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Coordenação:
Profa Dra Rosa Maria Hessel Silveira, (ULBRA e UFRGS) – RS

Profa Dra Eliane Debus, (UNISUL) – SC

Profa Dra Marisa Vorraber Costa, (ULBRA e UFRGS) – RS

O presente simpósio amplia e dá continuidade àquele intitulado Questões de gênero na literatura e na produção cultural para crianças, realizado durante o VII Fazendo Gênero. O foco central de problematização e reflexão teórica é a concepção de gênero como uma construção social e cultural contingente ligada ao sexo, que tem servido de álibi para preconceitos e discriminações relativos à orientação sexual e à mulher. A motivação do simpósio vem da  proliferação dos artefatos culturais produzidos para as crianças, vistas hoje como um importante mercado consumidor. Tais artefatos abrangem desde a literatura infantil – campo de maior tradição no panorama dessa produção – até produtos  midiáticos de eclosão mais recente  que povoam o cotidiano das crianças do séc. XXI. Entendemos que representações de feminino e de masculino, freqüentemente marcadas pela heteronormatividade, são inscritas em tais artefatos culturais mediante articulações textuais que põem em ação diferentes códigos – verbais, imagéticos, sonoros, de movimento, etc. - e buscam operar com a imaginação, os sentimentos e as expectativas infantis. O simpósio, pois, é planejado no sentido de abrigar trabalhos que examinem, com fundamentação teórica adequada e originalidade analítica, produtos dirigidos ao público infantil, privilegiando, por um lado, os livros para crianças e, por outro, variados objetos culturais circulantes – filmes, desenhos, programas de TV, sites, histórias em quadrinhos, games - direcionados a esse público em crescimento, formação e constante mudança. A partir de tais análises e da teorização que as subsidia, pretende-se debater as formas pelas quais as representações de gênero e sexualidade embutidas em tais artefatos podem estar operando para reforçar, refratar, confirmar ou subverter discriminações calcadas numa tradição pautada pela heteronormatividade e pela fixidez de determinadas identidades masculina e feminina.

O mágico de Oz: gênero e transgressão
Cecil Jeanine Albert Zinani

O mágico de Oz, obra de L. Frank Baum, muito embora tenha sido escrita no início do século XX, permanece atuando sobre o imaginário infantil cem anos depois. Centrado na personagem feminina, o texto não só desconstrói os estereótipos do conto de fadas tradicional, ao relativizar o papel da bruxa, que pode ser boa ou má, como também garante o estatuto de herói para uma personagem infantil do gênero feminino. Nessa perspectiva, este trabalho pretende discutir qual a representação de gênero veiculada pelas personagens femininas, fundamentado em estudos de crítica feminista
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Aonde vão essas meninas? – a busca da identidade feminina em Miss Z, de Angela Carter e Ana Z. de Marina Colasanti
Cleide Antonia Rapucci

O propósito deste trabalho é estabelecer alguns pontos de contato entre duas obras cujas protagonistas são meninas que têm um papel ativo e subvertem a condição das mulheres no patriarcado. Miss Z, the Dark Young Lady (1970), da escritora inglesa Angela Carter (1940-1992), é um livro praticamente esquecido pelos estudiosos da obra da autora. Numa denominação bastante apropriada de Jack Zipes (1986), essa narrativa pode ser definida como um conto de fadas feminista para jovens (e velhos) leitores. Ana Z., aonde vai você? (1993), de Marina Colasanti, é uma obra que denota a posição feminista da autora frente à condição da mulher (SILVA, 2001). A nosso ver, Miss Z e Ana Z empreendem uma busca que é a da própria construção da identidade feminina, num processo de iniciação que faz uma releitura das representações de gênero. São heroínas que expressam, alegoricamente, a condição das mulheres no patriarcado. Tais textos apontam, por intermédio dessas meninas, caminhos para que esse quadro seja revertido, fazendo com que as mulheres encontrem sua voz e sua capacidade de movimentar-se livremente.
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Brincando de ser diferente
Cristiane Madanêlo de Oliveira

As mulheres no Sítio do Picapau Amarelo
Elisângela da Silva Santos; Célia Aparecida Ferreira Tolentino

