fazendo genero 8
 
 
 
 
autores cronograma cultura
inscricoes posters hospedagem
programacao simposio tematico transporte
mini cursos lancamentos contato
 
 
     
 
header apresentacao

Coordenação:
Profa Dra Sandra Caponi
Doutora em Filosofia – UNICAMP, Professora do Filiação institucional: Departamento de Saúde Pública- CCS UFSC

Profa Dra Elza Salema
Doutora em Engermagem- UFSC, professora do Departamento de Saúde Pública- CCS UFSC

Profa Dra Lilia Blima Schraiber
Doutorado em Medicina Preventiva USP, Professora da USP Faculdade de Medicina/ Medicina Preventiva

Pretendemos abrir um espaço de reflexão sobre a violência de gênero contra a mulher perpetrada sobretudo por seus parceiros. Tomando a distinção foucaultiana entre violência e poder e procurando subsídios na distinção analisada por Hannah Arendt entre os espaços do público, como dimensão essencialmente política, e o espaço do privado como aquilo que está oculto ao olhar dos outros, propomos discutir as possibilidades de intervenção das estruturas públicas, em particular o Sistema Único de Saúde (SUS), nas situações de violência doméstica contra a mulher. Estudos epidemiológicos evidenciam que não se trata de fenômeno isolado, mas freqüente e de enormes proporções:153 mulheres mortas na Espanha em 24 meses por seus parceiros e taxas mundiais de violência física entre 10 a 69%, no Brasil de 27 a 34% e encontrando-se nos serviços de saúde do SUS taxas ainda maiores (40%) entre suas usuárias. Nesse sentido, o Simpósio pretende nuclear pesquisas que analisam diferentes dimensões dessa realidade. Dentre elas destacamos trabalhos dedicados à: discussão e divulgação da Lei Maria da Penha; conhecer as representações sociais que as próprias vítimas e os parceiros têm sobre o fenômeno; explicitação do perfil sócio cultural e sanitário da mulher que experimenta a violência; possibilidades e limites para se lidar com o tema nos serviços de saúde e em programas de prevenção, dentre outros. O Simpósio será também um espaço para refletir sobre o modo como reagem os profissionais de saúde e como maximizar intervenções efetivas, dando a possibilidade de oferecer subsídios substantivos às políticas públicas de saúde. Considerando ainda que a violência de gênero e doméstica abrange diversos domínios de estudo, o Simpósio será um foro privilegiado para discutir a produção das ciências humanas e sociais e das ciências da saúde que tenham como alvo essa problemática.

Violência Psicológica: as (in) visíveis seqüelas, no enfoque da Gestalt-terapia
Wanderlea Bandeira Ferreira, Adelma Pimentel

O desvelamento da violência psicológica contra a mulher vem ganhando impulso, principalmente na década de 90, com a luta dos movimentos feministas. Atualmente, a Lei 11.340/2006, ou Lei Maria da Penha, contribui para impedir que os atos e agentes da violência continuem a tratar a mulher de maneira indigna, nessa teia de relações de gênero permeadas pelo poder. Estes panoramas vêm sendo estudados na Universidade Federal do Pará pelo Núcleo de Pesquisas Fenomenológicas, abordagem Gestáltica, através de trabalhos de conclusão de curso e dissertações de mestrado em Psicologia. A Gestalt-terapia é uma abordagem psicológica do contato consciente, cuja intervenção permite ao participante fortalecer o suporte interno e auto-regulação saudável, de modo a superar situações que obscurecem suas funções e fronteiras de contato. Nossa pesquisa-intervenção de base qualitativa é um estudo de caso de um casal, em que o cônjuge provocou o sofrimento psicológico e a desestruturação de sua família. Objetiva: identificar as possíveis seqüelas da violência no psiquismo da mulher; compreender o sentido da vivência para ambos através da psicoterapia breve na abordagem Gestáltica, entendida como uma ação terapêutica focalizada no conflito, visando num curto espaço de tempo facilitar o acesso à consciência na criação de ajustes saudáveis.O contexto de realização é a Delegacia de Mulheres de Belém,Pará. Procedimentos: serão realizadas uma sessão semanal, individual com a mulher e uma com homem por seis meses e uma sessão mensal com o casal. O resultado previsto é o delineamento de um programa de tratamento com a mulher e com o agressor.
PDF

Mulheres enfrentando as violências - a voz dos opressores sociais
Adriana Dewes Presser, Stela Nazareth Meneghel
PDF

