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59 - Corpo, Gênero e saúde: reconfigurações nas representações sociais de corpo e gênero no contexto pós-moderno

Coordenação:
Fátima Cecchetto, cientista social/Doutora em Saúde Coletiva – IMS/UERJ e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz

Prof Dr. Jairo Vieira, cientista social/Professor da Faculdade de Educação da UFRJ

Esta proposta privilegia as temáticas do corpo, do gênero e da saúde e se justifica pelo relativo aumento de abordagens sobre gênero e do crescente interesse que o tema vem adquirindo no campo acadêmico, o que torna importante reunir pesquisadores para discutir as várias hipóteses ou teorias sobre as transformações nos corpos em vários segmentos sociais. Partiu-se da dialética entre corpo e gênero para examinar como as diferentes representações se constroem em cada contexto nos quais os corpos estão inseridos.
O objetivo é analisar como se constituem alguns dos princípios reguladores da corporalidade entre freqüentadores de academias- praticantes de exercícios físicos e atletas- que perseguem a forma física ideal, visando melhores resultados, ascensão social e poder através do corpo forte, definido e musculoso.
Não à toa, o consumo de esteróides anabolizantes androgênicos (EAA) como estratégia para apressar a "explosão" de músculos e afirmar comportamentos viris vem se intensificando ao longo dos anos de 1990, entre homens e mulheres de vários grupos sociais e de diversas faixas etárias nas metrópoles brasileiras, chamando atenção de profissionais de saúde por causa dos riscos associados ao abuso de tais substâncias, como por exemplo o desenvolvimento de comportamentos violentos.
Algumas visões, no entanto, não levam em conta certos aspectos simbólicos deste consumo, nem tampouco as relações sociais de poder e de gênero, envolvidas no plano das práticas e saberes cotidianos destes indivíduos. Em vista disso, o enfoque aqui pretendido, partindo de uma abordagem antropológica, visa reunir dados que possibilitem analisar os diversos usos e discursos existentes sobre os corpos, trazendo resultados sobre a produção de significados em torno da padronização do corpo no contexto urbano contemporâneo. Neste sentido, a proposta é oferecer mais dados sobre as experiências e percepções sobre a construção social do gênero nas sociedades pós-modernas.

Identidades masculinas e o processo de saúde-doença
Alessandra Dartora da Silva (UFRGS)

Este trabalho é o resultado de uma pesquisa qualitativa em saúde desenvolvida com homens acima de 60 anos em situação de adoecimento que vieram para Porto Alegre fazer tratamento. Ele discute as construções e reconstruções das identidades masculinas e suas relações com o processo de saúde-doença. As identidades masculinas são construídas nas relações com identidades femininas, mas também na relação com as identidades masculinas e vice-versa. As construções sociais em relação aos sentimentos, comportamentos, crenças e características individuais são distintas, orientadas pelo gênero, entre outros marcadores sociais, como idade, classe, religião.
Os significados e valores, construídos culturalmente vão incidir direta e indiretamente nas questões referentes aos processos de saúde e doença em diferentes dimensões, dentre elas, as representações, expressões e manifestações de sintomas e sensações corporais; a associação com certas práticas sociais; o acesso aos serviços de saúde pública e a distribuição epidêmica das doenças.
Os meninos e as meninas são socializados de modos diferentes. Portanto, os modos como os indivíduos percebem o corpo e suas alterações corporais em relação à saúde e a doença encontram-se vinculados aos modos como eles aprenderam culturalmente e diferenciados de acordo com cada gênero.
O enfoque dado a este trabalho constitui-se em um dos possíveis modos de olhar para as construções das identidades masculinas e o processo de saúde e doença, a partir do campo dos Estudos Culturais e de Gênero que se aproximam da perspectiva pós-estruturalista.
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As exigências da boa forma e a anorexia nervosa
Ana Paula Saccol, Márcia Grisotti e Erasmo Benício Santos de Moraes Trindade (UFSC)

