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Coordenação:
Kátia Araújo
Doutora em Antropologia (PPGA/UFPE), professora adjunta do Departamento de Design do Centro de Artes e Comunicação da UFPE e vice-diretora do Centro de Artes e Comunicação da UFPE

Patrícia Farias
Doutora em Antropologia (IFCS/UFRJ), professora adjunta do Depto. de Política Social da Escola de Serviço Social da UFRJ

O ST discutirá os desafios ao agenciamento feminino, a partir das novas configurações assumidas tanto pelo espaço privado quanto pelo espaço público. Considera-se que os novos significados atribuídos a estes espaços são desdobramentos de vários fatores. De um lado, dentro do contexto da pós-modernidade, fenômenos como a ênfase na criação de subjetividades a partir de estilos de consumo, a espetacularização da vida privada por via das novas tecnologias comunicacionais – que por sua vez geram transformações nas relações na família – e a relativa pulverização de políticas públicas para além do Estado, entre outros, levam a estudos sobre as inflexões de gênero das novas atividades profissionais, sobre os limites da mobilidade social e do próprio empreendedorismo capitalista no que tange às mulheres; e sobre novas formas da militância política feminista.
De outro lado, enfatiza-se a dinâmica mais recente dos movimentos sociais, sobretudo as novas proposições do feminismo, que nas últimas décadas ampliaram os interesses de suas pautas de reivindicações, a partir do cruzamento com outros marcadores sociais além do gênero, como raça/etnicidade, faixa etária, classe social, orientação sexual e origem nacional. Isto se desdobra numa nova configuração das relações de poder inter e intragêneros, e em formas de atuação pública e privada, que o ST também pretende discutir.
Frisamos, entretanto, que a consolidação desta conjuntura recente é também tributária de lutas emancipatórias mais tradicionais, por exemplo, as oriundas do feminismo dos anos 60. Assim, a interface entre tradição e pós-modernidade será igualmente debatida neste grupo.
Pela riqueza dos debates envolvidos, este ST assume uma perspectiva transdisciplinar, já que as contribuições de distintos campos de conhecimento são consideradas produtivas na busca de um objetivo comum: alcançar maior profundidade e entendimento sobre o fenômeno do gênero na contemporaneidade.

Fugindo à regra: trajetórias de mulheres bem sucedidas no Estado do Rio Grande do Sul
Aline Cristine Scotti Scherer (PUC-RS)

Fenômenos presentes na família, como os papéis estabelecidos no casamento, desejo ou não da maternidade, cuidado com os filhos, carreira e o modo de ascensão profissional, constituem alguns dos diversos aspectos presentes na vida da mulher contemporânea bem sucedida. Este estudo busca analisar, através dos padrões culturais de gênero, seis trajetórias de mulheres que ocupam cargos de prestígio em organizações distintas no estado do Rio Grande do Sul, abarcando as áreas: empresarial, política, educacional, militar, jurídica e da saúde. Nessa perspectiva, os arranjos e mecanismos familiares que permeiam essas carreiras femininas e as relações cotidianas vivenciadas durante o processo de consolidação no trabalho são alvo da investigação e constituem fator decisivo na compreensão de como se dá a inserção dessas mulheres na esfera pública. Os dados foram coletados através da abordagem de história de vida, a técnica utilizada foi a de observação participante e entrevistas em profundidade, baseadas em temas norteadores como: trabalho e gênero; família e gênero e casamento e gênero. No trajeto de investigação junto a essas mulheres, também foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com uma pessoa da família de cada uma delas. Assim, percebe-se que o sucesso profissional por elas alcançado ao longo das suas trajetórias, por meio das relações que estabelecem no espaço público (no mundo do trabalho), não está isolado, ele depende e é sustentado pelos mecanismos e arranjos familiares construídos no espaço doméstico.
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Diagnóstico e Análise do Perfil das Lideranças Femininas no Conselho Estadual dos Direitos da Mulher – CEDIM
Andréa Lopes da Costa Vieira; Patrícia Farias (UGR); (UFRJ)

