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Coordenação:
Profa Dra Rachel Soihet, Professora da Universidade Federal Fluminense

Dra Iara Beleli, Núcleo de Estudos de Gênero-Pagu UNICAMP

Profa Dra Karla Bessa, Universidade Federal de Uberlândia

A mídia, em sentido amplo e diverso, é a interface das práticas de consumo que, muito além da posse de bens, interfere nos (ou demarca) modos de ser e viver. O fluxo massivo de corpos, muitas vezes apresentados como produtos a serem consumidos, mobiliza uma trama cultural, que também se redimensiona em contextos diversos, (re)fazendo ou diluindo fronteiras. No âmbito das constituições de gênero e sexualidade, essas tramas são entrecortadas por várias mídias, configurando uma ponta do iceberg para estudos das representações da subjetividade e, sobretudo, da vida urbana contemporânea. A relação culturaconsumo e o desempenho da mídia na sociedade, principalmente nos grandes centros urbanos, é fundamental para compreender os múltiplos usos das subjetividades que se formam neste contexto. A corporalidade é o fio que perpassa e entrelaça essa trama, de forma a instigar uma reflexão sobre como o corpo humano e suas marcas de gênero, étnico-raciais, de classe, de geração instituem e são instituídas nos planos simbólico e material das relações que se dão nas, e a partir das, variadas mídias. Neste sentido, propomos um debate interdisciplinar sobre os estudos que tomam os media como o locus de exposição e acesso aos bens mercadológicos a partir de uma perspectiva de análise que considere a relação entre corporalidade e gênero na construção da subjetividade. Atentas à temática condutora do Fazendo Gênero  - Corpo, violência e poder -, este Simpósio Temático proprõe uma reflexão sobre as diversas formas de violência simbólica promovidas pelos media, que elege, e apresenta de forma hierárquica, formas corporais, práticas sexuais, marcas raciais e de gênero, contribuindo para o estabelecimento das relações de poder através do corpo.

A proposta abre-se,ainda, para pesquisas que trabalhem também com  a categoria do humor, recorrentemente utilizada pelos media, seja para reiterar, seja para desestabilizar padrões de comportamento.

Mal cabia na palma da mão: corporalidade, erotismo e nudez na divulgação da moda brasileira na França
Débora Krischke Leitão (UEL)

Partindo dos casos exemplares da moda praia e do jeans, discorro sobre as representações de um corpo brasileiro erotizado que promovem divulgação e venda de nossa moda na França. Os dados sobre os quais me apoio foram recolhidos em pesquisa em arquivo de periódicos de moda franceses, e balizados por pesquisa de campo junto a produtores, distribuidores e consumidores de moda brasileira em Paris e no Brasil. Nesse contexto, a moda brasileira é freqüentemente promovida por imagens e discursos que versam sobre sensualidade e erotismo, percebida como espelhada num corpo brasileiro singular, igualmente erotizado e exotizado. Embora a sensualidade do corpo brasileiro e, por extensão, da moda produzida no Brasil, seja freqüentemente atribuída, especialmente na França, a uma “nudez natural” comum no país, o erotismo que envolve tal corpo diz respeito ao artifício, estando longe dos domínios da natureza. Na divulgação de nossa moda na França, o que investe o corpo brasileiro de erotismo é, mais do que a simples apresentação pública do corpo nu, o jogo entre nu e vestido, entre mostrar e esconder, articulando corporalidade, ornamentação corporal, gestual e performance.
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Mulheres de parecer – os modelos de elegância nos anos 60, na capital catarinense
Mara Rúbia Sant’Anna (UDESC )

Estudo realizado junto ao projeto de pesquisa “Colunismo social em Santa Catarina – a construção de uma sociedade de moda”, realizado no período de agosto de 2006 a 31 de julho de 2007. O objetivo geral estabelecido para este projeto foi: “Analisar como a eleição das ‘Dez mais elegantes’ interferiu, agilizou e incentivou a constituição de grupos de elite, no contexto da modernização catarinense, a partir da posse de uma aparência idealizada”. As senhoras entrevistadas, eleitas ou não, permitiram a compreensão da experiência vivida com a eleição de uma elegância superior, fazendo com que fossem gotejadas as hipóteses iniciais e observada que as tais listas não possuíam uma importância tão preponderante, como inicialmente havia sido cogitado, contudo, essa prática, associada a outras, foi capaz de constituir a elegância como uma marca das mulheres de uma determinada geração, estabelecendo modelos de ser, os quais representavam a “natureza” de uma condição social superior e mesmo a feminilidade de uma época. Nesta comunicação se dará evidência ao papel dos meios de comunicação, especialmente das colunas sociais e de seus autores, na difusão e fortalecimento destes modelos como ideais.
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O corpo como lócus de poder: articulações sobre gênero e obesidade na contemporaneidade
Bruna Meurer; Marivete Gesser (Universidade do Planalto Catarinense)

