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47 - Convenções sociais, marcadores de diferença e biotecnologias: entre permanências, transformações e debates ético-políticos

Coordenação:
Martha Ramírez-Gálvez, Doutora em Ciências Sociais; Professora - Universidade Estadual de Londrina

Paula Sandrine Machado, Doutoranda em Antropologia Social (UFRGS), pesquisadora associada ao Núcleo de Pesquisas em Antropologia do Corpo e da Saúde -NUPACS/UFRGS

Pedro Nascimento, Doutorando em Antropologia Social (UFRGS), pesquisador associado ao NACi - Núcleo de Antropologia e Cidadania

Este simpósio busca refletir sobre a forma como determinados marcadores sociais de diferença, tais como gênero, raça/cor, classe e idade, essenciais para a compreensão dos fenômenos sociais contemporâneos, são atualizados em diferentes esferas, como a das políticas de inclusão social e a das intervenções biotecnológicas sobre os corpos sexuais e reprodutivos. A partir dos diferentes trabalhos apresentados, procura-se discutir acerca das convenções sociais presentes nesses diferentes marcadores e sua adequação ou subversão de modelos canônicos sobre sexo, gênero, família, beleza, entre outros, observando a afirmação, permanência, reificação ou transformação dos mesmos. Consideramos que propiciar o diálogo entre diversas/os pesquisadoras/es permite observar, também, as dimensões políticas e éticas no contexto das tecnologias de escrutínio, modificação e "adequações" corporais, bem como no que se refere ao campo reprodutivo e, inclusive, ao sistema de políticas de ação afirmativa. O que se torna convencional? A quais referenciais de sexo, gênero, raça/cor, classe, idade ou mesmo de "humano/humanidade" essas convenções respondem? Como e em que medida é possível modificar tais convenções? Quais são os benefícios e quem são os/as beneficiados/as? Um dos aspectos ético-políticos subjacentes à discussão diz respeito, portanto, aos efeitos concretos dessas tecnologias, bem como do trabalho produtivo e prescritivo das convenções enquanto ideais regulatórios. Outro desses aspectos refere-se ao modo como as convenções podem se tornar um instrumento de força política e/ou de captura (pelo mercado, pela mídia, pelos grupos conservadores, entre outras instâncias). Para tanto, propõe-se o debate principalmente a partir de três eixos: o das práticas sociais cotidianas, o dos modelos médicos e jurídicos e o das produções técnico-científicas.

Corpo modificado
Talita Gabriela Robles Esquivel; Antonio Carlos Vargas Sant’Anna (UDESC)

O corpo é usado como matéria prima, meio e suporte para comunicação e expressão com o mundo, formando identidades. Foco de muitos artistas plásticos contemporâneos, o corpo modificado, que toma dimensões grotescas, é assim também entendido pela sociedade. O presente artigo visa discorrer sobre o corpo, matéria prima para muitos trabalhos artísticos, por ser, dentre outros, alvo de imposições, vítima de preconceito, reflexo de nossa experiência de vida, de nossas ambições, ansiedades e de nossa sociedade
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Intersexualidade e o Discurso Médico: problemas de gênero e desafios para o Serviço Social
Angélica da Silva Duarte (UnB)

