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Coordenação:
Profa. Dra. Marília Gomes de Carvalho, UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná; PPGTE- Programa de Pós-graduação em Tecnologia

Profa. Dra. Maria Margaret Lopes, PAGU; IGE – UNICAMP- Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas; Sub-secretaria de Articulação Institucional  da SPM- Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres

Dra. Maria Rosa Lombardi, Fundação Carlos Chagas de São Paulo

Historicamente, o acesso à ciência e à tecnologia como conhecimento e sua prática profissional e acadêmica estiveram e estão associados ao poder, ao prestígio e à esfera do masculino. Apesar da democratização do acesso ao ensino superior no país, as estatísticas disponíveis da educação e do trabalho, indicam as áreas científicas e tecnológicas como “núcleos duros” ou áreas de maior resistência à assimilação das mulheres. Repetidos resultados de pesquisas vêm sinalizando para dinâmicas heterogêneas internamente àquelas áreas, o que nos instiga a olhá-las em profundidade,  focalizando os processos de feminização e masculinização, as  relações sociais de gênero e suas interfaces com outras relações sociais, especialmente, as de poder. Interessa conhecer os processos de feminização em curso na educação e no trabalho científico e tecnológico, as representações sociais sobre ciência, tecnologia e gênero, o sentido das ações e das motivações dos homens e mulheres que produzem (e  experimentam) ciência e tecnologia. Interessa também revelar as relações sociais  que homens e mulheres  produzem e reproduzem, no cotidiano das suas trajetórias profissionais e acadêmicas, as  relações de poder,  os conflitos e consensos, os limites entre o possível e o desejável.
Assim, são bem vindos artigos que:

  • privilegiem análises estatísticas longitudinais sobre as dimensões  educação e trabalho em ciência e tecnologia (Fontes sugeridas: INEP; M T E; IBGE);
  • relatem resultados de pesquisas etnográficas e de estudos de caso;
  • teçam reflexões históricas sobre as dimensões de gênero em ciências e tecnologia;
  • apresentem “estados da arte” das pesquisas e da bibliografia, sintetizando padrões de gênero recorrentes;
  • enfoquem processos de masculinização ou feminização em especial, nas engenharias e entre tecnólogos.

 

Violências de gênero nas ciências
Betina Stefanello Lima

Este artigo apresenta uma reflexão sobre as violências sofridas e relatadas pelas cientistas entrevistadas a partir das bibliografias de gênero e feminista. As violências foram divididas em duas grandes classificações, não-excludentes: sexismo automático e sexismo direcionado. O sexismo automático trata de ações tão sutis e incorporadas pela cultura que podem facilmente passar desapercebidas, refere-se às atitudes arraigadas e pouco questionadas pelos costumes. O sexismo direcionado refere-se a um dos recursos disponíveis para garantir hierarquia, dispositivo útil acionado para retirar autoridade dos corpos de mulheres e do feminino. A elaboração destes conceitos foi possível por meio da análise dos relatos de pesquisadoras da área de fisica no trabalho de campo feito por meio de entrevistas semi-estruturadas com pesquisadoras em física e da observação participante no Congresso Internacional: Second Iupap Conference on Women in Physics.
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Mapeando e refletindo a construção do campo disciplinar “Estudos feministas da ciência e da tecnologia” no Brasil nos percursos do “Fazendo Gênero”
Carla Giovana Cabral

A construção de um campo disciplinar é complexa e envolve inúmeros fatores, dentre os mais importantes considero os contextos locais e globais, a circulação de conhecimentos e a publicação em periódicos e eventos científicos. Os estudos feministas da ciência e da tecnologia no Brasil tem se constituído a partir da segunda metade do século XX nos diálogos entre várias disciplinas. Herdeiro dos estudos sociais das ciências, esse campo encontrou inicialmente um território propício dentre pesquisadores do campo de história das ciências. Essa apropriação foi gradativamente assumindo uma nova perspectiva a partir da incorporação da categoria gênero nesses estudos (LOPES, 1998). Algumas disciplinas como a sociologia do trabalho, a educação e a educação científica e tecnológica (reconhecida no Brasil como área de ensino de ciências) têm utilizado a categoria gênero em suas pesquisas, articulando-a com suas tradições discursivas teóricas e históricas. Neste trabalho, farei um mapeamento dos resumos de trabalhos apresentados entre 2002 e 2006 no Seminário Internacional Fazendo Gênero, tentando mapear e refletir sobre como tem se dado no País a constituição do campo estudos feministas da ciência e da tecnologia e o diálogo entre as áreas que o constroem. Buscarei localizar em que disciplinas esses trabalhos são realizados, seus objetos de estudo, como a questão da subjetividade é tratada e quais são as dinâmicas de circulação de conhecimento, tendo como perspectiva a construção social da ciência em sua articulação com a categoria gênero.
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Diferenças de gênero no campo da ciência: um ensaio de análise sobre a presença feminina no CNPq
Fabiane Ferreira da Silva e Paula Regina Costa Ribeiro

