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55 - Música popular brasileira & relações de gênero

Coordenação:
Adalberto Paranhos, doutor em História Social pela PUC-SP, professor do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Uberlândia (UFU)

Márcia Ramos de Oliveira, doutora em História pela UFRGS, professora do Departamento de História da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

Desde os seus primórdios, a música popular brasileira é atravessada, de ponta a ponta, pela temática das relações de gênero. Sob mil e uma formas, ela é, sem dúvida, majoritária na história da canção popular que se produziu no Brasil tanto por homens (que constituem a maioria dos compositores), como por mulheres. Apreendê-la e analisar os múltiplos enfoques que a impulsionaram consiste no propósito deste simpósio temático. Ao mesmo tempo, ele possibilitará fazer emergir -- para além dos marcos tradicionais nos quais se insere habitualmente a política -- a micropolítica das relações de gênero filtrada pela produção musical brasileira. Em tempos em que a política, passa, mais e mais, a ser percebida inclusive nas suas expressões capilares, abre-se dessa maneira um amplo leque de questões que podem contribuir para o aquecimento das discussões a serem travadas no Seminário Internacional Fazendo Gênero .

Mulheres do lesco-lesco e do balacobaco: relações de gênero e música popular no tempo do Estado Novo
Adalberto Paranhos (UFU)

Este trabalho se propõe indagar em que medida a ordem familiar patriarcal idealizada pelo “Estado Novo” se materializou sob esse regime disciplinar ditatorial. Quando se estuda a “ditadura Vargas”, freqüentemente os analistas inflacionam as aparências e, a partir daí, supervalorizam o poder disciplinar estatal na sua ânsia de erigir uma sociedade à sua imagem e semelhança. O poder tentacular do regime estado-novista tende a ser visto, então, como algo que se disseminou por todo o corpo social, penetrando todos os seus poros. Ao romper com tais quadros de referência, esta comunicação – que se apóia em parte da produção musical do período – busca destacar determinadas práticas discursivas que configuram discursos cruzados no universo das relações de gênero e que apontam para a existência de vozes destoantes das falas oficiais. Isso equivale, no fundo, a constatar que o círculo de ferro que o “Estado Novo” tentou impor, com o objetivo de modelar de forma diferenciada os comportamentos masculinos e femininos, comumente não foi bem-sucedido. Tanto que, a despeito das políticas intervencionistas que procuravam reforçar a dependência feminina, outros mundos se agitavam sob a aparente calmaria, fazendo emergir, uma vez mais e contraditoriamente, malandros, trabalhadores, mulheres do lesco-lesco e do balacobaco, conforme se observa nas representações sociais presentes em muitos sambas gravados naquela época.
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Desejo nômade e a felicidade dos relacionamentos amorosos na arte de Raul Seixas dos anos 1970
Emília Saraiva Nery (UFPI)

Apesar de não ter sido estigmatizado como um compositor romântico pela crítica e pelo público, os temas do amor e do desejo foram trabalhados por Raul Seixas em canções emblemáticas nos anos 1970. Uma marca romântica é possível observar, em detrimento dos seus estereótipos de músico roqueiro, Maluco Beleza, filósofo e esotérico. Neste trabalho, os principais aspectos da vida privada dos sujeitos abordados são: o questionamento à estabilidade amorosa remetido, especialmente, à música A maçã e o rompimento dos laços matrimoniais, presente na música Medo da Chuva. No entanto, é interessante perceber multiplicidades nas abordagens sobre prescrições comportamentais alternativas para as relações amorosas na obra de Raul Seixas dos anos 1970. Assim sendo, as dificuldades das relações abertas foram apontadas tais como: Ciúme e o Amor Carnal (em A maçã); Rivalidade masculina e os Questionamentos da Masculinidade (Tu és o MDC da minha Vida); Questionamento da Instituição Família (Diamante dos Mendigos); Alteração dos pólos do desejo, especialmente o lesbianismo (Rock das Aranha) e a Separação Amorosa (Tu és o MDC da minha vida). Apesar dessas dificuldades das relações amorosas abertas, alguns de seus aspectos foram prescritos como soluções para a monotonia matrimonial. Dentre eles, destacaram-se: Convivência entre o Amor Carnal e Amor Sublime (Eterno e puro); Práticas de swinging (trocas de casais nas relações sexuais) e Redimensionamento do conceito de traição.
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"Todo dia ela faz tudo sempre igual": Reflexões sobre "Cotidiano" e gênero
Maria Eduarda Ramos (UFSC)

