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Coordenação:
Silvana de Souza Nascimento
Doutora em Antropologia pela Universidade de São Paulo e Prof. Dra. da Universidade Federal da Paraíba.

Juliana Cavilha
Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina.

Este simpósio temático tem como propósito trazer à tona uma discussão sobre a polêmica atividade da prostituição, tema ainda caro às discussões do movimento feminista e dos estudos de gênero. Assim, a partir de uma perspectiva multidisciplinar, propõe-se a promoção de um debate sobre prostituição examinada a partir de vários eixos: arranjos familiares, parentesco, divisão sexual do trabalho, sexualidade, poder, a relação corpo e trabalho, turismo sexual. Além disso, o objetivo é estabelecer conexões com contextos urbanos contemporâneos e, assim, revisitar a prostituição e sua relação com “a cidade”, de modo a compreender os diferentes caminhos pelos quais é construída, inclusive, as diferentes legislações e posições políticas em outros países.
Nestes contornos, a proposta é de animar um debate sobre as formas de prostituição da cidade e não simplesmente na cidade. Visto ser um campo de pesquisa em construção, é preciso dimensionar o debate entre feminismo e prostituição e possibilitar o mapeamento e a construção de uma rede de pesquisadores(as) que dê visibilidade acadêmica e política a esta questão.

Mulheres Guerreiras: associativismo e questões de gênero entre profissionais do sexo de Campinas”
Aline Godois de Castro Tavares (UNICAMP)

Este trabalho analisará a experiência da criação de uma associação de profissionais do sexo na cidade de Campinas – Mulheres Guerreiras – formada através da parceria entre mulheres profissionais do sexo, Secretaria Municipal de Saúde e Incubadora Tecnológica de cooperativas Populares. O objetivo desta apresentação é mapear algumas das questões presentes neste processo, como a importância da criação de uma identidade de Gênero destas mulheres; a relação entre corpo, sexualidade e trabalho, e também as peculiaridades de um movimento formado por mulheres que trabalham no centro da cidade.
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Relações de gênero, a divisão sexual do trabalho na cidade, a questão ambiental: a feminilização do risco
Ana Luiza Carvalho da Rocha (UFRGS)

Relações de gênero, a divisão sexual do trabalho na cidade, a questão ambiental: a feminilização do risco.
Nos dias de hoje mais da metade da população mundial vive em grandes centros urbanos. A maioria deles apresenta problemas de qualidade de vida, de carências de infra-estrutura de base e de serviços, de desemprego, de exclusão social, pobreza e marginalização. No cotidiano das metrópoles contemporâneas são inúmeros estudos reconhecem que as relações de gêneros desenham formas diferente de uso dos seus espaços devido a posição e papéis que homens e mulheres desempenham em seus territórios. Na América central, América Latina, na África e nos países do leste europeu os principais programas de desenvolvimento social tem se pautado pela promoção de ações junto às mulheres e as crianças moradoras de periferias e áreas marginalizadas por serem consideradas a ação urbana mais vulnerável aos processos de degradação ambiental. Sem ocuparem posição de decisão nas políticas publicas, as mulheres mais pobres têm sido consideradas, contudo, agentes estratégicos para a promoção de melhorias no ambiente urbano. A partir de estudos sobre o tema em questão promovidos nos quadros do programa Gestão de Transformações Sociais (MOST-Management of Social Transformations) junto a UNESCO, com o financiamento da Direção para o Desenvolvimento para o Desenvolvimento e Cooperação (DDC), este trabalho procura contribuir para uma reflexão acerca do papel das mulheres em situação de risco e pobreza para a gestão ambiental das suas cidades, e tendo em vista as modalidades de interações que homens e mulheres promovem com as grandes metrópoles em razão das oportunidades e dificuldades diferenciais no contexto de seus espaços públicos e privados.
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Sexo como profissão e o paradoxo: questão de gênero ou de escolha?
Carolina Appel Colvero (UFSM)

