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66 - Construindo novas relações de gênero: a presença feminina nos territórios do saber

Coordenação:
Profa. Dra Mariléia Gartner, Doutora em Literatura e Vida Social (UNESP/ASSIS), docente da Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (UNICENTRO)

Profa. Dra Maira Angélica Pandolfi - Doutora em Literatura e Vida Social (UNESP/ASSIS), docente da Universidade Estadual Paulista (UNESP)

A palavra gênero aqui tratada refere-se, propriamente, à diferenciação na construção social do masculino e feminino do sexo biológico. Este conceito veio elucidar a história social e cultural dos sujeitos masculino e feminino, atribuindo significado às relações de poder. Sabemos que as relações de gênero se constroem de maneira indissociável das relações de poder. Desse modo, propomos a reflexão e a discussão dessas relações nos diferentes territórios do saber, como na família, na religião, na academia, nos meios de comunicação de massa e nos movimentos sociais. Em todas essas dimensões as relações de gênero são continuamente construídas, destruídas e reconstruídas ao longo da história. Nesse contexto, é necessário reconhecer, evidentemente, o lugar de destaque que a mulher ocupa, desde os primórdios do Movimento Feminista até nossos dias, nas discussões de gênero. Os estudos das relações de gênero têm mostrado a superação da desigualdade feminina no que se refere aos diferentes papéis sociais que antes eram desempenhados exclusivamente pelos homens em nossa sociedade. Contudo, há indicadores que apontam o crescimento da violência entre os gêneros nas mais diversas esferas. No contexto desta reflexão, destacam-se os territórios do saber, os espaços de construção das identidades sociais dos gêneros e, sobretudo, das relações de poder. Entender a história social e cultural dos gêneros em diversos territórios poderá auxiliar, conseqüentemente, a compreensão da violência presente nessas relações.

Uma análise do gênero feminino nas notas de falecimento do jornal Prácia
Avanilde Polak; Andréia Gomes (UNICENTRO)

Esta pesquisa tem como objetivo analisar a composição do gênero feminino nas notas de falecimento do jornal bilíngüe Prácia. Este jornal circula no município de Prudentópolis - Paraná, região com grande número de descendentes ucranianos. As notas do Prácia assemelham-se a uma biografia e são produzidas pela família do falecido, não sofrendo nenhuma alteração ou correção por parte do jornal. Esses textos ressaltam qualidades e características da cultura ucraniana, como o extremo religioso, o comportamento social exemplar, além de certos fatores que podem ser identificados como determinantes da conduta referente a gêneros. O corpus deste estudo é constituído por notas de falecimento contidas nos exemplares publicados durante o ano de 2007. As análises apontam que a mulher desempenha um importante papel para a perpetuação dos costumes e valores religiosos, fato que dificulta a determinação de limites entre o que representa a subjetividade feminina e o que são pressupostos ideológicos religiosos. Autores como Meyer (2003), Del Priore (1995), Oliveira (1999), Orlandi (2005) e Foucault (1996) fundamentam este trabalho.
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Costurando vidas: Os itinerários de Ana Aurora do Amaral Lisboa (1860-1951) e Júlia Malvina Hailliot Tavares (1866-1939)
Carlos Gilberto Pereira Dias (UFRGS)

Minha ambição têm sido a de investigar o itinerário das professoras Ana Aurora e Malvina, observando os aspectos paralelos de suas trajetórias e entrecruzando suas experiências individuais.
Nesse percurso, analiso a maneira como estas duas mulheres re (construíram) suas vidas se contrapondo e tolerando os padrões vigentes na transição do século XIX e início do século XX, na medida em que exploram através de suas práticas educacionais uma possibilidade de atuar no espaço público.
A expressão “recôndito feminino” demonstra o paralelismo diferenciado entre os papéis experimentados entre homens e mulheres ao longo da história, o que via de regra Ana Aurora e Malvina vivenciam no período delimitado, ou seja, um refreamento em seu campo de possibilidades de suas atuações. Porém, isso não implicaria necessariamente em dizer que as mulheres estavam circunscritas ao espaço privado apenas, mas é justamente nesta “resistência” que ampliam e realizam seus projetos.
Nesta desigual relação de força entre o “gênero” masculino e feminino, cabem as provocações suscitadas por Simone de Beauvoir: “[...] como realizar-se um ser humano dentro da condição feminina? Que circunstâncias restringem a liberdade da mulher, e quais pode ela superar?”.
Portanto, essa discussão permeia nossas investigações e nos instiga a compreender como a “construção social” das idéias sobre os papéis próprios aos homens e às mulheres são incorporadas historicamente.
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As Mulheres de Debret
Élcia de Torres Bandeira (UFRPE)

