fazendo genero 8
 
 
 
 
autores cronograma cultura
inscricoes posters hospedagem
programacao simposio tematico transporte
mini cursos lancamentos contato
 
 
     
 
header apresentacao

Coordenação:
Neuza de Farias Araújo
Doutora em Sociologia Política, Universidade de Brasília

Maria da Conceição P. Ramos
Doutora em Ciência Econômica, Universidade do Porto

Considerando os seguintes aspectos:
- os temas feministas, as conquistas das mulheres ao longo do século XX, como marca definitiva neste milênio;
- as mudanças nas taxas de fecundidade, nos níveis educacionais e participação no mercado de trabalho, redifinição de papéis no interior da família, e outros novos na sociedade;
- os avanços nos campos jurídicos, nas agendas governamentais, resultando no desenvolvimento de políticas públicas em diversas áreas, nomeadamente na família, educação, emprego, saúde, e em outros setores.
Apesar dos esforços feministas, continua a existir um viés de gênero nos currículos e nos textos escolares que reforça as funções tradicionais de ambos os sexos, e limita as oportunidades das mulheres diversificarem seus projetos de vida. No campo familiar, as mulheres vêem aumentando a sua participação na chefia do domicílio, muitas delas são provedoras econômicas, mas não são consideradas como chefes. Os direitos das mulheres incluem ter controle sobre sua sexualidade, sua saúde mental e reprodutiva, e a decidir livremente a esse respeito, sem discriminação nem violência. Elas enfrentam desigualdades no acesso aos recursos de saúde, limitações para decidir sobre sua vida sexual e reprodutiva. A participação econômica das mulheres tem aumentado consideravelmente e se manifesta no trabalho remunerado e não remunerado, em atividades empresariais, na produção de bens e serviços para o mercado e para o consumo. Na maior parte do mundo, a participação das mulheres nos níveis de decisão econômica é escassa.
Este simpósio temático pretende discutir e analisar os efeitos destas mudanças, diante de um cenário de relações de poder e desigualdade de gênero, e os futuros desafios e aportes teóricos, em termos desta desigualdade e inclusão social, seja no Brasil e em outros países da América Latina, seja na Europa.

Gênero e diversidade na reconfiguração da indisciplina
Adelino Torres Antunes, Maria Tabita Ferreira dos Santos (Unoversidade Portucalense)

A criança como membro da sociedade está dotada, desde o seu nascimento, da possibilidade de se desenvolver na comunidade através da sua família, o que a leva a fazer uma articulação do indivíduo na sociedade. Uma vez que a educação tem vindo a generalizar-se e a universalizar-se, progredindo para dinâmicas de âmbito multicultural e ecológico, o tema disciplina e género torna-se pertinente no actual panorama educacional. Nesta comunicação pretende-se fazer uma abordagem comparativa desta temática, através de um estudo de caso, por nós efectuado, em 2008, numa escola da periferia de Lisboa. Tendo em conta a sua crescente diversidade populacional, étnica e cultural, pretende-se perspectivar as diferenças existentes nos conceitos de indisciplina, autoridade e educação segundo o género das populações envolvidas no estudo, isto é, alunas e alunos, professoras e professores e mães e pais, que nos leve a uma possível separação entre o que é considerado situação de risco para uns e pouco significativa para outros. Esta pesquisa conduz-nos a uma compreensão dos factores divergentes entre os diferentes grupos estudados levando-nos em simultâneo a compreender que diversas situações de indisciplina poderão ser remediadas logo na sua origem, proporcionando-nos um maior entendimento e concordância, o que nos permitirá melhorar o sucesso pessoal e educativo.
PDF

Ser Rezadeira: Experiências e práticas culturais de participantes de Medicina Popular/Gov. Mangabeira– Recôncavo Sul da Bahia (1950-1970)
Alaíze dos Santos Conceição (UFBA)

Esta comunicação tem como propósito investigar algumas práticas culturais que se fizeram presentes no universo das Rezadeiras do município de Governador Mangabeira, levando em consideração experiências compartilhadas entre elas. Assim, objetiva-se analisar algumas formas de iniciação das Rezadeiras na benzeção, e identificar as enfermidades mais freqüentes nas décadas de 50 e 70 do século XX. Ainda é interesse da pesquisa investigar de que forma as trocas culturais provenientes de negros, índios e brancos puderam contribuir para a formação identitária dessas Rezadeiras. Para tanto, os depoimentos orais foram de suma importância.
PDF

Amélia Reginaldo: uma mulher de verdade
Aluizia do Nascimento Freire, Rita de Lourdes de Lima, Maria Francinete de Oliveira (UFRN)

