fazendo genero 8
 
 
 
 
autores cronograma cultura
inscricoes posters hospedagem
programacao simposio tematico transporte
mini cursos lancamentos contato
 
 
     
 
header apresentacao

69 - Pensamento negro, corporeidade e gênero: textualidades acadêmicas, literárias e ativistas

Coordenação:
Alex Ratts, Doutor em Antropologia Social (USP), prof. Adjunto (UFG)

Joselina da Silva, Doutora em Ciências Sociais (UERJ), profa. Adjunta (UFC)

Rosane Borges, Doutoranda em Comunicação (USP)

Desde o final do século XIX, passando por todo o século XX, sobretudo a partir dos anos 1960, até os dias atuais, escritoras e escritores negros da África e Afro-América (Estados Unidos, Caribe e América Latina) têm tratado da construção, em relações assimétricas, da negritude, branquitude, feminilidade e masculinidade em textos políticos, literários e acadêmicos. Nessas textualidades o corpo – da mulher negra e/ou branca e do homem negro e/ou branco – aparece como referente em construções diferenciadas e desiguais, a exemplo das "imagens de controle" (Patricia Collins). O gênero, enquanto uma categoria relacional, permite um constante diálogo com diversos outros aspectos das relações sociais. O objetivo do GT Pensamento negro, corporeidade e gênero: textualidades acadêmicas, literárias e ativistas é constituir-se num espaço de interlocução procurando articular aspectos interdisciplinares ou multidisciplinares, acerca do legado produzido dentro e fora dos espaços acadêmicos, em diferentes momentos sócio-históricos. Este simpósio abriga pesquisadoras e pesquisadores que desvendam linhagens entre autores e/ou autoras de uma mesma nacionalidade ou de várias, além do deslocamento desses autores e autoras e de seus textos entre os campos acadêmico, literário e ativista (especialmente feminista, lgbtt e movimento de mulheres negras). Os estudos concernentes a essa temática provém de diversas áreas disciplinares das artes e humanidades: antropologia, sociologia, comunicação, literatura, artes visuais, história, geografia, dentre outras.

O jogo das identidades na formação de professores: tensões e dilemas de estudantes negras
Alex Sander da Silva (PUCRS)

Nessa breve exposição, pretende-se apresentar de forma limitada, alguns apontamentos e questionamentos que dizem respeito à tematização da problemática racial no âmbito da formação docente. Como também articular uma compreensão dos desdobramentos das identidades raciais de estudantes negras do curso de pedagogia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; suas percepções sobre as tensões e dilemas das possibilidades adequadas à construção de sua identidade, de sua cultura, de sua corporeidade, enfim, de seu conjunto cultural e social de forma afirmativa na universidade.
PDF

Raça, Classe, Gênero: para falar de perspectivas de luta contra o racismo no Brasil
Amauri M. Pereira, Azoilda L. da Trindade (UEZO-Universidade Estadual da Zona Oeste-RJ / UNESA)

A ditadura militar ainda estava firme, no início dos anos 70, e o Movimento Negro Brasileiro já se rearticulava, agora sob o impacto de eventos significativos que galvanizavam a opinião pública internacional, como ocorria em relação aos processos de descolonização africana e às lutas pelos direitos civis dos negros norte americanos. Era, também, um momento em que o Movimento Feminista conquistava espaços e adquiria visibilidade. Este texto pretende falar de como as idéias que emanavam dessa conjuntura estiveram presentes, muitas vezes condicionando, moldando a existência de grupos e entidades, na retomada do Movimento Negro Brasileiro, no período referido. A pretensão inicial é recuperar um recorte desse momento fundamental da história recente, através das vozes de ativistas de primeira hora e de enorme importância naquela reestruturação. Raça, classe e gênero constituíram-se em elementos fundamentais de identificação e mobilizaram desejos, iniciativas, talentos, e foram decisivos na criação daquele movimento social específico, que contribuiu fortemente nas lutas de então por liberdades democráticas. Mais de trinta anos passados, e face às crescentes demandas de igualdade racial pode-se interrogar: o que as novas noções de identidade nacional brasileira e perspectivas de efetiva construção de democracia, de justiça social terão a dizer em relação àqueles três fatores de identificação?
PDF

