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53 - Gênero e sexualidade na escola e na mídia

Coordenação:
Núcia Alexandra Silva de Oliveira (UDESC)

Jaqueline A. M. Zarbato Schmitt

O uso da midiologia subliminar na reificação da mulher nas propagandas de cerveja
Eduardo Meinberg de Albuquerque Maranhão Filho (UDESC)

Que homem não admirou com desejo as curvas de uma bela mulher em um comercial da Skol, Schin, Brahma ou Antarctica – e que mulher nunca desejou ter curvas como as de Juliana Paes, ou talvez seu largo sorriso? E quantos de nós não ficaram intrigados com o alto número de associações que se faz entre o produto: cerveja e o "produto": mulher? Se modelos como Paes podem simbolizar o "sonho de consumo" de muitos homens (e talvez de muitas moças), elas também estabelecem padrões de identificação associativa das mulheres com estas novas "heroínas" midiáticas. Como não estabelecer analogias entre a veiculação da publicidade de cerveja e a propagação da reificação/coisificação – do gênero feminino, até mesmo através de slogans como "loira gelada" e "essa é a boa"? Para além da poética associativa e indutória, procuramos analisar algumas peças comerciais, em cartazes de ruas e outdoors, e identificamos esta reificação sendo operada por ferramentas sedutoras que provavelmente ultrapassam alguns limites éticos. Através da midiologia subliminar podemos identificar alguns destes mecanismos de indução, enquanto através dos padrões interativos de identificação de Hans-Robert Jauss, percebemos o efeito que estas propagandas operam nos consumidores de ambos os gêneros. Efeitos que se tornam mais relevantes num momento em que se discute a proibição da propaganda de bebidas alcoólicas. Faz-se mister a esse debate a identificação da criação de representações sobre o consumo do álcool – e por que não, da mulher? –, do envolvimento de emoções e de subjetividades, da produção de comportamentos e da reprodução de estigmas relacionados à submissão sexual da mulher.
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Gênero e fertilidade na mídia: vicissitudes do corpo em sua dimensão reprodutiva
Eliane Portes Vargas (Fundação Oswaldo Cruz)

Este trabalho focaliza o corpo em sua dimensão reprodutiva nas atuais imagens sobre gravidez e maternidade produzidas pela mídia. Ao tradicional valor da maternidade associa-se uma intensa exaltação da experiência corporal da gravidez, sobretudo entre estratos médios letrados da sociedade brasileira. Nas atuais representações do corpo grávido - exposto e enfatizado – e nos seu revés, a infertilidade, observam-se os indícios desta peculiar valorização da maternidade contemporânea, de base biológica combinada à idéia de autonomia. Neste universo cultural, a dimensão da escolha não exclui surpreendentemente a intensa valorização da reprodução. São examinados os registros fotográficos de edições de Caras (janeiro/agosto de 2005) e as narrativas sobre infertilidade em matérias divulgadas entre 2004 a 2006.
Estas reflexões resultam de um estudo sobre ‘casais ‘inférteis’ de camadas médias (RJ). O corpus etnográfico inclui divulgações da mídia eletrônica (internet) e imprensa (jornais e revistas). Considerando a caráter intercambiável dos produtos culturais não se elegeu a priori um único dispositivo como procedimento primordial à análise, pois não se trata de estudo clássico em recepção. Esta perspectiva filia-se aos estudos culturais, o que significa a comunicação, para além dos dispositivos, como uma instância de produção de sentidos.
Os resultados apontam coexistirem transformações e permanência de valores relativos ao desejo de filhos expressos ainda tradicionalmente como ‘obsessão’ por parte das mulheres, mas, sobretudo como expressam uma ‘construção de si’. Nas imagens subjaz concepções de maternidade e ideais de família como um valor universal, o que exclui as tensões inerentes à construção da decisão reprodutiva no âmbito conjugal.
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Gênero e mídia: analisando a rede de discursos neurocientíficos em programas de TV
Joanalira Corpes Magalhães, Paula Regina Costa Ribeiro (UFRGS / FURG)