Este trabalho faz parte da dissertação intitulada “a representação da anorexia nervosa entre profissionais de saúde da rede municipal de saúde de Florianópolis: um estudo de caso”. Percebe-se que a quantidade de jovens e adolescentes que faz regimes exagerados para não engordar tem crescido gradativamente. Contudo, para seguir os padrões de beleza que personifiquem o corpo magro, a maioria delas acaba sofrendo de anorexia e bulimia entre outros distúrbios alimentares. Hoje em dia, a exigência da boa forma é uma das principais responsáveis pelo aumento de pessoas que sofrem de transtornos alimentares. O corpo se transforma no único guia e na principal finalidade do processo embelezador. Assim, a indústria da beleza expandiu-se de maneira brutal nos últimos anos. Nossa época olha atravessado para o gordo e uma de suas características principais é a lipofobia, sua obsessão pela magreza, sua rejeição quase maníaca à obesidade. Vários estudos apontam que a maior parte da população sonha em ser magra, mas vive gorda e sofrem com essa contradição. Em nossa sociedade o culto ao corpo parece ser um mecanismo importante para o individuo definir sua existência social. Por mais que as discussões referentes à anorexia nervosa dêem maior ênfase ao biológico, ao genético, aos aspectos psicológicos e familiares precisamos também propiciar discussões referentes ao papel da moda, dos meios de comunicação e suas influências na determinação da imagem corporal, bem como da cultura imersa nesse debate. O corpo humano é socialmente concebido; existindo também os aspectos e as codificações particulares de grupos sociais.
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O corpo masculino na revista Men´s Health
Cláudia Regina Ribeiro (UERJ, IMS)

Esse trabalho discute as articulações percebidas na revista Men´s Health entre saúde, exercícios físicos, corpo magro e musculoso, potência sexual e “não envelhecimento”, produzindo a idéia de uma identidade masculina localizada unicamente no corpo. No que diz respeito à sexualidade, os discursos supervalorizam a atividade sexual sem fazer referência à afetividade, parecendo ir ao encontro do desejo de manutenção da potência sexual, apesar do envelhecimento, que vem sendo produzido desde o surgimento do Viagra. Em relação à estética, incentiva e orienta para a construção de corpos magros, mas musculosos, parecendo ampliar a idéia do “novo homem” surgida no fim da década de 1990. Nos dois casos o objetivo é a manutenção da juventude, ou a negação do envelhecimento, e da atividade sexual. Através de discursos que colocam o corpo e seu melhor aproveitamento em evidência, a revista cumpre o papel pedagógico de apontar para os homens modos de “não envelhecer”, de manter a vida sexual e a forma que seus corpos deverão tomar para serem bem aceitos na sociedade e pelas mulheres. E, para as mulheres, o tipo de corpo masculino, e mesmo de homem, e de sexualidade a ser admirada e desejada. Como conclusão preliminar, aponto que para além do discurso de promoção da saúde, a supervalorização da atividade sexual e do corpo musculoso colabora para o avivamento da idéia de dominação masculina e da assimetria de gênero, promovendo a manutenção de padrões tradicionais baseados nas normas de masculinidade hegemônica presentes em nossa sociedade.
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A violência percebida por enfermeiras da rede básica de saúde de um município paulista
Daniele Daltoso; Ana Maria de Almeida; Elisabeth Meloni Vieira; Ana Marcia Spanó Nakano; Ana Cyntia Paulin Baraldi (EERP-USP)

O objetivo deste estudo foi reconhecer a percepção das enfermeiras acerca da violência contra a mulher perpetrada por parceiro íntimo, entre usuárias dos serviços de saúde de um município paulista. Utilizou-se abordagem qualitativa com entrevistas semi-estruturadas a 11 enfermeiras das cinco Unidades Básicas e Distritais de Saúde do município. Utilizando a análise de conteúdo, os resultados foram sistematizados em cinco categorias: as relações de gênero e a inserção da mulher na sociedade, o fluxo de atendimento nas unidades de saúde, percepção da situação de violência e a necessidade de capacitação para manejo da violência. Os resultados indicam que os enfermeiros reconhecem que a mulher tem assumido diferentes papéis na sociedade com sobrecarga de trabalho e interferência na sua vida familiar. No fluxo de atendimento nas unidades de saúde, a violência velada é freqüente, entretanto os profissionais dão pouca importância à escuta e acolhimento devido à sobrecarga de trabalho. Como conseqüência a violência física é a mais reconhecida no serviço porque ações qualificadas são necessárias em decorrência dos traumas e gravidade das ocorrências. Para alguns enfermeiros há necessidade equipes multiprofissionais e articulação de diferentes setores para o manuseio dos casos, o que poderia ocorrer em conseqüência da capacitação.  Os dados sugerem que o enfrentamento da violência contra a mulher nos serviços de saúde deve ser organizado com a capacitação dos profissionais e com a formação de redes para assegurar a qualidade dos serviços.
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Naturismo, representações de corpo e gênero: um estudo da Praia do Abricó no Rio de Janeiro
Eduardo Carrascosa de Oliveira (UNICAMP)