A história do surgimento e consolidação do Serviço Social e da Medicina, no contexto do aparecimento do sistema capitalista, revela aspectos significativos para a compreensão da atuação profissional na contemporaneidade. A tentativa de aproximação entre os dois campos de conhecimento permite o entendimento de seus papéis sociais. Neste sentido, localizam-se, Serviço Social e Medicina, no papel de controle da reprodução social através da medicalização social dos corpos. A intersexualidade encontra-se nos temas emergentes dos estudos de gênero, sexualidade e corpo, além das teorias feministas. As inquietações trazidas por meio do indivíduo intersexo provocam diversos questionamentos em torno da idéia de que o sexo ocupa a esfera da natureza, e o gênero, a esfera da cultura. Além disso, o corpo intersexo, de sexo e gênero indefinidos, representa ameaça à estrutura binária do feminino ou masculino, e à matriz heterossexual de reprodução social. Assim, o intersexo torna-se alvo dos saberes biomédicos, e identifica-se a cirurgia de correção de genitália como uma forma de normalização do corpo intersexo. Considerando o campo da saúde como o lugar predominante de manifestação da intersexualidade, esta se torna uma demanda legítima para o Serviço Social. E ainda, reforçando os princípios fundamentais de regulamentação da profissão, reivindica-se uma atuação do Serviço Social em torno do indivíduo intersexo que se distancie da prática médica de controle da reprodução social.
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Em busca do “sexo verdadeiro”: narrativas sociomédicas sobre os corpos intersex.
Paula Sandrine Machado (UFRGS)

Nesse paper analisarei determinadas narrativas sociomédicas sobre os corpos intersex que remetem à idéia de “ambigüidade” ou “desarmonia” no que se refere à formula “gênero atribuído ao nascimento” – “sexo (a ser) construído por meio de intervenções clínico-cirúrgicas”. Para tanto, utlilizarei dados etnográficos obtidos através da observação participante em um hospital do RS/Brasil e de entrevistas semi-estruturadas realizadas com profissionais desse hospital, bem como com familiares de crianças/jovens intersex. A hipótese que norteia o trabalho é a de que a noção de “ambigüidade” é um fio condutor que permite apreender a relação da medicina com a intersexualidade, bem como as tensões que a intersexualidade engendra nesse contexto médico-científico. A genética e a endocrinologia (instrumentalizadas pela biologia molecular) ocupam um lugar cada vez mais importante no que tange às negociações em torno das decisões acerca da “designação” do sexo em crianças intersex. O sexo “verdadeiro” – masculino ou feminino – é buscado através das avaliações médicas em um nível cada vez mais microscópico do corpo. Nessa perspectiva, todos os elementos “microscópicos” devem estar, ainda, encompassados com outros, mais “macroscópicos”, relacionados a certos padrões corporais, bem como a determinados comportamentos. Quando é percebida uma suposta “desarmonia” entre os diferentes elementos ou características que estariam compondo o sexo é que se desvelam as preocupações dos profissionais médicos e psicólogos – mas também de alguns familiares. Contudo, na medida em que a dicotomia enquanto norma de gênero não compreende sem tensões os corpos intersex, revelam-se as insuficiências de um modelo baseado em categorias sexuais binárias.
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Poder, querer: discutindo a ‘ampliação do acesso’ às novas tecnologias reprodutivas
Pedro Francisco Guedes do Nascimento (UFRGS)

As novas tecnologias reprodutivas têm sido percebidas em geral por profissionais e usuários como o desenvolvimento máximo da possibilidade de resolução de problemas das pessoas na realização do sonho de ter um filho. A naturalização do desejo de filhos num contexto no qual se associam saber médico e mercado apresentaria a idéia de que todos os casais ou indivíduos que não têm filhos passariam a incorporar essas técnicas como a saída definitiva para seus ‘problemas’. Nesse sentido, a expansão desses serviços para a rede pública de saúde é geralmente saudada como uma forma de ‘ampliar o acesso’ das pessoas a uma ‘tecnologia de ponta’. A partir de pesquisa etnográfica realizada no Rio Grande do Sul com sujeitos que têm recorrido aos serviços de saúde, o objetivo desse trabalho é discutir os impactos dessa disseminação a partir de duas questões principais. Por um lado, discutirei a forma como diferentes sujeitos consideram ou não a possibilidade usarem serviços de reprodução assistida. Na avaliação dessa possibilidade, são consideradas diferentes concepções acerca da biomedicina e diferentes formas de considerar a ‘ausência de filhos’. Por outro lado, observo como essa decisão é construída ao longo de trajetórias onde o acesso aos serviços de saúde aparece como um elemento central. Com isso, pretende-se problematizar as implicações da lógica da ‘popularização do acesso’ e as diferenciadas formas como os sujeitos investigados a tem considerado.
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A experiência de estar implantada: estudo etnográfico da prática contraceptiva de implantes subcutâneos na cidade de Porto Alegre/RS.
Renata Teixeira Jardim (UFRGS)

