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Coordenação:
Dra Ivana Guilherme Simili – Universidade Estadual de Maringá, Paraná

Dra Patrícia Lessa dos Santos -Universidade Estadual de Maringá, PR

Dr Sebastião Josué Votre - Universidade Gama Filho, Rio de Janeiro

Um dos focos dos estudos da História e da Educação têm sido questões relacionadas às construções de significados para os corpos, nas quais as aparências dos sujeitos e as pedagogias de gênero ocupam lugar de destaque. Inspirados nos estudos culturais e de gênero, as perspectivas de análise inauguradas pelas investigações sobre o corpo vêm possibilitando que inúmeras práticas, instituições e expressões sociais transformem-se objetos de pesquisa. O papel desempenhado pela indumentária, pela moda, pelo esporte na produção de significados para os corpos e para os gêneros; os trabalhos realizados pelas pedagogias educacionais e culturais na conformação de idéias e representações para os corpos e as aparências, nas quais se destacam alguns espaços, como por exemplo, a escola, as academias de ginástica, os espaços de lazer e consumo (Shoppings, bares e casas noturnas), são algumas problemáticas que fazem parte da agenda dos estudos da História e da Educação. Este Simpósio Temático tem por objetivo aglutinar pesquisas desenvolvidas e em andamento com temas e problemáticas afins. Nosso propósito será o de refletir sobre os aspectos teórico-metodológicos envolvidos nas pesquisas; sobre os caminhos trilhados pela História e pela Educação na produção de conhecimentos para a História do corpo, da aparência e dos gêneros e a contribuição das pedagogias culturais para a compreensão destes objetos.

Memórias de um corpo em construção: a trajetória da fisiculturista brasileira Larissa Cunha
Patrícia Lessa

Essa pesquisa tem como objetivo geral analisar a trajetória da fisiculturista Larissa Cunha estabelecendo sua presença no cenário internacional como marco importante deste esporte para as atletas brasileiras, colocando-a no centro das discussões da história das mulheres nos esportes. A análise é feita à luz da História das Mulheres nos Esportes (HARGREAVES, 2000; PFISTER, 1994) e dos estudos de gênero. O método utilizado é retirado da História Oral por entender que os relatos de seus informantes são importantes instrumentos para preencher as lacunas deixadas pela história tradicional ou documental. A Entrevista de história de vida em profundidade é nosso instrumento de coleta de dados complementado com gravação de voz, registro de imagens, além do diário de entrevistas.
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As representações de genêro nas quadras de voleibol de alto rendimento.
Sandra Bellas de Romariz

Essa pesquisa, em andamento, tem como objetivo identificar as representações de gênero que circulam em torno do comando de equipes de voleibol de alto rendimento (Moscovici, 2007). Utilizando a análise de conteúdo (Franco, 2003) como instrumento de análise interpretativa das narrativas dos sujeitos vinculados a esse cenário esportivo, procurou-se desvelar os aspectos culturais construídos sobre o corpo feminino, que interferem na inserção e na permanência de mulheres no comando de equipes de voleibol de alto rendimento, no Rio de Janeiro. O corpus da pesquisa é composto de entrevistas semi-estruturadas a seis técnicos de voleibol no Rio de Janeiro, sendo três homens e três mulheres que participaram das competições oficiais da FVR no período de maio de 2007 a maio de 2008, no Campeonato Estadual Adulto do Rio de Janeiro 2007 e na Taça Rio 2008. Encontrou-se nos discursos d@s colaborador@s evidências que o espaço de comando de equipes de voleibol de alto rendimento, é representado como um espaço culturalmente associado ao universo masculino mais do que ao feminino. Observamos que as mulheres constroem seus lugares de sujeito neste universo adequando sua aparência ao sexo masculino no diz respeito às condutas e indumentárias esportiva. Sendo assim, foi verificado a existência de um “teto de vidro”, interferindo na inserção de mulheres nos espaços destinados ao comando de equipes de voleibol de alto rendimento.
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Mulheres no break: a dança do movimento hip-hop
Ana Paula Almeida Alves; Sebastião Josué Votre

