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51 - Gênero e sexualidade nas práticas escolares

Coordenação:
Profa. Dra. Paula Regina Costa Ribeiro/ FURG

Profa. Dra. Cristiani Bereta da Silva/UDESC

Profa. Dra. Maria de Fátima Salum Moreira, FCT –UNESP

Este Simpósio pretende oportunizar espaços de discussões e reflexões relativas às questões de gênero e sexualidade, nas práticas escolares na Educação Básica, pensadas, aqui, como construções culturais, sociais e políticas. Objetiva-se também promover debates sobre como se produzem as identidades e diferenças sexuais e de gênero dos sujeitos envolvidos nas relações escolares, enfatizando-se igualmente suas intersecções com questões de classe, raciais e geracionais. Nossos estudos estão fundamentados em posicionamentos que utilizam o conceito de gênero e de sexualidade como uma construção sócio-histórica das distinções/diferenciações baseadas no sexo. Isso equivale a dizer que a masculinidade e a feminilidade, ao contrário do que algumas correntes defendem, não são constituídas propriamente pelas características biológicas, mas são o produto de tudo o que se diz ou se representa dessas características. Tal posição não significa uma negação da dimensão biológica da existência humana, porém tomar em consideração as construções culturais que, historicamente, produzem e modelam corpos, desejos, significados e práticas. Portanto, o nosso agir, como homens e mulheres, bem como a direção de nossos desejos e práticas sexuais, encontram-se implicados nos processos de socialização em que fomos e estamos inseridos. Os gêneros e a sexualidade se fazem e se refazem, continuamente, ao longo da existência. A escola, enquanto espaço de práticas sociais e pedagógicas constituidoras de mecanismos que criam e recriam formas diversas de relações de poder, precisa debater sobre as implicações das relações de gênero e sexualidade nas práticas de inclusão/exclusão de seus/suas aluno(a)s, tanto nos processos de ensino-aprendizagem, como nos de acesso às condições de possibilidade a todas outras formas de promoção social. Acreditamos que é urgente a necessidade de estudos e reflexões sobre esses temas, sobretudo calcados no princípio de que os corpos são continuamente produzidos, significados e ressignificados  na e pela cultura, e que a escola se constitui como uma dimensão importante dessas produções.

Meninas (mal) comportadas: Posturas femininas em uma escola pública de periferia
Juliana Ribeiro Vargas (UFRGS)

Neste trabalho busco problematizar posturas de alunas do Ensino Fundamental de uma escola pública da periferia de Porto Alegre. Tais posturas provocam estranhamento nos professores dessa escola por diferirem de padrões entendidos como naturais para meninas. Este trabalho representa um recorte da investigação que desenvolvo como mestranda da linha dos Estudos Culturais em Educação, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
As expressões utilizadas, as marcas que fazem em seu próprio corpo e as situações de violência nas quais as alunas referidas envolvem-se, são exemplos das posturas que refiro como surpreendentes para os professores.
Constituo minhas análises a partir das perspectivas teóricas dos Estudos Culturais e dos Estudos de Gênero, no enfoque pós-estruturalista. Desta forma, permito-me escrever o advérbio mal entre parênteses, uma vez que entendo as meninas como constituídas na cultura e no interior de práticas discursivas específicas (Hall, 1997). Assim, penso que tais alunas não sejam somente mal comportadas, embora compreenda que algumas de suas atitudes são consideradas inadequadas, para determinados grupos sociais.
Apresento, inicialmente, considerações acerca da constituição de um ideário sobre infância feminina a partir do qual entendo que os comportamentos das alunas acabam por ser interpretados. Posteriormente, descrevo posturas e opiniões das mesmas que se distanciam do ideário referido. Por fim, encerro o texto pensando que tais posturas deveriam ser discutidas em nossas escolas.
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Sexualidade e Relações de gênero: a formação docente em questão
Ana Paula Costa; Paulo Rennes Marçal Ribeiro (UNESP)

Este trabalho investiga, pela perspectiva do conceito de gênero, as concepções de sexualidade de um grupo de universitárias que já atuam na educação escolar como professoras, considerando as mediações e intervenções do curso de Pedagogia na idéia que fazem de sexualidade e como esse conceito adquire formato na sua prática educativa. Partimos do pressuposto de que a sexualidade, a maneira como nos entendemos como sujeitos sexuais, além de ser uma construção histórica, mantém relações diretas com o gênero, que remete à constituição social e também histórica da masculinidade e da feminilidade. Essa discussão justifica-se, pois os cursos de Pedagogia são destinados à formação de profissionais da educação, que por sua vez, participam do processo educativo de crianças e adolescentes. Com abordagem qualitativa, utilizamos como instrumentos metodológicos a aplicação da entrevista semi-estruturada com 07 alunas do 4º ano noturno do curso de Pedagogia da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP, campus de Araraquara, que já atuam na educação escolar como professoras e a descrição dos programas das disciplinas que compõem o currículo deste curso. Os resultados parciais indicam que a formação dessas professoras carece de disciplinas e discussões voltadas para a sexualidade e questões de gênero, o que torna a situação problemática para essas profissionais, uma vez que esses temas aparecem com freqüência em suas salas de aula. Neste contexto, averiguamos que esses temas são tratados pela perspectiva biológica, sendo discutidos nas aulas de ciências e relacionados às DSTs e à gravidez precoce, e pelo viés heteronormativo.
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O uso da literatura que aborda a gravidez na adolescência: questões de gênero e sexualidade nas apropriações docentes
Andréa Costa Silva; Vera Helena Ferraz Siqueira; Nilma Gonçalves Lacerda (UFRJ)

Através da comunicação deste trabalho visamos compartilhar a realização de pesquisa qualitativa desenvolvida a partir de entrevistas com professores e professoras de diferentes escolas do município e do estado do Rio de Janeiro no decorrer do ano de 2006, valendo - nos da análise crítica do discurso como referencial teórico metodológico predominante. Diante da expressiva produção de livros literários sobre gravidez na adolescência, bastante utilizados no contexto escolar, fizemos um deslocamento da emissão para o contexto das práticas educativas, questionando sobre como estas obras estão implicadas na produção de significados, buscando identificar os sentidos construídos pelos /as docentes mediados por este material. O estudo foi norteado na perspectiva de oferecer visibilidade sobre como o/a docente concebe a construção da subjetividade do/a aluno/a, no uso pedagógico deste material e perceber como as noções sobre sexualidade e gênero contempladas são ressignificadas por eles /as. De forma geral, foi possível perceber que os/as docentes são posicionados a partir de um dado discurso hegemônico, de modo que as apropriações feitas no uso desses livros se materializam na preocupação com o disciplinamento da sexualidade. Concluímos que a apropriação do livro literário, enquanto artefato cultural necessita de proposições mais críticas, não apenas no arcabouço de idéias do campo educacional, mas buscando oferecer visibilidade a horizontes de pensamento que vislumbrem contornos diferenciados dos que nos são geralmente impostos.
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As contribuições dos estudos de gênero e sexualidade no cotidiano escolar dos docentes
Fabiane Freire França; Geiva Carolina Calsa (UEM)

