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68 - Família, gênero e sensibilidades

Coordenação:
Flávia Maria Silva Rieth – Doutora em Antropologia, Professora Adjunta do Instituto de Ciências Humanas, Pesquisadora do LEPAARQ/UFPel.

Jurema Gorski Brites – Doutora em Antropologia, Professora Adjunta do Instituto de Ciências Humanas e Letras, Departamento de Ciências Sociais da UFJF.

Fabíola Mattos Pereira – Mestranda em Ciências Sociais, UFPel.

Objetiva-se neste simpósio temático revisitar, a partir da perspectiva antropológica, as correlações entre família, gênero e sensibilidades. As atenções se orientarão para a discussão de trabalhos etnográficos e/ou de revisões bibliográficas que reflitam sobre as dinâmicas familiares e institucionais envolvendo mulheres, e a busca dos significados das sensibilidades em ambientes variados, sejam estes: bairros populares, delegacias, penitenciárias, instituições de assistência social, escola, ONG, igrejas; focando-se a feminização da pobreza. Salientam-se os estudos que contemplam o uso do Estado dos sentimentos de família e infância em que a mulher é a responsável legal pelo recebimento de benefícios sociais, acionando diferentes redes de assistência. Observa-se, ainda, a atualidade dos estudos sobre aumento da violência e a participação cada vez mais ativa de mulheres no crime que nos colocam questões com relação à experiências de institucionalização. Em presídios mistos, tem-se novas dinâmicas de relação amorosa.

Relações sexuais e de gênero numa casa de prostituição feminina.
Amanda Gomes Pereira (Universidade Federal de Juiz de Fora)

A proposta desta comunicação é refletir sobre as redes de relações homossexuais e de gênero numa casa de prostituição feminina na cidade de Juiz de Fora. O prostíbulo no qual se realiza a minha pesquisa, a boite K2, possui características bem peculiares se comparado as outras casas de prostituição feminina. No seu espaço conjuga-se a casa de show – em que as profissionais do sexo apresentam suas performances e conversam com os clientes – e uma edificação anexa – onde se localizam seus quartos. Estes quartos, por sua vez, são divididos por duas mulheres que, como pude constatar em campo, em sua maioria, possuem um vínculo de afetividade. São casais e estabelecem vínculos afetivos e de apoio financeiro que criam relações sexuais e de gênero próprias. Estes vínculos que pretendo esmiuçar com detalhes neste trabalho
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Relações familiares e violência: idosos entre abafos e desabafos
Carla Maria Lobato Alves (UFMA)

A demografia tem demonstrado o crescimento da população idosa no Brasil. Este fenômeno populacional vem, no entanto, acompanhado de certa complexidade que envolve o domínio das relações sociais, particularmente no âmbito doméstico com sua (re)configuração através do fenômeno da coabitação de gerações. O objetivo deste trabalho consiste em analisar a violência familiar contra idosos na cidade de São Luís- MA. O estudo baseou-se em uma análise sobre os relatos de abusos e maus-tratos cometidos por familiares, registrados por idosos na Delegacia de Proteção ao Idoso em São Luís, Maranhão. Percebeu-se que os idosos demoram a denunciar o agressor tanto pelos laços familiares envolvidos entre vítima e agressor, quanto pela situação “humilhante”, em decorrência da exposição através da denúncia, que rompe com a fronteira que divide a esfera pública da privada no espaço da instituição de polícia. Assim, verificou-se a complexidade que envolve o âmbito familiar, uma vez que este, cada vez mais, vem apresentando situações de conflitos e agressões relativos às questões de poder, autoridade e do papel que o idoso passa a ter nesse contexto.
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Imagens de Família para a Vida do Bebê: Representações discursivas em um Manual de Puericultura: As figuras do pai e da mãe. (A Vida do Bebê – Dr. Rinaldo de Lamare)
Cristiane Cecchin (UFSC)

