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Coordenação:
Dra. Deise Lucy Oliveira Montardo
PPGAS/UFAM – Universidade Federal do Amazonas

Angela Maria de Souza
Doutoranda PPGAS/UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina / UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí

A música e a dança cumprem o papel de comunicar. Estabelecer a comunicação a partir da prática musical e dos movimentos da dança requer domínio de regras, enunciados, formas que em cada contexto se complexificam. Tanto a música como a dança não podem ser vistas isoladamente. Ambas requerem para sua compreensão, a observação de um universo que as evolve, e que inclui pessoas, corpos, instrumentos, significados estabelecidos culturalmente.
A música ou a dança como um objeto genérico não existe, elas só podem ser compreendidas a partir das relações que estabelecem, entre as quais está a de gênero. Assim, a proposta para este simpósio reside em refletir sobre a diversidade de práticas musicais e de dança, tendo como foco de orientação a questão de gênero e suas peculiaridades. Práticas musicais e de dança manifestas através de performances, letras de música, locais de manifestação, formas de caracterização de seus(as) praticantes são algumas das interfaces em que questões e relações de gênero podem emergir e se manifestar.
Buscamos aqui refletir e problematizar as diferentes vivências musicais e da dança, sendo estas praticadas em contextos urbanos, indígenas, rurais ou na interseção entre estes, tendo como formas de manifestação a religião, práticas étnico-raciais, opções profissionais, afiliações a grupos diversos, enfim. Procuramos, desta forma, ampliar e estabelecer diálogos entre pesquisadores(as) que se dedicam a questões voltadas a música e/ou a dança entrecortada pelas relações de gênero em diferentes âmbitos, buscando com isso estreitar relações e ampliar as discussões.

Relações de gênero através da produção musical do rap de mulheres no Brasil e e em Portugal
Angela Maria de Souza (UFSC)

Partindo da experiência etnográfica realizada na Grande Lisboa, no Estágio de Doutorado, pretendo neste artigo, refletir sobre algumas especificidades da produção musical do rap permeada por relações de gênero, de compositoras mulheres no Brasil e em Portugal. RAP, estilo musical que faz parte do Movimento Hip Hop, surge largamente associado a práticas masculinas. Ou seja, a grande parte dos rappers são homens, e numa perspectiva masculina, são construídas imagens e narrativas no e sobre o Movimento. Ao mesmo tempo, a produção de narrativas musicais das mulheres é bastante relevante e com peculiaridades próprias a construção do gênero feminino. Mas, quais são estas peculiaridades? Neste artigo procuro abordar alguns destes aspectos, prestando especial atenção a forma como o rap “das mulheres” se relaciona com o “dos homens”. Enfim, tenho como objetivo principal refletir sobre está produção musical de mulheres a partir de suas especificidades de gênero, pertencimento étnico-racial, num contexto relacional e em espaços sócio-geográficos específicos, em Portugal e no Brasil.
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Mulheres Arturas no ritual do Congado
Camila Camargo Vieira (PUC)

Este trabalho tem como objetivo refletir sobre a participação das mulheres da Comunidade dos Arturos nos festejos do Rosário e dentro do ritual do Congado. Como as mulheres Arturas participam tanto nas guardas do Congo e Moçambique, assim como no ritual de Candombe, dançando e cantando em louvor a Nossa Senhora do Rosário.
Os Arturos constituem um agrupamento familiar de negros que habitam uma propriedade particular em terras no município de Contagem, próximo a cidade de Belo Horizonte em Minas Gerais.
A participação na tradição do Congado é um traço característico da existência da comunidade enquanto grupo, e a fé em Nossa Senhora do Rosário é o laço que os une e lhes confere o sentimento de pertencimento à comunidade. No período de seus festejos, quando toda a família se reúne, a herança afro-brasileira é reificada através dos cantos, danças, instrumentos e sons, ou ainda nas vestes festivas carregadas dos sentidos sagrados simbolizados no deslocamento dos membros da Irmandade do Rosário nas procissões.
A guarda de Congo que vai à frente no cortejo, é em sua maioria composta por mulheres, que vão dançando e cantando em louvor a mãe do Rosário. Já a guarda do Moçambique que vem atrás do Congo, trazendo os Reis e Rainhas é composta por homens. Há diferenças nas duas danças marcando uma outra dinâmica no ritual. Pensando nessas questões pretendemos refletir na dança e na performance das mulheres Arturas a sua importância dentro do ritual do Congado, como também fora dele.
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Batuko e sociabilidade feminina: etnografia do Batuko das batucadeiras de São Martinho Grande (Ilha de Santiago – Cabo Verde)
Carla Indira Carvalho Semedo (UFRGS)

