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65 - Os paradoxos das migrações internacionais: suas dimensões étnicas, de classe e de gênero

Coordenação:
Profa Dra Gláucia de Oliveira Assis (UDESC)

Profa Dra Maria Catarina C.Zanini (UFSM)

A proposta deste simpósio temático é reunir pesquisas que problematizem como gênero, raça e classe perpassam os fluxos migratórios tanto nos movimentos do final do século XIX e do início do século XX quanto nos fluxos do início de século XXI. Ao reconstruirmos as trajetórias de homens e mulheres, perguntamos: quais são os efeitos das "viagens" nas configurações identitárias dessas populações e/ou indivíduos? Quais as formas de cerceamento, preconceito e violência com as quais se deparam os migrantes? Como gênero permeia essas trocas que envolvem circulação de mão-de-obra barata nos diversos mercados globais? Compreende-se que os estudos migratórios são clivados por uma enormidade de diferenciações sociais, tais como: gênero, classe, étnicas, raciais, entre tantas outras e que um simpósio como este pode vir a se tornar um fórum privilegiado para se investigar e analisar como, em diferentes espaços históricos e por diferentes agentes, estas categorias têm sido negociadas e, também, manipuladas. Diferentemente das dinâmicas analisadas nos estudos clássicos de migração que enfatizam os processos de adaptação e assimilação dos migrantes, os migrantes contemporâneos vêm construindo múltiplas relações entre a sociedade de origem e a de emigração. Esses transmigrantes, que mantêm múltiplas relações - familiares, econômicas, sociais, organizacionais, religiosas e políticas  ampliando as fronteiras e colocando em inter-relação o global e o local, têm aberto um campo imenso de estudos interdisciplinares nos estudos migratórios. Portanto, buscamos discutir nesse simpósio as trocas (em pequena ou larga escala) que tem circulado historicamente nos circuitos transnacionais e como são perpassadas por gênero, etnia/ "raça", nacionalidade e geração configurando diversos laços entre as sociedades de origem e emigração e novos processos identitários.

Rotas do desejo. Discursos midiáticos sobre prostituição como estratégia migratória e tráfico de mulheres para exploração sexual na rota Brasil-Espanha (1997-2007)
Anamaria Marcon Venson (UFSC)

Este artigo analisa embates discursivos travados nas páginas dos principais jornais de dois países envolvidos com o tráfico internacional de mulheres com fins de exploração sexual nos últimos anos: a Folha de São Paulo, publicado no Brasil, e o El País, publicado na Espanha. Para dar historicidade a esse fenômeno e perceber as tramas de sua constituição, a abordagem comparativa é uma estratégia de trabalho que permite levar em conta especificidades e ajuda a compreender como um mesmo fenômeno assume características diversas nas conjunturas históricas analisadas. Minha proposta objetiva pensar os mecanismos de poder presentes nessas configurações discursivas que definem o tráfico internacional de mulheres, percebendo problematizações marcadas pelo gênero, pois o discurso midiático se refere, na maioria das vezes, a trabalhadoras do sexo em processos migratórios que são tratadas ora como vítimas, ora como infratoras, marcando-as com eficientes mecanismos de discriminação de gênero.
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“Viúvas de maridos mortos”: um estudo sobre repercussão da migração na vida das mulheres do Município de Timbiras- MA.
Andréa Joana Sodré de Souza, Karlene Carvalho Marinho (Universidade Federal do Maranhão / Faculdade Santa Fé)

A migração de homens e mulheres do município de Timbiras – MA para o estado de São Paulo tem se intensificado nos últimos anos de acordo com estudos de Marilda Menezes(2002) e José Martins (1986). É certo também afirmarmos que a maioria dos migrantes são homens (83,65%) – segundo dados levantados durante a pesquisa de campo, realizada durante os anos de 2005 e 2006. Neste trabalho, trataremos do processo migratório na vida das mulheres que ficam nas cidades de origem e que se tornam chefe de família temporariamente, enquanto seus maridos, pais e irmãos migram para o estado de São Paulo, a fim de trabalharem no corte de cana. Através de seus relatos busquei compreender a repercussão desse processo na vida destas mulheres, buscando perceber de que forma a migração interfere em suas vidas e desmistificando a visão de que estas são meras vítimas de uma sociedade desigual, assim, mostrando as diversas facetas que envolvem o processo migratório. Os dados analisados foram obtidos através de observações diretas no campo.
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Brasileiras e samba em Chicago: modelando-se à luz do desejo do outro
Bernardete Beserra (UFC)