No presente estudo descrevemos e interpretamos as razões que levam um grupo de jovens mulheres do bairro de Pedra de Guaratiba, da periferia oeste do Rio de Janeiro, a se envolver com break dance, normalmente associada aos rapazes. Com a intenção de operar um “triálogo” entre o discurso de sujeitos individuais, sujeitos coletivos e etnografia das ações verbais e não-verbais, o estudo piloto foi realizado a partir de entrevistas semi-estruturadas com quatro informantes de elite, dois homens e duas mulheres, com vistas a preparar o roteiro para entrevista em grupo focal com seis jovens, três homens e três mulheres. A interpretação dos dados se deu pela Análise Crítica do Discurso, num esforço em superar a paráfrase das falas. Os resultados privilegiam como razões desta predominância a característica guerreira, corajosa e decidida das mulheres, por ser uma dança difícil e que requer muita força; destacam-se: a possibilidade de visibilidade; a superação feminina no break pelo igual estímulo dado pelos professores; a vergonha masculina em dançar com mulheres; a discriminação exercida pelas jovens contra os rapazes novatos, levando-os a se evadirem; a proteção “velada” dos líderes. As dançarinas de break da região, que perfazem 70% do grupo, gozam de alto “status” na região, pela inovação e por sua atitude, frente a outros grupos de hip-hop de hegemonia masculina. Elas ilustram um caso peculiar de pedagogia de gênero, em que homens promovem mulheres de maneira solidária.
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Representações de gênero para os praticantes de muay thai do Rio de Janeiro
Phillip Barbosa Barreto Lima; Sebastião Votre

Este estudo, em andamento, tem como objetivo analisar e interpretar as representações na prática de atividades de luta marcial por homens e mulheres, tomando como referência o Muay Thai dentro da equipe Thai Team da cidade do Rio de Janeiro. Utilizamos a Análise de Discurso Crítica (Rezende e Ramalho, 2006) como instrumento para identificar e interpretar pistas que justifiquem a prática por mulheres neste esporte considerado masculino. Buscamos identificar sinais de mudança comportamental para suporte à nossa hipótese de que os esportes de combate promovem empoderamento a seus praticantes, facilitando a entrada em novos espaços antes inacessíveis, promovendo, na concepção de Castells (1999), mudança identitária nestes indivíduos. O corpus da pesquisa, até o presente momento, é composto de entrevistas semi-estruturadas a quatro praticantes de Muay Thai, sendo dois homens e duas mulheres, que treinam há mais de seis meses. Encontrou-se nos discursos d@s colaborador@s evidências de que a luta é representada como um espaço culturalmente associado ao universo masculino. Observamos que as mulheres encontram atributos no Muay Thai, que promovem a autoconfiança entre outros benefícios. Sendo assim, foi verificado que o esporte Muay Thai pode empoderar seus praticantes, mesmo que para isto as mulheres tenham que superar um “teto de vidro”, na construção de sua identidade de lutadora.
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Futebol Feminino: Motivações para a Prática por Mulheres de Classe Alta.
Carlos Eduardo Naliato Melillo; Sebastião Votre

O trabalho evidencia a participação de mulheres na prática de futebol, tendo como amostra um grupo de 17 mulheres, jovens e adultas, que realizam a atividade duas vezes por semana, num clube fechado para associados de classe média alta e alta no Município de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, área que experimenta acelerado processo de desenvolvimento. O objetivo é identificar e analisar as motivações que levam mulheres dessas classes sociais a praticar este esporte dito popular em nosso país, como atenção especial para as facilidades que encontram e dificuldades com que se defrontam. A metodologia constou de observação participante, entrevistas de elite e entrevista coletiva com o grupo focal, com auxílio das teorias críticas de análise do discurso. Os resultados evidenciam que a participação das mulheres de classe média alta e alta no futebol constitui evidência contra a hipótese segundo a qual o futebol é esporte de reserva masculina.
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Memória, Gênero e Formação de Professoras de Educação Física
Viviane Teixeira Silveira; Maria Rita De Assis César; Prof. Dr. Luiz Carlos Rigo