Proponho desconstruir a idéia de se apreender o batuko como dança e música tradicional, mas que as batucadeiras acabam construindo o batuko enquanto um espaço de sociabilidade de construção dos sujeitos femininos e masculinos, numa perspectiva relacional através e na performance corporal do “ku torno” e das músicas que retratam estes corporeidades. Através dos dados de campos, da fala das batucadeiras, o batuko aparece como um espaço de brincadeira, de estar juntas, mas este estar juntas, leva a pensar um espaço de mulheres, onde elas se constroem enquanto sujeitos femininos e como isso passa pelo corpo, pela corporeidade (Csordas, 2005). Na verdade, pensar sobre estes elementos estruturais que estariam conformando este corpo feminino e masculino, permitem pensar tanto o lugar da mulher cabo-verdiana na sociedade cabo-verdiana, quanto a idéia de que estas mulheres vão se construindo por meio e no/do batuko e como a corporeidade acaba por lhes permitir este agenciamento (Ortner, 2006; De Certeau, 2003).
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Os benefícios da dança do ventre e suas relações com o feminino
Cristiane Ferreira Magalhães, Valeska Torres Braga

A Dança do Ventre - nome original Racks el Sharqi, ou seja, Dança do Leste - é uma arte milenar, cujos registros relacionam sua origem aos rituais sagrados de fertilidade em louvor à Grande Mãe, realizados pelas sacerdotisas nos templos, no Egito Faraônico, por volta de 5.000 a.C. Posteriormente, essa dança se espalhou pelo mundo inteiro tornando-se universal, sendo influenciada por diversas culturas e praticada por mulheres de várias nacionalidades e idades, e alguns homens, em escolas de dança e apresentada em espaços públicos. Novos instrumentos, ritmos, melodias, movimentos, vestimentas foram incorporados à dança, sem interferir na sua essência. Apesar de existir uma prevalência de movimentos do quadril e ventre femininos, a dança do ventre engloba o corpo integralmente: fortalece a auto-estima, estimula a liberdade de expressão, promove a consciência dos próprios potenciais e o respeito ao próprio corpo, auxilia na superação dos limites, desperta a feminilidade, delicadeza de gestos e sensualidade, aumenta flexibilidade e leveza, educa a postura, melhora o funcionamento do aparelho digestivo, dos rins e dos órgãos sexuais, enfim, proporciona auto-conhecimento físico e psicológico, celebrando a beleza da mulher. Nosso trabalho apresentará um levantamento das auto-observações de alunas praticantes de dança do ventre no município do Rio de Janeiro, a respeito das mudanças positivas nos aspectos físicos, psicológicos e sociais proporcionados por essa arte; como essas alunas percebem a relação desta dança com o feminino, tanto na mulher quanto no homem; e sua visão sobre como as relações entre feminino e masculino se estabelecem na nossa sociedade.PDF

Corpos danças:construções de novas percepções e de novas imagens
Daniela Grieco Nascimento e Silva (UNIFRA)

O corpo constitui-se na primeira forma de comunicação do ser humano com o mundo.A dança, por ser uma manifestação instintiva do ser humano, permite que este expresse seu eu por meio do movimento corporal, situando-se e posicionando-se diante do seu tempo histórico.A finalidade dessa pesquisa foi permitir que crianças em situação de vulnerabilidade social construíssem a percepção de seu corpo e uma auto – imagem positiva através da prática do Ballet Clássico. A referida pesquisa foi do tipo Descritiva Qualitativa e realizou-se na Royale Escola de Dança e Integração Social, em Santa Maria, Estado do RS. A amostra foi composta por 60 crianças, entre 5 e 10 anos de idade. Foram utilizados como instrumentos de pesquisa um pré e pós – teste, realizados, respectivamente, nos meses de abril e outubro, que constaram de uma audição, da aplicação de um questionário e do desenho de um auto retrato. A análise dos dados comprovou que o Ballet Clássico é eficiente na construção da percepção corporal e da auto-imagem em crianças em situação de vulnerabilidade social, tornando-as capazes de reconhecerem seu corpo como expressão máxima de sua subjetividade.
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A mulher e a música Guarani
Deise Lucy Montardo (UNIFRA)