A nossa proposta neste texto é a de ampliar o debate sobre o pensamento social em Monteiro Lobato tomando, particularmente, os seus escritos destinados ao público infantil. Tendo em foco as narrativas que têm como locus o Sítio do Picapau Amarelo que, segundo nossa perspectiva, pode ser pensado como uma metáfora do Brasil, observaremos o papel destinado às mulheres na condução desta nação imaginária que se organiza a partir da propriedade de Dona Benta. Inicialmente, discutiremos as incumbências atribuídas às personagens femininas infantis, Narizinho e sua boneca Emília, tentando demonstrar como são estabelecidas condutas a serem seguidas por ambas e como estas se articulam com o projeto nacional pensado para o sítio/país. Depois observaremos como as personagens adultas, Dona Benta e Tia Nastácia, são convidadas pelo narrador lobatiano a desempenharem suas funções – bem distintas – no contexto deste país hipotético que, segundo nossa leitura, tentava realizar literariamente a nação ideal imaginada pelo seu autor.
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De olhos abertos para o Era uma vez: pontos de resistência nas representações de gênero e sexualidade da produção literária para as crianças
Evelize Cristina Cit Tavares

Em oposição aos “discursos de verdade” presentes na maioria da produção literária para as crianças, que apontam para a naturalização de uma fixidez da identidade masculina e feminina, o presente trabalho pretende analisar obras que representam pontos de resistência às relações de poder que passam pelos indivíduos de nossa sociedade, apresentando modelos alternativos que despertem o questionamento sobre as desigualdades nas relações de gênero e tornem possível suscitar rupturas e transformações. Concordando com Foucault, partimos da “codificação estratégica” de enredos que contribuem no processo de subjetivação e desconstrução dos binarismos, permitindo uma análise discursiva dos enunciados sobre a homossexualidade, o empoderamento feminino, as desigualdades nas relações de trabalho, a violência contra a mulher, a homofobia, o papel da mulher no cuidado da casa e dos filhos, e outras questões pertinentes à reflexão de gênero e sexualidade. É com esse objetivo que autores como Paulo Leminski, Rubem Alves, Marina Colassanti, Pedro Bandeira e Silvia Orthof emprestam seus personagens para um olhar apurado sobre as representações de gênero na Literatura Infantil Brasileira. Buscando a participação em uma “política da verdade”, discutimos ainda, o papel regulador da escola enquanto articuladora da relação entre poderes e saberes, assim como o de instituição legitimada para realizar a seleção dos artefatos culturais que julga apropriados a serem disponibilizados ao público infantil.
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Os “novos contos de fadas” ensinando sobre gênero e sexualidade
Fernanda Fornari Vidal

Este artigo é um excerto da Dissertação de Mestrado intitulada Príncipes, princesas, sapos, bruxas e fadas: os “novos contos de fadas”ensinando sobre infâncias e relações de gênero e sexualidade na contemporaneidade. Utiliza-se o referencial teórico dos Estudos Culturais em Educação, dos Estudos sobre Narrativas e dos relativos ao Gênero e à Sexualidade, em uma perspectiva pós-moderna e pós-estruturalista. Neste trabalho, se reconhece os contos de fadas contemporâneos como “novos contos de fadas”, colocando-os em suspeição, a partir do estu-do que é feito de sua produtividade como texto cultural. Sendo assim, faz-se a análise de duas histórias infantis, com vistas a examinar as representações de gênero e sexualidade ali presen-tes. A metodologia utilizada é a da interpretação textual, tanto em relação às narrativas quanto às ilustrações. A questão relevante deste estudo é: quais modelos de ser menino e menina, ou ser homem e mulher nos são ensinados através dos “novos contos de fadas”? Sendo assim, neste artigo escreve-se brevemente sobre a história dos Estudos de Gênero e Sexualidade, relacionando-a as discussões sobre o repensar a escola na atualidade. Analisam-se, então, duas histórias (consideradas não-sexistas), quanto às representações de masculinidade e feminili-dade nelas contidas, finalizando com as conclusões sobre essas representações nelas percebi-das. Em tais histórias aparecem personagens príncipes e princesas apresentando diversos mo-dos de exercerem suas feminilidades e masculinidades, ensinando assim que não há um jeito único, nem mais verdadeiro, de ser homem e de ser mulher e que se podem experimentar vá-rios modos de se viver a sexualidade no dia-a-dia.
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Bem do seu tamanho: uma análise da transgressão feminina expressa na personagem Helena
Liliam Inês da Silva