Analisar as pinturas de Jean Baptiste Debret, francês que participou da Missão Francesa trazida por Dom João VI e que permaneceu no Brasil entre 1816 e 1831, possibilita avaliar as relações sociais que se estabeleciam no Rio de Janeiro em seus espaços públicos e privados. Desfrutar da companhia das “mulheres de Debret” escolhidas entre negras, índias, brancas e mestiças coloca o historiador diante de exuberantes fontes iconográficas para pesquisas que tenham como objeto a identificação das mulheres brasileiras nos oitocentos como sujeitos individuais e coletivos e suas relações de gênero. Os olhares inquietos dos leitores podem visualizar em suas obras representações simbólicas criadas pelo autor e captar fragmentos do universo feminino no Brasil do século XIX. A iconografia se revela então como um acervo ainda a ser explorado, território ainda indomado que requer do leitor acuidade sensorial e análises verticais que mergulhem em profundidade no objeto da imagem e nas formas de abordagem de mundo que estabelecem elos entre o real e o imaginário em crescente ebulição criativa Representações simbólicas são projetadas e decodificadas de acordo com a capacidade de apreensão do observador dos fragmentos da teia de signos e de seus significados. Trabalhar transversalmente com temáticas como as de gênero demanda do historiador um sentido aguçado para apontar nas figuras centrais ou coadjuvantes relações de proporções e de posições de homens e mulheres que são captadas dentro do contexto histórico patriarcalista brasileiro no século XIX.
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Questões de Gênero: Uma análise da recente produção acadêmica de educadoras e sociólogas.
Jefferson da Costa Soares (UFRJ)

Considerando que a presença feminina na sociologia brasileira, embora percebida a partir do fim da década de 1940 e início de 1950, aparece com vigor desde a década de 1960 e que a problematização das questões de gênero nos campos sociológico e educacional já é algo histórico, o presente trabalho elabora uma síntese integrativa do conhecimento sobre “Gênero”, com base na análise das dissertações e teses defendidas nos programas de pós-graduação em Sociologia e em Educação no Brasil. Para tanto, foi examinada a produção acadêmica defendida no período de 2000 a 2007, por Sociólogas e Educadoras, encontrada no banco de teses e dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), buscando a contabilização desses estudos, a apresentação de uma visão geral do que revelam as dissertações e teses, quais são os temas mais e menos explorados e suas contribuições, tanto para o desenvolvimento de seus campos, quanto para referenciar práticas e políticas. Trata-se, portanto, de um estudo exploratório sobre questões de gênero na produção acadêmica brasileira, que adota um recorte temporal específico e que possui como fio condutor de sua reflexão, a produção de conhecimento.
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O corpo imaginado em Adalgisa Nery
Larissa Mata

A escritora modernista Adalgisa Nery publicou em 1959 o romance autobiográfico A imaginária, que deu fruto a discussões acerca da representação feminina pela escrita auto-referencial como a de Sabrina Karpa-Wilson (2001), que nota no romance a reflexão acerca da pouca autoridade da figura feminina. Este trabalho reflete sobre como a perda de importância da narradora culmina na desintegração de sua constituição corporal, que passa a ser substituída pelo texto. Contudo, o texto mostra-se ausente e fragmentado como o corpo que substitui, em toda a sua pluralidade de sentidos. Este trabalho se utiliza de teóricos que reconhecem a crise da representação na figura humana diante de situações extremas e que por isso se valem de conceitos como marca, máscara e impressão para tratar do corpo ausente, como Jean Luc-Nancy (2006) e Jacques Derrida (2001, 2005). Vale ressaltar que a fragmentariedade e a difícil representação corpórea podem ser associadas às situações limites pela qual a narradora passa, com a perda de entes amados, a convivência constante com a loucura e a sua condição feminina subestimada.
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O Patriarcado presente na Contemporaneidade: Contextos de Violência
Leonardo José Cavalcanti Pinheiro (UCSAL)