Este trabalho tem como objetivo analisar a rede de discursos neurocientíficos presente em dois programas de TV brasileiros – Globo Repórter e a série “Sexo Oposto” exibida no Fantástico – os quais vêm (re)produzindo significados, representações e diferenças sobre as questões de gênero. Este estudo se fundamenta a partir dos campos teóricos dos Estudos Culturais, pelo viés de suas vertentes pós-estruturalistas. Nessa perspectiva, entendemos gênero como uma construção sócio-histórica e cultural, sendo as feminilidades e as masculinidades não somente constituídas pelas características biológicas, mas, sim, por tudo que se diz ou representa a respeito destas características. Podemos observar que os estudos das neurociências, sobre as diferenças cerebrais entre os gêneros, vêm ganhando cada vez mais destaque na mídia e que tais pedagogias culturais vêm mostrando os resultados destes estudos como “verdades” inquestionáveis, definindo e justificando as distinções de comportamentos, habilidades, padrões cognitivos e posicionamentos sociais de homens e mulheres, conforme excerto: “O cérebro do homem é mais compartimentado por isso só consegue fazer uma coisa de cada vez. O cérebro da mulher tem os hemisférios interligados por isso fazem mais de uma coisa ao mesmo tempo (Fantástico, 2008)”. Estes estudos sugerem que os gêneros são biologicamente distintos e que a relação entre eles decorre desta distinção. (Re)produzindo e (re)afirmando as diferenças entre os gêneros, tais pedagogias culturais mostram, através de discursos marcados pelo determinismo biológico e a legitimidade da Ciência, as características de cada gênero como se fossem oriundas somente do corpo biológico e dadas a priori.
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Cultura e representação corporal
Luísa Grigoletti Dalla Rosa (UPF)

A presente pesquisa proporciona dados relacionados à representação e imaginários do corpo a partir de dados obtidos na aplicação de questionários aos alunos de graduação de educação física e da publicidade , entendendo que ambos trabalham com a simbologia do corpo, enquanto produção social e cultural. A expressão corporal é socialmente modulável, entender esta dinâmica para os grupos pesquisados é um dos objetivos gerais deste trabalho através de questionários aplicados aos grupos envolvidos.
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A beleza masculina e as representações de gênero na mídia impressa (1950-1990)
Núcia Alexandra Silva de Oliveira (UDESC)

Quando se fala em beleza costumeiramente encontrarmos discussões a respeito das variadas cobranças feitas às mulheres para a adequação aos padrões de beleza. Contudo esta visibilidade maior em relação ao público feminino não pode se constituir como negação ao fato de que este é também um tema que diz respeito aos homens. Este trabalho é, assim uma oportunidade de discutir como historicamente os homens têm sido alvo de discursos relacionados aos cuidados com o corpo e a aparência. Para dar conta desta discussão serão analisados textos e imagens de reportagens e anúncios publicitários publicados em revistas brasileiras entre os anos 50 e 90. Entre os volumes pesquisados estão as publicações: O Cruzeiro, Vogue, EleEla e Playboy. Nestas, como será mostrado, podem ser encontrados diferentes abordagens no que se refere a beleza masculina. Por exemplo, enquanto nos anos 50 não se fala em beleza e sim em uma boa aparência, na década de 80 e 90 a palavra já passa a estar mais presente demonstrando uma nova abordagem quanto ao assunto. Contudo, seja num tempo ou no outros veremos que esses discursos trazem referenciais de gênero que constroem e reforçam as diferenças entre homens e mulheres e que cobram do público masculino a construção de uma imagem de força e virilidade, entre outros elementos. Ou seja, da mesma forma que para as mulheres a beleza tem funcionado como elemento de reforço dos padrões de gênero para os homens. A discussão para uma visibilidade do assunto mostra-se assim com certa urgência.
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Padrões Estéticos e a Mulher: imposição externa ou interna?
Veridiana Pereira Parahyba Campos (UFPE)

O trabalho se propõe a analisar uma das esferas de dominação que age sobre as mulheres silenciosa e continuamente: a imposição de padrões de beleza, que na maioria das vezes são dispendiosos, artificiais, doloridos ou não- prazeirosos.
O corpo e as mentes das mulheres já podem ser “geridos” por suas donas, graças a vários avanços bastante democratizados. Porque então a beleza das mulheres continua tão fortemente guiada por padrões? Como a mídia estimula e dita que caminhos a mulher “comum” deve seguir se quiser se parecer com aquelas que são tidas como referências ideais do padrão posto? Naomi Wolf, em sua obra O Mito da Beleza, nos apresenta a beleza como forma de dominação. Germaine Greer em O Eunuco Feminino coloca que além do corpo e dos cabelos, até mesmo o esqueleto das mulheres é moldado socialmente. Como funciona esse mecanismo sutil de dominação através da vaidade?
O presente trabalho se propõe então a analisar qual o papel da mulher enquanto receptora ativa dos ideais estéticos bombardeados pela mídia diariamente. Pretendemos averiguar como a necessidade de “enquadramento” nos padrões age, tanto exógena quanto endogenamente. Qual o papel da mulher comum na busca por um pseudo-ideal? O que a impede de assumir sua idiossincrasia e suas desproporções? Como o “ser bela” tornou-se diametralmente oposto ao “ser livre”?
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O gênero feminino nas páginas do jornal Estado de Minas
Patrícia Espírito Santo (Escola de Ciência da informação da Universidade Federal de Minas Gerais)

