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Coordenação:
Profa Dra Anna Paula Uziel
UERJ/RJ

Profa Dra Mara Coelho de Souza Lago
UFSC/SC

Os estudos de gênero, que têm produzido o questionamento de epistemologias e metodologias comprometidas com modelos tradicionais de ciência, convocam à reflexão interdisciplinar sobre temas que evidenciam noções de movimento e transformação, como produção de subjetividades, sexualidade, orientação sexual, transformações contemporâneas nas concepções de masculino e feminino e críticas a modelos dualistas. As temáticas do corpo, do poder e da violência persistem atualizadas nestes estudos.

A questão da subjetividade está implicada na própria constituição do campo da psicologia, assim como não pode ser desligada da reflexão sobre a atividade de pesquisa. O objetivo deste GT é reunir trabalhos que aprofundem reflexões sobre estes temas, nas intersecções da psicologia com as demais disciplinas da área das ciências humanas sociais.

God Save the Queen: a transgressão e o vazio no universo de riso das Drag Queens
Aureliano Lopes da Silva Junior (UFSJ)

As drag queens partilham de uma tradição de figuras cômicas que se apresentam sob as mais diversas formas, mas geralmente com o objetivo comum de transgredir normas e padrões e provocar um riso crítico que busca agir no imaginário de seu público, incitando-o a transcender condições e a repensar a si mesmo e o mundo à sua volta. As drags assumem o lugar de um clown queer e seu universo de riso constitui-se em uma tentativa de desconstrução do poder que rege a normativização do sexo, confundindo seus limites e abrindo espaço para ambigüidades, incertezas e criações. Este esforço é feito por meio de uma construção artística na qual o próprio corpo do sujeito se transforma em uma palhaça que ao vivo se joga no abismo, presenteando sua platéia com um “vazio” na ordem estabelecida (como concebido por João Frayze-Pereira acerca do clown). Este “vazio” será rearticulado segundo os termos do próprio sujeito; ao se abrir ao jogo das drags, ele passa de suposto observador a um participante essencial e também constitutivo desta experiência estética. As drag queens são sujeitos políticos, resistentes na defesa de uma vivência plena da sexualidade e suas manifestações. Utilizam o riso como uma verdadeira arma, atacando impiedosamente qualquer norma que barre a manifestação do desejo. Elas brincam com o instituído e, como personagens artísticos engajados na defesa da vida, fazem um verdadeiro elogio à potencialidade humana de transgredir a dor e criar; de sempre ser possível instaurar vida onde quer que seja.
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Imprensa Feminina Mato-grossense – O caso de A Violeta. (1937-1945)
Carlos Alexandre Barros Trubiliano, Carlos Martins Júnior ( UFMS)

O Estado Novo (1937-1945), foi um período de significativas mudanças para o Mato Grosso. O programa de colonização intitulado Marcha para Oeste, anunciado pelo Presidente Vargas, em 1937, renovou não só as perspectivas de desenvolvimento para o Estado, mas, ao mesmo tempo, abriu a possibilidade da chegada de novos agentes sociais. Levando-se em consideração essa configuração e que, sobretudo na primeira metade do século XX, os jornais se apresentavam como espaços privilegiados nos quais as elites dominantes travavam seus embates, expressavam pontos de vistas políticos e emitiam seus projetos de desenvolvimento econômico e ordenamento da sociedade, este trabalho centrou no estudo sobre a revista A Violeta durante os anos de 1937-1945, observando especificamente a maneira como esse veiculo de comunicação fazia as mais diversas representações das mulheres, por que e de que maneira eram reproduzidas tais representações e qual o lugar social da produção das mesmas.
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Um olhar sobre a juventude religiosa: sobre sexualidade e gênero
Cristiane Gonçalves da Silva (UERJ)

Objetivos: Descrever os significados que jovens religiosos da região metropolitana de São Paulo atribuem à iniciação da vida sexual e a outras dimensões da sexualidade a partir dos modos de conceber masculino e feminino e da vivência da religiosidade de cada sujeito.
Metodologia: Análise de conteúdo de 18 entrevistas realizadas com jovens (9 homens e 9 mulheres entre 15 e 25 anos) de diferentes denominações (catolicismo, religiões afro-brasileiras – Umbanda e Candomblé – e três segmentos evangélicos) onde se procurou identificar distintos conteúdos e a forma como se relacionam na concepção, construção e vivência da sexualidade.
Resultados: Os jovens têm formas distintas de conceber a sexualidade atribuindo a ela significados construídos a partir de conflitos e acomodações entre valores tradicionais (derivados da moral religiosa) e valores modernos (produtos da globalização e do multiculturalismo). O lugar do masculino e do feminino também promovem modos distintos de ver o mundo. Há tanto condutas rígidas como relativistas em relação ao sexo antes do casamento, a métodos contraceptivos e à diversidade sexual. Jovens evangélicos pentecostais demonstram incorporar mais fortemente a moral religiosa e a heteronomia enquanto que católicos e afro-brasileiros parecem reconhecer e incorporar mais a noção de direitos sexuais e diversidade.
Conclusões: Os jovens religiosos adotam posturas que intercambiam a moral religiosa e os valores contemporâneos. Os significados atribuídos à sexualidade variam conforme o grau e a intensidade desse intercâmbio e conforme a forma como se desenha a subjetividade de cada sujeito. Compreender tal universo ajuda para uma maior compreensão do campo dos direitos sexuais.
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Sexualidade e crítica social: Marcuse após Foucault
Ednei de Genaro (UFSC)

