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67 - Gênero e práticas corporais e esportivas

Coordenação:
Profa Dra Silvana Goellner, Dra, UFRGS.

Profa Dra Miriam Adelman, Dra, UFPR.

O ST tem como objetivo discutir sobre construções, representações e relações de gênero no campo das práticas corporais e esportivas.  Procura reunir trabalhos que pesquisam e/ou teorizam sobre estas – exemplificando suas dimensões culturais e identitárias, de relações e  hierarquias de poder (de gênero, mas também de raça e classe) que as constituem ou que podem contribuir para contestá-las.  Sua nomenclatura advém do entendimento de que  nem todas as práticas corporais são esportivas como, por exemplo, a dança, o circo, a capoeira, o ioga e o hip hop visto que têm características que as diferenciam das atividades esportivas propriamente ditas, ou seja, aquelas que  incorporam na sua prática cotidiana os códigos do esporte de alto rendimento. Ao privilegiar tais pesquisas o ST procura analisar os mecanismos específicos através dos quais as práticas esportivas e corporais produzem e transformam os sentidos do feminino e do masculino,  e as formas em que atuam para construir, e/ou pôr em xeque, noções sobre o que pode/deve fazer uma mulher, ou um homem (ou: meninos e meninas). Dada a grande expansão desta área de pesquisa, assim  como a necessidade de estimular maior reconhecimento do caráter profundamente "generificada"  das práticas que compreende, a   proposta do nosso GT se insere também na agenda das tarefas centrais dos Estudos de Gênero e a Teoria Feminista no país, que há várias décadas trabalham em prol da produção de pesquisas  de uma área específica, assim como do enriquecimento da teoria social contemporânea, a partir destas contribuições.

As brutas e as frescas: identidades femininas em um projeto sócio-educativo de lazer multi-esportivo
Alexandre Jackson Chan-Vianna, Ludmila Mourão (Universidade Gama Filho )

O presente trabalho é parte da pesquisa, em andamento, intitulada Meninas que jogam bola: uma etnografia das praticantes de esportes coletivos de confronto e suas identidades. Este recorte se refere a observação das praticantes de basquetebol, handebol e futebol em um projeto sócio-educativo de lazer multi-esportivo, localizado em um subúrbio da cidade do Rio de Janeiro. Analisa a narrativa identitária contida nas histórias de vida das praticantes, bem como, das interpretações que estas atribuem para sua opção por esportes de tradição e predomínio masculino em nossa cultura (MOURÃO, 1996). Esta identidade (GIDDENS, 2002) está fortemente marcada pelo estigma (GOFFMAN, 1988) de masculinização e homossexualidade imputado as praticantes dos referidos esportes. Entretanto, a alteridade em suas narrativas não se materializa na disputa do espaço reservado masculino (DUNNING, 1992), mas no perfil das praticantes de modalidades ligadas a tradição e predomínio feminino. Neste contexto se estabelece a identidade das brutas e das frescas. O trabalho aponta como principais considerações que: i) a educação física escolar, em especial a prática dos esportes coletivos de confronto, para estas mulheres, é espaço privilegiado de socialização de atitudes transgressoras, ao contrário do que apontam os estudos de gênero e educação física escolar; ii) no ambiente familiar das praticantes, os homens (pais, irmãos, tios) são destacados como incentivadores, enquanto as mães, como o principal entrave para prática dessas modalidades; iii) o projeto sócio-educativo de lazer multi-esportivo é espaço privilegiado de sociabilidade e construção dessas novas identidades do feminino na cultura.
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Nem sedentária, nem “coquette”: A marginalização de feminilidades desviantes via educação física e eugenia
André Luiz dos S. Silva, Silvana Vilodre Goellner (Centro Universitário Feevale / UFRGS)

Este texto fala sobre mulheres marginalizadas por um discurso normativo e disciplinador. Dizeres publicados no Brasil, no início do século XX, pelo médico eugenista Renato Kehl. Considerado um dos mais importantes eugenistas brasileiros é autor de dezenas de livros publicados no Brasil e no exterior. Em meio a sua vasta obra, recortamos o período compreendido entre 1917 e 1929, para investigarmos como este autor gesta, juntamente com a educação física, a imagem de feminilidades desviantes. Referidas como “sedentárias” e coquettes, Kehl utiliza seus corpos atribuindo a eles noções de impureza, indolência e feiúra. Consideradas rainhas da arte de dissimular, as coquettes, falseiam suas imperfeições, disfarçam suas deselegâncias do corpo com truques, tornando-se assim “falsas divindades de belleza”. Kehl aponta os corpos dessas mulheres como representantes da falsidade, indícios de uma moral vulgar – exemplo daquilo que não se deve ser. A inatividade, característica das dissimuladoras da beleza, também diz respeito ao corpo das ‘sedentárias’, mulheres ‘preguiçosas’, gordas, pálidas e feias. Com os “quadris super-lotados”, “seios flácidos” e “pernas roliças”, as sedentárias são apontadas como anti-higiênicas e doentes, seres à margem dos atributos eleitos para uma mulher eugênica. Ao contrário, das artimanhas da coquette, e da indolência da sedentária a mulher eugênica deve cultivar em seu corpo a beleza honesta por meio de estímulos fisiológicos dos exercícios ginásticos – sua beleza deve ser “natural” e higiênica. Saúde, honestidade, robustez e formosura são predicados que se tornaram centrais com a marginalização de feminilidades desviantes.
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Narrativas de mulheres sobre a generificação do esporte em Portugal
Angelita Alice Jaeger, Silvana Vilodre Goellner, Paula Botelho Gomes, Paula Silva (UFRGS / UFRGS / Universidade do Porto / Universidade do Porto)

