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52 - Gênero em cena – abordagens da feminilidade e da masculinidade através do cinema e da literatura

Coordenação:
Profa. Ms. Sandra Careli, Professora dos Cursos de História e Letras da Faculdade Porto Alegrense (FAPA) e da Rede de Ensino Municipal, Mestre em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) 

Profa. Ms. Natalia Pietra Méndez, Doutoranda em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Professora do Departamento de História e Geografia da Universidade de Caxias do Sul (UCS)

O Simpósio Temático Gênero em Cena quer reunir trabalhos situados no campo dos estudos de gênero que tratem do Cinema e da Literatura como fontes de reflexão acerca das representações da feminilidade e da masculinidade em diferentes períodos históricos a partir de uma perspectiva interdisciplinar. As linguagens - cinematográfica e literária -  são ricos em (re)produzir valores, estereótipos, continuidades, contrastes, rupturas e inovações nas representações de gênero

As representações sociais produzidas em épocas, culturas e contextos diferentes influenciam as noções de masculinidade e feminilidade. Por vezes, estas representações se confrontam e criam idéias antagônicas, o que permite refletir, em certas épocas sobre uma feminilidade e uma masculinidade hegemônicas.  Estas imagens influenciam o modo como homens e mulheres desempenham seus papéis sociais. O Simpósio é fruto de uma iniciativa de aproximação com o tema que já envolve um grupo de professores(as) e pesquisadores(as) do Rio Grande do Sul que pretendem, no Fazendo Gênero , expandir este debate.

As origens da representação da subordinação feminina na literatura ocidental: o legado grego
Daise Lílian Fonseca Dias (Universidade Federal de Campina Grande)

O objetivo deste trabalho é analisar os elementos chaves que compõem a representação da subordinação da mulher na literatura grega clássica, tanto em tragédias quanto em epopéias. Serão discutidas as relações de gênero não apenas no que se refere aos personagens, mas também a relação dos autores com suas personagens femininas e masculinas, passando inclusive pela questão do mito, e destacando o quanto se pode extrair e compreender daquela sociedade e sua visão sobre a mulher através dos seus textos que são a base do que se tem produzido na literatura ocidental.
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Polifonia x Plurivocidade: As ressoantes vozes de Bakhtin em As Brumas de Avalon
Renata Kabke-Pinheiro (Universidade Católica de Pelotas)

Segundo Weedon (1987), “o poder da ficção repousa na sua habilidade de construir para o leitor modos de ser e de entender o mundo”, sendo “uma poderosa forma de educação em significados e valores sociais, como um eficaz fornecedor de crenças sobre gênero, raça e classe”. Assim, a investigação das representações de gênero em best sellers reveste-se de grande importância, pois é nos discursos que ali circulam que podem encontrar-se perpetuadas diversas relações de poder hegemônico estabelecidas com base em tais representações. Dentro dos estudos do discurso, um dos conceitos muito freqüentemente citados de forma equivocada é o de polifonia, desenvolvido por Mikhail Bakhtin. Muitas pessoas atêm-se apenas ao aspecto da variedade de vozes, esquecendo-se de que polifonia implica dizer que todas as vozes apresentam o mesmo "peso" dentro do texto. Esta eqüipolência das vozes estudada por Bakhtin foi atingida, segundo ele, apenas por Dostoievski. No entanto, Bakhtin não deixou de reconhecer e de dar a devida importância à presença de diversas vozes dentro de um texto, chamada por ele de plurivocidade, dedicando grande parte de seus estudos a esse fenômeno. Neste trabalho, buscamos reunir alguns conceitos de Bakhtin relacionados ao de plurivocidade e demonstrar sua ocorrência em um texto literário, As Brumas de Avalon de Marion Zimmer Bradley. Esperamos, com isso, não só contribuir para uma melhor compreensão deste aspecto fundamental da teoria de Bakhtin, mas também demonstrar a circulação de diversas vozes dentro de um texto, vozes que, ao estarem submetidas a um poder hegemônico, perpetuam seus intereses.
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Vozes femininas da escrita saramaguiana: fractais do imaginário ibérico
Madson Góis Diniz, Beliza Áurea de Arruda Mello (PROLING/UFPB)