Esse trabalho é resultado de uma pesquisa que propôs analisar as concepções a respeito da formação feminina presente nos discursos e nas práticas curriculares que atuaram na formação das professoras da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas (ESEF/UFPEL), nos anos 70 e início dos anos 80. A opção por tal momento histórico amparou-se na importância desse período na configuração da Educação Física brasileira, pois é nele que o paradigma esportivo ganha força na área, e também, por a Educação Física estar entre as formações universitárias em que houve uma presença significativa de mulheres. Partindo das contribuições advindas das teorias curriculares que são pautadas pela perspectiva dos estudos genealógicos foucaultianos colocou-se a importância de examinar até que ponto, dentro das suas condições de possibilidades históricas, as práticas curriculares que atuaram na formação das professoras de Educação Física, principalmente a partir dos anos 70, possuem ou não elementos instituidores de novas posturas de corpo, da sexualidade feminina e das relações de gênero. A pesquisa que ora apresentamos, portanto, propõe refletir sobre as condições de possibilidade de formação universitária de mulheres numa determinada época, tomando os corpos e as sexualidades a partir de um viés pós-estruturalista, que entende o sujeito em termos de uma construção discursivo-institucional, em que pese as relações de poder, e considerando a historicidade que permeia os processos múltiplos de produção de subjetividades.
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As imagens da imprensa como pedagogia de gêneros
Ana Cristina Teodoro da Silva

O trabalho com imprensa brasileira de circulação nacional confirma a veiculação de estereótipos relacionados às identidades de gênero. A análise do caderno direcionado para a juventude, o Folhateen, do jornal Folha de S.Paulo, entre 1991 e 1993, mostra as divisões estabelecidas nos esportes, já que há os adequados aos meninos e os adequados às meninas. Em outro trabalho, analisando as revistas Manchete e Veja em 1968 e 1969, observa-se nas capas papéis atribuídos à mulher considerada síntese da brasileira e, em menor número, mas com grande força, ao homem também. Além de claras funções convencionais, imagens são atribuídas a esses modelos, imagens que serão basilares em uma sociedade encantada com a fotografia colorida, com as atrizes de Hollywood, com a misses e astronautas. Pretende-se, portanto, divulgar e debater os resultados dessas pesquisas enfocando especificamente as questões relacionadas a uma autêntica pedagogia de gêneros veiculada sistematicamente por nossa chamada “grande imprensa”.
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Questões teórico-metodológicas nos estudos sociolingüísticos da relação entre linguagem e gênero
Cristine Gorski Severo

Dado o papel relevante desempenhado pelo gênero no processo de constituição das identidades e, por tabela, no funcionamento (mudança/variação) da linguagem, trata-se de colocar em discussão aspectos teórico-metodológicos da teoria sociolingüística envolvidos no estudo da relação entre gênero e língua. Para tanto, faz-se uma revisão dos seguintes trabalhos que tratam dessa questão: (i) Labov (2001) e Chambers (1995), que exploram o enfoque macro-social da comunidade de fala (com apresentação de algumas críticas feministas sobre essa perspectiva). (ii) Milroy e Milroy (2003; 1987), que abordam o olhar micro-social das redes sociais. E (iii) Eckert (2000), que focaliza o papel das práticas sociais no estudo da correlação entre variação e identidade. Destaca-se a importância dos estudos sociolingüísticos não apenas na sistematização de categorias lingüísticas vinculadas ao gênero, mas, também, no oferecimento de uma ferramenta de leitura de aspectos sociais, culturais e políticos em torno do gênero. Por fim, o trabalho contribui com as propostas de pedagogia de gênero, ao explicitar o caráter complexo das relações entre gênero e linguagem.
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Quando as aparências não enganam: tatuagens e a lógica de gênero
Andréa Barbosa Osório

O corpo feminino tem sido apontado como lócus de representações sobre a feminilidade, bem como o masculino como lócus de representações sobre a masculinidade. Neste sentido, as marcas corporais de feminilidade/masculinidade se apresentam como uma forma de discurso sobre a mulher e o homem e sobre o feminino e o masculino. Estudo desenvolvido acerca dos usos de tatuagens por homens e mulheres na cidade do Rio de Janeiro indicou a manutenção de representações tradicionais de masculinidade e feminilidade a partir dos desenhos tatuados por cada sexo. Estas representações envolvem, para as mulheres, desenhos pequenos, ingênuos e infantis, evocando fragilidade e delicadeza, enquanto para os homens reservam-se os desenhos maiores, cuja iconografia envolve animais ferozes e outros símbolos de morte, poder e dominação. Estes desenhos agregam aos corpos que os sustentam um maior valor em termos da identidade de gênero: tornam seus portadores mais másculos ou mais femininos. Contudo, este uso é recente. Em período anterior, a tatuagem era marca de grupos socialmente marginalizados e “inferiores estruturais”, como marinheiros e prostitutas. Uma análise destes grupos em comparação com os grupos atuais permitiu perceber um deslocamento da prática de camadas baixas para camadas médias e de um público masculino para um feminino.
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A continuidade do 'ser mulher': redefinindo os discursos sobre o corpo feminino na experiência do câncer de mama
Waleska de Araujo Aureliano