Gênero, raça e solidão entre as mulheres negras em Salvador, Bahia
Ana Cláudia L. Pacheco (UNIME)

Esta comunicação discute escolhas afetivas, solidão, corporeidade, raça e gênero, sexualidade, amor e política cultural no contexto baiano, brasileiro atual. Baseia-se em alguns estudos demográficos dos anos 80, no Brasil, e na minha pesquisa douctoral (2008) que apontam a cor/raça como um elemento precedente na preferência afetivo-sexual de parceiros. Tais estudos sinalizam para um “excedente” de mulheres negras “solitárias”, isto é: i) sem parceiros afetivos fixos; ii) sem relações afetivo-sexuais estáveis, em relação às mulheres pertencentes a outros grupos raciais. A fim de analisar essa premissa em contextos específicos, selecionou-se como recorte empírico, dois conjuntos de mulheres negras sem parceiros fixos: o primeiro, de ativistas políticas, integrantes do movimento de mulheres negras e ou do movimento negro, e o segundo, de mulheres não-ativistas em Salvador, Bahia. Foram realizadas: observação participante, entrevistas em profundidade, análise de trajetórias e narrativas. A análise dos dados da pesquisa aponta para o entendimento de que a afetividade, a solidão afetiva, expressa práticas culturais historicamente instituídas; como o racismo simbolizado na rejeição do corpo negro feminino e na preferência afetivo-sexual por mulheres brancas ou de “pele clara”; expressos em concepções estéticas de belo (a) branco (a) magro (a), em contraposição, a ser negra, gorda, feia; baixa-auto-estima. Às diferenças de gênero, traduzidas em disputas políticas e simbólicas entre homens e mulheres foram ressignificadas em investimentos de capitais (político, social, cultural, afetivo). A ausência de parceiros, i é, a solidão, é resultante dessas relações hierárquicas intercambiantes: raça, gênero, classe, afeto e outras.
PDF

Dialogando com os estudos sobre gênero e raça no Brasil
Ângela Figueiredo (POSAFRO/UFBA)

Dialogando com os estudos sobre raça e gênero Construídos pelo discurso do outro, o corpo negro esteve associado a aberrações e, consequentemente, a sexualidade negra sempre relacionada a algo animalesco, descontrolado e violento. No Brasil, o corpo da mulata também foi sexualizado a partir do olhar do outro. De modo contrário, a mulher negra que emerge nos últimos anos, exibe orgulhoso um corpo politizado, valorizado pelo discurso cujo principal objetivo é resgatar a auto-estima negra. A emergência desse discurso deriva, inevitavelmente de uma investida anti-racista e anti-sexista no sentido de reinventar, reconstruir o corpo negro, ou, como sugere Collins resulta de um esforço e de uma busca por uma auto-definição, primeiro passo para a construção de um ponto de vista crítico. Isso quer dizer que as mulheres que se auto-definem como negras recusam serem construídas pelo olhar do outro É preciso desconstruir para resconstruir uma nova imagem, ou melhor, é preciso assumir o controle da própria imagem; nos ensina Collins. Por esse motivo, tornou-se tão importante o discurso sobre beleza negra que visa, sobretudo, afirmar os estereótipos antes negados. A construção deste discurso inspirado em padrões estéticos africanos da forma como reconhecemos hoje, ganha força na Bahia, no final dos anos 70 a partir do surgimento do bloco afro Ylê Ayê. A proposta deste trabalho é realizar a articulação das categorias de gênero e raça a partir da construção de um discurso êmico sobre beleza negra que subverte a lógica de um discurso racista que insiste em desqualificar o corpo negro.
PDF

O dizer africano e afro-brasileiro: o “manto do desassossego”
Assunção de Maria Sousa e Silva (UESPI /UFPI)