Sabe-se que a família tem passado por diversas mudanças na atualidade, sendo passível de vários modelos de configuração. Alguns valores “tradicionais” nas relações familiares são abandonados e uma nova concepção de relação é construída a partir dessas mudanças na contemporaneidade. Porém, a literatura da família apresenta uma leitura, ainda bastante firme, do patriarcado, assumindo valores imutáveis nas famílias. Diante deste contexto, vê-se a necessidade de descrever brevemente a sociedade patriarcal e conseqüentemente a sua compreensão de família, para então compreender a nova família contemporânea, entender os conflitos de gênero que regem os dias atuais, e que assumem contextos de violência dentro da estrutura familiar.
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O secundário e as mulheres: uma comparação entre Brasil e França no campo educacional
Leticia Cortellazzi Garcia (Université Paris Descartes)

Na França, em 1880, foi aprovada uma lei que criava e normatizava o ensino secundário público e feminino para as mulheres – Loi Camille Sée. No Brasil o ensino secundário, tanto para homens quanto para mulheres, será posto em lei pela primeira vez em 1931, pelo Decreto nº 19.890. Todavia, no estado de Santa Catarina, o primeiro curso de ensino secundário exclusivo para as mulheres começará apenas em 1935. Nesta direção, o presente trabalho procura traçar os paralelos e as dissonâncias entre a Lei Camille Sée, na França e as duas primeiras leis que envolvem e regulamentam o ensino secundário no Brasil (Decreto nº 19.890 de 1931 e o Decreto-Lei nº 4.244 de 1942) abordando também os respectivos contextos de criação destas leis com o objetivo de analisar e problematizar a educação feminina neste nível de escolarização para melhor compreender a posição das mulheres em relação ao saber durante o decorrer do século XX. Este estudo se apoiará teoricamente, sobretudo, nos trabalhos da historiadora francesa Françoise Mayeur, publicado em 1977, sobre a história do ensino secundário feminino na França, de Jane Soares de Almeida, publicado em 2007, sobre a educação das mulheres no Brasil e na pesquisa que venho desenvolvendo no programa de doutorado sobre a educação secundária feminina em Santa Catarina. Serão utilizadas como fontes primárias as leis supracitadas.
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“A mulher não faz o seu destino, aceita-o”?: Gênero e docência nas décadas 1940-1960 em Pelotas/RS
Lourdes Helena Dummer Venzke (UFRGS)

O presente trabalho tem por objetivo investigar os discursos recorrentes acerca das professoras que atuaram em instituições específicas para o atendimento de crianças de até seis anos de idade, em Pelotas/RS, nas décadas de 40 a 60 do século XX. Para tanto, estão sendo investigados diferentes documentos arquivados nas instituições que mantinham cursos de formação de professores/as e naquelas que se dedicaram ao atendimento da primeira infância, nessa cidade. Também, busca-se em dois jornais locais — Diário Popular e A Opinião Pública — subsídios importantes para a investigação. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, tendo como aporte teórico os Estudos Culturais e os Estudos de Gênero, além das contribuições de autores e autoras que trabalham na perspectiva pós-estruturalista. A análise desses discursos é importante na medida em que podem apresentar o pensamento de uma época a respeito das mulheres, mais especificamente das mulheres professoras, e que, de certa forma, tenham contribuído para a constituição das suas identidades. Os discursos, nessa perspectiva de análise, estão implicados em relações de poder, instituem verdades e produzem efeitos. Os primeiros dados analisados apontam as representações de professora muito atreladas à figura da mãe, tendo os discursos um cunho religioso em que enfatizam o magistério como missão e sacerdócio. No entanto, também é possível encontrar discursos que buscam a valorização dessa profissão, através de outros argumentos.
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Memórias de escolarização: Concessões, conflitos e sedução na construção das relações de gênero (Bom Jesus/RS 1913-1950).
Luciane Sgarbi S. Grazziotin (Universidade de Caxias do Sul)