Diante dos aportes teóricos metodológicos da História Cultural e da História da Leitura e pelas propostas da História da Família e da Criança, intenta-se aqui analisar os dispositivos textuais do Manual de Puericultura intitulado “A Vida do Bebê”, de autoria do médico pediatra Rinaldo de Lamare, com sua 1ª edição lançada em 1941, obtendo larga circulação entre as mães brasileiras atestada no lançamento da 41ª edição em 2001. A introdução de uma norma familiar burguesa associada à gestão de uma população condizente com a sociedade que se procurava forjar pela eminência da modernidade, pressupõe a compreensão dos preceitos do manual direcionados à demarcação do espaço da família e da atuação dos pais e filhos no ambiente privado. Pela visualização de uma determinada representação de família como lugar da recepção dos discursos de civilidade e higienismo direcionados à criança, busca-se a compreensão desta norma que pressupõe a mãe como leitora e seguidora das prescrições, na intenção constitutiva de suas representações inerentes ao amor materno e às atenções ao lar, pelas naturalizações da figura feminina no ambiente privado da família, bem como da figura masculina paterna no âmbito público do trabalho. Ao direcionar as observações discursivas mais propriamente à 14ª edição, publicada em 1956, considera-se este objeto como pertencente a uma classe de Manuais de Civilidade dispostos à construção e internalização das sensibilidades pela demarcação dos comportamentos urbanizados na sociedade, observando a viabilização deste discurso que intentava a inserção das imagens de civilidade também no espaço da família idealizada para o momento.
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Relações de Gênero, Sexualidade e Violência na Escola e na Família: Experiências de Jovens-mulheres do Ensino Médio
Iraci Pereira da Silva (Universidade de Brasília)

Discutir o papel da mulher na família ou na sociedade não é uma questão nova. Desde a década de 70 do século XX o movimento feminista e as entidades civis vêm denunciando a discriminação contra a mulher e exigindo ações concretas no âmbito político e da sociedade civil. Um dos resultados dessa luta é a inserção da mulher no mercado de trabalho e a conquista de outros espaços na sociedade. O presente trabalho apresenta a visão de jovens-mulheres do ensino médio sobre essas questões, assim como suas experiências e expectativas sobre sua condição de mulher e as várias interfaces de suas relações com o meio social. Para tanto foram realizados grupos de discussão com meninas na faixa etária de 14 a 21 anos de idade de uma escola pública localizada em uma região de baixo poder aquisitivo no Distrito Federal. Um dos resultados da pesquisa que chamou a atenção foi o grau de conscientização das estudantes sobre seus direitos e a certeza de que a desigualdade de gênero e a dominação masculina são um dos fatores que geram a violência dentro e fora da família e da escola.
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O grupo de auto-ajuda Mulheres que Amam Demais Anônimas-MADA como espaço educativo na (des)contrução de identidades femininas
Maria da Luz Olegário (Universidade Federal da Paraíba)

Este trabalho é parte de minha tese de doutoramento sobre o grupo de auto-ajuda Mulheres que Amam Demais Anônimas-MADA, como espaço educativo na (des)contrução de identidades femininas. O objetivo deste texto é descrever, a partir do método arqueológico de Michel Foucault, o que dizem estas mulheres sobre um sentimento que as aprisionam e sufocam e sobre os seus desejos de mudança. Inserir-se neste grupo é uma estratégia de sobrevivência para muitas delas que precisam aprender novas formas de se relacionar sem estabelecer uma relação de co-dependência amorosa, sejam estes relacionamentos permeados ou não, pela violência. Saliento, ainda, que a procura por esses grupos está relacionada às condições econômicas dessas mulheres, uma vez que estas não têm como encontrar ajuda através de atendimento psicológico e/outros tratamentos particulares. Neste texto, a descrição partirá de documentos próprios do grupo utilizados em suas reuniões semanais.
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Envelhecimento e relações de gênero no olhar de mulheres idosas
Maria Emília Santiago Barreto, Mônica Aparecida Del Rio Benevenuto, Tânia Maria Jesus de Carvalho (UFRRJ)

Este artigo analisa as trajetórias de vida de mulheres idosas que residem em instituições de longa permanência dirigidas, sobretudo, para a percepção de velhice e para a representação que fazem de si mesmas. O universo de investigação foram três casas de longa permanência da região de Campo Grande - Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. Foram entrevistadas 24 idosas entre 63 e 93 anos. A velhice mostrou-se com representações múltiplas, fragmentadas e ambíguas, contraditórias e contextualizadas, numa percepção tanto positiva quanto negativa. A positiva relacionou a pessoa velha com aquela que possui experiência. A negativa aproximou-se da “velhice irrealizável” de Beauvoir, numa associação da pessoa velha com a pessoa doente e parada. A ambigüidade se revelou na percepção do envelhecer soar pejorativamente, mas podendo ser entendido também como o momento de real felicidade por se ter vivido tantas épocas. Foram muitos os papéis desempenhados ao longo da existência dessas mulheres: mulher, mãe, trabalhadora, dona de casa, esposa e filha. Elas que na década de trinta receberam educação patriarcal, romperam o modelo e se divorciaram, trabalharam fora de casa, proveram a família. Da mesma forma, foram educadas para serem mãe e esposa, a dona do lar e, no entanto, atravessaram seus anos de mocidade vivenciando as experiências de serem cortejadas e de enamorarem-se. Essas mulheres tornaram-se fortes, entretanto sem deixarem a doçura e sem abandonarem seus sonhos. Chegaram à velhice com os mesmos desejos de outrora: querem um companheiro, um lar e a família por perto.
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O papel das mulheres safristas no interior da unidade familiar: hierarquia e complementariedade
Mariana Silva Carlos (Universidade de Santa Cruz do Sul)

