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Coordenação:
Luiz Mello - Professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Goiás e Doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília.  

Antonio Crístian Saraiva Paiva (Professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Ceará e Doutor em Sociologia pela Universidade Federal de Goiás).

Pretendemos reunir neste simpósio temático pesquisadores de diversas áreas do conhecimento que desenvolvem estudos e investigações em torno das políticas sexuais ligadas às homossexualidades no Brasil contemporâneo. Um dos objetivos é criar condições para se pensar sobre as noções de cultura, comunidade, política, mercado e militância gay, GLS e GLTTB. Interessa-nos também possibilitar o diálogo entre pesquisadores que refletem sobre os conflitos relacionados ao reconhecimento das sociabilidades criadas para significar as trajetórias e os roteiros sociais de segmentos específicos. Deste modo, questões como práticas de amizade e homossociabilidades; ocupações de espaços urbanos e representações da cidade; violência e exílio social; memória coletiva e pedagogia da transgressão; erotismo e dissidência sexual; políticas de visibilidade, demandas judiciais e debates legislativos; processos de subjetivação e de criação artística; conjugalidades, parentalidades e amor; políticas identitárias e interseccionalidades, dentre outras, também estão no âmbito desta proposta.

Políticas para homossexuais: uma breve análise do Programa Brasil sem Homofobia e do tema transversal orientação sexual
Alexandre José Rossi (UFRGS)

O artigo aqui apresentado é parte da pesquisa intitulada “Homossexualidade: uma análise dos PCNs e do Programa Brasil sem Homofobia”. Tivemos como objetivo nesta pesquisa entender como o Tema Transversal Orientação Sexual dos PCNs vem tratando das homossexualidades enquanto forma de expressão sexual dos sujeitos, e em que ponto esse tema se aproxima ou se distância das questões propostas no programa Brasil sem Homofobia. Neste artigo, apresento o desfecho da minha pesquisa, momento em que faço uma acareação entre o Tema Transversal Orientação Sexual e o Programa Brasil sem Homofobia. Busco evidenciar em que aspectos essas duas políticas comungam ou se distanciam na proposta de formação dos sujeitos homossexuais na construção de uma nova sociedade e de políticas públicas para GLBTs a partir da análise de algumas categorias como formação de sujeitos, orientação sexual, homossexualidade, igualdade e tolerância. Um dos discursos apropriado pelos PCNs bem como pelo Programa Brasil sem Homofobia, é a retórica da igualdade. De forma associada com a idéia de tolerância, pretende-se atingir essa igualdade através da garantia de direitos para todos, visto que todos somos iguais, sem distinção de raça, cor, credo, orientação sexual etc. Esse discurso da igualdade, é um discurso falseador do real. Pretende-se através dele fundamentar a política da inclusão social, porém ele esconde os verdadeiros fundamentos da real exclusão social. Neste sentido não só encobre as causas das desigualdades sociais vigentes em nossa sociedade, bem como, as torna subjetivas e transfere toda a responsabilidade para esses novos sujeitos que se pretende formar.
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A violência contra lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis na agenda da segurança pública: entre o pensado, o dito e o feito nos centros de referência e combate a crimes de homofobia de Mato Grosso
Bruna Andrade Irineu (UFG); Vera Lúcia Bertolini (UFMT)

Este trabalho irá discutir como tem se dado as políticas de segurança pública no combate a homofobia em Mato Grosso, através de uma abordagem qualitativa, utilizando-se entrevistas semi-estruturadas com representantes dos Movimentos e Organizações Não-Governamentais (ONG’s) LGBTTT e profissionais a frente dos órgãos de combate a violência homofóbica. O Programa Brasil Sem Homofobia, propõe dentre suas ações a “divulgação de informações sobre direitos, incentivando às denúncias de violações dos direitos do segmento LGBTTT” tem implantado Centros de Referência em Direitos Humanos e Combate a Crimes de Homofobia (CRDH). Em Cuiabá, o CRDH está ligado à Secretária Estadual de Justiça e Segurança Pública, mas vem atendendo de maneira limitada. A partir da falas da coordenação do CRDH, a justificativa para o não funcionamento integral está na “burocratização na contratação” da equipe multidisciplinar, impossibilitando sua divulgação. Em Rondonópolis, o CRDH funcionou com a equipe multidisciplinar, mas suas estratégias de aproximação com a demanda foram insuficientes e dificultadas pela ausência do diálogo com o movimento LGBTT, assim a proposta de atendimento sócio-jurídico e psicológico foi alterada centrando-se na “capacitação do público heterossexual para a tolerância”. Assim, com a única e atual política pública específica voltada ao combate da homofobia não vem sendo efetivada conforme a proposta nacional, assim tal população tem sido vítima do descaso da sociedade e da negligencia estatal, que remetem à comunidade LGBTT o estatuto de não-cidadãos por via da não-garantia de direitos. Acreditamos como disse José Martí, que “as soluções não devem ser apenas formais; elas devem ser essenciais”.
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Repaginando identidades - o caminho da imprensa gay nacional
Jorge Luís Pinto Rodrigues (UERJ); Aldo Victorio Filho (UERJ)