Nas últimas décadas, o corpo está cada vez mais em evidência através de fortes estímulos para a busca da tríade do corpo “magro”, “belo” e “saudável”. Buscar-se-á articular neste estudo, os processos de significação do corpo obeso na contemporaneidade, entendendo este como uma construção histórica e cultural, que está em destaque neste momento histórico em decorrência do modelo padronizado de corpo, que é apropriado pelos sujeitos e que marca a diferença. A problematização acerca da lógica desses mecanismos torna-se essencial, haja vista um mundo sob influência maciça da mídia e dos discursos médicos, que produzem ideais de beleza inatingíveis, direcionados principalmente as mulheres. A normatização dos corpos através desses discursos vem contribuindo para a constituição da subjetividade dos sujeitos acima do peso, ao passo que a exigência estética de corpos perfeitos e magros se radicaliza. Em contrapartida, dessa tendência de embelezamento vemos surgir à obesidade e o não reconhecimento por parte dessas mulheres da sua femilinidade e da sua representatividade nos meios de comunicação
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Performances de raça e de gênero de adolescentes negras em práticas discursivas sobre corpo e cabelo
Rogéria Costa de Paula (Unicamp)

Seguindo a visão socioconstrucionista do discurso, este trabalho considera que os discursos nos fazem projetar certos significados sobre as ações corpóreas que adotamos. Nesse sentido, investiga os modos como adolescentes negras constituem as identidades de raça e de gênero em performances que realizam em conversas sobre textos que focalizam o corpo e o cabelo, veiculados na seção de beleza, em revistas femininas. Ou seja, como gênero e raça são feitos com as palavras? Os dados analisados são gravações em MP3 e em DVD, entrevistas com foco no grupo, os quais foram gerados para pesquisa de cunho etnográfico em curso desde o ano de 2006, em uma escola de samba, no interior do estado do Rio de Janeiro. O setting investigado aponta as principais ações performadas: confrontação verbal entre as performances das adolescentes e as veiculadas nas mídias em revistas femininas; seleção, por meio das imagens em revistas, de performances corpóreas que desejam realizar, narrativização individual e coletiva de ações performadas no cotidiano.
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A representação da mulher na mídia: um olhar feminista sobre as propagandas de cerveja
Sabrina Uzêda da Cruz (UFBA)

O tema a ser discutido é a violência simbólica de gênero, aqui abordada a partir da análise das propagandas de cerveja na mídia. A violência simbólica de gênero diz respeito aos constrangimentos impostos pelas representações sociais de gênero – sobre o masculino e o feminino. A mulher (e por extensão o seu corpo - assim fragmentados) está presente nas propagandas para ser “consumida” assim como a cerveja. A partir de um olhar antropológico feminista percebo que as práticas discursivas dominantes veiculadas pela mídia reiteram valores dominantes e tradicionais sobre as mulheres, constituindo uma forma de violência simbólica de gênero dentro da sociedade contemporânea.
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A ideologia do corpo perfeito: um ensaio sobre os seriados de transformação cirúrgica
Simone do Vale (UFRJ)

Na sociedade contemporânea, as biotecnologias interferem de maneira determinante sobre a condição humana, transformando os modos de pensar, sentir e habitar o tempo, nos transformando em nossos próprios arquitetos e, simultaneamente, nossas próprias criaturas, num mundo onde natural e artificial já não são terrenos radicalmente opostos. A própria identidade corporal tornou-se indissociável das representações fornecidas pelas tecnologias visuais médicas, largamente espetacularizadas pela mídia nos seus mais diversos segmentos. Portanto, este trabalho busca refletir acerca das corporalidades propostas pelo projeto biotecnológico, político e estetizante dos seriados médicos cujo mote é a perseguição ao corpo perfeito, dentre os quais destacamos Dr. 90210, Cirurgia plástica: antes e depois, Extreme Makeover e o impagável The Swan.
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Anorexia e obesidade – ressonâncias da mídia na construção dos sintomas alimentares
Cristiane Marques Seixas (UERJ)

