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Coordenação:
Fabio Thá
Doutor em Estudos Lingüísticos / Faculdade Dom Bosco

Marielda Ferreira Pryjma
Doutoranda em Educação FEUSP / Faculdade Dom Bosco

Sueli Vieira
Mestre em Administração/ Faculdade Dom Bosco

As perspectivas profissionais para ingresso e atuação no mercado de trabalho têm sido alvo de inúmeros estudos no que tange as possibilidades, alternativas e formação. Entender essa dinâmica significa compreender o contexto sócio-político e econômico das relações de trabalho. Se existe necessidade para analisar essas questões, quando o tema é a “mulher e as perspectivas profissionais” essa condição se torna mais complexa.  A proposta deste simpósio temático visa analisar a inserção, permanência e condições da mulher neste contexto do trabalho, considerando a conciliação da tarefa doméstica com a profissional, a responsabilidade com os filhos, a violência no espaço de trabalho, as diferenças salariais, os assédios, a questão da homossexualidade e a discriminação de gênero (profissões ditas “masculinas” ocupadas por mulheres e as “femininas” ocupadas pelos homens). Nesse sentido, o trabalho passou a ocupar um novo espaço na sociedade e as suas condições começaram a ser questionadas, analisadas e compreendidas. Se for considerado, a partir dessa nova configuração do trabalho, o papel do administrador está passando por transformações, já que para isso ele necessita perceber o indivíduo  para poder estimular a sua capacidade de reflexão e o desenvolvimento de sua consciência sobre as relações interpessoais que envolvem o ambiente de atuação. O desempenho do administrador no mercado de trabalho, independente da questão de gênero, tem apresentado estar num momento de grandes discussões acerca da sua natureza e especificidade profissional. Essa temática é de extrema abrangência e a compreensão desse processo possibilitará que o administrador entenda as interfaces do cotidiano de trabalho e perceba a necessidade de mudança de concepção em relação à nova forma de ver e compreender a realidade.  As mudanças, assim, passam a ser progressivamente analisadas e entendidas como um processo social e as discussões teóricas acerca de situações práticas são vistas como uma das responsabilidades sociais da pesquisa.

O ofício de mestre queijeiro
Ana Elizabeth Santos Alves (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia)

Esta comunicação tem como objetivo apresentar algumas reflexões a respeito do “trabalho dos mestres queijeiros”, resultado de um estudo desenvolvido pelo Grupo de Estudos Trabalho e Educação do Museu Pedagógico da UESB sobre “O Trabalho e a História da Qualificação Profissional na Indústria de Laticínios na Região Sudoeste da Bahia”. O oficio de mestre queijeiro vem sendo reproduzido no Brasil desde os anos 1800 até os dias de hoje, destacando-se como alternativa de ocupação de mão-de-obra e de remuneração para o trabalho familiar de pequenos agricultores e médios proprietários de terra, como também de trabalhadores urbanos. Ofício desenvolvido essencialmente por homens, presente em Fabriquetas de queijo e requeijão, pequenas indústrias, que combinam diversas formas de trabalho, demonstrando as contradições e precariedade da realidade brasileira; como também, em Indústrias de laticínios. Durante as práticas de trabalho do queijeiro observa-se a importância da dimensão tácita do trabalho, adquirida pela experiência, sinalizando a sua relação com os sentidos, sinais percebidos pelos trabalhadores mestres queijeiros: cheiros, cores, tato e sabores. Olhando “porta adentro” o processo produtivo de Fabriquetas e Indústrias de laticínios podemos observar o esforço doloroso e repetitivo dos procedimentos operacionais realizado pelos mestres e seus ajudantes, permeado por uma seqüência de tarefas, abrangendo táticas, estratégias e soluções práticas. Os queijeiros são conhecedores dos “macetes” da produção, não se apropriam do produto do trabalho, apropriam-se da arte nele corporificada. São trabalhadores que tiveram pouco acesso a um tipo de saber mais sistematizado e raras possibilidades educativas além da dimensão prática do trabalho.
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Novas relações de gênero: Intersecções na dinâmica do envelhecimento populacional, família e no mundo do trabalho
Ana Júlia Rodrigues do Nascimento (UFG)