Este trabalho parte da premissa que: as análises sobre processos de liderança concentram-se em duas esferas bastante delimitadas: incorrem, em primeiro lugar, em reflexões sobre processos de gestão e administração típico das áreas de business; (uma tendência que vem incorporando análises sobre lideranças em movimentos sociais e outros espaços) e, por outro lado, circunscrevem-se às análises da liderança masculina, refletindo a legitimação do processo de significação dos papéis sociais masculino e feminino e a exclusão da mulher do universo público, considerado um espaço típico-androcêntrico. Contudo, o aumento da presença feminina nas esferas públicas (desde setores de articulação político-ideológico da sociedade civil até as dimensões institucionais da tomada de decisão) torna necessário o conhecimento e a caracterização deste movimento através do estudo do perfil das lideranças femininas.
Este trabalho, neste sentido, tem como objetivo apresentar os primeiros resultados obtidos no contexto da pesquisa sobre o diagnóstico das Lideranças Femininas do Conselho Estadual Dos Direitos da Mulher – CEDIM, e tem como principal objetivo a análise, através de pesquisa quanti-qualitativa do perfil das lideranças femininas no Estado do Rio de Janeiro.
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Evas, Marias ou Liliths: as mulheres na novíssima literatura de cordel.
Bruna Paiva de Lucena (UnB)

O objetivo deste trabalho é analisar a obra de dois cordelistas contemporâneos – Arievaldo e Klévisson Viana – com enfoque na representação das personagens femininas. Partindo da proposição de que a literatura de cordel, como manifestação da cultura popular e, por isso oposta à literatura erudita, apresente ao seu leitor outras representações de mundo, destoantes da literatura “culta”, pretende-se pensar a respeito das representações das personagens anunciadas nas obras, observando-as quanto aos critérios de gênero, orientação sexual, classe, estrato social, papéis sociais e afetivos, local da narrativa, idade, raça/cor e outros, a fim de analisar o discurso narrativo em busca de indícios preconceitos, estereótipos e discriminação. Uma vez que, o gênero cordel – de acordo com a maior parte se seus estudiosos – apresenta ao longo de sua narrativa, “casos exemplares” que ensinam e doutrinam o seu leitor, imputando-lhe maneiras de conduta, bons costumes, ou seja, valores morais. Ao passo que é inerente à narrativa do cordel o tom didático, o que está se querendo ensinar por meio de suas narrativas é de extrema importância para os estudos literários. Nesta perspectiva é importante estudar a produção cordelística, uma vez que se acredita que por meio destas obras particulares é possível contribuir à discussão de questões sobre a representação de grupos marginalizados – como as mulheres, por exemplo.
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Novos lugares: discurso sobre a participação feminina no carnaval de Porto Alegre em fins do Império.
Caroline Pereira Leal (PUC-RS)

O presente trabalho tem como objetivo apresentar as mudanças trazidas pela implantação de um novo modelo de carnaval a partir do último quartel do século XIX na cidade de Porto Alegre: préstitos e bailes promovidos pelas sociedades carnavalescas – Esmeralda e Venezianos. As mudanças, entretanto, não restringiram-se ao formato da brincadeira; abarcaram, também, questões que se referiam à participação das mulheres: essas agremiações propuseram novos lugares e condições para que as foliãs se entregassem ao reinado de Momo. Pretende-se, portanto, verificar como essas sociedades, juntamente com a imprensa da época, expressavam o que era ser mulher e os espaços definidos para elas.
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Trajetórias de mulheres negras no Rio de Janeiro.
Elielma Ayres Machado (PUC-RIO)

Nos dias atuais são muitos os pesquisadores, acadêmicos e ativistas que têm se dedicado à chamada questão racial no Brasil, ainda assim, um segmento ainda é pouco investigado. Trata-se do segmento formado por mulheres negras ativistas dos diferentes grupos de movimento negro. Nessa perspectiva, são poucos trabalhos que buscam recuperar as trajetórias das ativistas brasileiras auto-classificadas como negras. A partir dessa comunicação pretende-se contribuir para compreensão desse segmento, frente a mudanças ocorridas na sociedade brasileira, no que se refere as concepções sobre “raça”, gênero e classe, contemporaneamente.
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Arquétipos femininos e masculinos e a prisão do feminismo: a mulher, o homem e os relacionamentos afetivo-conjugais
Filipa Noura e Castro (UFPE)

