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Coordenação:
Prof. Dr. Benedito Medrado
Universidade Federal de Pernambuco

Profa. Dra. Maria Juracy Toneli
Universidade Federal de Santa Catarina

Dr. Jorge Lyra
Instituto Papai

Todas as edições do Encontro Fazendo Gênero propiciaram espaço para apresentação de trabalhos que tematizam os homens, as masculinidades e o exercício da paternidade, seja como contraponto, seja como objeto de estudo. No entanto, esses trabalhos eram produzidos muitas vezes de maneira pontual e apresentados de forma dispersa em diferentes Simpósios Temáticos, sem necessariamente se desdobrarem em uma discussão epistemológica, teórica, política e ética sobre o tema. Em sua sétima edição (2006), um Simpósio Temático por nós coordenado buscou agregar esses trabalhos de maneira a possibilitar o aprofundamento almejado, embora seus resultados se mostrassem ainda insuficientes, no nosso entender. É com o intuito de continuar esse debate, por meio da promoção de espaço multidisciplinar de interlocução e construção de conhecimentos sobre homens e masculinidades, à luz das reflexões críticas do Feminismo e de gênero que propomos esse Simpósio Temático. Esta proposta decorre, portanto, da preocupação teórica e política com relação à produção acadêmica e/ou militante. Partimos das discussões que argumentam que contribuições importantes do Feminismo estão se perdendo ao longo da história, com o uso indiscriminado e despolitizado do conceito de gênero, ou seja, de seus usos e abusos no dizer de Maria Jesus Izquierdo (1994). Assim, postulamos a necessidade de sistematização crítica deste debate, especialmente no que se refere ao trabalho voltado ao tema das masculinidades e a vivência da paternidade, em diferentes contextos, considerando que as teorias feministas e de gênero constituem um campo teórico-epistemológico em constante desenvolvimento e revisão.


Rompendo barreiras culturais, institucionais e individuais no cuidado infantil: Pai não é visita! Pelo direito de ser acompanhante

Benedito Medrado, Mariana Azevedo, Jorge Lyra (UFPE); (Instituto Papai)

Pesquisas, reflexões e intervenções indicam o que é óbvio para alguns, mas novidade para muitos: a importância do homem na vida reprodutiva e o desejo de certos homens dela participarem. A partir desta compreensão, e de que para promover relações de gênero igualitárias é necessário superar barreiras culturais, institucionais e individuais é que o Instituto Papai desenvolveu em 2006 e 2007 a campanha: Pai não é visita! Pelo direito de ser acompanhante. No intuito de abarcar esses três níveis de intervenção – cultural, institucional e individual - foram desenvolvidas estratégias de comunicação que visavam ao mesmo tempo, estimular a presença do pai no cuidado infantil e sensibilizar os profissionais de saúde de maternidades públicas para a importância da participação do homem nesses espaços de cuidado e saúde. Neste sentido, foi realizada uma pesquisa de caráter exploratório que tinha por objetivo levantar informações sobre como os hospitais públicos da cidade de Recife têm se estruturado no sentido de facilitar ou dificultar o direito da gestante ao ter um acompanhante no pré-parto, parto e pós-parto imediato, conforme previsto na lei a lei 11.108, conhecida como lei do acompanhante. Foram entrevistados profissionais de todas as maternidades de Recife, a partir de roteiro estruturado e, em linhas gerais, os resultados apontam que as instituições de saúde – sua estrutura física, profissionais e rotinas de trabalho - ainda se organizam, em maior ou menor medida, a partir de um ordenamento de gênero gerador e mantenedor do binômio: mulher-cuidadora x pai-irresponsável. Nesse sentido, é necessário refletir não apenas sobre a necessidade de formulação de legislações que promovam uma cultura igualitária entre homens e mulheres, ma também instituições com estrutura e indivíduos sensibilizados e capacitados, de modo a garantir a implementação dessas leis.
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Diálogos entre o Feminismo no masculino e a Teoria Política
Breno Henrique Ferreira Cypriano (UFMG)

Norteando a proposição deste paper, deve-se procurar, ou talvez construir, uma resposta à questão de Sandra Harding (1998): “os homens podem ser, não somente objetos, mas também sujeitos do pensamento feminista?”. Aragon (2006), ao se inquietar sobre tal indagação, ousou pensar se os homens poderiam se engajar ativamente, criticar e recriar o pensamento feminista como sujeitos do feminismo, sem que sejam meros contribuintes às causas feministas – o que os coloca como tão-somente agentes de opressão, ou seja, opressores. Destarte, este debate se assenta numa posição paradoxal, percebida na pergunta de Aragon: “eu sou um homem ou um feminista?”; ou melhor, os homens podem ser simultaneamente feministas e homens, além de serem agentes comprometidos com a construção da igualdade de gênero? Para uma análise mais minuciosa do feminismo no masculino, o paper retoma as etapas de socialização primária, a atuação dos homens nos movimentos feministas acadêmico e militante e, por fim, coloca em discussão e analisa os escritos feministas ou pró-feministas produzidos por homens, destacando dentro destas duas categorias três autores importantes para a produção teórica sobre o papel político e social das mulheres, que são: Condorcet (1743-1794), John Stuart Mill (1806-1873) e Max Weber (1864-1920).
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Pais na literatura inglesa contemporânea: Michele Roberts e Doris Lessing
Cíntia Schwantes (UnB)