Esse artigo versa sobre a prática contraceptiva de implantes subcutâneos de mulheres pertencentes à região periférica de Porto Alegre, a Restinga. Ele parte de uma pesquisa qualitativa que vem sendo realizada desde 2007 na cidade, sobre o Programa de disponibilização de implantes contraceptivos hormonais da Prefeitura Municipal, que elegeu como foco de atuação a região da Restinga. São analisados dados oriundos de entrevistas e observações de campo com usuárias dos implantes e demais atores envolvidos na elaboração e implantação da política pública. O artigo consiste no contraste entre os usos e apropriações da nova tecnologia contraceptiva entre as usuárias da tecnologia e os demais atores envolvidos. O foco da análise está na percepção do impacto da tecnologia de implantes contraceptivos nas trajetórias de suas usuárias, quanto nas relações sociais em torno da reprodução e contracepção. Busca-se com essa reflexão contribuir para a elaboração de políticas públicas mais inclusivas, que insiram o público alvo na discussão. O estudo desta política pública municipal tem como objetivo principal perceber de que forma ela é recebida pelo público-alvo.
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Contextos sócio-culturais dos transtornos alimentares: gênero e intersecções.
Daniela Ferreira Araújo Silva (UNICAMP)

Concebidos como típicos de mulheres adolescentes e jovens, brancas, heterossexuais, de classe média e alta de países ocidentais industrializados e de “primeiro mundo”, os transtornos alimentares têm sido cada vez mais relatados entre homens, crianças e mulheres maduras, minorias raciais, étnicas e sexuais nos ditos países de “primeiro mundo”, bem como em outras regiões (Argentina, Brasil, África do Sul, China e Israel, por exemplo). O modelo etiológico vigente para esses distúrbios supõe uma causalidade multifatorial, que inclui “aspectos sócio-culturais”. Estudos clínicos transculturais recentes apontam para uma correlação entre a incidência desses distúrbios e contextos de rápida “modernização”, entendida como uma crescente inserção em um mercado mundial de produção e consumo, de circulação de discursos relacionados à boa forma, saúde e beleza, veiculados pela mídia. Entretanto, em sua grande maioria, as concepções de cultura adotadas são pouco problematizadas, sendo muitas vezes empregadas como sinônimo de raça, etnicidade ou nacionalidade. Por outro lado, a mudança cultural e a “modernização” são encarados como “aculturação”, ou “choque entre culturas”, enquanto gênero e idade são tratados como variáveis independentes da cultura, sinônimos de uma realidade biológica, ou elaboração social dessa realidade.O presente trabalho procura problematizar alguns usos das noções de gênero, cultura, raça, etnicidade, nacionalidade, idade e sexualidade nos discursos médico-científicos sobre os transtornos alimentares, considerando seus efeitos específicos de poder a partir da localização social particular de sua produção.
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A nova era do desempenho sexual: representações de gênero e sexualidade nas intervenções médicas
Fabíola Rohden (UERJ)

O trabalho discute como tem se produzido o processo de criação do diagnóstico e as intervenções terapêuticas medicamentosas em torno da nova norma cultural do desempenho sexual a partir das diferenças de gênero. Analisa criticamente a bibliografia internacional que têm tomado a etapa recente da medicalização da sexualidade como tema de pesquisa. A maioria dos trabalhos centra-se na produção da categoria e do diagnóstico de “disfunção sexual”, seja considerando o caso masculino, mais amplamente estudado pela via da “disfunção erétil”, ou o caso feminino, muitas vezes traduzido pela idéia de uma suposta complexidade da sexualidade das mulheres. A perspectiva que utilizo tem como referência os estudos sociais da ciência e, especialmente, as contribuições da antropologia e da história da medicina. Além disso, incorpora a matriz dos estudos de gênero e ciência que tem produzido uma poderosa visão crítica da produção científica dos dois últimos séculos, revelando como os condicionantes de gênero têm atravessado a relação entre produção do conhecimento e contexto social.
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Medicalização da masculinidade: o marketing da disfunção erétil e da andropausa
Rogerio Lopes Azize (UERJ)