As mulheres atingidas pelo câncer de mama passam, a partir da experiência da enfermidade, a travar novas relações com o corpo modificado pela cirurgia de mama que provoca profundas alterações corporais. Considerando as representações simbólicas e sociais que envolvem o corpo da mulher e a associação das mamas à feminilidade, à sexualidade e à maternidade, pretendo discutir neste trabalho como a idéia do corpo feminino e dos papéis sociais associados a ele foi histórica, social e culturalmente construída em nossa sociedade, como essa representação é percebida e re-elaborada pela mulher mastectomizada e quais os discursos e visões (muitas vezes ambíguos) que passam a ser utilizados para a compreensão deste corpo após a experiência da doença. A pesquisa foi realizada com mulheres de dois grupos de ajuda mútua localizados na cidade de Campina Grande (PB). Durante dois anos acompanhei os encontros destes grupos e realizei entrevistas com algumas de suas participantes. Abordarei os aspectos relacionados, principalmente, à mastectomia e à reconstrução da mama, por serem etapas importantes para a compreensão da experiência do câncer de mama na sua relação com os discursos sobre o corpo da mulher, e que nos permitem analisar como se dão as estratégias e disputas em torno do corpo mutilado, o controle sobre a informação corporal e a utilização ou não das técnicas biomédicas na reconstrução dos corpos. Assim, pretendo mostrar como a mulher mastectomizada organiza a experiência da doença e negocia novas representações e apresentações sociais sobre o corpo feminino e sobre os discursos que cercam este corpo.
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Riot Grrrls em São Paulo: estética corporal na construção identitária
Michelle Alcântara Camargo

Tomando-se a moda como meio de conexão de sentidos capaz de produzir imagens e signos, é possível compreender que no processo identitário a moda e a estética corporal são reapropriadas enquanto resistência não verbal a padrões de feminilidade. Neste trabalho, objetiva-se analisar os resultados parciais, visto que o estudo encontra-se em andamento, com o intuito de analisar a construção de corporalidades, utilizando as manifestações estéticas como eixo, em um grupo de jovens mulheres denominado Riot Grrrls, que perpassa por transformações impostas aos corpos, como tatuagens e piercings, além da composição de um estilo na busca de uma indiferenciação entre homens e mulheres expressa no plano vestimentar (GROSSI, 1996) enquanto produtora ou não de identidades sociais. Portanto o estudo sobre identidades e diferenças sobre as Riot Grrrls na cidade de São Paulo, tomando-se como recorte as manifestações estéticas, é importante para a compreensão de interpretações e aplicações dadas pelas jovens em relação ao grupo e também para contribuir com a discussão sobre a relação entre estética corporal e identidades sociais.
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A mulher disciplinada: corporalidade e gênero na Europa Ocidental dos séculos XII e XIII.
Caléu Nilson Moraes

As aparências da mulher no Ocidente Medieval não raro refletem a tripartida noção de corpo e alma do discurso médico/filosófico predominante nos séculos XII e XIII. Na pessoa percebiam-se três dimensões, a saber: o corpo (corpus); a alma (anima), algo como que um princípio vital; e o espírito (spiritus), o princípio pensante. As representações da época trazem a alma de cabelos compridos e louros, ao passo que o espírito é pura virilidade. A história do corpo feminino na Idade Média é a história de um corpo disciplinado: a bela nudez é o reflexo da alma pura e apresenta-se apenas em cenas de martírio. As prostitutas são sempre feias parecendo um inventário de defeitos e aberrações. A mulher não usa a maquiagem: verdadeira abominação porque impede que se veja o reflexo de Deus na pele humana. O cheiro ruim é conseqüência de uma alma impura. Este trabalho pretende caracterizar, de maneira geral, as construções do feminino nos discursos de clérigos ou artistas acerca da aparência da mulher, em sermões ou afrescos, situados entre os séculos XII e XIII na Europa Ocidental. Em seguida, é minha intenção compreender como se deram as relações sociais entre homens e mulheres na Idade Média, a partir da constatação dos discursos disciplinadores acima analisados, sem perder de vista exemplos de contestação como o de Urraca que na Castela do século XII exerceu imenso poder na corte como rainha.
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Produzindo a "grande dama": dispositivos e práticas pedagógicas em colégios católicos
Daniela de Oliveira Rezende