Estudar a mulher como agente da nova realidade (onde ela se não mais se limita ao espaço privado mas também participa ativamente da esfera pública) é transitar pela história do desenvolvimento da sociedade moderna. Segundo Susana Pravaz “a existência de categorias como sistema de classificação que ordena o mundo é Universal”. Assim sendo, este trabalho pretende expor os diferentes arquétipos femininos e masculinos surgidos com o advento do feminismo (ou que se tornaram mais marcantes a partir dele) à luz da interpretação das representações mitológicas. Pravaz divide as mulheres em três categorias: doméstica (esposa, mãe e dona de casa), sensual (amante e cortesã) e combativa (guerreira, rival e indiferente). De acordo, Elizabeth Badinter mostrou que existe uma multiplicidade de tipos de mulheres que foram se destacando ao longo da história da humanidade (cortesãs, virtuosas, guerreiras, nobres e sábias). Apesar de todas as transformações ocorridas, a mulher ainda é vista (em algumas esferas) como um membro-objeto (muitas vezes objeto de sua própria libertação) e o homem como seu dominador. Mas tal visão não se mostra real em sua inteira dimensão visto que o homem também se mostra aprisionado em todos os papéis (arquétipos: pai severo, esposo dominador) que lhe são atribuídos, ocasionando um caos em seus relacionamentos afetivos. Daí o questionamento: não seria o feminismo uma faca de dois gumes que, ao mesmo tempo em que liberta e torna mulheres e homens mais propensos ao diálogo, também os fecha para as suas necessidades e dos parceiros/as, enclausurando-os em ilhas de incomunicabilidade?
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Atenção psicossocial às famílias pobres e eqüidade de gênero
Gabriela Schreiner (PRIGEPP)

A crescente consolidação de Programas de apoio psicossocial a famílias em situação de vulnerabilidade em diferentes países da América Latina têm aumentado o potencial de trabalhos técnicos de intervenção ora aliados à políticas de transferência de renda, ora a outros programas com foco nas famílias. O intuito, em geral, é de oferecer às famílias algum tipo de apoio que as ajudem a encontrar seus próprios caminhos de autonomia, sustentabilidade e suporte emocional. As equipes, compostas por assistentes sociais e psicólogos, podem ou não seguir determinadas linhas teóricas de ação. Seja qual a forma de gestão e ação das equipes no que tange ao marco teórico e técnico, não é raro que os procedimentos ignorem a reflexão a respeito das relações de gênero ao interior das famílias. O pensar das teorias de família foi, tradicionalmente, criado a partir da visão masculina do público e do privado. As equipes fundam suas ações no princípio de “neutralidade” técnica o que pressupõe uma não aliança com membros da família e a desconsideração dos valores dos próprios profissionais, mas não discutir, não refletir, ou desconsiderar as relações hierárquicas baseadas nas construções de gênero não seria uma forma de aliança com o patriarcado que, por si, comprometeria a suposta neutralidade técnica? O presente trabalho propõe o início da discussão das relações de gênero dentro de programas que prepõem o impacto em milhões de famílias no Brasil e na América Latina e apresenta resultados de um grupo de profissionais que participaram de capacitação sobre o tema.
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Gênero e maternidade(s): reflexões sobre o protagonismo feminino.
Gilson José Rodrigues Junior (UFPE)

