fazendo genero 8
 
 
 
 
autores cronograma cultura
inscricoes posters hospedagem
programacao simposio tematico transporte
mini cursos lancamentos contato
 
 
     
 
header apresentacao

71 - Futebol: feminilidades e masculinidades em jogo

Coordenação:
Dr. Édison Gastaldo. Antropólogo. Doutor pela UNICAMP-SP. Professor do
Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais da UNISINOS São Leopoldo-RS.

Matias Godio, Sociólogo, Mestre e Doutorando em Antropologia, Universidade
Federal de Santa Catarina, Pesquisador ad honorem Universidade Tres de
Febrero (UNTREF).

Santiago Uliana, Sociólogo, Mestrando em Ciências Sociais, Universidade de
Buenos Aires (UBA), Universidade Tres de Febrero (UNTREF).

Tanto a prática como o espetáculo futebolístico tiveram desde suas respectivas origens uma articulação importante com a construção cultural do gênero no ocidente. Por um lado, o jogo em si tem sido tradicionalmente um espaço de sociabilidade masculina, por sua vez inseparável do processo de trabalho, da sua organização e do disciplinamento civilizatório da sociedade
industrial.
Neste sentido, o renovado interesse pelos estudos nesta área, tem prestado especial atenção na relação entre a polifonia dos diversos torcedores, a construção cultural da masculinidade, e, por exemplo, a dinâmica da violência e da memória coletiva. Também, alguns estudos recentes, tem-se interessado em investigar a relação entre o treinamento pré-profissional de
jogadores de futebol e os mecanismos de produção do corpo no contexto pós-industrial.
Paralelamente, a evidente visibilidade que tem adquirido a prática do futebol entre mulheres tem aberto um novo campo de análise para os estudos de gênero, o qual deverá incluir, também, os incipientes debates na mídia e no interior das instituições sobre as conseqüências desta "novidade". Neste mesmo sentido, os diversos lugares que ocupam as mulheres no interior das instituições futebolísticas (profissionais e amadoras), falam das práticas de poder e empoderamento. Assim como as experiências e narrativas de esposas de jogadores no exterior falam sobre a dinâmica das novas migrações no contexto da globalização.
A proposta deste Simpósio Temático é a de criar um espaço de debate aberto que possa integrar os distintos aspectos e dimensões acima colocadas desde uma perspectiva interdisciplinar sobre gênero, a produção do espetáculo moderno, o jogo de futebol e as modalidades e práticas de poder e empoderamento, assim como os fluxos midiáticos e migratórios relacionaldos ao sistema futebolístico contemporâneo.

Bola no Pé e Caneta na Mão: futebol e Direito em busca do falo perdido
Adriano de León (Universidade Federal da Paraíba)

Em agosto de 2007, um Juiz de Direito da cidade de São Paulo julga improcedente uma queixa-crime, descrita na análise, a qual tomo como arquivo. Nesta queixa-crime, o meio-campista Richarlyson decidiu ir à Justiça após o cartola do Clube Palmeiras, José Cyrillo Júnior, citar seu nome como jogador de futebol gay. Com base no artigo 22 da Lei de Imprensa, que versa sobre injúria por meio da mídia, o jogador entrou com uma queixa-crime contra o cartola. Pelas mãos do juiz de Direito Manuel Maximiano Junqueira Filho, a queixa foi rejeitada nestes termos: o futebol seria uma coisa de “macho”, e ninguém conceberia um jogador de futebol, a exemplo dos nossos craques, na condição homossexual. O meu interesse é que verdades como estas produzidas no campo jurídico também produzem sujeitos, sujeitos portadores desta verdade, sujeitos que impõem um tipo de poder tão drástico e eficiente ao ponto de não se permitir discuti-lo, de se esgueirar de confrontá-lo com outras formas de verdade, de se calar deixando este poder assim cada dia mais forte, mais real, mas “natural”. A análise se pauta na genealogia dos discursos de M. Foucault e S. Seidman e persegue temáticas como corporalidade e esporte, fisiculturismo e masculinidade e genealogia do jogador “macho” nos futebol brasileiro.
PDF