A tematização da sexualidade, tratadas em dimensões tão vivas – estética e politicamente - por dois filósofos do século XX, Michel Foucault e Herbert Marcuse, é aqui apresentada e debatida por meio das dimensões de críticas sociais empregadas.
Trata-se de um debate bastante polêmico do pensamento contemporâneo, que se encontra alastrado – mas, infelizmente, pouco profundamente entendido – por meios acadêmicos da mais variadas áreas de saberes. A motivação é explorar alguns contornos dos fundamentos que dão origem aos seus discursos. Discursos críticos que são, sem dúvida, radicalmente marcados – como o próprio FOUCAULT (1997) anunciava – pelas raízes das técnicas de interpretação de Nietzsche, Freud & Marx.
Damos um destaque à apresentação de duas obras: Eros e Civilização (1999 [1955]), de H. Marcuse e História da Sexualidade I: a vontade de saber (1993 [1976]), de M. Foucault. Estas apresentam interpretações históricas, interrogações e posicionamentos teóricos que nos são por demais importantes e influentes.
Comparando as diferentes leituras crítica da sociedade, ocupamo-nos, em seguida, do que parecem ser as duas perspectivas que distanciam pensadores, a saber: por parte de Marcuse, uma ontologia do social que anseia a utopia de um Eros e Razão emancipatórios; e, por Foucault, uma ontologia do presente que busca uma nova dimensão da relação entre a subjetividade e a verdade que o afasta da tentativa de ‘decifrar’ o sexo.
Por motivo do Simpósio Temático, daremos alguns destaques para a questão do porque tanto Marcuse quanto Foucault não evidenciaram, no centro de suas discussões, a questão de gênero.
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Escola inclusiva e não-sexista? Políticas Públicas e Produção de Subjetividades
Eliana Teresinha Quartiero, Henrique Caetano Nardi (UFRGS)

Neste trabalho trazemos a discussão de uma pesquisa de mestrado que está sendo desenvolvida em duas escolas da rede pública, situadas no município de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Propomos pesquisar a construção de subjetividades dentro do contexto escolar considerando os discursos das políticas públicas acerca da diversidade sexual que vêm sendo implementadas, como o Programa Federal Brasil Sem Homofobia, e seus possíveis impactos nas práticas escolares e na produção de subjetividades. Ao relacionar gênero e educação, entendemos que a educação escolar é um dos componentes do dispositivo da sexualidade que agencia os processos de subjetivação e que legitima e constrói performances generificadas. Os olhares sobre as diferenças dependem da possibilidade ou impossibilidade de tradução, isto supõe um sistema de significação que dá inteligibilidade ao mundo. As relações de poder construíram a sexualidade como uma espécie de grande campo de identificação, de classificação, de normalização e de distribuição das singularidades, mesmo a identidade sexual mais normativa, não é automática, autêntica, facilmente assumida, nenhuma identidade sexual existe sem negociação ou construção. Nos interessa compreender como se dão estas negociações possíveis no contexto escolar quando as políticas de educação, ditas de inclusão e não-sexistas, propõem a inclusão da diversidade sexual nas práticas pedagógicas voltadas à igualdade de direitos e à educação sexual. É importante pensar que sujeito está sendo constituído, a partir da proposição desta escola inclusiva, quais processos de subjetivação são acionados e quais as verdades são propostas/impostas aos sujeitos para que eles “se incluam".
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Cultura, Subjetividade e Aids: A Experiência da doença e militância na trajetória de vida de mulheres HIV+
Flávia Fernandes de Carvalhaes, Fernando Silva Teixera Filho (UNESP)