Nos diversos sub-grupos guarani, o xamanismo é exercido pelo casal, que não necessariamente precisa ser composto por marido e mulher, mas sim, por um homem e uma mulher. Eles contam com ajudantes, que tem também representantes dos dois papéis. Este texto reflete sobre vários aspectos da música no xamanismo guarani, enfocando principalmente a atuação da mulher e discorrendo sobre os instrumentos musicais femininos e a sua ausência na literatura jesuítica, o processo de iniciação ao xamanismo, as vozes dos cantos e os papéis de gênero, entre outros temas.
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A produção de masculinidades no Hip Hop
Éderson Costa dos Santos, Fernando Seffner (UFRGS)

Esta pesquisa se propõe a pensar, questionar e problematizar as pedagogias de gênero e masculinidade que se instalam na prática do hip-hop, imprimindo no corpo modos hegemônicos de viver o masculino, no cenário das danças contemporâneas. Minhas indagações estão em torno de como se estruturam as estratégias e negociações utilizadas pelos garotos dançarinos de hip-hop na produção, constituição e manutenção de representações de masculinidades. Como questões de gênero e sexualidade se atravessam na produção dessas representações? Este estudo está ancorado nas abordagens dos Estudos Culturais e de Gênero, a partir das contribuições teóricas do pós-estruturalismo de Michel Foucault. Entendendo a dança como uma prática corporal produzida pela/na cultura, que marca os corpos e narra diferentes formas de constituição do sujeito, se constitui com as relações de gênero e sexualidade. Em nossa cultura ocidental, a
dança é marcada pelo universo feminino, ou seja, é significada como uma prática corporal feminina nos contextos sociais.A dança articulada, com o gênero e a sexualidade, estabelece diferentes relações que posicionam o sujeito em lugares específicos. O hip-hop, entendido como um espaço de trocas e aprendizagens múltiplas na produção de identidades juvenis, produz posições de sujeito ‘confortáveis’ e/ou ‘seguras’ para os meninos dançarinos, apresentando-se como um terreno masculino. Esse estudo ainda se apresenta em formato de projeto de mestrado, portanto ele toma forma a cada passo dessa caminhada. Optei por trabalhar com a entrevista semi-estruturada como instrumento metodológico para que, a partir da análise do discurso de Foucault, tramar acerca das questões de gênero e sexualidade no campo da dança e educação física.
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As ganhadeiras de Itapuã (estudo de gênero): gênero, música, educação
Harue Tanaka (UFBA)

Projeto de pesquisa de doutorado cujo intuito é investigar o coro das Ganhadeiras de Itapuã, de Salvador (BA), formado por mulheres (várias idades) que além do canto, priorizam a dança, o teatro e a composição musical. O grupo pertencente à cultura popular escolhido, de contexto comunitário não-formal, representa um exemplo das variadas formas de se aprender música fora dos espaços escolares ditos formais. Acredito na relevância do trabalho, porque este vem somar-se aos ainda escassos e incipientes trabalhos que englobam o trinômio – gênero, música e educação, principalmente no que tange aos contextos não-formais/informais. Tende a observar como ocorre a veiculação transmissão dos conhecimentos musicais e de como eles se articulam entre o público-alvo e as ministrantes, enfim, de como ocorre a atuação educativa/artística das ganhadeiras. Em suma, o foco analítico refere-se às questões ligadas às práticas musicais dessas mulheres, que como tal, apontam para os atravessamentos de gênero presentes. Utilizando primordialmente, para a parte educativa musical, os itens da abordagem PONTES proposta por OLIVEIRA (2001), como parâmetro para a coleta e a análise: a) positividade; b) observação; c) naturalidade; d) técnica; e) expressão; e) sensibilidade. Do ponto de vista das relações de gênero, acredito que a importância do diálogo entre os campos diversos é incontestável. Pois, como já foi bem definido - nos preâmbulos do Simpósio temático: Música e dança – “a música ou a dança como um objeto genérico não existe, elas só podem ser compreendidas a partir das relações que estabelecem, entre as quais está a de gênero”.
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O feminino e o sagrado na dança: um ensaio sobre a coragem de ser
Ida Mara Freire (UFSC)