A música “Cotidiano” de Chico Buarque retrata a rotina de um casal. Inspirada em um sonho que Chico teve, incita-nos a pensar sobre as questões das mulheres no espaço privado, os afazeres domésticos, as relações de cuidado com o marido. A música foi escrita no ano de 1971, época em que muitas mulheres não tinham como objetivo a qualificação para o trabalho no espaço público. Nesta comunicação, além de fazer uma discussão relacionando o poema musicado pelo autor com os afazeres das mulheres no espaço doméstico, pretendo apresentar duas experiências com a música. Numa delas um grupo de mulheres vítimas de violência doméstica participou de uma reflexão sobre a letra da música “Cotidiano”, falando sobre suas rotinas em casa e com o marido. A outra ocorreu em um acesso que fiz ao site de relacionamentos Orkut, na comunidade denominada “Analisando Chico Buarque”, onde a música foi alvo de comentários dos participantes desta comunidade virtual. As pessoas escreveram a respeito do que pensavam e o que sabiam sobre a música, aparecendo muitos comentários referidos às relações de gênero. O objetivo desta reflexão é problematizar a questão das mulheres no espaço doméstico, nos anos 70 retratados pelo poema, e atualmente.
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Elis Regina, uma hélice cortante
Aline Maria Kukolj (UFPR)

Segundo Marta Góes (Jornal O Estado de São Paulo 27/01/1990) “o que torna fascinantes os ídolos é justamente o fato de, além de talentos excepcionais, eles serem figuras humanas, em tudo o que isso implica de grande e de mesquinho. O público quer conhecê-los e manifestar sua paixão, e é assim, afinal, que eles se tornam ídolos.” Assim o Furacão Elis foi conhecido, como a mulher devastadora, pimentinha, baixinha e estrábica que não dizia meias-verdades. Assim crescia o mito em torno de uma das maiores intérpretes da Música Popular Brasileira. Dessa forma, a proposta deste trabalho, pois, é analisar algumas interpretações e canções de seu repertório, como Essa mulher, de Joyce e Ana Terra, que desnudam seu posicionamento subversivo acerca da figura feminina (ora agressiva, ora emotiva) dessa intérprete, marcando sua trajetória na história da MPB.
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Nome, renome e silêncio: três compositoras brasileiras
Dalila Vasconcellos de Carvalho (USP)

Esta pesquisa visa esboçar o perfil e a trajetória de três compositoras eruditas brasileiras, formadas em instituições musicais prestigiadas no Brasil e na Europa, e atuantes no Rio de Janeiro, entre a segunda metade do século XIX e meados do XX. São elas: Luiza Leonardo (1859-1926), Joanídia Sodré (1903-1975) e Helza Cameu (1903-1995). O objetivo principal é investigar as razões do silêncio sobre elas e suas obras, utilizando como contraponto a trajetória de dois outros compositores populares: Chiquinha Gonzaga (1847-1935), a única entre as compositoras a obter “nome próprio” e o compositor Ernesto Nazareth (1863-1934), que permite pensar um percurso masculino no interior do mesmo universo. O objetivo da pesquisa é mostrar a partir da apreensão dos “ritos institucionais” - produtores de marcas de exclusão das mulheres do reconhecimento e da aquisição do “nome próprio” como compositoras - que as categorias de classificação na música são impensáveis sem as distinções de gênero, instituídas na (e pela) vida social. Tomamos como inspirações teórico-metodológicas a proposta de Clifford Geertz, segundo a qual não é possível falar em arte apenas em termos técnicos, mas somente enquanto “formas de sensibilidades” engendradas na vida social, e as noções de “trajetória” e “ritos de instituição” de Pierre Bourdieu. Analisaremos, de um lado, a carreira dessas compositoras, a partir da noção de trajetória, e de outro, o cenário musical, marcado por determinados “ritos institucionais”, que por meio da exclusão e violência simbólica, transformam limites e diferenças arbitrárias em “distinção legítima”.
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Música popular brasileira: ações sociais e tensões entre gêneros
Tereza Virginia de Almeida (UFSC)

