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64 - Gênero e pesca: participação da mulher no desenvolvimeto local

Coordenação:
Profa Dra. Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão, Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)

Profa Dra. Vitória Régis Fernandes Gehlen, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

A proposta do Grupo temático tem como objetivo contribuir no debate sobre gênero numa perspectiva da "feminização" da pobreza especialmente nas relações de trabalho que envolve a pesca artesanal no Brasil. Assim, levantar questões relacionadas à inclusão/exclusão das mulheres no acesso e no exercício dos poderes institucionais relacionados à atividade, por exemplo, o seguro defeso. A proposta deste grupo temático envolve pesquisas cujas abordagens dialoguem com problemáticas que incluam as políticas públicas estabelecidas pelas organizações governamentais e não-governamentais para o desenvolvimento local, e sustentável, da pesca artesanal, o impacto das políticas públicas para o desenvolvimento da pesca artesanal e para as relações sociais de gênero, considerando as condições de vida dos pescadores e das pescadoras, o acesso diferenciado ás políticas e o espaço de participação das mulheres, principalmente nas colônias de Pescadores, a participação igualitária de mulheres e homens em todos os níveis dos processos de tomada de decisão no que se refere a pesca artesanal, as relações entre gênero e meio ambiente e gênero e extensão pesqueira. O tema gênero e pesca ainda pouco explorado no mundo acadêmico, consiste em uma problemática instigante porque o mundo da pesca ainda é considerado um universo masculino, pese a participação das mulheres em diferentes atividades desta cadeia produtiva. Pesca não é "coisa de homem". Nessa profissão, a relação entre homens e mulheres repete o que ocorre no resto da sociedade: apesar de se esforçarem como pescadoras, as mulheres não têm o seu trabalho valorizado. Por conta disso, muitas vezes, elas próprias não conseguem enxergar a importância de seu papel.

Espera-se contar com a participação de acadêmicas (os), pesquisadoras (es), técnicas (os) governamentais e militantes de organizações de base, numa perspectiva que incluam diferentes enfoques e referenciais interdisciplinares. O trabalho do Grupo Temático será composto por apresentações orais e pôsteres.

Projeto no Ritmo das Marés desenvolvido pela APAFG – Associação de Produtores de Algas de Flecheiras e Guajiru – com o apoio do Instituto Terramar
Ana Clara Costa Lima, Edinaldo Rogério Silva, Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão (UFRPE)

As comunidades de Flecheiras e Guagiru fazem parte do município de Trairi, localizado a aproximadamente 140 km ao norte da Capital Fortaleza, no estado do Ceará. Onde as atividades econômicas, basicamente, são da produção da agricultura familiar e da pesca. Assim, as duas comunidades, que são praias da cidade, vivem principalmente em função da pesca da lagosta, peixe, camarão e da exploração das algas. A exploração das algas passou a fazer parte do cotidiano daquelas comunidades desde a década de 70. Nesse contexto, o projeto Ritmo das Marés foi implementado pela associação de produtores de algas de Flecheiras e Guagiru com o apoio do Instituto Terramar, tendo como objetivos melhorar a renda daquelas famílias, fazer uso das algas de forma sustentável e a inclusão das mulheres como parte desse processo. Além da preservação do ecossistema e de ser uma alternativa de renda, o cultivo das algas proporcionou uma lição de cidadania na região. A coleta de dados é documental, vídeos, sites e entrevista com técnicos da região. Algumas questões se destacam: como continuar produzindo algas com manejo racional e sustentável? Como melhorar a produção diminuindo o tempo da colheita? Como expandir e comercializar os produtos? Até o momento se constata a renovação e aumento de peixes, camarões e lagostas naquela região, considerando que as algas fazem parte da biodiversidade marinha característica tão importante para a sobrevivência do ecossistema da região.
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A mulher profissional da pesca de Guaíra, Paraná
Clarice Nadir von Borstel (Unioeste)