O trabalho a ser apresentado pretende estudar como o corpo é socialmente representado entre os praticantes do naturismo. Utilizando os membros da Associação Naturista do Abricó (A.N.A.), praia do Rio de Janeiro onde a prática é legalizada, bem como os freqüentadores não associados de fim de semana da mesma localidade, serão apresentados os resultados preliminares de entrevistas exploratórias dos contatos iniciais com os informantes. Nos fins de semana, os naturistas, amparados pela Polícia Militar, coíbem a presença de pessoas vestidas, em nome da pureza da nudez. Por outro lado, tentam evitar a manifestação de intenções sexuais explícitas nos contatos entre os freqüentadores, em constante luta contra aqueles que, no meio de semana, utilizam a Praia do Abricó como ponto de encontros sexuais. Busca-se averiguar como as idéias de corpos de homens e mulheres são influenciadas pelas expectativas sociais relativas aos sujeitos de diferentes perspectivas que de alguma forma buscam uma vida mais saudável através da nudez comunal. Acredita-se ser possível, a partir disto, a abordagem de temas relativos a masculinidades, feminilidades nas representações sociais de gênero.
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Corpo: o retrato da cultura a preocupação com a estética na sociedade contemporânea.
Érica Fernandes dos Santos (FIOCRUZ)

A partir do pressuposto de que embora o corpo humano seja constituído por elementos biológicos, ele é, sobretudo, uma construção sócio-cultural, de tal modo que, em qualquer sociedade, ele sempre estará submetido a um conjunto de normas e práticas de interdição, controle etc. O presente estudo busca investigar a construção de novas identidades de grupos em determinados circuitos urbanos, que fazem de sua forma corporal um aspecto central das interações sociais. De acordo com a filósofa norte-americana Susan Bordo (1993), a fantasia de construir um corpo perfeito, esteticamente belo é alimentada pelo capitalismo consumístico uma indústria e uma ideologia alimentada pela fantasia do remodelamento, transformação e correção; da mudança sem limites que representa um desafio à historicidade, à moralidade e à própria materialidade do corpo (BORDO, 1993). Isso nos leva século XX, quando Impérios industriais, com atividades diversificadas, invadiram o mercado, produzindo aparelhos de ginástica, suplementos nutricionais, vitaminas ou ainda publicando revistas especializadas sobre boa forma, saúde, regimes alimentares e cuidados corporais (COURTINE, 1995) e quando também a disseminação da musculação no final dos anos 80 em busca da tal “potencia anatômica” passou a ser objeto de desejo e tão logo de consumo” Assim, esse estudo busca compreender a relação entre o consumo de anabolizantes por homens e mulheres de diferentes faixas etárias e diferentes classes, com essa falta de limites em busca de um corpo ideal que reside na sociedade contemporânea.
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Corpos Masculinos, Hormônios e Agressividade: Limites das explicações biológicas sobre o comportamento agressivo dos homens
Fabiana Caitano da Silva Bandeira (Fundação Oswaldo Cruz)

O consumo de anabolizantes tornou-se alvo investigatório tanto das ciências biológicas quanto sociais, uma vez descoberto que os prováveis efeitos de seu abuso incluem irritabilidade, agressividade e alteração da libido. Partindo do pressuposto que uma configuração específica de masculinidade precede o consumo de esteróides (e reflete-se nas concepções de saúde, corpo e sexualidade), pretende-se aqui fazer um levantamento dos saberes biomédicos a respeito da influência hormonal sobre a agressividade humana, o que poderia, em tese, interferir nas as práticas associadas à violência interpessoal e de gênero, e suas relações com a sociabilidade masculina. Observamos que, no geral, os estudos biomédicos sugerem que hormônios esteróides modelam comportamentos sexuais e agressivos; entretanto, problemas metodológicos associados a essas pesquisas, bem como a enorme gama de fatores que parecem interferir na atividade hormonal, tornam os dados controversos e não conclusivos. Além disso, diversos autores defendem que muitos dos usuários que abusam de anabolizantes já possuíam histórico de instabilidade psíquica anterior ao início desse consumo. Sendo assim, de um modo geral, os cientistas biomédicos concordam que a produção de hormônios sexuais, o comportamento e o contexto social são mutuamente interferentes. No entanto, diversos autores advogam que a testosterona por si só não poderia induzir uma pessoa a um ato de violência, mas sim, apenas aumentar a probabilidade dela agir violentamente perante um conjunto de estímulos internos e externos.
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A representação de estética por universitários: existe diferença de significados em relação ao gênero?
Giannina Espírito-Santo, Renata Vasconcelos, Ludmila Mourão, Gabriela Neiva, Alexandre Jackson Shan Vianna e Marlene Luzia (Centro Universitário Celso Lisboa - UCL/RJ / Universidade Gama Filho - UGF/RJ)