Nos romances The Four-Gated City e Fair Exchange, de Dóris Lessing e Michele Roberts respectivamente, a figura paterna, embora não ocupe o centro da narrativa, é uma das principais forças na configuração dos personagens. Ser pai ou ser paternado, dividir ou não a parentagem das crianças, define de forma decisiva a identidade e, em certa medida, a trajetória das personagens, tanto masculinas quanto femininas, em ambos os romances. Embora as prpostas dos personagens seja a de configurar famílias difeentes daquelas em que eles mesmos foram criados, elas nem sempre se realizarão, dadas as pressões sociais de momentos de intensa mudança social (o pós-guerra em um romance, a Revolução Francesa no outro). Dessa forma, podemos concluir que a configuração da família depende não apenas da vontade do patriarca, mas também de um contexto social muito mais amplo e mais complexo. Assim, a figura do pai, ao mesmo tempo que modela as personagens, é modelada por uma infinidade de outros dados.
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Os laços homossociais entre homens: análise de Between men: english literature and male homosocial desire, de Eve Sedgwick
Danilo de Assis Clímaco (UFSC)

Eve Sedgwick, estadunidense hoje conhecida por suas contribuições aos estudos queer, publicou em 1985 Between men: english literature and male homosocial desire, na qual, através de obras literárias inglesas dos séculos XVIII e XIX, procurava mostrar como uma estrutura simples – a do laço entre dois homens mediante um triângulo amoroso com uma mulher – tinha variações históricas importantes neste período relativamente curto de tempo. Assim, por exemplo, se em The country wife, de mediados do séc. XVIII, o principal objetivo de um homem é chifrar (cuckold) outro homem, nas obras do século XIX percebe-se como a homofobia, até então ausente, passa a ser a peça chave da estrutura relacional. Enriquecedor é o fato de que estas mudanças históricas não propõe a divisão de grupos (heteros contra homos; chifrantes contra chifrados; nem mesmo homens contra mulheres) mas que toda a lógica social passa a funcionar de acordo a estes termos, como forma de controle sobre toda a sociedade. O trabalho a ser apresentado procurará ser pouco mais do que uma resenha do livro. Considero que o simples fato de trazê-lo à discussão será de interesse, dado que, a pesar de sua publicação há 23 anos, permanece em um inexplicável ostracismo dentro dos estudos sobre masculinidades.
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"Porque o homem não muda. Evolui". Um estudo sobre a relação entre masculinidade, paternidade e publicidade na sociedade contemporânea.
Elisabeth Rosa da Silva Junia (UFMG)

A comunicação trata sobre o caráter de construção social da identidade do homem na sociedade contemporânea a partir dos discursos das publicidades presentes em revistas Veja. Discutimos as formas simbólicas presente nessas Mídias e seu poder na construção da identidade masculina e especialmente a paternidade. Buscamos, no diálogo com outras pesquisas de tema semelhante, principalmente no que tange a masculinidade e paternidade, explicitar o caráter de construção das mensagens publicitárias com vistas a atingir determinados grupos de leitores da referida revista. Desta forma, o tratamento foi empregado na busca de compreensão dos sentidos das proposições explícitas e principalmente implícitas nas comunicações recolhidas. Da mesma maneira, a percepção de formas simbólicas produzidas e recebidas em contextos sociais proporcionados pelas diferentes Mídias direciona nosso olhar para a publicidade como fonte de representações sociais baseadas em discursos referentes às diferenças entre os sexos. O “Novo homem” – questão debatida nos meios acadêmicos e alguns setores da sociedade sobre a existência ou a incorrência de novas formas de construir a identidade masculina que refletem num “Novo Homem” - pouco representado explicitamente na mensagem publicitária não se detém em atividades no ambiente doméstico, nem no cuidado com crianças. Mesmo com a abertura para a vida: “aberto para a vida”, ou abertura para o novo: “Original” ou “Viva o novo”, a mensagem recorre às características atribuídas ao modelo de masculinidade hegemônico.
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O silêncio e o dizer sobre as relações de gênero
Elizabete da Conceição Paiva de Oliveira (UFBA)

Este artigo discute as contribuições da ciência para o discurso em sala de aula das relações de gênero, ao promover conhecimentos associados às idéias iluministas de racionalidade, neutralidade e universalidade. Algumas propostas pedagógicas rejeitam um debate sobre os papéis de homens e mulheres no processo de ensino-aprendizagem, não permitindo a concretização de um currículo escolar, no qual o conflito entre mulheres e homens seja parte integrante de uma proposta educativa. Por outro lado, novas concepções feministas apontam para um processo de desconstrução de idéias que visibilizem as construções de gênero nas escolas, por acreditarem na promoção da busca de equidade. A não-percepção das questões de gênero ao longo do processo histórico tem contribuído para a manutenção de um conjunto de normas que privilegia os homens e colabora para uma sobrecarga para as mulheres, por elas hoje ocuparem o mercado de trabalho. Repensar novas possibilidades pedagógicas em uma perspectiva feminista exige avanços a partir de teorias críticas, objetivando mudanças de rumos nas relações de poder e na produção e socialização de conhecimentos desenvolvidos no processo de construção do saber. A proposta pedagogia feminista referencia-se na teoria piagetiana - uma aprendizagem significativa que relaciona o processo de conhecimento para novas elaborações de informações, com o cotidiano, por ele ser um elemento primordial de diálogo para a compreensão das relações de gênero na sociedade. Esta mudança de paradigmas acontece na vivência, pois privilegia a construção de saberes forjados nos confrontos diários refletidos nas desigualdades que permeia a sociedade.
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Paternidade relacionada à saúde, sexualidade e gênero: analisando discursos entre jovens a partir da realização audiovisual
Geraldo Pereira Junior, Vera Helena Ferraz de Siqueira, Luiz Augusto Coimbra de Rezende Filho (UFRJ)