Este estudo tem como objetivo refletir sobre as concepções culturais e de memória da mulher que trabalha na pesca e como se dá a interação da linguagem verbal de uso, por este grupo, na comunidade de Guaíra, Paraná. Observa-se, nesta pesquisa, a competência comunicativa de mulheres em suas interações pragmáticas de rotina no cotidiano de suas atividades de pesca e dos serviços na vida familiar. A sociolingüística/pragmática objetiva estudar sob uma forma etnográfica a história de vida oral, pois ela não pode ser exercida sem recorrer a observações e relatos de situações sociais efetivas, qualquer que seja sua natureza: espaços públicos, reuniões associativas, situações profissionais, redes familiares e de escolarização. Os dados, investigados, são apresentados em situações profissionais reais de uma hibridização de história cultural e de memória, assim como as enunciações lingüísticas deste grupo de mulheres que trabalha na pesca.
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Gênero e Políticas Públicas-SEAP e PNATER
Claudia Maria de Lima, Rosa Maria Saraiva, Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão (UFRPE)

Ao criar a SEAP a intenção do governo foi a de desenvolver uma estratégia para o desenvolvimento sustentável da aqüicultura e a pesca, para com isso diferenciar as políticas de desenvolvimento do setor pesqueiro do passado, porém, não se desenvolveram estudos sobre as políticas da SEAP e de outras organizações governamentais e não-governamentais para o desenvolvimento local da pesca artesanal, a partir da criação da mesma. Na década de 90, diversas pesquisas já atribuíam a redução na produção pesqueira marítima, além do efeito das políticas públicas sobre os estoques de pescados, há que se considerar seu efeito sobre a indústria, a renda e o emprego no setor pesqueiro diferentemente direcionado para homens e mulheres. A queda registrada na produção de pescado marinho no Estado do Ceará, segundo a literatura, estaria associada à redução do contingente de pescadores artesanais, decorrente da evasão dessa força de trabalho para pescarias de lagosta e outras atividades. Assim, a PNATER – Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural - foi elaborada no sentido de considerar as relações étnicas, de genro, de geração, a agricultura familiar, a pesca artesanal e aqüicultura na direção de promover o desenvolvimento local das comunidades.
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Entre a casa e a pesca: discutindo gênero e pesca feminina no litoral paraibano
Diego Rocha Medeiros Cavalcanti (UFPB)

As atividades pesqueiras estão passando por um processo de negatividade. A poluição, a exploração desordenada dos recursos pesqueiros e a falta de financiamento da produção, concorrem para a diminuição da produção pesqueira e para a negatividade com que tem se encarado toda cadeia produtiva da pesca do tipo artesanal no âmbito da comunidade de Costinha, na Paraíba, e na região do estuário do rio Goiana, divisa entre os estados de Pernambuco e Paraíba. A instabilidade da atividade em si, dado o caráter da imprevisibilidade que a pesca artesanal impõe, aparece como a variável mais nociva à reprodução social dos pescadores dessas duas comunidades.
A despeito de todas as dificuldades encontradas para a reprodução social do pescador, uma variável nova e bastante singular surge na análise das atividades pesqueiras em Costinha e Acaú. O elemento feminino em um universo simbólico marcado pela predominância do homem e da masculinidade.
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Estratégias de Organização das mulheres e dos homens Pescadores de Careiro da Várzea/AM
Dilton Mota Rufino (UFAM)

A pesca constitui a base da alimentação dos habitantes do município do Careiro da Várzea/Amazonas e a agricultura, a pecuária e algumas atividades extrativistas são a base de sua economia. Mesmo que a pesca não seja vista como uma atividade com fins comerciais, ela é essencial para a subsistência no município, em especial da comunidade do Lago dos Reis. De um total de duzentas carteiras de pescadores, cento e sessenta pertencem às mulheres, no entanto não figuram formalmente na direção da entidade. Como pode haver tantas mulheres pescadoras numa comunidade onde o "mito do panema" e a histórica exclusão das mulheres nas atividades de pesca é tão presente? A literatura da área salienta que até os anos 80 a produção científica sobre pesca no Brasil a qualificava como uma atividade praticada pelos homens, convidando-nos a refletir sobre a invisibilidade associada as mulheres nestes espaços. Minha questão é identificar quais as
estratégias locais utilizadas por estes agentes sociais, homens e mulheres, na organização relacionada a pesca, considerando que as diferenças de gênero constituem-se como um marcador nessa participação. O que pode vir a contribuir na formulação de alternativas de participação que lhes garantam acesso às políticas de proteção social e aos métodos de aperfeiçoamento das conquistas sociais relacionadas à pesca. Penso que a problemática que envolve esta colônia de pescadores possa ser estudada, além da organização local já referida, também na relação com o Estado, tendo em vista que para cada uma delas existem estratégias de negociação que apontam para uma rede de sujeitos com diferentes interesses e formas de participação.
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Transposição do rio são Francisco e águas no Ceará: os cursos da privatização
Elaine Cristina Canha, Sonia Carneiro Quintela, Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão (UFRPE)