O feminino sempre despontou nas artes como elemento chave nos processos de criação artística. O imaginário da mulher, em alguns casos, tem operado um processo ambivalente de ora enaltecer ora escarnecer a presença do feminino. Nas cantigas medievais e nas representações pictóricas do Renascimento, imagens de fragilidade, maternidade, coisificação e bestialidade fazem parte dos intercruzamentos culturais, que irão juntamente com o mito da femme fatale, construir arquétipos literários de identidade da mulher.
Essas bacias semânticas do feminino e as estruturas do imaginário irão operar um movimento de desconstrução e reconstrução de tais mitos na Península Ibérica, a partir de contos orais medievais como a Dama Pé de Cabra e posteriormente através da própria poesia de Florbela Espanca, redimensionando as imagens da mulher nesse trajeto de representações.
José Saramago, por sua vez, irá seguir um percurso histórico-antropológico do imaginário feminino, trazendo para suas obras imagens rarefeitas, re-escrevendo o pathos ficcional através de uma nova cartografia da mulher, dando voz e espaço na narrativa, como grande mater da História. Objetivamos, portanto nesta comunicação, analisar as três personagens - Blimunda em Memorial do Convento, Joana Carda em Jangada de Pedra e ‘a esposa do médico’ em Ensaio sobre a Cegueira – como ícones singulares da representação do feminino na escrita saramaguiana, suas aproximações e distanciamentos dos arquétipos fundadores, assim como as implicações sócio-políticas de tais imagens e seus desdobramentos nas discussões de gênero e literatura.
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Mulheres de honra, mulheres leitoras: as representações do feminino nos escritos da geração de 1837
Fábio Francisco Feltrin de Souza (UFSC)

Muitos foram os temas debatidos pela geração romântica 1837, principalmente durante seu exílio nos vários cantos da América do Sul. As reflexões a cerca do lugar da mulher na sociedade argentina foram recorrentes nos escritos literários desses intelectuais e produziram um ideal de mulher: a mulher leitora. Ela deveria ser a companheira ideal, capaz de entender e comprometer-se com as causas políticas nacionais. Os artigos de Alberdi e o romance Amália de Mármol constroem a necessidade e a importância civilizatória da mulher saber ler. Havia, contudo, limites para esta educação literária. Dentro desses limites, sempre estabelecidos por uma figura masculina, a mulher jamais poderia ser uma autora. A escritura feminina é representada como ridícula e débil, comparada apenas à tirania do governo de Juan Manoel de Rosas. Entretanto as cartas e o diário de Mariquita Sanchéz, também exilada e importante interlocutora da geração de 1837, oferecem um contraponto a essa representação da mulher ideal. Seus escritos questionam o conhecimento limitado oferecido às mulheres e dramatizam sua condição de pensadora duplamente exilada: longe de seu país e a de mulher intelectual num mundo dominado por homens. Essas narrativas sugerem que a representação do feminino foi motivo de lutas e tensões no interior da geração romântica de 1837.
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Simulacros da escrita: ironia como (des)construtor do sujeito feminino
Ana Cláudia Porto (Faculdade Padre João Bagozzi)

Este trabalho parte da análise de dois textos literários. Um compõe o corpus da literatura contemporânea brasileira, o outro se insurge como representante da atual escrita argentina. Em ambos, suas personagens mulheres traçam uma caminhada marcada pela busca – ora consciente, introspectiva; ora involuntária, espalhafatosa – de um lugar de fala no contexto em que se inserem. O que une as novelas Solo Feminino: amor e desacerto e La última vez que maté a mi madre, e que serve como ponto de partida para esta reflexão, é a ironia como um recurso utilizado pelas autoras, Lívia Garcia-Roza e Inés Fernández Moreno, respectivamente, a fim de criar, com a sutileza dessa figura retórica, um espaço em que a solidão e a intimidade das personagens podem ser (re)pensadas. É nessa esteira que Gilda e Lina se cruzam, quando a tragédia que a recusa pelo modelo materno ou mesmo a morte da figura materna parecem oferecer apenas uma saída: o humor irônico como simulacro de uma identidade em constante (des)construção.
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Cinema e literatura: dois produtos culturais que constroem um discurso
Daniela Garces de Oliveira, Sandra da Silva Careli (FAPA)