Neste trabalho, fundamentado em noções do pós-estruturalismo e de estudiosos de deslocamentos sociais contemporâneos, foram analisados os discursos atribuídos à paternidade por dois grupos de jovens - meninos e meninas – em relação a questões da saúde reprodutiva, da sexualidade e de gênero. Buscamos uma discussão sobre as tensões atuais verificadas entre identidades masculinas tradicionais e identidades mais flexíveis, a partir principalmente das categorias de sexualidade e gênero, tomadas como construtos histórico culturais. Essas relações foram contempladas tendo em vista o entendimento constitutivo de discurso, conforme formulação foucaultiana; teve-se também por referência transformações de várias ordens que marcam a assim chamada modernidade tardia, e o modo como estas atualmente se relacionam a instâncias mediáticas e a propostas de educação e saúde.
Os discursos sobre paternidade foram gerados a partir da realização de duas oficinas de vídeo documentário – uma voltada para o telejornalismo e outra para o vídeo autobiográfico. Entre outros aspectos, os resultados mostraram que as atribuições de significados sobre paternidade pelos meninos e meninas pesquisados é caracterizada por um confronto entre os paradigmas assim chamados tradicionais e os pós-tradicionais, ressaltando fortes marcas de mediação cultural e de ordem subjetiva nas construções de gênero e sexualidade.
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Masculinidades reiteradas e reinventadas: uma análise das normas e dos processos de subjetivação em famílias nas quais a mãe é a provedora
Grazielle Tagliamento, Maria Juracy F. Toneli (USP); (UFSC)

Este trabalho teve como objetivo a análise dos processos de subjetivação e das produções de masculinidades por/para famílias de camadas médias nas quais a mãe é a provedora do sustento financeiro, enquanto que o pai encontra-se desempregado e, por vezes, sem trabalho, bem como verificar quais as normas e resistências engendradas em tais procedimentos. Para tanto foram analisados os discursos, obtidos por meio de entrevistas, de duas famílias que se encontravam nesta situação, o que viabilizou a verificação de que ante as mesmas normas, num jogo de agonísmo entre estas e as contingências impossibilitadoras de reiterá-las, subjetividades e masculinidades múltiplas afloraram. Nestas lutas ocorreram subversões aos mandatos que determinam posições e atributos específicos para homens e mulheres, os quais, no entanto, por desejarem o reconhecimento do outro, almejavam reiterá-los e sofriam por não o conseguirem. Contudo, a (re)criação dos modos de existência destas organizações familiares, foi potencializada pelos afetos que permeavam seus vínculos.
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Menino que faz menino ainda é menino? A invisibilidade da paternidade adolescente.
Jorge Luiz Oliveira dos Santos

A proposta do trabalho é investigar aspectos subjetivos relacionados à paternidade adolescente, pensando o fenômeno a partir de sua invisibilidade teórica, que também é prática. Procurar-se-á mostrar a existência de uma centralidade de referências que identificam as questões da gravidez adolescente como domínio exclusivo do feminino. Ao mesmo tempo, pretende-se discutir como esse fenômeno pode ser modulado em função de classe social e gênero, revelando percursos e perfis juvenis bastante heterogêneos. Desconstruindo idéias, eivadas de senso comum – já que a literatura internacional, nacional e local, mostra que praticamente não se estuda o pai e menos ainda, o pai adolescente – buscar-se-á fazer exsurgir a existência de um novo comportamento do homem frente à paternidade. Uma vez que, há homens, adolescentes inclusive, que não rejeitam a função e o papel concernentes a paternidade. No entanto, atualizando ou não essas prescrições, o pai – inclusive o pai adolescente – encontra muitas barreiras para expressar seus sentimentos; fazendo supor que há uma falta de conhecimentos subjetivos sobre o fenômeno da paternidade, como um todo e da paternidade na adolescência mais especificamente, em suas mais diversas formas e efeitos.
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Aprendizados com grupos reflexivos de gênero com homens em situação de violência intrafamiliar
José Guilherme Couto de Oliveira, Adriano Beiras, André Rego, Carlos Eduardo Zuma, Jorge Bergallo, Rafael Jucá de Mello (Instituno Noos)

Por levar em consideração a dinâmica relacional envolvida em todo ato de violência entre membros de uma família, em especial entre parceiros íntimos, e, como forma de prevenção terciária destes tipos de violência, o Instituto Noos vem realizando desde 1999 práticas sociais de atenção aos envolvidos em situações de violência intrafamiliar. Entre essas práticas realizamos grupos reflexivos de gênero com homens, dentro de uma perspectiva construcionista social.
Esta apresentação busca trazer reflexões que possam contribuir para formas de desconstrução da violência que sejam mais efetivas que a mera eleição de um agressor e de sua punição, trazendo uma discussão sobre masculinidades e sua relação com a violência.
A prática desses encontros trouxe aprendizados que foram sendo incorporados ao nosso trabalho, que passam pela percepção do sofrimento do autor da agressão, pelos cuidados necessários para que ele aceite participar do grupo, pelos prós e contras das diversas formas como os grupos podem se estruturar, por um melhor entendimento das dinâmicas da violência, da não-linearidade do caminho em direção às soluções não violentas, pela construção de formas de avaliação que possam aferir os progressos nesta direção, até as reflexões sobre como o contexto social mais amplo atua sobre esse tipo de violência.
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Sentidos de agressor por homens denunciados por violência conjugal: pesquisando no cotidiano
Jullyane Chagas Barboza Brasilino, Benedito Medrado (UFPE)