O Rio São Francisco é um dos maiores rios brasileiros, juntamente com seus afluentes e subafluentes formam uma bacia hidrográfica que abrange uma parte considerável de todo o Nordeste. O ensaio desenvolve a Análise do Discurso de um documentário (vídeo) produzido pela FRENTE CEARENSE POR UMA NOVA CULTURA DA ÁGUA E CONTRA A TRANSPOSIÇÃO DAS ÁGUAS DO RIO SÃO FRANCISCO constitui-se num grupo de ação formado pela associação de vários grupos sociais, ONGs e Associações Eclesiais. O documentário inicia com a exposição do seu objetivo: “esclarecer nosso povo e ampliar sua consciência crítica, através de uma educação ambiental libertadora”. A partir do título do documentário “Transposição do rio são Francisco e águas no Ceará: os cursos da privatização”, os autores brincam com as palavras “curso” e “privatização” relacionando o fenômeno natural (o rio que segue o seu curso) com outro fenômeno que se apresenta de forma artificial e prejudicial para a natureza: o surgimento da Privatização do curso do rio (incluindo também as terras ribeirinhas como mostra o documentário). Com esta “brincadeira” os autores querem chamar a atenção para a apropriação e degeneração do rio, e conseqüentemente do meio ambiente. A metodologia está fundamentada na teoria elaborada por Eni Orlandi, a fonte é secundária, documento, vídeo e, nesta fonte buscou-se o discurso de gênero.
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O fazer-se pescadora na cidade de Ilhéus - BA, 1980-2007
Fabiana de Santana Andrade (UEFS)

Esse trabalho discute a relação existente entre as experiências femininas e masculinas no cotidiano da pesca da cidade de Ilhéus. A pesca, quase sempre, está associada à atividade do alto mar, provavelmente porque o principal produto da sua captura, o peixe, é simbolizado pelo pescador, no barco, em mar aberto. Essa idéia contribui para que as atividades desenvolvidas pelas mulheres no setor pesqueiro não sejam abordadas pelos estudiosos, ou apareçam como uma prática de complemento à renda familiar. As mulheres na cidade de Ilhéus, pescam tanto no “mar de terra” como no “mar de dentro”, com as suas canoas ou de barco, deslocam-se até os corais, para realizar a extração do marisco, e em busca do peixe no rio. Através da História Oral a pesquisa trata dos modos de fazer da mulher pescadora e apresenta os espaços ocupados pelas mulheres na pesca em Ilhéus.
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Educação para a inclusão: Programa Pescando Letras
Fausta Calado Silva, Nadja Soares de Lima Silva, Maria Solange da Silva, Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão (UFRPE)