Partimos do contexto da clínica psicanalítica com pacientes obesos e anoréxicos para pensar em que medida esses sintomas se apresentam como uma resposta ao imperativo midiático de saúde e beleza. Certamente, as mudanças sócio-econômicas influenciam diretamente as relações com o próprio corpo, na medida em que este é eminentemente constituído pela cultura. É no corpo que incidem as estruturas dos sistemas simbólicos, que por serem também estruturantes, constroem realidades. Admitir isso implica rever a forma como as problemáticas referidas ao corpo e à alimentação são caracterizadas, repensando discursos puramente biologizantes a partir de análises que levam em consideração uma cultura marcada pela visibilidade, que foge ao domínio exclusivo da medicina. Para tanto, é necessário pensar como se dá, na contemporaneidade, a construção das identidades pessoais referidas ao corpo. Se em outros momentos históricos o acesso a esses modelos normalizadores era mais precário, hoje o mundo globalizado garante a fluidez das informações que circulam rapidamente, impondo um modelo de saúde e de corpo ao qual o sujeito deve conformar-se. Os modelos perfeitos aos quais os sujeitos devem referir-se, por serem ideais, são em última análise inacessíveis ao sujeito, gerando o mal-estar que não tarda em expressar-se em sintomas tão antagônicos como a anorexia e a obesidade. A especificidade desses casos será abordada segundo a ótica das relações de poder que, através da mídia, vêm regular modos de ser e estar no mundo, bem como a própria identidade sexual e de gênero.
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Corpos que falam: identidade feminina na série “Mandrake”
Tânia Siqueira Montoro (UNB); Ana Carolina Landin Dumaresq (UNB)

A partir da análise das personagens femininas na série televisiva “Mandrake”, o trabalho procurou refletir sobre de que maneira a televisão conforma identidades e sugere modelos de conduta. As representações audiovisuais são maneiras de construir significados e de fazer circular sentidos por meio da materialidade da imagem e do som. Problematizar essas representações é uma forma de pensar como a sociedade e seus grupos são representados pela linguagem audiovisual e de que forma contribuem para a construção de identidades tanto de classe, como de gênero, raça e etnia. Baseada na obra do escritor Rubem Fonseca, “Mandrake” teve 13 episódios exibidos para toda América Latina, entre 2005 (1º temporada) e 2007 (2ª temporada), pelo canal fechado HBO. A série traz o personagem-título Mandrake, um advogado criminalista, cujas relações afetivas são marcadas pelo desejo de satisfação sexual. É nesse contexto em que se evidencia a construção do corpo feminino como objeto. Utilizo a perspectiva dos estudos culturais para investigar o modelo hegemônico de representação do corpo feminino como fonte de erotismo e produção de estereótipos. A televisão dissemina um modelo único de corpo desejável, fazendo dele condição primeira de feminilidade. As reflexões desenvolvidas no trabalho jogam luz sobre a necessidade de problematizar as imagens femininas em circulação, entendo-as como processos mediatizantes das práticas cotidianas.
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O controle biopolítico do feminino na década de quarenta e no tempo presente: esquemas da indústria cultural na Página Feminina e na revista “Boa Forma”
Beatriz Staimbach Albino; Priscila Daniela Hammes (UFSC )

As pedagogias para o corpo feminino se expressam de modo privilegiado nas técnicas de embelezamento veiculadas em jornais diários e revistas ilustradas destinados às mulheres. Este trabalho apresenta resultados comparativos de duas pesquisas sobre a configuração de um dever ser feminino a partir das prescrições de cuidado com a aparência: a primeira sobre a década de 1940, a segunda sobre o presente. Para tanto, as fontes privilegiadas foram: 1. Edições dos anos de 1940 e 1941 da Página Feminina – encarte semanal do jornal Dia e Noite, circulante no Estado de Santa Catarina nos anos de 1936 a 1941; 2. edições dos anos de 2001 a 2007 da revista Boa Forma, publicação mensal de circulação nacional presente no mercado há mais de vinte anos. A análise apontou para dispositivos similares de controle do corpo nos dois conjuntos de fontes: 1. o incitamento para que a mulher esteja em sintonia com o seu tempo, devendo ser responsável pelo seu corpo, agindo sobre ele como um objeto a ser racionalizado; 2. a centralidade da opinião masculina no domínio de si impingido ao feminino; 3. a importância da culpa como dispositivo de normatização das condutas; 4. o gradativo processo de subsunção da moral à estética; 5. a produção de um ideário que aproxima o corpo feminino de uma visão romantizada da natureza. Por fim destacamos a centralidade dos mecanismos da indústria cultural como norteadores do domínio biopolítico do corpo feminino em ambos os períodos analisados.
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A representação da mulher e o ato de consumi-la
Emília Mendes (UFMG)