Estuda-se a imagem que o jornal Estado de Minas transmite do gênero feminino a partir da Análise do Discurso de 30 capas, suas fotografias e textos internos para os quais remetem. Mesmo atualmente, momento em que as mulheres são a metade do público leitor dos grandes jornais, percebe-se poucas matérias citando o gênero feminino. Em contrapartida, para 5% das 172 leitoras entrevistadas pela pesquisa, é negativa a imagem das mulheres que os textos transmitem, para 37% é positiva e para 17% a mulher aparece como atuante. A discrepância entre o pouco espaço que ela tem no jornal e a boa imagem em relação a elas que ele parece construir pode ser justificada pelo fato de a mídia reproduzir relações institucionalizadas, legitimadas e incorporadas socialmente, relações que não têm sido claramente percebidas pelo público. Tanto o imaginário social como os empresários da mídia ainda consideram a mulher como alguém em busca de atender principalmente às suas necessidades de subalternas, seres sem opinião ou de opinião sem muito interesse social. Os jornais subordinam a distribuição da informação e a produção do conhecimento a seus interesses, entre os quais não parece estar incluída, diretamente, a mulher.
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Corpos escritos na internet: representações do corpo em blogs
Marta Cristina Friederichs (UFRGS)

Nas últimas décadas popularizou-se uma nova forma de publicação na internet, os weblogs ou, simplesmente, blogs. No seu conceito mais simples o blog pode então ser concebido como um site personalizado, dinâmico e interativo, atualizado quando a/o blogueira/o, a/o autor/a do blog, quiser e/ou puder. Este estudo tem como tema as representações do corpo em blogs. Adoto como referência os Estudos Feministas e os Estudos Culturais, principalmente as vertentes que se aproximam com a perspectiva pós-estruturalista de Michel Foucault, a fim de examinar cinco blogs escritos por mulheres brasileiras, nascidas na década de 1970, que atualizaram seus blogs, ou seja, apresentaram posts , no primeiro trimestre de 2008, com o objetivo de verificar quais são as representações do corpo que esses blogs expressam, não apenas do corpo da blogueira mas de outros corpos presentes na narrativa dos posts. Não se coloca em dúvida a importância do corpo na cultura contemporânea. Como sede da identidade o corpo se tornou o obejto privilegiado ao olhar do outro no momento de dizermos quem somos. Os blogs se constituem num amplo espaço de manifestações culturais e sociais na internet. Argumento que os blogs, por expressarem valores e significados culturais e sociais da blogueira através das narrativas presentes nos posts, permitem a realização de uma análise cultural, assim como, podem atuar como uma pedagogia cultural.
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Posso falar? Um estudo de gênero e estilos de comunicação no radiojornalismo
Michelle Thomé (UFPR)

A voz faz parte da corporalidade da comunicação. Instrumento de trabalho dos jornalistas, comentaristas e entrevistados dos programas de notícias nas rádios, a voz transmite conteúdos e emoções que perpassam as linhas do texto lido e têm a influência direta do gênero de quem fala. As falas de homens e mulheres têm estilos de comunicação diferenciados, construídos desde a infância e reforçados por construções sociais e estereótipos ao longo da vida.
A voz tem uma "materialidade corporal" que carrega as próprias experiências, emoções e sentimentos pessoais, é um elemento essencial, inclusive, na definição da posição que cada um ocupa em seu universo social, uma vez que é impossível dissociar uma manifestação vocal de todo o repertório que compõem esta posição.
Cada um dos participantes dos programas jornalísticos de rádio, homem ou mulher, usa a sua linguagem corporal e a sua ferramenta lingüística própria para se comunicar, expressando-se de forma pessoal. Estes especialistas convidados para os programas produzem, quando reunidos, um discurso multifacetado, rico em variações lingüísticas, resultante da interação comunicativa. A forma de captação deste discurso também varia de acordo com o gênero do ouvinte.
O presente estudo analisa - a partir da escuta de cinco programas “CBN Debate”, que foram ao ar, ao vivo, em 2007 na Rádio CBN de Curitiba -, a corporalidade destas falas de gênero, os estilos de comunicação e as estratégias de interpretação na percepção das falas e suas diferenças.
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Escola e relações de gênero: (re)produção e resistência nas práticas escolares
Edna de Oliveira Telles (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo)