A pesquisa tem por objetivo fazer uma analise sobre a importância do programa de alfabetização de adultos Pescando Letras para pescadores e pescadoras familiares de comunidades costeiras do nordeste brasileiro. Considerando que as comunidades pesqueiras, hoje, são as que menos recebem incentivos do governo e sofrem com a falta de políticas públicas voltadas a este segmento, o que acarreta grande dificuldade na manutenção destes trabalhadores na escola, gerando assim uma população de mais de 50% de pescadores adultos analfabetos. Através de pesquisas documentais será verificado como: este programa vem sendo desenvolvido, integra o conteúdo educacional com a realidade vivenciada pelos pescadores e se cumpre o papel a que se propõe que consiste em promover a inclusão social destes trabalhadores da pesca que foram excluídos do sistema de ensino durante anos. A educação de jovens e adultos ganhou importância estratégica no atual governo, uma vez que a educação é um direito de todos em qualquer momento da vida. Nesse sentido, visando promover a inclusão social dos pescadores/as profissionais e aqüicultores/as familiares, a Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência da República inscreveu no seu Projeto Político o Programa Pescando Letras, um compromisso que se integra ao esforço nacional de ampliação do direito de acesso à alfabetização promovida pelo Ministério da Educação – MEC por meio do Programa Brasil Alfabetizado. Na I Conferência Nacional de Aqüicultura e Pesca, realizada em Luziânia/GO, em novembro de 2003, neste evento o tema do analfabetismo foi amplamente debatido.
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Cartinha do Usuário do Registro Geral da Pesca – RGP. Quem vive da pesca precisa de proteção
Jademilson Manoel da Silva, Veronica Del Pilar Proaño De Fox, Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão (UFRPE)

O texto “Quem vive da pesca precisa de proteção” é uma cartilha destinada aos agentes do setor pesqueiro, como pescadores profissionais, armadores de pesca, aqüicultores, dentre outros. Não se limitando, no entanto, ao setor produtivo pesqueiro, mas também a sociedade em geral. O objetivo principal da cartilha fundamentado em lei é mostrar quais são os procedimentos necessários para se adquirir o registro, quais os critérios de aceitação, quem pode participar, documentos necessários, validade da carteira, onde se faz o cadastro, ou seja, os endereços. O Órgão do Governo responsável pela administração do Setor Pesqueiro é a SEAP/PR, que está vinculada a presidência da república que, dentre suas competências, estão os deveres de “organizar e manter” o Registro Geral de Pesca. Fazendo uma análise simples do discurso, observamos que o teor informativo da cartilha se desenvolve através de um modelo verticalizado, onde os procedimentos são impostos de cima para baixo, já vem pronto para serem seguidos, não deixando espaço para outras opções ou alternativas, que poderiam ser feitos através de uma interação entre os envolvidos.Assim, constatamos que o discurso está elaborado no sentido de relacionar o sujeito e sua linguagem sócio-histórico à ideologia. A cartilha tem uma linguagem objetiva e direta.
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Vivências, Representações e Interpretações: Pescadoras da Baía do Iguape/Bahia.
Jeruza Jesus do Rosário (UNEB)

O artigo traz as pescadoras da reserva extrativista (RESEX) Baía do Iguape/Bahia que, no enfrentamento de problemas cotidianos, foram impulsionadas à organização e crescente participação na colônia de pescadores e associações de bairro onde a sua presença é expressiva e frutífera. A percepção que a pescadora possui da natureza ao seu redor, seu lar, o manguezal, valorização e modo de realizar o seu trabalho, a faz consciente dos problemas enfrentados e de seu potencial. Cria-se aí a possibilidade de análise da realidade natural, cultural e social que resulta das práticas de seu cotidiano. Verificação das experiências e vivências do lugar e afetividade pela terra na construção e identidade do espaço em que vivem.
Nestas práticas, tendo como cenário a Baía do Iguape, estão o equilíbrio do homem e seu meio ambiente que se reflete no respeito ao seu espaço, onde brotam laços afetivos de união ao lugar; lugar este de experiências vividas e aspirações onde se enraizam sentimentos que reaparecem nas relações pessoais a exemplo do trato com a família, sua comunidade, ou seja, no modo como esta se reporta ao outro no contato e influências nas interpretações da vida e experiências de quem convive com a natureza. Soma das dimensões simbólicas ao encarnar experiências banais e aspirações humanas numa abordagem geográfica humanística - cultural.
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Gênero e Consumo – cartilhas SEAP e ABRAS
Juliana Andrade Leitão, Marffeo Marques Guedes de Oliveira, Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão (UFRPE)

