode ser entendido como um lugar de produção de identidades juvenis marcadas pelas questões de gênero. Nesse contexto, é possível relacionar a educação como produção destas identidades, onde jovens alunos aprendem/ensinam modos específicos de ser meninas e meninos na contemporaneidade.
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Lugar de menina é em casa! Entre o quarto e a escola, os "refúgios do eu" pelos caminhos do espaço biográfico
Nilda Stecanela (UCS)

Esta comunicação pretende trazer à reflexão o lugar do espaço biográfico, oportunizado pelas escritas e narrativas de si, na constituição dos processos de socialização e identitários de jovens meninas de uma periferia urbana de uma cidade do interior do Brasil. Toma como objeto de análise os registros etnográficos da trajetória de uma jovem submetida a uma relação de dominação que restringe seus trânsitos urbanos e sociais, limitando sua circulação pelos espaços da casa e da escola. Na timidez para expressar seus pensamentos e sentimentos e com o receio dos “deboches”, o silêncio se instala acompanhado de momentos de depressão, revelando, no caso das jovens mulheres, formas específicas de enfrentar a pressão do cotidiano. Esta categoria nativa. evidenciada na pesquisa que origina as relações aqui estabelecidas - “Jovens e cotidiano: trânsitos pelas culturas juvenis e pela escola da vida” – desafia a busca de alternativas para a refabricação dos modos de ser jovem mulher quando se vive em contextos de intensa pressão. Os apelos para ser escutada e o caderno de segredos exemplificam os refúgios do eu, como forma de se aproximar ao direito de viver a juventude possível, mesmo quando os indicadores sociais sinalizam que as fronteiras já tenham sido ultrapassadas há muito tempo. Nas fendas das instituições família e escola, emergem estratégias criativas que garantem processos de juvenilização. Através da nomeação da palavra oportunizada pelo espaço biográfico, descortinam-se os múltiplos fragmentos do eu que constituem os processos identitários de uma jovem mulher moradora da periferia.
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Trajetórias juvenis e discriminações na interseção: o caso do grupo Melanina
Patricia Lânes Araujo de Souza (Ibase)

O trabalho reflete sobre as relações de gênero, raça, classe e geração a partir da trajetória de jovens mulheres negras, moradoras de favelas cariocas, que formaram em 2004 o “Melanina”. O grupo, que durou pouco mais de um ano, tinha como objetivo atuar entre “mulheres de comunidades carentes, trabalhando e valorizando sua auto-estima” tendo como estratégia central a produção de programas radiofônicos. As formadoras do grupo tinham em comum o fato de serem mulheres, negras, jovens e moradoras de favelas ou bairros populares; o vínculo com o movimento Hip Hop carioca; a participação em ONGs e projetos sociais, e o trabalho em rádios comunitárias; compartilhando, assim, o que a antropóloga Regina Reyes Novaes chama de “experiência geracional comum”. O Melanina é aqui compreendido como expressão possível de uma cultura e de uma geração, produto das inserções de suas criadoras e também de características culturais determinadas em tempo e espaço específicos. A partir das interseções entre suas trajetórias e da trajetória do próprio grupo foi possível analisar de que modo a noção de “auto-estima” operou a articulação entre vivências de discriminações produzidas por relações raciais, de gênero e de classe profundamente desiguais, possibilitando ao grupo a re-elaboração de identidades subalternas e a transformação de símbolos de estigma em emblemas, buscando, para tanto, o auxílio de autores(as) como Pierre Bourdieu e Kimberlé Crenshaw.
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Exclusão, situação de risco e vulnerabilidade: o ponto de vista de "traficantes".
Paulo Artur Malvasi (USP)