À luz da perspectiva pós-estruturalista, objetiva-se no presente estudo, investigar as representações de gênero reveladas na personagem Helena , criada por Ana Maria Machado na obra “Bem do seu tamanho”. Trata-se da história da garotinha corajosa que abdica da segurança do seu lar, expresso sobretudo na figura paterna, para descobrir-se, encontrar-se como gente. É a menina- mulher, que desafia o mundo para compreender qual é o seu “verdadeiro tamanho”. È bastante evidente que, desde muito cedo, o ser humano aprende a ser menino ou menina através das variadas instâncias as quais tem contato. Portanto, a família, a escola, a mídia, enfim, os artefatos de socialização as quais a criança participa determinam, muito evidentemente nos corpos infantis, as marcas de gênero, ou seja, são resultados de uma série de “marcas” que vão sendo decalcadas num contínuo processo de ressignificação ao longo da vida. Nesse sentido, busca-se aqui, estabelecer uma conexão direta da Literatura Infanto-Juvenil e os vários artefatos de socialização que revelam o corpo como sendo resultado de um construto sócio-cultural. Assim, a relevância da análise reside, não só no fato da personagem abrigar memorável transgressão do papel social feminino, mostrando que as relações de gênero são produzidas socialmente através de um processo educativo explicito ou implícito, mas sobretudo, por ser uma história que tem sobrevivido bravamente ao longo dos anos, encantando jovens leitores com sua mensagem desafiadora, embora onírica como todo bom conto de fadas.
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Bisa Bia, Bisa Bel: a representação do sujeito feminino
Salete Rosa Pezzi dos Santos

A literatura infantil, desde os contos clássicos até as produções contemporâneas, esteve povoada de personagens femininas como figuras centrais das narrativas, tornando-se, algumas delas, famosas e populares. A partir dos anos 80, surgiram autores que apresentam obras de reconhecido valor estético, nas quais personagens femininas mirins têm um lugar de destaque. É o caso de Isabel (Bel), personagem narradora da obra Bisa Bia, Bisa Bel (1981), de Ana Maria Machado, que empreende, ao longo da narrativa, uma trajetória rumo à independência, partindo do convencionalismo representado por Bisa Bia, até a conquista da autonomia de Neta Beta. O presente trabalho volta-se para a representação de um sujeito feminino que, ainda em tenra idade, consegue estabelecer um diálogo entre épocas diferentes, apresentando visões diversas da mulher, uma antiga, Bisa Bia, do fin de siècle, e outra, Bel, moderna, autônoma, do final do século XX.
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As meninas negras na literatura brasileira de recepção infantil e juvenil
Eliane Santana Dias Debus

A comunicação apresenta a leitura de três títulos da literatura brasileira de recepção infantil e juvenil levando em conta as personagens femininas negras: Sergiana de Uma maré de desejos (Ática, 2005), de Georgina Martins; Vânia e Bel de Pretinha, eu? (Scipione,1997), de Júlio Emílio Braz e Tânia de Nó na garganta (Atual,1991), de Mirna Pinsky. Estas narrativas trazem à tona reflexões sobre um fazer literário que apresenta, de forma sensível, ao leitor as “vozes das margens” (Stuart Hall, 2003), sem maquiar os enfrentamentos que as personagens vivenciam com os preconceitos étnico-raciais. Nestas narrativas a violência do preconceito e da discriminação racial, soma-se ao ser feminino. Ao nos debruçarmos sobre o corpus desta reflexão, constata-se que a linguagem literária, tecida pelos fios da imaginação, confecciona um enredo de visibilidade, de encontros e diferenças. A palavra alçada ao plano do ficcional (re)desenha, (re)significa papéis e (re)configura espaços; o Outro não é mais sempre o mesmo, porque o mesmo assim o deixou de ser.
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Infância e Sexualidade: Construindo artefatos pela Educação
Fabiana Aguiar de Castro Sena

