fazendo genero 8
 
 
 
 
autores cronograma cultura
inscricoes posters hospedagem
programacao simposio tematico transporte
mini cursos lancamentos contato
 
 
     
 
header apresentacao

Coordenação:
Profa Dra Telma Gurgel da Silva, Doutora em Sociologia UFPb; professora da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

Profa Dra Sônia Weidner Maluf, Doutora em Antropologia Social e Etnologia EHESS; professora da Universidade Federal de Santa Catarina

Karla Galvão Adrião, Doutora em Ciências Humanas – UFSC

Esta proposta reedita o ST de mesmo título do Fazendo Gênero . O objetivo é proporcionar espaço de reflexão sobre o sujeito dono campo feminista, compreendido como reunindo os espaços do movimento feminista, militância e ativismo, os dos estudos feministas e os de reivindicação e elaboração de políticas públicas. Compreende-se que essa diversidade de práticas do feminismo desafia o movimento a pensar e exercitar uma proposta de democracia radical, não apenas com relação à vida social no sentido da ruptura com a ordem hegemônica, mas também em suas relações internas no compromisso com um fazer político criativo e incessantemente atualizado pelas experiências das mulheres em seus espaços de organização coletiva e em suas subjetividades. Esse desafio requer a retomada da discussão sobre a centralidade do sujeito no feminismo, a partir de reflexões e embates teóricos e políticos entre a permanência de um sujeito político único como discurso aglutinador e legitimador de uma política feminista e a multiplicidade dos sujeitos e das subjetividades. Questões que envolvem os embates feministas contemporâneos como a luta pelo reconhecimento de identidade e por novas representações; por políticas redistributivas e de acesso universal; as relações com a institucionalidade, como o Estado, os partidos políticos e as agências financiadoras; os diferentes caminhos políticos de se pensar e construir os sujeitos do feminismo e a tensão dialética entre experiência e identidade são desdobramentos dessa discussão, num contexto estruturalsimbólico de desigualdade. A reflexão proposta pretende confrontar e colocar em diálogo as abordagens teóricas e as dimensões políticas dessas questões, cruzando-as com outros ´marcadores´ da diferen-ça/desigualdades, como classe, nação, raça-etnia, religião, geração. A proposta é reunir trabalhos sobre a teoria e a política dos feminismos tendo como foco as questões de como o sujeito político tem sido pensado no interior do que denominamos mais amplamente aqui de campo feminista.

Psicologia e Estudos de Gênero – desafios, novos sujeitos, pluralidade
Adriano Beiras; Adriano Henrique Nuernberg (UERJ)

Esta comunicação busca refletir sobre a terceira geração de pesquisadores na área de gênero na psicologia, dando um especial enfoque a inserção dos estudos de masculinidades neste campo. Buscar-se-á iniciar uma reflexão sobre esta terceira geração, realizando um mapeamento dos núcleos, perspectivas e tendências no campo. Esta geração, da qual os autores deste artigo participam e seguem influenciados pelas anteriores é constituída por pesquisadores alocados em um campo já organizado, o qual já vem utilizando a categoria gênero, há alguns anos reconhecida nas ciências sociais e humanas.  Faz-se importante observar que um dos principais papéis desta geração tem sido divulgar e aprofundar as conquistas tanto teóricas quanto metodológicas geradas pelas primeiras gerações. Procuraremos apontar alguns núcleos de pesquisa nos quais se vinculam pesquisadores dessa terceira geração, para um posterior aprofundamento de suas práticas e atuações e influências teóricas, refletindo sobre tendências do campo de estudos de gênero na psicologia. De um modo geral podemos apontar que a terceira geração reflete a atual valorização da pluralidade, da valorização de novos sujeitos do feminismo (jovens feministas, transgêneros, homens feministas), trazendo temáticas para investigação que são também foco da busca da legitimidade nas novas configurações do movimento feminista.
PDF

Relações de gênero no território da saúde mental
Ana Paula Müller de Andrade (UFSC)

A Reforma Psiquiátrica Brasileira vem se consolidando no Brasil em experiências de substituição do modelo asilar por um modelo psicossocial de cuidado em saúde mental, que pretende superar a simples assistência e incorporar uma nova forma de cuidar, contribuindo para a invenção de novas perspectivas de vida e subjetividades. A consideração do gênero enquanto um modo de constituição de subjetividades torna-se relevante na medida em que a complexidade da experiência do sofrimento psíquico aparece com freqüência na experiência feminina. Além disso, a busca de atendimento para o alívio do sofrimento pelas mulheres nas unidades de saúde nos permite pensar na interface de saúde mental e gênero e a importância de seu entendimento para o processo da reforma psiquiátrica. O sofrimento é entendido neste trabalho, não apenas como uma categoria nosográfica, mas como experiência subjetiva e elemento mediador das mulheres em suas relações cotidianas, que se estabelecem em um determinado território, tanto construído quanto percebido. O território como sendo o espaço/tempo da experiência individual e coletiva, em permanente mutação, em que as pessoas experimentam suas vidas. Assim, a proposta deste trabalho é discutir como as mulheres se relacionam no seu cotidiano com o sofrimento, com o sujeito que experimenta o sofrimento e com a produção de sentidos que esta experiência proporciona, considerando, sobretudo, as questões de gênero.
PDF