Este trabalho teve como objetivo refletir sobre a trajetória política de Amélia Reginaldo durante a Insurreição Comunista em 1935 em Natal capital do Rio Grande do Norte, numa perspectiva de poder, gênero e violência. A metodologia segue a pesquisa documental e a pesquisa oral. Os dados analisados foram coletados nos acervos públicos do Estado e jornais da época como a Republica e a Ordem, mostrando a importância da atuação de Amélia Reginaldo, sua historia de vida e a trajetória política destacando a sua contribuição no fortalecimento dos movimentos sociais e no avanço das relações sociais de gênero. Os autos revelam ainda que a mesma fosse condenada a cinco anos de reclusão, no entanto não chegou a ser presa, pois se tornou fugitiva da justiça, sofrendo constantes violências ao silenciar toda a sua ideologia de revolucionaria. Os documentos analisados e a historia oral de vida de Amélia denota o poder de questionamento a essa sociedade de classes, contraditória, antagônica e alienante. Ressaltamos a importância da pesquisa quando tiramos da invisibilidade a trajetória de mulheres que participaram desse movimento observando que esta nunca se deixou ficar no papel que outros para si deliberaram.
PDF

O desemprego, Feminino e Plural:Avanços e Recuos de uma investigação Exploratório em Território Português
Ana Isabel de Oliveira Teixeira (Universidade de Coimbra)

Os contornos da actual morfologia das desigualdades sociais também se traçam com o risco do desemprego. Trata-se de linhas que engrossam, na exacta medida em que as taxas de desemprego aumentam; de sulcos que se vincam, com especial incidência junto de grupos sociais específicos; de traços progressivamente assumidos como estruturais para a actual arquitectura económica e, portanto, de riscos desenhados a tinta que (ameaça) ser permanente.
A análise quantitativa do fenómeno do desemprego permite compreender a sua distribuição selectiva, a partir da qual emerge uma primeira evidência: o sobredesemprego feminino. Este desemprego caracteriza-se, face ao seu homólogo masculino, pela sua preponderância quantitativa, mas também pela sua tendencial permanência e durabilidade, aliada a uma certa invisibilidade e tolerância social.
A intensificação da entrada das mulheres no mercado de trabalho gera um amplo leque de expectativas sobre as modalidades dos padrões de inclusão das mesmas. Por comparação ao trabalho doméstico não remunerado, este processo poderá constituir um indicador de progressiva autonomia material, alargamento das vias de acesso ao espaço público e, num contexto de conjugalidade heterossexual, como uma via de independência face ao cônjuge. Este trabalho pretendeu compreender os efeitos e as consequências da experiência de desemprego, ao nível dos valores, representações, atitudes, práticas e comportamentos das mulheres, no domínio laboral e familiar. Através da análise de doze narrativas singulares procurou-se alinhavar as linhas de força de uma possível história: a do desemprego feminino, buscando apreender as suas cambiantes, diversidades e confluências.
PDF

A Reforma Política sobre as perspectivas das Relações de Gênero
Camilla Lima Batista (UFBA)

Esta pesquisa foi desenvolvida pela necessidade emergencial de uma Reforma Política no Brasil, visto que, os direitos políticos das mulheres sejam mantidos sobre o prisma igualitário, fomentando mecanismo para a aplicação efetiva dos seus direitos, sendo feita uma análise a partir de fatores de ordem cultural, histórico, social e econômico, como através de princípios jurídicos, que estes auxiliem na compreensão da necessidade de meios eficazes na aplicação das normas que resguardam os direitos das mulheres. Sendo assim, a pesquisa trás propostas de ações afirmativas para que esta reforma garanta a ampliação de mulheres nos cargos públicos, na qual a Lei de cotas seja efetivada e cumprida. As propostas alencadas são: inserção da mulher na mídia através de programas de rádio e difusora, destinação de 30% dos fundos partidários para as secretarias de mulheres, efetividade da aplicação da Lei de cotas estendendo para o executivo e em todos os cargos de diretorias e adoção do sistema de lista partidária fechada com alternância de sexo, uma vez que esses direitos proporcionarão maior participação do sexo feminino nos espaços públicos. Além disso, a pesquisa faz um aparato histórico da trajetória política da mulher brasileira, mostrando quanto o sistema patriarcal retardou o processo do direito da igualdade entre os sexos. Acrescido a isso, é importância discutir com maior profundidade a questão da desigualdade entre os homens e mulheres na sociedade contemporânea, a qual esta reforma, não tem que ser apenas uma reforma no código eleitoral, mas sim no que tange à questão da democracia.
PDF

Tempos de Mudança, vidas em Mutações: O Empoderamento de mulheres na Bahia através de gerações
Cecília M.B. Sardenberg, Fernanda Capibaribe, Carolina Santana (UFBA)

Este trabalho volta-se para a análise de mudanças nas vidas de mulheres baianas através das gerações, e em que medida e de que forma tais mudanças têm contribuído para processos de empoderamento feminino. Baseia-se, para tanto, em pesquisa sendo realizada com 400 mulheres residentes no Subúrbio de Plataforma (Salvador), valendo-se de diferentes estratégias metodológicas e analíticas para melhor compreender, empírica e conceitualmente, como mudanças positivas acontecem nas vidas das mulheres, como tais mudanças podem ser melhor mensuradas e o que se pode apreender de tais processos, no tocante ao empoderamento das mulheres. Entendemos por “empoderamento” o processo da conquista de maior autonomia por parte das mulheres, um processo que tem aspectos tanto coletivos como individuais (Sardenberg, 2006). Mas concordamos com Kabeer (1999) em que empoderamento implica na expansão dos limites de se fazer escolhas estratégicas, num contexto no qual isso era antes impossível/proibido/negado. Seguindo Kabeer (1999) consideramos para investigação e análise três dimensões distintas, embora interrelacionadas: recursos (pré-condições existentes), agenciamento (o processo de agir dentro dessas possibilidades), e resultados (as realizações). Procuramos, assim, desvendar, de que forma e em que medida, mulheres baianas de diferentes gerações, grupos de cor e classes sociais têm se valido dos recursos e condições de que dispõem para fazer escolhas estratégicas, e em que medida elas próprias identificam processos de “expansão dos limites de se fazer escolhas” em suas vidas no que se refere a: a) oportunidades educacionais; b) inserção no mercado de trabalho; c) participação política; d) relações familiares e; e) exercício da sexualidade.
PDF