A presente pesquisa se insere em um projeto mais amplo, promovido pelo Núcleo de Pesquisas em Gênero e Masculinidades (Gema) do Programa de Pós-graduação em Psicologia da UFPE. A proposta mais ampla constitui uma investigação, de caráter psicossocial, tendo por base: 1) resultados de pesquisa anterior (Medrado, 2008), produzida junto a profissionais que atuam na prevenção, enfrentamento e assistência à violência contra a mulher e 2) recomendações atuais do governo brasileiro para enfretamento da violência contra as mulheres. A presente pesquisa constitui um recorte da pesquisa mais ampla, considerando que o levantamento de informações será construído de modo coletivo e os procedimentos negociados constantemente em grupo. Porém, o objeto e o processo de análise aqui proposto compreendem um recorte específico produzidos, a partir de leituras, organização e sínteses particulares, tendo nossa pergunta de pesquisa como norteadora, resgatando-se assim o caráter autoral deste trabalho, sem perder de vista sua produção rigorosamente dialógica. Mais particularmente, interessa-os investigar como a marcação identitária agresssor (presente na legislação, a partir da Lei Maria da Penha, e em práticas institucionais) é apropriada por homens denunciados por violência conjugal. Para tanto, optamos por realizar uma pesquisa-ação, desenvolvida aos moldes da pesquisa no cotidiano, de base construcionista, conforme proposto por Spink (2007). Esta análise será realizada a partir de registros em diários de campo, durante um ano de implementação do serviço, enriquecida com a realização de um grupo focal com homens denunciados na 1ª Delegacia da Mulher de Pernambuco.
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No contexto da gravidez na adolescência, há paternidade: revendo olhares e práticas.
Laís Oliveira Rodrigues, Benedito Medrado, Jorge Lyra, Ana Roberta Oliveira, Douglas Oliveir, Dara Felipe (UFPE); (Instituto Papai)

Várias têm sido as abordagens engendradas para lidar com a ocorrência de gravidezes na adolescência, contudo, a maioria delas têm-se orientado por uma concepção alarmista e preventiva a priori, que pode inclusive contribuir para uma estigmatização desta gravidez como sempre indesejada e não-planejada (Lyra, 1997; Gallo et al, 2000; Rocha et al, 2006). Nesse sentido, a compreenssão da gravidez na adolescência deve se apoiar no marco dos direitos reprodutivos, que se orienta pelos recursos e poder que os sujeitos dispõem para tomar decisões baseadas em informações sobre fertilidade, contracepção, cuidado infantil, saúde e exercício da sexualidade. Este trabalho visa apresentar resultados parciais de uma pesquisa com caráter descritivo e analítico, com vistas a investigar como os serviços de atenção básica em saúde identificam e orientam as demandas do pai, no contexto da gravidez na adolescência, em três capitais brasileiras (Recife/PE, Florianópolis/SC e Vitória/ES). Tem-se a intenção de gerar, por um lado, um estudo comparativo baseado em informações produzidas a partir de pesquisa quantitativa e por outro, uma análise qualitativa baseada nos depoimentos e em documentos que permitam uma compreensão particular de cada contexto. Com isso, pretende-se delinear propostas e recomendações na forma de um documento marco, em consonância com as atuais recomendações do Ministério da Saúde do Brasil e das diretrizes que orientam as políticas de direitos sexuais e reprodutivos no Brasil, presentes em Plataformas Mundiais das quais o Brasil é signatário (Cairo, 1994 e Beijin, 1995).
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Formação docente e masculinidades: um estudo feminista
Ligia Pereira dos Santos (UFPA)

Este estudo segue o paradigma feminista, e, tem como ponto central a visão de que os padrões binários de gênero se constituem pela linguagem e práticas cotidianas de comportamentos raramente "estranháveis" nas relações sociais, e, especificamente, familiares e educacionais. Tudo que vivenciamos é permeado pela linguagem através de discursos que traduzem atos, portanto, esta pesquisa confere atenção especial às masculinidades frente à formação docente e as práticas de aceitação e/ou negação da família do discente do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual da Paraíba. A pesquisa tem como suporte teórico as contribuições de Elizabeth Banditer(1993), Aminatta Forna(1999), Pierre Bourdieu (2003), Joan Scott (2005) e Michel Foucault (1988). Os resultados revelam quão importante estudarmos como nos cursos de formação docente os futuros educadores compreendem a ocorrência das relações de gênero que são tecidas cotidianamente, discutindo sobre o significado da feminização do magistério, aprofundando as discussões no espaço acadêmico, considerando as histórias de vida dos pesquisados. Por fim, debatermos no Grupo de Estudos de Gênero do Curso de Pedagogia a respeito das construções de gênero e sua articulação com o feminismo, bem como as influências curriculares na e para a formação docente de discentes, propondo o estranhamento dos repertórios comportamentais, especialmente, maternos e paternos sobre os padrões de masculinidades que incidem sobre o processo de formação dos futuros educadores.
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A experiência de homens participantes de um grupo de gestantes
Luciana Magnoni Reberte, Luiza Akiko Komura Hoga (USP)