As questões de gênero emergiram das memórias de 30 sujeitos, que num primeiro momento, estavam falando de educação e escolarização, tornando-se uma questão particular do “mundo” masculino/feminino, permitindo seu desmembramento e uma análise particular dessa categoria. Tendo como referência o conceito de mentalidade, entendida na perspectiva de perceber o que as pessoas dessa comunidade têm em comum, no nível do cotidiano e do automático, tratando-se “[...] de uma mentalidade sempre coletiva que regula, sem que eles o saibam, as representações e julgamentos dos atores sociais” (CHARTIER, 2002), pretende-se articular as relações de gênero, que se estabelecem na cidade, a uma mentalidade, uma forma de pensamento que vincule gênero e educação. Mapear e discutir aspectos relacionados à constituição de uma mentalidade com relação ao estudo dos filhos; a profissão de mulher e de homem; a concepção do estudo como direito, ou não, de ambos os sexos; a escola, como espaço social, mista ou separada para meninos e meninas; a prioridade de quem iría para a escola; e na instituição familiar, quem decidia o futuro das filhas e filhos com relação à instrução formal. Priorizando três questões: os fatores econômicos, a religião e a escolarização como elemento de independização das mulheres. A emoção que aflora nas narrativas e seu contexto redimensiona o lugar do feminino e do masculino, destitui homens e mulheres de possíveis enquadramentos, relativiza a idéia de papéis pré-determinados e possibilita chegar perto de um passado que vai além do fato histórico.
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Helena Kolody – reminiscências de leitura e escola
Luísa Cristina dos Santos Fontes (UEPG / UFSC)

Ao processo de formação de uma escritora, subjaz o processo de formação de uma leitora, nos contextos de aprendizagens informais e formais. Tais processos são reconstituídos pelos inúmeros depoimentos de Helena Kolody, registrados principalmente em entrevistas publicadas com tonalidades eminentemente memorialistas. Para além da anamnese, aí estão as lembranças dos estabelecimentos de ensino, dos livros preferidos e suas configurações gráficas, das matérias escolares, das características dos professores, do material de uso didático, dos métodos de ensino, das condutas disciplinares e das práticas de aquisição de leitura e da escrita. Além das elucubrações sobre suas experiências com a escola, há contundentes marcações a respeito de suas impressões de literatura desde tempos muito remotos, muito anteriores à sua alfabetização. Sem falar nos vestígios da forma feminina de se relacionar com a leitura ou de apropriar-se dela...
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Personagens Femininas na Picaresca Espanhola
Maira Angélica Pandolfi (Unesp)

O estudo analisa a caracterização das personagens femininas no romance picaresco espanhol Guzmán de Alfarache (1599), de Mateo Alemán. Essa obra obedece à estrutura do gênero picaresco, que se inicia com Lazarillo de Tormes, e consiste em um relato autobiográfico em que o pícaro Guzmán conta a trajetória de sua vida, marcada por um projeto de ascensão social. Há um sentimento misógino que predomina no discurso do narrador e que reflete a mentalidade religiosa da época. Deste modo, a narrativa central apresenta-se entrecortada de estórias que retratam mulheres dissimuladas, avarentas, ambiciosas e irracionais, todas subordinadas ao universo masculino. Contudo, embora o narrador empreenda um discurso degradante sobre a mulher, observa-se que ela acaba destacando-se por suas atitudes ousadas, principalmente aquelas mulheres que pertencem às classes menos favorecidas. Para entendermos melhor os tipos de mulheres que surgem na obra, é preciso considerar que, nesta época, vive-se na Espanha uma imensa instabilidade econômica e religiosa, fazendo surgir uma ampla gama de marginalizados.
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Em busca da escrita feminina: o romance histórico contemporâneo escrito por mulheres.
Mariléia Gartner e Jocemara de Fátima Ferreira (UNICENTRO)

A leitura de romances históricos produzidos nas últimas décadas no Brasil vem comprovar que estas produções ficcionais são bem mais compatíveis com a realidade latino-americana que aquelas apresentadas nos romances históricos mais tradicionais, pois surgem do diálogo entre, pelo menos, uma voz contemporânea e a voz da história oficial, que entrecruza o passado com o olhar do presente. Assim, como obra aberta, possibilita questionamentos renovados sobre as imagens do passado, exigindo, então, um leitor experiente, que não busque um simples mergulho no mundo ficcional, uma vez que quer ser também o mundo da informação, numa tentativa de reescrever o já dito, pretendendo questioná-lo tanto quanto é questionado por ele. Nesse contexto, o romance histórico escrito por mulheres possibilita um novo modo de olhar para a escrita feminina.
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Inserção feminina nos territórios do saber teológico: Uma perspectiva de gênero
Neiva Furlin (UFPR)