Neste estudo pretende-se problematizar as ações desenvolvidas junto às Profissionais do Sexo do município de Santa Maria. Tal trabalho é desempenhado pela Política em HIV/aids da Secretaria de Saúde do município, levando em consideração a condição de vulnerabilidade em que algumas pessoas podem encontrar-se em relação à possibilidade de contrair doenças sexualmente transmissíveis/aids. Neste sentido, bem como outras ações desta política supracitada, esta propõe-se a ser pragmática, ou seja, atua relevando que há trabalhadoras do sexo no município, para as quais as políticas públicas devem se voltar a partir do ponto de vista da prevenção. Isto quer dizer que são aplicadas ações contemplando um dos princípios norteadores do Sistema Único de Saúde – SUS – a equidade. Em última análise, é um trabalho que se propõe ao fomento da cidadania, enfatizando, junto as mulheres, o reconhecimento de que são cidadãs e dispõem dos mesmos direitos que outros cidadãos. Ao passo que as mulheres e travestis acessadas são estimuladas a entenderem-se sob um viés que ultrapasse a questão de sua atividade profissional – a prostituição – tendo em vista os outros papéis que assumem na vida de um modo geral. A problematização se dá em torno de discutir a questão de gênero que se impõe quando há uma política pública atuando voltada para a prevenção e, em princípio, sem questionar as desigualdades que podem estar sendo suscitadas/estimuladas com suas ações.
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Trabajadoras sexuales o Mujeres en situación de prostitución: una aproximación a la problemática de la autorepresentación y organización de los sujetos estigmatizados
Carolina Justo von Lurze (CONICET)

Hacia mediados de los ‘90 se inicia en la Argentina un proceso de autorreconocimiento de la condición de sujeto social y político de algunas de las mujeres en prostitución en la Ciudad de Buenos Aires y en algunas ciudades del interior del país. Este grupo comenzó a organizarse para lograr la recuperación de ciertos derechos básicos y en particular para eliminar las disposiciones por las que eran detenidas sistemáticamente. Lograr que el Estado, en primera instancia, y la sociedad toda las considerara “ciudadanas comunes”, “parte de la sociedad” y les reconociera estos derechos requería (voluntaria o involuntariamente) que estas mujeres se dieran una identidad que les permitiera legitimar estos reclamos y efectivizarlos. Se imponía la discusión acerca de los modos de clasificación hegemónicos a través de los que eran interpeladas así como la disputa por el modo de (auto)representación y organización de las mujeres en prostitución. En este trabajo intentaremos explorar cómo esta disputa se fue dando (y continúa) a lo largo de los años de lucha de las organizaciones. Intentaremos observar de qué forma se fue (re)configurando la identidad de las organizaciones y de las mujeres que pertenecen a ellas; cuáles son los sentidos y valoraciones sociales que se discutirán o se recuperarán. Reflexionaremos, por último, acerca de las particularidades que tiene la construcción de una identidad política por parte de grupos subalternizados.
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Discursos, saberes e programas: uma interpretação das representações em uma casa de prostituição em Florianópolis
Chiara Lemos Monteiro Carvalho; Aline Ferreira Oliveira; Caroline Gorski Marques Araújo (UNIESC)

Este trabalho foi elaborado a partir de observações em uma casa de prostituição em Florianópolis, trazendo uma reflexão sobre a correlação entre poder e saber exercidos a partir de um corpo “agenciável e negociável”, e de um know how que estas mulheres constroem para lidar com essas relações em que a mobilidade do poder mostra-se uma dinâmica elementar. Pretende-se pensar, sob esta perspectiva, em como essas mulheres desenvolvem saberes que lhes conferem poder nas relações estabelecidas entre elas e os clientes, nas formas de abordagem, regras de programas, e situações cotidianas por meio das quais conferem sentido às suas práticas. Para a análise dos dados colhidos em campo utilizaram-se os conceitos de público e privado segundo Michelle Perrot e a questão da agência segundo Sherry Ortner. Entendemos este processo de agenciamento enquanto mobilidade do poder em negociar, relacionando as representações do corpo “objeto-sujeito” e as práticas da prostituição. Dessa maneira pudemos focar a diferenciação entre as performances adotadas dentro e fora da casa (como forma de delimitar espaços), bem como a valorização do corpo da mulher como objeto privilegiado de saber, segundo Foucault, buscando compreender o agenciamento destas mulheres que produzem afetos e exploram fantasias.
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Prostitutas “Entendidas”: O quê se precisa entender?
Danieli Machado Bezerra (UFRN)

