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48 - Corpos e identidades midiáticos: o discurso das revistas femininas (impressas, eletrônicas e digitais) em pauta

Coordenação:
Débora de Carvalho Figueiredo, Doutora em Inglês e Lingüística Aplicada, Professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem, UNISUL, SC

Najara Ferrari Pinheiro, Titulação: Doutora em Comunicação, Professora do Curso de Letras, Universidade de Caxias do Sul (UCS), RS

Este simpósio objetiva congregar pesquisadores/as que investigam a representação e a performance dos corpos femininos na mídia, considerando, para isso, o discurso das revistas femininas impressas, digitais e eletrônicas, e dos programas femininos na televisão. As pesquisas e discussões aqui apresentadas focalizam as representações midiáticas pós-modernas dos corpos femininos, concebendo-as como uma das formas de construção e disseminação de variadas práticas contemporâneas, de natureza cultural, social e/ou econômica, que têm como alvo o controle e a otimização mercadológica dos corpos e das identidades das mulheres. As representações corporais midiáticas contemporâneas aqui discutidas expõem uma relação entre corpo e identidade que transita entre o público e o privado; entre identidades próprias e identidades sociais impostas pelo discurso do consumo; entre a exposição ao novo e a reprodução de práticas consagradas; entre a transgressão e a apresentação de modelos corporais e identitários alternativos e subversivos, e a manutenção e o fortalecimento de modelos hegemônicos vigentes.

Bonecas de Papel: A revista Jornal das Moças e a produção de feminilidade em 1960
Caetana de Andrade Martins Pereira (UnB)

Pretendo analisar neste trabalho como o semanário carioca Jornal das Moças (particularmente as edições publicadas no ano de 1960), ao veicular determinadas representações das mulheres em suas páginas, atuava na produção de feminilidade da época. Considerando as revistas femininas um eficaz instrumento de pedagogização social e cultural, na medida em que, em seus discursos, são facilmente encontrados conceitos de como as mulheres deveriam ser e parecer, trago aqui recortes desta problemática, que, espero, possa trazer contribuições para analisarmos inclusive possíveis rupturas ou continuidades com as representações das mulheres encontradas nas revistas femininas da atualidade. Este trabalho é fruto da pesquisa que venho desenvolvendo para o mestrado na área de Estudos Feministas e de Gênero, no departamento de História da Universidade de Brasília.
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Last look: moda, corpo e subjetividade na revista Vogue
Carla Maria Camargos Mendonça; Paulo Bernardo Ferreira Vaz (UFMG)

Este artigo pretende investigar de que forma a moda, através do suporte de revistas especializadas – a Vogue America (produzida e veiculada nos Estados Unidos) e a Vogue Brasil - é capaz de enformar corpos e modular subjetividades femininas. Analisaremos aqui um corpo que habita e performa os dois exemplares do mês de dezembro de 2007.
Amostras de países tão diferentes nos ajudam a compreender um fenômeno que nos inquieta por sua amplitude: Vogue é uma publicação mundial, que trata a moda com um olhar global, mas pretende ao mesmo tempo adequar-se aos lugares onde é publicada com elementos e referências de sua cultura. Se assim o faz, como poderíamos explicar o fato das mulheres veiculadas nos dois exemplares se parecerem tanto, terem os mesmos apelos corporais, os mesmos vestidos? O que tentamos entender são as formas específicas utilizadas pela Vogue na construção de um modelo feminino que abre para o sonho, mas aprisiona quando anula qualquer possibilidade de diferença. O que está tensionada ali é a própria natureza do corpo feminino, seja na imagem, seja no texto. Ao mesmo tempo em que deixa a leitura passear por um mundo ficcional e extremamente prazeroso, entra em jogo também uma proposta de batalha contra o corpo biológico, que deve submeter-se a provações das mais variadas para tentar adentrar naquele mundo. É uma perfeição simultaneamente libertadora e militar, que oferece uma saída para a insatisfação do cotidiano, mas que impossibilita desligar-se dele.
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A sexualidade da mulher: o discurso da mídia feminina
Elisa Marchioro Stumpf