Fundamentada no aporte teórico dos estudos de gênero, esta pesquisa apresenta um recorte metodológico qualitativo cujo trabalho empírico se efetivou a partir da realização de entrevistas semi-estruturada com 21 mulheres atletas e ex-atletas, objetivando analisar as suas condições de atuação nas funções técnicas e diretivas no esporte de Portugal. Na análise dos dados foram eleitas três unidades: "Os múltiplos percursos de mulheres no esporte em Portugal"; "Das assimetrias e de outros obstáculos" e "Entre resistências e sugestões de melhorias no esporte". O estudo aponta que investimentos reduzidos no esporte feminino, estrutura precária, salários e prêmios inferiores aos dos homens e pouca visibilidade midiática continuam a caracterizar as relações desiguais entre homens e mulheres no esporte. Apesar dessas assimetrias, muitas mulheres estão rejeitando a posição de vítimas em um espaço em que a presença masculina é marcante, para assumir uma atitude de resistência, perseverando nos lugares ocupados e levando adiante seus objetivos. Ao sugerirem mudanças na condução do esporte nacional, essas atletas e ex-atletas, mais uma vez, reafirmam as suas posições e desejam que as políticas públicas privilegiem a ampliação do acesso das mulheres ao esporte, oferecendo melhores condições para alongar a sua permanência nesse campo e investindo na profissionalização em todas as esferas e níveis esportivos. Por fim, esta pesquisa apontou que o reconhecimento das desigualdades é uma condição central para mobilizar ações que busquem privilegiar a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres no esporte.
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A Participação das Mulheres na Capoeira: uma análise das relações de gênero
Camila Rocha Firmino (UFSCar)

O projeto aborda a participação das mulheres na Capoeira a partir de uma análise das relações de gênero. Embora haja um aumento do número de praticantes, professoras e mestras, a capoeira ainda se apresenta como um território de muitos conflitos de gênero, às vezes evidentes e outras vezes obscurecidos, deslocados para a esfera do biológico. O pressuposto teórico metodológico desta pesquisa consiste na possibilidade de se acessar as categorias constitutivas do sistema simbólico da capoeira através de observações e entrevistas. Desse modo, então, investigar um sistema simbólico no qual está inserida a dinâmica da disputa por prestígio e distinção na capoeira e verificar como o gênero se articula dentro ou partir dele. Logo, este trabalho se propõe averiguar a maneira pela qual a estrutura hierárquica da capoeira acomoda em sua dinâmica o gênero enquanto marcador de diferença, ou até mesmo como o principal marcador de diferença. A questão colocada por este projeto é: em que medida uma análise das relações de gênero contribui para se pensar a dinâmica hierárquica da capoeira?
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Presenças femininas na dança de rua produzindo estéticas de existência
Catia Fernandes de Carvalho (UFRGS)

O presente estudo refere-se às presenças femininas na dança de rua, expressão que aparece como um dos elementos do sistema cultural hip hop. Atualmente, o movimento hip hop tem se configurado como território predominantemente masculino nas suas manifestações culturais, sendo atravessado por diferentes significados de corpos e gêneros que se correlacionam com outras marcas culturais e complexificam as relações humanas e, portanto, de poder, as quais funcionam de múltiplas formas na organização dos grupos sociais. Nesse panorama a atuação dos corpos femininos é focalizada dentro de uma rede de relações sociais e de poder, disputando e produzindo significados, inventando seus próprios dispositivos estratégicos de inserção, de modo plural e dinâmico. Poderes não tão localizáveis (Foucault,1998), mas que estão dispersos, circulam nas práticas sociais, produzem e constituem sujeitos. Dessa forma, estabeleço como objetivo mapear como se exercem as diferentes presenças femininas em grupos de dança de rua da cidade de Pelotas/RS. Para tanto, coloco em operação tais questões: como são inventados dispositivos estratégicos de inserção das mulheres na dança de rua? Como são exercidos pelas mulheres poderes-saberes que têm o corpo como arma? Como as mulheres constituem modos de subjetividade nesse contexto? Como emergem novos territórios para a produção de existências femininas?
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Homem e homens da capoeira
Celso de Brito (UFPR)