O estudo das práticas e significações atribuídas pelos professores ao gênero e à sexualidade possibilita refletir como as relações pessoais cotidianas, o que é aparentemente rotineiro, não causa indignação. Em conseqüência disso, valores e preconceitos sustentam os mecanismos de produção das várias formas de exclusão e desigualdades sociais na instituição escolar. No processo de ensino-aprendizagem escolar se reproduzem conflitos decorrentes das relações de poder existentes entre sujeitos com valores, idéias, interesses e hábitos diferentes. Todavia, o ambiente escolar é restrito a um modelo de aluno que deve corresponder à norma social: um menino ou uma menina com as características de gênero, heterossexualidade e estrutura familiar compatíveis com o que é esperado pela sociedade. A partir dessa concepção questiona-se como os conflitos relacionados aos conceitos de gênero e sexualidade se manifestam nas relações escolares. Para responder a essa problematização, foram realizadas sessões de intervenção pedagógica com professores de 5ª e 6ª séries de uma instituição pública do município de Sarandi/PR , nas quais foram relatadas e discutidas situações observadas pelos professores sobre o tema gênero e sexualidade. A análise desses dados evidencia que os conceitos e práticas escolares explícitos e/ou implícitos vivenciados na escola favorecem a produção e reprodução da identidade de gênero e sexualidade dos alunos de uma forma limitada e restrita ao modelo hegemônico estabelecido socialmente.
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Os discursos científicos, as práticas pedagógicas e o controle do corpo e da sexualidade na escola
Marcio Rodrigo Vale Caetano (UFF)

Ancorado na micro-história e nos estudos culturais, destacamos que este trabalho foi baseado em fontes primárias entre 1930 e 80. Assim sendo, chegamos a conclusão que os discursos sobre a homossexualidade são atravessados pelas preocupações com o desenvolvimento brasileiro. Podemos observar que esses discursos coincidem com o início das políticas públicas de controle e repressão da homossexualidade, do desenvolvimento científico e da industrialização. É neste cenário que a ciência passou a ser o único percurso seguro para a civilidade. Os médicos e, posteriormente, os educadores eram os responsáveis por mapear as estratégias capazes de regenerar a sociedade e construir um corpo social sadio. Foram eles a ganhar a conotação missionária de cunho ético e moral de assegurar os passos dados na construção da nação. Os detentores do saber teriam a tarefa de legitimar a intervenção estatal na vida privada da população. Se as paixões, o descontrole e os conflitos eram associados ao atraso; o autocontrole, a solidariedade e o respeito aos interesses coletivos passaram a ser relacionados a civilidade. A escola ganhou o papel de construção e manutenção da harmonia social e de adaptação do brasileiro ao esboço de cidadão feito pelo Estado. Entretanto, tornava-se necessário minar toda a influência que retirasse da ordem trabalhista os brasileiros. Assim, são acrescidos aos papéis da escola a prevenção e o controle da homossexualidade, seus espaços e ações pedagógicas buscavam entre várias coisas, construir os corpos e doutrinar desejos de modo a confirmar as expectativas construídas para a nação.
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Gênero e sexualidade em formação de educadores(as)
Maria Cecília Takayama Koerich (UFSC)

Este trabalho é um relato sobre minha pesquisa desenvolvida nos anos de 2005 e 2007 no Programa de Pós-Graduação em Educação da UFSC. Fala sobre uma investigação a respeito das temáticas de gênero e de sexualidade em cursos de pedagogia. A questão inicial era de como essas categorias eram trabalhadas nos cursos de pedagogia da UFSC e da UDESC, se existia uma presença ou uma ausência dessas temáticas. Esta pesquisa foi fundamentada por um referencial teórico que discute a educação, a formação docente através do currículo de seus cursos e os estudos de gênero e sexualidade, tentando levantar não apenas críticas à formação dos educadores, mas à especificidade do seu trabalho e às possíveis perspectivas das instituições acadêmicas dentro das temáticas mencionadas. Procurei desvendar não uma verdade a respeito da formação de educadores(as), mas o entendimento sobre o processo em que estes(as) vivenciam nas instituições UFSC e UDESC, destacando elementos para uma reflexão a respeito da sua própria formação. Entendendo o processo de formação docente como algo “complexo, ambíguo, inacabado e repleto de facetas captadas e inscritas em dimensões diversas” (VEIGA, 1997, p. 14). Sabendo que os cursos de pedagogia tanto da UFSC como da UDESC são aqueles destinados a formação inicial dos educadores(as) que atuam na educação infantil, na educação especial, nas séries inicias do ensino fundamental e também na coordenação escolar: seja como supervisor ou orientador educacional, percebemos assim, a necessidade de investigação a respeito dessa formação contemplando gênero e sexualidade.
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Relações de poder e diversidade sexual: "barreiras no espaço escolar"
Mariane Inês Ohlweiler (UFRGS)

Este trabalho visa analisar as relações de poder imbricadas no espaço escolar, mais especificamente nas relações entre professor(a)-aluno(a), professor(a)-direção, aluno(a)-aluno(a), professor(a)-professor(a) em situações em que se manifestem preconceitos acerca da diversidade sexual. Para tal, baseio-me em dados coletados no decorrer do ano de 2007 para uma pesquisa de pós-doutorado. A coleta foi realizada através da técnica de grupos focais, em que temas relativos a gênero, sexualidade e discriminações foram discutidos e entrevistas. Estas, foram realizadas com professores(as) de ensino fundamental e médio do município de Porto Alegre/RS  que havia ou estavam freqüentando o curso "Educando para a Diversidade" - promovido pelo NUANCES (Grupo pela Livre Expressão Sexual) - criado a partir do programa Brasil sem Homofobia (MEC/SECAD). Através da articulação dos campos dos estudos de gênero, estudos culturais e do pós-estruturalismo, procuro analisar as falas de professores(as) que de alguma forma procuraram ir em busca de soluções para problemas vivenciados no espaço escolar. Detenho-me na discriminação e nas microfísicas de poder presentes em situações narradas por estes, principalmente quando procuram colocar em prática algum aprendizado do curso acima referido para deter discursos e ações de violência sobre o corpo de alunos(as) e ou colegas.
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Encaminhamentos a Recuperação Paralela: um olhar de gênero
Fábio Hoffmann Pereira (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo)

Este trabalho apresenta os resultados da pesquisa que teve por objetivo analisar se os motivos pelos quais meninos e meninas são encaminhados/as à recuperação paralela são semelhantes, ou se diferem de acordo com o sexo do/a estudante. A pesquisa de mestrado baseou-se nos estudos sobre as relações de gênero e educação e em estudos sobre o fracasso e o sucesso escolar. A pesquisa de campo centrou-se em uma escola do município de Embu/SP que possuía um projeto de recuperação para alunos com dificuldades em leitura e escrita, o Projeto Letras e Livros e contou com observações e entrevistas semi-estruturadas com as professoras regentes de classe e as professoras atuantes no Projeto, além de observações das reuniões de conselho de classe ao longo do ano letivo de 2006. Os resultados apontaram para a confirmação de que, independentemente de um trabalho articulado e reflexivo por parte das professoras, ainda se culpabiliza a família e a pobreza de algumas crianças, numa maioria de meninos, pela sua dificuldade de aprendizagem. Porém, esta questão não se apresentou tão forte quanto a literatura acadêmica vem mostrando. Na escola pesquisada, os aspectos referentes à não adequação da criança a um ofício de aluno valorizado pelas professoras pode fazer com que a criança seja percebida como um/a aluno/a com dificuldade de aprendizagem. Algumas dificuldades citadas pelas professoras, entretanto, são percebidas mais em meninos e outras em meninas, evidenciando que as construções sociais sobre o masculino e o feminino contam muito ao avaliar quem precisa ou não de apoio extra na aprendizagem escolar.
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Sexualidade e Juventude: reflexões sobre a escola
Fábio Henrique Gulo (UNESP, FCT)