Este artigo refere-se à tese de doutorado que desenvolvemos no PPG em Educação em Ciências (FURG/UFRGS/UFSM), com o objetivo de investigar a participação das mulheres no campo da Ciência, tendo como base a FAPERGS e o CNPq. No Brasil, a institucionalização da ciência faz parte da história recente de um país que teve suas bases na sociedade patriarcal, escravocrata, onde a maioria das mulheres era excluída do processo educacional. Atualmente, é possível perceber o aumento significativo do número de mulheres nas universidades, contudo, elas ainda representam uma parcela reduzida da comunidade científica. Neste trabalho, realizamos um ensaio de análise acerca das questões de gênero nas áreas de Ciências Biológicas e Ciências Exatas e da Terra, a partir dos dados disponibilizados pelo Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil/CNPq. Com relação ao número de mulheres que possuem investimentos em bolsas por área de atuação no país, elas são maioria na Química (1.127,8 mulheres e 952,3 homens) e na Biologia Geral (208,7 e 105,2 respectivamente). A diferença é crescente no campo da Física, pois 1.251,3 homens possuem bolsas para 342,9 mulheres. Esses dados apontam que as mulheres têm participado cada vez mais das atividades de C&T no Brasil, entretanto, elas ainda não avançam em cargos e posições de destaque, tais como, ser contemplado/a com bolsa de pesquisador do CNPq ou participar de comitês assessores da área das agências de fomento ou outros comitês representativos. Para a análise e discussões estabelecemos conexões com os Estudos Culturais e Estudos Feministas, nas vertentes pós-estruturalistas.
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Entre o feminismo e o “Caso Marie Curie”: como pensar gênero com a radioatividade
Gabriel Pugliese

O intuito desse paper é fazer uma leitura do “Caso Marie Curie” sob um registro antropológico. Espero fazer a singularidade das relações que compuseram tal agenciamento ressoar para a discussão entre Gênero e Ciência, proposta especialmente pelos Estudos Feministas da Ciência. Mostrar alguns impasses de como a teoria gênero foi mobilizada para dar conta dos problemas levantados nesse complexo campo de estudos é meu objetivo argumentativo – um exemplo é a dificuldade de se estudar a Física, enunciada por Keller e Longino. Para isso, reafirmo a composição singular do "Caso Marie Curie" torna inseparável dois domínios: tanto o envolvimento das relações de gênero na produção científica, quanto o envolvimento da ciência nas relações de gênero. A idéia é apresentar a maneira singular de como Marie deslocava as barreiras de gênero exercidas pela comunidade científica enquanto “provava” a existência dos elementos radioativos. No entanto, o foco se dirigirá para como a radioatividade faz essas mesmas relações de poder gaguejarem, mudando-as de sentido. Gostaria de explorar como a radioatividade pode ajudar a pensar as relações de gênero, problematizando algumas pautas feministas na medida em que as relações de poder fizeram-me respeitar o devir que o ofício da cientista pôs em cena: a radioatividade”.
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Relações de gênero e produção científica de pensadoras da Embrapa I
Maria de Cléofas Faggion Alencar; Gilberto Nicolella

Para concluir a primeira etapa da análise do perfil das pensadoras da Embrapa de modo a descrever em estudo exploratório as relações de gênero e a produção científica indexada de pensadoras (Pesquisadoras I, II, III) em agropecuária na Embrapa desde a sua criação (1973), procedeu-se a coleta de dados para a caracterização etnográfica e os procedimentos para análise dos dados da produção científica indexada de pensadoras de três unidades distintas da Embrapa. Para analisar e comparar o trabalho das pensadoras da Embrapa de modo a descrever em estudo exploratório as relações de gênero nesta instituição, estabeleceu-se alguns procedimentos estatísticos processados em SAS onde S=sexo, PQ=número representativo do pesquisador, AGR=ano da graduação, ADR=ano de término do doutorado, BDPA=número de ocorrências encontradas na base BDPA, WS=número de ocorrências encontradas na base WofS, CIT=número de citações indicadas em cada um dos registros bibliográficos para um determinado pesquisador, TIT=título do periódico do registro bibliográfico, ANO=ano de publicação do registro bibliográfico, FI=fator de impacto do título do periódico indicado no relatório JCR2006 e registrado no Portal da CAPES. As perguntas formuladas de modo a responder alguns dos objetivos específicos da pesquisa estão relacionadas abaixo: 1. Diferença entre os anos da formação da graduação e do doutorado (AGR) (ADR) – variável; ANODIF=ADR-AGR; 2. Diferença entre o número de registros na BDPA (BDPA) e número de registros no Web of Science (WS); DIFPU=BDPA-WS; 3. Diferença entre o ano do doutorado (ADR) e o ano das publicações (ANO) – variável; DIFADR= Ano-ADR; 4. Número de títulos de periódicos diferentes (TIT) e fator de impacto (FI) por sexo; 5. Ano de término do doutorado (ADR) versus número de registros no Web of Science (WS); 6. Número de citações (CIT) por registro (TIT) – título de periódico – e fator de impacto (FI) por sexo; Table CIT* TIT; 7. Número total de citações (CIT) por (DIFADR) por sexo.
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Gênero, produção científica e institucionalização das ciências no Brasil ( 1940-1960)
Nara Azevedo, Luiz Otávio Ferreira. Moema Castro Guedes