Nesta pesquisa propomos uma discussão sobre sexualidade a partir do que observamos em nosso trabalho de campo que são mulheres prostitutas e que se autodefinem entendidas. Analisamos esta prática da sexualidade como sendo mais uma possível expressão da prática sexual no mundo contemporâneo. As informantes deste trabalho exercem sua profissão em dois cabarés localizados no Bairro do Alecrim na cidade de Natal. São os cabarés Pousada do Amor e Boite Flash Play Dance. Ambos situados na Avenida 10 do bairro supracitado. Analisamos as prostitutas que fazem sexo com homens e também com mulheres e se autodefinem “entendidas”. Compreendemos essa prática sexual como mais uma possibilidade de manifestação da sexualidade dentre as múltiplas formas existentes. Trata-se de prostituição de mulheres que estabelecem uma relação de trabalho com homens, ou seja, são clientes e pagam para ter relações sexuais e, além de exercerem sua profissão, têm relações sexuais e de afetos com mulheres. É um universo que possui vivências sexuais variadas e existentes em uma realidade que pertence aos grandes centros urbanos, e que é pouco estudada e compreendida, repleta de estigmas e preconceitos.
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Práticas de Gênero: refletindo sobre o exercício da prostituição
Elisiane Pasini (UFRGS)

Percorri diferentes contextos da atividade de prostituição de mulheres. Levando em conta as especificidades de cada uma, sempre tive como principal discussão os sentidos de gênero e das sexualidades entre os sujeitos sociais que compõem o mundo no exercício da prostituição. Busquei novas e/ou outras possibilidades de compreensões para esta combinação de temas, de fenômenos e de práticas. Nesta comunicação, tratarei fundamentalmente das minhas observações etnográficas da Vila Mimosa, uma peculiar zona fechada de prostituição feminina localizada na região central da cidade do Rio de Janeiro – RJ, base da pesquisa para minha tese de doutoramento. O estudo que realizei na Vila buscou compreender outras ou potencialmente novas configurações de gênero, em que estas dependem da situação e do contexto vivenciado para assim construir significados. Naquele contexto havia algo recorrente para se pensar gênero: a valentia. Condição de possibilidade para se ocupar aquele contexto sociocultural, a valentia em nossa sociedade está marcada hegemonicamente como um atributo masculino, entretanto, na Vila, ser valente é um atributo das feminilidades e das masculinidades. A valentia tornou-se um atributo de gênero fundamental para esses sujeitos porque havia nessa apropriação uma demonstração de poder. No universo estudado, se é alguém se for valente. Através dessa análise pretendo enfocar, principalmente, elementos que configuram atributos de gênero na prática da prostituição nos contexto estudados, bem como, o lugar da mulher na nossa sociedade.
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Prostituição homossexual masculina: Análise Psicossocial Sobre a Estruturação e Construção das Performances de Gênero dos Homens que se Prostituem em Recife
Epitacio Nunes de Souza Neto (UFPE)

Como toda metrópole, Recife apresenta uma variedade enorme quanto ao perfil social de seus habitantes. Dentro deste cenário caoticamente organizado, estabelecem-se categorias aonde os indivíduos vão sendo agrupados e renomeados. Cada grupo desses possui os atributos e características que definem as identidades sociais de seus protagonistas. No contexto da invisibilidade atuam e convivem os membros de uma nova categoria: Os garotos de programa, onde atributos físicos, idade e fatores sócio-econômicos e culturais definem a categorização e territorização de atuação profissional para atender a uma clientela que por sua vez também se distingue pelos mesmos atributos e fatores. Desta forma, tomando como base os estudos de Perlongher (1987), Fábregas-Martínez (2000), Parker (2002) e Rios (2004), este estudo tem como objetivo analisar o fenômeno da prostituição homossexual masculina, bem como avaliar as acomodações sociais e as performances de gênero entre os homens que se prostituem no Recife.
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Contextualização do trabalho sexual exercido em casas noturnas de São Carlos: observações de prostitutas sobre questões de gênero
Fabiana Rodrigues de Sousa, Maria Waldenez de Oliveira (UFSCar)

As observações e comentários, aqui, expressos resultam de uma das etapas de pesquisa de mestrado na qual objetivou-se identificar processos educativos presentes nas relações entre prostitutas e seus clientes. A contextualização do trabalho sexual desenvolvido por mulheres em boates de São Carlos – SP teve como fim conhecer o contexto no qual se estabelecem as relações entre prostitutas e sua clientela, os temas que fomentam suas conversas e interações, as regras de organização do trabalho sexual, além de buscar apreender os sentidos implícitos nos relatos dessas e de outras pessoas que se relacionam nas casas noturnas. As contribuições de Paulo Freire acerca da investigação temática, bem como os escritos de Carlos Brandão e seus colaboradores sobre pesquisa participativa foram utilizados como aporte teórico-metodológico. A análise de documentos produzidos por pessoas que desenvolveram ações educativas em casas noturnas da cidade permitiu observar que questões de gênero, constantemente, são abordadas nos relatos dessas mulheres. Em suas falas apontam que o cuidado dos filhos e da casa é uma função, geralmente, atribuída à mulher; comentam que a sexualidade masculina tende a ser estimulada, desde a infância, enquanto a feminina é reprimida; além de ressaltar a influência da educação familiar na construção e reprodução dos papéis sociais atribuídos ao homem e à mulher.
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“Na esquina da Rua eu vi uma mulher”: Um estudo sobre a relação entre prostitutas e a Pomba-gira
Francisco Gleidson Vieira dos Santos (UFPE)