Mais que outros brasileiros imigrantes, aqueles que trabalham com os produtos culturais brasileiros sentem-se constrangidos a reforçar e muitas vezes encarnar as idéias que circulam internacionalmente sobre o Brasil e o povo brasileiro. Dentre outros produtos culturais, como a bossa-nova e a capoeira, o samba é aquele para onde todos os mitos e fantasias de brasilidade confluem. Baseada em estudo etnográfico desenvolvido em Chicago, entre agosto de 2006 e agosto de 2007, apresento um mapa do mundo do samba naquela cidade e como nele se localizam e se relacionam brasileiros e estrangeiros. Estou particularmente interessada em analisar como as sambistas brasileiras se transformam para acolher os olhares e expectativas do consumidor. Que descobertas fazem sobre si próprias e sobre os consumidores do samba? Que novos ingredientes são incorporados à sua percepção de gênero, sexualidade, feminilidade, nacionalidade? Argumento que nesse encontro/confronto com o outro, novas idéias de feminilidade e sexualidade assim como de Brasil e brasilidade são construídas e difundidas no corpo-a-corpo travado pela imigrante artista ansiosa por conciliar o que mais agrada ao outro com a sua própria compreensão e experiência de gênero e de Brasil.
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Etnografia situacional de la memória histórica de la región de Los Altos de Jalisco, México
César Perez Ortiz, Eliseo López Cortés (Universidad de Guadalajara, México)

Como resultado de nuestras investigaciones recientes acerca de los flujos migratorios hacia los Estados Unidos en la región de Los Altos de Jalisco, México; proponemos exponer relatos etnográficos del transmigrante alteño, con el objetivo de reflexionar acerca de la importancia teórico-metodológica del recurso de la historia oral situacional; como una herramienta de análisis antropológico indispensable para comprender múltiples situaciones y complejidades culturales de los flujos migratorios en contextos regionales-transnacionales.
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E quando o sexo é o destino final? Uma análise sobre sexualidade e migrações internacionais
Claudia Eleutério Felipe dos Santos (Universidade Católica do Salvador)

O trabalho em questão visa discutir as migrações internacionais através da perspectiva de gênero e principalmente a relação entre sexualidade e migração. Através de resgate histórico e de pesquisa sócio - antropológica, são apontadas discussões envolvendo o estereotipo da mulher brasileira e sua influência na circulação de pessoas a nível internacional. Com a globalização e o encurtamento de distâncias, tornou-se simples difundir a imagem da mulata nacional, fazendo do Brasil pólo de turismo sexual e das brasileiras grandes vítimas do tráfico de pessoas. No nordeste brasileiro a situação é ainda pior devido às vulnerabilidades da população local, o que fez com que a cidade do Salvador, capital da Bahia, fosse o foco da pesquisa que tem como objetivo refletir acerca da imagem de erotização atribuída a essas mulheres, sempre pautada nas relações étnicas/ “raciais” e como assim se formou um modelo sexual altamente atraente, disponível e facilmente acessível, o que na atualidade acarreta migrações para fins sexuais. Por fim, a pesquisa vem a traçar um perfil dos atores envolvidos nessas práticas, para analisar as percepções que esses personagens tem quanto à sua identidade, através do enfoque de etnia/ “raça” e gênero.
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Japoneses e japonesas da colônia de registro- SP nas fotos de Suejiro Yasunaka- anos de 1930 a 1933
Daniel Choma (UDESC)