As questões relacionadas à aids têm sido problematizadas por pesquisadores de diferentes campos, linhas e áreas de atuação devido à complexidade de perspectivas históricas, sociais, biológicas e psicológicas da epidemia. Nestes anos de seu reconhecimento, a aids tem nos obrigado a desnaturalizar questões sociais e culturais construídas historicamente, e que são parte dos signos, normas e códigos que balizam a estrutura e a organização da sociedade, impondo outros olhares e novas perspectivas para a complexidade de questões relacionadas aos gêneros, aos corpos e à cultura. Considerando essa conjuntura, esta pesquisa foi realizada com quatro mulheres HIV+ ativistas no movimento de aids com o objetivo de apreender os contextos de vulnerabilidade que possibilitaram a sua infecção, as suas vulnerabilidades à reinfecção e mudanças ocorridas em suas vidas no campo afetivo-conjugal e no da maternidade. Com o intuito de mapear suas experiências pessoais, utilizei o método das histórias de vida, e, para a coleta de dados, entrevistas semi-estruturadas.. As categorias de análise estão articuladas à perspectiva teórica de autores que problematizam as construções sócio-históricas relacionadas às questões de gênero e da aids.
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Conjugalidades, diferenças e cotidianos
Juliana de Almeida Ribeiro da Costa, Flaviany Ribeiro da Silva, Anna Paula Uziel (UERJ)

A proposta do presente trabalho é problematizar as práticas sociais desenvolvidas no cotidiano da relação conjugal, com especial interesse para a questão da diversidade que se atualiza no dia-a-dia do casal, em suas mais variadas dimensões. Pretende-se remeter às considerações de Félix Guattari, quando este desenvolve os conceitos de “molar” e “molecular” e de Michel de Certeau, quando discorre sobre o cotidiano e a sua configuração como dimensão particularmente interessante de análise. Nossa intenção é, a partir da problematização de perspectivas recorrentes no que se refere ao tema da conjugalidade, discutir de que forma os sujeitos envolvidos nessas relações lidam com a questão da diferença, manifestada em suas mais diversas dimensões, no desdobrar do cotidiano. Pautaremos nossa discussão nos "processos" sociais, nas "práticas" desenvolvidas no cotidiano desses casais e em suas diversas “maneiras de fazer”, que acenam com outras perspectivas que possam nortear nossos percursos de pesquisa, analisando suas dimensões “moleculares” e as diferentes formas de agenciamento. É válido ressaltar, que os possíveis escapes e “subversões” às ordens hegemônicas não significam a negação do pano de fundo ao qual a relação conjugal se insere, mas sim a construção de outras vias, inscritas, de alguma maneira nesse universo. É importante considerar que é imersa nesse contexto de prescrições, padrões e “molares” que a relação conjugal se faz, a cada momento, no cotidiano.
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Biografías reflexivas y negociaciones estratégicas en casos de familias de madres lesbianas
Guido Vespucci (CONICET)

La propuesta de la ponencia es presentar los avances de investigación de mi proyecto “Historias encontradas. Discursos y Representaciones sobre la Familia y la Cuestión Gay-Lésbica. Buenos Aires, de 1970 hasta el presente”, vigente en le marco de mi beca Doctoral de CONICET.
En esta oportunidad pretendo discutir la fecundidad de concebir la conformación de familias homoparentales tanto como una revolución familiar, o como un simple proceso de normalización social, de apelación a la norma familiar hegemónica, ésta misma jaqueada por la creciente diversificación de arreglos familiares que se han desatado en las últimas décadas. Antes que rotular este movimiento de constitución de familias homoparentales mediante generalizaciones (normalización, revolución) que hacen tabla rasa de las experiencias particulares y confieren exteriormente su significado, propongo analizar cuatro casos abordados mediante entrevistas en profundidad: tres corresponden a parejas lesbianas que han realizado inseminación artificial y que hoy tienen hijos, y otro sobre una pareja lesbiana que está embarcada en un proceso de adopción.
Lo que se destaca luego de este análisis es la importancia de contemplar las negociaciones estratégicas que los propios agentes son capaces de realizar entre sus necesidades, deseos e ideologías, y las coyunturas, los discursos y la red institucional existente con sus límites, grietas y potencialidades de cambio, estos últimos también co-productores de las familias homoparentales. El saldo analítico de estos casos es una mejor comprensión del significado que los propios sujetos atribuyen a su realidad, lo cual nos permite poner en discusión explicaciones maniqueístas sobre este fenómeno.
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Os psicólogos e a assistência a mulheres em situação de violência
Heloisa Hanada, Ana Flávia P.L. D’Oliveira, Lilia Blima Schraiber (USP)