Este trabalho busca compreender como se estabelece a relação entre prostitutas e a Pomba-gira, entidade do panteão umbandista que subverte a ordem pela livre manifestação do poder genital feminino (AUGRAS: 1989). Para tanto, procurou-se compreender a relação das prostitutas com a Pomba-Gira a partir das imagens que elas elaboram sobre a entidade. Como também, através das negociações travadas entre elas, aspecto assaz pontual nas narrativas das prostitutas pesquisadas. Conscientes do caráter ambíguo da Pomba-gira, ressabiadas das dádivas obtidas e subtraídas pela própria entidade, relacionam-se com ela de forma altiva e direta, só as presenteando após dádivas alcançadas. Diferentemente das negociações travadas entre os adeptos do catolicismo popular e seus santos, em que as trocas negociadas entre eles pressupõem implicações morais nas condutas dos indivíduos, entre as prostituas pesquisadas e a Pomba-gira o que está em jogo e fundamenta a dádiva é o correto oferecimento ritual, caracterizado por elementos da cultura material. Para as prostitutas a Pomba-gira é responsabilizada pelo fato delas se prostituírem, suas prerrogativas ligadas aos “símbolos da libido” são oriundos de serem “filhas” e estarem “acompanhadas” pela entidade em questão. Ao relatarem já ter visto a entidade, citam o espelho como lugar da sua aparição, destarte, o espelho é aquilo que reflete imagens, dessa forma poderíamos dizer que a Pomba-gira é a própria imagem das prostitutas refletidas no espelho.
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Prostituição e Criminalidade: O Cotidiano e os conflitos nos bordéis Ponta-grossenses nas décadas de 1930/1940.
Gisele Gaspar Ferreira (UEPG)

Parte desse trabalho busca elucidar algumas questões acerca das tramas que integram o cotidiano dos bordéis, analisando as relações de poder e apontando alguns conflitos que se desencadeavam nesse cenário de disputas, intrigas e transgressões. Outra parte, busca saber em que momento da história o bordel perde suas características de espaço de sociabilidade e se transforma em um local onde apenas se comercializa sexo. Para isso, analisaremos os discursos médicos, sanitários e moral-cristão das décadas em questão. Faremos uso de alguns processos crimes para aclarar os conflitos no interior dos bordéis e utilizaremos artigos de jornal para compreender de quais formas a prostituição era vista, pensada e promulgada. Abordaremos o movimento de retida dos bordéis do centro da cidade de Ponta Grossa, haja vista que nos artigos de jornal e autos de processos-crime analisados constata-se que a prostituição estava nas principais ruas do centro dessa cidade. Procuramos avaliar quais foram as medidas adotadas para a criação de uma zona do meretrício na cidade de Ponta Grossa na década de 1930, uma vez que o ato de confinar não deixa de ser uma atitude disciplinar, e é uma estratégia que não se dá em um espaço fechado, mas tem como escopo um certo grau de enclausuramento dos corpos num espaço que está sob constante vigilância e normatização. Portanto, almejamos expor e explorar um pouco desse universo mitificado e cercado por enigmas.
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“A cidade das Putas”
José Miguel Nieto Olivar (UFRGS)

O presente trabalho, que faz parte da minha tese de doutorado em antropologia social, propõe-se a reconstrução de narrativas e de encontros etnográficos com mulheres prostitutas, nas que se tecem as memórias, experiências e expectativas com relação á cidade da sua vida, Porto Alegre. A pesquisa tem como protagonistas quatro mulheres que durante mais de vinte anos se dedicaram à prostituição no centro da cidade, que são fundadoras e ativistas do Movimento de Prostitutas e que ainda hoje, com idades entre os 43 e os 53 anos, encontram na prostituição não só o seu sustento econômico, mas uma importante fonte de intensidades simbólicas. A partir das trajetórias e os corpos dessas mulheres procura-se uma interpretação sobre as formas como a cidade se relaciona, hoje e nesses vinte anos, com a sexualidade e o gênero, como velhas formas de exclusão e violência tem mudado com as exigências da época e como o Movimento de Prostitutas se resiste a, e negocia com, esses fluxos todos. A presença dessas quatro mulheres é complementada pelas vozes e experiências de outras prostitutas de diferentes gerações e formas de trabalho, agentes do Estado, lideranças sociais, pesquisadores, entre outros.
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O cotidiano e a rua: as práticas de sobrevivência de mulheres profissionais do sexo nas ruas centrais da cidade de Florianópolis
Juliana Cavilha (UFSC)