O artigo traz uma análise do álbum fotográfico produzido por Suejiro Yasunaka entre os anos de 1930 e 1933 na Colônia de Registro, São Paulo. Este fotógrafo japonês percorreu a região, a cavalo, portando pesado material fotográfico, registrando o trabalho de dezenas de famílias recém chegadas ao Brasil. Com o patrocínio dos estabelecimentos comerciais e dos trabalhadores e trabalhadoras locais, Suejiro Yasunaka montou um álbum fotográfico cuja impressão em papel jornal foi realizada no Japão. Busca-se detectar o modo como homens e mulheres surgem nas centenas de fotografias, a partir de uma análise do número de vezes em que os indivíduos de cada gênero aparecem, as circunstâncias e posições ocupadas. Pretende-se discutir os papéis sociais afirmados à época por mulheres e homens situados em um contexto específico de imigração recente. O texto também traça um paralelo com alguns aspectos da migração japonesa analisados por Célia Sakurai no artigo “Imigração japonesa no Brasil: um exemplo de migração tutelada”. Tangenciando uma discussão sobre a fotografia como fonte histórica, verifica-se a potencialidade das imagens em trazer á luz relações de gênero. Situando os possíveis objetivos do fotógrafo, da família e dos comerciantes da colônia, busca-se levar em conta a função social do material fotográfico produzido, bem como a expectativa destes atores em torno do resultado do álbum - afinal seu financiamento despendeu recursos de muitas pessoas da comunidade. A análise das imagens deste álbum nos permite debater representações de gênero entre os colonos japoneses em Registro-Sp, e o olhar do fotógrafo Suejiro Yasunaka
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Trabajar de interna: o trabalho doméstico dos imigrantes latinoamericanos e os paradoxos da regularização da imigração na Espanha de zapatero
Denise Fagundes Jardim (UFRGS)

Em fevereiro de 2005 entra em vigor a lei orgânica 4/2000 que efetua a normalização ou legalização de situações de emprego irregular de trabalhadores estrangeiros na Espanha. No contexto de sua primeira legislatura, 700.000 imigrantes indocumentados puderam tramitar pedidos de regularização. Uma das características desse novo regramento é o de formular prazos para apresentação de solicitações de residência inicial e trabalho. Em três meses, de fevereiro a maio de 2005, as solicitações eram recebidas e eram concedidas até um ano de vigência para a primeira autorização. Uma segunda característica diz respeito aos requisitos do demandante do visto e este é, em concreto, o empregador.
Este estudo analisa alguns dos paradoxos das políticas de regularização massiva de imigrantes na Espanha atual (de 2004 até 2007) e o modo como incidem sobre os fluxos e refluxos do trabalho doméstico empreendido por mulheres imigrantes latinoamericanas em Madri. Evidenciamos algumas das estratégias das mulheres, entre elas a de “trabajar de interna”. A partir dos comentários sobre sua situação laboral, nos mostram as cumplicidades necessárias para o ingresso no mundo do trabalho, às novas formas de subordinação e solidariedade em face às modificações legais.
Entre as ocupações regulamentadas, o trabalho doméstico segue como um dos trabalhos de maior dificuldade de regulamentação. Segundo a legislação vigente, somente um empregador, ou uma “boa patroa” como dizem as mulheres entrevistadas, se interessariam em tramitar a regularização de uma ilegal.
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A imigração feminina e os efeitos na divisão sexual do trabalho
Denise Rogenski Raizer (Pontíficia Universidade Católica do Paraná)

Entre os movimentos migratórios mundiais, se destaca aquele exercido pelos cidadãos sul-americanos em direção a Portugal e Espanha. A principal motivação dessa migração foi o grande crescimento econômico experimentado por esse dois países, favorecidos pelo ingresso na União Européia e a necessidade local de mão de obra.
Esse recente movimento migratório, tem como característica relevante a presença das mulheres, que tanto migram por reintegração familiar, como por projetos próprios de migração.
A intenção desse trabalho é demonstrar como se deu a integração dessas mulheres na sociedade européia e os efeitos causados em términos de discussão de gênero.
É apontado por muitas pesquisadoras, como Sonia Parella, Doutora em Imigração e Gênero, o fato de que essa migração acabou por amortizar a discussão sobre a divisão sexual do trabalho entre homens e mulheres europeus, tendo em vista que, a presença da mão de obra imigrante e barata, fez com que os conflitos modernos nas questões da divisão sexual do trabalho fossem relativizados após a incorporação das mulheres-imigrantes nas funções de cuidado.
Para finalizar, resta o comparativo com a realidade brasileira. Considerando a nossa grande estratificação social, se importarmos esta forma de interpretação, poderíamos concluir que a discussão sobre a divisão sexual do trabalho na classe média brasileira está amortecida pela mão de obra disponível?
Enquanto na Europa, se fala sobre a divisão internacional sexual do trabalho de cuidado, aqui poderíamos falar de divisão econômica desse mesmo trabalho?
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Brasileiros no mercado de trabalho na área metropolitana de Lisboa (Portugal): histórias e relatos de uma vida migrante e suas redes sociais
Eder Cardoso Diniz (Centro de Ensino Camboriú)