Esta pesquisa tem como intuito enfocar os fatores socioculturais da desigualdade social dentro de uma modernidade periférica vivenciada por algumas das mulheres que residem no Camartelo (Penedo - AL), principalmente na relação que estas mantêm com seus filhos após a perda do pátrio poder. Compreendendo até que ponto pode-se pensar a existência de um protagonismo por parte dessas mulheres, já que tanto mães como crianças parecem fazer parte de um campo de disputa e interesses dos mais diversos. Afirma-se isso a partir das primeiras conversas com algumas mães, representantes do conselho tutelar e coordenadores de duas ONGs religiosas locais – uma católica e outra evangélica. São as estas ultimas que o Estado, em muitos dos casos relatados, entrega a tutoria dessas crianças e adolescentes. Tal situação nos faz refletir acerca da problemática de um Estado pretensamente laico estabelecer com instituições dessa natureza certa parceria. Apontando para questões relevantes como: as diferentes representações de maternidade; de que forma a trajetória de vida influencia nas escolhas dos indivíduos; e como perda legal do exercício de maternidade influencia na vida dessas mulheres.
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La participación de las Mujeres. Fortalezas, Debilidades y Desafíos
Graciela Zaldúa, Roxana Longo, María Belén Sopransi (Facultad de Psicología de la Universidad de Buenos Aires)

El objetivo de esta presentación es transmitir dos experiencias de intervención-investigación acción participativa, que facilitaron nuevos modos de hacer y pensar ciudadanía, relaciones de género, subjetividades, participación y prácticas de resistencia. El dispositivo implementado en cogestión con la asamblea barrial de Castro Barros y Rivadavia consistió en Talleres de Reflexión desde la perspectiva de género, que revisaron cuestiones vinculadas con el trabajo, la ciudadanía, la subjetividad y las estrategias de resistencia a las opresiones. Y por otro lado el “Estudio Epidemiológico Comunitario de las Condiciones de Salud en General Mosconi – Salta”, su objetivo fue explorar las condiciones de vida y los perfiles de salud enfermedad de hombres y mujeres de General Mosconi. Salta y construir un Informe Alternativo desde un paradigma interpretativo crítico y participativo. El propósito de esta presentación es examinar las condiciones de posibilidad de prácticas de participación, autonomía y resistencia emancipatoria y los obstáculos materiales y simbólicos, en ambos colectivos (trabajadores/as afectados por el modelo de privatización Salta) y la Asambleas Barriales – (mujeres de capas medias y medias-bajas organizadas a partir de la crisis económica, social y política de finales del 2001-CABA). Desde la modalidad de estudios de casos se indagan los sistemas de enunciación y representación de los actores sociales y las afectaciones colectivas y singulares, por la triple inequidad de clase, género y cultura. A través de la triangulación de técnicas y fuentes y abordajes cualitativos en territorio identificamos, sistematizamos y priorizamos problemas y estrategias de transformación de las condiciones de existencia.
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A quebra do silêncio na violência sexual: meios de comunicação e representações de gênero num caso de estupro serial acontecido em Córdoba (Argentina)
Jimena Maria Massa (UFSC)

A partir do caso publicamente conhecido como “O estuprador serial de Córdoba” (Argentina), referente a um homem que abusou de pelo menos 61 mulheres (na sua maioria estudantes universitárias) e que teve uma enorme repercussão na mídia nacional e internacional no período compreendido entre agosto e dezembro de 2004, este trabalho procura compreender como um grupo de jovens que levavam, até esse momento, uma vida anônima, surgiram na esfera pública a partir da irrupção da violência em seu cotidiano. Considerando o incomum protagonismo público que algumas das mulheres abusadas escolheram ter durante o processo de perseguição do estuprador, e considerando também que a mídia é um lugar privilegiado de criação, reforço e circulação de sentidos que operam na formação de identidades individuais e sociais, o objetivo é discutir os fatores que intervieram na quebra do silêncio que envolve todo crime sexual e também analisar o papel dos meios de comunicação e as representações veiculadas por eles em relação às diferenças de gênero e, em particular, em relação à mulher vítima do estupro. A indagação desses tópicos faz parte de uma problemática mais ampla, que constitui o marco orientador desta pesquisa em andamento, e que consiste em determinar se existe um outro lugar possível para a mulher que sofre esse tipo de violência -além do lugar da vítima- e como ele se constrói.
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Individuação, Consumo Residencial e Relações de Gênero na Família
Kátia Araujo (UFPE)