As experiências de educação feminina em nível superior, proporcio na daspelas políticas educacionais implantadas a partir da década de 1930,promoveram a inserção profissional de mulheres no mundo acadêmico e científico. Largamente negligenciada na historiografia brasileira das ciências, a análise desse fenômeno lança uma nova perspectiva sobre o sentido da institucionalização e profissionalização da atividade científica, processo no qual as mulheres atuaram efetivamente. Procuramos identificar sua presença ali, por meio da análise da produção científica presente em quatro revistas, no período entre as décadas de 1940 e 1960,evidenciando-se diferenças de sexo quanto ao padrão de publicação.Palavras-chave: produção científica feminina; gênero e ciências; educação feminina; universidades no Brasil; faculdades de filosofia, ciências e letras.
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Gênero e ciência: relevância e contemplação da temática no cenário brasileiro
Silvana Maria Bitencourt

A presente pesquisa teve como objetivo principal mapear as principais referências bibliográficas que têm sido atualmente indicadas nos sites oficiais e não oficiais sobre o tema “Gênero e Ciência”. Posteriormente foi-se criado um banco de dados para sistematizar os textos indicados com maior freqüências nos sites consultados, objetivando então; um dossiê final sobre a temática gênero e ciência no Brasil. Verificou-se que a inespressiva ocorrência de textos nacionais sobre a temática “Gênero e ciência” indicam a relevância e a necessidade por novos estudos dentro dos estudos de gênero e seus temas decorrentes. Mas, também esta inexpressividade revela algumas limitações que tem enfrentado algumas pesquisadoras sensíveis a estas discussões. A preocupação de algumas pesquisadoras dispostas a contribuir para estes estudos mostra que há uma rede destas já nacionalmente conhecida por seus estudos teóricos e empíricos A problemática de cada estudo analisado mostraram inquietações similares entre as diversas pesquisadoras como por exemplo: por que há tão poucas mulheres nas ciências duras ? por que a história excluiu estas mulheres? por que depois de tantos debates feministas, ainda há limitações fortes entre as pesquisadoras em cotejar estudos de gênero com a prática científica. Esta pesquisa constatou a necessidade de contextualizar primeiramente onde estamos nestes estudos e quais as possibilidades de realizar uma construção crítica moralmente relevante para os estudos sociais da ciência.
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Relações de gênero e análise de aspectos sociais do genoma: estudo de caso de um laboratório de genética
Neide Mayumi Osada; Maria Conceição da Costa

Este trabalho pretende apresentar parte dos resultados da pesquisa de doutorado intitulada “Vida Cotidiana no Laboratório: Reproduções, transformações e desigualdades na produção do conhecimento de projetos genoma”. A pesquisa de campo foi realizada em laboratórios do Centro de Estudos do Genoma Humano, localizado no campus da USP. A proposta principal deste trabalho será o de compreender os mecanismos que geram desigualdades no cotidiano do laboratório e nas ciências.
A análise da produção do conhecimento vis a vis as relações de gênero nos laboratórios de biologia molecular não é tarefa simples, sobretudo por se tratar de uma área do conhecimento relativamente nova e em crescimento. Por isso, proposta desta análise será o de abarcar as diversas complexidades existentes, desde a formulação das políticas cientificas em torno da biologia molecular até as relações entre pesquisadores dentro do laboratório.
Os estudos de laboratório proposto por Callon, Bruno Latour e Steve Woolgar e Karin Knorr-Cetina permitirão fazer uma descrição densa do que ocorre dentro dos laboratórios. A descrição do cotidiano terá como foco: as relações entre pesquisadores – homens e mulheres; as atividades de pesquisa organizadas no laboratório. Além da observação de laboratório, será analisada a produção escrita dos pesquisadores: projetos de pesquisa e artigos publicados. As parcerias nacionais e internacionais realizadas entre empresas, laboratórios e universidades terão papel crucial para a compreensão do tipo de pesquisa realizado nos laboratórios e a forma pela qual coordenadores de laboratório garantem a manutenção do laboratório.
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Sobre astrônomas alemãs e odontólogas no Brasil Central
Ana Liési Thurler; Lourdes Bandeira