Da identidade fragilizada pelos efeitos do sistema colonial em seus países à concepção do ser feminino no contexto atual, demarcado pela violência e consumismo é o que trazem, em seus poemas, as autoras Paula Tavares, Conceição Lima, Odete Semedo, representantes vozes femininas africanas e Miriam Alves, afro-brasileira. Elas se destacam pelos escritos singulares, de "apreço pelo essencial, pelo sentido agudo (...) insurgindo-se contra a loquacidade fácil de sua linguagem", conforme, por exemplo, indica-nos Rita Chaves sobre Tavares. Seus textos de dicções diferentes, "onde pedras sangram como pássaros exaustos", reverberam ecos contra pactos que vêm reforçar a contraditória e secular visão do feminino frágil e ameaçador. Então o canto não é pelas mulheres, mas de diálogo com as mulheres de seus países, no sentido de questionar as realidades vigentes e revelar o compromisso com a humanização das relações sociais. Miriam Alves, a brasileira entre elas, apresenta-nos uma poética cortante, inconformista cujo tratar zeloso com as palavras ressoa o grito dos condenados à invisibilidade no Brasil.
PDF

Cultura de base africana em Juazeiro do Norte-CE: um estudo sobre a participação feminina no Reisado
Cícera Nunes (UFC)

Em Juazeiro do Norte - CE encontramos muitos grupos de reisado formados quase que exclusivamente por mulheres, além do Guerreiro, folguedo importado de Alagoas, variante do Reisado de Congo e que no Ceará tem destaque o da Mestra Margarida. Este é um recorte de uma pesquisa realizada no curso de Mestrado em Educação Brasileira da Universidade Federal do Ceará (UFC), que tem esses grupos como campo de análise. Esta escolha se justifica pela necessidade de refletirmos sobre a participação feminina na constituição e manutenção da cultura local. Mulheres estas que vêm buscando vencer as barreiras de uma sociedade machista e racista que desconhece o seu legado de uma história de luta. Destacamos, nesse trabalho, que o ensino das relações étnico-raciais não deve se dar desvinculado das questões de gênero e o currículo deve refletir estas condições sociais, o que implica numa formação adequada para professoras e professores de forma a lidarem adequadamente com estas questões. Ao lado dessa discussão, apresentamos uma proposta pedagógica que se assenta na utilização das danças de matriz africana como uma possibilidade de significar a identidade étnica dos afrodescendentes, como também promover a elevação da sua auto-estima e o aprendizado da cultura.
PDF

História das mulheres negras e pensamento feminista negro: algumas reflexões
Cláudia Pons Cardoso (PPGNEIM/UFBA)

O saber produzido pelos estudos acadêmicos feministas sobre questões relacionadas às mulheres mantém uma estreita relação com as reivindicações feministas, uma conexão entre sujeito e objeto. O conhecimento produzido sobre gênero e as relações de gênero legitima a prática discursiva do sujeito e lhe confere a autoridade da fala. As investigações acerca das mulheres negras no Brasil, a atuação política na contemporaneidade e suas contribuições para os movimentos de mulheres e feministas apontam para um aumento de pesquisas, porém essas produções pouco têm sido incorporadas pelos estudos feministas não negros. Da mesma forma a inclusão de raça no debate dos estudos feministas ainda é tímida e, na maioria das vezes, fica a cargo de intelectuais pertencentes a grupos racialmente discriminados. As discussões de como as relações de gênero estão interligadas às relações raciais e de classe relegadas ao segundo plano impossibilitam por um lado uma reflexão sobre outras relações de opressão que também configuram as relações de gênero - tanto de homens e mulheres brancos/as quanto de homens e mulheres negros/as - e por outro lado a apropriação da prática discursiva pelas mulheres negras. Tendo como fonte algumas pesquisas sobre mulheres negras no Brasil, suas improvisações e mediações sociais, suas experiências concretas de resistência ao processo de opressão o trabalho tem por objetivo pensar a importância desse legado de luta para a formação de um pensamento feminista negro e como esse pensamento vem sendo operacionalizado no enfrentamento ao tratamento diferenciado que as mulheres negras recebem na sociedade.
PDF

Síndrome de Zilda: propondo uma ferramenta para análise da representação de mulheres negras pela mídia brasileira
Diony Maria Oliveira Soares (UFPel)