Este trabalho apresenta reflexões sobre os modos de constituição discursiva da sexualidade feminina nas reportagens sobre sexo da revista Nova a partir dos pressupostos teórico-metodológicos da Análise do Discurso de linha francesa. Considerando a imprensa como um lugar privilegiado de produção e circulação de discursos, busco compreender o funcionamento das práticas discursivas sobre a sexualidade feminina nessa revista. A questão do corpo é central para essa discussão, pois como afirma Sant’Anna (2000), depois dos movimentos de liberação na década de 60, constata-se uma preocupação com a saúde e bem-estar corporal, que se reflete na mídia através de imagens e discursos sobre o cotidiano sexual, entre outros. Esse corpo, porém, não está livre: de acordo com Baudrillard (1970) ele torna-se um objeto de consumo, suscitando práticas de consumo que atendem imperativos sociais. Parto da hipótese de que o discurso sobre sexo encontrado na revista Nova revela tentativas de uniformização do comportamento sexual da mulher e que tal uniformização funciona como uma forma de controle do corpo e da sexualidade feminina. A análise dos recortes discursivos é orientada por noções do quadro teórico da Análise do Discurso de linha francesa e por considerações sobre os temas propostos, a saber, sexualidade e corpo.
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A representação das transformações corporais e identitárias pós-modernas nos discursos sobre o vestuário
Flavia Campos de Melo Silva (UNISUL)

A beleza física e corporal sempre teve destaque e importância na cultura e na sociedade. Em diferentes momentos históricos e contextos sócio-culturais, padrões de beleza foram construídos e disseminados. A relação do corpo com a sociedade sempre foi de certa forma imperativa, apresentando um tipo de corpo em específico como ideal. Na modernidade tardia, o corpo magro apresenta-se nos discursos do mainstream (mídia de massa, indústria cultural, até pelo discurso científico) como aquele que toda mulher deve possuir, ou esforçar-se ao máximo para aproximar-se dele.
Já o corpo com sobrepeso é discriminado em todo e qualquer segmento, inclusive na moda. A moda é feita para corpos que possuem medidas-padrão. Qualquer estilo de roupa é sempre exposto por alguém que possui o padrão corpóreo exigido pela sociedade. O vestuário indica pertencimento a grupos sociais, assim como pode marcar variáveis como classe e status social. Uma das formas disponíveis para aqueles que estão fora do padrão hegemônico (magro, jovem, curvilíneo) de tentar deixar as margens e conquistar aceitação e status social é através da escolha do vestuário.
Devido ao imperativo do corpo magro, construído e disseminado por diversos discursos públicos de grande circulação e poder de aceitação, como o discurso midiático sobre o vestuário, é necessário investigar a forma como esses discursos estimulam suas consumidoras a aproximar seus corpos do modelo de corpo hegemônico, em especial a forma como as escolhas lingüísticas feitas pelos produtores textuais expressam e constroem técnicas disciplinares que ajudam a moldar as identidades de suas leitoras
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Mulher em revista: a mulher nordestina na década 1920
Kilza Fernanda Moreira de Viveiros; Diomar das Graças Motta (UFRN /UFMA)

Influenciada pelas transformações no campo das letras, das artes, das ciências e do trabalho, ocorridas na Europa durante as primeiras décadas do século XX e decorrente dos avanços da republica, a mulher brasileira começa a ocupar novos espaços profissionais, até então, aceitos pela sociedade como do universo masculino. Nesse campo é que este estudo objetiva dar visibilidade à mulher brasileira e nordestina à frente da publicação de um periódico na cidade do Natal, bem como seu meio de atuação e alcance social. Assim reconstituir, a partir de cinco exemplares, o pensamento feminino numa revista de época nos leva, sobretudo, à busca de papéis e representações Delas em sua contribuição na historiografia das mulheres brasileiras. Para tanto buscamos compreender um pensar histórico sob o ponto de vista das representações (CHARTIER,1990) na elaboração de um nova configuração (ELIAS, 2003), onde a pessoa mulher deixa de ser alguém que existia na sociedade como sombra tênue (PERROT,2003).para extrapolar o espaço privado, comum no imaginário social ao discorrer sobre trajetória e significado da presença feminina na esfera pública através da revista Cigarra.
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A representação do corpo feminino nas capas da Revista Veja: uma análise comparativa na década de 60 e 90
Lilian Santana da Silva(UFBA)