Quando se compreende a música popular brasileira como campo de ações sociais onde sujeitos atuantes exercem papéis diversificados entre produção, recepção e circulação de canções, é possível perceber que, para além das representações ficcionais elaboradas pela própria canção enquanto artefato, encontram-se relações de gênero marcadas e demarcadas pela tradição patriarcal. Minha comunicação pretende mapear e propor reflexões acerca da distribuição dos papéis sociais no campo da música popular brasileira entre homens e mulheres nas diversas atividades necessárias para sua existência: composição, arranjo, canto, performance instrumental, produção, consumo, etc. De que forma esta distribuição apresenta tensões aparentemente invisíveis: a música de Chiquinha Gonzaga que veicula textos compostos por homens, a performance de cantoras sendo determinadas por arranjadores, a imagem de cantoras sendo determinada por sujeitos masculinos, o papel feminino na recepção da canção, a raridade de compositoras ao longo da história, a prevalência de compositoras homossexuais (o que isto poderia sinalizar senão a identidade entre composição e transgressão a padrões comportamentais ?) Não se trata, entretanto, de defender a simples idéia da opressão e prevalência do masculino sobre o feminino, mas de investigar até que ponto a canção, enquanto modelo reduzido, ao reelaborar imaginariamente as hierarquias nos níveis de produção e recepção, expõe a complexidade das relações de poder e as tensões entre sexo e gênero, ruptura e tradição, desejo e opressão, identidade e violência.
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Piriguetes e putões: representações de gênero nas letras de pagode baiano
Clebemilton Gomes do Nascimento (UFBA)

Neste estudo o autor analisa as letras de pagode baiano à luz das teorias feministas e da Análise do Discurso Crítica (ADC). O pagode baiano enquanto estilo musical cumpre sua função social de ser produzido para dançar, proporcionando assim prazer e diversão. Do ponto de vista da indústria fonográfica visa a sua massificação como produto de consumo cercado de estratégias eficientes de divulgação e circulação. Suas letras, de fácil compreensão, ganham formas, gestos, ganham o corpo, sentidos que são coletivamente construídos. Desse modo, tornou-se de grande importância focalizar tais letras que estão atravessadas de estereótipos, preconceitos, intersecções de gênero, classe, raça e se tornam um meio de permear e reiterar determinados processos discursivos que ajudam na manutenção de um ideário conservador. A partir da análise dessas letras, enquanto produto cultural, busca-se desvendar o imaginário masculino presente nas representações de gênero tipificadas na figura da “periguete” e do “putão” . Embora o pagode baiano tenha se transformado em um grande fenômeno de mercado midiático, este trabalho se centraliza no pagode produzido em "territórios" formados por jovens das camadas populares da cidade de Salvador-Bahia. Através dessa leitura, busca-se compreender a explicita violência simbólica pela linguagem contra a mulher, como tal fenômeno acontece em plena contemporaneidade e se insere na cultura popular, assim como a potencialidade de internalização desses constructos significativos na formação do público jovem e adepto.
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"Tapinha nada, no meu homi eu dou porrada” – O discurso feminino construindo relações de gênero no funk carioca
Felipe Santos Magalhães (UFBA)