A partir das concepções acerca do cinema e da literatura procuramos perceber como os discursos sobre o masculino e o feminino são compreendidos e consolidados. Os papéis historicamente construídos e assumidos pelo sujeito masculino e feminino também permeiam a linguagem fílmica e literária. Para além da reprodução do discurso, também são criados outros discursos e consolidados outros aspectos acerca desses sujeitos. Perpassando esta análise também é necessário que se perceba as diferentes concepções entre cinema e literatura, seus distanciamentos e seus entrecruzamentos. Ancorado em teóricos que versaram sobre cinema, literatura, perceberemos as construções das narrativas e como estes produtos culturais podem ser o sintoma da realidade nos estudos de gênero.
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O feminino e o masculino em duas obras de Assis Brasil: Bacia das almas e As virtudes da casa
Ivete Bellomo Machado (UCPEL)

Luiz Antonio Assis Brasil escreveu muitas obras, e estas já foram analisadas sob as mais diferentes perspectivas. O que me atraiu em Bacia das almas e As virtudes da casa foi o relacionamento familiar que beira ao trágico, mostrando principalmente um equilíbrio aparente que se rompe no decorrer da narrativa. O homem autoritário, viril, forte, que aparece em Bacia das almas não é o gaúcho mítico de várias obras regionalistas, mais se aproxima de um cafajeste, capaz de estuprar a própria filha e desmoralizar os demais filhos, oprimindo-os como faz na vida pública com seus subalternos como prefeito de Águaclara. Essa forma de agir com os filhos só poderia torná-los fracos, dependentes e infelizes. A análise psicológica dessa família é muito bem construída, e o complexo de Édipo no que ele pode ter de mais violento também se faz presente. Em As virtudes da casa, o papel do homem autoritário, proprietário de terras e da família, aparece sob uma outra perspectiva. Em uma família composta pelo casal (Baltazar Antão e Micaela), um filho (Jacinto) e uma filha (Isabel), um estrangeiro aparece para desmanchar esse equilíbrio, bastante frágil, de um grupo familiar tradicional. Afloram sentimentos recalcados e fortes emoções, comparáveis mais uma vez às tragédias gregas. Oresteia, Agamêmnon, Édipo, só para citar algumas personagens trágicas, se confundem com as de As virtudes da Casa.
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As várias faces da mesma mulher: Hester Prynne na história, literatura e cinema
Breno Martins Campos (PUC-SP)

Minha comunicação se organiza em três movimentos acerca de três momentos intercomunicantes. O primeiro, mais historiográfico, trata do espaço e papel femininos nas comunidades puritanas da América do Norte no século XVII; nas quais se destinavam às mulheres os espaços privados (representações de esposa, mãe e dona-de-casa), distantes das posições de saber e poder na sociedade. O segundo apresenta a literatura de um autor estadunidense do século XIX, Nathaniel Hawthorne. Descendente de puritanos ingleses que vieram conquistar a América para a glória de Deus, ele fez de sua literatura um caminho para expurgar a herança religiosa recebida de seus ancestrais, dentre eles, um caçador de bruxas em Salem; paradoxalmente, colocou a literatura a serviço de sua fé moral, o que não o impediu de ser um dos maiores autores da literatura nos EUA. No romance A letra escarlate, Hawthorne, recriou, entre o real e o imaginário, o ambiente de uma comunidade puritana no século XVII. Ofereceu uma imagem da condição da mulher naquele contexto, a partir do preconceito, intolerância e violência da sociedade contra Hester Prynne, a protagonista da história, em decorrência de adultério e gravidez fora do casamento. O terceiro aproxima-se do cinema, que no século XX fez uma releitura daquele romance, na perspectiva dos diretores Wim Wenders (Alemanha, 1972) e Roland Joffé (EUA, 1995), e das atrizes Senta Berger e Demi Moore, que interpretaram a mulher que carregava no próprio corpo a prisão (na forma de uma letra A escarlate).
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Entre a dignidade e o amor: condição feminina em Helena, de Machado de Assis
Juliana Primi (USP)