A medicalização da masculinidade é um tema visitado com pouca freqüência pelas ciências sociais. Isso talvez porque o próprio fenômeno seja recente. Por razões que discuto aqui, o corpo masculino parecia resistir aos avanços da medicalização, mas alguns fatos novos nos permitem pensar em uma extensão da medicalização de um para dois gêneros (Conrad, 2007). O surgimento do Viagra deu (criou?) visibilidade pública ao tema da disfunção erétil e ensejou pesquisas a respeito; a menos conhecida andropausa vem sendo tema de campanhas publicitárias de laboratórios farmacêuticos divulgando uma doença ainda pouco conhecida. O próprio estatuto de ‘doença’ para estas condições ainda é incerto e o marketing dos laboratórios farmacêuticos vem sendo alvo de críticas e acusações de que eles estariam “vendendo doenças” (Moynihan e Cassels, 2005). Este artigo resenha algumas contribuições importantes para este debate dentro e fora do Brasil, tanto no que se refere a uma crítica mais geral às estratégias da indústria farmacêutica, quanto a análises mais específicas sobre a medicalização da masculinidade. Em diálogo com esta bibliografia, analiso peças publicitárias de laboratórios farmacêuticos que divulgam a disfunção erétil e a andropausa
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As novas tecnologias reprodutivas e a produção de um processo de modernização conservadora.
Martha Ramírez-Gálvez (UEL)

Realizou-se uma etnografia acerca da constituição do campo da reprodução assistida no Brasil. Embora tal empreendimento tenha surgido da inquietação de observar as questões de parentesco e de gênero introduzidas no campo reprodutivo por via do uso das chamadas novas tecnologias conceptivas, os dados de campo apontaram para a necessidade de ampliar o escopo da pesquisa para além das questões de parentesco e de gênero. Foi necessário contextualizar o surgimento, divulgação e expansão do uso dos modos tecnológicos de reprodução dentro de novas formas do capitalismo contemporâneo, que se arroga o controle do campo da reprodução tecnológica dentro de uma lógica eminentemente mercadológica. A identificação dos vários protagonistas que compõem esse campo, muito além dos casais, mulheres e/ou homens inférteis, permitiu colocar em evidencia a participação de profissionais da reprodução humana, laboratórios farmacológicos e industria de equipamentos na construção de discursos que apontam para um processo de "modernização conservadora", afirmação de valores hegemônicos com relação à família heterossexual-consangüínea e ao ideal de maternidade por parte das mulheres.
A especificidade do campo levou também à formulação de uma abordagem antropológica pouco convencional, que dera conta da produção de um objeto globalizado com sua correspondente circulação de significados culturais, objetos e identidades, difusas no espaço. Isto é, à maneira de grande circulação de capital não apenas econômico, mas também simbólico. Espera-se, nesta apresentação, enfatizar os aspectos metodológicos exigidos para a compreensão antropológica de produção de discursos acerca de eventos científico-tecnológicos.
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Eu não sou de Vênus: uma análise do sexismo em livros de auto-ajuda
Patricia Nardelli Pinto Santana (UnB)