Esta comunicação pretende apresentar uma parte etnográfica da pesquisa de doutorado em andamento, cujo objetivo foi de pensar as trajetórias sociais os itinerários urbanos, de mulheres profissionais do sexo, atuantes nas ruas do centro da cidade de Florianópolis. A fala intenta discutir como estas mulheres, vindas – a maioria de um universo rural – vivem na cidade moderno contemporânea, a partir de elaboradas estratégias de sobrevivência num cotidiano marcado pelo risco e pela vulnerabilidade do estar na rua, submetidas a chuva, ao frio, ao calor, e tantas
outras situações, ao mesmo tempo que encobertas pela total invisibilidade social.
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Atores sociais na batalha: estigma e cidadania entre prostitutas, através de uma ONG em Porto Alegre
Leticia da Luz Tedesco (UFRGS)

Esta comunicação pretende apresentar uma parte etnográfica da pesquisa de doutorado em andamento, cujo objetivo foi de pensar as trajetórias sociais os itinerários urbanos, de mulheres profissionais do sexo, atuantes nas ruas do centro da cidade de Florianópolis. A fala intenta discutir como estas mulheres, vindas – a maioria de um universo rural – vivem na cidade moderno contemporânea, a partir de elaboradas estratégias de sobrevivência num cotidiano marcado pelo risco e pela vulnerabilidade do estar na rua, submetidas a chuva, ao frio, ao calor, e tantas
outras situações, ao mesmo tempo que encobertas pela total invisibilidade social.
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As Cidades “ sitiadas”: Controle sobre os Espaços Públicos e a Estigmatização dos Indesejáveis.
Luziana Ramalho Ribeiro, Paula Dutra Leão de Menezes (UEPB)

As discussões sociológicas contemporâneas têm enfocado as análises das relações e usos em espaços públicos, dando ênfase à questão do crescente processo de desconstrução da sociedade do trabalho. Desse modo, há a denúncia de um processo contínuo, a partir do final da II Guerra Mundial, de criminalização, prisionização, estigmatização e exclusão de camadas que possivelmente nunca farão parte do pacto moderno da chamada inclusão social. Dentre esse atores, destacam-se os jovens pobres, podendo desempenhar os papéis de prostituídos, imigrantes ou desempregados. Portanto, o Estado abandona a ideologia do bem-estar social e cada vez mais, junto à iniciativa privada, tem atuado como um instrumento de controle, via vigilância, sobre os espaços públicos, constituindo assim o fenômeno do neo-higienismo social. Analisaremos numa perspectiva bibliográfica, a abordagem de diferentes correntes teóricas acerca da relação sociabilidade/controle dos espaços públicos. Nosso objetivo é mapear a intrincada relação entre os processos de neo-higienismo e a legitimação da descartabilidade/segregação dos indesejáveis. O contexto sócio-econômico e cultural contemporâneo está balizado em releituras do malthusianismo, que nos reportam a novas estratégias de controle da população. Assim, buscaremos problematizar as novas configurações da relação eu-outro, mediadas pelo sentimento crescente de medo/angústia nas sociedades ditas complexas e com padrões de solidariedade orgânica. Desse modo, focaremos a questão do controle às vivências sexuais que serão fortemente vigiadas pelo estado, especialmente em espaços públicos e, prioritariamente contra os grupos considerados desviantes como os homossexuais e pessoas prostituídas, que são dentro de uma lógica neo-vitoriana responsáveis pela banalização e quebra dos “bons costumes”.
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Representações literárias da prostituição na literatura brasileira do Séc. XIX e XX
Marcos Vinícius Scheffel (UFSC)