Garotas no Futebol: trajetórias de gênero e sexualidade
Ana Mara Gomes da Cunha, Maria de Fátima Salum Moreira (UNESP / FAPESP)

Trata-se de uma pesquisa, financiada pela Fapesp, sobre a experiência vivida por garotas praticantes de futebol na equipe feminina que representa o município de uma cidade do interior do Estado de São Paulo. Pretendeu-se analisar o modo como essas garotas percebem e compreendem os olhares e atitudes das pessoas com as quais convivem, acerca de suas características sexuais e de gênero. Pressupôs-se que a análise que fazem desse olhar do outro sobre "suas vidas", possibilitaria interpretar parte dos mecanismos de seus próprios processos de construção identitária, tanto em termos de gênero como de orientação sexual. Trata-se de investigação de caráter qualitativo, pautado na pesquisa empírica oral, através do uso de entrevistas semi-estruturadas e relatos de vida, que foram gravados e transcritos. A abordagem teórica e metodológica é fundamentada em estudos sobre a linguagem de Bakhtin, além de construírem-se categorias de análise com base nos procedimentos indicados pela "análise de conteúdo" de Bardin. A pesquisa indicou para o caráter múltiplo e plural das identidades sexuais e de gênero das jovens, que se explicam em função de suas diversas formas de inserção social e são demarcadas pelo conjunto das experiências sócio-culturais que compuseram as suas trajetórias de vida, especialmente aquelas que dizem respeito às vivências das relações familiares e escolares. A investigação ensejou um trabalho de análise crítica aos processos constitutivos das práticas de diferenciação, exclusão e desigualdades sociais, envolvidas no campo da cultura.
PDF

58-62 : A construção de uma identidade no Brasil através os jogadores Pelé e Garrincha
Antonin Vabre (UFSC)

Para o meu mestrado, estou fazendo uma pesquisa sobre os dois jugadores brasileiros, o Pelé e o Garrincha, como foram utilizados pelo poder politico e como a figuras deles foi trasmitida pelos mídias para crear uma identidade nacional e uma masculinidade.
A minha pesquisa permitiu-me de ter estudado já bastante fontes, sobretudo do fim dos anos 50 e do início dos anos 60. Jim Mc Kay e Suzanne Laberge em Sporte e Masculinidades (in Terret (Thierry), Liotard (Philippe) (dir.), Sport et Genre : Volume 2 « Excellence féminine et Masculinité hégémonique », Paris, l'Harmattan, 2005, p. 279.) explicavam que « é possivel considerar o sporte mediatizado como uma das mais importantes instituções sociais que define as formas preferidas e depreciadas dos homens e das mulheres (...), a exibição do corpo encoraja os homens a provar a sua masculinidade pegando riscos, comportando-se violentemente e soportando a dor e os machucados ».
A ideia é ver como são mostrados os homens tanto no campo futebol quanto fora, uma análise dos atributos dos homens nesse caso é interessante. A fonte principal seria a revista O Cruzeiro no fim dos anos 50 e ao inicio dos anos 60, periodo em que o Brasil ganha dos Mundiais de futebol, e se desenvolve a vontade de promover uma identidade brasileira, o futebol pode ajudar a concretizar a ideia de igualdade entre as raças, mas ajuda tambem a crear subjetividades nas relações entre os homens e as mulheres, a definir papeis na sociedade, que seria em certos casos : Os homens jogam, as mulheres torcem (as mulheres dos jogadores torcem, mas em casa com os filhos).
PDF

Problematizando questões de gênero e futebol em um jornal da cidade de Canoas, RS
Carlos Alberto Tenroller, Mariangela Momo (ULBRA)