Este trabalho tem como objetivo refletir acerca dos significados de gênero presentes nas práticas escolares, mostrando – a partir de pesquisa de mestrado feita em uma escola pública municipal da cidade de São Paulo – de que forma aparece a reprodução de estereótipos de gênero, mas também, como ocorrem transformações e resistências, a partir das relações sociais entre professores/as, alunos/as e funcionários/as nas diversas situações cotidianas vivenciadas na escola. O olhar de gênero é fundamentado a partir do diálogo com autores/as que o entendem como uma construção social, cultural e histórica, e portanto, múltiplo, constituído na intersecção com outras categorias de análise como classe, raça/etnia, geração. As construções desses significados de gênero não são neutras, são baseadas em relações de poder existentes na sociedade – e a escola – como parte dessa sociedade, nos apresenta uma multiplicidade de relações que refletem essa construção – e que, por meio da dinamicidade das interações, também nos apresenta novas possibilidades. A contribuição deste trabalho está no fato de que apresenta situações reais onde se pode observar como se dão as relações de gênero nas interações entre as crianças, nas interações entre professores/as e as crianças – e também, ao trazer como ponto principal o olhar da criança frente à todas as situações observadas na escola. A reflexão acerca das questões apresentadas reitera a urgência da necessidade de mais estudos e reflexões sobre o tema no intuito de contribuir para a construção de uma escola mais justa, democrática e inclusiva.
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Teatro-Educação: relações de gênero e sexualidade
Guaraci da Silva Lopes Martins (Faculdade de Artes do Paraná/FAP)

Ao longo da minha práxis pedagógica, deparei-me com situações de exclusão e de discriminação relacionadas às questões de gênero e de sexualidade, em sala de aula e na comunidade escolar. Gradativamente percebi que em muitas propostas pedagógicas mediadas pelo teatro, essas questões de exclusão emergiam. Em geral, elas são restritas às demarcações de comportamento e às atitudes definidas pelo binarismo homem/mulher. Contudo, a formação do(a) professor(a) não contempla tal temática, fato que dificulta a intervenção pedagógica do(a) docente na educação formal e informal. Pois bem: venho desenvolvendo uma pesquisa de doutorado na Universidade Federal da Bahia/UFBA, na qual pretendo elaborar uma análise sobre a temática da sexualidade e do gênero, de ordem reflexiva sobre o estudo e a criação cênica com esse conteúdo, trabalhado pelos(as) alunos(as) em processo de estágio no Curso de Licenciatura em Teatro da Faculdade de Artes do Paraná. Um número circunscrito de professores(as) responsáveis pelo ensino do teatro e atuantes na Secretaria Municipal e Estadual de Educação de Curitiba e da sua Região Metropolitana também fazem parte dessa investigação, estudo que busca evidenciar a importância da inclusão dos estudos de gênero e sexualidade na formação inicial e continuada dos(as) de professores(as) do Ensino Básico. Ao tomarmos consciência dessas questões para então nos situarmos politicamente como educadores(as), ampliamos o número de mediadores capacitados para a discussão mais consciente e responsável sobre a dinâmica da realidade em torno das diferenças sexuais e de gênero compreendidas aqui como construções sócio-culturais e políticas.
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Relação de Gênero nas escolas: um estudo sobre as intervenções nas aulas de Educação Física no Centro de Ensino Fundamental da Vila Planalto - DF
Jaciara Oliveira Leite, Juliana Oliveira Freire (UFSC)

A escola é um dos primeiros lugares em que a criança se depara com as diferenças, inclusive as de gênero. Meninos e meninas disputam/dividem espaços, reproduzem/superam valores, entram em conflitos. Isso é facilmente percebido nas aulas de educação física na educação infantil, sobretudo nos jogos e brincadeiras, onde os corpos expressam suas preferências e valores culturais. Por conta disso, pode haver uma separação de gênero e, neste sentido, o professor tem papel fundamental na mediação dos conflitos procurando estabelecer relações de respeito e não-discriminatórias. Esta pesquisa analisou a relação de gênero nas aulas de educação física de alunos e alunas do segundo e terceiro jardim do Centro de Ensino Fundamental da Vila Planalto – DF. A pesquisa fez parte das atividades do Projeto de Extensão “Cultura Corporal e Educação Ambiental nas Escolas Públicas do DF” (Rede Cedes/FEF/UnB) e do PIBIC/UnB - CNPq, teve abordagem qualitativa através de observação participante dos alunos em sala de aula; aulas de educação física; relatórios de intervenção; conversa com as professoras das turmas. O estudo apontou que as atitudes diversas de acordo com o gênero tinham relação com a cultura da comunidade em que está inserida à escola, condição sócio-econômica dos estudantes, comportamento das professoras e, a influência da mídia. Foi percebido também que, no terceiro jardim, meninos e meninas se separam mais, e divergem mais de interesse quanto às atividades, isto pode demonstrar que a partir desta faixa etária os valores culturais e midiáticos de determinadas práticas consideradas “femininas” ou “masculinas” tenham maior influência.
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Sexualidades e infâncias: A utilização dos PCN’s (Parâmetros Curriculares Nacionais) na prática escolar
Jaqueline A. M. Zarbato Schmitt (UNISUL\USJ)