Criar a própria dança exige coragem e criatividade. Requer empreender a uma jornada de volta ao começo. Despertar os sentidos, as emoções, novos movimentos e as sensações. Redescobrir o sentido da vida, explorar o espaço sagrado e celebrar a existência. Neste processo examina-se o tempo vivido como expressão criativa. Deste modo, descrevo como a dança, enquanto jornada existencial, oferece uma compreensão privilegiada acerca da coragem de ser, a coragem de criar e a coragem de amar.
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“Mulheres não choram?”: a presença feminina e a relação com o gênero musical choro
Izomar Lacerda, Maicon de Melo (UFSC)

O texto propõe trazer reflexões sobre a participação das mulheres no âmbito do campo chorístico, o lócus concorrencial e de poder que constitui o gênero musical choro. Esta é uma prática musical extremamente marcada pela presença masculina, mas de Chiquinha Gonzaga à Luciana Rabello houveram muitas mulheres que contribuíram de várias formas para a constituição e consolidação do choro. Porém, ainda hoje o papel das mulheres é restrito, sendo possível perceber posições diferenciadas entre os gêneros na hierarquia da “democrática” roda de choro, que vai de forma geral desde: a significativa ausência da figura feminina na história do choro; instrumentos musicais específicos; o lugar simbólico subalterno do canto – espaço feminino -; entre outras. Busco uma análise interpretativa dos significados simbólicos alocados nas relações diferenciadas de gênero desta forma de arte, salientando a inserção desta no âmbito sociocultural geral, onde a disparidade de gêneros ainda é problema central e de grande importância como objeto de análise.
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“Mosh não é coisa de menina!”: uma reflexão sobe a desigualdade entre os gêneros nos shows de música hardcore na cidade de São Paulo
João Batista de Menezes Bittencourt (UNICAMP)

A referida proposta tem como objetivo problematizar o “lugar” das mulheres nos agrupamentos juvenís urbanos, tendo como referência a produção da desigualdade entre os gêneros nos shows de música hardcore na cidade de São Paulo. O mosh é uma manifestação sui gêneris própria dos concertos de punk/hardcore, e consiste numa dança onde os jovens simulam uma espécie de luta corporal, mas sem um adversário específico. Trata-se de um embate coletivo, onde todos “agridem” e “são agredidos” simultaneamente por pontapés, socos, empurrões, etc,. Nessa manifestação coletiva onde força física e coragem tornam-se ingredientes indispensáveis, só cabem às mulheres duas opções: tornassem expectadoras e assistirem tudo do lado de fora, não se integrando completamente a festa, ou submeterem-se as possíveis agressões ganhando assim reconhecimento dos demais participantes. Como trata-se de uma manifestação reconhecidamente masculina, pelo fato do público em sua grande maioria ser formado por jovens do sexo masculino, construiu-se uma espécie de naturalização da performance, onde as diferenças de gênero são apagadas por um lado e exacerbadas por outro, prevalecendo a lei do mais forte, que conseqüentemente é a “lei do macho”. No mosh pit, espaço onde trava-se a batalha dos corpos, só tem permissão para entrar aqueles/as que se submeterem ás regras do jogo sem questioná-las. Coragem e força é para poucos, dessa forma só serão bem vindos aqueles/as que demonstrarem ser possuidores/as desses atributos que ajudam a definir aquilo que chamamos de “ethos viril”.
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Performance musical, de raça, gênero, geração e de sexualidade na Jurema sagrada
Laila Andresa Cavalcante Rosa (UFBA)