Género, psicopatologia e sexualidade: contribuição sobre a função dos papeis de genero na constituição dos transtornos depressivos, ansiosos e das disfunçoes sexuais.
Gustavo Espíndola Winck (PUC-RS)

A presente comunicação tem por objetivo estimular a discussão e a reflexão acerca da importância dos papéis de gênero - conforme encontram-se caracterizados e legitimados pela sua estruturação histórica e cultural - enquanto elementos etiológicos importantes nos transtornos depressivos, ansiosos e nas principais disfunções sexuais masculinas e femininas. Sabemos que é uma proposição um tanto ousada, contudo nossa intenção passa longe de esgotarmos a discussão proposta; nosso objetivo maior é elaborar algumas considerações fundamentais para expandir o seu desenvolvimento e reflexão - algo que nem sempre é considerado, tanto pelos estudos de gênero quanto pela psicologia clínica, campos epistemológicos que, para permanecerem distintos, não precisam caminhar distantes. Tal disposição possibilitaria não somente uma visão mais abrangente e integradora acerca do ser humano como um todo, mas também o fundamental reconhecimento das suas diferenças e vicissitudes individuais e subjetivas. Para tanto, tomaremos como base a experiência pessoal em diferentes áreas, a saber: a) pesquisa e intervenções sociais realizadas a partir de dissertação sobre violência de gênero, b) atendimento e supervisão acadêmica em psicologia clínica, e c) coordenação de curso de extensão sobre a sexualidade humana. Deste modo, além dos elementos convergentes e complementares, serão ainda abordados determinados pontos-cegos que, muitas vezes, tendem a negligenciar ou a subestimar o gênero enquanto elemento fundamental e também diferenciador nestas áreas: seja na forma como instalem-se determinadas psicopatologias, seja no modo pelo qual estas próprias - ou os papéis de gênero, preponderantemente - possam influenciar o surgimento de diferentes disfunções sexuais.
PDF

Mulheres e Política: Um estudo sobre as mulheres e suas vivências no espaço da política em São Luis
Jaciléia Cadete Abreu (PUC-SP)

Este trabalho versa sobre as vivências de mulheres que atuam na política partidária em São Luís estado do Maranhão. Através de suas narrativas, evidenciam-se os processos e significados constantes em seus movimentos para ocuparem esses espaços, em consonância com sua atuação na vida privada. Essas articulações têm como base analítica, o entendimento através do estudo das relações de gênero. Para realizar este trabalho, duas operações básicas foram necessárias: a primeira constituiu-se da busca de fundamentação teórica que viesse dar consistência a este estudo. Nessa direção foram selecionadas obras de Filósofas/os, Historiadoras/es e Cientistas Sociais que trabalham com formulações conceituais e teóricas no campo da política e das relações de gênero, tais como: Michelle Perrot, Heleieth I.B. Saffioti, Hannah Arend, Michel Foucault e Max Weber. Na segunda operação, procederam à aproximação com mulheres que atuam em partidos políticos, demarcando espaços e tempo de comunicação para os diálogos e construção das narrativas que se constituem a matéria fundamental deste trabalho.
PDF

Lideranças pentencostais femininas:notas sobre a re elaboração da identidade feminina no meio pentencostal e sua influência nas demais esferas sociais
Janine Targino da Silva (UERJ)

Diversos autores já demonstraram que o pentecostalismo é uma vertente religiosa baseada numa hierarquia que prioriza o elemento masculino. Em função disso, a maioria das Igrejas pentecostais não delegam cargos de liderança à parcela feminina, fato que impulsiona movimentos alternativos comandados por mulheres que desejam viver a sua fé sem estarem submissas a uma hierarquia masculina. É assim que vemos surgir, nos últimos anos, uma quantidade considerável de Igrejas pentecostais fundadas por mulheres que, após cisões conturbadas com seus antigos pastores, adotam o “pentecostalismo autônomo” como via alternativa para experimentação da religiosidade. No surgimento destas Igrejas entrecruzam-se dois aspectos. O primeiro deles é a re-elaboração da identidade feminina no meio pentecostal, visto que estas novas Igrejas transformam mulheres até então submissas em líderes. O segundo aspecto é a maneira como esta nova identidade adquirida dentro da religião influência o posicionamento destas mulheres nas demais esferas sociais. Um dos principais questionamentos a serem feitos é se esta liderança se reflete beneficamente no papel que estas mulheres exercem em suas famílias, em seus empregos, na comunidade em que vivem, entre outros, a ponto de alterar as relações de poder profundamente pautadas na distinção de gênero. Sendo assim, através de pesquisa de campo feita em Igrejas pentecostais autônomas fundadas por mulheres no estado do Rio de Janeiro, e de entrevistas feitas como as líderes, esta comunicação busca apreender como este movimento de “pentecostalismo autônomo” altera a identidade feminina e as relações de poder no meio pentecostal e em outras esferas da vida social.
PDF