Dentre os escritores empenhados em explorar o feminino como matéria, produzindo, através das palavras, uma preocupação em relação à postura e à atuação da mulher na sociedade, Machado de Assis possui interesse especial em retratar a figura feminina. O objetivo da comunicação é verificar por meio de Helena, protagonista do romance homônimo publicado em 1876, como o autor tratou da adaptação das personagens femininas às convenções da realidade social, que impossibilitavam a mulher de transgredir os limites que lhe eram impostos e que ofereciam o casamento como aspiração máxima.
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Papéis e afirmações sociais da mulher no sertão: na literatura, uma forma de pensar a história
Gisele Thiel Della Cruz (Instituto Superior de Educação N. Sra. Sion)

O presente trabalho, de natureza literária e historiográfica, analisará as estratégias de atuação e afirmação social das mulheres no sertão brasileiro a partir de três obras: Inocência, de Visconde de Taunay; Dona Guidinha do Poço, de Manoel de Oliveira Paiva e O quinze, de Raquel de Queiroz. Estes romances, ambientados entre as décadas de 1860 e 1930, revelam dois momentos do sertão: a fartura e a miséria, e expõem, junto com esta ambivalência, conflitos entre a instituição patriarcal e uma insurgência da emancipação feminina. Essas mulheres, reiteradas vezes, reafirmam o dever, a obediência e a manutenção da tradição. A abordagem levará em conta semelhanças e diferenças entre mulheres ricas e pobres em suas ações/representações no romance. Para a discussão e a compreensão dos diversos papéis que se encerram em cada um dos personagens estudados, a análise terá como contraponto a produção da historiografia contemporânea e sua visão sobre o feminino naquele período. Os gestos, os atos e as práticas de cada uma delas retratam sistemas de valores específicos de uma cultura e reafirmam seu modo de vida. Nessa perspectiva, a investigação histórica transita na interface da literatura e vice-versa. Segundo Sandra Pesavento: (...) a escrita da literatura não contemporânea ao tempo de narrativa do historiador opera – para ele – como fonte para criação de sua versão. Ou seja, o historiador, que trabalha com um tempo que “corre” por fora da experiência do vivido, vai representar o já representado, re-imaginar o já imaginado.
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Feminino e masculino: liberdade, poder, encontros e desencontros
Rita Mara Netto de Moraes (UFSC)

A literatura exerce inegável poder de convidar à reflexão, à discussão, à compreensão da psicologia humana propiciando, às vezes, certas mudanças no pensamento e na conduta humana. A proposta deste texto é refletir sobre as representações femininas e masculinas por meio da literatura, na leitura dos romances L’Adultera (1882) de Theodor Fontane, São Bernardo (1934) de Graciliano Ramos e Summer before the dark (1973) de Doris Lessing. Fontane apresenta ao leitor um romance que surpreende pela ousadia de libertar a personagem, ensejando-lhe o direito de escolher entre um casamento que não se pode classificar de infeliz e o amor verdadeiro. O romance faz-se portador de um novo conceito de casamento para a época enfocada, com a mulher alcançando igualdade com o homem, como colaboradora na economia do lar e sua companheira na luta pela sobrevivência e na guerra contra os preconceitos. Graciliano Ramos, por sua vez, apresenta uma figura feminina não menos ativa, que luta contra as desigualdades sociais e possui uma visão política pouco comum para a época, mas que se depara com um marido reacionário e ditador. Doris Lessing, autora que trata com profundidade dos temas femininos, traz ao leitor uma mulher que, aos quarenta e cinco anos, desperta de sua letargia e percebe o vazio de uma vida dedicada exclusivamente à família, uma mulher que aprendeu toda sua vida a doar-se ao Outro e a esquecer-se de si mesma. Os três romances propiciam refletir sobre o sentido do Ser, acima das questões de gênero.
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Gabriela em película: imagens da mestiça cravo e canela
Renata Maria Souza do Nascimento (UFBA)