Com esta comunicação examinamos um processo de acentuada feminização em cursos de Odontologia, em Goiás e no Distrito Federal. A pesquisa indica, nas interpretações desse fenômeno por profissionais homens e por profissionais mulheres entrevistadas, a persistência de uma visão essencialista e naturalizadora em que as mulheres seriam talhadas para o cuidado, a atenção às crianças e os homens seriam “mais financistas e empreendedores”, talhados para chefiar.
O material coletado aponta forte motivação das profissionais mulheres, na escolha por atuação na área, em corresponder à pressão social por promoverem a conciliação entre vida profissional e vida familiar ou, na expressão de uma entrevistada, pela “facilidade em flexibilizar horários e em compatibilizar [o trabalho] com a maternidade”. Não há qualquer registro semelhante nas respostas dos profissionais homens, quanto à busca de alguma facilidade em flexibilizar horários e compatibilizar vida profissional com vida familiar e exercício da paternidade. Diferentemente de seus colegas, a qualidade da inserção das mulheres – sobretudo mães – no mercado de trabalho odontológico é impactada pelo insuficiente desenvolvimento de serviços coletivos que possibilitariam socializar os custos dos cuidados com a família, especialmente, com as crianças na primeira infância e com os idosos.
Se astrônomas alemãs no século XVII tiveram invocados seus papéis sexuais e seus deveres femininos em cumpri-los, ainda no século XXI, as odontólogas no Brasil Central, diferentemente dos odontólogos nesse universo, mantêm, como quadro de fundo para fazerem suas escolhas profissionais, a possibilidade de conciliação do trabalho com a família, a maternidade e as demandas da vida doméstica.
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As mulheres que vestem ternos versus as mulheres que vestem saias
Claudia Musa Fay; Geneci Guimarães de Oliveira

Os seguimentos profissionais que utilizam as tecnologias de ponta, em foco, a aviação comercial brasileira, suscitam ampla reflexão. O objetivo da pesquisa consiste em compreender as dimensões de gênero estabelecidas no espaço da aeronave.
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As meninas que tiverem dúvidas, perguntem aos meninos!
Lea Maria Strini Velho; Sandra Maria Carlos Cartaxo

O presente estudo pretendeu entender melhor as barreiras que impedem e afastam as mulheres da Física. Para tanto apresentamos o caso do Instituto de Física Gleb Wataghin - IFGW da Universidade Estadual de Campinas - Unicamp, onde, percebeu-se que os coeficientes de rendimento (CR) feminino foram maiores que o masculino, conforme demonstrado em pesquisas realizadas anteriormente no período de 1972-2005.
Neste sentido, o estudo buscou investigar quais barreiras são apresentadas na carreira, quais os estímulos e motivações que levaram estas mulheres a optar pela física e quais as dificuldades encontradas por elas num ambiente tipicamente masculino.
Para identificar tais aspectos, optou-se por realizar entrevistas semi estruturadas com alunas da graduação e pós-graduação deste instituto. As entrevistas foram realizadas com duas alunas da graduação e quatro alunas da pós-graduação, sendo que, no último caso uma delas também foi aluna da graduação do instituto. A escolha não seguiu nenhum critério estatístico para seleção de uma amostra, mas tentou na medida do possível apresentar histórias de vida diferentes. Além das entrevistas serão apresentados dados referentes à participação e representação feminina nos cursos de graduação e pós-graduação do IFGW.
Deste modo e como observado por meio das entrevistas realizadas foi possível apontar as motivações que as fizeram seguir a carreira e os muitos desafios ainda encontrados para a mulher na física. Concluímos ainda que a herança social continua sendo uma das causas que interfere e dificulta o aumento da participação feminina na física.
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Profissão professora: a carreira do magistério no Paraná sob a ótica de gênero
Lindamir Salete Casagrande; Marília Gomes de Carvalho

O objetivo deste artigo é analisar a feminização da carreira do magistério no Estado do Paraná, de modo especial, na matemática. Serão analisados os resultados do último concurso público para professor/a do Estado realizado em 2007. O concurso ocorreu em 32 núcleos distribuídos por todo o Estado e contemplou 16 disciplinas além de outros cargos. Neste estudo será analisado o número de candidatos/as aprovados/as por sexo na disciplina de matemática nos 32 núcleos. A análise será feita de duas formas. Na primeira, levar-se-á em consideração todos/as os/as cadidatos/as aprovados/as e na segunda, somente os candidatos de acordo com o número de vagas disponíveis. Será feita também uma comparação entre Curitiba e Pato Branco em 12 disciplinas. Dentre o total de aprovados o número de mulheres em matemática é sensivelmente superior ao de homens em todos os núcleos. Esta diferença é maior em cidades menores e diminui nas grandes cidades como Curitiba e Região Metropolitana. Quando se leva em consideração somente às vagas ofertadas o panorama não muda muito, ou seja, a presença feminina continua sendo superior, chegando a 100% em alguns núcleos nos quais o número de vagas era pequeno. Quanto à comparação entre Curitiba e Pato Branco, a carreira com maior porcentagem de mulheres foi pedagogia, seguida por português e com maior número de homens, informática e física. Pode-se perceber que neste concurso ocorre a feminização na maioria das disciplinas, tanto na capital quanto no interior.
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Mulheres na engenharia: transgressão?
Mani Tebet Azevedo de Marins