A partir do caso publicamente conhecido como “O estuprador serial de Córdoba” (Argentina), referente a um homem que abusou de pelo menos 61 mulheres (na sua maioria estudantes universitárias) e que teve uma enorme repercussão na mídia nacional e internacional no período compreendido entre agosto e dezembro de 2004, este trabalho procura compreender como um grupo de jovens que levavam, até esse momento, uma vida anônima, surgiram na esfera pública a partir da irrupção da violência em seu cotidiano. Considerando o incomum protagonismo público que algumas das mulheres abusadas escolheram ter durante o processo de perseguição do estuprador, e considerando também que a mídia é um lugar privilegiado de criação, reforço e circulação de sentidos que operam na formação de identidades individuais e sociais, o objetivo é discutir os fatores que intervieram na quebra do silêncio que envolve todo crime sexual e também analisar o papel dos meios de comunicação e as representações veiculadas por eles em relação às diferenças de gênero e, em particular, em relação à mulher vítima do estupro. A indagação desses tópicos faz parte de uma problemática mais ampla, que constitui o marco orientador desta pesquisa em andamento, e que consiste em determinar se existe um outro lugar possível para a mulher que sofre esse tipo de violência -além do lugar da vítima- e como ele se constrói.
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Educação e Religião das Mulheres no Brasil do Século XIX: Conformação e Resistência.
Lilian Sarat de Oliveira (Faculdade Teológica Batista )

Este trabalho tem como objetivo analisar a tensão entre conformação e resistência existente nas relações sociais das mulheres educadoras e missionárias estrangeiras, que vieram ao Brasil no século XIX para abrir escolas para moças.
Na perspectiva de longa duração, a educação atrelada à religião desempenham papel importante na compreensão desta tensão à medida que, tais instituições abre espaço para a educação da mulher, inserindo-a no espaço público ainda que, como “mãe civilizadora”, tendo no magistério a extensão do espaço privado, onde o seu papel conforma-se com a lógica patriarcal do cuidado maternal. Por outro lado, expressa a resistência, pois a escola passa a ser a possibilidade real de transitar no espaço público, onde idéias passam a circular e mover relações de poder fundamentadas na lógica patriarcal. Neste sentido, Martha Watts missionária e educadora metodista é um fio na teia de relações sociais, individuo em interdependência, movendo a história, através do discurso religioso e protestante, onde a educação é um meio não só de ascensão social, mas também de questionamento da ordem estabelecida. Ainda que não seja possível encontrar nas suas cartas, fonte histórica desta pesquisa, discurso de uma militante feminista, suas palavras apontam para o que poderíamos arriscar chamar de “germe” do que viria ser a emancipação da mulher brasileira, quando esta através do magistério poderia ocupar um espaço social e o mercado de trabalho.
Deste modo, mulheres como Martha Watts pode ser um exemplo de sujeito histórico que vive a tensão social ora de conformidade, ora de resistência, demonstrando que as relações sociais se definem e se transforma à medida que indivíduos em sociedade mudam tais relações.
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Com os pés no ‘mundo’: música e feminilidades no meio evangélico brasileiro
Márcia Leitão Pinheiro (UENF)

Na sociedade contemporânea são encontradas organizações e participações que evidenciam não ser possível determinar o feminino como restrito ao privado. Isso também fica explícito com os arranjos estabelecidos por mulheres com vínculos religiosos. Entre as fiéis evangélicas vigoram práticas que evidenciam ser a musicalidade um âmbito eficaz de investigação. A produção e o consumo de bens e serviços delineiam modos de pertencimento que apresentam tensões com as regras pertinentes ao grupo familiar e a esfera religiosa. As consumidoras de bens e serviços musicais freqüentam os encontros musicais noturnos na companhia de amigas (os), destacando a liberdade, a dança e a diversão. Outras mulheres envolvidas com a elaboração de atividades musicais atuam em um meio com forte presença masculina. Ainda existem aquelas que acrescentam cor e etnicidade, compondo a ligação entre religião e política. Neste caso, propõem a discussão da liturgia e destacam a “cultura musical afro-brasileira” e, além disso, apresentam questões sobre a condição da “mulher negra” na igreja e na sociedade. O objetivo será compreender os modos de atuação nas dimensões pública e privada construídos por fiéis evangélicas. Isso permite, ainda, sublinhar como as consumidoras e as produtoras de bens e serviços musicais constroem e expressam as suas feminilidades.
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O trânsito como espaço simbólico nas relações de gênero
Marta Lorentz (UNIJUI)