No Brasil, os cursos de teologia começaram a ser implantados em finais do século XIX e, recentemente ganharam visibilidade devido ao processo de reconhecimento pelo MEC. A formação teológica adquiriu status e estabeleceu seu campo de reconhecimento nas relações que a fazem ciência acadêmica. É nesse campo que se insere minha pesquisa, ainda em fase de construção, mas focada no objetivo de analisar a trajetória de inserção de mulheres e como se constituem professoras nos cursos de graduação em teologia. O referencial analítico para explicar a tensão entre estrutura e ação, e a reconstrução dos significados e subjetividades envolvidas nessas experiências, é o de gênero. A pesquisa será desenvolvida através de estudos bibliográficos, documentos, consulta à página eletrônica das instituições teológicas, dando-se destaque às narrativas sobre as experiências dessas mulheres professoras, inicialmente, em três instituições. Alguns estudos sobre gênero e docência têm evidenciado que apesar das especializações e pós-doutorados, as mulheres ainda precisam provar que são capazes de assumir certas funções consideradas “masculinas”. Essa questão se repete, com maior intensidade, no campo teológico que, historicamente, foi marcado pelo masculino, tanto na sua constituição como na produção do saber teológico, o que permitiu a fixação do sujeito masculino nas instâncias do poder hierárquico, no ensino e na produção do discurso acadêmico teológico. Portanto, a importância desse trabalho está em analisar as dinâmicas envolvidas no processo de inserção de mulheres nesse espaço, tanto nas relações estruturais, como nos possíveis novos significados produzidos pela experiência dessas professoras nos territórios do saber teológico.
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A Mulher na Obra de Franz Kafka
Patrícia da Silva Santos (USP)

Franz Kafka, reconhecido como um dos maiores escritores de todos os tempos, é tido por parte da sua fortuna crítica como um autor com problemas na representação do feminino em sua obra, tendo por base sobretudo as relações biográficas do escritor com as mulheres. Essa comunicação se apoiará em uma análise filológica de algumas figuras femininas de Kafka para demonstrar que tais perspectivas podem ser contrariadas, sobretudo a partir da fidelidade aos textos na interpretação. As mulheres de Kafka freqüentemente quebram estereótipos sociais ao seduzirem, a despeito de serem despidas de beleza (conforme bem apontam Benjamin e Adorno) e ao estar associadas às qualidades de “irmã, empregada e de prostituta” (conforme apontam Deleuze e Guattari). Assim, para Deleuze e Guattari, as mulheres dos romances de Kafka são anticonjugais e antifamiliares justamente por terem “...qualidades menores de personagens menores, no projeto de uma literatura que se quer deliberadamente menor, e daí tira sua força de desordem” (Deleuze e Guattari, 1975, p 95). Dessa forma, essa comunicação visa explorar algumas das formas como o universo feminino de Kafka se apresenta no conjunto da sua obra, partindo da perspectiva de que também esse universo estabelece relações com uma literatura que pode ser lida enquanto crítica social.
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A trajetória feminina entre os Séculos XIX e XX na obra Missa do Galo: variações sobre o mesmo tema
Regina Chicoski (UNICENTRO)

O presente estudo está centrado na análise da trajetória feminina na obra Missa do Galo: variações sobre o mesmo tema, organizada por Osman Lins e publicada em 1977. Contando com a participação de cinco renomados escritores contemporâneos: Antonio Callado, Autran Dourado, Julieta de Godoy Ladeira, Ligia Fagundes Telles, Nélida Piñon e o próprio Osman Lins, o conto “Missa do Galo” de Machado de Assis é recriado. Cada autor recria, a seu modo, sob um ponto de vista previamente estabelecido, o conto machadiano. Os contos foram analisados comparativamente, levando-se em conta a representação da trajetória feminina e o forte poder de sedução da mulher entre os Séculos XIX e XX. A postura da mulher e a evolução do seu comportamento, evidenciado por meio de divergências e convergências, são observadas em cada texto. Construídos a partir das relações dialógicas estabelecidas com o conto de Machado de Assis, os textos dos demais autores não fogem do enredo central apresentado por ele. A obra traz à tona a representação da mulher na sociedade em várias épocas sob diversos enfoques narrativos, ao mesmo tempo em que mostra a sedução como algo que dá poder à mulher.
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Literatura, gênero e escritoras em São Luís, Maranhão
Renato Kerly Marques Silva (Universidade Federal do Maranhão)