O interesse desse trabalho é observar as mudanças no layout dos periódicos dirigidos aos gay e, também, mostrar o papel desempenhado pelos periódicos gays na tessitura das diferentes identidades da comunidade homossexual. A “imprensa gay” brasileira, termo aqui utilizado com a intenção identificadora, jamais redutória, tem sua história. Uma história marcada por movimentações e territorialidades, a contrapelo de todas as dificuldades e desafios de seus 30 anos (tendo como base o lançamento do jornal Lampião da Esquina) de iniciativas. Os periódicos se transformaram, ao longo do tempo, em excelentes veículos das histórias da vida e dos sonhos. Além disso, eles abrigam inegáveis espaços de manifestação de opiniões acerca de qualquer tema que guarde alguma coerência ideológica com suas linhas editoriais. É sabida que a condição homossexual é uma das condições mais discriminadas em todo o mundo ao longo da história. Por isso, defendemos outras leituras para essas publicações facilmente redutíveis, numa visão desatenta, à mera indústria cultural subserviente ao capitalismo. Sem dúvida que as agruras e divisões decorrentes das práticas capitalistas, são facilmente identificáveis nessas mídias, contudo, sabemos que cada leitura é uma leitura, e no caso específico da ‘imprensa gay’ nos interessa destacar que, a despeito da colonização mercadológica, essas páginas trazem a afirmação de imagens bastante distintas daquelas que são impostas à maioria dos homossexuais como seu espelho.
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Entre a visibilidade e a invisibilidade: limites das políticas identitárias GLBTT
Leandro Colling (UFRBA)

O texto tratará sobre algumas estratégias para as políticas de identidades adotadas e/ou propostas para os movimentos e a comunidade GLBTT: as utilizadas pelo movimento gay dominante nos Estados Unidos e no Brasil, as relativas a política queer, a proposta do homossexual astucioso (de Silviano Santiago) e da invisibilidade (de Denilson Lopes). O trabalho vai apontar as limitações dessas estratégias para, no futuro, pensar uma outra proposta que também leve em consideração a cultura brasileira e inclua os simpatizantes heterossexuais, quase sempre nomeados de "suspeitos", e os bissexuais, muitas vezes considerados como "enrustidos" pelos gays. Sobre a política dos movimentos gays dominante, analisaremos as estratégias do outing e de como os militantes tendem a desconsiderar os bissexuais e os simpatizantes. Mesmo sabendo que é difícil pensar que o movimento gay brasileiro seja uniforme, demonstraremos que muitos grupos concordam sobre a necessidade de assumir a homossexualidade publicamente e que foi e é necessário construir uma representação "positiva" do gay, o que esbarra, muitas vezes, na necessidade de fazer com que ele pareça ou seja igual aos heterossexuais. Trataremos sobre a política queer e das propostas que nascem com o objetivo de pensar em estratégias que levem em consideração a cultura brasileira. Defenderemos que as propostas de Santiago e Lopes, de modos diferentes, trabalham com uma lógica de assimilação e/ou aceitação da heteronormatividade. Por outro lado, a política queer, que critica a heteronormatividade compulsória, não agrega e não consegue obter sucesso para além da comunidade que ela representa. Qual é a saída?
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“Devido ele ser afeminado. Foi constrangedor porque ele era meu amigo e ainda me envolveram na questão” – bullying e homofobia na escola
Anderson Ferrari (UFJF)