Este estudo objetivou analisar como a discussão sobre sexualidade entre jovens é abordada em trabalhos acadêmicos, provenientes de diferentes campos de pesquisa, com ênfase nas análises originados na área da educação. Partiu-se do levantamento de pesquisas no acervo de bibliotecas instaladas nas diversas faculdades da Universidade Estadual Paulista (UNESP). A interpretação dos trabalhos selecionados baseou-se na construção de algumas categorias de análise, via apreciação transversal dos conteúdos e sua separação por temas. Partiu-se do pressuposto de que os pontos em que os enunciados se cruzam e interpenetram são seus “centros organizadores”, cujos significados tratam do meio social que envolve os indivíduos. Foram identificados três aspectos expressivos na composição das análises empreendidas pelos pesquisadores: 1) a preocupação com as práticas consideradas “irresponsáveis” da sexualidade na juventude; 2) as conseqüências na promoção das DST’s e da “gravidez precoce” e 3) a concentração das principais discussões nas instâncias da saúde e da sociologia em contraposição ao número menos expressivo de abordagens que envolvessem aspectos específicos área da educação, mesmo quando as pesquisas daí procediam. Esses resultados demonstram a ênfase nas conseqüências negativas da prática da sexualidade entre jovens e a escassez de investigações, sobre essa temática, que sejam efetivamente articuladas à análise do funcionamento e da estrutura organizativa da educação escolar. Questiona-se nesse estudo o evidente desinteresse em entender as dinâmicas sociais particulares, presentes no campo educacional, bem como quais são as particularidades e implicações da formação escolar nos juízos, práticas e significados construídos pelos jovens, acerca desta dimensão de suas vidas.
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A separação entre meninos e meninas na Educação Física escolar numa perspectiva de gênero: a produção de uma masculinidade forçuda, enérgica e agressiva
Priscila Gomes Dornelles; Paula Regina Costa Ribeiro (GEERGE/PPGEdu/UFRGS)

Ao analisar a prática da separação entre meninos e meninas na Educação Física escolar, aproximando-me dos Estudos Culturais, Feministas e de Gênero, particularmente da vertente pós-estruturalista de Michel Foucault, questiono como corpo e gênero atravessam os discursos que, articulados, justificam a separação de meninos e meninas como um recurso didático-pedagógico adequado e/ou necessário no âmbito da Educação Física escolar. Ao analisar as entrevistas realizadas com docentes da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre problematizo a produção de uma ‘masculinidade forçuda, enérgica e agressiva’ como um enunciado que atravessa e dimensiona os argumentos utilizados pelos/as docentes para separação nas suas aulas. Nesse sentido, tensiono a articulação que se estabelece entre o discurso biológico produtor de corpos masculinos naturalmente mais musculosos (e, conseqüentemente, mais fortes do que os femininos) e concepções de gênero, em especial de masculinidade, essencializadas como dotadas de energia, agressividade e violência. Ao visibilizar que estas são construções culturais que atravessam esta disciplina escolar, assim como, são por ela produzidas, evidencio o caráter cultural do conceito de gênero e a sua implicação na produção da Educação Física escolar, suas práticas pedagógicas e conteúdos.
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Problematizando as relações de gênero na escola: da necessidade de se perceber a historicidade do tema na sociedade atual
Fabiane Lopes Teixeira (Universidade Federal de Pelotas)

Esta é uma breve reflexão sobre uma das atividades desenvolvidas com um grupo de alun@s, no ano de 2007, participantes de um projeto que está sendo desenvolvido com duas turmas de oitava série de uma escola municipal de Rio Grande e que compartilham comigo incertezas sobre adolescência, sexualidade e relações de gênero. A importância que essas temáticas atualmente assumem na sociedade e na escola justificam minha preocupação com este estudo. Gênero, aqui, é tomado como tudo aquilo que é construído socialmente pelos homens e mulheres, através de suas representações sociais, baseado na diferenciação entre os sexos, podendo dar significado às relações de poder e à dominação masculina exercida ao longo da história (SCOTT, 1995). Das atividades, destaco “Um olhar adolescente sobre a história das mulheres”, realizada no primeiro trimestre letivo do referido ano. A atividade foi desenvolvida de forma interdisciplinar, envolvendo as disciplinas de História e Religião. Com o objetivo de entender o porquê da instituição de um dia destinado às mulheres, foi proposta uma pesquisa sobre a história das mulheres: @s alun@s, dividid@s em grupos, tiveram a tarefa de investigar como a mulher era vista pela sociedade ao longo da história bem como encontrar uma figura feminina de destaque em cada época. Ao final, cada grupo apresentou seu trabalho através da Tecnologia e da Arte, representando, também, uma personagem feminina de cada época. Assim, pôde ser problematizado como foram sendo construídos os discursos que pregaram a diferenciação entre os sexos e a supremacia masculina como algo “natural” e inquestionável.
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A sexualidade vista sobre o viés da equipe pedagógica das escolas
Paula Regina Costa Ribeiro; Suzana da Conceição de Barros; Rosa Miguelina Rockenbach; Kellen Daine da Silva Silva (Fundação Universidade Federal do Rio Grande)

Frente aos discursos hegemônicos presentes nas escolas e em outras instituições sociais sobre sexualidade consideramos ser necessário, questionar e refletir sobre essa temática na formação continuada dos/as profissionais da educação, de forma que esses/as possam discutir, os diversos discursos e práticas sobre algumas questões centrais no estudo da sexualidade como as identidades de gênero, a diversidade sexual, as configurações familiares, o prazer, o desejo, as doenças sexualmente transmissíveis, a Aids. Este trabalho tem como objetivo investigar como orientadores/as, supervisores/as, coordenadores/as e psicólogos/as escolares da Região sul do Estado do Rio Grande do Sul (Rio Grande, São José do Norte, Santa Vitória do Palmar e Chuí) tratam das temáticas de corpos, gêneros e sexualidades nas escolas do Ensino Fundamental e Médio. O referencial teórico está baseado nos Estudos Culturais em suas vertentes pós-estruturalistas e em algumas contribuições de Foucault. Como estratégia metodológica realizamos entrevistas semi-estruturadas com esses/as profissionais. Na análise das entrevistas percebemos que os/as profissionais tratam dessas temáticas nas suas escolas de forma esporádica, através de palestras com os/as alunos/as ou quando ocorre algum “problema” na escola que envolva assuntos como gravidez e Aids, esses profissionais pouco discutem as questões de sexualidade com os/as professores e responsáveis pelos alunos/as e que a maioria das escolas não incorporaram as temáticas em questão nos seus projetos pedagógicos. Esperamos que este estudo contribua com informações importantes à comunidade científica sobre as questões relativas aos corpos, gêneros e sexualidades.
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Gênero, sexualidade e violência na escola e na família: Experiências de jovens-mulheres de Planaltina, DF
Iraci Pereira da Silva; Wivian Weller (UnB)