Na medida em que há uma divisão por gênero da ocupação dos cursos universitários e conseqüentemente das carreiras profissionais, este trabalho se relaciona basicamente com duas questões. Em primeiro lugar, buscamos mapear os condicionantes sociais, culturais, econômicos e de referência familiar que levam um determinado grupo de mulheres a escolher um curso universitário alternativo aqueles marcados pelo viés de gênero. Em segundo lugar, pretendemos verificar se no decorrer da formação acadêmica as mulheres – especificamente – no curso de engenharia enfrentam problemas, impedimentos e limitações por estarem “fora do lugar” socialmente destinado a estes agentes sociais. Por um lado, a escolha por esta carreira profissional por parte das mulheres aponta para mudanças iniciais nas noções pré-concebidas de gênero. No entanto, o estudo das trajetórias mostra que o fato delas terem optado por uma “transgresão” profissional não significa que esta opção se reproduzirá em outras esferas da vida social. Vale ressaltar que nossa pesquisa foi realizada através de uma direção metodológica qualitativa, operacionalizada pela realização de entrevistas em profundidade com homens e mulheres que estavam cursando o sétimo período de Engenharia Elétrica na Universidade Federal Fluminense.
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Engenharias no Brasil:mudanças no perfil de gênero?
Nanci Stancki Silva

Este trabalho discute a divisão sexual do trabalho e o processo de formação de profissionais de um setor que historicamente teve o predomínio masculino: a engenharia. Neste sentido apresenta uma análise sobre dados quantitativos referentes à distribuição de gênero, na década 1996-2005, nos cursos de Engenharia no Brasil – a partir de informações disponibilizadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP/MEC) – e compara a participação de homens e mulheres nesses cursos com os dados referentes ao emprego de engenheiros e engenheiras, no mesmo período. O emprego nesse segmento (engenharia civil, mecânica, elétrica, ...) é analisado a partir de dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego, buscando destacar o estoque de postos de trabalho e variáveis como faixa etária, gênero, remuneração média, tipo de vinculo empregatício e tempo de serviço. Dessa forma, pretende-se traçar o perfil de gênero dessa categoria profissional e verificar possíveis tendências.
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Gênero nos cursos de engenharia da UTFPR: a distribuição do corpo docente
Sileide France Turan Salvador; Marilia Gomes de Carvalho

Esse é um trabalho que visa trazer um mapeamento da distribuição do corpo docente nos cursos de engenharia da Universidade Federal do Paraná. Tal mapeamento apresenta considerações sobre a distribuição por sexo e disciplinas dos docentes da instituição já mencionada. As interpretações e análises dos dados estão fundamentadas no conceito relacional de gênero. A importância desse trabalho está baseada na constatação do pequeno número de pesquisas dedicadas ao tema e à utilização do mapeamento como ferramenta de auxílio à visualização de áreas com pequeno número de mulheres no universo acadêmico. Ressalta-se aqui a possibilidade de utilização desse procedimento metodológico como meio de ofertar a pesquisadores dados relativos à distribuição de professoras e professores nos cursos de engenharia, a fim de visibilizar a desigualdade de gênero nestes cursos e a necessidade de ampliar pesquisas que expliquem o fenômeno.
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Mulheres engenheiras: adaptação ao universo masculino
Benedito Guilherme Falcão Farias, Marília Gomes de Carvalho

O presente trabalho é baseado em uma pesquisa qualitativa/interpretativa, realizada no campo das engenharias, de modo especifico entre as áreas de Produção Civil e Industrial Mecânica. A presença e participação das mulheres engenheiras foi o enfoque principal, dando um destaque as questões de gênero no mercado de trabalho. Ela teve como objetivo principal à observação se existe discriminação em relação ao sexo feminino no exercício da profissão de engenharia. Quatro questões nortearam a pesquisa: a) a questão de gênero na escolha do curso de engenharia; b) o ambiente acadêmico; c) as atribuições de funções destinadas às mulheres engenheiras; d) a percepção das mulheres engenheiras sobre o mundo tecnológico e predominantemente masculino das engenharias. A coleta dos dados de campo foi feita através de entrevistas, com um roteiro elaborado contendo oito perguntas aplicadas aos universos masculino e feminino. Os sujeitos da pesquisa foram 10 engenheiras e 03 engenheiros com formação na Universidade Tecnológica Federal do Paraná no período de 2000 a 2004. Pode-se verificar nesta pesquisa que houve um processo de adaptação das engenheiras logo no início da graduação até ao exercício da profissão de um modo discriminatório no que diz respeito às questões biológicas, sociais e culturais. Ficou evidente também que algumas destas considerações vêm confirmar o embasamento teórico desta mesma pesquisa, em que os autores apontam para a existência de uma "divisão sexual" no trabalho e, em específico, no âmbito das engenharias.
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A produção do conhecimento de conteúdos pedagógicos para Web, sob a ótica de gênero
Solange Ferreira dos Santos; Marilia Gomes de Carvalho