Esse estudo é dedicado à análise do processo de construção de um estilo de masculinidade na capoeira angola. Trata-se de um processo de construção de identidade baseado na contrastividade, através do qual o estilo de masculinidade dos praticantes de capoeira angola da cidade de Londrina-PR se produz em oposição a um estilo de masculinidade dos praticantes de capoeira regional. Através de observação participante pudemos recolher as representações dos “angoleiros” à respeito de si próprios e a respeito dos “regionaleiros” no que se refere à idéia de corpo e à idéia de violência. Para tal análise, buscamos entender os comportamentos valorizados e os seus respectivos significados em relação à atribuição de status entre os homens do grupo estudado. Descobrimos que os “angoleiros” valorizam o “tradicional” em oposição ao “moderno”: o ethos “regionaleiro” é, para os angoleiros, a representação da “modernidade” e como tal, de uma ausência de reflexão, de uma aderência irrefletida ao capitalismo; por outro lado, o ethos do “angoleiro” é, segundo os próprios ‘angoleiros”, “tradicional” e como tal, reflete uma resistência ao capitalismo e sua “modernidade destruidora”. O estilo de masculinidade dos “angoleiros” é caracterizado por um posicionamento político via corporalidade: “consumo responsável” e “violência teatralizada” em oposição à valores atribuídos aos “regionaleiros”, como: “violência explicita” e “falta de consciência”. Essas oposições remetem à instrumentalização das clássicas oposições entre“irracionalidade” / “racionalidade” ou “natureza” / “cultura” para a construção do estilo especifico de masculinidade entre os praticantes de capoeira angola da cidade de Londrina.
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Superando barreiras e preconceitos: a trajetória do atletismo feminino brasileiro, 1948-1971
Cláudia Maria de Farias (UFF)

O trabalho, ao destacar a projeção do atletismo feminino brasileiro nas Olimpíadas e nos Jogos Pan-Americanos, no período de 1948 a 1971, busca entender como se operou a construção de identidades entre essas mulheres, a partir da trajetória de algumas ex-atletas negras que participaram pela primeira vez nestes eventos. Assim sendo, pretende-se discutir as múltiplas intersecções do gênero com outros componentes de diferenciação social, como classe e raça, na construção de identidades individuais e coletivas, considerando-se também o aspecto relacional desta modalidade no conjunto das práticas distintivas predominantes no campo esportivo brasileiro entre as mulheres neste contexto.
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No escurinho do desejo: as heterossexualidades masculinas ao alcance dos olhos (e das mãos)
Cláudio Ricardo Freitas Nunes (UFRGS)

Este trabalho propõe-se a levantar questões acerca da produção de masculinidades espetaculares, hetero e homossexuais, num local específico em Porto Alegre, a partir de uma prática corporal, o striptease, em que o corpo do dançarino é o locus central da interação entre as duas masculinidades citadas. Através da performance corporal, alguns atributos de masculinidade exibidos nos corpos que se apresentam, como músculos trabalhados, força e a exibição da genitália excitada, são apreciados por uma platéia predominantemente homossexual masculina. Perceber alguma hierarquização entre estas masculinidades, as negociações e alguns enredos que justifiquem esta possível hierarquia é um dos objetivos deste texto. A partir de um referencial pós-estruturalista, conceitos como corpo, gênero e masculinidades servem para orientar esta pesquisa no sentido de compreender o possível caráter pedagógico de um show de strippers em que a heterossexualidade é valorizada e apreciada, por vezes manipulada, por olhares e desejos homossexuais.
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Tornando-se lutador(a): a forja identitária entre praticantes de Mixed Martial Arts (M. M. A) em academias da cidade de Vila Velha (ES)
Felipe Quintão de Almeida, Cláudia Emília Aguiar Moraes, Samuel Thomazini Oliveira (UFSC)

Trata uma pesquisa de cunho etnográfico em 3 academias especializadas na prática de Mixed Marcial Arts (M. M. A), todas elas localizadas na cidade de Vila Velha, no Espírito Santo. O termo M. M. A corresponde à denominação mais recente da prática corporal que mundialmente ficou conhecida como Vale-Tudo, esporte de combate caracterizado pelo emprego de técnicas corporais oriundas de artes marciais (jiu-jitsu, boxe, kickboxers, luta greco-romana, etc.) distintas. Nos 7 meses imersos no campo, combinamos a observação participante nas academias, devidamente registrada no diário de notas, com a realização de entrevistas semi-estruturadas com 09 lutadores de M. M. A (8 do sexo masculino e 1 mulher). Fotografias e filmagens dos locais de treino e também dos eventos (competições) que os lutadores/lutadora participaram foram um recurso metodológico importante. Nesta comunicação, confrontamos os resultados de nosso trabalho com a literatura já existente, conferindo especial destaque àqueles aspectos concernentes à forja identitária (incorporada) do(a) lutador(a) de M. M. A, partindo, para tanto, de sua trajetória inicial como praticante de esporte de combate até seu envolvimento atual com os treinos, as competições bem como com os rituais, valores, gestos e expressões específicas dessa prática esportiva, em que o corpo está no centro das atenções (do praticante, do treinador, da platéia). Como existia, entre os sujeitos investigados, 1 lutadora profissional de M. M. A, procuramos refletir também sobre sua inserção nesse espaço, freqüentado (como demonstram outras pesquisas, mas também nosso campo) predominantemente por homens e impregnado pelos ideais de virilidade e masculinidade.
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Práticas Corporais e Lúdicas como instituidoras do gênero no espaço do lazer
Ileana Wenetz (ESEF-UFRGS)