Esta pesquisa analisa a utilização dos dispositivos das sexualidades propostas nos PCNs e, de que forma as professoras dos anos iniciais da Educação Básica utilizam os conceitos de sexualidade, corpo, gênero nas práticas escolares. Os Parâmetros Curriculares Nacionais dispõem sobre a orientação sexual como tema transversal a ser trabalhado nas instituições de ensino, visando promover a “saúde de crianças e adolescentes”, pretendem ser o referencial teórico na construção dos currículos escolares. Entendendo ser de extrema relevância o entendimento sobre as concepções de gênero e sexualidade na infância, visamos analisar o que contém nos PCN e de que forma as questões sobre sexualidade são inseridas nas atividades educativas. Além disso, dispomos de entrevistas com as professoras, buscando entender como utilizam as questões de relações de gênero e sexualidade, que trabalhos promovem, que reflexões inserem na prática educativa. Identificando, assim, que concepções são construídas na prática escolar sobre as representações de homens e mulheres, de que forma as crianças falam de seu corpo e, principalmente que tipo de encaminhamentos as professoras propõem.
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Atividades com o corpo na educação infantil: limites da ação e formação docente
Maria Eulina P. de Carvalho, Rosemary Alves de Melo, Eliana Ismael (UFPB / UFPB / UFPE)

Perceber-se ou ser percebido como pertencente ao grupo dos meninos ou das meninas é um processo de aprendizagem decorrente das interações estabelecidas entre os pares e entre crianças e adultos, principalmente nos primeiros anos de vida, processo que envolve necessariamente a exploração do corpo, como registra o RCNEI (1998, vol. 2). Assim, nas orientações didáticas, são recomendadas atividades de reconhecimento progressivo do próprio corpo com uso do espelho, como instrumento para construção da identidade. Nas práticas cotidianas das instituições de Educação Infantil, observamos que as atividades de exploração do corpo, realizadas com as crianças, revelam as dificuldades das professoras em lidar com as relações entre corpo, sexualidade e gênero. Consideramos que a aquisição da consciência do corpo, de seus limites e possibilidades, é fundamental para a diferenciação de si e do outro e para a construção das várias facetas da identidade (de sexo, gênero, etnia, e relativas a características da constituição física). Neste sentido, problematizamos os limites da prática e da formação docente para propiciar o autoconhecimento do corpo, na educação infantil, com base em observações de atividades com o corpo em sala de aula, em duas instituições municipais.
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Mídia e leitura: o papel da escola
Maristela Juchum (UNISC)

A cada dia fica mais evidente a interferência da mídia, especialmente da televisão, na formação do sujeito contemporâneo. Sabemos que em nosso país em função de uma sociedade pobre e excludente, poucos vivem situações culturais, de lazer e de entretenimento fora da "telinha". Este trabalho discute o papel da escola na formação de leitores críticos diante desse contexto, pois quem não sabe ler, contraler a mídia, é facilmente devorado por ela. Por isso, deve ser objeto de pesquisa e análise em sala de aula com o objetivo de questioná-la, problematizá-la, ressignificá-la, e não negá-la, pois isso seria inconseqüência.
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O desenvolvimento motor de escolares
Samantha Sabagg; Fernando L Cardoso, Rozana A Silveira, Tiago P Costa (UDESC)

O desenvolvimento motor se refere ao movimento e controle das partes do corpo, com a contínua alteração do indivíduo e as condições do ambiente. É primordial relevância a avaliação do desenvolvimento de escolares para um entendimento fidedigno da realidade escolar. Esta pesquisa tem como objetivo avaliar o desenvolvimento motor de escolares e verificar as diferenças entre os sexos. É uma pesquisa de campo, não probabilística, descritiva-comparativa. Participaram desta pesquisa 207 escolares, 114 meninos e 93 meninas, da 5ª série do ensino fundamental na Rede Pública de Ensino do Município de São José – SC. Os dados foram analisados no SPSS 15.0, de um estudo descritivo e o teste T de Student foi utilizado para verificar diferenças entre os sexos. Como principais resultados, pode-se observar que as médias relacionadas à avaliação motora foram satisfatórias na maioria das variáveis de acordo com a bateria de avaliação motora utilizada (Motricidade fina 10, 34, motricidade global 10,65, equilíbrio 10,29, Esquema corporal 10,78, organização temporal 10,23), exceto para a variável “organização espacial”, a qual apresentou resultado abaixo do esperado (8,46). Os meninos se sobresaíram na “motricidade global” e “motricidade fina”, com diferença significativa (p=0,042 e p< 0,001 respectivamente), nas outras variáveis não houve diferenças significativas. Esses resultados nos levam a crer que o resultado favorável ao sexo feminino, ou masculino depende da escolha da bateria de avaliação e não do real desempenho dos alunos. Isso talvez ocorra, porque possivelmente as diferenças entre os sexos dependem de cada atividade específica e não da área do desenvolvimento motor.
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A construção de gênero e sexualidade no currículo: uma investigação sob o enfoque pós-estruturalista
Vilma Nonato de Brício (UFPA)