O objetivo desta comunicação é tecer algumas reflexões sobre a influência da educação católica, no contexto da tensão entre o ultramontanismo e as pressões culturais e sociais da modernidade, nos processos de construção de subjetividades femininas. A partir de uma perspectiva teórica foucaultiana e dos estudos pós-estruturalistas de gênero – especialmente Judith Butler, Teresa de Lauretis e Guacira Lopes Louro – analisa-se como dispositivos e práticas pedagógicas articularam-se no cotidiano de um colégio católico, entre as décadas de 1940 e 1960, em relação à produção de uma subjetividade feminina normatizada – “o sujeito feminino e cristão” – de forma a modelar os corpos e imprimir formas de comportamento e de sociabilidade consideradas adequadas à mulher em um contexto sócio-histórico específico.
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Corpo, identidade e trabalho - representações das mulheres da Rocinha
Joana Angélica de Pereira Vigne, Sebastião Josué Votre, Yara Lacerda

O objetivo deste estudo é analisar como mulheres praticantes de musculação da Rocinha se representam e como agem, para se manterem nos espaços sociais e de trabalho, com a valorização da aparência e da capacitação do corpo. A hipótese é que as mulheres estão conscientes dos desafios e dificuldades com que se defrontam para empoderar-se. A amostra consiste em 17 mulheres de 16 a 34 anos, praticantes de musculação de forma regular e assídua em academia local. Em sua maioria, são ocupantes de atividade profissionais em que lidam diretamente com o público, como vendedoras, caixas, recepcionistas e garçonetes. A metodologia utilizada no estudo combina observação participante com análise de entrevistas semi-estruturadas, optando pela Análise Crítica do Discurso, nos termos de Van Dijk, incorporada em Iñiguez (2005), segundo a qual as falas são submetidas ao crivo da crítica das condições de produção das respostas e aos mecanismos utilizados pelas informantes para salvar a face, impressionar a entrevistadora e fazê-la crer que elas são livres e donas de seus discursos. Constatamos que as mulheres negociam com o poder, usando as energias para crescer, desenvolvendo o embelezamento do corpo como estratégia para fortalecer o eu e para firmar-se no emprego. Representam a musculação como recurso para melhorar a qualidade de vida e o bem estar físico e mental.
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Donas da Beleza Madura
Nádia da Cruz Senna

O estudo da representação da beleza feminina na maturidade é parte integrante da tese de doutorado “Donas da Beleza: A imagem feminina na cultura ocidental pelas artistas plásticas do século XX”. A categoria Maturidade comparece pelas implicações que impõe aos modelos de representação, conforme o imaginário de homens e mulheres. Partindo da visão positiva da velhice feminina, veiculada em “Garotas do Calendário”, constrói-se um quadro visual que examina o contexto estético e sociocultural que propiciou o desenvolvimento deste modelo. Destaca-se também, sua coexistência com modelos totalmente diversos, situando os referenciais artísticos ao longo da história, com ênfase para o olhar das próprias mulheres sobre a maturidade.
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Moda e etiqueta na política: as aparências da primeira-dama Darcy Vargas nos encontros e recepções presidenciais dos anos 30
Ivana Guilherme Simili

Diversas perspectivas de análise têm orientado os estudos da mulher na política. Esta comunicação trata de questões relacionadas à atuação e performance da mulher na política, sob o foco da moda e das etiquetas de gênero. Investigo os documentos (escritos e imagéticos) que narram a participação da primeira-dama Darcy Vargas, esposa de Getúlio Vargas, nas encenações dos encontros presidenciais ocorridos no Brasil nos anos 30, procurando deslindar nas aparências da personagem – na indumentária, nos gestos e nas posições como foi representada atuando nos eventos -, os códigos do bem-vestir e das boas maneiras ditadas pela moda e pela etiqueta da época ao feminino. A hipótese que norteia este trabalho é o de nas imagens produzidas pela documentação para uma mulher que ocupava lugar de destaque nos cenários dos acontecimentos políticos, registram-se os trabalhos pedagógicos da moda e da etiqueta, conformando-lhe aparências que emitem sinais acerca das construções sociais, culturais e políticas de gênero e nelas os padrões de feminilidade presentes nos anos 30, com os modos de compor o visual, de agir e comportar-se, de aparecer e permanecer preconizados pelos espaços das cerimônias às mulheres.
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Adolescentes no Orkut: as tecnologias de informação e comunicação na produção de corpos femininos
Raquel Pereira Quadrado; Paula Regina Costa Ribeiro