Este artigo é resultado e parte de uma pesquisa desenvolvida numa escola pública federal na cidade de Juiz de Fora que, desde 2006, busca investigar o bullying - prática de agressividade repetitiva entre crianças e adolescentes, expresso através de perseguições, humilhações e intimidações. Em 2007 ela se prolongou para a coleta de dados entre os alunos do Ensino Médio, revelando como a humilhação está presente nas definições de classe, raça e gênero e como ela está, sobretudo, servindo para construir a noção de diferença e do diferente, de pertencimento e de grupo. Diante do que foi aparecendo percebemos a insistência nas questões que diziam respeito à construção dos gêneros e seu envolvimento com as sexualidades, principalmente na utilização das homossexualidades masculinas como forma de agredir e humilhar. Situações que nos possibilitam uma boa oportunidade para problematizar a construção desses conceitos, a hierarquização estabelecida e como isso está na própria constituição dessas categorias e sujeitos. Ancorados na História e nas lutas sociais e políticas, esses conceitos refletem a dinâmica das relações sociais e de poder, que revela uma forma de investigação crítica inaugurada por Foucault. Dessa forma, tanto o bullying quanto a homofobia são, hoje, temas que vêm suscitando discussões importantes para a educação, visto que eles expõem a violência que está presente não somente nas escolas, mas que está servindo para organizar as relações entre os adolescentes.
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Reflexões sobre sociabilidade entre pessoas solteiras homo e bissexuais em Salvador
Darlane Silva Vieira Andrade (UFBA)

Este trabalho é um recorte da minha dissertação de mestrado que discutiu algumas das repercussões do contexto social atual “pós-moderno” nos estilos de vida, relacionamentos amorosos e identidade de pessoas solteiras, de classes médias na cidade de Salvador, utilizando uma amostra de 20 pessoas, homens e mulheres, com média de idade 35,6 anos, de diferentes orientações sexuais. Para este simpósio, trarei dados das pessoas homossexuais (dois homens e uma mulher) e bissexuais (uma mulher e um homem). Estas pessoas são de diferentes origens - dentro e fora de Salvador; têm nível superior e exercem atividade remunerada; residem em bairros de classe média; três pessoas residem sozinhas. Estão solteiras (com exceção de um homem homossexual que estava iniciando um namoro). Para coleta de dados foi utilizada uma entrevista semi-estruturada e foram feitas duas entrevistas de história de vida. Estes dados foram discutidos à luz da teoria feminista. Os resultados mostram uma construção de identidade social gay, refletida nas redes de sociabilidade, nos espaços de lazer direcionados para um público gay, onde há a possibilidade de expressão desta identidade de forma mais “livre”, o que não é possível, para as pessoas entrevistadas, em locais freqüentados pelas pessoas heterossexuais; a proximidade com pessoas gays formando redes de amizade significativas, o exercício da sexualidade dentro de uma posição de “solteiros(as)”. Neste universo, há questionamentos em torno da heterossexualidade como norma para as relações afetivo-sexuais, e muitas vezes uma prática condizente com posturas heterossexuais. E ainda, o exercício de uma sexualidade plástica, fluida e diversa.
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O arco-íris em suspenso: a construção de homossexualidades reservadas
Guilherme Rodrigues Passamani (UFSM)

Este trabalho discute homossexualidades masculinas, movimentos sociais e identidades regionais a partir de entrevistas com dezoito homens gays de Porto Alegre e Buenos Aires em sua maioria com idades entre 25 e 35 anos. O grupo de entrevistados divide-se em militantes e não militantes do movimento homossexual, uma vez que o intuito da pesquisa é saber o quanto as identidades regionais influenciam a não opção pelo ativismo neste movimento social. Os informantes pertencem às classes médias e em sua maioria têm ou estão a concluir o Ensino Superior. Os dados foram coletados através de entrevistas. Em comum, além das práticas homoeróticas, e da situação sócio-econômica, os informantes são oriundos de cidades do interior e migram para Buenos Aires e Porto Alegre por questões estudantis e profissionais, e, sobretudo para conseguir praticar sua sexualidade de forma mais “tranqüila”. No texto são discutidas questões que buscam perceber o lugar reservado às homossexualidades ao longo da história, bem como a construção de homossexualidades reservadas que adequam-se a estes lugares ou não-lugares. Em um segundo momento, a discussão centra-se nos movimentos sociais, abarcando o movimento homossexual neste interior e problematizando suas práticas, políticas e estratégias na reivindicação e posterior conquista de direitos. Discuto estas questões para além dos militantes, tentando pôr em tela as visões distintas da militância e as razões que levam a maioria dos informantes a não militarem em um grupo gay.
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Exercício da homossexualidade e relações com a “família de origem”: notas de pesquisa
Leandro de Oliveira (UFRJ)