As reflexões que desenvolvo neste trabalho são oriundas de uma pesquisa de mestrado orientado pela problematização dos discursos construídos por professores/as no âmbito do currículo sobre gênero e sexualidade. Esta análise será empreendida a partir do referencial teórico-metodológico de inspiração foucaultiana com o intuito de perceber como os discursos sobre gênero e sexualidade são construídos e se difundem capilarmente através do currículo constituindo sujeitos generificados e sexuados, posicionados em lugares determinados, sejam os permitidos ou os proibidos. Com o objetivo de investigar e problematizar os discursos construídos sobre gênero e de sexualidade, será efetivada uma Análise do Discurso de inspiração foucaultiana, onde alguns conceitos, como saber, poder, prática discursiva e não discursiva serão articulados para auxiliar na análise do tema. A análise privilegiará documentos e materiais curriculares que compreendidos como artefatos discursivos constituem sujeitos generificados e sexuados, assim como as fronteiras entre os pares binários construídos a partir de tais discursos. Neste artigo proponho a discussão de algumas categorias que servirão de referências para a análise proposta, tais como gênero, sexualidade e currículo numa perspectiva pós-estruturalista, baseadas em autores como: Butler (2003), Louro (1997, 2004), Foucault (2004, 2005), Corazza (2001), Silva (2003). Tal discussão pretende evidenciar o caráter discursivo da construção de sujeitos generificados e sexualizados, argumentando que artefatos discursivos como os currículos não são neutros, muito menos desinteressados, pois participam de processos de construção dos sujeitos.
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Da discriminação à inclusão: por uma escola sem homofobia
Jonas Alves da Silva Júnior (USP)

A discussão sobre a discriminação de grupos minoritários em escolas, principalmente homossexuais, vem ganhando espaço em pesquisas e projetos de políticas públicas na educação. Muitos estudantes são apelidados ou ridicularizados no meio escolar por terem um comportamento “diferente”. O problema se agrava quando isso acontece com freqüência, interferindo negativamente no aprendizado ou causando a evasão de alunos discriminados.
Em países heterossexistas como o nosso, que suprimem os direitos dos homossexuais, a homofobia é um sentimento comum. As manifestações homofóbicas estão presentes em culturas nas quais a experiência do respeito ao outro na sua diversidade é pouco exercitada. Nossa sociedade é marcada por uma forte desigualdade, a qual conjuga o desrespeito às formas não heterossexuais de sexualidade com a origem de classe, cor e etnia. Isso acontece porque, se não há identificação do sujeito com os demais seres humanos, estes se tornam alvos fáceis do preconceito pela projeção de fatores negativos sobre eles, propiciando que o preconceito torne-se dominante nas intermediações das relações sociais de subjetividade.
Então, para iluminar esta questão, professores de uma escola pública da cidade de São Paulo foram ouvidos, no intuito de que suas vozes pudessem contribuir para o estudo e combate da homofobia na escola. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com os participantes, sobre os diversos modos pelos quais as práticas homofóbicas interferiram em seu cotidiano escolar. Os resultados são de grande relevância para a Educação Sexual, pois permitem detectar as diferentes formas com que o preconceito a cidadãos não heterossexuais instala-se na escola.
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Sexualidade, o corpo e as relações de gênero na adolescência
Julieta Seixas Moizés, Sonia Maria Villela Bueno (EERP / USP)