Em 1983, numa co-produção Brasil/Itália, o cineasta brasileiro Bruno Barreto leva às telas de cinema mais uma adaptação do romance amadiano Gabriela,cravo e canela. Não por acaso a protagonista do filme será a mesma da segunda adaptação televisiva em 1975(de estrondosa audiência) do referido romance: Sônia Braga, oito anos depois. Nesse sentido, este trabalho pretende analisar as imagens de baianidade (re)formuladas pela linguagem cinematográfica e suas relações com a linguagem literária, especialmente pela representação do estereótipo de mulher baiana e, por extensão, brasileira. Constitui-se ainda como objetivo a apresentação do processo de mudança de foco da narrativa de Jorge Amado: a valorização da história de Gabriela em detrimento do contexto sócio-político que percorre toda a narrativa.
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As lisístratas brasileiras e o período militar: diálogos entre Literatura e História
Jair Zandoná, Adriano Luna de Oliveira Caetano (UFSC / UENP)

O Brasil viveu durante o século XX um delicado período de transição política, especialmente entre as décadas de 60 e 70, quando o país sofreu um golpe militar que reconfigurou a política, a economia e a cultura da sociedade brasileira. Sintomaticamente a esse momento político, nos deparamos com os movimentos de oposição, nos quais percebemos o engajamento das mulheres tal qual o da personagem Lisístrata, da comédia de Aristófanes. É dessa característica que podemos aproximar as mulheres brasileiras porque Lisístrata mobilizou suas conterrâneas a se unirem para que a guerra tivesse fim, fazendo greve de sexo. Apesar da diferença temporal, encontramos aqui lisístratas que, cansadas das opressões sofridas, se engajam, a seu modo, na vida pública/política. Zuzu Angel, uma dentre tantas lisístratas, participou da luta contra a ditadura após o desaparecimento de seu filho Stuart. Sua sina [semelhante à de outras mulheres] foi cantada em Angélica, de Chico Buarque, e narra tanto as angústias quanto a fibra daquelas que participavam direta/indiretamente do movimento esquerdista. Com base na obra Mulheres que foram à luta armada (de Luís Carvalho), no filme Zuzu Angel (direção de Sérgio Rezende), e nas músicas Mulheres de Atenas e Angélica, (de Chico Buarque), pretendemos verificar/analisar o modo como esses diferentes textos podem funcionar como depoimentos e histórias de mulheres que foram à guerrilha buscando não apenas o final da ditadura, mas também o seu indiscutível lugar na história brasileira.
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O feminino e o masculino em cena: a literatura dramática de Plínio Marcos
Kátia Rodrigues Paranhos (UFU)

A literatura dramática de Plínio Marcos atinge o leitor e/ou espectador como estilete: ao mesmo tempo, provoca repulsa e desperta uma angústia solitária, a necessidade urgente de intervenção. Nesse contexto, vêm à tona o terror e a piedade no grau mais absoluto, diálogos exatos, crus, ferinos, explosões de ódio e violência incontidos, humilhações, provocações sadomasoquistas, rastejamento abjeto de humilhados e ofendidos, círculos de tensão entre algozes e vítimas que intercambiam seus papéis. As relações de poder são, então, estabelecidas confusamente num emaranhado de seres ignorados pelos “cidadãos contribuintes”, fazendo emergir uma fauna de alcagüetes, prostitutas, homossexuais, cafetões e cafetinas, policiais corruptos, desempregados, prisioneiros assassinos, loucos, débeis mentais, meninos abandonados: seres jogados em cena sem nenhuma cortina de fumaça. De olho nesse universo, esta comunicação aborda os significados plurais das representações femininas e masculinas em Dois perdidos numa noite suja e em Navalha na carne. Nessas peças, avultam como temas a solidão e a decadência humana, o círculo vicioso da tortura mútua e a absoluta falta de sentido nas vidas degradadas, a sexualidade e os padrões de comportamento dominantes, o beco sem saída da miséria e a violência, a superexploração do trabalho humano e a morte prematura como horizonte permanente. Sobressaem, portanto, sujeitos sociais distintos, marcados pela tragédia individual e coletiva.
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A ambigüidade sexual nos personagens do conto “Je Ne Parle Pas Français” de Katherine Manfield
Letícia de Souza Gonçalves (UNESP)