No campo dos estudos sócio-antropológicos, a crescente visibilidade dos arranjos familiares em torno da conjugalidade e parentalidade de populações GLBTT vem sendo progressivamente incluída na agenda de pesquisa ao longo da última década. Pouca atenção tem sido concedida, contudo, às formas como pessoas que aderem a uma identidade ‘não-heterossexual’ se relacionam com suas famílias de origem. O plano de trabalho que atualmente desenvolvo tem por objetivo evidenciar as formas pelas quais esses sujeitos gerenciam as relações com a família de origem e com outras redes sociais, particularmente as redes de sociabilidade que propiciam acesso a parceiros sexuais. Pretendo investigar as estratégias de gestão da informação (a tensão entre visibilidade e segredo acerca da orientação sexual e condutas eróticas) em sua articulação com os modos de participação nesses circuitos, levando em conta modulações introduzidas por marcadores como gênero, classe, religião e geração. Nesta comunicação, focarei relatos de jovens gays pertencentes a diferentes segmentos sociais, resgatando situações de interação e relações estabelecidas com familiares e parceiros na constituição da “carreira sexual”. Desejo problematizar quem esses sujeitos efetivamente consideram como “família”, conforme esta coincida ou não com o grupo doméstico atual, sinalizando para obrigações morais e laços de reciprocidade reconhecidos, assim como para processos de aquisição de autonomia pessoal a partir da rede familiar. Espero, assim, levantar questões que contribuam para o debate acerca da “homofobia” ou relativa “tolerância” das famílias face à homossexualidade, nuançando e complexificando representações dicotômicas e evidenciando normas e praticas regulatórias colocadas em jogo nessas redes.
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A família homoparental: uma reflexão sob o ponto de vista de alguns profissionais das Ciências Humanas
Maria Ivone Marchi-Costa(UNESP); Simone Cristina Perroni (USC)

A estabilidade do relacionamento entre pessoas do mesmo sexo e seu desejo de ter filhos desperta questionamentos quanto à adequação desse exercício. Este trabalho propõe promover reflexões sobre a homoparentalidade e para tal, parte dos estudos que a autora vem desenvolvendo em sua tese de doutorado sobre esse tema, e de uma pesquisa realizada com trinta e cinco docentes de uma Universidade, cujo objetivo foi conhecer as percepções desses profissionais, representantes da sociologia, psicologia, pedagogia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia e odontologia. A entrevista foi instrumentalizada perguntas e resultaram: 1ª) o que você pensa sobre a família homoafetiva ? 58,7% afirmam que todos tem o direito de constituir uma família, se assim o desejam. 41,3% embora respeitem, não concordam devido princípios morais e religiosos. 2ª) como você avalia o exercício da parentalidade por esses casais? 48% acreditam que é a qualidade dos vínculos e estrutura familiar que importa, 16%, não tem opinião formada, pois, julgam insuficientes as pesquisas para avaliar como se dará o desenvolvimento da criança. 36% questionam a falta do modelo masculino ou o feminino e preocupam-se com desenvolvimento psicossexual da criança. 3ª) como você se sente pessoal e profissionalmente para atuar junto a essa configuração familiar? 84% consideram-se preparados numa relação de igualdade e recriminam a discriminação. 16% necessitam de mais estudos para se sentirem preparados. Observa-se que a aceitação da família homoafetiva como uma configuração familiar, bem como o exercício da parentalidade, ainda divide opiniões mesmo no meio acadêmico. Porém, a maioria sentem-se preparados para atuar profissionalmente.
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Homoparentalidade: resignificando a família num contexto democrático
Daniela Bogado Bastos de Oliveira (UENF)

O presente trabalho, através do fenômeno da reflexividade – proposto por Anthony Giddens, trata a homoparentalidade como um novo paradigma de família pós-tradicional que, desassociando a idéia de reprodução de filiação, dá ênfase a socioafetividade, bem como permite a revisão da divisão sexual do trabalho ao propiciar uma ruptura dos papéis de gênero, com a emancipação sexual e a democratização das entidades familiares. Para tanto, aborda a funcionalização da família plural e a politização do privado, eis que o pessoal também é político!
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Direito e homoparentalidade: os novos direitos e as reconfigurações da família contemporânea.
Siomara Aparecida Marques (UNISUL)

O presente texto busca analisar como as novas legalidades dos direitos de constituir família constroem a democratização da vida social, ou seja, a democracia na vida privada e na vida pública dos sujeitos que lutam na justiça pelo reconhecimento de seus direitos. Para realizar este propósito, pretende-se abordar a questão dos novos arranjos familiares constituídos pela parceria civil entre homossexuais e o desejo destes em ter filhos, incluindo a questão jurídica da adoção. A tarefa aqui colocada é a de pensar criticamente a emancipação social dos sujeitos por trás das legalidades conquistadas no campo do direito. A base teórica deste texto consiste na articulação entre os debates feministas sobre a igualdade e o reconhecimento político das diferenças de gênero, a doutrina do garantismo jurídico e a teoria dos novos direitos. Essa articulação entre áreas diferenciadas do conhecimento tem como objetivo a construção de um diálogo entre ciências humanas e jurídicas na compreensão da geração das novas legalidades e, conseqüentemente, dos novos direitos de constituir famílias daí decorrentes.
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Caso Astrid/Eulina: entre a candidatura eleitoral e o julgamento moral, eleições no Pará
Jane Felipe Beltrão (UFPA); Estella Libardi de Souza (UFPA)