Abordaremos nessa pesquisa a sexualidade, o corpo e o gênero, tratando como afetam a vida dos adolescentes e a importância da Educação Sexual nessa fase. A Sexualidade constitui-se em aspecto central de identidade, sendo a adolescência um período de transição, marcado pela modificação física, mental e emocional. As mudanças corporais características da adolescência podem afetar os adolescentes em sua auto- estima e socialização, como exemplos os transtornos alimentares e o bulling (violência entre iguais). A cooperação por parte de professores, alunos e pais neste processo é fundamental. Uma estratégia eficaz que pode ser utilizada é o protagonismo juvenil. A importância do professor está em sua capacidade, como educador de refletir, criticamente sobre a realidade e transformá-la. E a escola é o melhor espaço de diálogo, redes solidárias e postura crítica. O trabalho multi, trans e interdisciplinar entre profissionais também, faz-se necessário.Os Parâmetros Curriculares Nacionais PCNS propõem que educadores utilizem como metodologia, a investigação das representações que os alunos têm sobre o corpo e gênero sobre seus conhecimentos prévios, informações e fantasias relacionadas às mudanças do corpo, muito comumente geradoras de curiosidade e ansiedade. Prescinde trabalhar o tema na transversalidade visando auxiliar alunos a construírem uma postura crítica, ante os padrões de beleza idealizados e consumismo. Portanto, depreendemos que os adolescentes e estas temáticas demandam maior atenção, de forma contextualizada, ética, solidária e cidadã.
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A mídia e o controle social acerca da juventude: o pânico moral no estudo do caso Columbine
Maria Cecília de Carvalho Rodrigues (Universidade Católica de Santos)

Esta pesquisa buscou avaliar o pânico moral despertado a partir do caso Columbine, bem como sua repercussão midiática. Em 1999, na escola norte-americana Columbine, dois estudantes mataram a tiros o diretor da escola e doze colegas, feriram vários outros e se mataram. Para o trabalho, foram pesquisadas reportagens do jornal Folha de S. Paulo e dois filmes: o documentário Tiros em Columbine e a ficção Elephant. Os pânicos morais emergem a partir do medo social relacionado a mudanças que determinam e redefinem os limites morais da sociedade, se instalam a partir da reação da opinião pública a determinados rompimentos de padrões normativos e promovem reações desproporcionais. O incidente, um caso emblemático que causou uma forte reação coletiva, é retomado a cada novo evento, canaliza os olhares sociológicos e permite o aprofundamento sobre questões das sociedades contemporâneas, como a relação entre juventude e violência. A proposta aqui foi identificar em que medida os media definiram os elementos que caracterizaram o pânico e posicionaram o evento no contexto de pânico moral. A não-padronização no vestir, culto a figuras ou movimentos controversos e, particularmente, o fantasma do desvio sexual, formam um conjunto disperso, mas capaz de causar temor em uma sociedade aparentemente incerta sobre sua própria capacidade de controle e o pânico de riscos. A partir deste estudo, podemos aventar a hipótese de que a sociedade de risco tem como alvo de preocupação aqueles que são internos a elas, mas possivelmente estranhos em seu próprio mundo.
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Aquém do cânone e dentro da margem - a heteronormatividade e o ensino da literatura (de)marcada como homoafetiva
Maria da Glória de Castro Azevedo (UFT)

A sexualidade e suas outras vivências, que não apenas a heterossexual têm ganhado espaço de discussões e visibilidade sócio-cultural, no entanto, o ensino de literatura ainda permanece, na maior parte de sua prática, fechado para essas novas discussões, limitando-se , por vezes, ao estudo de textos naturalistas do século XIX que falam da homossexualidade como patologia Neste trabalho, pretendo analisar a exclusão, silenciamento ou distorção da afetividade homossexual nas práticas escolares no que se refere ao estudo de textos literários ou autores que não obedecem ao padrão heteronormativo .
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O que os alunos pensam sobre questões de gênero e sexualidade nas aulas de História: um estudo de caso em Londrina-PR
Maria de Fátima da Cunha (UEL)

Esta comunicação tem como objetivo analisar um questionário aplicado a duas turmas do ensino médio e duas do ensino fundamental no ano de 2004, em duas escolas da rede pública diferentes, e que tinha como intenção investigar se os alunos já haviam estudado questões de gênero e sexualidade em sua vida escolar e a quais temas eles identificavam estas abordagens. Igualmente, investigamos se estes alunos achavam importante aprender essas temáticas.
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Capitalização dos desejos: a sexualidade normatizada pela mídia impressa
Pedro Calabrez Furtado (ESPM-SP)

Este trabalho tem por objetivo a identificação de um dispositivo de sexualidade, agenciado por um bio-poder – um controle da vida dos corpos e das populações, segundo a obra de Michel Foucault – nos discursos da revista Men’s Health. Esse dispositivo incita o indivíduo a falar sobre seu corpo e prazeres e é fundado em um saber, produtor de verdades sobre a sexualidade e, conseqüentemente, de normas que regem o uso sexual do corpo, a fim de normatizar o indivíduo tornando-o sujeito desse dispositivo de sexualidade segundo tais normas de bio-poder. Para tal, analisamos os discursos presentes na revista no período de seis meses (Janeiro a Junho de 2007). Identificamos um discurso que promove a normatização dos corpos masculinos de maneira condizente com uma dinâmica produtiva da sociedade de consumo contemporânea segundo a obra do sociólogo Zygmunt Bauman, em que o intenso trabalho para acelerar e aumentar a capacidade de obter mais e mais, de adquirir bens, experiências e oportunidades quaisquer – a profusa proposta de satisfação do desejo, portanto –, é um trabalho fundamental à manutenção da economia de consumo em que se vive.
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O essencial está na relação: repensando os efeitos midiáticos
Welkson Pires da Silva (UFPB)