O universo musical brasileiro, no tocante aos compositores ligados à sigla MPB, ficou marcado por uma produção eminentemente masculina. Várias vezes “as mulheres” se expressaram musicalmente por meio de vozes e pensamentos masculinos, como no caso de Chico Buarque de Holanda, por exemplo. Foram poucas as mulheres que conseguiram romper com este domínio masculino e impor seu próprio discurso. É possível dizer que a partir dos anos de 1970 a participação feminina na composição vem aumentando progressivamente. O tema que trago para este seminário tem como objetivo fundamental colocar em debate a ação das compositoras envolvidas com o funk e o funk proibidão na cidade do Rio de Janeiro. Quando penso em ação, penso na amplitude das relações criadas e construídas por estas mulheres no âmbito deste gênero musical, não restringindo minha análise apenas à criação musical, mas investindo também nas formas melódicas e na dança, por exemplo. Sobre essas compositoras pesam alguns adjetivos ligados à obscenidade e à prostituição, relacionando inclusive suas práticas musicais à sua condição social. Além de falarem abertamente sobre sexo, ainda precisam vencer o preconceito racial, social, sexual e estético para expor seu discurso e despertar a atenção. Neste sentido, as trajetórias de duas mulheres serão tratadas mais de perto: Tati Quebra-barraco e Deise Tigrona.
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A musa despedaçada
Ana Carolina Arruda de Toledo Murgel (UNICAMP)

No livro “Um teto todo seu”, de 1928, Virgínia Woolf escreveu sobre um crítico que se sentia incomodado com o surgimento de uma consciência feminista na literatura. Para a autora, esse crítico protestava contra a igualdade do outro sexo através da afirmação da própria superioridade. Na música brasileira, as hierarquias e desigualdades nas relações de gênero também estiveram presentes, mas, a partir do final dos anos 1960, surge uma produção feminista mais específica no trabalho das compositoras. Com a contracultura, os micropoderes são questionados e, de forma semelhante à observada por Virgínia, esses trabalhos também provocaram reações inesperadas. Procuro discutir, neste artigo, como são construídos e desconstruídos os estereótipos sobre as mulheres na MPB a partir dos anos 1960, buscando também compreender, através da análise de canções produzidas desse período até a atualidade, se de fato, como dizem, o feminismo já cumpriu seus desafios. A pesquisa se referencia pelos conceitos da filosofia da diferença em Foucault e Deleuze, e nas discussões sobre gênero nos estudos de Margareth Rago, Heloisa Buarque de Hollanda, Rosi Braidotti e Luce Irigaray.
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Impressões sobre a construção do amor nas canções do universo “romântico/brega”
Márcia Ramos de Oliveira (UDESC)

O universo da canção “brega” constitui-se ainda em um “território” pouco explorado pelos historiadores, apesar da importância que tal fenômeno representa enquanto produto cultural e mídia de massa. A indefinição acerca do conceito, ou melhor, a pluralidade que envolve a descrição do que venha a ser considerado “brega” atinge obrigatoriamente tal qualificação quando associada a expressão da canção popular, ao longo da historicidade desta(s) forma(s) musical(is). Entre as diversas faces assumidas pelo “brega”, considerando-se sua emergência no cenário nacional, a partir especialmente das décadas de 1950 a 60, encontra-se a canção “excessivamente romântica”. Justamente o “excesso” é a medida que permite considerá-la, entre outros parâmetros, uma “música brega”. O trabalho a ser apresentado procura analisar justamente a emergência destes parâmetros, quanto a considerar-se tal forma de expressão sob tal conceito, utilizando-se de exemplos musicais e dados históricos na construção desta interpretação e seus significados. O foco desta pesquisa originou-se inicialmente de investigações preliminares, desenvolvidas enquanto parte de projeto específico, voltado a historicizar a expressão da música brega no país, a partir de suas diversas vertentes. Tal projeto vincula-se diretamente a realização de programas de rádio desenvolvidos na Rádio Online do NEH/ Laboratório de Imagem e Som – LIS (FAED/UDESC), enfatizando a renovação do conhecimento na área de história abordado através de outras formas narrativas, neste caso, através da oralidade mediatizada. Parte de seus resultados será, então, apresentada nesta comunicação.
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A mulher negra nas canções populares da década de 50: um estudo a partir da obra Quarto de Despejo
Thais Surian (UNESP), Vivian Carla Calixto dos Santos (UNESP)