Esse trabalho refere-se à pesquisa de doutorado que estamos desenvolvendo no PPG de Educação em Ciências da FURG, com o objetivo de investigar como a internet, através das comunidades da rede orkut, vem atuando na produção dos corpos dos/as adolescentes e produzindo subjetividades. Para desenvolver tal pesquisa, temos dialogado com autores dos Estudos Culturais, nas suas vertentes pós-estruturalistas. Entre os diversos artefatos culturais que vêm inscrevendo os corpos e engendrando formas de ser adolescente no mundo contemporâneo, escolhemos investigar a internet, mais especificamente a rede orkut porque esta é uma rede de relacionamentos que vem contando com uma participação cada vez maior de adolescentes, especialmente no Brasil (atualmente, cerca de 53,85% dos usuários são brasileiros). A pesquisa está sendo desenvolvida a partir da análise das narrativas dos fóruns de algumas comunidades do orkut, que contam com a participação de um grande número de adolescentes, como, por exemplo: Eu já chorei por estar gorda; Desculpe, sou magra; Cara de anjo, corpo de mulher; Corpo perfeito; Odeio gorda c/piercing n/umbig; Sou gorda idaí? E você é feia!; entre outras. Entendemos que nestas comunidades os/as adolescentes compartilham narrativas e vão sendo subjetivados/as nessas interações. Ao analisar essas narrativas, temos olhado a rede de discursos presentes, buscando problematizar como as interações estabelecidas nesses espaços vão produzindo esses/as adolescentes - neste trabalho, de modo especial, as meninas –, que marcas vão inscrevendo nesses corpos, que feminilidades são produzidas, bem como os efeitos que produzem nesses sujeitos.
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Artes e pedagogias de gênero - relato de experiência

Alexandra Pingret

Minhas observações sobre as potencialidades das artes para aprofundar as discussões sobre as pedagogias de gêneros presentes na sociedade e na escola e as reflexões que a acompanhavam acerca da construção histórica e cultural de gênero levou-me a pesquisar e aprofundar estudos ligados à arte engajada, a qual pode ser reconhecida como manifestação artística que exprime orientação política. Com base no trabalho desenvolvido nas turmas de 8ª série do Ensino Fundamental (C.E. “Emílio de Menezes) e nas turmas de 2º ano (C.E. “Ivanilde de Noronha) envolvendo as disciplinas de Artes e Português, no 1º bimestre de 2008, ambos colégios públicos, da cidade de Arapongas, Paraná, foi iniciado esses estudos. Esta comunicação almeja fazer o relato da experiência acerca de como foi o trabalho com os alunos (as), que se desenrolou no sentido de que os(as) estudantes tivessem acesso às lutas e conquistas feministas através da história e pudessem desenvolver painéis e bandeiras abordando os temas da Carta das Mulheres para a Humanidade construída coletivamente pela Marcha Mundial das Mulheres, bem como, elaborar um boletim informativo com as reflexões desses(as) estudantes sobre a temática. O resultado final foi a exposição dos painéis e bandeiras e a divulgação do boletim informativo na própria comunidade escolar. Ao trazer esta experiência para o debate, meu intuito é o de pensar a arte como instrumento pedagógico que, além de contribuir para a aquisição dos conhecimentos artísticos permite dialogar com os(as) estudantes, para a compreensão das representações acerca do que é ser mulher e ser homem, sob a perspectiva de equacionar os modelos estabelecidos socialmente e culturalmente para o masculino e feminino e os conceitos que o acompanham de masculinidade e feminilidade.
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A abadessa Heloísa : uma voz feminina que se eleva, em pleno século XII
Lívia Lindóia Paes Barreto

Este trabalho objetiva apresentar a voz das mulheres/monjas, do século XII, pelos lábios da apaixonada abadessa Heloísa e suas contribuições para as questões de gênero e promoção humana. O corpus para a análise é a correspondência trocada entre a abadessa e o marido, a quem devota um amor indefectível, com enfoque especial nas Epistulae 1,2 e 4. Nessas três cartas acompanhamos o trajeto da mulher resignada à vida monacal, mas que não se cala ante as penas que lhe foram impostas : a humilhação e a dor da culpa pela castração do amado que, tonsurado, e por dedicar-se aos estudos filosóficos, tinha a obrigação da castidade, e a aceitação da vida religiosa que obrigou-a a renunciar ao amor. Embora submissa ao marido, abade no mosteiro de Saint-Denis, ela lhe pede que escreva um projeto de regra para o Paracleto, admitindo e denunciando com veemência a inadequação, para as mulheres, da Regra de S. Bento. Não contente , Heloísa corrige o que considera errado antes de mostrar a vida a seguir. O método de análise, centrado nas teorias críticas do discurso, mostra como a missivista aponta para a questão da dominação masculina sobre as monjas, problematizando, especialmente, a diferenciação sexual.
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O projeto feminista de Hildegarda de Bingen (1150)
Sebastião Josué Votre