O PCB e a questão feminina (1970-1979)
Maira Luisa Gonçalves de Abreu

O movimento socialista sustentou, desde o século XIX, uma determinada concepção da “questão feminina” cuja idéia básica era a diluição desta nas relações de classe de modo a negar qualquer especificidade que justificasse a necessidade de uma práxis e instrumentos mediatórios específicos para a superação da desigualdade entre homens e mulheres. A luta feminista era considerada divisionista, em relação à necessária unidade da classe operária e de seu partido e em relação ao escopo último da revolução. Essa tradição sofrerá uma crítica radical por parte dos grupos feministas de inspiração de esquerda nos anos 1960-1970. Esses colocavam que, embora a condição última da emancipação das mulheres fosse a revolução socialista, a luta deveria começar ainda nos marcos do capitalismo, através de organizações autônomas das mulheres que colocassem em pauta suas questões específicas. O contato com esse redimensionamento da questão trouxe impactos para uma parte dos brasileiros exilados na Europa, particularmente na França, durante a ditadura militar brasileira (1964-1979). Os partidos de esquerda que se organizaram no exílio depararam-se com questionamentos e desafios diante da ascensão do movimento feminista. Este trabalho pretende abordar, através de documentos e depoimentos de militantes, como esse processo se desenrolou dentro do Partido Comunista Brasileiro (PCB), cuja direção encontrava-se majoritariamente exilada. Esse partido organizou encontros internos sobre o tema e promoveu a construção de organismos “femininos” com o objetivo de discutir e desenvolver lutas relacionadas à “questão feminina”. Pretendemos discutir os rompimentos e continuidades da política do partido em relação à essa questão.
PDF

Feminismo, políticas e mutações da subjetividade
Margareth Rago

Referenciando-me pelos aportes do feminismo pós-estruturalista, assim como por Foucault e Deleuze, pergunto pelas mutações da subjetividade propiciadas e construídas pelo feminismo brasileiro, em diferentes frentes de atuação. Nessa direção, focalizo as reflexões e a experiência de algumas militantes do movimento feminista, que participaram da resistência à ditadura militar, instalada entre 1964 e 1985 e que ousaram questionar os discursos normativos instituintes das identidades de gênero, fortemente ancoradas em concepções essencialistas. Em busca de novos espaços políticos e subjetivos, questionando os padrões de feminilidade constitutivos dos modelos tradicionais de gênero, nos movimentos sociais, nos partidos, nas universidades ou na igreja, enfrentaram muitos desafios ao subverteram suas próprias identidades e buscarem reinventar-se de um outro modo. Em diferentes áreas, essas mulheres, que se destacam também como escritoras, e que se aproximam na rebeldia de uma geração marcada tanto pela repressão política, quanto pelos movimentos da contracultura e pelas lutas dos grupos políticos de esquerda, sofreram ainda os impactos da acelerada modernização do país. Desde os anos oitenta, tornaram-se importantes referências nos movimentos sociais e na luta pela ampliação de novas formas de constituição subjetiva no feminismo. Amélia Teles, Ivone Gebara, Suely Carneiro, Tânia Swain, Norma Telles, Gabriela Leite da Silva Dias são algumas das personagens desse amplo e multifacetado universo, responsáveis pela definição de novas referências éticas individuais e coletivas.
PDF

Sujeitos invisíveis: uma história sobre testemunhos do feminismo (Brasil e Argentina pós-1968)
Ana Maria Veiga

Ao mesmo tempo silenciadas e ignoradas pelo contexto das ditaduras e dos grupos para-militares de extrema direita, feministas brasileiras e argentinas buscavam se estabelecer como sujeitos políticos nos anos pós-1968. Ausentes da historiografia oficial, mas presentes nas listas de “subversivos” procurados, lutavam pela sobrevivência de seus ideais, enquanto tentavam preservar a própria vida. Teriam elas conseguido algum tipo de articulação? Este trabalho analisa possibilidades e estratégias que surgem nos testemunhos orais de algumas protagonistas dos primeiros anos da segunda onda feminista no Brasil e na Argentina e procura compreender os deslocamentos destes sujeitos, num trânsito quase subterrâneo, em uma invisibilidade que perdura até os dias de hoje.
PDF

Leituras feministas no Brasil e na Argentina: circulações e apropriações

Joana Vieira Borges

Os anos de 1964 a 1985 foram expressivos na história dos movimentos feministas do Brasil e da Argentina, uma vez que representam o período das ditaduras militares vivenciadas de maneiras e em tempos diferenciados em cada um desses: Brasil (1964-1985), Argentina (os golpes se deram em 1966 e 1976, e as redemocratizações em 1973 e 1983, respectivamente). Durante este período, os movimentos sociais, excluídos de sua livre expressão e conseqüentemente sem o poder de manifestar-se, sofreram as pressões exercidas pelos regimes de perseguições, prisões, torturas, desaparecimentos e censura, iniciados durante a década de 1960. Assim, por força de um contexto repressivo, as atuações dos movimentos feministas combinaram muitas vezes a atuação da militância política contra os regimes militares com as reivindicações aos direitos humanos. Partindo deste contexto, esta comunicação pretende trazer as primeiras reflexões de uma pesquisa iniciada recentemente sobre as leituras realizadas nos movimentos feministas do Brasil e da Argentina entre as décadas de 1960 e meados da década de 1980, buscando compreender quais obras foram lidas nessas circunstâncias, e quais os impactos que essas produziram na constituição dos movimentos feministas e nas identificações pessoais com o feminismo. Através de entrevistas e publicações sobre os feminismos, procuro então perceber as ressonâncias das leituras na construção dos movimentos e de suas leitoras.
PDF