As mulheres têm conquistado vários espaços ocupados anteriormente somente por homens, o que representa uma mudança significativa na estrutura da sociedade. Nesse sentido, julga-se necessário investigar como essas mudanças vêm sendo percebidas pelas juventudes e como são constituídas as representações sobre o feminino e o masculino. O presente trabalho apresenta a visão de jovens-mulheres do ensino médio sobre relações de gênero, sexualidade e violência tanto na escola como na família, assim como suas experiências no meio social em que vivem. Para tanto foram realizados grupos de discussão com meninas na faixa etária de 14 a 21 anos de idade em uma escola localizada em Planaltina, DF. Um dos resultados da pesquisa que chamou a atenção foi o grau de conscientização das estudantes sobre seus direitos e a certeza de que a desigualdade de gênero e a dominação masculina são um dos fatores que geram a violência dentro e fora da família e da escola. Ao mesmo tempo, a pesquisa demonstrou que existe um silenciamento por parte da escola no que diz respeito aos tipos de violência, mesmo estando diretamente relacionado à vida dos alunos: violência doméstica, violência de gênero, racismo, entre outros, fazem parte do cotidiano das jovens entrevistadas. Mesmo com as mudanças alcançadas pelo movimento feminista e com as transformações sociais e culturais que levaram muitas mulheres a denunciarem atos de violência sofridos, as jovens-mulheres ainda encontram poucos espaços de diálogo sobre essas questões. Sexualidade e violência ainda são temas pouco discutidos no âmbito da escola.
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Imagens Maternais: história e arte no século XIX
Chrislene Carvalho dos Santos (Universidade Estadual Vale do Acaraú e Faculdades INTA)

A partir da experiência do ensino e pesquisa na educação superior foi se construindo a perspectiva de pesquisa sobre as relações entre arte e ensino de história como mecanismo de aprendizagem na educação básica. Este é um texto sobre as imagens maternais indígenas e negras apresentadas nos livros didáticos e que representam saberes e dizeres sobre o que era ser mãe no Brasil, mas diria que é uma leitura a contrapelo considerando que parte dessas imagens representam o olhar estrangeiro sobre a paisagem social brasileira e não necessariamente a maternidade, este passou a ser o recorte temático da pesquisa histórica. O século XIX foi o século das explorações voltadas para o conhecimento das terras do Novo Mundo, assim forma selcecioandos olhares distintos de Rugendas e Debret, a expectativa em torno das imagens documentais, em relação aos viajantes, deve-se à perspectiva da história natural, especialmente na compreensão das representações de maternidade que foram registradas.
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Sensibilidades à flor da pele: Cartas e diários íntimos na reinvenção do vivido (décadas de 60 a 70 do século XX).
Maria Teresa Santos Cunha (UDESC)

O presente trabalho pretende discutir possibilidades de abordagem das sensibilidades na História pela (re)invenção de si através da escrita e considerando que somos tributários de diferentes situações que envolvem afetividades e que podemos refletir sobre as mesmas como práticas e registros que ocorrem em espaços diversificados e temporalidades distintas. Cartas trocadas entre duas jovens e diários íntimos de três mulheres escritos nessas décadas são tratados como práticas sociais que partilham da constituição de um regime de sensibilidades, ou seja, da construção da história de mulheres que se inventam pela escrita no âmbito da intimidade/da escrita de si. Um exame dos suportes utilizados permite pensar sua pluralidade e polifonia afetiva, evidenciadas em uma estrutura lingüística formatada pela padronização narrativa e pelo uso das frases de efeito e chavões. Tais escritas formam um corpo documental importante, pois fornecem indícios sobre práticas cotidianas expressas em hábitos e representações de uma época. A análise dessas práticas de escrita põe em cena formas de construção do sujeito e permitem um conhecimento de como pessoas comuns/ordinárias registraram/ construíram/inventaram ações da experiência cotidiana, afirmando seus afetos, desafetos, dores, amores, desamores estabelecendo, assim redes de relações.
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Brinquedos infantis e respeito aos animais domésticos – estratégias à uma Educação Sexual Infantil voltada a equidade de gênero
Jimena Furlani (UDESC / LaGef)

No contexto social, a Escola é um importante instrumento de normalização e disciplinamento dos gêneros e das sexualidades – legitimando rígidos padrões definidores do masculino e feminino através de representações e discursos presentes no currículo escolar, dos livros didáticos e paradidáticos, das falas das/os professoras/res, do cotidiano das relações humanas. A partir do entendimento de “identidades culturais” e do referencial pós-estruturalista, as representações acerca dos gêneros podem ser mudadas ao longo da vida, pois são constitutivas de elementos sociais, históricos, educacionais. Neste trabalho apresento, então, dois caminhos para uma Educação Sexual, a partir das relações de gênero na Escola, com estratégias na educação de meninos e meninas: primeiro, entender que a equidade de gênero começa com a disponibilidade de brinquedos infantis, sem restrição ou quaisquer segregação pelo sexo da criança. Segundo, promover atividades para crianças e jovens refletirem sobre o apego (ou pelo menos o respeito) aos animais domésticos como meio de interferir no processo construtivo da violência – com especial atenção, a construção das formas de masculinidades e, portanto, a educação dos meninos, garotos e homens.
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As crianças em ação: suas falas sobre gênero, sexualidade e infância.
Geisa Orlandini Cabiceira; Maria de Fátima Salum Moreira (UNESP)

Esta pesquisa pretende identificar e analisar os significados que as crianças atribuem às condutas sexuais e eróticas relativas aos prazeres sexuais e/ou desejos corporais. O seu principal objetivo, portanto, é o de levantar e interpretar as falas e as práticas de crianças referentes às idéias de infância/ “ser criança”, relações de gênero e sexualidade. As crianças investigadas contam com idades entre 10 a 12 anos e são aluno(a)s retidos em uma 4ª série do Ensino Fundamental, nomeada como classe de “recuperação de ciclo”, de uma Escola Estadual, em uma cidade do interior paulista. A pesquisa tem uma abordagem qualitativa e a sua metodologia inspirada nos estudos etnográficos com crianças, com ênfase nos aspectos culturais e simbólicos das experiências sociais. Os resultados apontam que as crianças caracterizam a adolescência como sendo mais positiva do que a infância, associando-a a uma maior responsabilidade, ao direito e poder de trabalhar e ser remunerado por isso. Também expressaram que concebem a infância de forma paradoxal, pois, ao mesmo tempo em que esta é vista de forma negativa, como uma fase de menor responsabilidade e de desconsideração, por parte dos adultos, ela também é vista como fase de maior liberdade para as alegrias do brincar. O namoro é concebido como momento de carinho, de amizade, de beijar, de prazer e de se manter relações sexuais, esta última sendo uma decorrência “natural” da prática de adolescentes e adultos.
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Questão de gênero e raça: o desempenho escolar de meninos negros
Andréia Botelho de Rezende (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo)