Neste trabalho, que faz parte de uma pesquisa de maior amplitude, procuramos analisar como a mulher é representada no espaço destinado às notícias esportivas que enfatizam a modalidade de futebol. O estudo foi realizado mediante a análise de fotos e narrativas publicadas nas edições dos meses de março e abril de 2008 no jornal Diário de Canoas, com tiragem diária na cidade de Canoas, RS. A partir de uma abordagem qualitativa e com inspiração teórica nos campos dos Estudos Culturais e dos Estudos de Gênero, buscamos evidenciar como as mulheres são representadas no referido jornal e refletimos sobre a produção de determinados entendimentos do feminino e a prática de futebol. Consideramos o jornal analisado como um artefato cultural que coloca em circulação determinadas representações que constituem, reforçam e produzem as identidades de gênero nas relações estabelecidas com o futebol. A análise realizada possibilita-nos apontar que as informações/notícias referentes às mulheres no encarte que versa sobre futebol, comparativamente às informações sobre os homens, são extremamente reduzidas. Ao mesmo tempo, em todas as edições analisadas, há matérias e fotos de homens relacionadas ao futebol que versam tanto sobre competições de alto nível técnico quanto sobre torneios amadores. Já as mulheres estão presentes somente quando se abordam competições de alto nível técnico – não encontramos a sua presença em relação ao futebol amador. Isso remete a uma idéia de que o futebol seria praticado apenas por algumas mulheres “diferentes” de que não faria parte de um modo de ser mulher em tempos contemporâneos.
PDF

Do crochet à casa: as mulheres na vida dos jogadores de futebol emigrantes
Carmen Silvia Rial; Natália França Tomaz (UFSC)

O trabalho pretende refletir sobre o complexo papel das mulheres na vida dos jogadores de futebol brasileiros emigrantes a partir de uma pesquisa que analisa os processos migratórios destes jogadores com carreiras de sucesso em clubes europeus (clubes nacionais e clubes globais) (Rial 2007); investigando os projetos e estilos de vida destes jogadores na Europa para compreender as transformações nos modos de vida no exterior, relações de identidade, origens sociais, projetos de vida, valores, consumos, também suas dificuldades nos âmbitos pessoais, sociais, culturais, financeiros. A presença das mulheres (esposas, mães, tias, empregadas domésticas) neste processo é constante e tem aparecido como de suma importância para a adaptação do jogador no exterior. São elas também que vivem essas mudanças como rupturas abruptas e por vezes mesmo traumáticas. Pois, ao contrário dos jogadores, não estão inseridas em uma esfera profissional e tem na transferência para o exterior suas primeiras experiências de afastamento dos seus familiares, sem uma preparação para enfrentarem esta nova realidade; ficando restringidas aos espaços domésticos e dependentes de seus companheiros que, devido à atividade profissional se tornam ausentes, o que ocasiona em muitas vezes, situações difíceis que chegam a estados de depressão. As estratégias das mulheres para enfrentarem a distância da família de origem, amigos e do país serão abordadas, assim como as mudanças no seu estilo de vida e práticas de consumo. Abordaremos também a centralidade da figura da mãe para esses jogadores, sua importância na construção da carreira (dom) e a retribuição financeira posterior (contra - dom).
PDF

Elas estão com a bola toda? Uma visão sobre a prática do futsal feminino em Santa Maria - RS
Cláudia Samuel Kessler (Universidade Federal de Santa Maria)

O futsal, modalidade esportiva genuinamente brasileira, cresce rapidamente em número de praticantes. Não apenas pela falta de espaços para a prática esportiva, mas por ser uma atividade que não requer muitos materiais, diversas pessoas vêm aderindo ao futsal para entretenimento, descontração ou até mesmo como modalidade para competição. Um simples tênis, e às vezes até mesmo de pés descalços, qualquer pessoa pode jogar futsal. Mas como é vista presença das mulheres em quadra? Ou melhor, como essas jogadoras percebem essa recepção nas quadras? Será o futsal ainda uma atividade que sofre preconceitos em relação ao gênero? E como ela é praticada em Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul?
PDF

Futebol, gênero e interações sociais entre torcedores: um estudo etnográfico
Édison Gastaldo (Unisinos)