O objetivo de nossa exposição é tratar de uma imagem da mulher representada como “alimento a ser consumido”. Teceremos comentários a partir de dois corpora: o primeiro, Bola de sedo de G. de Maupassant, narrativa do séc. XIX, mostra uma representação que cria a fusão comida/mulher/prostituta; o segundo, é constituído por duas reportagens-manifesto publicadas respectivamente nas revistas Trip e Tpm de março 2008, cujo título “E aí gostosa” é o mesmo nas duas revistas, mas o teor do texto se diferencia de acordo com o público alvo. No segundo corpus, vemos a tentativa de se dissociar esta representação mulher/campo semântico da alimentação, inclusive pelo uso de imagens que pretendemos também analisar. Também pretendemos analisar a relação representação como “comida” x agressividade. Como base teórica nos valeremos de Duby & Perrot (2002), dentre outros.
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As Gurias do Calendário: uma espetacularização da maturidade
Nara Widholzer (UCPel)

Em 2003, Nigel Cole levou às telas o filme Calendar Girls, baseado na história real de um grupo de mulheres que decidiu arrecadar fundos para a causa do combate ao câncer. Residentes em uma localidade conservadora do condado de Yorkshire (Inglaterra), as senhoras conceberam o projeto nada ortodoxo de publicarem um calendário ilustrado por nus artísticos delas mesmas. Ao final, não apenas obtiveram dinheiro, mas também conquistaram sucesso internacional. Inspirada nessa idéia, em 2005, a psicóloga brasileira Márcia Papaléo criou, em Porto Alegre, o projeto beneficente As Gurias do Calendário, em prol de idosos. O calendário foi patenteado como marca, e as “gurias” tornaram-se “modelos da maturidade”, personagens midiáticas, empreendedoras e estrelas de um bloco carnavalesco. As selecionadas a cada ano, mulheres na faixa etária dos 50 aos 80 anos, recebem aulas de etiqueta, postura, maquiagem e passarela. Neste trabalho, examinam-se o calendário das “gurias”, textos publicados no Pediódico MP e conteúdos do site da MP Marketing & Psicologia, empresa responsável pela promoção do grupo. Tendo-se por marco teórico a Análise Crítica do Discurso, analisam-se os discursos (elementos lingüísticos e semióticos) veiculados nessas publicações e as práticas sociais a eles relacionadas. Os dados apontam que a proposta das calendar girls, inicialmente subversiva, preservou com as Gurias do Calendário sobretudo sua faceta comercial, ao ser espetacularizada pela mídia. A imagem corpórea foi “descolada” das materialidades e comodificada para adequar-se a padrões socialmente aceitos.
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A fabricação de “homens” e “mulheres” no show de domingo: representações de gênero/sexualidade no universo “fantástico” da mídia
Jamil Cabral Sierra (UNICENTRO)

Este trabalho faz parte do projeto de pesquisa, ainda em andamento, intitulado “Leiturizações, relações de gênero/sexualidade e mídia (ou sobre como o discurso midiático fabrica as representações das alteridades)”, que desenvolvo na Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná – UNICENTRO, desde agosto de 2007, na condição de professor/pesquisador colaborador. Neste projeto, tento tematizar questões referentes à crítica dos discursos midiáticos, à problematização das representações das alteridades de gênero/sexuais (feminina, masculina, heterossexual, homossexual, bissexual, transexual) na mídia, bem como ao estabelecimento de relações (ressonâncias) destes discursos com o (no) discurso escolar. Diante disso, para o momento específico deste trabalho, proponho-me - inspirado pelos Estudos Culturais, pelos estudos de Gênero e Teoria Queer e pelas reflexões foucaultianas sobre a noção de discurso, poder e (homo)sexualidades - a pensar de que forma e por meio de quais estratégias o quadro “Sexo Oposto”, do Fantástico, da Rede Globo, protagonizado pela atriz Fernanda Torres e pelo ator Evandro Mesquita, constrói - ao exibir em horário nobre aquilo que eles chamam de “diferenças entre homens e mulheres” - representações de gênero e de sexualidade assentadas numa perspectiva biologizante, fundidas como “verdade” pelo/no discurso científico (já que é discurso autorizado) e veiculadas pelo discurso midiático (também porque é discurso autorizado), como forma de legitimar, por meio da aliança ciência/mídia, como verdadeiro aquilo que o quadro fabrica e espetaculariza (transformando em show de domingo à noite) como sendo as diferenças entre os sexos.
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Discurso e Subjetividades: O corpo e o lúdico sob as insígnias do humor e da ironia
Marluce Pereira da Silva (UFRN); Geralda Medeiros Nóbrega (UEPB)