Este trabalho discute sobre a participação de mulheres na Academia Maranhense de Letras (AML). A partir da observação do número de autoras que dela foram/são membros, tento discutir que razões fazem dessa instituição literária um espaço predominantemente masculino. Utilizo as categorias de Gênero (SCOTT, 2005) e Campo Literário (BOURDIEU, 1996) para discutir a dinâmica das relações de poder existentes entre os escritores maranhenses e as possíveis razões do distanciamento das escritoras dessa instituição. Na realização deste trabalho, analiso alguns dos discursos proferidos por seus membros nas solenidades de recepção de novos membros, com o intuito de observar os pontos de construção e elaboração de uma imagem da escritora e do escritor maranhense. Diante das análises iniciais, parece-me que, embora, a produção literária seja citada como um local de expressão dos sentimentos, da emoção que remeteria a um espaço feminino (segundo uma divisão arbitrária dos papéis sexuais/sociais) quando a produção literária designa status social, ocorre um deslocamento entre a dicotomia emoção/razão onde às obras produzidas por homens cabe todo o destaque em detrimento das obras produzidas por mulheres. Diante desse fato, observo que fatores como as relações de poder e de gênero fazem com que muitas das escritoras maranhenses sejam desconhecidas, ou melhor, silenciadas.
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As desigualdades de gênero nos territórios de saber da sociedade da informação
Roberto da Cruz Saldanha e José Eustáquio Diniz Alves (IBGE/ENCE)

Este estudo tem por objetivo apresentar a questão das desigualdades de gênero no mercado de trabalho delimitado no campo de saber da Sociedade da Informação. Pretendemos, sob a ótica das atividades econômicas, enfocar as formas diferenciadas de inserção produtiva e as assimetrias concernentes ao rendimento do trabalho e outras questões específicas relacionadas à dinâmica das ocupações. O estudo tem como base referencial empírica a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD 2004 e analisa a estrutura desse mercado de trabalho em níveis de estratificação, que abrangem atividades econômicas, grupos de idade e anos de estudo, levantando também questões importantes para discussão, como segregação no sistema ocupacional e a desigualdade salarial.
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A representação do corpo dilacerado em Clarice Lispector
Rodrigo Molon de Sousa (UNICAMP)

O trabalho propõe-se a partir de “A hora da estrela” (1977) exemplificar o tema abordado e ir desdobrando a representação do corpo, do seu processo ao seu desencadeamento. Este processo inicia-se pelo entrelaçamento da linguagem, alteridade, subjetividade da função que a palavra exerce na obra, pois, Clarice Lispector ao abordar a subjetividade do pobre na obra, faz com que tenha uma redução, que por sua vez é remetida à alucinação, que é entendida aqui, como a transfiguração da palavra em coisa. Tomando a palavra como coisa, percebe-se uma homologia entre a palavra e a personagem Macabéa, ambas são impossíveis de significação, ou seja, de representar-se no nível da enunciação. Sendo assim, a errância da narrativa faz com que o narrador, Rodrigo S.M., apresente Macabéa em “retratos”, e acaba mostrando que a redução atingiu também a imagem corporal da personagem, que sofreu um “achatamento de existência”, e faz com que Trocoli (2004), sob um outro ângulo, observasse que tal personagem é o local onde se inscreve a divisão, a falta e o desejo. Neste sentido, iremos tomar essa observação de Trocoli sobre a personagem, para buscarmos um desencadeamento para o tema abordado.
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A Mulher sob o enfoque decadentista na obra de João do Rio
Sislene Costa da Silva (UFMA)