No Brasil, o futebol é considerado um dos principais elementos constituintes do que seria uma "identidade nacional". Para além deste campo simbólico, o universo do futebol também evidencia tensões sociais de diferentes âmbitos, como relações de classe social, relações étnicas e de gênero. Este artigo busca discutir alguns aspectos da relação entre futebol, gênero e interações sociais entre torcedores, a partir de um estudo etnográfico realizado em bares onde são transmitidas partidas de futebol pela televisão. A partir do alinhamento dos diferentes participantes às regras da interação nestes espaços, são apresentadas categorias evidenciadas na sistematização dos dados de campo, como "teatralizações jocosas", "falar para todos" e "desafios verbais". Em cada uma destas categorias, são analisados aspectos da cultura de gênero entre os participantes.
PDF

Futebol e Masculinidade: o óbvio e o ululante
Fernando Gonçalves Bitencourt (CEFETSC/SJ / PPGAS/UFSC)

A relação futebol e masculinidade, cuja “obviedade” – em se tratando de Brasil – se estabelece através das definições dos papéis sociais constitutivos das relações de gênero, é construída também através de uma complexa trama que envolve o deslocamento e ocupação de espaços geográficos, portanto espaços sociais, cuja arquitetura impõe um enfrentamento que extrapola as dimensões restritas do plano esportivo. O ululante, da qual a óbvia dor é assimilada como verdade do atleta, pouco resmunga as condições espaço-temporais das realizações dos jogos desde as categorias de base: campos ruins ou pequenos na contra sorte dos estádios bem acabados; torcedores embriagados em encostas e barrancos versos a imponência arquitetural e os sistemas de segurança dos grandes clubes. Este texto trata, a partir de um trabalho etnográfico realizado no Clube Atlético Paranaense, das diversas formas de, ao se procurar o equilíbrio-desequilíbrio da disputa esportiva no encontro de desiguais, da definição e conseqüente construção da masculinidade de jogadores de futebol. Os espaços sociais e suas arquiteturas, através de sua violência prático-simbólica, acabam por funcionar como maquinarias através das quais a masculinidade prescrita é, junto com a bola, posta em jogo.
PDF

Futebol jogado por homens gays: Desejando a norma? Encenando um atributo da masculinidade hegemônica? Produzindo uma disposição anti-normalizadora? Reforçando a heteronormatividade? Resistindo ao poder? Construindo algo novo ou fazendo de conta?
Fernando Seffner (UFRGS)

O acompanhamento durante os últimos três anos de prática semanal de futebol por um grupo de homens gays em Porto Alegre permitiu levantar produtivas questões acerca dos modos, processos e impasses na produção, manutenção e modificação das masculinidades. O registro etnográfico dos diversos "embates" nas partidas, entrevistas feitas com os jogadores, observação participante da sociabilidade ali gerada, relações do "time" com o universo masculino heterossexual no ginásio de esportes constituem o "corpus" de dados que suporta as indagações postas no título.
Através dos conceitos de heterossexualidade compulsória (Judith Butler) e de heteronormatividade (Guacira Louro), entendemos a heterossexualidade não apenas como mera modalidade de orientação sexual, mas como verdadeira instituição social. Desta forma, os homens gays que semanalmente jogam futebol realizam de modo simultâneo dois movimentos: o ingresso na norma heterossexual, via prática de um tradicional esporte que caracteriza a virilidade masculina; e a simultânea subversão desta norma, "inventando" novas regras, novos modos de jogar, performances corporais que ora encenam o "jeito" heterossexual de jogar, ora afrontam este mesmo "jeito" incorporando elementos supostamente típicos de um "modo gay" de jogar futebol.
O conceito de performance, aplicado aqui para designar e compreender as produções corporais durante as partidas de futebol, e a idéia de ato com efeito performativo, tomada das reflexões de Judith Butler envolvendo o poder de produzir aquilo que nomeia, pensado como um conjunto de disposições que reitera as normas de gênero, são as categorias conceituais que servem de suporte para a análise do material etnográfico.
PDF

É dia de lotar o estádio: como os torcedores são convocados para uma partida de futebol
Gustavo Andrada Bandeira (UFRGS)