Este trabalho decorre da problemática levantada no meu Trabalho de Conclusão de Curso onde me propus a investigar sobre os valores que compõem a moral do trabalho num contexto popular urbano de Santa Cruz do Sul, e ainda perceber como essa moral se submete às relações de gênero. Mais especificamente, procuro apresentar uma análise das implicações e relações entre ser mulher, mãe e trabalhadora safrista. Utilizando o referencial teórico da antropologia e o método etnográfico pude estudar este grupo a partir de seus recursos simbólicos, procurando interpretar os valores que condicionam suas visões de mundo. O que justifica moral e socialmente o trabalho é a possibilidade de manter a unidade doméstica, sendo assim, homens e mulheres compartilham a mesma moral como uma atividade que promove honra, dignidade e satisfação. Contudo, a motivação do homem advém de seu papel de provedor, e a mulher é motivada por sua responsabilidade perante o espaço privado e doméstico, o que imprimi uma lógica hierárquica e complementar no seio da unidade doméstica. Entretanto, o emprego temporário em questão torna-se conveniente para essas mulheres porque possibilita o cumprimento de suas principais obrigações – permite ficar em casa com a família e realizar outras atividades menos sacrificantes para conseguir rendimentos, como também, garante salário mínimo por três ou quatro meses contribuindo de maneira significativa para o orçamento doméstico. Ao atuarem como trabalhadoras da indústria fumageira, essas mulheres extrapolam a dimensão doméstica da moral do trabalho feminino.
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Correrias e trabalhos no Programa Fome Zero (ou “Eles não têm a cara de pau que a gente tem”)
Martina Ahlert (UFSC)

No período da redemocratização, no Brasil, diversas pesquisas em antropologia urbana destacavam envolvimento das mulheres nas organizações de bairro e nas reivindicações políticas nas áreas periféricas urbanas. Apontavam para a importância da família e da maternidade enquanto argumentos utilizados pelas mulheres neste cenário. Nos últimos anos os governos federais têm determinado as mulheres enquanto receptáculo de recursos e ‘benefícios’ alcançados pela participação em programas de governo. Este trabalho procura explorar como acontece a participação de um grupo de mulheres de um loteamento popular da cidade de Porto Alegre no Programa Fome Zero. Argumenta que, aspectos considerados ‘conservadores’ e mesmo obstáculos à participação das mulheres nas políticas públicas e no cenário da política institucional, se constituem como fundamentais para a forma como as coordenadoras do Núcleo Fome Zero Monte Verde geriam aquele espaço. Neste sentido, utiliza duas categorias nativas, a idéia de “correrias” e a noção de “trabalho”. Tais categorias demonstravam duas qualidades admiráveis nas coordenadoras, assim como nas demais mulheres moradoras do Loteamento. Sendo portando, tais categorias, portadoras de características que falavam sobre o ‘feminino’ naquele grupo popular. Correrias e trabalho constituíam, ainda, chaves interpretativas para entender as negociações entre o casal e entre as famílias das coordenadoras. Neste sentido sugerindo a importância do parentesco na articulação do Programa Fome Zero com o cotidiano das mulheres coordenadoras.
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Influências de Identidade de Gênero na Determinação da Guarda Judicial para Juízes
Leandro Castro Oltramari; Camila Gonçalves Gomes (Unisul)