Neste artigo, parto de debates sobre a questão de gênero nos discursos midiáticos para analisar as capas da Revista Veja que possuem uma representação do corpo feminino no período da década de 60 e 90 do século XX. O objetivo é averiguar a ordem discursiva apresentada pela Revista Veja para as representações do corpo feminino. A abordagem metodológica segue a linha proposta pela Análise de Discurso Crítica. Ao se investigar a prática social envolvida na construção do discurso deste meio de comunicação, compreendemos as articulações discursivas sobre gênero e sua relação com as diversas práticas sociais na contemporaneidade. Os resultados obtidos demonstram que a Revista Veja utiliza-se de um discurso patriarcal e sexista na apresentação de questões relativas às mulheres. Esta análise permite uma interpretação sobre os efeitos ideológicos e hegemônicos produzidos pelo discurso deste veículo midiático.
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O apagamento da polifonia constitutiva de títulos de revistas femininas como estratégia ideológica
Paula Chiaretti; Leda Verdiani Tfouni (USP)

As revistas femininas representam uma prática significante, por se tratar de um discurso que está filiado a diferentes formações discursivas sobre a mulher. Partindo da Análise do Discurso pêcheutiana, objetiva-se desarmar a aparente transparência e evidência de sentido deste discurso, remetendo-o à sua exterioridade e apontando sua opacidade. Tomamos como corpus de análise títulos de revistas de diversas épocas (O Bello Sexo, Jornal das Senhoras, Renascença, A Cigarra, Jóia, Scena Muda, etc.). Defendemos a posição de que a
ideologia promove um apagamento de sentidos indesejáveis, fixando outros como naturais, ou já-lá, fato este que promove uma adesão do sujeito, mesmo à sua revelia. Através da construção de paráfrases é possível recuperar essas outras maneiras de dizer ligadas a efeitos de sentidos que teriam sido possíveis mas não foram os “escolhidos”. Por exemplo, o título Renascença sugere o período histórico que veio após a chamada “idade das trevas”. Parece que a intenção aqui é estabelecer um sentido para o movimento feminista que aponta para uma renovação completa de mentalidade. Estes títulos se relacionam com as condições
de produção e às formações ideológicas hegemônicas em que surgiram ora se subordinando, ora contradizendo, ora resistindo. Podem ser consideradas marcas significantes que indiciam o posicionamento ideológico destas revistas. Partindo da materialidade lingüística, buscamos as formações imaginárias e antecipações destas revistas sobre suas supostas leitoras. Concluí-se que há uma polifonia constitutiva nos títulos dessas revistas, a qual é apagada, fato que serve para estabelecer um único sentido sobre a mulher: aquele da ideologia dominante. (CAPES, CNPq, FAPESP).
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Culto ao Corpo: as influências da mídia contemporânea marcando a juventude
Priscila Postali Cruz, Gabriela Nilson; Eliane Ribeiro Pardo; André Oreques Fonseca (ESEF); (UFPel)

O presente estudo monográfico de caráter analítico tem como foco as influências da mídia contemporânea na produção da subjetividade feminina adolescente e como ponto de partida problematizações oriundas do exercício do estágio profissional de uma das autoras. Pontuamos alguns discursos sobre a beleza feminina veiculados pela revista Capricho e pelo programa Caldeirão do Huck, mídias consumidas pelas jovens estudantes do ensino médio observadas durante o estágio profissional, e os analisamos sob a ótica dos Estudos Culturais, da produção de subjetividade e dos estudos de gênero. Os enunciados sobre o corpo feminino belo e magro, emergentes no contexto do culto ao corpo das sociedades disciplinares modernas dos séculos XVIII e XIX, possuem caráter normativo. Os excessos paradoxais desse cultivo da aparência - anorexia, obesidade - nos dias atuais tornam-se problemas de saúde pública bem como justificam muitas vezes altos números de cirurgias estéticas realizadas por adolescentes do sexo feminino em nosso país. No plano da subjetividade, podemos assinalar problemas de auto-estima, percepção corporal, depressão, perda de certos limites por parte de um número grande de jovens para alcançar a imagem ditada pelos padrões midiáticos de beleza feminina. Programas de televisão como “Caldeirão do Huck” e a revistas “Capricho” têm como público alvo jovens adolescentes, que tomam para si representações das personagens bem como das atrizes “famosas” que concedem as entrevistas. Nesse contexto o consumismo gerado pela mídia transforma o corpo das garotas “sem fama” em alvo principal para vendas -- roupas, cosméticos, remédios para não comer, para não sofrer, para adormecer.
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Corpos femininos e publicidade na revista Capricho (décadas de 1950-1960)
Raquel de Barros Pinto Miguel (UFSC)