Tendo como referência os Estudos Culturais e de Gênero pós-estruturalistas, este trabalho procura problematizar as formas como os torcedores são convidados a participarem dos jogos de seus clubes. Para tanto selecionei quatro jornais da cidade de Porto Alegre nos dias de quatro jogos do Sport Club Internacional e do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense no Campeonato Gaúcho de 2008, observando dois conjuntos de textos diferentes: os veiculados pelas equipes de marketing dos clubes e os dos comentaristas dos jornais. Entendo que esses materiais produzem uma espécie de currículo com conteúdos de uma masculinidade específica para ser exercida nos estádios Olímpico e Beira-Rio. A análise permite-me pensar aproximações e afastamentos entre os dois conjuntos de textos: ambos falam sobre a importância do torcedor na construção de um ambiente favorável para sua equipe; os textos publicitários destacam a paixão e a união entre time e torcida em busca da vitória e em alguns casos podem convocar os torcedores para uma batalha; os comentaristas fazem maiores alusões ao comportamento da equipe, além de solicitar o apoio incondicional dos torcedores. Procuro investigar que representações de masculinidades são convocadas e de que forma são hierarquizadas. Esses conjuntos de textos interpelam os sujeitos de diferentes modos. Ao mesmo tempo em que colocam o torcedor como protagonista dos jogos, tentam diminuir o envolvimento dos mesmos com os eventos esportivos para evitar algumas manifestações de violência.
PDF

As relações de gênero e o futebol nas aulas de educação física em Catalão Goiás
Heliany Pereira dos Santos, Mário Moreno Rabelo Silva, Fernanda Gonçalves Silva (Universidade Federal de Goiás)

A escola é um local evidente da construção social do masculino e do feminino e ao mesmo tempo, promove a separação dos sexos, formando indivíduos discriminantes de si mesmos e dos outros, como também é através dela que surgem ações de superação de preconceitos e estereótipos relacionados aos papéis sociais entre o homem e a mulher. A forma como os meninos tratam e vêem as meninas (e vice versa) no ambiente educacional e também nas aulas de Educação Física, são elementos relevantes que merecem ser aprofundados, assim, apresentamos como temática dessa discussão “as relações de gênero e o futebol nas aulas de Educação Física em Catalão – GO”, e, como objetivo geral analisar como se configuram as relações sexistas no interior da escola especificamente na aula de Educação Física quando o conteúdo é o futebol. Esta pesquisa caracteriza-se com caráter exploratório cujo instrumento de coleta de dados constituiu-se na observação de aulas de Educação Física em três Escolas da Rede Estadual de ensino que apresentam o 6º e o 7º ano do ensino fundamental. Percebemos que há uma tendência histórica de os professores tratarem a questão do gênero de forma distinta, separando meninos e meninas das aulas de Educação Física, e que há uma nítida separação nas relações construídas e estabelecidas entre os alunos quando o conteúdo é o futebol.
PDF

Memória social e o habitus de ser torcedor
Isabella Trindade Menezes (UNIRIO)

O presente projeto visa analisar os diferentes significados e representações acerca do que é ser torcedor no interior de um mesmo grupo - a torcida do Botafogo - interpretando-o como um grupo onde diferentes identidades são produzidas, relidas e transmitidas, em um processo permeado por heterogeneidade e disputas.
Quando chegamos a um estádio de futebol notamos na arquibancada, de qualquer que seja o time, uma divisão espacial dos diferentes grupos que ali estão. Esta organização dos torcedores não tem nada de natural, ela é produzida, apropriada e reapropriada em práticas quotidianas das torcidas. Ou seja, os indivíduos se agrupam de acordo com concepções e sentidos de pertencimento relacionados ao que significa ser torcedor e, nesse caso, ser torcedor significa ser homem e partilhar de ideais masculinos de pertencimento.
Percebe-se, desta forma, um cenário de disputas, em que o discurso tem papel fundamental, daí a inserção do meu trabalho na linha de pesquisa Memória e Linguagem, e a adoção da análise de discurso como metodologia.
Com base nas diferenças de identificação e símbolos, faz-se-á a análise das posições sociais a partir do conceito de “habitus” de Píerre Bourdieu, de “lugares de memória” de Pierre nora e de memória coletiva de Pollak.
PDF

A Questão de Gênero em Projetos Sociais
Leandro Silva Vargas (Unisinos)