Espaços de subjetivação em processos violentos na relação amorosa
Ana Cristina Costa Lima

A sexualidade, sob um olhar biopolítico, integra o simbólico da mulher e de seus possíveis companheiros, homens e mulheres. Se a micropolítica do poder se constitui em relação e não somente no exercício de coerção de um sobre outro (Foucault, 1979/1985), é compreensível que as relações sexuais duradouras sejam ricamente ornadas de símbolos e modos sub-reptícios de comunicação entre parceiros. A comunicação na relação amorosa é muitas vezes repleta de duplos vínculos e chantagens (Watzlawick et al., 1967/1988), onde a atividade sexual e suas formas de realização podem ter significativa vinculação, desse modo tornando-se instrumentos importantes para a compreensão da relação violenta. Pode-se dizer que é um caminho de mão dupla, de amor e ódio, de jogos e atos violentos, inserido em seu tempo, com sua moral e hábitos sociais. Não se pode esquecer, nesse contexto, a liberação sexual dos anos 1960/70, que teria sido normalizada, a posteriori, com instrumentos disciplinares e/ou de controle. Entre eles, pode-se destacar a medicalização da sexualidade (Conrad, 2007), em que se produz a passagem de um tabu para uma naturalização dos comportamentos sexuais. A violência e a não-violência, quando ocorrem no espaço de vida privada, têm sido analisadas pelo discurso de gênero, como também têm sido inseridas nas normas sociais por meio das políticas de direitos humanos. A proposta é articular, assim, biopolítica, medicalização e pragmática da comunicação no campo psi, com um olhar para possíveis hiatos na compreensão do ser-em-relação amorosa e violenta.
PDF

Os atores sociais que atuam no cenário da assistência às mulheres em situação de violência em Ribeirão Preto
Ana Maria de Almeida, Manoel Antônio dos Santos (FFCLRP-USP), Elisabeth Meloni Vieira (FMRP-USP)

O objetivo deste estudo é conhecer a organização e funcionamento dos serviços disponíveis, além da saúde, mapeando a rede de agências e equipamentos sociais que acolhem mulheres em situação de violência. Propõe uma compreensão da inserção do setor saúde nessa rede. Utilizou-se abordagem qualitativa com entrevistas semi-estruturadas a 11 representantes de instituições como Polícia Militar, Delegacia de Defesa da Mulher, conselho tutelar, juízes e promotores da Vara de Infância e Juventude e voluntários de uma ONG. Utilizando a análise de conteúdo, os resultados foram sistematizados em cinco categorias: missão da organização, inserção no fluxo de atendimento, percepção do papel na atenção à mulher em situação de violência, impacto da Lei Maria da Penha e consolidação da rede de assistência. Os resultados indicam que os serviços se desconhecem e há necessidade de articulação. Como conseqüência o fluxo de atendimento é fragmentado e não permite o acompanhamento em todos os níveis, mas nem todos entrevistados concordam. Os representantes da polícia e do judiciário reconhecem a necessidade de uma ótica diferenciada da que utilizam diante de outros delitos e conflitos, considerando a complexidade e especificidade desse fenômeno. Alguns pontuam a dificuldade de inserção em uma área socialmente desvalorizada, na qual poucos profissionais gostam de atuar e “vestir a camisa”. Os dados sugerem a necessidade de maior entrosamento e capacitação para os profissionais, que seria fundamental para articular o trabalho em rede, fortalecendo os direitos de cidadania e assegurando a qualidade dos serviços.
PDF

Direitos reprodutivos e representações sobre o aborto entre os profissionais da estratégia de saúde da família em Chapecó/SC
Catarina Antunes Alves Scaranto, Carmem Mortari

Esta comunicação objetiva apresentar a pesquisa em andamento das representações sobre a prática do aborto em Chapecó dos profissionais da Estratégia da Saúde da Família que em sua atuação interferem e/ou exercem influência na compreensão do aborto como dimensão dos direitos reprodutivos. Dados de estudos feitos no Brasil registrados no Sistema de Informação de Mortalidade-SIM apontam o aborto inseguro como causa freqüente de mortes e hospitalizações de mulheres, com risco de morte e de seqüelas físicas e psicológicas. No Brasil, anualmente morrem em torno de 2 mil mulheres e 38 mil recém-nascidos por complicação na gravidez, aborto, parto ou pós-parto. Essa problemática aponta para a necessidade de aprofundar estudos relativos à saúde pública, assim como sobre a efetivação dos direitos reprodutivos no Brasil. Diante desta realidade, é necessário investigar como a problemática do aborto é concebida pelos profissionais que integram a Estratégia de Saúde da Família, das Unidades Básicas de Saúde do Município. Quer-se identificar, a compreensão que esses profissionais têm a respeito da problemática do aborto, como questão de saúde pública, visando a garantia da atenção integral expressa na Política Nacional de Saúde. É um estudo de caráter exploratório-descritivo, com abordagem qualitativa, utilizando o Método do Discurso do Sujeito Coletivo-DSC.
PDF