O objetivo deste trabalho é discutir as significações atribuídas aos corpos femininos nas páginas da revista Capricho nas décadas de 1950 e 1960. Para tanto foram examinados vinte exemplares desta revista, pertencentes ao período referido, onde me detive, especialmente, na publicidade neles veiculados. Predominam, neste período, anúncios relacionados a produtos de beleza e de higiene, nos quais é freqüente encontrar a promessa de solução de problemas pessoais através do consumo de determinado produto. O consumir aparece, então, relacionado à gratificação, à suposta realização de um desejo. Os corpos femininos, utilizados como ilustrações para tais anúncios, estão em consonância com os ideais apregoados na época sobre os modos de ser feminino. Dessa forma, as corporalidades presentes em tais publicidades constituem-se como mais um produto a ser consumido e desejado, desempenhando, outrossim, os papéis de reforçar estereótipos de gênero e adestrar corpos. Tomarei, assim, os anúncios publicitários como veículos para a análise dos papéis sociais destinados às mulheres de uma determinada época, refletindo sobre a possível participação das propagandas na constituição das subjetividades das mulheres e homens de uma geração.
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Humor e gênero a partir de um estudo de caso – o sitcom A grande família
Daysi Lange Albeche (UCS)

O sitcom A grande família (Rede Globo de Televisão) propõe-se a traduzir em realidade discursiva sua concepção das relações familiares e afetivas da classe média suburbana brasileira. Opera no tom de um humor que oscila entre o lúdico e o irônico. Ao mesmo tempo em que reafirma um quadro de valores que aponta para uma concepção tradicional da família, vai introduzindo pouco a pouco as grandes transformações por que passa a sociedade brasileira contemporânea. Assim, como ele apresenta o casal tradicional, que assume os papéis que lhe são designados socialmente, representados por Lineu e Nenê, exibe como contraponto o casal Agostinho e Bebel, que se pauta pela imaturidade e irresponsabilidade. Percebemos que a mulher exemplar exercendo os papéis ancorados no tripé: mãe-esposa-dona de casa; possuidora dos atributos de devoção, sacrifício ao lar e a família como parte da natureza feminina é tema de algumas das preocupações e discussões presentes na sociedade. Nosso interesse é observar como o programa trata do personagem que assume o estereótipo de “rainha do lar” como tema gerador de posicionamentos diferenciados frente ao papel da mulher como mãe-esposa-dona de casa; envolvendo as relações entre marido e mulher; entre sogra e nora; amigos; e entre namorados. Nesse sentido, interessa-nos elencar a maneira como é tratada a quebra das normas, a transgressão e a conseqüente punição dos transgressores, procurando identificar os julgamentos que colaboram na caracterização dos personagens e os modelos de comportamentos que são oferecidos aos telespectadores.
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A imagem da mulher nos CDs funk
Edinéia Aparecida Chaves de Oliveira (Unisul)
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“Lembrando que a Miss Ceará é Surda”: reflexões acerca do concurso de Miss Brasil 2008
Éverton Luis Pereira (UFSC)

Vanessa Vidal foi eleita para representar o Ceará no Miss Brasil 2008. Dentre as candidatas de todos os estados brasileiros, Vanessa apresentou um diferencial que exigiu a presença de elementos até então ausentes no concurso: intérprete, legendas e transmissão noutra linguagem. Exigiu ainda uma leitura apurada acerca das concepções do feminino. A Miss Ceará é surda, atuando neste espaço dando aulas para jovens com similar forma de expressão, preferindo, dentre as designações recorrentes, ser chamada de surda, em detrimento de deficiente auditiva, surda-muda, etc. Durante sua entrevista no concurso, Vanessa se comunicou em Língua Brasileira de Sinais (oficializada em 2006) e utilizou uma performance corporal para expressar sua resposta, tendo sido, na argüição, chamada de "deslumbrante". O feminino representado em Vanessa, que não se difere daquele de outras misses através da imagem, é marcado pela inclusão da diferença e gesto-visualidade (oposto da oralidade, em que a expressão se dá no e através do corpo). O deslumbre não está apenas em Vanessa, mas também na perfomance lingüística utilizada para comunicação, demonstrando, como salientou o apresentador, que ali é também o lócus para a diversidade. A beleza e simpatia, requisitos de uma Miss, são adentrados pela surdez de Vanessa, que carrega em sua forma de comunicação (reflexo de sua diferença), modelos de beleza possíveis que não condizem, necessariamente, com os requisitos e padrões expressos nas concepções da beleza Miss (que auxilia na construção do feminino). Isto demarca, em certa medida, outra maneira de construção do feminino, da beleza e da diferença.
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Relações de gênero em revistas de gastronomia
Maria Inês Ghilardi-Lucena (PUC-Campinas)