Nesse trabalho, abordamos as relações de gênero no trânsito no sentido de refletir de que forma elas se constituem e se legitimam como sistemas da sociedade contemporânea ocidental. A mobilidade é uma característica muito valorizada e o trânsito é o sistema que simboliza essa atividade. Investigamos então, o que o trânsito pode nos revelar sobre as formas como as relações de gênero estão estruturadas. Nesse sentido, podemos observar que, nas últimas décadas, houve um avanço da mulher em áreas que foram, por muito tempo, consideradas exclusivamente masculinas. Apesar das conquistas femininas, no trânsito, observamos que existe ainda muito preconceito em relação às mulheres. Teceremos uma reflexão sobre se o fato de as mulheres terem conquistado mais espaço, na vida pública, no trânsito, implica em uma mudança de base das relações de gênero ou se é somente uma nova forma de manter a dominação masculina. A relevância do presente trabalho, se justifica em função da sexualidade ter assumido um papel central nas sociedades modernas ocidentais, aonde nos apresentamos e representamos a partir de nossa identidade de gênero. O trânsito oferece, nesse sentido, um amplo espaço simbólico para analisarmos essas relações, aonde elas acontecem diariamente, na expressão de nossos comportamentos. Nosso estudo pretende contribuir para ampliar a reflexão sobre os papéis masculino e feminino, visto que quase não encontramos referências sobre estudos que abordem a questão do gênero sob o prisma do trânsito , um espaço público de grande valor simbólico para a sociedade moderna ocidental.
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A influência da família e da escola na formação do comportamento das mulheres de elite e de classe média do Vale do Itajaí entre 1920-1960
Nivia Feller (FURB)

Este trabalho tem como tema a influência da família e da escola na formação do comportamento das mulheres de elite e de classe média do Vale do Itajaí entre 1920-1960. Tendo como pano de fundo aquilo que as mulheres fizeram no seu cotidiano. Pretendemos mostrar se houve alguma alteração no seu comportamento, aumentando seu poder de decisão na esfera privada e na esfera pública. Para tanto identificamos os modelos de família existentes na elite e na classe média do Vale do Itajaí entre 1920-1960; Descrever como era o cotidiano familiar e escolar das mulheres de elite e de classe média no período estudado; Analisar como foi a educação delas; Identificar suas atividades privadas e públicas. O método utilizado foi história oral, onde realizamos entrevistas com dez mulheres pertencentes à elite e à classe média da região. A família e a escola foram os agentes principais na formação dessas mulheres, atuando de forma direta na permanência de valores tradicionais ligados, em especial, à identificação da mulher com os papéis de mãe, esposa e dona de casa e na transformação parcial desses papéis que ocorreu quando elas adentraram o mercado de trabalho. As alterações que ocorreram deveu-se, ao acesso a um maior grau de escolaridade, o que proporcionou maior segurança econômica e pessoal para enfrentar o mercado de trabalho. A educação que elas receberam da família fora ao mesmo tempo conservadora (1920-1960) ao reforçar os papéis de mãe, esposa e dona de casa e inovadora, ao incentivar que muitas tivessem sua independência.
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Trabalho, cor/raça e gênero: um estudo sobre as mulheres envolvidas com a atividade petrolífera na Bacia de Campos, RJ
Patrícia Farias (UFRJ)

Este trabalho busca analisar as percepções e relações das mulheres envolvidas em atividades profissionais ligadas às plataformas offshore do litoral norte fluminense, tanto as que ali trabalham como aquelas comprometidas com petroleiros, particularmente no que tange à cor/raça, e aos sentidos atribuídos à profissão. Neste sentido, é uma pesquisa de cunho etno-antropológico que visa compreender os mecanismos e os padrões a partir dos quais se estabelecem relações entre e intra gêneros, e como a cor/raça individual se insere neste contexto.
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Pelas Ruas da Cidade...
Solange da Silva Pinto (FURB)