Dados e sentidos: análise de uma experiência no enfrentamento da violência contra a mulher à luz da perspectiva feminista brasileira
Concepcion Gandara Pazo, Adriana Cavalcanti de Aguiar

Este trabalho analisa a estratégia adotada por uma Ong feminista do interior do Estado do Rio de Janeiro, o Ser Mulher, no enfrentamento da violência contra a mulher. A estratégia compreende a implantação de um Serviço telefônico anônimo, denominado Disque-Mulher e a composição da Rede Multisetorial de Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência (REMUV). A análise busca identificar, no banco de dados resultante dos registros telefônicos, a percepção e a atribuição de significados das usuárias do Disque-Mulher em relação as suas vivências de violência conjugal. A perspectiva analítica alinha-se a um grupo de pesquisadoras que focam a atenção em descrever e refletir sobre as representações femininas acerca da violência retratadas através da divisão das estudiosas que representam a mulher como vítima ou cúmplice da violência e as que salientam a não universalidade da experiência feminina diante das agressões, valorizando aspectos singulares das mulheres agredidas. São utilizadas duas fontes de dados: os 1274 registros telefônicos de um banco de dados maior, delineando o perfil sócio-econômico-cultural das usuárias e 413 registros que fazem parte do banco maior e foi estruturado após mudanças na forma de realizar o registro e que contém informações de caráter qualitativo, permitindo problematizar os impasses das usuárias frente ao desejo expresso de separarem-se de cônjuges violentos. Os resultados da pesquisa apontam para a necessidade de categorização e sistematização das informações além da importância em refletir sobre as categorias prevalentes identificadas nos relatos, estabelecendo relações entre as subjetividades masculinas e femininas e o engendramento da violência conjugal.
PDF

Atendimento a homens autores de violência contra mulher e dimensão de gênero: um estudo qualitativo sobre a percepção de profissionais de saúde
Daniel Cardoso da Costa Lima

O presente trabalho foi realizado tendo em vista o compromisso do Estado brasileiro em eliminar a violência doméstica e familiar contra a mulher e a promulgação da Lei 11.340/06. A investigação, de natureza qualitativa, foi realizada em um programa de prevenção e atenção à violência doméstica e familiar de um município de Santa Catarina, que desenvolve, desde 2004, intervenções pioneiras voltadas a homens autores de violência. O objetivo do trabalho foi identificar como os profissionais que atuam nesse programa compreendem o envolvimento de homens autores de violência contra a mulher, assim como o uso da dimensão de gênero nesse contexto. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com seis profissionais, sendo suas falas contextualizadas a partir do método hermenêutico-dialético, o que revelou dois eixos e cinco categorias de análise. As categorias do eixo “percepção sobre os homens autores de violência” foram: 1) Espaço de atenção, fala e cuidado: direito também dos homens; 2) Vítimas e agressores: papéis cambiáveis e 3) A culpabilização das mulheres. As categorias do eixo “percepção sobre a dimensão de gênero” foram: 1) Sofrimento masculino e 2) Atuando com a dimensão de gênero. A investigação indica que a principal justificativa para o trabalho com esses homens recai sobre o reconhecimento da raiz relacional dessa violência, sendo assim necessário atuar com homens e mulheres. O uso da dimensão de gênero, por outro lado, geralmente foi resumido à descrição de diferenças entre homens e mulheres, perdendo os sentidos atribuídos pelas teorias feministas.
PDF

Violência contra a mulher: a percepção dos médicos do serviço público de saúde de Ribeirão Preto, São Paulo
Fernanda Garbelini de Ferrante, Elisabeth Meloni Vieira; Manoel Antônio dos Santos