Com uma proposta pedagógica igualitária, os educadores utilizam atividades, buscando que meninos e meninas ocupem os espaços estando eles submetidos a uma mesma rotina. Há uma preocupação dos educadores para que todos estejam incluídos nas atividades, cumprindo com a proposta pedagógica.
PDF

“Uma guerra para machões”: a masculinidade e a honra em discurso na Copa do Mundo de 1978
Leonardo Turchi Pacheco (UFMG)

Em 1978, na Argentina, no meio de uma Copa marcada por polêmicas e boicotes devidos aos rumores de torturas perpetradas pelo governo ditatorial do general Videla, brasileiros e argentinos se enfrentaram em um jogo que ficou denominado; “A batalha de Rosário”. Um verdadeiro clima de guerra foi criado: acusações e declarações de ambos os lados sobre excesso de honra e covardia surgiram exacerbando ainda mais uma rivalidade tida como histórica. Segundo imprensa e público era nesse evento que estava sendo definido o campeonato mundial. Portanto era para ser uma final antecipava, mas o que se viu foi um jogo feio e truculento, marcado pelo espírito de virilidade dos jogadores. A partida acabou em um empate de 0X0. Os brasileiros, “homens-jogadores polivalentes” não ganharam a Copa, mas foram proclamados pelo próprio técnico Cláudio Coutinho como “campeões morais”, por não terem perdido um jogo sequer. Sobre a Argentina campeã pairou a incerteza da licitude do título conquistado. E sobre a seleção peruana, catalisadora do ficou conhecido como “o escândalo dos 6x0”, pairou o estigma da vergonha e da desonra. A partir dessa configuração histórica esse trabalho pretende explorar os discursos sobre honra, covardia e masculinidade através da mídia impressa – especializada no campo esportivo –, em decorrência da Copa do Mundo sediada na Argentina em 1978. A exploração se baseia na analise das reportagens, notícias e imagens veiculadas nas revistas Placar e Manchete Esportiva entre março e julho de 1978. Na tentativa de compreender e questionar as categorias discursivas (e praticas) da construção de “homens polivalentes” e “campeões morais” esse trabalho está apoiado no referencial teórico dos estudos sobre gênero, masculinidade e nos conceitos de discurso, processo civilizador, acusação e honra, dos seguintes autores: Michel Foucault, Norbert Elias, Gilberto Velho, Julian Pitt-Rivers e J.G. Peristiany.
PDF

Produzindo masculinidades e feminilidades na “baixada”: a invasão feminina na torcida xavante
Luciano Jahnecka; Luiz Carlos Rigo; Méri Rosane Santos da Silva (UFRGS; ESEF/UFPel; DECC – FURG)

Para descrever algumas das relações que habitam e são (re)produzidas por sujeitos que freqüentam um estádio de futebol, podem ser utilizadas um conjunto de palavras que ao mesmo tempo dão significado ao que acontece “dentro e fora de campo”, como por exemplo: enfrentamento, jogo, competição, entre outras. A grande aceitabilidade e o número de pessoas que passaram a freqüentar um estádio – diz-se torcidas para identificar aquelas pessoas que acompanham e torcem por um clube de futebol – tornaram o futebol conhecido como “esporte das multidões”. Para esta comunicação nos propomos em investigar a forma com que a torcida de um clube de futebol profissional da cidade de Pelotas vem historicamente produzindo as relações de gênero nas práticas torcedoras, tendo em vista duas características centrais na “torcida xavante”: fidelidade e violência. Para realizar este estudo estamos fazendo uso da Participação Observante (Wacquant, 2002), dos relatos orais através de entrevistas e da fotografia como fontes primárias no entendimento das relações de poder e do campo de forças que geraram e continuam a gerar as tradições xavantes. O constante incentivo à mulher freqüentar um estádio de futebol através da pretensa idéia de diminuição da violência coloca inúmeras questões a serem problematizadas: Como são produzidas e que tipos de feminilidades e masculinidades estão presentes em um estádio? Quais as causas das violências nesse espaço? Como as(os) torcedoras(es) lidam com a violência e as relações de gênero?
PDF