Este estudo foi desencadeado a partir de debates realizados no interior do grupo de pesquisa GEFSS sobre padrão de corpo de jovens cariocas. O ponto de partida para tal debate foi o texto, intitulado “Dominação masculina e saúde: usos do corpo em jovens das camadas médias urbanas” (GOLDENBERG, 2005). Considerando que é sobretudo no corpo que se manifestam marcas que nos posicionam no mundo social e cultural, o objetivo do estudo foi investigar o significado de estética para jovens universitários. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, no qual participaram 79 alunos iniciantes do Curso de Educação Física de uma Universidade privada situada no subúrbio carioca (29 mulheres e 50 homens). Para a interpretação dos dados utilizou-se o referencial teórico-metodológico das representações sociais (RS), a partir dos pressupostos do Núcleo Central (SÁ, 2002). A representação social da estética ficou ancorada na beleza (mulheres) e no corpo (homens). A futura profissão dos pesquisados nos leva a relacionar a influência quantos aos significados de estética, pois estes necessitam ter um corpo em conformidade com um determinado padrão exigido no campo profissional, principalmente no que tange as academias de ginástica (ESPIRITO-SANTO, 2005). As categorias saúde e bem-estar não tiveram representatividade entre os informantes, visto que, apenas cinco (duas mulheres e três homens) relataram sobre o corpo ideal como saudável dissociado do definido ou sarado. Este fato pode nos levar a concluir que a saúde e o bem-estar não ocupam lugar de importância no ideário de estética desses jovens.
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Transtornos alimentares em modelos adolescentes brasileiras: o culto ao corpo na pós-modernidade como causa de flexibilização das características inerentes aos direitos da personalidade humana
Isadora Vier Machado (UFSC)

A partir do referencial teórico de Michel Maffesoli, analisaram-se as motivações que tem conduzido um elevado número de modelos adolescentes brasileiras a óbito em decorrência de transtornos alimentares, v.g., anorexia e bulimia. Estas foram definidas e caracterizadas, tendo em conta sua condição de doenças psiquiátricas que vitimam, na maioria das vezes, jovens do gênero feminino. Para tanto, buscou-se contextualizar o culto ao corpo na pós-modernidade como o resultado da falência do individualismo e conseqüente consagração da massa. Fenômeno que permitiu a escolha da estética como o novo paradigma dos tempos vigentes, uma forma superficial de estar junto e pertencer ao corpo social. Como resultado da pressão vivida pelas jovens, em especial aquelas relacionadas ao mundo da moda, o direito à integridade física é involuntariamente colocado em perigo. Embora seja inato e absoluto, além de caracteristicamente irrenunciável, parece flexibilizado nessas circunstâncias. O que, juridicamente, é de grande reprovação, porque fala-se de uma espécie do gênero “direitos da personalidade” e estes são resguardados, inclusive, a nível constitucional. Além disso, tamanha é a sua importância que eles ocupam um capítulo inteiro do Código Civil de 2002. Assim, apesar de os debates relativos aos transtornos alimentares se concentrarem nas áreas da saúde, existe uma necessidade iminente de que se sobrelevem todas essas consternações jurídicas. O que se fez a partir de três projetos de lei que tramitam na Câmara dos Deputados (PL 7574/2006; PL 890/2007; PL 1381/2007), além de projetos locais (como o PL 0047.5/2007, aprovado em 22 de abril de 2008, em Florianópolis).
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Relações de gênero, desejo, sexualidade e os sinais da evolução na modernidade
José Sávio Leopoldi (UFF)

A modernização do comportamento feminino tem dificultado as relações entre homens e mulheres uma vez que implica a construção de uma nova feminilidade para a qual o psiquismo e a sexualidade do homem não estão preparados, a despeito de manifestações “politicamente corretas”. O desejo masculino, ainda que constitua uma manifestação instintiva da natureza humana, está associado às instâncias culturais em que se insere o objeto do seu desejo, ou seja, a mulher. Em outras palavras, ainda que a feminilidade tenha raízes na constituição biológica da mulher, em larga medida resulta de uma elaborada construção sociocultural. Nossa hipótese é que os tempos modernos estão provocando uma reconfiguração da feminilidade para a qual o psiquismo e a sexualidade, vale dizer, o desejo do homem, está se adaptando de maneira mais lenta do que o esperado pelas mulheres modernas. Isso acontece porque tal desejo esteve sempre direcionado para a mulher que desempenhava um papel socialmente secundário em relação ao masculino e sujeitava-se ao poder, não apenas físico, do homem. É o que se constata ao longo do processo evolutivo, com especial destaque para as sociedades de caçadores-coletores, que apresenta(va)m uma radical divisão de trabalho entre os sexos à qual se associavam poderosamente as características femininas. Na modernidade, as mudanças relativamente rápidas do paradigma feminino não estão sendo acompanhadas no mesmo ritmo pelo desejo masculino. Isto porque ele ainda se mantém, em larga medida, voltado para um quadro de feminilidade que prioriza características que estão sendo vistas como ultrapassadas pelos contingentes feministas da atualidade.
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Percepções da imagem corporal de professores atuantes em academias de ginástica na cidade do Rio de Janeiro: uma análise de gênero
Lígia Martins Vilhena, Ludmila Mourão (Universidade Gama Filho)