A emigração de brasileiros para o exterior no final do século XX e início do século XXI, inseriu definitivamente o país nos novos fluxos da população mundial, caracterizando uma migração de classe média, cada vez mais empobrecida e uma classe operária sem emprego ou no subemprego. Pesquisas recentes têm apontado para o aumento e importância das mulheres nos fluxos migratórios contemporâneos. Estas têm sido articuladoras de redes sociais na migração e muitas vezes são as “pioneiras” no movimento migratório familiar. As redes sociais têm se mostrado cada vez mais importante para o sucesso do processo migratório. Quem sai quem fica ou quem acolhe, todos estão envolvidos numa rede social de relações muitas vezes pré-estabelecidas. O presente trabalho resultado de uma cadeira do mestrado em Migrações, minorias étnicas e transnacionalismo pela Universidade Nova de Lisboa mostra como mulheres brasileiras que cruzam fronteiras, oceanos e culturas, vivenciam, se relacionam e se inserem num mercado de trabalho informal, subalterno, precário e mantêm-se dignamente. Revela que a migração não é resultado apenas de uma escolha racional, mas de estratégias desenvolvidas temporalmente, nas quais as mulheres têm uma importância central, contribuindo para a continuidade do processo migratório familiar. Depoimentos e observação participante revelam que as mulheres além do pioneirismo e de ocupar um nicho do mercado de trabalho migrante mantêm a si, a família e ou filhos deixados no Brasil ao cargo de familiares que vêm na migração uma possibilidade de melhoria e alimentando o mito do eterno retorno.
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As “viúvas de maridos vivos”: os paradoxos no cotidiano das esposas de emigrantes
Ellem Saraiva, Igor José de Reno Machado (Universidade Federal de São Carlos)

Pensando na migração como um projeto familiar, devemos entender que além das possíveis implicações da (e)imigração para aqueles que diretamente realizam o ato migratório, como as deportações e a exploração do trabalho, ocorrem também desdobramentos àqueles que permanecem no Brasil e estão envolvidos nestes projetos, ou seja, as famílias. A partir de trabalhos de campo realizados entre os anos de 2005/2007 na cidade de Governador Valadares (MG) e de entrevistas com emigrantes retornados e seus familiares, pudemos presenciar os diversos paradoxos vivenciados pelas mulheres cujos maridos emigraram. Por ser massiçamente uma emigração masculina, as mulheres que permanecem no Brasil, como chefes da unidade residencial, passam a ter centralidade no desenvolvimento de tarefas que antes eram desempenhadas pelos maridos, como a administração do dinheiro e dos bens do casal. A aceitação de sua atuação em âmbito público, no entanto, não significa a possibilidade de subversão da hierarquia de gênero pré-existente. Apesar de terem conquistado uma posição mais igualitária em relação ao homem com relação aos afazeres, as mulheres ainda são moralmente tratada como desiguais, numa espécie de “duplo padrão de moralidade sexual” (DAUSTER, 1987), não tendo o consentimento de sua situação de mulher que mora sozinha, sem o controle masculino na unidade residencial. Assim, dentro deste universo conflituoso, seus comportamentos são vigiados por parentes e vizinhos, imprimindo a estas mulheres a necessidade de uma espécie de “luto” constante, demonstrando, através do resguardo de suas atitudes e da expressão de sentimentos como choro, “nervoso” e saudade, a “dor” da ausência do marido.
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Problemas de classe e gênero em narrativas de imigrantes
Giralda Seyferth (PPGAS – Museu Nacional – UFRJ)

Num estudo sobre a emigração em massa de poloneses para os Estados Unidos, publicado em 1918, Thomas e Znaniecki destacaram a utilidade dos documentos de cunho pessoal para a análise sociológica e psicológica da imigração. De fato, deram grande importância à correspondência trocada entre parentes, que permitiu manter um elo entre o país natal e o de acolhida, e aos escritos de natureza biográfica. Com os devidos cuidados metodológicos, pode-se dizer que os manuscritos de imigrantes deixados como legado aos descendentes, assim como as narrativas de certos viajantes também migrantes, são fontes importantes para analisar as trajetórias de pessoas que construíram para si uma identidade de imigrante no Brasil. Sem descuidar das implicações contidas nas noções de memória, história e trajetória, pretende-se discutir como homens e mulheres de diferentes classes sociais narraram suas experiências de imigração, assumindo uma identidade ambígua de forte apelo simbólico. Numa abordagem comparativa, serão analisados alguns relatos escritos em diferentes épocas, publicados ou não, e dados resultantes de entrevistas, procurando mostrar vivências diferenciadas, e nuançadas por gênero, do processo migratório.
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Por uma teoria crítica nos estudos migratórios: o uso da noção de trajetórias escalares
Gislene Santos (UFPR)