O objetivo da pesquisa aqui descrita é identificar e analisar as diferentes estratégias desenvolvidas por meninos percebidos como negros (pela professora) para lidar com o processo de escolarização, bem como a relação entre estas estratégias e os significados de gênero e raça. Para tanto, foram realizadas entrevistas com uma professora e quatro meninos negros de uma segunda série em uma escola pública na cidade de São Paulo. Os meninos negros entrevistados apresentavam um desempenho escolar igualmente insatisfatório. Apesar disso, foi possível perceber que eles desenvolviam diferentes estratégias para lidar com as exigências e regras escolares. Em alguns casos, eles assumiam uma atitude “anti-escola” e eram protagonistas freqüentes de conflitos com colegas e professores. Em outros casos, no entanto, eles procuravam meios alternativos para serem reconhecidos e elogiados, por exemplo, sendo prestativos e solícitos. A partir destes resultados, concluímos pela heterogeneidade do grupo de meninos negros em relação as suas posturas e atitudes frente às dificuldades de aprendizagem.
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O olhar das crianças sobre a diferença e a desigualdade: pobreza, gênero e raça nas relações escolares
Deise Maria Santos de Aguiar (UNESP)

Pretende-se apresentar procedimentos e resultados de uma pesquisa de Mestrado em Educação cujo objetivo foi analisar o que falavam meninos e meninas pobres e/ou negro (a)s acerca da discriminação, do tratamento desigual e das práticas de exclusão vivenciadas na escola. O trabalho foi realizado em uma escola pública de Presidente Prudente (SP), com aluno(a)s de uma quarta série do Ciclo I do Ensino Fundamental, problematizando-se as relações sociais que ocorrem no ambiente escolar, conforme distinguidas pelo olhar das crianças. Como elas percebem as práticas de diferenciação e de discriminação de classe, gênero e raciais vivenciadas na escola? Que tipo de acomodações e/ou reações são observados em suas práticas? Que associações elas fazem entre desempenho escolar, gênero, raça e pobreza? Utilizando como referências conceituais e metodológicas as abordagens culturais e sociológicas, a pesquisa fez uso de: 1) relatos; 2) questionários; 3) observações. Acredito que os resultados contribuem na compreensão sobre como crianças vivem processos de discriminação e exclusão na escola. Quando questionado(a)s sobre comportamento de meninas e meninos da classe e significados de ser menino/menina, garotos e garotas entrevistado(a)s consideraram que mulher é diferente de homem quanto a sentimentos, características biológicas – físicas e psicológicas - e comportamento social. Independentemente da cor/raça e/ou classe social, garotos e garotas entrevistado(a)s demonstraram ter as mesmas percepções quanto ao gênero.
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Narrativas de jovens e adultos sobre a produção de desigualdades sexuais e de gênero
Cristiani Bereta da Silva (UDESC)

Como a escolarização nos produz como sujeitos que somos e como produz e reproduz relações sociais e de poder? Partindo do pressuposto de que a escola não apenas reproduz preconceitos, desigualdades, posições hierárquicas e normativas, mas que também as produz, em seus múltiplos processos (Louro, 1997), acredito na conveniência e relevância da repetição dessa pergunta. Neste trabalho proponho discutir esta questão colocando outra em perspectiva: de que forma os sujeitos da educação escolar da EJA – homens e mulheres, jovens e adultos – traduzem e, assim, nos informam, sobre os mecanismos que produzem desigualdades sexuais e de gênero em suas vidas escolares? Busco pensar, aqui, em como os sujeitos são interpelados pelas questões relativas ao gênero e as sexualidades que atravessam o processo de escolarização através das falas de diferentes sujeitos, das interpolações de suas memórias e de produção de sentido sobre a escola. As reflexões desenvolvidas neste trabalho fazem parte de outras temáticas e problematizações mais amplas da pesquisa: “Grupos populares urbanos e eqüidade de gênero: um estudo sobre as relações de gênero no contexto da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em Florianópolis (SC)”, financiada pelo CNPq (Edital 045/2005) e desenvolvida pelos/as pesquisadores/as do Laboratório de Relações de Gênero e Família, do Centro de Ciências Humanas e da Educação/UDESC.
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Investigando os discursos de adolescentes do ensino fundamental sobre sexualidade
Suzana de Conceição Barros; Paula Regina Costa Ribeiro (Fundação Universidade Federal do Rio Grande)

Neste trabalho procuramos investigar como a sexualidade vem sendo discutida por alunos/as do Ensino Fundamental. O mesmo refere-se à dissertação de mestrado que desenvolvemos no PPG em Educação em Ciências (FURG/UFRGS/UFSM). Neste estudo, entendemos a sexualidade como uma construção histórica, cultural e social e não apenas como materialidade biológica, vinculado à anatomia e a fisiologia. A partir desse referencial analisaremos os discursos desses/as alunos/as em atividades desenvolvidas no curso Corpo, Gênero e Sexualidade: uma experiência interdisciplinar no Ensino Fundamental. O mesmo teve por objetivos discutir as temáticas, corpos, gêneros e sexualidades nas diversas disciplinas como, por exemplo, matemática, português e religião. Para tanto, foram desenvolvidas atividades a fim de problematizar questões como: virgindade, doenças sexualmente transmissíveis, gravidez, sentimentos, relações entre outras. Analisando os discursos dos/as adolescentes, percebemos que a prática do uso da camisinha está prioritariamente vinculada à prevenção de gravidez indesejada e não a aquisição de DTS e Aids, tanto que a camisinha é substituída pela pílula anticoncepcional.Também notamos que existe uma preocupação maior por parte da meninas em relação a gravidez, talvez isso ocorra, por causa de uma cultura, na qual a menina tem uma responsabilidade maior no cuidado e criação do filho. A masturbação é permitida desde que seja praticada por meninos. O padrão de beleza idealizado é de corpos magros, olhos azuis e cabelos loiros, mostrando a influência da mídia nos estereótipos. Entendemos que a escola pode contribuir para discussão de questões relacionadas à sexualidade, nas diversas disciplinas, pois essas temáticas fazem parte do currículo escolar.
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Cartografias sentimentais: sexualidade e gênero entre jovens estudantes
Taluana Laiz Martins Torres (UNESP)

O presente resumo apresenta reflexões sobre a pesquisa de mestrado em Educação que teve como objeto o estudo das trajetórias afetivo-sexuais de seis jovens estudantes do Ensino Médio de uma escola da periferia urbana de Presidente Prudente/SP, com idade entre 15 e 18 anos. Objetivou-se tomar o contexto das emoções como elemento central na análise das experiências afetivo-sexuais vividas por essas jovens, o que implicou a interpretação dos significados que cabem aos sentimentos, sonhos e idealizações em torno da maternidade e do amor romântico. Estes foram relacionados com as suas declarações acerca de seus comportamentos, práticas e projetos de vida. Foram utilizados os referenciais teóricos dos estudos sócio-históricos e culturais, para interpretar as múltiplas possibilidades de viver e pensar a experiência amorosa, em um lugar e tempo sócio-históricos determinados. Os procedimentos metodológicos de pesquisa ligam-se às abordagens qualitativas, de cunho etnográfico, sendo os instrumentos básicos para a coleta de dados: questionários, registros das observações diretas em caderno de campo e entrevistas semi-estruturadas. Os resultados obtidos revelam que a sexualidade juvenil configura-se enquanto um processo de aprendizagem das relações afetivas e relacionais entre parceiros. A sexualidade é uma realidade presente na escola, tratada, porém, em relações informais, especialmente entre colegas; tal fato é desconsiderado no currículo formal e as jovens não encontram em seus professores e direção possibilidades de diálogo ou orientação. Por sua vez, o ideal de maternidade se traduz em uma forte experiência de gênero, além de conservar seus recortes próprios em termos de classe e de geração.
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Gênero e Sexualidade na escola: produzindo corpos, narrativas e significados
Maria Rita de Assis César (UFPR)