Este trabalho, inserido no grupo de pesquisa Estudos do Discurso, do CNPq/PUC-Campinas, estuda representações das relações sociais de gênero em revistas brasileiras de culinária e gastronomia. A análise do discurso produzido nesses espaços revela que, apesar das transformações ocorridas nos últimos tempos, os papéis atribuídos aos sexos ressaltam o poder e a força da tradição dos seguidores de Adão. Os periódicos analisados focalizam os homens na cozinha, lugar, há poucas décadas, considerado feminino. A cozinha de casa é um espaço não valorizado socialmente, entretanto a profissão de chef de cozinha é hoje disputada no mercado e tem sido destinada, em grande maioria, aos profissionais masculinos, dos quais se exige cada vez mais qualificação. As revistas pesquisadas, de alto preço, de estética bem trabalhada e com bastante sofisticação na apresentação dos pratos, dirigem-se aos homens e não às mulheres. Mostram-se, aí, as posições ideológicas que a elas subjazem, obviamente marcadas pela não-neutralidade de sua construção. A mídia expõe as contradições das relações de gênero e revela um paradoxo da modernidade ao incentivar as inovações (homens na cozinha), por um lado, e ao manter o status quo (homens em uma cozinha diferenciada, com mais poder), por outro. A construção das identidades de homens e mulheres se manifesta, portanto, no discurso sobre as práticas alimentares, assim como em outras práticas sociais.
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Da Cozinha para Mesa: as representações e as práticas alimentares no universo da Revista Claudia. (1961-1985)
Maria Paula Costa (UNESP – ASSIS)

A seção de cozinha sempre esteve presente na Revista Claudia, que publicava, mensalmente, receitas que orientavam o modo de preparo dos pratos, na elaboração do cardápio e na escolha dos ingredientes. O lema da seção era a praticidade, buscando auxiliar e facilitar a vida de suas leitoras na arte de preparar e servir os alimentos para a família. Pretendemos nessa comunicação discutir o sucesso desse tema nas páginas de Claudia, no período de 1961 a 1985, ressaltando que a alimentação acompanha as transformações da sociedade e está inserida no cotidiano das relações familiares e de gênero e está entrelaçada a questões econômicas, sociais e culturais que vão além do simples ato de comer.
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As Mulheres e o Espaço Doméstico na Revista “Casa e Jardim”
Marinês Ribeiro dos Santos (UFSC)

Neste artigo, tenho como objetivo explorar as relações de gênero na sua ligação com o espaço doméstico a partir da ótica das revistas de decoração. A investigação está centrada no discurso, tanto textual quanto imagético, veiculado pelo título “Casa e Jardim” entre as décadas de 1950 e 1970. Lançada em 1953, esta revista serviu como guia para o consumo doméstico de classe média durante uma época de urbanização e industrialização acelerada. A missão do periódico era, justamente, apresentar soluções capazes de conciliar a preservação dos valores tradicionais da família com a modernização do espaço das moradias. Durante o período em estudo, o modelo de domesticidade divulgado por esta revista tinha como premissa a clivagem entre as esferas pública e privada associada à existência de mundos masculino e feminino distintos. As representações do feminino insistiam na identificação das mulheres com o espaço doméstico e com as práticas de consumo voltadas para o lar. O que pretendo ressaltar são algumas das estratégias discursivas empregadas pela revista na afirmação de diferenças, operando na prescrição de papeis, na demarcação de limites e na instituição de assimetrias de gênero. Enquanto instrumento de ordenação do mundo, o discurso é parte constitutiva das relações sociais. Sendo assim, as representações do feminino em Casa e Jardim podem ser entendidas como tipos de subjetividade criadas para as mulheres, que, longe de serem o reflexo de uma essência feminina, precisam ser problematizadas e historicizadas.
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Ocultar e/ou revelar: o jogo das estratégias discursivas na definição dos papéis de gênero nos programas femininos da TV
Najara Ferrari Pinheiro (UCS)