Este trabalho surge com a preocupação de se questionar os manuais de auto-ajuda enquanto divulgadores de clichês sobre homens e mulheres. Os livros de auto-ajuda, propostos eles mesmos como manuais, podem ser pensados como voltados para relacionamentos heterossexuais afetivos e enquanto transmissores de valores de gênero. A idéia base de investigação surgiu em torno da construção do gênero dentro das relações heteroafetivas, o que equivale a dizer que as relações podem ser pensadas enquanto limitadoras e definidoras de categorias como o masculino e o feminino. A partir daí, busquei selecionar exemplares destes livros de auto-ajuda, escolhidos por figurarem durante muito tempo no topo das listas dos mais vendidos. Tornou-se possível pensá-los enquanto divulgadores de uma ciência (médica, biológica e neurológica) que, no senso comum, é entendida no seu sentido iluminista, racional com ideal de neutralidade, ou seja, como divulgadora da ‘verdade’. Dessa forma, podemos investigar esse tipo livro entendendo-os como panfletos de divulgação científica, e assim questionar o próprio saber dito científico que se encontra subjacente a eles. O importante a se ter em mente aqui, é que a divulgação dos supostos saberes científicos é feita de maneira bem-humorada, com a utilização de recursos metafóricos. Os livros são propostos para agirem enquanto manuais comportamentais responsáveis por melhorar a vida social (relacional), principalmente a conjugal, através da compreensão e aceitação de que homens e mulheres são diferentes. Os livros adotam, assim, uma matriz heterossexual dos relacionamentos, onde gênero e sexualidade (bem como intimidade) se colam devido a uma perspectiva biologicista essencializante.
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Corpo, velhice e saúde: formas de viver e ser na velhice
Gabriela Felten da Maia; Fátima Cristina Vieira Perurena (UFSM)

Este trabalho visa a refletir a reconfiguração das representações sobre e velhice em um contexto de transformações demográficas, caracterizado pelo aumento populacional de pessoas com mais de 60 anos. Consideramos importante uma aproximação com a velhice, tendo em vista que uma maior visibilidade é conferida a esta categoria etária, a partir das alarmantes projeções populacionais, quando estas evidenciam as conseqüências desta transformação etária. Um dos resultados é o surgimento de uma nova idéia de velhice, construída em torno do conceito de envelhecimento produtivo. Um ethos que passa a ser configurado não mais por estereótipos negativos, mas a partir de uma imagem mais positiva, em que os idosos são apresentados como saudáveis, joviais, engajados, produtivos e autoconfiantes. Deste modo, pode-se dizer que a experiência de envelhecer é tratada sempre em oposição a algo – saúde/invalidez, inativa/ativa, velhice/juventude, negativa/positiva, etc. – tornando um dos aspectos como a verdade sobre a velhice. Tornam-se marcadores identirátios ideais, na medida em que esquecem a pluralidade de modos de ser, pensar e agir, homogeneizando as diferenças ao estabelecer parâmetros de comportamentos, higiene, saúde, etc. Assim, entende-se a necessidade de se considerar as implicações do investimento nesses regimes identitários. Desta forma, a questão que se coloca neste trabalho é: qual a possibilidade de pensar outros modos de ser na velhice, considerando a heterogeneidade de questões que envolvem o envelhecer.
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O Papel da Mulher Rural na Segurança Alimentar: o Caso da Comunidade de Santo Antão, Santa Maria – RS
Sibele Vasconcelos de Oliveira; Dionéia Dalcin (UFSM)