Esta apresentação refere-se a estudo sobre a inserção do psicólogo na assistência a mulheres em situação de violência, nos serviços específicos da Grande São Paulo. A partir da perspectiva da necessidade de ações multiprofissionais e intersetoriais no enfrentamento e atenção às situações de violência de gênero, estudou-se como a assistência psicológica é organizada em serviços de diversas vocações assistenciais e como suas ações são articuladas com outros profissionais e outros serviços. Para tanto, foram levantados documentos normativos para a assistência (Ministério da Saúde e Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres) e foram analisadas informações obtidas em entrevistas com profissionais de 109 serviços paulistas de diferentes vocações assistenciais (policial, jurídico, saúde, psicossocial, abrigos, orientações básicas). Observou-se que os psicólogos estavam presentes e foram solicitados em todos os tipos de serviços, com menor participação nos serviços policiais e jurídicos. Na assistência, notou-se grande diversidade de práticas – atividades clínicas, educativas, de orientação, mediação jurídica, sendo freqüente o ajustamento destas intervenções aos objetivos e cultura hierárquica de cada categoria de serviço. Observou-se que nem sempre havia distinção clara entre o trabalho do psicólogo e de outros profissionais, resultando em indefinição de funções e ações, bem como de objetivos do trabalho psicológico. O que poderia representar dificuldades no diálogo entre profissionais e entre serviços e na articulação de ações multiprofissional, comprometendo a atenção integral às mulheres em situação de violência. Por outro lado, essa indefinição pareceu possibilitar inovações na prática assistencial.
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Mulheres com HIV/AIDS: significando gênero, corpo e sexualidade
Liana Souto Corrêa ( UFPel)

A pandemia da AIDS, iniciada na década de 1980, convidou ao debate inúmeras questões pertinentes à vida cotidiana, dentre elas, as identidades de gênero, as práticas sexuais, a educação sexual, o uso de drogas intravenosas. Este trabalho se propõe a refletir sobre a condição das mulheres portadoras do HIV/AIDS, cuja transmissão ocorreu por relações sexuais com parceiros fixos (marido, namorado, relações de união estável). Antes coadjuvantes da pandemia, hoje as mulheres ocupam proporção significativa de casos positivos para HIV. Nesse sentido, a ênfase desse texto se dará, sobretudo, aos discursos acerca da identidade, do corpo, da sexualidade e do gênero feminino, dentro do universo HIV/AIDS. Para isto, serão empregados, principalmente, conceitos de Michel Foucault e discussões oriundas da teoria queer, de gênero e de sexualidade.
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Iniciação sexual masculina: narrando a intimidade
Lúcia Emília Figueiredo de Sousa Rebello; Romeu Gomes; Elaine Ferreira do Nascimento (Instituto Fernandes Figueira/Fiocruz)

O estudo objetiva analisar aspectos relacionados à sexualidade masculina a partir de narrativas de homens jovens acerca da experiência de iniciação sexual. O referencial teórico-conceitual é de scripts/ roteiros sexuais. A discussão pauta-se em dados de duas pesquisas qualitativas realizadas no Rio de Janeiro (RJ): a primeira identificou os sentidos atribuídos por homens jovens de classe popular à iniciação sexual masculina e a outra analisou narrativas de homens jovens universitários sobre a experiência de iniciação sexual. O método da investigação está ancorado na abordagem de pesquisa qualitativa a partir da perspectiva hermenêutica dialética. Os achados demonstram que mesmo que a relação sexual com penetração seja o significado mais presente nas narrativas, outros significados como demarcação de uma etapa da vida, despertar para o gênero oposto, descoberta do corpo, não devem ser desconsiderados. Estes significados apontam comportamentos coerentes com um modo de ser homem que se faz presente no discurso de diferentes gerações, seja no sentido de afirmação de uma identidade masculina, seja para indicar caminhos possíveis de transgressão. A conclusão reforça a importância de estratégias de promoção de saúde que incentivem a participação de homens jovens e que os encorajem a mostrar seus sentimentos, a falar de suas dúvidas e frustrações, sem a intenção de criarmos modelos de controle e/ou de comportamentos normatizados, acolhendo as demandas sexuais juvenis masculinas, deslocando-se de fóruns privados para uma atenção integral à saúde de homens jovens.
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Homossexualidades Masculinas e Homossociabilidades: subjetividades reveladas em narrativas de historia de vida de freqüentadores de dispositivos de socialização de sexualidades GLBTTT
Márcio Alessandro Neman do Nascimento, Fernando Silva Teixeira Filho (UNESP)

Este trabalho problematiza os modos de subjetivação e as relações hierárquicas e de exercício de poder que gravitam em torno das homossexualidades masculinas, freqüentadores de dispositivos de socialização de sexualidades GLBTTT - os populares lugares GLS ou guetos gays. No entanto, é fato que a violência sofrida pelos homossexuais, sugere um novo caráter expressivo e crescente – a diferenciação entre os próprios homossexuais. O objetivo desta pesquisa é descrever as relações estabelecidas entre os homossexuais que freqüentam estes dispositivos e o sentido que estes lugares tiveram e vêm adquirindo ao longo de suas existências, partindo dos pressupostos teóricos dos estudos culturais e de gênero (pós-estruturalistas). Para tanto, realizaram-se observações etnográficas nestes locais, assim como se realizaram entrevistas prolongadas com freqüentadores selecionados e que ocasionaram em análises das narrativas de histórias de vida destes personagens-participantes. As análises das incursões em campo e das entrevistas apontaram que a condição homossexual e as vivências homoeróticas não implicam em dizer que esses atores sociais, produtos e produtores de práticas sociais, estejam isentos de serem subjetivados pelos contextos históricos sócio-político-culturais marcado pela heteronormatividade, pelo sexismo e machismo entre outros, pregados também pelas instituições religiosa, familiar e científica. Sobre os dispositivos de socialização de sexualidade GLBTTT analisou-se que estes são destinados ao lazer, expressões das sexualidades, convívio e cumplicidade, entretanto, mesmo sendo menos coercitivos que os estabelecimentos freqüentados por pessoas supostamente heterossexuais, também (re)produzem práticas sociais violentas (homofóbicas) na ordem da hierarquização e exercício de relação de poder entre os próprios homossexuais, revelando conteúdos homofóbicos interiorizados.
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Envelhecimento no feminino
Maria Angélica Saraiva Rodrigues de Barcelos, Kátia Brasil (Universidade Católica de Brasília )