A proposta de trabalho a ser apresentado resulta de pesquisa em desenvolvimento que coloca como questão central o papel da mídia como artefato cultural e instituinte de práticas discursivas na constituição de subjetividades de mulheres, em especial as que se inserem no grupo da nomeada “terceira ou a melhor idade”. A partir dos conceitos de ironia/humor, objetiva-se problematizar episódios de um dos quadros do programa humorístico Zorra Total em que os repertórios discursivos que permeiam as falas das personagens instauram práticas sociais caricatas. No programa, percebe-se que os enunciados perpassam sobremaneira a questão do corpo. Desse modo, passou-se a averiguar se a produção de sentidos de suas seqüências discursivas ratificam ou não alguns dos estereótipos atribuídos ao processo de envelhecimento, em especial do corpo vilipendiado e que caracterizam novos modos de subjetivação. A pesquisa está orientada teórica e metodologicamente por concepções da Análise de Discurso (PÊCHEUX, 1969, ORLANDI, 1985) e por teorizações foucaultianas, como relações de poder, e modos de subjetivação, (FOUCAULT,2002,1976) e ainda por estudos da mídia. Concluímos preliminarmente que embora as media, sobretudo a televisiva, já reconheçam o papel fundamental que os(as) idosos(as) desempenham em esferas sociais, alguns de seus programas ainda deixam entrever preconceitos, nomeadamente em relação às marcas que denotem vulnerabilidade corpórea submetida ao controle e à vigilância. Ser belo e não envelhecer são imperativos moral e estético na contemporaneidade (BIRMAN, 2006, p.215) em que todos(as) inscrevem suas subjetividades, no exercício de poder, travando lutas simbólicas como formas de resistência a imagináveis gestos de derrisão.
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Normas, humor e Pin-ups: códigos de conduta para jovens mulheres na coluna Garotas do Alceu (1950-1964)
Daniela Queiroz Campos (PUC-RS)

O objetivo deste presente trabalho é analisar os códigos de conduta contidos nas ilustrações e nos textos da coluna de humor Garotas (1938–1964) da revista O Cruzeiro (1928-1975) durante os chamados anos dourados. A coluna, que circulou na famosa revista por 26 anos, considerada a “expressão da vida moderna no Brasil”, apresentava semanalmente, em duas páginas coloridas, grupos de belas mocinhas, vestidas segundo as últimas tendências da moda, conversando sobre os mais diversos assuntos. Seguindo um projeto editorial e gráfico bastante diferenciado para a época inaugura no Brasil a circulação de ilustrações de Pin-Ups em um periódico de grande renome. Desenhadas por Alceu Penna e com textos de diversos autores, como A. Ladino e Maria Luiza, a coluna ditou modas, códigos de beleza, costumes e preceitos de civilidade, criou um imaginário acerca do feminino que acabou por influenciar no comportamento de gerações de homens e mulheres. As Garotas “endiabradas e irrequietas” foram ao jóquei club e ao cinema, viajaram, namoraram, leram, enviaram correspondências. O presente trabalho está ancorado no aporte da História Cultural e, através desta bibliografia e das colunas Garotas, busca-se perceber as normas de comportamento reverberadas nos historietas e nas ilustrações da coluna. Enfim, busca-se ver nos hábitos, nas imagens, nas condutas, e nas posturas propagados pela coluna Garotas uma espécie de ressonância do papel social esperado pelas jovens meninas/mulheres do Brasil da época.
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A construção da imagem “ideal” da mulher na mídia contemporânea
Helena Miranda dos Santos

Esta comunicação trata de algumas reflexões, indagações e resultados trazidos na minha Dissertação intitulada “Corpos Perfeitos: o ‘ideal’ de beleza das mulheres construído na contemporaneidade”. A intenção é mostrar como os modelos de beleza voltados para as mulheres, na contemporaneidade, surgem atendendo aos interesses da sociedade de consumo, da indústria da beleza, que, com o apoio dos diversos veículos midiáticos, disseminam um “ideal” de beleza como único, subjugando todas as mulheres de diferentes etnias e idades e interferindo em sua auto-estima. A partir dessa veiculação de informações tidas como “modelos de verdade”, as mulheres vêm se lançando numa corrida desenfreada por produtos/equipamentos de beleza e cirurgias estéticas para moldarem o seu corpo, acreditando que se tornarão tão belas quanto as profissionais da mídia. Todavia, parecem não estar conscientizadas de que a imagem de beleza na qual elas se baseiam nas fotografias é “fantasmática” e virtual dada a quantidade de recursos utilizados para transformação de imagens, principalmente através dos photoshops.
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De Marta Rocha a Vera Fisher: a revista “O Cruzeiro” e a imagem do corpo feminino nos concursos de Miss Brasil
Anneluize Shmeil Zétola (UFPR)