Este artigo discute performance tanto musical como de raça, geração, gênero e sexualidade no culto Afro-indígena Jurema num terreiro Xambá (Olinda, PE). Serão analisados tantos os aspectos musicais presentes no repertório das entidades femininas, como as coreografias e/ou gestuais das entidades na dança e no transe e os discursos sobre as mesmas.
Performance é pensada aqui de duas formas: 1. relacionada a representações de gênero, raça, geração e de sexualidade presentes nos aspectos musicais: rítmicos e vocais, nas narrativas das entidades através das letras de suas cantigas; 2. Segundo BUTLER (2006) pra pensar sobre música, corpo, gênero, sexualidade e nos discursos construídos a partir destas performances, que esta chama de ‘performatividade’. As performances citadas serão analisadas a partir da dança e de suas diferentes coreografias para diferentes entidades, da relação entre música e o transe, que consiste num dos mais importantes veículos pelo qual as entidades se revelam. Ao mesmo tempo as entidades como figuras arquetípicas explicam as diversas performances de gênero e de sexualidade no cotidiano das pessoas que praticam o culto.
Outro aspecto importante a ser discutido sobre o culto da Jurema é como ele é considerado a ‘esquerda’, ‘catimbó’, ‘macumba’ ou ‘baixa magia’ em relação ao culto aos orixás, que por outro lado, é considerado como a pura ‘direita’. A relação entre os dois cultos é muito importante, pois neste terreiro, as mesmas pessoas transitam entre a ‘direita’ e a ‘esquerda’, com seus diferentes repertórios musicais, entidades religiosas e performances.
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Música, dança e identidade de gênero no Projeto Quizomba da Cidadania em Ação
Margarete Fagundes Nunes, Josiani Job Ribeiro (Feevale - RS)

Nesta pesquisa, investiga-se como projetos de políticas públicas direcionados às populações negras e, portanto, inseridos no debate contemporâneo das ações afirmativas, abordam a história e a cultura afro-brasileira entre crianças e adolescentes utilizando-se de uma linguagem corporal, musical e estética, por meio da realização de oficinas temáticas de dança, música percussiva e expressões artísticas. Apesar da ênfase no aspecto étnico-racial, esses projetos contribuem para afirmações de identidades de gênero, propiciando a crianças e adolescentes de ambos os sexos elementos para que construam determinadas representações de feminilidade e masculinidade. Para esta reflexão, centra-se numa abordagem etnográfica no projeto Quizomba da Cidadania em Ação, que, entre outros objetivos, busca a valorização da cultura afro-brasileira no Vale do Rio dos Sinos/RS. O projeto é promovido pela Fundação Palmares e realizado nas comunidades carnavalescas de Novo Hamburgo, através da integração de diversas instituições locais: ONGs, universidade, escolas de samba de Novo Hamburgo e o próprio movimento negro. Problematiza-se o diálogo estabelecido em campo, a relação objetividade e subjetividade na produção do conhecimento, tendo em vista que as pesquisadoras vinculam-se ao projeto supracitado por intermédio de atividades de extensão universitária.
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Prendas, santas e morenas: designação e relações de gênero no discurso musical
Maria da Gloria Corrêa Di Fanti (UCPeL)

Na cultura gaúcha, a milonga-canção é uma das músicas que se sobressai por sua vocação à reflexão. O trabalho minucioso das letras, articulado ao ritmo da melodia dos violões, faz emergir diferentes temas na tessitura discursiva da milonga, como o trabalho do campo, a saudade, a solidão e a própria composição da milonga. Nesse cenário, se compararmos o espaço dado ao homem em relação ao da mulher, perceberemos que há pouca referência à mulher no discurso das milongas. As designações que aparecem, como “prenda”, “minha santa” e “morena”, se engendram nas temáticas desenvolvidas nos instigando a investigar sobre a construção social de gênero presente nessa manifestação regional. O objetivo deste trabalho, por conseguinte, é analisar como a mulher é designada em diferentes milongas, observando relações de gênero e a produção de efeitos de sentido nas práticas do discurso musical. Para tanto, analisamos as designações na milonga-canção considerando a natureza dialógica da palavra, entendida como signo ideológico por excelência, que entra em contato com uma diversidade de fios ideológicos de modo a refletir e refratar diferentes graus das transformações histórico-sociais (Bakhtin/Volochinov, 1995). Também consideramos o objeto estético que, contemplando modalidades verbais e não-verbais, é multifacetado e exige do pesquisador uma posição exotópica, um distanciamento ético necessário, para o (re)conhecimento do outro (Bakhtin, 2003). Com esta investigação esperamos contribuir com o debate sobre as implicações da construção social de gêneros na cultura musical, em especial a relação eu /outro observada como produção histórica das práticas discursivas de uma dada comunidade.
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O fogo e o trovão expressos no corpo baiano que dança
Nadir Nobrega Oliveira (UFBA)