O presente artigo analisou o material Conversando e Descobrindo: a Criança e a Sexualidade, elaborado pela Prefeitura da Estância Turística de Embu (São Paulo) e pela Secretaria Municipal de Saúde no ano de 2005. O caderno apresenta-se como um material que visa facilitar a discussão de Sexualidade entre pais ou professores e suas crianças ou alunos. O material é visto como um artefato que corrobora para a manutenção do status quo que camufla discriminações de gênero e sexuais no texto escrito, mas que podem ser identificados claramente em suas ilustrações. Em todo o caderno podemos perceber uma linguagem infantilizada para pensar a sexualidade, principalmente no que tange aos órgãos sexuais masculinos (pintinho) e femininos (perereca), ilustrações sexistas e heteronormativas. O material busca naturalizar a masturbação infantil, mas aponta que se essa atitude for freqüente significa algum “outro” problema na vida da criança assim, cabe aos pais levarem seu filho (a) ao pediatra ou psicólogo. A família ressaltada pelo material é a família nuclear, mamãe, papai e filho principalmente através das suas ilustrações. As relações sexuais expostas pelo material são relações heterossexuais, que em suma têm a finalidade de conhecerem seus parceiros definitivos, ou seja, a busca pelo casamento ou monogamia como fim. A homossexualidade é tratada pelo material em um único parágrafo na penúltima página e como algo que somente às vezes ocorre e entre adultos.
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Pra lá e pra cá? – Pesquisa e produção do vídeo-documentário que une relatos sobre diferenças e desigualdades entre os gêneros: feminino e masculino.
Luiza Maria Almeida Rosa

O presente artigo tem por finalidade relatar o processo de pesquisa e de produção do vídeo-documentário “Pra lá e pra cá?”, ferramenta jornalística buscada pela autora para promover discussões com o público infanto-juvenil, no ambiente escolar, sobre relações de gênero na atualidade. Ele é composto por depoimentos de crianças, adolescentes e especialistas na área de gênero, e sua peculiaridade está no processo de elaboração, no momento dos primeiros contatos com entrevistadas/os, que se deu por meio de aulas de dança. A linguagem falada e a não falada se encontram, se complementam e geram a reflexão que guia este estudo.
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Livros didáticos de Língua Portuguesa: permanências e mudanças na perspectiva da ideologia de gênero
Neide Cardoso de Moura

Esta apresentação tem como propósito socializar os resultados da tese de doutorado que teve como proposta a análise, na perspectiva das discriminações de gênero, de livros didáticos de Língua Portuguesa endereçados a alunos(as) e professores(as), da 4ª série do ensino fundamental, publicados entre 1975 e 2003. A análise pautou-se na teoria da ideologia (Thompson, 1995), amparou-se no conceito de gênero de (Scott, 1995), na teoria sobre as relações de idade de (Rosemberg, 1996), e nos estudos contemporâneos sobre essas discriminações. Esses conhecimentos ofereceram condições de apreensão em termos de permanências e mudanças dessas discriminações. Portanto incorporou-se a perspectiva metodológica de Thompson, envolvendo três etapas. A primeira foi a análise sócio-histórica, tendo como finalidade analisar os contextos específicos e socialmente estruturados onde os livros didáticos, foram produzidos, construídos e reproduzidos. A segunda, a análise formal ou discursiva, consistiu na análise interna desses livros, pautando-se na análise de conteúdo. A terceira na interpretação/reinterpretação da ideologia de gênero como processo de síntese ao buscar articular os resultados das fases anteriores. Para análise quantitativa foram utilizados 33 livros didáticos de Língua Portuguesa, dos quais foram selecionadas 251 unidades de leitura, e observadas 1372 de suas personagens. Nas ilustrações dessas mesmas unidades observamos 650 personagens e 120 das ilustradas nas capas. Essa análise permitiu observar, a despeito de toda movimentação no campo da produção desses livros; do incremento da temática “sexo/gênero” na agenda das políticas publicas; das avaliações propostas pelo MEC, representado pelo PNLD, o livro didático permanece como veículo das discriminações de gênero, apesar de apresentar mudanças, mesmo que, ainda insuficientes.
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Lesbianismo e verdade erótica nos quadrinhos, uma leitura de Fun Home