A insegurança alimentar afeta milhões de pessoas nos países em desenvolvimento. Quando se considera a tradição alimentar de uma região, as mulheres têm valor histórico e cultural. Neste contexto, as mulheres do meio rural desempenham função decisiva para atender as necessidades de suas famílias, pois elas estão envolvidas na produção dos alimentos, na segurança nutricional da família e também contribuem para o acesso econômico à estes alimentos. O presente trabalho foi desenvolvido no primeiro semestre do ano de 2008, na comunidade de Santo Antão, interior do município de Santa Maria-RS, na qual foram realizadas entrevistas com uma amostra de 20 mulheres agricultoras. A pesquisa verificou que são as mulheres as principais geradoras da segurança alimentar na região em questão, já que elas têm a preocupação de produzir e preparar os alimentos que serão consumidos por suas famílias. Além disso, a qualidade e variedade de alimentos ofertados à família passam pela supervisão da mulher, através da produção, colheita, preparo e conservação dos alimentos. Mesmo possuindo papel significativo na segurança alimentar, a mulher não se sente valorizada no que tange o trabalho realizado na unidade familiar. O trabalho detectou ainda que, se houvessem políticas públicas de incentivo a geração de renda da mulher e de proteção da saúde e nutrição, estes fatores colaborariam para a redução da insegurança alimentar.
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Justiça e gênero: o Judiciário como arena para a conquista e efetivação dos direitos das mulheres?
Alexandre Garrido da Silva; Joana El-Jaick Andrade (UERJ / USP)

Na atualidade, tanto os campos da Sociologia quanto o do Direito vêm destacando o crescente protagonismo dos magistrados e tribunais na garantia e efetivação de direitos fundamentais. Tal participação é por vezes compreendida como resultado de uma estratégia para a superação de um "constitucionalismo simbólico" (Neves, 2007). Neste sentido, a atuação dos juízes seria considerada um elemento social progressista na concretização de ações afirmativas e na proteção e ampliação dos direitos das mulheres. Em sentido diverso, autores como Robin West (2000), salientam o caráter enviesado do Direito, enxergando as instituições jurídicas como produtos de sociedades patriarcais, sendo, portanto, construídas a partir de um ponto de vista masculino, refletindo e reproduzindo seus valores sociais. Deste modo, mesmo quando levada em conta a perspectiva de gênero, os aplicadores do Direito tenderiam a desfavorecer as mulheres e a encarar suas demandas e reivindicações como secundárias e de menor importância. O presente trabalho pretende analisar a atuação recente do Poder Judiciário no Brasil no tocante às questões de gênero, bem como examinar o alcance e pertinência da crítica feminista à Teoria do Direito, no intuito de promover uma reflexão acerca da possibilidade de reforma das instituições jurídicas sob a democracia liberal.
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O poder dos discursos na construção do feminino e masculino
Ana Maria Colling (UNILASALLE)

As constituições e códigos civis são unânimes em defender a igualdade entre os sexos e atacam todos os tipos de preconceitos. A violência cometida contra a mulher é caso de saúde pública em todo o ocidente. Ela atravessa todas as classes sociais, raças e gerações. Apesar das normativas legais e ações públicas, os discursos que nomearam os gêneros de Aristóteles a Freud inculcaram profundamente na cultura ocidental a preponderância do masculino e a subordinação do feminino. Trabalhar com a história das mulheres exige que nós a entendamos como uma bem arquitetada invenção – política, social, cultural. As mulheres, e também os homens, são simplesmente um efeito de práticas discursivas e não discursivas. Portanto, reconhecer os discursos e as práticas que nomearam as mulheres, o lugar social, as tarefas, as atribuições, e também a subjetividade feminina é tarefa primeira na afirmação de relações igualitárias entre homens e mulheres.
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O discurso feminino sobre uma ação afirmativa: os sentidos da diferença
Ana Cleide Chiarotti Cesário; Ana Maria Chiarotti de Almeida (UEL)

Tendo como referência a Análise de Discurso de linha francesa, influenciada por Michel Pêcheux (AD), pretendemos interpretar as falas de mulheres protagonistas que vivenciaram a implantação da política de cotas para afro-descendentes na Universidade Estadual de Londrina. Implantação que não foi apenas fruto de uma política pública formulada no âmbito do Estado, mas que decorreu, sobretudo, da instauração de um espaço público de debate, envolvendo a Instituição Universitária e setores organizados da sociedade civil, a exemplo do movimento negro. Entendemos que a AD, como teoria e método, constitui importante entremeio na construção de dispositivos de análise para pesquisas de conteúdo sócio-político. Permite compreender como sujeitos – no caso, mulheres - que participaram dessa ação afirmativa, ao falarem sobre essa prática social, produzem simbolicamente sentidos e efeitos ideológicos sobre as relações de gênero – e em especial sobre a figura feminina – no âmbito das relações raciais. Consideramos que relações de gênero e relações raciais podem ser compreendidas como formações discursivas que remetem à questão das diferenças, portanto um campo privilegiado para a análise da afirmação de direitos e da ampliação de cidadania.
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Homossexualidades e Negritudes: identidades plurais sujeitos desiguais
José Estevão Rocha Arantes (UFG)