Este trabalho destina-se a uma reflexão acerca do corpo negro
que dança na cidade de Salvador - Bahia. Ao longo dos anos busco
contextualizar as trajetórias artísticas e dos processos criativos de performers
afro descendentes anônimos ou não. Neste trabalho, destaca-se, como viés
de abordagem, o fato de que nas apresentações, o corpo negro não é apropriado,
pelas funções espetaculares,como objeto de folclorização ou esteriotipação,
mas, pelo contrário, como sujeito político de marcante presença na afirmação identitária de etnicidade e cultura ancestral.
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Relações de gênero e percepção corporal entre praticantes de Axé e Hip Hop
Rozana Aparecida Silveira, Luiz Fernando Cardoso, Samantha Sabbag (LAGESC).

O homem primitivo expressava-se em uma linguagem corporal, traduzindo emoções e sentimentos. No decorrer dos tempos, esta expressão foi se firmando como uma prática que oferece variadas possibilidades motoras e desenvolve a percepção do próprio corpo. Cultura independente de credo, cor, raça, sexo e estado social viram no Hip Hop uma forma de contestar as injustiças do sistema. Com vestimentas largas e movimentos intensos, homens e mulheres mais se assemelham a andrógenos expondo sua visão de mundo. Por outro lado, o Axé é visto como gênero originário da Bahia, com elementos afro-brasileiros e temas relativos à sensualidade com certa ironia e malícia. Este estudo comparou os níveis de percepção corporal entre 48 bailarinos de Axé e 36 de Hip Hop com idade e perfil sócio econômico semelhante. O instrumento utilizado para a coleta dos dados, foi o QSH e analisado no SPSS 15.0. A autopercepção dos bailarinos é boa, sendo que 95% conhecem sua genitália, seu cheiro corporal, genital e se olham no espelho de forma geral. Os bailarinos de Axé se conhecem mais e se tocam mais do que os de Hip Hop. Os bailarinos de Hip Hop tocam menos seu corpo de forma geral, sendo que no Axé se conhecem mais e se tocam mais. Acreditamos que esta percepção corporal esteja relacionada com a percepção do grupo em que vivem e com o estilo escolhido, um mais preocupado com as às questões sociais e outro ligado às heranças culturais africanas, no ritmo alegre e solto do som baiano.
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Expressões do Patriarcado nas Letras das Músicas de Forró: uma analise de gênero
Sônia de Melo Feitosa (UFRN)

A presente pesquisa problematiza as letras das músicas de forró que trazem em seu conteúdo expressões de opressão e discriminação às mulheres. O patriarcado é uma forma de organização social, na qual as relações entre o masculino e o feminino se dão de maneira hierarquizada e desigual, priorizando o homem em detrimento da mulher. A questão da violência que é perpetrada contra as mulheres é um exemplo típico de como essas desigualdades se manifestam. A violência contra a mulher ou violência doméstica se expressa de diversas formas: violência física, psicológica ou simbólica, patrimonial e sexual. Ao analisarmos as letras das musicas de forró constatamos que as músicas de forró que mais fazem sucesso e que atingem uma grande massa, vão de encontro à luta das mulheres por igualdade de gênero e promoção dos direitos humanos. Nas referidas letras de música encontramos um discurso social desrespeitoso dirigido à mulher, representativo da violência simbólica. Para fundamentar o trabalho realizamos análise de gênero, por entender que gênero é uma categoria analítica que possibilita a apreensão de como se dá a construção das desigualdades entre homens e mulheres, em que discrimina o feminino. Como resultado desta análise espera-se despertar estudos que envolvam essa temática na área de gênero, pois essa abordagem ainda não se constitui como alvo de interesse desta área. Isso pode ser verificado devido a pouca produção intelectual voltada para o assunto. Pretende-se despertar a preocupação com a linguagem pejorativa desrespeitosa voltada a mulher.
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A dança dos Aruanâs: mito, rito e música entre os Javaé
Sonia Regina Lourenço (UFSC)