No foco da analise estão duas cartilhas elaboradas pelo SEAP Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca/PR, sendo que uma delas em parceria com a ABRAS (Associação Brasileira de Supermercadistas), ambas abordando sobre o consumo, as temáticas envolve dicas e manejo do pescado fresco durante a tradicional Semana Santa. Na primeira cartilha público alvo consiste em consumidores/as, que recebem uma serie de dicas de como identificar um pescado fresco. Informações que explicam a de verificação da boa qualidade do pescado. No final da mesma cartilha é concedida alguma receita tendo no peixe o principal ingrediente. Na segunda cartilha, denominada de “Pescado Fresco” elaborada em parceria com a ABRAS, o alvo é os profissionais que atuam na manipulação e comercialização de pescado, principalmente as lojas de supermercados e hipermercados do País. Segundo o que é colocado na própria cartilha, seu objetivo é orientar como manipular o pescado, para oferecer um produto de boa qualidade e com isto conquistar novos consumidores, elevando o Brasil a condição de maior consumidor de pescado do mundo. No decorrer da Cartilha, são descritas varias especificações técnicas de como manipular o pescado, tais como: a higiene pessoal do manipulante, higiene dos equipamentos e instalações, aspectos de qualidade do pescado, orientações sobre a recepção, pesagem, lavagem, armazenagem, beneficiamento, embalagem, exposição e comercialização do mesmo. A metodologia envolve coleta de dados documental e a amostragem envolve as mulheres, principais consumidoras de gêneros alimentícios.
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Gênero e divisão de trabalho na pesca artesanal do arrastão de praia, litoral do Paraná
Luciana Pinheiro

Descrevem-se a participação das mulheres e a divisão de trabalho no arrastão de praia paranaense. Foram entrevistados 16 pescador@s especialistas na arte e realizadas observações diretas. O arrastão apresenta divisão de trabalho muito específica. Uma divisão diz respeito à atividade principal d@s quinhoeir@s: canoeiros e caloeiros. Os canoeiros (patrão, chumbereiro e remadores), exclusivamente homens, são os que embarcam na canoa. Em terra estão @s caloeir@s, tanto homens quanto mulheres, com a função de puxar a rede. O espia é o pescador responsável pelo avistamento dos cardumes. Mulheres e outros homens ajudam a espiar. O patrão conduz a canoa, dá instruções aos demais tripulantes e é responsável, junto com o dono da rede, pelo remendo e tingimento das redes. Não há registro de mulher atuando como patrão, mas há uma viúva que herdou do marido a pescaria e é a dona da rede. Apesar da importância de todos os participantes, patrão e espia são tradicionalmente considerados as figuras centrais dessa pescaria. As mulheres não embarcam, a menos que falte um tripulante, mas pescavam até mesmo grávidas, exceto no resguardo. Embora recebam quinhão igual ao dos homens “de terra”, porque fazem o mesmo serviço, as próprias mulheres e homens muitas vezes vêem seu trabalho como ajuda. Sua participação no arrastão diminuiu muito no litoral paranaense devido às novas oportunidades de emprego, quase sempre sem vínculos/direitos empregatícios formais, geradas pelo crescente turismo e urbanização. Seu distanciamento das atividades pesqueiras, entretanto, não reduziu sua dupla ou tripla jornada de trabalho.
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Pesca Artesanal no Nordeste Brasileiro: espaço repleto de conflitos sociais
Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão; Jademilson Manoel da Silva; Valdomiro Freire de Andrade (UFRPE)

Ao se pensar em políticas públicas para o setor pesqueiro, visando um desenvolvimento local sustentável se reconhece que a pesca ficou relegada aos escalões inferiores da política e da economia durante mais de uma década. Conforme estudos realizados, verificou-se redução do valor da produção pesqueira e do nível de emprego na captura e na indústria do pescado. Onde se situa a mulher neste quadro histórico, quais são suas reivindicações, seus questionamentos sobre sustentabilidade dos recursos pesqueiros. O espaço litorâneo vem passando por intensas, freqüentes e complexas transformações, que têm impulsionado as comunidades litorâneas a mudar suas características socioculturais. Neste contexto, as comunidades litorâneas que tinham na pesca sua principal atividade econômica, hoje incorporam, para além da pesca, outras atividades produtivas e não produtivas que constituem importantes elementos na definição da renda e do seu modo de vida. O estudo teve como finalidade mostrar a problemática da pesca no Brasil, principalmente, na perspectiva da divisão sexual do trabalho no nordeste brasileiro.
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Discurso e relações de poder: um olhar sobre o discurso das mulheres artesãs da comunidade pesqueira de A Ver-O-Mar
Maria Regina Camarano (UFRPE)