A população mundial está envelhecendo em ritmo ascendente de crescimento. Acredita-se que em 2020, associada à diminuição dos níveis de fecundidade, para cada 13 pessoas haverá uma com mais de 65 anos. Além disso, o envelhecimento tem uma marca feminina, visto que, mortalidade masculina potencializa a solidão na velhice para as mulheres. A possibilidade de uma vida longínqua convoca a uma outra reflexão, os modos como essas mulheres estão implicadas subjetivamente em seu processo de envelhecimento, os conflitos subjacentes e a real fragilização do corpo. Nesse sentido, este trabalho pretende abordar a dinâmica transferencial e contratransferencial dentro do grupo psicoterápico de pacientes idosas. Em relação a contratransferência a psicoterapeuta foi convocada tanto em sua subjetividade quanto em sua técnica. Na subjetividade foi mobilizada em relação a seu envelhecimento e em suas angústias decorrentes deste processo. Acerca da técnica, a psicoterapeuta deparou-se com a necessidade de flexibilização do setting psicoterápico. Já a transferência no grupo se refletiu no modo como este foi nomeado, “Sagrado Coração de Maria”. Ao nomeá-lo essas mulheres lhe deram um corpo, tornaram-no vivo e repleto de significados que emergiram na análise de “Maria” enquanto mãe, cuidadora, sofredora, mulher e do “sagrado”, intocável, imaculado. Nesse contexto a ilusão de um corpo grupal conduziu à resistência em relação ao processo psicoterápico, particularmente em relação à temática da sexualidade, temática continuamente desqualificada por essas mulheres, tendo em vista um discurso amparado no registro religioso que as protegiam de seus desejos atuais e daqueles que tiveram que abandonar ao longo da vida.
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Fábrica do poema: ética lacaniana na/da produção de si; ressonâncias foucaultianas.
Mário Ferreira Resende, Mara Coelho de Souza Lago (UFSC)

O objetivo do presente trabalho é tomar o tema da ética, da constituição do sujeito, sob um crivo de análise lacaniano que também aponta para ressonâncias com a obra foucaultiana. Tendo como eixo condutor da análise o poema de Wally Salomão “a fábrica do poema”, sublinha-se que pensar em subjetividade dentro da teoria lacaniana é referenciá-la sempre ao simbólico numa dinâmica pulsional inconsciente que sustenta nossas ações e identidades ficcionais, dando-lhes o volátil efeito de unidade e conferindo sentido à nossa obra, ao nosso inexorável referenciamento à rede de significantes não oderdenada do Real. Aproximações com a obra de Michel Foucault aparecem como um murmúrio que cria e apresenta uma notável cumplicidade entre os autores ao apontar a ética para um horizonte histórico, um jogo ativo de produção de si, onde as dimensões sujeito e verdade rolam sempre juntas, fabricando-nos enquanto poemas identitários, destinados ao desaparecimento para serem possíveis outra vez.
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Gênero, corpo e sexualidade na produção do conhecimento relacionada à deficiência física
Marivete Gesser, Maria Juracy Filgueiras Toneli, Adriano Henrique Nuerberg (UFSC)