A pesquisa a ser apresentada surgiu em decorrência dos conflitos familiares encontrados no serviço de mediação familiar no que se refere guarda judicial. O objetivo deste estudo é compreender de que forma os juízes da Vara de Família determinam a Guarda Judicial e, se ocorrem nesse processo, determinações com influências de identidade de gênero. Para a realização deste trabalho utilizou-se do enfoque da Psicologia Social acerca das identidades de gênero, a função materna e a função paterna na construção e modificações da família contemporânea, assim como aspectos legais e reguladores como a Constituição de 1988, o Novo Código Civil e o Estatuto da Criança e do Adolescente. Adotou-se como método de investigação a pesquisa exploratória e qualitativa, utilizando como instrumento de coleta de dados entrevistas semi-estruturadas, sendo a população de amostra quatro juízes da Vara de Família. Os dados coletados foram analisados num primeiro momento por categorias, sendo considerado a partir do referencial teórico citado. Dentro das categorias apresentaram-se com freqüência questões relacionadas identidades de gênero inseridas na cotidianidade. Ao fim deste processo constatou-se que as identidades de gênero estão presentes na nossa cotidianidade estando assim também nas determinações de Guarda Judicial.
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Cocina, género y conocimiento antropológico en Texpoztlán (Estado de Morelos México y Vuelta de Candelilla, Pacífico Sur de Colombia)
Luis Alfonso Ramirez Vidal (Universidad de Antioquia - Medellìn-Colombia)

A alimentação é um acontecimento que ultrapassa o puramente biológico e nutricional. A antropologia tem contribuido significativamente para evidenciar que se trata de um fato marcado profundamente pela cultura. O artigo pretende, desta forma, mostrar e ao mesmo tempo propor, um debate edificante sobre a relação que existe, e sempre existiu, entre o cozinhar e o gênero.
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Mulheres cooperadas: Uma experiênicia de criatividade feminina na arte de produzir conquistas
Michelle da Silva Lima (UFF)

Neste trabalho avalio a contribuição particular do engajamento feminino em atividades desenvolvidas em torno de uma Cooperativa Habitacional localizada no município de São Gonçalo, Rio de Janeiro, cujos representantes podem ser classificados como membros de famílias de trabalhadores. Ela funciona sob o regime de mutirão familiar da mão-de-obra para a construção de casas populares do qual participaram homens e mulheres para a construção das primeiras 39 casas do projeto familiar que contou com o apoio financeiro e organizacional da ONG Fundação Centro de Defesa dos Direitos Humanos Bento Rubião. O cooperativismo aqui proposto como nova forma de organização política e econômica da sociedade investe no poder de articulação coletiva acumulado na história da classe trabalhadora. Ao atualizar princípios socioculturais importantes como o espírito de solidariedade e a articulação da rede de sociabilidade, as mulheres cooperadas passaram a exercer um poder de liderança sutil e criativa, conferindo um sentido específico de coletividade ao grupo.
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As tarefas femininas e masculinas na cozinha da Galeteria Peccini: uma reprodução dos hábitos da colônia
Rosana Peccini (UCS)

Esse artigo pretende analisar uma empresa constituída pelo conjunto “hotel e restaurante” localizada em Caxias do Sul, destacando–se, pelo lado gastronômico, a Galeteria Peccini, tendo-se como foco a questão de gênero na divisão de tarefas. A Galeteria Peccini foi a primeira empresa a trabalhar com a especialidade gastronômica conhecida como, galeto al primo canto, nessa cidade. Começou suas atividade em 1950, dentro de uma empresa que já existia desde 1931 e criou para a região, um novo espaço para a gastronomia.
O coração dessa empresa foi sua cozinha, onde desde o principio evidenciou-se uma divisão de trabalho feminino e masculino, aparentemente ligada à uma questão física. Trabalhos pesados para os homens e trabalhos leves ( se é possível assim se referir a esse trabalho) para as mulheres.
Os assados ficaram nas mãos dos homens que manuziavam os espetos, brasa, fogo e carne crua. As comidas de panela ficaram nas mãos femininas, que produziam sopa, pão, molhos e massas. Também havia algumas tarefas onde havia a participação familiar como um todo, como é o caso das geléias e enchidos ( salame, linguiça, torresmo, copa).
Embora a referida galeteria seja um espaço urbano e público, sua origem está diretamente vinculada aos imigrantes italianos da região, reproduzindo nesse comércio a economia familiar, tal qual se deu na colônia, onde predominou a mão-de-obra familiar. Mas a medida que o comércio expandiu-se, houve a necessidade de contratar empregados que se posicionaram conforme o gênero, reproduzindo a tendência que existia na família, embora através do contrato de modelo capitalista.
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