Nesse estudo, mostramos em fragmentos pedagógicos da abadessa Hildegarda de Bingen, de 1150, em confronto com textualizações atuais, como se mantém o tripé da cultura, dos usos lingüísticos e das suas representações. Sobre um cerne que se mantém, uma parte varia e outra muda. Trabalhos recentes, com base em corpora latino e português, de distintas sincronias, numa perspectiva pancrônica, têm mostrado que, ao lado da derivação semântica e categorial, há muito de estabilização, de usos que se mantêm na trajetória da cultura ocidental. Para dar conta dessa reorientação teórico-metodológica, formulamos o princípio de extensão imagética instantânea, em que, num viés desvinculado da dimensão unidirecional ou temporal, trata os usos lingüísticos, e sua derivação de sentido e de forma, em função dos contextos pragmático-discursivos e das pressões cognitivas em ação no momento dessas ocorrências. Como tais pressões não se relacionam especificamente a um marco temporal, mas à esfera situada e contingente das interações humanas, linhas unidirecionais clássicas do tipo léxico > gramática ou espaço > tempo > texto, não são relevantes ou condição necessária para a análise interpretativa das práticas linguageiras. Assim compreendidos, usos mais sistemáticos e contínuos de conteúdo e de expressão, como os dos textos da abadessa Hildegarda Von Bingen sobre promoção feminina podem ser interpretados como representações que revelam equilíbrio e estabilidade.
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A Pedagogia Silenciosa de Hrosvitha de Gandershein
Antonio Marcos Gonçalves Pimentel; Lívia Paes Barreto

No final do século X, em Gandersheim, Alemanha, Hrotsvitha, monja da ordem beneditina, produziu, entre outras poucas – porém não pequenas – obras, uma dramaturgia de seis peças doutrinárias, claramente inspirada em Terêncio. Nesta cristianização do poeta latino, a monja beneditina pretendeu glorificar a Deus e exaltar os valores cristãos tão necessários à salvação da alma: o que é fulcral na mentalidade medieval. Contudo, sabe-se que as peças de Hrotsvitha não só não foram encenadas à época como mal foram lidas dentro dos muros de sua própria abadia. Fosse pela ausência do gênero dramático na Alta Idade Média (retomado com fôlego mais tarde na península Ibérica com Gil Vicente), fosse pela falta de um público “de teatro”, o fato é que se identifica uma certa pedagogia na dramaturgia de Hrotsvitha, ainda que, por seu “silêncio”, seja uma pedagogia da ausência. Nosso objetivo neste trabalho é, através da análise dos signos lingüísticos latinos com os quais Hrotsvitha escreveu seu Paphnutius, mapear de que tipo de pedagogia a autora lança mão para configurar sua mensagem doutrinária e, ainda, para quem e de que forma. É também nossa intenção levantar a questão: Hrotsvitha de Gandersheim pode ser considerada uma pedagoga? Ou teria sido apenas uma escritora sem público e, nesse caso, fica o status quo scriptoris ele próprio descaracterizado?
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A síntese do Eu como armadilha: subjetividades e contextos institucionais de atenção à infância
Ana Lúcia Cintra; Mériti de Souza