A violência sacralizada no século XVI à luz da doutrina de Manuel de Sá (1530 -1596)
José Coelho Matias (Universidade Portucalense)

Na Europa do século XVI, nomeadamente na Península Ibérica, a violência provocada pela Inquisição era praticada, normalmente, de três modos: quer à margem de qualquer lei, quer em nome das leis sacralizadas da Igreja católica, quer em nome das leis dos Estados, que, por sua vez, se sacralizavam pela força das leis da Igreja de que se professavam seus defensores. Essa violência não se circunscrevia apenas a um dos sexos, nem a uma determinada classe de idades. Ela abrangia homens, mulheres e crianças cuja culpa poderia advir de faltas cometidas de três actividades distintas: exercer disjuntiva ou cumulativamente, feitiçaria, bruxaria, prostituição, homossexualidade; seguir e ensinar uma filosofia e ciência e uma teologia diversas daquelas ensinadas pala Igreja católica; professar uma religião diferente à católica, principalmente o judaísmo e o islamismo. Nesta comunicação, a partir de uma análise à obra de Manuel de Sá e a documentos coevos, procurarei situar esta problemática, mostrando como é que no século em que viveu este diásporo português, pela ciência, pela religião e pelo poder se processou a Inquisição que chegou ao ponto de criar diferentes e bárbaros tormentos a serem discriminadamente aplicados a cada género e faixa etária - homens, mulheres e crianças – e como é que ele reagiu contra tal situação. Na reacção de Manuel de Sá, é caso para dizer que sempre que surja a violência e a discriminação, há sempre uma voz incómoda a clamar por justiça.
PDF

O paradoxo entre a maior inserção social das mulheres e a baixa participação feminina nos espaços de poder: refazendo a política de cotas
José Eustáquio Diniz Alves, Suzana Marta Cavenaghi (ENCE)

Existe uma distorção entre a inserção social das mulhers e a representação política parlamentar de gênero no Brasil. Durante as últimas décadas as mulheres reverteram suas condições desfavoráveis na educação e hoje possuem maiores níveis educacionais do que os homens. No mercado de trabalho as mulheres apresentam taxas de atividade crescentes. Contudo, os ganhos sociais não se refletiram em maior presenca nos espaços de poder, especialmente no Poder Legislativo. A promulgação das Leis 9.100/95 e 9.504/97 como mecanismos de reservas de vagas para ambos os sexos visava reduzir o déficit democrático de gênero no Brasil. Entretanto, o ritmo de redução do hiato de representação de gênero tem sido muito lento. A pouca efetividade dos resultados esperados da legislação eleitoral se deve fundamentalmente a forma como as leis referidas acima foram redigidas, pois se permite utilizar o percentual de 30% como teto e não como piso. Analisando os resultados das últimas eleições, particularmente das eleições municipais (de 2004) pretendemos utilizar uma metodologia estatística para demonstrar que o percentual de mulheres candidatas é um dos fatores mais decisivos para reduzir o desequilíbrio de representação entre os sexos nas Câmaras Municipais. Porém, para se atingir maior igualdade de gênero na política no Brasil é preciso aperfeiçoar a legislação eleitoral.
PDF

AIDS, gênero e imigração
Lídia Maria Mota Correia Lopes (ERISA)

Esta comunicação pretende apresentar e analisar de forma sucinta os resultados de um estudo de imigrantes grávidas, portadoras assintomáticas do VIH, no que se refere aos aspectos ligados à sexualidade e à gravidez em contexto de seropositividade. A incidência da AIDS nas mulheres tem atingido valores preocupantes. Este problema agudiza-se quando falamos de mulheres imigrantes que, sem suporte familiar e social e pela sua condição desfavorecida social e economicamente, ficam mais vulneráveis aos problemas de saúde.As principais conclusões revelam que a maioria das mulheres:
• Possui baixa escolaridade, profissão indiferenciada e baixo salário.
• Apresenta condições temporárias de permanência no país.
• Mantém actividade sexual sem qualquer protecção.
• Não utiliza, habitualmente, qualquer método anticoncepcional.
• Tem história de abortos.
• Não desejou a gravidez.
• Teve conhecimento do diagnóstico de seropositividade durante a gestação.
• Revelou o diagnóstico ao companheiro, embora ignore o estado serológico do companheiro.
• Desconhece as causas de transmissão do VIH e os seus efeitos.
Estas questões levantam vários problemas que se prendem com a pobreza e a exclusão social a que estas mulheres estão sujeitas, que condicionam a falta de informação e de escolha no âmbito da contracepção e dos comportamentos seguros, o que as torna dependentes dos seus companheiros.Torna-se, assim, emergente que os profissionais de saúde proporcionem oportunidades para que as mulheres desenvolvam capacidades que permitam tornarem-se responsáveis pelas decisões e estratégias de adaptação e de protecção face aos problemas de saúde.
PDF