O conhecimento das necessidades dos homens que participam de grupos de gestantes é vital para possibilitar uma atenção específica e integral. A pesquisa teve o objetivo de descrever a experiência de homens que participaram de um grupo de gestantes. O trabalho foi realizado em um Hospital Universitário na Cidade de São Paulo, mediante a metodologia da pesquisa-ação. Foram entrevistados quatro maridos. Os dados foram analisados de forma indutiva e interpretativa, resultando nas categorias descritivas da experiência: a) Os desejos de corresponder aos anseios das mulheres, esclarecer dúvidas e compartilhar efetivamente da gravidez impulsionaram a participação no grupo de gestantes; b) A possibilidade de compatibilizar o horário das sessões grupais com a agenda profissional viabilizou a participação no grupo de gestantes; c) O aprendizado das técnicas corporais e o conteúdo trabalhado no grupo de gestantes intensificaram o envolvimento com a gravidez e a paternidade; d) O suporte social para corresponder à demanda da participação masculina na gravidez foi avaliado como insuficiente; e) O sentimento de satisfação predominou entre os participantes do grupo de gestantes. A construção de uma cultura participativa masculina nas atividades de promoção da saúde é uma medida importante, tendo em vista que os homens ainda possuem o receio de serem participantes solitários neste tipo de atividade. Os homens terão condições mais adequadas de corresponder às cobranças da sociedade, de um maior envolvimento masculino com a gravidez e o papel paterno, se os profissionais e as instituições de saúde atenderem aos seus anseios, como explicitados nos resultados desta pesquisa.
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Filho és, Pai serás: da clareza monossémica da uniformidade, à conciliação com a ambivalência
Luís Santos (FCHS - Universidade Fernando Pessoa e IEP – Universidade do Minho – Portugal); Conceição Nogueira (IEP – Universidade do Minho – Portugal)

As reflexões em torno das masculinidades e da parentalidade têm sido alimentadas por dois tipos de debate, cujos posicionamento teóricos e epistemológicos evidenciam, de um lado, uma perspectiva essencialista, marcadamente moderna (Silverstein & Auerbach, 1999), e de um outro, uma perspectiva construcionista social e discursiva (Brandth & Kvande, 1998; Marsiglio, 1995), ancorada numa leitura pós-moderna. No entanto, a problematização do binómio masculinidades / parentalidade aguarda ainda, em nosso entender, o reconhecimento e a legitimação da ambivalência (Bauman, 2007), no sentido de flexibilizar, por um lado, a fúria classificatória da modernidade (Vaz, 2003), que dificulta / impossibilita, o direito ao exercício da parentalidade por parte de homens com sexualidades não normativas e, por outro, exige aos homens com orientação sexual normativa o cumprimento diligente da paternidade, como símbolo de prestígio (Goffman, 1963), associado à masculinidade hegemónica (Connell, 1995). Ora, se a realidade é constituída por tantos lotes privados fortemente protegidos e cercados, conforme sustenta Bauman (2007), as pretensões à verdade, neste caso, o que é ser homem e quem é / deve ser pai, não passam de desculpas para as ordens de exclusão e expulsão, tornando-se, assim, necessário derrubar primeiro as cercas, favorecendo a quebra de um silêncio que, nas palavras de Miller (1979 cit. in Morris, 2007), nega a existência da diferença e permite que se acredite que a cultura dominante é a única cultura, no caso, o homem que: filho [heterossexual] é, pai será.
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Família um lugar seguro para se viver: Perspectivas de compreensão e atendimento em situação de violência familiar contra homossexuais
Márcio Stefanini Sant' Anna, Rosane Mantilla de Souza (USP)

A família, considerada instituição primária de cuidado e socialização é muitas das vezes idealizada nas teorias psicológicas em geral, particularmente quando se trata de filhos homossexuais. Embora o apoio familiar e a não manutenção de segredos possam estar tradicionalmente associados à saúde mental, a homofobia intrafamiliar, manifesta tanto nos relacionamentos pais e filhos como entre irmãos, muitas das vezes expõe adolescentes e jovens homossexuais frente a riscos diversos. O objetivo desta apresentação é evidenciar e discutir, por meio da contraposição entre conceitos de saúde mental e de relacionamento familiar e atendimentos de gays e lésbicas, como o assumir da homossexualidade para a família de origem pode tanto favorecer o sentimento de auto-aceitação, quanto resultar em eventos abusivos como, discriminação, expulsão de casa e/ou violência física grave. No atendimento de GLBT, portanto, se faz necessário avaliar crenças, valores e recursos para a aceitação dos familiares em contraposição ao desenvolvimento de um complexo de alternativas de apoio. Também as crenças e valores do psicólogo e os objetivos das intervenções necessitam ser questionados frente a novos conceitos como família de escolha, revelação crítica e análise efetiva de alternativas.
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Tornar-se pai: uma experiência subjetiva em transformação
Maria Beatriz Vidigal Barbosa de Almeida (USP)