O objetivo deste artigo é discutir a relação entre as estratégias verbais e não verbais na instituição de padrões de corpo idealizados no discurso dos programas femininos. A análise de dois quadros dos programas Bem Família e Mais Você veiculados em 2007 contribui para que se materialize a imagem de corpo ideal. Desse modo, o processo de construção de identidades e representação de feminino a partir das estratégias discursivas apontam para uma proposição que na mesma medida em que ocultam intencionalidades, revelam o modo pelo qual os processos midiáticos (re)definem e reforçam os papéis de gênero feminino na alta modernidade.
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As marcas identitárias nas frases do MSN: o ser momentâneo e o ser permanente
Rita Perez Germano; Maria de Fátima Silva, Leandro Haerter (FURG), (CEFET-RS)
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Reflexões sobre Imagem e Recepção: interlocuções entre a recepção e a produção de sentido no sujeito social
Candice Kipper Klemm (UCS)

O texto em questão se propõem a traçar uma reflexão sobre a Imagem, seu papel midiático, relacionando-o com as questões da Recepção. Quais as construções possíveis que os sujeitos realizam através das imagens trazendo estas intervenções para os espaços de atuação sociais. A partir deste olhar, pretende-se lançar novos aspectos de construção do pensamento teórico uma vez que os sujeitos sociais se projetam, cada vez mais, como agentes condicionadores das informações construídas nos espaços midiáticos e não só como elementos receptores de informações.
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Mobilização das mulheres em enunciados de jornais brasileiros (1979-1988)
Cynthia Mara Miranda (UnB)

A partir do suposto de que a crise política desencadeada pelo regime militar brasileiro abriu espaço para que o mal-estar sentido pelas mulheres fosse expresso publicamente, o trabalho procurou responder a duas indagações. Focalizando o período de 1979 a 1988 no Brasil, a primeira delas se refere à mudança da atuação pública das mulheres, e a segunda à natureza de movimento clássico ou de novo movimento social das organizações em que atuavam. A base informativa da pesquisa é constituída por enunciados selecionados de notícias publicadas no Correio Braziliense, Jornal do Brasil e O Estado de São Paulo. Com base na análise desses enunciados de notícias, verificou-se que a participação das mulheres nos espaços políticos, como no resto dos espaços públicos, cresceu consideravelmente ao longo do período estudado. Isso evidencia que os jornais deram cobertura aos movimentos de mulheres, como também reflete a consolidação do amplo movimento feminista, que começou a se configurar no bojo da crítica ao militarismo. Por outro, apesar da cobertura dada a mobilização das mulheres, o destaque foi destinado à crítica social que faziam em detrimento das inovações que o feminismo levava ao espaço público. Os resultados da pesquisa abrem linhas de indagação sobre a percepção de que o feminismo não é apenas uma crítica cultural, mas, principalmente, uma produção cultural exclusiva das mulheres; a ligação entre as crises sociais e a emergência e afirmação do movimento feminista e a capacidade do feminismo de influenciar a definição das políticas públicas e o orçamento a elas garantido.
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A Nova Mulher Madura
Fátima Andréia Tamanini-Adames; Vera Lúcia Pires (UFSM)

No século XX, a mulher, sempre relegada à invisibilidade, começou a mostrar sua face. Principiou por freqüentar universidades, trabalhar e ter controle da própria fertilidade. Entretanto, ainda há discriminações: ganham menos que os homens, ocupam poucos cargos na política e o apelo sexual e a violência marcam negativamente o sexo feminino. A juventude, a beleza e o sexo nunca estiveram tão em alta. “Ficar velha e feia” é algo que deve ser evitado. Em conseqüência, a imagem da “vovó” não é mais a mesma. O imaginário social de nossa cultura está mudando. Até pouco tempo atrás, a menopausa marcava o final da vida fértil, e, por conseguinte, o término da feminilidade. Hoje, muitas “senhoras” com poder aquisitivo consomem roupas da moda e produtos de beleza de última geração, além de viajarem e se divertirem, retardando seu envelhecimento. E o mercado editorial está atento a tais mudanças. Analisando enunciados oriundos da imprensa escrita, podemos verificar a presença dessa nova mulher madura e observar até que ponto o referencial de gênero está mudando. Estudando publicações da imprensa escrita sobre mulheres, encontramos discursos estabilizados que retêm a memória de um passado hierárquico. Por outro lado, emergem novas representações discursivas que tem como referência esta nova mulher. Como essas mudanças são marcadas via linguagem? Esta é nossa proposta de discussão.
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Corpo feminino e mídia
Kelly Murat Duarte (Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos – Governo do Rio de Janeiro)