Mulheres Migrantes: representação social da Qualidade de Vida de Mulheres Brasileiras Migrantes
Maria da Penha Lima Coutinho, Natália Ramos, Ieda Franken (UFPB)

As crescentes desigualdades econômicas neste mundo globalizado têm contribuído de forma preponderante para a ampliação da migração internacional. Atualmente há 191 milhões de migrantes no mundo, destes, 94,5 milhões são mulheres (UNFPA,2007), que deixam seu país, levando no imaginário a possibilidade de alcançar uma melhor qualidade de vida para si e para os seus. Analisa-se neste artigo, as representações sociais da qualidade de vida entre mulheres brasileira migrantes na cidade de Genebra/ Suíça.Trata-se de um estudo de campo de cunho quali-quantitativo com uma amostra de 96 mulheres. Utilizou-se a Tècnica de Associação Livre de Palavras e os dados foram processados pelo software Tri-Deux-Mots (Cibois, 1991), analisados através da Análise Fatorial de Correspondência. Os resultados apontaram que o grupo das mulheres com menor tempo de migração objetivou a qualidade de vida, por meio dos elementos: trabalho, moradia, dinheiro, boa alimentação, educação; o grupo das mulheres com maior tempo de migração objetivou através dos elementos: ser feliz, trabalho, educação dos filhos, amigos, viagem. Demonstra-se que o primeiro grupo ancoram a qualidade de vida, em aspectos mais objetivos da vida, enquanto que o segundo, aos aspectos mais subjetivos. Pode-se inferir que o tempo vivencial do processo de aculturação, influenciou nas representações e identidade destas mulheres, corroborando com diversos autores (Minayo, Hartz, Buss, 2000, Ramos, 1993, 2004), quando referem a pluralidade conceitual do construto de qualidade de vida e as várias modificações identitárias relacionadas com a migração, em particular feminina.
PDF

Mulheres migrantes, mercado de trabalho e cidadania
Maria da Conceição Pereira Ramos (Universaidade do Porto)

É surpreendente a escassez de trabalhos dedicados às questões de género em populações migrantes. No entanto, a capacidade de decisão e de intervenção das mulheres migrantes, bem como o papel activo que desempenham ao nível económico, social e cultural tem vindo a aumentar. As mulheres ganham cada vez maior independência no projecto migratório e asseguram muitas vezes a manutenção da família. Para muitas mulheres migrantes é a primeira vez que têm acesso a um trabalho remunerado e a experiência migratória permite-lhes adquirir novas competências, novos poderes e aceder a um estatuto socioeconómico mais elevado aquando do regresso ao país de origem. A integração no mercado de trabalho das mulheres migrantes é um factor fundamental de autonomia e de socialização, importante para a inclusão e o exercício da cidadania. Nos países de acolhimento, o trabalho das mulheres migrantes é essencial, nomeadamente na área dos serviços pessoais e sociais. No entanto, as mulheres imigrantes acumulam algumas discriminações no emprego, sendo afectadas pela imigração ilegal e vítimas de redes organizadas para fins de exploração sexual.
Pretende-se reflectir sobre alguns aspectos das mulheres portuguesas migrantes na Europa, o papel activo que desempenham no mercado de trabalho, na economia, nas redes sociais e associativas, mas também sobre a integração no mercado de trabalho formal e informal da imigração feminina em Portugal, nomeadamente brasileira, e das redes de tráfico existentes. É importante que os estudos sejam sensíveis às questões de género e as políticas de migrações internacionais assegurem o desenvolvimento das capacidades e do poder das mulheres no projecto migratório.
Palavras - chave: mulheres migrantes, trabalho, cidadania.
PDF

Participação das Mulheres na política representativa
Maria Laci Kunzler (UNIOESTE)

Este trabalho analisa a participação das mulheres na política, em cargos eletivos, através de dados e pesquisa, nos municípios de Toledo, Guaíra, Cascavel e Foz do Iguaçu, desde a década de 50 até hoje, demonstrando que a maior dificuldade, ainda é o processo histórico - cultural, da discriminação e marginalização sofrida pelas mulheres, em relação à vida pública. Nesta Pesquisa nas Câmaras Municipais das cidades mencionadas, se busca comprovar a porcentagem de mulheres eleitas em relação aos homens, desde o ano de 1950 até hoje. Confrontando estas pesquisas com fontes bibliográficas, para afirmar a tese de que o problema da pouca representatividade feminina na política é o problema histórico cultural. As mulheres são ampla minoria na participação política representativa. Mesmo as mulheres sendo mais da metade dos eleitores, que se percebe é a falta de participação delas na política, como também no espaço político. Alguma mulher, com muita luta vem rompendo isso e começam a se organizar em busca de formação política, participando de movimentos e entidades, todas com expressão de democracia e exercício da cidadania. Neste quadro apresentado destaca-se o processo histórico e cultural, enfatizado desde a Idade Média, com filósofos e pregadores que descrevem a mulher com toda espécie de atributos inferiores possíveis sem pode participar de decisões, nem se impor. Esta reprodução de desigualdade se tornou um processo histórico e cultural, incorporado por todos, aceito e repassado inconscientemente até hoje. As mudanças vão se tornando reais na manutenção de políticas públicas sólidas em educação, cultura, para erradicar estes preconceitos e generalizações, da nossa sociedade. A importância de se repensar o sistema político eleitoral e partidário brasileiro, de forma que a política representativa possa se reconstruir como uma prática democrática, ética e acolhedora da representação de diversos projetos políticos e de segmentos sociais.
PDF