Nos últimos tempos consolidou-se uma significativa literatura acadêmica e política que prioriza em suas reflexões a problemática da relação entre o local e o global. Comumente o fluxo migratório internacional apresenta-se como o exemplo mais referenciado na interação entre o local e o global. O movimento circular do migrante de “ir-e-vir”, o estar entre-lugares, o envio das remessas para o seu local de destino são reconhecidos elementos fundantes de um novo espaço transnacional/globalizado. Nesta direção, alterações na escala local (econômicas e culturais, sobretudo) são explicadas e bem como ativadas a partir dos fluxos migratórios, para os quais o quadro de análise situa-se na esfera do global - o global imaginado como um ponto externo e distante da escala local. Para esta comunicação, o objetivo é desenvolver uma análise crítica desta vertente explicativa, através de dois argumentos: 1) A concepção de que o fenômeno migratório contemporâneo é transnacional em função de sua característica elementar: atravessar e habitar fronteiras nacionais distintas e a migração local determinada por ações externas, não são suficientes empiricamente para compor uma teoria relacional entre o local e o global. 2) A interação entre o local e o global demanda uma análise empírica e teórica alicerçada na noção de trajetórias migratórias, no qual concebe-se que diferentes temporalidades, lugares e situações configuram o espaço social da migração. Metodologicamente, tais argumentos levam em consideração as histórias migratórias narradas por migrantes catarinenses que retornaram dos Estados Unidos nos anos de 2000 a 2003.
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As mulheres na formação das redes de emigração
Gláucia de Oliveira Assis, Sueli Siqueira (UDESC / UNIVALE)

A emigração de brasileiros para exterior, inicia-se na década de 1960. Esses primeiros emigrantes que partiram eram em sua maioria homens e jovens, no caso de Governador Valadares foram 17 jovens emigraram com visto de trabalho para a Região de New York. Estes jovens pertenciam a famílias da classe média valadarense e emigraram em busca de aventura e de conhecer um país que no que no imaginário da juventude da época representava a terra de oportunidades, “o lugar terra era onde as coisas mais importantes aconteciam”. Estes primeiros pontos da rede foram se estendendo ao longo dos anos de 1970 e na segunda metade dos anos de 1980 a existência de uma rede social bem configurada se constituiu num dos fatores determinantes na explosão do fluxo migratório de valadarenses para os Estados Unidos. Dentre estes primeiros jovens apenas uma mulher emigrou, sendo seguida por outras duas. Como foi a trajetória dessas mulheres? Quais as diferenças de motivações e dos percursos migratórios, inserção no mercado de trabalho, quem ajudou a migrar, projeto de retorno, que dificuldades e preconceitos enfrentaram esses homens e mulheres para elaborar o projeto de emigração? Em que medida estas mulheres formatam as redes de emigração? Para tanto analisaremos os relatos orais das três primeiras mulheres que emigraram da cidade de Governador Valadares e faremos uma análise comparativa com as trajetórias dos homens procurando identificar como gênero perpassa essas experiências migratórias.
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Redes étnicas/informais e institucionais: controle imigratório de brasileiros para o Brasil
João Carlos Tedesco (Universidade de Passo Fundo)

Em razão do "pericollo emigrazione", a Itália está cada vez mais desenvolvendo políticas públicas que vinculam dimensões étnico-regionais em seus fluxos migratórios principalmente de brasileiros, argentinos, uruguaios e venezuelos. O estudo analisa algumas das políticas de "rientro", alguns dos ditos Gemellaggios desenvolvidos no RS e principalmente na região colonial do Estado no sentido de perceber sua mediação, resultados e sua eficácia no cenário do controle migratório para o país, o papel da origem cultural e regional, bem como as correlações desse processo com as redes informais que se constituem independente do horizonte institucional.
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Experiência etnográfioca de fronteira: expçloração sexual de crianças e jovens na tríplice fronteira-Argentina, Brasil e Paraguai.
Keila de Moraes, Mara Coelho Souza de Lago (UFSC)