A concepção da identidade atrelada à noção de um sujeito auto-sustentável e predominantemente racionalista, assim como a crença em uma unidade estável do Eu, está sob questionamento em diversas áreas do conhecimento. O trabalho de afastamento das lógicas identitárias e das concepções de um indivíduo intrapsíquico deságua na adesão aos conceitos de identificação e de modos de subjetivação como recursos teóricos que consideram a subjetividade como processo social, econômico e político. Também o inconsciente e a noção de eu corporal constituem contribuições da psicanálise acionadas na crítica às formas de saber que legitimam totalidades e excluem diferenças. Em contextos institucionais norteados por uma pedagogia disciplinar e por parâmetros universais e deterministas há pouco espaço ao singular e à inclusão da diferença, ocupando o educador lugar de destaque nos processos de subjetivação. A importância deste outro na produção da trama psíquica - que inclui as identificações e as políticas do corpo - fazem questão acerca do lugar do educador-cuidador de crianças e adolescentes em situação de abrigamento institucional. A partir do trabalho de assessoria psicológica a instituições na cidade de Florianópolis - S.C.- , analisamos as relações entre a rede simbólica hegemônica na tradição cultural brasileira e as situações educacionais presentes nas instituições de cuidado infantil. Em paralelo, focamos práticas e discursos que atravessam o universo institucional e inscrevem na cena psíquica de crianças e adolescentes representações específicas sobre o masculino, o feminino, o corpo e a sexualidade.
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Adolescentes em conflito com a lei? Leituras sobre identidade, sexualidade, corpo e práticas pedagógicas institucionais
Carolina Bertol; Mériti de Souza

Neste trabalho problematizamos a produção da identidade “delinqüente” associada aos adolescentes em privação de liberdade atendidos por instituições sócio-educativas. O trabalho de sócio-educação tem como pressuposto reeducar adolescentes e desenvolver condutas consideradas “normais”, porém, no geral, ele se restringe a práticas pedagógicas de punição e reforço positivo. Essas práticas não questionam o estereótipo da “identidade delinqüente” e as relações entre a inscrição psíquica da lei jurídica e subjetiva realizada por esses adolescentes e suas representações de sexualidade, corpo e masculinidade. No atendimento psicológico realizado com adolescentes denominados infratores no Cense - Centro de Sócio-Educação - de Curitiba, observamos ações que explicitam seu reconhecimento da lei, bem como, escutamos frases como “a palavra do sujeito homem ladrão não pode ser quebrada”. Essa escuta levou-nos a problematizar o lugar transgressivo assumido por esses adolescentes e sua relação com a constituição da masculinidade e da representação corporal. Utilizamos referenciais psicossociais e psicanalíticos para analisar discursos e práticas adolescentes, concomitante à análise do lugar normativo assumido pelas instituições sócio-educativas. As condutas transgressivas podem explicitar respostas à demanda implícita posta pelo discurso social e pedagógico institucional que estabelece o mandato do “fracasso” ou do “sucesso” nas vertentes escolar, econômica, social, sexual. Assim, representar o corpo, a sexualidade e a subjetividade como revestidos pela aparência do poder, do êxito, da invulnerabilidade, da masculinidade pode oferecer a ilusão de corresponder ao ideal social fálico, ainda que na condição de marginal.
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O panóptipo escolar: o corpo como alvo e produto do poder
Lorena Leite do Coutto

Historicamente a função escolar, como espaço institucional de ensino formal, tem sido a de regulamentar comportamentos, moldando os indivíduos dentro dos modelos arquetípicos hegemônicos, com o intuito de imprimir, em cada um, padrões que são regidos pela tensão entre normalidade e anormalidade. Um trato disciplinar que tem como alvo primeiro os corpos dos educandos, agindo sobre este inicialmente através dos castigos físicos herdados da tradição católica européia, mas que, contemporaneamente, de modo sofisticado, se arranjou por meio da forma e organização do espaço. Assim, este trabalho objetivou identificar: como o espaço arquitetônico escolar e o seu uso racional constroem os corpos de seus educandos? Utilizamos observação participante e registro fotográfico in lócus: uma Escola de ensino fundamental, de construção recente, localizada em um bairro periférico da região metropolitana de Belém/Pa. Lá observamos um esmiuçador processo disciplinar, circunscrito na matéria da qual e feito o prédio escolar; comunicando, informando silenciosamente os papéis a serem assumidos. Seus símbolos, seus arranjos arquitetônicos, instituem múltiplos sentidos, “gênerificando”, com base nos dois gêneros hegemônicos (feminino e masculino) os espaços, os objetos, as condutas, os corpos dos educandos; construindo técnicas corporais tradicionais e eficazes, montagens fisio-psico-sociais, especificas a cada um. Nestes termos, identifica-se que é por um aprendizado continuado e sutil, dono de um ritmo, de uma cadência simbólica violenta, que as posturas padronizadas parecem penetrar na carne do sujeito, constituindo “identidades escolarizadas”. Contudo, ainda sim estes reagem transbordando os pretensos limites impostos, construindo corporeidades borradas que excedem as fronteiras do feminino e masculino.
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