O texto problematiza o papel subalterno que é reservado para mulheres negras pela grande mídia brasileira, em especial nas produções da teledramaturgia. Para este fim, estão sendo experimentadas as possíveis conexões entre os Estudos Culturais, os Estudos Feministas, os Estudos Negros e a Filosofia da Diferença. Neste viés, com a intenção de oferecer uma ferramenta para o campo teórico das relações étnico-raciais brasileiras, a partir da perspectiva das relações de gênero, está sendo proposta a noção Síndrome de Zilda. A moldagem da noção constituiu basicamente no agrupamento sistematizado dos resultados de algumas investigações sobre a representação de mulheres negras no Brasil. A proposta leva em conta os movimentos necessários para a construção de um território, no qual as faces da subalternidade manifestadas em personagens femininas negras midiáticas possam ser reconhecidas e identificadas. O desenvolvimento da noção constituiu em uma experimentação intelectual na perspectiva da criação de uma política de subjetivação de mulheres negras brasileiras que esteja sintonizada com o potencial “tornar-se a ser”. A inspiração para tal movimento é fruto da apropriação de reflexões de Stuart Hall, sobre a potência das identidades culturais de e para inventar a tradição, e de bell hooks, sobre as intelectuais negras.
PDF

Mulheres negras no cinema brasileiro: estratégias de afeto, amor e identidade
Edileuza Penha de Souza (UnB)

O objetivo é apresentar uma filmografia brasileira que privilegiou de forma positiva as mulheres negras, com histórias de amor, e a partir desses filmes, descrever e refletir sobre histórias de amor, paixões, afetos, desejos, acesso, ancestralidade e memória que envolvem as mulheres negras.
PDF

Sujeitas e/ou sujeitadas: sexualidades de mulheres negras
Fabiana Leonel (UFBA)

A discussão neste trabalho é de cunho investigativo sobre um aspecto das construções de gênero, a respeito de mulheres negras, a de uma hiper-sexualidade. Partindo da idéia que “nessa direção, afirma-se que o gênero, como o símbolo lingüístico, não guarda uma relação necessária com a realidade a que se refere” (SUÁREZ; 1992 p.16). O conceito de sexualidade adotado é o foucaultiano que a compreende como: os discursos autorizados que são produzidos em torno e para o controle das práticas sexuais. Essa construção de uma suposta “disponibilidade” que mulheres negras tinham no período escravista (e ainda teriam na atualidade) é sobre a qual foi construído o “mito” das relações harmônicas intra/inter-gênero e intra/inter-raciais no Brasil. Um debate, que incida sobre as representações e a geração de uma imagem da sexualidade específica de mulheres negras é central no trabalho considerando que o tema muitas vezes é citado, mas raras vezes é o centro da discussão. Terei como bases centrais Contos da autora estadunidense Alice Walker e poemas da autora brasileira Elisa Lucinda. Não se trata de qualquer tipo de comparação, mas sim de percepções sobre o assunto. Quanto às categorias pertinentes ao tema, sexualidade de mulheres negras, três são centrais para pensar este trabalho: sexualidade, gênero e raça junto às quais poderão ainda ser incorporadas outras
PDF

Facetas do pensamento negro contemporâneo
Florentina Souza (UFBA)

O presente trabalho, parte do projeto EtniCidades: Escritores/as e intelectuais negros/as no Brasil ( CNPq) visa a destacar e analisar algumas das estratégias utilizadas por intelectuais negras para instigar o debate sobre a participação das mulheres como sujeito e objeto em produções contemporâneas que desestabilizam representações monolíticas, homogêneas e essencialistas. Por séculos as mulheres foram representadas por discursos que oscilavam entre a santa e a devassa ? de toda forma representações que negavam qualquer possibilidade de existência de outros modelos. O processo de ?rebelião? das mulheres ganha maior destaque quando as mesmas começam a invadir o campo do chamado saber intelectual e trazem o prosaico, o cotidiano e privado para o interior de suas elaborações teóricas e artísticas ? a partir da atuação de bell hooks e Lélia González procuraremos analisar produções textuais de mulheres negras.
PDF

Esse cabelo é seu? Liberdade para o corpo e para a cabeça!
Iraneide Soares da Silva, Maria Aparecida Silva, Piedade L. Videira (UFC)