A presente pesquisa qualitativa, baseada em entrevistas individuais que deram suporte para uma dissertação de mestrado, visa ampliar a compreensão da experiência de tornar-se pai na atualidade, tendo em vista o contexto das profundas mudanças sociais das últimas décadas que incidiram sobre as novas concepções de masculino e feminino e, conseqüentemente, nas relações de gênero, modelos de família e novos perfis de pai e mãe. Procurou-se acessar o significado da paternidade para os próprios homens, bem como os desafios e conquistas propiciados pelas condições atuais, com base na análise dos novos modos de sentir e de se comportar registrados nos depoimentos sobre a experiência de iniciar-se na paternidade. Verificou-se, em meio a ambigüidades, uma crescente expectativa de participação e maior envolvimento emocional na gravidez, parto e cuidados junto ao filho, em confronto com o padrão patriarcal dominante, caracterizado pelo tradicional afastamento afetivo no comportamento masculino. A análise de temas como ‘desejo de ser pai’ e ‘modelos de pai’ gerou considerações sobre a afetividade masculina e paterna em transformação, revelando uma diversidade de manifestações e modelos possíveis, mais favoráveis à inclusão da subjetividade masculina nas relações. Com base no referencial junguiano, procura-se observar o impacto dessa vivência no desenvolvimento psicológico do homem atual, ou seja, seu processo de individuação. Trabalha-se com a hipótese de que a crise que desestabiliza o sistema de valores e familiar estruturados, promove, a médio prazo, amadurecimento psicológico, tanto do indivíduo como da sociedade, propiciando atitudes mais favoráveis ao desenvolvimento da alteridade e às relações democráticas
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Entre o trabalhador e o vagabundo: ambigüidades nos sentidos atribuídos ao trabalho de funcionário público
Maria Fernanda Diogo, Maria Chalfin Coutinho, Regina Célia Borges, Emanuelle de Paula Joaquim (UFSC)

Trata-se da apresentação de resultados parciais de uma investigação desenvolvida a partir de uma perspectiva histórico-dialética, com o objetivo de identificar os sentidos atribuídos ao trabalho por servidores técnico-administrativos (STA) da Universidade Federal de Santa Catarina. Efetuou-se uma pesquisa de campo qualitativa, através da realização de um Grupo Focal (GF) com sete STA pertencentes à Prefeitura Universitária (PU). Após a transcrição da sessão procedeu-se a Análise de Conteúdo do material coletado. Todos os participantes do GF eram homens e atuavam com manutenção, bem como a grande maioria dos integrantes da PU. Seus trabalhos foram descritos como fisicamente desgastantes, pesados e arriscados, configurando um tipo de trabalho socialmente identificado com o masculino. O trabalho demonstrou ser central em suas vidas, sendo apresentado como referência fundamental para a constituição dos sujeitos, subsidiando vários discursos de pai-provedor: proporcionar “formação” aos filhos e “encaminhá-los” na vida. Aos filhos é dada a possibilidade de transcender a condição social paterna através da educação. A paternidade foi identificada nos discursos não apenas com “colocar os filhos no mundo”, mas esteve relacionada à capacidade de sustentá-los, reforçando o atributo moral do pai-provedor. O GF também revelou a vergonha de ser funcionário público, levando-os por vezes a opção de omitir socialmente sua profissão. A fala dos participantes denuncia as ambigüidades implícitas em ser discriminado socialmente enquanto se exerce o papel de bom trabalhador, gerando sentimentos de vergonha e humilhação. Estas ambigüidades contrastam com o orgulho atribuído aos sentidos de trabalhador e pai-provedor, gerando sentimentos de humilhação e sofrimento.
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Programas de atenção a homens que cometem agressão contra mulheres: propostas latino-americanas e estadunidenses: debates em torno a propostas feministas e judiciais.
Maria Juracy Filgueiras Toneli, Mara Coelho de Souza Lago, Alex Lodetti, Adriano Beiras, Danilo de Assis Clímaco (UFSC)

O Núcleo MARGENS desenvolveu no ano passado uma pesquisa sobre programas de atendimento a homens autores de violência sexual no Brasil, em cinco paises latino-americanos: Argentina, Honduras, México, Nicarágua e Peru e nos Estados Unidos, escolhidos pela sua trajetória consolidada. Foram realizadas entrevistas com os gestores dos programas a homens que cometem agressão contra mulheres (HCA), análise de material programático e observações dos grupos re-educativos. A pesquisa foi desenvolvida em um momento propício, dada a recente sanção da Lei Maria da Penha, que recomenda que os juízes determinem comparecimento obrigatório do HCA a programas de recuperação ou reeducação.A multiplicação de programas de atenção a HCA no país é eminente e o debate, essencial. A pesquisa permite mostra enorme influência da judicialização sobre os programas de atendimento a HCA. Nos EUA, onde uma estrutura judicial organizada garante a presença de homens sentenciados nos grupos de HCA, houve uma proliferação de programas que trouxe consigo tendências à homogeneização dos mesmos, assim como o estabelecimento de rígidas hierarquias entre gestores e usuários de grupos. Na América Latina, dada a menor abrangência da estrutura judicial, os programas de atendimento a HCA trabalham fundamentalmente com demanda voluntária de homens que expressam interesse em não exercer violência. Em geral, observou-se que os grupos de atenção são geridos por poucos indivíduos, homens ou mulheres, próximos ao feminismo, que oferecem uma atenção personalizada, sem estabelecer uma rígida relação de hierarquia com os usuários dos grupos, de maneira a não reproduzir mecanismos considerados, em si mesmos, violentos.
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Os homens no cenário da lei Maria da Penha
Maria Lúcia Chaves Lima, Ricardo Pimentel Mello (UFPA); (UFCE)