Ao analisar a obra de Charles Baudelaire, Walter Benjamin (2000: p.53) observou que foi o crescimento da população das grandes cidades que propiciou à prostituição estender-se sobre vastos setores da sociedade. Assim, a prostituta e a prostituição passam também a ocupar as páginas da literatura enquanto tema digno de nota e fenômeno social dos mais relevantes. Em Os Miseráveis, Victor Hugo, lança um olhar de simpatia sobre as desgraças que acometeram Fantine, estabelecendo uma das representações mais comuns da figura da prostituta: a boa mulher que foi empurrada para prostituição devido às dificuldades da vida. Na literatura brasileira, o exemplo mais lembrado dessa forma de representação é Lucíola, de José de Alencar. Já um autor contemporâneo, João Antônio, vale-se da prostituição para mostrar as mudanças sociais e políticas que influenciaram diretamente na mudança do perfil da prostituição na cidade do Rio de Janeiro. Desta forma, pode-se constatar que no século XIX e XX, vários autores brasileiros utilizaram da figura da prostituta em seus textos, como Aluísio de Azevedo, Lima Barreto, Hilário Tácito e João Antônio. O presente trabalho tem por objetivo analisar a função que estas personagens e/ou o tema da prostituição assume na construção do sentido crítico dos textos de alguns autores brasileiros.
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Urbanizando para quem? O lugar das prostitutas em Feira de Santana-BA (1960-1979)
Maria Carolina Silva Martins da Silva (UFBA)

O objetivo desse texto é analisar, através de periódicos e relatos orais de sujeitos da história de Feira de Santana, entre 1960-1979, como as mudanças urbanas e o crescimento comercial influenciaram o cotidiano e a forma da prostituição se apresentar. Os discursos que perpassaram a modernização da cidade estavam alicerçados pelo ideal de ordem, progresso e moral, que respaldaram as ações da classe dominante a fim de tornarem a cidade moderna. É nesse contexto que a urbanização em Feira de Santana auxilia no aprofundamento das diferenças sociais ao reorganizar os lugares dos grupos sociais, tentando desativar os espaços da prostituição. Um dos fatores que influenciaram esse processo foi a expansão comercial. Esta gerou a retirada de vários prostíbulos do centro da cidade. O afastamento das casas de prostituição do centro não impediu o aumento da mesma e sua nova forma de organizar-se.
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Dimensões Simbólicas do Turismo Sexual
Mariana Selister Gomes (UFRGS)

O artigo demonstra, através de dados de organizações nacionais e internacionais, o problema social do Turismo Sexual e apresenta as abordagens, com suas lacunas, que tentam explicá-lo. Em uma tentativa de suprir essas lacunas, busca analisar o Turismo Sexual a partir de suas dimensões simbólicas. Estas dimensões são: as relações de poder entre turistas sexuais e prostitutas locais, ou seja, o biopoder exercido através da racialização e da sexualidade; a importância das imagens e dos imaginários na construção desse mercado sexual racializado; a influência da identidade nacional brasileira construída historicamente em torno de uma suposta mestiçagem cultural, racial e sexual; e, por fim, a dimensão simbólica do consumo capaz de transformar mulheres e sua sexualidade em mercadoria.
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O lugar e os corpos da mulher: a prostituição feminina em Marília na perspectiva dos sujeitos e os territórios de prostituição
Natália Cristina Marciola Sganzella (UFSCar)

Este trabalho tem como intuito realizar um estudo sobre a mulher prostituta e entender o modo como estas concebem e organizam sua vida cotidiana através das relações com diferentes personagens presentes em seu mundo social e a análise dos espaços em que convivem. A pesquisa visa, desta forma, contribuir com algumas considerações sobre a temática da condição da mulher prostituta, valorizando as percepções que estas demonstram de sua situação social concreta e sobre sua relação com o outro, seja ele o cliente, outras mulheres ou sua família. O método utilizado para entender essas relações será a observação direta no campo. Esta observação prolongará estudos já feitos nas ruas centrais da cidade de Marília, mais especificamente nos bares e hotéis onde se desenvolve a prática de comércio do corpo. Desta vez a pesquisadora buscará o convívio com as mulheres também em suas residências, pois esta inserção possibilitará compreender um conjunto de códigos e práticas do sujeito não evidentes no espaço da rua. O objetivo da pesquisa é construir, através das relações sociais que envolvem a vida das prostitutas, uma visão mais particularizada da mulher que não a das considerações baseadas nos estigmas, que recaem sobre as prostitutas, bem como apresentar outros atores envolvidos no círculo social das mulheres e conhecer suas práticas e percepções. Para completar a pesquisa, propõe-se consultar uma bibliografia que aborde, através de um olhar antropológico, questões relativas aos territórios e à circulação de valores (monetários, pessoais, etc.).
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Não é decente, mas é um trabalho”: prostituição feminina e tensões entre rompimentos e continuidades das atuações de gênero
Nicole Costa de Campos, Tatiana Raquel Reis Silva (UFMA); (UFBA)