A proposta tem por objetivo interpretar narrativas dos idosos sobre o mundo do trabalho e o papel da família, sobretudo, fazendo uma discussão teórica sobre envelhecimento, gênero, e trabalho. Problematizaremos o papel assumido pela aposentadoria, visto que em algumas falas, esta é apontada como uma das causas de manter o idoso no mercado. Mostraremos o que pensam os idosos que ainda trabalham, os que não podem fazê-lo por motivos de saúde, os que conseguiram se aposentar, os que ainda não, falaremos sobre o valor da aposentadoria, das outras fontes de renda, qual papel da família nessa relação, fazendo um contraponto com o trabalho rural, visto que muitos idosos cresceram num ambiente onde predominava esse tipo de trabalho. Neste cenário, é importante pontuar o fenômeno da feminização do envelhecimento, visto que o público idoso é formado majoritariamente por mulheres, e que fatores como a viuvez e o divórcio, proporcionam um envelhecer sem a presença de uma companhia, isso culmina numa movimentação: busca de atividades que promovam sociabilidade, renda e novas parcerias. A partir dos dados obtidos apontaremos diferenças entre ser homem e ser mulher e as implicações que essas diferenças proporcionam. Fator importante que pontuamos, trata-se de mostrar que, com o fenômeno do envelhecimento populacional, toda estrutura social se altera: relações com indivíduos de outras faixas etárias; a maneira de lidar com os novos desenhos de família; o papel da previdência e das políticas públicas, enfim, instituições e indivíduos mudam suas maneiras de agir, assumem novos papéis na dinâmica social.
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O ingresso de mulheres docentes em Instituições de Ensino Superior públicas em Pernambuco (2001-2007) e o setor público como empregador não-discriminatório
André Luiz de Miranda Martins (UFPE)

Argumenta-se que um dos traços distintivos do mercado de trabalho específico do setor público é a sua imunidade a antagonismos de classe e de sexo em seus procedimentos de seleção e contratação de força de trabalho. Essa alegada imparcialidade aludiria ao primado da avaliação de ‘competências’, chancelado pelo recurso ao concurso público, pelo que ficariam asseguradas a inexistência de uma divisão sexual do trabalho nos empregos públicos e a condição de empregador não-discriminatório [equal employer] do setor público. Nosso trabalho propõe-se a avaliar a pertinência desses argumentos com base em uma análise comparativa do ingresso de mulheres na ocupação de docentes em Instituições de Ensino Superior – IES no estado de Pernambuco entre 2001 e 2007. Trata-se de um setor de atividade particularmente sensível ao argumento das ‘competências’ mencionado acima. Neste sentido, cabe perguntar: não estaria embutida, aqui, uma disputa das relações sociais de sexos? O trabalho resultará, parcialmente, de pesquisa em andamento no âmbito do grupo de pesquisa Gênero, Educação e Inclusão Social – GEIN, e tomará por diretrizes metodológicas a elaboração de um perfil estatístico dos docentes no ensino superior público em Pernambuco no período delimitado, que permita comparações segundo um critério de gênero (a partir de bases de dados do Inep-MEC, do IBGE, da RAIS-MTE e das próprias IES), e uma revisão da literatura pertinente aos temas da divisão sexual do trabalho e da discriminação no mercado de trabalho.
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Relações de gênero e trabalho docente: jornadas e ritmos no cotidiano de professoras e professores
Carolina Faria Alvarenga (USP)

Este trabalho é parte de minha dissertação de mestrado e analisa a pertinência e a intensidade da interferência das relações de gênero nas jornadas e nos ritmos definidores do trabalho de professoras e professores de uma escola municipal de São Paulo. Situado entre os estudos da Sociologia da Educação, do Trabalho e da Família, faz uma reflexão sobre o conceito de gênero; de divisão sexual do trabalho e suas conseqüências na vida de homens e mulheres; e da noção de tempo. A maioria dos docentes possui extensas jornadas de trabalho total, decorrentes, em parte, dos baixos salários. Além dos serviços escolares realizados em casa, recorrentes nas jornadas de todo o grupo, professoras e professores possuem também extensas jornadas de trabalho para a reprodução social, mesmo que em graus variados. A importância da articulação entre as diversas dimensões do tempo na vida dos sujeitos possibilitou reconhecer a necessária separação entre os trabalhos feminino e masculino. No entanto, a análise do cotidiano das professoras e dos professores pesquisados permitiu questionar uma característica ressaltada pela maior parte dos estudos focados no trabalho fora da docência: a dicotomia entre tempos de trabalho econômico maiores para os homens e tempos de trabalho para a reprodução social maiores para as mulheres. Ademais, as políticas públicas, educacionais e sociais, para garantir igualdade de oportunidades e condições de vida para os professores e as professoras, precisam considerar a articulação entre as esferas da produção e da reprodução.
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Masculinidade(s) Operária(s): conflitos e representações sobre o “eu” operário
César Augusto Bubolz Queirós (UFRGS)

Este artigo tem o objetivo de discutir as representações e as construções identitárias sobre o masculino entre os operários no Rio Grande do Sul na Primeira República. Tendo em vista a conjuntura agitada em termos sociais – com a eclosão de diversas greves – tais representações eram permeadas, ainda, pelo antagonismo resultante da postura de não adesão aos movimentos por uma parcela considerável dos trabalhadores. Tal oposição proporcionava o surgimento de uma luta de classificações entre os agentes envolvidos em tal disputa uma vez que a não adesão desta parcela às greves representava uma ameaça ao sucesso das mesmas. Disto, resulta um conjunto de classificações identitárias que provocariam uma distinção conceitual entre grevistas e não grevistas – chamados pejorativamente de fura-greves, carneiros ou crumiros – sobretudo nos jornais e manifestos distribuídos pelos sindicatos e associações de classe.
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Carreira, posição social e família: a escolha profissional de garotas do ensino médio
Claudia Mattos Kober (Universidade Anhembi Morumbi)