Este artigo resulta da observação dos discursos das mulheres artesãs da comunidade pesqueira A Ver -O-Mar, situada no município de Serinhaém, Estado de Pernambuco, durante a Oficina de Avaliação das Atividades realizada, em 19 de dezembro de 2006, pelos alunos da disciplina de Análise do Discurso do Posmex ( Programa de Pós Graduação em Extensão Rural e Desenvolvimento Local da Universidade Federal Rural de Pernambuco), sob coordenação da professora Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão. Para análise do discurso das mulheres artesãs foram destacados momentos da oficina, sobretudo, o da leitura da reportagem do Diário de Pernambuco do dia 11 de dezembro de 2006 “Sirinhaém tem arte como alternativa” e a apresentação dos resultados dos trabalhos de grupo, em plenária. Tal análise foi orientada pelas as idéias de Foucalut, Orlandi, Aguilar, Castañeda e Tauk Santos. Os discursos das mulheres deram visibilidade às relações de poder e de mando tanto no âmbito do contexto sociocultural, numa região marcada pelo colonialismo, como no âmbito do grupo de trabalho das mulheres, revelando, principalmente, que a dificuldade de diálogo e relação de mando estão presentes entre as artesãs membros da associação, como entre a referida associação e o poder local. A titulo de conclusão, o artigo apresenta a importância da extensão rural com a nova abordagem, na perspectiva da comunicação rural dos anos 90 que incorpora uma estratégia educacional que considera os conhecimentos locais, a participação das mulheres e que contempla a possibilidade de construir mudança no espaço local.
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Arariba de Baixo e o projeto de piscicultura: estudo de caso
Mariomar Teixeira, Hersília Cadengue, Rosário Andrade (FUNDANJ-FUNDACRENTRO/ PPGS-UFPE / UFRPE)

O presente trabalho apresenta um estudo de caso realizado em um assentamento de Reforma Agrária na Mata Sul de Pernambuco, no município do Cabo de Santo Agostinho. Nosso objeto de estudo são as mulheres do assentamento Arariba de Baixo e enfocamos a construção das relações sociais entre homens e mulheres nas práticas cotidianas no âmbito do projeto de piscicultura desenvolvido pelo Centro das Mulheres do Cabo, patrocinado pela Intermon-Oxfam, visando estimular autonomia dos assentados, em especial das mulheres. Buscamos ressaltar a influência da participação das mulheres nas atividades da pesca e processamento do pescado, não só na tentativa de busca de uma maior equidade nas relações de gênero, e consequentemente para a autonomia feminina, masd para o desenvolvimento local sustentável. Foram realizadas entrevistas junto às famílias assentadas, bem como observação em lócus. Concluindo que apesar das mudanças ocorridas tanto na qualidade de vidade, quanto no desenvilmento local, um projeto de geração de renda, que contribua com a autonomia feminina e conservação do meio ambiente, mesmo que beneficie a todos, tende a trazer à tona as inseguranças masculinas, e possíveis “sabotagens”, que se refletem em prejuízo para o progresso local; ao mesmo tempo em que isoladamente, não contém forças propulsoras suficientes para acarretarem em uma real transformação das tradicionais relações de gênero enraizadas a muito do habitus de nossas sociedades patriarcais. Cabe ressaltar que isso não quer dizer que estes tipos de ações não contribuam para mudanças, ainda que sutis, nas relações de gênero.
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Mulher-pescadora e mulher de pescador: A presença da mulher na pesca artesanal na Ilha de São Francisco do Sul.
Mirtes Cristiane Borgonha, Maíra Borgonha (UFSC / UFC)