Rafael Soares Duarte

Fun Home é a autobiografia em quadrinhos de Alison Bechdel. Sua mãe é professora de inglês e atriz. Seu pai é professor de literatura e embalsamador da funerária de sua pequena cidade. Sua infância é mostrada entre a manutenção da casa, a funerária e a literatura. Seu auto reconhecimento como lésbica no fim de sua adolescência a deixa a par da homossexualidade enrustida de seu pai. Três meses depois, ele morre em um provável suicídio, deixando em seu lugar apenas suposições sobre sua vida, sua morte e sua identidade sexual, vivida de forma oposta e, no entanto, entrecruzada com a da filha.
Para quem desconhece seu alcance, pode parecer estranho pensar seriamente sobre lesbianismo ou identidade sexual nas histórias em quadrinhos (HQ). Para além das simplificações que ligam a HQ unicamente aos super-heróis, o fato é que as histórias em quadrinhos já exploraram a mesma infinidade de assuntos pertinentes a todas as formas de arte, incluindo questões de gênero e identidade sexual, de forma profunda e não estereotipada. Ainda assim, chama a atenção o fato de Fun Home, cujo tema é o lesbianismo e o homossexualismo masculino, ser escolhida pela Time Magazine como melhor livro de 2006, mostrando ser possível o olhar não simplista tanto sobre o assunto, quanto sobre o meio através do qual ele é expressado. Esta comunicação abordará algumas questões suscitadas pela leitura de Fun Home, tratando de elementos de autobiografia, questões de identidade sexual e literatura através da estrutura narrativa dos quadrinhos.
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Masculinidades em Bob Esponja
Rosana Fachel de Medeiros

O presente trabalho analisa o desenho animado Bob Esponja Calça Quadrada, uma produção americana de 1999, transmitida tanto por canais da TV aberta, pela TV Globo no programa TV Xuxa e na ULBRA TV na Sessão Galerinha, quanto pela TV a cabo no canal Nickelodeon. A partir desse produto midiático discuto como as masculinidades estão nele representadas. Optei por utilizar a palavra no plural devido as diferentes possibilidades de ser homem e de viver a masculinidade na contemporaneidade. Essa análise se deu a partir de um olhar cuidadoso a alguns episódios da referida animação, em especial ao intitulado Nana neném conchinha, com a duração aproximada de 11minutos. Utilizei-me dos seguintes aportes teóricos: estudos sobre mídia e desenhos animados (FUSARI 1985, FERRÉS, 1996, FISCHER, 2001, PILLAR, 2001, RAEL, 2002, KINDEL, 2003, SABAT, 2003), e reflexões sobre masculinidades e relações de gênero (CONNELL, 1995, FELIPE, 1999, GUIZZO, 2004, LOURO, 2006, BELLO, 2006). A partir da análise desse episódio pode-se perceber que esse artefato cultural traz uma visão contemporânea das masculinidades, pois não dá visibilidade somente a uma masculinidade hegemônica representada pelos personagens Siriguejo e Lula Molusco, por exemplo, mas mostra também uma masculinidade sensível e emotiva (Bob Esponja e Patrick Estrela).
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Representações de família em livros utilizados nas séries iniciais

Taís Barbosa; Sandra dos Santos Andrade

O trabalho discute algumas representações de família no contexto dos livros didáticos, paradidáticos e de literatura infantil que se encontram disponíveis para as 1ª e 2ª séries em uma escola estadual de Porto Alegre. Utilizo como referencial teórico os Estudos Culturais e de Gênero aliados a perspectiva pós-estruturalista com o objetivo de problematizar algumas das representações de família que estão sendo veiculadas nestes materiais pedagógicos. A partir da análise cultural descrevo e analiso os textos e as imagens de família recorrentes nos livros, que de alguma forma rompem ou reforçam a representação hegemônica de família nuclear, homogênea e heterossexual. Nesta direção, opero com os conceitos de discurso, representação, gênero e identidade como principais ferramentas de análise. A partir do exame do material empírico foi possível mapear uma representação hegemônica de família e das identidades paternas e maternas que atravessam este espaço escolar e produzem processos de diferenciação e hierarquização entre homens e mulheres na medida em que posicionam os sujeitos. Alguns livros, mais recentes, parecem romper com determinadas representações hegemônicas. No entanto, as representações de família, em sua maioria, se diferenciam da realidade familiar dos alunos/as. Este trabalho pode ser um caminho produtivo para analisarmos criticamente as representações familiares que encontramos em nossa sociedade.
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Carro - Isso é coisa de menino!
Adriza Figliuzzi