Crianças e jovens circulam pelas fronteiras brasileiras. Principalmente na tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. Parte desta circulação é marcada pela exploração sexual de sexo, drogas ou mercadorias consideradas ilegais em que estas crianças e jovens estão submetidos na mão de traficantes e aliciadores do comércio sexual. Estima-se que cerca de 4 mil crianças e adolescentes estejam em situação de exploração sexual nesta fronteira. Este trabalho faz parte de uma pesquisa de mestrado e objetiva investigar como meninas e meninos que vivenciam a exploração sexual significam estas práticas em suas trajetórias de vida. O caminho escolhido para a pesquisa é a etnografia. Também tem como objetivos descrever alguns locais de exploração sexual na tríplice fronteira e as implicações destes lugares na trajetória de vida de crianças e jovens nestas situações e o que os profissionais que atuam na região no enfrentamento desta temática alegam para a entrada e permanência destes na exploração sexual. Discorrer sobre os espaços em que circulam estas crianças e jovens, suas experiências, o visto, o dito e o não dito são formas de conhecer a fronteira nas características que lhe são próprias.
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Memória tempo e imagem nas correspondências de imigrantes alemães
Márcia Fagundes Barbosa (UFSC)

Este trabalho tem como objetivo principal a análise de cartas de imigrantes alemães estabelecidos na região do Vale do Itajaí a partir da segunda metade do século XIX. As correspondências suprimem a distância e a ausência, revelando as impressões e o modo de vida em um novo lugar. Nesses relatos pessoais estão presentes as relações de gênero, raça e poder, de onde partem também as relações com o tempo e com o espaço para a construção de uma identidade.
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Radicci, um ítalo-brasileiro
Maria Catarina Chitolina Zanini (UFSM)

Este proposta tem por objetivo apresentar os resultados parciais de um estudo maior que está sendo efetuado acerca da literatura produzida por descendentes de imigrantes italianos no Rio Grande do Sul. Radicci é um personagem de tirinhas criado em 1983, por Carlos Henrique Iotti, descendente de imigrante italianos de Caxias do Sul. Suas histórias são publicadas diariamente em vários jornais do sul do país. Nestas tirinhas são apresentadas leituras bem-humoradas de uma família de descendentes de imigrantes italianos por meio dos personagens Radicci, pai do jovem Guilhermino e marido de Genoveva. Tem também o nonno que foi veterano durante a II Guerra Mundial. Almeja-se, nesta proposta, mediante a análise do conteúdo destas tirinhas, observar as diferentes formas como o personagem Radicci interpreta e vivencia sua masculinidade e os conflitos resultados de ser um “colono ítalo-brasileiro
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Corpos estrangeiros e nativos na Manaus de Miltom Hatoum
Maria Isabel Edom Pires (UnB)

Este trabalho propõe uma leitura da obra de Milton Hatoum (seus quatro romances e os contos dispersos) a partir das representações dos corpos nela inscritos. Diante da questão sugerida sobre “quais são os efeitos das viagens nas configurações identitárias dos migrantes”, analisam-se as experiências dos corpos migrantes e nativos e a linguagem que lhes dá forma. Encontram-se nos relatos corpos que vagam, que rezam, que se suicidam, corpos que exercem a brutalidade, corpos que a ela se submetem, constituindo, assim, um repertório capaz de inventariar a violência, o cerceamento, o encontro entre culturas e os choques dele decorrentes.
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Mulheres (I)migrantes protagonistas do seu destino?
Miriam de Oliveira Santos (UFRRJ)