A pesca artesanal é uma atividade tradicional na Zona Costeira do Estado de Santa Catarina, exercendo um importante papel histórico, social e econômico. Na região, tanto nas escalas artesanal quanto industrial, a pesca é vista como prática exclusivamente masculina. Primordialmente e ao longo do desenvolvimento da atividade, o "papel de pescador" é logo associado à figura do homem, tendo em vista os "perigos" oferecidos pela profissão: longos períodos de permanência no mar; necessidade de habilidades como força e resistência física; condições precárias das embarcações, etc. Este estudo procurou descrever as atividades desenvolvidas por mulheres das localidades de Laranjeiras e Praia da Enseada, na Ilha de São Francisco do Sul e analisar o papel que elas desempenham enquanto presença feminina na pesca. Através de entrevistas e observações diretas no acompanhamento da faina de pesca, verificou-se a atuação da mulher nas atividades de processamento ou venda do pescado, mas também na captura propriamente dita, apontando para uma participação ativa em todos as etapas do processo.
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Políticas Públicas de Acesso a Educação em Área Pesqueira: Analise do Programa Pescando Letras
Rosi Cristina da Silva, Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão (UFRPE)

A pesquisa refere-se a análise do Programa Pescando Letras, ação de abrangência nacional, vinculado a Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca e o Ministério da Educação – MEC por meio do Programa Brasil Alfabetizado da Presidência da República, cujo discurso destaca a prioridade em promover a inclusão social através do direito de acesso à alfabetização de pescadores/pescadoras profissionais e aqüicultores/ aqüicultoras familiares. O objetivo da pesquisa é estudo mostrar o contexto atual no que se refere à educação de adultos em comunidades de pesca, desenvolver reflexão sobre os caminhos percorridos desde a articulação pelas instituições responsáveis até a adesão das colônias de pescadores e pescadoras, além de observar como homens e mulheres responderam a proposta educacional. Na metodologia iniciamos pela coleta de informações sobre o programa em documentos e relatos de alguns representantes das colônias do litoral Pernambucano que vivenciaram a experiência de participar dessa proposta pedagógica de alfabetização. O programa apesar de sua proposta inclusiva tem tido dificuldades em manter-se ativo e uma renovação da proposta foi realizada entre dezembro de 2007 e março de 2008, mas dirigido apenas aos pescadores de lagosta no período do defeso.
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Presentación de libro y cartilla sobre género y desarrollo local.
Soraya Katia Yrigoyen Fajardo, Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão (UFRPE)

La investigación generó un libro científico y una cartilha. El objetivo del acercamiento con las mujeres de A Ver-o-Mar, en Pernambuco – Brasil, se referire en cierto grado a la idea, o la necesidad de reflexionar sobre políticas diferenciadas por género, considerando que existe en las relaciones sociales prácticas de subordinación de las mujeres, comportamientos que son socialmente construidos. La investigación e de la construcción de los resultados, incluyó la participación de la comunidade y de alumnos de grado y pósgrado. Se ha considerado que no hay modelos para solucionar las desigualdades, hay que acercar práctica, debates, reflexiones, autocrítica, para intentar llegar a momentos de equilibrio, en el medio de muchos conflictos. Así, los conflictos muchas vezes no son visibles y además en general se niega que ellos existan. Es conocido que los conflictos hacen parte de vida, las diferencias son partes de la diversidad y con ella hay que elegir caminos, prácticas en que sean garantidas la equidad, o sea es posible construir igualdad en la diversidad. Hay que precisar que conflicto no es sinonimo de violencia, pero para quien vive la violencia doméstica la Ley Maria da Penha significa apoyo a las mujeres en situación de peligro. Pero hay que preguntar, en nuestra sociedad ¿qué es una situación de peligro? Además ¿dónde llega los apoyos? ¿dónde está la casas de acogida? La situación está mejor que en otros tiempos, cuando la gente creía que dentro de la familia nadie podría meterse, porque eran situaciones del espacio privado.
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Pesca: atividade exclusivamente masculina?
Valdenice Raimundo; Vitória Régia Fernandes Gehlen (Universidade Federal de Pernambuco)