O presente trabalho traz algumas considerações sobre a representação do ‘carro’ na produção das identidades de gênero e construção das masculinidades. Para fazer este processo de discussão enfoco as pedagogias culturais e, dentre elas, a mídia e, mais especificamente, as propagandas, que de uma forma bastante presente tratam de nos dizer sobre as produções sociais e culturais que estão em circulação. Neste âmbito de pedagogias culturais os espaços de entretenimento e grupos afins possibilitam formas de ensinar com numerosos fios condutores. Apresento estas possibilidades não como uma via de mão única, mas como um processo em formação em que a interação é parte deste contexto. Apesar das transformações sociais, econômicas, políticas e culturais que a infância vem sofrendo, conforme nos coloca Jane Felipe (2003,p.53), pensar na infância como um lugar de construção de gênero, e o carro como um objeto destinado ao mundo dos meninos, é considerar algumas tendências de reafirmar as ‘produtividades’ que se estabelecem na forma de ‘educar’ meninos, que acaba por ser diferente de ‘educar’ meninas. Estes investimentos na formação de meninos e meninas trazem efeitos na construção de identidades sexuais e de gênero, que permitem acionar modos de regulação, no qual assegura ao sujeito as condutas consideradas adequadas em determinada sociedade. Para tencionar este artigo, pergunto que tipos de representações de menino e menina são possíveis de serem pensadas a partir das propagandas em questão? Assim, tomo a mídia como produtividade pedagógica, um viés para discutir as representações de gênero e sexualidade.
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Pedagogias culturais ensinando como jovens meninas devem ser para os meninos (complexo WITCH)
Camille Jacques Prates

Analisei em minha dissertação de mestrado um complexo mercantil cujo eixo principal é uma Revista denominada W.I.T.C.H., acompanhada por uma série de Desenho Animado com o mesmo nome, que originam a circulação de uma quantidade imensa de artefatos correlatos, motivo pelo qual, para ser mais precisa, optei por empregar a denominação Complexo W.I.T.C.H.. Este Complexo vem cativando e envolvendo garotinhas muito jovens, levando-as a moldarem suas condutas, modos de vida e formas de enxergar o mundo de acordo com os preceitos, regras, receitas, lições, modelos, etc. que circulam em todo o Complexo. Nessa pesquisa concentrei-me na produtividade do Complexo e no modo como opera sobre as garotas a partir de suas revistas e Livros Secretos W.I.T.C.H.. Foi na análise destes artefatos que comecei a enxergar como ensinava às suas jovens leitoras um certo jeito de ser menina. Faz parte desse jeito de ser menina subordinar-se ao universo masculino. A partir dos ensinamentos, elas são aconselhadas pelas prescrições, dicas e orientações de artefatos do Complexo a tomar atitudes que agradem os meninos, desde a escolha de uma roupa ou de uma fragrância, ao modo como devem se comportar na escola, na roda de amigos, como devem maquiar-se, etc., para chamar sua atenção, conquistá-los e adquirir sua confiança. São jovens meninas que, a partir das lições operadas pelo Complexo, esperam aprender a ser de um certo tipo moldado ao gosto dos meninos, que se encaixe na forma como o Complexo representa o universo masculino.
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Brincadeiras, desenhos e narrativas orais sobre a TV: investigando as representações de gênero construídas pelos desenhos animados e seriados infantis sob o ponto de vista infantil
Joice Araújo Esperança, Cleuza Maria Sobral Dias

No cenário contemporâneo, a TV, entre outros espaços de lazer e entretenimento, produz e reproduz significados que interagem com as crianças, interferindo nos modos de pensar, sentir e desejar, na construção de conceitos e valores. Pensar as infâncias e os processos de escolarização no contexto da contemporaneidade requer, portanto, considerar o predomínio da linguagem audiovisual e o papel das corporações da mídia nas experiências extra-escolares das crianças. Orientadas por esta compreensão, desenvolvemos uma pesquisa com o intuito de investigar as interações que as crianças estabelecem com as produções televisivas a partir da análise de brincadeiras, desenhos e narrativas orais sobre a TV. Dessa forma, buscamos identificar as aprendizagens construídas pelos telespectadores infantis ao se apropriarem das mensagens e conteúdos da mídia televisiva. Seguindo a abordagem qualitativa de pesquisa, foram combinadas três técnicas de coleta de dados: Observação Participante, Entrevista Coletiva e Oficinas. As reflexões que versam sobre as representações de gênero construídas e veiculadas no desenho animado As Três Espiãs Demais e no seriado Power Rangers Força Animal, sugerem que os enredos e personagens das produções televisivas direcionadas ao público infantil privilegiam representações estereotipadas e padronizadas quanto aos modos de ser menina e de ser menino a partir de associações acentuadamente restritivas quanto às suas ocupações, preferências, aspirações e comportamentos. Mas, embora as produções da mídia disseminem concepções de gênero marcadas pela oposição de papéis, por normatividades e dualismos, as crianças não assimilam esses significados passivamente.
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Entre super-heroínas e fadas: poder e magia de protagonistas dos desenhos animados sob olhares infantis