Imagem corporal pode ser compreendida como a experiência particular e subjetiva que o corpo é percebido pelo sujeito. Esta percepção se constrói e reconstrói não só a partir do processo cognitivo, mas também através da reflexão dos desejos, emoções e interação com os outros (BARROS, 2005; TAVARES, 2003). Algumas questões importantes relativas ao uso de drogas associadas ao aumento da massa muscular e/ou redução da gordura corporal, entre professores de educação física que atuam em academias de ginástica são verificadas no estudo de Palma et al. (2005), quando aponta que estes se sentem obrigados a fazer uso destas substâncias químicas, entre outros motivos, porque o corpo faz parte do “currículo” procurado pelos alunos. Contudo, o desejo veemente em relação a este padrão pode causar distorções na percepção do próprio corpo, ou partes dele. A inibição ou ansiedade social são alterações comportamentais provenientes da interação entre imagem corporal, realidade corporal, autoconceito, depreciação do corpo e expectativas em relação aos outros, (MIRANDA, 2005). A partir destas considerações este estudo tem como objetivo investigar a percepção da imagem corporal de professores de Educação Física atuantes em academias na cidade do Rio de Janeiro. O instrumento de coleta de dados será a versão brasileira da escala de avaliação com a imagem corporal, composta de 25 itens distribuídos em 2 fatores – satisfação com a aparência e preocupação com o corpo. O estudo piloto será realizado com seis professoras(es) para avaliar a dimensão subjetiva da Imagem Corporal; isto é, o grau de satisfação com esta imagem.
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Representações sociais de mulheres com mais de 50 anos acometidas por IST/AIDS sobre sexo e sexualidade
Lucineide Santos Silva, Michelle Araújo Moreira (Universidade Federal da Bahia / Universidade Federal da Bahia)

Objetivou-se conhecer as representações sociais de mulheres com mais de 50 anos infectadas por alguma Infecção Sexualmente Transmissível (IST), inclusive AIDS, sobre sexo e sexualidade. Estudo quanti-qualitativo, de abordagem multimétodos, fundamentado na Teoria das Representações Sociais que envolveu 36 mulheres com 50 a 59 anos de idade portadores de IST/AIDS. O campo do estudo foi o Centro de Referência Estadual de ITS e aids (CREAIDS) em Salvador/BA. Os dados foram coletados através do Teste de Associação Livre de Palavras (TALP) e da entrevista semi-estruturada, sendo os mesmos submetidos à Análise Fatorial de Correspondência (AFC) e Análise de Conteúdo Temática, respectivamente. Os resultados evidenciaram que o sexo foi representado pelas mulheres como sendo “bom” e “normal”, exprimindo uma representação esvaziada de subjetividade, e que retoma a uma atividade “normal”, inerente ao papel de esposa. Além disso, elucidaram que o sexo é, também, submetido à vigilância ao evocarem a resposta “prevenção”. A sexualidade foi representada pelas mulheres através da palavra “sexo”, exprimindo uma compreensão restrita do termo. Nas entrevistas constatou-se que para a maioria das mulheres com HIV positivo houveram mudanças na sexualidade pós-contaminação, sobretudo, da atividade e do desejo sexual. Ao solicitá-las evocações para este estímulo, enfatizaram não mais fazer sexo, denotando associação entre sexualidade e sexo para estes sujeitos. O estudo reafirma a dificuldade dessas mulheres em falar sobre sua sexualidade, mesmo sendo assistidas por um serviço especializado em IST/AIDS, o que sugere investimentos na formação dos profissionais a fim de evitar a perpetuação de estereótipos de gênero.
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“Flores de plástico não morrem...”: corpo, saúde, gênero e envelhecimento
Luiz Fernando Calage Alvarenga (UFRGS)