Atualmente há um aumento na produção do conhecimento relacionada à temática deficiência física. Um grande número de pesquisas científicas, dissertações de mestrado e teses de doutorado tem estudado os múltiplos aspectos a ela relacionados (denúncia da marginalização e da exclusão; Estatuto da Pessoa com Deficiência; inserção na educação formal e no mercado de trabalho; diminuição das barreiras arquitetônicas e atitudinais, entre outros). Todavia, são poucos os trabalhos que estudam as implicações da deficiência física na constituição da significação de gênero, corpo e de sexualidade a partir de uma perspectiva crítica. O objetivo deste estudo foi o de investigar as perspectivas teóricas de gênero, corpo e sexualidade utilizadas nas dissertações de mestrado e teses de doutorado que vêm trabalhando com o tema deficiência física defendidas no Brasil desde o ano de 1987 até janeiro de 2008. Como metodologia, realizou-se uma pesquisa no Banco de Teses e Dissertações da CAPES em janeiro de 2008 com os descritores “deficiência física”, “gênero”, “sexualidade”, “corpo” e “subjetividade”. Os resultados evidenciaram que, embora sejam poucos os trabalhos que abordam o tema a partir de uma perspectiva crítica de gênero, corpo e de sexualidade, o número vem crescendo a partir do início do século XXI. Além disso, a perspectiva predominante de entendimento da deficiência física tem sido pautada mais na problematização do papel dos preconceitos, estereótipos e do modelo normativo de corpo do que na construção de estratégias de “adestramento” deste.
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O Atravessamento da Construção Social das Masculinidades e das Feminilidades nas Lesbianidades
Marli Machado de Lima, Ediana Roberta Duarte Manhas, Flavia Fernandes de Carvalhaes, Lívia Gonsalves Toledo, Marcio Alessandro Neman do Nascimento, Wiliam Siqueira Peres (UNESP)

Baseados em teorias e conceitos críticos sobre como as sexualidades e os processos de subjetivação vêm sendo delineados nas populações ocidentais contemporâneas, propõe-se articular as maneiras como mulheres que se autodenominam lésbicas vivenciam e consideram as masculinidades e as feminilidades. Os discursos foram colhidos por meio de entrevistas semi-dirigidas realizadas com dez mulheres em idades de vinte a quarenta e cinco anos, residentes em cidades do interior paulista e paranaense do Brasil. Buscou-se referencial teórico em autores que abordam a construção social dos gêneros e dos sexos como categoria de análise, necessário para reflexão dos processos de subjetivação que estão permeados pelas materialidades e transitoriedades inerentes aos contextos sociais, históricos e culturais. A partir da análise das entrevistas notou-se que as mulheres, com idades entre trinta e cinco a quarenta e cinco anos, apresentavam delimitações historicamente estabelecidas de espaços e funções sociais distintas entre homens e mulheres, enquanto as mais jovens apresentavam, em geral, um discurso mais flexível e, em alguns momentos, críticos em relação às normas sociais preestabelecidas. Ainda, ficou evidente a ausência de um posicionamento político e emancipatório nas primeiras, enquanto nas segundas, observaram-se interesses e implicações nessa busca de direitos. Este artigo partiu da proposta de avaliação do curso de pós-graduação em Psicologia da Universidade Estadual Paulista, Campus de Assis/SP.
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Processos de subjetivação e cidadania vinculados a implementação da lei Maria da Penha no município de Chapecó
Murilo Cavagnoli, Irme Salete Bonamigo, Myriam Aldana Santin (Unochapecó)

No decorrer de mais de um ano da implementação da Lei Maria da Penha houve diversas reações dos agentes envolvidos na fabricação de discursos, práticas e sentidos vinculados às violências e a cidadania, produzindo mutações subjetivas. Trouxe interrogações, reações favoráveis e contrárias, envolvendo domínios relacionais individuais, coletivos e institucionais.
A observação desta situação nos leva a perguntar: quais são e em que consistem os processos de subjetivação e os possíveis alargamentos da cidadania provocados, na região oeste de Santa Catarina, pela instituição da Lei, que é direcionada ao controle e a gestão de violências contra a mulher? Como se dá, como acontece o processo de produção mutua, da lei, das jurisprudências, das subjetividades e da cidadania?
Sendo assim, esta comunicação oral tem o objetivo de apresentar a pesquisa em andamento sobre processos de subjetivação e cidadania vinculados a implementação da lei Maria da Penha no município de Chapecó. Pretende-se identificar as imbricações entre a lei, como política direcionada ao controle e gestão das violências contra a mulher, e a construção de cidadania.
Utilizando como recurso entrevistas e o acompanhamento de um caso durante o tramite legal, pretende-se acompanhar as mudanças relativas as concepções de violência contra a mulher com a sanção da lei Maria da Penha, a partir dos discursos dos/das profissionais que atuam no sistema judiciário e das práticas implementadas na institucionalização desta lei. Quer-se também identificar os processo de construção da lei a partir dos debates travados na sua tramitação no Congresso Nacional.
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O que é ser “humano” ?
Patricia Porchat (UNIP)