O objetivo desta comunicação é discutir o corpo feminino como instrumento de discursos de gênero nos concursos de Miss Brasil. Optou-se pelo recorte cronológico que abrange da eleição de Marta Rocha à de Vera Fisher como Miss Brasil (1954-1969), período caracterizado por grande repercussão do evento na sociedade brasileira. Pretendo demonstrar que durante esse período as elites brasileiras utilizaram-se da grande exposição que possuía o corpo feminino nos mencionados concursos para promover uma determinada imagem da mulher brasileira. Num contexto de busca pela modernidade, esta imagem estava associada a práticas e discursos que encerravam na Miss a idiossincrasia de um país que se pretendia moderno. Com efeito, os concursos de Miss Brasil constituíam-se em rituais nos quais a Miss se transformava em ícone da identidade nacional, remetendo a hábitos e padrões de consumo difundidos no contexto do acelerado desenvolvimento do país nas décadas de 1950 e 1960. Fonte privilegiada para entender o pensamento das elites brasileiras no período mencionado, a revista “O Cruzeiro” era um dos mais difundidos mass media brasileiros, de modo que sua exaustiva cobertura destes concursos é eloqüente acerca da importância dos mesmos à época. Dessa forma, a análise das reportagens, de seus textos e imagens, é reveladora de um discurso que atribuía à Miss, a seus hábitos e a suas formas, padrões de comportamento, de beleza e, logo, de consumo da mulher brasileira moderna. Sugiro, por fim, serem as referidas reportagens de “O Cruzeiro” elementos que contribuíram significativamente para a definição da subjetividade feminina da época.
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Gênero, política e estereótipos no noticiário das revistas semanais brasileiras
Flávia Biroli (UnB)

A partir de ampla amostra do noticiário de revistas semanais de informação, nos anos de 2006 e 2007, o paper analisa a representação da mulher na política brasileira. Parte-se da compreensão que, além dos desafios de concorrer e se eleger, as mulheres enfrentam dificuldades específicas para ascender às posições centrais do campo político. A sobrevivência de estereótipos de gênero constrange sua ação política e a visibilidade desta ação no noticiário jornalístico, num processo que se realimenta. Além de apresentar um mapeamento abrangente da presença das mulheres no noticiário das revistas, o paper examina a caracterização das personagens femininas mais freqüentes no noticiário. A presença de três personagens (Dilma Rousseff, Heloisa Helena e Marta Suplicy) é submetida a análise detalhada e permite avançar na discussão dos dados resultantes do mapeamento da presença feminina.
A presença de estereótipos de gênero reafirma separações tradicionais que associam as mulheres ao espaço privado, à fragilidade e/ou à falta de controle adequado sobre suas reações emocionais. O desinteresse pela política, a falta de habilidade para o exercício de cargos políticos e o não-pertencimento à esfera política seriam, assim, conectados em um conjunto de discursos que atendem a uma regularidade sem que se apresentem de forma homogênea. A oposição entre “feminino” e espaço privado e “masculino” e espaço público, discutida em estudos como os das cientistas políticas Carole Pateman e Susan Okin, está na base desses estereótipos, confirmando divisões e hierarquias que colaboram para a marginalização das mulheres da e na esfera política.
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Discursos sobre aborto na imprensa paraibana
Sandra Raquew dos Santos Azevedo; Loreley Gomes Garcia (Universidade Federal da Paraíba)

Este ensaio aborda a constituição discursiva sobre o aborto no jornalismo impresso, tendo como ponto de partida às práticas de enunciação de diferentes atores sociais, entre eles a Igreja Católica, os movimentos feministas e o jornal como instituição. No contexto deste trabalho estes enunciados apontam para uma constante negociação de sentidos sobre os corpos femininos e as mídias operam, como ambiente simbólico, um poder relevante na construção das representações de gênero. Deste modo, o campo jornalístico passa a ser um espaço estratégico de agentes sociais com vistas em fazer concordar suas necessidades de acontecimento com a dos profissionais do campo jornalístico. O campo jornalístico configura-se, então, como uma via de interação cujo lugar de mediação pode ser pensado como território fluido para elaboração das representações sociais de gênero, onde os sentidos sobre o corpo, imaginário, e direitos das mulheres são cotidianamente disputados através da atuação de diferentes atores sociais.
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Políticas de um corpo desmesurado
Simone Curi (UNISUL)