A escritora Katherine Mansfield destaca-se no campo literário em decorrência de seus contos constituídos de elementos lingüísticos e simbólicos peculiarmente manipulados com o intuito de ilustrar um recorte singelo da vida do homem do século XX. Sua denominada “prosa poética” expressa a inovação no gênero narrativo com pinceladas líricas, resultando uma verdadeira poesia em forma de prosa. Tal estilo literário transformou a escritora neozelandesa em uma figura representativa do gênero conto e da expressão do fluxo de consciência de seus personagens. Sendo assim, este trabalho tem como objeto de estudo o conto “Je ne parle pas français”, inserido na obra Bliss (1919). Considerando os recursos literários utilizados, nosso propósito é avaliar a ambigüidade sexual dos três personagens que são Raoul Duquette, Dick Harmon e sua companheira Mouse, observando os elementos narrativos apresentados no conto. Temos como base de apreciação do conto o narrador e protagonista Raoul Duquette, em virtude da sua condição de homem ser pontuada de sensações intimamente femininas, o que nos permite o exame de sua personalidade indefinida. Sendo assim, realizamos uma leitura analítica do conto, tendo em vista o estilo da autora com relação ao processo de criação dos referidos personagens e ao discurso a eles atribuído.
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“Deusa” da Natureza: a Relação Entre Natureza e a Personagem de Ma Joad em As Vinhas da Ira, de John Steinbeck
Renata Lucena Dalmaso (UFSC)

Este artigo trata da representação da Natureza em As Vinhas da Ira, de John Steinbeck: sobre suas interações entre tecnologia e os demais personagens do romance, e até que ponto a personagem de Ma Joad é uma alegoria dessa natureza. No enredo, a tecnologia apresenta traços tradicionalmente associados ao gênero masculino, enquanto a terra e a natureza por sua vez são representadas como possuindo aspectos femininos. Da interação entre os dois elementos surge uma mútua violência: a tecnologia invasiva, simbolizada pelos tratores e máquinas agrárias, estupra a terra passiva e impotente frente a essa violência, o que não somente essencializa essas características como sendo inerentes aos dois gêneros, mas também representa a relação conflitante dos dois.
Além dessa discussão, abordo também a personagem de Ma Joad, que representa, no âmbito da trama dos migrantes, a força da Natureza. A hipótese a ser analisada neste artigo é se a personagem de Ma Joad é um reflexo da complexidade da Natureza no romance, que é aparentemente passiva e sofre várias e repetidas violências, mas também tem um poder latente eventualmente manifestado através das tempestades de areia e enchentes, momentos climáticos da trama. Para essa análise utilizo os conceitos de “estranho” de Sigmund Freud, “pastoralismo” de Leo Marx e “estupro tecnológico” de Eliana Ávila.
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Relações de gênero e suas representações na linguagem cinematográfica: uma análise do filme Abril Despedaçado
Natalia Pietra Méndez (Universidade de Caxias do Sul)

Através deste trabalho, analiso as relações de gênero e as representações do masculino e do feminino no filme Abril Despedaçado, do Diretor Walter Salles. Busco examinar as relações de poder, dominação e resistência vivenciadas pelos personagens. Estes retratam diferentes concepções de masculinidades e feminilidades. Em um contexto social no qual os sujeitos são envolvidos por uma lógica de impessoalidade (a maioria dos personagens do filme não têm nomes), sua individualidade se manifesta através das construções de gênero que surgem ao longo da trama.
Conceitos como honra, virilidade, violência e família patriarcal estão intrinsecamente relacionados à trama da película que, por sua vez, revela as diferentes formas de resistência que os personagens centrais vão encontrar para escapar deste ciclo. Trata-se de um filme singular para analisar as relações de gênero em sua transversalidade e mutabilidade.
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Escolha seu pathos
Marina Cabeda Egger Moellwald (UFSC)