Neste trabalho, pretendo desenvolver a partir dos Estudos de Gênero e dos Estudos Feministas que se aproximam ao pós-estruturalismo, noções de como as praticas corporais, esportivas ou lúdicas conformam aprendizagens de gênero na infância. Essas aprendizagens acontecem em espaços quotidianos e em praticas diárias e, ainda, em momentos considerados de dispersão e de lazer. Ditos espaços considerados simples ou compreendidos como "menores" podem ser entendidos também como espaços não formais de educação do corpo, do gênero e da sexualidade. Realizarei uma analise refletindo como se conformam tanto meninas quanto meninos reforçando os significados tradicionais do termo, meninas mais meigas e meninos mais violentos. Mas também, trarei alguns exemplos do que acontece quando as crianças atravessam essas fronteiras de gênero realizando praticas lúdicas ou esportivas consideradas habitualmente do outro gênero, em que condições isso acontece, e como esses discursos e praticas são reforçadas ou constituídas. Observa-se uma repetida normalização para "adequar" as práticas realizadas na infância com a finalidade de reforçar significados já estabelecidos como normais para uma determinada feminilidade e para um tipo especifico de masculinidade. A feminilidade caracterizada como movimentos de graça, harmonia, a beleza e a delicadeza nos movimentos e a masculinidade, da agressividade, a força e a violência como forma de caracterizar a virilidade. Essas formas de ser determinam configurações de corpo, de comportamentos e de maneiras de compreender a feminilidade e masculinidade em nossa sociedade.
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Um passo à frente e muitos a serem dados: relações de gênero nas corridas de rua na cidade de Campina Grande – PB
José Luiz Ferreira (Universidade Federal de Campina Grande - PB)

As corridas de rua vêm em amplo processo de crescimento motivado por interesses diversos, como: promoção à saúde, estética, integração social, fuga do estresse, prestígio social e alternativa financeira. Entendidas como práticas sociais, as corridas de rua são perpassadas por relações de gênero, evidenciadas em vários aspectos, entre os quais destacam-se a quantidade de participantes, a premiação oferecida, o apoio dispensado aos campeões e campeãs e a valorização da prática do esporte realizada por homens e mulheres. O texto tem como objetivo, problematizar as relações de gênero presentes nos eventos de corridas de rua realizadas na cidade de Campina Grande em comparação com alguns dados de grandes eventos dessa modalidade, a exemplo da Corrida Internacional de São Silvestre. Os dados empíricos são oriundos do acervo da Associação de Corredores de Rua de Campina Grande - PB e de leituras em revistas especializadas. A concepção teórica está arquitetada sob a batuta dos estudos de gênero, entendidos como campo de reflexões da construção social das concepções de homem e de mulher na sociedade contemporânea. As mulheres nas corridas de rua, em minoria, deram um passo à frente ao lutarem por igualdades de direito aos homens, mas também existem muitos passos a serem dados na perspectiva da superação de outros aspectos que as mantêm em nível de inferioridade e desigualdade social.
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A produção de gênero através do body modification
Josiane Vian Domingues, Méri Rosane Santos da Silva (FURG)

Na atualidade é possível observar o aumento no número de estudos envolvendo as questões de gênero. segundo weeks (2000), gênero são aquelas diferenciações sociais, culturais e históricas entre homens e mulheres. portanto, os estudos de gênero se focam na forma culturalmente elaborada que constitui as diferenças sexuais em cada sociedade e que se manifesta nas hierarquias atribuídas a cada sexo. a partir disso, é possível verificar que as práticas do body modification estão sendo utilizadas como demarcadores de masculinidades e feminilidades. o body modification é a prática cirúrgica voluntária corpos, com a finalidade de deixar os corpos marcados irreversivelmente. em princípio, percebe-se que as práticas mais comuns do body modification, como as tatuagens, os piercing e as escarificações, são práticas comuns tanto para homens quanto para mulheres, mas se diferenciando apenas na forma como são apresentadas e representadas. como exemplo dessas demarcações, podemos citar as tatuagens, em que é possível afirmar que pessoas do gênero feminino tatuam figuras delicadas e nas partes sensuais dos seus corpos, como o pescoço, os pés, a barriga etc. já o masculino ressalta outro elemento, o de demarcar a sua virilidade, pois sua escolha visa, além da aparência, a expressão da dor e a sua resistência a ela. estas e outras práticas são definidas como prerrogativa ou atribuição ao gênero é um processo plural, que engloba uma série de práticas ou ações humanas que permitem que os sujeitos identifiquem-se como masculino e/ou feminino, construindo, a partir de suas escolhas ou submissões, a sua identidade.
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Intercalouros e a participação de calouras: uma leitura etnográfica das relações de gênero
Juliano de Souza, Silvano da Silva Coutinho (UNICENTRO)