O texto proposto terá como norte as experiências cotidianas e o trato com os cabelos e corpos de um grupo de 5 mulheres negras e 5 não negras. Nos propomos a dialogar sobre a prisão e liberdade para os seus cabelos e conseqüentemente seus corpos. Partindo do pressuposto de que, não devemos deixar livres nossos corpos nem cabelos, queremos responder as seguintes questões: Por que as mulheres negras não podem soltar seus cabelos naturais como fazem as não negras? Por que nosso visual natural choca tanto? Por que o controle para os cabelos “rebeldes?, ruins?”? Como as mulheres não negras vêem os cabelos das negras ao natural? Por que nossos corpos e vestimentas incomodam tanto? Metodologicamente utilizaremos as concepções etnográficas e etnometodológica. A escolha do grupo se dará aleatoriamente tendo como norte as estudantes das diversas linhas de pesquisa do programa de pós-graduação em educação brasileira da UFC; o referencial teórico básico será: GOMES, Nilma Lino, LODY, Raul, BIRMAN, Patrícia dentre outras.
PDF

O corpo do outro: construção raciais e imagens de controle do corpo feminino negro: o caso de Vênus Hotentote
Janaina Damasceno Gomes (UNICAMP)

Para Sander Gilman, o conceito de raça nasce através da noção de gênero. Para ele, o corpo feminino negro da Vênus Hotentote que escrutinizado pelos cientistas franceses do século XIX deu um corpo à teoria racial. Esse é o fio condutor dessa apresentação que tentará mostrar como as imagens de controle do corpo feminino negro são construídas e a possibilidade de reversão dos estereótipos criados por essas imagens através de um exame crítico do cotidiano feminino negro. Daí, nossa principal interlocutora será Patricia Hill-Collins através de seu livro “Black Feminist Though”, publicado em 2000, onde ela apresenta os contornos do Pensamento Feminista Negro norte-americano. O texto ora apresentado faz parte da pesquisa de mestrado intitulada “Elas são Pretas: a representação do cotidiano de estudantes negras nas universidades públicas do estado de São Paulo”
PDF

A voz de Maria de Lurdes Nascimento: pensamento negro na mídia dos anos quarenta
Joselina da Silva (UFC)

A proliferação de movimentos sociais – na segunda metade dos anos quarenta - trazia para a agenda reivindicativa uma série de temas que influenciaram a constituição do movimento social negro, estimulando o surgimento de inúmeras lideranças. Nosso intento, neste texto, é procurar analisar, parte do pensamento de uma destas líderes e suas demandas, na mediação entre o gênero e a raça. Referimo-nos a Maria L. Nascimento, do Congresso Nacional de Mulheres Negras (RJ, 1950). Este texto é um aprofundamento da tese de doutorado intitulada: UNIÃO DOS HOMENS DE COR (UHC): Uma rede do movimento social negro, após o Estado Novo, defendida no âmbito do PPCIS/UERJ (2005).
PDF

Título do trabalho: Uma leitura socioespacial das relações raciais e de gênero a partir de intelectuais negros/as
Lorena Francisco de Souza (Universidade Federal de Goiás)

A questão racial e de gênero insere-se na Geografia, uma ciência social que busca compreender a realidade a partir do espaço. Os grupos sociais, criadores de cultura combinada ao espaço, também são objetos de estudo geográfico. A partir de contribuições geográficas acerca do conceito de gênero e raça faz-se imprescindível refletir sobre os espaços ocupados por mulheres negras. De acordo com Santos (1996) a situação dos negros no Brasil é uma situação estrutural e cumulativa, o que mostra a diferença com outras minoridades. Pretende-se aqui, também, fazer uma reflexão sobre a mulher negra a partir das considerações feitas pela geografia do gênero, voltada para uma abordagem sobre a dimensão espacial das relações entre mulheres e homens. Utilizando autores como Santos (1996), González (1984) e Ratts (2002), é possível aferir que existe uma ligação entre as variáveis gênero, raça e espaço, o que significa dizer que há uma dimensão espacial das relações raciais e de gênero bem demarcadas que dispõe os lugares de pertencimento de um determinado grupo social ou individuo. Este trabalho pauta-se, portanto, em uma breve discussão sobre a espacialidade da mulher negra enquanto sujeito social no espaço urbano, tanto público quanto privado.
PDF