A partir do Caso Astrid/Eulina analisam-se as múltiplas faces do preconceito e da discriminação nos escritos do judiciário, ao discutir o registro de candidaturas a cargos eletivos no estado do Pará. O Caso Astrid/Eulina refere-se à candidatura de Maria Eulina de Sousa Fernandes à prefeita do município de Viseu (PA) para suceder Astrid Maria Cunha e Silva, pessoa com quem mantinha relação homoafetiva, não declarada pela candidata, mas denunciada pelos adversários em processo que resultou na impugnação da candidatura de Eulina. Para provar a tese da inelegibilidade de Eulina, os advogados dos adversários procuram caracterizar a relação de Astrid e Eulina como típica de homem e mulher; tentam apontar não apenas a existência de relação amorosa entre as duas mulheres, mas enquadrá-la num modelo heterossexual, o qual deve corresponder a uma das seguintes categorias jurídicas: união estável, sociedade de fato e concubinato. Tentativa que se revela à partida problemática. Os agentes sociais não se limitam a discutir a possibilidade ou não da candidatura, rompem a fronteira do julgamento do fato em si e avançam em seus argumentos na discussão da relação Astrid/Eulina permitindo entrever a leitura preconceituosa da relação homoafetiva, indicando a não aceitação da orientação sexual. Para demonstrar o “julgamento moral” da candidata, recolhe-se os estereótipos presentes nos autos do processo associando-o às trajetórias dos envolvidos, concluindo que o julgamento não se restringiu à instância do político.
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Pra que casar se todo mundo sabe que ela é minha mulher?
Kátia Bárbara da Silva Santos (UFSC)

Para Giddens (1993), desde a metade do século XX o universo homossexual através das vivencias efetivos-sexuais tem funcionado de forma pioneira perante aos modos de conjugalidade heterossexual. Nas entrevistas realizadas com mulheres que vivem em conjugalidade, de camadas populares de Belém/Pa, o casamento oficializado não aparece como algo importante para a relação do casal, algumas destacam que é melhorar morarem em casas separadas. Os fatores são diversos, a dificuldade de compartilharem o mesmo teto por questões de "gênio", outras pela não aceitabilidades de seus familiares da sua "opção" de lésbica, outras por não acharem a formalização da relação necessária para falar que alguém 'é tua mulher". As questões inseridas no debate das relações de conjugalidade, podem ser discutidas a partir do debate "casamento gay" e do parentesco homossexual.
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As narrativas das comunidades virtuais lésbicas: sociabilidade e experiências de vida
Vera Teresa Spcht da Costa; Valdir José Morigi (UFRGS)

O estudo analisa as narrativas das comunidades virtuais lésbicas, especialmente as listas e os fóruns de discussão e mostra como através das narrativas é possível formar um painel da multiplicidade e diversidade das lésbicas brasileiras na rede. No espaço virtual, as principais narrativas levantam questões em relação ao preconceito, a discriminação, a negação de direitos civis, de saúde, as políticas públicas, as experiências amorosas e as violências que sofrem no cotidiano. O trabalho procura caracterizar a sociabilidade no ciberespaço, examinando a geração de solidariedade capaz de auxiliar as participantes a assumirem sua orientação sexual. Conclui-se que as narrativas das comunidades virtuais lésbicas possibilitam a tomada de decisão em relação a “saída do armário”, auxiliam a enfrentar a rede relações na família, no trabalho e com os amigos. As experiências de vida narradas nas comunidades virtuais trazem para a esfera pública o debate sobre a homossexualidade feminina ao mesmo tempo em que elas se constituem um espaço onde se gesta a memória coletiva, fundamental no processo de fortalecimento dos pertencimentos grupais e na construção da identidade e da cidadania.
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Mulheres de outro gênero?
Nádia Elisa Meinerz (UFRGS)