As relações de gênero nos esportes tem sido objeto de discussão muito presente nas atuais epistemologias da Educação Física. Nosso objetivo neste artigo é contribuir com esse debate a partir de aportes feitos na Antropologia Cultural e na produção feminista pós-estruturalista. O cenário que nos possibilitou construir este texto foi composto pela leitura etnográfica das três últimas edições do Campeonato Intercalouros (2006, 2007, 2008). Essa leitura etnográfica se delineou no sentido de uma “descrição densa” conforme Geertz (1989). Sobre o Intercalouros, esclarecemos que se trata de um campeonato de futebol de salão realizado anualmente pela Diretoria de Esportes (DIRESP) da Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná e nele participam alunos que recém-ingressaram na graduação. Nas edições anteriores a 2006, esse campeonato era realizado somente para homens, já que a procura de mulheres se fazia pequena. Eventualmente e conforme o número de interessadas, havia condições numéricas para se efetuar um campeonato paralelo para mulheres. Entretanto, a partir de 2006 a DIRESP pensou diferente e propôs um campeonato onde elas pudessem jogar junto com os homens. Para tanto, foi implementada a seguinte regra: cada equipe deveria manter, ao menos, uma menina jogando integralmente entre os titulares da equipe. Amparados na leitura e interpretação dos discursos e comportamentos durante essas edições do Intercalouros, pudemos constatar a alusão a estereótipos tradicionais de feminilidade e masculinidade. Isso se ilustrou em chavões como, por exemplo: “As mulheres deixam o jogo mais bonito” ou então, “Os homens devem ter cuidado com elas”.
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As relações de gênero que permeiam meninos e meninas nas práticas do futebol
Julio César Mendes Fontes (UFMG)

As relações de gêneros são construções sócio-histórico-culturais que um determinado grupo e/ou sociedade aprende nas interações dos sujeitos nas práticas culturais. Neste propósito, as dinâmicas cotidianas do futebol, pensadas num movimento simbólico, são tempos/espaços que (re)produzem para indivíduos envolvidos nas práticas sentidos, significados, valores e normas singulares que torna este esporte espaço de legitimidade e interesses. Com base em uma metodologia de inspiração etnográfica realizada durante quatro meses numa escola pública na cidade de Belo Horizonte, este estudo procurou entender como as relações de gênero eram (re) produzidas por meninos e meninas nas práticas de futebol nas aulas de Educação Física. Os dados observados revelaram que nos meandros das práticas deste esporte, os usos, as articulações, apropriações, formas de participação, os discursos dominantes na constituição da disputa pelo jogo e no jogar dos atores envolvidos ocorrem num movimento tênue, de tensão, conflito e poder. Portanto, as representações simbólicas caracterizadas/construídas por determinadas práticas sociais são processos de aprendizagem que podem ser (re)construídos por seus atores nos contextos de interação. Sendo assim, além dos “jogos de poder”, as práticas do futebol no contexto das dinâmicas corporais e esportivas deve ser um momento/movimento de possibilidade de vivenciar um processo de formação, de socialização e de conhecimento sobre si e sobre os corpos nas diferentes amplitudes enquanto ser humano.
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Cultura corporal o próprio e o impróprio à “natureza” feminina
Lígia Luís de Freitas (CPPM / PMJP)

Esta proposta resulta da pesquisa que fundamentou minha dissertação de mestrado, cujo foco de análise foram os discursos de professoras e professores, alunas e alunos, pai, mãe e juiz durante a realização da VI Copa de Futebol Infantil, das escolas do município de João Pessoa, em sua edição de 2002, e das reflexões atuais que venho fazendo, a partir da minha experiência com práticas corporais inclusivas e não sexistas na formação de profissionais da educação. Para este texto privilegio comentar como a educação não formal influência na construção dos papéis masculinos e femininos e na naturalização das diferenças de sexo e de gênero. Neste caminho trago contribuições de estudos, pesquisas que mostram como a cultura corporal manifesta um viés de gênero. De uma forma geral pode-se dizer que o discurso social sobre práticas corporais reforça preconceitos, valores e mitos que colocam algumas atividades corporais como incompatíveis com à “natureza” feminina.
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Sociabilidades e magreza entre freqüentadoras de academias de ginástica femininas
Marcela Amaral (PPG/SOL/UnB)