Juliane Di Paula Queiroz Odinino

De uma maneira geral, as personagens femininas surgiram na literatura infantil dirigida para o grande público apresentando ora características consideradas passivas quando protagonistas ora ativas quando vilãs: em um extremo a princesa que precisa ser salva pelo príncipe e de outro lado a bruxa que utiliza-se da malícia, da sedução e da falsidade para alcançar seus objetivos. No entanto, a partir da disseminação da cultura de massa, delineiam-se novas possibilidades representativas destas figuras em comunhão com as transformações sociais promovidas pelas conquistas feministas. Algumas começaram a portar conotações antes restritas às aventuras dos consagrados heróis masculinos como força, coragem e destreza. É o caso das super-heroínas de desenho animado, ainda que manifestem alguns importantes diferenciais atribuídos ao gênero feminino, tais como a sedução, a meiguice, a vaidade, a sensibilidade emocional e o ideal do casamento. As transformações por que passaram as representações destas personagens trazem consigo a possibilidade de novos agenciamentos femininos servindo como importante referencial para as construções identitárias das crianças. O modo como estas aparecem nas mídias revela muito sobre os sentidos atribuídos culturalmente às diferenças binárias entre os gêneros e suas novas possibilidades de agenciamento promovidas pelas mudanças sociais. O objetivo da pesquisa foi problematizar as representações das principais heroínas dentro da cultura midiática infantil pela forma como a feminilidade aparece e é reforçada no interior dos programas televisivos infantis e, por outra via, observar o modo como participam imaginariamente do cotidiano de algumas crianças de uma importante escola pública catarinense, co-atuando para o delineamento das diferenças de gênero entre meninos e meninas.
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Gênero: uma categoria para entender a produção de identidades infantis consumidoras
Mariangela Momo

Este estudo, de inspiração etnográfica, inscreve-se em uma pesquisa de maior amplitude, desenvolvida no campo dos Estudos Culturais, que buscou realizar uma das leituras possíveis sobre a infância contemporânea em escolas da rede pública municipal da cidade de Porto Alegre, RS, evidenciando como ela tem sido produzida, formatada e fabricada pela mídia e pelo consumo. Considera-se que tem se intensificado, nos últimos anos, a produção de bens e serviços de consumo direcionados aos infantis. Juliet Schor é uma autora que afirma que atualmente, nos Estados Unidos, as crianças são o epicentro da cultura de consumo – elas conduzem o mercado de consumo para dentro dos lares, e suas opiniões moldam estratégias de marketing. Devido à centralidade que o consumo vem assumindo na vida dos infantis, este artigo objetiva problematizar e evidenciar algumas relações entre gênero e consumo na constituição de identidades infantis consumidoras. Para a realização das análises, são considerados artefatos – como o Homem-Aranha, as Meninas Superpoderosas e pulseiras de silicone – que circularam nas escolas pesquisadas de 2004 a 2007 e vinte edições, de 2007 e 2008, da revista Recreio, publicada no Brasil pela Editora Abril desde 1969. Entendendo-se que a constituição dos gêneros não é linear, não apresenta uma regularidade e não é finalizada ou completada em um dado momento, é relevante pensar sobre como o consumo opera articulado ao gênero para capturar os infantis, tornando-os um poderoso segmento do mercado consumidor.
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Três Espiãs Demais ensinando um jeito de ser jovem menina
Patrícia Ignácio