Mulheres em movimento : demandas, alianças e estratégias dos sujeitos do feminismo no Rio Grande do Norte
Telma Gurgel da Silva

O feminismo tem, permanentemente, debatido em torno de sua proposta programática e estratégia política de construção, como movimento emancipatório. Um tema que tem sido recorrente, nestes debates, é a sua relação com as ‘institucionalidades’, entre elas, com o Estado. Isto porque as reivindicações do feminismo de diferentes formas têm como primeiro interlocutor as estruturas governamentais, na condição de formuladoras e executoras de políticas públicas. No Rio Grande do Norte podemos afirmar que as bandeiras por políticas para as mulheres apresentam uma diversidade que opera em unidade, quando as situamos no campo da luta por políticas universais e no questionamento dos estruturantes da opressão das mulheres na ordem dominante. Dentre as diversas estratégias, assumidas pelo movimento de mulheres, nos aportaremos no presente estudo, naquela em que o feminismo se posiciona como interlocutor junto ao Estado e na articulação com outros sujeitos políticos. Neste contexto, analisar a intervenção do movimento feminista junto ao Estado, na reivindicação por políticas públicas para as mulheres no Rio Grande do Norte, é o objetivo norteador do presente trabalho que apresentará os primeiros dados produzidos na pesquisa Feminismo e Políticas Públicas: a intervenção feminista no Rio Grande do Norte, realizada em 2007, na qual abordamos questões como concepção de feminismo, noção de especificidade, perspectiva de projeto societário enfatizando assim, o papel do feminismo com sujeito de transformação social.
PDF

Indagações sobre Sujeitos políticos do feminismo brasileiro nas esferas do movimento, do governo e da academia.
Karla Galvão Adrião

Este artigo se propõe debater sobre a constituição de sujeitos políticos do feminismo brasileiro na contemporaneidade, a partir das noções de igualdade, democracia, acesso à cidadania, autonomia, e a tensão entre teoria e ação política. Estas correlações entre questões e tensões pertinentes ao campo feminista brasileiro são discutidas a partir da utilização do recurso das categorias que denominei de “esferas feministas do movimento, do governo e da academia”. Estas esferas estão presentes no campo feminista, noção que discuto em diálogo com Marlise Matos (2005) e Lia Zanotta Machado (2006). Tomo os espaços dos Encontros Feministas como espaço de pesquisa de campo e searas nas quais “o feminismo acontece acontecendo”. Importantes encontros do movimento, do governo e da academia foram analisados como eventos paradigmáticos das tensões e questões feministas brasileiras atuais. Cada uma das esferas – movimento, governo e academia - possui particularidades e interfaces com as demais que pretendo discutir, fazendo correlações. O movimento, que tem a caracteristica que comunga com outros movimentos sociais, de um discurso reivindicatório, prescinde da constituição de um sujeito político. Convive com a hibridez de ONGs nos espaços de ação e com diversas vozes, de distintos segmentos, disputando os espaços de sujeito político. A esfera governamental atua em prol de políticas públicas de cidadania. A academia possui uma lógica do saber e do poder que o status de ciência confere. Arena de tensões nas quais convivem teorias e ações políticas. Pretendo correlacioná-las debatendo sobre a constituição dos sujeitos políticos do feminismo brasileiro na contemporaneidade.
PDF

Una revisión crítica de los modos históricos en que feminismos y movimientos etno-políticos se han articulado.
María Silvana Sciortino

El trabajo centra la atención sobre las maneras en que la emergencia de las mujeres como sujetos políticos irrumpe en las luchas por reconocimiento cultura. ¿Cómo es posible explicar la articulación entre reivindicaciones de etnia y de género? Para responder a esta pregunta es necesario situarse en contextos socio-históricos específicos y lograr una mirada plural de las formas en que el sujeto mujeres tomó y toma fuerza para emerger como tal.
Desde un abordaje comparativo, este escrito elige momentos precisos de la historia del movimiento de mujeres y de los movimientos por reconocimiento étnico. Pero a su vez concluye en el período actual, incluyendo la reflexión sobre el posicionamiento de las mujeres indígenas en Argentina. Uno de los criterios de selección consiste en que los sucesos elegidos, reflejen la participación de las mujeres en reclamos étnicos y su posterior re-posicionamiento político hacia las demandas de género.
Este criterio responde al interés de evaluar las distintas formas en que la participación en las disputas étnicas por reconocimiento han sido el espacio de formación y concienciación de una multiplicidad de mujeres que luego vieron necesario abrir su activismo a las reivindicaciones de género.
La perspectiva histórica se introduce como herramienta fundamental para entender cada espacio coyuntural en su propio contexto y en articulación a la trayectoria histórica general. Así también, la antropología pone a disposición la revisión del concepto de cultura que enriquece las interpretaciones sobre las reivindicaciones que toman a esta como enseña política.
PDF