"Sem Sacrifício, e de uma forma muito divertida, com ambientes agradáveis e profissionais capacitados [...] Em poucos meses mudei do manequim 42 para o 36 [...] emagreci 20kg. Isto é Curves . Não uma Academia, mas um estilo de vida". Este é um depoimento encontrado no site da Curves. A autora é freqüentadora da academia e além de expor sua trajetória até encontrar a Curves, apresenta uma fotografia de sua silhueta antes e depois. A proliferação das academias de ginástica nos centros urbanos na década de 1980 é um reflexo da centralidade do corpo contemporaneamente e marca a chamada “geração saúde”. Tem-se um significativo aumento da preocupação com a forma e o controle do peso para a manutenção de uma aparência “ideal”. Ao longo deste período a beleza das mulheres foi associada à exposição do corpo e conseqüentemente à magreza que, atualmente, em alguns contextos, beira os limites entre a saúde e a doença. Em meados da década de 1990 foi criada nos EUA a Curves. Uma rede de academias de ginástica exclusivamente feminina que hoje soma aproximadamente 10 mil unidades em todo o mundo. No Brasil, a primeira franquia foi criada em 2003 e até o final de 2007 já eram 174 unidades. Além de ser destinada às mulheres, é marcante o discurso de magreza promovido por sua publicidade. A presente proposta tem como objetivo analisar os discursos das freqüentadoras da academia Curves, identificando, a partir daí, as formas de sociabilidade e os diferentes sentidos atribuídos à magreza.
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Dança do ventre: re-significações do feminino?
Maria do Carmo Saraiva, Julieta Furtado Camargo (UFSC)

Essa pesquisa buscou interpretar as re-significações dadas à Dança do Ventre (DV) por mulheres praticantes, da nossa sociedade. O estudo foi realizado entre bailarinas e professoras que atuam em Florianópolis na área da DV e tem caráter exploratório. A metodologia utilizada seguiu os princípios da pesquisa qualitativa, com enfoque fenomenológico, baseado na estrutura prévia da compreensão.
Extrair os significados e o modo como eles foram se conformando, deu-se de maneira relacional; o objetivo não foi definir um significado fechado para a DV, ao invés disso, a pretensão foi refletir sobre os vários significados dados a partir do que trouxeram as bailarinas participantes.
Dentre os diversos significados dados à DV praticada pelas mulheres participantes compreende-se ser esta dança: a dança da mulher e do feminino; celebração da vida; dança transformadora; dança sensual; dança arte. Esses significados também foram abstraídos a partir do olhar das entrevistadas sobre a DV nos países árabes; a DV sob o olhar do “outro”; a DV praticada por homens.
De modo geral, a DV mostrou-se re-significadora do feminino no contexto em questão, onde lhe foi reconhecido um significado angariado ao longo da história. Acreditamos que essa pesquisa tenha sido de relevância para aquelas (e aqueles) que estudam a DV e a dança, pois tenta refletir sobre temas que ainda não estão esclarecidos. Como um estudo de caráter exploratório, mostra-se suficiente para que outros estudos possam ser realizados tendo uma base maior de dados da experiência vivida e pensados de uma maneira analítica.
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As mulheres e o futebol: relação diferenciada?
Maria Regina Ferreira da Costa, Gabriela Chicuta Ribeiro (UFPR)

O presente texto discute a participação feminina no futebol de alto rendimento e nas aulas de educação física na escola, que privilegiam o conteúdo futebol. Na história da participação feminina no esporte houve um período de restrições fortalecidas pela ciência médica, no Brasil, na época do governo Getúlio Vargas, sob o olhar androcêntrico. Isto é, o que conhecemos como feminino no patriarcado foi o que os homens construíram para as mulheres. Eric Dunning (1992) recorda que o esporte é um espaço masculino importante para o funcionamento das estruturas patriarcais. Sob esse prisma como o futebol é trabalhado nas aulas de Educação Física? Se professores/as têm cedido aos apelos dos meninos, o que e como fazem as meninas nessas aulas? Será que seguem o modelo masculino de conteúdo e forma de participação? Para Diana Milstein; Hector Mendes (1999): “... as escolas convertem-se nos lugares de encarnação no sentido que servem como lugar discursivo no qual as normas do poder social, fundado na classe e na pertinência a um sexo, intextualizam-se no corpo do aluno, refletindo o mais amplo corpo político da sociedade no seu conjunto.” Daí que o corpo é suporte de significado e a aula de Educação Física é um espaço de relação dos e entre sexos. Meninas/os devem ser educados/as em relação, sem primeiros nem segundos, aprendendo a valorizar e a reconhecer a diferença que não é assimilável, que é uma qualidade na relação, que é de raiz simbólica, para que haja modelos masculinos e femininos na devida parcialidade.
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Corpos, gêneros, subjetivações: sobre o domínio de si em bailarinas e atletas
Michelle Carreirão Gonçalves, Alexandre Fernandez Vaz (UFSC/CNPq)