Neste trabalho propomos analisar modos de relações de gênero que se constituem entre mulheres que exercem a prostituição e seus “clientes” na busca por satisfação erótico-sexual e prazeres. Uma das tarefas centrais para realizá-lo consistiu em lidar com as representações construídas sobre mulheres que exercem a prostituição como condição de desnaturalização de algumas das concepções socialmente compartilhadas em torno da experiência vivida por elas. As narrativas colhidas em depoimentos e recortes das suas histórias de vida revelam que muitas de suas significações contestam e, ao mesmo tempo, reproduzem discursos construídos por normas e valores socialmente legitimados, podendo esta questão ser compreendida a partir da tensão entre rupturas e continuidades das atuações de gênero. Dessa maneira, este trabalho visa contribuir para o alargamento da compreensão de algumas das questões mais relevantes que se entrelaçam nas relações entre prostitutas e clientes, que são perpassadas pelas interações do corpo/desejo/prazer, transfigurando-se, na maioria das vezes, em relações de trabalho e instrumento de sobrevivência para as mulheres que exercem a prostituição na área conhecida como “Oscar Frota”, na cidade de São Luís do Maranhão.
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Turismo Sexual: uma abordagem do problema no Nordeste
Paula Dutra Leão de Menezes, Luziana Ramalho Ribeiro (UFPA)

A partir da segunda metade do século XX, o turismo cresceu de forma massificada e milhões de pessoas começaram a viajar pelo mundo, originários dos mais diferentes lugares em direção a diversos destinos turísticos. Essa democratização do turismo proporciona o encontro e relações de interação entre visitantes e visitados com situações sócio-econômicas e culturais distintas. Nesse contexto, surge o Turismo Sexual que em países em desenvolvimento, com problemas estruturais de educação e renda harmonizam condições adequadas para seu incremento. O presente trabalho analisou a problemática do turismo sexual, através de estudo bibliográfico. De acordo com o estudo o turismo sexual ou “prostiturismo” ocupa o espaço urbano em cidades turísticas onde podem ser identificados territórios da prostituição que conta com a articulação entre diversos atores envolvidos, sendo a região nordeste a mais atingida pela atividade. São inúmeras as causas da proliferação de tal prática: a conivência das autoridades nacionais; a imagem de sensualidade, erotismo e liberdade sexual; a situação econômica e social do País. No entanto, a prostituição não ocorre apenas em decorrência de problemas sociais, econômicos e culturais, que levam a exploração sexual, uma vez que se constata que adolescentes de classe média alta também estão envolvidas com o que se pode chamar Turismo do Sexo, onde não existe dominação. Atualmente tem crescido a preocupação e formas de enfrentar e combater o problema principalmente com ações políticas e de organizações não governamentais.
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"O lugar da abjeção: espaço e corporalidade na experiência de travestis que exercem a prostituição"
Pedro de Lemos MacDowell (UnB)

A partir de pesquisa etnográfica realizada entre travestis que exercem a prostituição nas ruas do Setor Comercial Sul, no centro do Plano Piloto, em Brasília, e de uma análise da política de urbanização do atual Governo do Distrito Federal, o trabalho pretende discutir a relação entre estruturas excludentes de subjetivação, produtoras de abjeções, e práticas igualmente excludentes de gestão e organização dos espaços urbanos. Nesse sentido, argumento que não apenas os corpos são lugares significados através de processos de exclusão e abjeção, mas também os corpos habitam e se distribuem em lugares geográficos marcados, em função da matriz que estabelece a relação poder/sujeição, pela exclusão e pela abjeção. O espaço é permeado pela mesma gramática que constitui os corpos; os espaços são (res)significados pelos corpos que os habitam, e os corpos são (res)significados pelos espaços em que habitam. Quando se agrava a relação assimétrica entre o valor imobiliário de um determinado espaço urbano (valorizado em função, sobretudo, de sua localização) e seu valor simbólico (desvalorizado em função, sobretudo, de sua ocupação), surge para o mercado a necessidade de "despoluí-lo", satisfeita no caso em análise pelo exercício da violência "legitimada" pelo Estado.
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Prostituição de luxo: a vivência sexual das profissionais do sexo
Roberto Mendes Guimarães, Maria Alves de Toledo Brun (UNICENTRO); (USP)