Este artigo aborda a questão do trabalho feminino no Ambiente Tecnológico e Educacional. Essa reflexão preliminar é feita a partir de uma pesquisa qualitativa e quantitativa em andamento, realizada em uma empresa Tecnológica e Educacional, especificamente em um Portal de Educação que integra aproximadamente 250 pessoas, sendo 49 % e 51 % de mulheres que fazem parte da equipe, distribuídas em aproximadamente em trinta departamentos desta empresa.
Com o surgimento de novas tecnologias educacionais, o desenvolvimento de um Portal de Educação vem instigar a aprendizagem, levando informações atuais aos usuários participantes da comunidade escolar. Com um ambiente de conhecimento, ensino e aprendizagem, o Portal integra colaboradores e colaboradoras de diversas áreas do saber. Contudo, identifica-se neste ambiente, o trabalho técnico como reduto masculino, enquanto que o trabalho da mulher direciona-se para as atividades pedagógicas, mediação entre usuários e técnicos, e assuntos relacionadas à educação, perpetuando-se assim as relações de poder de gênero no mercado de trabalho.
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Novas rotas, novos rumos: a mulher ocupando espaço na universidade e no trabalho
Silvia Mara Veronesi

O trabalho é organizado a partir da teorização de Michel Foucault, e realizou o estudo das relações sociais constituintes do gênero feminino, enquanto sujeito do corpo social. Trata-se da apresentação de pesquisa genealógica que em seu problema focalizou a contínua e crescente busca pela formação superior para tecnologia aeronáutica por parte do gênero feminino, área que era tradicionalmente de predomínio masculino. As hipóteses propostas no estudo contemplam as políticas públicas educacionais, as estratégias do poder nos discursos e as mudanças na construção da identidade feminina. Paradigmas, mercado de trabalho, políticas públicas e Estado, são alguns dispositivos que normalizam habilidades e competências dos sujeitos, organizando a atual sociedade do controle, são discutidos em cooperação com o deslocamento do poder dentro das relações, permitindo a busca de perspectivas para o gênero feminino. Destaca-se a excessiva valorização das características polarizadas - masculinas - que em determinado momento histórico conduziram a formação dos sujeitos para determinadas áreas - como a aviação - e o movimento social que promove a desconstrução de princípios institucionalizados, bem como sua repercussão nas identidades femininas. O movimento feminista é cenário, tomado como forma de expressão cultural reivindicatória, abrangendo as questões que envolvem as relações de poder entre os gêneros e as relações sociais entre trabalho e educação, que poderão se traduzir na definição de um espaço conquistado.
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Tecnologia e gênero: questões femininas na Internet
Adriana Braga

Historicamente, o controle e manejo da tecnologia disponível tem sido um fator estratégico fundamental nas relações humanas, e particularmente marcado por um viés de gênero. Em nossos dias, a participação de mulheres no mundo da Internet vem aos poucos alterando a tradicional presença masculina no campo da tecnologia. Este artigo analisa as interações estabelecidas entre um grupo de mulheres e as definições propostas ao estatuto da feminilidade e da maternidade em um weblog. O ambiente interacional possibilitado pela Internet pode ser socialmente apropriado de muitas maneiras. Neste caso, resgatando uma prática social feminina que havia se tornado envelhecida, articulada a uma definição da conversa entre mulheres como assunto essencialmente fútil e desnecessário, enquadrado por uma ordem masculina. A proposta explícita do weblog de abordagem de temas relacionados à feminilidade e maternidade gera grande ocorrência de intervenções interpretativas, busca de informações e tratamento de assuntos – muitas vezes polêmicos – ligados às práticas e comportamentos femininos. Dos ângulos em debate neste espaço, alguns merecem nota: i) posições acerca da prática de interrupção voluntária da gravidez; ii) atributos e definições que constituem uma “teoria” do grupo para a orientação de práticas e comportamentos maternos, uma teoria da maternidade moderna portanto; iii) uma demanda pelo espaço social de reunião e discussão de temáticas neste domínio; iv) as implicações sociais, domésticas e afetivas do exercício da atividade profissional por parte das mães; v) e uma disposição para repensar a situação social feminina a partir da vivência de experiências cotidianas.
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Atividades científicas e a relação das pesquisadoras com as estruturas de poder: um estudo de caso na Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Ana Paula Antunes Martins; Tânia Steren dos Santos