O presente estudo inscreve-se em um registro pós-estruturalista e lança mão de referenciais teóricos dos Estudos Culturais, para examinar algumas das possíveis representações do feminino no desenho animado Três Espiãs Demais - artefato cultural eficiente, fascinante e prazeroso, que estabelece uma pedagogia cultural na mídia e pela mídia. O estudo centra-se na análise de dezesseis episódios da série, com o objetivo de investigar, colocar em evidência e desnaturalizar características identitárias das jovens meninas contemporâneas que, segundo o desenho animado, são expostas como naturais e desejadas em determinados grupos e em contextos sociais e culturais específicos. Para dar visibilidade às questões referentes aos ensinamentos oferecidos pelo desenho, optou-se pelo aporte teórico de autores que tratam de descrever, interpretar, analisar e problematizar a condição cultural pós-moderna, tais como Bauman, Sarlo, Linn, Lipovetsky, Schor, Garcia-Canclini, Steinberg e Kincheloe, Giroux, Freire Costa, Fischer e Costa. Após entrecruzar o referencial teórico e os registros da decupagem, foi possível perceber, que o desenho animado Três Espiãs Demais narra um jeito de ser jovem menina assegurado nos princípios do consumo. Freqüentemente, as meninas-heroínas são narradas como excessivamente preocupadas com o consumo de objetos, de aparências e de relacionamentos. A incansável busca pelo corpo perfeito, o constante desejo de adquirir objetos que lhes atribuam status social e a necessidade de relacionarem-se com jovens meninos de aparência bela e estonteante passam a ser temas-chave da série. Tais temáticas dão visibilidade a práticas que enquadram as personagens nas lógicas das sociedades orientadas pelo e para o mercado
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A gramática do feminino em Hello, Kitty!
Senyra Martins Cavalcanti

Tradicionalmente, o consumo é caracterizado como parte do universo feminino. Observando e radicalizando essa máxima, as grandes corporações têm direcionado suas ações de marketing para as consumidoras femininas infantis - faixa de idade em que formam hábitos de consumo e gosto. Dentre essas corporações, analisamos aqui uma marca global chamada Hello, Kitty! Os produtos que veiculam a marca Kitty vão de desenho animado até chaveiros e canecas de cerâmica. Dentre esses produtos, os desenhos animados da marca formam o corpus de análise deste trabalho. A marca analisada possui características infantis, mas seu apelo atrai e atinge um público bem mais amplo do que o da faixa de 4 a 11 anos. Na faixa de 18 a 35 anos, a diversidade de produtos ofertados resulta em uma exposição continuada das consumidoras ao universo simbólico de infância e de feminilidade comunicados pela marca. A marca Kitty promove uma gramática do ser feminino que reforça os estereótipos tradicionais ligados a este universo: meiguice, calma, conciliação, amistosidade, boa aparência, bons modos, sem conflitos. A ausência de conflitos de gênero, etnia, classe e estética, reforçam tanto o mito da infância feliz e pura quanto o da feminilidade complementar, mas subordinada. O caráter de ser construída e conflitante poderia ofertar um referencial alternativo ao referencial padrão de identidade feminina e de feminilidade. Ao retirar os conflitos das situações, promovem modelos petrificados de identidade feminina infantil.
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Representações de Gênero nos Desenhos Animados As Terríveis Aventuras de Billy e Mandy e os Rugrats.
Simone Olsiesky dos Santos

Neste trabalho objetivo pôr em evidência algumas das representações de infância e de gênero presentes nos desenhos animados contemporâneos, buscando desconstruí-las. Como corpus selecionei dois desenhos animados: As Terríveis Aventuras de Billy e Mandy e Os Rugrats; em tal seleção considerei desenhos com grande índice de audiência na TV paga, que fazem parte de uma programação especial nos distintos canais nos quais são exibidos: canal Cartoon Network – canal 32 na programação denominada de Cartoon-Cartoon, e Os Rugrats é veiculado pela Nickelodeon Brasil, canal – 33 da programação do Nicktoon/Nick Jr, na SKY TV, canal por assinatura, (em Porto Alegre). A importância dessa investigação para o campo da Educação vem do fato de que ela se insere em determinadas formações discursivas e contém um significado simbólico inscrito no presente, considerando que, os significados sempre escapam; assim as articulações propostas nesta análise são contingentes e situadas. Refiro-me a que ela abrange a análise de um artefato cultural, a TV, e, especificamente nesta, um dos gêneros - animação - consumido amplamente e, portanto, constituindo uma pedagogia cultural. Considero que as identidades individuais e coletivas das crianças são amplamente moldadas, política e pedagogicamente, na cultura visual popular, dos jogos eletrônicos, do cinema e da televisão. E, portanto, faz-se necessário investigar que relações de poder e saber estão sendo destacadas, que sentidos são ali produzidos. Especificamente focalizo que o discurso dos DAs vem produzindo e dando visibilidade a um “tipo de criança”, "uma forma de infância”, a partir das representações infantis de gênero veiculados nesses DAs.
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