Esta comunicação é um "recorte" de uma pesquisa de Mestrado em desenvolvimento na UNESP/ Rio Claro – SP, que tem como objeto de estudo as práticas de escrita de mulheres com escolarização incompleta. E para pensar essas práticas, a pesquisa tem como eixo norteador a obra "Quarto de Despejo", diário escrito na década de 50, por Carolina Maria de Jesus, mulher negra, moradora de uma favela em São Paulo, que catava lixo para o sustento de seus filhos e seu. A autora, que freqüentou a escola somente por dois anos, escreveu durante cinco anos em folhas soltas encontradas no lixo cenas da sua vida cotidiana e precária, nesses escritos deixava transparecer a sua visão sobre algumas mulheres com as quais convivia na favela e na cidade. Apesar das condições adversas em que vivia, Carolina era a única na favela a possuir um rádio, aparelho então bastante caro, que transmitia uma programação diversificada, incluindo noticiários, músicas e rádionovelas. Focalizaram-se neste estudo poesias de canções tocadas nesse tempo em que Carolina ouvia rádio em seu barraco. Procurou-se enfatizar a interdependência entre as diferentes manifestações culturais, em que sujeitos da enunciação fazem convergir suas vozes com o discurso criado a partir do social e do histórico. Para tanto, nos aproximamos de Bakthin, estudioso da linguagem que trata da pluralidade de vozes contidas no discurso. Buscamos, ainda, indícios de uma relação entre os escritos de Carolina e a imagem da mulher negra, tematizada em tantas canções populares daquela época.
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Garotas e garotos na escuta: mídia, consumo musical e identidades de gênero
Elisabete Maria Garbin (UFRGS), Marta Campos de Quadros (UFRGS)

As práticas de escuta relacionadas ao consumo musical se fazem presentes na agenda cotidiana dos jovens urbanos contemporâneos. Mesmo vivendo em tempos marcados pela imagem, se percebe a presença de inúmeros jovens ‘acompanhados’ descontraidamente por seus fones de ouvido que plugados a artefatos sonoros portáteis, circulando em variados espaços urbanos. Assim sendo, aguçar a escuta sobre as formas como os jovens se relacionam com a música, dentro das lógicas que governam o consumo como prática cultural e como diferentes práticas de escuta têm se articulado com as culturas e identidades juvenis urbanas, abordando as questões de gênero, é um dos objetivos deste recorte de pesquisas para esta comunicação. Tomamos como referencial teórico-metodológico os Estudos Culturais em Educação e a etnografia pós-moderna a partir dos diários de campo, registros fotográficos e conversas ocorridas nos locais onde temos desenvolvido mais intensamente as observações, articulando-as com as observações e análise de produtos midiáticos. Preliminarmente, constatamos que as práticas de escuta não se dão da mesma forma entre garotas e garotos, pois os compartilhamentos presenciais e virtuais conformam comunidades de ouvintes transitórias, voláteis, marcadas por relações de gênero. Tais práticas de escuta musical, parecem estar ligadas às identidades juvenis femininas e masculinas, além de se articular com estilos de vestir e com as formas de usufruir/ocupar os lugares públicos e domésticos, bem como com a freqüência a determinados lugares de lazer e entretenimento consagrados por diferentes grupos de jovens.
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