As Relações de Poder e a Violência Intrafamiliar contra crianças e adolescentes
Erlane Bandeira de Melo Siqueira (UFRN)

O estudo tem como objetivo analisar as configurações do poder na família mediante a comprovação de práticas autoritárias, evidenciadas através de atos de violência contra crianças e adolescentes cometidos principalmente pela mãe, seguida do pai ou do padrasto. A pesquisa envolveu cinco Conselheiros do Conselho Tutelar da Zona Norte de João Pessoa e dez famílias atendidas por esses Conselheiros. E para tanto, utilizou-se de entrevistas semi-estruturadas e a leitura dos casos envolvendo o período de 2004-2006. Os resultados comprova-se a existência de uma relação de poder estabelecida no âmbito familiar o que chega a uma conclusão de que o lar, a família, que deveria ser o lugar da felicidade da segurança e do abrigo, termina sendo o lugar do medo, da ameaça, do perigo e intolerância às diferenças e aos conflitos, fazendo com que muitas dessas crianças e adolescentes encontrem nas ruas o seu habitat. Observa-se que para essas famílias a violência aparece como forma de aprendizagem, é inerente à cultura da sociedade e sem isso seria impossível educar. Em outras palavras, a punição física se constitui numa prática educativa que vai passando de geração em geração e os pais vêem esse tipo de punição como sendo disciplinadora e educacional. Nas palavras de Galvão (2004), as práticas desses pais cristalizam as velhas estratégias de manejo autoritário. Isso dá a ilusão e garantia de que a falta de entendimento, de desobediência da criança e adolescente, essas estratégias tem que ser seguidas. Nesta comunicação pretendemos levantar algumas questões relativas às relações de gênero principalmente no que se refere os atos de violência cometidos pelas mulheres mães analisadas, e ressaltar até que ponto essa relação de poder interfere e ameaça a segurança e o abrigo destas crianças.
PDF

O Tráfico de Pessoas: uma abordagem marxista
Maria Lúcia Pinto Leal, Patrícia Cristina Pinheiro de Almeida (UnB)

Este estudo se utiliza de quatro categorias analíticas que permitirão explicar as razões que determinam o tráfico de pessoas na sociedade capitalista: mercado, trabalho, exploração e alienação. Essas categorias não são uma camisa de força, mas um meio de aprofundar e desvendar outras categorias decorrentes destas. Segundo Karl Marx, a acumulação da riqueza engendra em um pólo (das classes de trabalhadores), a acumulação de miséria, sofrimento no trabalho, escravidão, tráfico; e no outro pólo (das classes capitalistas), a acumulação da riqueza, do poder, da opulência, enfim: a razão do capital. No tráfico de pessoas para fins de exploração sexual, o valor de uso da mercadoria é o prazer proporcionado por meio dos serviços sexuais e o valor de troca são os serviços sexuais prestados pelas trabalhadoras do sexo. O traficante vende a mulher (mercadoria) para o comércio do sexo (intermediário). O comerciante vai intermediar a venda da força de trabalho da mulher (serviços sexuais) para os consumidores, portadores da mercadoria dinheiro, equivalente geral, e que é adquirida na relação trabalho x capital. Quando a mulher é traficada para fins de exploração sexual é uma mercadoria para o seu traficante, como é a maconha para o traficante de drogas. Diferente da maconha, não é consumida toda de uma vez, por isso trabalha para aquele que a adquire, tornando-se força de trabalho. Se esta ilação estiver correta, trata-se de uma mutação da sociedade pós-moderna. Uma reificação da barbárie.
PDF

Cada um em seu lugar: sobre papéis de gênero e tradicionalismo em relações conjugais violentas
Mirian Béccheri Cortez, Lídio de Souza (UFES)