As instituições escolares configuram um campo fértil de análise das produções de significados para o gênero e a sexualidade, assim como as práticas pedagógicas e os currículos compreendem narrativas significativas para a produção de corpos sexuados e generificados. Tomando a instituição escolar como uma maquinaria disciplinar e biopolítica de controle, os discursos e as práticas escolares produzem narrativas sobre o gênero e a sexualidade enquanto dispositivos das práticas de controle e produção dos corpos no seu interior. Tais discursos e práticas se comportarão como modulações de verdades sobre o corpo, a sexualidade e o gênero, produzindo marcos divisórios traduzidos em binarismos como homem/mulher, normal/anormal, heterossexual/homossexual, além do binômio inclusão/exclusão, marcando os corpos que pertencem à ordem social e os corpos abjetos. Esse trabalho tem como objetivos a análise da produção discursiva de professoras e professores de Biologia e Educação Física sobre o gênero e a sexualidade em algumas escolas da Curitiba pertencentes à Rede Estadual do Paraná. As análises se realizam tanto do ponto de vista dos projetos formais sobre gênero, sexualidade e educação sexual, como também nas produções narrativas de professores e professoras sobre as suas práticas escolares ordinárias.
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Escola e Sexualidade: reflexões sobre vivências de exclusão social
Ivan Jairo Junckes; Joseli Maria Silva (UEPG)

Este trabalho explora as relações entre corpo, identidade de gênero e espaço problematizando a escola e as experências vividas por pessoas que estão à margem das normas hegemônicas de gênero. Em geral, as travestis são representadas pela beleza dos corpos transformados por hormônios e silicones, pela exuberância de seu gestual e performance corporal. Contudo, este texto retrata, através de suas memórias, as experiências e compreensões do espaço escolar, evidenciando a exclusão e a interdição ao acesso à educação por uma sociedade que prima pelo direito universal à escola. Ao explorarmos as experiências espaciais urbanas do grupo de travestis, havia uma forte representação do espaço escolar. Nesse texto, o espaço escolar é compreendido como parte integrante da realidade socioespacial da cidade, que compõem relações e é por elas simultaneamente instituído. Se, numa primeira concepção, a escola é o local da inclusão, da convivência das diferenças, do acesso democrático ao conhecimento, para as travestis a escola é local de sofrimento, de violência e ataque cotidiano à sua auto-estima, abortando suas possibilidades de conquistas materiais e sociais futuras. O espaço escolar reproduz o texto hegemônico da heteronormatividade já vivenciada na cidade. Contudo, segundo elas, em outros espaços da cidade em que são discriminadas elas podem se privar de freqüentar. A escola não, é uma obrigação a ser cumprida, é imposta pela família e pela sociedade como necessária, tornando-se seu maior calvário. Este estudo, além de tornar visível as vivências espaciais de pessoas que experienciam uma sexualidade periférica, contribui para a crítica à hegemonia da concepção heteronormativa do espaço escolar.
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A Homofobia na escola na perspectiva de professores de ensino médio e fundamental de Porto Alegre, RS
Zulmira Newlands Borges (UFSM)

Esta apresentação refere-se a uma pesquisa realizada em 2007 em que entrevistamos professoras e acompanhamos um curso, criado a partir do programa "Brasil sem Homofobia" (MEC/SECAD) e idealizado como forma de política pública e utilizado pelo governo como "estratégia de mobilização e inclusão social e educacional". A metodologia utilizada foram grupos focais, observação participante e entrevistas com as professoras que se inscreveram no curso. Esta apresentação tem como objetivo analisar a visão de professores/as, de ensino fundamental e médio, sobre a discriminação sexual na escola. Considera-se a escola como um espaço de práticas sociais imerso em relações de poder que muitas vezes fortalecem padrões hegemônicos de gênero e sexualidade. As professoras entrevistadas nessa pesquisa reconhecem essa perspectiva e influência da escola e buscam através dessa formação uma alternativa e uma reflexão sobre seus modos de atuação na escola. Casos de discriminação e de intolerância foram relatados constantemente nas entrevistas e nos grupos focais, entretanto, as professoras se sentem sem respaldo para ampliar a discussão nas escolas onde atuam. Os problemas enfrentados pelas/os professoras/es em sala de aula e suas tentativas frustradas de tornarem-se multiplicadoras dentro das suas escolas podem gerar subsídios importantes para possíveis reformulações dessa abordagem tornando a atuação dessa política pública mais eficaz.
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A articulação entre movimento LGBTTT e Estado na produção de discursos acerca da homofobia: análise das políticas públicas da educação vinculadas ao Programa Federal Brasil Sem Homofobia
Felipe Bruno Martins Fernandes (UFSC)

O presente trabalho busca compreender a articulação política entre o Estado brasileiro e a sociedade civil no que diz respeito à elaboração e implementação de políticas públicas de promoção da “cidadania homossexual” e “combate à homofobia” no âmbito do Ministério da Educação (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade) do governo Lula. O campo de pesquisa – através da etnografia multi-situada e da produção de fontes orais (de gestores, ativistas e outros atores sociais envolvidos no processo) – assenta-se na elaboração de uma rede de interlocutores acionados no lócus de produção discursiva em que o programa federal Brasil Sem Homofobia (lançado pelo governo em maio de 2004) se produz e se materializa. Desta forma, o objeto desta pesquisa é a “questão da homofobia”, em que se busca na teoria feminista elementos para pensar o movimento LGBTTT, os discursos produzidos no âmbito da Estado brasileiro e as produções oriundas da articulação/interpelação mútua entre estas duas esferas pelos discursos da igualdade/equidade entre sexos e sexualidades no atual estado do governo brasileiro. Entendendo-se a homossexualidade como uma construção histórica e social possível apenas nos termos da sociedade ocidental – em que é inferiorizada e marginalizada – o presente trabalho assenta-se na busca de compreensões da homofobia como categoria que conceitualiza e possibilita a análise dos fenômenos do heterossexismo e da hierarquização das sexualidades, sendo a escola (pano de fundo desta pesquisa) um lugar de produção (reprodução), constituição e (re)significação de diferenças, sujeitos e discursos acerca do gênero e das (homo)sexualidades.
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Um Cenário sob Tensão: A Diversidade Sexual e o Direito ao Respeito na Escola
Cláudio Roberto da Silva (USP)