Carolina Maria de Jesus e Maya Angelou: Preconceito e Identidade
Marcela Ernesto dos Santos (UNESP-Assis)

A dupla marginalização das mulheres negras confere à escrita das mesmas características peculiares como processo de questionamento, rememoração de um passado coletivo e presença do eu enunciador. Essas três marcas não só compõem um retrato da interioridade da mulher negra, mas também sublinham a consciência de um eu que quer ser aceito e valorizado. Tal percurso literário rumo à auto-aceitação e valorização da raça negra é seguido por Carolina Maria de Jesus em Diário de Bitita e Maya Angelou em I know why the caged bird sings, narrativas autobigráficas nas quais as escritoras sublinham o racismo e a busca pela auto-aceitação. O propósito dessa comunicação é explicitar o preconceito racial e a busca pela própria identidade nas obras citadas.
PDF

Maria Beatriz Nascimento: novas representações negras dentro do fazer historiográfico (1974 - 1990)
Maria Gorete de Sousa Araújo (Universidade Federal de Goiás)

Esta apresentação se trata do resultado parcial de uma monografia de final de curso intitulada “Maria Beatriz Nascimento: Novas representações negras dentro do fazer historiográfico (1974 - 1990)”. Nesta monografia analisei a obra da historiadora e ativista do movimento negro Beatriz Nascimento. Ela foi escolhida por mim como objeto de meus estudos, por ser negra, mulher e historiadora e ativista. Características que a tornam uma intelectual militante objeto de minha pesquisa. Após análise das fontes percebi que Nascimento motivada pela procura de uma representação humanizada da(o) negra(o) no Brasil, recorre aos signos que sua corporeidade lhe acarreta. Assume seu local de fala, assim sendo, desenvolveu um novo método historiográfico no qual a subjetividade é utilizada para mediar o conhecimento.
PDF

“Anything dead coming back to life hurts”: subversão e liberdade em Beloved
Marina Barbosa de Almeida (UFSC)

Em Playing in the Dark: Whiteness and the Literary Imagination (1992) Toni Morrison argumenta que, por ser uma sociedade racialista, a sociedade norte-americana retratada nos romances não consegue escapar – tematicamente e formalmente – da questão racial. O American self – que é branco e masculino – só pode ser construído a partir de seu oposto. O jogo de polaridades passa a fundamentar toda a história, a política e a literatura norte-americana – e as narrativas e representações de violência, abuso, ameaças físicas e emocionais são locais de construção da questão racial. Em narrativas literárias, os primeiros exemplos foram narrativas da escravidão presentes em biografias e romances. No século XX a escolha por enredos presentes na imaginação coletiva foi comum entre escritores (as) negros (as), que procuraram (re)contar a história norte-americana. Em Beloved (1987) de Toni Morrison, a personagem Sethe encontra a liberdade dos filhos na negatividade da morte, subvertendo, desta forma, a racionalidade liberal norte-americana. Este trabalho discute como a ficção afro-americana desestabiliza categorias dicotômicas que sustentam a Americanidade (Americanness) em constante construção das identidades negra e branca (blackness e whiteness).
PDF

A identidade da mulher negra: o desenvolvimento da corporeidade através da dança-afro brasileira.
Marta Íris Camargo Messias, Paulo Roberto Cardoso da Silveira, Carmem Deleacil Ribeiro Nassar (Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia / UFSC)

Este trabalho é fruto da experiência da autora principal como coordenadora e coreógrafa do grupo de dança-afro Euwá-dandaras pertencente ao projeto de oficinas da Associação dos Amigos do Museu Comunitário Treze de Maio . O grupo Euwá-dandaras tem dez anos de existência e conta hoje com 32 integrantes entre jovens e adultos dos quais dois são meninos e 30 são meninas, desenvolvendo atividades que visam resgatar a auto-estima dos afrodescendentes a partir de atividades artístico-culturais. Como reconhecido na literatura, a dança é um instrumento de consciência corporal, cultural e social e, entre todas as modalidades da dança, a dança-afro brasileira tem ritmos, instrumentos, movimentos e símbolos próprios, onde a força de seus movimentos é transmitida através da cabeça, tronco, quadril e pés. Neste sentido, entendemos a dança-afro como sendo uma forma de contar a história do povo negro. No entanto, deve-se ter cuidado ao resgatar a cultura afro-brasileira através da dança para não nos deixarmos dominar pelos imperativos da “cultura de massa”, promovida pela cultura hegemônica, pautada em movimentos alienantes, que vulgarizam e coisificam a figura da mulher, atrelando sua corporeidade com a sensualidade e a relação sexual. Propõe-se uma reflexão sobre a corporeidade feminina a partir de uma contestação da cultura de massa, a qual nos apresenta musicas que confundem a percepção corporal como sendo banal e erótica e sobre a potencialidade da dança-afro como sua superação na construção da identidade de jovens negras.
PDF