Este trabalho busca contribuir pra a compreensão das escolhas profissionais realizadas por garotas que estavam cursando a terceira série do Ensino Médio e que pretendiam ingressar no Ensino Superior. Trata-se de um momento privilegiado no processo das escolhas referentes à formação profissional, experienciadas pelos indivíduos inseridos em uma sociedade que passa por profundas transformações em todos os âmbitos, inclusive nos seus valores. Foram entrevistados estudantes de ambos os sexos de duas escolas: uma escola técnica estadual, freqüentada principalmente por segmentos de classe média e uma escola privada, de classe alta, na cidade de São Paulo, consideradas como instituições de ensino de qualidade. Verificou-se que as escolhas de uma carreira acontecem no interior de um campo social, econômico e simbólico no qual está inserido o grupo de pertencimento do(a) jovem, que busca dar continuidade às trajetórias familiares, seja mantendo posições sociais conquistadas por esse grupo ou indo além, na realização de um projeto familiar e de classe. A adesão a esse projeto e um processo de racionalização crescente leva a(o) jovem à busca ativa de um equilíbrio entre os gostos pessoais, as oportunidades oferecidas pelo mercado de trabalho, as chances concretas de ingresso na carreira considerada e a realização de um projeto de vida individual, no qual estão presentes, para as meninas, os possíveis conflitos inerentes à construção de uma família e à continuidade de uma carreira. Nesse sentido, as escolhas individuais são expressão de um processo mais amplo das relações sociais, que compreendem também as relações de gênero.
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A presença de mulheres nos quartéis: reflexões sobre gênero e hierarquia nas Forças Armadas brasileiras.
Cristina Rodrigues da Silva (UFSCar)

Este paper apresenta um estudo antropológico acerca da presença de mulheres nos quartéis, nos apontando aspectos do cotidiano delas e construções de masculinidades e feminilidades contidas na profissão militar. Utilizamos como base teórica as etnografias e análises realizadas com as Forças Armadas brasileiras e os estudos sobre gênero relevantes para se pensar a proposta da pesquisa – cabe destacar que produções acadêmicas sócio-antropológicas sobre este tema são recentes e escassas. Realizamos uma observação etnográfica na Academia da Força Aérea (Pirassununga/SP) e entrevistas com mulheres militares, em sua maioria alunas em processo de formação. Com isso, pudemos observar algumas dificuldades enfrentadas pelas mulheres no meio militar, o que evidencia uma desigualdade na relação entre homens e mulheres, vista como a reapropriação da tradicional dicotomização dos papéis sexuais vivenciada pela nossa sociedade de uma forma geral – expressa por uma dominância masculina. No entanto, com o decorrer da análise dos dados, também notamos outra idéia: a de que a mulher se reconhece como militar no seu ambiente de trabalho quando passa a ser “menos” feminina e “mais” masculina, isto é, quando passa a apresentar menos qualidades tidas como femininas (“fragilidade”, “delicadeza”) e incorporar qualidades “naturalmente” masculinas (“liderança”, “coragem”). Mesmo assim, para as entrevistadas, ser mulher num meio predominantemente masculino, embora apresente dificuldades, também proporciona mudanças positivas, principalmente em atitudes e comportamentos, gerando maior flexibilidade e sentimentalismo no meio militar. Tudo isso mostra que, com as mulheres nas Forças Armadas, as percepções de feminilidade e masculinidade estão sendo (re)construídas nas relações do cotidiano da instituição.
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Relações de gênero e poder entre trabalhadores da área da saúde
Elenice Pastore (UPF), Luisa Dalla Rosa (UPF), Ivana Dolejal Homem (UPF)

A temática proposta neste trabalho é uma reflexão sobre as relações de gênero e poder entre os trabalhadores e gestores da área da saúde. Essa análise aborda os processos de flexibilização e precarização do trabalho que tomam configuração diferenciada e são mais acentuadas quando analisadas a partir do recorte de raça/etnia, classe, geração e gênero. O Hospital, como instituição social analisada, utiliza mão de obra essencialmente feminina, na área da enfermagem trata com ações específicas a gestão da mão-de-obra. As relações de gênero e poder na área da saúde são permeados pela divisão sexual do trabalho e pela feminização de funções que foram construídas historicamente e naturalizadas, reproduzindo de certa maneira desigualdades na representação dos papéis desempenhados. Essas desigualdades foram questionadas por um processo de aplicação de questionários em diversos setores do hospital, contemplando vários funcionários de ambos os sexos.
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Genero e trabalho: reflexões sobre a influência da alfabetização/letramento na vida produtiva de mulheres tocantinenses
Eliseu Riscarolli, Paully S. de Carvalho Silva (UFT)