As análises aqui apresentadas são parte de uma pesquisa desenvolvida em nível de mestrado. O estudo teve como ponto central de investigação a questão: como educação, saúde e envelhecimento articulam-se na organização e no funcionamento de grupos de convivência na terceira idade? Para dar conta desta e outras interrogações, desenvolvi um caminho investigativo inspirado nos estudos etnográficos, onde acompanhei as atividades de um grupo de convivência na terceira idade, construindo um material empírico formado por anotações de campo, entrevistas semi-estruturadas e imagens fotográficas. Realizei um “mergulho” no material produzido neste estudo, tomando como referência a questão: que significados sobre o corpo velho são produzidos, compartilhados e disputados pelos/as integrantes do grupo aqui considerado? Junto a essa pergunta, configuraram-se outras: que representações instituem esses significados? Que discursos estão imbricados nesses processos de representação? Deste processo produzi discussões que desenrolaram-se na direção de problematizar os discursos da saúde e, por conseguinte, das práticas de promoção da saúde que atuam sobre o corpo que envelhece e alguns dos desdobramentos de gênero que estas implicam. Na centralidade das discussões sobre corpo, gênero e envelhecimento esteve o entendimento de que, sujeitos, velhos e velhas de hoje, foram interpelados por vários discursos que produziram seus corpos durante toda a sua vida. Adotei a metáfora da “plastificação” para falar sobre as muitas estratégias para retardar e prevenir o envelhecimento do corpo, as quais interpelam sujeitos masculinos e femininos de formas diferentes.
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O universo corporéo na égide do consumo.
Luziana de Oliveira Silva (Universidade Federal da Paraíba)

A intensificação da valorização do corpo tem indicado a construção da aparência como uma das importantes formas de construção do sujeito. Os significados atribuídos à plástica corporal, as finalidades sociais de utilização do corpo, assim como suas relações entre pretensões individuais e o contexto sociocultural, tornaram-se elementos centrais na busca de sentidos diante da fragmentação da sociedade contemporânea. O corpo, reconhecido como lugar inquestionável da individualidade e da subjetividade desde a modernidade, ganha contornos na condição atual de instabilidade a partir do domínio de si; questão essa reafirmada pela noção de autotransformação como sinal de bem-estar e realização disseminada nas academias de ginástica. Nosso objetivo, nesse trabalho, é discutir, através de uma perspectiva bibliográfica, os reguladores do novo sistema de crenças – ou representações sociais coletivas – relativas ao corpo e a prática de atividades físicas em academias de ginástica e seu entrecruzamento com a dinâmica de consumo atual. As alusões feitas ao corpo na dinâmica democrática de igualdade e liberdade acrescentam hoje, mais do que nunca, um conjunto de objetos ao universo da beleza e da saúde, o que, sobretudo, é organizado pela lógica de consumo. Refletiremos acerca das representações e dos imaginários, no âmbito individual e coletivo, que os atores constroem acerca do corpo. Nesse sentido, discutiremos os princípios que direcionam as construções corporais – a "cultura do corpo" – nas academias de ginástica, assim como sua relação com a lógica de consumo.
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Práticas homoeróticas e AIDS: formações discursivas de identidade, saúde e experiência
Marcelo Spitzner (UFSC)

O presente trabalho tem como objetivo discutir a questão da AIDS e sua ligação com as experiências da dor, do medo e do silenciamento dos indivíduos com práticas homoeróticas e a emergência de emoções que tornam-se o substrato de uma relação conflituosa e de interdição social que se efetiva a partir de formações discursivas que aprofundaram o preconceito e homofobia, fazendo com que os sujeitos homossexuais fossem vinculados a AIDS, sendo identidicados através da soropositividade. Na terceira década da AIDS, apesar das estatísticas demonstrarem que o binômio “homossexualidade=grupo de risco” é totalmente ultrapassado, ainda se faz necessário mudanças de discurso e de tratamento para que outras patologias não acometam os indivíduos em nossa sociedade “pós-moderna” e para que novos “grupos de riscos” não apareçam devido a falta de informação e de um discurso discriminatório.
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Câncer de mama e identidades corporais femininas: diálogos austro-amazônicos
Margret Jäger, Breno Rodrigo de Oliveira Alencar (Universidade de Graz / UFPA)