A partir de uma breve abordagem histórica dos estudos sobre o gênero, a proposta deste ensaio é a de questionar a construção de um caminho/pathos discursivo que ainda, mesmo que inconscientemente, tende a situar a mulher em um lugar biológico e imutável, colando-a à materialidade de seu sexo. Tendo em vista a noção de gênero como uma construção social veiculada pela linguagem, a abordagem do filme As Horas, dirigido por Stephen Daldry e ganhador do Oscar no ano de 2003, "dá a ver" as multiplicidades e as diferenças que constituem os caminhos deste campo. Esta trama narrativa enreda as vidas de três mulheres – uma delas, a escritora Virginia Woolf – em três tempos histórico-cronológicos diferentes e retrata as tensões existentes entre os aprisionamentos destinados a elas, em contraposição com as possibilidades de agenciamento que a própria hora possibilita. Ao invés de fixar, a "história" destas três mulheres faz perfurar o gênero em diversos caminhos, mostrando que a possibilidade de mudança não só é possível, mas está sempre sendo feita, de hora em hora.
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O caçador de pipas: história de meninos - Uma análise semiocênica
Wiliane Viriato Rolim (UFMG)

Ao assistir o filme "O caçador de pipas", assustamos ao deparar com um filme quase exclusivamente masculino. Praticamente todos os personagens são homens; os temas são tratados de um ponto de vista masculino e os conflitos de relacionamento também: relação pai/filho, senhor/servo, entre irmãos e entre amigos. Figuras femininas aparecem raras vezes e são pontuais, ou seja, desempenham um papel específico naquele momento do enredo. Neste trabalho, propomos utilizar a Teoria Semiolingüística como instrumental de análise para verificar de que forma o estereótipo é utilizado na construção das representações sociais de gênero tanto do feminino como do masculino e como é realizada a proposta de superação e de avanço em relação a essas representações. Procuraremos ver em que medida o espaço das representações sociais funciona como gerador de estereótipos na formulação das imagens do homem e da mulher assim como é retro - alimentado pelas imagens veiculadas e pelos valores a elas concernentes, numa via de mão dupla. A Teoria Semiolingüística, criada por Patrick Charaudeau, considera a linguagem sob um enfoque psicosocial. . História recente do Afeganistão, a mudança do poder é pano de fundo das histórias pessoais. A violência do comunismo e do Talebã faz par com a violência da vida cotidiana. Através do conceito de tiers da Teoria Semiolingüística procuraremos trazer à tona as diversas vozes que atravessam o discurso construindo as representações estereotipadas de gênero assim como os preconceitos étnicos. Poderia a violência ser considerada como uma dessas vozes? Estaríamos diante de um caso de polifonia?
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“Meninos Não Choram”: uma análise sobre a questão da identidade
Carolina Marcondes de Campos (Universidade Federal de São Carlos)

“Meninos Não Choram” (Boys Don’t Cry) - 1999 / EUA - da diretora e roteirista Kimberly Pierce - é um filme baseado em uma história real que discute como Teena Brandon, uma garota que se traveste de garoto, constrói sua relação com a sociedade e como esta se mostra extremamente hostil a comportamentos que escapam da norma. Por tratar-se de um produto cultural do final do século XX, ou seja, a menos de uma década, a análise do filme permite termos uma visualização e compreensão da obra não como uma mera ficção, mas como um reflexo bem próximo de um contexto social, onde as categorias identitárias estão claramente polarizadas.
Por muito tempo, categorias identitárias, como gênero e sexualidade têm sido reguladas por ideais normativos, especialmente pelo discurso científico de caráter predominantemente androcêntrico e heteronormativo, e dessa forma são incorporadas pelo imaginário social. O objetivo deste trabalho é explorar como gênero e sexualidade interagem em “Meninos Não Choram”, indicando os modos como o poder opera num determinado contexto, produzindo os significados ali representados. Para tanto, problematizaremos, através da desconstrução, categorias identitárias associadas ao processo de subjetivação corporal e refletiremos como as dimensões discursivas estão presentes e se expressam através dos aspectos corporais definindo o gênero e a sexualidade do sujeito sob o jugo do assujeitamento, ainda que este sujeito seja percebido como uma resistência à norma.
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Billy Elliot – o amor como superação
Fátima Cristina Vieira Perurena (Universidade Federal de Santa Maria)