As condições de alfabetização e letramento de mulheres e homens tem melhorado substancialmente nos últimos anos, sejam as condições materiais como escolas, vagas, formas de acesso e ingresso, sejam aquelas relativas à garantia de frequência destes cidadãos numa das etapas de formação/escolarização. Este trabalho tem por objetivo coletar e analisar dados referentes ao processo de alfabetização e letramento de mulheres trabalhadoras no norte do tocantins e refletir sobre a influencia deste processo em sua vida como produtora de bens culturais, materiais e simbólicos. Além disso, queremos verificar, em que medida, a escolarização iniciada na fase infantil ou mesmo num período mais tardio da vida, contribui para garantir acesso ao mercado de trabalho e em quais setores da produção elas conseguem emprego. Queremos também, refletir se o processo de alfabetização tem garantido um nível de letramento capaz de agregar valores socialmente reconhecidos legitimando seu período de educação. Uma das hipóteses com a qual trabalhamos é de que o grau de escolarização não tem garantido a elevação do nível de letramento das pessoas, sobretudo mulheres trabalhadoras de regiões onde a oferta de emprego/trabalho se configuram quase que exclusivamente em empregos públicos. Cabe indagar até que ponto a escolarização tem conseguido agregar conhecimento a homens e mulheres que oficialmente estudaram e obtiveram certidão do estado reconhecendo tal processo, ou seja, que foram escolarizados/alfabetizados e com isso teriam condições de acesso aos bens culturais, simbólicos, históricos e pedagógicos, que em tese deveriam ser socializados pela escola.
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Mujeres que cocinan cambios
Graciela Borrás (Unidad Integrada Balcarce)

A partir de los 90 se impuso en América Latina un modelo de “modernización excluyente”, en donde el crecimiento económico fue acompañado por el aumento del desempleo, la precarización y la segmentación del mercado de trabajo. Esto trajo como consecuencia el aumento de la pobreza y la fragmentación social -afectando de manera diferente a hombres y mujeres-. Para paliar esta situación, en la Argentina se ponen en marcha proyectos productivos que promueven el desarrollo de la Agricultura Urbana, como un instrumento para alcanzar la Seguridad Alimentaria y la inclusión social.
Mediante encuestas realizadas a los participantes de un programa de AU con enfoque agroecológico, se analizan las estrategias de los hogares y el impacto desde el punto de vista alimentario, teniendo en cuenta que los alimentos son portadores de sentido y nutren tanto el imaginario como el cuerpo. Los platos que se ofrecen en el hogar, con ciertos sabores, combinaciones y las maneras de prepararlos, van construyendo “el gusto y los cuerpos de clase”.
Elementos identitarios y de diferenciación social., en los gustos y hábitos alimentarios de los sectores populares, observamos el predominio de los patrones alimentarios masculinos, lo que muestra una vez más, la necesidad de pensar y reflexionar sobre las prácticas y las representaciones alimentarias como expresiones de relaciones sociales y de poder. Y en consonancia con el rol de la mujer en estos emprendimientos, ante la crisis que golpea a las familias, ellas parecen buscar nuevas alternativas a sus crecientes restricciones, para constituirse en protagonistas del cambio.
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A produção dos setores ocupacionais para mulheres
Ivaine Maria Tonini (UFRGS)

A intenção é examinar o processo de construção perfomativa de mulheres no mercado de trabalho através da mídia. A importância vai além do que ela mostra, foi focalizar como determinados setores ocupacionais tornam-se masculinos e femininos. Ao colocar um olhar de estranhamento sobre essa maneira da mídia subjetivar, de posicionar as identidades profissionais, permite observar uma visibilidade e dizibilidade no mercado de trabalho distintos quanto ao gênero. Esta pesquisa discute os lugares de mulheres no mercado de trabalho de Fortaleza/CE implicadas nos textos midiáticos. O corpus é formado por peças publicitárias veiculadas em outdoors e jornais, compostas de enunciações icônicas e slogans. Suas imagens invadem a escola, atravessam currículos, impregnam nossas vidas. Ela passa ser uma variável com características constitutivas para nosso estilo de vida, modos de pensar o que queremos fazer, comprar, ser. A moldura teórica em que está inserido o estudo é da perspectiva pós-estruturalista por possibilitar deslocar, fraturar, problematizar a construção do conhecimento. As peças publicitárias têm mostrado o acionamento de determinadas estratégias para dar significados, sentido às questões de circulação e atuação do gênero no setor terciário alusivos à sexualidade, as etnias e as. Percebe-se que todas elas estão carregadas de significações culturais, marcadas por atribuições profissionais ditas femininas e masculinas. Neste processo de vinculação, parece estabelecer ligações entre tecnologia de ponta, setor de atuação e gênero, criando agenciamentos que passam a ser considerados naturais e normais.
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Universo Profissional Feminino: do discurso à prática
Ivoneti da Silva Ramos, Poliana Marlene Eyng, Dante Marciano Girardi (UFSC)