A violência de gênero, fenômeno complexo e de alta prevalência no Brasil, se configura como um problema de saúde pública. Mulheres nessa situação buscam os serviços de saúde, não apenas para tratar lesões, mas com sintomas e queixas crônicas. Entretanto, os médicos apresentam dificuldades para manejar esses casos. Com o objetivo de conhecer a percepção e conhecimento dos médicos sobre a violência de gênero, realizamos uma pesquisa qualitativa, utilizando entrevistas semi-estruturadas com 14 médicos que atuam nos serviços públicos de saúde. Recorremos à análise de conteúdo temática e como referencial teórico utilizamos as teorias de gênero por considerarmos que a violência doméstica deve ser compreendida sob essa perspectiva. Segundo os entrevistados, a mulher conquistou sua liberdade e independência sexual, mas a hegemonia masculina ainda é presente. A violência ocorre devido às desigualdades que regulam a sociedade e acabam por justificar os eventos como atitudes educativas e punitivas. Alguns profissionais detêm conhecimentos sobre os tipos de violência, são capazes de identificar, acolher essas mulheres e conhecem os procedimentos dos atendimentos e encaminhamentos. Entretanto, outros muitas vezes ignoram os casos, por não acreditarem que seja de sua responsabilidade ou devido barreiras que dificultam ou impedem sua atuação. Verificamos a existência de uma invisibilidade institucional do fenômeno da violência, que prejudica a qualidade do serviço prestado às mulheres. Por fim, destacamos a importância do desenvolvimento de treinamento e capacitação voltados para os profissionais de saúde e chamamos a atenção dos gestores para desenvolver estratégias que contribuam para tornar a violência de gênero visível.
PDF

Permanência da Mulher no Vínculo Conjugal em situações de Violência
Flávia Bascuñán Timm, Tatiana Santos

O tema violência conjugal, objeto de um estudo-intervenção realizado no Programa Margarida entre janeiro e março de 2008, aponta que novas ações e fontes de produção de saber precisam ser repensadas. Diferentes teorias (Feminista, Psicológica, Antropológica, Sociológica) já evidenciaram as relações de poder e os padrões de relacionamentos androcêntricos envolvid@s nas relações de gênero, mas como aplicar a teoria e o que implica um trabalho como esse? Ainda falta calcar caminhos que afinem teoria e prática, principalmente a disposição dos profissionais em compreender a teoria feminista e a manutenção do patriarcado nas reproduções dos papéis sexuais, que define corpos, submete almas e estabelece formas de se relacionar desiguais e hierárquicas.
Neste projeto buscamos tal afinação seguindo a indagação: Por que mulheres continuam vinculadas aos companheiros mesmo com agressões verbais, psicológicas, físicas?
Reunimos em grupo seis mulheres que vivenciam ou vivenciaram situação de violência conjugal . Realizamos dez encontros temáticos, a partir do método qualitativo com a narrativa livre, por meio de depoimentos em grupo.
O resultado da pesquisa foi à expressão viva do sofrimento, de sentimentos e de mudança da auto-imagem na medida em que uma visão de desvalorização de mulheres entrava em confronto com a valorização de si pela narrativa/escuta construída num espaço de confiança, cura e luta.
PDF

O agir da mãe frente à violência sexual doméstica contra criança e adolescente: uma análise das relações sociais de gênero
Francléia de Nazaré Corrêa Silva

Nesta pesquisa, trabalhou-se com o conceito construído a partir da revisão bibliográfica e do trabalho desenvolvido pela pesquisadora, apontando que a violência sexual é também construída sob a perspectiva de gênero. Nosso pressuposto é de que o agir da mãe diante da suspeita ou confirmação de abuso sexual é motivado pelas relações sociais de gênero, permeadas, sobretudo, pela relação de poder. Assim, objetivamos investigar e analisar a influência das relações sociais de gênero no fenômeno da Violência Sexual Doméstica, estudando o agir da mãe diante da suspeita ou denúncia de violência sexual envolvendo criança ou adolescente e o seu parceiro, como vítima e abusador, respectivamente. Procuramos identificar ainda, os fatores que poderiam motivar ou interferir na percepção da violência sexual por parte da mãe. O sujeito da pesquisa foi definido como sendo mulheres, mães, cujas filhas – crianças ou adolescentes – tenham sido vítimas de violência sexual doméstica, praticadas pelo pai ou padrasto. A técnica de coleta de dados escolhida foi a entrevista e para análise dos dados, trabalhou-se com as seguintes categorias de análise: negação da existência do abuso sexual incestuoso e relações de gênero. A construção social do papel definido para a mulher influencia suas concepções de vida, de mãe, de mulher, de filha, de esposa. Essa mulher precisa resgatar a sua identidade de mulher, de mãe, entender todo o processo da violência e mais, precisa auxiliar a sua filha nesse resgate da auto-estima.
PDF