Essa comunicação parte da sujeição do corpo como dado de uma realidade midiática, identificada nas cooptações que o creditam como útil, viril, visível. É, pois, através de práticas - das mais prosaicas, como inserção de próteses,mutilações, até as mais sutis, nos modos de sentir - que nele seperpetram as relações de poder, o que quer dizer, ditam-lhe o desejo.No entanto, pensar o corpo numa relação de apenas as sujeitamento às palavras de ordem dessa vida capital, via media, é esquecer suas potências.Propõe-se então uma leitura de experiências, ainda midiáticas, protéticas, nas quais o corpo ´adequado´, adocicado, em sua plasticidade vaza. Clarice Lispector escrevendo colunas femininas, nos anos 50 e 60, conforme um modelo padronizado de beleza, e a artista contemporânea Orlan, nos experimentos que promovem a simbiose entre acarne e a técnica, o orgânico e o inorgânico, em novas configurações corporais, urbanas. Se ambas as práticas apontam para a colonização e modificação do corpo, a primeira, com a arte de entretecer o factual,evoca o possível de novas realidades, da obra, do corpo, do próprio rosto. Subversão do estado de coisas para um estado dos sentidos. Já a segunda, na fusão arte, corpo, tecnologias médicas e cibernéticas,revela a progressiva valorização das formas provisórias, da incompletude corporal.Possíveis somente atualizados por uma corporeidade não anestesiada, acionadora de políticas do desejo
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Filmes pornôs inter-raciais - Reflexões sobre uma etnografia
Lúcia Helena Barbosa Guerra (UFPE)

Neste artigo tentei construir uma interpretação antropológica das representações sobre os negros nos filmes pornôs, como é abordada a questão do corpo e da sexualidade e fiz uma correlação com o imaginário popular. Durante a pesquisa percebi um vasto e diversificado mercado voltado aos que buscam sexo com pessoas de outras "raças", o denominado Pornô Inter-racial. Um dos sites mais visitado é o Vício Inter-racial, eles produzem seus próprios vídeos e contam com um acervo de mais de seis mil filmes do gênero. O exame detalhado de uma grande quantidade sob o mesmo ponto de vista permite perceber que a representação se faz através de arquétipos e estereótipos. É possível perceber a presença de um discurso fetichista em relação à "raça" negra, confirmando que o negro é tido como um objeto de desejo. A materialização dos corpos é apenas um dos elementos para produção e perpetuação subjetiva do racismo. Em seu ensaio sobre O negro e o cinema, João Carlos Rodrigues (1988) afirma que existe uma preferência da mídia pelo lado africanizado e dionisíaco do negro. Podendo ser lida por um lado como potencialmente transgressora; um desejo que convida ao sexo; mas por outro lado implica numa perpetuação dos estereótipos de imoralidade sexual atribuído a "raça" negra. O tipo de linguagem que vem sendo utilizada nos filmes pornôs é negativa, pois ressalta imagens que foram construídas sobre os homens e mulheres negros no período da escravidão, não sendo cabíveis de continuarem a ser utilizadas e difundidas até hoje.
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De Gabriela a Juma – imagens eróticas femininas nas novelas brasileiras
Luciana Rosar Fornazari Klanovicz (UFSC)

Este trabalho se propõe a pensar sobre a construção erótica de personagens femininas nas novelas brasileiras em meio ao processo de redemocratização dos anos 1980. Diante da saída da ditadura e com a promessa governamental do fim da censura, o erotismo tomou forma e espaço nas televisões do país. No processo de constituição de determinados sujeitos “eróticos” a revista Veja contribuiu nesse processo, ao divulgar, noticiar e comentar, de forma positiva, sobre os atributos considerados sedutores dos corpos das atrizes erotizadas. Nesse sentido, a personagem Gabriela é tomada como referência de um discurso que tornava positivas as características sensuais tanto da gestualidade quanto da aparência da personagem. Uma corporalidade “morena”, de “ancas largas”, acessível ao amor, de pouca fala, trabalhos domésticos e perfeita amante. Nas novelas que analisei o erotismo foi positivado em grande medida, pois reafirmava, mesmo de maneiras diferentes, o erotismo à brasileira de Gabriela. Os discursos que apontavam reprovações sobre o erotismo de determinadas personagens recaía não necessariamente sobre o erotismo em si, mas sobre “transgressões” ou cenas que sugeriam outra sexualidade, diferente da heterossexualidade normativa. Assim, o corpo erotizado pelos discursos tanto da produção das novelas quanto da revista Veja foram fluídos; pois só em determinadas relações ele foi o alvo da vontade de censura.
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Conjugalidades homossexuais nos seriados televisivos Queer as Folk e The L Word: onde gênero e sexualidade se cruzam
Marina Fisher Nucci (UERJ); Ana Paula Lopes de Melo (UERJ); Marcos Castro Carvalho (UERJ)