Em 1990, a filósofa feminista e teórica do gênero americana, Judith Butler, criou o conceito de gênero como ato performativo. Desde então, este conceito vem sendo usado por ela e por outros pesquisadores para questionar epistemologias comprometidas com modelos tradicionais de ciência – que implicam numa concepção dualista – masculino e feminino para se pensar sobre o conceito de humano. Este é o caso específico da psicanálise, teoria com a qual Butler dialoga desde então. O exercício de violência sobre seres que terminam por não serem considerados humanos é o ponto de partida de sua reflexão. Butler analisa casos de transexuais e de intersexos que sofrem pela imposição de uma visão hegemônica sobre o que deveria ser um corpo para que o sujeito seja considerado como humano. De acordo com as normas sociais vigentes, nenhum corpo que não caiba no dualismo masculino/ feminino é digno de ser considerado humano. Lévi-Strauss, Michel Foucault e o historiador Thomas Laqueur auxiliam na reflexão sobre o que se considera humano a partir da relação entre esta categoria e a de corpo.
A pergunta sobre o que é humano é de fundamental importância para o exercício da psicologia, na medida em que tendemos a aceitar e, conseqüentemente, tratar apenas os sujeitos que reconhecemos como humanos.
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Psicologia, homofobia e subjetividade: produção ou problematização?
Pedro Paulo Gastalho de Bicalho, Carlos Eduardo Nórte, Luan Carpes Barros Cassal, Luciana Francez Cariello, Carolina Moreira Ribeiro, Rachel Menezes (UFRJ)

O tema da sexualidade atravessa distintos contextos sócio-históricos, gerando dúvidas e indagações a respeito de sua função e lugar na sociedade . Segundo Michel Foucault a sexualidade pode ser entendida como sendo diretamente relacionada a um dispositivo histórico, e por isso pode ser interpretada segundo algumas estratégias e relações de poder, que tem por objetivo esquadrinhar e reprimir determinados processos de subjetivação. O presente estudo investiga a produção de subjetividade construída no trabalho do psicólogo, em relação à orientação sexual, e suas implicações com a resolução 001/99 do Conselho Federal de Psicologia, que por se apresentar ancorada em aparato legal, pretende estabelecer normas e regras da atuação do psicólogo, impedindo qualquer ação de prevenção, tratamento ou ”cura”, oriundas na crença de sexualidades desviantes. Trata-se, pois, de uma medida que, concomitantemente ao impedimento de certas ações consideradas prejudiciais, configura-se como reflexo de determinada produção de subjetividade que atravessa a sociedade, inclusive a prática do psicólogo. Com o objetivo de cartografar os meios em que se dão esse processo, são utilizadas entrevistas semi-estruturadas, além de um levantamento bibliográfico sobre o assunto nos principais sites de busca e pesquisa disponíveis na internet. Acredita-se que o presente estudo problematiza as raízes facilitadoras e mantenedoras da estigmatização da diferença sobre o ponto da sexualidade, além de colocar em análise o papel do profissional de psicologia nesse processo.
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Homem entrevista homem, mulher entrevista homem: questões de gênero nos procedimentos de pesquisa
Plínio de Almeida Maciel Junior, Rosane Mantilla de Souza (PUCSP)

Gênero faz parte de uma identidade operacional que nos marca como membros de uma categoria e nosso corpo atua grande parte desta identidade por meio do uso da fala, de roupas e gestos, delimitando um eu muito menos intrínseco do que performático: um desempenho dirigido para a situação e para a audiência. Assim, o contexto da entrevista de pesquisa pode se transformar em uma circunstância tanto favorecedora quanto de ameaça ao eu. Se a masculinidade interfere no modo como os homens comunicam seus conceitos, sentimentos e percepções, o sexo do entrevistador que, por pressuposto, co-constrói a realidade da ação dialógica em curso, deve ser considerado, sendo este o objetivo de nossa reflexão, tendo como material os resultados das pesquisas qualitativas por nós conduzidas tendo a masculinidade em questão. Temos identificado que é necessário estar consciente de como cada homem tenta mostrar-se masculino para um entrevistador de sexo masculino ou feminino e usar as estratégias para estimular maior envolvimento, tendo em vista temas como: diversidade de tentativas de luta pelo controle da situação, sexualização da relação e alianças perversas, racionalidade e autonomia exagerada, controle e não exibição de emoções, entre outros.
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Os relatórios Shere Hite: Sexualidades, Gênero e os Discursos Confessionais
Tito Sena (UDESC)

Este trabalho é o resultado de uma análise sobre os relatórios Shere Hite, editados originalmente nos anos de 1976 (O Relatório Hite sobre a sexualidade feminina) e 1981 (O Relatório Hite sobre a sexualidade masculina). Os relatórios analisados, produzidos nos Estados Unidos e com repercussão mundial, foram elaborados a partir de uma vasta reprodução de depoimentos de experiências sexuais de mulheres e homens. A autora, em decorrência, utilizou estes relatos para confirmações e rejeições de algumas conclusões científicas sobre o prazer feminino e sobre certas noções naturalizadas a respeito da sexualidade masculina. Os relatórios emergiram na continuidade da 2ª onda do feminismo da década de 60, sendo referências no movimento pela igualdade de direitos sexuais entre mulheres e homens. A obra de Hite se apresenta abertamente como uma defesa do prazer orgásmico da mulher, colocando-o como questão política. Partindo do instrumental teórico de Michel Foucault, verifica-se serem, os relatórios, exemplares da prática de uma scientia sexualis que procura instituir uma verdade no sexo e do sexo, utilizando o instrumento da confidência espontânea para legitimar a produção de discursos sobre sexualidade.
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O resgate das lembranças da juventude através da música como meio facilitador para apreensão da sexualidade
Valéria Marta Nonato Fernandes Mokwa, Fátima Aparecida Coelho Gonini, Paulo Rennes Marçal Ribeiro (UNESP)