A finalidade deste estudo é mostrar a situação em relação às políticas de saúde relacionadas à “prevenção de câncer de mama” e as identidades corporais das mulheres, aproximando experiências de pesquisa obtidas em Graz, capital do Estado de Steiermark, na Áustria, e Belém, capital do Estado do Pará, localizada na Amazônia brasileira. Seu conteúdo resulta de trabalho de doutoramento intitulado “Câncer de mama no alvo da moda – políticas de saúde para a prevenção de câncer de mama na Áustria e no Brasil”, realizado como pesquisa bi-cultural. Nosso interesse é compreender as visões e discursos de mulheres sobre os seus corpos, tendo como fio condutor campanhas publicitárias divulgadas pelas mídias brasileira e austríaca. O método utilizado em seu desenvolvimento refere-se a entrevistas semi-estruturadas, onde fora utilizada um guia de perguntas e uma forma especial da etno-psicanálise, na qual é produzido diário e notas de campo. Sua base teórica está assentada na teoria dos “três corpos”, desenvolvida por Margareth Lock e Nancy Sheper-Hughes (1987). Procura-se também discutir a eficiência da citada campanha, seus diversos argumentos de legitimação e o significado de uma camiseta, utilizada como slogan e meio de comunicação da mesma.
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“Tudo ainda é tal e qual e, no entanto, nada é igual”: Representações Sociais da menopausa entre mulheres que a vivenciam. Um estudo introdutório.
Mariane Ranzani Ciscon Evangelista, Renata Valentim, Maria Fernanda Brito de Araújo, Ana Sayuri Waricoda Alves, Zeidi Araújo Trindade, Maria Cristina Smith Menandro (Universidade Federal do Espírito Santo)

Partindo das designações e definições de gênero desenvolvidas na modernidade, este trabalho investigou o modo como os modelos de feminino consolidados na última metade do século XX _ em seus discursos e contradições sobre o papel e a posição da mulher em seus novos lugares políticos pessoais e profissionais _ puderam se objetivar nas Representações Sociais de menopausa entre mulheres que hoje a vivenciam. No estudo, ainda em andamento, foram entrevistadas, através de questões semi-estruturadas, mulheres de classe média, escolaridade de nível médio ou superior, moradoras da Grande Vitória e com idade entre 55 e 65 anos. As questões englobaram, além de dados pessoais, as modificações intrínsecas a esta fase, bem como as significações particulares de feminilidade e sexualidade pré e pós menopausa e os modelos que os ancoraram. Os critérios de definição da amostra basearam-se no acesso destas participantes aos meios de difusão massificadamente globais que passam, a partir dos anos 60 do século XX, a divulgar aspectos relativos à sexualidade feminina até então pouco explorados pelo senso comum. Os dados preliminares, trabalhados pela análise de conteúdo, apontam para a presença de traços múltiplos e contraditórios nesta composição, onde coexistem desde releituras de antigas formas de feminilidade, até releituras consensuais do discurso médico; passando pela popularização de conceitos divulgados pelos movimentos feministas e pelo ajustamento do feminino aos padrões higienistas e estéticos contemporâneos.
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Corpo idolatrado: as relações entre corpo e apresentação pessoal na pós- modernidade
Mayrinne Meira Wanderley (UFPB)

A corporeidade é o ambiente geral no qual os corpos – pessoais, metafóricos, naturais ou místicos – se situam uns em relação aos outros. Nas interações sociais, a onipresença da imagem do corpo e a teatralidade assumem posições centrais. Nessa relação, o corpo é visto como algo de natureza flexível. Uma matéria-prima exposta à lapidação, passível, portanto, das mais diversas transformações. Por motivações sociais, os indivíduos modificam seus corpos segundo questões estéticas, higiênicas, eróticas ou por modismos. Na conjuntura pós-moderna a corpolatria é cotidianamente vivenciada. O presente trabalho pretende discutir a posição central tomada pelo corpo e os sacrifícios a que os indivíduos se submetem para encaixarem-se nos ideais socialmente construídos.
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Mulher, professora, doente: uma análise de Wit
Rafael Siqueira de Guimarães (UNICENTRO)

Este trabalho teve como objetivo realizar uma discussão sobre as dimensões da feminilidade, corporeidade e cuidado em saúde no filme Wit (Uma Lição de Vida), dirigido por Mike Nichols e estrelado por Emma Thompson. O filme é uma adaptação de um texto teatral para o cinema e trata de um caso de uma professora que descobre câncer no útero e submete-se a um tratamento experimental. Como professora, a personagem principal, como sujeito de suas relações, orienta-se pouco em direção ao cuidado de seu próprio corpo; quando descobre-se doente de câncer, percebe-se como objeto de um tratamento e, ao mesmo tempo, o afloramento de sua feminilidade, por meio da percepção do útero enfermo. Passa, então, a vivenciar seu tratamento, percebendo-o como nocivo e, ao mesmo tempo, a reviver seus momentos, possibilitando uma espécie de catarse, refletindo sobre suas posturas profissionais e pessoais.
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As representações da relação entre estudante de enfermagem e cliente: uma abordagem de gênero
Renata de Lima Muroya, José Roberto da Silva Bretãs, Daniela Auad (Universidade Federal de São Paulo)