A partir da análise das primeiras temporadas de dois seriados televisivos estadunidenses – Queer as Folk e The L Word – pretende-se levantar discussões acerca das corporalidades lésbicas e gays, centrando-se, principalmente, nas construções de gênero e na dinâmica das conjugalidades. Tendo em vista o notável crescimento de um nicho específico do mercado voltado para o segmento genericamente denominado “GLS”, entende-se que tais produtos midiáticos (os seriados televisivos) se encontram, em boa medida, pautados nas representações e estereótipos ligados a fatores como “raça”, classe e geração. Tomando como ponto de partida a necessária intersecção entre gênero e sexualidade, visa-se produzir uma reflexão em torno do arranjo das configurações acerca do “masculino” e do “feminino”. Ambas as séries, apesar de constituírem um marco no que concerne à representatividade e visibilização de sexualidades outras e abordarem temas relevantes (como, por exemplo, a violência contra homossexuais), não deixam de reforçar padrões socialmente estabelecidos, tais como: o binarismo de gênero, os modelos de relações afetivo-conjugais, o essencialismo de condutas tidas como “femininas” ou “masculinas” (ancoradas no imaginário de que homens naturalmente tendem para o sexo e mulheres para o “amor”), entre outras. Por fim, considera-se estratégico ampliar o debate a respeito da interface existente entre as práticas e percepções dos potenciais consumidores e esse tipo de produto cultural, levando-se em consideração o perfil ideal do público alvo a ele subjacente.
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A auto-apresentação fotográfica de travestis e prostitutas do Itatinga/ Campinas
Luiz Carlos Sollberger Jeolás (UNICAMP)

Este trabalho é parte de minha dissertação de mestrado em andamento no Instituto de Artes da Unicamp (IA), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e tem como objeto de pesquisa as imagens fotográficas produzidas por travestis e prostitutas, moradoras do bairro Itatinga/Campinas –SP, a partir de oficinas de fotografia realizadas no primeiro semestre de 2008.O objetivo é a análise interseccional dos diferentes marcadores sociais, tais como, raça/etnia, relações de gênero, idade/geração, capital cultural/imagético e classe encontrados nos discursos das participantes sobre o material fotográfico por elas produzido. A metodologia implica a utilização de todo o material foto-etnográfico produzido pelas participantes durante as oficinas ministradas no bairro. Estas oficinas têm como objetivo levantar questões de forma e conteúdo da imagem fotográfica: a técnica (foco, enquadramento, exposição, luz, cor, profundidade de campo) balizando a própria linguagem fotográfica e questões temáticas destas imagens (sexualidade, prostituição/trabalho, família e lazer e a questão dos direitos de circulação destas imagens).
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Mulheres travestidas nos jornais entre os anos 1920-1960
Nadia Nogueira (UNICAMP)

Este artigo pretende desconstruir a opinião difundida pelas teorias científicas européias do final do século XIX, acerca do lesbianismo, investigando alguns casos ocorridos no Brasil entre os anos 1930 e 1960. A percepção do lesbianismo como doença, penetrou e se difundiu no imaginário social brasileiro, o que, combinado com o discurso religioso reforçou a construção de um estigma em relação às práticas amorosas e sexuais entre mulheres. Para os médicos e juristas a conduta delas poderia ameaçar a manutenção da estrutura social. Por isso, mulheres travestidas poderiam ser asiladas em instituições psiquiátricas. Apresento o caso de mulheres travestidas que procederam de esferas sociais com menor poder aquisitivo e que provavelmente por isso, tiveram suas vidas mais expostas publicamente. Estes casos foram registrados em jornais de grande circulação do Rio de Janeiro, entre as décadas de 1920 e 1960. Nas primeiras décadas do século XX tal comportamento era considerado uma “aberração”, por isso a assistência médica para alterar o que julgavam ser uma conduta inadequada. Discuto essas práticas para mostrar como algumas mulheres implicadas em tais relações foram maltratadas pela sociedade, bem como intento apresentar a multiplicidade de configurações de tais relações, considerando que não existe uma única forma de expressão desses sentimentos.
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