A presente proposta tem como objeto as práticas cotidianas de produção da masculinidade no contexto das parcerias sexuais e afetivas femininas. Ela parte de dados coletados numa primeira abordagem etnográfica do projeto de tese realizada entre mulheres de grupos populares da cidade de Porto Alegre. O foco da análise são as tensões provocadas pela reivindicação do masculino na construção das identidades vinculadas ao exercício da sexualidade. Estas tensões se expressam não apenas na experiência subjetiva e relacional das parcerias, mas também na relação que elas estabelecem com o movimento social GLBT. Em termos teóricos, as práticas de masculinidade evidenciam alguns limites de classificações como homossexualidade e/ou homoerotismo. Do ponto de vista metodológico, destaca-se a importância de contemplar o contexto mais amplo de negociações da moralidade sexual e das relações de gênero nos grupos populares.
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A vivência de um desejo proibido: a experiência homoerótica feminina.
Aline Machado (UFPB); Leoncio Camino (UFPB)

Pensar em uma sociedade onde parcela da população é destinada a viver sua afetividade de forma secreta é pensar como estes sujeitos “admitem para si” uma sexualidade destinada a marginalidade e como enfrentam, desde a identificação do próprio desejo a prática do desejo, uma sociedade discriminatória.Objetiva-se neste estudo, investigar a construção da vivência social de mulheres homoeróticas enquanto minorias ativas, em uma dinâmica social caracterizada por representações depreciativas a grupos de minorias sexuais.Averiguando, também, descrever como neste universo se desenvolvem e se expressam as estratégias dessa vivência.Neste sentido, a investigação baseia-se concretamente nos aspectos: Fatores emocionais e sociais os quais estão envolvidos a descoberta do desejo homoerótico; Percepção a cerca dos fatores envolvidos em termos da prática homoerótica; e Percepção a cerca de como os movimentos e as minorias sexuais contribuem na luta pela diversidade sexual.Averiguamos que a descoberta do desejo vem atrelado a sentimentos negativos (Medo, Insegurança, Confusão, Ciúme) relacionados ao medo de enfrentar a família e a sociedade..A discriminação só é entendida em situação concretas, expressa como “Nunca me senti discriminada, porém nunca foi possível assumir uma relação perante a sociedade”.A sociedade aparece como fonte de sentimentos negativos (Tristeza, Indignação, Indiferença e Desprezo).Já no que se refere aos movimentos de minorias sexuais os grupos de atuação são vistos de forma diferenciada em relação a luta. Assim, de uma forma geral os movimentos LGBTT são percebidos como benéficos, já o grupo de Bissexuais são vistos como atores que nem facilitam, nem dificultam a luta.
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Muito além de uma comunidade gay
Martinho Tota Filho Rocha de Araújo (UFRJ)

Pensar em uma sociedade onde parcela da população é destinada a viver sua afetividade de forma secreta é pensar como estes sujeitos “admitem para si” uma sexualidade destinada a marginalidade e como enfrentam, desde a identificação do próprio desejo a prática do desejo, uma sociedade discriminatória.Objetiva-se neste estudo, investigar a construção da vivência social de mulheres homoeróticas enquanto minorias ativas, em uma dinâmica social caracterizada por representações depreciativas a grupos de minorias sexuais.Averiguando, também, descrever como neste universo se desenvolvem e se expressam as estratégias dessa vivência.Neste sentido, a investigação baseia-se concretamente nos aspectos: Fatores emocionais e sociais os quais estão envolvidos a descoberta do desejo homoerótico; Percepção a cerca dos fatores envolvidos em termos da prática homoerótica; e Percepção a cerca de como os movimentos e as minorias sexuais contribuem na luta pela diversidade sexual.Averiguamos que a descoberta do desejo vem atrelado a sentimentos negativos (Medo, Insegurança, Confusão, Ciúme) relacionados ao medo de enfrentar a família e a sociedade..A discriminação só é entendida em situação concretas, expressa como “Nunca me senti discriminada, porém nunca foi possível assumir uma relação perante a sociedade”.A sociedade aparece como fonte de sentimentos negativos (Tristeza, Indignação, Indiferença e Desprezo).Já no que se refere aos movimentos de minorias sexuais os grupos de atuação são vistos de forma diferenciada em relação a luta. Assim, de uma forma geral os movimentos LGBTT são percebidos como benéficos, já o grupo de Bissexuais são vistos como atores que nem facilitam, nem dificultam a luta.
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O Lógos do Lugar: uma análise sobre os processos de construção e apropriação do espaço dentro de ambientes GLS do centro da cidade de Manaus
Esmael Alves de Oliveira (UFAM)