O principal objetivo desta investigação consiste em avaliar as mudanças decorrentes da incorporação das novas tecnologias da informática e da comunicação no campo científico, comparando a realidade e representações dos estudantes e pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e o seu impacto no ensino, desenvolvendo um olhar sociológico sobre o objeto de pesquisa. Busca-se analisar a relação dos cientistas com a tecnologia, observando-se se as mulheres enfrentam maiores obstáculos do que os homens na utilização das inovações. Este estudo focaliza as peculiaridades do universo feminino e masculino de forma comparativa, enfatizando o aspecto relacional da problemática de gênero. A relação das mulheres com a tecnologia parece estar mudando rapidamente. O mito da maior dificuldade feminina em lidar com técnicas e equipamentos parece estar sendo superado, ocorrendo uma maior equidade entre homens e mulheres no domínio das TICs (campo das mídias e dos novos recursos da informática e da comunicação). É necessário frisar que mais do que constatar a existência da dominação masculina e seus mecanismos de reprodução, visamos evidenciar as formas de resistência, identificando como as mulheres conseguem se apropriar dos novos recursos tecnológicos e valorizar sua atuação acadêmica. Nesse sentido, cabe aprofundar o estudo a respeito das mudanças que o processo de feminização provoca na comunidade acadêmica, sugerindo repensar as políticas públicas para a área de ciência e tecnologia. Isto vêm a enfatizar a relevância desta pesquisa, pois procura apreender a dinâmica das transformações e reestruturações em curso.
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Será que meninas e mulheres não gostam de matemática? Reflexões sobre gênero, educação e ciência a partir de uma etnografia sobre as Olimpíadas de Matemática em Santa Catarina
Gicele Sucupira

Este trabalho visa apresentar a pesquisa desenvolvida durante a Iniciação Científica (PIBIC/CNPq) e também objeto de monografia de conclusão de curso de Ciências Sociais que teve como objetivo identificar as representações de gênero, que envolvem a presença de mulheres em uma área cientifica, a Matemática. Trabalhei a partir das representações e práticas de professor@s, na preparação de estudantes do ensino fundamental e médio para as Olimpíadas Brasileiras de Matemática, com ênfase no acompanhamento da Olimpíada Regional de Matemática de Santa Catarina.
Para elaboração da pesquisa, utilizei métodos qualitativos e quantitativos. Num primeiro momento, fiz o levantamento numérico de premiadas mulheres nessas Olimpíadas desde seu inicio até o ano de 2007 e constatei a média de 12% e 27% de meninas premiadas nas Olimpíadas Brasileira e Regional respectivamente. Esse dado, que revela a presença minoritária das mulheres no campo do saber matemático foi “estranhado” ao longo do desenvolvimento de uma pesquisa etnográfica em escolas que participam da Olimpíada que estão localizadas no município de Florianópolis(SC), e na Universidade Federal de Santa Catarina, onde são feitos os treinamentos dos estudantes das escolas de ensino fundamental e médio e onde está localizada a coordenação das olimpíadas no Estado.
Este estudo terá como aporte teórico autores da antropologia da ciência e etnomatemática, em dialogo com as teorias de gênero, portanto, trará discussões acerca da representação das mulheres nas ciências, principalmente em uma “área dura” como é caracterizada a Matemática, fortemente permeadas por questões de gênero em sua interface com o campo da Educação.
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Modos de participação e vínculos profissionais de jovens de ensino médio participantes da Iniciação Científica
Isabela Cabral Félix de Sousa

Para muitos jovens da América Latina devido à profissionalização já na graduação e não na pós-graduação como ocorre em muitos outros países como os Estados Unidos, o Ensino Médio é o momento que muitos jovens escolhem suas carreiras profissionais e começam a trilhar trajetórias para além dos muros escolares. Na adolescência, as escolhas profissionais, os modos de participação em atividades curriculares e extracurriculares e o estabelecimento de vínculos com colegas e adultos refletem diferenças de gênero importantes. Assim, este trabalho tem como proposta discutir os modos de participação diferenciados e alguns vínculos profissionais criados pelos adolescentes que participam ou participaram do Programa de Vocação Científica da Fundação Oswaldo Cruz. Este trabalho é resultado de três pesquisas qualitativas e participantes com alunos e egressos do programa desde 2005 até 2008. Tem-se como meta discutir, à luz da literatura, as implicações das escolhas pela iniciação científica feitas por jovens em contextos em que há cada vez mais pressão para maiores níveis educacionais lado a lado com a dificuldade, principalmente para os mais jovens, de obter e manter o emprego.
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Academia e construção do conhecimento: as mediações de gênero nos cursos de Economia doméstica, Medicina veterinária e Pedagogia na Univ. Fed. Viçosa
Marisa Barletto; Maria de Fátima Lopes; Paula Bevilacqua; Alice Inês e Silva