Os atuais estudos sobre gênero nas organizações vêm se mostrando indispensáveis para o conhecimento da realidade feminina no mercado de trabalho. Atualmente, mais de 40% da força de trabalho é composta por mulheres em diversos países capitalistas. Alguns autores reconhecem que diversas características atribuídas ao feminino são comuns às qualificações exigidas pelos novos modelos organizacionais. Entretanto, outros autores afirmam que as mulheres, mesmo com a reestruturação produtiva, ainda continuam campeãs em informalidade e precariedade no mercado de trabalho. Este artigo objetiva, através de uma pesquisa em empresas catarinenses, confrontar o discurso da contratação da força de trabalho feminina com a prática refletida no atual cenário da mulher no mercado de trabalho, contribuindo para estimular o debate sobre trabalho e gênero nas organizações.
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O Lugar do Trabalho Feminino e Manual em Enfermagem
João Baptista Soares de Faria Lago

Desde a Idade-Média a Enfermagem permanece associada ao feminino pela sua característica central, o cuidar do Outro. Atualmente e no dia-a-dia sobretudo da Enfermagem assistencial (em contraposição à administrativa), este cuidar, não obstante a instrução formal, ainda é muitas vezes aprendido no âmbito doméstico, sendo considerado essencial à reabilitação dos pacientes e, ao mesmo tempo, desprestigiado no contexto das grandes instituições hospitalares. A atuação de enfermeiras(os) assistenciais e auxiliares de enfermagem, embora seja fonte de satisfação no trabalho, também ocasiona sofrimento intenso aos seus profissionais, não apenas pela precarização em função de fatores já conhecidos inclusive em outras profissões, porém em função, inclusive, de um outro fator: o estatuto e o lugar ocupados por uma atuação profissional cuidadora associada historicamente ao feminino, em contextos institucionais estruturados fortemente sob a égide do Patiarcado, quer seus atores atualmente sejam homens ou mulheres. Este trabalho se propõe a discutir não apenas as marcas psíquicas e corporais resultantes da precarização do processo de trabalho e violência institucional em Enfermagem assistencial mas, também, a articulação destas marcas com o fato de ser um trabalho ainda fortemente associado ao feminino, num contexto que o desvaloriza duplamente: pelo fato de o cuidar ser percebido como "trabalho de mulher"; e também por se tratar de funções associadas ao trabalho manual (não-intelectual/administrativo), numa sociedade cujo imaginário o associa à lembrança do trabalho escravo.
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A produção de sentidos por mulheres em um abatedouro avícola
Laila Priscila Graf, Maria Chalfin Coutinho (UFSC)

Este estudo realizou um esboço sobre as projeções de futuro de jovens que cursavam terceiro ano do ensino médio em uma instituição de ensino particular catarinense. Efetuou-se uma pesquisa de campo qualitativa por meio da análise de redações escritas por 21 rapazes e 28 moças, com idades entre 16 e 18 anos. Os estudantes foram convidados a se imaginarem 10 anos no futuro e narrarem suas vidas, efetuando ligações destas antecipações com suas histórias passadas e presentes. Utilizando o referencial das formas identitárias na análise das redações, observamos que a trilogia formação/emprego/trabalho foi central e estruturante deste futuro imaginado já que, de algum modo, todos os sujeitos narraram alguma espécie de formação acadêmica e/ou trabalho em suas projeções. De modo geral, as moças detalharam mais suas expectativas profissionais e de formação e as alinhavaram às projeções familiares, narrando desejos de casamento e filhos conjugados às suas carreiras. Rapazes e moças projetaram independência e estabilidade financeira, incluindo a aspiração à casa própria, bens materiais e viagens. Observamos nos relatos a importância que ambos atribuíram à formação e ao trabalho para a concretização de seus sonhos e desejos. O ensino superior foi considerado acriticamente como a porta de acesso às boas colocações no mercado de trabalho, com foco em carreiras de status socialmente reconhecido. Os projetos de futuro expressos nas redações foram, em sua maioria, idealizados, com poucos relatos considerando a existência de dificuldades e desafios para alcançarem seus objetivos, sendo a "felicidade plena" a meta da maioria dos sujeitos.
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Ascensão profissional feminina: um caminho bem mais tortuoso do que se imagina
Louise de Lira Roedel Botelho, Liege Viviane dos Santos de Moraes, Cristiano José Castro de Almeida Cunha (UFSC)

O mundo do trabalho vem passando por mudanças. Essas mudanças estão relacionadas em grande parte, aos avanços e conquistas realizadas pelas mulheres. Em quase todos os países, as mulheres compõem na atualidade, metade da força laboral. Muitos autores convergem para a teoria de que as mulheres representam à força de trabalho do futuro. Toda essa corrente literária parece coerente com as conquistas femininas ocorridas nos últimos tempos. Porém, ainda existe uma restrição, por mais que as mulheres tenham conseguido expandir suas fronteiras no mercado de trabalho, ainda se evidencia sua baixa representatividade em posições-chave nas organizações. Desta forma, este estudo tem como objetivo entender com base na literatura corrente, os principais percalços, barreiras e desafios encontrados pelas mulheres durante suas trajetórias ascensionais, buscando compreender os motivos que levam tão poucas mulheres a atingirem o topo nas organizações. Utilizou-se para tecer o escopo da presente pesquisa o método bibliográfico. Este texto é parte integrante da revisão literária da dissertação de mestrado promovida por uma das autoras no Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento da Universidade Federal de Santa Catarina. Utilizou-se para a construção do presente trabalho a abordagem bibliográfica de modo a melhor entender o fenômeno estudado
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Considerações sobre as trajetórias profissionais futuras de jovens rapazes e moças cursando o último ano do ensino médio
Márcia Luiza Pit Dal Magro, Laila Priscila Graf, Maria Fernanda Diogo (UFSC)