Este trabalho tem como objetivo refletir sobre algumas formas de sociabilidade apresentadas por jovens das camadas populares nos espaços públicos de Ponta Grossa, em fins da década de 1960 e início da década de 1970. As mudanças políticas, econômicas, e na estrutura física da cidade tiveram grande repercussão na vida social dos ponta-grossenses. A maior presença feminina na esfera pública acabou por diminuir a distância entre moças e rapazes e favoreceu a ampliação dos contatos entre os gêneros. Desta forma, procuraremos recuperar a partir dos depoimentos presentes nos processos-crime de sedução do período compreendido entre 1968 a 1971, de que maneira, vítimas, réus, testemunhas, advogados, juízes e promotores abordavam em seus discursos as reflexões e preocupações sobre o comportamento do sexo feminino e sua relação com a modernidade assim como algumas formas de sociabilidades construídas pelos sujeitos populares, de que forma esses indivíduos divertiam-se, quais os espaços que utilizavam para tais fins, aonde encontravam-se e também, de que maneira estas redes contribuíam para criar condições propícias para as práticas de flertes, e namoros e relações afetivo-sexuais.
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Especial – Mujer Ilet e o emprego doméstico: debates feministas no Cone Sul nos anos 1980
Soraia Carolina de Mello (UFSC)

O emprego doméstico feminino carrega em si a desvalorização do trabalho doméstico de modo geral, em conjunto com relações paternalistas de sub-emprego e com a existência de um mercado de trabalho informal no qual muitas mulheres se inserem para sobreviver. Sua problematização por parte dos feminismos ocorre a partir do surgimento de questionamentos a respeito da separação das esferas pública e privada, em movimentos identificados com o que convencionou-se chamar Segunda Onda Feminista. Utilizando como fonte o boletim feminista internacional Especial – Mujer Ilet, em seu número sobre emprego doméstico (nº 13, de setembro de 1984), venho neste trabalho levantar algumas das discussões realizadas pelos feminismos do Cone Sul a respeito do emprego doméstico, principalmente nos anos 1980. Vale ressaltar que a fonte utilizada traz recortes de notícias e artigos publicados em diversos países, principalmente da América Latina. Discutindo com bibliografia de referência e outras publicações feministas do período, minha análise buscará fazer uma história, ainda que breve, de parte desse debate realizado pelos feminismos do Cone Sul, observando que questões levantadas nesse sentido há mais de 20 anos continuam em pauta nas agendas dos movimentos.
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Discurso e gênero: uma voz feminina sobre o patrimônio cultural de Joinville
Taiza Mara Rauen Moraes (UNIVILLE)

Esta comunicação pretende apresentar um 'olhar feminino', de uma mulher de descendência germânica sobre o patrimônio cultural de Joinville,espaço urbano marcado historicamente por esta tradição cultural, através da Análise Crítica do Discurso (ACD) desenvolvida teoricamente por Fairclough (2001), segundo a qual o discurso contém um poder construtivo tríplice: de produzir e reproduzir conhecimentos e crenças pelos modos diversos de representar a realidade; de estabelecer relações sociais e de criar, reforçar ou reconstruir identidades, demonstrando que o olhar sobre o espaço urbano se articula em relação ao lugar e à posição social e ao gênero de quem o registra.Constitui-se como uma etapa do projeto [MEMO1] Memórias da cidade, narrativas femininas, práticas de mulheres: outros olhares para o patrimônio cultural de Joinville, que visa resgatar visões sobre o patrimônio joinvilense por mulheres com mais de 50 anos, tendo por base a Metodologia de História Oral e a categoria de Gênero nas análises: histórica e do discurso. A memória ao operar a construção da lembrança em planos e sequências desloca a experiência para novas inscrições e o discurso (re)atualiza o passado em novos trajetos de deciframento transformando o acontecido ao reinscrevê-lo. As lembranças do passado recuperadas pelo discurso, faz com que o passado deixe de ser a revelação do acontecido, para tornar-se entendimento crítico, porque é resultante da interseção com o presente, ou seja, o discurso da memória não é uma repetição, mas uma diferença alterada, por ser constituído como seleção e montagem de certas experiências vividas em outro lugar e outro tempo.
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