Apesar da conversação humana, do diálogo e dos várias interlocuções sócio-culturais possuírem uma maior influência na formação da consciência, as diversas mídias existentes na atualidade transformaram-se em um grande meio de divulgação de práticas culturais capazes de influenciar de forma diferenciada em uma nova forma de constituição da identidade dos indivíduos, através da criação de processos de identificação de ícones como o corpo e a sexualidade. Nesta perspectiva, o corpo, em sua maioria o feminino, com cor e idade definidas é constantemente explorado pela publicidade de modo padronizado e acrescido de valores simbólicos, a fim de que o desejo pelo consumo seja despertado. A nudez feminina, apesar de não explícita na rede aberta televisiva, mas extremamente explorada em outras mídias, se tornou na contemporaneidade um objeto de consumo. A utilização desmedida de cenas voltadas para a sexualidade, objetificação do corpo feminino e a exaltação da estética na publicidade demonstra como as questões relativas ao debate sobre gênero ainda se faz necessário. A discussão sobre o papel da mídia na sociedade não pode ser descolada do debate que cerca a questão social, uma vez que as imagens apresentadas ao público consumidor vêm carregadas de elementos simbólicos, capazes de reproduzir um processo de exclusão, já vivenciado no setor econômico e agora a nível cultural, reificando as identidades sociais e acirrando as desigualdades de gênero.
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50 anos do assassinato de Aída Curi - o fotojornalismo fazendo escola na revista O Cruzeiro
Leandra Francischett (UFF)

A revista O Cruzeiro é conhecida pela sua contribuição ao fotojornalismo nacional ao destacar as fotos em relação aos textos. A cobertura do assassinato da jovem Aída Curi, em 1958, demonstra o caráter sensacionalista desse veículo, principalmente com a divulgação de fotos da moça logo após ser jogada do 12º andar, incluindo a poça de sangue ao redor da sua cabeça e as vestes rasgadas. Esse crime aconteceu num momento em que o cinema estimulava atitudes fora da lei, como no filme “Juventude Transviada”. Mesmo assim, esse crime não foi elucidado, os culpados não foram condenados e, 50 anos mais tarde, a morte da menina Isabella Nardoni, jogada do 6º andar, ocupa a atenção da imprensa.
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“Não existe ninguém feio, existe celular que não ajuda”: corpo e gênero nas representações sociais de telefones celulares na publicidade
Sandra Rúbia da Silva (UFSC)

Para Zygmunt Bauman, o telefone celular tornou-se um dos artefatos-símbolo da contemporaneidade. No cotidiano de cada um de nós, sua presença é incontestável. Como as noções de corporalidade e as marcas das relações de gênero se inscrevem e são atravessadas pelo consumo dessa nova tecnologia de comunicação e informação? A fim de explorar essa questão, proponho uma análise das representações sociais que a publicidade brasileira constrói e circula a respeito dos telefones celulares. Aposto na publicidade como forma privilegiada de acesso aos imaginários que circulam no Brasil sobre o papel desta nova tecnologia móvel de comunicação e informação e seus impactos na vida cotidiana; considero, como Rial (1998), que deve-se ter em conta que os textos publicitários não são criações arbitrárias ou autônomas, mas sim expressões culturais de uma determinada sociedade. A fim de situar o tema, inicio realizando na primeira parte do artigo uma revisão crítica da literatura sobre consumo de telefones celulares e seus reflexos nas relações de gênero. Na segunda parte do artigo, analiso discursos e imagens do feminino e do masculino presentes na publicidade dos telefones celulares, interrogando-me com especial ênfase a respeito do papel das categorias “corpo” e “gênero” nesse processo de criação de sentidos. Os dados empíricos provém de anúncios publicados na revista “Caras” entre os anos de 2004 e 2008.
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O Corpo Subversivo e a Sociedade do Prazer
Silvia Sasaki (UFSC)