A partir da análise de entrevistas semi-diretivas, realizadas com homens negros e gays, procuramos compreender como sujeitos interseccionados pela homossexualidade, masculinidade e negritude, refletem sobre suas identidades a partir de envolvimentos afetivo-sexuais com outros homens, negros ou brancos, na cidade de Goiânia-Goiás. Os padrões de masculinidades que operam como categoria de inteligibilidade do “ser homem” podem ser ao mesmo tempo potencializadas pela questão racial (homem e negro) ao mesmo tempo em que suavizadas pela orientação sexual (homem e gay). São as negociações e conflitos gerados a partir dessas intersecções, dos sujeitos entre-lugar, que chamaram a atenção nas falas dos interlocutores. Buscamos analisar as posicionalidades desses sujeitos a partir das teorias da sexualidade, dos estudos de gênero (mais propriamente os de masculinidades) e ainda a compreensão da racialidade no Brasil.
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Crimes homofóbicos no Brasil
Marco Antonio Martins; Osvaldo Francisco Ribas Lobos Fernandez; Luiz Mott; Erico Nascimento (UNEB)

O objetivo geral do projeto é analisar o conteúdo dos jornais, que registram aproximadamente 600 assassinatos e 1500 episódios de violência e discriminação. O objetivo específico é conhecer a dinâmica da violência contra os diferentes segmentos da comunidade homossexual, tais como contra gays, lésbicas, travestis, bissexuais e transgênero. O projeto tem como área de abrangência todo o território nacional, já que se baseia nos registros de aproximadamente 600 assassinatos e 1500 episódios de violência contra homossexuais em todo o país. Esses dados foram coletados através de jornais, revistas, internet e por informações remetidas ao Grupo Gay da Bahia e arquivadas em sua hemeroteca. A descrição e a análise desta documentação serão realizadas comparando os tipos de crime cometidos contra este segmento da população e as tendências da homofobia no país, propondo um diálogo entre uma dimensão micro e macro-regional, a partir do confronto entre os dados regionais com o restante do país. Os métodos empregados são de abordagem qualitativa e quantitativa, possibilitando conhecer os diferentes tipos de crimes, sua distribuição espacial, suas regularidades, assim como o perfil sócio-demográfico das vítimas e dos agressores. Isso nos permitirá construir um mapa da violência contra homossexuais no país e suas diversas formas de manifestação: letal, verbal, física, insultos, chantagem, golpes, discriminações na mídia e/ou institucional - família, escola, religião, locais públicos. Procuraremos comparar os casos de homofobia e correlacionar com os homicídios e número de casos de aids e por categoria sócio-sexual em cada região do país
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Um levantamento sobre os estudos das Homossexualidades na Comunicação, período de 1992 até 2002
André Iribure Rodrigues (UFRGS)

O presente trabalho visa apresentar o panorama dos estudos que envolvem as homossexualidades GLBT no campo da Comunicação no período de 1992 até 2002. Este trabalho é parte de levantamento de campo de tese de doutorado em andamento no PPGCOM/UFRGS. Como ponto de partida, o levantamento pretende apontar as constribuições dos estudos sobre a temática das homossexualidades, masculinidades e homoerotismo na Comunicação para o âmbito acadêmico, bem como, as limitações e tendências do que vem sendo proposto como temática.
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