Um elemento marcante do esporte contemporâneo é o conjunto de técnicas e recursos característicos do treinamento desportivo. Ordenadora da rotina dos atletas, a lógica do treinamento faz-se presente em outras experiências que exigem precisão do corpo e dos movimentos, como a dança. No presente trabalho investigamos aspectos da pedagogia corporal construída nas práticas e discursos de atletas (de atletismo) e bailarinas (de balé clássico). Interessou-nos, sobretudo, o domínio de si e suas decorrências: dores, sacrifícios, privações, lesões, sucesso, expressão estética, e, nos marcos dessa comunicação, esses elementos demarcados pelas questões de gênero. Para tanto, realizamos incursões etnográficas em uma equipe de atletismo e em uma turma de balé clássico. Foram feitos registros em diário de campo das observações do cotidiano de cada prática, além de entrevistas realizadas com respectivos atores. Nossos resultados apontam (1) uma distinta territorialização no que se refere a gênero, determinada no balé pelas mulheres, tanto em seu espaço físico, como nos rituais, mas partilhada no atletismo por distintas relações (homem-mulher como colaboração, mulher-mulher como concorrência, homem-homem como colaboração e concorrência); (2) uma afirmação da feminilidade no balé como projeto e estilo de vida, desafirmada, no entanto, no atletismo; (3) um constante controle da dor indistintamente nos dois gêneros que representam o sofrimento como uma espécie de sombra, necessária e legitimada pela busca da performance; (4) uma relação ambígua com as lesões, tanto em homens quanto em mulheres, deixando de ser um problema para tornar-se motivo de orgulho, criando um culto às lesões, uma celebração do sofrimento.
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Performances e (in)visibilidades: representações de jockeys brasileiras na mídia esportiva
Miriam Adelman, Lennita Ruggi (Universidade Federal do Paraná/Universidade de Coimbra )

Aproveitando material colhido em pesquisa etnográfica no Jockey Club do Paraná, trabalhamos o contraste entre a forma em que jockeys brasileiras falam sobre seu cotidiano num mundo esportivo pouco aberto às mulheres e o discurso midíatico que se constrói sobre elas. Percebemos tendências claramente diferenciadas: por um lado, emergem narrativas que ressaltam o compromisso e a luta para se manter dentro do esporte em pé de igualdade com seus colegas de sexo masculino; por outro, prevalece uma linguagem característica da mídia esportiva que trata as atletas a partir da sexualização, da erotização e da “apologética da feminilidade”.
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Desandando estereotipos: la expresion corporal en la escuela, una danza para tod@s
Nora Edith Miranda (Consejo Nacional del Deporte y las Mujeres - Argentina)

Toda persona se expresa a través del cuerpo, “habla” con gestos, miradas, la forma de caminar, incluso en quietud; es la expresión corporal cotidiana La “Expresión Corporal”, como disciplina artística surge en Argentina con Patricia Stokoe y su idea: danza al alcance de todos, incluyendo a los varones -quienes tenían prácticamente vedado su acceso, por ser considerada “femenina”- ; y a quienes quisieran bailar simplemente por el placer que la danza provoca. En la escuela pública nos encontramos con gran diversidad de niñas y niños, de distintas clases sociales y nacionalidades, la mayoría de l@s cuales tienen pocas oportunidades de aprendizajes artísticos fuera del ámbito escolar. La experiencia que se describe se realiza en escuelas del Gobierno de la Ciudad de Buenos Aires. El objetivo es habilitar un espacio para lo corporal, más integral que el que ofrece habitualmente la Educación Física, en forma igualitaria para niñas y varones. Un espacio de permisos sin prejuicios, favoreciendo una búsqueda personal para poder “decir” y “escuchar” Es cierto que ni la danza ni el incremento de las habilidades expresivas responden a los estereotipos masculinos, pero a partir de esta experiencia se demuestra que el disfrute y el aprendizaje son posibles para varones y niñas en la medida que se brindan las oportunidades. La escuela es el lugar de socialización por excelencia, con aprendizajes altamente significativos que inciden en el desarrollo de la personalidad. Es por ello que se considera importante una multiplicidad y diversidad de estímulos que permitan elecciones futuras más libres.
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A presença da mulher no esporte
Rogério Goulart da Silva (UFPR)

O escopo deste artigo reside na crítica à configuração ambivalente da mulher no esporte entendendo-o como lugar do masculino em que as barreiras impostas ao corpo feminino estão relacionadas tanto à idéia da maternidade, feminilidade, fragilidade inerente ao pensamento androcêntrico, quanto à exaltação das potências do corpo feminino, sob a regência do gosto masculino. Com isso, a inserção da mulher no esporte é demarcada pelo sexo oposto, reforçando as estruturas patriarcais. Na história da mulher no esporte entram em cena, agentes sociais diversos, tais como os médicos/as, educadores/as, assistentes sociais e mulheres que praticam o esporte. É uma história em que os ganhos da visibilidade feminina são evidentes, mas esbarra-se muitas vezes na noção de feminilidade imposta pelo patriarcado. O desporto moderno nasceu como parte de uma transformação “civilizadora”, onde um dos aspectos pode ser visto na mudança levemente niveladora na balança entre os sexos. Daí que para refletir sobre a presença da mulher no esporte é necessário entender esse espaço como pertencente também ao feminino, mesmo que as idéias sejam de homologação do feminino ao masculino. Busca-se, portanto, compreender as formas de controle do corpo feminino, numa história marcada por lutas, fracassos, preconceitos, conquistas, transgressões, ou seja, por ditos e não ditos sobre a mulher no esporte.
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Esportivizando corpos: a masculinização e a feminilização da vulnerabilidade social
Rose Méri Santos da Silva (UFPel, PPGEA – FURG)