Mortalidade feminina por homicídio segundo cor: o caso de São Paulo
Jackeline Ap. Ferreira Romio

A pesquisa pretende contemplar o estudo quantitativo e qualitativo da mortalidade feminina por homicídio segundo diferencial de cor, considerando as dimensões sociais deste fenômeno e seus contextos específicos no caso da cidade de São Paulo. O objetivo será o desenvolvimento de estudo integrado entre mortalidade feminina e violência contra a mulher na perspectiva de raça, classe e gênero. Discutindo métodos analíticos e fontes de pesquisa envolvidas no estudo empírico da mortalidade feminina por causas violentas.
PDF

Diferentes narrativas sobre a violência de gênero em Joinville/SC
Janine Gomes da Silva

Torna-se cada vez mais importante estudos que tematizem a violência de gênero. No caso da cidade de Joinville, localizada no nordeste de Santa Catarina, no tocante as questões de gênero, as informações na área da saúde são lacunares, todavia, ao conversar com os profissionais que atuam em diferentes instituições podemos perceber a importância de conhecer esta realidade e, principalmente, tornar estas histórias conhecidas, para que, de maneira mais efetiva, a chamada violência de gênero, tanto a doméstica, quanto a sexual, possa ser melhor enfrentada. Desta maneira, por intermédio do projeto de pesquisa “Gênero, saúde e violência: diferentes narrativas sobre a violência contra as mulheres em Joinvile”, financiado pela UNIVILLE e pela FAPESC, procuramos tematizar a violência de gênero, verificando as informações presentes na documentação das instituições ligadas a área da saúde de Joinville, e, especialmente, ouvindo, com o aporte da metodologia da história oral, mulheres vítimas de violência e os profissionais que atuam nesta área. Em relação à área da saúde, a pesquisa contou com informações das unidades da Secretaria da Saúde de Joinville, principalmente do Centro de Testagem e Aconselhamento.
PDF

Mujuer y cultura alimentari em los embera eyabida de Nusidó Colômbia.
Johana Santa M., Aída Gálvez A

Los indígenas embera de la comunidad de Nusidó, localizados en las montañas del occidente colombiano, tradicionalmente han obtenido sus alimentos mediante combinación de cacería, pesca, recolección, cultivo de maíz y plátano; secundariamente, de la cría de cerdos y aves de corral. La dieta incluye artículos alimentarios exógenos, adquiridos en poblaciones vecinas como el aceite, sal, azúcar, panela, arroz, entre otros. En el proceso alimentario participa toda la familia, anteriormente las mujeres se ocupaban del cuidado, recolección y trasporte del plátano; también de la preparación de los alimentos con lo cual la cocina se configuró como un espacio netamente femenino. Por su parte los hombres obtenían las presas de caza y pesca, y se ocupaban de la siembra del plátano y del maíz. En la actualidad, las dinámicas descritas anteriormente están modificándose debido a las críticas condiciones de permanencia del pueblo embera en su hábitat: procesos de colonización, extinción de cotos de caza y pesca, cambios en el territorio, transito hacia una economía monetaria, conflicto armado. Esta comunicación analiza el impacto del madresolterismo sobre la seguridad alimentaria de mujeres y niños/as que es vulnerada cuando los hombres jefes de hogar marchan hacia otros territorios en busca de trabajo, ya que las mujeres tienen que asumir el abastecimiento de víveres, para ello las mujeres viven un transito entre la agricultura y el trabajo artesanal o de modistería; no obstante, en la mayoría de los casos no se suple las necesidades alimentarias y nutricionales repercutiendo en su salud y la de sus hijos/as
PDF

Do macro ao micro: A tradução do feminismo e das políticas públicas nas interações médico-paciente em consultas ginecológicas e obstétricas
Joseane de Souza, Ana Cristina Ostermann e Caroline Rodrigues da Silva