Os entraves da diversidade sexual perante as práticas do poder – o exemplo de duas ONG’s da cidade de Pelotas / RS
Caroline da Rosa Meggiato

O presente trabalho pretende avaliar a forma como duas ONG’s de Pelotas, no Rio Grande do Sul, se propõem a lidar com a questão da diversidade sexual. Embora suas ações com relação a diversidade se intensifiquem ás vésperas da parada gay da cidade, suas atitudes são aqui analisadas durante todo o ano de 2006. Para a compreensão deste estudo de caso entre o grupo “Vale a vida” e o grupo “Também”, aqui fora de suma relevância atentar para o imaginário gay da cidade, o que na prática entra em descompasso com o considerável conservadorismo da mesma com relação às políticas de combate à homofobia. Assim, estamos tratando das formas em que o poder se vale do discurso para favorecer seus interesses, na medida em que os órgãos municipais oferecem mais espaço –em eventos como a parada gay- para ONG´s que tratem apenas de DST´s, enquanto questões relativas á sexualidade, são pormenorizadas. As práticas formadoras dos discursos propostas por Foucault são o pano de fundo deste estudo.
PDF

Conhecendo a passagem de Nísia Floresta pelo Rio Grande do Sul
Graziela Rinaldi da Rosa (UNISINOS-RS)

Este trabalho tem a intenção de  divulgar o pensamento de Nísia Floresta, uma pioneira nos estudos feministas brasileiro. Bem como problematizar o ocultamento de sua passagem pelo estado do Rio Grande do Sul, onde sabemos que ela fundou uma escola na capital gaúcha e tenha vivido com sua família. Onde estão os registros de sua morada? Como era a escola que Nísia Floresta fundou? Em que lugar ela trabalhava? Esse trabalho traz inquietações que fazem parte da pesquisa de doutorado da autora, uma professora gaúcha que busca conhecer as idéias de Nísia Floresta e um pouco sobre sua passagem pelo estado do Rio Grande do Sul. Como professora, proponho-me a conhecer essa mulher enquanto educadora feminista e fundadora de escolas que estavam à frente de seu tempo. Sabemos que Nísia contribuiu muito para a história do pensamento feminista brasileiro, porém ainda desconhecemos parte da sua contribuição na área da educação. Desconhecemos parte de sua vida, de seus escritos e ações. Pouco sabemos de suas dores, suas perdas...Queremos percorrer seus caminhos, numa re-leitura de suas idéias, buscando conhece-la e aprender com seus atos e iniciativas, tão precursoras.
PDF

Gênero e Saúde Mental nos Serviços Residenciais Terapêuticos
Maika Arno Roeder (UFSC)

Esta tese, ainda em andamento, aborda a saúde mental a partir de uma perspectiva de gênero, focalizando a situação das moradoras de um Serviço Residencial Terapêutico (SRT), localizado no município de São José, SC, objetivando analisar as intersecções entre gênero, sofrimento psíquico, cidadania e subjetividade de acordo com o ponto de vista das residentes destes serviços, no contexto da Reforma Psiquiátrica Catarinense. Trata-se de uma pesquisa etnográfica  na qual as histórias de vida, as entrevistas semi-dirigidas e participantes, além da  análise documental foram as técnicas empregadas  para elucidar as questões de estudo. A análise do discurso foi utilizada para interpretar os relatos das residentes. A interpretação preliminar dos resultados revelou, com relação ao perfil sócio-demográfico das residentes do primeiro SRT em SC que são todas idosas, de baixo nível sócio-econômico e de instrução, não possuem vínculos familiares primários, são devotas da religião católia, e permaneceram em tratamento em hospital psiquiátrico em média vinte anos, sendo que duas das seis residentes, para mais de 35 anos. A análise preliminar dos resultados revelou que: - o SRT vem assumindo uma função mediadora na construção de um outro lugar social para as residentes;  - assimetrias de gênero parece que tem motivado atendimento diferenciado;  - o gênero como dispositivo de poder pode estar influenciando as percepções do risco tendo como agravante o estigma imputado ao sofrimento psíquico; -  as moradoras do SRT passaram a transitar em distintos planos e níveis de realidade socialmente construídos, ampliando o campo de possibilidades destinado ao exercício da cidadania destas mulheres.
PDF

Impasses epistemológicos do/no feminino: conhecimento, subjetividade e causalidade do/no ativo/passivo.
Mériti de Souza