Este artigo tem como objetivo principal repensar o nexo mídia-indivíduo sob a ótica da sociologia relacional – constituída no pensamento de Norbert Elias –, tendo em vista que as pesquisas realizadas até o momento no campo dos efeitos midiáticos vêm seguindo uma tendência analítica que aborda essas duas instâncias enquanto opostas. Nossa proposta é trazer à discussão uma visão processual da comunicação, chamando atenção tanto para a circularidade da informação (o que nos afasta da visão unidirecional emissor-receptor) quanto para seu caráter sócio-histórico. Acreditamos ser imprescindível perceber não apenas as interações, como também os contextos específicos que marcam o complexo comunicativo. A mídia, na nossa percepção, deve ser encarada não como simples manipuladora do real, mas como acesso privilegiado às realidades sociais de sua era, sendo a interpretação dos seus textos um caminho à compreensão do que de fato está acontecendo em determinada sociedade em dado momento. No presente estudo, focaremos a análise sobre as representações homoeróticas desenvolvidas na telenovela brasileira, percebendo até que ponto elas refletem uma discussão social mais ampla, e seu efeito sobre o telespectador. Sobre esse último, é importante frisar que em muitos momentos ele se mostrou avesso a tal temática, o que nos fez questionar o impacto do discurso midiático à luz de contextos específicos.
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Narrativas do erotismo lésbico na esfera virtual
Valéria Abdalla Farias; Vera Teresa Spcht da Costa; Valdir Jose Morigi (UFRGS)

O ciberespaço como esfera pública mobiliza diversos interesses e estéticas de consumo formalizando um painel de múltiplas corporalidades onde circulam, lado a lado, representações do consumo massivo e suas transgressões. A partir de um estudo das narrativas imagéticas produzidas por lésbicas e para lésbicas, constata-se o crescimento de sites, blogs, fotologs e vídeos examina-se os padrões comunicacionais utilizados pelas narradoras bem como os comentários postados para identificar a (in)existência de modelos corporais massivos e/ou transgressores . Conclui-se que os corpos apresentados são múltiplos ora obedecendo e ora transgredindo a estética convencional corporal do consumo massivo. A erotização atua como forma distintiva social para inscrever o erotismo lésbico no imaginário social.
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O olhar de alunos e alunas de uma escola municipal de Aracaju sobre a virgindade masculina e feminina
Mônica Ismerim Barreto; Maria Inêz Oliveira Araújo; Claudete Martins Santos (Secretaria Municipal de Educação de Aracaju / Universidade Federal de Sergipe / Secretaria Municipal de Educação de Aracaju)

O tabu da virgindade embora não tenha aceitação universal, apresenta raízes profundas no imaginário da sociedade ocidental, em especial entre os cristãos, para quem o mesmo se constitui numa virtude. Nesse sentido este estudo teve como objetivo principal realizar um levantamento das concepções prévias de alunas e alunos sobre a virgindade feminina e masculina. Também se procurou estimular a reflexão das alunas e alunos como forma de desmistificar crenças auxiliando assim os mesmos (as) a construir um ponto de auto-referência sobre o tema e discutir as relações de gênero. Para tanto foi solicitado que os alunos e alunas respondessem um questionário composto de 6 perguntas abertas e fechadas, das quais quatro tratavam do tema virgindade (feminina e masculina). O questionário foi aplicado a 20 estudantes (dez meninos e dez meninas) de uma turma de 6ª série do ensino fundamental, na faixa etária dos 13-17 anos, da EMEF Deputado Jaime Araújo, em Aracaju/SE. Os resultados destas questões indicam que a virgindade feminina ainda é valorizada, sendo indicada pelos alunos e alunas como importante para a menina “ser valorizada”. Já a virgindade masculina é percebida como importante para quase metade da turma, também como forma de valorização do menino. Aproximadamente metade dos alunos e alunas acredita que uma aluna que possivelmente não seja mais virgem seria discriminada na escola. Podemos perceber que a idéia de que a virgindade é um valor a ser cultivado ainda encontra espaço no imaginário de alunos e alunas, o que mostra a força desse tabu para os mesmos.
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