Com o citado título, este trabalho volta-se para a problematização acerca de três aspectos fundamentais que compõem atualmente a pauta de discussões em torno das relações de gênero: território, identidade e representação. Deste modo, temos o intuito de, a partir da noção de território, discutir de que forma se insere a problemática da homossexualidade na cidade de Manaus em sua relação direta com o espaço ocupado por este “grupo de pessoas”. Tomando como base as reflexões de Pierre Bourdieu, in O Poder Simbólico, onde explicita a noção de revolução simbólica e sua relação com a construção do território, e Michel Foucault, in História da Sexualidade, onde aborda, a partir de uma crítica, o processo de elaboração de uma cisão nas relações do homem com o corpo na Cultura Ocidental, queremos problematizar acerca dos diversos usos e discursos inerentes à idéia de lugar GLS.
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Jornal do Nuances de Porto Alegre (RS): reflexão sobre os temas e as posições políticas difundidas por um veículo da imprensa homossexual brasileira
Fernando Luiz Alves Barroso (UFS)

O objetivo deste trabalho é explicar o Jornal do Nuances, um meio de comunicação produzido, desde 1998, por uma ONG voltada para a defesa dos direitos humanos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais da cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Nosso interesse principal consistiu em levantar e explicar os temas recorrentes e as posições políticas e ideológicas sustentadas por aquele jornal a respeito destes temas. A teoria da mídia radical alternativa foi o principal aporte teórico para a abordagem do objeto de estudo. Dentre os principais desenvolvimentos da pesquisa, percebemos que o Jornal do Nuances expressa os (e resulta dos) impasses políticos, no movimento homossexual brasileiro, decorrentes da crescente visibilidade pública alcançada pelos indivíduos identificados com as designações apresentadas acima. Com seus temas e posições, o referido meio de comunicação faz a louvação da “bicha bafona” em detrimento do “gay classe média”. A estratégia eleita pelo grupo para promover seus objetivos é a denúncia das políticas de silenciamento, estereotipização e normalização das homossexualidades e a proposição da alternativa da visibilidade transgressora como meio de garantir sua cidadania.
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Marcas do poder: o corpo (do) velho homossexual nas tramas da hetero e homonormatividade.
Fernando Pocahy (UFRGS)

Esta comunicação é fruto das primeiras aproximações com o campo a partir da pesquisa de doutorado intitulada Envelhecer nas tramas da hetero e homonormatividade, que vem sendo realizada junto à linha de pesquisa Educação, Sexualidade e Relações de Gênero no PPGEdu/UFRGS. Este estudo busca problematizar a objetificação dos idosos homossexuais e compreender como se produzem estas subjetividades, no sentido das disputas diante das significações cotidianas de desqualificação e dos estigmas ligados ao envelhecimento, reiterados pela hetero e homonormatividade. A pesquisa se constitui a partir do campo dos estudos de gênero e sexualidade de referência pós-estruturalista e ao tomar a idéia da subjetivação, inspirado na contribuição de Michel Foucault (1984), ocupa-se em pensar como os sujeitos se constituem a partir da relação que se produz em um confronto consigo, desde determinados jogos de verdades – sobretudo, neste caso, aqueles localizados na trama normativa velhice e sexualidade. No rastro do pensamento de Judith Butler (2005) o estudo persegue ainda uma forma de evidenciar o que constitui ou não uma vida inteligível e como os pressupostos do que é “norma(l)” em matéria de gênero, sexualidade e idade predeterminam o que conta para o status de “humano” e para o viável. O problema de pesquisa dirige-se aos modos como se movem/ vivem homens velhos homossexuais e a que redes discursivas estão/estariam atados; e quais são/seriam as possibilidades de resistência e (res)significações de si que se abrem/abririam diante dos imperativos heterossexistas.
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Figurações da experiência urbana em “Pela noite”, de Caio Fernando Abreu
Flávio Pereira Camargo (UnB)

Nos contos de Caio Fernando Abreu é possível observar uma representação das experiências urbanas vivenciadas por seus personagens, sobretudo, os que são homossexuais. Essas figurações da experiência urbana revelam uma vivência balizada por variados aspectos, tais como: a solidão, a dor, o sofrimento, a angústia, o preconceito, a discriminação e a carência afetiva, que leva a uma busca constante por um amor, por uma afetividade não correspondida. Em momentos diversos, o próprio autor afirmou que a metrópole, de modo geral, principalmente São Paulo, é “barulhenta, pouco saudável, solitária, amarga”, além de ser violenta, mas, ao mesmo tempo, ela também é “mágica, sensual, afetiva, tesuda”. Esta metrópole a que o autor se refere será representada em diversos contos, como, e. g, em “Pela noite”, que integra Triângulo das águas. Trata-se, pois, de um espaço ambíguo, múltiplo, em que há e não há lugar para a afetividade, um espaço no qual os personagens homossexuais experimentam os “labirintos e desencontros de afetividade”. Nosso objetivo, portanto, é evidenciar e examinar as figurações da experiência urbana pela qual passa o personagem Pérsio de “Pela Noite”.
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Quando o armário é aberto: visibilidade, percepções de risco e construção de identidades no coming out de homens homossexuais
Gustavo Santa Roza Saggese (UERJ)