A concepção moderna de conhecimento encontra-se calcada na metafísica da presença e na representação que substantiva e presentifica subjetividade e realidade, ao manter o tempo estabilizado no presente e substancializado nos segmentos identitários. O saber científico definido como verdadeiro valoriza a lógica clássica, a física newtoniana, a metafísica da presença e desqualifica aspectos da realidade não inscritos nesses parâmetros. Na esteira desse conhecimento hegemônico o sujeito político se sobrepõe ao sujeito da ação configurado pela representação identitária e pela causalidade linear. Em outras palavras, a dissociação entre ativo e passivo e a crença na inevitabilidade da constituição subjetiva centrada na mesmidade definem os pressupostos do sujeito da ação política. Nessa senda, o feminino ao encarnar a falta, o vazio, o limite que acompanha o saber humano se tornou alvo de desqualificação e sinônimo de impotência. Entretanto, o feminino questiona o status quo dominante, pois expõe o limite do referencial epistêmico e ontológico que associa conhecimento, poder, representação, substância, ação e falo. Supomos que o trabalho de desconstrução desses fetiches demanda epistemologias e ontologias centradas na razão plural, na dúvida frente ao real, no paradoxo, na contradição, no indeterminado. Propomos analisar e sustentar concepções sobre o conhecimento e a ação ancoradas na qualificação do vazio, da falta, da diferença e do não representado, por considerarmos esse ponto imprescindível à crítica direcionada ao conhecimento e ao poder, centrados na perspectiva falocêntrica.
PDF

Escola Feminista nos Bairros/Comunidades: uma experiência intercultural de saberes, práticas e outras diferenças
Marion Teodósio de Quadros, Elisabeth Severien

Este trabalho evidencia questões, impasses e conquistas de uma experiência educacional feminista, a "Escola feminista nos bairros/comunidades", voltada para mulheres que possuem papel de liderança em sua localidade, desenvolvido por movimentos feministas em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O curso desenvolveu-se em três cidades do interior de Pernambuco (Brasil), constituindo uma das atividades de um projeto elaborado como fruto da militância e do diálogo com o saber acadêmico, o projeto “Mulher e Democracia”. Contando com o envolvimento de diversas feministas, cuja inserção no projeto se deu a partir de momentos e locais diferenciados, a escola é um cenário de debate entre o feminismo, o saber acadêmico e a antropologia feminista. Esta experiência confronta saberes de culturas locais populares com propostas de igualdade baseadas no ideário político do ocidente. Pretende-se, assim, iluminar questões a partir de uma experiência prática que inclui um encontro entre o saber antropológico e políticas dos movimentos feministas, quais sejam: como os arranjos locais são entendidos e levados em conta na discussão da igualdade e da democracia? Como equacionar o ideal de respeito à diferenças, quando elas são suporte de desigualdades de gênero? Quais as negociações possíveis entre as percepções locais sobre feminilidade que implicam em desigualdades de gênero, com propostas feministas de superação da subordinação das mulheres? O trabalho ressalta limites, impasses e possibilidades de práticas pedagógicas feministas interculturais.
PDF

Feminismo e antropologia: diálogos entre as teorias antropológicas da Pessoa e as teorias feministas do Sujeito
Sônia Weidner Maluf

Esta proposta de trabalho busca colocar em diálogo as teorias antropológicas da pessoa e as teorias feministas do sujeito, dentro de um projeto mais geral de reflexão sobre o Sujeito como objeto da análise antropológica e como categoria analítica que possa ter algum rendimento no estudo das sociedades urbanas contemporâneas. Apesar da importância que as discussões sobre pessoa, indivíduo e corpo vêm adquirindo na antropologia, não há uma teoria antropológica do sujeito. Por outro lado, nos últimos anos, a temática do Sujeito passou a ocupar o centro das reflexões no campo das teorias sociais e da cultura, fenômeno provocado em grande parte pelo impacto dos estudos culturais, das teorias feministas e da crítica pós-colonial, entre outros. Buscaremos, neste artigo, estabelecer pontos de reflexão para um diálogo possível entre os dois campos (feminismo e antropologia), em torno da questão do sujeito e das subjetividades e as possíveis contribuições das teorias feministas para a discussão antropológica sobre o tema. Essa discussão será feita em torno de uma experiência de pesquisa de campo sobre “gênero, subjetividade e ´saúde mental´, desenvolvida desde 2006, onde são abordadas questões como a larga disseminação e consumo de psicotrópicos entre mulheres de diferentes camadas sociais em Florianópolis; as narrativas de sofrimento e aflição e busca de cura por parte de homens e mulheres e suas estratégias diante do sistema biomédico e do sistema público de saúde e uma discussão sobre os discursos e práticas médicos e psicológicos como regimes de subjetivação e de construção da diferença de gênero.
PDF

O sujeito como fábula - Butler, Derrida e as alianças entre desconstrução e política feminista
Carla Rodrigues