Ao examinar a questão da mulher nas migrações desejamos retirá-la do papel subordinado que geralmente desempenha em tais processos (é vista como aquela que acompanha o pai e/ou o marido jamais como sujeito da migração) e tentar entender suas aspirações e objetivos na migração/imigração. O enfoque privilegiado será o do entendimento da migração como processo mediado pelas chamadas redes sociais. As redes sociais podem ser consideradas as verdadeiras unidades da migração, uma vez que indivíduos e coletividades tomam suas decisões, planejam estratégias de movimento e travessia de fronteiras, encontram apoio em termos de moradia e trabalho e, finalmente, resistem aos controles anti-migração, através do apoio obtido nessas teias de relações sociais. As redes sociais intermedeiam, pois complexas interações não apenas entre migrantes, mas também entre não-migrantes, ex-migrantes, e seus descendentes, ligados por vínculos de amizade, parentesco, experiência comum e transações comerciais. Sua influência antecede, portanto o movimento migratório em si, já que condicionam a própria decisão de migrar.
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Imigrantes internacionais do século XXI: a busca da cidadania na Ilha de Santa Catarina
Natália Cristina Ilha (UDESC)

O presente trabalho faz parte de uma pesquisa de mestrado que analisa a imigração internacional em Santa Catarina no séc. XXI, mais precisamente a presença de imigrantes contemporâneos na capital catarinense. O objetivo deste estudo é compreender quem são esses imigrantes e como acontece a sua inserção na sociedade florianopolitana. Para tal intento, o comprometimento no cotidiano desses imigrantes foi essencial para buscar maior entendimento acerca de seus sonhos e perspectivas, assim como os problemas enfrentados por eles em sua jornada e estabelecimento no Brasil. Nesse caso, o método utilizado de cunho qualitativo procurou, por meio de entrevistas, aplicação de questionários e observação participativa junto dos imigrantes na cidade de Florianópolis, compreender suas experiências de vida num novo contexto sócio-espacial. O trabalho de campo, realizado a partir dos contatos com a Pastoral do Migrante contemplou, sobretudo, imigrantes indocumentados, em estado de vulnerabilidade social, os quais solicitavam o auxílio da Pastoral para sua efetiva regularização migratória. Para que esse novo fluxo migratório pudesse ser vislumbrado, senão em sua totalidade, mas em sua essência, tal fenômeno foi contemplado segundo suas características contemporâneas coetâneas aos novos imigrantes internacionais que se movimentam pelo mundo. A dinâmica do processo migratório, expressa nesse contexto, serviu para especificar a imigração atual em Santa Catarina, suas transformações no tempo e no espaço, ressaltando diferenças e similaridades com o fenômeno migratório mundial.
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A família imigrante. Eslavos em Prudentópolis, Paraná - 1950
Odinei Fabiano Ramos (Unicentro)

A presente pesquisa tem por objetivo analisar de que forma a noção de pertencimento tem sido reivindicada por descendentes de poloneses e ucranianos na cidade de Prudentópolis, Estado do Paraná e, em especial, o papel que a família tem desempenhado na construção/transformação da identidade sócio-cultural desses grupos étnicos. Percebe-se, então, o município de Prudentópolis como local de sociabilidade, visto que, pode-se perceber a presença massiva de imigrantes ucranianos e seus descendentes, bem como suas influentes co-relações de interesses para com os descendentes de poloneses e descendentes da pequena população de que já habitava a região no período anterior à imigração. Optou-se como recorte temporal para a presente pesquisa, pelos anos de 1895 a 1950, período em que a imigração foi intensa na região e quando as relações familiares desses grupos étnicos eram determinadas ora pelo Estado, ora pela Igreja.
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Relações de gênero na constituição da família imigrante ucraniana, em Papanduva-SC
Paulo Augusto Tamanini (UDESC)

Esta pesquisa pretende analisar as relações de gênero presentes na constituição familiar dos imigrantes ucranianos, em Papanduva-SC, nas décadas de 1950 e 1960, visto que estas relações se entrecruzam nos âmbitos político, étnico e religioso na reprodução de valores aceitos e naquela comunidade. Se a figura centralizante do masculino exercia o poder e dele emanava o comando sobre as mulheres, era nelas que se depositava as esperanças em forma de cobranças como responsável na transmissão dos costumes, rituais, cultura e vivências da fé, ameaçadas pelos efeitos do êxodo forçado. As relações de poder e de gênero são evidentes tanto dentro quanto fora do espaço privado das casas, e do grupo étnico, onde fica visível a necessidade de endogamia para a reprodução e conservação dos ritos e costumes. As fontes orais onde dizem de tensões e subjetividades, cujas narrativas se entrelaçam nos detalhes do privado, e com profundos significados nas experiências de vida das mulheres, entrelaçadas aos sentidos étnicos e familiares.
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