Este estudo realizou um esboço sobre as projeções de futuro de jovens que cursavam terceiro ano do ensino médio em uma instituição de ensino particular catarinense. Efetuou-se uma pesquisa de campo qualitativa por meio da análise de redações escritas por 21 rapazes e 28 moças, com idades entre 16 e 18 anos. Os estudantes foram convidados a se imaginarem 10 anos no futuro e narrarem suas vidas, efetuando ligações destas antecipações com suas histórias passadas e presentes. Utilizando o referencial das formas identitárias na análise das redações, observamos que a trilogia formação/emprego/trabalho foi central e estruturante deste futuro imaginado já que, de algum modo, todos os sujeitos narraram alguma espécie de formação acadêmica e/ou trabalho em suas projeções. De modo geral, as moças detalharam mais suas expectativas profissionais e de formação e as alinhavaram às projeções familiares, narrando desejos de casamento e filhos conjugados às suas carreiras. Rapazes e moças projetaram independência e estabilidade financeira, incluindo a aspiração à casa própria, bens materiais e viagens. Observamos nos relatos a importância que ambos atribuíram à formação e ao trabalho para a concretização de seus sonhos e desejos. O ensino superior foi considerado acriticamente como a porta de acesso às boas colocações no mercado de trabalho, com foco em carreiras de status socialmente reconhecido. Os projetos de futuro expressos nas redações foram, em sua maioria, idealizados, com poucos relatos considerando a existência de dificuldades e desafios para alcançarem seus objetivos, sendo a "felicidade plena" a meta da maioria dos sujeitos.
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Profissionalização de advogadas e advogados em escritórios de São Paulo
Maria Natália Barboza da Silveira, Maria da Gloria Bonelli, Luciana Gross Cunha, Fabiana Luci de Oliveira (UFSCar); (FGV)

O artigo analisa as diferenças na profissionalização de advogados e advogadas, em uma amostra de 216 jovens profissionais de escritórios de São Paulo. Mostra como o profissionalismo e as relações de gênero se articulam na estratificação da advocacia, com carreiras marcadas pelo “script sexuado”, quanto a ser sócio(a) ou associado(a), quanto ao tamanho do escritório onde atuam (pequeno, médio ou de grande porte) e a clientela que representam prioritariamente (individual ou empresarial). O expressivo crescimento na participação feminina entre os jovens profissionais, concomitante à conquista de direitos por parte das mulheres, alimenta a percepção de que as oportunidades se equilibraram entre homens e mulheres na advocacia. Com isso, o cenário das diferenças no mundo profissional do direito no século XXI não seria o da discriminação de gênero, mas o da igualdade baseada no mérito, na dedicação e na competência. O presente trabalho revela que apesar das conquistas das mulheres em termos de direitos, de qualificação e de posições no mercado de trabalho, a subordinação do feminino na vida privada se transfere para a dimensão profissional viabilizando a hierarquização da advocacia.
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Perspectivas profissionais: a mulher e o mercado de trabalho
Marielda Ferreira Pryjma, Sueli Terezinha Vieira, Vera Fontoura Egg Schier da Cruz, Claudia Maria Schiavon Bezerra, Rosangela Erpen (Faculdade Dom Bosco)

A proposta desta investigação visa analisar e entender quais são as perspectivas profissionais para as estudantes que cursam administração em nível de graduação. O papel do administrador é amplo e complexo, exigindo que ele reflita e desenvolva sua percepção acerca das relações interpessoais que envolvem o ambiente de trabalho. Compreender como a mulher se situa neste contexto despertou interesse por considerar que a produção de novos conhecimentos sobre os indivíduos que atuam no mercado de trabalho contribuirá com a melhoria desses processos. A metodologia utilizou um questionário com análise estatística e uma entrevista para uma melhor compreensão do objeto de estudo. A abordagem qualitativa possibilitou esse entendimento. Foram investigadas 40 formandas de um curso de administração. A análise quantitativa revela que a idade média das investigadas é de 28 anos, 85% residem em imóveis próprios e 50% vivem com os pais e 40% com marido ou companheiro. A renda familiar varia entre 6 e 10 salários mínimos. Deste universo, somente 4% está fora do mercado de trabalho. As perspectivas profissionais indicam que os cursos de idiomas podem trazer resultados para a ascensão profissional, seguido dos de pós-graduação lato sensu. A análise qualitativa indica que as perspectivas profissionais giram em torno de mudança de cargo, do sucesso na carreira (reconhecido pelo outro) e da autonomia profissional para mudança das condições profissionais atuais. Conclui-se que a perspectiva profissional independe da questão de gênero e a reflexão sobre essa temática deve analisar a concepção social do trabalho feminino no contexto atual.
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As mulheres na história do Serviço Social em Natal/RN
Miriam de Oliveira Inácio, Rita de Lourdes de Lima, Jeane Souto de Medeiros, Anderson Dantas da Silva Brito (UFRN)