As mulheres pescadoras brasileiras têm desmistificado a idéia de que a pesca é uma atividade exclusivamente masculina. Tem crescido significativamente o número de mulheres na pesca artesanal.
Essas mulheres são responsáveis não apenas pela captura dos peixes, mas estão se inserindo no beneficiamento de produtos e na confecção e reparo de apetrechos de pesca. Aos poucos estão conquistando espaço numa área que ainda mantém uma cultura de preconceitos em relação à presença feminina.
Superar este obstáculo, não tem sido fácil, mas o que tem fortalecido esse processo é que as mulheres estão se auto identificando como pescadoras. Através desta postura têm dado visibilidade à atividade pesqueira por elas desenvolvida.
Na pesca e no lar, um cotidiano marcado por muitas atribuições, contudo, as mulheres encontram tempo e força para se organizarem e darem visibilidade a uma das profissões mais antiga do mundo e praticada por povos de diferentes nações.
Diante disto, este trabalho pretende analisar como se dá o processo de organização das mulheres pescadoras e suas formas de resistência. O estudo será orientado a partir do entendimento das categorias de gênero e trabalho.
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Proteger a lagosta é proteger o pescador: uma análise do discurso da campanha da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca
Veronica del Pilar Proaño de Fox, Jademilson Manoel da Silva, Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão (UFRPE)

Com base na ideologia da sustentabilidade, o governo federal brasileiro vem empregando no seu discurso o termo “gestão sustentável” , como norteador de uma práxis atual na atividade pesqueira no Brasil, que enfrenta uma crise sem precedentes devido ao uso contínuo de métodos de pesca predatórios, ameaçando tanto as espécies marinhas como o sustento de uma geração de pescadores artesanais e seu legado cultural. Sem pretensão de esgotar o assunto e com base em alguns autores da Escola Francesa de Análise de Discurso (AD), este ensaio propõe uma reflexão teórica de como a linguagem é materializada na ideologia e como esta se manifesta na linguagem. Para tanto, analisa-se o discurso da propaganda, o discurso da sustentabilidade e, ainda, o discurso do poder na campanha “Proteger a Lagosta é Proteger o Pescador” da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (SEAP). O presente trabalho situa-se nos condicionantes sócio-históricos e tem uma abordagem crítica, a partir da postura da SEAP presente no discurso da propaganda “Proteger a lagosta é proteger o pescador”, que ora é ideológico e justifica-se na gestão sustentável da lagosta como uma política pública para recuperar a atividade no país, ora é um discurso de poder que, através da retórica e do convencimento, impõe aos pescadores artesanais medidas e regras para permitir a pesca da lagosta. Uma breve reflexão acerca da comunicação dialógica na Extensão Pesqueira também faz parte desta análise.
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Manguezal Ameaçado
Viviane Santiago, Pedro Paulo Silvestre da Silva, Epitácio Gueiros, Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão (UFRPE)

Os impactos sociais e ambientais da criação de camarões no nordeste (Ceará), mudanças na biodiversidade que ameaça os manguezais, conduz a reflexão sobre as políticas públicas, ou seja, o conjunto de ações coletivas voltadas para a garantia dos direitos sociais, configurando-se num compromisso público, que visa dar conta de um processo de desenvolvimento na forma de sustentabilidade, estando diretamente ligado ao componente ambiental. No caso da "carcinicultura", a existência de uma relação entre produção e índices econômicos com a destruição de um ecossistema mais complexo do planeta, no caso o manguezal, depredação que atinge também a mata ciliar e os carnaubais causando danos às bacias hidrográficas, onde os mesmos estão inseridos. A metodologia consiste num estudo documental que envolve publicações governamentais e não governamentais e o aporte teórico de Análise de Discurso, O conceito de discurso, neste trabalho, é o de efeitos de sentidos entre locutores. Assim problematiza-se a questão na indagação: como homens e mulheres se envolvem na preservação ambiental do manguezal? Importante destacar que a maioria das mulheres pescadora sobrevive da coleta de mariscos.
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