A presente pesquisa parte de um percurso científico, baseado em dois estudos anteriores, nos quais percebemos que o tema relações de gênero permeia a relação estudante-cliente, construindo uma dimensão de igualdade e diferença entre os gêneros, masculino e feminino, na prática do cuidar de enfermagem. A partir desses dois trabalhos, formamos um conjunto de dados que contemplam 35 entrevistas abertas, gravadas e transcritas, totalizando 243 laudas impressas que versam, na sua essência, sobre a relação estudante de enfermagem e cliente na dimensão da prática do cuidado. A partir desse conjunto de dados e considerando o universo significativo dessas entrevistas, foi produzida a presente pesquisa, a qual considera as relações de gênero como lente possível para conhecer o objeto. Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa, fundamentado nos pressupostos da Representação Social para subsidiar a apreensão e análise das relações de gênero emergentes das falas de estudantes de enfermagem sobre a prática do cuidado prestado à (ao) cliente. O objetivo principal consiste em conhecer como as desigualdades existentes nas relações de gênero influenciam o cuidado prestado à(ao) cliente pela(o) estudante de enfermagem e quais conseqüências para a formação profissional e as práticas de saúde. Diante do conteúdo disponível, por meio da técnica da Teoria do Núcleo Central das Representações Sociais, os resultados estão sendo organizados e serão dispostos em uma árvore máxima, tendo como núcleo central da representação a relação estudante-cliente na prática do cuidado de enfermagem.
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Identidade, sexualidade e aids: significações por mulheres na terceira idade portadoras de HIV
Rossilene Carregoza Dantas (UFRJ)

O trabalho a ser apresentado é resultado de uma pesquisa realizada como parte da formação de mestrado no NUTES/UFRJ. O objeto de análise foi à construção identitária de mulheres de terceira idade portadoras do HIV, tendo como eixo suas resignificações de gênero, sexualidade e saúde. O referencial teórico metodológico utilizado se reportou ao campo dos estudos culturais, e em noções foucaultianas sobre sexualidade, discurso e poder. Usamos uma abordagem qualitativa dos dados, tendo em vista a necessidade de agregar a pesquisa as significações atribuídas pelos sujeitos aos fatos, às relações e às práticas. A coleta dos dados foi feita no Centro Municipal de Saúde João de Barros Barreto, bairro de Copacabana, região metropolitana do Rio de Janeiro. O interesse em abordar a contaminação de mulheres pelo HIV, e mais especificamente as de terceira idade, relaciona-se ao crescente número de novos casos surgidos nos últimos anos envolvendo esta faixa etária, ratificando a mudança do perfil que a epidemia tem assumido recentemente. Para além de dados estatísticos, tal realidade reflete uma ruptura de padrões de comportamento, e uma mudança quanto às expectativas da vivência na terceira idade. Os resultados apontaram para uma construção identitária bastante atrelada ao fato de serem portadoras, sobreposta à vivência dessas mulheres como idosas. Para elas, a soropositividade acabou por converter algumas das aflições que cercam o processo de envelhecimento. As mudanças corporais, o redimensionamento de seus papéis familiares, a mudança no suporte social e as perdas afetivas não se mostraram fatores associados às vivências da terceira idade, mas computados às experiências de portadoras. As transformações biológicas, a estranheza diante de sua auto-imagem e as relações estabelecidas entre saúde-corpo-estética ficam atreladas a essa condição. Essa realidade aponta para a necessidade de se criar estratégias de promoção da saúde que tenham como preocupação a integração de métodos de prevenção que possam respeitar as expressões.
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Uma leitura da representação do corpo masculino no romance O Rei de Havana: exclusão, sexo e violência
Vera Lucia Lenz Vianna (Universidade Federal de Santa Maria)

Face a um sistema rígido de dominação, o protagonista do escritor cubano, Juan Pedro Gutierrez, se distancia das noções tradicionais relacionadas ao ser masculino enquanto sujeito instituído de poder e conhecimento que, durante o processo histórico, concebeu e difundiu os esquemas representacionais do Ocidente através de sua prática discursiva e centralizadora. Destituído de ferramenta política e de liberdade de expressão, o protagonista se vê ameaçado a desaparecer em um meio social que o torna alienado e brutalizado, tornando o personagem um ser ‘’expletivo’’, degradado. Interessa, nesta análise, examinar o discurso ideológico do regime autoritário representado através da narrativa literária, bem como as relações familiares que reduplicam a violência engendrada pelo Estado. Da mesma forma, a interlocução estabelecida entre a dimensão estética, a história e a ética no texto do autor cubano será objeto de investigação. Teóricos como John Thompson, Stuart Hall e Terry Eagleton, entre outros, fornecerão sustentação teórica para a análise.
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