O Serviço Social, como toda profissão, nasceu em uma conjuntura histórica que exigia novas formas de atuação frente às necessidades sociais. Em Natal tal surgimento se deu numa conjuntura de agudização da questão social, na qual, setores dominantes e a hierarquia católica criam o Serviço Social. Além da sua relação com a questão social, há 3 características inelimináveis da profissão: a) o Serviço Social nasce ligado ao pensamento religioso; b) nasce ligado à classe burguesa; c) e nasce como uma profissão de mulheres e para mulheres. No seu início eram mulheres militantes católicas, mas a profissão passou por mudanças que modificaram o seu perfil, contudo, a predominância feminina ainda persiste em função da divisão sexual do trabalho. Este projeto se propõe a reconstituir o papel das mulheres na história do Serviço Social em Natal no período compreendido entre 1945-2004, a partir do levantamento do material existente no setor de documentação do Departamento de Serviço Social da UFRN e de entrevistas com professoras e alunas. Utiliza-se pesquisa documental e entrevistas semi-estruturadas com professoras que tiveram reconhecida importância na história do Serviço Social. Até o momento foram feitas 13 entrevistas e estamos na fase das transcrições. Dos 33 professores/as que estiveram em funções de chefia ou coordenação no DESSO, desde 1945 até o momento atual, 29 são mulheres, representando 87,88% do total. Neste sentido, tem se constatado o papel predominante das mulheres na construção da história do Serviço Social em Natal.
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Mujer joven ¿Se busca? Condicionamientos de edad y género en el ingreso al mercado de trabajo en la Argentina posterior a la crisis 2001/2002.
Pablo Ernesto Pérez (CONICET)

Tras cinco años de crecimiento continuo del PBI en Argentina, los indicadores laborales muestran una clara recuperación respecto a la situación observada durante la salida de la Convertibilidad. No obstante estas mejoras en la situación ocupacional, los jóvenes continúan siendo uno de los grupos más vulnerables. Entre ellos, las mujeres jóvenes se encuentran doblemente condicionadas -por ser jóvenes y por ser mujeres- y representan el grupo social con mayor exposición al desempleo y a la precariedad laboral. ¿Por qué los beneficios del crecimiento económico no se traducen en una mejora sustancial en la situación ocupacional de este grupo de trabajadoras? ¿Existe presión desde la oferta de trabajo? ¿Es un problema de demanda por parte de las empresas? ¿Es importante su mayor rotación laboral? ¿Tienen problemas para acceder a un empleo o para mantenerlo? ¿Las jóvenes no poseen los niveles educativos requeridos por las empresas? ¿O se trata de una estrategia de las empresas para compensar lo que consideran un aparente mayor costo laboral devenido de las “obligaciones domésticas y de crianza” que, según aducen, conllevan mayor ausentismo, entre otras cuestiones? ¿Es un inconveniente que afecta a todas las mujeres jóvenes o las dificultades se presentan sólo para algunas de ellas? ¿El origen social las limita en sus posibilidades de inserción? Estos interrogantes, concernientes a las dificultades que encuentran las mujeres jóvenes en el mercado de trabajo argentino entre 2003 y 2007, con posterioridad a la crisis derivada de la devaluación del peso, orientan el desarrollo del presente trabajo.
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Imaginário da trabalhadora no discurso da Central Única dos Trabalhadores (CUT)
Renata Silveira da Silva (UCPel)

O presente trabalho, sob o referencial teórico da Análise do Discurso de linha francesa, objetiva refletir sobre a representação da trabalhadora no discurso da Central Única dos Trabalhadores (CUT). O corpus são seqüências discursivas de referência extraídas de documentos e periódicos publicados pela central, com ênfase àqueles que tematizam “gênero”. A CUT, quando foi fundada, em 1983, representou o “novo sindicalismo”, isto é, uma nova fase na prática sindical brasileira caracterizada por lutas em massa, em contraponto com os embates mais defensivos e localizados até então realizados. À época de seu surgimento, a CUT era combativa; contudo, nos anos 90, o país sente com mais veemência as conseqüências da crise que afeta o mundo do trabalho: o desemprego estrutural decorrente da reestruturação das empresas, a acumulação flexível e o advento do neoliberalismo. A prática sindical cutista deixa no passado sua fase heróica e passa a preferir a negociação ao conflito. Supomos que na fase combativa, a mulher trabalhadora não parece ser concebida como relevante à implantação do novo sindicalismo. Porém, na época da CUT negociadora, a mulher parece ser uma importante interventora nas lutas sindicais. E as discussões sobre a figura feminina ajudam a CUT a “vender” uma nova imagem: a central sindical preocupada com as questões de gênero, logo, com problemas “mais sociais”. Através desse estudo, pensamos sobre o funcionamento de um discurso que propala a igualdade entre trabalhador e trabalhadora e atentamos para formas discriminatórias de gênero que ali podem estar subjacentes.
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As melhores empresas para as mulheres trabalharem”. O que elas dizem sobre o ambiente onde trabalham
Soraia Veloso Cintra, Claudia Maria Daher Cosac (UNESP)