Na segunda metade do século XX, o advento de um movimento homossexual mais fortalecido contribuiu para a incorporação de um senso de “vida dupla” em muitas pessoas. Se no passado a homossexualidade era vista muito mais como uma prática transitória, agora ela constituía parte integrante da personalidade dos sujeitos, de modo que um conflito entre as esferas pública e privada tornou-se mais evidente. A literatura política que sucedeu o episódio de Stonewall parecia apontar para o problema, sugerindo a existência de um “armário” onde muitos homossexuais ainda se escondiam a fim de evitar represálias da sociedade. Ao mesmo tempo, essa literatura apontava para a necessidade de sair dele (“coming out”) como a única forma de legitimar as demandas por direitos e reconhecimento público. Além disso, a narrativa do “coming out” parece vir desempenhando papel significativo na historiografia de gays e lésbicas como um dos processos de aprendizagem social mais importantes de suas vidas, na medida em que uma identidade homossexual positiva começa a se delinear através de uma ressocialização. Tendo em vista, portanto, a necessidade de um constante balanço entre riscos e benefícios ao se fazer “visível”, qual seria a melhor forma de fazê-lo? Para quem e em que contextos contar ou esconder? Que mudanças podem ser esperadas após a revelação? Haveria diferenças entre as gerações que “saíram do armário” logo após o surgimento dos movimentos homossexuais e as gerações mais novas? E, não menos importante, a existência de um “armário” seria exclusividade dos homossexuais?
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A imitação do cisne – outras configurações da literatura homoerótica brasileira
Donizete Aparecido Batista (Faculdade Bagozzi)

O presente trabalho analisa dois romances que fazem, desde a época de seus lançamentos, um relativo sucesso na comunidade gay: O terceiro travesseiro e Apartamento 41, ambos de Nelson Luis de Carvalho. A investigação pressupõe que a grande aceitação junto ao público das referidas obras se justifica por dois motivos: uma estrutura ficcional que se apropria de elementos oriundos da literatura de massa e o tom confessional presente nos dois livros, característica que lhes confere uma proximidade e cumplicidade com seus possíveis interlocutores.
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Masculinidades transgressivas: uma discussão a partir das práticas de barebacking.
Luís Augusto Vasconcelos da Silva (UFVSF)

Este trabalho origina-se de uma tese de doutorado e propõe desenvolver uma discussão sobre aspectos da dinâmica homoerótica masculina e suas transformações identitárias a partir das práticas e sentidos do barebacking entre usuários da internet, no contexto brasileiro, considerando as novas possibilidades das tecnologias de informação, de trocas de experiências e encontros eróticos, sob a forma de uma cibersexualidade. O termo barebacking, que significa, literalmente, cavalgar ou montar sem cela, passou a ser usado no contexto da comunidade gay norte-americana, nos anos 90, para designar o sexo sem preservativo, como uma estratégia de resistência a um discurso normativo em relação ao sexo seguro. Um dos aspectos importantes a ressaltar é que a troca de fluidos corporais, principalmente sob a forma de esperma (porra ou leite), tem sido uma das marcas dos discursos e práticas do barebacking. Aqui, o sêmen ou esperma aparece como signo importante da masculinidade. Como sugerem alguns relatos brasileiros, por exemplo, nas comunidades do ORKUT, existe uma sensação de que a própria macheza é intensificada pela quantidade (e qualidade) da gozada de outro macho. No barebacking, existe um sentido de intercâmbio (e compartilhamento) da masculinidade, o que faz intensificar o prazer, principalmente por ser altamente transgressivo, quando homens (machos) sentem-se intimamente ligados, buscando dar e receber excessivamente o esperma. Ser passivo ou dominado (e possuído) também não afeta, necessariamente, a masculinidade dos parceiros envolvidos. Nesses novos arranjos interativos, as posições eróticas apresentam-se mais flexíveis, transgressivas e versáteis, para além das polaridades ativo-passivo, masculino-feminino.
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