Esta comunicação propõe uma análise do ritual - musical “brincadeiras” (tykydisi) (Irasò) entre os Javaé, habitantes imemoriais do vale do Rio Araguaia, em especial da região da Ilha do Bananal (TO). Os Aruanãs são seres mágicos do mundo subaquático (Berahaxti) trazidos pelo xamã para “brincar” (cantar e dançar) com os seres sociais no mundo de fora (Ahana Òbira) durante um ciclo cerimonial. Em primeiro lugar, focalizo o ciclo cerimonial dos Aruanãs como a expressão máxima das prestações matrimoniais (tykòwy) entre sogros e genros; em segundo lugar, analiso as duplas de Aruanãs como formas corporais andróginas em que o masculino e o feminino não prescrevem a diferença sexual porque os corpos dos Aruanãs são concebidos como corpos mágicos de um mundo sem afins e sem a diferença de gênero. As “brincadeiras” de Aruanãs sãos os rituais performativos em que a música e a dança propiciam a reatualização da mito-cosmologia e a circulação das “riquezas” entre os Javaé.
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Professores e professoras ensinam dança?
Valéria Nascimento, Sissi A. Martins Pereira (UFRRJ)

Ao assumirmos a responsabilidade de educar através do movimento dançante, importa permitirmos que nossos/as alunos/as “tentem dançar” e que esta tentativa seja prazerosa, adequada às propostas das aulas e dos programas institucionais e às reais necessidades, competências e habilidades dos/as participantes. Acredita-se que esta permissão promova a saúde e a experimentação da emoção, da espontaneidade e da criatividade.
Contudo, para ser eleita como conteúdo a ser desenvolvido nas aulas de Educação Física é importante que o/a professor/a valorize a Dança Educação. Por esse motivo foi realizada uma pesquisa com futuros profissionais de Educação Física para se obter informações sobre o nível de importância que dão a esse conteúdo e se o elegerão para o desenvolvimento das suas aulas quando das suas futuras atividades profissionais. Utilizou-se um questionário que foi aplicado para alunos/as de uma turma da disciplina Dança de uma Universidade Particular do Rio de Janeiro. Acredita-se que a dança na escola ou no ambiente escolar pode oferecer para meninos e meninas, homens e mulheres suporte da comunicação e expressão corporal, desenvolver experiências que iniciam espontaneamente evoluindo para atividades formalizadas ou mais elaboradas e contribuir para o resgate da educação e da cultura.
Por derradeiro, entendemos como pressuposto pedagógico a inclusão da dança nos planejamentos das aulas de Educação Física escolar de forma lúdica e natural, valorizando as diferenças, respeitando limites e detectando as capacidades individuais na ação coletiva na certeza de que ‘educar através da dança é acreditar que toda pessoa reserva algo especial’.
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Performance musical e políticas emancipatórias: uma etnografia na Itiberê Orquestra Familia
Vania Beatriz Muller (UFSC)

Esta proposta de comunicação se refere à pesquisa de doutorado que desenvolvo no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas / Centro de Filosofia e Ciências Humanas, UFSC, na qual me proponho investigar a performance musical da Itiberê Orquestra Família, localizada na cidade do Rio de Janeiro, para explorar como esse evento social/musical pode oportunizar a produção de significados emancipatórios, pelas/os suas/seus 17 jovens instrumentistas. Isto, considerando-se os tempos/espaços opressivos no cotidiano urbano e das sociabilidades contemporâneas, conseqüentes da condição neoliberal, mercadológica, como a massificação e o individualismo, bem como sua estratégica “naturalidade” e “imutabilidade”. Buscarei, assim, identificar, caracterizar e analisar os eventuais discursos emancipatórios presentes nas performances musicais no entorno do grupo, focalizando mais especificamente, as buscas de singularização nas identidades das sexualidades, gênero e classe, dos/nos sujeitos envolvidos. Pontualmente, pretendo identificar como essas identidades são contempladas nas performances musicais e as dinâmicas pelas quais ali se entrelaçam, se reforçam e/ou se interrompem, na intenção de caracterizar a interseccionalidade dos discursos identitários e suas respectivas políticas. A investigação, que tem a orientação do Prof. Dr. Rafael J. de M. Bastos e co-orientação da Profa. Dra. Cristina S. Wolff utiliza o método etnográfico, através do qual já se obteve dados preliminares, em trabalho de pré-campo realizado em novembro de 2007, os quais pretendo expor no presente Simpósio Temático.
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