Um estudo dos profissionais da Saúde e da Educação sobre a saúde da população negra no Brasil
Nelia Regina dos Santos de Paulo, Sigria de Souza Silva (Centro Universitário Celso Lisboa - UCL)

O afro-brasileiro herdou do sistema escravocrata a pobreza crônica e o estresse nela embutido, além de um padrão alimentar pobre em fibras e rico em calorias, gordura e sódio. Da perspectiva médica, isso significa que o conhecimento a respeito de todos os aspectos biológicos ligados ás etnias negras incluindo as doenças, podem ter no Brasil características próprias, particularmente, as doenças que podem ter comportamentos diversos daqueles observados em negros da África ou outros países da América ou da Europa. Faz-se necessário o estudo sobre as singularidades da evolução de algumas doenças em determinados grupos populacionais cujas causas podem ser múltiplas. Este trabalho tem como objetivo discutir criticamente a incidência de algumas patologias que acometem a população negra em função de suas características orgânicas ou metabólicas, particularizando assim, o atendimento da Saúde e da Educação dessa clientela, predominantemente, da mulher negra. Podem ser destacadas como questões norteadoras desse trabalho: aspectos da história dos Negros no Brasil que se configuram como fator de agravo de algumas patologias; a mulher negra e sua identidade frente às doenças de maior incidência nessa população e a qualidade de vida das mulheres negras diante das particularidades de algumas doenças que as afetam. A metodologia a ser utilizada nesse trabalho consiste em uma revisão bibliográfica sobre patologias que atingem a população negra e as possíveis formas de controle.
PDF

Questões de Gênero em Bom-Crioulo: a emergência de novas identidades no Brasil no final do século XIX.
Oswaldo Alves Lara Neto (Universidade Federal de São Carlos)

O romance Bom-Crioulo de Adolfo Caminha (1895) retrata e faz parte de um contexto de transformações sociais no Brasil em fins do século XIX. Centrado nas relações de um marinheiro negro, um grumete branco e uma prostituta portuguesa, este produto cultural nos dá acesso a um conjunto de saberes e práticas que classificaram as novas identidades sociais do período com base na hierarquização das diferenças de gênero. Nesse sentido, a pesquisa sobre Bom-Crioulo parte da literatura e da história como ferramentas para explorar a relação entre a classificação das identidades sociais e as assimetrias de gênero, raça e sexualidade daquele contexto. Mediante quais condições de possibilidade estas questões emergiram e foram problematizadas? A proposta que se apresenta com este trabalho, portanto, é discutir e analisar as contradições de gênero, raça e sexualidade presentes em termos como masculino/feminino, superior/inferior, ativo/passivo e dominante/dominado que tradicionalmente representam as identidades, trajetórias e experiências sociais.
PDF

A influência do padrão estético hegemônico do corpo feminino na construção da identidade da mulher negra
Paulo Roberto Cardoso da Silveira, Marta Íris Camargo Messias, Carmem Deleacil Nassar (Universidade Federal de Santa Catarina / Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia / Universidade Federal de Santa Maria)