Atualmente, a mulher, mesmo com as mudanças em relação à sexualidade, um maior destaque no cenário econômico, com mais opções de emprego, ainda há a presença marcante da prostituição. Analisamos esse fenômeno a partir de três eixos distintos: a prostituição como trabalho; como patologia; e como busca de prazer. Nossos objetivos são: compreender o que levam garotas de classe econômica A e B, com ensino médio, a se prostituírem; elucidar as razões psíquicas envolvidas; abranger seu significado para essas mulheres. Optou-se pelo método da redução fenomenológica. O acesso às 10 colaboradoras ocorreu em casas de prostituição e anúncios da internet. Obtivemos as descrições por meio de uma entrevista consentida e o instrumento utilizado foi a história oral de vida, que contempla a entrevista, a gravação e a transcrição. A análise ocorreu em dois momentos: 1º) Leitura e re-leitura dos relatos para compreender o todo, apreender as unidades de significados e identificar as categorias divergentes e convergentes. 2º) Submeter às categorias ao corpus elaborado a partir dos eixos que alicerçam a pesquisa e, ampliar e recriar um corpus de compreensão sobre suas vivências sexuais. Esta pesquisa permite-nos concluir que o fenômeno envolve uma multiplicidade de fatores associados: consumo, prazer, independência, o papel masculino na manutenção da prostituição. O contato com a vivência das profissionais do sexo abre novas perspectivas de compreensão, reconstrução e ressignificação, ao desvelar o significado que as mesmas atribuem à prostituição, auxiliando a desmitificar, quebrar preconceitos e estigmas.
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Qualidade de Vida das Profissionais do Sexo de Criciúma, Santa Catarina, Brasil
Rosemari Oliveira Duarte, Daiane Vanz (UNESC)

A prostituição sempre esteve presente na sociedade brasileira e já gerou inúmeras discussões e polêmicas a seu respeito. Não só porque foge à moral e aos costumes estabelecidos, mas por, algumas vezes, está ligada às atividades criminosas como a prostituição infantil e o tráfico de drogas, entre outras. Foi desenvolvido um estudo exploratório observacional, com o objetivo de avaliar as características da qualidade de vida (QDV) das profissionais do sexo da região de Criciúma, nos anos de 2006-2007. Foi um estudo quantitativo, descritivo, observacional, caracterizando a QDV das mulheres. Para a avaliação da qualidade de vida foi utilizado um questionário, desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde e validado para o português, intitulado WHOQOL- bref criado pelo WHOQOL Group (OMS), adaptado à realidade brasileira por FLECK et al (1999) e validado para o português para a caracterização da QDV. Este instrumento possibilitou avaliar 4 (quatro) aspectos ou domínios da qualidade de vida: físico, psicológico, relações sociais e ambiente. Em cada domínio foi calculada a média e desvio-padrão dos valores das respostas. Das 54 mulheres entrevistadas, a idade variou entre 18 e 54 anos, com a média de 27 anos. Os resultados do estudo apontaram para uma boa percepção de qualidade de vida nos aspectos físicos e psicológicos e menor percepção nos domínios das relações sociais e meio ambiente, decorrentes da situação sócio-estruturais e culturais dessas entrevistadas.
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Prostituição, estigma na esfera do Turismo sexual em Natal
Vanda Regina F. de Albuquerque Pereira (UFRN)

Resultado de trabalho de monografia para conclusão de curso de Ciências Sociais da UFRN , o presente trabalho tem como objetivo discutir o universo da prostituição sob o conceito de estigma de Goffman (1998). O campo pesquisado foi a capital do Nordeste Brasileiro, Natal que chama atenção da mídia, sociedade civil e estudiosa pelo que se denominam Turismo Sexual. O universo estudado nos permitiu verificar características atribuídas às mulheres que ingressam na prostituição apontam para uma idéia de um feminino desviado, com o qual se contrapõe a uma idéia de mulher “normal”. A partir do conceito de identidade pessoal e identidade social de Goffman (1998), que trata o estigma como algo que corresponde a atributos socialmente compartilhados entre os normais e estigmatizados. Sendo o estigma, não o atributo em si, mas a relação entre os indivíduos. Tentamos identificar a relação mediada por efeitos do estigma da prostituta e com isso, a tensão entre os normais e os estigmatizados no que diz respeito a revelação de seus atributos ou não e a técnica de controle das informações estigmatizadas a fim de minimizar conflitos. Nesse sentido, o trabalho esteve ancorado por abordagem qualitativa, a qual incluía entrevistas abertas e pesquisa de campo. Tais recursos possibilitaram aproximar da vida das mulheres em âmbito prostitucional e familiar. Com isso identificar a tensão do jogo de manipulação dos atributos estigmatizantes de forma mais ampla.
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