Atualmente, onde a busca pelo prazer se dá pelo consumo voraz, a subversão e o grotesco encontram-se estancados nas mais diversas formas, através da disseminação imagética da mídia. O grotesco, que se manifesta por formas berrantes, escatológicas e sexuais, está tão presente no cotidiano das sociedades que não é mais percebido, sendo que se trata de um fenômeno violento sob vários aspectos, onde os indivíduos deglutem suas subjetividades automaticamente e sem questionamento. A partir do momento em que se submete a imagem de um corpo à dignidade de coisa, se estabelece uma provocativa relação de poder. Principalmente na questão do corpo feminino, quando indagada à submissão de objeto sexual, alimenta-se mais ainda a estética do prazer, mas de modo grotesco. O fato é que o erótico está inserido no ambiente artístico, mas a partir do momento em que o perversivo se dinamiza, então teremos a submissão desse corpo. É interessante relatar que o grotesco traz à tona a realidade fiel e não os padrões fantasiosos estabelecidos pela mídia. A campanha “Dove pela real beleza”, por exemplo, mostrou a publicidade de mulheres com formas anatômicas reais à maioria das pessoas, onde não há um padrão somente, mas vários corpos que respeitam o limite humano. Isto está longe de ser grotesco, mas foi uma forma de subversão da ordem, no mínimo, interessante. Embora o ridículo se associe, muitas vezes, ao engraçado, a veiculação dessa realidade extrapola limites, onde o individuo que é o canal para tal promoção é o maior vitimado simbolicamente.
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Gatas e gajas: um estudo da diferença entre suas representações
Simone Formiga (Universidade do Porto)

O trabalho é fruto da investigação inicial da pesquisa de doutorado em design da autora e pretende apontar para algumas pistas acerca da origem da fama que a mulher brasileira possui de ser, praticamente, a mulher mais sensual do mundo. Partindo da análise dos elementos formais (tipografia, cor, fotografia, diagramação, etc.) que constroem a visualidade de capas recentes das revistas Nova, da Editora Abril - Brasil e Cosmopolitan, da Edimpresa – Portugal, a pesquisadora procura verificar que elementos (re)confirmam a grande diferença existente entre as representações femininas encontradas nas capas brasileiras e portuguesas. Para tal, vai buscar na história da fotografia, do cinema, da moda e do design gráfico subsídios que a auxiliem no entendimento da carga excessiva de sensualidade inscrita nas representações dos corpos das modelos nas capas da Revista Nova. Autores como John Berger, Gilles Lipovetsky, Pierre Bourdieu, Jean Baudrillard, entre outros, farão parte do escopo teórico da investigação e irão sustentar a análise interpretativa que será realizada.
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A mídia impressa como normatizadora da conduta feminina: os discursos reproduzidos nas páginas do Jornal  “Penna Agulha e Colher, o Semanário das Donas e Donzelas”. (Florianópolis -  1917 à 1919)
Vanessa Amorim Milioli Bittencourt (UDESC)

Este trabalho tem como objetivo analisar como a mídia imprensa serviu de instrumento normatizador da conduta feminina através dos discursos que  estão presentes  no  Jornal  “Penna, Agulha e Colher”, o Semanário das Donas e Donzelas, Florianópolis – 1917 a 1919. O Penna Agulha e Colher,  possuiu a particularidade de ter sido o primeiro jornal feminino de Santa Catarina, ele é oriundo do semanário católico A Época, que no começo era apenas uma coluna destinada às mulheres, e aos poucos se torna um suplemento e posteriormente passou a circular autonomamente. Nos contos e artigos do semanário  podemos observar, que o comportamento esperado das mulheres vinha de encontro ao discurso republicano de ordem e progresso dominante na época. Além disso, nesse momento, a cidade de Florianópolis  está passando por remodelações econômicas e sociais, e as novidades da modernidade eram ansiadas por uma classe distinta numa capital ainda provinciana em vias de modernização. Nessa sociedade burguesa o espaço público e privado são ocupados por gêneros distintos, para o gênero masculino o papel destinado seria o de chefe e provedor da família, e o gênero feminino ficava destinado ao espaço privado do lar, cuidando do marido, da casa e da educação dos filhos, as mulheres passam a ser as  “rainhas do lar”. Assim, percebe-se  nas páginas desse jornal, com forte influência católica, as construções de discursos, e modelos femininos ditados que eram reproduzidos e tidos como verdades e deveriam ser seguidos por todas as mulheres,  esses modelos eram naturalmente os de  mães, esposas e religiosas.
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