O presente trabalho analisa dados coletados em consultas do Sistema Único de Saúde, mais especificamente, interações entre médicos e pacientes mulheres em consultas ginecológicas e obstétricas. Através de uma perspectiva discursiva, pretendemos demonstrar como as relações de gênero e saúde da mulher ficam evidentes na fala dos/as interagentes e como são tratadas pelos/as participantes do evento. Objetivamos contribuir para o entendimento do papel dos estudos feministas nas políticas públicas e seu impacto (ou não) nas consultas médicas ginecológicas, visto que constituem um dos momentos mais suscetíveis à assimetria e às relações de poder. Para realizar esta análise, nos valeremos da perspectiva teórica da Análise da Conversa de base etnometodológica (SACKS 1992; TEN HAVE 1999), que “caracteriza-se por buscar compreender os métodos utilizados pelos próprios atores sociais enquanto desempenham seus diferentes papéis” (OSTERMANN e SILVA, 2006). A interlocução entre o paradigma apresentado e as possibilidades de análises de interações médicas já vem sendo bastante empregada internacionalmente (BARNES, 2005; MAYNARD & HERITAGE, 2005; WEIJTS, HOUTKOOP & MULLEN, 1993), bem como dentro de uma perspectiva feminista (WEST, 1998; SPEER, 2002; KITZINGER & FRITH, 1999).
PDF

Aspectos da gravidez na adolescência no estado de Santa Catarina; um recorte dos anos 2000 e 2005
Juliano Tibola, Luzilena de Sousa Prudêncio Rohde, Patrícia Vieira Martins, Evandro Russo, Evelise Cristina Vieira Ferreira, Josimari Telino de Lacerda

O objetivo desse trabalho é analisar o comportamento da gravidez na adolescência no Estado de Santa Catarina nos anos de 2000 e 2005. Realizou-se um estudo descritivo com amostra constituída por todos os nascidos vivos, no estado de Santa Catarina, com mães de idade inferior a 35 anos, em 2000 e 2005, registrados no DATASUS e SINASC. As variáveis estudadas foram: local de moradia, grau de escolaridade da mãe, número de consultas no pré-natal, idade gestacional, tipo de parto, peso ao nascer e Apgar no 5º minuto. Para análise estatística utilizou-se o teste do Qui-quadrado de Pearson, com nível de significância de p<0,05. Estimou-se a razão de prevalência e o intervalo de 95% de confiança. Os dados evidenciaram a condição da gravidez precoce no Brasil e em Santa Catarina com disparidades regionais. Dentre aspectos do nascimento analisados os relacionados a tempo gestacional, peso ao nascer e Apgar no 5º minuto não apresentaram diferenças significativas entre 2000 e 2005. A gestação precoce está associada à baixa escolaridade (p<0,001), assistência pré-natal insatisfatória (p<0,001), prematuridade (p<0,001), via de parto vaginal (p<0,001), baixo peso ao nascer (p<0,001), e baixas condições de vitalidade (p<0,001). A importância da adoção de medidas emergenciais de redução da gravidez na adolescência em Santa Catarina é reafirmada. A forte associação entre gestação precoce e aspectos negativos do nascimento, acrescido do observado quadro de permanência dos percentuais destes aspectos adversos entre 2000 e 2005 e sua relação com aumento da taxas de mortalidade infantil, comprovada na literatura, justificam a urgência indicada.
PDF

Violência silenciosa: violência psicológica como condição da violência física doméstica
Luciane Lemos da Silva

Trata-se de reflexão sobre a violência doméstica, com especial enfoque na violência psicológica. Esta se desenvolve como um processo silencioso, que progride sem ser identificado, deixando marcas em todos os envolvidos. Pela sua característica, a violência psicológica no interior da família, geralmente, evolui e eclode na forma da violência física. Com base neste entendimento destaca-se a importância de identificar as violências sutis que ainda se encontram em estágio embrionário. No entanto, aponta-se como um grande problema a dificuldade na identificação da violência psicológica doméstica, em razão de esta aparecer diluída em atitudes aparentemente não relacionadas ao conceito de violência.
PDF

Comunidades Quilombolas e o Direito À Saúde: Percepção das Mulheres quanto ao Acesso à Assistência Pré-natal.
Luzilena de Sousa Prudêncio Rohde, Marta Verdi