Essa distinção sexo/gênero, tão cara às teorias feministas, vem sendo questionada por Judith Butler como um conceito metafísico, ainda apoiado no clássico par binário natureza/cultura. Para Butler, não haveria um ideal emancipatório na afirmação de que as mulheres podem estar livres de seus lugares fixos, estabelecidos pela natureza, apenas porque ser mulher teria passado a ter um gênero socialmente construído, e não mais obedecer a uma natureza biologicamente dada, mecanismo que preservaria um dos dogmas do humanismo, qual seja, o de pensar o sujeito dotado de uma substância e, portanto, dotado também de uma capacidade universal de razão, moral, deliberação moral ou linguagem. À proposição de sexo-natural/gênero-construído Butler repensa a partir do corpo, que passa a ser tão cultural quanto o sexo. Em Éperons, quando discute com as proposições de Nietszche sobre a mulher, Jacques Derrida fala em "estilos" de Nietzsche, frase que é subtítulo do livro, com a qual o filósofo aponta para a proposição de que, se há estilo, é preciso que haja mais de um. Analogamente, Butler vai pensar que, se há estilos, é preciso que haja mais de dois, trazendo um desafio à teoria e à política feminista. O pensamento de Butler se articula diretamente com o problema da identidade e com o problema da estabilidade do sujeito. No abandono da distinção sexo/gênero sobre a qual a política feminista se baseia, o desafio estaria em pensar para além do par opositivo masculino/feminino, sem com isso instituir um terceiro termo.
PDF

Sujeito simples, composto ou inexistente: quem é o sujeito da or(ação) feminista?
Tatiana Lima de Siqueira

Este trabalho procura fazer uma breve reflexão sobre as atuais discussões acerca da configuração do sujeito do feminismo. Parte do questionamento a respeito de Quem é o sujeito do feminismo? E procura discutir as contribuições que o pensamento pós-estruturalista fornece a este debate. Ao buscar responder qual sujeito é mais adequado ao feminismo ou dá conta da complexa rede de subjetividades que emerge na atualidade, deparamos com três opções: aquele simples, único e essencial, defendido pelas correntes liberais; o composto, múltiplo, que busca contemplar as diferentes posições dentro das distintas categorias de sujeitos ou simplesmente a inexistência desse sujeito, seu aniquilamento a partir da exacerbação da fragmentação desta figura. Teóricas feministas, consideradas pós-modernas, a exemplo de Judith Butler, Linda Nicholson, Teresa Lauretis, Chantal Mouffe dentre outras defendem a desconstrução do sujeito, mas não a sua “morte”. Elas propõem o abandono de certas categorias que essencializam este indivíduo. Para elas desconstruir o sujeito do feminismo não é censurar sua utilização, mas ao contrário, é liberar o termo num futuro de múltiplas significações, é emancipá-lo das ontologias maternais ou racistas às quais esteve restrito e é fazer dele um lugar onde significados não antecipados possam emergir. Pôr um pressuposto em questão não é suprimi-lo é antes libertá-lo de sua morada metafísica. Portanto, partimos do pressuposto que desconstruir a categoria “mulher” não é abandonar esta categoria é apenas ressignificá-la., possibilitando que múltiplas formas de unidade e de ação comum entre os sujeitos possam surgir
PDF

O gemido do sax é um soco: a cidade e o amor em "Pela noite", de Caio Fernando Abreu
Mariana de Moura Coelho

Este trabalho pretende averiguar, a partir da representação literária, de que forma se configura a identidade homossexual de dois personagens da novela “Pela noite”, de Caio Fernando Abreu, sob a perspectiva de sua relação com a cidade, o amor e suas próprias sexualidades. Nesse sentido, o gueto gay é decisivo na constituição de tal identidade na medida em que, como espaço privilegiado de expressão do homoerotismo, acaba por determinar e restringir o acesso de possíveis e variadas formas de comportamento homossexual em favor de um único tipo, contribuindo para a possível formação de estereótipos e para a perpetuação, de alguma forma, da discriminação à sexualidade considerada desviante. Procura-se, ainda, pensar na homossexualidade como possível intensificadora de problemáticas típicas do homem contemporâneo, tais como a solidão e a dificuldade em estabelecer relacionamentos de longo prazo.

“Bent”: reforço e ruptura de estereótipos gays na transposição do texto teatral para a cena
Paulo Merisio

O texto de Martin Sherman aborda, de forma poética, uma questão extremamente delicada na história da humanidade: a perseguição nazista aos homossexuais. Num claro movimento de humanização, emblematizado pela figura do personagem Max, o autor aborda o universo gay em duas perspectivas: na primeira parte da peça, construindo personagens que se aproximam do estereótipo homossexual, para, na segunda parte, expressar a sensibilidade e a capacidade de resistência desse grupo social. A escritura cênica da montagem teatral “Bent” – dirigida por Paulo Merisio e realizada no Curso de Teatro da Universidade Federal de Uberlândia, em 2007 –, teve como norte a aproximação das cenas contextualizadas historicamente no texto dramatúrgico, de fatos atuais. Nessa medida foi criado um personagem / narrador que costura as diversas cenas e expõe para o público fatos recentes. Tal opção empresta ao espetáculo algumas tintas brechtianas, ainda que a interpretação dos atores tenha uma base realista. Esta comunicação tem por objetivo refletir o processo de construção da peça, investigando espaços de reforço e ruptura de estereótipos gays em cena e analisando a recepção do espetáculo.
PDF

Os discursos sobre barebacking na Internet e no contexto social brasileiro
Paulo Sergio Rodrigues de Paula; Mara Coelho de Souza Lago