A pesquisa visou estudar os lugares ocupados pelos homens no contexto da violência contra a mulher, mais precisamente no atual cenário circunscrito pela Lei Maria da Penha na cidade de Belém (PA). Almejando alcançar esse objetivo, lançou-se mão de três estratégias metodológicas: observação no cotidiano da Delegacia da Mulher, conversas com as pessoas que transitavam naquele local e entrevistas com os seus funcionários. Um aspecto relevante discutido na pesquisa gira em torno de uma nova naturalização dos homens que cometem violência contra a mulher: da “essência violenta” para a “socialização violenta”. Apesar da consideração de que esses homens são produzidos em uma “educação machista”, todos os entrevistados indicam a prisão como a punição mais adequada aos denunciados pela agressão. Entretanto, como a prisão é reconhecida como incapaz de promover mudanças “positivas”, é recomendado que a ela seja acrescido algum tratamento psicológico. Percebe-se que já há um discurso de “tratamento” para esses homens. Porém, este se configura como uma maneira de tentar “regenerá-los” para posteriormente serem “devolvidos” ao chamado “convívio social”. Considera-se que esta abordagem favorece a intolerância para com os homens que cometem violência, uma vez que os coloca estigmatizados como a parte da sociedade que deve ser saneada, formatada e, posteriormente, devolvida a “acolhedora sociedade”. Por fim, aponta-se que mais do que um “tratamento”, que sejam criados espaços de escuta capazes de instaurar a dúvida sobre as certezas a respeito das relações de gênero que produzem e mantêm as situações de violência contra a mulher.
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Tudo se aprende: dos modelos parentais à reorganização do cotidiano de homens/pais com guarda dos filhos
Monica Duarte da Silva Gonçalves, Maria Juracy Toneli (UFSC)

Atualmente não é possível se referir à família sem considerar as transformações socioculturais das últimas décadas. A partir de 1970 o movimento feminista e a invenção da pílula anticoncepcional trouxeram modificações para a posição das mulheres na sociedade. Em conseqüência desses fatos, os homens foram “desacomodados” de seus lugares socialmente constituídos e tiveram que buscar novos comportamentos. Essas transformações proporcionaram novas organizações familiares que não estavam pautadas no modelo tradicional da família como, por exemplo, o foco desta apresentação: as famílias nas quais os homens/pais obtiveram a guarda dos filhos. Discutir a intersecção entre os modelos parentais vivenciados pelos entrevistados e a reorganização do cotidiano após a aquisição da guarda dos filhos é o intuito desta apresentação. Para tanto, o olhar de gênero e a abordagem histórico-cultural foram utilizados como foco de análise, para entender os relatos dos entrevistados. Utilizou-se, como procedimento para aquisição das informações, a entrevista semi-estruturada. Realizou-se um estudo de caso no qual foram levantadas histórias de vida dos sujeitos. Ao analisar as entrevistas, percebeu-se que o fato de obterem a guarda dos filhos influenciou diretamente na (re)organização dos aspectos do cotidiano. Para construírem essa nova situação familiar, resgataram o modelo tradicional de mãe e dona-de-casa das famílias de origem e utilizaram o modelo paterno como algo a ser modificado. Para esses sujeitos, tudo que as mulheres realizam dentro do lar, seja nos cuidados infantis ou afazeres domésticos, pode ser aprendido pelos homens.
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A Paternidade e a Filiação Afetiva nas Técnicas de Reprodução Assistida Heteróloga
Natália Rodrigues da Silva, Maria de Fátima Lopes (UFV)

Este trabalho procura analisar as implicações sociais e jurídicas sobre a paternidade quando uma mulher sozinha, que se utilizando de uma técnica de reprodução assistida heteróloga, venha a engravidar-se. Investiga-se se há para a mulher sozinha um direito fundamental à procriação, obtida por meio de técnicas de reprodução assistida, que não venha ofender os direitos da criança e da paternidade. Para tal objetiva-se estudar os aspectos que condicionam e determinam, juridicamente, uma relação de paternidade entre os sujeitos e sua relação com o direito atual no que tange a inserção em uma sociedade pluralista que apregoa o livre desenvolvimento da personalidade humana, discutir direito à saúde e sua relação com a procriação. O trabalho será teórico, social – jurídico; a linha de pesquisa será o Estudo da Família e o Estudo de Gênero. O método será dedutivo-argumentativo tendo como fontes primárias o estudo antropológico da família, legislação e doutrina jurídica. A maternidade e paternidade foram historicamente construídas a partir de uma concepção ‘naturalizadora’, entretanto, são compreensões culturalmente construídas, os quais podem ser questionados. Embora ainda persista, em entendimento majoritário, a correspondência genética para o reconhecimento da relação de paternidade, diversos entendimentos Judiciais, reconhece a paternidade não como elemento natural, mas sim como função, afeição e afeto entre os indivíduos (paternidade sócio-afetiva). A contribuição deste estudo para as Ciências Sociais e Jurídicas repousa-se na interdisciplinaridade do tema uma vez que ela aborda aspectos jurídicos e Feministas.
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Homens quase invisíveis numa organização patriarcal evidente: estudo sobre a identidade dos homens atendidos pelas Políticas Públicas de Assistência Social às Famílias.
Paulo Fernando Pereira de Souza (PUC-SP)

O trabalho apresentará o estudo da identidade de homens assistidos pelas Políticas Públicas de Assistência Social à Família no município de São Paulo e que efetivamente frequentam os grupos psicossociais voltados às famílias atendidas. Serão utilizados os conceito de Identidade de Ciampa (1986) que inclui identidade, metamorfose e emancipação e o conceito de Masculinidades de Connel (1995), buscando mostrar como são configuradas as masculinidades nestes homens em situação de vulnerabilidade social.
A discussão sobre a inclusão dos homens nas Políticas Públicas de Atenção à Família no campo da Assistência Social será delineada, tomando como referência as discussões já existentes sobre a inclusão dos homens nos atendimentos do campo da saúde.
Enfatizaremos como as práticas instituídas de trabalho psicossocial com as famílias tomando as mães como representantes “naturais” destas famílias sacramentam a função tradicional de apoio e cuidado, correndo-se o risco da intervenção do Estado reproduzir acriticamente atribuições patriarcais de gênero e, portanto, desiguais em poder e oportunidades para estas mesmas mulheres.
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A humanização da "Saúde do Trabalhador": homens e outras inteligibilidades em saúde.
Rita de C. Flores Muller, Mara Coelho de Souza Lago, Suzana Araújo Almeida (UFSC)