O presente trabalho é fundamentado teoricamente nos princípios do pós-estruturalismo e tem como objetivo problematizar como os discursos e seus regimes de verdades vão caracterizando e constituindo algumas crianças e jovens como em situação de “vulnerabilidade social”. Esses sujeitos passam a existir enquanto necessitários de controle, de proteção e demandam a implementação de estratégias governamentais, visando não só o controle da população, mas o gerenciamento de suas condutas, de seus corpos e de suas vidas. Nessa perspectiva é que são propostas políticas públicas de esportes, estabelecidas a partir de discursos que as constroem como salvacionistas das mazelas humanas, pois poderiam disciplinar, gerenciar e controlar o tempo e os corpos desses sujeitos. Tais práticas são veiculadas objetivando conter as condições de vulnerabilidade e os riscos sociais e são fortemente marcadas pelas questões de gênero, que ao serem direcionadas aos meninos enfatizam principalmente suas preocupações na perspectiva de afastá-los do mundo do crime e para com as meninas, os medos e as ansiedades, giram em torno de protegê-las da prostituição. É nesse sentido de conter, de gerenciar os riscos da sociedade em geral é que a presente análise propõe-se a destacar a questão da corporeidade e os processos de controle do corpo – enquanto instrumento de uso social, que disciplina, esquadrinha, visando um governamento de ações individuais e coletivas – enfatizando também como isso se reflete nas estratégias de governo e de governamentalidade, via políticas públicas de esportes, com diferentes ênfases para meninos e meninas tidos como em vulnerabilidade social.
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A ofensa, o Juiz e a sentença: gênero e sexualidade em jogo no futebol brasileiro
Thaís Rodrigues de Almeida, Johanna Coelho Von Muhlen, Carolina de Campos Derós (PPGCMH / ESEF / UFRGS)

A discussão analisada neste trabalho, parte de discursos abrangendo concepções homofóbicas do universo esportivo, os quais foram veiculados e debatidos recentemente nos meios midiáticos brasileiros. A notícia do processo, envolvendo um jogador de futebol que se considerou caluniado com a fala de dirigente (insinuando num programa televisivo ser este homossexual), e concluído através de declarações como: “futebol é um jogo viril, varonil não homossexual”, expressas pelo juiz encarregado do caso, despertou nosso interesse, por reacender na mídia esportiva, os questionamentos acerca da existência de jogadores homossexuais nos grandes times do futebol brasileiro. Acompanhamos o tratamento que diversos veículos da imprensa fizeram nesta situação específica retratada, e, questionamos: se o futebol é um jogo para ‘machos’, que representações acerca do esporte, das masculinidades e da homossexualidade foram retratadas e tomadas como normativas pela mídia no contexto investigado? Para contemplar tal problematização, focalizamos nosso olhar nas informações trazidas pela mídia esportiva sobre este acontecimento específico, através de um recorte priorizando fontes com grande abrangência de leitores/espectadores, e que englobaram representações sobre a sexualidade e universo esportivo. A partir das nossas interpretações, acreditamos que se o jogador de fato assumisse sua homossexualidade, isso poderia provocar o desabamento de muitos dos argumentos apresentados pela mídia em sua defesa, pois ser nomeado homossexual, foi apontado como ofensa. Propusemos ainda, reflexões mais amplas, sobre a permanência do discurso de homossexuais não poderem jogar futebol em nossa sociedade, como apontado pelo Juiz na conclusão do processo.
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Gêneros e Masculinidades em performance e em questão
Wagner Xavier de Camargo (UFSC)

Os atuais estudos que pretendem dar conta das mudanças e transformações inerentes à identidade masculina, apontam para uma crise desta, sejam pelos novos papéis sociais atribuídos ou adquiridos pelos homens, sejam pelos novos atores sociais em cena ? mulheres, homossexuais e afins. O que se postula é um esforço intelectual de reflexão sobre a materialização dos corpos e a produção de subjetividades dos gays esportistas, articuladas com as distintas construções de masculinidades em cena, e a produção simbólica sobre uma suposta “virilidade” engendrada e reproduzidas pelos agentes sociais. Nesta investigação, não se tomará o sujeito como ponto de partida, mas se aperceberá à produção de subjetividades como um processo contingente, ligado à matriz discursiva de inteligibilidade do que está se referindo. Como pensar a materialização dos corpos e a produção de subjetividades no universo dos gay games? E, ainda, como tomá-las como contingentes mediante a prática esportificada em questão? De que forma, práticas discursivas distintas construiriam a noção de virilidade nos embates das edificações das masculinidades, durante a manifestação esportiva produzida pelos gay games? Seria possível pensarmos em uma matriz discursiva de inteligibilidade homonormativa associada aos gays, lésbicas e transgêneros? E haveria uma homossexualidade imposta como prática sexual dominante e naturalizada como norma ou regra na performance da dominação de gênero às avessas no ambiente em questão? Realizar-se-á o trabalho etnográfico junto aos VIII Gay Games, que ocorrerão em Colônia, Alemanha, em 2010. Pretende-se, neste processo investigativo, a elaboração de uma descrição densa sobre o cenário dos gay games, além de uma interpretação antropológica do universo em questão.
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