“Se eu fosse macho eu também seria jogador...”: uma perspectiva de gênero no filme Futebol de Arthur Fontes e João Moreira Salles
Maycon Melo, Izomar Lacerda, Carmen Rial (UFSC)

A importância do futebol como referente social já foi demonstrado em diferentes estudos, neles o acúmulo e o rigor dos trabalhos oferece aos pesquisadores possibilidade de compreensão sobre nexos culturais, tanto desse esporte quanto de sua relação com outras esferas da vida social. No filme Futebol, a relevância da pesquisa cinematográfica permite um enfoque sobre as relações sociais entre homens e mulheres, ou seja, as relações de gênero vistas no espaço social em torno do futebol. O gênero é tomado aqui como categoria analítica que permite compreender os processos sociais entre os sexos, que por sua vez levam a rearticulações de valores, normas e padrões. O filme é dividido em três episódios, de forma especifica, fios narrativos atravessam as questões aqui em foco nos dois primeiros: a saga de meninos que tentam se tornar jogador profissional; e na experiência de dois jogadores recém-contratados que buscam firmar-se na elite do futebol profissional e administrar a nova vida. Através da estrutura fílmica busco tornar visível a organização social das relações entre os sexos no espaço familiar, onde papeis e funções são atribuídas a cada um dos agentes conforme sua disposição na trajetória desses jogadores no sistema futebolístico.
PDF

Futebol, gênero e identidade feminina: um estudo etnográfico sobre o Núcleo de Mulheres Gremistas
Marcelo Pizarro Noronha (unisinos)

Este artigo trata da pesquisa de Doutoramento em Ciências Sociais que desenvolvo na UNISINOS, a qual teve início em meados de 2006. A partir de uma etnografia sobre o Núcleo de Mulheres Gremistas, grupo vinculado ao Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, proponho a articulação entre três campos teóricos: futebol, compreendido aqui como um fato social, gênero e identidade. Discuto, neste texto, de forma breve, a etnografia como método de pesquisa, por meio de reflexões sobre o meu próprio trabalho de campo. O objetivo principal deste estudo é o de discutir o lugar simbólico das mulheres no universo do futebol institucionalizado (clubístico) no Brasil, sendo o Núcleo de Mulheres Gremistas um exemplo da gradual inserção da mulher num espaço predominantemente masculino.
PDF

Discursos da afetação: homofobia e esporte na produção científica da educação física brasileira
Rodrigo Braga do Couto Rosa (Unicamp)

Em julho de 2007, o juiz de direito Manoel Maximiano Junqueira Filho arquivou a queixa-crime apresentada pelo volante são-paulino Richarlyson contra o diretor administrativo do Palmeiras, José Cyrillo Jr., que insinuara a homossexualidade do atleta. Na argumentação para o arquivamento da ação, o magistrado classificou o futebol como jogo viril, varonil, não homossexual e sugeriu que um atleta gay deveria abandonar a carreira ou montar um novo time e criar uma federação própria para continuar atuando. Deste breve relato, depreende-se um encontro recorrente entre homofobia e esporte. Periódicos de circulação impressa ou virtual constituem-se em fonte profícua de exemplos semelhantes de discriminação ligada ao esporte, que têm a particularidade de se valerem da depreciação de orientações sexuais e identidades de gênero que divergem da norma heterossexual. Mas tal efusão parece não ter ecoado na produção científica brasileira na área de Educação Física. A análise de fontes como as Revistas Movimento; Motrivivência e Revista Brasileira de Ciências do Esporte e os Anais dos Congressos Brasileiros de Ciências do Esporte e dos Encontros Brasileiros de História do Esporte, Lazer e Educação Física e Dança atestam um silêncio entrecortado por parcos e esparsos ruídos e por três artigos que não se centram na categoria “homofobia”, mas discutem “homossexualidade” e “homorrivalidade” em aulas de educação física e práticas esportivas. Este trabalho relaciona e problematiza estas enunciações com reflexões de autores que compreendem os mecanismos da relação homofobia e esporte como reforçadores ou confrontadores de uma ordem sexual hegemonicamente heterossexual, masculina e viril.
PDF