Trata-se de uma pesquisa qualitativa que busca analisar, a luz da Bioética, os discursos produzidos por mulheres quilombolas acerca do acesso a assistência ao pré-natal nos serviços de saúde como direito de cidadania. A coleta de dados foi realizada através de entrevistas semi-estruturadas com 18 mulheres residentes em um Quilombo no Estado do Amapá. No processo de analise foi utilizada a técnica de análise de conteúdo que resultou em seis categorias analíticas. Acesso ao pré-natal como governo de si, obrigação ou direito; acesso à assistência pré-natal: caminhos percorridos, serviços indisponíveis ou exclusão social; assistência pré-natal na comunidade quilombola: utopia, realidade e dificuldades enfrentadas; saberes culturais e modelo biomédico sob a ótica das mulheres do curiaú: as parteiras e o serviço de saúde; a função dos gestores sob a ótica das mulheres; comunidades quilombolas e o direito à saúde. Esse estudo proporcionou-nos conhecer a realidade de quilombolas, ainda distantes da garantia dos direitos de cidadãos, em especial o direito à saúde, através do acesso à assistência pré-natal, constatando a necessidade de políticas públicas que corrijam essas iniqüidades praticadas a esses povos
PDF

Os motivos do adiamento da denúncia de mulheres vítimas de violência conjugal
Patrícia Alves de Souza

Este trabalho trata da violência conjugal, uma das violências mais praticadas e menos reconhecidas. Lidar com esta problemática adequadamente requer, além da intervenção de diferentes profissionais e de instituições distintas, o aprofundamento de sua compreensão para, a partir disto, buscar sua superação. A presente pesquisa objetivou, a compreensão dos possíveis motivos que levam as mulheres a permanecer em uma relação conjugal como sujeitos que mantêm-se submissos com relação a violência que sofrem. O CEVIC (Centro de Atendimento de Vítimas de Crime) foi o local escolhido para o desenvolvimento do trabalho. Foram realizadas reuniões em grupo com mulheres vítimas de violência física conjugal. A metodologia de investigação foi qualitativa, através do grupo focal e de entrevistas abertas e semi-estruturadas. Sobre as entrevistas foi feito análise de conteúdo. Observou-se que a mulher vítima de violência mantém-se em um relacionamento violento devido à falta de apoio emocional da família e amigos; o medo de novas agressões, ameaças de morte contra ela e os filhos, a dependência financeira, não parecem ser fatores fundamentais, pois, muitas mulheres agredidas fisicamente são as provedoras do lar. PDF

A Medicalização da Beleza
Paulo Poli Neto

A valorização da aparência física é acompanhada do crescimento de uma medicina da beleza. Nesse estudo investiga-se como a Cirurgia Plástica Estética aborda o tema da aparência por meio da análise de discurso das revistas Aesthetic Surgery Journal e Aesthetic Plastic Surgery, em 2003 e 2004. Três categorias foram analisadas: como define seu objeto de estudo; em que padrões de beleza baseia a intervenção; e como explica a demanda pela cirurgia. A racionalidade que sustenta esse discurso é a biomédica, que se estrutura em torno de uma teoria das doenças e de uma construção dual entre normal e patológico. Os padrões de beleza são construídos a partir de normas biológicas e de estudos antropométricos e não de normas sociais de beleza. A motivação para as intervenções estéticas proviria de uma baixa auto-estima, naturalizada, resultante da desconformidade do corpo em relação às normas. No sentido emprestado à medicalização nesse estudo, conclui-se que há uma apropriação de variações ou anomalias da aparência física pela racionalidade biomédica, o que permitiria discursar sobre o tema em termos de saúde/doença, normal/patológico.PDF

Ação profissional na saúde e a violência contra mulheres
Sandra Lourenço

Este trabalho analisou algumas das estratégias de enfrentamento da violência contra mulheres, tendo como recorte analítico a operacionalização de ações dos profissionais da saúde pública. Objetivou-se neste estudo analisar o modo de pensar e de agir dos profissionais que atuam na saúde pública, no que toca à violência conjugal contra mulheres. Utilizou-se a abordagem qualitativa viabilizando condições para a compreensão do modo de pensar como imanente às ações dos sujeitos sociais, foco desta pesquisa. Optou-se por alguns instrumentos de coleta dos dados, tais como a observação participante, a entrevista e a análise documental. As intervenções desses trabalhadores não colocaram em relevo a necessidade de superação da dominação-exploração baseada na classe, etnia/raça e patriarcado, o que implicou no não enfrentamento da violência doméstica conjugal e no não atendimento das reais demandas apresentadas pelas mulheres que a sofrem. Para o enfrentamento da ordem patriarcal de gênero e de suas formas de materialização como a violência doméstica contra mulheres, são fundamentais a elaboração e execução de políticas públicas e a dotação orçamentária no âmbito Federal, Municipal e Estadual. É necessário que sejam criados e implementados serviços de apoio e proteção e que se busquem coletivamente a superação dos limites institucionais e das condições objetivas postas ao trabalho profissional. Além disso, é preciso que a formação profissional esteja comprometida com a apreensão crítica da realidade e com a perspectiva de gênero. PDF