O barebacking é um termo de origem inglesa, que denomina um estilo de montaria de cavalo sem uso da sela e tem sido utilizada para designar a prática sexual sem o uso do preservativo, com o risco intencional de contrair o vírus HIV. Este trabalho teve como objetivos fazer uma Análise dos Discursos produzidos na Internet e conseqüentemente essa representação no contexto social. Porém, quando os assuntos é o praticante de bareback, acabam contribuindo para a manutenção de estigmas que há séculos acompanham os indivíduos homossexuais, com críticas patologizantes, moralizante e de cunho religioso, sem problematizações acerca doas abordagens de prevenção para este grupo especifico.Assim sendo, penso que é necessário investigar como os barebackers brasileiros (re) constroem procedimentos que fogem a normatização da prática sexual em tempos de AIDS, ou seja, sem uso do preservativo.Desse modo considero fundamental analisar como e em que contextos essas formas ganham visibilidade e as divergências e convergências no barebacking, sob as perspectivas de gênero, gerações e modos de vida, assim como a tendência que temos de julgar o sexo não seguro como negligência e irresponsabilidade; além de incluir saberes da antropologia, sociologia e da critica literária, afim de “reforçar o pensamento interdisciplinar sobre a sexualidade e ampliar a compreensão sobre as diferentes dimensões e fatores culturais, sociais e psicológicos envolvidos” nesta questão.
PDF

Travestis em Campos dos Goytacazes: dois tempos, duas memórias
Marinete dos Santos Silva; Fabio Pessanha Bila

O trabalho se propõe a analisar a trajetória de dois travestis que ganharam notoriedade na cidade de Campos dos Goytacazes, situada no norte do Estado do Rio de Janeiro. Tradicionalmente voltada para a economia açucareira e caracterizada por um profundo conservadorismo, essa cidade abrigou desde os anos 50 a figura emblemática de um travesti cuja trajetória pretendemos analisar. Nos anos noventa a modorrenta economia açucareira já fora substituída pela indústria do petróleo que, entretanto, não conseguiu superar a pobreza da maioria da população e o conservadorismo dos setores mais abastados. Nesse período surge a figura de um outro travesti que, contrariamente ao anterior busca uma inserção social calcada em um discurso que prevê uma atuação política, uma atuação artística e um reconhecimento de sua identidade de gênero assim como de sua cidadania.
Essas duas trajetórias remetem a tempos históricos diversos em termos dos movimentos sociais das chamadas minorias. Em que medida o movimento GLBTT possibilitou as diferenças percebidas nessas trajetórias? Como uma sociedade extremamente conservadora tal qual a campista admitiu, conviveu e convive com esses personagens que trazem consigo uma possibilidade de questionamentos dos valores – heterossexualidade, família conjugal tradicional – mais caros a ela?
PDF

“O beijo no asfalto”: reflexões sobre homofobia dentro de um cenário homossocial de João Pessoa.
Hilma Paulino Soares, Stênio Soares

A partir do pensamento de alguns autores, como Zygmunt Bauman e Stuart Hall, podemos dar continuidade às análises referente às identidades emergentes na pós-modernidade e seguir pistas construtivas para se compreender o fenômeno da pluralidade de sexualidades. Diante de identidades deslocadas, descentradas e fragmentas, o pesquisador se depara com um fenômeno que se mostra cada vez mais “líquido”, um discurso que ora sobrepõe ora justapõe ao outro e se transforma em uma velocidade que nem espera se ossificar. Com isso, discursos androcêntricos ou homofóbicos dialogam constantemente com atores em novos cenários homossociais. Ser um gay “pintoso”, “afetado” ou “afeminado” corresponde a um subgrupo específico dentro das possibilidades de homossexualidades. Identifica-se, conceitua-se, segrega-se, criando gêneros. O cenário homossocial escolhido neste trabalho é um bar de classe média de João Pessoa, mas as análises correspondem a discursos mais universais que perpassam discursos de classe social, raça, comportamento ou “disciplina do corpo”, sujeitos à uma multiplicidade de socialibidades no mundo pós-moderno.
PDF

Práticas sexuais desprotegidas numa população de homens com práticas homossexuais e de travestis
Sandra Brignol

Introdução: A prática do sexo oral e anal sem o uso do preservativo masculino é um importante fator para a infecção por HIV e outras DST na população dos homens com práticas homossexuais e das travestis. Objetivo: Descrever a prática do sexo oral e anal desprotegido segundo os fatores de vulnerabilidade na população do estudo que freqüentam a “cena gay” de Salvador. Métodos: O presente estudo é um recorte do Projeto Convida, inquérito sobre conhecimentos, atitudes, comportamentos e práticas de risco para a infecção pelo HIV entre homens na cidade de Salvador na Bahia, em 2003. Usou-se a análise de correspondência para estudar as relações entre as práticas sexuais desprotegidas e os componentes dos fatores de vulnerabilidade, o que também permitiu a caracterização de diferentes grupos de homens e travestis. Resultados: A prática do sexo oral desprotegido foi de 76,6% e de 42,8% para o sexo anal sem proteção. A identidade sexual foi um importante fator para se descrever as práticas sexuais e caracterização dos grupos de homens e travestis. Conclusões: As práticas sexuais desprotegidas são freqüentes na população do estudo, sendo que os homossexuais e travestis parecem mais vulneráveis às práticas sexuais desprotegidas. Estas práticas têm uma forte relação com muitas das características que compõem os fatores de vulnerabilidade. A descrição das relações entre as práticas desprotegidas e características dos grupos de homens e travestis podem ser usada para subsidiar ações específicas de prevenção nos locais da “cena gay” de Salvador, convidando estes indivíduos à práticas sexuais mais protegidas.
PDF