Se a identidade é construída socialmente, as representações hegemônicas de um padrão estético “branco” e “magro” certamente influenciam nos processos de identificação vivenciados pelas mulheres negras. Neste artigo, aborda-se como um discurso da medicalização da alimentação, orientado pela associação entre beleza e magreza, aliado a uma exposição de corpos brancos como modelo a ser perseguido, tem implicado no declínio da auto-estima das adolescentes negras. A difusão de uma grande variedade de alimentos “funcionais” que prometem através de sua utilização uma garantia de um corpo esbelto, onde temos os conhecidos Diet e Light, as vitaminas, energéticos e orgânicos, influenciam o comportamento feminino em nossa sociedade. Este discurso fortemente associado a dietas alimentares hipo-calóricas e planos de atividades físicas, são assimilados pelas adolescentes negras, bombardeadas pela publicidade na televisão e revistas especializadas em assuntos relativos a beleza feminina. Não se percebendo, muitas vezes, que mesmo com todos estes procedimentos, a mulher negra continua sendo discriminada por não atingir o padrão de beleza tomado como referência, a mulher branca, longilínea e magérrima. Busca-se elementos teóricos e empíricos para elucidar como as mulheres negras se vêem e qual imagem tem de seus corpos, suas formas de confrontarem um padrão estético que as depreciam e, no entanto, vincula a corporeidade negra a malícia e sensualidade. Reflete-se sobre as formas pela qual tem se enfrentado este preconceito em relação à mulher negra através da dança como instrumento de auto-reconhecimento e desenvolvimento da auto-estima.
PDF

O silêncio da cor
Regina Marques Parente (UFSCar)

Examino o processo de pedagogização de gênero, raça e etnia, engendrada nas políticas públicas de promoção dos direitos humanos e de combate as desigualdades sociais para negros e mulheres desenvolvidos pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre/RS.
PDF

Leite de peito - autoria étnica/feminia
Selma Maria da Silva (NEERA)

A proposição deste estudo objetiva a uma reflexão do lugar da memória no processo de produção e escrita textual, como elementos constitutivos da estrutura narrativa, inseridos como particularidades textuais, no livro de contos de autoria de Geni Guimarães, Leite de peito (1988). Os procedimentos textuais e discursivos presente nesta obra, estão em permanente dialogo com a autora, sua narrativa e a sua condição social de ser: mulher negra em uma sociedade machista e racista. A linguagem autoral temperada pela memória da escritora Geni Guimarães possibilita a criação de uma leitura prazerosa do interior de São Paulo e quem sabe poderia ser também do Rio de Janeiro ou de Minas Gerais, ou mesmo qualquer outro interior brasileiro. Uma narrativa com cheiro, sabor e sabedoria estratégica capaz de criar um cenário, cujos protagonistas vivenciam tensões cotidianas impregnadas pelo imaginário cordial racista da democracia brasileira. Portanto, é nesta escrita de uma autora identificada com os anseios e desejos, particular de pertencimento étnico e de gênero, que podemos caracterizar a obra - Leite de peito- como de uma autoria étnica/feminista.
PDF

Mulheres negras brasileiras: ao passar do tempo, da barbárie da escravidão a atoras sociais
Silvana do Amaral Veríssimo (Nzinga Mbandi)

No Brasil, quando se trata da questão de gênero, há um capítulo que não se pode esquecer : as mulheres negras. Chegaram aqui no solo brasileiro escravizadas, vítimas da diáspora, submetidas a todo tipo de abuso. Embora houvesse muitas delas fossem utilizadas principalmente, para trabalhos domésticos; cozinheiras, arrumadeiras, amas de leite, muitas delas eram obrigadas a terem relações sexuais forçadas com seus senhores. Quando a escravidão foi abolida por lei, em 1888, a população negra se tornou livre, porém não tiveram respaldo nenhum do Governo Brasileiro pelos anos que trabalham. Como os antigos senhores se recusavam empregar os homens negros, as mulheres negras, simbolizando a sua resistência, foram para as ruas vender seus quitutes, originando renda para suas famílias. Passados 120 anos pós-abolição, os dados mostram que houve uma pequena evolução na situação das mulheres negras brasileiras, mas, os principais desafios que elas enfrentam são o racismo institucional e machismo. São 30% do total da população brasileira, maioria chefes de família, ganham menos do que os homens brancos, as mulheres brancas e os homens negros. Há um grande desafio na questão gênero e etnia, pois enquanto não houver a implantação de políticas públicas voltadas especificamente para esse grupo, a tão sonhada igualdade de gênero estará em um futuro muito distante.
PDF