O tema sexualidade suscita muitos questionamentos entre os escolares e requer dos professores e demais profissionais envolvidos no processo escolar a reconstrução de um olhar ampliado e diferenciado em relação a esse assunto, por meio de conhecimento do seu corpo e da sua sexualidade. Embora a instituição escolar tenha procurado trabalhar à temática através da transversalidade, ainda encontram-se educadores com dificuldade em abordar o assunto. Nesse estudo, utilizou-se a pesquisa qualitativa através de entrevista gravada individualmente e análise temática dos resultados. Procurou-se analisar a compreensão que os educadores têm a respeito da sexualidade, usando-se como ferramenta para a análise de sentimentos a música. O trabalho foi desenvolvido com sete educadores, sendo cinco professores, um diretor e uma coordenadora pedagógica na instituição escolar. Os resultados evidenciaram que os participantes relembraram canções, resgatando suas histórias de vida, verbalizando momentos de emoções e expressando alegrias e decepções. Eles identificaram os significados atribuídos à sexualidade/sexo imersos em preconceitos, tabus, mitos e crenças, relacionados ao sujo, ao feio e ao pecaminoso. Percebe-se que os participantes, evidenciam a música como expressão máxima do corpo e da mente. Todavia, apresentam visão simplista e ingênua sobre sexualidade, revelando despreparo para lidar com a temática, necessitando de espaço para discussão, desconstrução e reconstrução de novos paradigamas sobre a sexualidade e seus desdobramentos.
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Xingamentos: entre a ofensa e a erótica
Valeska Zanello (IESB)

O presente trabalho visa refletir acerca do papel exercido pelos xingamentos na economia psíquica do sujeito. Através de estudos que têm sido realizados com alunos do IESB, através de aplicação de questionários e entrevistas (desde crianças a universitários), chegou-se ao dado de que mais de 50% dos piores xingamentos atribuídos a homens e mulheres (por homens e mulheres), têm cunho sexual, apontando para uma intrincada rede de relações de gênero, que pressupõe uma forma de regramento libidinal patriarcal. O xingamento seria uma espécie de sintoma dessa sociedade, apontando pelo inverso (justamente por ser pejorativo), os valores desejáveis para um sexo e outro. Nas mulheres, esses valores seriam de passividade em relação à sua sexualidade, daí que os piores xingamentos atribuídos tenham caráter de atividade, tais como “puta”, “galinha”, “piranha” e equivalentes. Já nos homens, o desejável seria um comportamento sexual ativo, daí que os xingamentos vistos como piores sejam “viadinho”, “boiola”, “corno”, etc. Xingamentos que apontam para uma experiência de passivização do sujeito. No entanto, através do levantamento de contos eróticos disponíveis na web, pudemos perceber que muitos dos xingamentos utilizados como ofensivos na esfera pública, adquirem o caráter de serem desejáveis e excitantes na esfera privada. A partir do cruzamento das duas partes (dos questionários e dos sites da web), buscamos pensar o funcionamento dos xingamentos na economia psíquica do sujeito, no seu cruzamento entre aquilo que eles têm de revelador acerca das relações de gênero e a constituição do desejo, inscrita sempre numa determinada forma de regramento libidinal.
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Aspectos ideológicos e sócio-psicológicos na construção discursiva das masculinidades em anúncios pessoais eletrônicos
Vitor Hugo Chaves Costa

O discurso é um modo como os indivíduos podem agir sobre o mundo e sobre os outros e um modo de representação (FAIRCLOUGH, 2002). A participação em práticas sócio discursivas pressupõe a utilização de gêneros discursivos/textuais, que são elementos sócio-culturais. Eles são dinâmicos, continuamente em mudança e servem para diferentes propósitos comunicativos socialmente reconhecidos (BATHIA, 2004). Um dos gêneros textuais que vêm se desenvolvendo no meio virtual atualmente é o anúncio pessoal eletrônico. Os anúncios pessoais eletrônicos são caracterizados, principalmente, por um sujeito (anunciante) que procura estabelecer uma relação casual, sexual, séria ou uma amizade com um outro sujeito (leitor/projetado). Neste gênero discursivo, podemos perceber que existem múltiplas representações de masculinidade e de feminilidade, múltiplos modos de ser homem e de ser mulher (LOURO,1999; DUTRA,2003). No presente trabalho, procuramos discutir os aspectos ideológicos e sócio-psicológicos envolvidos na construção discursiva dos diferentes modos de ser homem em anúncios pessoais eletrônicos.
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