Análise da mulher na estética literária Decadentista nos contos Duas Criaturas e A Menina Amarela, de João do Rio (1881-1921). Observa-se, a priori, esta estética na França e no Brasil. Mostra-se o comportamento feminino no Decadentismo como avesso ao modelo de mulher do Romantismo, movimento que os decadentistas tentavam superar por representar o estilo de vida burguês, que tanto desprezavam. Ao contrário da mulher romântica apresentada como a donzela frágil e passiva, a representação feminina decadentista é inspirada na Salomé bíblica, apesar de não exatamente igual, já que é comum ao Decadentismo deslocar códigos e distorcer temas tradicionais. Segundo Mucci (1994), os artistas decadentistas inspiraram-se na Salomé como modelo de mulher finissecular retratada em suas obras por ela se apresentar como uma figura de passagem do antigo para o novo tempo, já que surge em sua relação com o João Batista, o precursor de Cristo, assim como o Decadentismo, que é uma estética de passagem, por aparecer no final do século XIX, anunciando a modernidade. Essa imagem de mulher é marcada pela atração e dominação que exerce sobre o masculino, pela transgressão às normas de seu tempo e por apresentar um ideal de beleza que, Baudelaire (apud PRAZ, 1996, p.47) definiu como “... uma fonte que faz sonhar com a volúpia e com a tristeza; que comporta uma idéia de melancolia, de lassidão, de saciedade... associados a uma amargura recorrente...”.
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Celie e Shug: duas mulheres além do seu tempo
Sônia Maria Zanetti Thomaz (UNICENTRO)

Este trabalho aborda a questão do gênero na obra A Cor Púrpura, da escritora afro-americana Alice Walker, ícone da literatura negra americana, cujas protagonistas são Celie e Shug. Analisa como o lesbianismo e a orientação queer são apresentados na narrativa; estuda a objetificação da mulher negra, sua voz e identidade na sociedade em que está inserida a obra; desvela a ideologia patriarcal e verifica se esta interfere na construção da sexualidade das personagens; constata a causa da orientação sexual lésbica de Celie; verifica como o lesbianismo a influenciou; compara as vozes de Celie e Shug embasando-se nas teorias feministas de Hooks (1999), Anzaldúa (1983) e outras. Quanto aos resultados deste estudo, é possível expor que o lesbianismo constante no romance permite que as personagens contestem a opressão, a dominação masculina e o racismo existente entre os homens negros contra as mulheres negras. Estas desafiam as regiões fronteiriças do papel masculino tradicional, desconstruindo-o. Então, as relações lésbicas de Celie e Shug se tornam um refúgio de amor e fraternidade. Tal união envolve o aprendizado sexual de Celie, desperta sua auto-estima, auxilia a personagem a construir sua identidade, estimula-a a resistir à opressão que sofrera, pois fora vítima de abuso sexual pelo suposto pai e pelo cônjuge. Shug, apesar de ter apresentado orientação sexual queer durante parte do romance, posteriormente, opta pelo relacionamento afetivo com Celie e lhe mostra que pode criar novas perspectivas de vida e se reinventar como mulher e indivíduo.
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Universo em miniatura: um possível diálogo entre The Magic Toyshop, de Angela Carter, e Casa de Bonecas, de Henrik Ibsen.
Talita Annunciato Rodrigues (Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”)

Resumo (máximo 250 palavras): O presente trabalho visa estabelecer uma possível relação de aproximação e distanciamento acerca de alguns símbolos presentes no romance da escritora Angela Carter intitulado The Magic Toyshop (1967), e também na peça Casa de Bonecas (1879), de Henrik Ibsen, tais como o da “casa” e o da “boneca” (ou “marionete”). Tendo em vista a importância de tal elemento para a obra literária, este trabalho pretende elucidar como o símbolo é trabalhado na construção da ambientação e das personagens femininas de ambas as obras (Melanie, no romance, e Nora, na peça), assim como apontar sua relação com a realidade exterior das mesmas, vista através da possível crítica dos autores com relação ao ambiente patriarcal. Para a realização desse estudo, tomaremos como base teórica obras como A poética do espaço, de Gaston Bachelard, O sistema dos objetos, de Jean Baudrillard, além de obras que se referem propriamente aos autores em questão e suas respectivas obras.
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A figura da mulher na obra de Guimarães Rosa
Verônica Ribas Cúrcio (UFSC)

Em linhas gerais, buscaremos apresentar as personagens femininas da obra de João Guimarães Rosa, analisando o contexto em que se encontram na narrativa, o caráter e personalidade.
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