As estatísticas oficiais demonstram que, entre 1976 e 2002, 25 milhões de mulheres ingressaram no mercado de trabalho. Esse novo “mundo feminino” não alterou sua estrutura e as organizações se viram diante de exigências para as quais muitas vezes não estavam preparadas. O que se via era um quadro desolador: funções mal remuneradas e de difícil mobilidade, reprodução do ambiente doméstico, difícil acesso a cargos de chefia. A partir de 1997, as empresas brasileiras passaram a integrar uma série de rankings de revistas e jornais especializados que apontavam as melhores empresas para trabalhar, as melhores em ações sociais, as melhores em gestão de pessoal e assim sucessivamente. Desde 2003, um novo ranking apareceu: aquele que leva em consideração as melhores empresas para as mulheres trabalharem. E por que são as melhores? Por que investem em programas e propostas que buscam reduzir as diferenças entre homens e mulheres, segundo análise das publicações. Mas será que é isso mesmo? O presente artigo busca entender e explicar o comportamento dessas empresas diante das novas exigências do mercado: a busca pela eqüidade e o respeito à diversidade, a partir do que as próprias mulheres vivenciam no dia-a-dia.
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Liderança feminina: vida e trabalho
Sueli Terezinha Vieira e Fabiúla Carla Silveira Lima dos Santos (Faculdade Dom Bosco)

As transformações causadas pelas conquistas das mulheres nos últimos tempos ultrapassam o terreno das responsabilidades domésticas e tem como conseqüência mudanças marcantes nas formas de decisão, nas estruturas organizacionais e nas relações de trabalho. Esse fenômeno propicia discussões sobre novas formas de convívio social, de modo a assegurar o equilíbrio nas relações entre os gêneros. Mediante questionário aplicado a vinte mulheres, e entrevista a quatro líderes de setores diferentes da economia, os resultados obtidos permitem inferir que: embora as pesquisadas não tenham percebido impasses nas suas relações com seus superiores e subordinados, no plano conjugal, houve casos em que a influência as forçou a abdicar de suas carreiras profissionais para favorecer seus cônjuges; apesar de identificadas histórias diferentes, determinadas situações de vidas acabam se assemelhando, visto a influência do meio, cultural; contudo estas realidades históricas, de certa forma, agregaram às mulheres características de poder, que influenciam o comportamento dos demais indivíduos, que se sobressai em razão da facilidade feminina de gerenciar múltiplas atividades sem perder a postura amigável; por terem um perfil mais voltado para a construção de relacionamentos e de parcerias conseguem adequar às complexidades de acordo com o nível de maturidade de cada membro de sua equipe; o estilo de liderança predominante é o situacional com tendência democrática; e são unânimes em afirmar que apesar de todas as dificuldades é possível administrar o lado profissional com o lado pessoal, encontrando mecanismos que possibilitem conciliar interesses a partir de prioridades estabelecidas.
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Relações de gênero na Medicina: características do trabalho profissional e as interfaces com a vida doméstica
Tania Steren dos Santos (UFRGS)

Esta pesquisa propõe-se examinar a influência do gênero sobre a atuação profissional de médicos e médicas, comparando as especificidades da sua inserção no mundo do trabalho e visibilizando os entrecruzamentos com a vida doméstica. Empregou-se metodologia quantitativa e qualitativa. O levantamento de dados foi realizado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Algumas das questões analisadas foram: as modalidades de inserção no mercado de trabalho, o trabalho em consultório, o número de atividades exercidas, a divisão sexual do trabalho na esfera doméstica e o cuidado dos filhos. Os resultados indicam que os homens estão em maior número no ensino, cirurgia e administração, enquanto as mulheres tendem a predominar mais na pesquisa e atendimento de pacientes. A cirurgia e a administração são áreas de maior prestígio social e nestas precisamente a dominação masculina é maior. As fronteiras entre a vida profissional e a doméstica parecem ser mais indefinidas no caso das mulheres. Suas práticas e representações evidenciam uma necessidade maior de compatibilização entre ambas as esferas. As experiências da gestação, parto e amamentação acabam envolvendo mais diretamente as mulheres em tarefas da vida privada. Isto gera impactos nas suas opções profissionais e maiores dificuldades na realização do seu trabalho no campo assistencial e científico. No entanto, a feminização da Medicina está propiciando uma maior equidade de gênero.
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