O tema da ocupação de “jovens” com o tráfico de “drogas” e os problemas a ele associados foram pensados a partir de algumas categorias recorrentes no campo da Saúde Pública, em particular das noções de exclusão social, situação de risco e vulnerabilidade. Tais noções podem ser relacionadas, originariamente, à busca de esquadrinhamento dos espaços pelo Estado para a construção de intervenções sobre determinada situação social considerada “perigosa”. Procuramos dialogar com sujeitos que se ocupam com o tráfico de “drogas” no sentido de reconhecer o “ponto de vista nativo” relacionado a essas noções. Pretende-se apresentar nesta comunicação algumas interpretações sobre as representações coletivas produzidas, difundidas e compartilhadas entre os sujeitos que se ocupam com o tráfico de drogas na cidade de Atibaia, interior de São Paulo. Associações simbólicas relacionadas a um etos masculino de virilidade (Zaluar), tais como o risco como estilo de vida, a arma em punho, o poder e o prestígio local, o dinheiro no bolso, a conquista de mulheres, o enfretamento da morte e a concepção um indivíduo completamente livre são elementos de experiências acumuladas, seja num nível das relações interpessoais, seja através de informações difundidas num amplo espectro de falas e imagens públicas, que são veiculados na TV, no cinema, na imprensa ou na literatura. Embora em muitos aspectos antagônicos, o discurso dominante no campo da Saúde Pública, de um lado, e as representações de “traficantes” de outro, estão em consonância quanto a associação do tráfico à noção de juventude e seu potencial de “periculosidade” e “transgressão”.
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Juventude, gênero e sexualidade
Pedro Moura Ferreira (Universidade de Lisboa)

A sexualidade inscreve-se cada vez mais no campo das decisões e das escolhas individuais. Sem que isto signifique a ausência de regulação social, na medida em que não é possível escapar aos condicionalismos sociais, a sexualidade manifesta-se, contudo, num contexto relacional cada vez mais igualitário em que cada um pode manifestar as suas escolhas e em que a procura do prazer se torna não apenas uma descoberta mas também uma afirmação identitária. Mas o facto de o contexto da socialização sexual ser actualmente mais igualitário significa uma completa diluição do duplo padrão moral que até há bem pouco dominou nas culturas sexuais mediterrâneas? A existirem, que diferenças são essas e por que persistem nas gerações mais novas? A partir de um inquérito à sexualidade dos jovens portugueses realizado em 2007 em Portugal a uma amostra representativa, a comunicação procura reconstituir os universos das diferenças sexuais entre homens e mulheres a partir dos actos, dos relacionamentos e das significações que constituem a sexualidade juvenil. Mas não se pretende apenas equacionar os efeitos que os condicionalismos sociais exercem na formatação das escolhas e das práticas sexuais dos jovens. A verdadeira questão a explorar é de saber se a tendência de igualização de género traz consigo a dissolução efectiva do duplo padrão moral ou se as assimetrias que dele resultam não continuarão a reproduzir-se, certamente, sob novas formas, porventura mais veladas, mas nem por isso menos eficazes e desiguais.
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Violência sexual: sentidos atribuídos por adolescentes identificados como praticantes de abuso sexual
Suzana Almeida Araújo (UFSC)

A literatura estrangeira aponta que significativa parte dos abusos sexuais perpetrados contra crianças são cometidos por adolescentes. No Brasil trata-se de um tema ainda pouco explorado, tanto no meio acadêmico como em ações interventivas. Foi desenvolvida uma pesquisa com o objetivo de investigar os sentidos da violência sexual atribuídos por adolescentes identificados/notificados como praticantes de abuso sexual, articulando as discussões acerca da masculinidade, gênero e violência. Foram entrevistados três jovens, em situações distintas quanto ao ato. Buscou-se averiguar suas motivações e os sentidos que atribuem ao ato praticado, se o reconhecem de fato como uma violência, como percebem o sujeito agredido, bem como os danos conseqüentes, com a finalidade última de fornecer subsídios para atuação frente a essa população para a contenção da violência. Os jovens encontravam-se em situações bem diversas: o primeiro foi notificado por prática de estupro, tendo sido a ele aplicada a medida sócio-educativa de liberdade assistida; o segundo foi também notificado por ter abusado um menino mais novo, sendo que o abuso não foi confirmado; e o terceiro era residente de uma casa abrigo para meninos, identificado pela coordenadora da casa como praticante de abusos contra outros residentes. Serão apresentados trechos das entrevistas, demonstrando-se as construções acerca de suas vivências, problematizando a própria noção de abuso sexual e o tratamento legal conferido a esses jovens.
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