Este trabalho foi derivado de minha dissertação de mestrado em Psicologia, na Universidade Federal de Santa Catarina, inserida nas discussões contemporâneas sobre a temática “Homens e Saúde”. O objetivo desta proposta é refletir sobre a relação entre o conceito de humanização do Sistema Único de Saúde (SUS), os enunciados de homens participantes de grupo focal (20-39 anos), e a questão da “Saúde do Trabalhador”, um dos grupos populacionais específicos do SUS. Analisando os enunciados do grupo focal, pode-se refletir sobre o paradoxo presente na categoria “Saúde do Trabalhador”, e os efeitos que a invisibilidade desta produz no interior das inteligibilidades do SUS. O termo “trabalhador” constitui-se significante de acesso e de barreira de homens na procura pelos serviços de saúde. Como lugar de produções discursivas, este estudo tem nas reflexões de Judith Butler (2003) seu referencial teórico-metodológico, para pensar sobre os gêneros inteligíveis, seus limites discursivos e em como a repetição inerente deste processo permite que se vislumbrem outras estilizações no campo da saúde. Se o termo “saúde do trabalhador” movimentou as reivindicações do grupo focal em direção ao conceito de humanização proposto pelo SUS, o fez ao estremecer as bases de uma estabilidade do gênero calcada sobre matrizes inteligíveis e universalizantes. No que se refere à primazia do sujeito universal do cuidado do SUS, ler os enunciados produzidos no grupo focal significa questionar alguns conceitos pré-estabelecidos de saúde e de cuidados. No campo das masculinidades, significa a escuta de alguns silenciamentos no que estes têm de atordoantes.
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"Casos de Famílias": Representações de Paternidade Homossexual na Cidade de Campinas.
Thiago William Felício Lacerda (PUC-CAMPINAS)

A partir de representações de paternidade em homens homossexuais na cidade de Campinas, esta pesquisa teve como objetivo investigar o que vem sendo chamado, no meio acadêmico, de “nova configuração da família moderna”. Nesse sentido, o trabalho contemplou uma leitura de debates que vem sendo realizados, no Brasil, sobre a homoparentalidade, neologismo criado pela APGL, na França, em 1997, para classificar a família constituída por um casal homossexual ou, ao menos um pai ou uma mãe homossexuais e no mínimo uma criança. Este conceito introduz a existência dessas famílias no plano discursivo, uma vez que já existissem efetivamente antes da formulação do mesmo. Nesse período de dez anos (1997-2007), multiplicaram-se os estudos de gênero nos meios acadêmicos e as conquistas dos homossexuais nos campos sociais e políticos mundiais e, em parte, brasileiros. Os sujeitos entrevistados foram pais que se auto-identificam como homossexuais, contatados por meio de rede social na cidade de Campinas. Esta pesquisa procurou verificar, ainda, como esses pais têm conjugado a vivência da homossexualidade com o exercício da paternidade. Os resultados obtidos apontaram para o esclarecimento de algumas inquietudes como a maneira própria que cada sujeito tem de conceber os limites e possibilidades da instituição família e para o surgimento de outros dilemas decorrentes como o questionamento das representações de família de outros entes envolvidos, não somente o pai, o que propiciaria subsídios para uma leitura multifocal.
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Famílias homoafetivas e a parentalidade homossexual masculina
Vera Lúcia Moris, Rosane Mantilla de Souza (PUC - SP)

A despeito do preconceito e do estigma associado à homossexualidade, tanto gays quanto lésbicas formam famílias que desempenham as funções de cuidado da prole tão bem quanto às demais. A proposta deste trabalho é apresentar uma revisão bibliográfica dos estudos realizados na comunidade internacional e no Brasil, acerca das famílias homoafetivas e a parentalidade homossexual masculina. Embora haja um consenso entre os estudiosos da área de família de que não é a estrutura que garante a qualidade da parentalidade, ainda nos últimos cinco anos se identificam muitos estudos que se preocupam em avaliar os efeitos da parentalidade homossexual sobre os filhos, comparando-os com aqueles provenientes de famílias heterossexuais. Além disso, mesmo usando descritores sobre paternidade ou parentalidade, encontram-se mais estudos sobre o que acontece com a criança do que sobre a experiência das figuras parentais. Analisando os trabalhos encontrados é possível descrever algumas especificidades da paternidade homossexual que dizem respeito à diversidade de possibilidade de constituição (filhos de uniões heterossexuais, adoção, barriga de aluguel), dinâmica familiar; vivências próprias; estressores e enfrentamentos da homofobia; necessidades e segredos; dificuldade de revelação para os filhos. A análise também derruba mitos como: os pais homossexuais não têm mais tendência a abusar de suas crianças do que os pais heterossexuais, nem de produzir filhos homossexuais; por outro lado, tendem a ser mais efetivos que pais heterossexuais em prover cuidados, são mais calorosos e mais consistentes em regras e limites. Em nossa apresentação pretendemos fazer reflexões acerca dessa condição: ser homossexual e ser pai, no Brasil.
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