Ao fazer um exercício de observação participante em uma escola, foi possível reconhecer debates originados com os movimentos feministas e de prevenção a AIDS. Debates que se apresentam no Plano Diretor, nos Planos de Aula, ou nas práticas de alguns professores. Esse reflexo teve origem na forma como o poder público, por meio dos órgãos sob sua administração, investiu em cursos de formação, forneceu materiais pedagógicos, gerando demandas para que as escolas trabalhassem essas temáticas. No cotidiano foi possível observar que a escola veicula discursos ligados ao respeito às diferenças, incluindo nestes a diversidade sexual. Entretanto, essa mesma escola não compreende a sexualidade como uma construção sócio-histórica, projetando um entendimento mais aproximado do modelo essencialista. Um possível reflexo dos discursos de naturalização, ligados às ideologias higienicistas, originadas no século XIX e que foram incontestáveis até os anos sessenta do século XX. Essa compreensão essencialista sustenta a idéia da auto-aceitação da homossexualidade pelo indivíduo, cuja discrição, silêncio e invisibilidade tornam-se fatores para se exigir o respeito do grupo escolar. Além disso, a escola também convive com proposições religiosas, presente nas falas de alguns docentes e discentes, que nutrem idéias de que a “opção” homossexual desrespeita a vontade divina do ser homem e do ser mulher. Esse cenário coloca sob tensão a proposição do direito universal ao respeito, no lugar dele surgem as falas de tolerância às diferenças humanas. O presente trabalho tem por objetivo apontar situações que circunscrevem as possibilidades da escola ao tratar a questão do respeito à diversidade sexual.
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O debate sobre a diversidade sexual na escola: reflexões acerca do combate a homofobia no contexto escolar
Vagner Matias do Prado; Arilda Inês Miranda Ribeiro (UNESP)

Os estudos sobre a constituição cultural da(s) sexualidade(s) têm se expandido em diversas áreas de conhecimento, dentre as quais, a Educação se mostra um campo fértil para a disseminação desses debates. Vários/as teóricos/as passaram a problematizar questões referentes à sexualidade heteronormativa, contribuindo assim para o reconhecimento da diversidade sexual de nossa sociedade. Contudo, mesmo contando com propostas governamentais para integrar o debate sobre a diversidade sexual no currículo da escola, muitos educadores e educadoras podem encontrar dificuldades para promover um trabalho nessa escala devido a vários fatores como: falta de preparo acadêmico, não apoio da comunidade escolar ou pela falta de materiais de apoio pedagógico para facilitar a transmissão desse conteúdo para os/as educandos/as. Ao refletir sobre as possibilidades da utilização de matérias de apoio pedagógico para viabilizar o trabalho docente, nos propomos resgatar títulos de filmes comerciais, que tragam a diversidade sexual como tema central e analisar a viabilidade desse material audiovisual como um suporte pedagógico para facilitar o trabalho de educadores/as na escola. Com alguns títulos selecionados, apresentamos o material junto a graduandos/as do curso de Pedagogia da FCT – Unesp de Presidente Pudente – SP, durante o desenvolvimento de disciplina optativa que objetiva aproximar o debate sobre a diversidade sexual da formação desses/as futuros/as educadores/as. A utilização desses vídeos tem se mostrado viável ao possibilitar vários debates sobre questões relacionadas à promoção da cidadania de GLBT bem como problematizar a questão da homofobia no contexto escolar.
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Professor@s frente à diversidade sexual: uma questão para além da formação profissional
André Helroy Ávila; Maria Juracy Filgueiras Toneli (UFBA / UFSC)

Nos cursos de Letras e Pedagogia da UNEB/XVIII, a maioria do alunado é professor/a e, além de se ocupar com os saberes presentes no trabalho escolar, enfrenta outras questões. Segundo os alunos, as “manifestações da sexualidade” são mais desafiadoras e os processos que constituem suas posturas de educadores/as diante delas, são processos que se configuram num escopo mais amplo que os caminhos percorridos exclusivamente na formação profissional. Desenvolvemos estudos das posturas dos sujeitos-educadores/as, de suas pré-disposições para agir face à sexualidade e às masculinidades-feminilidades, com o objetivo de compreender seus modos/meios de significá-las. Focamos nos processos que entretecem os modos como educadores/as se constituem mediadores/as acerca da sexualidade e da generificação. A constituição dos sujeitos implica em ato, remete à configuração histórica e contextual dos processos de significação que, submetida a forças de outros campos relacionais e ideológicos, singulariza suas posturas. Neste sentido, defendemos análises a partir da trajetória profissional e dos amplos enredos da constituição dos sujeitos. Buscando por uma linguagem que dê visibilidade aos momentos vividos, interpretados pelo presente e orientados pelo devir, como possibilidades também circunscritas a configurações determinadas. Propõe-se a investigação de três eixos que se entrecruzam nos processos de constituição das posturas diante da sexualidade/generificação: as produções de práticas e concepções diante da sexualidade e das masculinidades-feminilidades; os processos de escolha, formação e qualificação profissional; e as articulações entre a constituição de gênero, a educação sexual singular ‘recebida’ e a imputação formal aos/às professores/as da promoção da tolerância e do acolhimento à diversidade sexual.
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Se a menina sentar largadona é machona: gênero e sexualidade entre professoras e professores da Educação Básica
Dirce Margarete Gröz (UnB)

O presente trabalho busca analisar as representações de gênero no cotidiano de professores e professoras que participaram do curso Gênero e Diversidade na Escola, realizado pelo Governo Federal no ano de 2006, a partir de uma pesquisa empírica realizada no ano de 2007. A metodologia empregada na pesquisa é de ordem qualitativa, utilizando o método documentário de interpretação ancorado na sociologia do conhecimento. Durante a pesquisa de campo foram realizados grupos de discussão com o objetivo de compreender, as orientações coletivas de professores/as sobre os significados de masculino e de feminino e verificar como a temática de gênero é trabalhada no cotidiano das práticas pedagógicas da escola. Observou-se ao longo da pesquisa que gênero, não é percebido como um tema que está emprenhado nas tramas cotidianas dos discursos, códigos e regras da escola. As representações de masculinidade e feminilidade ora são compreendidas e percebidas como construções históricas e culturais, construídas e reiteradas segundo um modelo fixo destes significados ao longo da trajetória dos sujeitos, ora, estas representações são reforçadas pelos/as próprios/as professores/as na forma como compreendem seus alunos e alunos, quando se referem aos comportamentos e formas de expressão dos/as mesmos/as. A escola faz um trabalho pontual, aproveitando-se de ocasiões corriqueiras de acontecimentos e “brincadeiras” entre alunos/as para tratar das temáticas de raça, etnia, sexualidade e vez por outra gênero, ou ainda, por meio de palestras e projetos pontuais.
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Garotas no Futebol: trajetórias de gênero e sexualidade
Maria de Fátima Salum Moreira; Ana Mara Cunha (UNESP)

Trata-se de uma pesquisa, financiada pela Fapesp, sobre a experiência vivida por jovens universitárias praticantes de futebol, pertencentes à equipe feminina que representa o município de uma cidade no oeste do interior do Estado de São Paulo. Pretendeu-se analisar o modo como essas garotas percebem e compreendem os olhares e atitudes das pessoas com as quais convivem, acerca de suas características sexuais e de gênero. Pressupôs-se que a análise da observação que fazem desse olhar do outro sobre "suas vidas", possibilitaria interpretar parte dos mecanismos de seus próprios processos de construção identitária, em termos de feminilidades e/ou masculinidades e de orientação e desejo sexual. Optou-se por uma investigação de caráter qualitativo, pautado na pesquisa empírica oral, através de entrevistas semi-estruturadas e relatos de vida, que foram gravados e transcritos. A abordagem teórica e metodológica é fundamentada em estudos sobre a linguagem de Bakhtin, além de construírem-se categorias temáticas de análise com base nos procedimentos indicados pela "análise de conteúdo" de Bardin. A pesquisa indicou para o caráter múltiplo e plural das identidades de gênero e sexualidade das jovens, cuja explicação e compreensão são referidas às suas diversas formas de inserção social, as quais, por sua vez, são demarcadas pelo conjunto das experiências sócio-culturais que compuseram as suas trajetórias de vida, especialmente aquelas que dizem respeito às vivências das relações familiares e escolares. A investigação ensejou um trabalho de análise crítica aos processos constitutivos das práticas de diferenciação, exclusão e desigualdades sociais, envolvidas no campo da cultura corporal, a qual é exercida dentro e fora da educação física realizada nos espaços escolares.
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A Biologia no Brasil, a Escolarização e o Legado de um corpo branco, masculino e heterossexual na formação de pedagog@S
Néli Suzana Britto (PPGE/ UFSC/ bolsista CNPq)