Propõe-se, no presente trabalho, discutir o modo como as relações estabelecidas entre casais em situação de violência conjugal, ora desafiam, ora obedecem às práticas de gênero prescritas tradicionalmente e os efeitos que a violência do marido tem sobre o “ajustamento” a tais prescrições. Analisou-se o conteúdo de entrevistas realizadas com quatro casais cujo relacionamento apresentava as seguintes características: existência de denúncia de violência física do marido contra a esposa e manutenção da união. Os relatos indicaram a existência consistente de padrões tradicionais de gênero nas relações do casal (papéis sociais rígidos – marido provedor e chefe da casa, esposa cuidadora e dona de casa), observando-se a predominância de práticas coerentes com o discurso tradicional, relacionadas a direitos e deveres na relação conjugal e familiar (“cuidar da minha roupa”, “sustentar a casa”). Observou-se também que concepções menos tradicionais foram manifestadas apenas pelas esposas e se referiam aos direitos da mulher (ter um trabalho, poder exprimir vaidade, escolher manter ou não uma relação sexual). Os dados possibilitaram avaliar as características das relações conjugais, bem como as situações de violência: quebra de padrões tradicionais pelas esposas e reafirmação dos padrões tradicionais pelos maridos. Esposas e maridos buscam delimitações claras de seus papéis e funções como cuidadores do lar e da família, mesmo quando pretendem a divisão mais igualitária de tarefas. Enquanto as mulheres reivindicam novos espaços e realizam cobranças com relação à postura tradicional do “chefe da casa”, os homens procuram exercer seu poder de controle sobre as mulheres por meio da violência.
PDF

Um estudo sobre a “humanização” do parto em maternidades públicas de Goiania
Nara Moreira dos santos (UFG)

O parto “humanizado” é um movimento reflexivo que almeja reorganizar a conduta de atendimento ao parto a fim de promover um maior respeito aos diretos reprodutivos das mulheres e uma diminuição da morbi-mortalidade materna e infantil. O objetivo principal deste trabalho é avaliar esta “humanização” no contexto de duas das quatro maternidades públicas de Goiânia, tendo a preocupação teórica fundamental de discutir em que medida esta reorganização promove uma transformação nas relações de poder entre médicos e usuárias no cotidiano das instituições. Para a realização do trabalho é utilizada uma combinação de metodologias qualitativas – com o intuito de se apreender as especificidades do contexto analisado – recorrendo-se ao uso tanto de entrevistas quanto de observações sistematizadas das relações cotidianas de trabalho e participação em algumas atividades desenvolvidas nas maternidades, como grupos de gestantes. O trabalho é complementado ainda por uma análise quantitativa de indicadores de morbi-mortalidade materna e alguns procedimentos obstétricos pelo sistema de informações do datasus. As conclusões preliminares deste trabalho apontam tanto para uma melhora significativa em alguns aspectos, como atendimento pré-natal e contato mãe e filho, quanto para a manutenção de um contexto de falta de diálogo e pouco poder de decisão sobre seus corpos por parte das mulheres.
PDF

Gênero, Desigualdade e Violência: Implicações ao nível da Saúde e dos Direitos Humanos
Natália Ramos (Universidade Aberta)

A enorme disparidade entre os níveis de mortalidade materna e feminina, nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, constitui uma preocupação mundial actual, a qual tem vindo a suscitar a mobilização dos governos, dos organismos internacionais e a consciência dos cidadãos e tem impacto ao nível do desenvolvimento, dos direitos humanos e das estratégias e políticas para a saúde. A ausência de planeamento familiar, a falta de vigilância pré natal e de cuidados obstétricos adequados no momento do parto, as situações de pobreza e exclusão, as desigualdades existentes entre homens e mulheres, nomeadamente, o acesso reduzido das mulheres à informação e à educação e os menores recursos e competências das mulheres em relação aos homens para se protegerem, por exemplo, contra o VIH/SIDA e a violência doméstica e decidirem da sua vida sexual e reprodutiva, faz com que as mulheres estejam mais expostas a factores de stresse, risco e vulnerabilidade e à morte. A elevada mortalidade materna feminina nos países menos desenvolvidos deve-se, não só, a desigualdades e insuficiências de vigilância e de cuidados de saúde, a gravidezes múltiplas e à subalimentação mas, também, às consequências de gravidezes muito precoces em crianças e jovens cujo crescimento não está completo e a práticas violentas, silenciosas e discriminatórias, nomeadamente, às mutilações sexuais femininas. A comunicação propõe-se discutir estas questões a partir de investigações e indicadores, salientando-se a urgência da intervenção neste domínio, no sentido da promoção da saúde, qualidade de vida, direitos humanos e cidadania das mulheres.
PDF

Mulheres e carreira política: reflexões sobre a entrada de mulheres na política e visibilidade mediática
Nathalia Augusta Gonçalves (UFSCar)

O presente resumo, orientador de uma futura dissertação, visa colocar em voga a discussão sobre a forma como as mulheres candidatas a cargos políticos são representadas na mídia. Desse modo, pretendemos realizar um estudo que faça uma intersecção entre três temas: gênero, mídia e política. Trabalhos que versam sobre o tema apontam que, frequentemente, a imprensa dispensa às candidatas a cargos políticos um enquadramento impregnado de senso comum (ou seja, temas relacionados à família, questões sociais e temas que caracterizam as candidatas, como beleza, indumentária, etc.). Como a comunicação política é uma área da ciência política e o seu objetivo é verificar mensagens midiáticas que, supõe-se, terão influência sobre o imaginário dos cidadãos e cidadãs, grupos e instituições, esse tipo de viés sexista, quando reforçado pela mídia, contribui para difundir uma visão de mundo hierarquizada e prejudica a visibilidade da candidata e a construção de sua carreira política. Nossa intenção aqui é verificar como foram divulgadas as imagens de uma pré-candidata à Presidência da República, Roseana Sarney (2002) e a candidata a Presidência Heloísa Helena (2006), nos jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo.
PDF