Amizades trans-viadas num espaço urbano de Porto Alegre – RS
Thais Coelho da Silva

Ancorada no campo teórico dos Estudos Culturais, esta comunicação constitui um recorte de pesquisa em andamento que procura problematizar um grupo de jovens homoafetivos – que trocam afetos com pessoas de mesmo sexo – num espaço urbano de Porto Alegre – RS. Analiso as práticas de amizade compartilhadas neste grupo, enquanto ações que colocam a (homo)afetividade em movimento, centradas no contato com o outro, na busca e na experimentação de seus pares. O grupo que investigo é composto, predominantemente, por jovens homoafetivos da periferia urbana da cidade e se reúne nos arredores de um shopping center, nas tardes de domingo. A entrada e freqüência destes jovens no Shopping vêm sendo barradas, pois seus comportamentos são considerados ‘inadequados’ pela direção do estabelecimento. Assim, ocupam a rua, utilizam as paredes das casas, os carros estacionados, o ponto de ônibus, o meio-fio, desfilam sob as luzes dos postes públicos, dos faróis dos carros, alvo de olhares passantes: palco perfeito para uma juventude trans-viada, que não apenas transita, mas trans-figura o lugar através de performances homoafetivas. Os achados da pesquisa apontam para a criação de uma comunidade homoafetiva que compartilha práticas que atuam como possibilidade de resistência à ordem heteronormativa instituída e na criação de relações ‘não-formais’, numa experimentação de modos de vida que se oponham às limitações e simplificações contemporâneas. A partir do contato com o outro, estabelecem-se relações abertas ao devir, possibilitando a construção de novas subjetividades que possam se opor às limitações e classificações das relações contemporâneas institucionalizadas.
PDF

O “eu” e o “outro”: o trabalho e a construção da identidade homossexual
Veridiana Caetano

A sociedade vem passando por consideráveis alterações, o que faz surgir, dentre outras práticas, diferentes atividades linguageiras, novos comportamentos e diferenciadas estruturas de trabalho. Ainda que haja uma evolução constante, nem sempre a sociedade convive amistosamente com as diferenças, aparecendo, muitas vezes, atitudes de preconceito. Nesse contexto, é comum observar que alguns grupos de pessoas, algumas vezes, passam por “desconfortos” sociais por serem considerados “diferentes”. Dentre aqueles que causam diferentes reações da sociedade, estão os homossexuais, os quais têm conquistado alguns espaços de produção de saber que pouco tem sido discutido no meio acadêmico, como a atividade no salão de beleza. Este trabalho tencionou concatenar reflexões sobre dialogismo, atividade de trabalho e identidade. A teoria dialógica do discurso (Bakhtin, 1952-1953/2003, 1929/2004) enfoca a linguagem verbal como exercício do social, os estudos sobre o trabalho (Schwartz, 2003). Assim, esse estudo buscou analisar práticas discursivas em um salão de beleza, localizado na cidade do Rio Grande/RS observando como se co-constrói discursivamente identidades homossexuais na atividade de trabalho.
PDF

Homoafetividade: desconstruindo a violência em busca da garantia de Direitos Humanos
Dalcira Ferrão, André Diniz

O tema da homoafetividade e da diversidade sexual tem se tornado cada vez mais presente e atual nas rodas de conversa entre amigos, nas discussões políticas e nas agendas públicas. O crescimento vertiginoso do público GLBTT tem trazido à tona algo que nossa sociedade e o Estado não podem mais fechar os olhos – que gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros existem sim, são muitos e que devem ter seus direitos garantidos como todo e qualquer cidadão. Pensar em Direitos Humanos e na garantia desses direitos é ampliar a discussão acerca da sexualidade, retirando-a do âmbito privado para o âmbito público. Assim que esse público começa a “sair do armário” várias ações e reações se apresentam de modo a tentar coagi-lo e, até mesmo, impedi-lo de conquistar visibilidade. Os Movimentos Sociais, em especial, o Movimento GLBTT, tem tido papel fundamental nessa luta, pressionando o Estado a contemplar e assumir em sua agenda a questão dessa categoria enquanto política pública, como forma de garantir seus direitos, principalmente no que diz respeito às práticas homofóbicas. A homofobia se apresenta a todo instante, onde olhares e ações hegemônicos e heterossexistas buscam impedir que identidades de gênero não condizentes com o sexo biológico e/ou pessoas com orientação não-heterossexuais se expressem e tenham visibilidade. Este trabalho pretende compreender as circunstâncias que se manifesta esta violação dos direitos do público GLBT devido à sua orientação e o por que dessas práticas homofóbicas serem legitimadas em nossa sociedade e em muitos momentos pelo próprio Estado.
PDF