Este trabalho propõe discutir as mediações de gênero nos cursos de Economia Doméstica, Medicina Veterinária e Pedagogia, na Universidade Federal de Viçosa. Parte-se de perguntas já consagradas no campo da Teoria Feminista, principalmente por Londa Schienbienger (2001) e Evelyn Fox Keller (2006), e encaminha reflexões sobre a relação mulher e academia, suas apropriações, atualizações e reproduções nesses campos do conhecimento.
No caso do curso de Economia Doméstica, podemos dizer que se refere a um campo disciplinar que se definiu como ciência de e para mulheres e que permaneceu feminino na UFV em toda a sua trajetória. A análise de um campo onde os universos doméstico e público se imbricaram de tal maneira em objetos, perspectivas teóricas e prática profissional que se assume tal campo como paradigmático deste trabalho.
Já o curso de Pedagogia envolveu na sua criação, um exercício institucional dos marcadores de gênero e das hierarquias do conhecimento. Por sua vez, a referência da Pedagogia como “curso feminino” assumiu outros sentidos quando as estudantes narram as “negociações” de gênero nas pequenas cidades da Zona da Mata mineira para se tornarem universitárias.
E a Medicina Veterinária consagra-se como um campo historicamente masculino, um curso fundante da atual UFV, que vem assistindo a uma presença maior de mulheres em seu corpo discente. Essa passagem foi se consolidando na década de 90 e chegou a ter, nos últimos cinco anos, mais estudantes mulheres do que homens. Tal mudança no curso se configura em importante/fundamental objetivação deste trabalho.
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Contrato de trabalho pedagógico: uma experiência no Centro de Educação de Santa Catarina
Sandra Lopes Guimarães; Silvana Rosa Lisboa de Sá

A proposta do artigo é apresentar o referencial teórico que define e diferencia o CONTRATO DE TRABALHO PEDAGÓGICO das outras formas de contratos estabelecidos na relação professor, aluno, instituição e saberes. Este contrato foi pensado e delineado como um recurso para receber e acompanhar a trajetória escolar do aluno no CEFET-SC. O contrato é delineado e firmado durante uma conversa ou entrevista individual, com seu devido enquadre, dentro de um setting.. Como a entrevista para o contrato terá um tempo resumido, é importante utilizar algumas ferramentas das entrevistas preliminares propostas pela psicanálise. O objetivo do contrato, como o próprio nome indica, é firmar um acordo, um pacto entre sujeito de aprendizagem e a instituição com a função de estabelecer um novo vínculo de trabalho entre as partes. Assim, subvertemos a ordem dos contratos formais inscritos na instância subliminar dos “contratados”. Propor um contrato nesta ordem sinaliza ou reafirma uma pré-disposição da instituição frente ao aluno, sua história e sua capacidade de responsabilizar-se, marcando uma relação do um por um, ímpar, um acordo único e possível neste momento. A implantação deste contrato como ferramenta de acompanhamento dos alunos recém-ingressos na instituição está inserida no PROJETO PERMANÊNCIA E ÊXITO do CEFETSC/2006, como uma forma de acompanhamento e está sendo aplicada do Curso Superior de Tecnologia em AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL. A intenção deste trabalho é contribuir na instrumentalização dos profissionais envolvidos no processo pedagógico com relação à utilização do CONTRATO DE TRABALHO PEDAGÓGICO (organização e execução/aplicação da entrevista contratual) e divulgar a experiência realizada.
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Gênero e Poder: Categorias Úteis na Análise Histórica da Ciência e da Tecnologia
Tatiana de Souza (UTFPR); Tânia Rosa F. Cascaes (UTFPR)

O presente estudo apresenta novas formas de análise histórica de discursos científicos e tecnológicos surgidos na modernidade baseados na categoria de gênero. A historiadora Joan Scott evidenciou a emergência acadêmica de um novo campo de conhecimento: os Estudos de Gênero. Mais do que mero reflexo da ideologia decorrente da luta de classes, a categoria de gênero permeia as relações sociais humanas dando um sentido mais amplo à organização e à percepção do conhecimento histórico, concretizando a construção de diferenças sexuais como matéria-prima para a construção da própria lógica do poder. Tais estudos evidenciaram a construção simbólica da diferença entre os sexos, assim como suas conseqüências, decorrentes de disputas sociais e políticas que surgem ao longo dos processos históricos. As idéias de Michel Foucault contribuem para estas reflexões quando permitem perceber toda a complexidade social das diversas manifestações do poder através do saber científico e das disputas políticas em torno da sexualidade humana. Sobre a experiência feminina moderna atrelada ao discurso biológico da maternidade, Elisabeth Badinter expõe a existência de uma construção ideológico-cultural em torno do amor materno. Ao ampliarmos a crítica de gênero sobre a maternidade e suas conseqüências sociais, buscamos compreender a emergência de uma tecnologia de normatização e disciplinarização dos indivíduos como um mecanismo de poder legitimado pela ciência que aglutina, simultaneamente, uma ampliação do controle estatal sobre o crescimento populacional e a organização racional do trabalho.
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