O trabalho das Mulheres como suporte econômico da família: aspectos comparativos Brasil x Portugal
Neuza de Farias Araújo (UnB)

Fundamentada em pesquisas que venho desenvolvendo nesta área, o objetivo desta comunicação é apresentar alguns elementos sobre a reflexão teórica e a análise das transformações ocorridas nas atividades tradicionais reservadas às mulheres no meio popular urbano brasileiro, o que nos conduziu a apreensão da categoria de mulher chefe de família, expressão complexa nos seus registros histórico e geográfico. Comparando aspectos identificados desta categoria em Portugal, e ao debate atual existente em diversos países da Europa sobre a predominância e conciliação do trabalho das mulheres com as atividades domésticas, e provimento da família, considerar-se-á o ambiente de transformações sociais e econômicas, onde a família se recompõe sobre novas bases, uma delas a presença feminina como suporte econômico, quebrando a prática patriarcal, abrindo novos espaços para as mulheres na esfera pública.
Pretende-se refletir sobre alguns aspectos comparativos Brasil e Portugal no que se refere à trajetória das mulheres na perspectiva de sua conseqüência social e política, onde as mulheres se constroem nessa transformação, diante do mundo do trabalho, no âmbito doméstico e na esfera pública. O enfrentamento de obstáculos, as relações de poder e desigualdade de gênero. Destaca-se na análise as similitudes e diferenças entre os dois contextos referidos. Ressalta-se como ponto importante, a viabilidade de implementação de políticas voltadas para as questões de gênero, no sentido de contribuir para assegurar a capacidade de poder das mulheres nos aspectos econômicos, políticos e sociais.
PDF

Diversas faces do poder sobre as mulheres – O caso da violência conjugal
Maria de la Salete Esteves Calvinho, Natália Ramos

A desigualdade entre homens e mulheres é uma realidade na sociedade contemporânea, onde existe um poder patriarcal instituído de formas mais ou menos explicitas nas diversas áreas sociais. A construção social baseada no género aprisionou homens e mulheres a funções sociais pouco facilitadoras do desenvolvimento da mulher-pessoa, das suas expectativas pessoais enquanto sujeito de pleno direito. A mulher da actualidade continua a estar sobrecarregada com o trabalho e a família, ganhando muitas vezes menos e trabalhando mais horas. Os papéis de género são assinaláveis na família nuclear contemporânea e no seu seio as interacções são hierarquizadas e desiguais. Nela, o poder masculino exerce-se frequentemente com violência sobre o mais fraco, fisicamente, em estatuto social e económico, e que é habitualmente a mulher. A violência conjugal contra a mulher é uma forma de exercício do poder masculino que a cultura tem permitido perpetuar. As consequências da violência conjugal são devastadoras para a saúde da mulher. A saúde física e mental alteram-se, a destruição da auto-estima, o stress pós-traumático, as doenças sexualmente transmissíveis constituem algumas das consequências que podem acompanhá-la por toda a vida, como evidenciam os resultados do estudo que apresentamos. Os profissionais da saúde têm o dever de diagnosticar e intervir sem se coligarem à manutenção do poder patriarcal por omissão, contribuindo para a deterioração da saúde de mulheres com muito a dar à sociedade e à família e empobrecendo os países de capital económico e humano na actualidade e no futuro, adiando a igualdade entre diferentes e a paz.
PDF

As relações de Gênero no Trabalho: uma análise da inserção de mulheres e homens na rede de fast food
Suzana da Cunha Joffer (UFRN)

Buscou-se com esse estudo, investigar a divisão sexual do trabalho dentro da cadeia de fast food em Natal/RN. Aspectos analisados juntamente com as formas de organização do trabalho, através do estudo de caso. O principal objetivo dessa pesquisa consistiu em analisar a influência das relações de gênero na inserção de homens e mulheres no mercado de trabalho e analisar a questão da submissão feminina no mundo do trabalho. Considerou-se o atual estágio do capitalismo mundial, a partir das características do processo de flexibilização produtiva e do crescimento do setor de serviços. Nossa pesquisa se realizou com funcionários/as de setores da produção, atendimento, gerência e recursos humanos na loja de fast food. Através de nossa pesquisa, pode-se constatar a permanência da divisão sexual do trabalho no interior dos processos produtivos, que colocam a mulher em condição subalterna em relação ao homem. Na referida cadeia de alimentos, ocupam, prioritariamente, a função de garçonete e nesta, não há progressão funcional, enquanto seus colegas homens, em funções diferenciadas, progridem dentro da empresa. Pudemos constatar que a precarização das condições do trabalho atinge homens e mulheres, mas tem uma face mais cruel no que se refere às mulheres e esta se reproduz cotidianamente no processo de reprodução social, através da vida familiar, da inserção no mundo do trabalho, da informação e educação recebida socialmente. Enfim, o capital explora a todos/as, mas as relações de gênero criam, para o capital, a possibilidade de um grau diferenciado de exploração, tornando, assim, as mulheres, suas principais vítimas.
PDF