A Influência do Ciúme na violência doméstica
Shahla Costa Othman

A violência doméstica é um problema que atinge milhares de pessoas, muitas vezes de forma dissimulada e silenciosa. Trata-se de um problema que acomete ambos os sexos e não obedece nenhum nível social, econômico, religioso ou cultural, mas, uma característica do que vive e do que se vê nas relações básicas. Algumas vivências são importantes como a relação com os pais, a relação entre os pais e a forma com que esta criança participa destas relações. Estas experiências iniciais também podem definir como o individuo se comportará, como compreenderá um casal e as escolhas que ele irá tomar num relacionamento. A violência doméstica contra a mulher é um problema sério e se torna ainda mais por ser difícil de ser identificada em alguns casos como, por exemplo, as violências domésticas velada, que pode incluir diversas práticas como violência verbal ou psicológica contra o parceiro. O presente trabalho, portanto, se propõe suscitar reflexões acerca dos padrões de comportamento que podem levar um cônjuge a cometer um ato de violência, baseado na hipótese de que este comportamento tem como desencadeante o sentimento de ciúme que é proveniente da instabilidade do casal e baixa auto-estima dos parceiros. Dentro da perspectiva sistêmica, abordar-se-á a influência da estrutura familiar na formação das escolhas do individuo, de como ele vê o mundo e de que forma analisa o sistema no qual está inserido, observando como a relação com os pais e dos pais pode ter contribuído para deixar registrada a conduta da pessoa.PDF

Violência psicológica ou desigualdade de gênero? práticas discursivas, gênero e sofrimento emocional
Stela Nazareth Meneghel

Este artigo analisa a violência psicológica nos discursos dos participantes da pesquisa Rota Crítica de mulheres no enfrentamento da violência. O estudo foi realizado em um município da região metropolitana de Porto Alegre. A abordagem é qualitativa e os dados foram coletados por meio de entrevistas com 15 mulheres em atendimento devido às violências e grupos de discussão com 50 estudantes de um programa noturno de educação de adultos. A violência psicológica apareceu nos depoimentos de todas as participantes. Os homens não consideram a violência conjugal um problema e reproduzem práticas agressivas para controlar o comportamento das mulheres. As mulheres referiram intenso sofrimento emocional decorrente das violências, cujos efeitos se fazem sentir nos corpos, através de depressão, ansiedade, medo, obesidade e dificuldade de cuidarem de si mesmas. A violência psicológica resulta da desigualdade de gênero mantida na sociedade pelo sistema patriarcal.
PDF

A violência contra as mulheres no Rio de Janeiro: uma análise sobre os padrões de violência a partir dos dados do Disque-Denúncia
Suzana Cavenaghi (ENCE/IBGE), Daniele Santos Machado, Ismenia Blavatsky

O Disque-Denúncia, um serviço criado no Rio de Janeiro, que recebe ligações de caráter anônimo sobre qualquer ato ilegal, mostrou crescente denúnica de atos de violência contra as mulheres, culminando na implementação do DD-Mulher, uma extensão do serviço já implantado. O objetivo deste trabalho é conhecer os padrões dos tipos de violência perpetrada (sexual, física, verbal, cárcere, etc. e combinações destas) através das denúncias feitas, além de conhecer as características sócio-demográficas das vítimas. Através da técnica de modelos log-lineares o estudo mostra, entre outros resultados, que os padrões de violência estão, em geral, associados à ocorrência de violência física que continua sendo, ao lado de violência verbal e ameaça, os casos mais denunciados de violência contra a mulher. O estudo constata, com significância estatística, que para os casos denunciados no DD Mulher, o ato da violência é praticado por agressores que possuem um relacionamento amoroso com a vitima e entre suas características associadas estão a presença do o uso de álcool ou drogas e um período transcorrido de mais de um ano até o ato da denúncia. São disponibilizadas as medidas de riscos relativos associados às variáveis vinculadas à ocorrência dos padrões de violência analisados. Adicionalmente, é feita uma discussão sobre os dados necessários para o entendimento da violência contra as mulheres e uma proposição de novos dados a serem coletados no DD-Mulher, essenciais para o desenho e implementação de políticas públicas adequadas para a redução da violência contra as mulheres, sempre dentro de um marco teórico sobre direitos humanos.
PDF