Este trabalho pretende socializar o entrecruzamento de pesquisas como professora no Curso de Pedagogia e como doutoranda. Ambas tendo como foco contribuir às reflexões e pesquisas sobre a história da disciplina de Ensino de Ciências nos currículos dos cursos de formação de professor@s – Pedagogia. E perpassadas pelas questões provenientes da atuação docente na formação inicial e formação continuada de professor@s de Educação Infantil e/ou dos Anos Iniciais e da coordenação de um Projeto sobre Gênero na Educação dirigido a este mesmo segmento de professor@s, realizado através de uma ONG de Pesquisa, Assessoria e Estudos de Gênero. A Biologia foi uma das ciências “fundantes” do pensamento pedagógico através da cientificização e consolidação teórica afirmadas pelo viés pragmático, objetivo e definição de um método de pesquisa vinculado ao campo da Medicina. Constituindo-se sob uma visão antropocêntrica na busca da compreensão dos distintos fenômenos e manifestações que ocorrem com e na espécie humana, tecendo explicações, comparações e classificações que acirraram e ainda acirram as desigualdades sociais, principalmente de gênero e étnico- raciais no âmbito da formação de professor@s. Portanto as demandas contemporâneas exigem ultrapassar a concepção de um corpo branco, masculino e heterossexual, através de ações afirmativas que favoreçam a democratização do acesso às produções científicas e tecnológicas; a articulação destes conhecimentos ao cotidiano educativo no atendimento às crianças; um perfil profissional dos cursos de Pedagogia, enquanto espaço de acesso e permanência de corpos de todas as cores, gênero e classe.
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Problematizando as questões homofóbicas no espaço da escola
Deise Azevedo Longaray; Paula Regina Ribeiro Costa (Fundação Universidade Federal do Rio Grande)

Essa pesquisa tem como objetivo analisar os discursos de adolescentes referentes às questões de sexualidade, em especial, à homossexualidade. Neste estudo, entendemos a sexualidade como uma construção social, histórica e cultural, uma vez que se encontra imbricada na constituição dos sujeitos. Considerando que a homossexualidade é uma entre as possíveis identidades sexuais, mas que a identidade entendida como normal é a heterossexualidade, torna-se importante discutir a construção histórica dessas identidades sexuais, especialmente no espaço da escola, uma vez que essa instituição trabalha na produção dos corpos e das identidades. Essa é um espaço privilegiado para a discussão das identidades sexuais, da valorização da igualdade entre os gêneros e da promoção e respeito ao reconhecimento da diversidade sexual, contribuindo para a minimização da homofobia dentro do âmbito escolar. Sendo assim, negar a homossexualidade dentro da escola faz com que jovens gays e lésbicas só se reconheçam como desviantes e indesejados/as. A realização da presente pesquisa se deu através de uma série de atividades relacionada à sexualidade, às identidades de gênero e às identidades sexuais. Através da análise percebemos que os adolescentes apresentaram vários discursos sobre a homossexualidade, a maioria centrados no homossexual masculino, nos direitos que cada um tem em relação a sua orientação sexual, outros em estereótipos sobre o homossexual e também nos sentimentos do mesmo. Portanto, notamos que embora haja uma preocupação com alguns direitos homossexuais, é preciso haver, principalmente dentro da escola, o reconhecimento da pluralidade sexual e a promoção de uma cultura de respeito aos homossexuais.
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Uma abordagem sobre as questões de gênero e sexualidade presentes na coleção “Galeras, Paqueras” de Cathy Hopkins
Viviane de Oliveira Miranda (FURG)

A temática deste artigo surgiu no Grupo de Pesquisa Sexualidade e Escola (FURG) tendo como objetivo provocar a discussão acerca das questões de gênero e sexualidade evidenciadas nas narrativas da coleção “Galeras, Paqueras” da autora Cathy Hopkins. Diante deste panorama, busquei identificar elementos característicos do conceito de gênero dentro de uma construção sócio-histórica das diferenças baseadas no sexo, mostrado por Louro (1997) em que mulheres e homens produzem-se de distintas formas, num processo de possibilidades e também de instabilidades, uma vez que os gêneros se fazem e se refazem continuamente ao longo da existência. Assim, a leitura e análise desta coleção possibilitaram a reflexão sobre a interpelação dos adolescentes frente a temáticas que enfocam questões vividas por adolescentes em fase de construção de suas identidades, de descobertas sexuais, namoro, desejos, fantasias, sonhos e situações ditas “conflitos familiares”. No discorrer das obras, as evidências são perceptíveis de que este tipo de narrativa é mais lida e vivenciada por meninas, em que muitas vezes, se identificam com as histórias vividas pelas personagens. Ao longo das leituras emergiram algumas questões: Por que meninas buscam se identificarem com estas narrativas? Por que meninos não se interessam por este tipo de história? Por que meninas buscam “objetos e coisas” para atraírem os meninos? Por que meninos se sentem os gatões da escola? Estas são questões norteadoras da discussão sobre gênero que analisei nas narrativas, uma vez que diferentes sujeitos são protagonistas e antagonistas neste processo de construção e reconstrução de identidades de gênero e sexualidade.
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Sexualidades e infâncias: a utilização dos PCN’s (Parâmetros Curriculares Nacionais) na prática escolar
Jaqueline A. M. Zarbato Schmitt (UNISUL\USJ)

Esta pesquisa analisa a utilização dos dispositivos das sexualidades propostas nos PCNs e, de que forma as professoras dos anos iniciais da Educação Básica utilizam os conceitos de sexualidade, corpo, gênero nas práticas escolares. Os Parâmetros Curriculares Nacionais dispõem sobre a orientação sexual como tema transversal a ser trabalhado nas instituições de ensino, visando promover a “saúde de crianças e adolescentes”, pretendem ser o referencial teórico na construção dos currículos escolares.  Entendendo ser de extrema relevância o entendimento sobre as concepções de gênero e sexualidade na infância, visamos analisar o que contém nos PCN e de que forma as questões sobre sexualidade são inseridas nas atividades educativas. Além disso, dispomos de entrevistas com as  professoras, buscando entender como utilizam as questões de relações de gênero e sexualidade, que trabalhos promovem, que reflexões inserem na prática educativa. Identificando, assim, que concepções são construídas na prática escolar sobre as representações de homens e mulheres, de que forma as crianças falam de seu corpo e, principalmente que  tipo de encaminhamentos as professoras propõem.
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