O filme Billy Elliot apresenta claramente uma discussão de gênero. O personagem principal, que dá nome ao filme, é um menino que vive na Inglaterra, na era Margaret Thatcher, filho de mineiro. Levando-se em consideração o sistema de gênero patriarcal em que vivia era passível que Billy também se tornasse mineiro, como o pai e o irmão. Contrariando as expectativas de todos nesse sentido, Billy se interessa pela dança, iniciando aulas escondido da família. A novidade que o filme apresenta está centrada, entretanto, n a figura do pai machista, aparentemente insensível, brutalizado. Inicialmente chocado com a decisão do filho o pai reage contrariando ao que seria de se esperar naquela situação. Deixando-se levar pelo amor ao filho toma a decisão de ajudá-lo para que fosse atrás do seu sonho de ser bailarino. Outro dado importante deve-se ao fato de mostrar o quanto o papel de gênero não tem a ver, necessariamente, com o sexo. Billy, tornando-se bailarino, não deixou de optar pela sexualidade masculina.
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A Representação Arquetípica das Bond Girls nos Filmes de 007
Cecília Almeida Rodrigues Lima (UFPE)

O estudo A Representação Arquetípica das Bond Girls nos Filmes de 007 pretende desvendar as regularidades e dispersões na construção da figura feminina pelo cinema de ação, tomando como ponto de partida a análise dos 21 filmes que constituem a célebre franquia do agente secreto fictício James Bond. O foco principal são os mecanismos psicológicos inconscientes envolvidos na produção cinematográfica. A teoria dos arquétipos de C.G. Jung, representante fundamental da psicologia analítica, foi um dos pilares para a construção deste trabalho. A partir dela, pode-se verificar quais são os arquétipos que mais recorrentemente representam a mulher na série cinematográfica de James Bond – a donzela em perigo, a femme fatale e a heroína. Conceitos psicanalíticos de base freudiana e lacaniana – revisados por psicanalistas contemporâneos – também foram utilizados, para melhor compreensão dos mecanismos de identificação, projeção, fetichismo e voyeurismo utilizados pelo cinema.
Os filmes de 007 conseguiram preservar uma certa homogeneidade em sua fórmula e estilo, adaptando-se às épocas e garantindo sucesso de bilheteria. Além disso, a série atravessa o momento histórico da “liberação feminina”, e pareceu essencial para este estudo perceber se houve variação na representação simbólica da mulher a partir daí. Por esses motivos, a série de James Bond se mostrou ideal para compreender um pouco mais sobre o inconsciente masculino e suas fantasias, especialmente em relação às mulheres.
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"Nobody does it better": James Bond e as masculinidades
Felipe Côrte Real de Camargo

Através de uma pequena análise do personagem James Bond e de sua série de filmes, este ensaio propõe algumas leituras possíveis das masculinidades por ele representadas e sua relação com algumas temáticas transversais. Entrecruzando a história, o cinema e os estudos masculinos, procuro observar o personagem fora do estigma do cinema mainstream percebendo-o dentro de seu contexto temporal, bem como em seu tempo e espaço diegético. Desse modo cria-se uma leitura de James Bond como objeto privilegiado para observação das expectativas, representações e configurações pelas quais passaram algumas masculinidades forjadoras de um habitus masculino e, de certa forma, do Estado moderno.
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Sessão das Moças: cinema e educação (Florianópolis: 1943-1965)
Alexandre Sardá Vieira (UFSC)

De 1943 a meados da década de 1960, figurava no calendário de lazer florianopolitano a Sessão das Moças. Nas tardes de terça-feira, jovens da cidade sentavam-se às poltronas do Cine Ritz para assistir aos dramas e comédias românticas, ao mesmo tempo em que teciam redes de sociabilidades. Nessas sessões, os expectadores estavam expostos aos modelos de comportamento comuns a maioria dos filmes exibidos e à aura mítica estabelecida pelo star system. Assim, a própria sessão estabelecia-se como um espaço pedagógico em que modelos de família, amor romântico, casamento, trabalho e comportamentos femininos e masculinos eram expostos repetidamente nos filmes exibidos. Ademais, a sessão em si era construída como um espaço comum à juventude florianopolitana, com a expectativa de desempenho de determinados papeis para “moças” e rapazes.
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